Logo Passei Direto
Buscar

EO - Linguagens e Códigos_VOLUME1

Estudo Orientado do Hexag Medicina: livro pré-vestibular com nove categorias de exercícios (Aprendizagem, Fixação, Complementar, Dissertativo, Enem, Objetivas e Dissertativas para Unesp/Fuvest/Unicamp/Unifesp, Uerj), gabaritos com códigos hierárquicos, aulas de Gramática e Literatura e texto A Pipoca de Rubem Alves.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1
Caro aluno 
O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às 
melhores universidades do Brasil.
Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferen-
cial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas 
e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado.
Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu 
os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios:
• Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixa-
ção da matéria dada em aula 
• Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, 
buscando a consolidação do aprendizado 
• Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade 
• Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais ves-
tibulares do Brasil 
• Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, 
preparando o aluno para esse tipo de exame 
• Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das faculda-
des públicas de São Paulo 
• Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase 
das faculdades públicas de São Paulo 
• Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha, buscando a consolidação do 
aprendizado para o vestibular da Uerj 
Visando um melhor planejamento dos seus estudos, ao final de cada aula, o gabarito vem 
acompanhado por códigos hierárquicos que mostrarão a que tema do livro teórico corres-
ponde cada questão. Esse formato irá auxiliá-lo a diagnosticar quais assuntos você encontra 
mais dificuldade. Essa é uma inovação do material didático 2020. Sempre moderno e com-
pleto é um grande aliado para o seu sucesso nos vestibulares.
Bons estudos!
Herlan Fellini
2
SUMÁRIO
ENTRE LETRAS
GRAMÁTICA
Aulas 1 e 2: Formação de palavras 4
Aulas 3 e 4: Artigos, substantivos e adjetivos 24
Aulas 5 e 6: Verbos: noções preliminares e modos indicativo e subjuntivo 47
Aulas 7 e 8: Verbos: modo imperativo e vozes verbais 71
Aulas 1 e 2: A arte literária e o estudo dos gêneros 92
Aulas 3 e 4: Trovadorismo: a literatura da Idade Média 106
Aulas 5 e 6: Humanismo e Classicismo 115
Aulas 7 e 8: Classicismo: Camões épico e lírico 126
LITERATURA
3
GRAMÁTICA
4
E.O. AprEndizAgEm
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a 
cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras 
que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas 
que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de 
“culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades 
do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne 
com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. 
Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico 
a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma 
celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das mi-
nhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi 
como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária 
estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha 
capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria 
um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamen-
te isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e 
duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira delicio-
sa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias 
atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. 
E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias 
começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação 
metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamen-
to nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada 
e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um ex-
traordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as 
pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como 
aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido 
religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o 
vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de 
vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). 
Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem exis-
tir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe 
Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a 
comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado,subdesenvolvido. Fosse eu agricultor 
ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem 
aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar de-
las. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da 
pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como 
isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de 
debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, espe-
rando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. 
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O 
que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repenti-
namente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com 
uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia 
com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores 
brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das 
pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, 
em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, espe-
cialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a trans-
formação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande 
transformação porque devem passar os homens para que eles 
venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que 
deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. 
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios 
para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos 
transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de 
pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, 
para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transfor-
mações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não pas-
sa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de 
uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. 
Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de 
repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa si-
tuação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder 
um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar 
pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depres-
são – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso 
aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E 
com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá den-
tro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: 
vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, 
ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a 
transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina 
aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do 
fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece 
como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma 
nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do 
casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está repre-
sentado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o 
estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito 
para ser de outro. “Morree transforma-te!” − dizia Goethe.
Formação de palavra
CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27
AULAS 
1 e 2
5
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os 
piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. 
Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é 
palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio 
para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho 
de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extra-
ordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em 
milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da 
pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os 
piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não 
valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às 
mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos 
quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder me-
tafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas 
que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas 
acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o 
jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a 
sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura 
casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão 
ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca 
macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro 
alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não 
servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que 
estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem 
que a vida é uma grande brincadeira...
Disponível em http://www.ReleituRAs.com/RubemAlves_pipocA.Asp. 
AcessADo em 31 De mAi. 2016.
Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
1. (EfOMM) NO QUE TANgE AO PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS, 
O TERMO dESTACAdO QUE SE ENQUAdRA COMO fORMAçÃO-REgRESSIvA 
APARECE NA OPçÃO 
a) As comidas, para mim, são entidades oníricas. Pro-
vocam a minha capacidade de sonhar.
b) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que 
estoura, de forma inesperada e imprevisível.
c) É que a transformação do milho duro em pipoca 
macia é símbolo da grande transformação (...)
d) O estouro das pipocas se transformou, então, de 
uma simples operação culinária (...)
e) O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-den-
tes, impróprios para comer (...)
2. (CEfET)
A INTERNET E A MORTE dA IMAgINAçÃO
JAcques GRumAn 
“nuncA entenDi essA obsessão poR soRRisos em fotoGRAfiAs. 
Deve seR um conluio com os DentistAs.” 
(noRA tAusz RónAi)
Reza uma antiga lenda que dois reinos estavam em guerra. Os 
perdedores acabaram condenados ao confinamento do outro 
lado dos espelhos, um primitivo mundo virtual em que eram 
obrigados a reproduzir tudo o que os vencedores faziam. A luta 
dos derrotados passava a ser como escapar daquela prisão. O 
genial Lee Falk inspirou-se nesta narrativa para criar, na década 
de 1940, O mundo do espelho, para mim uma das mais aterro-
rizantes histórias do Mandrake. Espelhos foram, aliás, protagonis-
tas de algumas sequências cinematográficas assustadoras. Bóris 
Karloff, um clássico do gênero, aproveitou muito bem o medo que, 
desde crianças carregamos, de que nossos reflexos nos espelhos 
ganhem autonomia. Ui! Já imaginaram se isso virasse realidade? 
Teríamos de conviver com nossos opostos, um estranhamento no 
mínimo desconfortável. Os quadrinhos exploraram o assunto tam-
bém na série do Mundo bizarro, do Super-Homem. Era um nonsen-
se pouco habitual no universo previsível dos super-heróis.
Estava pensando nos estranhamentos do mundo moderno quan-
do me deparei com uma pequena nota de jornal. Encenava-se a 
ópera Carmen, de Bizet, no Theatro Municipal do Rio. Suponho 
que a plateia, que pagou caro, estava mergulhada na história e na 
interpretação da orquestra e dos solistas. Não é que um cidadão 
saca seu iPad e passa um tempão checando os e-mails, dedinhos 
nervosos para cima e para baixo, com a tela iluminando a penum-
bra indispensável para a fruição plena do espetáculo? Como esse 
tipo de desrespeito está entrando na “normalidade”, apenas uma 
pessoa esboçou reação. Uma espécie de angústia semelhante à 
incontinência urinária se espalha como praga nas relações pes-
soais e no uso dos espaços público e privado. Tudo passou a ser 
urgente. Todos os torpedos, e-mails e chamadas no celular viraram 
prioridade, casos de vida ou morte. Interrompem-se conversas para 
olhar telinhas e telonas, desrespeitando interlocutores. Como este 
tipo de patologia tende a se diversificar, já há gente que conversa 
e olha o computador ao mesmo tempo, como aqueles lagartos 
esquisitos cujos olhos se movimentam sem aparente coordenação. 
Outros participam de reuniões sem desligar sua tralha eletrônica 
(na verdade, não estão nas reuniões). Especialistas em informática 
previram que, num futuro não muito distante, chips serão implan-
tados no corpo. Estão atrasados. Corpos já pertencem a máquinas. 
A vida é controlada a distância e por outros.
Outro estranhamento vem da inundação de imagens, aflição que 
chamo de galeria dos sem imaginação. Enxurradas de fotos inva-
dem o espaço virtual, a enorme maioria delas sem o menor signifi-
cado e perfeitamente descartáveis. O Instagram recebe 60 milhões 
de fotos por dia, ou seja, quase 700 fotos por segundo! Fico pen-
sando no sorriso irônico ou, quem sabe, no horror em estado bruto, 
que Cartier-Bresson1 esboçaria se esbarrasse nisso. Ele, que procu-
rava a poesia nos pequenos gestos, no cotidiano que se desdobrava 
em surpresas, nos reflexos impensados, jamais empilharia a coleção 
de sorrisinhos forçados que caracteriza a obsessão pelos clics.
Essa história dos sorrisos foi muito bem notada pela Nora Ró-
nai, que citei logo no início. Vivemos a era das aparências. Com 
a multiplicação das imagens, vem a obrigação de “estar bem”. 
Afinal de contas, quem vai querer se exibir no Facebook ou nas 
trocas de mensagens com uma ponta de melancolia ou, pelo me-
nos, um suspiro de realidade? O mundinho virtual exige estado 
de êxtase permanente. Uma persona que não passa de ilusão. 
Criatividade não quer dizer tristeza, claro, mas certamente pre-
cisa incorporá-la como tijolo construtor da nossa personalida-
de. O resto é fofoca. Eric Nepomuceno, tradutor e escritor, fez o 
seguinte comentário sobre seu amigo Gabriel Garcia Márquez, 
que acabara de morrer: “Tudo o que ele escreveu é revelador da 
infinita capacidade de poesia contida na vida humana. O eixo, 
porém, foi sempre o mesmo, ao redor do qual giramos todos: 
a solidão e a esperança perene de encontrar antídotos contra 
essa condenação”. Nada que essas maquininhas onipresentes 
possam registrar, elas que jamais entenderiam a fina ironia de 
Fernando Pessoa no Poema em linha reta, que começa assim: 
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus 
conhecidos têm sido campeões em tudo”. Mais adiante: “Arre, 
estou farto de semideuses. Onde é que há gente nesse mundo?”.
6
A praga narcísica desembarcou nas camas. Leio que nova 
moda é fazer selfies2 depois do sexo. O casal transa, mas isso 
não basta. É urgente compartilhar! Tira-se uma foto da apa-
rência de ambos, coloca-se no Instagram e ... pronto. O mun-
do inteiro será testemunha de um momento íntimo, talvez 
o mais íntimo de todos. Meu estranhamento vai ao paroxis-
mo. É a esse mundo que pertenço? Antigamente, era cos-
tume dizer que o que não aparecia na televisão não existia. 
Atualizando a frase: pelo visto, o que não está na rede não existe. 
É a universalização do movimento apenas muscular, sem sentido, 
leviano, rapidamente perecível.
Durante o exílio, o poeta argentino Juan Gelman passou um bom 
tempo sem conseguir escrever. A inspiração não vinha. Disse ele: 
“A poesia é uma senhora que nos visita ou não. Convocá-la é uma 
impertinência inútil. Durante uns bons quatro anos, o choque do 
exílio fez com que essa senhora não me visitasse”. Quando, fi-
nalmente, a senhora chega, tudo muda,como narra o poeta: “A 
visita é como uma obsessão. Uma espécie de ruído junto ao ouvi-
do. Escrevo para entender o que está acontecendo”. Não consigo 
imaginar uma serenidade como essa no mundo virtual. Tudo nasce 
e morre antes de ser completamente absorvido. Cada novidade 
passa a ser vital, filas se formam nas madrugadas nas portas de 
lojas que começam a vender modelos mais avançados de produtos 
eletrônicos. Não dá pra esperar um dia, muito menos uma hora. 
O silêncio e a introspecção são guerrilheiros no habitat plugado. 
Estou me alistando neste exército de Brancaleone.3
1 Henri Cartier-Bresson: (França 1908- 2004), fotógrafo do século 
XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo.
2 fazer selfies: selfie é uma palavra em inglês, um neologismo com 
origem no termo self-portrait, que significa autorretrato, e é uma 
foto tirada e compartilhada na internet. Normalmente uma selfie é 
tirada pela própria pessoa que aparece na foto, com um celular que 
possui uma câmera incorporada, com um smartphone, por exemplo.
3 O Incrível Exército de Brancaleone (em italiano: L’armata 
Brancaleone): é um filme italiano de 1966, do gênero comédia. 
Foi dirigido por Mario Monicelli. O Exército de Brancaleone é 
considerado um clássico italiano, que retrata os costumes da 
cavalaria medieval através da comédia satírica. É um filme ins-
pirado em Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes.
(Disponível em: <http://www.cARtAmAioR.com.bR/?/opiniAo/A-
moRte-DA-imAGinAcAo/30783>. Acesso em: 16 AGo. 2014.) 
O EMPREgO dO dIMINUTIvO NOS TERMOS EM dESTAQUE NÃO TEM vAlOR 
IRôNICO EM: 
a) “O mundinho virtual exige estado de êxtase per-
manente.”
b) “Os quadrinhos exploraram o assunto também 
na série do Mundo bizarro, do Super-Homem.”
c) “Nada que essas maquininhas onipresentes pos-
sam registrar, elas que jamais entenderiam a fina iro-
nia de Fernando Pessoa no Poema em linha reta ...”
d) “Ele, que procurava a poesia nos pequenos gestos, no 
cotidiano que se desdobrava em surpresas, nos reflexos 
impensados, jamais empilharia a coleção de sorrisi-
nhos forçados que caracteriza a obsessão pelos clics.”
e) “Não é que um cidadão saca seu iPad e passa um 
tempão checando os e-mails, dedinhos nervosos para 
cima e para baixo, com a tela iluminando a penumbra 
indispensável para a fruição plena do espetáculo?”
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A sociedade vive diversas contradições, muitas delas fomentadas 
por modismos que só espelham a superficialidade e o imediatismo 
de valores contemporâneos, entre eles o excessivo culto ao corpo.
Informações que circulam pelas redes sociais, muitas delas sem 
nenhum respaldo científico, induzem à crença de que o uso de 
determinadas substâncias ajuda na construção de corpos “per-
feitos” ou “desintoxica” o organismo, mas sem apontar os pos-
síveis riscos à saúde.
Não há dados precisos sobre quantas pessoas usam rotinei-
ramente essas substâncias, mas o fato é que em vários paí-
ses cresce o número de pacientes atendidos por toxicidade 
delas decorrente.
Não é incomum o uso de mais de uma dessas substâncias, tais 
como anabolizantes injetáveis, oxandrolona e hormônio de cres-
cimento. De forma isolada ou combinada, elas podem aumentar 
a massa muscular, mas criam um considerável risco de morte sú-
bita por infarto, arritmia cardíaca ou hemorragia cerebral, além 
de problemas como insuficiência renal, tumores do fígado e dis-
túrbios de coagulação.
A lista de substâncias e fórmulas “promissoras”, definidas pelo 
imaginário criativo do prescritor ou do fabricante, é longa. Seu 
uso é estimulado não apenas pelo culto ao corpo, mas também 
pelo mercado que movimenta mais de US$ 70 bilhões ao ano e 
que não é profundamente regulamentado pelas agências fiscali-
zadoras de vários países.
O culto ao corpo não é condenável, desde que seja em função da 
busca por uma melhor qualidade de vida. A autoestima que dele 
pode advir é desejável e pode ser estimulada, desde que não 
comprometa a saúde através de falsas premissas.
A melhor maneira de coibir as práticas insensatas e perniciosas 
é trazê-las para o terreno da ciência. A comprovação científica, 
apoiada em divulgação honesta de benefícios e riscos, é funda-
mental para que cada indivíduo possa tomar as decisões sobre o 
que quer fazer com seu próprio corpo.
(RAul cultAit e RAymunDo pARAná. “culto Ao coRpo, 
DespRezo à sAúDe”. www.folhA.uol.com.bR. ADAptADo.)
3. (ANHEMBI MORUMBI MEd – UNESP) SÃO fORMAdOS PElO 
PROCESSO dE dERIvAçÃO SUfIXAl OS TERMOS:
a) desintoxica (2º parágrafo); regulamentado (5º pa-
rágrafo); perniciosas (7º parágrafo).
b) respaldo (2º parágrafo); incomum (4º parágrafo); 
comprovação (7º parágrafo).
c) arritmia (4º parágrafo); condenável (6º parágrafo); 
coibir (7º parágrafo).
d) contradições (1º parágrafo); profundamente (5º 
parágrafo); autoestima (6º parágrafo).
e) modismos (1º parágrafo); superficialidade (1º pará-
grafo); cerebral (4º parágrafo).
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? So-
berania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – as pa-
lavras hoje são ditas com tanta facilidade que somos incapazes 
7
de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do 
Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era 
uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que fora posta 
na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava 
privilégio – isto é, literalmente, 1“lei privada”, uma prerrogativa 
especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como 
fonte de toda a lei, distribuía privilégios, pois havia sido ungido 
como o agente de Deus na terra.
Durante todo o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questio-
naram esses pressupostos, e os panfletistas profissionais conse-
guiram empanar a aura sagrada da coroa. Contudo, a desmon-
tagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência 
iconoclasta, destruidora do mundo, revolucionária.
Seria ótimo se pudéssemos associar a Revolução exclusivamente à 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu 
na violência e imprimiu seus princípios em um mundo violento. Os 
conquistadores da Bastilha não se limitaram a destruir um símbolo 
do despotismo real. Entre eles, 150 foram mortos ou feridos no as-
salto à prisão e, quando os sobreviventes apanharam o diretor, cor-
taram sua cabeça e desfilaram-na por Paris na ponta de uma lança.
Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo 
parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, 
apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser 
redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de 
se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzen-
tos anos de experiências com admiráveis mundos novos torna-
ram-nos céticos quanto ao planejamento social. Retrospectiva-
mente, a Revolução pode parecer um prelúdio ao totalitarismo.
Pode ser. Mas um excesso de visão histórica retrospectiva pode 
distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não 
eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pesso-
as não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as 
coisas se desintegraram, eles reagiram a uma necessidade impe-
riosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos 
princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denún-
cia da tirania e da injustiça. Afinal, em que estava empenhada a 
Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade.
ADAptADo De: DARnton, RobeRt. o beiJo De lAmouRette. in: 
____. o beiJo De lAmouRette: míDiA, cultuRA e Revolução. 
são pAulo: ciA. DAs letRAs, 2010. p. 30-39.
4. (UfRgS) AO REfERIR-SE à IdEIA dE “lEI PRIvAdA” COMO UMA EXPlI-
CAçÃO lITERAl dE PRIvIlégIO (REf. 1), O AUTOR ESTá fAzENdO REfERêNCIA 
à ORIgEM lATINA dESSA PAlAvRA, RElACIONAdA A AlgUMAS dAS fORMAS 
QUE TOMAvA, NAQUElA líNgUA, A PAlAvRA EQUIvAlENTE A lEI – POR 
EXEMPlO, lEgIS.
CONSIdERE AS SEgUINTES PAlAvRAS dO PORTUgUêS.
1. lEgAl
2. lEgIÃO
3. lEgíTIMO
4. lEgívEl
QUAIS TêM TAMBéM RElAçÃO SEMâNTICA COMA PAlAvRA lEI, REvElAN-
dO, POR SUA fORMA, A ORIgEM lATINA? 
a) Apenas 1 e 3.
b) Apenas 1, 3 e 4.
c) Apenas 2 e 3.
d) Apenas 2 e 4.
e) 1, 2, 3 e 4.
lEIA O EXCERTO dO ROMANCE vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS, 
PARA RESPONdER à QUESTÃO.
Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele 
estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra 
no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da 
casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à ca-
marinha escura, pareciam ratos – e a lembrança dos sofrimentos 
passados esmorecera.
Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, 
esgaravatou as unhas sujas. Tirou do aió um pedaço de fumo, 
picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, 
pôs-se a fumar regalado.
– Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza 
iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não 
era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas 
dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba 
e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava 
de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos 
brancos e julgava-se cabra.
Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém 
tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
– Você é um bicho, Fabiano.
Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passa-
ra uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera 
a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fi-
zera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, 
coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o 
patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro.
Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera 
como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, 
estava plantado. Olhou as quipás, os mandacarus e os xiquexi-
ques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e 
as baraúnas. Ele, sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia 
estavam agarrados à terra.
Chape-chape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo 
do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços 
moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.
(viDAs secAs, 2010.)
5. (fASM MEd – UNESP) AS PAlAvRAS “IMPRUdENTE” (5º PARá-
gRAfO) E “dESENTENdIdO” (10º PARágRAfO) SÃO fORMAdAS POR PRE-
fIXOS dE NEgAçÃO. TAMBéM SE ENCONTRAM PREfIXOS dE NEgAçÃO EM:
a) amorfo e didático.
b) ilegal e discordância.
c) incorrigível e dilema.
d) emigrar e instante.
e) diálogo e interpor.
6. (CEfET) NO MUNdO dOS ANIMAIS
As relações entre os humanos e as demais espécies viventes têm 
merecido a atenção de escritores, artistas e intelectuais. Essas 
relações, que não primam pela ética, são o objeto de estudo da 
professora e escritora mineira Maria Esther Maciel.
Quando os estudos sobre “animais e literatura” passaram a ser 
feitos de modo sistemático no Brasil?
8
Maria Esther Maciel: Só recentemente; antes, havia trabalhos es-
parsos. Além disso, a abordagem se circunscrevia à visão do animal 
como símbolo, metáfora ou alegoria do humano, mais restrita à 
análise textual. Hoje, percebe-se uma ampliação desse enfoque, 
que deixa os limites do texto literário para ganhar um viés transdis-
ciplinar, em diálogo com a filosofia, biologia, antropologia, psico-
logia. Aliás, esse entrelaçamento de saberes em torno da questão 
animal cresceu em várias partes do mundo, propiciando a difusão 
de um novo campo de investigação crítica denominado “estudos 
animais”. A literatura tem conquistado espaço importante nesse 
campo, graças sobretudo a escritores/pensadores como John M. 
Coetzee, John Berger e Jacques Derrida, que souberam aliar, de 
modo criativo, literatura, ética e política no trato da questão animal.
Como a senhora explica esse interesse crescente pelo tema?
Há um conjunto de fatores. Impossível não considerar as preocu-
pações de ordem ecológica, que movem a sociedade contempo-
rânea. Há também uma tomada de consciência mais explícita por 
parte de escritores, artistas e intelectuais dos problemas éticos 
que envolvem nossa relação com os animais e com o próprio 
conceito de humano. Além disso, a noção de espécie e a divisão 
hierárquica dos viventes têm provocado discussões ético-políti-
cas relevantes, que acabam por contaminar as artes e a literatura. 
A isso se soma a tentativa, por parte dos humanos, de recuperar 
sua própria animalidade, que por muito tempo foi reprimida em 
nome da razão e do antropocentrismo.
Por que é importante para a humanidade refletir sobre a 
animalidade?
Ao refletir sobre a animalidade, a humanidade pode repensar o 
próprio conceito de humano e reconfigurar a noção de vida. Por 
muito tempo, nosso lado animal foi recalcado em nome da razão 
e de outros atributos tidos como próprios do homem. Quem ler 
os tratados de filosofia e teologia escritos ao longo dos séculos 
verá que a definição de humano e humanidade se forjou à custa 
da negação da animalidade humana e da exclusão/marginali-
zação dos demais seres que compartilham conosco o que cha-
mamos de vida. Acho que os humanos precisam se reconhecer 
animais para se tornarem verdadeiramente humanos.
É possível identificar modos diferentes de “explorar” a figura do 
animal na produção literária?
Na literatura brasileira, podemos falar de três momentos incisi-
vos. No primeiro, está Machado de Assis, que escreveu no auge 
do racionalismo cientificista do século 19, quando os princípios 
cartesianos já tinham legitimado no Ocidente a cisão entre hu-
manos e não humanos, e os animais eram vistos como máqui-
nas. No século 20, a partir dos anos 30, autores como Gracilia-
no Ramos, João Alphonsus, Guimarães Rosa e Clarice Lispector 
marcam um novo momento, ao lidar, cada um a seu modo, com 
as relações entre homens e animais sob um enfoque libertário, 
manifestando cumplicidade com esses outros viventes e a recusa 
da violência contra humanos e não humanos. Já os escritores 
do final do século 20 e início do 21 lidam com a questão dos 
animais sob o peso de uma realidade marcada por catástrofes 
ambientais, extinção de espécies, experiências biotecnológicas, 
expansão das granjas e fazendas industriais etc.
Como a senhora vê o futuro dos animais?
Pelo jeito como as coisas andam, preocupo-me com a possibilida-
de de os animais livres desaparecerem da face da Terra. Ficariam 
apenas os bichos criados em reservas e cativeiros, os expostos 
em zoológicos, os “produzidos” em granjas e fazendas indus-
triais para viver uma vida infernal e morrer logo depois, além 
dos animais domésticos, adestrados e humanizados ao extremo.
Há quem diga que até mesmo estes estão fadados a desapare-
cer, dando lugar a animais-robôs, que já existem no Japão.
A humanidade tem destruído florestas, dizimado povos indíge-
nas, exterminado espécies animais. Apesar da preocupação de 
ativistas com o destino do planeta, falta empenho político dos 
governos para frear essa destruição generalizada.
Minha utopia é que a humanidade possa um dia fazer mea-culpa 
em relação aos crimes já cometidos contra os índios, os animais, 
a natureza. Mas, pelo que vejo, essa questão continuará a ser um 
grande desafio ético e político para a nossa civilização.
Seus estudos sobre animalidade a influenciaram em seu modo 
de vida?
Não consigo desvincular o trabalho do meu modo de vida. Se che-
guei ao tema dos animais, foi por causa do meu apreço por eles. 
Há anos não como carne, por causa da memória do tempo em que 
passava temporadas na fazenda do meu pai, no interior de Minas 
Gerais. Vivia perto de vacas, porcos, aves, cavalos, cachorros. Toda 
vez que via carne de vaca na mesa, me lembrava do olhar bovino. 
Já a visão da carne de porco me trazia a imagem dos porquinhos 
espertos e afetuosos com que eu brincava. Foi assim também com 
as aves, os coelhos e outros bichos. Como fui sempre muito tocada 
pelo olhar animal, decidi não comê-los mais. Aindamantive peixes 
e frutos do mar, mas deixei de comer várias espécies ao saber de 
seus hábitos. Recuso também ovos de granja, em repúdio à situa-
ção absurda das aves nos espaços de confinamento das fazendas 
industriais. Meu projeto de vida, certamente influenciado por meus 
estudos, é parar de consumir também carne de peixe. Chegarei lá.
(mAciel, mARiA estheR. no munDo Dos AnimAis. entRevistA A 
RobeRto b. De cARvAlho. ciênciA hoJe, 21 nov. 2012. Disponível 
em <http://cienciAhoJe.uol.com.bR>. Acesso em: 05 nov. 2013.) 
ENTRE OS vOCáBUlOS EXTRAídOS dO TEXTO, AQUElE NO QUAl A SílABA 
“RE” fUNCIONA COMO UM PREfIXO QUE TRAdUz IdEIA dE REPETIçÃO é 
a) “recusa”.
b) “refletir”.
c) “recuperar”.
d) “relevantes”.
e) “reconfigurar”.
lEIA O TEXTO dE HélIO SCHwARTSMAN PARA RESPONdER à QUESTÃO.
INTELIGÊNCIA ANIMAL
O homem é o único animal que [ ]. O espaço entre os colchetes 
já foi preenchido por hipóteses para todos os gostos. “Usa ferra-
mentas”, “desenvolve e transmite cultura”, “imagina o futuro”, 
“compreende o que se passa em outras mentes”, “usa sintaxe” 
são algumas das mais recentes. Todas elas acabaram sendo des-
cartadas por evidências empíricas, à medida que os cientistas, 
particularmente os etólogos1, foram sofisticando os experimentos 
pelos quais acessam e avaliam a inteligência animal. Talvez já seja 
hora de aposentar a fórmula “o homem é o único animal que...”.
Essa é a tese que o primatologista Frans de Waal defende com 
ardor em Are We Smart Enough to Know How Smart Animals 
Are? (Somos espertos o suficiente para saber quão espertos são 
9
os animais?). Como em outros livros do autor, ele nos inunda 
com histórias incríveis de façanhas intelectuais de bichos. Conta 
que polvos usam casacas de coco como ferramenta, que elefan-
tes são capazes de distinguir idiomas humanos, que macacos ja-
poneses aprenderam a lavar batatas doces com água e passaram 
a técnica às gerações seguintes. A isso se somam as evidências 
de que chimpanzés fazem política e até pagam propinas a alia-
dos, sem mencionar os corvos, que estão se revelando verdadei-
ros Einsteins do reino animal.
(www.folhA.uol.com.bR. ADAptADo.)
1 ETÓlOgO: ESTUdIOSO dO COMPORTAMENTO SOCIAl E INdIvIdUAl dOS 
ANIMAIS EM SEU HáBITAT NATURAl.
7. (fMJ MEd – UNESP) QUANTO à CARACTERIzAçÃO dO PROCESSO dE 
fORMAçÃO dE PAlAvRAS, ESTá CORRETO O QUE SE AfIRMA EM:
a) o vocábulo “experimentos” (1º parágrafo) foi for-
mado por derivação sufixal, com o sufixo indicador de 
agente “-mento(s)” acrescido à base.
b) o vocábulo “capazes” (2º parágrafo) foi formado 
por derivação sufixal, com o sufixo indicador de agen-
te “-es” acrescido à base.
c) o vocábulo “incríveis” (2º parágrafo) foi formado 
por derivação prefixal, com o prefixo de negação “in-
” acrescido à base.
d) o vocábulo “intelectuais” (2º parágrafo) foi forma-
do por derivação prefixal, com o prefixo de negação 
“in-” acrescido à base.
e) o vocábulo “descartadas” (1º parágrafo) foi forma-
do por derivação prefixal, com o prefixo de negação 
“des-” acrescido à base.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Reforma na corrupção
Como previsto, já arrefece o mais recente debate sobre corrup-
ção. Ainda se discute, sem muito entusiasmo, a absolvição de 
uma deputada que foi filmada recebendo um 3dinheirinho sus-
peito, mas isso aconteceu antes de ela ser deputada, de maneira 
que não vale. Além da forte tendência de os parlamentares não 
punirem os seus pares, havia o risco do precedente. Não somente 
o voto é indecentemente secreto nesses casos, como o preceden-
te poderia expor os pescoços de vários outros deputados. O que 
o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância, 
mesmo que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.
Aliás, me antecipando um pouco ao que pretendo propor, me veio 
logo uma ideia prática para acertar de vez esse negócio de deputa-
do cometendo crimes durante o exercício do mandato. Às vezes – e 
lembro que errar é humano – o sujeito comete esses 2crimezinhos 
distraído. Esquece, em perfeita boa-fé, que exerce um mandato 
parlamentar e aí perpetra a falcatrua. Fica muito chato para ele, 
se ele for flagrado, e seus atos podem sempre vir à tona, expostos 
pela imprensa impatriótica. Não é justo submeter o deputado a 
essa tensão permanente, afinal de contas, ele é gente como nós.
Minha ideia, como, modéstia à parte, costumam ser as grandes 
ideias, é muito simples: os deputados usariam uniforme. Não 
daria muito trabalho contratar (com dispensa de licitação, dada 
a urgência do projeto), um estúdio de alta-costura francês ou 
italiano, ou ambos, para desenhar esse uniforme. Imagino que 
seriam mais de um: o de trabalho, usado só excepcionalmente, o 
de gala, o de visitar eleitores e assim por diante. Enquanto esti-
ver de uniforme, o deputado é responsabilizado pelos seus atos 
ilícitos ou indecorosos. Mas, se estiver à paisana, não se encontra 
no exercício do mandato e, portanto, pode fazer o que quiser. (...)
Mas isso é um mero detalhe, uma providência que melhor seria 
avaliada no conjunto de uma reforma séria, que levasse em con-
ta nossas características culturais e nossas tradições. (...)
O que cola mesmo aqui são os ensinamentos de líderes como o 
ex-presidente (gozado, o “ex” enganchou aqui no teclado, quase 
não sai), que, em várias ocasiões, torceu o nariz para denúncias 
de corrupção e disse que aqui era assim mesmo, sempre tinha 
sido feito assim e não ia mudar a troco de nada. E assumia pos-
turas coerentes com esse ponto de vista. (...)
Contudo, quando se descobre mais um caso de corrupção, a vida 
republicana fica bagunçada, as coisas não andam, perde-se tra-
balho em investigações, gasta-se tempo prendendo e soltando 
gente e a imprensa, que só serve para atrapalhar, fica cobrando 
explicações, embora já saibamos que explicações serão: primeiro 
desmentidos e em seguida promessas de pronta e cabal investiga-
ção, com a consequente punição dos culpados. Não acontece nada 
e perdura essa situação monótona, que às vezes paralisa o País.
A realidade se exibe diante de nós e não a vemos. Em lugar de 
querer suprimir nossas práticas seculares, que hoje tanto prospe-
ram, por que não aproveitá-las em nosso favor? (...) O brasileiro 
preocupado com o assunto já pode sonhar com uma corrupção 
moderna, dinâmica e geradora de empregos e renda. E não pen-
sem que esqueci as famosas classes menos favorecidas, como se 
dizia antigamente. O mínimo que antevejo é o programa Fraude 
Fácil, em que qualquer um poderá habilitar-se ao exercício da 
boa corrupção, em seu campo de ação favorito. Acho que dá cer-
to, é só testar. E ficar de olho, para não deixar que algum corrupto 
corrupto passe a mão no fundo todo, assim também não vale.
João ubAlDo RibeiRo, o estADo De são pAulo. Disponível em: 
http://www.estADAo.com.bR/noticiAs/impResso,RefoRmA-nA-
coRRupcAo,768238,0.htm. Acesso em: 04-9-2011. 
8. (UPf) O AUTOR fAlA EM “CRIMEzINHOS” (REf. 2), REPETINdO UMA ESTRA-
TégIA Já USAdA, QUANdO SE REfERE A “dINHEIRINHO” (REf. 3). NO CONTEXTO 
EM QUE APARECEM, AS dUAS OCORRêNCIAS dE dIMINUTIvO: 
a) Representam uma minimização do destaque que a mí-
dia tem dado aos episódios de corrupção.
b) Indicam a versão daquele que é flagrado em situações 
comprometedoras, tentando livrar-se do peso da infração.
c) Marcam a ironia em relação aos corruptos, que exploram 
a boa-fé do eleitor com vistas à sua promoção pessoal.
d) Deixam implícita a informação de que não se deve 
confiar nos dados apresentados pelos envolvidos em 
escândalos financeiros.
e) Denotam a avaliação do autor acerca da importân-
cia dos crimes perpetrados contra os cofres públicos.
9. (IfSP) NO PORTUgUêS, ENCONTRAMOS vARIEdAdES HISTÓRICAS, TAIS 
COMO A REPRESENTAdA NA CANTIgA TROvAdORESCA dE JOÃO gARCIA dE 
gUIlHAdE, IlUSTRAdA A SEgUIR.
Non chegou, madre, o meu amigo,
e oje est o prazo saido!
Ai, madre, moiro d’amor!
10
Non chegou, madre, o meu amado,
e oje est o prazo passado!
Ai, madre, moiro d’amor!
E oje est o prazo saido!
Por que mentiu o desmentido?
Ai, madre, moiro d’amor!
Eoje, est o prazo passado!
Por que mentiu o perjurado?
Ai, madre, moiro d’amor! 
CONSIdERANdO A TERCEIRA ESTROfE, ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRE-
SENTA UMA PAlAvRA fORMAdA POR PARASSíNTESE. 
a) desmentido
b) prazo
c) saido
d) d’amor
e) moiro
10. (UfSM - AdAPTAdA) lEIA O fRAgMENTO A SEgUIR.
[...] a capoeira, a guardiã do jogo, da 1brincadeira, do faz de con-
ta que 2luta, mas joga com o outro, que simula um 3golpe e tira 
o outro para dançar e que tem uma vinculação étnica e racial 
com o percurso e o lugar da negritude em nosso país, acabou, 
em algumas escolas, ensinada sob o 4controle da 5esportivização, 
com regras e pontuações.
(oRientAções cuRRiculARes pARA o ensino méDio. secRetARiA De eDucAção 
básicA. bRAsíliA: ministéRio DA eDucAção, v. 1, 2008, p. 231.) 
O SUBSTANTIvO QUE, fORMAdO COM O AUXílIO dE UM SUfIXO, CONOTA NO 
fRAgMENTO UM PROCESSO dESvANTAJOSO à PRáTICA dA CAPOEIRA NA ESCOlA é 
a) brincadeira (ref. 1).
b) luta (ref. 2).
c) golpe (ref. 3).
d) controle (ref. 4).
e) esportivização (ref. 5).
E.O. FixAçãO
1. (SÃO CAMIlO MEd – UNESP) lEIA A TIRA dO CARTUNISTA 
ANgElI PARA RESPONdER à QUESTÃO.
(www.folhA.uol.com.bR)
O PREfIXO “dES-”, dA fORMA vERBAl “dESCONfIA”, NO PRIMEIRO QUA-
dRINHO, TEM vAlOR SEMâNTICO dE NEgAçÃO, ASSIM COMO NO TERMO 
dESTACAdO EM:
a) Sem os cuidados adequados, a garota ia, aos pou-
cos, desfalecendo em seu leito.
b) Os torcedores desaprovaram a escalação dos jo-
gadores para a última partida.
c) Apenas com o trem de pouso traseiro, o avião des-
lizou o nariz pela pista.
d) Minha avó me ensinou, desde cedo, a não desper-
diçar comida.
e) Desfruta a vida enquanto podes, que o tempo é 
implacável, e a morte é certa.
2. (EfOMM) fElICIdAdE ClANdESTINA
(clARice lispectoR)
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente cres-
pos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós to-
das ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os 
dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía 
o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: 
um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em 
vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em 
mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de 
paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes 
mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima pala-
vras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vin-
gança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia 
nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, es-
guias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma fe-
rocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as 
humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe 
emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre 
mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que 
possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo 
com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de 
minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia 
seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da 
alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as on-
das me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não 
morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me man-
dou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia 
emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia se-
guinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a 
esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a 
andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas 
ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do 
livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde 
a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei 
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
11
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do 
dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá esta-
va eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. 
Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu 
poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais 
tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia 
se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era 
tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu cor-
po grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para 
eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando-me mesmo, às ve-
zes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando 
danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia 
sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de 
tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a 
outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olhei-
ras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo 
humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia 
estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à 
porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma 
confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. 
A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar 
entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a 
filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu 
daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. 
Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos 
espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha des-
conhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das 
ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse fir-
me e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. 
E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” 
Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu 
quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode 
ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim rece-
bi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, 
não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que 
segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra 
o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco 
importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, 
só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li al-
gumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela 
casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que 
não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns 
instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa 
clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser 
clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como de-
morei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era 
uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto 
no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma 
menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
COM BASE NO TEXTO ACIMA, RESPONdA à QUESTÃO A SEgUIR. 
ASSINAlE A OPçÃO EM QUE O PROCESSO dE fORMAçÃO dA PAlAvRA SU-
BlINHAdA é dIfERENTE dOS dEMAIS. 
a) Mas possuía o que qualquer criança devoradora 
de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
b) Até que veio para ela o magno dia de começar a 
exercer sobre mim uma tortura chinesa.
c) Mas que talento tinha para a crueldade.
d) Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo.
e) Como casualmente, informou-me que possuía As 
reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
3. (ESC. NAvAl) lAIvOS dE MEMÓRIA
“... e quando tiverem chegado,vitoriosamente,
ao fim dessa primeira etapa,
mais ainda se convencerão de que
abraçaram uma carreira difícil,
árdua, cheia de sacrifícios,
mas útil, nobre e, sobretudo bela.”
(nossA voGA, escolA nAvAl, ilhA De villeGAGnon, 1964.)
Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, triste-
za e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube 
suportar com bravura.
Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da 
família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região 
serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar 
gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficiente-
mente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos 
rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara peque-
no demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos 
projetavam horizontes que iam muito além das montanhas 
que circundam minha terra natal.
Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar des-
perta nos corações dos jovens?
Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que 
dolorosas – e despedidas são sempre dolorosas – não seriam cer-
tamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalen-
tavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade.
Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas 
na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de 
mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino 
da Marinha do Brasil.
Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos 
e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a 
tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, 
era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar 
dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por 
ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas ca-
ras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, 
composta pelos recém-chegados companheiros; e às respecti-
vas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, 
juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista 
das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à 
histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara.
Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, 
tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendi-
zagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis 
12
anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas es-
portivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, 
ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e 
sociais, que deixaram marcas indeléveis.
Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos pas-
sados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em 
meio a saudosos devaneios.
Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares 
com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar – a razão 
de ser da carreira naval.
Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras desco-
bertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza!
Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado em-
barque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma 
Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade 
ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo 
em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira.
Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro em-
barque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional – no meu 
caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era 
a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67.
Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do 
coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a 
bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas 
descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-
-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compro-
missos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, 
a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status 
de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro 
Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: “... é a fase 
inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a ado-
lescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois 
começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos 
cargos, o acúmulo de deveres novos”.
E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplican-
do a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e 
duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos 
tempos, inúmeros Conveses e Praça d’ Armas, hoje saudosas, fo-
ram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um 
dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967.
Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tan-
tas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, 
tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a 
bordo de inesquecíveis e saudosos navios...
E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aprovei-
tados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de mi-
lhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas 
massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo 
das águas costeiras que banham os recortados litorais, com 
passagens, visitas e arribadas em um sem-número de ensea-
das, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados 
pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com 
mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis.
Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só 
no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona ines-
timáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao 
contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas 
e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ri-
beirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga 
Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka.
Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses can-
tos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou 
porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... 
Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, “o mar não guarda os 
vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a 
ilusão cordial do descobrimento”.
(césAR, cmG williAm cARmo. lAivos De memóRiA. in: 
RevistA De villeGAGnon, Ano iv, nº 4, 2009. p. 42-50.) 
EM QUE OPçÃO ENCONTRA-SE UMA PAlAvRA CUJO PROCESSO dE fOR-
MAçÃO é O MESMO dO TERMO dESTACAdO EM “[...] O TÃO SONHAdO 
EMBARQUE [...].” (11º PARágRAfO) 
a) “[...] circundam minha terra [...].” (2º parágrafo)
b) “[...] não seriam certamente em vão.” (4º parágrafo)
c) “E o sentimento de perda [...].” (6º parágrafo)
d) “Seis anos entremeados de aulas, [...].” (7º parágrafo)
e) “[...] o notável escritor-marinheiro [...].” (13º parágrafo)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Quem nunca fotoxopou?
Fala-se hoje em Facebook, Google e iPhone com a mesma 
combinação de fascínio e terror que um dia já se falou de 
Motorola e Nokia. Tudo se move rápido demais no mundo di-
gital, e são poucas as empresas que conseguem permanecer 
competitivas ao longo dos anos. Apesar de o Vale do Silício 
ter aquele ar hollywoodiano de terra de oportunidades, con-
tam-se nos dedos empresas longevas como uma Adobe, uma 
Dell, uma Amazon.
Por ter grande mobilidade, a concentração de poder e influência 
no mundo digital surge tão rápido quanto desaparece, a ponto 
de ser cada vez mais difícil encontrar quem fique na liderança por 
uma mísera década. Na virada do século não havia Friendster, 
Myspace nem Orkut, o grande buscador era o Yahoo!, seguido 
pelo Lycos. E a internet móvel estava a cargo de empresas inova-
doras como Palm e Kyocera.
O usuário de produtos digitais é cada vez mais volúvel e pragmático. 
Novos produtos e serviços podem até seduzi-lo com propaganda, 
design e preço. Mas a relação dificilmente será mantida se a marca 
não se renovar com a velocidade esperada, pouco importa sua fatia 
de mercado. Kodak e Sony que o digam. Mesmo que ainda sejam 
gigantescas, já não têmo apelo de outrora.
A melhor lição de empresas bem-sucedidas em relacionamen-
tos de longo prazo é a do bom e velho Photoshop, vendendo 
saúde em seus 22 anos de idade e 12 plásticas (oops, ver-
sões). Como o Google, ele é sinônimo de categoria e verbo. 
Mas também é adjetivo, substantivo, pejorativo e indicativo 
de retoques fotográficos, mencionado com familiaridade até 
por quem não faça ideia de como ele funciona. Ao contrário 
do AutoCAD, que é oito anos mais velho, mas desconhecido 
fora de seu nicho, o Photoshop é unanimidade.
folhA De s. pAulo, 26/03/2012. 
4. (INSPER) QUANTO àS vARIAçõES EXPlORAdAS A PARTIR dO TERMO 
“PHOTOSHOP”, é CORRETO AfIRMAR QUE 
13
a) o neologismo do título foi formado pelo mesmo 
processo que o termo “design”, presente no texto.
b) como adjetivo, o valor depreciativo do termo “fo-
toxopado” decorre exclusivamente do sufixo “-ado” 
agregado ao radical.
c) as palavras formadas a partir do estrangeirismo 
“photoshop” constituem jargões restritos à área de 
informática.
d) a grafia abrasileirada de “fotoxopou”, diferente-
mente de “hollywoodiano”, no 1.º parágrafo, é uma 
prova de que o software se popularizou no mundo.
e) apesar de não ter sido mencionado no texto, também 
seria possível transformar “Photoshop” em advérbio de 
modo: “fotoxopalmente”.
5. (UFRGS - Adaptado) Hoje os conhecimentos se estruturam de 
modo fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas. Essa 
situação impede uma visão global, uma visão fundamental e uma 
visão complexa. 1”Complexidade” vem da palavra latina complexus, 
que significa a compreensão dos elementos no seu conjunto.
As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora do 
seu campo de especialização. A literatura, no entanto, é uma 
área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas. 
Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro.
A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de expres-
são, meios de conhecimento, meios de compreensão da 2com-
plexidade humana. Assim, podemos ver o primeiro modo de 
inclusão da literatura: a inclusão da 3complexidade humana. E 
vamos ver ainda outras inclusões: a inclusão da personalidade 
humana, a inclusão da subjetividade humana, e, também, muito 
importante, a inclusão; do estrangeiro, do marginalizado, do in-
feliz, de todos que ignoramos e desprezamos na vida cotidiana.
A inclusão da 4complexidade humana é necessária porque rece-
bemos uma visão mutilada do humano. Essa visão, a de homo 
sapiens, é uma 5definição do homem pela razão; de homo faber, 
do homem como trabalhador; de homo economicus, movido por 
lucros econômicos. Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, 
mutilada, que esquece o principal: a relação do sapiens/demens, 
da razão com a demência, com a loucura.
Na literatura, encontra-se a inclusão dos problemas humanos 
mais terríveis, coisas 6insuportáveis que nela se tornam suportá-
veis. Harold Bloom escreve: ”Todas as grandes obras revelam a 
universalidade humana através de destinos singulares, de situa-
ções singulares, de épocas singulares”. É essa a razão por que as 
7obras-primas atravessam séculos, sociedades e nações.
Agora chegamos à parte mais humana da inclusão: a inclusão 
do outro para a compreensão humana. A compreensão nos tor-
na mais generosos com relação ao outro, e o criminoso não é 
unicamente mais visto como criminoso, como o Raskolnikov de 
Dostoievsky, como o Padrinho de Copolla.
A literatura, o teatro e o cinema são os melhores meios de com-
preensão e de inclusão do outro. Mas a compreensão se torna 
provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do filme. 
Então essa compreensão é que deveria ser introduzida e desen-
volvida em nossa vida pessoal e social, porque serviria para me-
lhorar as relações humanas, para melhorar a vida social.
(moRin, eDGAR. A inclusão: veRDADe DA liteRAtuRA. 
in: RõsinG, tâniA et Al. eDGAR moRin: ReliGAnDo 
fRonteiRAs. pAsso funDo: upf, 2004. p. 13-18) 
NA COlUNA ACIMA, ESTÃO PAlAvRAS RETIRAdAS dO TEXTO; NA COlUNA 
ABAIXO, dESCRIçõES RElACIONAdAS à fORMAçÃO dE PAlAvRAS.
ASSOCIE CORRETAMENTE OS ElEMENTOS dAS COlUNAS A SEgUIR.
( ) COMPlEXIdAdE (REfS. 1, 2, 3 E 4)
( ) dEfINIçÃO (REf. 5)
( ) INSUPORTávEIS (REf. 6) SUfIXO fORMAdOR dE AdJETIvOS A PARTIR 
dE vERBOS.
( ) OBRAS-PRIMAS (REf. 7) 
1. CONSTITUídA POR COMPOSIçÃO ATRAvéS dE JUSTAPOSIçÃO.
2. CONSTITUídA POR PREfIXO COM SENTIdO dE NEgAçÃO E SUfIXO fOR-
MAdOR dE AdJETIvOS A PARTIR dE vERBOS
3. CONSTITUídA POR SUfIXO fORMAdOR dE SUBSTANTIvO A PARTIR dE 
AdJETIvO.
4. CONSTITUídA POR SUfIXO fORMAdOR dE SUBSTANTIvO A PARTIR dE vERBO.
5. CONSTITUídA POR AglUTINAçÃO, TENdO EM vISTA A MUdANçA SIláBICA 
dE UM dOS ElEMENTOS dO vOCáBUlO.
A SEQUêNCIA CORRETA dE PREENCHIMENTO dOS PARêNTESES, dE CIMA 
PARA BAIXO, é 
a) 4 – 3 – 2 – 1.
b) 3 – 4 – 2 – 5.
c) 4 – 3 – 1 – 5.
d) 3 – 4 – 2 – 1.
e) 3 – 2 – 1 – 5.
6. (Imed) Dia da Proclamação da República 
Há exatos 125 anos, em 15 de novembro de 1889, foi proclama-
da a república do Brasil.
Na época, o país era governado por D. Pedro II e passava por 
grandes problemas, em razão da abolição da escravidão, em 
1888.
Como os negros não trabalhavam mais nas lavouras, os 1imi-
grantes começaram a ocupar seus lugares, plantando e colhen-
do, mas cobravam pelos trabalhos realizados, o que gerou insa-
tisfação nos proprietários de terras.
As perdas também foram grandes para os coronéis, pois haviam 
gasto uma enorme quantidade de dinheiro investindo nos escra-
vos, e o governo, após a abolição, não pagou nenhuma indeni-
zação a eles.
A guerra do Paraguai (1864 a 1870) também ajudou na luta 
contra o regime monárquico no Brasil. Soldados brasileiros se 
aliaram aos exércitos do Uruguai e da Argentina, recebendo 
orientações para implantarem a república no Brasil.
Os movimentos republicanos também já aconteciam no país, a 
2imprensa trazia politização à população civil, para lutarem pela 
libertação do país dos domínios de Portugal. Com isso, vários 
partidos teriam sido criados, desde 1870. 
A Igreja também teve sua participação para que a república do 
Brasil fosse proclamada. Dois bispos foram nomeados para 12aca-
tarem as ordens de D. Pedro II, tornando-se seus subordinados, 
mas não aceitaram tais imposições. Com isso, foram punidos com 
pena de prisão, levando a igreja a ir contra o governo.
14
Com as tensões aquecendo o mandato de D. Pedro II, o impera-
dor dirigiu-se com sua família para a cidade de Petrópolis, tam-
bém no estado do Rio de Janeiro.
Porém seu afastamento não foi nada favorável, fazendo com que 
fosse posto em prática um golpe militar, onde o Marechal Deodo-
ro da Fonseca conspirava a derrubada de D. Pedro II.
Boatos de que os responsáveis pelo plano seriam presos fizeram 
com que a armada acontecesse, recebendo o apoio de mais de 
seiscentos soldados. 
No dia 15 de novembro de 1889, ao passar pela Praça da Acla-
mação, o Marechal, com espada em punho, declarou que, a partir 
daquela data, o país seria uma república.
Dom Pedro II recebeu a notícia de que seu governo havia sido 
derrubado e um decreto o expulsava do país, juntamente com 
sua família. Dias depois, voltaram a Portugal.
Para governar o Brasil República, os responsáveis pela conspira-
ção montaram um governo provisório, mas o Marechal Deodoro 
da Fonseca permaneceu como presidente do país. Rui Barbosa, 
Benjamin Constant, Campos Sales e outros foram escolhidos 
para formar os ministérios.
(JussARA De bARRos. Disponível em: http://www.
bRAsilescolA.com. Acesso em: 16/01/2017) 
AvAlIE AS SEgUINTES AfIRMAçõES A RESPEITO dA PAlAvRA IMIgRANTES (REf. 1):
I. é fORMAdA APENAS POR PREfIXAçÃO, ASSIM COMO A PAlAvRA IM-
PRENSA (REf. 2).
II. O PREfIXO – ANTE(S) EXPRIME ORIgEM.
III. MIgRAçÃO, MIgRAR E EMIgRAR SÃO SUAS COgNATAS.
QUAIS ESTÃO CORRETAS? 
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
O sorriso dos canalhas
Eles permanecem aí, sorrindo – em reuniões regadas a bom uís-
que, sorrindo – diante de câmeras de televisão,sorrindo – de ter-
no e gravata, sorrindo. Parecem felizes, diriam uns, estão de bem 
com a vida, pensariam outros, têm belas lembranças, concluiriam 
então. Sem dúvida! Cada vez que um deles se olha no espelho, 
preparando-se para aparecer em público, uma súbita alegria o 
invade. É um homem impune, e sempre que lembra disso ele 
sorri. Sorri por todos os sorrisos que roubou.
Sim, eles permanecem aí e celebram nossa indiferença e nos-
sa curta memória. Mas ainda é cedo demais para esquecer, e 
o sorriso deles nos avisa disso. Enquanto vamos levando nossa 
vidinha1 de todos os dias, preocupados com o preço da gasolina 
e a violência das grandes cidades, eles andam pelas ruas, vão ao 
cinema, frequentam restaurantes, assombram suas vítimas. Que 
imensa ilusão pensarmos que estamos em segurança enquanto 
eles sorriem. Se ainda não podemos fazer alguma coisa, temos 
ao menos a obrigação de não esquecer. 
(o espAço DA DoR, 1996. ADAptADo.)
7. (UNICId MEd – UNESP) A PAlAvRA “vIdINHA” (REf. 1), UTIlI-
zAdA NO dIMINUTIvO,
a) contrapõe-se a uma vida menos ordinária, perme-
ada por cinema e restaurantes.
b) reitera a ideia festiva contida em “celebram” e “sorriso”. 
c) caracteriza uma vida com altos e baixos, festas e 
trabalho, sorrisos e preocupações.
d) faz uma denúncia sobre os delitos da vida cotidiana 
nas cidades.
e) ameniza o tom ostensivo da vida fácil dos que sor-
riem com “bom uísque”, “cinema” e “restaurantes”.
8. (ESPCEX) AO SE AlISTAR, NÃO IMAgINAvA QUE O COMBATE PUdESSE 
SE REAlIzAR EM TÃO CURTO PRAzO, EMBORA O RIBOMBAR dOS CANHõES Já 
SE fIzESSE OUvIR AO lONgE. 
QUANTO AO PROCESSO dE fORMAçÃO dAS PAlAvRAS SUBlINHAdAS, é COR-
RETO AfIRMAR QUE SEJAM, RESPECTIvAMENTE, CASOS dE 
a) prefixação, sufixação, prefixação, aglutinação e 
onomatopeia. 
b) parassíntese, derivação regressiva, sufixação, agluti-
nação e onomatopeia. 
c) parassíntese, prefixação, prefixação, sufixação e de-
rivação imprópria. 
d) derivação regressiva, derivação imprópria, sufixação, 
justaposição e onomatopeia. 
e) parassíntese, aglutinação, derivação regressiva, jus-
taposição e onomatopeia.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832, durante a sua cé-
lebre viagem a bordo do Beagle. Voltou impressionado com o que 
viu: “Delícia é um termo 17insuficiente para 19exprimir as emoções 
sentidas por um naturalista a sós com a natureza em uma flores-
ta brasileira”, escreveu. O Brasil, porém, aparece de forma menos 
21idílica em seus escritos: “Espero nunca mais voltar a um país es-
cravagista. O estado da enorme população escrava deve preocupar 
todos os que chegam ao Brasil. Os senhores de escravos querem ver 
o negro romo outra espécie, mas temos todos a mesma origem.”
Em vez do gorjeio do sabiá, o que Darwin guardou nos ouvidos foi 
um som terrível que o acompanhou por toda a vida: “Até hoje, se eu 
ouço um grito, lembro-me, com 22dolorosa e clara memória, de quan-
do passei numa casa em Pernambuco e ouvi urros terríveis. Logo 
entendi que era algum pobre escravo que estava sendo torturado,”
Segundo o biólogo Adrian Desmond, “a viagem do Beagie, para 
Darwin, foi menos importante pelos espécimes coletados do que 
pela experiência de testemunhar os horrores da 23escravidão no 
Brasil. De certa forma, ele escolheu focar na 20descendência co-
mum do homem justamente para mostrar que todas as raças eram 
iguais e, desse modo, enfim, objetar àqueles que 18insistiam em 
dizer que os negros pertenciam a uma espécie diferente e inferior 
à dos brancos”. Desmond acaba de lançar um estudo que mostra 
a paixão abolicionista do cientista, revelada por seus diários e car-
tas pessoais. “A extensão de seu interesse no combate à ciência 
de cunho racista é surpreendente, e pudemos detectar um ímpeto 
moral por trás de seu trabalho sobre a evolução humana – urna 
crença na ‘irmandade racial’ que tinha origem em seu ódio ao 24es-
cravismo e que o levou a pensar numa descendência comum.”
ADAptADo De: hAAG, c. o elo peRDiDo tRopicAl. pesquisA 
fApesp, n. 159, p. 80 - 85, mAio 2009. 
15
9. (UfRgS) ASSINAlE COM v (vERdAdEIRO) OU f (fAlSO) AS AfIRMA-
çõES A SEgUIR SOBRE ElEMENTOS dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS dO TEXTO.
( ) AS PAlAvRAS INSUfICIENTE (REf. 17) E INSISTIAM (REf. 18) APRESEN-
TAM O MESMO PREfIXO EM SUA fORMAçÃO.
( ) A COMPARAçÃO dA PAlAvRA EXPRIMIR (REf. 19) COM IMPRIMIR E 
dA PAlAvRA dESCENdêNCIA (REf. 20) COM ASCENdêNCIA PERMITE QUE SE 
POSTUlE UM RAdICAl COMUM PARA CAdA UM dOS PARES.
( ) AS PAlAvRAS IdílICA (REf. 21) E dOlOROSA (REf. 22) APRESENTAM 
SUfIXOS QUE fORMAM AdJETIvOS A PARTIR dE SUBSTANTIvOS.
( ) O EMPREgO dE dIfERENTES SUfIXOS PARA O MESMO RAdICAl EM 
ESCRAvIdÃO (REf. 23) E ESCRAvISMO (REf. 24) SERvE, NO TEXTO, PARA 
EXPRESSAR, RESPECTIvAMENTE, A IdEIA dE “SITUAçÃO RESUlTANTE dE UMA 
AçÃO” E dE “MOvIMENTO SOCIOIdEOlÓgICO”.
A SEQUêNCIA CORRETA dE PREENCHIMENTO dOS PARêNTESES, dE CIMA 
PARA BAIXO, é 
a) F – V – V – V.
b) V – F – V – F.
c) V – V – F – F.
d) F – V – F – V.
e) F – F – V – V.
10. (ESC. NAvAl) vElHO MARINHEIRO
HOMENAgEM AOS MARINHEIROS 
de sempre... e para sempre.
Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi meu braço 
diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida.
Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme branco, sen-
ti-me homem de verdade, como se estivesse dando adeus aos 
tempos de garoto. Ao meu lado, as vozes de outros jovens so-
avam em uníssono com a minha, vibrantes, e terminamos com 
emoção, de peitos estufados e orgulhosos. Ao final, minha mãe 
veio em minha direção, apressada em me dar um beijo. 20Acari-
ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme. O dia 
acabou com a família em festa; eu lembro-me bem, fiquei de 
uniforme até de tarde...
Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o significado 
nobre de companheirismo. Juntos no sofrimento e na alegria, 
um safando o outro, leais e amigos. Aprendi o que é civismo, 
respeito e disciplina, no princípio, exigidos a cada dia; depois, 
como parte do meu ser e, assim, para sempre. A cada passo 
havia um novo esforço esperando e, depois dele, um pequeno 
sucesso. Minha vida, agora que olho para trás, foi toda de pe-
quenos sucessos. A soma deles foi a minha carreira.
19No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era nova-
mente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu havia 
aprendido. Só que agora me davam tarefas, incumbências, e 
esperavam que eu as cumprisse bem. Pouco a pouco, passei a 
ser parte da equipe, a ser chamado para ajudar, a ser necessá-
rio. Um dia vi-me ensinando aos novatos e dei-me conta de que 
me tornara marinheiro, de fato e de direito, um profissional! O 
navio passou a ser minha segunda casa, onde eu permanecia 
mais tempo, às vezes, do que na primeira. Conhecia todos, al-
guns mais até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, 
cacoetes, preocupações e de seus sonhos. Sem dar conta, meu 
mundo acabava no costado do navio.
A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, é uma das 
coisas mais belas, que só há entre nós, em mais nenhum outro 
lugar. Por isso sou marinheiro, porque sei o que é espírito de navio.
Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro danado no 
mar, em serviço, postos de combate, adestramento de guerra, dia 
e noite. O interessante é que em toda nossa vida, quando busca-
mos as boas recordações, elas vêm desse tempo, das viagens e 
dos navios. 16Até as durezas por que passamos são saborosas ao 
lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. 
É aquela história dos pequenos sucessos. A volta ao porto era 
um acontecimento gostoso, sempre figurando a mulher. Primei-
ro a mãe, depois a namorada, a noiva, a esposa. Muita coisa a 
contar, a dizer, surpresas de carinho. A comida preferida, o abraço 
apertado, o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensina-
do a dizer papai. 
No início, eu voltava com muitos retratos, principalmente quando 
vinha do estrangeiro, depois, com o tempo, eram poucos, até que 
deixei de levar a máquina. Engraçado, vocês já perceberam que 
marinheiro velho dificilmentebaixa a terra com máquina fotográ-
fica? Foi assim comigo.
Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros – sinto-os 
mais preparados do que eu era – mas a vida no mar, as viagens, 
os portos, a volta, estou certo de que são iguais. Sou marinheiro, 
por isso sei como é. 
Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Marinha. E a 
cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, que vejo, me dá 
um orgulho que às vezes chega a entalar na garganta. Há pouco 
tempo, voltei a entrar em um navio. Que coisa linda! Sofisticado, 
limpíssimo, nas mãos de uma tripulação que só pode ser muito 
competente para mantê-lo pronto. Do que me mostraram eu não 
sabia muito. Basta dizer que o último navio em que servi já deu 
baixa. 17Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me para a 
bandeira, inclinei a cabeça... e, minha garganta entalou outra vez.
Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que significa o 
bem de cada um, protegido à custa do desmerecimento da insti-
tuição; mas o puro, que significa o bem da instituição, protegido 
pelo merecimento de cada um. 
Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. 
Muitas vezes a lembrança me retorna aos dias da ativa e morro 
de saudades. 18Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir 
aquele uniforme novinho – até um pouco grande, ainda re-
cordo – Jurar Bandeira, ser beijado pela minha falecida mãe... 
Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, verei, 
em velocidade desconhecida, o navio com meus amigos, minha 
mulher, meus filhos, singrando para sempre, indo aonde o mar 
encontra o céu... e, se São Pedro estiver no portaló, direi: 
– Sou marinheiro, estou embarcando.
(AutoR DesconheciDo. in: línGuA poRtuGuesA: leituRA e pRoDução De 
texto. Rio De JAneiRo: mARinhA Do bRAsil, escolA nAvAl, 2011. p. 6-8) 
Glossário
Portaló: abertura no casco de um navio, ou passagem junto à 
balaustrada, por onde as pessoas transitam para fora ou para 
dentro, e por onde se pode movimentar carga leve. 
EM QUE OPçÃO O AUTOR, AO REPORTAR-SE AO PASSAdO, EMPREgA UM TER-
MO CUJO SUfIXO TEM vAlOR INTENSIfICAdOR? 
16
a) “Até as durezas por que passamos são saborosas 
ao lembrar [...].” (ref. 16) 
b) “Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me 
para a bandeira [...].” (ref. 17) 
c) “Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir 
aquele uniforme novinho [...].” (ref. 18) 
d) “No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que 
era novamente aluno.” (ref. 19) 
e) “Acariciou-me o rosto e disse que eu estava lindo 
de uniforme.” (ref. 20)
E.O. COmplEmEntAr
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
O Assinalado
Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.
Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.
Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco...
Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
(cRuz e souzA. últimos sonetos, 2002.)
1. (UNIfAE MEd – UNESP) Há dERIvAçÃO PREfIXAl E SUfIXAl NA 
PAlAvRA dESTACAdA EM:
a) “O louco da loucura mais suprema.”
b) “Mas essa mesma algema de amargura,”
c) “Mas essa mesma Desventura extrema”
d) “Na Natureza prodigiosa e rica”
e) “Tu és o louco da imortal loucura,”
2. EXAMINE A TIRA CAlvIN E HAROldO PARA RESPONdER à QUESTÃO
OS PREfIXOS IN- E HIPER-, EM INCOERENTE E HIPERATIvO, POSSUEM OS 
MESMOS SIgNIfICAdOS dOS PREfIXOS EMPREgAdOS, RESPECTIvAMENTE, EM
a) amoral e hipocalórico.
b) ingressar e pluricelular.
c) antiaéreo e supercílio.
d) desprotegido e ultraconfiante.
e) inflamável e transalpino.
3. (UFRGS) Quando a economia 2política clássica nasceu, no 
Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do sé-
culo XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava 
no centro de todas as análises. Estava claro que transformações 
radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento 4demo-
gráfico sustentado – inédito até então – e pelo início do êxodo 
rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências 
sociais dessas mudanças?
Para Thomas Malthus, que 5publicou em 1798 seu Ensaio sobre o 
princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era 
uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos 
francesesvésperas da Revolução de 1789, quando havia miséria 
generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país 
mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais 
de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco 
mais de 8 milhões de pessoas. A 8população francesa se expan-
diu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se 
dos 30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, 
desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a estagna-
ção dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos 
associados à 11propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fa-
tores que levaram Revolução Francesa. Para evitar que torvelinho 
similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que toda 
assistência aos 15pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa 
de natalidade deveria ser severamente controlada.
Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de eco-
nomia política e tributação, preocupava-se com a evolução do pre-
ço da terra. Se o crescimento da população e, consequentemente, 
da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se tornar 
escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do 
bem escasso – a terra – deveria subir de modo contínuo. No limite, 
os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significativa 
da renda nacional, e o restante da população, uma parte cada vez 
mais reduzida, destruindo o equilíbrio social. De fato, o valor da ter-
ra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de século XIX, 
caiu em relaçãooutras formas de riqueza, à medida que diminuía o 
peso da agricultura na renda das nações. Escrevendo nos anos de 
1810, Ricardo não poderia antever a importância que o progresso 
tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo das décadas 
seguintes para a evolução da distribuição da renda.
(piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De 
bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p. 11-13.) 
ASSINAlE A AlTERNATIvA EM QUE AS TRêS PAlAvRAS POSSUEM UM RAdICAl 
QUE ESTá RElACIONAdO COM A NOçÃO dE “POvO”. 
a) política (ref. 2) – publicou (ref. 5) – população (ref. 8)
b) política (ref. 2) – população (ref. 8) – pobres (ref. 15)
c) demográfico (ref. 4) – publicou (ref. 5) – população (ref. 8)
d) demográfico (ref. 4) – publicou (ref. 5) – propriedade 
– (ref. 11)
e) demográfico (ref. 4) – propriedade (ref. 11) – pobres 
(ref. 15)
17
4. (UFRGS) No século XV, viu-se a Europa invadida por uma raça 
de homens que, vindos ninguém sabe de onde, se espalharam 
em bandos por todo o seu território. Gente inquieta e andari-
lha, deles afirmou Paul de Saint-Victor que era mais fácil predizer 
o das nuvens ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas da 
sua invasão. Uns risonhos despreocupados: passavam a vida es-
quecidos do passado e descuidados do futuro. Cada novo dia 
era uma nova aventura em busca do escasso alimento para os 
manter naquela jornada. Trajo? No mais completo sujos e puídos 
cobriam-lhes os corpos queimados do sol. Nômades, aventurei-
ros, despreocupados – eram os boêmios.
Assim nasceu a semântica da palavra boêmio. O nome gentílico 
de Boêmia passou a aplicar-se ao indivíduo despreocupado, de 
existência irregular, relaxado no vestuário, vivendo ao deus-dará, 
à toa, na vagabundagem alegre. Daí também o substantivo bo-
êmia. Na definição de Antenor Nascentes: vida despreocupada e 
alegre, vadiação, estúrdia, vagabundagem. Aplicou-se depois o 
termo, especializadamente, à vida desordenada e sem preocu-
pações de artistas e escritores mais dados aos prazeres da noite 
que aos trabalhos do dia. Eis um exemplo clássico do que se 
chamadegenerescência semântica. De limpo gentílico – natural 
ou habitante da Boêmia – boêmio acabou carregado de todas 
essas conotações desfavoráveis. 
A respeito do substantivo boêmia, vale dizer que a forma de uso, 
ao menos no Brasil, é boemia, acento tônico em -mi-. E é natu-
ral que assim seja, considerando-se que -ia é sufixo que exprime 
condição, estado, ocupação. Conferir: 16alegria, 18anarquia, barba-
ria, 17rebeldia, tropelia, 20pirataria... Penso que sobretudo palavras 
como folia e 19orgia devem ter influído na fixação da tonicidade de 
boemia. Notar também o par abstêmio/abstemia. Além do mais, a 
prosódia boêmia estava prejudicada na origem pelo nome próprio 
Boêmia: esses boêmios não são os que vivem na Boêmia... 
(luft, celso peDRo. boêmios, boêmiA e boemiA. in: o RomAnce 
DAs pAlAvRAs. são pAulo: áticA, 1996. p. 30-31.) 
CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES SOBRE AS RElAçõES MORfOlÓgI-
CAS QUE SE ESTABElECEM COM PAlAvRAS dO TEXTO.
I. AlEgRIA (REf. 16) E REBEldIA (REf. 17) SÃO PAlAvRAS dERIvAdAS dE 
AdJETIvOS, ASSIM COMO vAlENTIA. 
II. ANARQUIA (REf. 18) E ORgIA (REf. 19) SÃO PAlAvRAS QUE, APESAR dE 
APRESENTAREM A TERMINAçÃO -IA, NÃO dERIvAM dE OUTRAS PAlAvRAS. 
III. PIRATARIA (REf. 20) é PAlAvRA dERIvAdA dE SUBSTANTIvO, ASSIM 
COMO CHEfIA.
QUAIS ESTÃO CORRETAS? 
a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
5. (UEl) A QUESTÃO REfERE-SE AO ROMANCE O OUTRO Pé dA SEREIA, dE 
MIA COUTO.
A CRíTICA lITERáRIA TEM APROXIMAdO O MOçAMBICANO MIA COUTO dO 
BRASIlEIRO gUIMARÃES ROSA, EM PARTICUlAR PElO fATO dE AMBOS EMPRE-
gAREM NEOlOgISMOS EM SUAS OBRAS. 
NO TRECHO “AS MÃOS CAlOSAS, dE ENXAdACHIM”, EXTRAídO dO CON-
TO “fATAlIdAdE”, dE AUTORIA dO AUTOR BRASIlEIRO, O NEOlOgISMO 
“ENXAdACHIM” é CONSTRUídO PElO MESMO PROCESSO dE fORMAçÃO 
dE PAlAvRAS UTIlIzAdO PElO AUTOR MOçAMBICANO PARA A CRIAçÃO dE 
a) vitupérios.
b) bebericava.
c) tamanhoso.
d) mudançarinos.
e) malfadado.
E.O. dissErtAtivO
1. (fgv) MÃE
Mãe – que adormente este viver dorido.
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas até o fio
Do meu pobre existir, meio partido...
Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...
Eu dava o meu orgulho de homem – dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,
Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!
(AnteRo De quentAl. AntoloGiA, 1991) 
ANAlISANdO OS TERMOS EMPREgAdOS NO TEXTO, EXPlIQUE
a) o sentido que assumem os termos “vele” (primeira 
estrofe) e “débil” (terceira estrofe);
b) o processo de derivação do termo destacado em “Do 
meu pobre existir, meio partido...” (primeira estrofe) e 
o sentido que o sufixo confere ao termo destacado em 
“E em débil criancinha me tornava,” (terceira estrofe). 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
OS dIfERENTES
Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Osseva-
olep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem 
vida organizada. 
É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos 
reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, 
em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os 
pés dá a impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria. 
Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a lin-
guagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a 
conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses 
nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences-
-para-baixo, como foram denominados à falta de melhor clas-
sificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão.
(AnDRADe, cARlos DRummonD De. pRosA seletA. 
Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 2003. p. 150)
2. (UfRJ - AdAPTAdO) NO TEXTO, IdENTIfICA-SE O POvO dA IlHA dE 
OSSEvAOlEP POR UM NEOlOgISMO: CABECENCES-PARA-BAIXO.
18
a) Identifique os processos de formação de palavras 
utilizados para a criação desse neologismo.
b) Considerando o conhecimento que os observado-
res têm do povo de Ossevaolep, responda: por que se 
afirma, no texto, que o neologismo foi criado “à falta 
de melhor classificação”? 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
O EX-CINEClUBISTA
(João GilbeRto noll) 
Aquele homem meio estrábico, ostentando um mau humor 
maior do que realmente poderia dedicar a quem lhe cruzasse o 
caminho e que agora entrava no cinema, numa segunda-feira à 
tarde, para assistir a um filme nem tão esperado, a não ser entre 
pingados amantes de cinematografias de cantões os mais exóti-
cos, aquele homem, sim, sentou-se na sala de espera e chorou, 
simplesmente isso: chorou. Vieram lhe trazer um copo d’água 
logo afastado, alguém sentou-se ao lado e lhe perguntou se não 
passava bem, mas ele nada disse, rosnou, passou as narinas pela 
manga, levantou-se num ímpeto e assistiu ao melhor filme em 
muitos meses, só isso. Ao sair do cinema, chovia. Ficou sob a 
marquise, à espera da estiagem. Tão absorto no filme que se es-
queceu de si. E não soube mais voltar. 
3. (UfRJ) O vOCáBUlO “EX-CINEClUBISTA” RESUlTA dA APlICAçÃO dE 
QUATRO PROCESSOS dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS. IdENTIfIQUE-OS, vA-
lENdO-SE dE ElEMENTOS CONSTITUTIvOS dESSE vOCáBUlO. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os 
olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
[...]
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma 
aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, 
lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que 
escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As 
mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não 
as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, 
que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do 
casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o 
pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e es-
fregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando 
contra as palmas da mão.
(Aluísio AzeveDo. o coRtiço.)
4. (UfSCAR) Há, NO TEXTO, PAlAvRAS dERIvAdAS POR SUfIXAçÃO, COMO 
“TUMUlTUOSA” E “NUdEz”.
a) Dê dois exemplos de palavras derivadas com o su-
fixo da primeira.
b) Dê mais dois exemplos de palavras derivadas com 
o sufixo da outra. 
E.O. UErJ 
ExAmE disCUrsivO
1. (UERJ) dESENCONTRáRIOS
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
(pAulo leminsKi Góes, f.; mARins, A. (oRGs.) 
melhoRes poemAs De pAulo leminsKi. são pAulo: GlobAl, 2001. 
CONSIdERE A fORMAçÃO dA PAlAvRA “dESENCONTRáRIOS”, TíTUlO dO PO-
EMA dE PAUlO lEMINSkI. SEPARE SEUS ElEMENTOS MÓRfICOS. EM SEgUIdA, 
NOMEIE O PRIMEIRO MORfEMA QUE A COMPõE E INdIQUE SEU SIgNIfICAdO. 
2. (UERJ) BRINCAR COM PAlAvRAS – NOS JOgOS vER-
BAIS, EXERCíCIOS dE lITERATURA
Você sabe o que é um palíndromo?
É uma palavra ou mesmo uma frase que pode ser lida de frente 
pra trás e de trás pra frente mantendo o mesmo sentido. Por 
exemplo, em português: “amor” e “Roma”; em espanhol: “Anita 
lava la tina”. Ou, então, a frase latina: “Sator arepo tenet opera 
rotas”, que não só pode ser lida de trás pra frente, mas pode ser 
lida na vertical, na horizontal, de baixo pra cima, de cima pra 
baixo, girando os olhos em redor deste quadrado:
S A T O R
A R E P O
T E N E T
O P E R A
R O T A S
Essa frase latina polivalente foi criada pelo escravo romano Loreius 
200 anos antes de Cristo, e tem dois significados: “O lavrador man-
tém cuidadosamente a charrua nos sulcos” e/ou “o lavrador sus-
tém cuidadosamente o mundo em sua órbita”. Osman Lins cons-
truiu o romance “Avalovara” (1973) em torno desse palíndromo.
Muita gente sabe o que é um caligrama – aqueles textos que 
existiam desde a Grécia em que as letras e frases iam desenhan-do o objeto a que se referiam – um vaso, um ovo, ou então, 
como num autor moderno tipo Apollinaire, as frases do poema 
se inscrevendo em forma de cavalo ou na perpendicular imitando 
o feitio da chuva.
Mas pouca gente sabe o que é um lipograma.
Lipo significa tirar, aspirar, esconder. Portanto, um lipograma é um 
texto que sofreu a lipoaspiração de uma letra. O autor resolve 
esconder essa letra por razões lúdicas. Já o grego Píndaro havia 
escrito uma ode, sem a letra “s”. Os autores barrocos no século 
XVII também usavam este tipo de ocultação, porque estavam 
envolvidos com o ocultismo, com a cabala e com a numerologia.
Por que estou dizendo essas coisas?
Culpa da Internet.
Esses jogos verbais que vinham sendo feitos desde as cavernas 
agora foram potencializados com a informática. Dizia eu numa en-
trevista outro dia que estamos vivendo um paradoxo riquíssimo: a 
19
mais avançada tecnologia eletrônica está resgatando o uso lúdico 
da linguagem e uma das mais arcaicas atividades humanas – a 
poesia. Os poetas, mais que quaisquer outros escritores, invadiram 
a Internet. Se em relação às coisas prosaicas se diz que a vingança 
vem a cavalo, no caso da poesia a vingança veio a cabo, galopando 
eletronicamente. Por isto que toda vez que um jovem iniciante me 
procura com a angústia de publicar seu livro, aconselho-o logo: 
“Meu filho, abra uma página sua na Internet para não mais se 
constranger e se sentir constrangido diante dos editores e críticos. 
Estampe seu texto na Internet e deixe rolar”.
(RomAno, Affonso De sAnt’AnnA. o Globo, 15/09/1999.)
vOCê SABE O QUE é UM PAlíNdROMO? (PAR. 1)
POR QUE ESTOU dIzENdO ESSAS COISAS? (PAR. 7)
OBSERvANdO OS PARágRAfOS COMPREENdIdOS ENTRE AS PERgUNTAS ACI-
MA, IdENTIfIQUE:
a) a função da linguagem predominante nesses pará-
grafos e justifique sua reposta;
b) o processo de formação de palavras comum aos ter-
mos OCULTAÇÃO e OCULTISMO e explique a diferença 
de sentido entre eles. 
3. (UERJ)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de paten-
te, do que tenho honra e faço alarde. Herdei do meu avô Simeão 
terras de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto do mais fino. 
Leio no corrente da vista e até uns latins arranhei em tempos ver-
des da infância, com uns padres-mestres a dez tostões por mês. 
Digo, modéstia de lado, que já discuti e joguei no assoalho do Foro 
mais de um doutor formado. Mas disso não faço glória, pois sou 
sujeito lavado de vaidade, mimoso no trato, de palavra educada. 
Já morreu o antigamente em que Ponciano mandava saber nos 
ermos se havia um caso de 1lobisomem a sanar ou pronta justiça 
a ministrar. Só de uma regalia não abri mão nesses anos todos 
de pasto e vento: a de falar alto, sem freio nos dentes, sem medir 
consideração, seja em compartimento do governo, seja em sala de 
desembargador. Trato as partes no macio, em jeito de moça. Se não 
recebo cortesia de igual porte, abro o peito:
– Seu filho da égua, que pensa que é?
Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capotão de meu avô, 
passei os anos de pequenice, que pai e mãe perdi no gosto do 
primeiro leite. Como fosse dado a fazer garatujações e desabusado 
de boca, lá num inverno dos antigos, Simeão coçou a cabeça e 
estipulou que o neto devia ser doutor de lei:
– Esse menino tem todo o sintoma do povo da política. É invencio-
neiro e 2linguarudo. (...)
(cARvAlho, J. c. o coRonel e o lobisomem. 
Rio De JAneiRo: José olympio, 1978.)
OBSERvE AS SEgUINTES PAlAvRAS:
“lOBISOMEM” (REf. 1)
“lINgUARUdO” (REf. 2)
IdENTIfIQUE O PROCESSO dE fORMAçÃO dE CAdA UMA dElAS, SEgUNdO O 
SEU EMPREgO NO TEXTO. 
E.O. ObJEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
1. (UNICAMP 2017) 
dO PONTO dE vISTA dA NORMA CUlTA, é CORRETO AfIRMAR QUE “COISAR” é 
a) uma palavra resultante da atribuição do sentido co-
notativo de um verbo qualquer ao substantivo “coisa”.
b) uma palavra resultante do processo de sufixação que 
transforma o substantivo “coisa” no verbo “coisar”.
c) uma palavra que, graças a seu sentido universal, 
pode ser usada em substituição a todo e qualquer 
verbo não lembrado.
d) uma palavra que resulta da transformação do subs-
tantivo “coisa” em verbo “coisar”, reiterando um es-
quecimento.
2. (UNIfESP) CASIMIRO dE ABREU PERTENCE à gERAçÃO dOS POETAS QUE 
MORRERAM PREMATURAMENTE, NA CASA dOS vINTE ANOS, COMO álvARES 
dE AzEvEdO E OUTROS, ACOMETIdOS dO “MAl” ByRONIANO. SUA POESIA, 
REflEXO AUTOBIOgRáfICO dOS TRANSES, IMAgINáRIOS E vERídICOS, QUE lHE 
AgITARAM A CURTA EXISTêNCIA, CENTRA-SE EM dOIS TEMAS fUNdAMENTAIS: 
A SAUdAdE E O lIRISMO AMOROSO. gRAçAS A TAl fUNdO dE JUvENIlIdAdE 
E TIMIdEz, SUA POESIA SAUdOSISTA gUARdA UM NÃO SEI QUê dE INfANTIl.
(mAssAuD moisés. A liteRAtuRA bRAsileiRA AtRAvés Dos textos, 2004.) 
OS SUBSTANTIvOS dO TEXTO dERIvAdOS PElO MESMO PROCESSO dE fOR-
MAçÃO dE PAlAvRAS SÃO: 
a) juvenilidade e timidez.
b) geração e byroniano.
c) reflexo e imaginários.
d) prematuramente e autobiográfico.
e) saudade e infantil.
3. (UNIfESP 2018) lEIA UM TRECHO dO ARTIgO “REflEXõES SOBRE 
O TEMPO E A ORIgEM dO UNIvERSO”, dO fíSICO BRASIlEIRO MARCElO 
glEISER, PARA RESPONdER à PRÓXIMA QUESTÃO.
Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análi-
se de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão, devemos 
chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado, 
presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o 
futuro é o que vem depois. Já o presente é o “agora”, o instante 
atual. Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definir-
mos passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas, segun-
do nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração 
20
no tempo, pois nesse caso poderíamos definir um período no seu 
passado e no seu futuro. Portanto, para sermos coerentes em 
nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou 
seja, o presente não existe! A discussão acima nos leva a outra 
questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma origem, 
então existiu um momento no passado em que ele passou a exis-
tir. Segundo nossas modernas teorias cosmogônicas, que visam 
explicar a origem do Universo, esse momento especial é o mo-
mento da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” 
é usada em contraste com “quântico”, a área da física que lida 
com fenômenos atômicos e subatômicos. [...] As descobertas de 
Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. 
Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presen-
ça de massa (ou de energia) também influencia a passagem do 
tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. 
O tempo relativístico adquire uma plasticidade definida pela re-
alidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos a 
relatividade geral para descrever a origem do Universo.
(folhA De s.pAulo, 07.06.1998.)
O PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS vERIfICAdO EM “ESTRUTURAl” 
(2.° PARágRAfO) TAMBéM ESTá PRESENTE EM
a) “futuro” (1º parágrafo).
b) “portanto” (2º parágrafo).
c) “momento” (3º parágrafo).
d) “plasticidade” (4º parágrafo).
e) “origem” (3º parágrafo).
4. (UNIfESP) EXAMINE A TIRA.
 
O EfEITO dE HUMOR NA SITUAçÃO APRESENTAdA dECORRE dO fATO dE A 
PERSONAgEM, NO SEgUNdO QUAdRINHO, CONSIdERAR QUE “CARINHO” E 
“CARO” SEJAM vOCáBUlOS 
a) derivados de um mesmo verbo.
b) híbridos.
c) derivados de vocábulos distintos.
d) cognatos.
e) formados por composição.
E.O. dissErtAtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
1. (UNICAMP) OS TEXTOS ABAIXO fORAM RETIRAdOS dA COlUNA “CARAS 
E BOCAS”, dO CAdERNO AlIáS, dO JORNAl O ESTAdO dE S. PAUlO: 
“A intenção é salvar o Brasil.” Ana Paula Logulho, professora e 
entusiasta da segunda “Marcha da Família com Deus pela Liber-
dade”, que pede uma intervenção militar no país e pretendeu 
reeditar, no sábado, a passeata de 19 de março de 1964, na 
capital paulista, contra o governo do Presidente João Goulart. 
“Será um evento esculhambativo em homenagem ao outro de 
São Paulo.” José Caldas, organizador da “Marcha com Deus e o 
Diabo na Terrado Sol”, convocada pelo Facebook para o mesmo 
dia, no Rio de Janeiro.
(o estADo De s. pAulo, 23/03/2014, cADeRno Aliás, e4. )
a) Descreva o processo de formação de palavras en-
volvido em “esculhambativo”, apontando o tipo de 
transformação ocorrida no vocábulo.
b) Discorra sobre a diferença entre as expressões 
“evento esculhambado” e “evento esculhambativo”, 
considerando as relações de sentido existentes entre 
os dois textos acima. 
2. (UNICAMP) A sobrevivência dos meios de comunicação tradi-
cionais demanda foco absoluto na qualidade de seu conteúdo. 
A internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro 
aguardam os meios de comunicação, assim como os partidos 
políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? Só nos 
resta uma saída: produzir informação de alta qualidade técnica 
e ética. Ou fazemos jornalismo de verdade, fiel à verdade dos 
fatos, verdadeiramente fiscalizador dos poderes públicos e com 
excelência na prestação de serviços, ou seremos descartados 
por um consumidor cada vez mais fascinado pelo aparente au-
tocontrole da informação na plataforma virtual.
(cARlos AlbeRto Di fRAnco, DemocRAciA DemAnDA JoRnAlismo 
inDepenDente. o estADo De s. pAulo, são pAulo, 14/10/2013, p. A2.)
a) “Desintermediação” é um termo técnico do campo da 
comunicação. Ele se refere ao fato de que os meios de 
comunicação tradicionais não mais detêm o monopólio 
da produção e distribuição de mensagens. Considerando 
esse “mundo desintermediado”, identifique duas críticas 
ao jornalismo atual formuladas pelo autor.
b) Os processos de formação de palavras envolvidos no 
vocábulo “desintermediação” não ocorrem simultane-
amente. Tendo isso em mente, descreva como ocorre a 
formação da palavra “desintermediação”. 
3. (Unicamp 2018) Enquanto viveu em Portugal, o escritor Mário 
Prata reuniu centenas de vocábulos e expressões usados no portu-
guês falado na Europa que são diferentes dos termos correspon-
dentes usados no português do Brasil. Reproduzimos abaixo um 
dos verbetes de seu dicionário.
Descapotável é outra palavra que em português faz muito mais 
sentido do que em brasileiro. Não é mais claro dizer que um carro 
é descapotável, do que conversível? 
(máRio pRAtA, DicionáRio De poRtuGuês: schifAizfAvoiRe. 
são pAulo: eDitoRA Globo, 1993, p. 48.)
a) Identifique os dois afixos que formam a palavra “des-
capotável” a partir do substantivo “capota” (cobertura 
de um automóvel) e explique a função de cada um.
b) Explique por que o autor considera, com certo hu-
mor, que a palavra “descapotável” do português eu-
ropeu faz mais sentido de que o termo“conversível”, 
usado no português brasileiro.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
UM CHAMADO JOÃO
João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
21
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
(...)
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
(...)
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.
(cARlos DRummonD De AnDRADe, em coRReio DA mAnhã, 
22/11/1967, publicADo em RosA, J. G. “sAGARAnA”. 
Rio De JAneiRo: novA fRonteiRA, 2001.)
4. (UNICAMP) NA SEgUNdA ESTROfE, Há dOIS PROCESSOS MUITO INTE-
RESSANTES dE ASSOCIAçÃO dE PAlAvRAS. EM “INENARRávEl/NARRAdA” 
ENCONTRAMOS ClARAMENTE UM PROCESSO dE dERIvAçÃO. EM “dISfAR-
çAR/fARçAR”, TEMOS A SUgESTÃO dE UM PROCESSO SEMElHANTE, EMBO-
RA “fARçAR” NÃO CONSTE dOS dICIONáRIOS MOdERNOS.
a) Relacione o significado de “inenarrável” com o pro-
cesso de sua formação; e o de “farçar”, na relação su-
gerida no poema, com “disfarçar”.
b) Explique como esses processos contribuem na cons-
trução dos sentidos dessa estrofe. 
5. (fUvEST) lEIA COM ATENçÃO O SEgUINTE TEXTO:
A onipresença do olho mágico da televisão no centro da vida do-
méstica dos brasileiros, com o 1poder (imaginário) de tudo mos-
trar e tudo ver que os espectadores lhe atribuem, vem provocan-
do curiosas alterações nas relações entre o público e o privado. 
Durante pelo menos dois séculos, o bom gosto burguês nos ensi-
nou que algumas coisas não se dizem, não se mostram e não se 
fazem em público. Essas mesmas coisas, até então reservadas ao 
espaço da privacidade, hoje ocupam o centro da cena televisiva. 
Não que o bom gosto burguês deva ser tomado como referência 
indiscutível da 2ética que regula a vida em qualquer sociedade. 
Mas a inversão de padrões que pareciam tão convenientemen-
te estabelecidos nos países do Ocidente dá o que pensar. No 
mínimo, podemos concluir que a burguesia do terceiro milênio 
já não é a mesma que ditou o bom comportamento dos dois 
séculos passados. No máximo, supõe-se que os fundamentos do 
contrato que ordenava a vida social entre os séculos XIX e XX 
estão profundamente abalados, e já vivemos, sem nos dar conta, 
em uma sociedade pós-burguesa, num sentido semelhante ao 
do que chamamos uma sociedade pós-moderna.
mARiA R. Kehl, in bucci e Kehl, viDeoloGiAs: ensAios sobRe televisão.
a) O que a autora do texto quer dizer, quando se refere 
ao “poder de tudo mostrar e tudo ver” (ref.1), atribuído 
à televisão, como “imaginário”?
b) Indique a palavra do primeiro período que tem o 
mesmo significado do prefixo que entra na formação 
da palavra “onipresença”.
c) Indique uma palavra ou expressão do texto que cor-
responda ao sentido da palavra “ética” (ref.2). 
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. D 2. B 3. E 4. A 5. B
6. E 7. C 8. B 9. A 10. E
E.O. Fixação
1. B 2. B 3. C 4. E 5. D
6. C 7. A 8. B 9. A 10. C
E.O. Complementar
1. E 2. D 3. C 4. E 5. D
E.O. Dissertativo
1. a) O verbo “velar”, segundo o contexto, significa “zelar por 
alguém”. O adjetivo “débil” significa “frágil”.
b) Ocorre derivação imprópria em “Do meu pobre existir, meio 
partido...”, uma vez que o verbo “existir” foi empregado como 
substantivo, inclusive acompanhado pelo adjetivo “pobre”.
O sufixo diminutivo em “criancinha” confere afetividade ao subs-
tantivo criança, caracterizada no poema como alguém frágil.
2. 
a) Composição por justaposição e derivação sufixal.
b) Os observadores criaram um neologismo superficialmente, pois 
eles não conseguiram alcançar um conhecimento aprofundado so-
bre o povo Ossevaolep. 
3. O termo “ex-cineclubista” é resultado de quatro processos de 
formação de palavras: redução/abreviação vocabular (cinecine-
ma), composição (cine + clube), derivação sufixal (cineclube + 
ista) e derivação prefixal (ex + cineclubista). 
4. a) amorosa, horrorosa, cremosa, leitosa. 
b) aridez, timidez, surdez, altivez . 
E.O. UERJ 
Exame Discursivo
1. A palavra “desencontrários” é formada por derivação, proces-
so através do qual de uma palavra se formam outras, por meio 
da agregação de certos elementos que lhe alteram o sentido, 
mas sempre se referindo ao valor semântico da palavra primitiva. 
Assim, há duas possibilidades para a formação da palavra em 
questão, considerando o radical, prefixos e sufixos e desinências 
flexionais: des+en+contr+ ário+s; des+en+contr+ari+o+s. 
“Des” é um prefixo que indica negação. 
2. a) Função metalinguística.
Uma dentre as justificativas:
– Os parágrafos explicam os significados das palavras.
22
– Os parágrafos contêm definição de palavras por outras palavras.
b) Derivações sufixal ou sufixação.
OCULTAÇÃO é o ato de ocultar e OCULTISMO designa crença, 
doutrina ou seita. 
3. lobisomem: composição por aglutinação 
linguarudo: derivação sufixal 
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. B 2. A 3. D 4. D
E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. a) Trata-se de uma derivação sufixal: “esculhambativo” é 
uma palavra formada pelo acréscimo de um sufixo (-ivo) ao 
verbo “esculhambar”.
b) Apesar de derivarem do mesmo verbo (“esculhambar”), os 
adjetivos mencionados diferem quanto ao seu significado. Even-
to “esculhambado” é sinônimo de “desorganizado, desmorali-
zado”; já evento “esculhambativo”é aquele que “desmoraliza, 
satiriza” o evento anterior.
2. a) O autor faz críticas implícitas ao jornalismo atual, quando 
diz que só resta ao jornalista que convive rotineiramente com a 
internet: produzir informação de alta qualidade técnica e ética, 
fiel à verdade dos fatos, verdadeiramente fiscalizadora dos pode-
res públicos e com excelência na prestação de serviços, comen-
tário em que se subentende que na era da frugalidade virtual, 
nem todo jornalista produz informações com alto teor ético e de 
qualidade. O autor alerta que para os dias atuais, a única manei-
ra do jornalismo sobreviver à internet é primando pela fidelidade 
da informação e dos fatos, a fim de prestar um serviço confiável 
e essencial à sociedade.
b) O prefixo – des tem o sentido de negação, de ação contrária. O 
também prefixo -inter tem o sentido de entre. O radical é -mediar. 
O sufixo -ção é utilizado para formar um substantivo a partir de 
um verbo. Sendo assim, o processo de formação é de dois prefi-
xos + radical + sufixo, para a criação do neologismo.
3. a) A palavra descapotável se constitui a partir do seguinte 
processo:
• derivação parassintética (des + capota + ar);
• derivação sufixal (sufixo vel encaixado ao elemento 
anterior);
A agregação do sufixo vel faz cair o r da desinência verbal.
b) O adjetivo descapotável, usado no português europeu, faz 
referência a um veículo cuja capota pode ser recolhida. Em por-
tuguês brasileiro, a referência ao mesmo tipo de veículo é dada 
pela palavra conversível. O autor considera que a primeira opção 
apresenta um sentido mais adequado, pois ela indicaria de modo 
mais adequado o fato de o veículo possuir uma capota. Já a se-
gunda opção, poderia nos dar a sensação de que o veículo, por 
ser conversível, pode ser inteiramente modificado.
4. a) No primeiro caso, a palavra “inenarrável” significa “o que 
não pode ser narrado”. A ideia de negação está no prefixo “in-” 
(derivação prefixal). Porém, o elemento ao qual se junta o prefixo 
é o adjetivo “enarrável”, que os dicionários, na sua maioria, não 
costumam registrar. A palavra geralmente usada é “narrável”, o 
que resulta em “inarrável”. Isso ocorre por haver dois verbos, 
“narrar” e “enarrar”, com o mesmo sentido.
No segundo caso, como o significado de “disfarçar” é “enco-
brir”, “ocultar”, “tapar”, o vocábulo primitivo do qual ele seria 
formado, por processo de derivação prefixal, seria “farçar”, que 
tem como significado oposto “revelar”, “manifestar”. Mas essa 
velação não é absoluta, já que a semelhança sonora entre “far-
çar” e “farsa” sugeriria que João é capaz de dizer o indizível, fa-
zendo com que o mistério do “que não ousamos compreender” 
permaneça vivo em sua literatura.
b) Na segunda estrofe, a ideia pretendida é a de que João con-
segue realizar o impossível. O processo de derivar um vocábulo 
de outro “inexistente”, que se observa nos pares inenarrável/
enarrável e disfarçar/farçar, mostra o poder que o ficcionista tem 
de realizar o “irrealizável”.
5. a) O uso dos parênteses destaca o termo “imaginário” no 
contexto da frase, para enfatizar que a televisão produz o efeito 
ilusório de que as imagens transmitidas ao espectador passivo 
representam a realidade. 
b) O prefixo “oni” significa “tudo”, termo que é repetido na frase 
“tudo mostrar e tudo ver”.
c) Define-se ética como o conjunto de princípios, normas e regras 
que visem a um comportamento moral exemplar, o que é sugeri-
do na expressão “bom comportamento”.
23
CÓDIGOS HIERÁRQUICOS
Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus 
pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico.
E.O. APRENDIZAGEM
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
4 1.1
5 1.1
6 1.1
7 1.1
8 1.1
9 1.1
10 1.1
E.O. FIXAÇÃO
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
4 1.2
5 1.1 e 1.2
6 1.1
7 1.1
8 1.1
9 1.1
10 1.1
E.O. COMPLEMENTAR
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
4 1.2
5 1.2
E.O. DISSERTATIVO
exercícios códigos
1 1.1
2 1.2
3 1.1 e 1.2
4 1.1
E.O. UERJ 
EXAME DISCURSIVO
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
E.O. OBJETIVAS 
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP)
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
4 1.1
E.O. DISSERTATIVAS 
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP)
exercícios códigos
1 1.1
2 1.1
3 1.1
4 1.1
24
 artigos, substantivos e adjetivos
CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27
AULAS 
3 e 4
E.O. AprEndizAgEm
1. (IfAl) 77% dOS PAIS AMERICANOS CUlPAM O vIdEOgAME POR EXPOR 
OS fIlHOS à vIOlêNCIA
Será que videogames tornam as crianças mais agressivas? Com 
certeza, você já ouviu essa questão por aí. Afinal, a polêmica 
existe há muito tempo. 2Por enquanto, a ciência não tem uma 
resposta definitiva sobre o tema. 3Estudos recentes apontam que 
eles não podem ser culpados pela violência infantil. 4Já outros 
afirmam que eles alteram a atividade cerebral e deixam as pes-
soas mais insensíveis. 
Mas, segundo uma pesquisa realizada pela Common Sense 
Media e divulgada nesta semana, os pais americanos não têm 
dúvidas: 77% deles culpam jogos, filmes e a TV por manter 
uma cultura de violência entre as crianças. Os dados mostram 
também que os pais aprovam medidas mais rigorosas para 
manter os filhos longe de conteúdos violentos: 688% acreditam 
que anúncios violentos não deveriam ser veiculados durante 
programas com grande audiência infantil e 91% apoiam que 
só possam ser exibidos trailers com a mesma classificação in-
dicativa do filme. 
“Os pais estão claramente preocupados com o impacto que 
a violência na mídia pode ter em suas crianças”, diz 7James 
Steyer, criador e CEO da empresa responsável pela pesqui-
sa. Além dos jogos de videogame, outras preocupações dos 
pais são o bullying (92%) o acesso a armas (75%) e os 
níveis atuais de crime (86%). 
E você, o que acha desse assunto?
(Disponível em: http://supeR.AbRil.com.bR/bloGs/supeRbloG/ 
77-Dos-pAis-AmeRicAnos-culpAm-o-viDeoGAme-poR-expoR-
os-filhos-A-violenciA. Acesso em: 16/01/2017.) 
AS PAlAvRAS EM dESTAQUE ESTÃO COM fUNçÃO dE SUBSTANTIvOS OU AdJE-
TIvOS, EXCETO NA AlTERNATIvA 
a) Por enquanto, a ciência não tem uma resposta 
definitiva sobre o tema. (ref. 2) 
b) Estudos recentes apontam que eles não po-
dem ser culpados pela violência infantil. (ref. 3) 
c) Já outros afirmam que eles alteram a atividade 
cerebral e deixam as pessoas mais insensíveis. (ref. 4) 
d) 88% acreditam que anúncios violentos não deve-
riam ser veiculados durante programas com grande 
audiência infantil (ref. 6). 
e) James Steyer, criador e CEO da empresa respon-
sável pela pesquisa. (ref. 7) 
2. (UfRgS) A NOTíCIA SAIU NO THE wAll STREET JOURNAl: 
A "ansiedade 1superou a depressão como problema 2de saúde 
mental predominante nos EUA". Para justificar o absurdo, o autor da 
matéria recorre a 3um psicoterapeuta e a um 4sociólogo. O primeiro 
descreve "ansiedade como 5condição dos privilegiados" que, livres 
de ameaças reais, se dão ao luxo de "olhar para dentro" e criar me-
dos irracionais; o segundo diz que "vivemos na era mais segura da 
humanidade" e, no entanto, "desperdiçamos bilhões de dólares 6em 
medos bem mais ampliados do que seria 7justificável". Sem meias 
palavras, 8os peritos dizem algo mais ou menos assim: os americanos 
estão nadando em 9riqueza e, como não têm do que se queixar, ad-
quiriram o costume neurótico 10de 11desentocar medos 12irracionais 
para projetá-los no 13admirável mundo novo ao redor.
A explicação impressiona pela ingenuidade ou pela má-fé. Nin-
guém contrai o 14"Mau hábito" 15de olhar para 16dentro de si do 
dia para a noite. A obsessão consigo não é um efeito colateral 
17do modo de vida atual; é um dos seus mais 18indispensáveis in-
gredientes. O crescimento exagerado do interesse pelo "mundo 
interno" e pelo 19corpo é a 20contrapartida do desinteresse ou hos-
tilidade pelo "mundo externo" e pelos outros. Diz o 21catecismo: só 
confie em seu corpoe sua mente. 22O resto é 23concorrente; o resto 
está sempre cobiçando e disputando seu emprego, seu sucesso, 
seu patrimônio e sua saúde. Sentir medo e ansiedade, em condi-
ções semelhantes, é um estado emocional perfeitamente racional 
e inteligível.
Em bom português, sentir-se condenado a 24jamais ter repouso 
físico ou 25mental, sob pena de perder a saúde, a 26longevidade, a 
forma física, o desempenho 27sexual, o emprego, a casa, a segu-
rança na velhice, pode ser um inferno em vida para os pobres ou 
para os ricos. Os 28candidatos à ansiedade são, assim, bem mais 
numerosos e bem menos ociosos do que pensam o 29psicotera-
peuta e o sociólogo.
CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES ACERCA dO USO dE ARTIgOS.
I. CASO TIvéSSEMOS "UMA CONdIçÃO" EM vEz dE "CONdIçÃO" (REf. 5) 
HAvERIA AlTERAçÃO NO SENTIdO glOBAl dA fRASE
II. O ARTIgO INdEfINIdO "UNS" POdERIA SUBSTITUIR O dEfINIdO (REf. 8) 
"OS", SEM QUE HOUvESSE AlTERAçÃO NO SENTIdO dA fRASE EM QUESTÃO. 
III. AS dUAS OCORRêNCIAS dO ARTIgO dEfINIdO "O" ANTEPOSTO àS PAlAvRAS 
"PSICOTERAPEUTA" E "SOCIÓlOgO" (REf. 29) POdERIAM SER SUBSTITUídAS 
POR UM INdEfINIdO SEM MUdAR O SENTIdO dA fRASE.
QUAIS ESTÃO CORRETAS? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
25
3. (IfAl)
Paraí-ba (Céceu)
Pê – a – pá
Erre – a – ra – í
Bê – a – bá
Paraíba
Paraíba do norte, do caboclo forte
Do homem disposto esperando chover
Da gente que canta com água nos olhos
Chorando e sorrindo, querendo viver
Do sertão torrado, do gado magrinho
Do açude sequinho, do céu tão azul
Do velho sentado num banquinho velho
Comendo com gosto um prato de angu
Acende o cachimbo, dá uma tragada
Não sabe de nada da vida do sul
Pê – a – pá
Erre – a - ra – í
Bê – a – bá
Paraíba
Paraíba do norte que tem seu progresso
Que manda sucesso pra todo país
Que sente a presença da mãe natureza
Que vê a riqueza nascer da raiz
Que acredita em Deus, também no pecado
Que faz do roçado a sua oração
E ainda confia no seu semelhante
E vai sempre avante em busca do pão
O pão que é nosso, que garante a vida
Terrinha querida do meu coração
Pê – a – pá
Erre – a – ra – í
Bê – a – bá
Paraíba
(RAmAlho, zé. Duetos. bmG. são pAulo, 2004. cD-Rom.) 
NA fRASE: dO vElHO SENTAdO NUM BANQUINHO vElHO, OBSERvA-SE: 
a) Nas duas vezes em que a palavra VELHO aparece, 
ela tem a função de substantivo. 
b) Nas duas vezes em que a palavra VELHO aparece, 
ela tem a função de adjetivo. 
c) Primeiramente, VELHO tem a função de substanti-
vo; depois, tem a função de adjetivo. 
d) Primeiramente, VELHO tem a função de adjetivo; 
depois, tem a função substantivo. 
e) No texto, nas duas vezes em que a palavra VELHO 
aparece não assume nem a função de adjetivo, nem 
de substantivo. 
4. (IfSP) ESSE TEXTO dO SéCUlO XvI REflETE UM MOMENTO dE EX-
PANSÃO PORTUgUESA POR vIAS MARíTIMAS, O QUE dEMANdAvA A APRO-
PRIAçÃO dE AlgUNS gêNEROS dISCURSIvOS, dENTRE OS QUAIS A CARTA. 
UM EXEMPlO dESSA PROdUçÃO é A CARTA dE CAMINHA A d. MANUEl. 
CONSIdERE A SEgUINTE PARTE dESSA CARTA:
Nela [na terra] até agora não pudemos saber que haja ouro nem 
prata... porém a terra em si é de muito bons ares assim frios e tempe-
rados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. 
E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela 
tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se 
pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a 
principal semente que vossa alteza em ela deve lançar. 
O TRECHO APRESENTAdO é PREPONdERANTEMENTE dESCRITIvO. A ClASSE 
dE PAlAvRAS QUE APARECE ASSOCIAdA A ESSE TIPO TEXTUAl é O AdJETIvO. 
SÃO EXEMPlOS dE PAlAvRAS dESSA ClASSE, NO TEXTO, AS SEgUINTES: 
a) ...porém a terra em si é de muito bons ares... 
b) Águas são muitas e infindas. 
c) ...dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem... 
d) ...o melhor fruto que nela se pode fazer me parece 
que será salvar esta gente... 
e) ...esta deve ser a principal semente que vossa alte-
za em ela deve lançar. 
5. (UEg) CElUlARES EXPlOSIvOS, IdEIAS NEM TANTO
Sou uma nulidade no uso do celular. Mal conheço a senha para tirar 
as mensagens lá de dentro e, pelo que vejo, meu aparelho é forte 
candidato a uma dessas explosões que têm acontecido ultimamente.
Pinóquio não primava pela responsabilidade nos compromissos 
assumidos, mas seu Grilo Falante, de cartola e guarda-chuva, 
conhecia as virtudes da polidez e da adequação. Não tomava a 
palavra antes de um minúsculo pigarro de advertência.
Inseto mutante, o celular está para o grilo de Pinóquio um pouco 
como a guitarra elétrica para o antigo violão. Adota os tons mais 
estridentes, descabelados e imperativos, a que as pessoas obe-
decem numa coreografia alucinada. A pose mais estudada da 
grã-fina se estilhaça em aflição e pânico enquanto ela remexe na 
bolsa à procura do aparelho; o taxista mais inerte e distraído pula 
ao menor toque, como se tivesse uma aranha dentro do carro. E 
nem se sabia que aquilo era carregado de dinamite.
(coelho, m. folhA De s. pAulo., são pAulo, 
10 mAio 2006, p. e 10. ilustRADA.)
NO TEXTO, O ARTIgO dEfINIdO POdE SER IdENTIfICAdO EM TOdAS AS 
ORAçõES A SEgUIR, EXCETO EM: 
a) “Não tomava a palavra” 
b) “Mal conheço a senha” 
c) “é forte candidato a uma dessas explosões” 
d) “ela remexe na bolsa à procura do aparelho” 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Esparadrapo
Aquele restaurante de bairro é do tipo simpatia/classe média. 
Fica em rua sossegada, é pequeno, limpo, cores repousantes, co-
mida razoável, preços idem, não tem música de triturar os ouvi-
dos. O dono senta-se à mesa da gente, para bater um papo leve, 
sem intimidades.
Meu relógio parou. Pergunto-lhe quantas horas são.
— Estou sem relógio.
— Então vou perguntar ao garçom.
Ele também está sem relógio.
— E o colega dele, que serve aquela mesa?
— Ninguém está com relógio nesta casa.
— Curioso. É moda nova?
— Antes de responder, e se o senhor permite, vou lhe fazer, não 
propriamente um pedido, mas uma sugestão.
— Pois não.
— Não precisa trazer relógio, quando vier jantar.
— Não entendo.
— Estamos sugerindo aos nossos fregueses que façam este pe-
queno sacrifício.
26
— Mas o senhor podia explicar...
— Sem querer meter o nariz no que não é da minha conta, gos-
taria também que trouxesse pouco dinheiro, ou antes, nenhum.
— Agora é que não estou pegando mesmo nada.
— Coma o que quiser, depois mandamos receber em sua casa.
— Bem, eu moro ali adiante, mas e outros, os que nem se sabe 
onde moram, ou estão de passagem na cidade?
— Dá-se um jeito.
— Quer dizer que nem relógio nem dinheiro?
— Nem joias. Estamos pedindo às senhoras que não venham de 
joia. É o mais difícil, mas algumas estão atendendo.
— Hum, agora já sei.
— Pois é. Isso mesmo. O amigo compreende...
— Compreendo perfeitamente. 
Desculpa ter custado um pouco a entrar na jogada. Sou meio 
obtuso1 quando estou com fome.
— Absolutamente. Até que o amigo compreendeu sem que eu 
precisasse dizer tudo. Muito bem.
— Mas me diga uma coisa. Quando foi isso?
— Quarta-feira passada.
— E como foi, pode-se saber?
— Como podia ser? Como nos outros lugares, no mesmo figuri-
no. Só que em ponto menor.
— Lógico, sua casa é pequena. Mas levaram o quê?
— O que havia na caixa, pouquinha coisa. Eram 9 da noite, dia 
meio parado.
— Que mais? 
— Umas coisinhas, liquidificador, relógio de pulso, meu, dos em-
pregados e dos fregueses.
— An. (Passei a mão no pulso, instintivamente.)
— O pior foi o cofre.
— Abriram o cofre?
— Reviraram tudo, à procura do cofre. Ameaçaram, pintaram e 
bordaram. Foi muito desagradável.
— E afinal?
— Cansei de explicar a eles que não havia cofre, nunca houve, 
como é que eu podia inventar cofre naquela hora?
— Ficaram decepcionados, imagino.
— Não senhor. Disseram que tinha de haver cofre. Eram cinco, 
inclusive a moça de bota e revólver, querendo me convencer que 
tinha cofre escondido na parede, no teto, embaixo do piso, sei lá.
— E o resultado?
— Este — e baixou a cabeça, onde, no cocuruto, alvejava a 
estrela de esparadrapo.
— Oh! Sinto muito.Não tinha notado. Felizmente escapou, é o 
que vale. Dê graças a Deus por estar vivo.
— Já sei. Sabe que mais? Na polícia me perguntaram se eu tinha 
seguro contra roubo. E eu pensando que meu seguro fosse a 
polícia. Agora estou me segurando à minha maneira, deixando 
as coisas lá em casa e convidando os fregueses a fazer o mesmo. 
E vou comprar um cofre. Cofre pequeno, mas cofre.
— Para que, se não vai guardar dinheiro nele?
— Para mostrar minha boa-fé, se eles voltarem. Abro imedia-
tamente o cofre, e verão que não estou escondendo nada. Que 
lhe parece?
— Que talvez o senhor precise manter um estoque de espara-
drapo em seu restaurante.
AnDRADe, cARlos DRummonD De. espARADRApo. in pARA 
GostAR De leR. v. 3. cRônicAs. são pAulo: áticA, 1978. 
6. (g1 – IfSC) ASSINAlE A AlTERNATIvA CUJA PAlAvRA POdERIA SUBS-
TITUIR dE MANEIRA CORRETA O AdJETIvO – “OBTUSO” (REf. 1), SEM 
QUE HOUvESSE AlTERAçÃO CONSIdERávEl NO SENTIdO dA fRASE. 
a) teimoso 
b) apressado 
c) insensível 
d) agressivo 
e) estúpido 
7. (ESPCEX) ASSINAlE A úNICA OPçÃO EM QUE A PAlAvRA “A” 
é ARTIgO. 
a) Hoje, ele veio a falar comigo. 
b) Essa caneta não é a que te emprestei. 
c) Convenci-a com poucas palavras. 
d) Obrigou-me a arcar com mais despesas. 
e) Marquei-te a fronte, mísero poeta. 
8. (UfRRJ) MÃOS dAdAS
1ª ESTROfE
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
2ª ESTROfE
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, 
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens pre-
sentes, a vida presente.
(AnDRADe, cARlos DRummonD De. Reunião. Rio 
De JAneiRo: J. olympio, 1974. p. 55.)
OS AdJETIvOS “CAdUCO” (PRIMEIRO vERSO) E “TACITURNOS” (QUARTO 
vERSO) SIgNIfICAM, RESPECTIvAMENTE, 
a) doente e falantes. 
b) ultrapassado e tristes. 
c) fraco e joviais. 
d) caído e solidários. 
e) passageiro e prolixos. 
9. (UfRJ)
27
BONS (IN)vENTOS
Universitários mineiros se destacam no desenvolvimento de pro-
tótipos de aviões
AlessAnDRA RibeiRo
“Urrú! É pão de queijo!”. O grito de comemoração tornou-se 
recorrente na premiação do campeonato anual promovido nos 
Estados Unidos pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade 
(SAE, na sigla em inglês), a Aerodesign East Competition. O de-
safio consiste em projetar e construir aeronaves radiocontrola-
das, com capacidade de transportar cargas. Na última edição, 
encerrada em março, com a participação de 75 grupos das Amé-
ricas, da Ásia e da Europa, duas equipes mineiras alcançaram o 
segundo lugar, em diferentes categorias: a Uirá, da Universidade 
Federal de Itajubá (Unifei), na classe “regular”, e a Trem Ki Voa, 
da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), na “micro”.
Instituições mineiras de ensino superior figuram anualmente na 
lista de vencedores da competição desde 2006, quando o primeiro 
e o segundo lugares da classe “regular” ficaram, respectivamen-
te, com as equipes Uai-So-Fly, da Universidade Federal de Minas 
Gerais (UFMG), e Tucano, da Universidade Federal de Uberlândia 
(UFU). Pouco antes, em 2004, o grupo CEAV-UAV, também da 
UFMG, havia conquistado o vice-campeonato. Nessa categoria, os 
participantes devem construir aeronaves com dimensões totais de, 
no máximo, metros, capazes de decolar na distância máxima de 
metros, com o uso de motores elétricos limitados à potência de 
1000 watts. O uso de materiais compostos – como fibra de carbo-
no ou vidro – é vetado na estrutura dos aviões.
Já na classe “micro”, os protótipos devem ter dimensões reduzi-
das e pesar, em média, 700 gramas. Além disso, a equipe precisa 
transportar a aeronave dentro de um tubo de 15,3 centímetros 
de diâmetro. Quanto menor o comprimento do tubo, mais pon-
tos são ganhos. As aeronaves também têm de usar motores elé-
tricos e decolar por lançamento manual. Foi nesta categoria que 
a Trem Ki Voa (TKV), da UFSJ, subiu pela primeira vez no pódio da 
Aerodesign East Competition.
A equipe micro teve sua participação iniciada em 2010, por inicia-
tiva de estudantes do curso de Engenharia Mecânica. “De lá para 
cá, participamos de todas as competições, sendo vice-campeões 
nacionais em 2012 e 2014 e vice-campeões mundiais em 2015”, 
conta o professor Cláudio Pellegrini, orientador do grupo, que conta 
com o apoio do Programa Santos Dumont, da FAPEMIG. O edi-
tal batizado com o nome do “pai da aviação”, natural de Minas 
Gerais, estimula o espírito empreendedor de alunos de graduação, 
por meio do financiamento de projetos focados em iniciação tec-
nológica. O apoio financeiro abrange a participação de equipes em 
competições de caráter educacional, como as promovidas pela SAE.
A TKV é “filha caçula” da equipe regular da UFSJ, a Coiote, 
criada em 2001. Três anos mais tarde, as duas se unificaram 
e decidiram adotar a alcunha Trem Ki Voa, uma referência (ou 
reverência) ao dialeto mineiro. Os nomes das equipes, aliás, de-
monstram o nível de criatividade dos participantes. Na mesma 
universidade, a NoizAvua, que reúne estudantes das engenha-
rias Civil, Mecatrônica e de Telecomunicações do campus Alto 
Paraopeba, estreou em 2012 na SAE Brasil Aerodesign, com-
petição brasileira que garante a classificação ao desafio inter-
nacional. Já na primeira participação, o grupo recebeu menção 
honrosa por apresentar o melhor projeto não custeado. Desde 
então, já conseguiu patrocínios pontuais, um deles também 
viabilizado pelo programa da FAPEMIG.
“Para esses estudantes, o projeto e a construção de uma ae-
ronave de carga não tripulada controlada a distância é uma 
oportunidade única de testar seus conhecimentos, de modo a 
desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe e integrar os 
conhecimentos adquiridos ao longo das várias unidades curricu-
lares, por vezes tão distintas, de seu curso”, avalia Cláudio Pel-
legrini (...). O professor ressalta que isso vale, inclusive, para os 
estudantes sem formação específica em aeronáutica – caso das 
equipes da UFSJ. “A participação também desenvolve a autono-
mia no aprendizado, característica essencial em um mercado de 
trabalho em constante mudança”, acrescenta.
(minAs fAz ciênciA, Jun/Jul/AGo De 2015. p. 31-2.) 
RElEIA A fRASE:
“Na última edição, encerrada em março, com a participação de 
75 grupos das Américas, da Ásia e da Europa, duas equipes mi-
neiras alcançaram o segundo lugar, em diferentes categorias: a 
Uirá, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), na classe “re-
gular”, e a Trem Ki Voa, da Universidade Federal de São João 
del-Rei (UFSJ), na “micro”.”
NA fRASE ACIMA, “MICRO” EXERCE A fUNçÃO dE AdJETIvO. ENTRETANTO, 
NÃO ESTá EXPlICITO O SUBSTANTIvO QUE ElE QUAlIfICA, QUE SERIA: 
a) classe. 
b) avião. 
c) edição. 
d) grupo. 
e) equipe. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência 
criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência 
(amplamente admitida, mas nunca comprovada empiricamente) é 
de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam 
a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por que não?" O 
que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que 
cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa si-
tuação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, 
pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, pra-
ticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura 
(mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido 
morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contráriaé encontrada na Noruega. Considerada pela 
ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do 
IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante 
Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá 
o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou 
seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é 
uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma pri-
são em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é 
de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes 
que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reinci-
dência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter 
seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por 
vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não 
28
é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso 
poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do 
país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente 
reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 
5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com 
grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não pos-
suem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sani-
tário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, 
mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além 
de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de 
esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os 
familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. 
Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, 
cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena re-
muneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de 
educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos pre-
sos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). 
Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas 
é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimen-
tos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar 
por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um cur-
so superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito 
a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem 
respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação 
ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, 
inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a 
privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no trata-
mento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacio-
nais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode 
ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: 
enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem cri-
mes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e 
matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente 
colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no 
massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vin-
gança é uma festa, dizia Nietzsche).
luiz flávio Gomes, JuRistA, DiRetoR-pResiDente Do instituto 
AvAnte bRAsil e coeDitoR Do poRtAl AtuAliDADesDoDiReito.
com.bR. estou no bloGDolfG.com.bR.
** colAboRou fláviA mestRineR botelho, socióloGA 
e pesquisADoRA Do instituto AvAnte bRAsil.
fonte: ADAptADo De http://institutoAvAntebRAsil.com.bR/
noRueGA-como-moDelo-De-ReAbilitAcAo-De-cRiminosos/.
AcessADo em 17 De mARço De 2017.
10. (ESPCEX - AMAN) "(...) UMA SINISTRA CUlTURA dE QUE BANdIdO BOM 
é BANdIdO MORTO."
O AdJETIvO EM dESTAQUE APRESENTA, NO TEXTO, O SIgNIfICAdO dE:
a) errada 
b) maligna 
c) desprezível 
d) forte 
e) correta 
E.O. FixAçãO
1. (UfRgS) Quando a 1economia política clássica nasceu, no 
Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do sé-
culo XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava 
no centro de todas as análises. Estava claro que transformações 
radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento demo-
gráfico sustentado – inédito até então – e pelo início do êxodo 
rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências 
sociais dessas mudanças?
Para Thomas Malthus, que publicou em 1798 seu Ensaio sobre o 
princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era 
uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos 
franceses às vésperas da Revolução de 1789, quando havia misé-
ria generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país 
mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais 
de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco 
mais de 8 milhões de pessoas. A população francesa se expandiu 
em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 
30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, 
desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a 10estagna-
ção dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos 
associados à propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fato-
res que levaram a Revolução Francesa. Para evitar que torvelinho 
13similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que toda 
assistência aos pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa 
de natalidade deveria ser severamente controlada.
Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de 
economia política e tributação, preocupava-se com a evolução 
do preço da terra. Se o crescimento da população e, consequen-
temente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a 
se 18tornar escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, 
o preço do bem escasso – a terra – deveria subir de modo contí-
nuo. No limite, os donos da terra receberiam uma parte cada vez 
mais significativa da renda nacional, e o 20restante da população, 
uma parte cada vez mais reduzida, destruindo o equilíbrio social. 
De fato, o valor da terra permaneceu alto por algum tempo, mas, 
ao longo de século XIX, caiu em relação outras formas de rique-
za, à medida que diminuía o peso da agricultura na renda das 
nações. Escrevendo nos anos de 1810, Ricardo não poderia an-
tever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento 
industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução 
da distribuição da renda.
(piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De 
bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p.11-13.) 
gERAlMENTE, SUBSTANTIvOS dENOTAM SERES OU COISAS. àS vEzES, NO 
ENTANTO, POdEM dENOTAR AçÃO OU PROCESSO. ASSINAlE A AlTERNATIvA 
QUE CONTéM UM SUBSTANTIvO QUE, NO TEXTO, dENOTA PROCESSO. 
a) economia (ref. 1) 
b) estagnação (ref.10) 
c) similar (ref. 13) 
d) tornar (ref. 18) 
e) restante (ref. 20) 
2. (UNESP) A QUESTÃO A SEgUIR ABORdAM UM POEMA dE RAUl dE lEONI 
(1895-1926).
A alma das cousas somos nós...
Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
29
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade,
Nunca mais se repete exatamente...
Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...
Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:
Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
Dentro da indiferençado Universo!...
(leoni, RAul. luz meDiteRRâneA, 1965.) 
INdIQUE O vERSO EM QUE OCORRE UM AdJETIvO ANTES E OUTRO dEPOIS 
dE UM SUBSTANTIvO: 
a) O que varia é o espírito que as sente 
b) Mas, se nesse vaivém tudo parece igual 
c) Tons esquivos e trêmulos, nuanças 
d) Homem inquieto e vão que não repousas! 
e) Dentro do eterno giro universal 
lEIA O TEXTO PARA RESPONdER à QUESTÃO
A Argentina tem Messi. Ele é o plano, o propósito, a ideia. Como 
executá-la? Isso também é coisa para Leo, ciente de que com a 
alviceleste lhe cabe ser meio-campista, porque a equipe não tem 
jogadores brilhantes no meio. Ocorre que, exceto por Di María, o 
ataque não tem pegada, apesar da reputação de Higuaín, Agüero 
– agora lesionado –, Lavezzi e Palácio. O peso de Maradona já é 
enorme; obrigar alguém a ser Maradona para criar e Maradona 
para concretizar é uma missão quase impossível até para um gênio 
como Messi.
O ponto de partida assumido por Leo foi o eixo do campo, onde 
Mascherano há tempos não aparece, e onde Gago é uma sombra, 
nem fede nem cheira, só se dispersa. Como não há ninguém capaz 
de dar uma luz, a Pulga vai ao socorro e busca abrir espaços entre 
o funil rival. O normal seria que acabasse preso pelas emboscadas 
suíças, que não eram poucas. Quando conseguiu finalmente armar 
um chute, lá estava o formidável Benaglio [goleiro da Suíça].
(http://bRAsil.elpAis.com/bRAsil)
3. (UNICId MEd UNESP) NO TRECHO "lá ESTAvA O fORMIdávEl 
BENAglIO", EM RElAçÃO AO NOME PRÓPRIO A QUE SE REfERE, O AdJETIvO 
é EMPREgAdO PARA EXPRIMIR
a) um sentido de modéstia.
b) uma qualidade distintiva.
c) uma avaliação pejorativa.
d) um sentido atenuante.
e) um tom cerimonioso.
4. (UECE) A gARAgEM dE CASA
Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a 4ga-
ragem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente 
aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indi-
víduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. 
8Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo 
os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos 
degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. 
Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tem-
pos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo 
um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que 
têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, 
como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de 
por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como 
dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a fe-
licidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje 
revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas 
de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz 
de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o 
livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou 
ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma 
edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não 
leu, mas cujas ilustrações 15admirou longamente, como denun-
ciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. 
Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um 
mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve 
em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele 
nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe 
teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando 
numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compa-
decida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho 
pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: 
parece disco de cantor de rádio. 
(chico buARque. o iRmão Alemão. 1 eD. são pAulo. 
compAnhiA DAs letRAs. 2014. p. 60-61.) 
A OBRA O IRMÃO AlEMÃO, úlTIMO lIvRO dE CHICO BUARQUE dE HOlAN-
dA, TEM COMO MÓvEl dA NARRATIvA A EXISTêNCIA dE UM dESCONHECIdO 
IRMÃO AlEMÃO, fRUTO dE UMA AvENTURA AMOROSA QUE O PAI dElE, 
SéRgIO BUARQUE dE HOlANdA, TIvERA COM UMA AlEMÃ, lá PElO fINAl 
dA déCAdA dE 1930 dO SéCUlO PASSAdO. EXATAMENTE QUANdO HITlER 
ASCENdE AO POdER NA AlEMANHA. ESSE fATO é REAl: O JORNAlISTA, 
HISTORIAdOR E SOCIÓlOgO SéRgIO BUARQUE dE HOlANdA, NA éPOCA, 
SOlTEIRO, dEIXOU ESSE fIlHO NA AlEMANHA. NA fAMílIA, NO ENTANTO, 
NÃO SE fAlAvA NO ASSUNTO. CHICO TEvE, POR ACASO, CONHECIMENTO 
dESSA AvENTURA dO PAI EM UMA REUNIÃO NA CASA dE MANUEl BANdEI-
RA, POR COMENTáRIO fEITO PElO PRÓPRIO BANdEIRA. 
fOI EM TORNO dA PRETENSA BUSCA dESSE PRETENSO IRMÃO QUE CHICO 
BUARQUE dESENvOlvEU SUA NARRATIvA fICCIONAl, O SEU ROMANCE. 
SOBRE A OBRA, dIz fERNANdO dE BARROS E SIlvA: “O QUE O lEITOR 
TEM EM MÃOS [...] NÃO é UM RElATO HISTÓRICO. REAlIdAdE E fICçÃO 
ESTÃO AQUI ENTRANHAdAS NUMA NARRATIvA QUE EMBARAlHA SEM CESSAR 
MEMÓRIA BIOgRáfICA E fICçÃO”. 
CONSIdERE A EXPRESSÃO “A gARAgEM dE CASA” (REf. 4) E O QUE SE 
dIz SOBRE ElA.
I. O EMPREgO dO vOCáBUlO CASA SEM A dETERMINAçÃO dO ARTIgO 
dEfINIdO, COMO ACONTECE NO TEXTO, INdICA QUE A CASA é dA PESSOA 
QUE fAlA. 
30
II. A INTROdUçÃO dO ARTIgO dEfINIdO ANTES dO SUBSTANTIvO CASA 
– gARAgEM dA CASA – INdICARIA NÃO SÓ QUE O fAlANTE NÃO é O 
PROPRIETáRIO dA CASA, OU PElO MENOS NÃO A HABITA, MAS TAMBéM QUE 
O REfERENTE CASA, REPRESENTAdO NO TEXTO PElO vOCáBUlO CASA, Já 
APARECERA NO TEXTO, PORTANTO NÃO SERIA NOvO PARA O lEITOR. 
III. A INTROdUçÃO dO ARTIgO INdEfINIdO UM ANTES dO SUBSTANTIvO 
CASA – gARAgEM dE UMA CASA – INdICARIA QUE O REfERENTE CASA, 
REPRESENTAdO PElO vOCáBUlO CASA, AINdA NÃO APARECERA NO TEXTO, 
PORTANTO SERIA NOvO PARA O lEITOR. 
ESTá CORRETO O QUE SE dIz EM 
a) I e II apenas. 
b) I, II e III. 
c) I e III apenas. 
d) II apenas. 
5. (CP2) ITAlIANO CAPTA SONS dA NATUREzA PARA 
CRIAR MúSICAS
Se a quantidade de instrumentos musicais tocados por Diego 
Stocco não é infinita, com certeza é incontável. Para ele fazer mú-
sica com uma coisa, basta que ela exista. Galhos, folhas, frutas, 
areia, casca de tronco de árvore, sementes, até uma abelha que 
passeava entre as flores participam da gravação do músico. Nas 
mãos do italiano, qualquer jardim vira uma orquestra. Para fazer 
suas composições em parceria com a natureza, vários métodos 
de captação são utilizados. Quase sempre, os objetos acabam se 
transformando em elementos de percussão. 
Ele posiciona microfones perto de uma árvore, por exemplo, e, 
após um breve teste para descobrir qual o som provocado pelos 
movimentos, começa a chacoalhar os galhos e batucar no tronco, 
como se fosse um bongô. Às vezes, pequenos microfones são 
acoplados aos seus dedos, fazendo com que qualquer impacto 
seja ampliado na hora. Mas o método mais curioso, com certeza, 
é o estetoscópio. Diego pluga o aparelho em um microfone e 
o encosta na casca da árvore. Assim que ele bate no tronco, o 
que se ouve é um som grave, saído diretamente das entranhas 
daquela planta. 
Quando ele termina de experimentar as sonoridades do jardim, é 
tudo uma questão de edição. 
Apesar de ter virado notícia, a ideia de utilizar elementos naturais 
para criar uma canção não é exatamente nova. Desde os tempos 
em que o homem morava em cavernas, ele já fazia músicas com 
os elementos ao seu redor.
(...)
Hermeto Pascoal, um dos músicos mais inventivos que o Brasil já 
viu, fazia coisa parecida desde os tempos de criança, em 1940. 
Ele transformava cano de mamona de jerimum em pífano (tipo 
de flauta) e adorava fazer música com os barulhos da lagoa perto 
de sua casa.
(...)
(Disponível: http://RevistAGAlileu.Globo.com/RevistA/n/0,,emi30
817917770,0itAliAno+cAptA+sons+DA+nAtuRezA+
pARA+cRiAR+musicAs.html. Acesso em 23 nov. 2013.) 
lê-SE NO TEXTO QUE “SE A QUANTIdAdE dE INSTRUMENTOS MUSICAIS TO-
CAdOS POR dIEgO STOCCO NÃO é INfINITA, COM CERTEzA é INCONTávEl”.
CONSIdERANdO A lEITURA dA REPORTAgEM, ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE 
REPRESENTA, RESPECTIvAMENTE, O vAlOR SEMâNTICO dOS dOIS AdJETIvOS 
NO CONTEXTO. 
a) desmesurada/ imensa 
b) ilimitada/ inumerável 
c) ilimitada/ numerável 
d) abrangente/ magnífica 
6. ARTE SUPREMATal como Pigmalião, a minha ideia
Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a;
E ante os meus olhos e a vaidade fátua
Surge, formosa e nua, Galateia.
Mais um retoque, uns golpes... e remato-a;
Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia
Sangue rubro, que a cora e aformoseia...
E a estatua não falou, porque era estatua.
Bem haja o verso, em cuja enorme escala
Falam todas as vozes do universo,
E ao qual também arte nenhuma iguala:
Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso,
Em vão não e que eu digo ao verso: “Fala!”
E ele fala-me sempre, porque e verso.
(Júlio césAR DA silvA. ARte De AmAR. são pAulo: 
compAnhiA eDitoRA nAcionAl, 1961.) 
APONTE A AlTERNATIvA QUE INdICA O NúMERO dO vERSO EM QUE APARE-
CEM dOIS AdJETIvOS lIgAdOS POR UM CONECTIvO AdITIvO: 
a) Verso 3. 
b) Verso 4. 
c) Verso 5. 
d) Verso 7. 
e) Verso 11. 
7. (ESC. NAvAl)
vElHO MARINHEIRO
Homenagem aos marinheiros 
de sempre... e para sempre.
Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi meu braço 
diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida.
Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme branco, sen-
ti-me homem de verdade, como se estivesse dando adeus aos 
tempos de garoto. Ao meu lado, as vozes de outros jovens so-
avam em uníssono com a minha, vibrantes, e terminamos com 
emoção, de peitos estufados e orgulhosos. Ao final, minha mãe 
veio em minha direção, apressada em me dar um beijo. Acari-
ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme. O dia 
acabou com a família em festa; eu lembro-me bem, fiquei de 
uniforme até de tarde...
Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o significado 
nobre de companheirismo. Juntos no sofrimento e na alegria, um 
safando o outro, leais e amigos. Aprendi o que é civismo, respeito 
e disciplina, no princípio, exigidos a cada dia; depois, como parte 
do meu ser e, assim, para sempre. A cada passo havia um novo 
esforço esperando e, depois dele, um pequeno sucesso. Minha 
vida, agora que olho para trás, foi toda de pequenos sucessos. A 
soma deles foi a minha carreira.
31
No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era novamente 
aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu havia aprendi-
do. Só que agora me davam tarefas, incumbências, e esperavam 
que eu as cumprisse bem. Pouco a pouco, passei a ser parte da 
equipe, a ser chamado para ajudar, a ser necessário. Um dia vi-
-me ensinando aos novatos e dei-me conta de que me tornara 
marinheiro, de fato e de direito, um profissional! O navio passou 
a ser minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às 
vezes, do que na primeira. Conhecia todos, alguns mais até do 
que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoetes, preocupa-
ções e de seus sonhos. Sem dar conta, meu mundo acabava no 
costado do navio.
A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, é uma das 
coisas mais belas, que só há entre nós, em mais nenhum outro 
lugar. Por isso sou marinheiro, porque sei o que é espírito de navio.
Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro danado no 
mar, em serviço, postos de combate, adestramento de guerra, dia 
e noite. O interessante é que em toda nossa vida, quando busca-
mos as boas recordações, elas vêm desse tempo, das viagens e 
dos navios. Até as durezas por que passamos são saborosas ao 
lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. 
É aquela história dos pequenos sucessos.
A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre figu-
rando a mulher. Primeiro a mãe, depois a namorada, a noiva, 
a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpresas de carinho. A 
comida preferida, o abraço apertado, o beijo quente... e o filho 
que, na ausência, foi ensinado a dizer papai. 
No início, eu voltava com muitos retratos, principalmente quando 
vinha do estrangeiro, depois, com o tempo, eram poucos, até que 
deixei de levar a máquina. Engraçado, 1vocês já perceberam que 
marinheiro velho dificilmente baixa a terra com máquina fotográ-
fica? Foi assim comigo.
Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros – sinto-os 
mais preparados do que eu era – mas a vida no mar, as viagens, 
os portos, a volta, estou certo de que são iguais. Sou marinheiro, 
por isso sei como é. 
Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Marinha. E a 
cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, que vejo, me dá 
um orgulho que às vezes chega a entalar na garganta. Há pouco 
tempo, voltei a entrar em um navio. Que coisa linda! Sofisticado, 
limpíssimo, nas mãos de uma tripulação que só pode ser muito 
competente para mantê-lo pronto. Do que me mostraram eu não 
sabia muito. Basta dizer que o último navio em que servi já deu 
baixa. Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me para a 
bandeira, inclinei a cabeça... e, minha garganta entalou outra vez.
Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que significa o 
bem de cada um, protegido à custa do desmerecimento da insti-
tuição; mas o puro, que significa o bem da instituição, protegido 
pelo merecimento de cada um. 
Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. 
Muitas vezes a lembrança me retorna aos dias da ativa e mor-
ro de saudades. Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir 
aquele uniforme novinho – até um pouco grande, ainda recordo 
– Jurar Bandeira, ser beijado pela minha falecida mãe... 
Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, verei, 
em velocidade desconhecida, o navio com meus amigos, minha 
mulher, meus filhos, singrando para sempre, indo aonde o mar 
encontra o céu... e, se São Pedro estiver no portaló, direi: 
– Sou marinheiro, estou embarcando.
(AutoR DesconheciDo. in: línGuA poRtuGuesA: leituRA e pRoDução De 
texto. Rio De JAneiRo: mARinhA Do bRAsil, escolA nAvAl, 2011. p. 6-8) 
glOSSáRIO
PORTAlÓ: ABERTURA NO CASCO dE UM NAvIO, OU PASSAgEM JUNTO à 
BAlAUSTRAdA, POR ONdE AS PESSOAS TRANSITAM PARA fORA OU PARA 
dENTRO, E POR ONdE SE POdE MOvIMENTAR CARgA lEvE. 
EM “[...] vOCêS Já PERCEBERAM QUE MARINHEIRO vElHO dIfICIlMENTE 
BAIXA A TERRA [...] .” (REf. 1), A POSIçÃO dO AdJETIvO é IMPORTANTE, 
POIS, SE ESCREvêSSEMOS “vElHO MARINHEIRO”, O vAlOR SEMâNTICO SE-
RIA OUTRO. EM QUE OPçÃO A TROCA dE POSIçÃO dOS TERMOS IMPlICOU 
UMA MUdANçA SEMâNTICA? 
a) Os marinheiros, em seus uniformes brancos, des-
tacam-se nas paradas militares. / Os marinheiros, em 
seus brancos uniformes, destacam-se nas paradas 
militares. 
b) Os alunos gostavam de ouvir as narrativas tradicio-
nais sobre os perigos do mar. / Os alunos gostavam 
de ouvir as tradicionais narrativas sobre os perigos 
do mar. 
c) Depois de muito tempo longe de casa, os homens 
do mar sentem falta de uma comida gostosa. / Depois 
de muito tempo longe de casa, os homens do mar 
sentem falta de uma gostosa comida. 
d) Os navios e seus homens preparavam-se para cum-
prir um longo percurso, de acordo com a derrota tra-
çada. / Os navios e seus homens preparavam-se para 
cumprir um percurso longo, de acordo com a derrota 
traçada. 
e) Antigamente, o recebimento de uma mensagem 
simples aplacava as saudades dos marinheiros. / An-
tigamente, o recebimento de uma simples mensagem 
aplacava as saudades dos marinheiros. 
8. (UFRGS) O que havia de tão revolucionário na Revolução 
Francesa? Soberania popular, liberdade civil, igualdade perante 
a lei – as palavras hoje são ditas com tanta facilidade que so-
mos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para 
os franceses do Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a 
desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica 
que fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberda-
de significava privilégio – isto é, literalmente, “lei privada”, uma 
prerrogativa especial para fazer algo negado a outras pessoas. O 
rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, pois havia sido 
ungido como 16o agente de Deus na terra.
Durante todo 17o século XVIII, os filósofos do Iluminismo ques-
tionaram esses pressupostos, e os panfletistas profissionais 
conseguiram empanar a aura sagrada da coroa. Contudo, a 
desmontagem do quadro mental do Antigo Regime demandou 
violência iconoclasta, destruidorado mundo, revolucionária.
Seria ótimo se pudéssemos associar 18a Revolução exclusivamen-
te à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela 
nasceu na violência e imprimiu seus princípios em um mundo 
violento. Os conquistadores da Bastilha não se limitaram a des-
truir um símbolo do despotismo real. Entre eles, 150 foram mortos 
32
ou feridos no assalto à prisão e, quando os sobreviventes apa-
nharam o diretor, cortaram sua cabeça e desfilaram-na por Paris 
na ponta de uma lança.
Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo 
parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, 
apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser 
redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de 
se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzen-
tos anos de experiências com admiráveis mundos novos torna-
ram-nos céticos quanto ao planejamento social. Retrospectiva-
mente, a Revolução pode parecer um prelúdio ao totalitarismo.
Pode ser. Mas um excesso de visão histórica retrospectiva pode 
distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não 
eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pesso-
as não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as 
coisas se desintegraram, eles reagiram a uma necessidade impe-
riosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos 
princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denún-
cia da tirania e da injustiça. Afinal, em que estava empenhada a 
Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade.
(DARnton, RobeRt. o beiJo De lAmouRette. in: ____. 
o beiJo De lAmouRette: míDiA, cultuRA e Revolução. 
são pAulo: ciA. DAs letRAs, 2010. p. 30-39.) 
CONSIdERE AS SEgUINTES OCORRêNCIAS dE ARTIgO NO TEXTO.
I. O ARTIgO dEfINIdO NA REfERêNCIA 16.
II. O ARTIgO dEfINIdO SINgUlAR NA REfERêNCIA 17.
III. O ARTIgO dEfINIdO NA REfERêNCIA 18.
QUAIS POdERIAM SER OMITIdOS, PRESERvANdO A CORREçÃO dE SEUS 
CONTEXTOS? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
9. (CfTRJ)
TEXTO III
lAMA 
mAuRo DuARte
Pelo curto tempo que você sumiu 
Nota-se aparentemente que você subiu 
Mas o que eu soube ao seu respeito 
Me entristeceu ouvi dizer 
Que pra subir você desceu, você desceu 
Todo mundo quer subir 
A concepção da vida admite 
Ainda mais quando a subida 
Tem o céu como limite 
Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama 
Com a moral toda enterrada na lama 
(clARA nunes. o cAnto DAs tRês RAçAs. emi-oDeon, 1976) 
A PROdUçÃO dE UM TEXTO POéTICO RESUlTA dE UMA CRITERIOSA SElEçÃO 
vOCABUlAR. NO TEXTO, TRABAlHOU-SE COM dOIS CAMPOS SEMâNTICOS: 
SUBIR X dESCER. RElACIONANdO-SE ESSES vERBOS A SUBSTANTIvOS, dE 
ACORdO COM ESSE TEXTO, A úNICA ASSOCIAçÃO COERENTE é: 
a) subir: lama, limite. 
b) descer: limite, degrau. 
c) subir: fama, moral. 
d) descer: lama, moral. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
A MEMÓRIA E O CAOS dIgITAl
feRnAnDA colAvitti
A era digital trouxe inovações e facilidades para o homem que 
superou de longe o que a ficção previa até pouco tempo atrás. 
Se antes precisávamos correr em busca de informações de nosso 
interesse, hoje, úteis ou não, elas é que nos assediam: resulta-
dos de loterias, dicas de cursos, variações da moeda, ofertas de 
compras, notícias de atentados, ganhadores de gincanas, etc. Por 
outro lado, enquanto cresce a capacidade dos discos rígidos e a 
velocidade das informações, o desempenho da memória humana 
está ficando cada vez mais comprometido. Cientistas são unâni-
mes ao associar a rapidez das informações geradas pelo mundo 
digital com a restrição de nosso "disco rígido" natural. Eles res-
saltam, porém, que o problema não está propriamente nas novas 
tecnologias, mas no uso exagerado delas, o que faz com que 
deixemos de lado atividades mais estimulantes, como a leitura, 
que envolvem diversas funções do cérebro. Os mais prejudicados 
por esse processo têm sido crianças e adolescentes, cujo desen-
volvimento neuronal acaba sendo moldado preguiçosamente.
Responda sem pensar: qual era a manchete do jornal de ontem? 
Você lembra o nome da novela que antecedeu o Clone? E quem 
era o técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994? 
Não ter uma resposta imediata para essas perguntas não deve 
ser causa de preocupação para ninguém, mas exemplifica bem 
o problema constatado pela fonoaudióloga paulista Ana Maria 
Maaz Alvarez, que há mais de 20 anos estuda a relação entre 
audição e recordação.
A pedido de duas empresas, ela realizou uma pesquisa para sa-
ber o que estava ocorrendo com os funcionários que reclamavam 
com frequência de lapsos de memória. Foram entrevistados 71 
homens e mulheres, com idade de 18 e 42 anos. A maioria dos 
esquecimentos era de natureza auditiva, como nomes que aca-
bavam de ser ouvidos ou assuntos discutidos. (Por falar nisso, 
responda sem olhar no parágrafo anterior: você lembra o nome 
da pesquisadora citada?)
Ana Maria descobriu que os lapsos de memória resultavam basica-
mente do excesso de informação em consequência do tipo de tra-
balho que essas pessoas exerciam nas empresas, e do pouco tempo 
que dispunham para processá-las, somados à angústia de querer 
saber mais e ao excesso de atribuições. "Elas não se detinham no 
que estava sendo dito (lido, ouvido ou visto) e, consequentemente, 
não conseguiam gravar os dados na memória", afirma.
(fonte inteRnet: supeRinteRessAnte, 2001).
10. (UECE) ASSINAlE A AlTERNATIvA EM QUE TOdAS AS EXPRESSõES dES-
TACAdAS TêM vAlOR dE AdJETIvO. 
a) Era DIGITAL trouxe inovações e FACILIDADES QUE 
SUPERARAM o QUE PREVIA a ficção. 
b) Deixemos DE LADO atividades QUE ENVOLVEM 
DIVERSAS funções DO CÉREBRO. 
c) Hoje, ÚTEIS ou não, as informações É QUE nos assediam. 
d) Responda qual era a manchete DO JORNAL DE 
ONTEM.
33
E.O. COmplEmEntAr
1. (IfSP) BUSCANdO A EXCElêNCIA
lyA luft
Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assusta-
dora, implacável e persistentemente. Autoridades, altos cargos, 
líderes, em boa parte desinformados, desinteressados, incultos, 
lamentáveis. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos 
e assim entram nas universidades, que aos poucos – refiro-me às 
públicas – vão se tornando reduto de pobreza intelectual.
As infelizes cotas, contras as quais tenho escrito e às quais me 
oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançar-
mos este objetivo: a mediocrização também do ensino superior. 
Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensi-
nado, numa educação de brincadeirinha. E, porque não sabem 
ler nem escrever direito e com naturalidade, não conseguem 
expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. [...] E 
as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso 
ao ensino superior por mérito [...]. Meu conceito serve para 
cotas raciais também: não é pela raça ou cor, sobretudo auto-
declarada, que um jovem deve conseguir diploma superior, mas 
por seu esforço e capacidade. [...]
Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jo-
vens, em lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, 
busca de mérito, uso da própria capacidade e talento, já entre as 
crianças. O ensino nas últimas décadas aprimorou-se em fazer os 
pequenos aprender brincando. Isso pode ser bom para os bem 
pequenos, mas já na escola elementar, em seus primeiros anos, 
é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a vida não 
é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à 
saúde, mas que a escola é também preparação para uma vida 
profissional futura, na qual haverá disciplina e limites – que aliás 
deveriam existir em casa, ainda que amorosos.
Muitos dirão que não estou sendo simpática. Não escrevo para 
ser agradável, mas para partilhar com meus leitores preocupa-
ções sobre este país com suas maravilhas e suas mazelas, num 
momento fundamental em que, em meio a greves, justas ou 
desatinadas, [...] se delineia com grande inteligência e precisão 
a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenaspre-
judicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral, e 
a dignidade de milhões de brasileiros. Está sendo um momento 
de excelência que nos devolve ânimo e esperança.
(RevistA veJA, De 26.09.2012. ADAptADo). 
SABE-SE QUE O AdJETIvO é UMA PAlAvRA QUE MOdIfICA O SUBSTANTIvO 
E QUE SUA POSIçÃO MAIS COMUM NO PORTUgUêS é A dE SUCEdER ESSE 
SUBSTANTIvO. ASSINAlE O EfEITO dE SENTIdO QUE A AUTORA CONSEgUE 
COM O EMPREgO dO AdJETIvO ANTECEdENdO O SUBSTANTIvO EM “AS 
INfElIzES COTAS” (2º PARágRAfO). 
a) produz uma sonoridade mais adequada ao trecho. 
b) provoca o estranhamento do leitor, pois algumas co-
tas são felizes. 
c) antecipa que nem todas as cotas são infelizes, como 
se poderia esperar. 
d) oferece pistas ao leitor de seu posicionamento críti-
co sobre o assunto das cotas. 
e) exemplifica a situação da educação do país, empre-
gando inadequadamente o termo. 
2. (UEl) vESTIBUlAR
Vestibular, aquilo que o Ministério da Educação estuda agora 
extinguir, é um brasileirismo para algo que em Portugal costuma 
ser chamado de exame de acesso à universidade. Trata-se de um 
adjetivo que se substantivou, num processo semelhante ao que 
ocorreu com celular, qualificativo de telefone, que tenta – e na 
maioria das vezes consegue – expulsar a palavra principal de cena 
sob uma pertinente alegação de redundância, tomando para si o 
lugar de substantivo. Pois o exame vestibular, de tão consagrado 
no vocabulário de gerações e gerações de estudantes brasileiros 
que perderam o sono por causa dele, acabou conhecido como ves-
tibular só. E qualquer associação remota com a palavra que está 
em sua origem – vestíbulo – se perdeu nesse processo.
Quando ainda era claramente um adjetivo, ficava mais fácil per-
ceber a metáfora que, com certa dose de pernosticismo, levou 
a palavra vestibular a ser escolhida para qualificar o processo 
de seleção de candidatos ao ensino superior. Vestíbulo (do latim 
vestibulum) é, na origem, um termo de arquitetura que signifi-
ca pórtico, alpendre ou pátio externo, mas que pode ser usado 
também, em sentido mais amplo, para designar um átrio, uma 
antessala, qualquer cômodo ou ambiente de passagem entre a 
porta de entrada e o corpo principal de uma casa, apartamento, 
palácio ou prédio público. Para quem prefere uma solução angló-
fona, estamos falando de hall ou lobby.
Como é um ambiente de transição entre o lado de fora e o lado 
de dentro, vestíbulo ganhou ainda por extensão, em anatomia, o 
sentido de “cavidade que dá acesso a um órgão oco” (Houaiss). 
Antes de ser admitido no vocabulário da educação, “sistema ves-
tibular” já tinha aplicação na linguagem médica como nome dos 
pequenos órgãos situados na entrada do ouvido interno, respon-
sáveis por nosso equilíbrio.
(RoDRiGues, s. vestibulAR. Disponível em: <http://RevistADAsemAnA.
AbRil.uol.com.bR/eDicoes/81/pAlAvRADAsemAnA/mAteRiA_ 
pAlAvRADAsemAnA_431845.shtml>. Acesso em: 6 Jun. 2009.) 
COM BASE NO TEXTO, CONSIdERE AS AfIRMATIvAS A SEgUIR:
I. AO AfIRMAR QUE vESTIBUlAR é UM BRASIlEIRISMO, O AUTOR SE POSI-
CIONA CONTRARIAMENTE à SUA EXTINçÃO PElO MINISTéRIO dA EdUCAçÃO.
II. O AUTOR NÃO CONdENA O USO dO ESTRANgEIRISMO “lOBBy” NO lUgAR 
dO BRASIlEIRISMO “vESTIBUlAR”.
III. O AdJETIvO “vESTIBUlAR” QUE, dEvIdO AO USO, ACABOU SENdO SUB-
STANTIvAdO, é dERIvAdO dA PAlAvRA “vESTíBUlO”.
Iv. O AUTOR CONSIdERA PERTINENTE A AlEgAçÃO dE REdUNdâNCIA PARA 
EXPlICAR O PROCESSO dE SUBSTANTIvAçÃO dO TERMO “CElUlAR”.
ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas. 
3. (IFCE) De como o narrador, com certa experiência anterior e 
agradável, dispõe-se a retirar a verdade do fundo do poço
Minha intenção, minha única intenção, acreditem! é apenas 
restabelecer a verdade. A verdade completa, de tal maneira 
que nenhuma dúvida persista em torno do comandante Vasco 
Moscoso de Aragão e de suas extraordinárias aventuras. 
34
“A verdade está no fundo de um poço”, li certa vez, não me lem-
bro mais se num livro ou num artigo de jornal. Em todo caso, em 
letra de forma, e como duvidar de afirmação impressa? Eu, pelo 
menos, não costumo discutir, muito menos negar, a literatura e 
o jornalismo. E, como se isso não bastasse, 7várias pessoas 
gradas repetiram-me a frase, não deixando sequer margem 
para um erro de revisão a retirar a verdade do poço, a situá-la 
em melhor abrigo: paço (“a verdade está no paço real”) ou colo 
(“a verdade se esconde no colo das mulheres belas”), polo (“a 
verdade fugiu para o Polo Norte”) ou povo (“a verdade está com 
o povo”). Frases, todas elas, parece-me, menos grosseiras, mais 
elegantes, sem deixar essa obscura sensação de abandono e frio 
inerente à palavra “poço”.
O meritíssimo dr. Siqueira, juiz aposentado, respeitável e probo 
cidadão, de lustrosa e erudita careca, explicou-me tratar-se de 
um lugar-comum, ou seja, coisa tão clara e sabida a ponto de 
transformar-se num provérbio, num dito de todo mundo. Com 
sua voz grave, de inapelável sentença, acrescentou curioso de-
talhe: não só a verdade está no fundo de um poço, mas lá se 
encontra inteiramente nua, sem nenhum véu a cobrir-lhe o corpo, 
sequer as partes vergonhosas. No fundo do poço e nua.
O dr. Alberto Siqueira é o cimo, o ponto culminante da cultura 
nesse subúrbio de Periperi onde habitamos. É ele quem pronun-
cia o discurso do Dois de Julho na pequena praça e o de Sete 
de Setembro no grupo escolar, sem falar noutras datas menores 
e em brindes de aniversário e batizado. Ao juiz devo muito do 
pouco que sei, a essas conversas noturnas no passeio de sua 
casa; devo-lhe respeito e gratidão. Quando ele, com a voz solene 
e o gesto preciso, esclarece-me uma dúvida, naquele momen-
to tudo parece-me claro e fácil, nenhuma objeção me assalta. 
Depois que o deixo, porém, e ponho-me a pensar no assunto, 
vão-se a facilidade e a evidência, como, por exemplo, nesse caso 
da verdade. Volta tudo a ser obscuro e difícil, busco recordar as 
explicações do meritíssimo e não consigo. Uma trapalhada. Mas, 
como duvidar da palavra de homem de tanto saber, as estantes 
entulhadas de livros, códigos e tratados? No entanto, por mais 
que ele me explique tratar-se apenas de um provérbio popular, 
muitas vezes encontro-me a pensar nesse poço, certamente pro-
fundo e escuro, onde foi a verdade esconder sua nudez, deixan-
do-nos na maior das confusões, a discutir a propósito de um tudo 
ou de um nada, causando-nos a ruína, o desespero e a guerra. 
Poço não é poço, fundo de um poço não é o fundo de um poço, 
na voz do provérbio isso significa que a verdade é difícil de re-
velar-se, sua nudez não se exibe na praça pública ao alcance de 
qualquer mortal. Mas é o nosso dever, de todos nós, procurar a 
verdade de cada fato, mergulhar na escuridão do poço até en-
contrar sua luz divina. 
“Luz divina” é do juiz, como aliás todo o parágrafo anterior. 
Ele é tão culto que fala em tom de discurso, gastando palavras 
bonitas, mesmo nas conversas familiares com sua digníssima 
esposa, dona Ernestina. “A verdade é o farol que ilumina mi-
nha vida”, costuma repetir-se o meritíssimo, de dedo em riste, 
quando, à noite, sob um céu de incontáveis estrelas e pouca 
luz elétrica, conversamos sobre as novidades do mundo e de 
nosso subúrbio. Dona Ernestina, gordíssima, lustrosa de suor e 
um tanto quanto débil mental, concorda balançando a cabeça 
de elefante. Um farol de luz poderosa, iluminando longe, eis a 
verdade do nobre juiz de direito aposentado. 
Talvez por isso mesmo sua luz não penetre nos escaninhos mais 
próximos, nas ruas de canto, no escondido beco das Três Borboletas 
onde se abriga, na discreta meia-sombra de uma casinha entre 
árvores, a formosa e risonha mulata Dondoca, cujos pais procura-
ram o meritíssimo quando Zé Canjiquinha desapareceu da circula-
ção, viajando para o sul. 
Passara Dondocanos peitos, na frase pitoresca do velho Pedro Tor-
resmo, pai aflito, e largara a menina ali, sem honra e sem dinheiro: 
– No miserê, doutor juiz, no miserê... 
O juiz deitou discurso moral, coisa digna de ouvir-se, prometeu 
providências. E, à vista do tocante quadro da vítima a sorrir en-
tre lágrimas, afrouxou um dinheirinho, pois, sob o peito duro 
da camisa engomada do magistrado, pulsa, por mais difícil que 
seja acreditar-se, pulsa um bondoso coração. Prometeu expedir 
ordem de busca e apreensão do “sórdido dom-juan”, esque-
cendo-se, no entusiasmo pela causa da virtude ofendida, de 
sua condição de aposentado, sem promotor nem delegado às 
ordens. Interessaria no caso, igualmente, seus amigos da cidade. 
O “conquistador barato” teria a paga merecida... 
E foi ele próprio, tão cônscio é o dr. Siqueira de suas responsabili-
dades de juiz (embora aposentado), dar notícias das providências 
à família ofendida e pobre, na moradia distante. Dormia Pedro Tor-
resmo, curando a cachaça da véspera; labutava no quintal, lavando 
roupa, a magra Eufrásia, mãe da vítima, e a própria cuidava do 
fogão. Desabrochou um sorriso nos lábios carnudos de Dondoca, 
tímido mas expressivo, o juiz fitou-a austero, tomou-lhe da mão: 
– Venho pra repreendê-la... 
– Eu não queria. Foi ele... – choramingou a formosa. 
– Muito malfeito – segurava-lhe o braço de carne rija. 
Desfez-se ela em lágrimas arrependidas e o juiz, para melhor re-
preendê-la e aconselhá-la, sentou-a no colo, acariciou-lhe as faces, 
beliscou-lhe os braços. Admirável quadro: a severidade implacável 
do magistrado temperada pela bondade compreensiva do homem. 
Escondeu Dondoca o rosto envergonhado no ombro confortador, 
seus lábios faziam cócegas inocentes no pescoço ilustre. 
Zé Canjiquinha nunca foi encontrado, em compensação Dondo-
ca ficou, desde aquela bem-sucedida visita sob a proteção da 
justiça, anda hoje nos trinques, ganhou a casinha no beco das 
Três Borboletas, Pedro Torresmo deixou definitivamente de traba-
lhar. Eis aí uma verdade que o farol do juiz não ilumina, foi-me 
necessário mergulhar no poço para buscá-la. Aliás, para tudo 
contar, a inteira verdade, devo acrescentar ter sido agradável, de-
leitoso mergulho, pois no fundo desse poço estava o colchão de 
lã de barriguda do leito de Dondoca onde ela me conta – depois 
que abandono, por volta das dez da noite, a prosa erudita do me-
ritíssimo e de sua volumosa consorte – divertidas intimidades do 
preclaro magistrado, infelizmente impróprias para letra de forma.
(AmADo, JoRGe. os velhos mARinheiRos: DuAs históRiAs Do 
cAis DA bAhiA. 23. eD. são pAulo: mARtins, s.D., p. 71-73) 
EM “(...) váRIAS PESSOAS gRAdAS REPETIRAM-ME A fRASE (...)”, – REf. 
7 – é CORRETO AfIRMAR-SE, dE ACORdO COM O TEXTO, ACERCA dO vOCá-
BUlO dESTACAdO, QUE SE TRATA dE UM 
a) substantivo e tem o mesmo significado de “vonta-
des”, “desejos”. 
b) substantivo e tem o mesmo significado de “passos”, 
“marchas”, “andaduras”. 
c) adjetivo e tem o mesmo significado de “insignes”, 
“importantes”, “ilustres”. 
35
d) adjetivo e tem o mesmo significado de “grandes”, 
“desenvolvidas”. 
e) adjetivo e tem o mesmo significado de “esforça-
das”, “lutadoras”. 
4. (UECE) PORTÃO
O portão fica bocejando, aberto 
para os alunos retardatários. 
Não há pressa em viver 
nem nas ladeiras duras de subir, 
quanto mais para estudar a 1insípida cartilha. 
Mas se o pai do menino é da oposição, 
à ilustríssima autoridade municipal, 
prima por sua vez da sacratíssima 
autoridade nacional, 
ah, isso não: o vagabundo 
ficará mofando lá fora 
e leva no boletim uma galáxia de zeros. 
A gente aprende muito no portão 
fechado. 
(AnDRADe, cARlos DRummonD De. in: cARlos DRummonD De 
AnDRADe: poesiA e pRosA. eDitoRA novA AGuilAR:1988. p. 506-507.) 
ATENTE AO QUE é dITO SOBRE O vOCáBUlO “INSíPIdA” (REf. 1). 
I. fOI EMPREgAdO NA ACEPçÃO dE SEM gRAçA, dESINTERESSANTE, MO-
NÓTONO.
II. fOI EMPREgAdO NO SEU SENTIdO lITERAl, NÃO fIgURAdO.
III. A MUdANçA dA POSIçÃO dESSE AdJETIvO PARA dEPOIS dO SUBSTANTI-
vO NÃO AlTERARIA O SIgNIfICAdO dO SUBSTANTIvO.
ESTá CORRETO O QUE SE AfIRMA SOMENTE EM 
a) I e II. 
b) III. 
c) I e III. 
d) II. 
5. (INSPER) QUEM RI POR úlTIMO RI MIllôR
Eu tinha 15 anos, havia tomado bomba, era virgem e não via, 
diante da minha incompetência para com o sexo oposto, a mais 
remota possibilidade de reverter a situação.
Em algum momento entre a oitava série e o primeiro colegial, 
todos os meus colegas haviam adotado roupas diferentes, gí-
rias, trejeitos ao falar e ao gesticular, mas eu continuava igual – 
era como se houvesse faltado na aula em que os estilos foram 
distribuídos e estivesse condenado a viver para sempre numa 
espécie de limbo social, feito de incertezas, celibato e moletom.
O mundo, antes um lugar com regras claras e uma razoável 
meritocracia, havia perdido o sentido: os bons meninos não 
ganhavam uma coroa de louros – nem ao menos, vá lá, uma 
loura coroa –, era preciso acordar às 6h15 para estudar quími-
ca orgânica e os adultos ainda queriam me convencer de que 
aquela era a melhor fase da vida.
Claro, observando-os, era óbvia a razão da nostalgia: seres 
de calças bege e pager no cinto, que gastavam seus dias 
em papinhos de elevador, sem ambições maiores do que um 
carro novo, um requeijão com menos colesterol, o nome na 
moldura de funcionário do mês e ingressos para o Holiday on 
Ice no fim de semana.
Em busca de algum consolo, me esforçava para bater o recorde 
jamaicano de consumo de maconha, mas, em vez de ter abertas 
as portas da percepção – ou o que quer que fizesse com que 
meus amigos se divertissem e passassem meia hora rachando o 
bico, sei lá, de um amendoim –, só via ainda mais escancaradas 
as portas da minha inadequação. Foi então, meus caros, que eu 
vi a luz – e a luz veio na forma de um livro; “Trinta anos de mim 
mesmo”, do Millôr Fernandes. 
A primeira página que eu abri trazia um quadrado em branco, 
com a seguinte legenda: “Uma gaivota branca, trepada sobre 
um iglu branco, em cima de um monte branco. No céu, nuvens 
brancas esvoaçam e à direita aparecem duas árvores brancas 
com as flores brancas da primavera”. Logo adiante estava “O 
abridor de latas”, “Pela primeira vez no Brasil um conto intei-
ramente em câmera lenta” – narrando um piquenique de tarta-
rugas que durava uns 1.500 anos. Mais pra frente, esta quadra: 
“Essa pressa leviana/ Demonstra o incompetente/ Por que fazer 
o mundo em sete dias/ Se tinha a eternidade pela frente?”.
Lendo aquelas páginas, que reuniam o trabalho jornalístico do 
Millôr entre 1943 e 1973, compreendi que não estava sozinho 
em meu estranhamento: a vida era mesmo absurda, mas a res-
posta mais lógica para a falta de sentido não era o desespero, e 
sim o riso. Percebi, como se não bastasse, que se agregasse algu-
ma graça aos meus resmungos poderia fazer daquele incômodo 
uma profissão. Dos 19 anos até hoje, jamais paguei uma conta 
de luz de outra forma.
Uma pena nunca ter conhecido o Millôr pessoalmente, não ter po-
dido apertar sua mão e agradecer-lhe por haver me sussurrado ao 
ouvido, quando eu mais precisava escutar, a única verdade que há 
debaixo do céu: se Deus não existe, então tudo é divertido.
(Antonio pRAtA. folhA De s. pAulo. 04/04/2012.) 
NA PASSAgEM “... OS BONS MENINOS NÃO gANHAvAM UMA COROA dE 
lOUROS – NEM AO MENOS, vá lá, UMA lOURA COROA...”, O AUTOR fAz 
UM JOgO dE PAlAvRAS, CUJO SENTIdO ESTá MAIS BEM EXPlICAdO EM: 
a) Os adjetivos “louros” e “loura”, no contexto em que 
foram empregados, apresentam os mesmos sentidos, sof-
rendo apenas variação na flexão de gênero e de número. 
b) A escolha do substantivo “coroa”, nas duas ocorrên-
cias do texto, deve-se ao fato de que o cronista pretende 
assinalar um registro formal da linguagem. 
c) A locução adjetiva “de louros” e o substantivo “lou-
ra” foram empregados pelo autor com a finalidade de 
criar uma antítese. 
d) A palavra “coroa” é um substantivo, mas em cada 
ocorrência exerce uma diferente função sintática: ob-jeto indireto e adjunto adnominal, respectivamente. 
e) Os termos “louros” e “loura” têm semelhanças gráfi-
cas e sonoras e, apesar de parecerem ser o masculino 
e o feminino da mesma palavra, apresentam signifi-
cações diferentes. 
E.O. dissErtAtivO
1. (UfJf) A IdENTIdAdE E A dIfERENçA: O POdER dE 
dEfINIR
A identidade e a diferença são o resultado de um processo de 
produção simbólica e discursiva. (...) A identidade, tal como a 
36
diferença, é uma relação social. Isso significa que sua definição 
– discursiva e linguística – está sujeita a vetores de força, a re-
lações de poder.
Elas não são simplesmente definidas; elas são impostas. Não con-
vivem harmoniosamente, lado a lado, em um campo sem hierar-
quias; são disputadas.
Não se trata, entretanto, apenas do fato de que a definição da 
identidade e da diferença seja objeto de disputa entre grupos so-
ciais simetricamente situados relativamente ao poder. Na disputa 
pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por ou-
tros recursos simbólicos e materiais da sociedade. A afirmação da 
identidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dos 
diferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir 
o acesso privilegiado aos bens sociais. A identidade e a diferença 
estão, pois, em estreita conexão com relações de poder. O poder 
de definir a identidade e de marcar a diferença não pode ser 
separado das relações mais amplas de poder. A identidade e a 
diferença não são, nunca, inocentes.
Podemos dizer que onde existe diferenciação – ou seja, identida-
de e diferença – aí está presente o poder. A diferenciação é o pro-
cesso central pelo qual a identidade e a diferença são produzidas. 
Há, entretanto, uma série de outros processos que traduzem essa 
diferenciação ou que com ela guardam uma estreita relação. São 
outras tantas marcas da presença do poder: incluir/excluir (“estes 
pertencem, aqueles não”); demarcar fronteiras (“nós” e “eles”); 
classificar (“bons e maus”; “puros e impuros”; “desenvolvidos 
e primitivos”; “racionais e irracionais”); normalizar (“nós somos 
normais; eles são anormais”).
A afirmação da identidade e a marcação da diferença implicam, 
sempre, as operações de incluir e de excluir. Como vimos, dizer “o 
que somos” significa também dizer “o que não somos”. A identi-
dade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem 
pertence e sobre quem não pertence, sobre quem está incluído e 
quem está excluído.
Afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer 
distinções entre o que fica dentro e o que fica fora. A identidade 
está sempre ligada a uma forte separação entre “nós” e “eles”. 
Essa demarcação de fronteiras, essa separação e distinção, su-
põem e, ao mesmo tempo, afirmam e reafirmam relações de 
poder. (...)Os pronomes “nós” e “eles” não são, aqui, simples 
categorias gramaticais, mas evidentes indicadores de posições-
-de-sujeito fortemente marcadas por relações de poder: dividir o 
mundo social entre “nós” e “eles” significa classificar. O proces-
so de classificação é central na vida social.
Ele pode ser entendido como um ato de significação pelo qual 
dividimos e ordenamos o mundo social em grupos, em classes. 
A identidade e a diferença estão estreitamente relacionadas às 
formas pelas quais a sociedade produz e utiliza classificações.
As classificações são sempre feitas a partir do ponto de vista da 
identidade. Isto é, as classes nas quais o mundo social é dividi-
do não são simples agrupamentos simétricos. Dividir e classificar 
significa, neste caso, também hierarquizar. Deter o privilégio de 
classificar significa também deter o privilégio de atribuir diferen-
tes valores aos grupos assim classificados.
A mais importante forma de classificação é aquela que se es-
trutura em torno de oposições binárias, isto é, em torno de duas 
classes polarizadas. O filósofo francês Jacques Derrida analisou 
detalhadamente esse processo. Para ele, as oposições binárias 
não expressam uma simples divisão do mundo em duas classes 
simétricas: em uma oposição binária, um dos termos é sempre 
privilegiado, recebendo um valor positivo, enquanto o outro re-
cebe uma carga negativa. “Nós” e “eles”, por exemplo, cons-
titui uma típica oposição binária: não é preciso dizer qual ter-
mo é, aqui, privilegiado. As relações de identidade e diferença 
ordenam-se, todas, em torno de oposições binárias: masculino/
feminino, branco/negro, heterossexual/homossexual. Questionar 
a identidade e a diferença como relações de poder significa pro-
blematizar os binarismos em torno dos quais elas se organizam.
Fixar uma determinada identidade como a norma é uma das 
formas privilegiadas de hierarquização das identidades e das di-
ferenças. A normalização é um dos processos mais sutis pelos 
quais o poder se manifesta no campo da identidade e da dife-
rença. Normalizar significa eleger – arbitrariamente – uma iden-
tidade específica como o parâmetro em relação ao qual as outras 
identidades são avaliadas e hierarquizadas. Normalizar significa 
atribuir a essa identidade todas as características positivas pos-
síveis, em relação às quais as outras identidades só podem ser 
avaliadas de forma negativa. A identidade normal é “natural”, 
desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem 
sequer é vista como uma identidade, mas simplesmente como a 
identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades que são 
marcadas como tais. Numa sociedade em que impera a supre-
macia branca, por exemplo, “ser branco” não é considerado uma 
identidade étnica ou racial. Num mundo governado pela hege-
monia cultural estadunidense, “étnica” é a música ou a comida 
dos outros países. É a sexualidade homossexual que é “sexuali-
zada”, não a heterossexual. A força homogeneizadora da iden-
tidade normal é diretamente proporcional à sua invisibilidade.
Na medida em que é uma operação de diferenciação, de produ-
ção de diferença, o anormal é inteiramente constitutivo do normal. 
Assim como a definição da identidade depende da diferença, a 
definição do normal depende da definição do anormal. Aquilo que 
é deixado de fora é sempre parte da definição e da constituição do 
“dentro”. A definição daquilo que é considerado aceitável, dese-
jável, natural é inteiramente dependente da definição daquilo que 
é considerado abjeto, rejeitável, antinatural. A identidade hegemô-
nica é permanentemente assombrada pelo seu Outro, sem cuja 
existência ela não faria sentido. Como sabemos desde o início, a 
diferença é parte ativa da formação da identidade.
(silvA, tomAz tADeu. A pRoDução sociAl DA iDentiDADe e DA DifeRençA. in: 
silvA, tomAz tADeu (oRG. e tRAD.). iDentiDADe e DifeRençA: A peRspectivA 
Dos estuDos cultuRAis. 
petRópolis: vozes, 2000. p. 73-75.
lEIA O fRAgMENTO A SEgUIR:
“A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista 
como uma identidade, mas simplesmente como a identidade”. 
(penúltimo parágrafo)
NO TRECHO dESTACAdO, QUAl é O EfEITO dE SENTIdO dETERMINAdO PElO 
USO dOS ARTIgOS INdEfINIdO E dEfINIdO ACIMA NEgRITAdOS? 
2. (UfRJ) TEXTO I
A PROdUçÃO CUlTURAl dO CORPO
Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simul-
taneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque 
rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas
37
vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. 
Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretu-
do, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural 
cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma 
construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em 
diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos 
sociais, étnicos, etc. Não é portanto algo dado a priori nem 
mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, 
suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvi-
mento científico e tecnológico de cada cultura bem como suas 
leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os 
corpos, os discursos que sobre ele produze reproduz.
Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. 
Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos 
e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o 
adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que 
dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos 
que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestí-
gios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é 
um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem 
descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que 
o definem mas, fundamentalmente, os significados culturais e 
sociais que a ele se atribuem.
(GoellneR, silvAnA viloDRe. A pRoDução cultuRAl Do coRpo. in: 
louRo, GuAciRA lopes (oRG.) coRpo, GêneRo e sexuAliDADe; um DebAte 
contempoRâneo nA eDucAção. petRópolis: vozes, 2003. p.28-29)
TEXTO II
A NÃO ACEITAçÃO
Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer 
ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se 
era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. So-
bretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros 
que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam ve-
lhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo per-
dido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pen-
sava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se 
vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não 
estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em 
que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que 
ela mesma pensava.
Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o 
vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os 
cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto 
que se formara sozinho.
(lispectoR, clARice. A DescobeRtA Do munDo. Rio 
De JAneiRo: novA fRonteiRA, 1984. p. 291)
a) Do primeiro parágrafo do texto I, retire os quatro 
adjetivos que melhor caracterizam a noção de corpo 
nele apresentada.
b) Estabeleça a relação entre esses adjetivos e a te-
mática central do texto II. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
Na verdade, à primeira vista, seu aspecto era de um velho como 
tantos outros, de idade indefinida, rugas, cabelos brancos, uma 
barba que lhe dará um vago ar de sabedoria e respeitabilidade. 
Mas uma certa agilidade e o porte ereto darão a impressão de 
que, apesar da aparência de velho, o viajante guardará o vigor da 
juventude. E os olhos... ah, o brilho dos olhos será absolutamente 
sem idade, um brilho deslumbrado como o de um bebê, curioso 
como o de um menino, desafiador como o de um jovem, sábio 
como o de um homem maduro, maroto como o de um velhinho 
bem-humorado que conseguisse somar tudo isso.
(mAchADo, AnA mARiA. o cAnto DA pRAçA. 
Rio De JAneiRo: sAlAmAnDRA, 1986.)
3. (UfRJ) CONfRONTE OS TRECHOS dESTACAdOS NOS TRECHOS A E B.
A
"APESAR dA APARêNCIA dE vElHO"
B
"SEU ASPECTO ERA dE UM vElHO COMO TANTOS OUTROS"
"MAROTO COMO O dE UM vElHINHO BEM-HUMORAdO"
a) Como se justifica a ausência de artigo no trecho 
destacado no trecho A?
b) No trecho B, o artigo indefinido tem seu sentido 
reiterado em um dos dois trechos destacados.
Que recurso linguístico é responsável por essa reitera-
ção? Explique sua resposta. 
TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
OS dIfERENTES
Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Osse-
vaolep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e 
tem vida organizada. 
É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos 
reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, 
em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os 
pés dá a impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria. 
Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a lin-
guagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a 
conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses 
nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences-
-para-baixo, como foram denominados à falta de melhor clas-
sificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão.
(AnDRADe, cARlos DRummonD De. pRosA seletA. 
Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 2003. p. 150)
4. (UfRJ) NO TEXTO, Há dIvERSOS SINTAgMAS NOMINAIS – CONSTRU-
çõES COM NúClEO SUBSTANTIvO ACOMPANHAdO OU NÃO dE TERMOS COM 
fUNçÃO AdJETIvA – QUE CARACTERIzAM O "POvO PRIMITIvO".
a) Retire do texto dois desses sintagmas.
b) A caracterização normalmente atribuída a um povo 
primitivo como não evoluído não se confirma no texto. 
Justifique essa afirmativa, utilizando os sintagmas es-
colhidos no item a. 
TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
A MARIA dOS POvOS, SUA fUTURA ESPOSA
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:
38
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade,
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(mAtos, GReGóRio De. poemAs escolhiDos - seleção De 
José miGuel wisniK. 2ª eD. são pAulo: cultRix, [s.D.])
5. (UfRJ) O TEXTO SE CONSTRÓI POR MEIO dA OPOSIçÃO ENTRE dOIS CAM-
POS SEMâNTICOS, ESPECIAlMENTE NO CONTRASTE ENTRE A PRIMEIRA E A 
úlTIMA ESTROfES.
EXPlICITE ESSA OPOSIçÃO E RETIRE, dESSAS ESTROfES, dOIS vOCáBUlOS 
COM vAlOR SUBSTANTIvO – UM dE CAdA CAMPO SEMâNTICO –, IdENTIfI-
CANdO A QUE CAMPO CAdA vOCáBUlO PERTENCE. 
E.O. UErJ 
ExAmE dE QUAliFiCAçãO
1. (UERJ) O ARRASTÃO
Estarrecedor, nefando, inominável, infame. Gasto logo os adje-
tivos porque eles fracassam em dizer o sentimento que os fatos 
impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, 
como tantos, que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que 
parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs de todas 
as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e 
seiscentos reais, que paga pontualmente seus carnês, como mi-
lhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias 
não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga 
no porta-malas de um carro policial a pretexto de ser atendida, é 
arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio.
Não vou me deter nas versões apresentadas pelos advogados 
dos policiais. Todas as vozes terão que ser ouvidas, e com muita 
atenção à voz daqueles que nunca são ouvidos. Mas, antes das 
versões, o fato é que esse porta-malas, ao se abrir fora do script, 
escancarou um real que está acostumado a existir na sombra.
O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas 
não se abrisse como abriu (por obra do acaso, dos deuses, do 
diabo), esse seria apenas “mais um caso”. Ele está dizendo: se-
ria uma morte anônima, 3aplainada pela surdez da 4praxe, pela 
invisibilidade, uma morte não questionada, como tantas outras.
É uma imagem verdadeiramente surreal, não porque esteja 
fora da realidade, mas porque destampa, por um “acaso ob-
jetivo” (a expressão era usada pelos 6surrealistas), uma cena 
7recalcada da consciência nacional, com tudo o que tem de 
violência naturalizada e corriqueira, tratamento degradante 
dado aos pobres, estupidez elevada ao cúmulo, ignorância bru-
ta transformada em trapalhada 8transcendental, além de um 
índice grotesco de métodos de camuflagem e desaparição de 
pessoas. Pois assim como 10Amarildo é aquele que desapareceu 
das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subi-
tamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o 
verso e o reverso do mesmo.
O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos 
ver no caso do desaparecimento de Amarildo. A sua passagem 
meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que es-
condemos. 11Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um 
certo Brasil que temos que lutar paraque não se transforme no 
carro alegórico do Brasil.
(José miGuel wisniK. o ARRAstão. Disponível em: oGlobo.
Globo.com, 22/03/2014. Acesso em 16/01/2017)
3aplainada − nivelada
4praxe − prática, hábito
6surrealistas − participantes de movimento artístico do século 20 
que enfatiza o papel do inconsciente
7recalcada − fortemente reprimida
8transcendental − que supera todos os limites
10Amarildo − pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio 
de Janeiro, em 2013, depois de ser detido por policiais 
AQUElE CARRO é O CARRO AlEgÓRICO dE UM BRASIl, dE UM CERTO BRA-
SIl QUE TEMOS QUE lUTAR PARA QUE NÃO SE TRANSfORME NO CARRO 
AlEgÓRICO dO BRASIl. (REf. 11)
A SEQUêNCIA dO EMPREgO dOS ARTIgOS EM “dE UM BRASIl” E “dO 
BRASIl” REPRESENTA UMA RElAçÃO dE SENTIdO ENTRE AS dUAS EX-
PRESSõES, INTIMAMENTE lIgAdA A UMA PREOCUPAçÃO SOCIAl POR PARTE 
dO AUTOR dO TEXTO.
ESSA RElAçÃO dE SENTIdO POdE SER dEfINIdA COMO: 
a) ironia 
b) conclusão 
c) causalidade 
d) generalização 
2. (UERJ) TEXTO I
1 Escreverei minhas “Memórias”, fato mais frequentemente do 
que se pensa observado no mundo industrial, artístico, científico 
e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elo-
giar e aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, 
1como os ramalhetes e as coroas de flores que as atrizes compram 
para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados.
2 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não 
compreendo amor e ainda amor apaixonado mais justificável do 
que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa.
3 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade hu-
mana, o regulador dos sentimentos, o móvel das ações, e o farol do 
futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor 
do município, deste o amor da província, deste o amor da nação, 
anéis de uma cadeia de amores que os tolos julgam que sentem e 
tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando 
a humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm 
no coração e que eu com a minha exemplar franqueza simplifico, 
reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, 
lar, município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes 
39
dispenso nos reflexos do amor em que me abraso por mim mesmo: 
todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em 
simples nuanças determinadas pela maior ou menor proporção 
dos interesses e das conveniências materiais do apaixonado ado-
rador de si mesmo.
(mAceDo, JoAquim mAnuel De. memóRiAs Do sobRinho De 
meu tio. são pAulo: compAnhiA DAs letRAs, 1995.)
TEXTO II
Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois 
séculos. E durante este tempo tenho contado os dias e as horas 
pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa 
os seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar 
o ar natal (...). Nada há que valha a terra natal. 1Tirai o índio do seu 
ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento 
fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; 
mas depois falam-lhe ao coração as lembranças da pátria, e tro-
cará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos 
de sua terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos mur-
múrios das florestas, pelo correr dos seus rios. Arrancai a planta dos 
climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas 
cedo pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá 
vida e vigor. Como o índio, prefiro a Portugal e ao mundo inteiro, 
o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos 
trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto 
fugir no meio dos tormentos da saudade.
(AbReu, cAsimiRo De. obRAs De cAsimiRo De 
AbReu. Rio De JAneiRo: mec, 1955.)
TEXTO III
lAdAINHA I
Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
de ilha de Vera Cruz.
Ilha cheia de graça.
Ilha cheia de pássaros.
Ilha cheia de luz.
Ilha verde onde havia
mulheres morenas e nuas
anhangás a sonhar com histórias de luas
e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés.
Depois mudaram-lhe o nome
pra terra de Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz.
A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças 
ruivas 
 [deitadas à sombra das árvores
 [mosqueadas de sol.
Mas como houvesse, em abundância,
certa madeira cor de sangue cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
e como a Terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.
(RicARDo, cAssiAno. seletA em pRosA e veRso. 
Rio De JAneiRo: José olympio, 1975.)
NOS TRECHOS A SEgUIR, ESTá EM dESTAQUE UM SINTAgMA fORMAdO dE 
SUBSTANTIvO E AdJETIvO.
A úNICA AlTERNATIvA EM QUE A INvERSÃO dAS dUAS PAlAvRAS TAMBéM 
POdERIA INvERTER SUA ClASSE gRAMATICAl é: 
a) “... reduzindo todos à sua EXPRESSÃO ORIGI-
NAL...” (texto I) 
b) “... conveniências materiais do APAIXONADO 
ADORADOR de si mesmo.” (texto I) 
c) “Arrancai a planta dos CLIMAS TROPICAIS e plan-
tai-a na Europa...” (texto II) 
d) “... a sonhar com histórias de luas e CANTOS BÁR-
BAROS de pajés...” (texto III) 
3. (UERJ) IgUAl-dESIgUAl
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
1e todos, todos
2os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
3Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho 
ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
4Todo ser humano é um estranho
5ímpar.
(cARlos DRummonD De AnDRADe 
novA Reunião: 19 livRos De poesiA. Rio De JAneiRo: José olympio, 1985.
– BEST-SEllERS – lIvROS MAIS vENdIdOS
– gAzéIS, vIRElAIS, SEXTINAS, RONdÓS – TIPOS dE POEMA 
TOdO SER HUMANO é UM ESTRANHO íMPAR. (REf. 4 E 5)
NO CONTEXTO, A ASSOCIAçÃO dOS AdJETIvOS ESTRANHO E íMPAR SUgERE 
QUE CAdA SER HUMANO NÃO SE CONHECE COMPlETAMENTE.
40
ISTO ACONTECE PORQUE CAdA INdIvídUO POdE SER CARACTERIzAdO COMO: 
a) solitário 
b) singular 
c) intolerante 
d) indiferente 
4. (UERJ) O ARRASTÃO
Estarrecedor, nefando, inominável, infame. Gasto logo os adje-
tivos porque eles fracassam em dizer o sentimento que os fatos 
impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, 
como tantos, que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que 
parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs de todas 
as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e 
seiscentos reais, que paga pontualmente seus carnês, como mi-
lhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias 
não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga 
no porta-malas de um carro policial a pretexto de ser atendida, é 
arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio.
Não vou me deter nas versões apresentadas pelos advogados 
dos policiais. Todas as vozes terão que ser ouvidas, e com muita 
atenção à voz daqueles que nunca são ouvidos. Mas, antes das 
versões, o fato é que esse porta-malas, ao se abrir fora do script, 
escancarou um real que está acostumado a existir na sombra.
O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas 
não se abrisse como abriu (por obra do acaso, dos deuses, do 
diabo), esse seria apenas “mais um caso”. Ele está dizendo: se-
ria uma morte anônima, 3aplainada pela surdez da 4praxe, pela 
invisibilidade, uma morte não questionada, como tantasoutras.
É uma imagem verdadeiramente surreal, não porque esteja fora 
da realidade, mas porque destampa, por um “acaso objetivo” 
(a expressão era usada pelos 6surrealistas), uma cena 7recalcada 
da consciência nacional, com tudo o que tem de violência natu-
ralizada e corriqueira, tratamento degradante dado aos pobres, 
estupidez elevada ao cúmulo, ignorância bruta transformada em 
trapalhada 8transcendental, além de um índice grotesco de mé-
todos de camuflagem e desaparição de pessoas. Pois assim como 
10Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito 
tempo, Cláudia é aquela que subitamente salta à vista, e ambos 
soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo.
O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos 
ver no caso do desaparecimento de Amarildo. A sua passagem 
meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que es-
condemos. Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um 
certo Brasil que temos que lutar para que não se transforme no 
carro alegórico do Brasil.
(José miGuel wisniK. o ARRAstão 
Disponível em. oGlobo.Globo.com, 22/03/2014. 
Acesso em: 16/01/2017.)
3aplainada − nivelada
4praxe − prática, hábito
6surrealistas − participantes de movimento artístico do século 20 
que enfatiza o papel do inconsciente
7recalcada − fortemente reprimida
8transcendental − que supera todos os limites
10Amarildo − pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio 
de Janeiro, em 2013, depois de ser detido por policiais 
NO INíCIO dO TEXTO, AO EXPRESSAR SUA INdIgNAçÃO EM RElAçÃO AO 
TEMA ABORdAdO, O AUTOR APRESENTA UMA REflEXÃO SOBRE O EMPREgO 
dE AdJETIvOS.
ESSA REflEXÃO ESTá ASSOCIAdA à SEgUINTE IdEIA: 
a) o fato exige análise criteriosa 
b) o contexto constrói ambiguidade 
c) a linguagem se mostra insuficiente 
d) a violência pede descrição cuidadosa 
5. (UERJ) O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não ser. Não é 
índio, nem cristão. Não é homem, nem deixa de ser, 1coitado. Ser 
dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 
pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente 
dos mairuns e que quase me ofende. Também não pode sentir 
consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. 
O pobre não para de escarafunchar a cuca, se aclarando e se 
confundindo cada vez mais. Este casamento com Inimá. Será que 
ele gosta dela?(...)
Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida 
com toda gente que se junta ali, na hora do pôr do sol, para 
comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém 
e que ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi 
bem que ele murmurava sozinho. Cheguei mais perto e ouvi 
melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai:
Tra-lá-lá, ora pro nobis
Tre-lé-lé, ora pro nobis
Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me es-
queço dos outros para pensar em mim. Preciso me concentrar 
no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem conseguir. Há 
dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravi-
dez que me deixa lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou 
grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os mairuns, este 
é problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma 
solução. Com um filho crescendo mairum eu não me integraria 
mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser a mãe de fu-
laninho não será para mim como para um homem ser o pai de 
fulano? Os homens aqui mudam de nome quando têm um filho 
homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito tempo Jaguarhú. 
Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iucui? Ou Mairahú 
se meu filho pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor 
é que seja menina: Iuicui.
(RibeiRo, DARcy. mAíRA. Rio De JAneiRo: RecoRD, 1990, p. 372-3.)
O EMPREgO dO AdJETIvO “COITAdO” (REf.1), REfERINdO-SE A ISAíAS, 
TEM RElAçÃO COM O SEgUINTE fATO: 
a) Isaías não é índio nem cristão. 
b) Inimá está grávida dele. 
c) Isaías é um ser mítico. 
d) Inimá não gosta dele. 
E.O. ObJEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTõES
A(S) QUESTÃO(õES) ABORdA(M) UM fRAgMENTO dE UM ARTIgO dE 
41
MôNICA fANTIN SOBRE O USO dOS TABlETS NO ENSINO, POSTAdO NA 
SEçÃO dE BlOgUES dO JORNAl gAzETA dO POvO EM 16.05.2013: 
TABlETS NAS ESCOlAS
Ou seja, não é suficiente entregar equipamentos tecnológicos 
cada vez mais modernos sem uma perspectiva de formação de 
qualidade e significativa, e sem avaliar os programas anteriores. 
O risco é de cometer os mesmos equívocos e não potencializar 
as boas práticas, pois muda a tecnologia, mas as práticas conti-
nuam quase as mesmas.
Com isso, podemos nos perguntar pelos desafios da didática dian-
te da cultura digital: o tablet na sala de aula modifica a prática dos 
professores e o cotidiano escolar? Em que medida ele modifica as 
condições de aprendizagem dos estudantes? Evidentemente isso 
pode se desdobrar em inúmeras outras questões sobre a conver-
gência de tecnologias e linguagens, sobre o acesso às redes na sala 
de aula e sobre a necessidade de mediações na perspectiva dos 
novos letramentos e alfabetismos nas múltiplas linguagens.
Outra questão que é preciso pensar diz respeito aos conteú-
dos digitais. Os conteúdos que estão sendo produzidos para 
os tablets realmente oferecem a potencialidade do meio e sua 
arquitetura multimídia ou apenas estão servindo como leito-
res de textos com os mesmos conteúdos dos livros didáticos? 
Quem está produzindo tais conteúdos digitais? De que forma 
são escolhidos e compartilhados?
Ou seja, pensar na potencialidade que o tablet oferece na escola – 
acessar e produzir imagens, vídeos, textos na diversidade de formas 
e conteúdos digitais – implica em repensar a didática e as possibili-
dades de experiências e práticas educativas, midiáticas e culturais na 
escola ao lado de questões econômicas e sociais mais amplas. E isso 
necessariamente envolve a reflexão crítica sobre os saberes e faze-
res que estamos produzindo e compartilhando na cultura digital.
(tAblets nAs escolAs. Disponível em: www.GAzetADopovo.
com.bR. Acesso em: 16/01/2017.) 
1. (UNESP) NO úlTIMO PERíOdO dO TEXTO, OS TERMOS SABERES E 
fAzERES SÃO 
a) adjetivos. 
b) pronomes. 
c) substantivos. 
d) advérbios. 
e) verbos. 
2. (UNESP) AdJETIvO MIdIáTICO, EMPREgAdO NO fEMININO PlURAl (MIdIáTI-
CAS), dIz RESPEITO A 
a) diversidade de tipos de tablets. 
b) programas e projetos educacionais. 
c) questões econômicas e sociais. 
d) meios de comunicação de massa. 
e) variedade dos recursos tecnológicos. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Quando o falante de uma língua depara um conjunto de duas pa-
lavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma relação sin-
tática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.
Assim, além de captar o sentido básico das duas palavras, o recep-
tor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões. Isso acontece 
porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os 
padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz 
de reconhecê-los e identificá-los. As duas palavras não estão, para 
ele, apenas dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma 
ordem estrutural.
A diferença entre ordem estrutural e ordem linear torna-se cla-
ra se elas não coincidem, como nesta frase que um aluno criou 
em aula de redação, quando todos deviam compor um texto 
para outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: 
“Beba leite de cabra em pó!”. Como todos rissem, o autor da 
frase emendou: “Beba leite em pó de cabra!”.
Pior a emenda do que o soneto.
(fláviA De bARRos cARone. moRfossintAxe, 1986. ADAptADo.) 
3. (UNIfESP) dE ACORdO COM O TEXTO, A ORdEM ESTRUTURAl dIz RES-
PEITO à MACROESTRUTURA dA fRASE E A ORdEM lINEAR à MANIfESTAçÃO 
CONCRETA, PAlAvRA APÓS PAlAvRA, dOS CONSTITUINTES dA ORAçÃO. AS-
SINAlE A AlTERNATIvA EM QUE, NO PAR dE PAlAvRAS EM dESTAQUE, EM 
TEXTO dE PAUlO CESARINO COSTA, PUBlICAdO NA fOlHA dE S.PAUlO dE 
02.08.2012, Há COINCIdêNCIA ENTRE ESSAS dUAS ORdENS.
a) Exceto pelo fato de que dividirão,com outras deze-
nas de esportes, as atenções de TVs e rádios, portais 
de internet, jornais e revistas nos próximos dias numa 
rara disputa, de onde sairão dois retratos do Brasil. 
b) Nas paredes do Instituto Moreira Salles, pode-se ver di-
ferentes concepções de fotojornalismo: da beleza pou-
co comprometida com a veracidade de Jean Manzon à 
objetividade das imagens de guerra de Luciano Carneiro. 
c) Num mundo cada vez mais dominado pela reprodução 
eletrônica e imagética dos acontecimentos, há uma inte-
ressante oportunidade de resgatar o momento em 
que a imagem começou a questionar o poder da palavra. 
d) A revista O Cruzeiro seguia a cartilha da revista 
norte-americana Life, que preconizava “um novo jor-
nalismo, no qual as imagens formam o texto e as pa-
lavras ilustram as imagens”. 
e) Serão 11 estrelas na tela, mas os ministros do STF e 
suas capas negras pouco têm a ver com os 11 amareli-
nhos de Mano Menezes na busca do ouro olímpico. 
4. (UNESP) lEIA O POEMA dE TOMáS ANTôNIO gONzAgA (1744-1810).
18
Não vês aquele velho respeitável,
que à muleta encostado,
apenas mal se move e mal se arrasta?
Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo,
o tempo arrebatado,
que o mesmo bronze gasta!
Enrugaram-se as faces e perderam
seus olhos a viveza:
voltou-se o seu cabelo em branca neve;
já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo,
nem tem uma beleza
das belezas que teve.
Assim também serei, minha Marília,
daqui a poucos anos,
que o ímpio tempo para todos corre.
Os dentes cairão e os meus cabelos.
Ah! sentirei os danos,
que evita só quem morre.
42
Mas sempre passarei uma velhice
muito menos penosa.
Não trarei a muleta carregada,
descansarei o já vergado corpo
na tua mão piedosa,
na tua mão nevada.
As frias tardes, em que negra nuvem
os chuveiros não lance,
irei contigo ao prado florescente:
aqui me buscarás um sítio ameno,
onde os membros descanse,
e ao brando sol me aquente.
Apenas me sentar, então, movendo
os olhos por aquela
vistosa parte, que ficar fronteira,
apontando direi: — Ali falamos,
ali, ó minha bela,
te vi a vez primeira.
Verterão os meus olhos duas fontes,
nascidas de alegria;
farão teus olhos ternos outro tanto;
então darei, Marília, frios beijos
na mão formosa e pia,
que me limpar o pranto.
Assim irá, Marília, docemente
meu corpo suportando
do tempo desumano a dura guerra.
Contente morrerei, por ser Marília
quem, sentida, chorando
meus baços olhos cerra.
(tomás Antônio GonzAGA. mARíliA De DiRceu e mAis poesiAs. 
lisboA: livRARiA sá DA costA eDitoRA, 1982.) 
OBSERvE OS SEgUINTES vOCáBUlOS EXTRAídOS dA SéTIMA ESTROfE dO 
POEMA:
I. TERNOS.
II. fRIOS.
III. PIA.
Iv. PRANTO.
AS PAlAvRAS QUE APARECEM NA ESTROfE COMO AdJETIvOS ESTÃO CON-
TIdAS APENAS EM: 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) I, II e III. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?
Uma organização não governamental holandesa está propondo 
um desafio que muitos poderão considerar impossível: 1ficar 99 
dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é 
medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.
O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos 
realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que 
o teste é completamente voluntário.
Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a 
foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.
Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos 
participantes no 33º dia, no 66º e no último dia da abstinência.
Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em 
média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a 
soma média seria equivalente a mais de 28 horas, 2que poderiam 
ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.
(http://coDiGofonte.uol.com.bR. ADAptADo.)
5. (UNIfESP) EXAMINE AS PASSAgENS dO PRIMEIRO PARágRAfO dO TEXTO:
• “UMA ORgANIzAçÃO NÃO gOvERNAMENTAl HOlANdESA ESTá 
PROPONdO UM dESAfIO”
• “O OBJETIvO é MEdIR O gRAU dE fElICIdAdE dOS USUáRIOS 
lONgE dA REdE SOCIAl.”
A UTIlIzAçÃO dOS ARTIgOS dESTACAdOS JUSTIfICA-SE EM RAzÃO
a) da generalização, no primeiro caso, com a introdu-
ção de informação conhecida, e da especificação, no 
segundo, com informação nova.
b) de informações novas, nas duas ocorrências, motivo 
pelo qual são introduzidas de forma mais generalizada.
c) de informações conhecidas, nas duas ocorrências, 
sendo possível a troca dos artigos nos enunciados, pois 
isso não alteraria o sentido do texto.
d) da retomada de informações que podem ser facil-
mente depreendidas pelo contexto, sendo ambas equi-
valentes semanticamente.
e) da introdução de uma informação nova, no primei-
ro caso, e da retomada de uma informação já conhe-
cida, no segundo. 
E.O. dissErtAtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
1. (fUvEST)
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
(João cAbRAl De melo neto, moRte e viDA seveRinA)
43
a) A fim de obter um efeito expressivo, o poeta utiliza, 
em “a fábrica” e “se fabrica”, um substantivo e um ver-
bo que têm o mesmo radical.
CITE dA ESTROfE OUTRO EXEMPlO dESSE MESMO RECURSO EXPRESSIvO.
b) A expressividade dos seis últimos versos decorre, 
em parte, do jogo de oposições entre palavras.
CITE dESSE TRECHO UM EXEMPlO EM QUE A OPOSIçÃO ENTRE AS PAlAvRAS 
SEJA dE NATUREzA SEMâNTICA. 
2. (UNESP) CRôNICA dA vIdA QUE PASSA
Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles 
toda a tristeza da celebridade.
A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma 
delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olha-
do por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de 
parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas 
ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que 
se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as 
paredes de sua vida doméstica; é sempre como se fosse exces-
sivo o seu traje; e aquelas suas mínimas ações – ridiculamente 
humanas às vezes – que ele quereria invisíveis, coa-as a lente 
da celebridade para espetaculosas pequenezes, com cuja evi-
dência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito 
grosseiro para se poder ser célebre à vontade.
Depois, além dum plebeísmo, a celebridade é uma contradição. 
Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvalo-
riza e as enfraquece. Um homem de gênio desconhecido pode 
gozar a volúpia suave do contraste entre a sua obscuridade e 
o seu gênio; e pode, pensando que seria célebre se quisesse, 
medir o seu valor com a sua melhor medida, que é ele próprio. 
Mas, uma vez conhecido, não está mais na sua mão reverter à 
obscuridade. A celebridade é irreparável. Dela como do tempo, 
ninguém torna atrás ou se desdiz.
E é por isto que a celebridade é uma fraqueza também. Todo o 
homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo. 
Deixar-se ser célebre é uma fraqueza, uma concessão ao baixo-ins-
tinto, feminino ou selvagem, de querer dar nas vistas e nos ouvidos.
Penso às vezes nisto coloridamente. E aquela frase de que 
“homem de gênio desconhecido” é o mais belo de todos os 
destinos, torna-se-me inegável; parece-me que esse é não só o 
mais belo, mas o maior dos destinos.
(feRnAnDo pessoA. páGinAs íntimAs e De Auto-
inteRpRetAção. lisboA: eDições áticA, [s.D.], p. 66-67.)
NA CRôNICA APRESENTAdA, fERNANdO PESSOA ATRIBUI TRêS CARAC-
TERíSTICAS NEgATIvAS à CElEBRIdAdE, dESCREvENdO-AS NO SEgUNdO, 
TERCEIRO E QUARTO PARágRAfOS. RElEIA ESSES PARágRAfOS E APONTE 
OS TRêS SUBSTANTIvOS EMPREgAdOS PElO POETA QUE SINTETIzAM ESSAS 
CARACTERíSTICAS NEgATIvAS dA CElEBRIdAdE. 
3. (UNESP) A QUESTÃO A SEgUIR TOMA POR BASE UMA PASSAgEM dO 
ROMANCE O CORONElE O lOBISOMEM, dE JOSé CâNdIdO dE CARvAlHO 
(1914-1989).
Como disse, rolava eu no capim, pronto a dar ao caso solução 
briosa, na hora em que o querelante apresentou aquela risada de 
pouco-caso e deboche:
– Quá-quá-quá...
Não precisou de mais nada para que o gênio dos Azeredos e 
demais Furtados viesse de vela solta. Dei um pulo de cabrito e 
preparado estava para a guerra do lobisomem. Por descargo de 
consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou 
devocioneiro:
– São Jorge, Santo Onofre, São José!
Em presença de tal apelação, mais brabento apareceu a peste. 
Ciscava o chão de soltar terra e macega no longe de dez braças 
ou mais. Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse 
o nome de Ponciano de Azeredo Furtado. Dos olhos do lobiso-
mem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal 
adjacente. Tanta chispa largava o penitente que um caçador de 
paca, estando em distância de bom respeito, cuidou que o mato 
estivesse ardendo. Já nessa altura eu tinha pegado a segurança 
de uma figueira e lá de cima, no galho mais firme, aguardava a 
deliberação do lobisomem. Garrucha engatilhada, só pedia que 
o assombrado desse franquia de tiro. Sabidão, cheio de voltas e 
negaças, deu ele de executar macaquice que nunca cuidei que 
um lobisomem pudesse fazer. Aquele par de brasas espiava aqui 
e lá na esperança de que eu pensasse ser uma súcia deles e não 
uma pessoa sozinha. O que o galhofista queria é que eu, coronel 
de ânimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e des-
lustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia 
cair em armadilha de pouco pau. No alto da figueira estava, no 
alto da figueira fiquei. Diante de tão firme deliberação, o vinga-
tivo mudou o rumo da guerra. Caiu de dente no pé de pau, na 
parte mais afunilada, como se serrote fosse:
– Raque-raque-raque.
Não conversei – pronto dois tiros levantaram asa da minha gar-
rucha. Foi o mesmo que espalhar arruaça no mato todo. Subiu 
asa de tudo que era bicho da noite e uma sociedade de morce-
gos escureceu o luar. No meio da algazarra, já de fugida, vi o 
lobisomem pulando coxo, de pernil avariado, língua sobressaída 
na boca. Na primeira gota de sangue a maldição desencantava, 
como é de lei e dos regulamentos dessa raça de penitentes. No 
raiar do dia, sujeito que fosse visto de perna trespassada, ainda 
ferida verde, podia contar, era o lobisomem.
(o coRonel e o lobisomem, 1980.) 
EXPlIQUE A RAzÃO PElA QUAl O NARRAdOR ATRIBUI O AdJETIvO “vERdE” 
AO SUBSTANTIvO fERIdA, NO úlTIMO PERíOdO dO TEXTO. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
OS SERTõES
A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A pru-
mo sobre o Atlântico desdobra-se como a cortina de baluarte 
desmedido. De encontro às suas escarpas embatia, fragílima, a 
ânsia guerreira dos Cavendish e dos Fenton. No alto, volvendo o 
olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em se-
gurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do 
mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópole. Transposta 
a montanha - arqueada como a precinta de pedra de um conti-
nente - era um isolador étnico e um isolador histórico. Anulava o 
apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzia-o a 
estreita faixa de mangues e restingas, ante a qual se amorteciam 
todas as cobiças, e alteava, sobranceira às frotas, intangível no 
recesso das matas, a atração misteriosa das minas...
44
Ainda mais - o seu relevo especial torna-a um condensador de 
primeira ordem, no precipitar a evaporação oceânica.
Os rios que se derivam pelas suas vertentes nascem de algum 
modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. En-
tranham-se no interior, correndo em cheio para os sertões. Dão 
ao forasteiro a sugestão irresistível das entradas.
A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o 
pelo aspecto formosíssimo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, na 
correnteza dos rios.
Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, diretriz preponderante 
nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, 
no Amazonas, e em todos os cursos d'água da borda oriental, 
o acesso para o interior seguia ao arrepio das correntes, ou em-
batia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, 
ele levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande 
e daí ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, 
em Goiás, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Mato 
Grosso, no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resis-
tência, que definem os lineamentos mais claros da expansão 
colonial, não se opunham, como ao norte, renteando o passo 
às bandeiras, a esterilidade da terra, a barreira intangível dos 
descampados brutos.
Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física es-
clarece as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dous 
pontos do país, sobretudo no período agudo da crise colonial, 
no século XVII.
Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernam-
buco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, 
e se travavam recontros memoráveis em que, solidárias, enter-
reiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, 
o sulista, absolutamente alheio àquela agitação, revelava, na 
rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com 
aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o 
batavo. Um povo estranho de mestiços levantadiços, expandin-
do outras tendências, norteado por outros destinos, pisando, 
resoluto, em demanda de outros rumos, bulas e alvarás entibia-
dores. Volvia-se em luta aberta com a corte portuguesa, numa 
reação tenaz contra os jesuítas. Estes, olvidando o holandês 
e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz Taño a 
Roma, apontavam-no como inimigo mais sério.
De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe 
preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava 
o drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portu-
gal veio alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congre-
gando de novo os combatentes exaustos, os sulistas frisaram 
ainda mais esta separação de destinos, aproveitando-se do 
mesmo fato para estadearem a autonomia franca, no reinado 
de um minuto de Amador Bueno.
Não temos contraste maior na nossa história. Está nele a sua 
feição verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbra-
mos nas cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, 
onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da con-
quista das almas, eufemismo casuístico disfarçando o monopó-
lio do braço indígena.
(eucliDes DA cunhA. os seRtões. eDição cRíticA De wAlnice 
noGueiRA GAlvão. 2 eD. são pAulo: eDitoRA áticA, 2001, p. 81-82.)
4. (UNESP) UM dOS ASPECTOS EM QUE EUClIdES dA CUNHA BUSCA 
AlgUNS dE SEUS MElHORES EfEITOS é O dA AdJETIvAçÃO, QUE TORNA 
SEU dISCURSO AO MESMO TEMPO váRIO E EXPRESSIvO, RAzÃO PElA QUAl 
AlgUNS O CONSIdERAM, COMPARANdO-O COM POETAS AINdA ATIvOS EM 
SUA éPOCA, UM "PROSAdOR PARNASIANO". RElEIA COM ATENçÃO O úl-
TIMO PARágRAfO dO TEXTO APRESENTAdO E, A SEgUIR, APONTE TRêS dOS 
AdJETIvOS QUE NElE OCORREM. 
5. (UNICAMP) gRAMáTICA
COMPOSIçÃO dE SANdRA PERES E lUIz TATIT (PAlAvRA CANTAdA)
O substantivo
É o substituto
do conteúdo
O adjetivo
É a nossa impressão
sobre quase tudo
O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo
O imperativo
É o que aperta os outros
e deixa mudo
Um homem de letras
Dizendo ideias
Sempre se inflama
Um homem de ideias
Nem usa letras
Faz ideograma
Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama
Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama
Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto
E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto
No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto
Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto 
Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu
O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu
Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu
45
Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil
a) Nessa letra de música são atribuídos sentidos às clas-
sificações gramaticais. Escolha duas delase explique o 
sentido explorado, justificando sua pertinência ou não.
b) Nas duas últimas estrofes, há um deslocamento no 
uso de 'idiotismo'. Explique-o. 
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. B 2. A 3. C 4. B 5. C
6. E 7. E 8. B 9. A 10. B
E.O. Fixação
1. B 2. E 3. B 4. B 5. B
6. B 7. E 8. A 9. D 10. D
E.O. Complementar
1. D 2. C 3. C 4. C 5. E
E.O. Dissertativo
1. Enquanto o artigo indefinido expressa uma ideia genérica de 
pluralidade, sugerindo que a identidade normal representa uma 
entre outras identidades (uma parte do todo), o artigo defini-
do, delimitando o nome, sugere a ideia de singularidade, de tal 
modo que a identidade normal é caracterizada como um padrão 
único e “natural”. 
2. a) Os quatro adjetivos são: histórico, provisório, mutável e 
mutante.
b) No texto II é abordada a transformação do corpo, que, com 
o passar dos anos, muda e envelhece, assim como mostram 
os adjetivos do texto I: o corpo é “histórico, provisório, mutá-
vel e mutante”. 
3. a) Não se quis caracterizar o substantivo velho, deixando-o no 
sentido geral.
b) A comparação "como tantos outros". "Tantos outros" reitera 
o sentido de indeterminação do artigo indefinido. 
4. a) vida organizada; povo feliz; (povo) de cabeça muito sóli-
da e mãos reforçadas: cabeça muito sólida; mãos reforçadas; 
coisas aladas; (coisas) cheias de sabedoria; vida longa; os ca-
becences-para-baixo.
b) Os sintagmas (citados na questão anterior) no texto trazem 
uma conotação positiva, ou seja, estão relacionados à felicidade, 
à sabedoria, à organização, à longevidade, o que contrasta com a 
caracterização normalmente atribuída a "povo primitivo". 
5. Os dois campos semânticos presentes na costrução do po-
ema indicam aspectos positivos e negativos: juventude versus 
maturidade; beleza versus decrepitude; nascimento versus 
morte; luminosidade versus sombra. Os vocábulos representa-
tivos desses campos semânticos são aurora, sol, dia, flor, beleza 
versus terra, cinza, pó, sombra, nada. 
E.O. UERJ
Exame de Qualificação
1. D 2. B 3. B 4. C 5. A
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. C 2. D 3. E 4. C 5. E
E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. a) Nota-se o mesmo recurso em “fio” e “desfiar”, ou seja, 
substantivo e verbo formados a partir de um mesmo radical.
b) Exemplo de oposição semântica se dá entre os termos explosão 
e franzina ou explosão e pequena. A palavra “explosão” cria a 
expectativa de potência, amplitude, grandiosidade; os adjetivos 
franzina (o mesmo que enfraquecida, débil) e pequena contrariam 
essa expectativa, configurando a oposição semântica. 
2. As três características negativas que Fernando Pessoa atri-
bui à celebridade são representadas pelos substantivos “ple-
beísmo”, “contradição” e “fraqueza”. 
3. O termo “verde” designa metaforicamente o estado da ferida: 
ainda está no começo, ou seja, é recente. 
4. Há cinco adjetivos no último parágrafo. Possíveis respostas: 
"maior", "nacional", "espetaculosas", "casuístico", "indígena". 
5. a) O autor estabelece intertextualidade com algumas defini-
ções gramaticais ao apresentar os seus próprios conceitos so-
bre determinados termos e explora poeticamente essa relação. 
Nas duas primeiras estrofes, por exemplo, apresenta substan-
tivo como “substituto do conteúdo” e adjetivo como a nossa 
impressão sobre quase tudo. A associação é pertinente, na me-
dida em que a gramática conceitua o primeiro como a classe 
de lexema que nomeia os seres, ou seja, tudo o que existe, e 
o segundo como a classe que caracteriza o substantivo, asso-
ciando-lhe muitas vezes aspectos subjetivos (“nossa impressão 
sobre quase tudo”).
b) Uma expressão idiomática ou idiotismo é um conjunto de 
palavras que se caracteriza por não ser possível identificar seu 
significado mediante o sentido literal dos termos analisados in-
dividualmente, por serem associadas a gírias ou contextos cul-
turais específicos a certos grupos de pessoas que se distinguem 
pela classe, idade, região, profissão ou outro tipo de afinidade. 
Na penúltima estrofe, o autor ao associar o termo à “fala de 
um imbecil” amplia o significado da palavra: ausência total de 
inteligência, estupidez, insânia.
46
CÓDIGOS HIERÁRQUICOS
Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus 
pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico.
E.O. APRENDIZAGEM
exercícios códigos
1 4 a 4.2
2 1 a 1.2
3 4
4 3
5 1
6 3
7 1
8 3
9 3
10 3
E.O. FIXAÇÃO
exercícios códigos
1 4.1
2 3
3 4.2
4 1.2
5 4.2
6 3
7 4
8 1.2
9 4.1
10 4.2
E.O. COMPLEMENTAR
exercícios códigos
1 4
2 4
3 4
4 4.2
5 4
E.O. DISSERTATIVO
exercícios códigos
1 1
2 3
3 1
4 4
5 4.1
E.O. UERJ 
EXAME DE QUALIFICAÇÃO
exercícios códigos
1 1
2 4
3 4.2
4 3
5 4.2
E.O. OBJETIVAS 
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP)
exercícios códigos
1 2
2 3
3 4
4 3
5 1
E.O. DISSERTATIVAS 
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP)
exercícios códigos
1 4
2 4.1
3 4.1 e 4.2
4 3
5 2.1 e 3.1
47
E.O. AprEndizAgEm
lEIA O TEXTO dE MARCOS dANTAS PARA RESPONdER à QUESTÃO.
Uma utopia democrática
Nas décadas de 1910 e 1920, alguns milhares de pessoas, a maio-
ria nos Estados Unidos, puseram-se a montar e usar equipamentos 
de radiotransmissão, passando a trocar mensagens sobre tudo, 
através das ondas hertzianas. Montar um equipamento era rela-
tivamente fácil: bastava comprar os componentes no comércio va-
rejista e seguir as instruções divulgadas em revistas especializadas. 
“Entrar no ar” era um ato individual, inteiramente livre.
Essa liberdade de acesso ao espectro eletromagnético levou o 
dramaturgo marxista alemão Bertolt Brecht a formular uma “te-
oria do rádio” que propunha dotar todas as residências com apa-
relhos emissores-receptores, pelos quais os indivíduos (cidadãos) 
poderiam manter relações políticas e culturais entre si, construin-
do uma espécie de assembleia popular permanente.
Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera 
pública cidadã. Seria um espaço, sustentado numa infraestrutura 
técnica, no qual os indivíduos cidadãos poderiam intervir, na con-
dição de produtores diretos e autônomos de cultura. Seria o alar-
gamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública 
burguesa, agora expandida para toda a sociedade democrática. 
Seria, pois, a radicalização da democracia.
(A lóGicA Do cApitAl-infoRmAção, 2002. ADAptADo.)
1. (fACISB MEd – UNESP) “SERIA O AlARgAMENTO E A CONSOlI-
dAçÃO dO IdEAl IlUMINISTA dE ESfERA PúBlICA BURgUESA […].”
O vERBO “SERIA” ESTá EM UM TEMPO vERBAl QUE INdICA
a) uma dúvida do autor do texto sobre o momento 
em que os fatos efetivamente ocorreram.
b) um estado permanente, constante, que se estende 
do passado ao futuro.
c) o cuidado do autor para questionar fatos sobre os 
quais paira uma dúvida.
d) uma hipótese futura, ainda incerta, em relação ao 
tempo sobre o qual se fala no texto.
e) a certeza sobre o futuro dos fatos narrados pelo 
autor do texto.
lEIA O TRECHO dO ROMANCE SENHORA, dE JOSé dE AlENCAR, PARA RES-
PONdER à QUESTÃO
O aspecto da casa revelava, bem como seu interior, a pobreza 
da habitação. A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras 
e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor 
 verbos: noções preliminares 
e modos indicativo e subjuntivo
CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27
AULAS 
5 e 6
vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a ama-
relo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis 
remendos.
O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primi-
tivamente azul tomara a cor de folha seca. 
Outra singularidade apresentava essa parte da habitação: era o 
frisante contraste que faziam com a pobreza carrança dos dois 
aposentos certos objetos, aí colocados, e de uso do morador.
Assim, no recosto de uma das velhas cadeiras de jacarandá, via--se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda superior, 
mas sobretudo pelo corte elegante e esmero do trabalho, conhe-
cia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo 
o alfaiate da moda.
Ao lado da casaca estava o resto de um traje de baile, que todo 
ele saíra daquela mesma tesoura em voga; finíssimo chapéu cla-
que do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; 
e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fre-
gueses prediletos.
Passando à alcova, na mesquinha banca de escrever, coberta 
com um pano desbotado e atravancada de rumas de livros, a 
maior parte romances, apareciam sem ordem tinteiros de bronze 
dourado sem serventia; porta-charutos de vários gostos, cinzeiros 
de feitios esquisitos e outros objetos de fantasia.
(senhoRA, 2000. ADAptADo.)
2. (fACISB MEd – UNESP) “O PAPEl dA PAREdE dE BRANCO PAS-
SARA A AMARElO E PERCEBIA-SE QUE EM AlgUNS PONTOS Já HAvIA SOfRI-
dO HáBEIS REMENdOS.”
O TERMO EM dESTAQUE é UMA fORMA vERBAl COMPOSTA. A fORMA SIM-
PlES EQUIvAlENTE é:
a) sofreria.
b) sofria.
c) sofrera.
d) sofrendo.
e) sofreu.
lEIA O EXCERTO dO ROMANCE vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS, PARA 
RESPONdER à QUESTÃO.
Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele 
estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra 
no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da 
casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à ca-
marinha escura, pareciam ratos – e a lembrança dos sofrimentos 
passados esmorecera.
Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, es-
garavatou as unhas sujas. Tirou do aió um pedaço de fumo, 
48
picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, 
pôs-se a fumar regalado.
– Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza 
iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era 
homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos 
outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os 
cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de ani-
mais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos 
e julgava-se cabra.
Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém 
tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
– Você é um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz 
de vencer dificuldades. Chegara naquela situação medonha – e 
ali estava, forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha.
– Um bicho, Fabiano.
Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passa-
ra uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera 
a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fi-
zera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, 
coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o 
patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro.
Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera 
como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, 
estava plantado. Olhou as quipás, os mandacarus e os xiquexi-
ques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e 
as baraúnas. Ele, sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia 
estavam agarrados à terra.
(viDAs secAs, 2010.)
“APARECERA COMO UM BICHO, ENTOCARA-SE COMO UM BICHO, MAS CRIA-
RA RAízES, ESTAvA PlANTAdO.” (PENúlTIMO PARágRAfO)
3. (fASM MEd – UNESP) O TEMPO EM QUE ESTÃO CONJUgAdOS OS 
vERBOS dESTACAdOS
a) mostra que não se trata de acontecimentos corriquei-
ros, mas de momentos especiais na vida do personagem.
b) informa que os fatos enunciados são suposições 
a respeito do futuro do momento pretérito em que a 
narrativa principal acontece.
c) indica que os fatos aconteceram em um passado 
anterior ao tempo, também passado, da linha princi-
pal da narrativa, indicada pelo verbo “estava”.
d) adiciona ao texto um tom erudito, que reforça o 
encadeamento do pensamento elaborado do perso-
nagem Fabiano.
e) denota um processo contínuo no passado, que se 
estende até o presente da narrativa, indicado pelo 
verbo “estava”.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTõES
Aumenta o número de adultos que não CONSEGUE focar sua 
atenção em uma única coisa por muito tempo. São tantos os estí-
mulos e tanta a pressão para que o entorno seja completamente 
desvendado que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao 
mesmo tempo. Nós nos tornamos, à semelhança dos computa-
dores, pessoas multitarefa, não é verdade?
Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo. Ela precisa 
estar atenta aos veículos que vêm atrás, ao lado e à frente, à 
velocidade média dos carros por onde trafega, às orientações do 
GPS ou de programas que sinalizam o trânsito em tempo real, às 
informações de alguma emissora de rádio que comenta o trânsi-
to, ao planejamento mental feito e refeito várias vezes do trajeto 
que deve fazer para chegar ao seu destino, aos semáforos, faixas 
de pedestres etc.
Quando me vejo em tal situação, eu me lembro que 14dirigir, após 
um dia de intenso trabalho no retorno para casa, já FOI uma 
atividade prazerosa e desestressante.
18O uso da internet AJUDOU a transformar nossa maneira de 
olhar para o mundo. Não mais observamos os detalhes, por causa 
de nossa ganância em relação a novas e diferentes informações. 
Quantas vezes sentei em frente ao computador para buscar textos 
sobre um tema e, de repente, me dei conta de que ESTAVA em te-
mas que em nada se RELACIONAVAM com meu tema primeiro.
Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nosso costu-
me de ler na internet. SOFREMOS de uma tentação permanen-
te de pular palavras e frases inteiras, apenas para irmos direto ao 
ponto. O problema é que alguns textos exigem a leitura atenta 
de palavra por palavra, de frase por frase, para que faça sentido. 
Aliás, não é a combinação e a sucessão das palavras que dá senti-
do e beleza a um texto?
Se está difícil para nós, adultos, focar nossa atenção, imagine, 
caro leitor, para as crianças. Elas já NASCERAM neste mundo de 
profusão de estímulos de todos os tipos; elas são exigidas, desde 
o início da vida, a dar conta de várias coisas ao mesmo tempo; 
elas são estimuladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.
Aí, um belo dia elas vão para a escola. Professores e pais, a partir 
de então, querem que as crianças PRESTEM atenção em uma 
única coisa por muito tempo. E quando elas não conseguem, 
reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que 
sejam portadoras de síndromes que exigem tratamento etc.
A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim. Elas já sa-
bem usar programas complexos em seus aparelhos eletrônicos, 
brincam com jogos desafiantes que exigem atenção constante 
aos detalhes e, se deixarmos, passam horas em uma única ativi-
dade de que gostam.
Mas, nos estudos, queremos que elas prestem atenção no que é 
preciso, e não no que GOSTAM. E isso, caro leitor, exige a árdua 
aprendizagem da autodisciplina. Que leva tempo, é bom lembrar.
As crianças precisam de nós, pais e professores, para começar a 
aprender isso. Aliás, boa parte desse trabalho é nosso, e não delas.
Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada 
as ajuda. O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos o con-
texto em que estão quando precisam focar a atenção e orga-
nizá-lo para que SEJA favorável a tal exigência. E é preciso 
lembrar que não se pode esperar toda a atenção delas por 
muito tempo: o ensino desse quesito no mundo de hoje é um 
processo lento e gradual.
sAyão, Rosely. pRofusão De estímulos. in: 
folhA De são pAulo, 11 fev. 2014. 
49
4. (COl. NAvAl) EM QUAl OPçÃO A fORMA vERBAl EM dESTAQUE EX-
PRESSA UMA AçÃO HIPOTéTICA?
a) “[...] me dei conta de que ESTAVA em temas [...].”
b) “[...] e organizá-lo para que SEJA favorável [...].”
c) “[...] atenção no que é preciso, e não no que GOSTAM.”
d) “Aumenta o número de adultos que não CONSE-
GUE focar [...].”
e) “Elas já NASCERAM neste mundo de profusão [...].”
5. (COl. NAvAl)EM QUE OPçÃO A fORMA vERBAl EM dESTAQUE TRANS-
MITE A IdEIA dE CONTINUIdAdE, dE PROCESSO QUE ERA CONSTANTE OU 
fREQUENTE? 
a) “[...] dirigir, [...], já FOI uma atividade praze-
rosa [...].”
b) “[...] que em nada se RELACIONAVAM com meu 
tema primeiro.”
c) “SOFREMOS de uma tentação permanente de 
pular [...].”
d) “Mas, nos estudos, queremos que elas PRESTEM 
atenção [...].”
e) “O uso da internet AJUDOU a transformar nossa 
maneira [...].”
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
CONvERSAR PRESSUPõE UM dIálOgO PROdUTIvO ENTRE AS PESSOAS. 
SIgNIfICA dIzER QUE CONvERSAR é UM PROCESSO COOPERATIvO ENTRE 
INTERlOCUTORES.
lEIA O TEXTO ABAIXO, QUE REPRESENTA UMA CONvERSA.
 
 
6. (IfSP) NO TRECHO “A gENTE POdE TER CONvERSAS lITERáRIAS”, 
SUBSTITUINdO-SE O SUJEITO POR OUTRO dE PRIMEIRA PESSOA dO PlU-
RAl, NO TEMPO PRETéRITO PERfEITO, O RESUlTAdO é O SEgUINTE: 
a) podemos ter conversas literárias.
b) podíamos ter conversas literárias.
c) poderíamos ter conversas literárias.
d) pudemos ter conversas literárias.
e) pudéssemos ter conversas literárias.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
fIlME-ENIgMA dE CHRISTOPHER NOlAN gERA dISCUSSõES SOBRE SIgNIfI-
CAdO E CITAçõES OCUlTAS OU ÓBvIAS EM SUA TRAMA ONíRICA
cenA Do lonGA De ficção científicA "A oRiGem"
Certa vez o sábio taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma bor-
boleta. Ao acordar, entretanto, ele não sabia mais se era um 
homem que sonhara ser uma borboleta ou uma borboleta que 
agora sonhava ser um homem.
Será que Dom Cobb está sonhando? Será que a vida real é esta 
mesma ou somos nós que sonhamos?
Alguns podem ir ao cinema para assistir “A Origem”, de Chris-
topher Nolan (“Batman - O Cavaleiro das Trevas”) e achar tão 
chato que vão sonhar de verdade, dormindo na fase de sono REM.
Mas outros estão sonhando acordados. Em blogs, sites e grupos 
de discussão, os já fanáticos pelo filme de Nolan apontam refe-
rências (de mitologia grega), veem citações (de “Lost”), tecem 
teorias malucas e conspiratórias (o sonho dentro do sonho).
Alguns acusam o diretor de copiar filmes os mais variados, de 
“Blade Runner” (1982) a “eXistenZ” (1999), de se inspirar em 
“2001 - Uma Odisseia no Espaço” (1968) e até de roubar a ideia 
de um quadrinho do Tio Patinhas de 2002.
O fato é que Nolan acertou o alvo. E ele sabia do potencial “ner-
dístico” de seu filme. Tanto é que cogitou mudar a canção que 
toca no filme todo, “Non, Je Ne Regrette Rien”, com Edith Piaf, 
porque uma das atrizes escaladas, Marion Cotillard, havia vivido 
a cantora francesa em um filme de 2007.
(...)
Além da música, uma boa diversão de “A Origem” é identificar 
os objetos impossíveis deixados por Nolan ao longo do filme. A 
escada de Penrose, criada pelo psiquiatra britânico Lionel Penro-
se, aparece diversas vezes na tela – e também inspirou o quadro 
que tenta explicar facetas do longa.
Melhor ir ver o filme e não pensar em escadas... No que você está 
pensando agora?
(http://www1.folhA.uol.com.bR/fsp/ilustRAD/fq1908201010.htm) 
7. (INSPER) RElEIA O PRIMEIRO PARágRAfO:
CERTA vEz O SáBIO TAOíSTA CHUANg TzU SONHOU QUE ERA UMA 
BORBOlETA. AO ACORdAR, ENTRETANTO, ElE NÃO SABIA MAIS SE ERA UM 
HOMEM QUE SONHARA SER UMA BORBOlETA OU UMA BORBOlETA QUE 
AgORA SONHAVA SER UM HOMEM.
AS fORMAS vERBAIS EM NEGRITO INdICAM, RESPECTIvAMENTE 
a) ação concluída, ação simultânea e ação hipotética.
b) ação durativa, ação concluída e ação não concluída
c) ação pontual, ação contínua e ação fictícia.
d) ação concluída, ação posterior e ação anterior.
e) ação concluída, ação anterior e ação contínua.
50
lEIA O TRECHO dO ROMANCE SENHORA, dE JOSé dE AlENCAR, PARA RES-
PONdER à QUESTÃO.
Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem 
exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza; Auré-
lia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o 
mesmo estalão.
Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um 
dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em lingua-
gem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo preço 
que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial.
Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que se fazia íntima com 
ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu-lhe um grace-
jo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara recen-
temente da Europa:
− É um moço muito distinto, respondeu Aurélia sorrindo; vale bem 
como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar 
um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse.
Riam-se todos destes ditos de Aurélia, e os lançavam à conta de 
gracinhas de moça espirituosa; porém a maior parte das senho-
ras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não cansavam 
de criticar desses modos desenvoltos, impróprios de meninas 
bem-educadas.
Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela não fazia mistério, do 
preço de sua cotação no rol da moça; e longe de se agastarem 
com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas vezes re-
sultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial.
(senhoRA, 2013. ADAptADo.)
8. (fAMEMA) “A líSIA SOARES, QUE SE fAzIA íNTIMA COM ElA, E 
DESEJAVA ARdENTEMENTE vê-lA CASAdA, DIRIGIU-lHE UM gRA-
CEJO ACERCA dO AlfREdO MOREIRA”
OS TEMPOS dOS vERBOS dESTACAdOS INdICAM, RESPECTIvAMENTE,
a) fato que perdura no presente e fato frequente no 
passado.
b) fato que perdura no presente e fato que perdura 
no passado.
c) fato que perdura no passado e fato pontual, termi-
nado, no passado.
d) fato pontual, terminado, no passado e fato anterior 
a outro já passado.
e) fato pontual, terminado, no passado e fato que per-
dura no passado.
lEIA O TEXTO dE MARIldA REBOUçAS PARA RESPONdER à QUESTÃO.
A primeira manifestação surrealista aconteceu em 1924 com a 
divulgação do panfleto “Um cadáver”, a propósito da morte de 
Anatole France, prêmio Nobel de literatura. Os surrealistas não 
estavam interessados no estilo límpido, nem no famoso ceticismo 
desse escritor consagrado e, por isso mesmo, alvo perfeito para o 
grupo de jovens lobos mostrarem suas garras. Numa linguagem 
violenta, afirmavam que acabava de morrer “um pouco da servi-
lidade humana”. E, como esperavam, a repercussão foi enorme. 
Como consequência funesta, Breton e Aragon perderam o em-
prego oferecido pelo colecionador Jacques Doucet.
(suRReAlismo, 1986.)
9. (fAMERP) “COMO CONSEQUêNCIA fUNESTA, BRETON E ARAgON 
PERDERAM O EMPREgO OfERECIdO PElO COlECIONAdOR JACQUES 
dOUCET.”
O TEMPO dO vERBO dESTACAdO INdICA UM ACONTECIMENTO
a) frequente, no passado.
b) em um passado anterior a alguns dos demais fatos citados.
c) pontual, no passado.
d) no futuro do passado em que alguns dos demais 
fatos citados ocorrem.
e) contínuo, inteiramente no passado.
lEIA O TEXTO dE CARlOS RANUlfO MElO PARA RESPONdER à QUESTÃO.
CORRUPÇÃO ELEITORAL
As democracias contemporâneas são arranjos representativos. A 
representação foi a “solução encontrada” para um dilema. Tão 
logo firmado o princípio da igualdade política entre os indivíduos, 
regimes políticos baseados na tradição, na origem de classe ou na 
condição de status perderam a legitimidade. Por outro lado, o tama-
nho das sociedades e a complexidade cada vez maior das questões 
em discussão – demandando acesso a informações, disponibilidade 
de tempo e condições de negociação – tornaram proibitiva a ideia 
de que todos participassem das decisões a serem coletivizadas. A 
escolha de um corpo de representantes em eleições livres, justas e 
periódicas – e que incluam a todo o eleitorado adulto – passou a 
ser algo que, sem esgotar a noção contemporânea de democra-
cia, firmou-se como sua pedra angular. Ao se dirigirem às urnas 
os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante um ato 
fundamental do Estado. Ao organizar as eleições e transformar os 
votos em postos executivos e/ou legislativos, o aparato institucional 
das democracias permite que, em maior ou menor grau, os mais 
diversos interesses, opiniões e valores sejam vocalizados no curso 
do processo decisório. Tal processo, no entanto, pode apresentar 
problemas que ameacem corromper o corpo políticoconstituído, 
comprometendo sua legitimidade e diminuindo sua capacidade de 
oferecer à coletividade os resultados esperados.
A corrupção eleitoral ou a reiterada incidência de fenômenos ca-
pazes de desvirtuar o processo de constituição de um corpo de re-
presentantes sempre significou um problema para as democracias. 
A condição para que seu enfrentamento se tornasse possível foi 
a constituição de uma Justiça Eleitoral dotada de autonomia face 
aos poderes político e econômico, com recursos suficientes para 
organizar e poderes necessários para regulamentar os processos 
eleitorais. Mas mesmo as democracias consolidadas não consegui-
ram impedir de forma cabal que determinados interesses pudes-
sem, utilizando os recursos que tivessem à mão, obter vantagens 
diferenciadas em função de sua participação nas eleições.
(coRRupção, 2008. ADAptADo.)
10. (fAMERP) “AO SE dIRIgIREM àS URNAS OS CIdAdÃOS REAFIR-
MAM SUA CONdIçÃO dE IgUAldAdE PERANTE UM ATO fUNdAMENTAl dO 
ESTAdO.”(1º PARágRAfO)
EM SEU CONTEXTO, O vERBO dESTACAdO, NA fORMA EM QUE fOI EMPRE-
gAdO, INdICA UMA AçÃO
a) usual, reiterada, no passado.
b) habitual, regular.
c) feita no instante em que o enunciado é apresentado.
d) contínua, extensa, no presente.
e) pontual, corriqueira, ordinária e sem importância.
51
E.O. FixAçãO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
TINTIM
Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o 
que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa 
medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, 
como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz. Qual a exata 
definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. 
As coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de 
segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz talvez corres-
pondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz. 
Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das 
microcoisas. 
Há quem diga que não existe uma fração mínima de matéria, 
que tudo pode ser dividido e subdividido. Assim como existe o in-
finito para fora – isto é, o espaço sem fim, depois que o Universo 
acaba – existiria o infinito para dentro. A menor fração da menor 
partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e 
cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por 
diante, até a loucura. 
Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se 
tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, 
minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é 
a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo 
onomatopaico que evoca o tinido das moedas.
Originalmente, portanto, “tintim por tintim” indicava um pa-
gamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no 
tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de 
hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído. 
Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por 
tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova 
concepção de infinito. 
Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por 
sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela vida quindim por 
quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim-
-plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin (olha 
aí, a inflação já levou dois tins).
Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem 
de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião 
não nos ajuda. “Triz”, diz ele, significa por pouco. Sim, mas que 
pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para 
“triz”. Substantivo feminino. Popular. 
“Icterícia.” Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas 
as nossas teorias sobre o Universo ou teremos que mudar de 
assunto. Acho melhor mudar de assunto.
O Universo já tem problemas demais. 
veRíssimo, luis feRnAnDo. coméDiAs pARA leR nA 
escolA. Rio De JAneiRo: obJetivA, 2001. 
1. (IfSP) CONSIdERE O SEgUINTE TRECHO: “é vERdAdE QUE, SE TIVES-
SE ME dAdO O TRABAlHO dE OlHAR NO dICIONáRIO MAIS CEdO, MINHA 
IgNORâNCIA NÃO TERIA dURAdO TANTO. MAS O ÓBvIO, àS vEzES, é A 
úlTIMA COISA QUE NOS OCORRE”. OS vERBOS gRIfAdOS ENCONTRAM-
-SE CONJUgAdOS, RESPECTIvAMENTE: 
a) pretérito perfeito do indicativo, futuro do pretérito 
do indicativo, presente do subjuntivo.
b) pretérito imperfeito do indicativo, pretérito perfeito 
do indicativo, presente do indicativo.
c) pretérito mais-que-perfeito do indicativo, pretérito 
imperfeito do indicativo, presente do subjuntivo.
d) pretérito imperfeito do subjuntivo, pretérito imper-
feito do indicativo, pretérito perfeito do indicativo.
e) pretérito imperfeito do subjuntivo, futuro do preté-
rito do indicativo, presente do indicativo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Crônica parafraseada de uma Síria em guerra
Ela abre os olhos. Não fosse o cheiro horrível de morte, o silêncio 
seria até agradável, mas o olfato a lembra que não há paz – 
nem pessoas, vizinhos, crianças. A trégua na manhãzinha não 
traz esperança. Tão somente lhe permite descansar o corpo, mas 
não a mente. As lembranças da noite anterior ainda produzem 
sobressaltos. Bombas, casas caindo e soldados gritando.
Levanta-se, bebe o pouco da água que restou do copo ao lado 
da cama. Já não é tão limpa, nem farta como antes. Sempre um 
gosto amargo misturado com H2O.
Abre a geladeira, e só encontra comida enlatada e congelada. 
E mesmo não tão congelada assim, já que os cortes diários de 
eletricidade derretem as camadas de gelo.
Os sobrinhos ainda dormem, e ela tenta orar. Não consegue. A 
mente desconcentra-se facilmente. Em uma prece fragmentada, 
pede a Deus descanso e trégua. E faz a oração sem pensar muito. 
Não precisa; é a mesma oração das últimas semanas.
Ela não quer sair de casa. Não é teimosia, é falta de opção. “Para 
onde ir?”, pergunta, com uma voz desesperançosa. Está tão con-
fusa que não consegue imaginar saídas.
Nem a piedade de enterrar os mortos o governo permite. Ca-
dáveres estão espalhados pelas ruas. As forças de Assad 3im-
pediram de sepultar ou mesmo remover os restos mortais. Ou 
seja, mesmo viva, ela não tem como fugir da morte escancarada 
diante de seus olhos. Não é fácil acreditar na vida, quando a 
realidade grita o contrário.
Se não podem sepultar os mortos, os sobreviventes tentam ao me-
nos ajudar a curar as feridas dos machucados. Não podem levá-los 
aos hospitais da cidade, já que há um medo generalizado de que o 
governo prenda os feridos como se fossem prisioneiros de guerra. 
Resta improvisar atendimento nos campos. Não bastasse a preca-
riedade do atendimento, não há medicamentos suficientes.
Rebeca, de 32 anos, é trabalhadora autônoma. Ou melhor, 4era. 
Agora já não sabe mais o que é e o que faz em sua cidade Da-
masco, capital da Síria.
Crônica parafraseada do depoimento de uma moradora da capi-
tal da Síria (identificada apenas pela letra “R”) ao jornal Folha de 
São Paulo, de quarta-feira, dia 25. A Síria está em revolta há 16 
meses contra a ditadura de Bashar al-Assad. Nos últimos dias, o 
confronto contra os rebeldes se acirrou e as mortes aumentaram. 
Disponível em: <http://ultimAto.com.bR/sites/
fAtosecoRRelAtos/2012/07/26/cRonicA-pARAfRAseADA-De-
umA-siRiA-em-GueRRA/> Acesso em: 14 set. 2015.
52
2. (IfSUl) CONSIdERANdO A flEXÃO dAS fORMAS vERBAIS IMPEdIRAM 
(REf. 3) E ERA (REf. 4), é CORRETO AfIRMAR QUE
a) os dois verbos estão conjugados no pretérito im-
perfeito do modo indicativo.
b) os dois verbos estão conjugados no pretérito per-
feito do modo indicativo.
c) o verbo impedir está conjugado no pretérito per-
feito do indicativo, e o ser, no pretérito imperfeito 
do indicativo.
d) o verbo impedir está conjugado no pretérito 
imperfeito do subjuntivo, e o ser, no futuro do 
subjuntivo.
lEIA O TEXTO dE ANdRé gOTz PARA RESPONdER à QUESTÃO.
O grande problema dos carros é o fato de serem como man-
sões à beira-mar: são bens de luxo inventados para o prazer 
exclusivo de uma minoria muito rica, os quais em concepção 
e natureza nunca foram destinados ao povo. Emsua concep-
ção e em sua finalidade original, o carro é um bem de luxo. 
E o luxo, por definição, é impossível de ser democratizado: se 
todos ascendem ao luxo, ninguém tira proveito dele.
Isso é admitido sem questionamentos pelo senso comum no 
caso das mansões à beira-mar. Nenhum demagogo ousou dizer 
que democratizar o direito às férias significa aplicar o princí-
pio uma mansão com praia particular para cada família. Todos 
compreendem que, se cada uma das treze ou quatorze milhões 
de famílias existentes na França devesse dispor mesmo que 
apenas de dez metros da costa, seria preciso dividir as praias 
em tiras tão pequenas – ou amontoar tanto as mansões – que 
seu valor de uso seria nulo e sua vantagem sobre um complexo 
hoteleiro desapareceria. Em suma, a democratização do acesso 
às praias admite somente uma solução: a solução coletivista. E 
essa solução está necessariamente em guerra com o luxo que 
constituem as praias particulares, privilégio que uma pequena 
minoria se atribui à custa de todos.
Ora, por que aquilo que é absolutamente óbvio no caso 
das praias não é geralmente visto da mesma forma no caso 
do transporte? Por acaso um carro também não ocupa um 
espaço tão escasso quanto uma mansão na praia? Não es-
polia os outros que usam as ruas (pedestres, ciclistas, usu-
ários de ônibus ou bondes)? Não perde seu valor de uso 
quando todo mundo utiliza o seu? No entanto abundam 
os demagogos que afirmam que cada família tem o direito 
a pelo menos um carro, e que seria até mesmo encargo do 
"Estado" atuar de forma que todos pudessem estacionar 
convenientemente e viajar no feriado ou nas férias ao mes-
mo tempo que todos os outros a 150 km/h.
(neD luDD (oRG). ApocAlipse motoRizADo, 2004. ADAptADo.)
3. (SÃO CAMIlO MEd – UNESP) "TOdOS COMPREENdEM 
QUE, SE CAdA UMA dAS TREzE OU QUATORzE MIlHõES dE fAMílIAS 
EXISTENTES NA fRANçA dEvESSE dISPOR MESMO QUE APENAS dE dEz 
METROS dA COSTA, SERIA PRECISO dIvIdIR AS PRAIAS EM TIRAS TÃO 
PEQUENAS – OU AMONTOAR TANTO AS MANSõES – QUE SEU vAlOR dE 
USO SERIA NUlO E SUA vANTAgEM SOBRE UM COMPlEXO HOTElEIRO 
dESAPARECERIA."
OS vERBOS dESTACAdOS NO EXCERTO ESTÃO CONJUgAdOS NO
a) futuro do pretérito, pois não se trata de fato localiza-
do em um futuro próximo, mas em um futuro distante.
b) futuro do presente, para fazer uma afirmação futu-
ra em relação ao tempo do que foi enunciado antes.
c) pretérito mais-que-perfeito, pois se trata de um fato 
posterior a outro fato enunciado no texto.
d) futuro do presente, para deixar claro que se trata de 
uma hipótese e não de um fato já consumado.
e) futuro do pretérito, a fim de imaginar um cenário 
projetado a partir de uma hipótese antes enunciada.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
PORTUGUÊS NO TOPO DAS 
LÍNGUAS MAIS IMPORTANTES
A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mun-
do dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua 
materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista 
norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana.
Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do arti-
go, as línguas que “todos os diretores executivos de empresas 
globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, 
incluindo o russo, o árabe e o alemão.
“A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nos-
sa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, 
diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One 
Hour Translations.
O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua 
portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a econo-
mia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma 
das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos 
recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”.
Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recen-
temente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma 
segunda língua para além do inglês.
Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do 
Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domí-
nio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a 
uma universidade de Pequim”.
“Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a lín-
gua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e 
conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan.
Disponível em: https://iilp.woRDpRess.com/2015/05/06/poRtuGues-
no-topo-DAs-linGuAs-mAis-impoRtAntes Acesso em:23/05/2015. 
4. (UPE) CONSIdERANdO AlgUMAS fORMAS vERBAIS EMPREgAdAS NO 
TEXTO, ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA.
53
a) O tempo e o modo da forma verbal empregada no 
trecho: “A língua portuguesa é a segunda língua mais 
importante no mundo dos negócios” expressam a in-
certeza do autor em relação à afirmação que ele faz.
b) Na variante brasileira do português, o fato de os 
verbos “ter” e “haver” serem, às vezes, empregados 
como equivalentes, pode ser exemplificado no trecho 
“para quem tem o inglês como língua materna”.
c) No trecho: “Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill 
Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores 
arrependimentos”, a variação presente/passado das for-
mas verbais destacadas resulta em incorreção no texto.
d) Com a forma verbal selecionada no trecho: “Mark 
Zuckerberg mostrou um impressionante domínio da 
língua chinesa”, o autor pretendeu indicar uma ação 
iniciada no passado e ainda não concluída.
e) No trecho: “‘Ao aprender chinês, Zuckerberg de-
monstrou que [...]’, diz Ofer Shoshan”, a forma ver-
bal destacada, embora esteja no presente, indica uma 
ação do passado.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
EdITORIAl
O VALOR DA VIDA
heRmAnn A.v. von tiesenhAusen DiRetoR executivo Do JoRnAl meDicinA
A mistanásia é um termo pouco utilizado nas conversas do dia 
a dia, mas, que, infelizmente, não está tão distante de nossa re-
alidade. A imprensa registra, sem filtros, o drama de milhares de 
pacientes e profissionais nos postos de saúde, hospitais e pron-
tos-socorros e traduz a dura proximidade com a expressão.
O significado de mistanásia remete à omissão de socorro, à 
negligência. Ela representa a morte miserável, antes da hora. É 
conhecida como a eutanásia social. No Brasil, seu flagelo atinge, 
sobretudo, os mais carentes, que dependem exclusivamente do 
Estado quando o corpo padece.
Um exemplo do que a mistanásia pode causar apareceu em 
série de reportagens exibida pelo Jornal Nacional (Rede Globo), 
em janeiro, que dissecou o drama dos pacientes com câncer no 
país. A falta de tudo torna a larga espera pelo atendimento um 
duro calvário e, em meio ao desespero, centros de excelência, 
como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, 
minguam a céu aberto.
A falência do sistema público de saúde não é só um fenômeno 
administrativo ou contábil. Quem dera o fosse. Assim, seria mais 
fácil suportá-la, pois contas se arrumam. A questão é que o de-
sequilíbrio causado por uma gestão feita de pessoas perdidas 
em meio ao tiroteio entrou em nossas casas pela porta da frente.
A situação grave, contornada com paliativos, ceifa vidas, inclusive 
de crianças e jovens, impedidos de receber aquilo que a Consti-
tuição lhes garante como direito cidadão: o acesso universal, in-
tegral, gratuito e com equidade a serviços de saúde de qualidade.
Nesta edição do jornal Medicina, apresentamos números do 
valor da vida e da saúde de cada brasileiro para o setor públi-
co. A média nacional não supera os R$ 4,00 ao dia, ou seja, 
quase nada se comparado a outros países com modelos assis-
tenciais semelhantes.
Essa conta acentua a tragédia da morte anunciada em corredores 
e filas de espera e suscita um questionamento importante, pois os 
dados evidenciam que, apesar do pouco destinado, é o mau uso 
dos recursos que estão disponíveis que aprofunda a crise.
O Brasil está diante de um dilema. É hora de rever caminhos, 
adotar novas posturas, corrigir falhas para não sentenciar a 
população à doença e tirar do estado de coma em que se 
encontra o Sistema Único de Saúde (SUS), umadas maiores 
políticas sociais do mundo e balizador de todo modelo de 
atenção no País.
JoRnAl meDicinA publicAção oficiAl Do conselho 
feDeRAl De meDicinA. JAneiRo 2016. 
5. (fAC. AlBERT EINSTEIN) “QUEM dERA O fOSSE.” OS vERBOS EMPRE-
gAdOS NESSA fRASE dO QUARTO PARágRAfO (vERBO dAR NO PRETéRITO 
MAIS-QUE-PERfEITO dO INdICATIvO E vERBO IR NO PRETéRITO IMPERfEITO 
dO SUBJUNTIvO) CONTRIBUEM PARA CONSTRUIR O SENTIdO dE QUE 
a) o fenômeno administrativo e contábil gerado pelo 
desequilíbrio da gestão do sistema público de saúde 
levou o país à falência.
b) o problema com a saúde nacional se circunscreve a 
questões de natureza administrativa ou contábil.
c) a situação em que se encontra o sistema público de 
saúde não se restringe a questões de natureza admi-
nistrativa ou contábil.
d) a falência do sistema público de saúde brasileiro se 
resolve pela gestão equilibrada das contas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O SEQUESTRO DAS PALAVRAS
GReGóRio DuvivieR
Vamos supor que toda palavra tenha uma vocação primeira. A 
palavra mudança, por exemplo, nasceu filha da transformação e 
da troca, e desde pequena 2servia para descrever o processo de 
mutação de uma coisa em outra coisa que não deixou de ser, na 
essência, a mesma coisa – quando a coisa é trocada por outra 
coisa, não é mudança, é substituição. A palavra justiça, por exem-
plo, brotou do casamento dos direitos com a igualdade (sim, foi 
um ménage): servia para tornar igual aquilo que tinha o direito 
de ser igual mas não estava sendo tratado como tal.
No entanto as palavras cresceram. E, assim como as pessoas, 
foram sendo contaminadas pelo mundo a sua volta. As palavras, 
coitadas, não sabem escolher amizade, não sabem dizer não. 
A liberdade, por exemplo, é dessas palavras que só dizem sim. 
Não nasceu de ninguém. Nasceu contra tudo: a prisão, a depen-
dência, o poder, o dinheiro – mas não se espante se você vir a 
liberdade vendendo absorvente, desodorante, cartão de crédito, 
empréstimo de banco. A publicidade vive disso: dobrar as melho-
res palavras sem pagar direito de imagem. Assim, você 11verá as 
palavras ecologia e esporte juntarem-12se numa só para criar o 
EcoSport – existe algo menos ecológico ou esportivo que um car-
ro? Pobres palavras. Não 15tem advogados. Não precisam assinar 
termos de autorização de imagem. Estão aí, na praça, gratuitas.
Nem todos aceitam que as palavras 16sejam sequestradas ao 
bel-prazer do usuário. A política é o campo de guerra onde se 
disputa a posse das palavras. A “ética”, filha do caráter com 
a moral, transita de um lado para o outro dos conflitos, assim 
54
como a Alsácia-Lorena, e não sem guerras sanguinárias. Com 
um revólver na cabeça, é obrigada a endossar os seres mais 
amorais e sem caráter. A palavra mudança, que sempre andou 
com as esquerdas, foi sequestrada pelos setores mais conser-
vadores da sociedade – que fingem querer mudar, quando o 
que querem é trocar (para que não se mude mais). A Justiça, 
coitada, foi cooptada por quem atropela direitos e desconhece 
a igualdade, confundindo-a o tempo todo com seu primo, o 
justiçamento, filho do preconceito com o ódio.
Já a palavra impeachment, recém-nascida, filha da democracia 
com a mudança, 22está escondida num porão: emprestaram suas 
roupas à palavra golpe, que desfila por aí usando seu nome e seus 
documentos. Enquanto isso, a palavra jornalismo, coitada, agoniza 
na UTI. As palavras não lutam sozinhas. É preciso lutar por elas.
texto publicADo em 21 mAR. 2016. Disponível em: <http://www1.
folhA.uol.com.bR/colunAs/GReGoRioDuvivieR/2016/03/1752170-
o-sequestRo-DAs-pAlAvRAs.shtml>. Acesso em: 06 AbR. 2016. 
6. (IfSUl) QUANTO AO EMPREgO dOS vERBOS NO TEXTO “O SEQUESTRO 
dAS PAlAvRAS”, é CORRETO AfIRMAR QUE 
a) o verbo “ver” (ref. 11) foi conjugado no futuro do 
pretérito do modo indicativo, embora faça referência 
ao tempo presente.
b) o verbo “ser” (ref. 16) foi flexionado no presente 
do indicativo, indicando a incerteza de que a ação 
ocorra de fato.
c) a locução verbal presente na referência 22, utili-
zada no passado perfeito do indicativo, designa uma 
ação já concluída.
d) o verbo “servir” (ref. 2) foi conjugado no pretérito 
imperfeito do indicativo para designar uma ação em 
contínua realização do passado para o presente.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
DÁ PRA DESENHAR?
mARcelo GRumAn
As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo 
os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de história. 
[...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do 3kindle e do 
4IPhone, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias 
livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chega-
mos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, 
sem futuro, um presente contínuo.
Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo 
total da não leitura”, conforme o editor de não ficção e lite-
ratura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que re-
solveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que 
considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, 
o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair 
o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma 
resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir 
os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira 
dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar 
redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de 
mau gosto porque livro pressupõe leitura.
[...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o 
que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era 
uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou 
o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
fonte: <http://cARtAmAioR.com.bR/?/eDitoRiA/cultuRA/DA-pRA-
DesenhAR-/39/33645>, texto ADAptADo. Acesso em: 03 set. 2015
7. (g1 - CfT-Mg) CONSIdERE O TRECHO A SEgUIR:
[...] Há NÃO MUITO TEMPO, PERGUNTÁVAMOS (1) A QUEM NÃO 
ENTENdIA O QUE fAlávAMOS SE GOSTARIA (2) QUE DESENHÁS-
SEMOS (3) A EXPlICAçÃO. ERA UMA BRINCAdEIRA, UMA fORMA dE 
INfANTIlIzAR O INTERlOCUTOR. CHEgOU O dIA EM QUE A PIAdA PERdEU A 
gRAçA, PORQUE dEIXOU dE SER PIAdA.
A INdICAçÃO dA dESINêNCIA MOdO-TEMPORAl dOS vERBOS 1, 2 E 3, 
gRIfAdOS NESSE TRECHO, ESTá CORRETA EM 
a) (1) pretérito imperfeito do subjuntivo; (2) futuro sim-
ples do indicativo; (3) pretérito perfeito do indicativo. 
b) (1) pretérito perfeito do indicativo; (2) pretérito imper-
feito do indicativo; (3) pretérito imperfeito do indicativo. 
c) (1) pretérito imperfeito do indicativo; (2) futuro do pre-
térito do indicativo; (3) pretérito imperfeito do subjuntivo. 
d) (1) pretérito mais-que-perfeito do indicativo; (2) 
futuro do pretérito do indicativo; (3) pretérito perfeito 
do subjuntivo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A cavalgada, que lenta SUBIRA a encosta, DESCIA-A rapida-
mente enquanto Atanagildo, visitando os muros, EXORTAVA os 
guerreiros da cruz a pelejarem esforçadamente. Quando estes sou-
beram quais eram as intenções dos árabes acerca das virgens do 
mosteiro, a atrocidade do sacrilégio afugentou-lhes dos corações a 
menor sombra de hesitação. Sobre as espadas juraram todos com-
bater e morrer como godos. Então o quingentário, a quem parecia 
animar sobrenatural ousadia, correu ao templo.
heRculAno, A. euRico, o pResbíteRo. 2. eD. são 
pAulo: mARtin clARet, 2014. p.107. 
8. (UEl) SOBRE OS vERBOS “SUBIRA”, “dESCIA” E “EXORTAvA”, PRESENTES 
NO TRECHO, ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. 
a) Os verbos “subira”, “descia” e “exortava” estão no 
tempo verbal pretérito perfeito, pois indicam um fato 
que aconteceu em um momento passado e foi conclu-
ído. Todos estão no modo indicativo.
b) Os verbos “subira”, “descia” e “exortava” estão no 
pretérito imperfeito, pois expressam a duração de um 
fato que ocorreu no passado e foi concluído. Os dois 
primeiros estão no modo indicativo, enquanto “exorta-
va” está no imperativo, pois expressa ordem.
c) O verbo “subira” está no futuro do presente, pois indicaum fato que ainda ocorrerá; os verbos “descia” e “exorta-
va” estão no futuro do pretérito, pois indicam ações que 
aconteceriam. Todos estão no modo indicativo.
d) O verbo “subira” está no pretérito mais-que-perfeito, 
pois indica um fato que aconteceu antes de outro fato no 
presente; já os verbos “exortava” e “descia” estão no im-
perfeito do subjuntivo, pois expressam desejos ou hipóteses.
e) O verbo “subira” está no pretérito mais-que-perfeito, 
pois indica um processo que ocorreu antes de um outro 
fato, também no passado; os verbos “descia” e “exorta-
va” estão no pretérito imperfeito, pois indicam um pro-
cesso que ocorreu no passado, expressando sua duração, 
e que não foi concluído. Todos estão no modo indicativo.
55
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, Chagas e Silva 
postava-se de palito à boca, como se tivesse descido do restau-
rante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que somente ali 
se comesse bem em Porto Alegre. Longe disso! A Rua da Praia 
que o diga, ou melhor, que o dissesse. O faz de conta do ine-
fável personagem ligava-se mais à importância, à moldura que 
aquele portal lhe conferia. Ele, que tanto marcou a rua, tinha 
franco acesso às poltronas do saguão em que se refestelavam os 
importantes. Andava dentro de um velho fraque, usava gravata, 
chapéu, bengala sob o braço, barba curta, polainas e uns olhi-
nhos apertados na tez bronzeada. O charuto apagado na boca, 
para durar bastante, ERA o toque final dessa composição de 
pardavasco vindo das Alagoas. 
Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. Fixou-se na Rua 
da Praia, que percorria com passos lentos, carregando um ar 
de indecifrável importância, tão ao jeito dos grandes de então. 
Os estudantes tomaram conta dele. Improvisaram comícios na 
praça, carregando-o nos braços e fazendo-o discursar. Dava dis-
cretas mordidas e consentia em que lhe pagassem o cafezinho. 
Mandava imprimir sonetos, que “trocava” por dinheiro.
Não era de meu propósito OCUPAR-ME do “doutor” Chagas 
e, sim, de como se comia bem na Rua da Praia de antigamente. 
Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a visitar 
casas por onde sua imaginação de longe esvoaçava.
Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialida-
des, DISPUNHA da melhor matéria-prima para as casas de 
pasto. Essas casas punham ao alcance dos gourmets virtuo-
síssimos “secos e molhados” vindos de Portugal, da Itália, da 
França e da Alemanha. Daí um longo e florescente’ período 
de boa comida, para regalo dos homens de espírito e dos que 
eram mais estômago que outra coisa.
Na arte de comer bem, talvez a dificuldade fosse a da escolha. 
Para qualquer lado que o passante se virasse, encontraria salões 
ornamentados recinto maiores ou menores, tabernas ou simples 
tascas. A Cidade DIVERTIA-SE também pela barriga.
Ruschel, nilo. RuA DA pRAiA. poRto AleGRe: 
eDitoRA DA ciDADe, 2009. p. 110-111. 
9. (UfRgS) CONSIdERE AS AfIRMAçõES ABAIXO, A RESPEITO dOS TEM-
POS vERBAIS UTIlIzAdOS NO TEXTO.
I. OS vERBOS ERA E dISPUNHA ESTÃO CONJUgAdOS NO MESMO TEMPO E 
MOdO.
II. TOdOS OS vERBOS dO PRIMEIRO PARágRAfO ESTÃO CONJUgAdOS NO 
PRETéRITO IMPERfEITO dO INdICATIvO, PORQUE fAzEM REfERêNCIA A ROTI-
NAS E HáBITOS dO PASSAdO.
III. OS vERBOS OCUPAR-ME E dIvERTIA-SE ESTÃO CONJUgAdOS NO MOdO 
SUBJUNTIvO.
QUAIS ESTÃO CORRETAS?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.
E.O. COmplEmEntAr
lEIA O TRECHO INICIAl dO lIvRO CORAçõES SUJOS, dE fERNANdO MORAIS, 
PARA RESPONdER à QUESTÃO.
A voz rouca e arrastada parecia vir de outro mundo. Eram pon-
tualmente nove horas da manhã do dia 1º de janeiro de 1946 
quando ela soou nos alto-falantes dos rádios de todo o Japão. 
A pronúncia das primeiras sílabas foi suficiente para que 100 
milhões de pessoas identificassem quem falava. Era a mesma 
voz que quatro meses antes se dirigira aos japoneses, pela pri-
meira vez em 5 mil anos de história do país, para anunciar que 
havia chegado o momento de "suportar o insuportável": a ren-
dição do Japão às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. 
Mas agora o dono da voz, Sua Majestade o imperador Hiroíto, 
tinha revelações ainda mais espantosas a fazer a seus súditos. 
Embora ele falasse em keigo – uma forma arcaica do idioma, 
reservada aos Filhos dos Céus e repleta de expressões chinesas 
que nem todos compreendiam bem −, todos entenderam o que 
Hiroíto dizia: ao contrário do que os japoneses acreditavam des-
de tempos imemoriais, ele não era uma divindade. O imperador 
leu uma declaração de poucas linhas, escrita de próprio punho. 
Aquela era mais uma imposição dos vencedores da guerra. En-
tre as exigências feitas pelos Aliados para que ele permanecesse 
no trono, estava a "Declaração da Condição Humana". Ou seja, 
a renúncia pública à divindade, que naquele momento Hiroíto 
cumpria resignado:
"Os laços que nos unem a vós, nossos súditos, não são o resultado 
da mitologia ou de lendas. Não se baseiam jamais no falso concei-
to de que o imperador é deus ou qualquer outra divindade viva."
Petrificados, milhões de japoneses tomaram consciência da verda-
de que ninguém jamais imaginara ouvir: diferentemente do que 
lhes fora ensinado nas escolas e nos templos xintoístas, Hiroíto re-
conhecia que era filho de dois seres humanos, o imperador Taisho 
e a imperatriz Sadako, e não um descendente de Amaterasu Omi-
kami, a deusa do Sol. Foi como se tivessem jogado sal na ferida 
que a rendição, ocorrida em agosto do ano anterior, havia aberto 
na alma dos japoneses. O temido Exército Imperial do Japão, que 
em inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma úni-
ca derrota, tinha sido aniquilado pelos Aliados. O novo xogum, o 
chefe supremo de todos os japoneses, agora era um gaijin, um es-
trangeiro, o general americano Douglas MacArthur, a quem eram 
obrigados a se referir, respeitosamente, como Maca-san, o "senhor 
Mac". Como se não bastasse tamanho padecimento, o Japão des-
cobria que o imperador Hiroíto era apenas um mortal, como qual-
quer um dos demais 100 milhões de cidadãos japoneses.
(coRAções suJos, 2000.)
1. (fAMEMA) "ERA A MESMA vOz QUE QUATRO MESES ANTES SE dIRI-
gIRA AOS JAPONESES, PElA PRIMEIRA vEz EM 5 MIl ANOS dE HISTÓRIA dO 
PAíS, PARA ANUNCIAR QUE HAvIA CHEgAdO O MOMENTO dE 'SUPORTAR O 
INSUPORTávEl'" (1º PARágRAfO)
O vERBO dESTACAdO fOI UTIlIzAdO NO PRETéRITO MAIS-QUE-PERfEITO A 
fIM dE INdICAR
a) um fato no passado, anterior a outro fato, também 
no passado.
b) uma dúvida do enunciador sobre a veracidade do 
fato no passado.
56
c) um fato que ocorreu reiteradamente, no passado.
d) uma ação cujos efeitos se estendem do passado 
ao presente.
e) uma verdade universalmente aceita no passado.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxu-
gou-se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. 
Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. 
Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se. 
Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. 
Despachou. Conferiu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ga-
nhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. Burlou. 
Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depo-
sitou. Depositou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. De-
positou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. 
Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou. Despachou. 
Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. 
Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. 
Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-
-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dor-
miu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se...
mino. como se conJuGA um empResáRio. Disponível em: <http://
DocsliDe.com.bR/Documents/como-se-conJuGA-um-empResARio.html>.
Acesso em: 18 JAn. 2016. ADAptADo. 
2. (UEFS) NO TEXTO dE MINO, A UTIlIzAçÃO E A ORgANIzAçÃO SEQUEN-
CIAl dAS fORMAS vERBAIS PERMITEM INfERIR QUE A PERSONAgEM PRINCIPAl 
a) não mantém umarotina adequada a seus princí-
pios éticos. 
b) exime-se de qualquer compromisso com a sua pró-
pria família. 
c) não apresenta sinais de que irá rever seus valores 
e sua forma de agir. 
d) alterna contextos de sucesso e lucro com situações 
de fracasso e desespero. 
e) revela momentos de compaixão diante do outro, 
retomando algumas atitudes. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
CAPÍTULO XXI
Na estação de Vassouras, entraram no trem Sofia e o marido, 
Cristiano de Almeida e Palha. Este era um rapagão de trinta e 
dois anos; 1ela ia entre vinte e sete e vinte e oito.
Vieram sentar-se nos dois bancos fronteiros ao do Rubião [...].
[Rubião] — O senhor é lavrador?
[Palha] — Não, senhor.
[Rubião] — Mora na cidade?
[Palha] — De Vassouras? Não; viemos aqui passar uma semana. 
Moro mesmo na Corte. Não teria jeito para lavrador, 2conquanto 
ache que é uma posição boa e honrada.
Da lavoura passaram ao gado, à escravatura e à política. Cristia-
no Palha maldisse o governo, que introduzira na fala do trono 
uma palavra relativa à propriedade servil; mas, com grande es-
panto seu, Rubião não acudiu à indignação. Era plano deste ven-
der os escravos que o testador lhe deixara, exceto um pajem; se 
alguma coisa perdesse, o resto da herança cobriria o desfalque. 
Demais, a fala do trono, que ele também lera, mandava respeitar 
a propriedade atual. Que lhe importavam escravos futuros, se 
os não compraria? O pajem ia ser forro, logo que ele entrasse 
na posse dos bens. Palha desconversou, e passou à política, às 
câmaras, à guerra do Paraguai, tudo assuntos gerais, ao que Ru-
bião atendia, mais ou menos. Sofia escutava apenas; movia tão 
somente os olhos, que sabia bonitos, fitando-os ora no marido, 
ora no interlocutor.
— Vai ficar na Corte 3ou volta para Barbacena? perguntou o 
Palha no fim de vinte minutos de conversação.
— 4Meu desejo é ficar, e fico mesmo, acudiu Rubião; estou can-
sado da província; 5quero gozar a vida. Pode ser até que vá à 
Europa, mas não sei ainda.
Os olhos do Palha brilharam instantaneamente.
mAchADo De Assis, quincAs boRbA. 
3. (fgv) EMPREgOU-SE O PRESENTE COM IdEIA dE fUTURO NO SEgUINTE 
EXCERTO dO TEXTO:
a) “ela ia entre vinte e sete e vinte e oito” (ref. 1).
b) “conquanto ache” (ref. 2).
c) “ou volta para Barbacena” (ref. 3).
d) “Meu desejo é ficar” (ref. 4).
e) “quero gozar a vida” (ref. 5).
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Hoje os conhecimentos se estruturam de modo fragmentado, se-
parado, compartimentado nas disciplinas. Essa situação impede 
uma visão global, uma visão fundamental e uma visão complexa. 
"Complexidade" vem da palavra latina complexus, que significa 
a compreensão dos elementos no seu conjunto.
As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora do 
seu campo de especialização. A literatura, no entanto, é uma 
área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas. 
Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro.
A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de ex-
pressão, meios de conhecimento, meios de compreensão da 
complexidade humana. Assim, podemos ver o primeiro modo 
de inclusão da literatura: a inclusão da complexidade humana. 
E vamos ver ainda outras inclusões: a inclusão da personalidade 
humana, a inclusão da subjetividade humana, e, também, muito 
importante, a inclusão; do estrangeiro, do marginalizado, do in-
feliz, de todos que ignoramos e desprezamos na vida cotidiana.
A inclusão da complexidade humana é necessária porque rece-
bemos uma visão mutilada do humano. Essa visão, a de homo 
sapiens, é uma definição do homem pela razão; de homo faber, 
do homem como trabalhador; de homo economicus, movido por 
lucros econômicos. Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, 
mutilada, que esquece o principal: a relação do sapiens/demens, 
da razão com a demência, com a loucura.
Na literatura, encontra-se a inclusão dos problemas humanos 
mais terríveis, coisas insuportáveis que nela se tornam suportá-
veis. Harold Bloom escreve: "1TODAS as grandes obras 2REVE-
LAM a universalidade humana através de destinos singulares, de 
situações singulares, de épocas singulares". É essa a razão por 
que as obras-primas atravessam séculos, sociedades e nações.
Agora chegamos à parte mais humana da inclusão: a inclusão do 
outro para a compreensão humana. A compreensão nos torna 
57
mais generosos com relação ao outro, e o criminoso não é unica-
mente mais visto como criminoso, como o Raskolnikov de Dostoie-
vsky, como o Padrinho de Copolla.
A literatura, o teatro e o cinema são os melhores meios de com-
preensão e de inclusão do outro. Mas a compreensão se torna 
provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do fil-
me. Então essa compreensão é que 3DEVERIA ser introduzida e 
desenvolvida em nossa vida pessoal e social, porque 4SERVIRIA 
para melhorar as relações humanas, para melhorar a vida social.
ADAptADo De: moRin, eDGAR. A inclusão: veRDADe DA 
liteRAtuRA. in: RõsinG, tâniA et Ai. eDGAR moRin: ReliGAnDo 
fRonteiRAs. pAsso funDo: upf, 2004. p.13-18
4. (UFRGS) CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES, REfERENTES AO USO 
dE TEMPOS E MOdOS vERBAIS NO TEXTO.
I. O EMPREgO dO PRESENTE NA fORMA vERBAl REVELAM (REf. 2) 
REfORçA O CARáTER gENERAlIzAdOR dA AfIRMAçÃO, Já SINAlIzAdO PElO 
EMPREgO dE TODAS (REf. 1).
II. OS USOS dE fUTURO dO PRETéRITO EM DEVERIA (REf. 3) E SER-
VIRIA (REf. 4) CONTRIBUEM PARA MOSTRAR QUE O AUTOR CONClUI A 
ARgUMENTAçÃO COM SOlUçõES POSSívEIS E dESEJávEIS.
III. A PRESENçA NO TEXTO dE vERBOS NOS MOdOS INdICATIvO E SUBJUNTI-
vO CONfERE SENTIdOS dE CERTEzA E dE POSSIBIlIdAdE à ARgUMENTAçÃO.
QUAIS ESTÃO CORRETAS? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas I e III. 
e) I, II e III. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Não era feio o lugar, mas não era belo. Tinha, entretanto, o aspec-
to tranquilo e satisfeito de quem se julga bem com a sua sorte. 
A casa erguia-se sobre um socalco, uma espécie de degrau, for-
mando a subida para a maior altura de uma pequena colina que 
lhe corria nos fundos. Em frente, por entre os bambus da cerca, 
olhava uma planície a morrer nas montanhas que se viam ao 
longe; um regato de águas paradas e sujas cortava-as paralela-
mente à testada da casa; mais adiante, o trem passava vincando 
a planície com a fita clara de sua linha campinada [...]. 
bARReto, limA. tRiste fim De policARpo quAResmA. são 
pAulo: penGuin & compAnhiA DAs letRAs. p.175. 
5. (UEg) COM RElAçÃO AO TEMPO NARRATIvO, NOTA-SE QUE A UTIlIzA-
çÃO dO PRETéRITO IMPERfEITO 
a) aproxima o material narrado do universo contem-
porâneo do leitor.
b) confere ao texto um caráter dual, que oscila entre 
o lírico e o metafórico.
c) faz com que o tempo da narrativa se distancie, até 
certo ponto, do tempo do leitor.
d) torna o texto mais denso de significação, na medi-
da em que institui lacunas temporais.
E.O. dissErtAtivO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
SONETO DO AMOR TOTAL
vinicius De moRAes
Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
(moRAes, vinicius De. in: AntoloGiA poéticA. são 
pAulo: ciA DAs letRAs, 1992, p. 232.) 
1. (g1 - CP2 2014) EMBORA SÓ HAJA A fAlA dO EU líRICO, OCORRE 
UMA INTERlOCUçÃO COM O SER AMAdO NO TEXTO. RETIRE dO POEMA UM 
EXEMPlO QUE EXPlICITE ESSA INTERlOCUçÃO. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O exílio, uma experiência da modernidade
A história da humanidade poderia escrever-se a partir das es-
tórias do exílio porque desde o início o homem tem vivido em 
permanente opressão e fuga: fuga de si mesmo e dos outros. 
Também tem realizado grandes ações, grandes construções: con-
quista de terras remotas,fundação de cidades, guia de grandes 
migrações, descobrimento de continentes, exploração de mares, 
governo de povos. Todas essas obras “magníficas” em sua gran-
de maioria foram feitas graças ao labor dos refugiados, asilados, 
prisioneiros de guerra, escravos, todos vítimas da opressão e 
expulsão. O pensamento estético, acadêmico e científico da mo-
derna cultura ocidental, também tem-se alimentado de fontes 
estrangeiras, pense-se em tantos pensadores e cientistas degre-
dados e suas valiosas contribuições ao pensamento moderno: 
Marcuse, Beckett, Nabokov, James Joyce, Adorno, Hannah Aren-
dt, Walter Benjamin, Pound, Einstein, entre outros. Desse ponto 
de vista, a expulsão e o exílio acabaram sendo condições prévias 
para o desenvolvimento social e humano. O internacionalismo 
intelectual e cultural, de grandes convulsões sociais, em que as 
ideias passavam de uma cultura para outra, gerou uma arte es-
sencialmente cosmopolita que se alimentou das tradicionais via-
gens literárias e expatriações de muitos escritores e artistas, ou 
foi causada pelas grandes convulsões históricas que forçaram ao 
exílio muitos escritores, ocasionando que uma parte tão grande 
da arte moderna tenha sido produzida por escritores “sem lar”, 
afastados de sua cultura nacional, sua tradição, seu idioma na-
tivo. Daí que a palavra “moderno” tenha tantas conotações de 
desarraigamento, desorientação, ironia, alienação, fratura, senti-
mentos e emoções que fazem com que a arte moderna provoque 
em nós uma perturbação tão profunda quanto a admiração que 
nos inspira. Porém, na escala do século XX, o exílio não é com-
preensível nem do ponto de vista estético, nem do ponto vista 
humanista. O exílio é – segundo Edward Said (2003) – irreme-
diavelmente secular e insuportavelmente histórico, é produzido 
por seres humanos para outros seres humanos, é uma condição 
58
criada para negar a dignidade e a identidade das pessoas. Nesse 
sentido o exílio não pode ser posto a serviço do humanismo.
A marca do trauma do exílio fica refletida na perda da identidade, 
na dor, na fratura e no estranhamento. Por isso, Czeslaw Milosz 
(1993) afirma que o exílio é a situação existencial do homem mo-
derno. Na modernidade, o homem ainda não superou a desdita 
de permanecer em permanente desterro. As conquistas de qual-
quer desterrado são constantemente carcomidas pelo sentimen-
to de estranhamento, de perda. Na realidade, todo exilado é um 
náufrago que luta por sobreviver num território estranho onde o 
desespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes. Existem 
muitas estórias e histórias que apresentam o exílio como uma con-
dição heroica, gloriosa ou romântica, e esquecem, porém, a dor 
da orfandade oculta em seu interior. No âmago de sua solidão, o 
exilado sente, no silêncio de seu ser, o verdadeiro destino da exis-
tência humana. A literatura sobre o exílio objetiva uma angústia e 
uma condição que a maioria das pessoas raramente experimenta 
em primeira mão; “mas pensar que o exílio é benéfico para essa 
literatura é banalizar suas mutilações, as perdas que inflige aos 
que as sofrem [...]. Para autores como James Joyce, Ezra Pound, 
Samuel Beckett ou Paul Bowles, o exílio sugere valores mais sedu-
tores, vinculados a estados da consciência, capazes de confirmar 
qualidades do indivíduo cuja pureza só seria possível a partir de 
uma conquista solitária de um espaço próprio. Nietzsche, Joseph 
Conrad, T.S. Eliot, Nabokov, ou Theodor W. Adorno, porém, perten-
cem a outra tradição de autores que vê o exílio como absoluta 
orfandade, fratura, trauma, solidão e silêncio. Nessa condição não 
existe nada glorioso, nem romântico: o exílio é nossa maldição, 
nossa vocação existencial e nossa natureza; é a representação de 
uma lei fundamental – a da impossibilidade de comunicação entre 
quem quer que seja.
montAÑés, AmAnDA péRez. vozes Do exílio e suAs mAnifestAções 
nAs nARRAtivAs De Julio coRtázAR e mARtA tRAbA. tese De DoutoRADo. 
floRiAnópolis: univeRsiDADe feDeRAl De sAntA cAtARinA, 2006. p. 15-16. 
2. (PUC)
a) Sem reproduzir passagens do texto, explique por 
que, segundo Amanda Montañés, a palavra “moder-
no” assume as conotações elencadas no texto.
b) Observe: 
I. “Na realidade, todo exilado é um náufrago que luta 
por sobreviver num território estranho onde o deses-
pero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes.”
II. Na realidade, todo exilado tem sido um náufrago que 
luta por sobreviver num território estranho onde o de-
sespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes.
III. Na realidade, todo exilado seria um náufrago que 
luta por sobreviver num território estranho onde o de-
sespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes. 
COMENTE A dIfERENçA dE SENTIdO QUE SE ESTABElECE ENTRE AS fRASES 
ACIMA EM dECORRêNCIA dO TEMPO vERBAl EMPREgAdO. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
MÃE
Mãe – que adormente este viver dorido.
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas até o fio
Do meu pobre existir, meio partido...
Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...
Eu dava o meu orgulho de homem – dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,
Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!
(AnteRo De quentAl. AntoloGiA, 1991) 
3. (FGV) COM BASE NO POEMA,
a) explique o que representa a mãe para o eu lírico, 
tendo em vista o que ele vive e o que desejaria viver. 
Justifique sua resposta com informações do texto;
b) reescreva os versos “Eu dava o meu orgulho de ho-
mem – dava / Minha estéril ciência, sem receio, / E em 
débil criancinha me tornava,”, substituindo os verbos 
“dar” e “tornar”, respectivamente, por “abster-se” e 
“converter-se”, conjugados em outro tempo verbal, 
adequado ao contexto.
4. (PUC) CIdAdE SEM CARROS é POSSívEl, gARANTE 
URBANISTA
Metrópole projetada para até 3 milhões de pessoas seria movida 
por transporte público
Imagine a vida em uma metrópole livre do barulho, da poluição 
e de todas as dificuldades de se mover por ruas dominadas por 
carros, ônibus e caminhões. Todas as necessidades básicas, de 
supermercados a farmácias, estariam a cinco minutos a pé da 
porta de sua casa. A viagem para o trabalho seria feita em um 
serviço de transporte público barato, rápido, seguro e confortável 
e duraria no máximo 35 minutos. Essa é parte da visão de futuro 
descrita pelo sociólogo e urbanista holandês J.H. Crawford em 
seu site “Carfree cities” (‘cidades livres de carros’ em inglês).
A proposta de Crawford é simples, porém ousada: banir o uso 
de automóveis em áreas urbanas e (re)construir cidades em 
função disso. “As nações industrializadas cometeram um terrí-
vel erro ao adotar o carro como principal meio de locomoção 
nos meios urbanos”, disse Crawford à “Ciência Hoje On-line”. 
“O automóvel trouxe para as cidades sérios problemas am-
bientais, sociais e estéticos.”
Crawford projetou uma cidade modelo sem carros, constituída 
por 100 bairros circulares, com ruas estreitas que se dirigem para 
a via central de transporte.
Os bairros da cidade sem carros são dispostos na forma de um 
trevo de 6 folhas. Os bairros mais distantes do centro, não residen-
ciais, são reservados para indústrias pesadas e estacionamentos.
59
Com base no contorno da cidade, o transporte principal seria o 
metrô, que teria apenas três linhas, cada uma com início em três 
das seis “folhas”, passagem pelo centro e final nas outras três. O 
metrô funcionaria 24 horas por dia, com intervalos de somente 
quatro minutos entre os trens. Dois pontos da cidade estariam 
assim separados por no máximo 35 minutos. Entre os bairros, as 
viagens de curta distância poderiam ser feitas a pé (durariam não 
mais que 10 minutos) ou de bicicleta (cinco minutos). No caso de 
emergências médicas, policiais e de incêndio, o uso de veículos 
poderia ser cogitado. 
O comércio e indústrias leves poderiam ser fixados em áreas re-sidenciais, como nas cidades convencionais, e as ruas deveriam 
estar sempre guardadas pela polícia. “Isso ajudaria a reduzir 
a ocorrência de crimes, pois quase todas as regiões da cidade 
estariam ocupadas durante todo o dia”, afirma Crawford. Pe-
quenas praças na interseção da maioria das ruas, somadas a 
um ideal de 80% de áreas verdes em toda a cidade, criariam 
um clima de boa vizinhança. “Como as pessoas teriam mais 
contato umas com as outras, elas conversariam mais e deixa-
riam o individualismo de lado”, diz o urbanista. 
texto ADAptADo De ciênciA hoJe on-line, 4/05/2004.
a) Com base na leitura do texto, continue o período a 
seguir enumerando mais DUAS vantagens do projeto 
urbanístico de J. H. Crawford. Utilize a mesma estru-
tura sintática do item já enumerado.
O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, 
entre outras, as seguintes vantagens: facilitaria 
o deslocamento dos cidadãos entre os bairros...
b) Considerando o teor do texto, justifique o predo-
mínio do emprego de verbos no futuro do pretérito 
do indicativo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
BEM NO FUNDO
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela – silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas
leminsKi, pAulo. DistRAíDos venceRemos. 
3ª eD. são pAulo: bRAsiliense, 1990.
O poema de Paulo Leminski estrutura-se em três momentos de 
significação, que podem ser assim caracterizados: hipótese (1ª 
estrofe); decreto (2ª e 3ª estrofes); conclusão reflexiva (4ª estrofe). 
5. (UfRJ) NOMEIE O RECURSO fORMAl QUE EXPRESSA A HIPÓTESE NO 
PRIMEIRO MOMENTO dO TEXTO.
E.O. UErJ 
ExAmE dE QUAliFiCAçãO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O FUTURO ERA LINDO
A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria comparti-
lhado, bem como a música, o cinema, a literatura e a ciência. O 
custo seria zero. O espaço seria infinito. A velocidade, estontean-
te. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. 
A criatividade, o único poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre 
os males do capitalismo. O sistema de representação se tornaria 
obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades iguais 
em qualquer lugar do planeta. Todos seriam empreendedores 
e inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. Censura, 
nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. As distâncias se 
tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, 
qualquer sonho, poderia se tornar realidade.
Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo 
que a internet inaugurou. Por anos esquecemos que a internet 
foi uma invenção militar, criada para manter o poder de quem já 
o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em 
produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo 
que a fabricação de computadores e celulares, com a obsoles-
cência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quanti-
dades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e 
de água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado 
em que resultam, incluindo lixo tóxico.
Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão con-
centrados em megaoperações norte-americanas como o Google, 
que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades em 
tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados Uni-
dos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, 
se consolidariam como os maiores espiões do mundo, humilhan-
do potências como a Alemanha e também o Brasil, impondo os 
métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, 
e guiando ao arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez 
em matemática mas ignorantes completos em matéria de ética, 
política e em boas maneiras.
Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de 
perfis falsos, as enxurradas de vírus, os arrastões de números de 
cartão de crédito, a empulhação dos resultados numéricos fal-
seados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em 
países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo ele-
trônico, inclusive de Estado.
mARion stRecKeR ADAptADo De folhA De são pAulo, 29/07/2014. 
1. (UERJ) O PRIMEIRO PARágRAfO EXPõE PROJEçõES PASSAdAS SOBRE 
POSSIBIlIdAdES dE UM fUTURO REgIdO PElA INTERNET.
O RECURSO lINgUíSTICO QUE PERMITE IdENTIfICAR QUE SE TRATA dE PRO-
JEçÃO E NÃO dE fATOS dO PASSAdO é O USO dA: 
a) forma verbal
b) pontuação informal
60
c) adjetivação positiva
d) estrutura coordenativa
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
CANÇÃO DO VER
Fomos rever o poste.
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com
as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.
mAnoel De bARRos. poesiA completA. são pAulo: leyA, 2010.
1arrulos − canto ou gemido de rolas e pombas 
2. (UERJ) A MEMÓRIA EXPRESSA PElO ENUNCIAdOR dO TEXTO NÃO PER-
TENCE SOMENTE A ElE.
Na construção do poema, essa ideia é reforçada pelo emprego de: 
a) tempo passado e presente
b) linguagem visual e musical
c) descrição objetiva e subjetiva
d) primeira pessoa do singular e do plural
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A INVASÃO DOS BLABLABLÁS
O planeta é dividido entre as pessoas que falam no cine-
ma − e as que não falam. É uma divisão recente. Por dé-
cadas, os falantes foram minoria. E uma minoria reprimida. 
Quando alguém abria a boca na sala escura, recebia logo 
um shhhhhhhhhhhhh. E voltava ao estado silencioso de onde 
nunca deveria ter saído. Todo pai ou mãe que honrava seu 
lugar de educador ensinava a seus filhos que o cinema era um 
lugar de reverência. Sentados na poltrona, as luzes se apaga-
vam, uma música solene saía das caixas de som, as cortinas 
se abriam e um novo mundo começava. Sem sair do lugar, 
vivíamos outras vidas, viajávamos por lugares desconhecidos, 
chorávamos, ríamos, nos apaixonávamos. Sentados ao lado 
de desconhecidos, passávamos por todos os estados de alma 
de uma vida inteira sem trocar uma palavra. Comungávamos 
em silêncio do mesmo encantamento. (...)
Percebi na sexta-feira que não ia ao cinema havia três meses. 
Não por falta de tempo, porque trabalhar muito não é uma no-
vidade para mim. Mas porque fui expulsa do cinema. Devagar, 
aos poucos, mas expulsa. Pertenço, desde sempre, às fileiras 
dos silenciosos. Anos atrás, nem imaginava que pudesse haver 
outro comportamento além do silêncio absoluto no cinema. As-
sim como não imagino alguém cochichando em qualquer lugar 
onde entramos com o compromisso de escutar.
Não é uma questão de estilo, de gosto. Pertence ao campo do 
respeito, da ética. Cinema é a experiência da escuta de uma vida 
outra, que fala à nossa, mas nós não falamos uns com os outros. 
1No cinema, só quem fala são os atores do filme. Nós calamos 
para que eles possam falar. Nossa vida cala para que outra fale.
2Isso era cinema. Agora mudou. É estarrecedor, mas os blablablás 
venceram. Tomaram conta das salas de cinema. E, sem nenhuma 
repressão, vão expulsando a todos que entram no cinema para 
assistir ao filme sem importunar ninguém.
(...)
eliAne bRum, in: RevistA épocA, 10/08/2009. 
3. (UERJ) ISSO ERA CINEMA. (REf. 2)
O verbo assume, nesta frase, o sentido específico de indicar um 
estado de coisas que durava.
No entanto, ele assume o sentido específico de indicar uma mu-
dança sem retorno na seguinte reescritura:a) Isso foi o cinema.
b) Isso será o cinema.
c) Isso tem sido o cinema.
d) Isso teria sido o cinema.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
FUNÇÃO
1. Me deixaram sozinho no meio do circo
2. Ou era apenas um pátio uma janela uma rua uma esquina
3. Pequenino mundo sem rumo
4. Até que descobri que todos os meus gestos
5. Pendiam cada um das estrelas por longos fios invisíveis
6. E havia súbitas e lindas aparições como aquela das longas 
tranças
7. E todas imitavam tão bem a vida
8. Que por um momento se chegava a esquecer a sua cruel ino-
cência de bonecas
9. E eu dizia depois coisas tão lindas
10. E tristes
11. Que não sabia como tinham ido parar na minha boca
12. E o mais triste não era que aquilo fosse apenas um jogo 
cambiante de reflexos
13. Porque afinal um belo pião dançante
14. Ou zunindo imóvel
15. Vive uma vida mais intensa do que a mão ignorada que o 
arremessou
16. E eu danço tu danças nós dançamos
17. Sempre dentro de um círculo implacável de luz
18. Sem saber quem nos olha atenta ou distraidamente do escuro...
(quintAnA, máRio. AntoloGiA poéticA. Rio 
De JAneiRo: eDitoRA Do AutoR, 1966.)
4. (UERJ) dO INíCIO AO vERSO 12, O POEMA APRESENTA EXClUSIvA-
MENTE fORMAS vERBAIS NO TEMPO PASSAdO. NO vERSO 15, PORéM, O 
POETA INTROdUz O TEMPO PRESENTE.
61
O vAlOR ESTIlíSTICO dESTA MOdIfICAçÃO dO TEMPO dO vERBO é: 
a) retratar o movimento rotativo do pião
b) fazer uma reflexão de validade permanente
c) produzir um contraste irônico entre o circo e a vida
d) registrar um fato ocorrido no momento da narração
5. (UERJ) “OS AlIAdOS NÃO QUEREM ROMPER O NAMORO COM 
fHC - QUEREM é NAMORAR MAIS.”
RevistA veJA, 18/08/1999.
A comparação entre as palavras EM DESTAQUE acima demons-
tra que o significado geral de “expressar ação” não é suficien-
te para identificar o verbo como classe gramatical, já que o 
NAMORO consta do dicionário como “ato de namorar”.
Para diferenciar o verbo do substantivo, por exemplo, seria neces-
sário considerar, além do sentido de ação, a seguinte característi-
cas que só os verbos possuem: 
a) terminação em “r”
b) flexão de tempo, modo e pessoa
c) presença indispensável à frase
d) anteposição de um substantivo
E.O. UErJ 
ExAmE disCUrsivO
1. (UERJ) vERSOS ESCRITOS N'ágUA
Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.
Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...
Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.
(bAnDeiRA, mAnuel. "poesiA completA e pRosA". 
Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 1993.)
a) No poema, as etapas do processo de composição 
do texto são marcadas pelos tempos verbais – passa-
do, presente e futuro.
Identifique essas etapas, relacionando-as aos tempos 
verbais empregados.
b) O eu poético sugere que o ato de composição do 
texto há de envolver, também, a participação do leitor.
Aponte dois recursos de construção da linguagem 
que expressem essa sugestão do eu poético. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
DIÁLOGO DA RELATIVA GRANDEZA
Sentado no monte de lenha, as pernas abertas, os cotovelos 
nos joelhos, Doril examinava um louva-deus pousado nas 
costas da mão. Ele queria que o bichinho voasse, ou pu-
lasse, mas o bichinho estava muito à vontade, vai ver que 
dormindo – ou pensando? Doril tocava-o com a unha do 
dedo menor e ele nem nada, não dava confiança, parece 
que nem sentia; se Doril não visse o leve pulsar de 1fole do 
pescoço – e só olhando bem é que se via – 1ERA CAPAZ 
DE DIZER QUE O POBREZINHO ESTAVA morto, ou então 
que era um grilo de brinquedo, desses que as moças pregam 
no vestido para enfeitar.
Entretido com o louva-deus, Doril não viu Diana chegar comendo 
um marmelo, fruta azeda enjoada que só serve para ranger os 
dentes. Ela parou perto do monte de lenha e ficou descascando 
o marmelo com os dentes mas sem jogar a casca fora, não queria 
perder nada. Quando ela já tinha comido um bom pedaço da 
parte de cima e nada de Doril ligar, ela cuspiu fora um pedaço de 
miolo com semente e falou:
– Está direitinho um macaco em galho de pau.
Doril olhou só com os olhos e revidou:
– Macaco é quem fala. Está até comendo banana.
– Marmelo é banana, besta?
– Não é mas serve.
Ficaram calados, cada um pensando por seu lado. Diana cuspiu 
mais um caroço.
– Sabe aquele livro de história que o Mirto ganhou?
– Que Mirto, seu. É Milllton. Mania!
– Mas sabe? Eu vou ganhar um igual. Tia Jura vai mindar.
– Não é mindar. É me-dar. Mas não é vantagem.
– Não é vantagem? É muita vantagem.
– Você já não leu o de Milton?
– Li mas quero ter. Pra guardar e ler de novo.
– Vantagem é ganhar outro. Diferente.
– Deferente eu não quero. Pode não ser bom.
– Como foi que você disse? Diz de novo?
– Já disse uma vez, chega.
– Você disse deferente.
– Foi não.
– Foi. Eu ouvi.
– Foi não.
– Foi.
– Foi não.
– Fooooi.
2CONTINUARIAM ATÉ UM SE CANSAR E TAPAR O OUVI-
DO para ficar com a última palavra, se Diana não tivesse tido 
a habilidade de se retirar logo que percebeu a 2dízima. Com o 
pedacinho final do marmelo entre os dedos ela chegou-se mais 
perto do irmão e disse:
– Gi! Matando louva-deus! Olhe o castigo!
– Eu estou matando, estou?
– Está 3judiando. Ele morre.
– Eu estou judiando?
– Amolar um bicho tão pequenininho é o mesmo que judiar.
62
Doril não disse mais nada, 3QUALQUER COISA QUE ELE DIS-
SESSE ela aproveitaria para outra acusação.
Era difícil tapar a boca de Diana, ô menina 4renitente. 5Ele preferiu 
continuar olhando o louva-deus. Soprou-o de leve, ele encolheu-
-se e vergou o corpo para o lado do sopro, como faz uma pessoa 
na ventania. O louva-deus estava no meio de uma tempestade de 
vento, dessas que derrubam árvores e arrancam telhados e podem 
até levantar uma pessoa do chão. Doril era a força que manda-
va a tempestade e que podia pará-la quando quisesse. Então ele 
era Deus? 4SERÁ QUE AS NOSSAS TEMPESTADES TAMBÉM 
SÃO BRINCADEIRA? Será que quem manda elas olha para nós 
como Doril estava olhando para o louva-deus? Será que somos 
pequenos para ele como um gafanhoto é pequeno para nós, ou 
menores ainda? De que tamanho, comparando – do de formiga? 
De piolho de galinha? Qual será o nosso tamanho mesmo, verda-
deiro?
José J. veiGA. A máquinA extRAviADA. Rio De 
JAneiRo: eDitoRA pRelo, 1968.
1fole − papo
2dízima − refere-se à dízima periódica, algo sem fim
3judiar − maltratar
4renitente − teimosa 
2. (UERJ)
1. era capaz de dizer que o pobrezinho estava morto,
2. Continuariam até um se cansar e tapar o ouvido para ficar com 
a última palavra,
3. qualquer coisa que ele dissesse
4. Será que as nossas tempestades também são brincadeira?
NESTAS QUATRO PASSAgENS, RETRATAM-SE SITUAçõES HIPOTéTICAS, APE-
NAS IMAgINAdAS PElO NARRAdOR OU PElOS PERSONAgENS. CARACTERIzE 
A fORMA lINgUíSTICA USAdA EM CAdA UMA PARA EXPRIMIR SUPOSIçÃO 
EM lUgAR dE CERTEzA. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
INOCÊNCIA
Depois das explicações dadas ao seu hóspede, sentiu-se o minei-
ro mais despreocupado.
— Então, disse ele, se quiser, vamos já ver a nossa doentinha.
— Com muito gosto, concordou Cirino.
E, saindo da sala, acompanhou Pereira, que o fez passar por duas 
cercas e rodear a casa toda, antes de tomar a porta do fundo, 
fronteira a magnífico laranjal, naquela ocasião todo pontuado 
das brancas e olorosas flores.
1— Neste lugar, disse o mineiro apontando para o pomar, todos 
os dias se juntam tamanhos bandos de graúnas, que é um baru-
lho dos meus pecados. Nocência gosta muito disso e vem sempre 
coser debaixo do arvoredo. É uma menina esquisita...
Parando no limiar da porta, continuou com expansão:
2— Nem o Sr. imagina... Às vezes, aquela criança tem lembranças 
e perguntas que me fazem embatucar... Aqui, havia um livro de 
horas da minha defunta avó... Pois não é que 3um belo dia ela me 
pediu que lhe ENSINASSE a ler? ... Que ideia! Ainda há pouco 
tempo me disse que quisera ter nascido princesa... Eu lhe retru-
quei: E sabe você o que é ser princesa?Sei, me secundou ela 
com toda a clareza, é uma moça muito boa, muito bonita, que 
tem uma coroa de diamantes na cabeça, muitos lavrados no 
pescoço e que manda nos homens... Fiquei meio tonto. 4E se o 
Sr. VISSE os modos que tem com os bichinhos?! ... Parece que 
está falando com eles e que os entende... (...) Quando Cirino 
penetrou no quarto da filha do mineiro, era quase noite, de ma-
neira que, no primeiro olhar que atirou ao redor de si, só pôde 
lobrigar, além de diversos trastes de formas antiquadas, uma 
dessas camas, muito em uso no interior; altas e largas, feitas de 
tiras de couro engradadas. (...)
Mandara Pereira acender uma vela de sebo. Vinda a luz, aproxi-
maram-se ambos do leito da enferma que, achegando ao corpo 
e puxando para debaixo do queixo uma coberta de algodão de 
Minas, se encolheu toda, e voltou-se para os que entravam.
— Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez.
— Boas noites, dona, saudou Cirino.
Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no 
seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e 
tomava o pulso à doente.
Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte 
do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por 
trás da nuca.
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência 
de beleza deslumbrante.
Do seu rosto, irradiava singela expressão de encantadora inge-
nuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, 
parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, 
e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o 
queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um 
nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fas-
cinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.
Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a 
mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de 
tão gentil cliente.
visconDe De tAunAy. inocênciA. são pAulo: áticA, 2011.
graúna – pássaro de plumagem negra, canto melodioso e hábi-
tos eminentemente sociais
livro de horas – livro de preces
secundou – respondeu
lavrados – na província de Mato Grosso, colares de contas de 
ouro e adornos de ouro e prata
lobrigar – enxergar
escabelo – assento
facultativo – médico 
3. (UERJ) 
UM BElO dIA ElA ME PEdIU QUE lHE ENSINASSE A lER?... (REf. 3)
E SE O SR. VISSE OS MOdOS QUE TEM COM OS BICHINHOS?! ... (REf. 4)
63
As formas verbais sublinhadas estão empregadas nos mesmos 
tempo e modo gramaticais, mas diferem pelo efeito de sentido 
que produzem.
Identifique o tempo e modo gramaticais comuns a essas for-
mas e aponte aquela em que não há expressão de tempo, e 
sim de uma hipótese.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Tempo: cada vez mais acelerado
Pressa. Ansiedade. E a sensação de que nunca é possível fazer 
tudo — além da certeza de que sua vida está passando rá-
pido demais. Essas são as principais consequências de viver-
mos num mundo em que para tudo vale a regra do “quanto 
mais rápido, melhor”. “Para nós, ocidentais, o tempo é linear 
e nunca volta. Por isso queremos ter a sensação de que es-
tamos tirando o máximo dele. E a única solução que encon-
tramos é acelerá-lo”, afirma Carl Honoré. “É um equívoco. A 
resposta a esse dilema é qualidade, não quantidade.”
Para James Gleick, Carl está lutando uma batalha invencível. “A 
aceleração é uma escolha que fizemos. Somos como crianças 
descendo uma ladeira de skate. Gostamos da brincadeira, quere-
mos mais velocidade”, diz. O problema é que nem tudo ao nosso 
redor consegue atender à demanda. Os carros podem estar mais 
rápidos, mas as viagens demoram cada vez mais por culpa dos 
congestionamentos. Semáforos vermelhos continuam testando 
nossa paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão. 1Mais 
sorte têm os pedestres, que podem apertar o botão que aciona o 
sinal verde — uma ótima opção para despejar a ansiedade, mas 
com efeito muitas vezes nulo. Em Nova York, esses sistemas es-
tão desligados desde a década de 1980. Mesmo assim, milhares 
de pessoas o utilizam diariamente.
É um exemplo do que especialistas chamam de “botões de ace-
leração”. Na teoria, deixam as coisas mais rápidas. Na prática, 
servem para ser apertados e só. Confesse: que raios fazemos com 
os dois segundos, no máximo, que economizamos ao acionar 
aquelas teclas que fecham a porta do elevador? E quem disse 
que apertá-las, duas, quatro, dez vezes, vai melhorar a eficiência?
Elevadores, aliás, são ícones da pressa em tempos velozes. Os 
primeiros modelos se moviam a vinte centímetros por segundo. 
Hoje, o mais veloz sobe doze metros por segundo. E, mesmo 
acelerando, estão entre os maiores focos de impaciência. Enge-
nheiros são obrigados a desenvolver sistemas para conter nossa 
irritação, como luzes ou alarmes cuja única função é aplacar a 
ansiedade da espera. Até onde isso vai?
séRGio GweRcmAn. RevistA supeRinteRessAnte. são pAulo: AbRil.
4. (UERJ) O AUTOR dO TEXTO ABORdA UMA SITUAçÃO QUE dIz RESPEITO 
A TOdA A SOCIEdAdE, ENvOlvENdO TANTO ElE COMO O lEITOR.
NOMEIE A MARCA lINgUíSTICA EMPREgAdA PARA INdICAR A INClUSÃO dO 
AUTOR E dOS SEUS lEITORES NA SITUAçÃO. EM SEgUIdA, TRANSCREvA UM 
TRECHO QUE EXEMPlIfIQUE SUA RESPOSTA.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A CIDADE
Destinava-se a uma cidade maior, mas o trem permaneceu inde-
finidamente na antepenúltima estação. 
Cariba acreditou que a demora poderia ser atribuída a algum 
1comboio de carga descarrilado na linha, acidente comum na-
quele trecho da ferrovia. Como se fizesse excessivo o atraso e 
ninguém o procurasse para lhe explicar o que estava ocorrendo, 
pensou numa provável desconsideração à sua pessoa, em virtu-
de de ser o único passageiro do trem. 
Chamou o funcionário que examinara as passagens e quis saber 
se constituía motivo para tanta negligência o fato de ir vazia a 
composição.
Não recebeu uma resposta direta do empregado da estrada, que 
se limitou a apontar o morro, onde se dispunham, sem simetria, 
dezenas de casinhas brancas.
– Belas mulheres? – indagou o viajante. 
– Casas vazias.
Percebeu logo que tinha pela frente um cretino. 2Apanhou as 
malas e se dispôs a subir as íngremes ladeiras que o conduziriam 
ao povoado.
(...)
Durante todo o percurso, desde as vias secundárias à avenida 
principal, os moradores do lugar observaram Cariba com des-
confiança. Talvez estranhassem as 3valises de couro de camelo 
que carregava ou o seu paletó xadrez, as calças de veludo azul. 
Mesmo sendo o seu traje usual nas constantes viagens que fa-
zia, achou prudente desfazer qualquer mal-entendido provocado 
pela sua presença entre eles:
– Que cidade é esta? – perguntou, esforçando-se para dar às 
palavras o máximo de cordialidade.
Nem chegou a indagar pelas mulheres, conforme pretendia. 
Pegaram-no com violência pelos braços e o foram levando, aos 
trancos, para a delegacia de polícia:
– É o homem procurado – disseram ao delegado, um sargento 
4espadaúdo e rude.
(...)
O sargento chegara a uma conclusão, entretanto divagava:
– O telegrama da Chefia de Polícia não esclarece nada sobre 
a nacionalidade do delinquente, sua aparência, idade e quais 
os crimes que cometeu. Diz tratar-se de elemento altamente 
perigoso, identificável pelo mau hábito de fazer perguntas e 
que estaria hoje neste lugar. 
(...)
5Cinco meses após a sua detenção, ele não mais espera sair da 
cadeia. Das suas grades, observa os homens que passam na rua. 
Mal o encaram, amedrontados, apressam o passo. 
Pressente, às vezes, que irão perguntar qualquer coisa aos compa-
nheiros e fica à espreita, ansioso que isso aconteça. Logo se desen-
gana. Abrem a boca, arrependem-se, e se afastam rapidamente.
Caminha, dentro da noite, de um lado para outro. E, ao avistar 
o guarda, cumprindo sua ronda noturna, a examinar se as celas 
estão em ordem, corre para as grades internas, impelido por uma 
débil esperança: 
– Alguém fez hoje algumapergunta?
64
– 6Não. Ainda é você a única pessoa que faz perguntas nesta 
cidade.
muRilo Rubião. obRA completA. são pAulo: 
compAnhiA DAs letRAs, 2010.
1comboio – trem
3valise – mala de mão
4espadaúdo – de ombros largos
5. (UERJ) CINCO MESES APÓS A SUA dETENçÃO, ElE NÃO MAIS ESPE-
RA SAIR dA CAdEIA. dAS SUAS gRAdES, OBSERVA OS HOMENS QUE 
PASSAM NA RUA. MAl O ENCARAM, AMEdRONTAdOS, APRES-
SAM O PASSO. (REf. 5)
A PARTIR dO PARágRAfO ACIMA, A NARRAçÃO PASSA A SER fEITA NO TEMPO 
E MOdO vERBAl dAS fORMAS dESTACAdAS.
IdENTIfIQUE ESSE TEMPO E MOdO vERBAl E EXPlIQUE O EfEITO QUE SEU EM-
PREgO PROdUz, CONSIdERANdO A SITUAçÃO EM QUE CARIBA SE ENCONTRA.
E.O. ObJEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
PARA RESPONdER à(S) QUESTÃO(õES), lEIA O POEMA dE CATUlO dA PAI-
XÃO CEARENSE (1863-1946).
O AZULÃO E OS TICO-TICOS
Do começo ao fim do dia,
um belo Azulão cantava,
e o pomar que atento ouvia
o seus trilos de harmonia,
cada vez mais se enflorava.
Se um tico-tico e outras aves
vaiavam sua canção...
mais doce ainda se ouvia
a flauta desse Azulão.
Um papagaio, surpreso
de ver o grande desprezo,
do Azulão, que os desprezava,
um dia em que ele cantava
e um bando de tico-ticos
numa algazarra o vaiava,
lhe perguntou: 1“Azulão,
olha, dize-me a razão
por que, quando estás cantando
e recebes uma vaia
desses garotos joviais,
tu continuas gorgeando
e cada vez canta mais?!”
Numas volatas sonoras,
o Azulão lhe respondeu:
“Caro Amigo! Eu prezo muito
esta garganta sublime
e esta voz maravilhosa...
este dom que Deus me deu!
Quando, há pouco, eu descantava,
pensando não ser ouvido
nestes matos por ninguém,
2um Sabiá*, que me escutava,
num capoeirão, escondido,
gritou de lá: — meu colega,
bravos! Bravos... muito bem!
Pergunto agora a você:
quem foi um dia aplaudido
pelo príncipe dos cantos
de celestes harmonias,
(irmão de Gonçalves Dias,
um dos cantores mais ricos...)
— que caso pode fazer
das vaias dos tico-ticos?”
* notA Do eDitoR: simbolicAmente, Rui bARbosA está RepResentADo 
neste sAbiá, pois foi A “áGuiA De hAiA” um Dos mAioRes ADmiRADoRes 
De cAtulo e pRefAciADoR Do seu livRo poemAs bRAvios.
poemAs escolhiDos, s/D. 
1. (UNESP) NA fAlA dO PAPAgAIO, NA REfERêNCIA 1, UMA dAS fORMAS 
vERBAIS NÃO APRESENTA, COMO dEvERIA, flEXÃO CORRESPONdENTE à 
MESMA PESSOA gRAMATICAl dAS dEMAIS. TRATA-SE dE
a) continuas.
b) dize.
c) canta.
d) recebes.
e) estás.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A(S) QUESTÃO(õES) A SEgUIR fOCAlIzA(M) UMA PASSAgEM dO ROMANCE 
ágUA-MÃE, dE JOSé lINS dO REgO (1901-1957).
ÁGUA-MÃE
Jogava com toda a alma, não podia compreender como um 
jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola nos 
pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade 
espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele 
back, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para 
derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no 
chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos 
poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos 
campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada 
vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era reconhecido 
e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que 
ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o moto-
rista lhe dizia sempre:
— Joca, você aqui não paga.
Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham logo me-
ninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No clube ti-
nha amigos. Havia porém o antigo center-forward que se sentiu 
roubado com a sua chegada. Não tinha razão. Ele fora chama-
do. Não se oferecera. E o homem se enfureceu com Joca. Era 
um jogador de fama, que fora grande nos campos da Europa 
e por isso pouco ligava aos que não tinham o seu cartaz. A 
entrada de Joca, o sucesso rápido, a maravilha de agilidade e 
de oportunismo, que caracterizava o jogo do novato, irritava-o 
até ao ódio. No dia em que tivera que ceder a posição, a um 
65
menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as 
duas pernas. Viram-no chorando, e por isso concentrou em Joca 
toda a sua raiva. No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha 
sido a sua admiração, o seu herói.
1 Beque, ou seja, o zagueiro de hoje.
2 Centroavante.
AlencAR, José De. áGuA mãe. 1974.
2. (UNESP) NO PRIMEIRO PARágRAfO, PREdOMINAM vERBOS EMPREgA-
dOS NO 
a) pretérito perfeito do modo indicativo.
b) pretérito imperfeito do modo indicativo.
c) presente do modo indicativo.
d) presente do modo subjuntivo.
e) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
RECEITA DE MULHER
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de
[haute couture*
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
[como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas
[pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no
[terceiro minuto da aurora.
vinicius De moRAes.
*“haute couture”: alta costura. 
3. (fUvEST) TENdO EM vISTA O CONTEXTO, O MOdO vERBAl PREdOMI-
NANTE NO EXCERTO E A RAzÃO dESSE USO SÃO: 
a) indicativo; expressar verdades universais.
b) imperativo; traduzir ordens ou exortações.
c) subjuntivo; indicar vontade ou desejo.
d) indicativo; relacionar ações habituais.
e) subjuntivo; sugerir condições hipotéticas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
AS QUESTõES A SEgUIR TOMAM POR BASE UMA PASSAgEM dO ROMANCE 
REgIONAlISTA vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS (1892-1953).
CONTAS
Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça 
dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a 
semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da 
feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro 
ou assinar a orelha de um cabrito.
Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. 
Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumidos 
os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, 
cedia por preço baixo o produto das sortes.
Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os 
recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco. Tran-
sigindo com outro, não seria roubado tão descaradamente. 
Mas receava ser expulso da fazenda. E rendia-se. Aceitava 
o cobre e ouvia conselhos. Era bom pensar no futuro, criar 
juízo. Ficava de boca aberta, vermelho, o pescoço inchando. 
De repende estourava:
– Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver 
sem comer. Quem é do chão não se trepa.
Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de 
Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo 
endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora 
das contas davam-lhe uma ninharia.
Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, 
arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e 
foi consultar a mulher. Sinhá Vitória mandou os meninos para 
o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no 
chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminui-
ções. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar 
o negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de 
costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explica-
ção habitual: a diferença era proveniente de juros.
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim se-
nhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha 
miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se 
descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida in-
teira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! 
Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar 
carta de alforria!
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que, o vaquei-
ro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem.
Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia 
desculpa.Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, 
conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente 
rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia 
ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser ignorância da 
mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia 
ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia 
desculpa e jurava não cair noutra. 
(GRAciliAno RAmos. viDAs secAs. são pAulo: 
livRARiA mARtins eDitoRA, 1974.) 
4. (UNESP) NO fRAgMENTO APRESENTAdO, dE vIdAS SECAS, AS fOR-
MAS vERBAIS MAIS fREQUENTES SE ENQUAdRAM EM dOIS TEMPOS dO 
MOdO INdICATIvO.
MARQUE A AlTERNATIvA QUE INdICA, PElA ORdEM, O TEMPO vERBAl 
PREdOMINANTE NO SEgUNdO PARágRAfO E O QUE PREdOMINA NO 
QUINTO PARágRAfO. 
a) pretérito perfeito – pretérito imperfeito.
b) presente – pretérito imperfeito.
c) presente – pretérito perfeito.
66
d) futuro do pretérito – presente.
e) pretérito imperfeito – pretérito perfeito.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, al-
guém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico 
e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou se-
manas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera 
sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que 
passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques 
maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a 
quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo 
que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um 
dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe 
sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer da-
quela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram 
correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada 
canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que 
ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele 
nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como 
um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se 
recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando 
o cansaço o fazia parar.
A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas se-
caram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava.
Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele ho-
mem de colete cinzento que fumava um charuto.
JoRGe AmADo. cApitães DA AReiA. 
5. (UNIfESP) O zIgUE-zAgUE TEMPORAl lIgAdO à vIdA dE SEM-PER-
NAS, EMPREgAdO NO fRAgMENTO PARA A COMPOSIçÃO dA PERSONA-
gEM, é CONSTRUídO dE MANEIRA MUITO PRECISA, POR MEIO dA UTIlIzA-
çÃO AlTERNAdA dE dIvERSOS TEMPOS vERBAIS. INdIQUE A AlTERNATIvA 
EM QUE Há, RESPECTIvAMENTE, UM TEMPO vERBAl QUE EXPRESSA fATOS 
OCORRIdOS NUM TEMPO ANTERIOR A OUTROS fATOS dO PASSAdO E UM 
TEMPO vERBAl USAdO PARA MARCAR O CARáTER HIPOTéTICO dE CERTAS 
AçõES OU O dESEJO dE QUE SE REAlIzASSEM.
a) VIVERA na casa de um padeiro (...) – uma mão 
que o ACARINHASSE (...)
b) Em cada canto ESTAVA um com uma borracha 
comprida. – SOFREU fome.
c) Nunca TIVERA família. – A perna coxa se RECUSA-
VA a ajudá-lo.
d) A princípio CHOROU muito (...) – Mas de dentro dele 
nunca DESAPARECEU a dor daquela hora.
e) Ele quer um carinho (...) – Um dia LEVARAM-NO 
preso.
E.O. dissErtAtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
EXAMINE ESTE ANúNCIO dE UMA INSTITUIçÃO fINANCEIRA, CUJO NOME fOI 
SUBSTITUídO POR X, PARA RESPONdER àS QUESTõES A SEgUIR.
 
1. (fUvEST) COM BASE NA PARTE ESCRITA dO ANúNCIO, RESPONdA.
a) Qual é a relação temporal que se estabelece entre 
os verbos “conhecer”, “oferecer”, “proporcionar” e 
“alcançar”? Explique.
b) Complete a frase abaixo, flexionando de forma adequa-
da os verbos “oferecer”, “proporcionar” e “alcançar”.
Conhecer profundamente os negócios de nossos clien-
tes é só o primeiro passo que permite que __________ 
sempre respostas mais rápidas, __________ decisões 
mais assertivas e __________ melhores resultados. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
lEIA O POEMA dE MANUEl BANdEIRA (1886-1968) PARA RESPONdER 
à(S) QUESTÃO(õES) A SEgUIR.
POEMA SÓ PARA JAIME OVALLE1
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
– Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
bAnDeiRA, mAnuel. estRelA DA viDA inteiRA, 1993.
1Jaime Ovalle (1894-1955): compositor e instrumentista. Aproxi-
mou-se do meio intelectual carioca e se tornou amigo íntimo de 
Villa-Lobos, Di Cavalcanti, Sérgio Buarque de Hollanda e Manuel 
Bandeira. Sua música mais famosa é “Azulão”, em parceria com 
o poeta Manuel Bandeira. (Dicionário Cravo Albin da música po-
pular brasileira)
2. (UNESP) NO POEMA, BANdEIRA EXPlORA UMA ESPéCIE dE CON-
TRASTE ENTRE OS TEMPOS vERBAIS “PRETéRITO PERfEITO” E “PRETéRITO 
67
IMPERfEITO”. dOS PONTOS dE vISTA SINTáTICO E SEMâNTICO, QUE PA-
dRÃO POdE SER PERCEBIdO NO EMPREgO dESSES dOIS TEMPOS vERBAIS? 
3. (UNICAMP) ENCONTRA-SE, A SEgUIR, A TRANSCRIçÃO dE PARTE dE 
UMA TRANSMISSÃO dE JOgO dE fUTEBOl, TRECHO dE UMA CANçÃO E 
UMA MANCHETE dE NOTíCIA.
TEXTO I
Na marca de 36 minutos do primeiro tempo do jogo, pode abrir 
o marcador o time da Itapirense. A Esportiva precisa da vitória. 
Tomando posição o camisa 9 Juary. É a batida de penalidade 
máxima. Faz festa a torcida. Fica no centro do gol o goleiro 
Cléber. Partiu Juary com a bola para a esquerda, tocou, é gol. 
Gol da Esportiva! E o Mogi Mirim tem posse de bola agora, 
escanteio pela direita. 39 minutos, Juan na cobrança do es-
canteio para o Mogi Mirim, chutou, cruzou, cabeceia Anderson 
Conceição e é gol.
Foi aos 39 minutos do primeiro tempo, Juan pra cobrança do lado 
direito, subiu, desviou de cabeça o zagueiro Anderson Conceição, 
bola pro fundo da rede do goleiro Brás da Itapirense. Cutucou 
pro fundo da rede Anderson Conceição, camisa 4.
tRAnscRição ADAptADA De tRecho DA tRAnsmissão DA pARtiDA entRe 
moGi miRim espoRte clube e itApiRense em 04/10/2008.
TEXTO II
Cotidiano (Chico Buarque)
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã (...)
TEXTO III
Presidente visita amanhã a Estação Antártica
impRensA nAcionAl, em www.in.Gov.bR, 15/02/2008.
a) Nos três textos ocorrem verbos no tempo presente. En-
tretanto, seu uso descreve as ações de formas diferentes. 
Compare o uso do presente nos textos 1 e 2, e mostre a 
diferença. Faça o mesmo com os textos 2 e 3. Explique.
b) O encadeamento narrativo do texto 1 é construído 
pela alternância entre verbos no presente e no pas-
sado. Justifique a presença exclusiva do passado no 
último parágrafo, considerando que se trata de uma 
transmissão de jogo de futebol. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
OS SERTÕES
A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A pru-
mo sobre o Atlântico desdobra-se como a cortina de baluarte 
desmedido. De encontro às suas escarpas embatia, fragílima, a 
ânsia guerreira dos Cavendish e dos Fenton. No alto, volvendo o 
olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em se-
gurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do 
mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópole. Transposta 
a montanha – arqueada como a precinta de pedra de um conti-
nente – era um isolador étnico e um isolador histórico. Anulava o 
apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzia-o a 
estreita faixa de mangues e restingas, ante a qual se amorteciam 
todas as cobiças, e alteava, sobranceira às frotas, intangível no 
recesso das matas, a atração misteriosa das minas...
Ainda mais – o seu relevo especial torna-a um condensador de 
primeira ordem, no precipitar a evaporação oceânica.
Os rios que se derivam pelas suas vertentes nascem de algum 
modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. En-
tranham-se no interior, correndo em cheio para os sertões.Dão 
ao forasteiro a sugestão irresistível das entradas.
A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o 
pelo aspecto formosíssimo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, 
na correnteza dos rios.
Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, diretriz preponderante 
nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, 
no Amazonas, e em todos os cursos d’água da borda oriental, o 
acesso para o interior seguia ao arrepio das correntes, ou emba-
tia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, ele 
levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande e daí 
ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, em Goi-
ás, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso, 
no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resistência, que 
definem os lineamentos mais claros da expansão colonial, não se 
opunham, como ao norte, renteando o passo às bandeiras, a es-
terilidade da terra, a barreira intangível dos descampados brutos.
Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece 
as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dous pontos do 
país, sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XVII.
Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernambuco, 
reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se tra-
vavam recontros memoráveis em que, solidárias, enterreiravam o 
inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, absolu-
tamente alheio àquela agitação, revelava, na rebeldia aos decretos 
da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase 
um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de 
mestiços levantadiços, expandindo outras tendências, norteado por 
outros destinos, pisando, resoluto, em demanda de outros rumos, 
bulas e alvarás entibiadores. Volvia-se em luta aberta com a corte 
portuguesa, numa reação tenaz contra os jesuítas. Estes, olvidando 
o holandês e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz 
Taño a Roma, apontavam-no como inimigo mais sério.
De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe 
preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava o 
drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portugal veio 
alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congregando de novo 
os combatentes exaustos, os sulistas frisaram ainda mais esta sepa-
ração de destinos, aproveitando-se do mesmo fato para estadearem 
a autonomia franca, no reinado de um minuto de Amador Bueno.
Não temos contraste maior na nossa história. Está nele a sua fei-
ção verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbramos nas 
cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, onde imperava 
a Companhia de Jesus com o privilégio da conquista das almas, 
eufemismo casuístico disfarçando o monopólio do braço indígena.
(eucliDes DA cunhA. os seRtões. eDição cRíticA De wAlnice 
noGueiRA GAlvão. 2 eD. são pAulo: eDitoRA áticA, 2001, p. 81-82.)
4. (UNESP) O ESCRITOR SE SERvE, NO fRAgMENTO APRESENTAdO, dA 
AlTERNâNCIA dE dOIS TEMPOS vERBAIS, CONfORME QUEIRA dIfERENçAR 
68
ASPECTOS PROPRIAMENTE fíSICOS, dESCRITIvOS, dE ASPECTOS dE ORdEM 
NARRATIvA OU HISTÓRICA. RElEIA O PRIMEIRO PARágRAfO dO fRAgMENTO 
E IdENTIfIQUE OS dOIS TEMPOS vERBAIS QUE O ESCRITOR UTIlIzA COM ESSA 
fINAlIdAdE.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
A(s) questão(ões) tomam por base um trecho da conferência 
“Sobre algumas lendas do Brasil”, de Olavo Bilac (1865-1918), 
e um soneto do mesmo autor, utilizado por ele para ilustrar 
seus argumentos.
Sendo cada homem todo o universo, tem dentro de si todos 
os deuses, todas as potestades superiores e inferiores que diri-
gem o universo. (Tudo, se existe objetivamente, é porque existe 
subjetivamente; tudo existe em nós, porque tudo é criado e 
alimentado por nós). E esta consideração nos leva ao assunto e 
à explanação do meu tema. Existem em nós todas as entidades 
fantásticas, que, segundo a crença popular, enchem a nossa 
terra: são sentimentos humanos, que, saindo de cada um de 
nós, personalizam-se, e começam a viver na vida exterior, como 
mitos da comunhão. 
Tupã, demiurgo criador, e o seu Anhangá, demiurgo destruidor. 
É o eterno dualismo, governando todas as fases religiosas, toda 
a história mitológica da humanidade. Já entre os persas e os 
iranianos, na religião de Zoroastro, havia um deus de bondade, 
Ormuz, e um deus de maldade, Ahriman. A religião de Manés, 
na Babilônia, não criou a ideia do dualismo; acentuou-a, pre-
cisou-a; a base da religião dos maniqueus era a oposição e o 
contraste da luz e da treva: o mundo visível, segundo eles, era o 
resultado da mistura desses dois elementos eternamente inimi-
gos. Mas em todos os grandes povos, e em todas as pequenas 
tribos, sempre houve, em todos os tempos, a concepção desse 
conflito: e esse conflito perdura no catolicismo, fixado na con-
cepção de Deus e do Diabo. Os nossos índios sempre tiveram 
seu Tupã e o seu Anhangá... Ora, o selvagem das margens do 
Amazonas, do São Francisco e do Paraná compreende os dois 
demiurgos, porque os sente dentro de si mesmo. E nós, os ci-
vilizados do litoral, compreendemos e contemos em nós esses 
dois princípios antagônicos, Deus e o Diabo. Cada um de vós 
tem uma arena íntima em que a todo o instante combatem um 
gênio do bem e um gênio do mal:
Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano*,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora...
* Vesano: louco, demente, delirante, insensato.
(últimAs confeRênciAs e DiscuRsos, 1927.) 
5. (UNESP) E NÓS, OS CIvIlIzAdOS dO lITORAl, COMPREENdEMOS E 
CONTEMOS EM NÓS ESSES dOIS PRINCíPIOS [...].
QUAl A fORMA INfINITIvA dO vERBO dESTACAdO E EM QUE TEMPO E 
MOdO ESTá flEXIONAdO?
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. D 2. C 3. C 4. B 5. B
6. D 7. E 8. C 9. C 10. B
E.O. Fixação
1. E 2. C 3. E 4. E
5. C 6. D 7. C 8. E 9. A
E.O. Complementar
1. A 2. C 3. C 4. C 5. C
E.O. Dissertativo
1. Há vários tipos de exemplos de interlocução no poema. Um 
deles é o uso de vocativos para fazer um chamado ao interlo-
cutor, como “meu amor” no verso “amo-te tanto, meu amor...”.
Outro é o uso de pronomes na segunda pessoa do singular “tu”, 
tais como “te” no trecho “Amo-te tanto”, ou como “teu” no 
trecho “teu corpo”. Há ainda o uso de verbo no imperativo da 
segunda pessoa do singular, como em “não cante”.
2. a) Segundo Amanda Montañés, a palavra “moderno” pos-
sui os significados apresentados, pois se relaciona a grupos 
de artistas e intelectuais que, exilados, ampliam a reflexão 
sobre aspectos históricos e sociais. Consequentemente, são 
expostos sentimentos e opiniões norteados pelo conceito de 
não pertencimento, o que ganha força no contexto de inter-
câmbio cultural vivido.
b) Em [I], o verbo está conjugado no Presente do Indicativo e seu 
emprego relaciona-se a afirmações atemporais. Em [II], o verbo 
está conjugado no Pretérito Perfeito Composto do Indicativo, in-
dicando que a ação tem efeito regular e durativo, estendendo-se 
do passado ao presente. Finalmente, em [III], o verbo está conju-
gado no Futuro do Pretérito do Indicativo, indicando uma ação 
possível, uma hipótese.
3. a) A mãe representa proteção para o eu lírico, conforme ele 
expressa em “Que me leve consigo, adormecido, / Ao passar pelo 
sítio mais sombrio...”, assim como alívio: “Me banhe e lave a 
alma lá no rio / Da clara luz do seu olhar querido...”. 
Tal pedido decorre de um momento de dificuldades vivido pelo 
eu lírico, uma vez que o primeiro verso do poema, “Mãe – que 
adormente este viver dorido.” expõe tal situação de forma direta 
e pontual. Seu desejo, no entanto, seria outro viver, isento depreocupações próprias à vida adulta, uma vez que gostaria de 
69
se tornar uma “débil criancinha” (…) “Descuidada, feliz, dócil 
também / Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, / Se tu fosses, 
querida, a minha mãe!”
b) “Eu me absteria do meu orgulho de homem – abster-me-ia de mi-
nha estéril ciência, sem receio, e em débil criancinha me converteria”. 
4. a) O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, entre outras, 
as seguintes vantagens: facilitaria o deslocamentodos cidadãos 
entre os bairros, reduziria os níveis de poluição e tornaria mais 
seguro o ambiente urbano.
b) Uma das funções características do futuro do pretérito do in-
dicativo é a expressão de suposições e situações hipotéticas. É, 
portanto, natural e plenamente justificável que tal tempo verbal 
prevaleça no Texto 1, uma vez que se trata ali da apresentação 
de um projeto de cidade, de suposições sobre o que acontece-
ria na hipótese de tal projeto ser efetivamente realizado.
5. O recurso formal que expressa a hipótese é o futuro do preté-
rito (“gostaria”).
E.O. UERJ
Exame de Qualificação
1. A 2. D 3. A 4. B 5. B
E.O. UERJ
Exame Discursivo
1. a) Os verbos no passado (Ouviu/amou/atirou) mostram a eta-
pa que não desperta emoção; os verbos no presente (Vão /é /
lês/deixo) mostram a etapa do oferecimento de novos versos; 
os verbos no futuro (Porás/acharás) mostram a etapa em que o 
leitor se envolverá na própria construção do texto.
b) Emprego da segunda pessoa gramatical.
Emprego repetido de: "tu que me lês".
2. A expressão era capaz exprime dúvida. Enquanto o verbo no 
futuro do pretérito mais a preposição: continuariam até... expri-
mem uma suposição por parte do narrador. A expressão qualquer 
coisa mais verbo no presente do subjuntivo: que ele dissesse... 
exprimem uma situação de dúvida e de incerteza, juntamente 
com o verbo será no exemplo logo abaixo: Será que as nossas 
tempestades também são brincadeira?
Logo, pode-se concluir que os recursos utilizados pelo narra-
dor para indicar hipóteses estão indicados, sobretudo pelos 
tempos verbais.
3. Os termos verbais “ensinasse” e “visse” apresentam-se conju-
gados no pretérito imperfeito do subjuntivo, mas apenas o último 
expressa hipótese.
4. A marca linguística que indica a inclusão do autor e dos seus 
leitores na situação é o uso de termos verbais na primeira pes-
soa do plural e dos pronomes “nos” e “nosso(a)”: “Essas são 
as principais consequências de vivermos num mundo”; “ O 
problema é que nem tudo ao nosso redor consegue atender à 
demanda”; “Semáforos vermelhos continuam testando nossa 
paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão”; “que raios 
fazemos com os dois segundos, no máximo, que economizamos 
ao acionar aquelas teclas que fecham a porta do elevador?”; 
“ para conter nossa irritação”. Também o imperativo do termo 
verbal “Confesse” sugere igualmente a inclusão do autor e dos 
leitores na situação.
5. Presente do indicativo.
Efeito: o emprego dos verbos no presente do indicativo traz para a 
narrativa a ideia de permanência, em consonância com o fato de 
Cariba continuar preso sem nenhuma perspectiva de mudança.
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. C 2. B 3. C 4. E 5. A
E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. a) A sequência dos verbos “conhecer”, “oferecer”, “pro-
porcionar” e “alcançar” estabelecem uma relação temporal 
de continuidade e progressão. Em primeiro lugar, é necessário 
conhecer a atividade do cliente, para depois oferecer propostas 
que venham a proporcionar resultados positivos e correspon-
dam aos objetivos positivos do negócio.
b) Os verbos mencionados devem ser conjugados no modo 
subjuntivo, na primeira pessoa do plural: Conhecer profunda-
mente os negócios de nossos clientes é só o primeiro passo 
que permite que ofereçamos sempre respostas mais rápidas, 
proporcionemos decisões mais assertivas e alcancemos melho-
res resultados.
2. O emprego desses dois tempos verbais obedece a uma dis-
tinção entre o eu lírico e os aspectos externos. Assim, verbos no 
pretérito perfeito (como “acordei”, “levantei”, “bebi”, “deitei”, 
“acendi” e “amei”) se relacionam com o sujeito (“eu”); ao passo 
que os verbos no pretérito imperfeito (por exemplo, “chovia” e 
“fazia”) se conectam a fatores do mundo exterior. 
3. a) No texto 1, o uso do tempo presente indica o momento 
da fala e, no texto 2, ações habituais. No texto 3, é usado para 
indicar ação que se realizará no futuro.
b) No último parágrafo, o uso do pretérito perfeito justifica-se 
porque, nesse momento, o locutor está repetindo a narrativa, ou 
seja, retomando um fato ocorrido. 
4. Referindo-se a aspectos físicos, o enunciador usa o presente 
do indicativo, como, por exemplo: “A Serra do Mar TEM um no-
tável perfil...” e “A prumo sobre o Atlântico DESDOBRA-SE como 
a cortina...”
Quando se refere a aspectos de ordem histórica, o autor empre-
ga o pretérito imperfeito do indicativo, tal como se nota em: “De 
encontro às suas escarpas EMBATIA, fragílima, a ânsia guerrei-
ra...” e “...o forasteiro SENTIA-SE em segurança.”
5. O termo verbal “contemos” pertence ao verbo “conter” e está 
flexionado na primeira pessoa do plural do tempo presente (ex-
pressa o momento da enunciação) do modo indicativo (apresen-
ta a ação como um fato real). 
70
CÓDIGOS HIERÁRQUICOS
Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus 
pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico.
E.O. APRENDIZAGEM
exercícios códigos
1 1.5
2 1.4
3 1.5
4 1.5
5 1.5
6 1.5
7 1.5
8 1.5
9 1.5
10 1.5
E.O. FIXAÇÃO
exercícios códigos
1 1.5
2 1.5
3 1.5
4 1.5
5 1.5
6 1.4 e 1.5
7 1.5
8 1.5
9 1.5
E.O. COMPLEMENTAR
exercícios códigos
1 1.5
2 1.5
3 1.5
4 1.5
5 1.5
E.O. DISSERTATIVO
exercícios códigos
1 1
2 1.5
3 1.5
4 1.5
5 1.5
E.O. UERJ 
EXAME DE QUALIFICAÇÃO
exercícios códigos
1 1.5
2 1.5
3 1.5
4 1.5
5 1.2
E.O. UERJ 
EXAME DISCURSIVO
exercícios códigos
1 1.5
2 1.5
3 1.5.2
4 1
5 1.5
E.O. OBJETIVAS 
(UNESP, FUVES, UNICAMP E UNIFESP)
exercícios códigos
1 1 e 1.2
2 1.5
3 1.3 e 1.5
4 1.5
5 1.5
E.O. DISSERTATIVAS 
(UNESP, FUVES, UNICAMP E UNIFESP)
exercícios códigos
1 1.5
2 1.5
3 1.3 e 1.5
4 1.5
5 1.3 e 1.5
71
 verbos: modo imperativo 
e vozes verbais
CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3 e 27
AULAS 
7 e 8
E.O. AprEndizAgEm
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
O MONSTRO DA PROCRASTINAÇÃO
penélope sAlles 
bloG posGRADuAnDo.com
Assim como eu, você tem um monte de coisas para fazer: tex-
tos para ler, um artigo para escrever, e-mails importantes para 
responder, casa para limpar (porque a vida não está fácil para 
ninguém)? E nessa hora o que você sente é aquela vontade de 
conferir a última novidade do Facebook? Ou de ver um vídeo 
no YouTube, passar aquela fase do Candy Crash ou ainda tirar 
aquela soneca boa no meio da tarde?
Quem nunca?
Infelizmente a perfeita consciência disso não faz as coisas acon-
tecerem como num passe de mágica. É preciso muito mais que 
força de vontade para deixar o monstro peludo da procrastina-
ção de lado e fazer aquilo que realmente é necessário. Vou falar 
de cinco estratégias que tenho adotado e que têm me ajudado 
nesta batalha diária contra este monstro terrível:
1. Listas
Faça uma lista de tudo o que precisa ser feito no dia e selecione 
aquelas que são prioritárias. Não se esqueça de listar até mesmo 
aquelas atividades consideradas mais “chatas”, mas que são im-
portantes. Eu sei que muita gente já faz isso, mas a necessidade 
de planejar o dia a dia só surgiu quando eu percebi que não ti-
nha tempo suficiente para fazer tudo o que precisava. Este hábito 
facilita e muito a minha vida, já que tenho que me dividir entre o 
mestrado, a monitoria, o cuidado com a casa, família.
Costumo toda noite, antes de ir dormir, fazer uma lista de tarefas 
para o dia seguinte na minha agenda. Você podeusar o bloco 
de notas no celular, o Evernote no computador ou a ferramenta 
que melhor se adeque à sua rotina. Com a lista de atividades 
em mãos, fica mais fácil visualizar o que precisa ser feito. Se não 
sabemos exatamente o que fazer, vamos deixar para mais tarde 
e aí a procrastinação vai tomar conta.
2. Objetivos claros
É claro que sem força de vontade não fazemos nada nessa vida, mas 
para agirmos precisamos ter claro quais são os nossos objetivos.
Por que é importante fazer o fichamento do texto X? É impor-
tante porque vou utilizá-lo para a produção do meu artigo. Por 
que ler o livro Y? Porque ele será discutido na próxima aula. 
E assim por diante. Dessa forma, até mesmo as tarefas mais 
simples e corriqueiras acabam sendo ressignificadas e a partir 
daí não serão mais ignoradas.
3. Prazos pré-estabelecidos
Ao sabermos a data de uma prova, nos descabelamos e co-
meçamos a estudar desesperados, não é mesmo? Nada como 
uma boa pressão para nos mexermos rapidinho. Então, é preciso 
estabelecer prazos para as tarefas a serem realizadas e depois 
determinação para cumpri-los.
Você tem que ler um texto X para a aula? Defina um prazo 
para realizá-lo. Precisa escrever um artigo? Estabeleça uma 
data para terminá-lo. Você precisa preparar uma apresen-
tação para um seminário? Determine o dia que precisará 
concluí-lo. E por fim, cumpra os prazos e você se sentirá 
feliz por ter conseguido vencer mais uma batalha contra 
este monstro.
4. Fuja das Distrações
Você já percebeu que é só iniciar uma tarefa importante, como 
escrever o projeto do mestrado, terminar a leitura de um livro, 
estudar para a prova, que tudo ao redor acaba distraindo a nos-
sa atenção? Uma hora é o Facebook, outra é Whatsapp, SMS, 
e-mails, TV e assim por diante. E essas pequenas distrações 
consomem tanto do nosso tempo que no final acabamos não 
fazendo nada do que nos propomos a realizar. Largue tudo, que 
isso não te pertence mais. Pelo menos nos horários que você 
estabeleceu para cumprir as suas tarefas.
Eu mesma tenho que aplicar a Técnica Pomodoro para conse-
guir me concentrar de verdade. Essa técnica é bem simples: você 
coloca um despertador (eu coloco o timer da cozinha ou então, 
o despertador do celular) para tocar em 25 minutos. Enquanto 
isso você realiza uma tarefa e não faz outra coisa neste tempo. 
Se lembrar de algo, anote num papel, mas depois continue sua 
tarefa até terminar o tempo. Depois dos 25 minutos, descanse 5 
e faça as coisas que estavam pendentes. Você verá uma grande 
diferença na sua rotina.
Pronto! Você perceberá que priorizar uma tarefa só é melhor 
do que tentar realizar várias ao mesmo tempo e não conseguir 
concluir nenhuma.
5. Recompensa
Apesar de soar um pouco estranho, a recompensa é a motiva-
ção para muitas pessoas cumprirem as tarefas necessárias. Seria 
mais ou menos o seguinte: você se propõe a fazer determinada 
atividade e, como forma de realizá-la, promete a si mesmo uma 
recompensa no final. Embora nem todo mundo concorde com 
ela, acho que é uma estratégia para nos motivarmos a realizar as 
tarefas mais difíceis ou mais “chatas”.
Espero que estas dicas ajudem vocês a evitar a procrastinação.
fonte: posGRADuAnDo.com/bloG/pRocRAstinAcAo 
72
1. (UfJf) NO TEXTO, ENCONTRAMOS vERBOS CONJUgAdOS NO MOdO 
IMPERATIvO, COMO “fAçA” E “fUJA”. A AUTORA USOU ESSE TEMPO vER-
BAl PARA EXPRESSAR: 
a) ordem.
b) pedido.
c) súplica.
d) conselho.
e) crítica.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
EMBARQUE IMEdIATO
Não basta passar pelos dias. Viva a partir de agora, com emoção
poR máRciA De lucA
Neste mundo de turbulências em que estamos vivendo, muitas 
vezes nos sentimos deprimidos. Em certos momentos, parece que 
tudo está perdido, não é mesmo? Achamos que tudo está dife-
rente, que as pessoas estão ruins.
Mas aqui e agora, tome uma atitude firme em sua vida. 
Mude seu jeito negativo de ser, evitando que sua vida 
seja insignificante.
Perdoe erros que você considerava imperdoáveis, troque as 
pessoas insubstituíveis por gente mais leve e solta. O apego 
aos outros está obsoleto. Nada nem ninguém é insubstituível. 
Aceite a decepção que outros lhe causaram para que você 
também seja aceito. Sim, porque todos, inclusive nós, já de-
cepcionamos alguém.
Antes de reagir por impulso, pare, respire fundo. E, só então, aja, 
com equilíbrio. Ame profundamente, dê risadas gostosas, abrace, 
proteja pessoas queridas, faça amigos. Pule de felicidade e não 
tenha medo de quebrar a cara – se isso acontecer, encare com 
leveza. Se perder alguém nesta vida, sofra comedidamente – e vá 
em frente, pois tudo passa.
Mas, sobretudo, não seja alguém que simplesmente passa pela 
vida. Viva intensamente. Abrace o mundo com a devida paixão 
que ele merece. Se perder, faça-o com classe, se vencer, que de-
lícia! O mundo pertence a quem se atreve a ser feliz. Aproveite 
cada instante dessa grande aventura.
Agora mesmo, neste voo, sente-se confortavelmente na pol-
trona, com a coluna ereta e de olhos fechados. Faça vários 
ciclos de respiração profunda e sinta o ar entrando e saindo. 
Quando sentir seu corpo relaxado e sua mente mais calma, 
pense em sua nova vida, mais leve. Desta maneira você viverá 
mais facilmente.
RevistA Gol – linhAs áReAs inteliGentes
2. (IfSUl) QUANTO AO EMPREgO dO MOdO vERBAl, é CORRETO AfIRMAR 
QUE O 
a) imperativo afirmativo está presente no título e no 
primeiro parágrafo.
b) indicativo predomina no primeiro e no último 
parágrafo.
c) subjuntivo constrói a ideia veiculada no quinto pa-
rágrafo.
d) imperativo predomina do segundo ao último 
parágrafo.
3. (UEg)
 
 
Disponível em: <http://www.bloGDefRAses.com.bR>. 
Acesso em: 24 set. 2014. (ADAptADo).
NA TIRINHA, A lOCUTORA UTIlIzA O IMPERATIvO vERBAl PARA dESAfIAR 
SEU INTERlOCUTOR A lHE APRESENTAR UMA PROvA dE AMOR. ESSAS fOR-
MAS IMPERATIvAS APRESENTAM UM CASO dE vARIAçÃO NA PESSOA dO 
vERBO, TENdO A SEgUINTE CONfIgURAçÃO:
a) “mate” e “peça” são formas de 2ª pessoa que de-
rivam do presente do modo indicativo e se correlacio-
nam ao pronome de 2ª pessoa “tu”.
b) “prova” e “coloca” são formas de 3ª pessoa que 
derivam do presente do modo subjuntivo e se correla-
cionam ao pronome de 3ª pessoa “você”.
c) “prova” e “coloca” são formas de 2ª pessoa correla-
cionadas ao pronome “tu”; “mate” e “peça” são for-
mas de 3ª pessoa correlacionadas ao pronome “você”.
d) “mate” e “peça” são formas de 2ª pessoa correla-
cionadas ao pronome “tu”; “prova” e “coloca” são for-
mas de 3ª pessoa correlacionadas ao pronome “você”.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
VESPERTINA TROPICAL
Então Deus, tendo acabado de criar o firmamento e os conti-
nentes, o homem e a mulher, a zebra, os elétrons, o umbu e a 
neblina, quis dar um último toque em Sua obra: num arroubo de 
lirismo, lá pelas 17h54 do sexto dia, pintou a aurora boreal. É, de 
fato, um troço estupendo: mais bonito que o pôr do sol, mais im-
provável que a girafa, mais grandioso que o relâmpago. Era pra 
ser o corolário da criação, a maior atração da Terra32, diante da 
qual casais em lua de mel deixariam cair os queixos, japoneses 
ergueriam as câmeras e mochileiros BATERIAM palmas, con-
tentes por terem nascido neste planeta abençoado e multicolor, 
mas, infelizmente, como se sabe, a aurora boreal não pegou.
Claro: é longe, é raro e é muito cedo, como esses espetáculos 
incríveis encenados domingo de manhã no Sesc Belenzinho. 
Imagina se a aurora boreal fosse nos trópicos, seis e meia 
da tarde? O sujeito tá num táxi na avenida Atlântica, olha 
pro lado, o céu todo verde e amarelo e laranja e roxo, saca 
o celular, faz um “selfie” [tava louco pra usar essa palavra], 
posta “#vespertinatropical!!!” e segue pra casa, satisfeito. 
Mas não, é pra lá da Groenlândia, 4h30 AM, ninguém sabe 
quando: aí, não adianta reclamar que o público é ignorante e 
prefere a caretice hollywoodiana de um arco-íris. 
73
Fosse só a aurora boreal, beleza, mas a natureza tá cheia de 
desarranjos semelhantes. Não surpreende: ela foi criada há 
milhões de anos, nunca passou por uma revisão e aindaé 
administrada pelo fundador. Se eu fosse Javé, chamava uma 
dessas consultorias especializadas em fazer a transição de 
empresas familiares para organizações, digamos, mais com-
petitivas, e dava um choque de gestão. Nem precisa gastar 
muito, basta alocar melhor os recursos.
19VEJA os cometas, por exemplo. Tudo espalhado por aí, nos vi-
sitam só a cada 70, cem anos, às vezes chegam de lado, outras 
vezes de dia, ninguém vê, baita desperdício de energia. Por que 
não otimizar essas órbitas? 33Fazer com que VENHAM cinco, 
dez ao mesmo tempo na noite de Réveillon, proporcionando 
uma queima de fogos global à nossa sofrida humanidade?
A gravidade é outro assunto que merece uma calibrada: tem 
que ser mesmo 9,8 m/s2? Por quê? Como Deus chegou a esse 
número? Gostaria que Ele abrisse as planilhas para entender-
mos se cada m/s2 é realmente necessário. Com metade dessa 
atração, nós continuaríamos colados ao chão e seria muito mais 
agradável se locomover por aí. O mínimo que o Senhor poderia 
fazer era dar uma ªmainada de dezembro a março: imagina que 
alívio encarar esse calorão com 25% menos esforço, durante a 
“Gravidade de Verão”. Sem falar, óbvio, em 50% para grávidas, 
idosos e cadeirantes.
Não tenho dúvida de que o Todo Poderoso resistirá a essas e ou-
tras reformas. Criar o Universo é o tipo da coisa que infla um pouco 
o ego do sujeito, mas seria bom se Ele se animasse a colocar o 
mundo nos eixos – literalmente: já repararam como a Terra gira 
toda torta, envergada como um frei Damião? 
Se meu pacote de sugestões não puder convencê-lo pelo bom senso, 
quem sabe ao menos uma parte cutuque a Sua vaidade? Ora, El 
Shaddai, a aurora boreal é um negócio tão lindo, tão grandioso, tão 
divino, não é justo que siga sendo exibida, ano após ano, apenas 
para os ursos-polares, as focas e a Björk, é ou não é? 
pRAtA, Antonio. vespeRtinA tRopicAl. in: folhA De são pAulo. 
4. (UPf) OS TEMPOS E OS MOdOS vERBAIS CONTRIBUEM PARA CONS-
TRUIR, NO TEXTO, dETERMINAdOS EfEITOS dE SENTIdO. ACERCA dESSES 
EfEITOS, AfIRMA-SE:
I. O fUTURO dO PRETéRITO é USAdO PARA dAR IdEIA dE PROBABIlIdAdE, 
COMO OCORRE EM “dIANTE dA QUAl CASAIS EM lUA dE MEl dEIXARIAM 
CAIR OS QUEIXOS, JAPONESES ERgUERIAM AS CâMERAS E MOCHIlEIROS 
BATERIAM PAlMAS” (REf. 32). 
II. O IMPERATIvO AfIRMATIvO CONTRIBUI PARA CONSTRUIR O EfEITO dE 
PROXIMIdAdE COM O lEITOR, COMO OCORRE EM “vEJA OS COMETAS, POR 
EXEMPlO” (REf. 19). 
III. O PRESENTE dO SUBJUNTIvO é USAdO PARA dAR IdEIA dE POSSIBIlIdA-
dE dE AçÃO, COMO OCORRE EM “fAzER COM QUE vENHAM CINCO, dEz AO 
MESMO TEMPO” (REf. 33). 
ESTÃO CORRETAS AS AfIRMAçõES APRESENTAdAS EM:
a) I, II e III. 
b) I e II apenas. 
c) II e III apenas. 
d) I apenas. 
e) III apenas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Monsenhor Caldas interrompeu a narração do desconhecido:
– Dá licença? é só um instante.
Levantou-se, foi ao interior da casa, chamou o preto velho que o 
servia, e disse-lhe em voz baixa:
– João, vai ali à estação de urbanos, fala da minha parte ao co-
mandante, e pede-lhe que venha cá com um ou dois homens, 
para livrar-me de um sujeito doido. Anda, vai depressa.
E, voltando à sala:
– Pronto, disse ele; podemos continuar.
– Como ia dizendo a Vossa Reverendíssima, morri no dia vinte de 
março de 1860, às cinco horas e quarenta e três minutos da ma-
nhã. Tinha então sessenta e oito anos de idade. Minha alma voou 
pelo espaço, até perder a terra de vista, deixando muito abaixo 
a lua, as estrelas e o Sol; penetrou finalmente num espaço em 
que não havia mais nada, e era clareado tão-somente por uma 
luz difusa. Continuei a subir, e comecei a ver um pontinho mais 
luminoso ao longe, muito longe. O ponto cresceu, fez-se sol. Fui 
por ali dentro, sem arder, porque as almas são incombustíveis. A 
sua pegou fogo alguma vez?
– Não, senhor.
– São incombustíveis. Fui subindo, subindo; na distância de qua-
renta mil léguas, ouvi uma deliciosa música, e logo que cheguei 
a cinco mil léguas, desceu um enxame de almas, que me levaram 
num palanquim feito de éter e plumas.
(mAchADo De Assis, A seGunDA viDA. obRAs 
completAs, vol. ii, p. 440-441.)
5. (UFSCAR) O IMPERATIvO UTIlIzAdO POR MONSENHOR CAldAS, AO 
dAR AS ORdENS AO PRETO vElHO, EMPREgA 
a) uma forma indireta.
b) a terceira pessoa do singular.
c) a primeira pessoa do plural.
d) a segunda pessoa do singular.
e) a segunda pessoa do plural.
lEIA O TEXTO dE ClAUdIA wAllIN PARA RESPONdER à QUESTÃO.
Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago no-
tícias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar, Vossas 
Excelências, que nesta estranha terra os habitantes criaram um 
país onde os mui digníssimos e respeitáveis representantes do 
povo são tratados, imaginem Vossas Senhorias, como o próprio 
povo. Insânia! Dirão que as histórias que aqui relato são me-
ras alucinações de contos de fada, pois há neste rico reino, que 
chamam de Suécia, rei, rainha e princesas. Mas não se iludam! 
Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei, em 
nome de uma democracia que proclama uma tal igualdade entre 
todos, e o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que 
esta mesma terra um dia há de comer.
Nestas longínquas comarcas, os mui distintos parlamentares, mi-
nistros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o trabalho, 
em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De ônibus, Emi-
nências! E muitos castelos há pelos quatro cantos deste próspero 
reino, mas aos egrégios representantes do povo é oferecido abrigo 
apenas em pífias habitações de um cômodo, indignas dos ilustríssi-
mos defensores dos direitos dos cidadãos e da democracia.
74
Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa península 
chamada Escandinávia, onde também há príncipes e reis, e onde 
os representantes do povo vivem como sobrevive um súdito 
qualquer. E isto eu também vi, com os olhos que esta terra há 
de comer: em um dos povos vizinhos, conhecido como o reino 
dos noruegueses, os nobres representantes do povo chegam a 
almoçar sanduíches que trazem de casa, e que tiram dos bolsos 
dos paletós quando a fome aperta.
É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que chamam 
de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as notícias sobre o 
igualitário reino dos suecos se espalham.
Estocolmo, 6 de janeiro de 2013.
(um pAís sem excelênciAs e moRDomiAs, 2014. ADAptADo.)
6. (fAMEMA 2017) “OS HABITANTES dESTA TERRA Já TIRARAM TOdOS 
OS POdERES dO REI”.
ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE EXPRESSA, NA vOz PASSIvA, O CONTEúdO 
dESSA ORAçÃO.
a) Todos os poderes do rei já tiraram os habitantes 
desta terra.
b) Os habitantes desta terra já tiram todos os poderes 
do rei.
c) Os habitantes desta terra já foram tirados por todos 
os poderes do rei.
d) Todos os poderes do rei já foram tirados pelos ha-
bitantes desta terra.
e) Todos os poderes do rei já são tirados pelos habi-
tantes desta terra.
lEIA O TEXTO dE kATIA CANTON PARA RESPONdER à QUESTÃO.
A arte moderna toma corpo num contexto de grande transforma-
ção que ocorre sobretudo a partir do século XIX, com a Revolu-
ção Industrial. Nesse momento, as pessoas saem dos campos e 
passam a ocupar as cidades, que crescem cada vez mais no ritmo 
frenético das linhas de montagem das grandes fábricas.
A industrialização inaugurou uma classe social que, enriqueci-
da pelas máquinas, se tornaria hegemônica: a burguesia. 
Essa nova classe social necessitava de uma nova forma de 
arte para se legitimar culturalmente. A arte acadêmica, as be-
las-artes com regras impostas pela academia e talhadas aos 
moldes da antiga aristocracia, passa a dar lugar a propostas 
construídas por artistas que surgem em movimentos e con-
textos singulares.
[...]
Uma das novidades surgidas no século XIX e que teve impacto 
fenomenal sobre a arte foi a fotografia. A fotografia liberou os 
artistas, até então incumbidos de registrar nas telas pessoas, 
paisagens e fatos históricos para a posteridade. Agora a foto-
grafia podia cumprir essa função, dando ao artista a liberdade 
de criar e realizar novas pesquisas e experimentoscom seus 
pincéis, suas mãos e seus olhares.
(Do moDeRno Ao contempoRâneo, 2009. ADAptADo.)
7. (UNICId MEd – UNESP) “AgORA A fOTOgRAfIA POdIA CUMPRIR ESSA 
fUNçÃO”.
vERTIdA PARA A vOz PASSIvA, A ORAçÃO ACIMA SE TRANSfORMA EM:
a) Agora essa função pode se cumprir com a fotografia.
b) Agora essa função podia estar cumprida com a fotografia.
c) Agora essa função podia ser cumprida pela fotografia.
d) Agora essa função pode ser cumprida pela fotografia.
e) Agora essa função podia cumprir o papel da fotografia.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
 
 
(fonte: https://DAnDoumGiRobloG.woRDpRess.com/
tAG/mAfAlDA. Acesso em: 03/10/2016)
8. (CP2) lEIA A SEgUINTE fRASE ElABORAdA A PARTIR dA lEITURA dO 
2º QUAdRINHO: E ESSES INgêNUOS CONTINUAM MANdANdO CONTAS 
EM SEU NOME.
ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE CORRESPONdE à CORRETA REESCRITA dESSA 
fRASE NA vOz PASSIvA. 
a) E esses ingênuos continuarão mandando contas 
em seu nome.
b) E contas continuaram sendo mandadas em seu 
nome pelos ingênuos.
c) E contas continuam mandando em seu nome por 
esses ingênuos. 
d) E contas em seu nome continuam sendo enviadas 
por esses ingênuos.
9. (IfSP) CONSIdERANdO A NORMA PAdRÃO dA líNgUA PORTUgUESA, 
MARQUE (vP), PARA vOz PASSIvA, (vA), PARA vOz ATIvA E ASSINAlE A 
AlTERNATIvA CORRETA. 
I. O JOgAdOR MARCOU UM BElO gOl NA úlTIMA SEMANA. ( ) 
II. O ôNIBUS ATRASOU BASTANTE NA TARdE dE ONTEM. ( ) 
III. A BOlA fOI ATRASAdA dE MOdO MUITO fORTE PElO zAgUEIRO. ( ) 
Iv. O COMPUTAdOR fOI dESlIgAdO INAdEQUAdAMENTE NA úlTIMA vEz. ( ) 
a) VA, VP, VP, VA.
b) VP, VA, VA, VP.
c) VA, VA, VP, VP.
d) VP, VP, VA, VA.
e) VP, VA, VP, VA.
75
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Quando a economia política clássica nasceu, no Reino Unido e na 
França, ao final do século XVIII e início do século XIX, a questão 
da distribuição da renda já se encontrava no centro de todas as 
análises. Estava claro que 3transformações radicais entraram em 
curso, propelidas pelo crescimento demográfico sustentado – iné-
dito até então – e pelo início do êxodo rural e da Revolução In-
dustrial. Quais seriam as consequências sociais dessas mudanças?
Para Thomas Malthus, que publicou em 1798 seu Ensaio sobre o 
princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era 
uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos 
franceses às vésperas da Revolução de 1789, quando havia misé-
ria generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país 
mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais 
de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco 
mais de 8 milhões de pessoas. A população francesa se expandiu 
em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 
30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, 
desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a estagnação 
dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos asso-
ciados à propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fatores que 
levaram à Revolução Francesa. 12Para evitar que torvelinho 
similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que 14toda 
assistência aos pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa 
de natalidade deveria ser severamente controlada.
Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de eco-
nomia política e tributação, preocupava-se com a evolução do pre-
ço da terra. Se o crescimento da população e, consequentemente, 
da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se tornar 
escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do 
bem escasso – a terra – deveria subir de modo contínuo. No limite, 
19os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significati-
va da renda nacional, e o 20restante da população, uma parte cada 
vez mais reduzida, 21destruindo o equilíbrio social. De fato, 22o valor 
da terra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de sé-
culo XIX, caiu em relação a outras formas de riqueza, à medida que 
diminuía o peso da agricultura na renda das nações. Escrevendo 
nos anos de 1810, Ricardo não poderia antever a importância que 
o progresso tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo 
das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda.
piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De 
bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p.11-13. 
10. (UfRgS) ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRESENTA A CORRETA PAS-
SAgEM dE SEgMENTO dO TEXTO dA vOz ATIvA PARA A vOz PASSIvA. 
a) transformações radicais entraram em curso (ref. 3) 
– transformações radicais foram entradas em curso.
b) Para evitar que torvelinho similar vitimasse o Reino 
Unido (ref. 12) – Para evitar que o Reino Unido fosse 
vitimado por torvelinho similar.
c) toda assistência aos pobres deveria ser suspensa 
de imediato e a taxa de natalidade deveria ser se-
veramente controlada (ref. 14) – os pobres deveriam 
suspender de imediato toda assistência e deveriam 
controlar severamente a taxa de natalidade.
d) os donos da terra receberiam uma parte cada vez 
mais significativa da renda nacional (ref. 19) – a ren-
da nacional seria recebida por uma parte cada vez 
mais significativa dos donos da terra.
e) o valor da terra permaneceu alto por algum tempo (ref. 
22) – o valor da terra foi permanecido alto por algum tempo.
E.O. FixAçãO
lEIA O TRECHO dO CONTO “TEORIA dO MEdAlHÃO”, dE MACHAdO dE 
ASSIS, PARA RESPONdER à QUESTÃO.
– Não te ponhas com denguices, e falemos como dois ami-
gos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. 
Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um 
diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na im-
prensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas 
artes. Há infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu 
rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso destino. Os 
mesmos Pitt* e Napoleão, apesar de precoces, não foram tudo 
aos vinte e um anos. Mas, qualquer que seja a profissão da tua 
escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo 
menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. 
A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os 
malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que 
se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida.
* William Pitt (1759-1806): assumiu o cargo de primeiro-ministro bri-
tânico em 1783, com 24 anos.
(contos: umA AntoloGiA, 1998.)
1. (FASM MED – UNESP) “SENTA-TE E CONvERSEMOS.”
NO TEXTO, O PAI dIRIgE-SE AO SEU fIlHO NA SEgUNdA PESSOA dO SINgU-
lAR (TU). COM AS MOdIfICAçõES NECESSáRIAS, NA TERCEIRA PESSOA dO 
SINgUlAR (vOCê), A fRASE ACIMA SERIA ESCRITA COMO:
a) Senta-se e conversemos.
b) Sente-se e conversamos.
c) Senta e conversamos.
d) Sente-se e conversemos.
e) Sente e converse. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
A ameaça de uma bomba atômica está mais viva do que nun-
ca. Os conflitos étnicos mataram quase 200 chineses só no mês 
de julho. Agora uma boa notícia: a paz mundial pode estar a 
caminho. Segundo estimativas de pesquisadores, o mundo está 
bem menos sangrento do que já foi. Cerca de 250 mil pessoas 
morrem por ano em consequência de algum conflito armado. 
É bem menos do que no século 20, que teve 800 mil mortes 
anuais em sua 2ª metade e 3,8 milhões por ano até 1950.
O que aconteceu? O psicólogo Steven Pinker diz que o aumento 
do número de democracias ajudou. Assim como a nossa saúde: 
como a expectativa de vida subiu, temos mais medo de arriscar 
o pescoço. Até a globalização teria contribuído: um mundo mais 
integrado é um mundo mais tolerante, diz Pinker.
RevistA supeRinteRessAnte 
2. (MACkENzIE) OS CONflITOS éTNICOS MATARAM QUASE 200 CHINESES 
SÓ NO MêS dE JUlHO.
dE ACORdO COM A NORMA PAdRÃO, PASSANdO-SE ESSA fRASE PARA A 
vOz PASSIvA ANAlíTICA, A fORMA vERBAl CORRESPONdENTE SERá: 
a) foram mortos.
b) estavam sendo mortos.
c) eram mortos.
d) matou-se.
e) morreram.
76
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Se escapar do bombardeio ao qual está sendo submetido, 11um 
achado divulgado anteontem por pesquisadores do Reino Unido 
poderá mudar a história da ocupação humanada América. Se-
gundo eles, pegadas de pessoas descobertas no centro do Mé-
xico teriam 40 mil anos – embora os registros mais antigos de 
presença humana no continente não ultrapassem os 13 mil anos.
A equipe, liderada pela geoarqueóloga mexicana Silvia Gonzá-
lez, achou os rastros na beira de um antigo lago assolado por 
chuvas de cinza vulcânica. Imagina-se que, depois de um desses 
episódios, um grupo de pessoas (entre as quais crianças, a julgar 
pelas dimensões das pegadas) teria caminhado sobre a cinza, 
deixando sua marca.
Usando uma série de métodos diferentes, o grupo britânico da-
tou fósseis de animais no mesmo nível da pegada, assim como 
sedimentos em volta da própria, chegando à data de por volta 
de 40 mil anos antes do presente. Hoje, o sítio arqueológico das 
Américas mais antigo cujas datas são aceitas pelos cientistas é 
Monte Verde, no extremo sul do Chile, com seus 12, 5 mil anos. 
Poucos pesquisadores põem em dúvida a ideia de que os primei-
ros americanos cruzaram o estreito de Bering, vindos do extremo 
nordeste da Ásia, para chegar ao Novo Mundo.
“Novas rotas de migração que expliquem a existência desses 
sítios mais antigos precisam ser consideradas. Nossos achados 
reforçam a teoria de que esses primeiros colonos tenham vindo 
pela água, usando a rota da costa do Pacífico”, disse González 
em comunicado.
“Nunca se deve dar a conhecer um achado tão importante 
numa entrevista coletiva”, critica o antropólogo argentino Ro-
lando González-José, do Centro Nacional Patagônico. 12O pes-
quisador já chegou a estudar os antigos mexicanos junto com 
a arqueóloga, mas teve “divergências inconciliáveis” com ela. 
13”Uma data de 40 mil anos não necessariamente leva a mo-
delos alternativos do povoamento, muito menos recorrendo a 
rotas transpacíficas”, diz.
lopes, ReinAlDo José. in: folhA De s. pAulo, 6 Jul. 2005, p. A 16.
3. (UfRgS) CONSIdERE OS SEgUINTES TRECHOS E AS PROPOSTAS dE SUA 
REESCRITURA APRESENTAdAS A SEgUIR.
1. [...] “UM ACHAdO dIvUlgAdO ANTEONTEM POR PESQUISAdORES dO 
REINO UNIdO POdERá MUdAR A HISTÓRIA dA OCUPAçÃO HUMANA dA 
AMéRICA” (REf. 11).
2. “O PESQUISAdOR Já CHEgOU A ESTUdAR OS ANTIgOS MEXICANOS 
JUNTOS COM A ARQUEÓlOgA” (REf. 12).
3. “UMA dATA dE 40 MIl ANOS NÃO NECESSARIAMENTE lEvA A MOdE-
lOS AlTERNATIvOS dE POvOAMENTO” (REf. 13).
I. TRECHO 1: [...] A HISTÓRIA dA OCUPAçÃO HUMANA dA AMéRICA PO-
dERá SER MUdAdA POR UM ACHAdO dIvUlgAdO ANTEONTEM POR PESQUI-
SAdORES dO REINO UNIdO.
II. TRECHO 2: OS ANTIgOS MEXICANOS, JUNTO COM A ARQUEÓlOgA, Já 
CHEgARAM A SER ESTUdAdOS PElO PESQUISAdOR.
III. TRECHO 3: MOdElOS AlTERNATIvOS dO POvOAMENTO NÃO SÃO lEvA-
dOS NECESSARIAMENTE A UMA dATA dE 40 MIl ANOS.
QUAIS PROPOSTAS SÃO TRANSPOSIçõES CORRETAS dOS RESPECTIvOS TRE-
CHOS PARA A vOz PASSIvA? 
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.
4. (ITA) OS vERSOS ABAIXO SÃO dA lETRA dA MúSICA “COBRA”, dE 
RITA lEE E ROBERTO dE CARvAlHO:
Não me cobre ser existente
Cobra de mim que sou serpente
COM RElAçÃO AO EMPREgO dO IMPERATIvO NOS vERSOS, POdEMOS AfIR-
MAR QUE 
a) a oposição imperativo negativo e imperativo afir-
mativo justifica a mudança do verbo cobre/cobra.
b) a diferença de formas (cobre/cobra) não é registra-
da nas gramáticas normativas, portanto há inadequa-
ção na flexão do segundo verbo (cobra).
c) a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se ao des-
locamento da 3a para a 2a pessoa do sujeito verbal.
d) o primeiro verbo no presente do indicativo opõe-se ao 
segundo verbo que se encontra no imperativo negativo. 
e) o primeiro verbo no imperativo negativo opõe-se ao 
segundo verbo que se encontra no presente do indicativo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
CONTAS
Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça 
dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a 
semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da 
feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro 
ou assinar a orelha de um cabrito.
Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabe-
ça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumi-
dos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do 
amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, 
rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos mingua-
dos, engasgava-se, engolia em seco. Transigindo com outro, não 
seria roubado tão descaradamente. Mas receava ser expulso da 
fazenda. E rendia-se. Aceitava o cobre e ouvia conselhos. Era 
bom pensar no futuro, criar juízo. Ficava de boca aberta, verme-
lho, o pescoço inchado. De repente, estourava:
– Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver 
sem comer. Quem é do chão não se trepa.
Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de 
Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertane-
jo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na 
hora das contas davam-lhe uma ninharia.
Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, ar-
rependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e foi 
consultar a mulher. Sinhá Vitória mandou os meninos para o 
barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão 
sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No 
dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio 
77
notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, dife-
riam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a 
diferença era proveniente de juros.
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim se-
nhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha 
miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se 
descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida 
assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! 
Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar 
carta de alforria!
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o va-
queiro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era 
preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa. 
Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o 
seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, 
sim, senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância 
da mulher, provavelmente devia ser ignorância da mulher. Até 
estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, 
sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava 
não cair noutra.
O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo 
o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as rosetas das esporas, 
afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no 
chão como cascos.
(...)
RAmos, GRAciliAno. viDAs secAs. 11ª eD. são 
pAulo: l. mARtins, 1964. 159 p.
5. (UNIRIO) PARA MARCAR AS AgRURAS dO SOfREdOR fABIANO, O NAR-
RAdOR EMPREgA vERBOS NA vOz REflEXIvA, COM EXCEçÃO dE: 
a) “... apenas se limitava a semear na vazante ...” 
b) “... engasgava-se, engolia em seco.” 
c) “E rendia-se.”
d) “... o sertanejo endividava-se, ...”
e) “... via-se perfeitamente ...” 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
áRIES (21 MAR. A 20 ABR.)
Lunação em signo complementar destaca importância das re-
lações em sua vida nas próximas semanas. Cuide de sua rede 
social, mostre-se atencioso com as pessoas. Seu sucesso é re-
sultado disso também e agora essa questão tem importância 
suprema. Cultive o tato.
folhA De s. pAulo, ilustRADA, AstRoloGiA, 
bARbARA AbRAmo, 29 set. 2008.
6. (IBMEC-SP) SE AS fORMAS vERBAIS “CUIdE”, “MOSTRE-SE” 
E “CUlTIvE” fOSSEM EMPREgAdAS NA SEgUNdA PESSOA dO SIN-
gUlAR, TERíAMOS: 
a) Cuidas, mostras-te, cultivas.
b) Cuida, mostra-te, cultiva.
c) Cuidai, mostrai-vos, cultivai.
d) Cuida, mostra-se, cultiva.
e) Cuides, mostres-te, cultives.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a 
cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras 
que com as panelas. Por isso tenho maisescrito sobre comidas 
que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de 
“culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades 
do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne 
com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. 
Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico 
a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma 
celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das mi-
nhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi 
como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária 
estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha 
capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria 
um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamen-
te isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e 
duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira delicio-
sa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias 
atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. 
E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias 
começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação 
metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamen-
to nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada 
e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um ex-
traordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as 
pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como 
aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido 
religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o 
vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de 
vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). 
Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem exis-
tir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe 
Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a 
comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricul-
tor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem 
aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. 
Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da 
pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como 
isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de 
debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, espe-
rando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. 
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O 
que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repenti-
namente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com 
uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia 
com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores 
brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das 
pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, 
em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, espe-
cialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a trans-
formação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande 
transformação por que devem passar os homens para que eles 
78
venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que 
deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. 
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios 
para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos 
transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de 
pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, 
para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transfor-
mações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não pas-
sa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de 
uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. 
Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de 
repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa si-
tuação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder 
um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar 
pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depres-
são – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso 
aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E 
com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá den-
tro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: 
vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, 
ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a 
transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina 
aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do 
fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece 
como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma 
nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do 
casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está repre-
sentado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o 
estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito 
para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os 
piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. 
Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é 
palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio 
para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de 
pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordiná-
rio professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, 
e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. 
Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. 
Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. 
Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres 
que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, 
lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos 
piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais 
que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não 
pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. 
Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” 
A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que 
não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. 
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria 
para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da 
panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o 
lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram 
a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
Disponível em: http://www.ReleituRAs.com/RubemAlves_
pipocA.Asp. AcessADo em: 31 De mAi. 2016.
Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
7. (EfOMM) é PRECISO dEIXAR dE SER dE UM JEITO PARA SER dE OUTRO. 
“MORRE E TRANSfORMA-TE!” − dIzIA gOETHE.
NESSA PASSAgEM, O AUTOR, TRATANdO dA TRANSfORMAçÃO, CITA A fAlA 
dE UM fIlÓSOfO AlEMÃO, QUE UTIlIzA A SEgUNdA PESSOA dO SINgUlAR.
SE gOETHE TIvESSE USAdO O TRATAMENTO dE vOCê, TERíAMOS, ENTÃO:
a) Morre e transforme-se!
b) Morra e transforme-se!
c) Morra e transforma-te! 
d) Morrem e transformam-se!
e) Morre e transforma-se!
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
HISTÓRIA DO HUMOR
1“O humor está presente na civilização desde as sociedades 
mais primitivas – ele é uma capacidade que o ser humano 
tem de olhar a realidade e ressignificá-la, tornando-a algo 
engraçado e conferindo-lhe olhar crítico. No passado, ele era 
até uma forma de sobrevivência às adversidades e de união 
do grupo”, de acordo com o professor da Escola de Comuni-
cações e Artes, Ricardo Alexino Ferreira.
Alexino conta que, a partir dos anosos humoristas passaram a 
retratar frequentementede forma pejorativa grupos minoriza-
dos da sociedade, como negros, mulheres, idosos e deficien-
tes. 2Segundo ele, os comediantes consideraram esse humor 
fácil, pois muitas vezes se limitava a imitar essas pessoas. 
“Parte do humor se tornou sem repertório e um reforçador de 
estereótipos, uma caricatura do ‘outro’”, diz.
http://www.JoRnAlDocAmpus.usp.bR/inDex.php/2011/10/ quAnDo-
A-piADA-peRDe-A-GRAcA-e-viRAofensA/ Acesso em: 08/09/2015) 
8. (CP2) RElEIA O SEgUINTE TRECHO dESTACAdO dO TEXTO “HISTÓRIA dO 
HUMOR”: “SEgUNdO ElE, OS COMEdIANTES CONSIdERARAM ESSE HUMOR 
fáCIl, POIS MUITAS vEzES SE lIMITAvA A IMITAR ESSAS PESSOAS.” (REf. 2).
ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRESENTA A fORMA CORRESPONdENTE dA 
ORAçÃO SUBlINHAdA NA vOz PASSIvA.
a) Esse humor fácil foi considerado pelos comediantes.
b) Esse humor é considerado fácil pelos comediantes.
c) Considerou-se esse humor fácil pelos comediantes.
d) Esse humor foi considerado fácil pelos comediantes.
lEIA O TEXTO dE MAURICE NAdEAU PARA RESPONdER à QUESTÃO.
Estudar um movimento de ideias querendo ignorar o que o pre-
cedeu ou o seguiu, abstraindo a situação social e política que o 
alimentou e sobre a qual, por sua vez, ele pôde agir é trabalho 
inócuo. O Surrealismo, particularmente, está fortemente engaja-
do no período entre as duas guerras. Dizer, como alguns, que ele 
não passa, no plano da arte, de uma manifestação pura e simples 
é de um materialismo por demais simplista: ele constitui também 
o herdeiro e o continuador dos movimentos artísticos que o pre-
cederam sem os quais não teria existido. É, portanto, sob esses 
dois aspectos ao mesmo tempo que devemos considerá-lo.
Entre 1918 e 1940, foi o contemporâneo de acontecimentos sociais, 
políticos, científicos, filosóficos de primeira importância. Alguns o 
marcaram fortemente; a outros deu seu colorido próprio.
79
Na Exposição Internacional do Surrealismo, realizada em Paris 
(1938), estavam representados quatorze países. O Surrealismo 
havia rompido os quadros nacionais da arte. Nenhum movimento 
artístico antes dele, inclusive o Romantismo, teve essa influência e 
essa audiência internacionais. Foi o alimento saboroso dos melho-
res artistas de cada país, o reflexo de uma época que, também no 
plano artístico, devia encarar seus problemas em escala mundial.
(históRiA Do suRReAlismo, 2008. ADAptADo.)
“O Surrealismo havia rompido os quadros nacionais da arte.”
9. (UNICId MEd UNESP) ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE EXPRESSA, 
NA vOz PASSIvA, O CONTEúdO dESSA ORAçÃO.
a) Os quadros nacionais da arte haviam sido rompi-
dos pelo Surrealismo.
b) Os quadros nacionais da arte romperam o Surrealismo.
c) O Surrealismo havia sido rompido pelos quadros 
nacionais da arte.
d) Os quadros nacionais da arte haviam rompido o 
Surrealismo.
e) O Surrealismo estava rompendo os quadros nacionais 
da arte.
LEIA A TIRA PARA RESPONDER A QUESTÃO
 
(www.folhA.uol.com.bR. 24.05.2017)
10. (ANHEMBI Morumbi MEd UNESP) NO úlTIMO QUAdRINHO, 
CASO A PERSONAgEM EMPREgASSE A PRIMEIRA PESSOA dO PlURAl, SEM 
AlTERAR O MOdO vERBAl, SUA fRASE SERIA:
a) Não falaremos assim de Deus.
b) Não falamos assim de Deus.
c) Não falemos assim de Deus.
d) Não falem assim de Deus.
e) Não faleis assim de Deus.
E.O. COmplEmEntAr
CONSIdERE O TEXTO dO CRíTICO ANTONIO CANdIdO PARA RESPONdER 
à QUESTÃO.
A literatura do Brasil faz parte das literaturas do Ocidente da Euro-
pa. No tempo da nossa independência, proclamada em 1822, for-
mou-se uma teoria nacionalista que parecia incomodada por este 
dado evidente e procurou minimizá-lo, acentuando o que haveria 
de original, de diferente, a ponto de rejeitar o parentesco, como se 
quisesse descobrir um estado ideal de começo absoluto. Trata-se de 
atitude compreensível como afirmação política, exprimindo a ânsia 
por vezes patética de identidade por parte de uma nação recente, 
que desconfiava do próprio ser e aspirava ao reconhecimento dos 
outros. Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais visível que 
a nossa literatura é modificada pelas condições do Novo Mundo, 
mas faz parte orgânica do conjunto das literaturas ocidentais.
Por isso, o conceito de “começo” é nela bastante relativo, e diferen-
te do mesmo fato nas literaturas matrizes. A literatura portuguesa, a 
francesa ou a italiana foram se constituindo lentamente, ao mesmo 
tempo em que se formavam os respectivos idiomas. Língua, socie-
dade e literatura parecem nesses casos configurar um processo 
contínuo, afinando-se mutuamente e alcançando aos poucos a ma-
turidade. Não é o caso das literaturas ocidentais do Novo Mundo.
Com efeito, no momento da descoberta e durante o processo de 
conquista e colonização, houve o transplante de línguas e literatu-
ras já maduras para um meio físico diferente, povoado por povos 
de outras raças, caracterizados por modelos culturais completa-
mente diferentes, incompatíveis com as formas de expressão do 
colonizador. No caso do Brasil, os povos autóctones eram primiti-
vos vivendo em culturas rudimentares. Havia, portanto, afastamen-
to máximo entre a cultura do conquistador e a do conquistado, 
que por isso sofreu um processo brutal de imposição. Este, além 
de genocida, foi destruidor de formas culturais superiores no caso 
do México, da América Central e das grandes civilizações andinas.
(iniciAção à liteRAtuRA bRAsileiRA, 2007. ADAptADo.)
1. (SÃO CAMIlO MEd UNESP) CONSIdERE O TRECHO dO PRIMEIRO 
PARágRAfO:
[…] a nossa literatura é modificada pelas condições do Novo 
Mundo […].
SE A ORAçÃO fOR REESCRITA NA vOz ATIvA, A fORMA vERBAl RESUlTANTE SERá:
a) modificaram.
b) foi modificada.
c) modifica.
d) modificam.
e) está modificada.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
quino, 10 Anos com mAfAlDA. são pAulo, mARtins fontes, 2010
80
2. (IfSUl) OBSERvE.
Não abra a porta...
SE O ENUNCIAdO ACIMA PASSASSE PARA O IMPERATIvO AfIRMATIvO E O 
TRATAMENTO dAdO fOSSE O dE SEgUNdA PESSOA, QUAl dAS CONSTRUçõES 
ESTARIA dE ACORdO COM A NORMA CUlTA dA líNgUA? 
a) Abre a porta...
b) Abres a porta...
c) Abra a porta...
d) Abras a porta...
3. (fASM MEd UNESP) AMAvA SIMÃO UMA SUA vIzINHA, MENINA dE 
QUINzE ANOS, RICA HERdEIRA, REgUlARMENTE BONITA E BEM- -NASCIdA. dA 
JANElA dO SEU QUARTO é QUE ElE A vIRA A PRIMEIRA vEz, PARA AMá-lA 
SEMPRE. NÃO fICARA ElA INCÓlUME dA fERIdA QUE fIzERA NO CORAçÃO dO 
vIzINHO: AMOU-O TAMBéM, E COM MAIS SERIEdAdE QUE A USUAl NOS SEUS 
ANOS. OS POETAS CANSAM-NOS A PACIêNCIA A fAlAREM dO AMOR dA MU-
lHER AOS QUINzE ANOS, COMO PAIXÃO PERIgOSA, úNICA E INflEXívEl. Al-
gUNS PROSAdORES dE ROMANCES dIzEM O MESMO. ENgANAM-SE AMBOS. 
O AMOR dOS QUINzE ANOS é UMA BRINCAdEIRA; é A úlTIMA MANIfESTAçÃO 
dO AMOR àS BONECAS; é A TENTATIvA dA AvEzINHA QUE ENSAIA O vOO fORA 
dO NINHO, SEMPRE COM OS OlHOS fITOS NA AvE-MÃE, QUE A ESTá dA fRON-
dE PRÓXIMA CHAMANdO; TANTO SABE A PRIMEIRA O QUE é AMAR MUITO, 
COMO A SEgUNdA O QUE é vOAR PARA lONgE. TERESA dE AlBUQUERQUE 
dEvIA SER, PORvENTURA, UMA EXCEçÃO NO SEU AMOR. 
(cAmilo cAstelo bRAnco — AmoR De peRDição)
“dA JANElA dO SEU QUARTO é QUE ElE A vIRA PElA PRIMEIRA 
vEz”. PASSANdO-SE A ORAçÃO EM dESTAQUE PARA A vOz PASSIvA ANA-
líTICA, A fORMA vERBAl CORRESPONdENTE é:
a) foi vista.
b) havia visto.
c) estava sendo visto.
d) seria vista.
e) fora vista.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? So-
berania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – 1as pa-
lavras hoje são ditas com tanta facilidade que somos incapazes 
de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do 
Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era 
uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que 2fora posta 
na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava 
privilégio – isto é, literalmente, “lei privada”, uma prerrogativa 
especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como 
fonte de toda a lei, distribuía privilégios, 3pois havia sido ungido 
como o agente de Deus na terra.
Durante todo o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questio-
naram esses pressupostos,

Mais conteúdos dessa disciplina