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1 Caro aluno O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores universidades do Brasil. Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferen- cial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios: • Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixa- ção da matéria dada em aula • Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, buscando a consolidação do aprendizado • Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade • Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais ves- tibulares do Brasil • Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame • Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das faculda- des públicas de São Paulo • Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase das faculdades públicas de São Paulo • Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha, buscando a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj Visando um melhor planejamento dos seus estudos, ao final de cada aula, o gabarito vem acompanhado por códigos hierárquicos que mostrarão a que tema do livro teórico corres- ponde cada questão. Esse formato irá auxiliá-lo a diagnosticar quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do material didático 2020. Sempre moderno e com- pleto é um grande aliado para o seu sucesso nos vestibulares. Bons estudos! Herlan Fellini 2 SUMÁRIO ENTRE LETRAS GRAMÁTICA Aulas 1 e 2: Formação de palavras 4 Aulas 3 e 4: Artigos, substantivos e adjetivos 24 Aulas 5 e 6: Verbos: noções preliminares e modos indicativo e subjuntivo 47 Aulas 7 e 8: Verbos: modo imperativo e vozes verbais 71 Aulas 1 e 2: A arte literária e o estudo dos gêneros 92 Aulas 3 e 4: Trovadorismo: a literatura da Idade Média 106 Aulas 5 e 6: Humanismo e Classicismo 115 Aulas 7 e 8: Classicismo: Camões épico e lírico 126 LITERATURA 3 GRAMÁTICA 4 E.O. AprEndizAgEm TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A PIPOCA Rubem Alves A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das mi- nhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamen- te isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira delicio- sa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamen- to nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um ex- traordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem exis- tir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé... A pipoca é um milho mirrado,subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar de- las. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, espe- rando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repenti- namente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, espe- cialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a trans- formação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transfor- mações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não pas- sa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa si- tuação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depres- são – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá den- tro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está repre- sentado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morree transforma-te!” − dizia Goethe. Formação de palavra CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27 AULAS 1 e 2 5 Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extra- ordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder me- tafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... Disponível em http://www.ReleituRAs.com/RubemAlves_pipocA.Asp. AcessADo em 31 De mAi. 2016. Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. 1. (EfOMM) NO QUE TANgE AO PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS, O TERMO dESTACAdO QUE SE ENQUAdRA COMO fORMAçÃO-REgRESSIvA APARECE NA OPçÃO a) As comidas, para mim, são entidades oníricas. Pro- vocam a minha capacidade de sonhar. b) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. c) É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação (...) d) O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária (...) e) O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-den- tes, impróprios para comer (...) 2. (CEfET) A INTERNET E A MORTE dA IMAgINAçÃO JAcques GRumAn “nuncA entenDi essA obsessão poR soRRisos em fotoGRAfiAs. Deve seR um conluio com os DentistAs.” (noRA tAusz RónAi) Reza uma antiga lenda que dois reinos estavam em guerra. Os perdedores acabaram condenados ao confinamento do outro lado dos espelhos, um primitivo mundo virtual em que eram obrigados a reproduzir tudo o que os vencedores faziam. A luta dos derrotados passava a ser como escapar daquela prisão. O genial Lee Falk inspirou-se nesta narrativa para criar, na década de 1940, O mundo do espelho, para mim uma das mais aterro- rizantes histórias do Mandrake. Espelhos foram, aliás, protagonis- tas de algumas sequências cinematográficas assustadoras. Bóris Karloff, um clássico do gênero, aproveitou muito bem o medo que, desde crianças carregamos, de que nossos reflexos nos espelhos ganhem autonomia. Ui! Já imaginaram se isso virasse realidade? Teríamos de conviver com nossos opostos, um estranhamento no mínimo desconfortável. Os quadrinhos exploraram o assunto tam- bém na série do Mundo bizarro, do Super-Homem. Era um nonsen- se pouco habitual no universo previsível dos super-heróis. Estava pensando nos estranhamentos do mundo moderno quan- do me deparei com uma pequena nota de jornal. Encenava-se a ópera Carmen, de Bizet, no Theatro Municipal do Rio. Suponho que a plateia, que pagou caro, estava mergulhada na história e na interpretação da orquestra e dos solistas. Não é que um cidadão saca seu iPad e passa um tempão checando os e-mails, dedinhos nervosos para cima e para baixo, com a tela iluminando a penum- bra indispensável para a fruição plena do espetáculo? Como esse tipo de desrespeito está entrando na “normalidade”, apenas uma pessoa esboçou reação. Uma espécie de angústia semelhante à incontinência urinária se espalha como praga nas relações pes- soais e no uso dos espaços público e privado. Tudo passou a ser urgente. Todos os torpedos, e-mails e chamadas no celular viraram prioridade, casos de vida ou morte. Interrompem-se conversas para olhar telinhas e telonas, desrespeitando interlocutores. Como este tipo de patologia tende a se diversificar, já há gente que conversa e olha o computador ao mesmo tempo, como aqueles lagartos esquisitos cujos olhos se movimentam sem aparente coordenação. Outros participam de reuniões sem desligar sua tralha eletrônica (na verdade, não estão nas reuniões). Especialistas em informática previram que, num futuro não muito distante, chips serão implan- tados no corpo. Estão atrasados. Corpos já pertencem a máquinas. A vida é controlada a distância e por outros. Outro estranhamento vem da inundação de imagens, aflição que chamo de galeria dos sem imaginação. Enxurradas de fotos inva- dem o espaço virtual, a enorme maioria delas sem o menor signifi- cado e perfeitamente descartáveis. O Instagram recebe 60 milhões de fotos por dia, ou seja, quase 700 fotos por segundo! Fico pen- sando no sorriso irônico ou, quem sabe, no horror em estado bruto, que Cartier-Bresson1 esboçaria se esbarrasse nisso. Ele, que procu- rava a poesia nos pequenos gestos, no cotidiano que se desdobrava em surpresas, nos reflexos impensados, jamais empilharia a coleção de sorrisinhos forçados que caracteriza a obsessão pelos clics. Essa história dos sorrisos foi muito bem notada pela Nora Ró- nai, que citei logo no início. Vivemos a era das aparências. Com a multiplicação das imagens, vem a obrigação de “estar bem”. Afinal de contas, quem vai querer se exibir no Facebook ou nas trocas de mensagens com uma ponta de melancolia ou, pelo me- nos, um suspiro de realidade? O mundinho virtual exige estado de êxtase permanente. Uma persona que não passa de ilusão. Criatividade não quer dizer tristeza, claro, mas certamente pre- cisa incorporá-la como tijolo construtor da nossa personalida- de. O resto é fofoca. Eric Nepomuceno, tradutor e escritor, fez o seguinte comentário sobre seu amigo Gabriel Garcia Márquez, que acabara de morrer: “Tudo o que ele escreveu é revelador da infinita capacidade de poesia contida na vida humana. O eixo, porém, foi sempre o mesmo, ao redor do qual giramos todos: a solidão e a esperança perene de encontrar antídotos contra essa condenação”. Nada que essas maquininhas onipresentes possam registrar, elas que jamais entenderiam a fina ironia de Fernando Pessoa no Poema em linha reta, que começa assim: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”. Mais adiante: “Arre, estou farto de semideuses. Onde é que há gente nesse mundo?”. 6 A praga narcísica desembarcou nas camas. Leio que nova moda é fazer selfies2 depois do sexo. O casal transa, mas isso não basta. É urgente compartilhar! Tira-se uma foto da apa- rência de ambos, coloca-se no Instagram e ... pronto. O mun- do inteiro será testemunha de um momento íntimo, talvez o mais íntimo de todos. Meu estranhamento vai ao paroxis- mo. É a esse mundo que pertenço? Antigamente, era cos- tume dizer que o que não aparecia na televisão não existia. Atualizando a frase: pelo visto, o que não está na rede não existe. É a universalização do movimento apenas muscular, sem sentido, leviano, rapidamente perecível. Durante o exílio, o poeta argentino Juan Gelman passou um bom tempo sem conseguir escrever. A inspiração não vinha. Disse ele: “A poesia é uma senhora que nos visita ou não. Convocá-la é uma impertinência inútil. Durante uns bons quatro anos, o choque do exílio fez com que essa senhora não me visitasse”. Quando, fi- nalmente, a senhora chega, tudo muda,como narra o poeta: “A visita é como uma obsessão. Uma espécie de ruído junto ao ouvi- do. Escrevo para entender o que está acontecendo”. Não consigo imaginar uma serenidade como essa no mundo virtual. Tudo nasce e morre antes de ser completamente absorvido. Cada novidade passa a ser vital, filas se formam nas madrugadas nas portas de lojas que começam a vender modelos mais avançados de produtos eletrônicos. Não dá pra esperar um dia, muito menos uma hora. O silêncio e a introspecção são guerrilheiros no habitat plugado. Estou me alistando neste exército de Brancaleone.3 1 Henri Cartier-Bresson: (França 1908- 2004), fotógrafo do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo. 2 fazer selfies: selfie é uma palavra em inglês, um neologismo com origem no termo self-portrait, que significa autorretrato, e é uma foto tirada e compartilhada na internet. Normalmente uma selfie é tirada pela própria pessoa que aparece na foto, com um celular que possui uma câmera incorporada, com um smartphone, por exemplo. 3 O Incrível Exército de Brancaleone (em italiano: L’armata Brancaleone): é um filme italiano de 1966, do gênero comédia. Foi dirigido por Mario Monicelli. O Exército de Brancaleone é considerado um clássico italiano, que retrata os costumes da cavalaria medieval através da comédia satírica. É um filme ins- pirado em Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes. (Disponível em: <http://www.cARtAmAioR.com.bR/?/opiniAo/A- moRte-DA-imAGinAcAo/30783>. Acesso em: 16 AGo. 2014.) O EMPREgO dO dIMINUTIvO NOS TERMOS EM dESTAQUE NÃO TEM vAlOR IRôNICO EM: a) “O mundinho virtual exige estado de êxtase per- manente.” b) “Os quadrinhos exploraram o assunto também na série do Mundo bizarro, do Super-Homem.” c) “Nada que essas maquininhas onipresentes pos- sam registrar, elas que jamais entenderiam a fina iro- nia de Fernando Pessoa no Poema em linha reta ...” d) “Ele, que procurava a poesia nos pequenos gestos, no cotidiano que se desdobrava em surpresas, nos reflexos impensados, jamais empilharia a coleção de sorrisi- nhos forçados que caracteriza a obsessão pelos clics.” e) “Não é que um cidadão saca seu iPad e passa um tempão checando os e-mails, dedinhos nervosos para cima e para baixo, com a tela iluminando a penumbra indispensável para a fruição plena do espetáculo?” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A sociedade vive diversas contradições, muitas delas fomentadas por modismos que só espelham a superficialidade e o imediatismo de valores contemporâneos, entre eles o excessivo culto ao corpo. Informações que circulam pelas redes sociais, muitas delas sem nenhum respaldo científico, induzem à crença de que o uso de determinadas substâncias ajuda na construção de corpos “per- feitos” ou “desintoxica” o organismo, mas sem apontar os pos- síveis riscos à saúde. Não há dados precisos sobre quantas pessoas usam rotinei- ramente essas substâncias, mas o fato é que em vários paí- ses cresce o número de pacientes atendidos por toxicidade delas decorrente. Não é incomum o uso de mais de uma dessas substâncias, tais como anabolizantes injetáveis, oxandrolona e hormônio de cres- cimento. De forma isolada ou combinada, elas podem aumentar a massa muscular, mas criam um considerável risco de morte sú- bita por infarto, arritmia cardíaca ou hemorragia cerebral, além de problemas como insuficiência renal, tumores do fígado e dis- túrbios de coagulação. A lista de substâncias e fórmulas “promissoras”, definidas pelo imaginário criativo do prescritor ou do fabricante, é longa. Seu uso é estimulado não apenas pelo culto ao corpo, mas também pelo mercado que movimenta mais de US$ 70 bilhões ao ano e que não é profundamente regulamentado pelas agências fiscali- zadoras de vários países. O culto ao corpo não é condenável, desde que seja em função da busca por uma melhor qualidade de vida. A autoestima que dele pode advir é desejável e pode ser estimulada, desde que não comprometa a saúde através de falsas premissas. A melhor maneira de coibir as práticas insensatas e perniciosas é trazê-las para o terreno da ciência. A comprovação científica, apoiada em divulgação honesta de benefícios e riscos, é funda- mental para que cada indivíduo possa tomar as decisões sobre o que quer fazer com seu próprio corpo. (RAul cultAit e RAymunDo pARAná. “culto Ao coRpo, DespRezo à sAúDe”. www.folhA.uol.com.bR. ADAptADo.) 3. (ANHEMBI MORUMBI MEd – UNESP) SÃO fORMAdOS PElO PROCESSO dE dERIvAçÃO SUfIXAl OS TERMOS: a) desintoxica (2º parágrafo); regulamentado (5º pa- rágrafo); perniciosas (7º parágrafo). b) respaldo (2º parágrafo); incomum (4º parágrafo); comprovação (7º parágrafo). c) arritmia (4º parágrafo); condenável (6º parágrafo); coibir (7º parágrafo). d) contradições (1º parágrafo); profundamente (5º parágrafo); autoestima (6º parágrafo). e) modismos (1º parágrafo); superficialidade (1º pará- grafo); cerebral (4º parágrafo). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? So- berania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – as pa- lavras hoje são ditas com tanta facilidade que somos incapazes 7 de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava privilégio – isto é, literalmente, 1“lei privada”, uma prerrogativa especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, pois havia sido ungido como o agente de Deus na terra. Durante todo o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questio- naram esses pressupostos, e os panfletistas profissionais conse- guiram empanar a aura sagrada da coroa. Contudo, a desmon- tagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência iconoclasta, destruidora do mundo, revolucionária. Seria ótimo se pudéssemos associar a Revolução exclusivamente à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu na violência e imprimiu seus princípios em um mundo violento. Os conquistadores da Bastilha não se limitaram a destruir um símbolo do despotismo real. Entre eles, 150 foram mortos ou feridos no as- salto à prisão e, quando os sobreviventes apanharam o diretor, cor- taram sua cabeça e desfilaram-na por Paris na ponta de uma lança. Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzen- tos anos de experiências com admiráveis mundos novos torna- ram-nos céticos quanto ao planejamento social. Retrospectiva- mente, a Revolução pode parecer um prelúdio ao totalitarismo. Pode ser. Mas um excesso de visão histórica retrospectiva pode distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pesso- as não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as coisas se desintegraram, eles reagiram a uma necessidade impe- riosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denún- cia da tirania e da injustiça. Afinal, em que estava empenhada a Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade. ADAptADo De: DARnton, RobeRt. o beiJo De lAmouRette. in: ____. o beiJo De lAmouRette: míDiA, cultuRA e Revolução. são pAulo: ciA. DAs letRAs, 2010. p. 30-39. 4. (UfRgS) AO REfERIR-SE à IdEIA dE “lEI PRIvAdA” COMO UMA EXPlI- CAçÃO lITERAl dE PRIvIlégIO (REf. 1), O AUTOR ESTá fAzENdO REfERêNCIA à ORIgEM lATINA dESSA PAlAvRA, RElACIONAdA A AlgUMAS dAS fORMAS QUE TOMAvA, NAQUElA líNgUA, A PAlAvRA EQUIvAlENTE A lEI – POR EXEMPlO, lEgIS. CONSIdERE AS SEgUINTES PAlAvRAS dO PORTUgUêS. 1. lEgAl 2. lEgIÃO 3. lEgíTIMO 4. lEgívEl QUAIS TêM TAMBéM RElAçÃO SEMâNTICA COMA PAlAvRA lEI, REvElAN- dO, POR SUA fORMA, A ORIgEM lATINA? a) Apenas 1 e 3. b) Apenas 1, 3 e 4. c) Apenas 2 e 3. d) Apenas 2 e 4. e) 1, 2, 3 e 4. lEIA O EXCERTO dO ROMANCE vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS, PARA RESPONdER à QUESTÃO. Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à ca- marinha escura, pareciam ratos – e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera. Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou do aió um pedaço de fumo, picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, pôs-se a fumar regalado. – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra. Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: – Você é um bicho, Fabiano. Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passa- ra uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fi- zera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro. Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado. Olhou as quipás, os mandacarus e os xiquexi- ques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baraúnas. Ele, sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra. Chape-chape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco. (viDAs secAs, 2010.) 5. (fASM MEd – UNESP) AS PAlAvRAS “IMPRUdENTE” (5º PARá- gRAfO) E “dESENTENdIdO” (10º PARágRAfO) SÃO fORMAdAS POR PRE- fIXOS dE NEgAçÃO. TAMBéM SE ENCONTRAM PREfIXOS dE NEgAçÃO EM: a) amorfo e didático. b) ilegal e discordância. c) incorrigível e dilema. d) emigrar e instante. e) diálogo e interpor. 6. (CEfET) NO MUNdO dOS ANIMAIS As relações entre os humanos e as demais espécies viventes têm merecido a atenção de escritores, artistas e intelectuais. Essas relações, que não primam pela ética, são o objeto de estudo da professora e escritora mineira Maria Esther Maciel. Quando os estudos sobre “animais e literatura” passaram a ser feitos de modo sistemático no Brasil? 8 Maria Esther Maciel: Só recentemente; antes, havia trabalhos es- parsos. Além disso, a abordagem se circunscrevia à visão do animal como símbolo, metáfora ou alegoria do humano, mais restrita à análise textual. Hoje, percebe-se uma ampliação desse enfoque, que deixa os limites do texto literário para ganhar um viés transdis- ciplinar, em diálogo com a filosofia, biologia, antropologia, psico- logia. Aliás, esse entrelaçamento de saberes em torno da questão animal cresceu em várias partes do mundo, propiciando a difusão de um novo campo de investigação crítica denominado “estudos animais”. A literatura tem conquistado espaço importante nesse campo, graças sobretudo a escritores/pensadores como John M. Coetzee, John Berger e Jacques Derrida, que souberam aliar, de modo criativo, literatura, ética e política no trato da questão animal. Como a senhora explica esse interesse crescente pelo tema? Há um conjunto de fatores. Impossível não considerar as preocu- pações de ordem ecológica, que movem a sociedade contempo- rânea. Há também uma tomada de consciência mais explícita por parte de escritores, artistas e intelectuais dos problemas éticos que envolvem nossa relação com os animais e com o próprio conceito de humano. Além disso, a noção de espécie e a divisão hierárquica dos viventes têm provocado discussões ético-políti- cas relevantes, que acabam por contaminar as artes e a literatura. A isso se soma a tentativa, por parte dos humanos, de recuperar sua própria animalidade, que por muito tempo foi reprimida em nome da razão e do antropocentrismo. Por que é importante para a humanidade refletir sobre a animalidade? Ao refletir sobre a animalidade, a humanidade pode repensar o próprio conceito de humano e reconfigurar a noção de vida. Por muito tempo, nosso lado animal foi recalcado em nome da razão e de outros atributos tidos como próprios do homem. Quem ler os tratados de filosofia e teologia escritos ao longo dos séculos verá que a definição de humano e humanidade se forjou à custa da negação da animalidade humana e da exclusão/marginali- zação dos demais seres que compartilham conosco o que cha- mamos de vida. Acho que os humanos precisam se reconhecer animais para se tornarem verdadeiramente humanos. É possível identificar modos diferentes de “explorar” a figura do animal na produção literária? Na literatura brasileira, podemos falar de três momentos incisi- vos. No primeiro, está Machado de Assis, que escreveu no auge do racionalismo cientificista do século 19, quando os princípios cartesianos já tinham legitimado no Ocidente a cisão entre hu- manos e não humanos, e os animais eram vistos como máqui- nas. No século 20, a partir dos anos 30, autores como Gracilia- no Ramos, João Alphonsus, Guimarães Rosa e Clarice Lispector marcam um novo momento, ao lidar, cada um a seu modo, com as relações entre homens e animais sob um enfoque libertário, manifestando cumplicidade com esses outros viventes e a recusa da violência contra humanos e não humanos. Já os escritores do final do século 20 e início do 21 lidam com a questão dos animais sob o peso de uma realidade marcada por catástrofes ambientais, extinção de espécies, experiências biotecnológicas, expansão das granjas e fazendas industriais etc. Como a senhora vê o futuro dos animais? Pelo jeito como as coisas andam, preocupo-me com a possibilida- de de os animais livres desaparecerem da face da Terra. Ficariam apenas os bichos criados em reservas e cativeiros, os expostos em zoológicos, os “produzidos” em granjas e fazendas indus- triais para viver uma vida infernal e morrer logo depois, além dos animais domésticos, adestrados e humanizados ao extremo. Há quem diga que até mesmo estes estão fadados a desapare- cer, dando lugar a animais-robôs, que já existem no Japão. A humanidade tem destruído florestas, dizimado povos indíge- nas, exterminado espécies animais. Apesar da preocupação de ativistas com o destino do planeta, falta empenho político dos governos para frear essa destruição generalizada. Minha utopia é que a humanidade possa um dia fazer mea-culpa em relação aos crimes já cometidos contra os índios, os animais, a natureza. Mas, pelo que vejo, essa questão continuará a ser um grande desafio ético e político para a nossa civilização. Seus estudos sobre animalidade a influenciaram em seu modo de vida? Não consigo desvincular o trabalho do meu modo de vida. Se che- guei ao tema dos animais, foi por causa do meu apreço por eles. Há anos não como carne, por causa da memória do tempo em que passava temporadas na fazenda do meu pai, no interior de Minas Gerais. Vivia perto de vacas, porcos, aves, cavalos, cachorros. Toda vez que via carne de vaca na mesa, me lembrava do olhar bovino. Já a visão da carne de porco me trazia a imagem dos porquinhos espertos e afetuosos com que eu brincava. Foi assim também com as aves, os coelhos e outros bichos. Como fui sempre muito tocada pelo olhar animal, decidi não comê-los mais. Aindamantive peixes e frutos do mar, mas deixei de comer várias espécies ao saber de seus hábitos. Recuso também ovos de granja, em repúdio à situa- ção absurda das aves nos espaços de confinamento das fazendas industriais. Meu projeto de vida, certamente influenciado por meus estudos, é parar de consumir também carne de peixe. Chegarei lá. (mAciel, mARiA estheR. no munDo Dos AnimAis. entRevistA A RobeRto b. De cARvAlho. ciênciA hoJe, 21 nov. 2012. Disponível em <http://cienciAhoJe.uol.com.bR>. Acesso em: 05 nov. 2013.) ENTRE OS vOCáBUlOS EXTRAídOS dO TEXTO, AQUElE NO QUAl A SílABA “RE” fUNCIONA COMO UM PREfIXO QUE TRAdUz IdEIA dE REPETIçÃO é a) “recusa”. b) “refletir”. c) “recuperar”. d) “relevantes”. e) “reconfigurar”. lEIA O TEXTO dE HélIO SCHwARTSMAN PARA RESPONdER à QUESTÃO. INTELIGÊNCIA ANIMAL O homem é o único animal que [ ]. O espaço entre os colchetes já foi preenchido por hipóteses para todos os gostos. “Usa ferra- mentas”, “desenvolve e transmite cultura”, “imagina o futuro”, “compreende o que se passa em outras mentes”, “usa sintaxe” são algumas das mais recentes. Todas elas acabaram sendo des- cartadas por evidências empíricas, à medida que os cientistas, particularmente os etólogos1, foram sofisticando os experimentos pelos quais acessam e avaliam a inteligência animal. Talvez já seja hora de aposentar a fórmula “o homem é o único animal que...”. Essa é a tese que o primatologista Frans de Waal defende com ardor em Are We Smart Enough to Know How Smart Animals Are? (Somos espertos o suficiente para saber quão espertos são 9 os animais?). Como em outros livros do autor, ele nos inunda com histórias incríveis de façanhas intelectuais de bichos. Conta que polvos usam casacas de coco como ferramenta, que elefan- tes são capazes de distinguir idiomas humanos, que macacos ja- poneses aprenderam a lavar batatas doces com água e passaram a técnica às gerações seguintes. A isso se somam as evidências de que chimpanzés fazem política e até pagam propinas a alia- dos, sem mencionar os corvos, que estão se revelando verdadei- ros Einsteins do reino animal. (www.folhA.uol.com.bR. ADAptADo.) 1 ETÓlOgO: ESTUdIOSO dO COMPORTAMENTO SOCIAl E INdIvIdUAl dOS ANIMAIS EM SEU HáBITAT NATURAl. 7. (fMJ MEd – UNESP) QUANTO à CARACTERIzAçÃO dO PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS, ESTá CORRETO O QUE SE AfIRMA EM: a) o vocábulo “experimentos” (1º parágrafo) foi for- mado por derivação sufixal, com o sufixo indicador de agente “-mento(s)” acrescido à base. b) o vocábulo “capazes” (2º parágrafo) foi formado por derivação sufixal, com o sufixo indicador de agen- te “-es” acrescido à base. c) o vocábulo “incríveis” (2º parágrafo) foi formado por derivação prefixal, com o prefixo de negação “in- ” acrescido à base. d) o vocábulo “intelectuais” (2º parágrafo) foi forma- do por derivação prefixal, com o prefixo de negação “in-” acrescido à base. e) o vocábulo “descartadas” (1º parágrafo) foi forma- do por derivação prefixal, com o prefixo de negação “des-” acrescido à base. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Reforma na corrupção Como previsto, já arrefece o mais recente debate sobre corrup- ção. Ainda se discute, sem muito entusiasmo, a absolvição de uma deputada que foi filmada recebendo um 3dinheirinho sus- peito, mas isso aconteceu antes de ela ser deputada, de maneira que não vale. Além da forte tendência de os parlamentares não punirem os seus pares, havia o risco do precedente. Não somente o voto é indecentemente secreto nesses casos, como o preceden- te poderia expor os pescoços de vários outros deputados. O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância, mesmo que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá. Aliás, me antecipando um pouco ao que pretendo propor, me veio logo uma ideia prática para acertar de vez esse negócio de deputa- do cometendo crimes durante o exercício do mandato. Às vezes – e lembro que errar é humano – o sujeito comete esses 2crimezinhos distraído. Esquece, em perfeita boa-fé, que exerce um mandato parlamentar e aí perpetra a falcatrua. Fica muito chato para ele, se ele for flagrado, e seus atos podem sempre vir à tona, expostos pela imprensa impatriótica. Não é justo submeter o deputado a essa tensão permanente, afinal de contas, ele é gente como nós. Minha ideia, como, modéstia à parte, costumam ser as grandes ideias, é muito simples: os deputados usariam uniforme. Não daria muito trabalho contratar (com dispensa de licitação, dada a urgência do projeto), um estúdio de alta-costura francês ou italiano, ou ambos, para desenhar esse uniforme. Imagino que seriam mais de um: o de trabalho, usado só excepcionalmente, o de gala, o de visitar eleitores e assim por diante. Enquanto esti- ver de uniforme, o deputado é responsabilizado pelos seus atos ilícitos ou indecorosos. Mas, se estiver à paisana, não se encontra no exercício do mandato e, portanto, pode fazer o que quiser. (...) Mas isso é um mero detalhe, uma providência que melhor seria avaliada no conjunto de uma reforma séria, que levasse em con- ta nossas características culturais e nossas tradições. (...) O que cola mesmo aqui são os ensinamentos de líderes como o ex-presidente (gozado, o “ex” enganchou aqui no teclado, quase não sai), que, em várias ocasiões, torceu o nariz para denúncias de corrupção e disse que aqui era assim mesmo, sempre tinha sido feito assim e não ia mudar a troco de nada. E assumia pos- turas coerentes com esse ponto de vista. (...) Contudo, quando se descobre mais um caso de corrupção, a vida republicana fica bagunçada, as coisas não andam, perde-se tra- balho em investigações, gasta-se tempo prendendo e soltando gente e a imprensa, que só serve para atrapalhar, fica cobrando explicações, embora já saibamos que explicações serão: primeiro desmentidos e em seguida promessas de pronta e cabal investiga- ção, com a consequente punição dos culpados. Não acontece nada e perdura essa situação monótona, que às vezes paralisa o País. A realidade se exibe diante de nós e não a vemos. Em lugar de querer suprimir nossas práticas seculares, que hoje tanto prospe- ram, por que não aproveitá-las em nosso favor? (...) O brasileiro preocupado com o assunto já pode sonhar com uma corrupção moderna, dinâmica e geradora de empregos e renda. E não pen- sem que esqueci as famosas classes menos favorecidas, como se dizia antigamente. O mínimo que antevejo é o programa Fraude Fácil, em que qualquer um poderá habilitar-se ao exercício da boa corrupção, em seu campo de ação favorito. Acho que dá cer- to, é só testar. E ficar de olho, para não deixar que algum corrupto corrupto passe a mão no fundo todo, assim também não vale. João ubAlDo RibeiRo, o estADo De são pAulo. Disponível em: http://www.estADAo.com.bR/noticiAs/impResso,RefoRmA-nA- coRRupcAo,768238,0.htm. Acesso em: 04-9-2011. 8. (UPf) O AUTOR fAlA EM “CRIMEzINHOS” (REf. 2), REPETINdO UMA ESTRA- TégIA Já USAdA, QUANdO SE REfERE A “dINHEIRINHO” (REf. 3). NO CONTEXTO EM QUE APARECEM, AS dUAS OCORRêNCIAS dE dIMINUTIvO: a) Representam uma minimização do destaque que a mí- dia tem dado aos episódios de corrupção. b) Indicam a versão daquele que é flagrado em situações comprometedoras, tentando livrar-se do peso da infração. c) Marcam a ironia em relação aos corruptos, que exploram a boa-fé do eleitor com vistas à sua promoção pessoal. d) Deixam implícita a informação de que não se deve confiar nos dados apresentados pelos envolvidos em escândalos financeiros. e) Denotam a avaliação do autor acerca da importân- cia dos crimes perpetrados contra os cofres públicos. 9. (IfSP) NO PORTUgUêS, ENCONTRAMOS vARIEdAdES HISTÓRICAS, TAIS COMO A REPRESENTAdA NA CANTIgA TROvAdORESCA dE JOÃO gARCIA dE gUIlHAdE, IlUSTRAdA A SEgUIR. Non chegou, madre, o meu amigo, e oje est o prazo saido! Ai, madre, moiro d’amor! 10 Non chegou, madre, o meu amado, e oje est o prazo passado! Ai, madre, moiro d’amor! E oje est o prazo saido! Por que mentiu o desmentido? Ai, madre, moiro d’amor! Eoje, est o prazo passado! Por que mentiu o perjurado? Ai, madre, moiro d’amor! CONSIdERANdO A TERCEIRA ESTROfE, ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRE- SENTA UMA PAlAvRA fORMAdA POR PARASSíNTESE. a) desmentido b) prazo c) saido d) d’amor e) moiro 10. (UfSM - AdAPTAdA) lEIA O fRAgMENTO A SEgUIR. [...] a capoeira, a guardiã do jogo, da 1brincadeira, do faz de con- ta que 2luta, mas joga com o outro, que simula um 3golpe e tira o outro para dançar e que tem uma vinculação étnica e racial com o percurso e o lugar da negritude em nosso país, acabou, em algumas escolas, ensinada sob o 4controle da 5esportivização, com regras e pontuações. (oRientAções cuRRiculARes pARA o ensino méDio. secRetARiA De eDucAção básicA. bRAsíliA: ministéRio DA eDucAção, v. 1, 2008, p. 231.) O SUBSTANTIvO QUE, fORMAdO COM O AUXílIO dE UM SUfIXO, CONOTA NO fRAgMENTO UM PROCESSO dESvANTAJOSO à PRáTICA dA CAPOEIRA NA ESCOlA é a) brincadeira (ref. 1). b) luta (ref. 2). c) golpe (ref. 3). d) controle (ref. 4). e) esportivização (ref. 5). E.O. FixAçãO 1. (SÃO CAMIlO MEd – UNESP) lEIA A TIRA dO CARTUNISTA ANgElI PARA RESPONdER à QUESTÃO. (www.folhA.uol.com.bR) O PREfIXO “dES-”, dA fORMA vERBAl “dESCONfIA”, NO PRIMEIRO QUA- dRINHO, TEM vAlOR SEMâNTICO dE NEgAçÃO, ASSIM COMO NO TERMO dESTACAdO EM: a) Sem os cuidados adequados, a garota ia, aos pou- cos, desfalecendo em seu leito. b) Os torcedores desaprovaram a escalação dos jo- gadores para a última partida. c) Apenas com o trem de pouso traseiro, o avião des- lizou o nariz pela pista. d) Minha avó me ensinou, desde cedo, a não desper- diçar comida. e) Desfruta a vida enquanto podes, que o tempo é implacável, e a morte é certa. 2. (EfOMM) fElICIdAdE ClANdESTINA (clARice lispectoR) Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente cres- pos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós to- das ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima pala- vras como “data natalícia” e “saudade”. Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vin- gança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, es- guias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma fe- rocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as on- das me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me man- dou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia se- guinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. 11 Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá esta- va eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu cor- po grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando-me mesmo, às ve- zes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olhei- ras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha des- conhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse fir- me e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim rece- bi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li al- gumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como de- morei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. COM BASE NO TEXTO ACIMA, RESPONdA à QUESTÃO A SEgUIR. ASSINAlE A OPçÃO EM QUE O PROCESSO dE fORMAçÃO dA PAlAvRA SU- BlINHAdA é dIfERENTE dOS dEMAIS. a) Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. b) Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. c) Mas que talento tinha para a crueldade. d) Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. e) Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 3. (ESC. NAvAl) lAIvOS dE MEMÓRIA “... e quando tiverem chegado,vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela.” (nossA voGA, escolA nAvAl, ilhA De villeGAGnon, 1964.) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, triste- za e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficiente- mente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara peque- no demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar des- perta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas – e despedidas são sempre dolorosas – não seriam cer- tamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalen- tavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas ca- ras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respecti- vas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendi- zagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis 12 anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas es- portivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos pas- sados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar – a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras desco- bertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado em- barque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro em- barque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional – no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda- -Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compro- missos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: “... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a ado- lescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos”. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplican- do a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d’ Armas, hoje saudosas, fo- ram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tan- tas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aprovei- tados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de mi- lhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de ensea- das, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona ines- timáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ri- beirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses can- tos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, “o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento”. (césAR, cmG williAm cARmo. lAivos De memóRiA. in: RevistA De villeGAGnon, Ano iv, nº 4, 2009. p. 42-50.) EM QUE OPçÃO ENCONTRA-SE UMA PAlAvRA CUJO PROCESSO dE fOR- MAçÃO é O MESMO dO TERMO dESTACAdO EM “[...] O TÃO SONHAdO EMBARQUE [...].” (11º PARágRAfO) a) “[...] circundam minha terra [...].” (2º parágrafo) b) “[...] não seriam certamente em vão.” (4º parágrafo) c) “E o sentimento de perda [...].” (6º parágrafo) d) “Seis anos entremeados de aulas, [...].” (7º parágrafo) e) “[...] o notável escritor-marinheiro [...].” (13º parágrafo) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Quem nunca fotoxopou? Fala-se hoje em Facebook, Google e iPhone com a mesma combinação de fascínio e terror que um dia já se falou de Motorola e Nokia. Tudo se move rápido demais no mundo di- gital, e são poucas as empresas que conseguem permanecer competitivas ao longo dos anos. Apesar de o Vale do Silício ter aquele ar hollywoodiano de terra de oportunidades, con- tam-se nos dedos empresas longevas como uma Adobe, uma Dell, uma Amazon. Por ter grande mobilidade, a concentração de poder e influência no mundo digital surge tão rápido quanto desaparece, a ponto de ser cada vez mais difícil encontrar quem fique na liderança por uma mísera década. Na virada do século não havia Friendster, Myspace nem Orkut, o grande buscador era o Yahoo!, seguido pelo Lycos. E a internet móvel estava a cargo de empresas inova- doras como Palm e Kyocera. O usuário de produtos digitais é cada vez mais volúvel e pragmático. Novos produtos e serviços podem até seduzi-lo com propaganda, design e preço. Mas a relação dificilmente será mantida se a marca não se renovar com a velocidade esperada, pouco importa sua fatia de mercado. Kodak e Sony que o digam. Mesmo que ainda sejam gigantescas, já não têmo apelo de outrora. A melhor lição de empresas bem-sucedidas em relacionamen- tos de longo prazo é a do bom e velho Photoshop, vendendo saúde em seus 22 anos de idade e 12 plásticas (oops, ver- sões). Como o Google, ele é sinônimo de categoria e verbo. Mas também é adjetivo, substantivo, pejorativo e indicativo de retoques fotográficos, mencionado com familiaridade até por quem não faça ideia de como ele funciona. Ao contrário do AutoCAD, que é oito anos mais velho, mas desconhecido fora de seu nicho, o Photoshop é unanimidade. folhA De s. pAulo, 26/03/2012. 4. (INSPER) QUANTO àS vARIAçõES EXPlORAdAS A PARTIR dO TERMO “PHOTOSHOP”, é CORRETO AfIRMAR QUE 13 a) o neologismo do título foi formado pelo mesmo processo que o termo “design”, presente no texto. b) como adjetivo, o valor depreciativo do termo “fo- toxopado” decorre exclusivamente do sufixo “-ado” agregado ao radical. c) as palavras formadas a partir do estrangeirismo “photoshop” constituem jargões restritos à área de informática. d) a grafia abrasileirada de “fotoxopou”, diferente- mente de “hollywoodiano”, no 1.º parágrafo, é uma prova de que o software se popularizou no mundo. e) apesar de não ter sido mencionado no texto, também seria possível transformar “Photoshop” em advérbio de modo: “fotoxopalmente”. 5. (UFRGS - Adaptado) Hoje os conhecimentos se estruturam de modo fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas. Essa situação impede uma visão global, uma visão fundamental e uma visão complexa. 1”Complexidade” vem da palavra latina complexus, que significa a compreensão dos elementos no seu conjunto. As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora do seu campo de especialização. A literatura, no entanto, é uma área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas. Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro. A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de expres- são, meios de conhecimento, meios de compreensão da 2com- plexidade humana. Assim, podemos ver o primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da 3complexidade humana. E vamos ver ainda outras inclusões: a inclusão da personalidade humana, a inclusão da subjetividade humana, e, também, muito importante, a inclusão; do estrangeiro, do marginalizado, do in- feliz, de todos que ignoramos e desprezamos na vida cotidiana. A inclusão da 4complexidade humana é necessária porque rece- bemos uma visão mutilada do humano. Essa visão, a de homo sapiens, é uma 5definição do homem pela razão; de homo faber, do homem como trabalhador; de homo economicus, movido por lucros econômicos. Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, mutilada, que esquece o principal: a relação do sapiens/demens, da razão com a demência, com a loucura. Na literatura, encontra-se a inclusão dos problemas humanos mais terríveis, coisas 6insuportáveis que nela se tornam suportá- veis. Harold Bloom escreve: ”Todas as grandes obras revelam a universalidade humana através de destinos singulares, de situa- ções singulares, de épocas singulares”. É essa a razão por que as 7obras-primas atravessam séculos, sociedades e nações. Agora chegamos à parte mais humana da inclusão: a inclusão do outro para a compreensão humana. A compreensão nos tor- na mais generosos com relação ao outro, e o criminoso não é unicamente mais visto como criminoso, como o Raskolnikov de Dostoievsky, como o Padrinho de Copolla. A literatura, o teatro e o cinema são os melhores meios de com- preensão e de inclusão do outro. Mas a compreensão se torna provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do filme. Então essa compreensão é que deveria ser introduzida e desen- volvida em nossa vida pessoal e social, porque serviria para me- lhorar as relações humanas, para melhorar a vida social. (moRin, eDGAR. A inclusão: veRDADe DA liteRAtuRA. in: RõsinG, tâniA et Al. eDGAR moRin: ReliGAnDo fRonteiRAs. pAsso funDo: upf, 2004. p. 13-18) NA COlUNA ACIMA, ESTÃO PAlAvRAS RETIRAdAS dO TEXTO; NA COlUNA ABAIXO, dESCRIçõES RElACIONAdAS à fORMAçÃO dE PAlAvRAS. ASSOCIE CORRETAMENTE OS ElEMENTOS dAS COlUNAS A SEgUIR. ( ) COMPlEXIdAdE (REfS. 1, 2, 3 E 4) ( ) dEfINIçÃO (REf. 5) ( ) INSUPORTávEIS (REf. 6) SUfIXO fORMAdOR dE AdJETIvOS A PARTIR dE vERBOS. ( ) OBRAS-PRIMAS (REf. 7) 1. CONSTITUídA POR COMPOSIçÃO ATRAvéS dE JUSTAPOSIçÃO. 2. CONSTITUídA POR PREfIXO COM SENTIdO dE NEgAçÃO E SUfIXO fOR- MAdOR dE AdJETIvOS A PARTIR dE vERBOS 3. CONSTITUídA POR SUfIXO fORMAdOR dE SUBSTANTIvO A PARTIR dE AdJETIvO. 4. CONSTITUídA POR SUfIXO fORMAdOR dE SUBSTANTIvO A PARTIR dE vERBO. 5. CONSTITUídA POR AglUTINAçÃO, TENdO EM vISTA A MUdANçA SIláBICA dE UM dOS ElEMENTOS dO vOCáBUlO. A SEQUêNCIA CORRETA dE PREENCHIMENTO dOS PARêNTESES, dE CIMA PARA BAIXO, é a) 4 – 3 – 2 – 1. b) 3 – 4 – 2 – 5. c) 4 – 3 – 1 – 5. d) 3 – 4 – 2 – 1. e) 3 – 2 – 1 – 5. 6. (Imed) Dia da Proclamação da República Há exatos 125 anos, em 15 de novembro de 1889, foi proclama- da a república do Brasil. Na época, o país era governado por D. Pedro II e passava por grandes problemas, em razão da abolição da escravidão, em 1888. Como os negros não trabalhavam mais nas lavouras, os 1imi- grantes começaram a ocupar seus lugares, plantando e colhen- do, mas cobravam pelos trabalhos realizados, o que gerou insa- tisfação nos proprietários de terras. As perdas também foram grandes para os coronéis, pois haviam gasto uma enorme quantidade de dinheiro investindo nos escra- vos, e o governo, após a abolição, não pagou nenhuma indeni- zação a eles. A guerra do Paraguai (1864 a 1870) também ajudou na luta contra o regime monárquico no Brasil. Soldados brasileiros se aliaram aos exércitos do Uruguai e da Argentina, recebendo orientações para implantarem a república no Brasil. Os movimentos republicanos também já aconteciam no país, a 2imprensa trazia politização à população civil, para lutarem pela libertação do país dos domínios de Portugal. Com isso, vários partidos teriam sido criados, desde 1870. A Igreja também teve sua participação para que a república do Brasil fosse proclamada. Dois bispos foram nomeados para 12aca- tarem as ordens de D. Pedro II, tornando-se seus subordinados, mas não aceitaram tais imposições. Com isso, foram punidos com pena de prisão, levando a igreja a ir contra o governo. 14 Com as tensões aquecendo o mandato de D. Pedro II, o impera- dor dirigiu-se com sua família para a cidade de Petrópolis, tam- bém no estado do Rio de Janeiro. Porém seu afastamento não foi nada favorável, fazendo com que fosse posto em prática um golpe militar, onde o Marechal Deodo- ro da Fonseca conspirava a derrubada de D. Pedro II. Boatos de que os responsáveis pelo plano seriam presos fizeram com que a armada acontecesse, recebendo o apoio de mais de seiscentos soldados. No dia 15 de novembro de 1889, ao passar pela Praça da Acla- mação, o Marechal, com espada em punho, declarou que, a partir daquela data, o país seria uma república. Dom Pedro II recebeu a notícia de que seu governo havia sido derrubado e um decreto o expulsava do país, juntamente com sua família. Dias depois, voltaram a Portugal. Para governar o Brasil República, os responsáveis pela conspira- ção montaram um governo provisório, mas o Marechal Deodoro da Fonseca permaneceu como presidente do país. Rui Barbosa, Benjamin Constant, Campos Sales e outros foram escolhidos para formar os ministérios. (JussARA De bARRos. Disponível em: http://www. bRAsilescolA.com. Acesso em: 16/01/2017) AvAlIE AS SEgUINTES AfIRMAçõES A RESPEITO dA PAlAvRA IMIgRANTES (REf. 1): I. é fORMAdA APENAS POR PREfIXAçÃO, ASSIM COMO A PAlAvRA IM- PRENSA (REf. 2). II. O PREfIXO – ANTE(S) EXPRIME ORIgEM. III. MIgRAçÃO, MIgRAR E EMIgRAR SÃO SUAS COgNATAS. QUAIS ESTÃO CORRETAS? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O sorriso dos canalhas Eles permanecem aí, sorrindo – em reuniões regadas a bom uís- que, sorrindo – diante de câmeras de televisão,sorrindo – de ter- no e gravata, sorrindo. Parecem felizes, diriam uns, estão de bem com a vida, pensariam outros, têm belas lembranças, concluiriam então. Sem dúvida! Cada vez que um deles se olha no espelho, preparando-se para aparecer em público, uma súbita alegria o invade. É um homem impune, e sempre que lembra disso ele sorri. Sorri por todos os sorrisos que roubou. Sim, eles permanecem aí e celebram nossa indiferença e nos- sa curta memória. Mas ainda é cedo demais para esquecer, e o sorriso deles nos avisa disso. Enquanto vamos levando nossa vidinha1 de todos os dias, preocupados com o preço da gasolina e a violência das grandes cidades, eles andam pelas ruas, vão ao cinema, frequentam restaurantes, assombram suas vítimas. Que imensa ilusão pensarmos que estamos em segurança enquanto eles sorriem. Se ainda não podemos fazer alguma coisa, temos ao menos a obrigação de não esquecer. (o espAço DA DoR, 1996. ADAptADo.) 7. (UNICId MEd – UNESP) A PAlAvRA “vIdINHA” (REf. 1), UTIlI- zAdA NO dIMINUTIvO, a) contrapõe-se a uma vida menos ordinária, perme- ada por cinema e restaurantes. b) reitera a ideia festiva contida em “celebram” e “sorriso”. c) caracteriza uma vida com altos e baixos, festas e trabalho, sorrisos e preocupações. d) faz uma denúncia sobre os delitos da vida cotidiana nas cidades. e) ameniza o tom ostensivo da vida fácil dos que sor- riem com “bom uísque”, “cinema” e “restaurantes”. 8. (ESPCEX) AO SE AlISTAR, NÃO IMAgINAvA QUE O COMBATE PUdESSE SE REAlIzAR EM TÃO CURTO PRAzO, EMBORA O RIBOMBAR dOS CANHõES Já SE fIzESSE OUvIR AO lONgE. QUANTO AO PROCESSO dE fORMAçÃO dAS PAlAvRAS SUBlINHAdAS, é COR- RETO AfIRMAR QUE SEJAM, RESPECTIvAMENTE, CASOS dE a) prefixação, sufixação, prefixação, aglutinação e onomatopeia. b) parassíntese, derivação regressiva, sufixação, agluti- nação e onomatopeia. c) parassíntese, prefixação, prefixação, sufixação e de- rivação imprópria. d) derivação regressiva, derivação imprópria, sufixação, justaposição e onomatopeia. e) parassíntese, aglutinação, derivação regressiva, jus- taposição e onomatopeia. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832, durante a sua cé- lebre viagem a bordo do Beagle. Voltou impressionado com o que viu: “Delícia é um termo 17insuficiente para 19exprimir as emoções sentidas por um naturalista a sós com a natureza em uma flores- ta brasileira”, escreveu. O Brasil, porém, aparece de forma menos 21idílica em seus escritos: “Espero nunca mais voltar a um país es- cravagista. O estado da enorme população escrava deve preocupar todos os que chegam ao Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro romo outra espécie, mas temos todos a mesma origem.” Em vez do gorjeio do sabiá, o que Darwin guardou nos ouvidos foi um som terrível que o acompanhou por toda a vida: “Até hoje, se eu ouço um grito, lembro-me, com 22dolorosa e clara memória, de quan- do passei numa casa em Pernambuco e ouvi urros terríveis. Logo entendi que era algum pobre escravo que estava sendo torturado,” Segundo o biólogo Adrian Desmond, “a viagem do Beagie, para Darwin, foi menos importante pelos espécimes coletados do que pela experiência de testemunhar os horrores da 23escravidão no Brasil. De certa forma, ele escolheu focar na 20descendência co- mum do homem justamente para mostrar que todas as raças eram iguais e, desse modo, enfim, objetar àqueles que 18insistiam em dizer que os negros pertenciam a uma espécie diferente e inferior à dos brancos”. Desmond acaba de lançar um estudo que mostra a paixão abolicionista do cientista, revelada por seus diários e car- tas pessoais. “A extensão de seu interesse no combate à ciência de cunho racista é surpreendente, e pudemos detectar um ímpeto moral por trás de seu trabalho sobre a evolução humana – urna crença na ‘irmandade racial’ que tinha origem em seu ódio ao 24es- cravismo e que o levou a pensar numa descendência comum.” ADAptADo De: hAAG, c. o elo peRDiDo tRopicAl. pesquisA fApesp, n. 159, p. 80 - 85, mAio 2009. 15 9. (UfRgS) ASSINAlE COM v (vERdAdEIRO) OU f (fAlSO) AS AfIRMA- çõES A SEgUIR SOBRE ElEMENTOS dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS dO TEXTO. ( ) AS PAlAvRAS INSUfICIENTE (REf. 17) E INSISTIAM (REf. 18) APRESEN- TAM O MESMO PREfIXO EM SUA fORMAçÃO. ( ) A COMPARAçÃO dA PAlAvRA EXPRIMIR (REf. 19) COM IMPRIMIR E dA PAlAvRA dESCENdêNCIA (REf. 20) COM ASCENdêNCIA PERMITE QUE SE POSTUlE UM RAdICAl COMUM PARA CAdA UM dOS PARES. ( ) AS PAlAvRAS IdílICA (REf. 21) E dOlOROSA (REf. 22) APRESENTAM SUfIXOS QUE fORMAM AdJETIvOS A PARTIR dE SUBSTANTIvOS. ( ) O EMPREgO dE dIfERENTES SUfIXOS PARA O MESMO RAdICAl EM ESCRAvIdÃO (REf. 23) E ESCRAvISMO (REf. 24) SERvE, NO TEXTO, PARA EXPRESSAR, RESPECTIvAMENTE, A IdEIA dE “SITUAçÃO RESUlTANTE dE UMA AçÃO” E dE “MOvIMENTO SOCIOIdEOlÓgICO”. A SEQUêNCIA CORRETA dE PREENCHIMENTO dOS PARêNTESES, dE CIMA PARA BAIXO, é a) F – V – V – V. b) V – F – V – F. c) V – V – F – F. d) F – V – F – V. e) F – F – V – V. 10. (ESC. NAvAl) vElHO MARINHEIRO HOMENAgEM AOS MARINHEIROS de sempre... e para sempre. Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi meu braço diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida. Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme branco, sen- ti-me homem de verdade, como se estivesse dando adeus aos tempos de garoto. Ao meu lado, as vozes de outros jovens so- avam em uníssono com a minha, vibrantes, e terminamos com emoção, de peitos estufados e orgulhosos. Ao final, minha mãe veio em minha direção, apressada em me dar um beijo. 20Acari- ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme. O dia acabou com a família em festa; eu lembro-me bem, fiquei de uniforme até de tarde... Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o significado nobre de companheirismo. Juntos no sofrimento e na alegria, um safando o outro, leais e amigos. Aprendi o que é civismo, respeito e disciplina, no princípio, exigidos a cada dia; depois, como parte do meu ser e, assim, para sempre. A cada passo havia um novo esforço esperando e, depois dele, um pequeno sucesso. Minha vida, agora que olho para trás, foi toda de pe- quenos sucessos. A soma deles foi a minha carreira. 19No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era nova- mente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu havia aprendido. Só que agora me davam tarefas, incumbências, e esperavam que eu as cumprisse bem. Pouco a pouco, passei a ser parte da equipe, a ser chamado para ajudar, a ser necessá- rio. Um dia vi-me ensinando aos novatos e dei-me conta de que me tornara marinheiro, de fato e de direito, um profissional! O navio passou a ser minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às vezes, do que na primeira. Conhecia todos, al- guns mais até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoetes, preocupações e de seus sonhos. Sem dar conta, meu mundo acabava no costado do navio. A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, é uma das coisas mais belas, que só há entre nós, em mais nenhum outro lugar. Por isso sou marinheiro, porque sei o que é espírito de navio. Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro danado no mar, em serviço, postos de combate, adestramento de guerra, dia e noite. O interessante é que em toda nossa vida, quando busca- mos as boas recordações, elas vêm desse tempo, das viagens e dos navios. 16Até as durezas por que passamos são saborosas ao lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. É aquela história dos pequenos sucessos. A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre figurando a mulher. Primei- ro a mãe, depois a namorada, a noiva, a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpresas de carinho. A comida preferida, o abraço apertado, o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensina- do a dizer papai. No início, eu voltava com muitos retratos, principalmente quando vinha do estrangeiro, depois, com o tempo, eram poucos, até que deixei de levar a máquina. Engraçado, vocês já perceberam que marinheiro velho dificilmentebaixa a terra com máquina fotográ- fica? Foi assim comigo. Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros – sinto-os mais preparados do que eu era – mas a vida no mar, as viagens, os portos, a volta, estou certo de que são iguais. Sou marinheiro, por isso sei como é. Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Marinha. E a cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, que vejo, me dá um orgulho que às vezes chega a entalar na garganta. Há pouco tempo, voltei a entrar em um navio. Que coisa linda! Sofisticado, limpíssimo, nas mãos de uma tripulação que só pode ser muito competente para mantê-lo pronto. Do que me mostraram eu não sabia muito. Basta dizer que o último navio em que servi já deu baixa. 17Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me para a bandeira, inclinei a cabeça... e, minha garganta entalou outra vez. Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que significa o bem de cada um, protegido à custa do desmerecimento da insti- tuição; mas o puro, que significa o bem da instituição, protegido pelo merecimento de cada um. Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. Muitas vezes a lembrança me retorna aos dias da ativa e morro de saudades. 18Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir aquele uniforme novinho – até um pouco grande, ainda re- cordo – Jurar Bandeira, ser beijado pela minha falecida mãe... Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, verei, em velocidade desconhecida, o navio com meus amigos, minha mulher, meus filhos, singrando para sempre, indo aonde o mar encontra o céu... e, se São Pedro estiver no portaló, direi: – Sou marinheiro, estou embarcando. (AutoR DesconheciDo. in: línGuA poRtuGuesA: leituRA e pRoDução De texto. Rio De JAneiRo: mARinhA Do bRAsil, escolA nAvAl, 2011. p. 6-8) Glossário Portaló: abertura no casco de um navio, ou passagem junto à balaustrada, por onde as pessoas transitam para fora ou para dentro, e por onde se pode movimentar carga leve. EM QUE OPçÃO O AUTOR, AO REPORTAR-SE AO PASSAdO, EMPREgA UM TER- MO CUJO SUfIXO TEM vAlOR INTENSIfICAdOR? 16 a) “Até as durezas por que passamos são saborosas ao lembrar [...].” (ref. 16) b) “Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me para a bandeira [...].” (ref. 17) c) “Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir aquele uniforme novinho [...].” (ref. 18) d) “No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era novamente aluno.” (ref. 19) e) “Acariciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme.” (ref. 20) E.O. COmplEmEntAr TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O Assinalado Tu és o louco da imortal loucura, O louco da loucura mais suprema. A Terra é sempre a tua negra algema, Prende-te nela a extrema Desventura. Mas essa mesma algema de amargura, Mas essa mesma Desventura extrema Faz que tu’alma suplicando gema E rebente em estrelas de ternura. Tu és o Poeta, o grande Assinalado Que povoas o mundo despovoado, De belezas eternas, pouco a pouco... Na Natureza prodigiosa e rica Toda a audácia dos nervos justifica Os teus espasmos imortais de louco! (cRuz e souzA. últimos sonetos, 2002.) 1. (UNIfAE MEd – UNESP) Há dERIvAçÃO PREfIXAl E SUfIXAl NA PAlAvRA dESTACAdA EM: a) “O louco da loucura mais suprema.” b) “Mas essa mesma algema de amargura,” c) “Mas essa mesma Desventura extrema” d) “Na Natureza prodigiosa e rica” e) “Tu és o louco da imortal loucura,” 2. EXAMINE A TIRA CAlvIN E HAROldO PARA RESPONdER à QUESTÃO OS PREfIXOS IN- E HIPER-, EM INCOERENTE E HIPERATIvO, POSSUEM OS MESMOS SIgNIfICAdOS dOS PREfIXOS EMPREgAdOS, RESPECTIvAMENTE, EM a) amoral e hipocalórico. b) ingressar e pluricelular. c) antiaéreo e supercílio. d) desprotegido e ultraconfiante. e) inflamável e transalpino. 3. (UFRGS) Quando a economia 2política clássica nasceu, no Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do sé- culo XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava no centro de todas as análises. Estava claro que transformações radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento 4demo- gráfico sustentado – inédito até então – e pelo início do êxodo rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências sociais dessas mudanças? Para Thomas Malthus, que 5publicou em 1798 seu Ensaio sobre o princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos francesesvésperas da Revolução de 1789, quando havia miséria generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco mais de 8 milhões de pessoas. A 8população francesa se expan- diu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a estagna- ção dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos associados à 11propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fa- tores que levaram Revolução Francesa. Para evitar que torvelinho similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que toda assistência aos 15pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade deveria ser severamente controlada. Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de eco- nomia política e tributação, preocupava-se com a evolução do pre- ço da terra. Se o crescimento da população e, consequentemente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se tornar escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do bem escasso – a terra – deveria subir de modo contínuo. No limite, os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significativa da renda nacional, e o restante da população, uma parte cada vez mais reduzida, destruindo o equilíbrio social. De fato, o valor da ter- ra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de século XIX, caiu em relaçãooutras formas de riqueza, à medida que diminuía o peso da agricultura na renda das nações. Escrevendo nos anos de 1810, Ricardo não poderia antever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda. (piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p. 11-13.) ASSINAlE A AlTERNATIvA EM QUE AS TRêS PAlAvRAS POSSUEM UM RAdICAl QUE ESTá RElACIONAdO COM A NOçÃO dE “POvO”. a) política (ref. 2) – publicou (ref. 5) – população (ref. 8) b) política (ref. 2) – população (ref. 8) – pobres (ref. 15) c) demográfico (ref. 4) – publicou (ref. 5) – população (ref. 8) d) demográfico (ref. 4) – publicou (ref. 5) – propriedade – (ref. 11) e) demográfico (ref. 4) – propriedade (ref. 11) – pobres (ref. 15) 17 4. (UFRGS) No século XV, viu-se a Europa invadida por uma raça de homens que, vindos ninguém sabe de onde, se espalharam em bandos por todo o seu território. Gente inquieta e andari- lha, deles afirmou Paul de Saint-Victor que era mais fácil predizer o das nuvens ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas da sua invasão. Uns risonhos despreocupados: passavam a vida es- quecidos do passado e descuidados do futuro. Cada novo dia era uma nova aventura em busca do escasso alimento para os manter naquela jornada. Trajo? No mais completo sujos e puídos cobriam-lhes os corpos queimados do sol. Nômades, aventurei- ros, despreocupados – eram os boêmios. Assim nasceu a semântica da palavra boêmio. O nome gentílico de Boêmia passou a aplicar-se ao indivíduo despreocupado, de existência irregular, relaxado no vestuário, vivendo ao deus-dará, à toa, na vagabundagem alegre. Daí também o substantivo bo- êmia. Na definição de Antenor Nascentes: vida despreocupada e alegre, vadiação, estúrdia, vagabundagem. Aplicou-se depois o termo, especializadamente, à vida desordenada e sem preocu- pações de artistas e escritores mais dados aos prazeres da noite que aos trabalhos do dia. Eis um exemplo clássico do que se chamadegenerescência semântica. De limpo gentílico – natural ou habitante da Boêmia – boêmio acabou carregado de todas essas conotações desfavoráveis. A respeito do substantivo boêmia, vale dizer que a forma de uso, ao menos no Brasil, é boemia, acento tônico em -mi-. E é natu- ral que assim seja, considerando-se que -ia é sufixo que exprime condição, estado, ocupação. Conferir: 16alegria, 18anarquia, barba- ria, 17rebeldia, tropelia, 20pirataria... Penso que sobretudo palavras como folia e 19orgia devem ter influído na fixação da tonicidade de boemia. Notar também o par abstêmio/abstemia. Além do mais, a prosódia boêmia estava prejudicada na origem pelo nome próprio Boêmia: esses boêmios não são os que vivem na Boêmia... (luft, celso peDRo. boêmios, boêmiA e boemiA. in: o RomAnce DAs pAlAvRAs. são pAulo: áticA, 1996. p. 30-31.) CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES SOBRE AS RElAçõES MORfOlÓgI- CAS QUE SE ESTABElECEM COM PAlAvRAS dO TEXTO. I. AlEgRIA (REf. 16) E REBEldIA (REf. 17) SÃO PAlAvRAS dERIvAdAS dE AdJETIvOS, ASSIM COMO vAlENTIA. II. ANARQUIA (REf. 18) E ORgIA (REf. 19) SÃO PAlAvRAS QUE, APESAR dE APRESENTAREM A TERMINAçÃO -IA, NÃO dERIvAM dE OUTRAS PAlAvRAS. III. PIRATARIA (REf. 20) é PAlAvRA dERIvAdA dE SUBSTANTIvO, ASSIM COMO CHEfIA. QUAIS ESTÃO CORRETAS? a) Apenas I. b) Apenas III. c) Apenas I e II. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 5. (UEl) A QUESTÃO REfERE-SE AO ROMANCE O OUTRO Pé dA SEREIA, dE MIA COUTO. A CRíTICA lITERáRIA TEM APROXIMAdO O MOçAMBICANO MIA COUTO dO BRASIlEIRO gUIMARÃES ROSA, EM PARTICUlAR PElO fATO dE AMBOS EMPRE- gAREM NEOlOgISMOS EM SUAS OBRAS. NO TRECHO “AS MÃOS CAlOSAS, dE ENXAdACHIM”, EXTRAídO dO CON- TO “fATAlIdAdE”, dE AUTORIA dO AUTOR BRASIlEIRO, O NEOlOgISMO “ENXAdACHIM” é CONSTRUídO PElO MESMO PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS UTIlIzAdO PElO AUTOR MOçAMBICANO PARA A CRIAçÃO dE a) vitupérios. b) bebericava. c) tamanhoso. d) mudançarinos. e) malfadado. E.O. dissErtAtivO 1. (fgv) MÃE Mãe – que adormente este viver dorido. E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas até o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem – dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava, Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe! (AnteRo De quentAl. AntoloGiA, 1991) ANAlISANdO OS TERMOS EMPREgAdOS NO TEXTO, EXPlIQUE a) o sentido que assumem os termos “vele” (primeira estrofe) e “débil” (terceira estrofe); b) o processo de derivação do termo destacado em “Do meu pobre existir, meio partido...” (primeira estrofe) e o sentido que o sufixo confere ao termo destacado em “E em débil criancinha me tornava,” (terceira estrofe). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS dIfERENTES Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Osseva- olep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada. É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá a impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria. Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a lin- guagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences- -para-baixo, como foram denominados à falta de melhor clas- sificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão. (AnDRADe, cARlos DRummonD De. pRosA seletA. Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 2003. p. 150) 2. (UfRJ - AdAPTAdO) NO TEXTO, IdENTIfICA-SE O POvO dA IlHA dE OSSEvAOlEP POR UM NEOlOgISMO: CABECENCES-PARA-BAIXO. 18 a) Identifique os processos de formação de palavras utilizados para a criação desse neologismo. b) Considerando o conhecimento que os observado- res têm do povo de Ossevaolep, responda: por que se afirma, no texto, que o neologismo foi criado “à falta de melhor classificação”? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O EX-CINEClUBISTA (João GilbeRto noll) Aquele homem meio estrábico, ostentando um mau humor maior do que realmente poderia dedicar a quem lhe cruzasse o caminho e que agora entrava no cinema, numa segunda-feira à tarde, para assistir a um filme nem tão esperado, a não ser entre pingados amantes de cinematografias de cantões os mais exóti- cos, aquele homem, sim, sentou-se na sala de espera e chorou, simplesmente isso: chorou. Vieram lhe trazer um copo d’água logo afastado, alguém sentou-se ao lado e lhe perguntou se não passava bem, mas ele nada disse, rosnou, passou as narinas pela manga, levantou-se num ímpeto e assistiu ao melhor filme em muitos meses, só isso. Ao sair do cinema, chovia. Ficou sob a marquise, à espera da estiagem. Tão absorto no filme que se es- queceu de si. E não soube mais voltar. 3. (UfRJ) O vOCáBUlO “EX-CINEClUBISTA” RESUlTA dA APlICAçÃO dE QUATRO PROCESSOS dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS. IdENTIfIQUE-OS, vA- lENdO-SE dE ElEMENTOS CONSTITUTIvOS dESSE vOCáBUlO. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. [...] Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e es- fregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. (Aluísio AzeveDo. o coRtiço.) 4. (UfSCAR) Há, NO TEXTO, PAlAvRAS dERIvAdAS POR SUfIXAçÃO, COMO “TUMUlTUOSA” E “NUdEz”. a) Dê dois exemplos de palavras derivadas com o su- fixo da primeira. b) Dê mais dois exemplos de palavras derivadas com o sufixo da outra. E.O. UErJ ExAmE disCUrsivO 1. (UERJ) dESENCONTRáRIOS Mandei a palavra rimar, ela não me obedeceu. Falou em mar, em céu, em rosa, em grego, em silêncio, em prosa. Parecia fora de si, a sílaba silenciosa. Mandei a frase sonhar, e ela se foi num labirinto. Fazer poesia, eu sinto, apenas isso. Dar ordens a um exército, para conquistar um império extinto. (pAulo leminsKi Góes, f.; mARins, A. (oRGs.) melhoRes poemAs De pAulo leminsKi. são pAulo: GlobAl, 2001. CONSIdERE A fORMAçÃO dA PAlAvRA “dESENCONTRáRIOS”, TíTUlO dO PO- EMA dE PAUlO lEMINSkI. SEPARE SEUS ElEMENTOS MÓRfICOS. EM SEgUIdA, NOMEIE O PRIMEIRO MORfEMA QUE A COMPõE E INdIQUE SEU SIgNIfICAdO. 2. (UERJ) BRINCAR COM PAlAvRAS – NOS JOgOS vER- BAIS, EXERCíCIOS dE lITERATURA Você sabe o que é um palíndromo? É uma palavra ou mesmo uma frase que pode ser lida de frente pra trás e de trás pra frente mantendo o mesmo sentido. Por exemplo, em português: “amor” e “Roma”; em espanhol: “Anita lava la tina”. Ou, então, a frase latina: “Sator arepo tenet opera rotas”, que não só pode ser lida de trás pra frente, mas pode ser lida na vertical, na horizontal, de baixo pra cima, de cima pra baixo, girando os olhos em redor deste quadrado: S A T O R A R E P O T E N E T O P E R A R O T A S Essa frase latina polivalente foi criada pelo escravo romano Loreius 200 anos antes de Cristo, e tem dois significados: “O lavrador man- tém cuidadosamente a charrua nos sulcos” e/ou “o lavrador sus- tém cuidadosamente o mundo em sua órbita”. Osman Lins cons- truiu o romance “Avalovara” (1973) em torno desse palíndromo. Muita gente sabe o que é um caligrama – aqueles textos que existiam desde a Grécia em que as letras e frases iam desenhan-do o objeto a que se referiam – um vaso, um ovo, ou então, como num autor moderno tipo Apollinaire, as frases do poema se inscrevendo em forma de cavalo ou na perpendicular imitando o feitio da chuva. Mas pouca gente sabe o que é um lipograma. Lipo significa tirar, aspirar, esconder. Portanto, um lipograma é um texto que sofreu a lipoaspiração de uma letra. O autor resolve esconder essa letra por razões lúdicas. Já o grego Píndaro havia escrito uma ode, sem a letra “s”. Os autores barrocos no século XVII também usavam este tipo de ocultação, porque estavam envolvidos com o ocultismo, com a cabala e com a numerologia. Por que estou dizendo essas coisas? Culpa da Internet. Esses jogos verbais que vinham sendo feitos desde as cavernas agora foram potencializados com a informática. Dizia eu numa en- trevista outro dia que estamos vivendo um paradoxo riquíssimo: a 19 mais avançada tecnologia eletrônica está resgatando o uso lúdico da linguagem e uma das mais arcaicas atividades humanas – a poesia. Os poetas, mais que quaisquer outros escritores, invadiram a Internet. Se em relação às coisas prosaicas se diz que a vingança vem a cavalo, no caso da poesia a vingança veio a cabo, galopando eletronicamente. Por isto que toda vez que um jovem iniciante me procura com a angústia de publicar seu livro, aconselho-o logo: “Meu filho, abra uma página sua na Internet para não mais se constranger e se sentir constrangido diante dos editores e críticos. Estampe seu texto na Internet e deixe rolar”. (RomAno, Affonso De sAnt’AnnA. o Globo, 15/09/1999.) vOCê SABE O QUE é UM PAlíNdROMO? (PAR. 1) POR QUE ESTOU dIzENdO ESSAS COISAS? (PAR. 7) OBSERvANdO OS PARágRAfOS COMPREENdIdOS ENTRE AS PERgUNTAS ACI- MA, IdENTIfIQUE: a) a função da linguagem predominante nesses pará- grafos e justifique sua reposta; b) o processo de formação de palavras comum aos ter- mos OCULTAÇÃO e OCULTISMO e explique a diferença de sentido entre eles. 3. (UERJ) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de paten- te, do que tenho honra e faço alarde. Herdei do meu avô Simeão terras de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto do mais fino. Leio no corrente da vista e até uns latins arranhei em tempos ver- des da infância, com uns padres-mestres a dez tostões por mês. Digo, modéstia de lado, que já discuti e joguei no assoalho do Foro mais de um doutor formado. Mas disso não faço glória, pois sou sujeito lavado de vaidade, mimoso no trato, de palavra educada. Já morreu o antigamente em que Ponciano mandava saber nos ermos se havia um caso de 1lobisomem a sanar ou pronta justiça a ministrar. Só de uma regalia não abri mão nesses anos todos de pasto e vento: a de falar alto, sem freio nos dentes, sem medir consideração, seja em compartimento do governo, seja em sala de desembargador. Trato as partes no macio, em jeito de moça. Se não recebo cortesia de igual porte, abro o peito: – Seu filho da égua, que pensa que é? Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capotão de meu avô, passei os anos de pequenice, que pai e mãe perdi no gosto do primeiro leite. Como fosse dado a fazer garatujações e desabusado de boca, lá num inverno dos antigos, Simeão coçou a cabeça e estipulou que o neto devia ser doutor de lei: – Esse menino tem todo o sintoma do povo da política. É invencio- neiro e 2linguarudo. (...) (cARvAlho, J. c. o coRonel e o lobisomem. Rio De JAneiRo: José olympio, 1978.) OBSERvE AS SEgUINTES PAlAvRAS: “lOBISOMEM” (REf. 1) “lINgUARUdO” (REf. 2) IdENTIfIQUE O PROCESSO dE fORMAçÃO dE CAdA UMA dElAS, SEgUNdO O SEU EMPREgO NO TEXTO. E.O. ObJEtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) 1. (UNICAMP 2017) dO PONTO dE vISTA dA NORMA CUlTA, é CORRETO AfIRMAR QUE “COISAR” é a) uma palavra resultante da atribuição do sentido co- notativo de um verbo qualquer ao substantivo “coisa”. b) uma palavra resultante do processo de sufixação que transforma o substantivo “coisa” no verbo “coisar”. c) uma palavra que, graças a seu sentido universal, pode ser usada em substituição a todo e qualquer verbo não lembrado. d) uma palavra que resulta da transformação do subs- tantivo “coisa” em verbo “coisar”, reiterando um es- quecimento. 2. (UNIfESP) CASIMIRO dE ABREU PERTENCE à gERAçÃO dOS POETAS QUE MORRERAM PREMATURAMENTE, NA CASA dOS vINTE ANOS, COMO álvARES dE AzEvEdO E OUTROS, ACOMETIdOS dO “MAl” ByRONIANO. SUA POESIA, REflEXO AUTOBIOgRáfICO dOS TRANSES, IMAgINáRIOS E vERídICOS, QUE lHE AgITARAM A CURTA EXISTêNCIA, CENTRA-SE EM dOIS TEMAS fUNdAMENTAIS: A SAUdAdE E O lIRISMO AMOROSO. gRAçAS A TAl fUNdO dE JUvENIlIdAdE E TIMIdEz, SUA POESIA SAUdOSISTA gUARdA UM NÃO SEI QUê dE INfANTIl. (mAssAuD moisés. A liteRAtuRA bRAsileiRA AtRAvés Dos textos, 2004.) OS SUBSTANTIvOS dO TEXTO dERIvAdOS PElO MESMO PROCESSO dE fOR- MAçÃO dE PAlAvRAS SÃO: a) juvenilidade e timidez. b) geração e byroniano. c) reflexo e imaginários. d) prematuramente e autobiográfico. e) saudade e infantil. 3. (UNIfESP 2018) lEIA UM TRECHO dO ARTIgO “REflEXõES SOBRE O TEMPO E A ORIgEM dO UNIvERSO”, dO fíSICO BRASIlEIRO MARCElO glEISER, PARA RESPONdER à PRÓXIMA QUESTÃO. Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análi- se de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão, devemos chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado, presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente é o “agora”, o instante atual. Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definir- mos passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas, segun- do nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração 20 no tempo, pois nesse caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para sermos coerentes em nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não existe! A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento no passado em que ele passou a exis- tir. Segundo nossas modernas teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo, esse momento especial é o mo- mento da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com “quântico”, a área da física que lida com fenômenos atômicos e subatômicos. [...] As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presen- ça de massa (ou de energia) também influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico adquire uma plasticidade definida pela re- alidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos a relatividade geral para descrever a origem do Universo. (folhA De s.pAulo, 07.06.1998.) O PROCESSO dE fORMAçÃO dE PAlAvRAS vERIfICAdO EM “ESTRUTURAl” (2.° PARágRAfO) TAMBéM ESTá PRESENTE EM a) “futuro” (1º parágrafo). b) “portanto” (2º parágrafo). c) “momento” (3º parágrafo). d) “plasticidade” (4º parágrafo). e) “origem” (3º parágrafo). 4. (UNIfESP) EXAMINE A TIRA. O EfEITO dE HUMOR NA SITUAçÃO APRESENTAdA dECORRE dO fATO dE A PERSONAgEM, NO SEgUNdO QUAdRINHO, CONSIdERAR QUE “CARINHO” E “CARO” SEJAM vOCáBUlOS a) derivados de um mesmo verbo. b) híbridos. c) derivados de vocábulos distintos. d) cognatos. e) formados por composição. E.O. dissErtAtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) 1. (UNICAMP) OS TEXTOS ABAIXO fORAM RETIRAdOS dA COlUNA “CARAS E BOCAS”, dO CAdERNO AlIáS, dO JORNAl O ESTAdO dE S. PAUlO: “A intenção é salvar o Brasil.” Ana Paula Logulho, professora e entusiasta da segunda “Marcha da Família com Deus pela Liber- dade”, que pede uma intervenção militar no país e pretendeu reeditar, no sábado, a passeata de 19 de março de 1964, na capital paulista, contra o governo do Presidente João Goulart. “Será um evento esculhambativo em homenagem ao outro de São Paulo.” José Caldas, organizador da “Marcha com Deus e o Diabo na Terrado Sol”, convocada pelo Facebook para o mesmo dia, no Rio de Janeiro. (o estADo De s. pAulo, 23/03/2014, cADeRno Aliás, e4. ) a) Descreva o processo de formação de palavras en- volvido em “esculhambativo”, apontando o tipo de transformação ocorrida no vocábulo. b) Discorra sobre a diferença entre as expressões “evento esculhambado” e “evento esculhambativo”, considerando as relações de sentido existentes entre os dois textos acima. 2. (UNICAMP) A sobrevivência dos meios de comunicação tradi- cionais demanda foco absoluto na qualidade de seu conteúdo. A internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguardam os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? Só nos resta uma saída: produzir informação de alta qualidade técnica e ética. Ou fazemos jornalismo de verdade, fiel à verdade dos fatos, verdadeiramente fiscalizador dos poderes públicos e com excelência na prestação de serviços, ou seremos descartados por um consumidor cada vez mais fascinado pelo aparente au- tocontrole da informação na plataforma virtual. (cARlos AlbeRto Di fRAnco, DemocRAciA DemAnDA JoRnAlismo inDepenDente. o estADo De s. pAulo, são pAulo, 14/10/2013, p. A2.) a) “Desintermediação” é um termo técnico do campo da comunicação. Ele se refere ao fato de que os meios de comunicação tradicionais não mais detêm o monopólio da produção e distribuição de mensagens. Considerando esse “mundo desintermediado”, identifique duas críticas ao jornalismo atual formuladas pelo autor. b) Os processos de formação de palavras envolvidos no vocábulo “desintermediação” não ocorrem simultane- amente. Tendo isso em mente, descreva como ocorre a formação da palavra “desintermediação”. 3. (Unicamp 2018) Enquanto viveu em Portugal, o escritor Mário Prata reuniu centenas de vocábulos e expressões usados no portu- guês falado na Europa que são diferentes dos termos correspon- dentes usados no português do Brasil. Reproduzimos abaixo um dos verbetes de seu dicionário. Descapotável é outra palavra que em português faz muito mais sentido do que em brasileiro. Não é mais claro dizer que um carro é descapotável, do que conversível? (máRio pRAtA, DicionáRio De poRtuGuês: schifAizfAvoiRe. são pAulo: eDitoRA Globo, 1993, p. 48.) a) Identifique os dois afixos que formam a palavra “des- capotável” a partir do substantivo “capota” (cobertura de um automóvel) e explique a função de cada um. b) Explique por que o autor considera, com certo hu- mor, que a palavra “descapotável” do português eu- ropeu faz mais sentido de que o termo“conversível”, usado no português brasileiro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO UM CHAMADO JOÃO João era fabulista? fabuloso? fábula? Sertão místico disparando no exílio da linguagem comum? 21 Projetava na gravatinha a quinta face das coisas inenarrável narrada? Um estranho chamado João para disfarçar, para farçar o que não ousamos compreender? (...) Mágico sem apetrechos, civilmente mágico, apelador de precípites prodígios acudindo a chamado geral? (...) Ficamos sem saber o que era João e se João existiu deve pegar. (cARlos DRummonD De AnDRADe, em coRReio DA mAnhã, 22/11/1967, publicADo em RosA, J. G. “sAGARAnA”. Rio De JAneiRo: novA fRonteiRA, 2001.) 4. (UNICAMP) NA SEgUNdA ESTROfE, Há dOIS PROCESSOS MUITO INTE- RESSANTES dE ASSOCIAçÃO dE PAlAvRAS. EM “INENARRávEl/NARRAdA” ENCONTRAMOS ClARAMENTE UM PROCESSO dE dERIvAçÃO. EM “dISfAR- çAR/fARçAR”, TEMOS A SUgESTÃO dE UM PROCESSO SEMElHANTE, EMBO- RA “fARçAR” NÃO CONSTE dOS dICIONáRIOS MOdERNOS. a) Relacione o significado de “inenarrável” com o pro- cesso de sua formação; e o de “farçar”, na relação su- gerida no poema, com “disfarçar”. b) Explique como esses processos contribuem na cons- trução dos sentidos dessa estrofe. 5. (fUvEST) lEIA COM ATENçÃO O SEgUINTE TEXTO: A onipresença do olho mágico da televisão no centro da vida do- méstica dos brasileiros, com o 1poder (imaginário) de tudo mos- trar e tudo ver que os espectadores lhe atribuem, vem provocan- do curiosas alterações nas relações entre o público e o privado. Durante pelo menos dois séculos, o bom gosto burguês nos ensi- nou que algumas coisas não se dizem, não se mostram e não se fazem em público. Essas mesmas coisas, até então reservadas ao espaço da privacidade, hoje ocupam o centro da cena televisiva. Não que o bom gosto burguês deva ser tomado como referência indiscutível da 2ética que regula a vida em qualquer sociedade. Mas a inversão de padrões que pareciam tão convenientemen- te estabelecidos nos países do Ocidente dá o que pensar. No mínimo, podemos concluir que a burguesia do terceiro milênio já não é a mesma que ditou o bom comportamento dos dois séculos passados. No máximo, supõe-se que os fundamentos do contrato que ordenava a vida social entre os séculos XIX e XX estão profundamente abalados, e já vivemos, sem nos dar conta, em uma sociedade pós-burguesa, num sentido semelhante ao do que chamamos uma sociedade pós-moderna. mARiA R. Kehl, in bucci e Kehl, viDeoloGiAs: ensAios sobRe televisão. a) O que a autora do texto quer dizer, quando se refere ao “poder de tudo mostrar e tudo ver” (ref.1), atribuído à televisão, como “imaginário”? b) Indique a palavra do primeiro período que tem o mesmo significado do prefixo que entra na formação da palavra “onipresença”. c) Indique uma palavra ou expressão do texto que cor- responda ao sentido da palavra “ética” (ref.2). gAbAritO E.O. Aprendizagem 1. D 2. B 3. E 4. A 5. B 6. E 7. C 8. B 9. A 10. E E.O. Fixação 1. B 2. B 3. C 4. E 5. D 6. C 7. A 8. B 9. A 10. C E.O. Complementar 1. E 2. D 3. C 4. E 5. D E.O. Dissertativo 1. a) O verbo “velar”, segundo o contexto, significa “zelar por alguém”. O adjetivo “débil” significa “frágil”. b) Ocorre derivação imprópria em “Do meu pobre existir, meio partido...”, uma vez que o verbo “existir” foi empregado como substantivo, inclusive acompanhado pelo adjetivo “pobre”. O sufixo diminutivo em “criancinha” confere afetividade ao subs- tantivo criança, caracterizada no poema como alguém frágil. 2. a) Composição por justaposição e derivação sufixal. b) Os observadores criaram um neologismo superficialmente, pois eles não conseguiram alcançar um conhecimento aprofundado so- bre o povo Ossevaolep. 3. O termo “ex-cineclubista” é resultado de quatro processos de formação de palavras: redução/abreviação vocabular (cinecine- ma), composição (cine + clube), derivação sufixal (cineclube + ista) e derivação prefixal (ex + cineclubista). 4. a) amorosa, horrorosa, cremosa, leitosa. b) aridez, timidez, surdez, altivez . E.O. UERJ Exame Discursivo 1. A palavra “desencontrários” é formada por derivação, proces- so através do qual de uma palavra se formam outras, por meio da agregação de certos elementos que lhe alteram o sentido, mas sempre se referindo ao valor semântico da palavra primitiva. Assim, há duas possibilidades para a formação da palavra em questão, considerando o radical, prefixos e sufixos e desinências flexionais: des+en+contr+ ário+s; des+en+contr+ari+o+s. “Des” é um prefixo que indica negação. 2. a) Função metalinguística. Uma dentre as justificativas: – Os parágrafos explicam os significados das palavras. 22 – Os parágrafos contêm definição de palavras por outras palavras. b) Derivações sufixal ou sufixação. OCULTAÇÃO é o ato de ocultar e OCULTISMO designa crença, doutrina ou seita. 3. lobisomem: composição por aglutinação linguarudo: derivação sufixal E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. B 2. A 3. D 4. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Trata-se de uma derivação sufixal: “esculhambativo” é uma palavra formada pelo acréscimo de um sufixo (-ivo) ao verbo “esculhambar”. b) Apesar de derivarem do mesmo verbo (“esculhambar”), os adjetivos mencionados diferem quanto ao seu significado. Even- to “esculhambado” é sinônimo de “desorganizado, desmorali- zado”; já evento “esculhambativo”é aquele que “desmoraliza, satiriza” o evento anterior. 2. a) O autor faz críticas implícitas ao jornalismo atual, quando diz que só resta ao jornalista que convive rotineiramente com a internet: produzir informação de alta qualidade técnica e ética, fiel à verdade dos fatos, verdadeiramente fiscalizadora dos pode- res públicos e com excelência na prestação de serviços, comen- tário em que se subentende que na era da frugalidade virtual, nem todo jornalista produz informações com alto teor ético e de qualidade. O autor alerta que para os dias atuais, a única manei- ra do jornalismo sobreviver à internet é primando pela fidelidade da informação e dos fatos, a fim de prestar um serviço confiável e essencial à sociedade. b) O prefixo – des tem o sentido de negação, de ação contrária. O também prefixo -inter tem o sentido de entre. O radical é -mediar. O sufixo -ção é utilizado para formar um substantivo a partir de um verbo. Sendo assim, o processo de formação é de dois prefi- xos + radical + sufixo, para a criação do neologismo. 3. a) A palavra descapotável se constitui a partir do seguinte processo: • derivação parassintética (des + capota + ar); • derivação sufixal (sufixo vel encaixado ao elemento anterior); A agregação do sufixo vel faz cair o r da desinência verbal. b) O adjetivo descapotável, usado no português europeu, faz referência a um veículo cuja capota pode ser recolhida. Em por- tuguês brasileiro, a referência ao mesmo tipo de veículo é dada pela palavra conversível. O autor considera que a primeira opção apresenta um sentido mais adequado, pois ela indicaria de modo mais adequado o fato de o veículo possuir uma capota. Já a se- gunda opção, poderia nos dar a sensação de que o veículo, por ser conversível, pode ser inteiramente modificado. 4. a) No primeiro caso, a palavra “inenarrável” significa “o que não pode ser narrado”. A ideia de negação está no prefixo “in-” (derivação prefixal). Porém, o elemento ao qual se junta o prefixo é o adjetivo “enarrável”, que os dicionários, na sua maioria, não costumam registrar. A palavra geralmente usada é “narrável”, o que resulta em “inarrável”. Isso ocorre por haver dois verbos, “narrar” e “enarrar”, com o mesmo sentido. No segundo caso, como o significado de “disfarçar” é “enco- brir”, “ocultar”, “tapar”, o vocábulo primitivo do qual ele seria formado, por processo de derivação prefixal, seria “farçar”, que tem como significado oposto “revelar”, “manifestar”. Mas essa velação não é absoluta, já que a semelhança sonora entre “far- çar” e “farsa” sugeriria que João é capaz de dizer o indizível, fa- zendo com que o mistério do “que não ousamos compreender” permaneça vivo em sua literatura. b) Na segunda estrofe, a ideia pretendida é a de que João con- segue realizar o impossível. O processo de derivar um vocábulo de outro “inexistente”, que se observa nos pares inenarrável/ enarrável e disfarçar/farçar, mostra o poder que o ficcionista tem de realizar o “irrealizável”. 5. a) O uso dos parênteses destaca o termo “imaginário” no contexto da frase, para enfatizar que a televisão produz o efeito ilusório de que as imagens transmitidas ao espectador passivo representam a realidade. b) O prefixo “oni” significa “tudo”, termo que é repetido na frase “tudo mostrar e tudo ver”. c) Define-se ética como o conjunto de princípios, normas e regras que visem a um comportamento moral exemplar, o que é sugeri- do na expressão “bom comportamento”. 23 CÓDIGOS HIERÁRQUICOS Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico. E.O. APRENDIZAGEM exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 4 1.1 5 1.1 6 1.1 7 1.1 8 1.1 9 1.1 10 1.1 E.O. FIXAÇÃO exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 4 1.2 5 1.1 e 1.2 6 1.1 7 1.1 8 1.1 9 1.1 10 1.1 E.O. COMPLEMENTAR exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 4 1.2 5 1.2 E.O. DISSERTATIVO exercícios códigos 1 1.1 2 1.2 3 1.1 e 1.2 4 1.1 E.O. UERJ EXAME DISCURSIVO exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 E.O. OBJETIVAS (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP) exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 4 1.1 E.O. DISSERTATIVAS (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP) exercícios códigos 1 1.1 2 1.1 3 1.1 4 1.1 24 artigos, substantivos e adjetivos CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27 AULAS 3 e 4 E.O. AprEndizAgEm 1. (IfAl) 77% dOS PAIS AMERICANOS CUlPAM O vIdEOgAME POR EXPOR OS fIlHOS à vIOlêNCIA Será que videogames tornam as crianças mais agressivas? Com certeza, você já ouviu essa questão por aí. Afinal, a polêmica existe há muito tempo. 2Por enquanto, a ciência não tem uma resposta definitiva sobre o tema. 3Estudos recentes apontam que eles não podem ser culpados pela violência infantil. 4Já outros afirmam que eles alteram a atividade cerebral e deixam as pes- soas mais insensíveis. Mas, segundo uma pesquisa realizada pela Common Sense Media e divulgada nesta semana, os pais americanos não têm dúvidas: 77% deles culpam jogos, filmes e a TV por manter uma cultura de violência entre as crianças. Os dados mostram também que os pais aprovam medidas mais rigorosas para manter os filhos longe de conteúdos violentos: 688% acreditam que anúncios violentos não deveriam ser veiculados durante programas com grande audiência infantil e 91% apoiam que só possam ser exibidos trailers com a mesma classificação in- dicativa do filme. “Os pais estão claramente preocupados com o impacto que a violência na mídia pode ter em suas crianças”, diz 7James Steyer, criador e CEO da empresa responsável pela pesqui- sa. Além dos jogos de videogame, outras preocupações dos pais são o bullying (92%) o acesso a armas (75%) e os níveis atuais de crime (86%). E você, o que acha desse assunto? (Disponível em: http://supeR.AbRil.com.bR/bloGs/supeRbloG/ 77-Dos-pAis-AmeRicAnos-culpAm-o-viDeoGAme-poR-expoR- os-filhos-A-violenciA. Acesso em: 16/01/2017.) AS PAlAvRAS EM dESTAQUE ESTÃO COM fUNçÃO dE SUBSTANTIvOS OU AdJE- TIvOS, EXCETO NA AlTERNATIvA a) Por enquanto, a ciência não tem uma resposta definitiva sobre o tema. (ref. 2) b) Estudos recentes apontam que eles não po- dem ser culpados pela violência infantil. (ref. 3) c) Já outros afirmam que eles alteram a atividade cerebral e deixam as pessoas mais insensíveis. (ref. 4) d) 88% acreditam que anúncios violentos não deve- riam ser veiculados durante programas com grande audiência infantil (ref. 6). e) James Steyer, criador e CEO da empresa respon- sável pela pesquisa. (ref. 7) 2. (UfRgS) A NOTíCIA SAIU NO THE wAll STREET JOURNAl: A "ansiedade 1superou a depressão como problema 2de saúde mental predominante nos EUA". Para justificar o absurdo, o autor da matéria recorre a 3um psicoterapeuta e a um 4sociólogo. O primeiro descreve "ansiedade como 5condição dos privilegiados" que, livres de ameaças reais, se dão ao luxo de "olhar para dentro" e criar me- dos irracionais; o segundo diz que "vivemos na era mais segura da humanidade" e, no entanto, "desperdiçamos bilhões de dólares 6em medos bem mais ampliados do que seria 7justificável". Sem meias palavras, 8os peritos dizem algo mais ou menos assim: os americanos estão nadando em 9riqueza e, como não têm do que se queixar, ad- quiriram o costume neurótico 10de 11desentocar medos 12irracionais para projetá-los no 13admirável mundo novo ao redor. A explicação impressiona pela ingenuidade ou pela má-fé. Nin- guém contrai o 14"Mau hábito" 15de olhar para 16dentro de si do dia para a noite. A obsessão consigo não é um efeito colateral 17do modo de vida atual; é um dos seus mais 18indispensáveis in- gredientes. O crescimento exagerado do interesse pelo "mundo interno" e pelo 19corpo é a 20contrapartida do desinteresse ou hos- tilidade pelo "mundo externo" e pelos outros. Diz o 21catecismo: só confie em seu corpoe sua mente. 22O resto é 23concorrente; o resto está sempre cobiçando e disputando seu emprego, seu sucesso, seu patrimônio e sua saúde. Sentir medo e ansiedade, em condi- ções semelhantes, é um estado emocional perfeitamente racional e inteligível. Em bom português, sentir-se condenado a 24jamais ter repouso físico ou 25mental, sob pena de perder a saúde, a 26longevidade, a forma física, o desempenho 27sexual, o emprego, a casa, a segu- rança na velhice, pode ser um inferno em vida para os pobres ou para os ricos. Os 28candidatos à ansiedade são, assim, bem mais numerosos e bem menos ociosos do que pensam o 29psicotera- peuta e o sociólogo. CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES ACERCA dO USO dE ARTIgOS. I. CASO TIvéSSEMOS "UMA CONdIçÃO" EM vEz dE "CONdIçÃO" (REf. 5) HAvERIA AlTERAçÃO NO SENTIdO glOBAl dA fRASE II. O ARTIgO INdEfINIdO "UNS" POdERIA SUBSTITUIR O dEfINIdO (REf. 8) "OS", SEM QUE HOUvESSE AlTERAçÃO NO SENTIdO dA fRASE EM QUESTÃO. III. AS dUAS OCORRêNCIAS dO ARTIgO dEfINIdO "O" ANTEPOSTO àS PAlAvRAS "PSICOTERAPEUTA" E "SOCIÓlOgO" (REf. 29) POdERIAM SER SUBSTITUídAS POR UM INdEfINIdO SEM MUdAR O SENTIdO dA fRASE. QUAIS ESTÃO CORRETAS? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 25 3. (IfAl) Paraí-ba (Céceu) Pê – a – pá Erre – a – ra – í Bê – a – bá Paraíba Paraíba do norte, do caboclo forte Do homem disposto esperando chover Da gente que canta com água nos olhos Chorando e sorrindo, querendo viver Do sertão torrado, do gado magrinho Do açude sequinho, do céu tão azul Do velho sentado num banquinho velho Comendo com gosto um prato de angu Acende o cachimbo, dá uma tragada Não sabe de nada da vida do sul Pê – a – pá Erre – a - ra – í Bê – a – bá Paraíba Paraíba do norte que tem seu progresso Que manda sucesso pra todo país Que sente a presença da mãe natureza Que vê a riqueza nascer da raiz Que acredita em Deus, também no pecado Que faz do roçado a sua oração E ainda confia no seu semelhante E vai sempre avante em busca do pão O pão que é nosso, que garante a vida Terrinha querida do meu coração Pê – a – pá Erre – a – ra – í Bê – a – bá Paraíba (RAmAlho, zé. Duetos. bmG. são pAulo, 2004. cD-Rom.) NA fRASE: dO vElHO SENTAdO NUM BANQUINHO vElHO, OBSERvA-SE: a) Nas duas vezes em que a palavra VELHO aparece, ela tem a função de substantivo. b) Nas duas vezes em que a palavra VELHO aparece, ela tem a função de adjetivo. c) Primeiramente, VELHO tem a função de substanti- vo; depois, tem a função de adjetivo. d) Primeiramente, VELHO tem a função de adjetivo; depois, tem a função substantivo. e) No texto, nas duas vezes em que a palavra VELHO aparece não assume nem a função de adjetivo, nem de substantivo. 4. (IfSP) ESSE TEXTO dO SéCUlO XvI REflETE UM MOMENTO dE EX- PANSÃO PORTUgUESA POR vIAS MARíTIMAS, O QUE dEMANdAvA A APRO- PRIAçÃO dE AlgUNS gêNEROS dISCURSIvOS, dENTRE OS QUAIS A CARTA. UM EXEMPlO dESSA PROdUçÃO é A CARTA dE CAMINHA A d. MANUEl. CONSIdERE A SEgUINTE PARTE dESSA CARTA: Nela [na terra] até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata... porém a terra em si é de muito bons ares assim frios e tempe- rados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar. O TRECHO APRESENTAdO é PREPONdERANTEMENTE dESCRITIvO. A ClASSE dE PAlAvRAS QUE APARECE ASSOCIAdA A ESSE TIPO TEXTUAl é O AdJETIvO. SÃO EXEMPlOS dE PAlAvRAS dESSA ClASSE, NO TEXTO, AS SEgUINTES: a) ...porém a terra em si é de muito bons ares... b) Águas são muitas e infindas. c) ...dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem... d) ...o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente... e) ...esta deve ser a principal semente que vossa alte- za em ela deve lançar. 5. (UEg) CElUlARES EXPlOSIvOS, IdEIAS NEM TANTO Sou uma nulidade no uso do celular. Mal conheço a senha para tirar as mensagens lá de dentro e, pelo que vejo, meu aparelho é forte candidato a uma dessas explosões que têm acontecido ultimamente. Pinóquio não primava pela responsabilidade nos compromissos assumidos, mas seu Grilo Falante, de cartola e guarda-chuva, conhecia as virtudes da polidez e da adequação. Não tomava a palavra antes de um minúsculo pigarro de advertência. Inseto mutante, o celular está para o grilo de Pinóquio um pouco como a guitarra elétrica para o antigo violão. Adota os tons mais estridentes, descabelados e imperativos, a que as pessoas obe- decem numa coreografia alucinada. A pose mais estudada da grã-fina se estilhaça em aflição e pânico enquanto ela remexe na bolsa à procura do aparelho; o taxista mais inerte e distraído pula ao menor toque, como se tivesse uma aranha dentro do carro. E nem se sabia que aquilo era carregado de dinamite. (coelho, m. folhA De s. pAulo., são pAulo, 10 mAio 2006, p. e 10. ilustRADA.) NO TEXTO, O ARTIgO dEfINIdO POdE SER IdENTIfICAdO EM TOdAS AS ORAçõES A SEgUIR, EXCETO EM: a) “Não tomava a palavra” b) “Mal conheço a senha” c) “é forte candidato a uma dessas explosões” d) “ela remexe na bolsa à procura do aparelho” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Esparadrapo Aquele restaurante de bairro é do tipo simpatia/classe média. Fica em rua sossegada, é pequeno, limpo, cores repousantes, co- mida razoável, preços idem, não tem música de triturar os ouvi- dos. O dono senta-se à mesa da gente, para bater um papo leve, sem intimidades. Meu relógio parou. Pergunto-lhe quantas horas são. — Estou sem relógio. — Então vou perguntar ao garçom. Ele também está sem relógio. — E o colega dele, que serve aquela mesa? — Ninguém está com relógio nesta casa. — Curioso. É moda nova? — Antes de responder, e se o senhor permite, vou lhe fazer, não propriamente um pedido, mas uma sugestão. — Pois não. — Não precisa trazer relógio, quando vier jantar. — Não entendo. — Estamos sugerindo aos nossos fregueses que façam este pe- queno sacrifício. 26 — Mas o senhor podia explicar... — Sem querer meter o nariz no que não é da minha conta, gos- taria também que trouxesse pouco dinheiro, ou antes, nenhum. — Agora é que não estou pegando mesmo nada. — Coma o que quiser, depois mandamos receber em sua casa. — Bem, eu moro ali adiante, mas e outros, os que nem se sabe onde moram, ou estão de passagem na cidade? — Dá-se um jeito. — Quer dizer que nem relógio nem dinheiro? — Nem joias. Estamos pedindo às senhoras que não venham de joia. É o mais difícil, mas algumas estão atendendo. — Hum, agora já sei. — Pois é. Isso mesmo. O amigo compreende... — Compreendo perfeitamente. Desculpa ter custado um pouco a entrar na jogada. Sou meio obtuso1 quando estou com fome. — Absolutamente. Até que o amigo compreendeu sem que eu precisasse dizer tudo. Muito bem. — Mas me diga uma coisa. Quando foi isso? — Quarta-feira passada. — E como foi, pode-se saber? — Como podia ser? Como nos outros lugares, no mesmo figuri- no. Só que em ponto menor. — Lógico, sua casa é pequena. Mas levaram o quê? — O que havia na caixa, pouquinha coisa. Eram 9 da noite, dia meio parado. — Que mais? — Umas coisinhas, liquidificador, relógio de pulso, meu, dos em- pregados e dos fregueses. — An. (Passei a mão no pulso, instintivamente.) — O pior foi o cofre. — Abriram o cofre? — Reviraram tudo, à procura do cofre. Ameaçaram, pintaram e bordaram. Foi muito desagradável. — E afinal? — Cansei de explicar a eles que não havia cofre, nunca houve, como é que eu podia inventar cofre naquela hora? — Ficaram decepcionados, imagino. — Não senhor. Disseram que tinha de haver cofre. Eram cinco, inclusive a moça de bota e revólver, querendo me convencer que tinha cofre escondido na parede, no teto, embaixo do piso, sei lá. — E o resultado? — Este — e baixou a cabeça, onde, no cocuruto, alvejava a estrela de esparadrapo. — Oh! Sinto muito.Não tinha notado. Felizmente escapou, é o que vale. Dê graças a Deus por estar vivo. — Já sei. Sabe que mais? Na polícia me perguntaram se eu tinha seguro contra roubo. E eu pensando que meu seguro fosse a polícia. Agora estou me segurando à minha maneira, deixando as coisas lá em casa e convidando os fregueses a fazer o mesmo. E vou comprar um cofre. Cofre pequeno, mas cofre. — Para que, se não vai guardar dinheiro nele? — Para mostrar minha boa-fé, se eles voltarem. Abro imedia- tamente o cofre, e verão que não estou escondendo nada. Que lhe parece? — Que talvez o senhor precise manter um estoque de espara- drapo em seu restaurante. AnDRADe, cARlos DRummonD De. espARADRApo. in pARA GostAR De leR. v. 3. cRônicAs. são pAulo: áticA, 1978. 6. (g1 – IfSC) ASSINAlE A AlTERNATIvA CUJA PAlAvRA POdERIA SUBS- TITUIR dE MANEIRA CORRETA O AdJETIvO – “OBTUSO” (REf. 1), SEM QUE HOUvESSE AlTERAçÃO CONSIdERávEl NO SENTIdO dA fRASE. a) teimoso b) apressado c) insensível d) agressivo e) estúpido 7. (ESPCEX) ASSINAlE A úNICA OPçÃO EM QUE A PAlAvRA “A” é ARTIgO. a) Hoje, ele veio a falar comigo. b) Essa caneta não é a que te emprestei. c) Convenci-a com poucas palavras. d) Obrigou-me a arcar com mais despesas. e) Marquei-te a fronte, mísero poeta. 8. (UfRRJ) MÃOS dAdAS 1ª ESTROfE Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 2ª ESTROfE Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens pre- sentes, a vida presente. (AnDRADe, cARlos DRummonD De. Reunião. Rio De JAneiRo: J. olympio, 1974. p. 55.) OS AdJETIvOS “CAdUCO” (PRIMEIRO vERSO) E “TACITURNOS” (QUARTO vERSO) SIgNIfICAM, RESPECTIvAMENTE, a) doente e falantes. b) ultrapassado e tristes. c) fraco e joviais. d) caído e solidários. e) passageiro e prolixos. 9. (UfRJ) 27 BONS (IN)vENTOS Universitários mineiros se destacam no desenvolvimento de pro- tótipos de aviões AlessAnDRA RibeiRo “Urrú! É pão de queijo!”. O grito de comemoração tornou-se recorrente na premiação do campeonato anual promovido nos Estados Unidos pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE, na sigla em inglês), a Aerodesign East Competition. O de- safio consiste em projetar e construir aeronaves radiocontrola- das, com capacidade de transportar cargas. Na última edição, encerrada em março, com a participação de 75 grupos das Amé- ricas, da Ásia e da Europa, duas equipes mineiras alcançaram o segundo lugar, em diferentes categorias: a Uirá, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), na classe “regular”, e a Trem Ki Voa, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), na “micro”. Instituições mineiras de ensino superior figuram anualmente na lista de vencedores da competição desde 2006, quando o primeiro e o segundo lugares da classe “regular” ficaram, respectivamen- te, com as equipes Uai-So-Fly, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Tucano, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pouco antes, em 2004, o grupo CEAV-UAV, também da UFMG, havia conquistado o vice-campeonato. Nessa categoria, os participantes devem construir aeronaves com dimensões totais de, no máximo, metros, capazes de decolar na distância máxima de metros, com o uso de motores elétricos limitados à potência de 1000 watts. O uso de materiais compostos – como fibra de carbo- no ou vidro – é vetado na estrutura dos aviões. Já na classe “micro”, os protótipos devem ter dimensões reduzi- das e pesar, em média, 700 gramas. Além disso, a equipe precisa transportar a aeronave dentro de um tubo de 15,3 centímetros de diâmetro. Quanto menor o comprimento do tubo, mais pon- tos são ganhos. As aeronaves também têm de usar motores elé- tricos e decolar por lançamento manual. Foi nesta categoria que a Trem Ki Voa (TKV), da UFSJ, subiu pela primeira vez no pódio da Aerodesign East Competition. A equipe micro teve sua participação iniciada em 2010, por inicia- tiva de estudantes do curso de Engenharia Mecânica. “De lá para cá, participamos de todas as competições, sendo vice-campeões nacionais em 2012 e 2014 e vice-campeões mundiais em 2015”, conta o professor Cláudio Pellegrini, orientador do grupo, que conta com o apoio do Programa Santos Dumont, da FAPEMIG. O edi- tal batizado com o nome do “pai da aviação”, natural de Minas Gerais, estimula o espírito empreendedor de alunos de graduação, por meio do financiamento de projetos focados em iniciação tec- nológica. O apoio financeiro abrange a participação de equipes em competições de caráter educacional, como as promovidas pela SAE. A TKV é “filha caçula” da equipe regular da UFSJ, a Coiote, criada em 2001. Três anos mais tarde, as duas se unificaram e decidiram adotar a alcunha Trem Ki Voa, uma referência (ou reverência) ao dialeto mineiro. Os nomes das equipes, aliás, de- monstram o nível de criatividade dos participantes. Na mesma universidade, a NoizAvua, que reúne estudantes das engenha- rias Civil, Mecatrônica e de Telecomunicações do campus Alto Paraopeba, estreou em 2012 na SAE Brasil Aerodesign, com- petição brasileira que garante a classificação ao desafio inter- nacional. Já na primeira participação, o grupo recebeu menção honrosa por apresentar o melhor projeto não custeado. Desde então, já conseguiu patrocínios pontuais, um deles também viabilizado pelo programa da FAPEMIG. “Para esses estudantes, o projeto e a construção de uma ae- ronave de carga não tripulada controlada a distância é uma oportunidade única de testar seus conhecimentos, de modo a desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe e integrar os conhecimentos adquiridos ao longo das várias unidades curricu- lares, por vezes tão distintas, de seu curso”, avalia Cláudio Pel- legrini (...). O professor ressalta que isso vale, inclusive, para os estudantes sem formação específica em aeronáutica – caso das equipes da UFSJ. “A participação também desenvolve a autono- mia no aprendizado, característica essencial em um mercado de trabalho em constante mudança”, acrescenta. (minAs fAz ciênciA, Jun/Jul/AGo De 2015. p. 31-2.) RElEIA A fRASE: “Na última edição, encerrada em março, com a participação de 75 grupos das Américas, da Ásia e da Europa, duas equipes mi- neiras alcançaram o segundo lugar, em diferentes categorias: a Uirá, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), na classe “re- gular”, e a Trem Ki Voa, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), na “micro”.” NA fRASE ACIMA, “MICRO” EXERCE A fUNçÃO dE AdJETIvO. ENTRETANTO, NÃO ESTá EXPlICITO O SUBSTANTIvO QUE ElE QUAlIfICA, QUE SERIA: a) classe. b) avião. c) edição. d) grupo. e) equipe. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia. Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por que não?" O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa si- tuação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, pra- ticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). Situação contráriaé encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma pri- são em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reinci- dência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%. A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não 28 é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada. O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não pos- suem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sani- tário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena re- muneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia. A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos pre- sos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimen- tos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores. Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um cur- so superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar. A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no trata- mento cruel e na vingança. O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacio- nais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem cri- mes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vin- gança é uma festa, dizia Nietzsche). luiz flávio Gomes, JuRistA, DiRetoR-pResiDente Do instituto AvAnte bRAsil e coeDitoR Do poRtAl AtuAliDADesDoDiReito. com.bR. estou no bloGDolfG.com.bR. ** colAboRou fláviA mestRineR botelho, socióloGA e pesquisADoRA Do instituto AvAnte bRAsil. fonte: ADAptADo De http://institutoAvAntebRAsil.com.bR/ noRueGA-como-moDelo-De-ReAbilitAcAo-De-cRiminosos/. AcessADo em 17 De mARço De 2017. 10. (ESPCEX - AMAN) "(...) UMA SINISTRA CUlTURA dE QUE BANdIdO BOM é BANdIdO MORTO." O AdJETIvO EM dESTAQUE APRESENTA, NO TEXTO, O SIgNIfICAdO dE: a) errada b) maligna c) desprezível d) forte e) correta E.O. FixAçãO 1. (UfRgS) Quando a 1economia política clássica nasceu, no Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do sé- culo XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava no centro de todas as análises. Estava claro que transformações radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento demo- gráfico sustentado – inédito até então – e pelo início do êxodo rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências sociais dessas mudanças? Para Thomas Malthus, que publicou em 1798 seu Ensaio sobre o princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos franceses às vésperas da Revolução de 1789, quando havia misé- ria generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco mais de 8 milhões de pessoas. A população francesa se expandiu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a 10estagna- ção dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos associados à propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fato- res que levaram a Revolução Francesa. Para evitar que torvelinho 13similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que toda assistência aos pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade deveria ser severamente controlada. Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de economia política e tributação, preocupava-se com a evolução do preço da terra. Se o crescimento da população e, consequen- temente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se 18tornar escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do bem escasso – a terra – deveria subir de modo contí- nuo. No limite, os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significativa da renda nacional, e o 20restante da população, uma parte cada vez mais reduzida, destruindo o equilíbrio social. De fato, o valor da terra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de século XIX, caiu em relação outras formas de rique- za, à medida que diminuía o peso da agricultura na renda das nações. Escrevendo nos anos de 1810, Ricardo não poderia an- tever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda. (piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p.11-13.) gERAlMENTE, SUBSTANTIvOS dENOTAM SERES OU COISAS. àS vEzES, NO ENTANTO, POdEM dENOTAR AçÃO OU PROCESSO. ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE CONTéM UM SUBSTANTIvO QUE, NO TEXTO, dENOTA PROCESSO. a) economia (ref. 1) b) estagnação (ref.10) c) similar (ref. 13) d) tornar (ref. 18) e) restante (ref. 20) 2. (UNESP) A QUESTÃO A SEgUIR ABORdAM UM POEMA dE RAUl dE lEONI (1895-1926). A alma das cousas somos nós... Dentro do eterno giro universal Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente, 29 Mas, se nesse vaivém tudo parece igual Nada mais, na verdade, Nunca mais se repete exatamente... Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente Que no-las leva e traz, num círculo fatal; O que varia é o espírito que as sente Que é imperceptivelmente desigual, Que sempre as vive diferentemente, E, assim, a vida é sempre inédita, afinal... Estado de alma em fuga pelas horas, Tons esquivos e trêmulos, nuanças Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris Da sensibilidade furta-cor... E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas E a vida somos nós, que sempre somos outros!... Homem inquieto e vão que não repousas! Para e escuta: Se as cousas têm espírito, nós somos Esse espírito efêmero das cousas, Volúvel e diverso, Variando, instante a instante, intimamente, E eternamente, Dentro da indiferençado Universo!... (leoni, RAul. luz meDiteRRâneA, 1965.) INdIQUE O vERSO EM QUE OCORRE UM AdJETIvO ANTES E OUTRO dEPOIS dE UM SUBSTANTIvO: a) O que varia é o espírito que as sente b) Mas, se nesse vaivém tudo parece igual c) Tons esquivos e trêmulos, nuanças d) Homem inquieto e vão que não repousas! e) Dentro do eterno giro universal lEIA O TEXTO PARA RESPONdER à QUESTÃO A Argentina tem Messi. Ele é o plano, o propósito, a ideia. Como executá-la? Isso também é coisa para Leo, ciente de que com a alviceleste lhe cabe ser meio-campista, porque a equipe não tem jogadores brilhantes no meio. Ocorre que, exceto por Di María, o ataque não tem pegada, apesar da reputação de Higuaín, Agüero – agora lesionado –, Lavezzi e Palácio. O peso de Maradona já é enorme; obrigar alguém a ser Maradona para criar e Maradona para concretizar é uma missão quase impossível até para um gênio como Messi. O ponto de partida assumido por Leo foi o eixo do campo, onde Mascherano há tempos não aparece, e onde Gago é uma sombra, nem fede nem cheira, só se dispersa. Como não há ninguém capaz de dar uma luz, a Pulga vai ao socorro e busca abrir espaços entre o funil rival. O normal seria que acabasse preso pelas emboscadas suíças, que não eram poucas. Quando conseguiu finalmente armar um chute, lá estava o formidável Benaglio [goleiro da Suíça]. (http://bRAsil.elpAis.com/bRAsil) 3. (UNICId MEd UNESP) NO TRECHO "lá ESTAvA O fORMIdávEl BENAglIO", EM RElAçÃO AO NOME PRÓPRIO A QUE SE REfERE, O AdJETIvO é EMPREgAdO PARA EXPRIMIR a) um sentido de modéstia. b) uma qualidade distintiva. c) uma avaliação pejorativa. d) um sentido atenuante. e) um tom cerimonioso. 4. (UECE) A gARAgEM dE CASA Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a 4ga- ragem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indi- víduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. 8Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tem- pos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a fe- licidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações 15admirou longamente, como denun- ciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compa- decida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio. (chico buARque. o iRmão Alemão. 1 eD. são pAulo. compAnhiA DAs letRAs. 2014. p. 60-61.) A OBRA O IRMÃO AlEMÃO, úlTIMO lIvRO dE CHICO BUARQUE dE HOlAN- dA, TEM COMO MÓvEl dA NARRATIvA A EXISTêNCIA dE UM dESCONHECIdO IRMÃO AlEMÃO, fRUTO dE UMA AvENTURA AMOROSA QUE O PAI dElE, SéRgIO BUARQUE dE HOlANdA, TIvERA COM UMA AlEMÃ, lá PElO fINAl dA déCAdA dE 1930 dO SéCUlO PASSAdO. EXATAMENTE QUANdO HITlER ASCENdE AO POdER NA AlEMANHA. ESSE fATO é REAl: O JORNAlISTA, HISTORIAdOR E SOCIÓlOgO SéRgIO BUARQUE dE HOlANdA, NA éPOCA, SOlTEIRO, dEIXOU ESSE fIlHO NA AlEMANHA. NA fAMílIA, NO ENTANTO, NÃO SE fAlAvA NO ASSUNTO. CHICO TEvE, POR ACASO, CONHECIMENTO dESSA AvENTURA dO PAI EM UMA REUNIÃO NA CASA dE MANUEl BANdEI- RA, POR COMENTáRIO fEITO PElO PRÓPRIO BANdEIRA. fOI EM TORNO dA PRETENSA BUSCA dESSE PRETENSO IRMÃO QUE CHICO BUARQUE dESENvOlvEU SUA NARRATIvA fICCIONAl, O SEU ROMANCE. SOBRE A OBRA, dIz fERNANdO dE BARROS E SIlvA: “O QUE O lEITOR TEM EM MÃOS [...] NÃO é UM RElATO HISTÓRICO. REAlIdAdE E fICçÃO ESTÃO AQUI ENTRANHAdAS NUMA NARRATIvA QUE EMBARAlHA SEM CESSAR MEMÓRIA BIOgRáfICA E fICçÃO”. CONSIdERE A EXPRESSÃO “A gARAgEM dE CASA” (REf. 4) E O QUE SE dIz SOBRE ElA. I. O EMPREgO dO vOCáBUlO CASA SEM A dETERMINAçÃO dO ARTIgO dEfINIdO, COMO ACONTECE NO TEXTO, INdICA QUE A CASA é dA PESSOA QUE fAlA. 30 II. A INTROdUçÃO dO ARTIgO dEfINIdO ANTES dO SUBSTANTIvO CASA – gARAgEM dA CASA – INdICARIA NÃO SÓ QUE O fAlANTE NÃO é O PROPRIETáRIO dA CASA, OU PElO MENOS NÃO A HABITA, MAS TAMBéM QUE O REfERENTE CASA, REPRESENTAdO NO TEXTO PElO vOCáBUlO CASA, Já APARECERA NO TEXTO, PORTANTO NÃO SERIA NOvO PARA O lEITOR. III. A INTROdUçÃO dO ARTIgO INdEfINIdO UM ANTES dO SUBSTANTIvO CASA – gARAgEM dE UMA CASA – INdICARIA QUE O REfERENTE CASA, REPRESENTAdO PElO vOCáBUlO CASA, AINdA NÃO APARECERA NO TEXTO, PORTANTO SERIA NOvO PARA O lEITOR. ESTá CORRETO O QUE SE dIz EM a) I e II apenas. b) I, II e III. c) I e III apenas. d) II apenas. 5. (CP2) ITAlIANO CAPTA SONS dA NATUREzA PARA CRIAR MúSICAS Se a quantidade de instrumentos musicais tocados por Diego Stocco não é infinita, com certeza é incontável. Para ele fazer mú- sica com uma coisa, basta que ela exista. Galhos, folhas, frutas, areia, casca de tronco de árvore, sementes, até uma abelha que passeava entre as flores participam da gravação do músico. Nas mãos do italiano, qualquer jardim vira uma orquestra. Para fazer suas composições em parceria com a natureza, vários métodos de captação são utilizados. Quase sempre, os objetos acabam se transformando em elementos de percussão. Ele posiciona microfones perto de uma árvore, por exemplo, e, após um breve teste para descobrir qual o som provocado pelos movimentos, começa a chacoalhar os galhos e batucar no tronco, como se fosse um bongô. Às vezes, pequenos microfones são acoplados aos seus dedos, fazendo com que qualquer impacto seja ampliado na hora. Mas o método mais curioso, com certeza, é o estetoscópio. Diego pluga o aparelho em um microfone e o encosta na casca da árvore. Assim que ele bate no tronco, o que se ouve é um som grave, saído diretamente das entranhas daquela planta. Quando ele termina de experimentar as sonoridades do jardim, é tudo uma questão de edição. Apesar de ter virado notícia, a ideia de utilizar elementos naturais para criar uma canção não é exatamente nova. Desde os tempos em que o homem morava em cavernas, ele já fazia músicas com os elementos ao seu redor. (...) Hermeto Pascoal, um dos músicos mais inventivos que o Brasil já viu, fazia coisa parecida desde os tempos de criança, em 1940. Ele transformava cano de mamona de jerimum em pífano (tipo de flauta) e adorava fazer música com os barulhos da lagoa perto de sua casa. (...) (Disponível: http://RevistAGAlileu.Globo.com/RevistA/n/0,,emi30 817917770,0itAliAno+cAptA+sons+DA+nAtuRezA+ pARA+cRiAR+musicAs.html. Acesso em 23 nov. 2013.) lê-SE NO TEXTO QUE “SE A QUANTIdAdE dE INSTRUMENTOS MUSICAIS TO- CAdOS POR dIEgO STOCCO NÃO é INfINITA, COM CERTEzA é INCONTávEl”. CONSIdERANdO A lEITURA dA REPORTAgEM, ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE REPRESENTA, RESPECTIvAMENTE, O vAlOR SEMâNTICO dOS dOIS AdJETIvOS NO CONTEXTO. a) desmesurada/ imensa b) ilimitada/ inumerável c) ilimitada/ numerável d) abrangente/ magnífica 6. ARTE SUPREMATal como Pigmalião, a minha ideia Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a; E ante os meus olhos e a vaidade fátua Surge, formosa e nua, Galateia. Mais um retoque, uns golpes... e remato-a; Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia Sangue rubro, que a cora e aformoseia... E a estatua não falou, porque era estatua. Bem haja o verso, em cuja enorme escala Falam todas as vozes do universo, E ao qual também arte nenhuma iguala: Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso, Em vão não e que eu digo ao verso: “Fala!” E ele fala-me sempre, porque e verso. (Júlio césAR DA silvA. ARte De AmAR. são pAulo: compAnhiA eDitoRA nAcionAl, 1961.) APONTE A AlTERNATIvA QUE INdICA O NúMERO dO vERSO EM QUE APARE- CEM dOIS AdJETIvOS lIgAdOS POR UM CONECTIvO AdITIvO: a) Verso 3. b) Verso 4. c) Verso 5. d) Verso 7. e) Verso 11. 7. (ESC. NAvAl) vElHO MARINHEIRO Homenagem aos marinheiros de sempre... e para sempre. Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi meu braço diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida. Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme branco, sen- ti-me homem de verdade, como se estivesse dando adeus aos tempos de garoto. Ao meu lado, as vozes de outros jovens so- avam em uníssono com a minha, vibrantes, e terminamos com emoção, de peitos estufados e orgulhosos. Ao final, minha mãe veio em minha direção, apressada em me dar um beijo. Acari- ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme. O dia acabou com a família em festa; eu lembro-me bem, fiquei de uniforme até de tarde... Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o significado nobre de companheirismo. Juntos no sofrimento e na alegria, um safando o outro, leais e amigos. Aprendi o que é civismo, respeito e disciplina, no princípio, exigidos a cada dia; depois, como parte do meu ser e, assim, para sempre. A cada passo havia um novo esforço esperando e, depois dele, um pequeno sucesso. Minha vida, agora que olho para trás, foi toda de pequenos sucessos. A soma deles foi a minha carreira. 31 No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era novamente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu havia aprendi- do. Só que agora me davam tarefas, incumbências, e esperavam que eu as cumprisse bem. Pouco a pouco, passei a ser parte da equipe, a ser chamado para ajudar, a ser necessário. Um dia vi- -me ensinando aos novatos e dei-me conta de que me tornara marinheiro, de fato e de direito, um profissional! O navio passou a ser minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às vezes, do que na primeira. Conhecia todos, alguns mais até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoetes, preocupa- ções e de seus sonhos. Sem dar conta, meu mundo acabava no costado do navio. A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, é uma das coisas mais belas, que só há entre nós, em mais nenhum outro lugar. Por isso sou marinheiro, porque sei o que é espírito de navio. Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro danado no mar, em serviço, postos de combate, adestramento de guerra, dia e noite. O interessante é que em toda nossa vida, quando busca- mos as boas recordações, elas vêm desse tempo, das viagens e dos navios. Até as durezas por que passamos são saborosas ao lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. É aquela história dos pequenos sucessos. A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre figu- rando a mulher. Primeiro a mãe, depois a namorada, a noiva, a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpresas de carinho. A comida preferida, o abraço apertado, o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensinado a dizer papai. No início, eu voltava com muitos retratos, principalmente quando vinha do estrangeiro, depois, com o tempo, eram poucos, até que deixei de levar a máquina. Engraçado, 1vocês já perceberam que marinheiro velho dificilmente baixa a terra com máquina fotográ- fica? Foi assim comigo. Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros – sinto-os mais preparados do que eu era – mas a vida no mar, as viagens, os portos, a volta, estou certo de que são iguais. Sou marinheiro, por isso sei como é. Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Marinha. E a cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, que vejo, me dá um orgulho que às vezes chega a entalar na garganta. Há pouco tempo, voltei a entrar em um navio. Que coisa linda! Sofisticado, limpíssimo, nas mãos de uma tripulação que só pode ser muito competente para mantê-lo pronto. Do que me mostraram eu não sabia muito. Basta dizer que o último navio em que servi já deu baixa. Quando saí de bordo, parei no portaló, voltei-me para a bandeira, inclinei a cabeça... e, minha garganta entalou outra vez. Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que significa o bem de cada um, protegido à custa do desmerecimento da insti- tuição; mas o puro, que significa o bem da instituição, protegido pelo merecimento de cada um. Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. Muitas vezes a lembrança me retorna aos dias da ativa e mor- ro de saudades. Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir aquele uniforme novinho – até um pouco grande, ainda recordo – Jurar Bandeira, ser beijado pela minha falecida mãe... Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, verei, em velocidade desconhecida, o navio com meus amigos, minha mulher, meus filhos, singrando para sempre, indo aonde o mar encontra o céu... e, se São Pedro estiver no portaló, direi: – Sou marinheiro, estou embarcando. (AutoR DesconheciDo. in: línGuA poRtuGuesA: leituRA e pRoDução De texto. Rio De JAneiRo: mARinhA Do bRAsil, escolA nAvAl, 2011. p. 6-8) glOSSáRIO PORTAlÓ: ABERTURA NO CASCO dE UM NAvIO, OU PASSAgEM JUNTO à BAlAUSTRAdA, POR ONdE AS PESSOAS TRANSITAM PARA fORA OU PARA dENTRO, E POR ONdE SE POdE MOvIMENTAR CARgA lEvE. EM “[...] vOCêS Já PERCEBERAM QUE MARINHEIRO vElHO dIfICIlMENTE BAIXA A TERRA [...] .” (REf. 1), A POSIçÃO dO AdJETIvO é IMPORTANTE, POIS, SE ESCREvêSSEMOS “vElHO MARINHEIRO”, O vAlOR SEMâNTICO SE- RIA OUTRO. EM QUE OPçÃO A TROCA dE POSIçÃO dOS TERMOS IMPlICOU UMA MUdANçA SEMâNTICA? a) Os marinheiros, em seus uniformes brancos, des- tacam-se nas paradas militares. / Os marinheiros, em seus brancos uniformes, destacam-se nas paradas militares. b) Os alunos gostavam de ouvir as narrativas tradicio- nais sobre os perigos do mar. / Os alunos gostavam de ouvir as tradicionais narrativas sobre os perigos do mar. c) Depois de muito tempo longe de casa, os homens do mar sentem falta de uma comida gostosa. / Depois de muito tempo longe de casa, os homens do mar sentem falta de uma gostosa comida. d) Os navios e seus homens preparavam-se para cum- prir um longo percurso, de acordo com a derrota tra- çada. / Os navios e seus homens preparavam-se para cumprir um percurso longo, de acordo com a derrota traçada. e) Antigamente, o recebimento de uma mensagem simples aplacava as saudades dos marinheiros. / An- tigamente, o recebimento de uma simples mensagem aplacava as saudades dos marinheiros. 8. (UFRGS) O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? Soberania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – as palavras hoje são ditas com tanta facilidade que so- mos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberda- de significava privilégio – isto é, literalmente, “lei privada”, uma prerrogativa especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, pois havia sido ungido como 16o agente de Deus na terra. Durante todo 17o século XVIII, os filósofos do Iluminismo ques- tionaram esses pressupostos, e os panfletistas profissionais conseguiram empanar a aura sagrada da coroa. Contudo, a desmontagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência iconoclasta, destruidorado mundo, revolucionária. Seria ótimo se pudéssemos associar 18a Revolução exclusivamen- te à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu na violência e imprimiu seus princípios em um mundo violento. Os conquistadores da Bastilha não se limitaram a des- truir um símbolo do despotismo real. Entre eles, 150 foram mortos 32 ou feridos no assalto à prisão e, quando os sobreviventes apa- nharam o diretor, cortaram sua cabeça e desfilaram-na por Paris na ponta de uma lança. Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzen- tos anos de experiências com admiráveis mundos novos torna- ram-nos céticos quanto ao planejamento social. Retrospectiva- mente, a Revolução pode parecer um prelúdio ao totalitarismo. Pode ser. Mas um excesso de visão histórica retrospectiva pode distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pesso- as não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as coisas se desintegraram, eles reagiram a uma necessidade impe- riosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denún- cia da tirania e da injustiça. Afinal, em que estava empenhada a Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade. (DARnton, RobeRt. o beiJo De lAmouRette. in: ____. o beiJo De lAmouRette: míDiA, cultuRA e Revolução. são pAulo: ciA. DAs letRAs, 2010. p. 30-39.) CONSIdERE AS SEgUINTES OCORRêNCIAS dE ARTIgO NO TEXTO. I. O ARTIgO dEfINIdO NA REfERêNCIA 16. II. O ARTIgO dEfINIdO SINgUlAR NA REfERêNCIA 17. III. O ARTIgO dEfINIdO NA REfERêNCIA 18. QUAIS POdERIAM SER OMITIdOS, PRESERvANdO A CORREçÃO dE SEUS CONTEXTOS? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. 9. (CfTRJ) TEXTO III lAMA mAuRo DuARte Pelo curto tempo que você sumiu Nota-se aparentemente que você subiu Mas o que eu soube ao seu respeito Me entristeceu ouvi dizer Que pra subir você desceu, você desceu Todo mundo quer subir A concepção da vida admite Ainda mais quando a subida Tem o céu como limite Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama Com a moral toda enterrada na lama (clARA nunes. o cAnto DAs tRês RAçAs. emi-oDeon, 1976) A PROdUçÃO dE UM TEXTO POéTICO RESUlTA dE UMA CRITERIOSA SElEçÃO vOCABUlAR. NO TEXTO, TRABAlHOU-SE COM dOIS CAMPOS SEMâNTICOS: SUBIR X dESCER. RElACIONANdO-SE ESSES vERBOS A SUBSTANTIvOS, dE ACORdO COM ESSE TEXTO, A úNICA ASSOCIAçÃO COERENTE é: a) subir: lama, limite. b) descer: limite, degrau. c) subir: fama, moral. d) descer: lama, moral. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A MEMÓRIA E O CAOS dIgITAl feRnAnDA colAvitti A era digital trouxe inovações e facilidades para o homem que superou de longe o que a ficção previa até pouco tempo atrás. Se antes precisávamos correr em busca de informações de nosso interesse, hoje, úteis ou não, elas é que nos assediam: resulta- dos de loterias, dicas de cursos, variações da moeda, ofertas de compras, notícias de atentados, ganhadores de gincanas, etc. Por outro lado, enquanto cresce a capacidade dos discos rígidos e a velocidade das informações, o desempenho da memória humana está ficando cada vez mais comprometido. Cientistas são unâni- mes ao associar a rapidez das informações geradas pelo mundo digital com a restrição de nosso "disco rígido" natural. Eles res- saltam, porém, que o problema não está propriamente nas novas tecnologias, mas no uso exagerado delas, o que faz com que deixemos de lado atividades mais estimulantes, como a leitura, que envolvem diversas funções do cérebro. Os mais prejudicados por esse processo têm sido crianças e adolescentes, cujo desen- volvimento neuronal acaba sendo moldado preguiçosamente. Responda sem pensar: qual era a manchete do jornal de ontem? Você lembra o nome da novela que antecedeu o Clone? E quem era o técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994? Não ter uma resposta imediata para essas perguntas não deve ser causa de preocupação para ninguém, mas exemplifica bem o problema constatado pela fonoaudióloga paulista Ana Maria Maaz Alvarez, que há mais de 20 anos estuda a relação entre audição e recordação. A pedido de duas empresas, ela realizou uma pesquisa para sa- ber o que estava ocorrendo com os funcionários que reclamavam com frequência de lapsos de memória. Foram entrevistados 71 homens e mulheres, com idade de 18 e 42 anos. A maioria dos esquecimentos era de natureza auditiva, como nomes que aca- bavam de ser ouvidos ou assuntos discutidos. (Por falar nisso, responda sem olhar no parágrafo anterior: você lembra o nome da pesquisadora citada?) Ana Maria descobriu que os lapsos de memória resultavam basica- mente do excesso de informação em consequência do tipo de tra- balho que essas pessoas exerciam nas empresas, e do pouco tempo que dispunham para processá-las, somados à angústia de querer saber mais e ao excesso de atribuições. "Elas não se detinham no que estava sendo dito (lido, ouvido ou visto) e, consequentemente, não conseguiam gravar os dados na memória", afirma. (fonte inteRnet: supeRinteRessAnte, 2001). 10. (UECE) ASSINAlE A AlTERNATIvA EM QUE TOdAS AS EXPRESSõES dES- TACAdAS TêM vAlOR dE AdJETIvO. a) Era DIGITAL trouxe inovações e FACILIDADES QUE SUPERARAM o QUE PREVIA a ficção. b) Deixemos DE LADO atividades QUE ENVOLVEM DIVERSAS funções DO CÉREBRO. c) Hoje, ÚTEIS ou não, as informações É QUE nos assediam. d) Responda qual era a manchete DO JORNAL DE ONTEM. 33 E.O. COmplEmEntAr 1. (IfSP) BUSCANdO A EXCElêNCIA lyA luft Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assusta- dora, implacável e persistentemente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformados, desinteressados, incultos, lamentáveis. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos – refiro-me às públicas – vão se tornando reduto de pobreza intelectual. As infelizes cotas, contras as quais tenho escrito e às quais me oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançar- mos este objetivo: a mediocrização também do ensino superior. Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensi- nado, numa educação de brincadeirinha. E, porque não sabem ler nem escrever direito e com naturalidade, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. [...] E as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso ao ensino superior por mérito [...]. Meu conceito serve para cotas raciais também: não é pela raça ou cor, sobretudo auto- declarada, que um jovem deve conseguir diploma superior, mas por seu esforço e capacidade. [...] Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jo- vens, em lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, busca de mérito, uso da própria capacidade e talento, já entre as crianças. O ensino nas últimas décadas aprimorou-se em fazer os pequenos aprender brincando. Isso pode ser bom para os bem pequenos, mas já na escola elementar, em seus primeiros anos, é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a vida não é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à saúde, mas que a escola é também preparação para uma vida profissional futura, na qual haverá disciplina e limites – que aliás deveriam existir em casa, ainda que amorosos. Muitos dirão que não estou sendo simpática. Não escrevo para ser agradável, mas para partilhar com meus leitores preocupa- ções sobre este país com suas maravilhas e suas mazelas, num momento fundamental em que, em meio a greves, justas ou desatinadas, [...] se delineia com grande inteligência e precisão a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenaspre- judicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral, e a dignidade de milhões de brasileiros. Está sendo um momento de excelência que nos devolve ânimo e esperança. (RevistA veJA, De 26.09.2012. ADAptADo). SABE-SE QUE O AdJETIvO é UMA PAlAvRA QUE MOdIfICA O SUBSTANTIvO E QUE SUA POSIçÃO MAIS COMUM NO PORTUgUêS é A dE SUCEdER ESSE SUBSTANTIvO. ASSINAlE O EfEITO dE SENTIdO QUE A AUTORA CONSEgUE COM O EMPREgO dO AdJETIvO ANTECEdENdO O SUBSTANTIvO EM “AS INfElIzES COTAS” (2º PARágRAfO). a) produz uma sonoridade mais adequada ao trecho. b) provoca o estranhamento do leitor, pois algumas co- tas são felizes. c) antecipa que nem todas as cotas são infelizes, como se poderia esperar. d) oferece pistas ao leitor de seu posicionamento críti- co sobre o assunto das cotas. e) exemplifica a situação da educação do país, empre- gando inadequadamente o termo. 2. (UEl) vESTIBUlAR Vestibular, aquilo que o Ministério da Educação estuda agora extinguir, é um brasileirismo para algo que em Portugal costuma ser chamado de exame de acesso à universidade. Trata-se de um adjetivo que se substantivou, num processo semelhante ao que ocorreu com celular, qualificativo de telefone, que tenta – e na maioria das vezes consegue – expulsar a palavra principal de cena sob uma pertinente alegação de redundância, tomando para si o lugar de substantivo. Pois o exame vestibular, de tão consagrado no vocabulário de gerações e gerações de estudantes brasileiros que perderam o sono por causa dele, acabou conhecido como ves- tibular só. E qualquer associação remota com a palavra que está em sua origem – vestíbulo – se perdeu nesse processo. Quando ainda era claramente um adjetivo, ficava mais fácil per- ceber a metáfora que, com certa dose de pernosticismo, levou a palavra vestibular a ser escolhida para qualificar o processo de seleção de candidatos ao ensino superior. Vestíbulo (do latim vestibulum) é, na origem, um termo de arquitetura que signifi- ca pórtico, alpendre ou pátio externo, mas que pode ser usado também, em sentido mais amplo, para designar um átrio, uma antessala, qualquer cômodo ou ambiente de passagem entre a porta de entrada e o corpo principal de uma casa, apartamento, palácio ou prédio público. Para quem prefere uma solução angló- fona, estamos falando de hall ou lobby. Como é um ambiente de transição entre o lado de fora e o lado de dentro, vestíbulo ganhou ainda por extensão, em anatomia, o sentido de “cavidade que dá acesso a um órgão oco” (Houaiss). Antes de ser admitido no vocabulário da educação, “sistema ves- tibular” já tinha aplicação na linguagem médica como nome dos pequenos órgãos situados na entrada do ouvido interno, respon- sáveis por nosso equilíbrio. (RoDRiGues, s. vestibulAR. Disponível em: <http://RevistADAsemAnA. AbRil.uol.com.bR/eDicoes/81/pAlAvRADAsemAnA/mAteRiA_ pAlAvRADAsemAnA_431845.shtml>. Acesso em: 6 Jun. 2009.) COM BASE NO TEXTO, CONSIdERE AS AfIRMATIvAS A SEgUIR: I. AO AfIRMAR QUE vESTIBUlAR é UM BRASIlEIRISMO, O AUTOR SE POSI- CIONA CONTRARIAMENTE à SUA EXTINçÃO PElO MINISTéRIO dA EdUCAçÃO. II. O AUTOR NÃO CONdENA O USO dO ESTRANgEIRISMO “lOBBy” NO lUgAR dO BRASIlEIRISMO “vESTIBUlAR”. III. O AdJETIvO “vESTIBUlAR” QUE, dEvIdO AO USO, ACABOU SENdO SUB- STANTIvAdO, é dERIvAdO dA PAlAvRA “vESTíBUlO”. Iv. O AUTOR CONSIdERA PERTINENTE A AlEgAçÃO dE REdUNdâNCIA PARA EXPlICAR O PROCESSO dE SUBSTANTIvAçÃO dO TERMO “CElUlAR”. ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas II e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas. 3. (IFCE) De como o narrador, com certa experiência anterior e agradável, dispõe-se a retirar a verdade do fundo do poço Minha intenção, minha única intenção, acreditem! é apenas restabelecer a verdade. A verdade completa, de tal maneira que nenhuma dúvida persista em torno do comandante Vasco Moscoso de Aragão e de suas extraordinárias aventuras. 34 “A verdade está no fundo de um poço”, li certa vez, não me lem- bro mais se num livro ou num artigo de jornal. Em todo caso, em letra de forma, e como duvidar de afirmação impressa? Eu, pelo menos, não costumo discutir, muito menos negar, a literatura e o jornalismo. E, como se isso não bastasse, 7várias pessoas gradas repetiram-me a frase, não deixando sequer margem para um erro de revisão a retirar a verdade do poço, a situá-la em melhor abrigo: paço (“a verdade está no paço real”) ou colo (“a verdade se esconde no colo das mulheres belas”), polo (“a verdade fugiu para o Polo Norte”) ou povo (“a verdade está com o povo”). Frases, todas elas, parece-me, menos grosseiras, mais elegantes, sem deixar essa obscura sensação de abandono e frio inerente à palavra “poço”. O meritíssimo dr. Siqueira, juiz aposentado, respeitável e probo cidadão, de lustrosa e erudita careca, explicou-me tratar-se de um lugar-comum, ou seja, coisa tão clara e sabida a ponto de transformar-se num provérbio, num dito de todo mundo. Com sua voz grave, de inapelável sentença, acrescentou curioso de- talhe: não só a verdade está no fundo de um poço, mas lá se encontra inteiramente nua, sem nenhum véu a cobrir-lhe o corpo, sequer as partes vergonhosas. No fundo do poço e nua. O dr. Alberto Siqueira é o cimo, o ponto culminante da cultura nesse subúrbio de Periperi onde habitamos. É ele quem pronun- cia o discurso do Dois de Julho na pequena praça e o de Sete de Setembro no grupo escolar, sem falar noutras datas menores e em brindes de aniversário e batizado. Ao juiz devo muito do pouco que sei, a essas conversas noturnas no passeio de sua casa; devo-lhe respeito e gratidão. Quando ele, com a voz solene e o gesto preciso, esclarece-me uma dúvida, naquele momen- to tudo parece-me claro e fácil, nenhuma objeção me assalta. Depois que o deixo, porém, e ponho-me a pensar no assunto, vão-se a facilidade e a evidência, como, por exemplo, nesse caso da verdade. Volta tudo a ser obscuro e difícil, busco recordar as explicações do meritíssimo e não consigo. Uma trapalhada. Mas, como duvidar da palavra de homem de tanto saber, as estantes entulhadas de livros, códigos e tratados? No entanto, por mais que ele me explique tratar-se apenas de um provérbio popular, muitas vezes encontro-me a pensar nesse poço, certamente pro- fundo e escuro, onde foi a verdade esconder sua nudez, deixan- do-nos na maior das confusões, a discutir a propósito de um tudo ou de um nada, causando-nos a ruína, o desespero e a guerra. Poço não é poço, fundo de um poço não é o fundo de um poço, na voz do provérbio isso significa que a verdade é difícil de re- velar-se, sua nudez não se exibe na praça pública ao alcance de qualquer mortal. Mas é o nosso dever, de todos nós, procurar a verdade de cada fato, mergulhar na escuridão do poço até en- contrar sua luz divina. “Luz divina” é do juiz, como aliás todo o parágrafo anterior. Ele é tão culto que fala em tom de discurso, gastando palavras bonitas, mesmo nas conversas familiares com sua digníssima esposa, dona Ernestina. “A verdade é o farol que ilumina mi- nha vida”, costuma repetir-se o meritíssimo, de dedo em riste, quando, à noite, sob um céu de incontáveis estrelas e pouca luz elétrica, conversamos sobre as novidades do mundo e de nosso subúrbio. Dona Ernestina, gordíssima, lustrosa de suor e um tanto quanto débil mental, concorda balançando a cabeça de elefante. Um farol de luz poderosa, iluminando longe, eis a verdade do nobre juiz de direito aposentado. Talvez por isso mesmo sua luz não penetre nos escaninhos mais próximos, nas ruas de canto, no escondido beco das Três Borboletas onde se abriga, na discreta meia-sombra de uma casinha entre árvores, a formosa e risonha mulata Dondoca, cujos pais procura- ram o meritíssimo quando Zé Canjiquinha desapareceu da circula- ção, viajando para o sul. Passara Dondocanos peitos, na frase pitoresca do velho Pedro Tor- resmo, pai aflito, e largara a menina ali, sem honra e sem dinheiro: – No miserê, doutor juiz, no miserê... O juiz deitou discurso moral, coisa digna de ouvir-se, prometeu providências. E, à vista do tocante quadro da vítima a sorrir en- tre lágrimas, afrouxou um dinheirinho, pois, sob o peito duro da camisa engomada do magistrado, pulsa, por mais difícil que seja acreditar-se, pulsa um bondoso coração. Prometeu expedir ordem de busca e apreensão do “sórdido dom-juan”, esque- cendo-se, no entusiasmo pela causa da virtude ofendida, de sua condição de aposentado, sem promotor nem delegado às ordens. Interessaria no caso, igualmente, seus amigos da cidade. O “conquistador barato” teria a paga merecida... E foi ele próprio, tão cônscio é o dr. Siqueira de suas responsabili- dades de juiz (embora aposentado), dar notícias das providências à família ofendida e pobre, na moradia distante. Dormia Pedro Tor- resmo, curando a cachaça da véspera; labutava no quintal, lavando roupa, a magra Eufrásia, mãe da vítima, e a própria cuidava do fogão. Desabrochou um sorriso nos lábios carnudos de Dondoca, tímido mas expressivo, o juiz fitou-a austero, tomou-lhe da mão: – Venho pra repreendê-la... – Eu não queria. Foi ele... – choramingou a formosa. – Muito malfeito – segurava-lhe o braço de carne rija. Desfez-se ela em lágrimas arrependidas e o juiz, para melhor re- preendê-la e aconselhá-la, sentou-a no colo, acariciou-lhe as faces, beliscou-lhe os braços. Admirável quadro: a severidade implacável do magistrado temperada pela bondade compreensiva do homem. Escondeu Dondoca o rosto envergonhado no ombro confortador, seus lábios faziam cócegas inocentes no pescoço ilustre. Zé Canjiquinha nunca foi encontrado, em compensação Dondo- ca ficou, desde aquela bem-sucedida visita sob a proteção da justiça, anda hoje nos trinques, ganhou a casinha no beco das Três Borboletas, Pedro Torresmo deixou definitivamente de traba- lhar. Eis aí uma verdade que o farol do juiz não ilumina, foi-me necessário mergulhar no poço para buscá-la. Aliás, para tudo contar, a inteira verdade, devo acrescentar ter sido agradável, de- leitoso mergulho, pois no fundo desse poço estava o colchão de lã de barriguda do leito de Dondoca onde ela me conta – depois que abandono, por volta das dez da noite, a prosa erudita do me- ritíssimo e de sua volumosa consorte – divertidas intimidades do preclaro magistrado, infelizmente impróprias para letra de forma. (AmADo, JoRGe. os velhos mARinheiRos: DuAs históRiAs Do cAis DA bAhiA. 23. eD. são pAulo: mARtins, s.D., p. 71-73) EM “(...) váRIAS PESSOAS gRAdAS REPETIRAM-ME A fRASE (...)”, – REf. 7 – é CORRETO AfIRMAR-SE, dE ACORdO COM O TEXTO, ACERCA dO vOCá- BUlO dESTACAdO, QUE SE TRATA dE UM a) substantivo e tem o mesmo significado de “vonta- des”, “desejos”. b) substantivo e tem o mesmo significado de “passos”, “marchas”, “andaduras”. c) adjetivo e tem o mesmo significado de “insignes”, “importantes”, “ilustres”. 35 d) adjetivo e tem o mesmo significado de “grandes”, “desenvolvidas”. e) adjetivo e tem o mesmo significado de “esforça- das”, “lutadoras”. 4. (UECE) PORTÃO O portão fica bocejando, aberto para os alunos retardatários. Não há pressa em viver nem nas ladeiras duras de subir, quanto mais para estudar a 1insípida cartilha. Mas se o pai do menino é da oposição, à ilustríssima autoridade municipal, prima por sua vez da sacratíssima autoridade nacional, ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora e leva no boletim uma galáxia de zeros. A gente aprende muito no portão fechado. (AnDRADe, cARlos DRummonD De. in: cARlos DRummonD De AnDRADe: poesiA e pRosA. eDitoRA novA AGuilAR:1988. p. 506-507.) ATENTE AO QUE é dITO SOBRE O vOCáBUlO “INSíPIdA” (REf. 1). I. fOI EMPREgAdO NA ACEPçÃO dE SEM gRAçA, dESINTERESSANTE, MO- NÓTONO. II. fOI EMPREgAdO NO SEU SENTIdO lITERAl, NÃO fIgURAdO. III. A MUdANçA dA POSIçÃO dESSE AdJETIvO PARA dEPOIS dO SUBSTANTI- vO NÃO AlTERARIA O SIgNIfICAdO dO SUBSTANTIvO. ESTá CORRETO O QUE SE AfIRMA SOMENTE EM a) I e II. b) III. c) I e III. d) II. 5. (INSPER) QUEM RI POR úlTIMO RI MIllôR Eu tinha 15 anos, havia tomado bomba, era virgem e não via, diante da minha incompetência para com o sexo oposto, a mais remota possibilidade de reverter a situação. Em algum momento entre a oitava série e o primeiro colegial, todos os meus colegas haviam adotado roupas diferentes, gí- rias, trejeitos ao falar e ao gesticular, mas eu continuava igual – era como se houvesse faltado na aula em que os estilos foram distribuídos e estivesse condenado a viver para sempre numa espécie de limbo social, feito de incertezas, celibato e moletom. O mundo, antes um lugar com regras claras e uma razoável meritocracia, havia perdido o sentido: os bons meninos não ganhavam uma coroa de louros – nem ao menos, vá lá, uma loura coroa –, era preciso acordar às 6h15 para estudar quími- ca orgânica e os adultos ainda queriam me convencer de que aquela era a melhor fase da vida. Claro, observando-os, era óbvia a razão da nostalgia: seres de calças bege e pager no cinto, que gastavam seus dias em papinhos de elevador, sem ambições maiores do que um carro novo, um requeijão com menos colesterol, o nome na moldura de funcionário do mês e ingressos para o Holiday on Ice no fim de semana. Em busca de algum consolo, me esforçava para bater o recorde jamaicano de consumo de maconha, mas, em vez de ter abertas as portas da percepção – ou o que quer que fizesse com que meus amigos se divertissem e passassem meia hora rachando o bico, sei lá, de um amendoim –, só via ainda mais escancaradas as portas da minha inadequação. Foi então, meus caros, que eu vi a luz – e a luz veio na forma de um livro; “Trinta anos de mim mesmo”, do Millôr Fernandes. A primeira página que eu abri trazia um quadrado em branco, com a seguinte legenda: “Uma gaivota branca, trepada sobre um iglu branco, em cima de um monte branco. No céu, nuvens brancas esvoaçam e à direita aparecem duas árvores brancas com as flores brancas da primavera”. Logo adiante estava “O abridor de latas”, “Pela primeira vez no Brasil um conto intei- ramente em câmera lenta” – narrando um piquenique de tarta- rugas que durava uns 1.500 anos. Mais pra frente, esta quadra: “Essa pressa leviana/ Demonstra o incompetente/ Por que fazer o mundo em sete dias/ Se tinha a eternidade pela frente?”. Lendo aquelas páginas, que reuniam o trabalho jornalístico do Millôr entre 1943 e 1973, compreendi que não estava sozinho em meu estranhamento: a vida era mesmo absurda, mas a res- posta mais lógica para a falta de sentido não era o desespero, e sim o riso. Percebi, como se não bastasse, que se agregasse algu- ma graça aos meus resmungos poderia fazer daquele incômodo uma profissão. Dos 19 anos até hoje, jamais paguei uma conta de luz de outra forma. Uma pena nunca ter conhecido o Millôr pessoalmente, não ter po- dido apertar sua mão e agradecer-lhe por haver me sussurrado ao ouvido, quando eu mais precisava escutar, a única verdade que há debaixo do céu: se Deus não existe, então tudo é divertido. (Antonio pRAtA. folhA De s. pAulo. 04/04/2012.) NA PASSAgEM “... OS BONS MENINOS NÃO gANHAvAM UMA COROA dE lOUROS – NEM AO MENOS, vá lá, UMA lOURA COROA...”, O AUTOR fAz UM JOgO dE PAlAvRAS, CUJO SENTIdO ESTá MAIS BEM EXPlICAdO EM: a) Os adjetivos “louros” e “loura”, no contexto em que foram empregados, apresentam os mesmos sentidos, sof- rendo apenas variação na flexão de gênero e de número. b) A escolha do substantivo “coroa”, nas duas ocorrên- cias do texto, deve-se ao fato de que o cronista pretende assinalar um registro formal da linguagem. c) A locução adjetiva “de louros” e o substantivo “lou- ra” foram empregados pelo autor com a finalidade de criar uma antítese. d) A palavra “coroa” é um substantivo, mas em cada ocorrência exerce uma diferente função sintática: ob-jeto indireto e adjunto adnominal, respectivamente. e) Os termos “louros” e “loura” têm semelhanças gráfi- cas e sonoras e, apesar de parecerem ser o masculino e o feminino da mesma palavra, apresentam signifi- cações diferentes. E.O. dissErtAtivO 1. (UfJf) A IdENTIdAdE E A dIfERENçA: O POdER dE dEfINIR A identidade e a diferença são o resultado de um processo de produção simbólica e discursiva. (...) A identidade, tal como a 36 diferença, é uma relação social. Isso significa que sua definição – discursiva e linguística – está sujeita a vetores de força, a re- lações de poder. Elas não são simplesmente definidas; elas são impostas. Não con- vivem harmoniosamente, lado a lado, em um campo sem hierar- quias; são disputadas. Não se trata, entretanto, apenas do fato de que a definição da identidade e da diferença seja objeto de disputa entre grupos so- ciais simetricamente situados relativamente ao poder. Na disputa pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por ou- tros recursos simbólicos e materiais da sociedade. A afirmação da identidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dos diferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir o acesso privilegiado aos bens sociais. A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder. O poder de definir a identidade e de marcar a diferença não pode ser separado das relações mais amplas de poder. A identidade e a diferença não são, nunca, inocentes. Podemos dizer que onde existe diferenciação – ou seja, identida- de e diferença – aí está presente o poder. A diferenciação é o pro- cesso central pelo qual a identidade e a diferença são produzidas. Há, entretanto, uma série de outros processos que traduzem essa diferenciação ou que com ela guardam uma estreita relação. São outras tantas marcas da presença do poder: incluir/excluir (“estes pertencem, aqueles não”); demarcar fronteiras (“nós” e “eles”); classificar (“bons e maus”; “puros e impuros”; “desenvolvidos e primitivos”; “racionais e irracionais”); normalizar (“nós somos normais; eles são anormais”). A afirmação da identidade e a marcação da diferença implicam, sempre, as operações de incluir e de excluir. Como vimos, dizer “o que somos” significa também dizer “o que não somos”. A identi- dade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem pertence e sobre quem não pertence, sobre quem está incluído e quem está excluído. Afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre o que fica dentro e o que fica fora. A identidade está sempre ligada a uma forte separação entre “nós” e “eles”. Essa demarcação de fronteiras, essa separação e distinção, su- põem e, ao mesmo tempo, afirmam e reafirmam relações de poder. (...)Os pronomes “nós” e “eles” não são, aqui, simples categorias gramaticais, mas evidentes indicadores de posições- -de-sujeito fortemente marcadas por relações de poder: dividir o mundo social entre “nós” e “eles” significa classificar. O proces- so de classificação é central na vida social. Ele pode ser entendido como um ato de significação pelo qual dividimos e ordenamos o mundo social em grupos, em classes. A identidade e a diferença estão estreitamente relacionadas às formas pelas quais a sociedade produz e utiliza classificações. As classificações são sempre feitas a partir do ponto de vista da identidade. Isto é, as classes nas quais o mundo social é dividi- do não são simples agrupamentos simétricos. Dividir e classificar significa, neste caso, também hierarquizar. Deter o privilégio de classificar significa também deter o privilégio de atribuir diferen- tes valores aos grupos assim classificados. A mais importante forma de classificação é aquela que se es- trutura em torno de oposições binárias, isto é, em torno de duas classes polarizadas. O filósofo francês Jacques Derrida analisou detalhadamente esse processo. Para ele, as oposições binárias não expressam uma simples divisão do mundo em duas classes simétricas: em uma oposição binária, um dos termos é sempre privilegiado, recebendo um valor positivo, enquanto o outro re- cebe uma carga negativa. “Nós” e “eles”, por exemplo, cons- titui uma típica oposição binária: não é preciso dizer qual ter- mo é, aqui, privilegiado. As relações de identidade e diferença ordenam-se, todas, em torno de oposições binárias: masculino/ feminino, branco/negro, heterossexual/homossexual. Questionar a identidade e a diferença como relações de poder significa pro- blematizar os binarismos em torno dos quais elas se organizam. Fixar uma determinada identidade como a norma é uma das formas privilegiadas de hierarquização das identidades e das di- ferenças. A normalização é um dos processos mais sutis pelos quais o poder se manifesta no campo da identidade e da dife- rença. Normalizar significa eleger – arbitrariamente – uma iden- tidade específica como o parâmetro em relação ao qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas. Normalizar significa atribuir a essa identidade todas as características positivas pos- síveis, em relação às quais as outras identidades só podem ser avaliadas de forma negativa. A identidade normal é “natural”, desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas simplesmente como a identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades que são marcadas como tais. Numa sociedade em que impera a supre- macia branca, por exemplo, “ser branco” não é considerado uma identidade étnica ou racial. Num mundo governado pela hege- monia cultural estadunidense, “étnica” é a música ou a comida dos outros países. É a sexualidade homossexual que é “sexuali- zada”, não a heterossexual. A força homogeneizadora da iden- tidade normal é diretamente proporcional à sua invisibilidade. Na medida em que é uma operação de diferenciação, de produ- ção de diferença, o anormal é inteiramente constitutivo do normal. Assim como a definição da identidade depende da diferença, a definição do normal depende da definição do anormal. Aquilo que é deixado de fora é sempre parte da definição e da constituição do “dentro”. A definição daquilo que é considerado aceitável, dese- jável, natural é inteiramente dependente da definição daquilo que é considerado abjeto, rejeitável, antinatural. A identidade hegemô- nica é permanentemente assombrada pelo seu Outro, sem cuja existência ela não faria sentido. Como sabemos desde o início, a diferença é parte ativa da formação da identidade. (silvA, tomAz tADeu. A pRoDução sociAl DA iDentiDADe e DA DifeRençA. in: silvA, tomAz tADeu (oRG. e tRAD.). iDentiDADe e DifeRençA: A peRspectivA Dos estuDos cultuRAis. petRópolis: vozes, 2000. p. 73-75. lEIA O fRAgMENTO A SEgUIR: “A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas simplesmente como a identidade”. (penúltimo parágrafo) NO TRECHO dESTACAdO, QUAl é O EfEITO dE SENTIdO dETERMINAdO PElO USO dOS ARTIgOS INdEfINIdO E dEfINIdO ACIMA NEgRITAdOS? 2. (UfRJ) TEXTO I A PROdUçÃO CUlTURAl dO CORPO Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simul- taneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas 37 vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretu- do, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é portanto algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvi- mento científico e tecnológico de cada cultura bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produze reproduz. Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestí- gios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem. (GoellneR, silvAnA viloDRe. A pRoDução cultuRAl Do coRpo. in: louRo, GuAciRA lopes (oRG.) coRpo, GêneRo e sexuAliDADe; um DebAte contempoRâneo nA eDucAção. petRópolis: vozes, 2003. p.28-29) TEXTO II A NÃO ACEITAçÃO Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. So- bretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam ve- lhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo per- dido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas. Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pen- sava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava. Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho. (lispectoR, clARice. A DescobeRtA Do munDo. Rio De JAneiRo: novA fRonteiRA, 1984. p. 291) a) Do primeiro parágrafo do texto I, retire os quatro adjetivos que melhor caracterizam a noção de corpo nele apresentada. b) Estabeleça a relação entre esses adjetivos e a te- mática central do texto II. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Na verdade, à primeira vista, seu aspecto era de um velho como tantos outros, de idade indefinida, rugas, cabelos brancos, uma barba que lhe dará um vago ar de sabedoria e respeitabilidade. Mas uma certa agilidade e o porte ereto darão a impressão de que, apesar da aparência de velho, o viajante guardará o vigor da juventude. E os olhos... ah, o brilho dos olhos será absolutamente sem idade, um brilho deslumbrado como o de um bebê, curioso como o de um menino, desafiador como o de um jovem, sábio como o de um homem maduro, maroto como o de um velhinho bem-humorado que conseguisse somar tudo isso. (mAchADo, AnA mARiA. o cAnto DA pRAçA. Rio De JAneiRo: sAlAmAnDRA, 1986.) 3. (UfRJ) CONfRONTE OS TRECHOS dESTACAdOS NOS TRECHOS A E B. A "APESAR dA APARêNCIA dE vElHO" B "SEU ASPECTO ERA dE UM vElHO COMO TANTOS OUTROS" "MAROTO COMO O dE UM vElHINHO BEM-HUMORAdO" a) Como se justifica a ausência de artigo no trecho destacado no trecho A? b) No trecho B, o artigo indefinido tem seu sentido reiterado em um dos dois trechos destacados. Que recurso linguístico é responsável por essa reitera- ção? Explique sua resposta. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS dIfERENTES Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Osse- vaolep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada. É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá a impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria. Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a lin- guagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences- -para-baixo, como foram denominados à falta de melhor clas- sificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão. (AnDRADe, cARlos DRummonD De. pRosA seletA. Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 2003. p. 150) 4. (UfRJ) NO TEXTO, Há dIvERSOS SINTAgMAS NOMINAIS – CONSTRU- çõES COM NúClEO SUBSTANTIvO ACOMPANHAdO OU NÃO dE TERMOS COM fUNçÃO AdJETIvA – QUE CARACTERIzAM O "POvO PRIMITIvO". a) Retire do texto dois desses sintagmas. b) A caracterização normalmente atribuída a um povo primitivo como não evoluído não se confirma no texto. Justifique essa afirmativa, utilizando os sintagmas es- colhidos no item a. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A MARIA dOS POvOS, SUA fUTURA ESPOSA Enquanto estamos vendo a qualquer hora, Em tuas faces a rosada Aurora, Em teus olhos e boca o Sol, e o dia: 38 Enquanto com gentil descortesia O ar, que fresco Adônis te namora, Te espalha a rica trança voadora, Quando vem passear-te pela fria: Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trata a toda ligeireza, E imprime em toda flor sua pisada. Oh não aguardes, que a madura idade, Te converta essa flor, essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. (mAtos, GReGóRio De. poemAs escolhiDos - seleção De José miGuel wisniK. 2ª eD. são pAulo: cultRix, [s.D.]) 5. (UfRJ) O TEXTO SE CONSTRÓI POR MEIO dA OPOSIçÃO ENTRE dOIS CAM- POS SEMâNTICOS, ESPECIAlMENTE NO CONTRASTE ENTRE A PRIMEIRA E A úlTIMA ESTROfES. EXPlICITE ESSA OPOSIçÃO E RETIRE, dESSAS ESTROfES, dOIS vOCáBUlOS COM vAlOR SUBSTANTIvO – UM dE CAdA CAMPO SEMâNTICO –, IdENTIfI- CANdO A QUE CAMPO CAdA vOCáBUlO PERTENCE. E.O. UErJ ExAmE dE QUAliFiCAçãO 1. (UERJ) O ARRASTÃO Estarrecedor, nefando, inominável, infame. Gasto logo os adje- tivos porque eles fracassam em dizer o sentimento que os fatos impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, como tantos, que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs de todas as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e seiscentos reais, que paga pontualmente seus carnês, como mi- lhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga no porta-malas de um carro policial a pretexto de ser atendida, é arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio. Não vou me deter nas versões apresentadas pelos advogados dos policiais. Todas as vozes terão que ser ouvidas, e com muita atenção à voz daqueles que nunca são ouvidos. Mas, antes das versões, o fato é que esse porta-malas, ao se abrir fora do script, escancarou um real que está acostumado a existir na sombra. O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas não se abrisse como abriu (por obra do acaso, dos deuses, do diabo), esse seria apenas “mais um caso”. Ele está dizendo: se- ria uma morte anônima, 3aplainada pela surdez da 4praxe, pela invisibilidade, uma morte não questionada, como tantas outras. É uma imagem verdadeiramente surreal, não porque esteja fora da realidade, mas porque destampa, por um “acaso ob- jetivo” (a expressão era usada pelos 6surrealistas), uma cena 7recalcada da consciência nacional, com tudo o que tem de violência naturalizada e corriqueira, tratamento degradante dado aos pobres, estupidez elevada ao cúmulo, ignorância bru- ta transformada em trapalhada 8transcendental, além de um índice grotesco de métodos de camuflagem e desaparição de pessoas. Pois assim como 10Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subi- tamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo. O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos ver no caso do desaparecimento de Amarildo. A sua passagem meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que es- condemos. 11Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar paraque não se transforme no carro alegórico do Brasil. (José miGuel wisniK. o ARRAstão. Disponível em: oGlobo. Globo.com, 22/03/2014. Acesso em 16/01/2017) 3aplainada − nivelada 4praxe − prática, hábito 6surrealistas − participantes de movimento artístico do século 20 que enfatiza o papel do inconsciente 7recalcada − fortemente reprimida 8transcendental − que supera todos os limites 10Amarildo − pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2013, depois de ser detido por policiais AQUElE CARRO é O CARRO AlEgÓRICO dE UM BRASIl, dE UM CERTO BRA- SIl QUE TEMOS QUE lUTAR PARA QUE NÃO SE TRANSfORME NO CARRO AlEgÓRICO dO BRASIl. (REf. 11) A SEQUêNCIA dO EMPREgO dOS ARTIgOS EM “dE UM BRASIl” E “dO BRASIl” REPRESENTA UMA RElAçÃO dE SENTIdO ENTRE AS dUAS EX- PRESSõES, INTIMAMENTE lIgAdA A UMA PREOCUPAçÃO SOCIAl POR PARTE dO AUTOR dO TEXTO. ESSA RElAçÃO dE SENTIdO POdE SER dEfINIdA COMO: a) ironia b) conclusão c) causalidade d) generalização 2. (UERJ) TEXTO I 1 Escreverei minhas “Memórias”, fato mais frequentemente do que se pensa observado no mundo industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elo- giar e aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, 1como os ramalhetes e as coroas de flores que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 2 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 3 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade hu- mana, o regulador dos sentimentos, o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes 39 dispenso nos reflexos do amor em que me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais do apaixonado ado- rador de si mesmo. (mAceDo, JoAquim mAnuel De. memóRiAs Do sobRinho De meu tio. são pAulo: compAnhiA DAs letRAs, 1995.) TEXTO II Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a terra natal. 1Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as lembranças da pátria, e tro- cará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos mur- múrios das florestas, pelo correr dos seus rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da saudade. (AbReu, cAsimiRo De. obRAs De cAsimiRo De AbReu. Rio De JAneiRo: mec, 1955.) TEXTO III lAdAINHA I Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome de ilha de Vera Cruz. Ilha cheia de graça. Ilha cheia de pássaros. Ilha cheia de luz. Ilha verde onde havia mulheres morenas e nuas anhangás a sonhar com histórias de luas e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. Depois mudaram-lhe o nome pra terra de Santa Cruz. Terra cheia de graça Terra cheia de pássaros Terra cheia de luz. A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas [deitadas à sombra das árvores [mosqueadas de sol. Mas como houvesse, em abundância, certa madeira cor de sangue cor de brasa e como o fogo da manhã selvagem fosse um brasido no carvão noturno da paisagem, e como a Terra fosse de árvores vermelhas e se houvesse mostrado assaz gentil, deram-lhe o nome de Brasil. Brasil cheio de graça Brasil cheio de pássaros Brasil cheio de luz. (RicARDo, cAssiAno. seletA em pRosA e veRso. Rio De JAneiRo: José olympio, 1975.) NOS TRECHOS A SEgUIR, ESTá EM dESTAQUE UM SINTAgMA fORMAdO dE SUBSTANTIvO E AdJETIvO. A úNICA AlTERNATIvA EM QUE A INvERSÃO dAS dUAS PAlAvRAS TAMBéM POdERIA INvERTER SUA ClASSE gRAMATICAl é: a) “... reduzindo todos à sua EXPRESSÃO ORIGI- NAL...” (texto I) b) “... conveniências materiais do APAIXONADO ADORADOR de si mesmo.” (texto I) c) “Arrancai a planta dos CLIMAS TROPICAIS e plan- tai-a na Europa...” (texto II) d) “... a sonhar com histórias de luas e CANTOS BÁR- BAROS de pajés...” (texto III) 3. (UERJ) IgUAl-dESIgUAl Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais 1e todos, todos 2os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais. Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. 3Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa. Ninguém é igual a ninguém. 4Todo ser humano é um estranho 5ímpar. (cARlos DRummonD De AnDRADe novA Reunião: 19 livRos De poesiA. Rio De JAneiRo: José olympio, 1985. – BEST-SEllERS – lIvROS MAIS vENdIdOS – gAzéIS, vIRElAIS, SEXTINAS, RONdÓS – TIPOS dE POEMA TOdO SER HUMANO é UM ESTRANHO íMPAR. (REf. 4 E 5) NO CONTEXTO, A ASSOCIAçÃO dOS AdJETIvOS ESTRANHO E íMPAR SUgERE QUE CAdA SER HUMANO NÃO SE CONHECE COMPlETAMENTE. 40 ISTO ACONTECE PORQUE CAdA INdIvídUO POdE SER CARACTERIzAdO COMO: a) solitário b) singular c) intolerante d) indiferente 4. (UERJ) O ARRASTÃO Estarrecedor, nefando, inominável, infame. Gasto logo os adje- tivos porque eles fracassam em dizer o sentimento que os fatos impõem. Uma trabalhadora brasileira, descendente de escravos, como tantos, que cuida de quatro filhos e quatro sobrinhos, que parte para o trabalho às quatro e meia das manhãs de todas as semanas, que administra com o marido um ganho de mil e seiscentos reais, que paga pontualmente seus carnês, como mi- lhões de trabalhadores brasileiros, é baleada em circunstâncias não esclarecidas no Morro da Congonha e, levada como carga no porta-malas de um carro policial a pretexto de ser atendida, é arrastada à morte, a céu aberto, pelo asfalto do Rio. Não vou me deter nas versões apresentadas pelos advogados dos policiais. Todas as vozes terão que ser ouvidas, e com muita atenção à voz daqueles que nunca são ouvidos. Mas, antes das versões, o fato é que esse porta-malas, ao se abrir fora do script, escancarou um real que está acostumado a existir na sombra. O marido de Cláudia Silva Ferreira disse que, se o porta-malas não se abrisse como abriu (por obra do acaso, dos deuses, do diabo), esse seria apenas “mais um caso”. Ele está dizendo: se- ria uma morte anônima, 3aplainada pela surdez da 4praxe, pela invisibilidade, uma morte não questionada, como tantasoutras. É uma imagem verdadeiramente surreal, não porque esteja fora da realidade, mas porque destampa, por um “acaso objetivo” (a expressão era usada pelos 6surrealistas), uma cena 7recalcada da consciência nacional, com tudo o que tem de violência natu- ralizada e corriqueira, tratamento degradante dado aos pobres, estupidez elevada ao cúmulo, ignorância bruta transformada em trapalhada 8transcendental, além de um índice grotesco de mé- todos de camuflagem e desaparição de pessoas. Pois assim como 10Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subitamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo. O acaso da queda de Cláudia dá a ver algo do que não pudemos ver no caso do desaparecimento de Amarildo. A sua passagem meteórica pela tela é um desfile do carnaval de horror que es- condemos. Aquele carro é o carro alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se transforme no carro alegórico do Brasil. (José miGuel wisniK. o ARRAstão Disponível em. oGlobo.Globo.com, 22/03/2014. Acesso em: 16/01/2017.) 3aplainada − nivelada 4praxe − prática, hábito 6surrealistas − participantes de movimento artístico do século 20 que enfatiza o papel do inconsciente 7recalcada − fortemente reprimida 8transcendental − que supera todos os limites 10Amarildo − pedreiro desaparecido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2013, depois de ser detido por policiais NO INíCIO dO TEXTO, AO EXPRESSAR SUA INdIgNAçÃO EM RElAçÃO AO TEMA ABORdAdO, O AUTOR APRESENTA UMA REflEXÃO SOBRE O EMPREgO dE AdJETIvOS. ESSA REflEXÃO ESTá ASSOCIAdA à SEgUINTE IdEIA: a) o fato exige análise criteriosa b) o contexto constrói ambiguidade c) a linguagem se mostra insuficiente d) a violência pede descrição cuidadosa 5. (UERJ) O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, nem deixa de ser, 1coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O pobre não para de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este casamento com Inimá. Será que ele gosta dela?(...) Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: Tra-lá-lá, ora pro nobis Tre-lé-lé, ora pro nobis Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me es- queço dos outros para pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravi- dez que me deixa lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os mairuns, este é problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser a mãe de fu- laninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito tempo Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iucui? Ou Mairahú se meu filho pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RibeiRo, DARcy. mAíRA. Rio De JAneiRo: RecoRD, 1990, p. 372-3.) O EMPREgO dO AdJETIvO “COITAdO” (REf.1), REfERINdO-SE A ISAíAS, TEM RElAçÃO COM O SEgUINTE fATO: a) Isaías não é índio nem cristão. b) Inimá está grávida dele. c) Isaías é um ser mítico. d) Inimá não gosta dele. E.O. ObJEtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTõES A(S) QUESTÃO(õES) ABORdA(M) UM fRAgMENTO dE UM ARTIgO dE 41 MôNICA fANTIN SOBRE O USO dOS TABlETS NO ENSINO, POSTAdO NA SEçÃO dE BlOgUES dO JORNAl gAzETA dO POvO EM 16.05.2013: TABlETS NAS ESCOlAS Ou seja, não é suficiente entregar equipamentos tecnológicos cada vez mais modernos sem uma perspectiva de formação de qualidade e significativa, e sem avaliar os programas anteriores. O risco é de cometer os mesmos equívocos e não potencializar as boas práticas, pois muda a tecnologia, mas as práticas conti- nuam quase as mesmas. Com isso, podemos nos perguntar pelos desafios da didática dian- te da cultura digital: o tablet na sala de aula modifica a prática dos professores e o cotidiano escolar? Em que medida ele modifica as condições de aprendizagem dos estudantes? Evidentemente isso pode se desdobrar em inúmeras outras questões sobre a conver- gência de tecnologias e linguagens, sobre o acesso às redes na sala de aula e sobre a necessidade de mediações na perspectiva dos novos letramentos e alfabetismos nas múltiplas linguagens. Outra questão que é preciso pensar diz respeito aos conteú- dos digitais. Os conteúdos que estão sendo produzidos para os tablets realmente oferecem a potencialidade do meio e sua arquitetura multimídia ou apenas estão servindo como leito- res de textos com os mesmos conteúdos dos livros didáticos? Quem está produzindo tais conteúdos digitais? De que forma são escolhidos e compartilhados? Ou seja, pensar na potencialidade que o tablet oferece na escola – acessar e produzir imagens, vídeos, textos na diversidade de formas e conteúdos digitais – implica em repensar a didática e as possibili- dades de experiências e práticas educativas, midiáticas e culturais na escola ao lado de questões econômicas e sociais mais amplas. E isso necessariamente envolve a reflexão crítica sobre os saberes e faze- res que estamos produzindo e compartilhando na cultura digital. (tAblets nAs escolAs. Disponível em: www.GAzetADopovo. com.bR. Acesso em: 16/01/2017.) 1. (UNESP) NO úlTIMO PERíOdO dO TEXTO, OS TERMOS SABERES E fAzERES SÃO a) adjetivos. b) pronomes. c) substantivos. d) advérbios. e) verbos. 2. (UNESP) AdJETIvO MIdIáTICO, EMPREgAdO NO fEMININO PlURAl (MIdIáTI- CAS), dIz RESPEITO A a) diversidade de tipos de tablets. b) programas e projetos educacionais. c) questões econômicas e sociais. d) meios de comunicação de massa. e) variedade dos recursos tecnológicos. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Quando o falante de uma língua depara um conjunto de duas pa- lavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma relação sin- tática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor. Assim, além de captar o sentido básico das duas palavras, o recep- tor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões. Isso acontece porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz de reconhecê-los e identificá-los. As duas palavras não estão, para ele, apenas dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma ordem estrutural. A diferença entre ordem estrutural e ordem linear torna-se cla- ra se elas não coincidem, como nesta frase que um aluno criou em aula de redação, quando todos deviam compor um texto para outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: “Beba leite de cabra em pó!”. Como todos rissem, o autor da frase emendou: “Beba leite em pó de cabra!”. Pior a emenda do que o soneto. (fláviA De bARRos cARone. moRfossintAxe, 1986. ADAptADo.) 3. (UNIfESP) dE ACORdO COM O TEXTO, A ORdEM ESTRUTURAl dIz RES- PEITO à MACROESTRUTURA dA fRASE E A ORdEM lINEAR à MANIfESTAçÃO CONCRETA, PAlAvRA APÓS PAlAvRA, dOS CONSTITUINTES dA ORAçÃO. AS- SINAlE A AlTERNATIvA EM QUE, NO PAR dE PAlAvRAS EM dESTAQUE, EM TEXTO dE PAUlO CESARINO COSTA, PUBlICAdO NA fOlHA dE S.PAUlO dE 02.08.2012, Há COINCIdêNCIA ENTRE ESSAS dUAS ORdENS. a) Exceto pelo fato de que dividirão,com outras deze- nas de esportes, as atenções de TVs e rádios, portais de internet, jornais e revistas nos próximos dias numa rara disputa, de onde sairão dois retratos do Brasil. b) Nas paredes do Instituto Moreira Salles, pode-se ver di- ferentes concepções de fotojornalismo: da beleza pou- co comprometida com a veracidade de Jean Manzon à objetividade das imagens de guerra de Luciano Carneiro. c) Num mundo cada vez mais dominado pela reprodução eletrônica e imagética dos acontecimentos, há uma inte- ressante oportunidade de resgatar o momento em que a imagem começou a questionar o poder da palavra. d) A revista O Cruzeiro seguia a cartilha da revista norte-americana Life, que preconizava “um novo jor- nalismo, no qual as imagens formam o texto e as pa- lavras ilustram as imagens”. e) Serão 11 estrelas na tela, mas os ministros do STF e suas capas negras pouco têm a ver com os 11 amareli- nhos de Mano Menezes na busca do ouro olímpico. 4. (UNESP) lEIA O POEMA dE TOMáS ANTôNIO gONzAgA (1744-1810). 18 Não vês aquele velho respeitável, que à muleta encostado, apenas mal se move e mal se arrasta? Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo, o tempo arrebatado, que o mesmo bronze gasta! Enrugaram-se as faces e perderam seus olhos a viveza: voltou-se o seu cabelo em branca neve; já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo, nem tem uma beleza das belezas que teve. Assim também serei, minha Marília, daqui a poucos anos, que o ímpio tempo para todos corre. Os dentes cairão e os meus cabelos. Ah! sentirei os danos, que evita só quem morre. 42 Mas sempre passarei uma velhice muito menos penosa. Não trarei a muleta carregada, descansarei o já vergado corpo na tua mão piedosa, na tua mão nevada. As frias tardes, em que negra nuvem os chuveiros não lance, irei contigo ao prado florescente: aqui me buscarás um sítio ameno, onde os membros descanse, e ao brando sol me aquente. Apenas me sentar, então, movendo os olhos por aquela vistosa parte, que ficar fronteira, apontando direi: — Ali falamos, ali, ó minha bela, te vi a vez primeira. Verterão os meus olhos duas fontes, nascidas de alegria; farão teus olhos ternos outro tanto; então darei, Marília, frios beijos na mão formosa e pia, que me limpar o pranto. Assim irá, Marília, docemente meu corpo suportando do tempo desumano a dura guerra. Contente morrerei, por ser Marília quem, sentida, chorando meus baços olhos cerra. (tomás Antônio GonzAGA. mARíliA De DiRceu e mAis poesiAs. lisboA: livRARiA sá DA costA eDitoRA, 1982.) OBSERvE OS SEgUINTES vOCáBUlOS EXTRAídOS dA SéTIMA ESTROfE dO POEMA: I. TERNOS. II. fRIOS. III. PIA. Iv. PRANTO. AS PAlAvRAS QUE APARECEM NA ESTROfE COMO AdJETIvOS ESTÃO CON- TIdAS APENAS EM: a) I e II. b) I e III. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) II, III e IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook? Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: 1ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social. O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social. Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33º dia, no 66º e no último dia da abstinência. Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, 2que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (http://coDiGofonte.uol.com.bR. ADAptADo.) 5. (UNIfESP) EXAMINE AS PASSAgENS dO PRIMEIRO PARágRAfO dO TEXTO: • “UMA ORgANIzAçÃO NÃO gOvERNAMENTAl HOlANdESA ESTá PROPONdO UM dESAfIO” • “O OBJETIvO é MEdIR O gRAU dE fElICIdAdE dOS USUáRIOS lONgE dA REdE SOCIAl.” A UTIlIzAçÃO dOS ARTIgOS dESTACAdOS JUSTIfICA-SE EM RAzÃO a) da generalização, no primeiro caso, com a introdu- ção de informação conhecida, e da especificação, no segundo, com informação nova. b) de informações novas, nas duas ocorrências, motivo pelo qual são introduzidas de forma mais generalizada. c) de informações conhecidas, nas duas ocorrências, sendo possível a troca dos artigos nos enunciados, pois isso não alteraria o sentido do texto. d) da retomada de informações que podem ser facil- mente depreendidas pelo contexto, sendo ambas equi- valentes semanticamente. e) da introdução de uma informação nova, no primei- ro caso, e da retomada de uma informação já conhe- cida, no segundo. E.O. dissErtAtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) 1. (fUvEST) E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina. (João cAbRAl De melo neto, moRte e viDA seveRinA) 43 a) A fim de obter um efeito expressivo, o poeta utiliza, em “a fábrica” e “se fabrica”, um substantivo e um ver- bo que têm o mesmo radical. CITE dA ESTROfE OUTRO EXEMPlO dESSE MESMO RECURSO EXPRESSIvO. b) A expressividade dos seis últimos versos decorre, em parte, do jogo de oposições entre palavras. CITE dESSE TRECHO UM EXEMPlO EM QUE A OPOSIçÃO ENTRE AS PAlAvRAS SEJA dE NATUREzA SEMâNTICA. 2. (UNESP) CRôNICA dA vIdA QUE PASSA Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olha- do por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes de sua vida doméstica; é sempre como se fosse exces- sivo o seu traje; e aquelas suas mínimas ações – ridiculamente humanas às vezes – que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espetaculosas pequenezes, com cuja evi- dência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. Depois, além dum plebeísmo, a celebridade é uma contradição. Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvalo- riza e as enfraquece. Um homem de gênio desconhecido pode gozar a volúpia suave do contraste entre a sua obscuridade e o seu gênio; e pode, pensando que seria célebre se quisesse, medir o seu valor com a sua melhor medida, que é ele próprio. Mas, uma vez conhecido, não está mais na sua mão reverter à obscuridade. A celebridade é irreparável. Dela como do tempo, ninguém torna atrás ou se desdiz. E é por isto que a celebridade é uma fraqueza também. Todo o homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo. Deixar-se ser célebre é uma fraqueza, uma concessão ao baixo-ins- tinto, feminino ou selvagem, de querer dar nas vistas e nos ouvidos. Penso às vezes nisto coloridamente. E aquela frase de que “homem de gênio desconhecido” é o mais belo de todos os destinos, torna-se-me inegável; parece-me que esse é não só o mais belo, mas o maior dos destinos. (feRnAnDo pessoA. páGinAs íntimAs e De Auto- inteRpRetAção. lisboA: eDições áticA, [s.D.], p. 66-67.) NA CRôNICA APRESENTAdA, fERNANdO PESSOA ATRIBUI TRêS CARAC- TERíSTICAS NEgATIvAS à CElEBRIdAdE, dESCREvENdO-AS NO SEgUNdO, TERCEIRO E QUARTO PARágRAfOS. RElEIA ESSES PARágRAfOS E APONTE OS TRêS SUBSTANTIvOS EMPREgAdOS PElO POETA QUE SINTETIzAM ESSAS CARACTERíSTICAS NEgATIvAS dA CElEBRIdAdE. 3. (UNESP) A QUESTÃO A SEgUIR TOMA POR BASE UMA PASSAgEM dO ROMANCE O CORONElE O lOBISOMEM, dE JOSé CâNdIdO dE CARvAlHO (1914-1989). Como disse, rolava eu no capim, pronto a dar ao caso solução briosa, na hora em que o querelante apresentou aquela risada de pouco-caso e deboche: – Quá-quá-quá... Não precisou de mais nada para que o gênio dos Azeredos e demais Furtados viesse de vela solta. Dei um pulo de cabrito e preparado estava para a guerra do lobisomem. Por descargo de consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou devocioneiro: – São Jorge, Santo Onofre, São José! Em presença de tal apelação, mais brabento apareceu a peste. Ciscava o chão de soltar terra e macega no longe de dez braças ou mais. Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azeredo Furtado. Dos olhos do lobiso- mem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal adjacente. Tanta chispa largava o penitente que um caçador de paca, estando em distância de bom respeito, cuidou que o mato estivesse ardendo. Já nessa altura eu tinha pegado a segurança de uma figueira e lá de cima, no galho mais firme, aguardava a deliberação do lobisomem. Garrucha engatilhada, só pedia que o assombrado desse franquia de tiro. Sabidão, cheio de voltas e negaças, deu ele de executar macaquice que nunca cuidei que um lobisomem pudesse fazer. Aquele par de brasas espiava aqui e lá na esperança de que eu pensasse ser uma súcia deles e não uma pessoa sozinha. O que o galhofista queria é que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e des- lustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau. No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei. Diante de tão firme deliberação, o vinga- tivo mudou o rumo da guerra. Caiu de dente no pé de pau, na parte mais afunilada, como se serrote fosse: – Raque-raque-raque. Não conversei – pronto dois tiros levantaram asa da minha gar- rucha. Foi o mesmo que espalhar arruaça no mato todo. Subiu asa de tudo que era bicho da noite e uma sociedade de morce- gos escureceu o luar. No meio da algazarra, já de fugida, vi o lobisomem pulando coxo, de pernil avariado, língua sobressaída na boca. Na primeira gota de sangue a maldição desencantava, como é de lei e dos regulamentos dessa raça de penitentes. No raiar do dia, sujeito que fosse visto de perna trespassada, ainda ferida verde, podia contar, era o lobisomem. (o coRonel e o lobisomem, 1980.) EXPlIQUE A RAzÃO PElA QUAl O NARRAdOR ATRIBUI O AdJETIvO “vERdE” AO SUBSTANTIvO fERIdA, NO úlTIMO PERíOdO dO TEXTO. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS SERTõES A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A pru- mo sobre o Atlântico desdobra-se como a cortina de baluarte desmedido. De encontro às suas escarpas embatia, fragílima, a ânsia guerreira dos Cavendish e dos Fenton. No alto, volvendo o olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em se- gurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópole. Transposta a montanha - arqueada como a precinta de pedra de um conti- nente - era um isolador étnico e um isolador histórico. Anulava o apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzia-o a estreita faixa de mangues e restingas, ante a qual se amorteciam todas as cobiças, e alteava, sobranceira às frotas, intangível no recesso das matas, a atração misteriosa das minas... 44 Ainda mais - o seu relevo especial torna-a um condensador de primeira ordem, no precipitar a evaporação oceânica. Os rios que se derivam pelas suas vertentes nascem de algum modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. En- tranham-se no interior, correndo em cheio para os sertões. Dão ao forasteiro a sugestão irresistível das entradas. A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o pelo aspecto formosíssimo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, na correnteza dos rios. Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, diretriz preponderante nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, no Amazonas, e em todos os cursos d'água da borda oriental, o acesso para o interior seguia ao arrepio das correntes, ou em- batia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, ele levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande e daí ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, em Goiás, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso, no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resis- tência, que definem os lineamentos mais claros da expansão colonial, não se opunham, como ao norte, renteando o passo às bandeiras, a esterilidade da terra, a barreira intangível dos descampados brutos. Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física es- clarece as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dous pontos do país, sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XVII. Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernam- buco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se travavam recontros memoráveis em que, solidárias, enter- reiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, absolutamente alheio àquela agitação, revelava, na rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de mestiços levantadiços, expandin- do outras tendências, norteado por outros destinos, pisando, resoluto, em demanda de outros rumos, bulas e alvarás entibia- dores. Volvia-se em luta aberta com a corte portuguesa, numa reação tenaz contra os jesuítas. Estes, olvidando o holandês e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz Taño a Roma, apontavam-no como inimigo mais sério. De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava o drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portu- gal veio alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congre- gando de novo os combatentes exaustos, os sulistas frisaram ainda mais esta separação de destinos, aproveitando-se do mesmo fato para estadearem a autonomia franca, no reinado de um minuto de Amador Bueno. Não temos contraste maior na nossa história. Está nele a sua feição verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbra- mos nas cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da con- quista das almas, eufemismo casuístico disfarçando o monopó- lio do braço indígena. (eucliDes DA cunhA. os seRtões. eDição cRíticA De wAlnice noGueiRA GAlvão. 2 eD. são pAulo: eDitoRA áticA, 2001, p. 81-82.) 4. (UNESP) UM dOS ASPECTOS EM QUE EUClIdES dA CUNHA BUSCA AlgUNS dE SEUS MElHORES EfEITOS é O dA AdJETIvAçÃO, QUE TORNA SEU dISCURSO AO MESMO TEMPO váRIO E EXPRESSIvO, RAzÃO PElA QUAl AlgUNS O CONSIdERAM, COMPARANdO-O COM POETAS AINdA ATIvOS EM SUA éPOCA, UM "PROSAdOR PARNASIANO". RElEIA COM ATENçÃO O úl- TIMO PARágRAfO dO TEXTO APRESENTAdO E, A SEgUIR, APONTE TRêS dOS AdJETIvOS QUE NElE OCORREM. 5. (UNICAMP) gRAMáTICA COMPOSIçÃO dE SANdRA PERES E lUIz TATIT (PAlAvRA CANTAdA) O substantivo É o substituto do conteúdo O adjetivo É a nossa impressão sobre quase tudo O diminutivo É o que aperta o mundo E deixa miúdo O imperativo É o que aperta os outros e deixa mudo Um homem de letras Dizendo ideias Sempre se inflama Um homem de ideias Nem usa letras Faz ideograma Se altera as letras E esconde o nome Faz anagrama Mas se mostro o nome Com poucas letras É um telegrama Nosso verbo ser É uma identidade Mas sem projeto E se temos verbo Com objeto É bem mais direto No entanto falta Ter um sujeito Pra ter afeto Mas se é um sujeito Que se sujeita Ainda é objeto Todo barbarismo É o português Que se repeliu O neologismo É uma palavra Que não se ouviu Já o idiotismo É tudo que a língua Não traduziu 45 Mas tem idiotismo Também na fala De um imbecil a) Nessa letra de música são atribuídos sentidos às clas- sificações gramaticais. Escolha duas delase explique o sentido explorado, justificando sua pertinência ou não. b) Nas duas últimas estrofes, há um deslocamento no uso de 'idiotismo'. Explique-o. gAbAritO E.O. Aprendizagem 1. B 2. A 3. C 4. B 5. C 6. E 7. E 8. B 9. A 10. B E.O. Fixação 1. B 2. E 3. B 4. B 5. B 6. B 7. E 8. A 9. D 10. D E.O. Complementar 1. D 2. C 3. C 4. C 5. E E.O. Dissertativo 1. Enquanto o artigo indefinido expressa uma ideia genérica de pluralidade, sugerindo que a identidade normal representa uma entre outras identidades (uma parte do todo), o artigo defini- do, delimitando o nome, sugere a ideia de singularidade, de tal modo que a identidade normal é caracterizada como um padrão único e “natural”. 2. a) Os quatro adjetivos são: histórico, provisório, mutável e mutante. b) No texto II é abordada a transformação do corpo, que, com o passar dos anos, muda e envelhece, assim como mostram os adjetivos do texto I: o corpo é “histórico, provisório, mutá- vel e mutante”. 3. a) Não se quis caracterizar o substantivo velho, deixando-o no sentido geral. b) A comparação "como tantos outros". "Tantos outros" reitera o sentido de indeterminação do artigo indefinido. 4. a) vida organizada; povo feliz; (povo) de cabeça muito sóli- da e mãos reforçadas: cabeça muito sólida; mãos reforçadas; coisas aladas; (coisas) cheias de sabedoria; vida longa; os ca- becences-para-baixo. b) Os sintagmas (citados na questão anterior) no texto trazem uma conotação positiva, ou seja, estão relacionados à felicidade, à sabedoria, à organização, à longevidade, o que contrasta com a caracterização normalmente atribuída a "povo primitivo". 5. Os dois campos semânticos presentes na costrução do po- ema indicam aspectos positivos e negativos: juventude versus maturidade; beleza versus decrepitude; nascimento versus morte; luminosidade versus sombra. Os vocábulos representa- tivos desses campos semânticos são aurora, sol, dia, flor, beleza versus terra, cinza, pó, sombra, nada. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. D 2. B 3. B 4. C 5. A E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. D 3. E 4. C 5. E E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Nota-se o mesmo recurso em “fio” e “desfiar”, ou seja, substantivo e verbo formados a partir de um mesmo radical. b) Exemplo de oposição semântica se dá entre os termos explosão e franzina ou explosão e pequena. A palavra “explosão” cria a expectativa de potência, amplitude, grandiosidade; os adjetivos franzina (o mesmo que enfraquecida, débil) e pequena contrariam essa expectativa, configurando a oposição semântica. 2. As três características negativas que Fernando Pessoa atri- bui à celebridade são representadas pelos substantivos “ple- beísmo”, “contradição” e “fraqueza”. 3. O termo “verde” designa metaforicamente o estado da ferida: ainda está no começo, ou seja, é recente. 4. Há cinco adjetivos no último parágrafo. Possíveis respostas: "maior", "nacional", "espetaculosas", "casuístico", "indígena". 5. a) O autor estabelece intertextualidade com algumas defini- ções gramaticais ao apresentar os seus próprios conceitos so- bre determinados termos e explora poeticamente essa relação. Nas duas primeiras estrofes, por exemplo, apresenta substan- tivo como “substituto do conteúdo” e adjetivo como a nossa impressão sobre quase tudo. A associação é pertinente, na me- dida em que a gramática conceitua o primeiro como a classe de lexema que nomeia os seres, ou seja, tudo o que existe, e o segundo como a classe que caracteriza o substantivo, asso- ciando-lhe muitas vezes aspectos subjetivos (“nossa impressão sobre quase tudo”). b) Uma expressão idiomática ou idiotismo é um conjunto de palavras que se caracteriza por não ser possível identificar seu significado mediante o sentido literal dos termos analisados in- dividualmente, por serem associadas a gírias ou contextos cul- turais específicos a certos grupos de pessoas que se distinguem pela classe, idade, região, profissão ou outro tipo de afinidade. Na penúltima estrofe, o autor ao associar o termo à “fala de um imbecil” amplia o significado da palavra: ausência total de inteligência, estupidez, insânia. 46 CÓDIGOS HIERÁRQUICOS Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico. E.O. APRENDIZAGEM exercícios códigos 1 4 a 4.2 2 1 a 1.2 3 4 4 3 5 1 6 3 7 1 8 3 9 3 10 3 E.O. FIXAÇÃO exercícios códigos 1 4.1 2 3 3 4.2 4 1.2 5 4.2 6 3 7 4 8 1.2 9 4.1 10 4.2 E.O. COMPLEMENTAR exercícios códigos 1 4 2 4 3 4 4 4.2 5 4 E.O. DISSERTATIVO exercícios códigos 1 1 2 3 3 1 4 4 5 4.1 E.O. UERJ EXAME DE QUALIFICAÇÃO exercícios códigos 1 1 2 4 3 4.2 4 3 5 4.2 E.O. OBJETIVAS (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP) exercícios códigos 1 2 2 3 3 4 4 3 5 1 E.O. DISSERTATIVAS (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNESP) exercícios códigos 1 4 2 4.1 3 4.1 e 4.2 4 3 5 2.1 e 3.1 47 E.O. AprEndizAgEm lEIA O TEXTO dE MARCOS dANTAS PARA RESPONdER à QUESTÃO. Uma utopia democrática Nas décadas de 1910 e 1920, alguns milhares de pessoas, a maio- ria nos Estados Unidos, puseram-se a montar e usar equipamentos de radiotransmissão, passando a trocar mensagens sobre tudo, através das ondas hertzianas. Montar um equipamento era rela- tivamente fácil: bastava comprar os componentes no comércio va- rejista e seguir as instruções divulgadas em revistas especializadas. “Entrar no ar” era um ato individual, inteiramente livre. Essa liberdade de acesso ao espectro eletromagnético levou o dramaturgo marxista alemão Bertolt Brecht a formular uma “te- oria do rádio” que propunha dotar todas as residências com apa- relhos emissores-receptores, pelos quais os indivíduos (cidadãos) poderiam manter relações políticas e culturais entre si, construin- do uma espécie de assembleia popular permanente. Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera pública cidadã. Seria um espaço, sustentado numa infraestrutura técnica, no qual os indivíduos cidadãos poderiam intervir, na con- dição de produtores diretos e autônomos de cultura. Seria o alar- gamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública burguesa, agora expandida para toda a sociedade democrática. Seria, pois, a radicalização da democracia. (A lóGicA Do cApitAl-infoRmAção, 2002. ADAptADo.) 1. (fACISB MEd – UNESP) “SERIA O AlARgAMENTO E A CONSOlI- dAçÃO dO IdEAl IlUMINISTA dE ESfERA PúBlICA BURgUESA […].” O vERBO “SERIA” ESTá EM UM TEMPO vERBAl QUE INdICA a) uma dúvida do autor do texto sobre o momento em que os fatos efetivamente ocorreram. b) um estado permanente, constante, que se estende do passado ao futuro. c) o cuidado do autor para questionar fatos sobre os quais paira uma dúvida. d) uma hipótese futura, ainda incerta, em relação ao tempo sobre o qual se fala no texto. e) a certeza sobre o futuro dos fatos narrados pelo autor do texto. lEIA O TRECHO dO ROMANCE SENHORA, dE JOSé dE AlENCAR, PARA RES- PONdER à QUESTÃO O aspecto da casa revelava, bem como seu interior, a pobreza da habitação. A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor verbos: noções preliminares e modos indicativo e subjuntivo CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 26 e 27 AULAS 5 e 6 vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a ama- relo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos. O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primi- tivamente azul tomara a cor de folha seca. Outra singularidade apresentava essa parte da habitação: era o frisante contraste que faziam com a pobreza carrança dos dois aposentos certos objetos, aí colocados, e de uso do morador. Assim, no recosto de uma das velhas cadeiras de jacarandá, via--se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda superior, mas sobretudo pelo corte elegante e esmero do trabalho, conhe- cia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo o alfaiate da moda. Ao lado da casaca estava o resto de um traje de baile, que todo ele saíra daquela mesma tesoura em voga; finíssimo chapéu cla- que do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fre- gueses prediletos. Passando à alcova, na mesquinha banca de escrever, coberta com um pano desbotado e atravancada de rumas de livros, a maior parte romances, apareciam sem ordem tinteiros de bronze dourado sem serventia; porta-charutos de vários gostos, cinzeiros de feitios esquisitos e outros objetos de fantasia. (senhoRA, 2000. ADAptADo.) 2. (fACISB MEd – UNESP) “O PAPEl dA PAREdE dE BRANCO PAS- SARA A AMARElO E PERCEBIA-SE QUE EM AlgUNS PONTOS Já HAvIA SOfRI- dO HáBEIS REMENdOS.” O TERMO EM dESTAQUE é UMA fORMA vERBAl COMPOSTA. A fORMA SIM- PlES EQUIvAlENTE é: a) sofreria. b) sofria. c) sofrera. d) sofrendo. e) sofreu. lEIA O EXCERTO dO ROMANCE vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS, PARA RESPONdER à QUESTÃO. Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à ca- marinha escura, pareciam ratos – e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera. Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, es- garavatou as unhas sujas. Tirou do aió um pedaço de fumo, 48 picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, pôs-se a fumar regalado. – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de ani- mais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra. Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: – Você é um bicho, Fabiano. Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades. Chegara naquela situação medonha – e ali estava, forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha. – Um bicho, Fabiano. Era. Apossara-se da casa porque não tinha onde cair morto, passa- ra uns dias mastigando raiz de imbu e sementes de mucunã. Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara. Fabiano fi- zera-se desentendido e oferecera os seus préstimos, resmungando, coçando os cotovelos, sorrindo aflito. O jeito que tinha era ficar. E o patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro. Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado. Olhou as quipás, os mandacarus e os xiquexi- ques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baraúnas. Ele, sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra. (viDAs secAs, 2010.) “APARECERA COMO UM BICHO, ENTOCARA-SE COMO UM BICHO, MAS CRIA- RA RAízES, ESTAvA PlANTAdO.” (PENúlTIMO PARágRAfO) 3. (fASM MEd – UNESP) O TEMPO EM QUE ESTÃO CONJUgAdOS OS vERBOS dESTACAdOS a) mostra que não se trata de acontecimentos corriquei- ros, mas de momentos especiais na vida do personagem. b) informa que os fatos enunciados são suposições a respeito do futuro do momento pretérito em que a narrativa principal acontece. c) indica que os fatos aconteceram em um passado anterior ao tempo, também passado, da linha princi- pal da narrativa, indicada pelo verbo “estava”. d) adiciona ao texto um tom erudito, que reforça o encadeamento do pensamento elaborado do perso- nagem Fabiano. e) denota um processo contínuo no passado, que se estende até o presente da narrativa, indicado pelo verbo “estava”. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTõES Aumenta o número de adultos que não CONSEGUE focar sua atenção em uma única coisa por muito tempo. São tantos os estí- mulos e tanta a pressão para que o entorno seja completamente desvendado que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mesmo tempo. Nós nos tornamos, à semelhança dos computa- dores, pessoas multitarefa, não é verdade? Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo. Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás, ao lado e à frente, à velocidade média dos carros por onde trafega, às orientações do GPS ou de programas que sinalizam o trânsito em tempo real, às informações de alguma emissora de rádio que comenta o trânsi- to, ao planejamento mental feito e refeito várias vezes do trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino, aos semáforos, faixas de pedestres etc. Quando me vejo em tal situação, eu me lembro que 14dirigir, após um dia de intenso trabalho no retorno para casa, já FOI uma atividade prazerosa e desestressante. 18O uso da internet AJUDOU a transformar nossa maneira de olhar para o mundo. Não mais observamos os detalhes, por causa de nossa ganância em relação a novas e diferentes informações. Quantas vezes sentei em frente ao computador para buscar textos sobre um tema e, de repente, me dei conta de que ESTAVA em te- mas que em nada se RELACIONAVAM com meu tema primeiro. Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nosso costu- me de ler na internet. SOFREMOS de uma tentação permanen- te de pular palavras e frases inteiras, apenas para irmos direto ao ponto. O problema é que alguns textos exigem a leitura atenta de palavra por palavra, de frase por frase, para que faça sentido. Aliás, não é a combinação e a sucessão das palavras que dá senti- do e beleza a um texto? Se está difícil para nós, adultos, focar nossa atenção, imagine, caro leitor, para as crianças. Elas já NASCERAM neste mundo de profusão de estímulos de todos os tipos; elas são exigidas, desde o início da vida, a dar conta de várias coisas ao mesmo tempo; elas são estimuladas com diferentes objetos, sons, imagens etc. Aí, um belo dia elas vão para a escola. Professores e pais, a partir de então, querem que as crianças PRESTEM atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de síndromes que exigem tratamento etc. A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim. Elas já sa- bem usar programas complexos em seus aparelhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes que exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos, passam horas em uma única ativi- dade de que gostam. Mas, nos estudos, queremos que elas prestem atenção no que é preciso, e não no que GOSTAM. E isso, caro leitor, exige a árdua aprendizagem da autodisciplina. Que leva tempo, é bom lembrar. As crianças precisam de nós, pais e professores, para começar a aprender isso. Aliás, boa parte desse trabalho é nosso, e não delas. Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada as ajuda. O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos o con- texto em que estão quando precisam focar a atenção e orga- nizá-lo para que SEJA favorável a tal exigência. E é preciso lembrar que não se pode esperar toda a atenção delas por muito tempo: o ensino desse quesito no mundo de hoje é um processo lento e gradual. sAyão, Rosely. pRofusão De estímulos. in: folhA De são pAulo, 11 fev. 2014. 49 4. (COl. NAvAl) EM QUAl OPçÃO A fORMA vERBAl EM dESTAQUE EX- PRESSA UMA AçÃO HIPOTéTICA? a) “[...] me dei conta de que ESTAVA em temas [...].” b) “[...] e organizá-lo para que SEJA favorável [...].” c) “[...] atenção no que é preciso, e não no que GOSTAM.” d) “Aumenta o número de adultos que não CONSE- GUE focar [...].” e) “Elas já NASCERAM neste mundo de profusão [...].” 5. (COl. NAvAl)EM QUE OPçÃO A fORMA vERBAl EM dESTAQUE TRANS- MITE A IdEIA dE CONTINUIdAdE, dE PROCESSO QUE ERA CONSTANTE OU fREQUENTE? a) “[...] dirigir, [...], já FOI uma atividade praze- rosa [...].” b) “[...] que em nada se RELACIONAVAM com meu tema primeiro.” c) “SOFREMOS de uma tentação permanente de pular [...].” d) “Mas, nos estudos, queremos que elas PRESTEM atenção [...].” e) “O uso da internet AJUDOU a transformar nossa maneira [...].” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CONvERSAR PRESSUPõE UM dIálOgO PROdUTIvO ENTRE AS PESSOAS. SIgNIfICA dIzER QUE CONvERSAR é UM PROCESSO COOPERATIvO ENTRE INTERlOCUTORES. lEIA O TEXTO ABAIXO, QUE REPRESENTA UMA CONvERSA. 6. (IfSP) NO TRECHO “A gENTE POdE TER CONvERSAS lITERáRIAS”, SUBSTITUINdO-SE O SUJEITO POR OUTRO dE PRIMEIRA PESSOA dO PlU- RAl, NO TEMPO PRETéRITO PERfEITO, O RESUlTAdO é O SEgUINTE: a) podemos ter conversas literárias. b) podíamos ter conversas literárias. c) poderíamos ter conversas literárias. d) pudemos ter conversas literárias. e) pudéssemos ter conversas literárias. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO fIlME-ENIgMA dE CHRISTOPHER NOlAN gERA dISCUSSõES SOBRE SIgNIfI- CAdO E CITAçõES OCUlTAS OU ÓBvIAS EM SUA TRAMA ONíRICA cenA Do lonGA De ficção científicA "A oRiGem" Certa vez o sábio taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma bor- boleta. Ao acordar, entretanto, ele não sabia mais se era um homem que sonhara ser uma borboleta ou uma borboleta que agora sonhava ser um homem. Será que Dom Cobb está sonhando? Será que a vida real é esta mesma ou somos nós que sonhamos? Alguns podem ir ao cinema para assistir “A Origem”, de Chris- topher Nolan (“Batman - O Cavaleiro das Trevas”) e achar tão chato que vão sonhar de verdade, dormindo na fase de sono REM. Mas outros estão sonhando acordados. Em blogs, sites e grupos de discussão, os já fanáticos pelo filme de Nolan apontam refe- rências (de mitologia grega), veem citações (de “Lost”), tecem teorias malucas e conspiratórias (o sonho dentro do sonho). Alguns acusam o diretor de copiar filmes os mais variados, de “Blade Runner” (1982) a “eXistenZ” (1999), de se inspirar em “2001 - Uma Odisseia no Espaço” (1968) e até de roubar a ideia de um quadrinho do Tio Patinhas de 2002. O fato é que Nolan acertou o alvo. E ele sabia do potencial “ner- dístico” de seu filme. Tanto é que cogitou mudar a canção que toca no filme todo, “Non, Je Ne Regrette Rien”, com Edith Piaf, porque uma das atrizes escaladas, Marion Cotillard, havia vivido a cantora francesa em um filme de 2007. (...) Além da música, uma boa diversão de “A Origem” é identificar os objetos impossíveis deixados por Nolan ao longo do filme. A escada de Penrose, criada pelo psiquiatra britânico Lionel Penro- se, aparece diversas vezes na tela – e também inspirou o quadro que tenta explicar facetas do longa. Melhor ir ver o filme e não pensar em escadas... No que você está pensando agora? (http://www1.folhA.uol.com.bR/fsp/ilustRAD/fq1908201010.htm) 7. (INSPER) RElEIA O PRIMEIRO PARágRAfO: CERTA vEz O SáBIO TAOíSTA CHUANg TzU SONHOU QUE ERA UMA BORBOlETA. AO ACORdAR, ENTRETANTO, ElE NÃO SABIA MAIS SE ERA UM HOMEM QUE SONHARA SER UMA BORBOlETA OU UMA BORBOlETA QUE AgORA SONHAVA SER UM HOMEM. AS fORMAS vERBAIS EM NEGRITO INdICAM, RESPECTIvAMENTE a) ação concluída, ação simultânea e ação hipotética. b) ação durativa, ação concluída e ação não concluída c) ação pontual, ação contínua e ação fictícia. d) ação concluída, ação posterior e ação anterior. e) ação concluída, ação anterior e ação contínua. 50 lEIA O TRECHO dO ROMANCE SENHORA, dE JOSé dE AlENCAR, PARA RES- PONdER à QUESTÃO. Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza; Auré- lia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o mesmo estalão. Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em lingua- gem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial. Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que se fazia íntima com ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu-lhe um grace- jo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara recen- temente da Europa: − É um moço muito distinto, respondeu Aurélia sorrindo; vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse. Riam-se todos destes ditos de Aurélia, e os lançavam à conta de gracinhas de moça espirituosa; porém a maior parte das senho- ras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não cansavam de criticar desses modos desenvoltos, impróprios de meninas bem-educadas. Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela não fazia mistério, do preço de sua cotação no rol da moça; e longe de se agastarem com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas vezes re- sultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial. (senhoRA, 2013. ADAptADo.) 8. (fAMEMA) “A líSIA SOARES, QUE SE fAzIA íNTIMA COM ElA, E DESEJAVA ARdENTEMENTE vê-lA CASAdA, DIRIGIU-lHE UM gRA- CEJO ACERCA dO AlfREdO MOREIRA” OS TEMPOS dOS vERBOS dESTACAdOS INdICAM, RESPECTIvAMENTE, a) fato que perdura no presente e fato frequente no passado. b) fato que perdura no presente e fato que perdura no passado. c) fato que perdura no passado e fato pontual, termi- nado, no passado. d) fato pontual, terminado, no passado e fato anterior a outro já passado. e) fato pontual, terminado, no passado e fato que per- dura no passado. lEIA O TEXTO dE MARIldA REBOUçAS PARA RESPONdER à QUESTÃO. A primeira manifestação surrealista aconteceu em 1924 com a divulgação do panfleto “Um cadáver”, a propósito da morte de Anatole France, prêmio Nobel de literatura. Os surrealistas não estavam interessados no estilo límpido, nem no famoso ceticismo desse escritor consagrado e, por isso mesmo, alvo perfeito para o grupo de jovens lobos mostrarem suas garras. Numa linguagem violenta, afirmavam que acabava de morrer “um pouco da servi- lidade humana”. E, como esperavam, a repercussão foi enorme. Como consequência funesta, Breton e Aragon perderam o em- prego oferecido pelo colecionador Jacques Doucet. (suRReAlismo, 1986.) 9. (fAMERP) “COMO CONSEQUêNCIA fUNESTA, BRETON E ARAgON PERDERAM O EMPREgO OfERECIdO PElO COlECIONAdOR JACQUES dOUCET.” O TEMPO dO vERBO dESTACAdO INdICA UM ACONTECIMENTO a) frequente, no passado. b) em um passado anterior a alguns dos demais fatos citados. c) pontual, no passado. d) no futuro do passado em que alguns dos demais fatos citados ocorrem. e) contínuo, inteiramente no passado. lEIA O TEXTO dE CARlOS RANUlfO MElO PARA RESPONdER à QUESTÃO. CORRUPÇÃO ELEITORAL As democracias contemporâneas são arranjos representativos. A representação foi a “solução encontrada” para um dilema. Tão logo firmado o princípio da igualdade política entre os indivíduos, regimes políticos baseados na tradição, na origem de classe ou na condição de status perderam a legitimidade. Por outro lado, o tama- nho das sociedades e a complexidade cada vez maior das questões em discussão – demandando acesso a informações, disponibilidade de tempo e condições de negociação – tornaram proibitiva a ideia de que todos participassem das decisões a serem coletivizadas. A escolha de um corpo de representantes em eleições livres, justas e periódicas – e que incluam a todo o eleitorado adulto – passou a ser algo que, sem esgotar a noção contemporânea de democra- cia, firmou-se como sua pedra angular. Ao se dirigirem às urnas os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante um ato fundamental do Estado. Ao organizar as eleições e transformar os votos em postos executivos e/ou legislativos, o aparato institucional das democracias permite que, em maior ou menor grau, os mais diversos interesses, opiniões e valores sejam vocalizados no curso do processo decisório. Tal processo, no entanto, pode apresentar problemas que ameacem corromper o corpo políticoconstituído, comprometendo sua legitimidade e diminuindo sua capacidade de oferecer à coletividade os resultados esperados. A corrupção eleitoral ou a reiterada incidência de fenômenos ca- pazes de desvirtuar o processo de constituição de um corpo de re- presentantes sempre significou um problema para as democracias. A condição para que seu enfrentamento se tornasse possível foi a constituição de uma Justiça Eleitoral dotada de autonomia face aos poderes político e econômico, com recursos suficientes para organizar e poderes necessários para regulamentar os processos eleitorais. Mas mesmo as democracias consolidadas não consegui- ram impedir de forma cabal que determinados interesses pudes- sem, utilizando os recursos que tivessem à mão, obter vantagens diferenciadas em função de sua participação nas eleições. (coRRupção, 2008. ADAptADo.) 10. (fAMERP) “AO SE dIRIgIREM àS URNAS OS CIdAdÃOS REAFIR- MAM SUA CONdIçÃO dE IgUAldAdE PERANTE UM ATO fUNdAMENTAl dO ESTAdO.”(1º PARágRAfO) EM SEU CONTEXTO, O vERBO dESTACAdO, NA fORMA EM QUE fOI EMPRE- gAdO, INdICA UMA AçÃO a) usual, reiterada, no passado. b) habitual, regular. c) feita no instante em que o enunciado é apresentado. d) contínua, extensa, no presente. e) pontual, corriqueira, ordinária e sem importância. 51 E.O. FixAçãO TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TINTIM Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz. Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz talvez corres- pondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz. Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das microcoisas. Há quem diga que não existe uma fração mínima de matéria, que tudo pode ser dividido e subdividido. Assim como existe o in- finito para fora – isto é, o espaço sem fim, depois que o Universo acaba – existiria o infinito para dentro. A menor fração da menor partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a loucura. Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas. Originalmente, portanto, “tintim por tintim” indicava um pa- gamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído. Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova concepção de infinito. Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela vida quindim por quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim- -plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin (olha aí, a inflação já levou dois tins). Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião não nos ajuda. “Triz”, diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para “triz”. Substantivo feminino. Popular. “Icterícia.” Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas as nossas teorias sobre o Universo ou teremos que mudar de assunto. Acho melhor mudar de assunto. O Universo já tem problemas demais. veRíssimo, luis feRnAnDo. coméDiAs pARA leR nA escolA. Rio De JAneiRo: obJetivA, 2001. 1. (IfSP) CONSIdERE O SEgUINTE TRECHO: “é vERdAdE QUE, SE TIVES- SE ME dAdO O TRABAlHO dE OlHAR NO dICIONáRIO MAIS CEdO, MINHA IgNORâNCIA NÃO TERIA dURAdO TANTO. MAS O ÓBvIO, àS vEzES, é A úlTIMA COISA QUE NOS OCORRE”. OS vERBOS gRIfAdOS ENCONTRAM- -SE CONJUgAdOS, RESPECTIvAMENTE: a) pretérito perfeito do indicativo, futuro do pretérito do indicativo, presente do subjuntivo. b) pretérito imperfeito do indicativo, pretérito perfeito do indicativo, presente do indicativo. c) pretérito mais-que-perfeito do indicativo, pretérito imperfeito do indicativo, presente do subjuntivo. d) pretérito imperfeito do subjuntivo, pretérito imper- feito do indicativo, pretérito perfeito do indicativo. e) pretérito imperfeito do subjuntivo, futuro do preté- rito do indicativo, presente do indicativo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Crônica parafraseada de uma Síria em guerra Ela abre os olhos. Não fosse o cheiro horrível de morte, o silêncio seria até agradável, mas o olfato a lembra que não há paz – nem pessoas, vizinhos, crianças. A trégua na manhãzinha não traz esperança. Tão somente lhe permite descansar o corpo, mas não a mente. As lembranças da noite anterior ainda produzem sobressaltos. Bombas, casas caindo e soldados gritando. Levanta-se, bebe o pouco da água que restou do copo ao lado da cama. Já não é tão limpa, nem farta como antes. Sempre um gosto amargo misturado com H2O. Abre a geladeira, e só encontra comida enlatada e congelada. E mesmo não tão congelada assim, já que os cortes diários de eletricidade derretem as camadas de gelo. Os sobrinhos ainda dormem, e ela tenta orar. Não consegue. A mente desconcentra-se facilmente. Em uma prece fragmentada, pede a Deus descanso e trégua. E faz a oração sem pensar muito. Não precisa; é a mesma oração das últimas semanas. Ela não quer sair de casa. Não é teimosia, é falta de opção. “Para onde ir?”, pergunta, com uma voz desesperançosa. Está tão con- fusa que não consegue imaginar saídas. Nem a piedade de enterrar os mortos o governo permite. Ca- dáveres estão espalhados pelas ruas. As forças de Assad 3im- pediram de sepultar ou mesmo remover os restos mortais. Ou seja, mesmo viva, ela não tem como fugir da morte escancarada diante de seus olhos. Não é fácil acreditar na vida, quando a realidade grita o contrário. Se não podem sepultar os mortos, os sobreviventes tentam ao me- nos ajudar a curar as feridas dos machucados. Não podem levá-los aos hospitais da cidade, já que há um medo generalizado de que o governo prenda os feridos como se fossem prisioneiros de guerra. Resta improvisar atendimento nos campos. Não bastasse a preca- riedade do atendimento, não há medicamentos suficientes. Rebeca, de 32 anos, é trabalhadora autônoma. Ou melhor, 4era. Agora já não sabe mais o que é e o que faz em sua cidade Da- masco, capital da Síria. Crônica parafraseada do depoimento de uma moradora da capi- tal da Síria (identificada apenas pela letra “R”) ao jornal Folha de São Paulo, de quarta-feira, dia 25. A Síria está em revolta há 16 meses contra a ditadura de Bashar al-Assad. Nos últimos dias, o confronto contra os rebeldes se acirrou e as mortes aumentaram. Disponível em: <http://ultimAto.com.bR/sites/ fAtosecoRRelAtos/2012/07/26/cRonicA-pARAfRAseADA-De- umA-siRiA-em-GueRRA/> Acesso em: 14 set. 2015. 52 2. (IfSUl) CONSIdERANdO A flEXÃO dAS fORMAS vERBAIS IMPEdIRAM (REf. 3) E ERA (REf. 4), é CORRETO AfIRMAR QUE a) os dois verbos estão conjugados no pretérito im- perfeito do modo indicativo. b) os dois verbos estão conjugados no pretérito per- feito do modo indicativo. c) o verbo impedir está conjugado no pretérito per- feito do indicativo, e o ser, no pretérito imperfeito do indicativo. d) o verbo impedir está conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo, e o ser, no futuro do subjuntivo. lEIA O TEXTO dE ANdRé gOTz PARA RESPONdER à QUESTÃO. O grande problema dos carros é o fato de serem como man- sões à beira-mar: são bens de luxo inventados para o prazer exclusivo de uma minoria muito rica, os quais em concepção e natureza nunca foram destinados ao povo. Emsua concep- ção e em sua finalidade original, o carro é um bem de luxo. E o luxo, por definição, é impossível de ser democratizado: se todos ascendem ao luxo, ninguém tira proveito dele. Isso é admitido sem questionamentos pelo senso comum no caso das mansões à beira-mar. Nenhum demagogo ousou dizer que democratizar o direito às férias significa aplicar o princí- pio uma mansão com praia particular para cada família. Todos compreendem que, se cada uma das treze ou quatorze milhões de famílias existentes na França devesse dispor mesmo que apenas de dez metros da costa, seria preciso dividir as praias em tiras tão pequenas – ou amontoar tanto as mansões – que seu valor de uso seria nulo e sua vantagem sobre um complexo hoteleiro desapareceria. Em suma, a democratização do acesso às praias admite somente uma solução: a solução coletivista. E essa solução está necessariamente em guerra com o luxo que constituem as praias particulares, privilégio que uma pequena minoria se atribui à custa de todos. Ora, por que aquilo que é absolutamente óbvio no caso das praias não é geralmente visto da mesma forma no caso do transporte? Por acaso um carro também não ocupa um espaço tão escasso quanto uma mansão na praia? Não es- polia os outros que usam as ruas (pedestres, ciclistas, usu- ários de ônibus ou bondes)? Não perde seu valor de uso quando todo mundo utiliza o seu? No entanto abundam os demagogos que afirmam que cada família tem o direito a pelo menos um carro, e que seria até mesmo encargo do "Estado" atuar de forma que todos pudessem estacionar convenientemente e viajar no feriado ou nas férias ao mes- mo tempo que todos os outros a 150 km/h. (neD luDD (oRG). ApocAlipse motoRizADo, 2004. ADAptADo.) 3. (SÃO CAMIlO MEd – UNESP) "TOdOS COMPREENdEM QUE, SE CAdA UMA dAS TREzE OU QUATORzE MIlHõES dE fAMílIAS EXISTENTES NA fRANçA dEvESSE dISPOR MESMO QUE APENAS dE dEz METROS dA COSTA, SERIA PRECISO dIvIdIR AS PRAIAS EM TIRAS TÃO PEQUENAS – OU AMONTOAR TANTO AS MANSõES – QUE SEU vAlOR dE USO SERIA NUlO E SUA vANTAgEM SOBRE UM COMPlEXO HOTElEIRO dESAPARECERIA." OS vERBOS dESTACAdOS NO EXCERTO ESTÃO CONJUgAdOS NO a) futuro do pretérito, pois não se trata de fato localiza- do em um futuro próximo, mas em um futuro distante. b) futuro do presente, para fazer uma afirmação futu- ra em relação ao tempo do que foi enunciado antes. c) pretérito mais-que-perfeito, pois se trata de um fato posterior a outro fato enunciado no texto. d) futuro do presente, para deixar claro que se trata de uma hipótese e não de um fato já consumado. e) futuro do pretérito, a fim de imaginar um cenário projetado a partir de uma hipótese antes enunciada. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO PORTUGUÊS NO TOPO DAS LÍNGUAS MAIS IMPORTANTES A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mun- do dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana. Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do arti- go, as línguas que “todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, incluindo o russo, o árabe e o alemão. “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nos- sa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations. O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a econo- mia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recen- temente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês. Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domí- nio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a uma universidade de Pequim”. “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a lín- gua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan. Disponível em: https://iilp.woRDpRess.com/2015/05/06/poRtuGues- no-topo-DAs-linGuAs-mAis-impoRtAntes Acesso em:23/05/2015. 4. (UPE) CONSIdERANdO AlgUMAS fORMAS vERBAIS EMPREgAdAS NO TEXTO, ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. 53 a) O tempo e o modo da forma verbal empregada no trecho: “A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios” expressam a in- certeza do autor em relação à afirmação que ele faz. b) Na variante brasileira do português, o fato de os verbos “ter” e “haver” serem, às vezes, empregados como equivalentes, pode ser exemplificado no trecho “para quem tem o inglês como língua materna”. c) No trecho: “Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos”, a variação presente/passado das for- mas verbais destacadas resulta em incorreção no texto. d) Com a forma verbal selecionada no trecho: “Mark Zuckerberg mostrou um impressionante domínio da língua chinesa”, o autor pretendeu indicar uma ação iniciada no passado e ainda não concluída. e) No trecho: “‘Ao aprender chinês, Zuckerberg de- monstrou que [...]’, diz Ofer Shoshan”, a forma ver- bal destacada, embora esteja no presente, indica uma ação do passado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO EdITORIAl O VALOR DA VIDA heRmAnn A.v. von tiesenhAusen DiRetoR executivo Do JoRnAl meDicinA A mistanásia é um termo pouco utilizado nas conversas do dia a dia, mas, que, infelizmente, não está tão distante de nossa re- alidade. A imprensa registra, sem filtros, o drama de milhares de pacientes e profissionais nos postos de saúde, hospitais e pron- tos-socorros e traduz a dura proximidade com a expressão. O significado de mistanásia remete à omissão de socorro, à negligência. Ela representa a morte miserável, antes da hora. É conhecida como a eutanásia social. No Brasil, seu flagelo atinge, sobretudo, os mais carentes, que dependem exclusivamente do Estado quando o corpo padece. Um exemplo do que a mistanásia pode causar apareceu em série de reportagens exibida pelo Jornal Nacional (Rede Globo), em janeiro, que dissecou o drama dos pacientes com câncer no país. A falta de tudo torna a larga espera pelo atendimento um duro calvário e, em meio ao desespero, centros de excelência, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, minguam a céu aberto. A falência do sistema público de saúde não é só um fenômeno administrativo ou contábil. Quem dera o fosse. Assim, seria mais fácil suportá-la, pois contas se arrumam. A questão é que o de- sequilíbrio causado por uma gestão feita de pessoas perdidas em meio ao tiroteio entrou em nossas casas pela porta da frente. A situação grave, contornada com paliativos, ceifa vidas, inclusive de crianças e jovens, impedidos de receber aquilo que a Consti- tuição lhes garante como direito cidadão: o acesso universal, in- tegral, gratuito e com equidade a serviços de saúde de qualidade. Nesta edição do jornal Medicina, apresentamos números do valor da vida e da saúde de cada brasileiro para o setor públi- co. A média nacional não supera os R$ 4,00 ao dia, ou seja, quase nada se comparado a outros países com modelos assis- tenciais semelhantes. Essa conta acentua a tragédia da morte anunciada em corredores e filas de espera e suscita um questionamento importante, pois os dados evidenciam que, apesar do pouco destinado, é o mau uso dos recursos que estão disponíveis que aprofunda a crise. O Brasil está diante de um dilema. É hora de rever caminhos, adotar novas posturas, corrigir falhas para não sentenciar a população à doença e tirar do estado de coma em que se encontra o Sistema Único de Saúde (SUS), umadas maiores políticas sociais do mundo e balizador de todo modelo de atenção no País. JoRnAl meDicinA publicAção oficiAl Do conselho feDeRAl De meDicinA. JAneiRo 2016. 5. (fAC. AlBERT EINSTEIN) “QUEM dERA O fOSSE.” OS vERBOS EMPRE- gAdOS NESSA fRASE dO QUARTO PARágRAfO (vERBO dAR NO PRETéRITO MAIS-QUE-PERfEITO dO INdICATIvO E vERBO IR NO PRETéRITO IMPERfEITO dO SUBJUNTIvO) CONTRIBUEM PARA CONSTRUIR O SENTIdO dE QUE a) o fenômeno administrativo e contábil gerado pelo desequilíbrio da gestão do sistema público de saúde levou o país à falência. b) o problema com a saúde nacional se circunscreve a questões de natureza administrativa ou contábil. c) a situação em que se encontra o sistema público de saúde não se restringe a questões de natureza admi- nistrativa ou contábil. d) a falência do sistema público de saúde brasileiro se resolve pela gestão equilibrada das contas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O SEQUESTRO DAS PALAVRAS GReGóRio DuvivieR Vamos supor que toda palavra tenha uma vocação primeira. A palavra mudança, por exemplo, nasceu filha da transformação e da troca, e desde pequena 2servia para descrever o processo de mutação de uma coisa em outra coisa que não deixou de ser, na essência, a mesma coisa – quando a coisa é trocada por outra coisa, não é mudança, é substituição. A palavra justiça, por exem- plo, brotou do casamento dos direitos com a igualdade (sim, foi um ménage): servia para tornar igual aquilo que tinha o direito de ser igual mas não estava sendo tratado como tal. No entanto as palavras cresceram. E, assim como as pessoas, foram sendo contaminadas pelo mundo a sua volta. As palavras, coitadas, não sabem escolher amizade, não sabem dizer não. A liberdade, por exemplo, é dessas palavras que só dizem sim. Não nasceu de ninguém. Nasceu contra tudo: a prisão, a depen- dência, o poder, o dinheiro – mas não se espante se você vir a liberdade vendendo absorvente, desodorante, cartão de crédito, empréstimo de banco. A publicidade vive disso: dobrar as melho- res palavras sem pagar direito de imagem. Assim, você 11verá as palavras ecologia e esporte juntarem-12se numa só para criar o EcoSport – existe algo menos ecológico ou esportivo que um car- ro? Pobres palavras. Não 15tem advogados. Não precisam assinar termos de autorização de imagem. Estão aí, na praça, gratuitas. Nem todos aceitam que as palavras 16sejam sequestradas ao bel-prazer do usuário. A política é o campo de guerra onde se disputa a posse das palavras. A “ética”, filha do caráter com a moral, transita de um lado para o outro dos conflitos, assim 54 como a Alsácia-Lorena, e não sem guerras sanguinárias. Com um revólver na cabeça, é obrigada a endossar os seres mais amorais e sem caráter. A palavra mudança, que sempre andou com as esquerdas, foi sequestrada pelos setores mais conser- vadores da sociedade – que fingem querer mudar, quando o que querem é trocar (para que não se mude mais). A Justiça, coitada, foi cooptada por quem atropela direitos e desconhece a igualdade, confundindo-a o tempo todo com seu primo, o justiçamento, filho do preconceito com o ódio. Já a palavra impeachment, recém-nascida, filha da democracia com a mudança, 22está escondida num porão: emprestaram suas roupas à palavra golpe, que desfila por aí usando seu nome e seus documentos. Enquanto isso, a palavra jornalismo, coitada, agoniza na UTI. As palavras não lutam sozinhas. É preciso lutar por elas. texto publicADo em 21 mAR. 2016. Disponível em: <http://www1. folhA.uol.com.bR/colunAs/GReGoRioDuvivieR/2016/03/1752170- o-sequestRo-DAs-pAlAvRAs.shtml>. Acesso em: 06 AbR. 2016. 6. (IfSUl) QUANTO AO EMPREgO dOS vERBOS NO TEXTO “O SEQUESTRO dAS PAlAvRAS”, é CORRETO AfIRMAR QUE a) o verbo “ver” (ref. 11) foi conjugado no futuro do pretérito do modo indicativo, embora faça referência ao tempo presente. b) o verbo “ser” (ref. 16) foi flexionado no presente do indicativo, indicando a incerteza de que a ação ocorra de fato. c) a locução verbal presente na referência 22, utili- zada no passado perfeito do indicativo, designa uma ação já concluída. d) o verbo “servir” (ref. 2) foi conjugado no pretérito imperfeito do indicativo para designar uma ação em contínua realização do passado para o presente. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO DÁ PRA DESENHAR? mARcelo GRumAn As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de história. [...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do 3kindle e do 4IPhone, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chega- mos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, sem futuro, um presente contínuo. Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo total da não leitura”, conforme o editor de não ficção e lite- ratura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que re- solveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de mau gosto porque livro pressupõe leitura. [...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada. fonte: <http://cARtAmAioR.com.bR/?/eDitoRiA/cultuRA/DA-pRA- DesenhAR-/39/33645>, texto ADAptADo. Acesso em: 03 set. 2015 7. (g1 - CfT-Mg) CONSIdERE O TRECHO A SEgUIR: [...] Há NÃO MUITO TEMPO, PERGUNTÁVAMOS (1) A QUEM NÃO ENTENdIA O QUE fAlávAMOS SE GOSTARIA (2) QUE DESENHÁS- SEMOS (3) A EXPlICAçÃO. ERA UMA BRINCAdEIRA, UMA fORMA dE INfANTIlIzAR O INTERlOCUTOR. CHEgOU O dIA EM QUE A PIAdA PERdEU A gRAçA, PORQUE dEIXOU dE SER PIAdA. A INdICAçÃO dA dESINêNCIA MOdO-TEMPORAl dOS vERBOS 1, 2 E 3, gRIfAdOS NESSE TRECHO, ESTá CORRETA EM a) (1) pretérito imperfeito do subjuntivo; (2) futuro sim- ples do indicativo; (3) pretérito perfeito do indicativo. b) (1) pretérito perfeito do indicativo; (2) pretérito imper- feito do indicativo; (3) pretérito imperfeito do indicativo. c) (1) pretérito imperfeito do indicativo; (2) futuro do pre- térito do indicativo; (3) pretérito imperfeito do subjuntivo. d) (1) pretérito mais-que-perfeito do indicativo; (2) futuro do pretérito do indicativo; (3) pretérito perfeito do subjuntivo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A cavalgada, que lenta SUBIRA a encosta, DESCIA-A rapida- mente enquanto Atanagildo, visitando os muros, EXORTAVA os guerreiros da cruz a pelejarem esforçadamente. Quando estes sou- beram quais eram as intenções dos árabes acerca das virgens do mosteiro, a atrocidade do sacrilégio afugentou-lhes dos corações a menor sombra de hesitação. Sobre as espadas juraram todos com- bater e morrer como godos. Então o quingentário, a quem parecia animar sobrenatural ousadia, correu ao templo. heRculAno, A. euRico, o pResbíteRo. 2. eD. são pAulo: mARtin clARet, 2014. p.107. 8. (UEl) SOBRE OS vERBOS “SUBIRA”, “dESCIA” E “EXORTAvA”, PRESENTES NO TRECHO, ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. a) Os verbos “subira”, “descia” e “exortava” estão no tempo verbal pretérito perfeito, pois indicam um fato que aconteceu em um momento passado e foi conclu- ído. Todos estão no modo indicativo. b) Os verbos “subira”, “descia” e “exortava” estão no pretérito imperfeito, pois expressam a duração de um fato que ocorreu no passado e foi concluído. Os dois primeiros estão no modo indicativo, enquanto “exorta- va” está no imperativo, pois expressa ordem. c) O verbo “subira” está no futuro do presente, pois indicaum fato que ainda ocorrerá; os verbos “descia” e “exorta- va” estão no futuro do pretérito, pois indicam ações que aconteceriam. Todos estão no modo indicativo. d) O verbo “subira” está no pretérito mais-que-perfeito, pois indica um fato que aconteceu antes de outro fato no presente; já os verbos “exortava” e “descia” estão no im- perfeito do subjuntivo, pois expressam desejos ou hipóteses. e) O verbo “subira” está no pretérito mais-que-perfeito, pois indica um processo que ocorreu antes de um outro fato, também no passado; os verbos “descia” e “exorta- va” estão no pretérito imperfeito, pois indicam um pro- cesso que ocorreu no passado, expressando sua duração, e que não foi concluído. Todos estão no modo indicativo. 55 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, Chagas e Silva postava-se de palito à boca, como se tivesse descido do restau- rante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que somente ali se comesse bem em Porto Alegre. Longe disso! A Rua da Praia que o diga, ou melhor, que o dissesse. O faz de conta do ine- fável personagem ligava-se mais à importância, à moldura que aquele portal lhe conferia. Ele, que tanto marcou a rua, tinha franco acesso às poltronas do saguão em que se refestelavam os importantes. Andava dentro de um velho fraque, usava gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba curta, polainas e uns olhi- nhos apertados na tez bronzeada. O charuto apagado na boca, para durar bastante, ERA o toque final dessa composição de pardavasco vindo das Alagoas. Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. Fixou-se na Rua da Praia, que percorria com passos lentos, carregando um ar de indecifrável importância, tão ao jeito dos grandes de então. Os estudantes tomaram conta dele. Improvisaram comícios na praça, carregando-o nos braços e fazendo-o discursar. Dava dis- cretas mordidas e consentia em que lhe pagassem o cafezinho. Mandava imprimir sonetos, que “trocava” por dinheiro. Não era de meu propósito OCUPAR-ME do “doutor” Chagas e, sim, de como se comia bem na Rua da Praia de antigamente. Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a visitar casas por onde sua imaginação de longe esvoaçava. Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialida- des, DISPUNHA da melhor matéria-prima para as casas de pasto. Essas casas punham ao alcance dos gourmets virtuo- síssimos “secos e molhados” vindos de Portugal, da Itália, da França e da Alemanha. Daí um longo e florescente’ período de boa comida, para regalo dos homens de espírito e dos que eram mais estômago que outra coisa. Na arte de comer bem, talvez a dificuldade fosse a da escolha. Para qualquer lado que o passante se virasse, encontraria salões ornamentados recinto maiores ou menores, tabernas ou simples tascas. A Cidade DIVERTIA-SE também pela barriga. Ruschel, nilo. RuA DA pRAiA. poRto AleGRe: eDitoRA DA ciDADe, 2009. p. 110-111. 9. (UfRgS) CONSIdERE AS AfIRMAçõES ABAIXO, A RESPEITO dOS TEM- POS vERBAIS UTIlIzAdOS NO TEXTO. I. OS vERBOS ERA E dISPUNHA ESTÃO CONJUgAdOS NO MESMO TEMPO E MOdO. II. TOdOS OS vERBOS dO PRIMEIRO PARágRAfO ESTÃO CONJUgAdOS NO PRETéRITO IMPERfEITO dO INdICATIvO, PORQUE fAzEM REfERêNCIA A ROTI- NAS E HáBITOS dO PASSAdO. III. OS vERBOS OCUPAR-ME E dIvERTIA-SE ESTÃO CONJUgAdOS NO MOdO SUBJUNTIvO. QUAIS ESTÃO CORRETAS? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. E.O. COmplEmEntAr lEIA O TRECHO INICIAl dO lIvRO CORAçõES SUJOS, dE fERNANdO MORAIS, PARA RESPONdER à QUESTÃO. A voz rouca e arrastada parecia vir de outro mundo. Eram pon- tualmente nove horas da manhã do dia 1º de janeiro de 1946 quando ela soou nos alto-falantes dos rádios de todo o Japão. A pronúncia das primeiras sílabas foi suficiente para que 100 milhões de pessoas identificassem quem falava. Era a mesma voz que quatro meses antes se dirigira aos japoneses, pela pri- meira vez em 5 mil anos de história do país, para anunciar que havia chegado o momento de "suportar o insuportável": a ren- dição do Japão às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Mas agora o dono da voz, Sua Majestade o imperador Hiroíto, tinha revelações ainda mais espantosas a fazer a seus súditos. Embora ele falasse em keigo – uma forma arcaica do idioma, reservada aos Filhos dos Céus e repleta de expressões chinesas que nem todos compreendiam bem −, todos entenderam o que Hiroíto dizia: ao contrário do que os japoneses acreditavam des- de tempos imemoriais, ele não era uma divindade. O imperador leu uma declaração de poucas linhas, escrita de próprio punho. Aquela era mais uma imposição dos vencedores da guerra. En- tre as exigências feitas pelos Aliados para que ele permanecesse no trono, estava a "Declaração da Condição Humana". Ou seja, a renúncia pública à divindade, que naquele momento Hiroíto cumpria resignado: "Os laços que nos unem a vós, nossos súditos, não são o resultado da mitologia ou de lendas. Não se baseiam jamais no falso concei- to de que o imperador é deus ou qualquer outra divindade viva." Petrificados, milhões de japoneses tomaram consciência da verda- de que ninguém jamais imaginara ouvir: diferentemente do que lhes fora ensinado nas escolas e nos templos xintoístas, Hiroíto re- conhecia que era filho de dois seres humanos, o imperador Taisho e a imperatriz Sadako, e não um descendente de Amaterasu Omi- kami, a deusa do Sol. Foi como se tivessem jogado sal na ferida que a rendição, ocorrida em agosto do ano anterior, havia aberto na alma dos japoneses. O temido Exército Imperial do Japão, que em inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma úni- ca derrota, tinha sido aniquilado pelos Aliados. O novo xogum, o chefe supremo de todos os japoneses, agora era um gaijin, um es- trangeiro, o general americano Douglas MacArthur, a quem eram obrigados a se referir, respeitosamente, como Maca-san, o "senhor Mac". Como se não bastasse tamanho padecimento, o Japão des- cobria que o imperador Hiroíto era apenas um mortal, como qual- quer um dos demais 100 milhões de cidadãos japoneses. (coRAções suJos, 2000.) 1. (fAMEMA) "ERA A MESMA vOz QUE QUATRO MESES ANTES SE dIRI- gIRA AOS JAPONESES, PElA PRIMEIRA vEz EM 5 MIl ANOS dE HISTÓRIA dO PAíS, PARA ANUNCIAR QUE HAvIA CHEgAdO O MOMENTO dE 'SUPORTAR O INSUPORTávEl'" (1º PARágRAfO) O vERBO dESTACAdO fOI UTIlIzAdO NO PRETéRITO MAIS-QUE-PERfEITO A fIM dE INdICAR a) um fato no passado, anterior a outro fato, também no passado. b) uma dúvida do enunciador sobre a veracidade do fato no passado. 56 c) um fato que ocorreu reiteradamente, no passado. d) uma ação cujos efeitos se estendem do passado ao presente. e) uma verdade universalmente aceita no passado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxu- gou-se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Conferiu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ga- nhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depo- sitou. Depositou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. De- positou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou- -se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dor- miu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se... mino. como se conJuGA um empResáRio. Disponível em: <http:// DocsliDe.com.bR/Documents/como-se-conJuGA-um-empResARio.html>. Acesso em: 18 JAn. 2016. ADAptADo. 2. (UEFS) NO TEXTO dE MINO, A UTIlIzAçÃO E A ORgANIzAçÃO SEQUEN- CIAl dAS fORMAS vERBAIS PERMITEM INfERIR QUE A PERSONAgEM PRINCIPAl a) não mantém umarotina adequada a seus princí- pios éticos. b) exime-se de qualquer compromisso com a sua pró- pria família. c) não apresenta sinais de que irá rever seus valores e sua forma de agir. d) alterna contextos de sucesso e lucro com situações de fracasso e desespero. e) revela momentos de compaixão diante do outro, retomando algumas atitudes. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CAPÍTULO XXI Na estação de Vassouras, entraram no trem Sofia e o marido, Cristiano de Almeida e Palha. Este era um rapagão de trinta e dois anos; 1ela ia entre vinte e sete e vinte e oito. Vieram sentar-se nos dois bancos fronteiros ao do Rubião [...]. [Rubião] — O senhor é lavrador? [Palha] — Não, senhor. [Rubião] — Mora na cidade? [Palha] — De Vassouras? Não; viemos aqui passar uma semana. Moro mesmo na Corte. Não teria jeito para lavrador, 2conquanto ache que é uma posição boa e honrada. Da lavoura passaram ao gado, à escravatura e à política. Cristia- no Palha maldisse o governo, que introduzira na fala do trono uma palavra relativa à propriedade servil; mas, com grande es- panto seu, Rubião não acudiu à indignação. Era plano deste ven- der os escravos que o testador lhe deixara, exceto um pajem; se alguma coisa perdesse, o resto da herança cobriria o desfalque. Demais, a fala do trono, que ele também lera, mandava respeitar a propriedade atual. Que lhe importavam escravos futuros, se os não compraria? O pajem ia ser forro, logo que ele entrasse na posse dos bens. Palha desconversou, e passou à política, às câmaras, à guerra do Paraguai, tudo assuntos gerais, ao que Ru- bião atendia, mais ou menos. Sofia escutava apenas; movia tão somente os olhos, que sabia bonitos, fitando-os ora no marido, ora no interlocutor. — Vai ficar na Corte 3ou volta para Barbacena? perguntou o Palha no fim de vinte minutos de conversação. — 4Meu desejo é ficar, e fico mesmo, acudiu Rubião; estou can- sado da província; 5quero gozar a vida. Pode ser até que vá à Europa, mas não sei ainda. Os olhos do Palha brilharam instantaneamente. mAchADo De Assis, quincAs boRbA. 3. (fgv) EMPREgOU-SE O PRESENTE COM IdEIA dE fUTURO NO SEgUINTE EXCERTO dO TEXTO: a) “ela ia entre vinte e sete e vinte e oito” (ref. 1). b) “conquanto ache” (ref. 2). c) “ou volta para Barbacena” (ref. 3). d) “Meu desejo é ficar” (ref. 4). e) “quero gozar a vida” (ref. 5). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Hoje os conhecimentos se estruturam de modo fragmentado, se- parado, compartimentado nas disciplinas. Essa situação impede uma visão global, uma visão fundamental e uma visão complexa. "Complexidade" vem da palavra latina complexus, que significa a compreensão dos elementos no seu conjunto. As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora do seu campo de especialização. A literatura, no entanto, é uma área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas. Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro. A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de ex- pressão, meios de conhecimento, meios de compreensão da complexidade humana. Assim, podemos ver o primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da complexidade humana. E vamos ver ainda outras inclusões: a inclusão da personalidade humana, a inclusão da subjetividade humana, e, também, muito importante, a inclusão; do estrangeiro, do marginalizado, do in- feliz, de todos que ignoramos e desprezamos na vida cotidiana. A inclusão da complexidade humana é necessária porque rece- bemos uma visão mutilada do humano. Essa visão, a de homo sapiens, é uma definição do homem pela razão; de homo faber, do homem como trabalhador; de homo economicus, movido por lucros econômicos. Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, mutilada, que esquece o principal: a relação do sapiens/demens, da razão com a demência, com a loucura. Na literatura, encontra-se a inclusão dos problemas humanos mais terríveis, coisas insuportáveis que nela se tornam suportá- veis. Harold Bloom escreve: "1TODAS as grandes obras 2REVE- LAM a universalidade humana através de destinos singulares, de situações singulares, de épocas singulares". É essa a razão por que as obras-primas atravessam séculos, sociedades e nações. Agora chegamos à parte mais humana da inclusão: a inclusão do outro para a compreensão humana. A compreensão nos torna 57 mais generosos com relação ao outro, e o criminoso não é unica- mente mais visto como criminoso, como o Raskolnikov de Dostoie- vsky, como o Padrinho de Copolla. A literatura, o teatro e o cinema são os melhores meios de com- preensão e de inclusão do outro. Mas a compreensão se torna provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do fil- me. Então essa compreensão é que 3DEVERIA ser introduzida e desenvolvida em nossa vida pessoal e social, porque 4SERVIRIA para melhorar as relações humanas, para melhorar a vida social. ADAptADo De: moRin, eDGAR. A inclusão: veRDADe DA liteRAtuRA. in: RõsinG, tâniA et Ai. eDGAR moRin: ReliGAnDo fRonteiRAs. pAsso funDo: upf, 2004. p.13-18 4. (UFRGS) CONSIdERE AS SEgUINTES AfIRMAçõES, REfERENTES AO USO dE TEMPOS E MOdOS vERBAIS NO TEXTO. I. O EMPREgO dO PRESENTE NA fORMA vERBAl REVELAM (REf. 2) REfORçA O CARáTER gENERAlIzAdOR dA AfIRMAçÃO, Já SINAlIzAdO PElO EMPREgO dE TODAS (REf. 1). II. OS USOS dE fUTURO dO PRETéRITO EM DEVERIA (REf. 3) E SER- VIRIA (REf. 4) CONTRIBUEM PARA MOSTRAR QUE O AUTOR CONClUI A ARgUMENTAçÃO COM SOlUçõES POSSívEIS E dESEJávEIS. III. A PRESENçA NO TEXTO dE vERBOS NOS MOdOS INdICATIvO E SUBJUNTI- vO CONfERE SENTIdOS dE CERTEzA E dE POSSIBIlIdAdE à ARgUMENTAçÃO. QUAIS ESTÃO CORRETAS? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas I e III. e) I, II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Não era feio o lugar, mas não era belo. Tinha, entretanto, o aspec- to tranquilo e satisfeito de quem se julga bem com a sua sorte. A casa erguia-se sobre um socalco, uma espécie de degrau, for- mando a subida para a maior altura de uma pequena colina que lhe corria nos fundos. Em frente, por entre os bambus da cerca, olhava uma planície a morrer nas montanhas que se viam ao longe; um regato de águas paradas e sujas cortava-as paralela- mente à testada da casa; mais adiante, o trem passava vincando a planície com a fita clara de sua linha campinada [...]. bARReto, limA. tRiste fim De policARpo quAResmA. são pAulo: penGuin & compAnhiA DAs letRAs. p.175. 5. (UEg) COM RElAçÃO AO TEMPO NARRATIvO, NOTA-SE QUE A UTIlIzA- çÃO dO PRETéRITO IMPERfEITO a) aproxima o material narrado do universo contem- porâneo do leitor. b) confere ao texto um caráter dual, que oscila entre o lírico e o metafórico. c) faz com que o tempo da narrativa se distancie, até certo ponto, do tempo do leitor. d) torna o texto mais denso de significação, na medi- da em que institui lacunas temporais. E.O. dissErtAtivO TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO SONETO DO AMOR TOTAL vinicius De moRAes Amo-te tanto, meu amor ... não cante O humano coração com mais verdade ... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente, De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde, É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. (moRAes, vinicius De. in: AntoloGiA poéticA. são pAulo: ciA DAs letRAs, 1992, p. 232.) 1. (g1 - CP2 2014) EMBORA SÓ HAJA A fAlA dO EU líRICO, OCORRE UMA INTERlOCUçÃO COM O SER AMAdO NO TEXTO. RETIRE dO POEMA UM EXEMPlO QUE EXPlICITE ESSA INTERlOCUçÃO. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O exílio, uma experiência da modernidade A história da humanidade poderia escrever-se a partir das es- tórias do exílio porque desde o início o homem tem vivido em permanente opressão e fuga: fuga de si mesmo e dos outros. Também tem realizado grandes ações, grandes construções: con- quista de terras remotas,fundação de cidades, guia de grandes migrações, descobrimento de continentes, exploração de mares, governo de povos. Todas essas obras “magníficas” em sua gran- de maioria foram feitas graças ao labor dos refugiados, asilados, prisioneiros de guerra, escravos, todos vítimas da opressão e expulsão. O pensamento estético, acadêmico e científico da mo- derna cultura ocidental, também tem-se alimentado de fontes estrangeiras, pense-se em tantos pensadores e cientistas degre- dados e suas valiosas contribuições ao pensamento moderno: Marcuse, Beckett, Nabokov, James Joyce, Adorno, Hannah Aren- dt, Walter Benjamin, Pound, Einstein, entre outros. Desse ponto de vista, a expulsão e o exílio acabaram sendo condições prévias para o desenvolvimento social e humano. O internacionalismo intelectual e cultural, de grandes convulsões sociais, em que as ideias passavam de uma cultura para outra, gerou uma arte es- sencialmente cosmopolita que se alimentou das tradicionais via- gens literárias e expatriações de muitos escritores e artistas, ou foi causada pelas grandes convulsões históricas que forçaram ao exílio muitos escritores, ocasionando que uma parte tão grande da arte moderna tenha sido produzida por escritores “sem lar”, afastados de sua cultura nacional, sua tradição, seu idioma na- tivo. Daí que a palavra “moderno” tenha tantas conotações de desarraigamento, desorientação, ironia, alienação, fratura, senti- mentos e emoções que fazem com que a arte moderna provoque em nós uma perturbação tão profunda quanto a admiração que nos inspira. Porém, na escala do século XX, o exílio não é com- preensível nem do ponto de vista estético, nem do ponto vista humanista. O exílio é – segundo Edward Said (2003) – irreme- diavelmente secular e insuportavelmente histórico, é produzido por seres humanos para outros seres humanos, é uma condição 58 criada para negar a dignidade e a identidade das pessoas. Nesse sentido o exílio não pode ser posto a serviço do humanismo. A marca do trauma do exílio fica refletida na perda da identidade, na dor, na fratura e no estranhamento. Por isso, Czeslaw Milosz (1993) afirma que o exílio é a situação existencial do homem mo- derno. Na modernidade, o homem ainda não superou a desdita de permanecer em permanente desterro. As conquistas de qual- quer desterrado são constantemente carcomidas pelo sentimen- to de estranhamento, de perda. Na realidade, todo exilado é um náufrago que luta por sobreviver num território estranho onde o desespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes. Existem muitas estórias e histórias que apresentam o exílio como uma con- dição heroica, gloriosa ou romântica, e esquecem, porém, a dor da orfandade oculta em seu interior. No âmago de sua solidão, o exilado sente, no silêncio de seu ser, o verdadeiro destino da exis- tência humana. A literatura sobre o exílio objetiva uma angústia e uma condição que a maioria das pessoas raramente experimenta em primeira mão; “mas pensar que o exílio é benéfico para essa literatura é banalizar suas mutilações, as perdas que inflige aos que as sofrem [...]. Para autores como James Joyce, Ezra Pound, Samuel Beckett ou Paul Bowles, o exílio sugere valores mais sedu- tores, vinculados a estados da consciência, capazes de confirmar qualidades do indivíduo cuja pureza só seria possível a partir de uma conquista solitária de um espaço próprio. Nietzsche, Joseph Conrad, T.S. Eliot, Nabokov, ou Theodor W. Adorno, porém, perten- cem a outra tradição de autores que vê o exílio como absoluta orfandade, fratura, trauma, solidão e silêncio. Nessa condição não existe nada glorioso, nem romântico: o exílio é nossa maldição, nossa vocação existencial e nossa natureza; é a representação de uma lei fundamental – a da impossibilidade de comunicação entre quem quer que seja. montAÑés, AmAnDA péRez. vozes Do exílio e suAs mAnifestAções nAs nARRAtivAs De Julio coRtázAR e mARtA tRAbA. tese De DoutoRADo. floRiAnópolis: univeRsiDADe feDeRAl De sAntA cAtARinA, 2006. p. 15-16. 2. (PUC) a) Sem reproduzir passagens do texto, explique por que, segundo Amanda Montañés, a palavra “moder- no” assume as conotações elencadas no texto. b) Observe: I. “Na realidade, todo exilado é um náufrago que luta por sobreviver num território estranho onde o deses- pero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes.” II. Na realidade, todo exilado tem sido um náufrago que luta por sobreviver num território estranho onde o de- sespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes. III. Na realidade, todo exilado seria um náufrago que luta por sobreviver num território estranho onde o de- sespero, a aniquilação e o silêncio se fazem presentes. COMENTE A dIfERENçA dE SENTIdO QUE SE ESTABElECE ENTRE AS fRASES ACIMA EM dECORRêNCIA dO TEMPO vERBAl EMPREgAdO. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO MÃE Mãe – que adormente este viver dorido. E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas até o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem – dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava, Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe! (AnteRo De quentAl. AntoloGiA, 1991) 3. (FGV) COM BASE NO POEMA, a) explique o que representa a mãe para o eu lírico, tendo em vista o que ele vive e o que desejaria viver. Justifique sua resposta com informações do texto; b) reescreva os versos “Eu dava o meu orgulho de ho- mem – dava / Minha estéril ciência, sem receio, / E em débil criancinha me tornava,”, substituindo os verbos “dar” e “tornar”, respectivamente, por “abster-se” e “converter-se”, conjugados em outro tempo verbal, adequado ao contexto. 4. (PUC) CIdAdE SEM CARROS é POSSívEl, gARANTE URBANISTA Metrópole projetada para até 3 milhões de pessoas seria movida por transporte público Imagine a vida em uma metrópole livre do barulho, da poluição e de todas as dificuldades de se mover por ruas dominadas por carros, ônibus e caminhões. Todas as necessidades básicas, de supermercados a farmácias, estariam a cinco minutos a pé da porta de sua casa. A viagem para o trabalho seria feita em um serviço de transporte público barato, rápido, seguro e confortável e duraria no máximo 35 minutos. Essa é parte da visão de futuro descrita pelo sociólogo e urbanista holandês J.H. Crawford em seu site “Carfree cities” (‘cidades livres de carros’ em inglês). A proposta de Crawford é simples, porém ousada: banir o uso de automóveis em áreas urbanas e (re)construir cidades em função disso. “As nações industrializadas cometeram um terrí- vel erro ao adotar o carro como principal meio de locomoção nos meios urbanos”, disse Crawford à “Ciência Hoje On-line”. “O automóvel trouxe para as cidades sérios problemas am- bientais, sociais e estéticos.” Crawford projetou uma cidade modelo sem carros, constituída por 100 bairros circulares, com ruas estreitas que se dirigem para a via central de transporte. Os bairros da cidade sem carros são dispostos na forma de um trevo de 6 folhas. Os bairros mais distantes do centro, não residen- ciais, são reservados para indústrias pesadas e estacionamentos. 59 Com base no contorno da cidade, o transporte principal seria o metrô, que teria apenas três linhas, cada uma com início em três das seis “folhas”, passagem pelo centro e final nas outras três. O metrô funcionaria 24 horas por dia, com intervalos de somente quatro minutos entre os trens. Dois pontos da cidade estariam assim separados por no máximo 35 minutos. Entre os bairros, as viagens de curta distância poderiam ser feitas a pé (durariam não mais que 10 minutos) ou de bicicleta (cinco minutos). No caso de emergências médicas, policiais e de incêndio, o uso de veículos poderia ser cogitado. O comércio e indústrias leves poderiam ser fixados em áreas re-sidenciais, como nas cidades convencionais, e as ruas deveriam estar sempre guardadas pela polícia. “Isso ajudaria a reduzir a ocorrência de crimes, pois quase todas as regiões da cidade estariam ocupadas durante todo o dia”, afirma Crawford. Pe- quenas praças na interseção da maioria das ruas, somadas a um ideal de 80% de áreas verdes em toda a cidade, criariam um clima de boa vizinhança. “Como as pessoas teriam mais contato umas com as outras, elas conversariam mais e deixa- riam o individualismo de lado”, diz o urbanista. texto ADAptADo De ciênciA hoJe on-line, 4/05/2004. a) Com base na leitura do texto, continue o período a seguir enumerando mais DUAS vantagens do projeto urbanístico de J. H. Crawford. Utilize a mesma estru- tura sintática do item já enumerado. O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, entre outras, as seguintes vantagens: facilitaria o deslocamento dos cidadãos entre os bairros... b) Considerando o teor do texto, justifique o predo- mínio do emprego de verbos no futuro do pretérito do indicativo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO BEM NO FUNDO no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela – silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas leminsKi, pAulo. DistRAíDos venceRemos. 3ª eD. são pAulo: bRAsiliense, 1990. O poema de Paulo Leminski estrutura-se em três momentos de significação, que podem ser assim caracterizados: hipótese (1ª estrofe); decreto (2ª e 3ª estrofes); conclusão reflexiva (4ª estrofe). 5. (UfRJ) NOMEIE O RECURSO fORMAl QUE EXPRESSA A HIPÓTESE NO PRIMEIRO MOMENTO dO TEXTO. E.O. UErJ ExAmE dE QUAliFiCAçãO TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O FUTURO ERA LINDO A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria comparti- lhado, bem como a música, o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A velocidade, estontean- te. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A criatividade, o único poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades iguais em qualquer lugar do planeta. Todos seriam empreendedores e inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. Censura, nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, qualquer sonho, poderia se tornar realidade. Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de computadores e celulares, com a obsoles- cência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quanti- dades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo lixo tóxico. Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão con- centrados em megaoperações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados Uni- dos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como os maiores espiões do mundo, humilhan- do potências como a Alemanha e também o Brasil, impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos em matéria de ética, política e em boas maneiras. Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos resultados numéricos fal- seados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo ele- trônico, inclusive de Estado. mARion stRecKeR ADAptADo De folhA De são pAulo, 29/07/2014. 1. (UERJ) O PRIMEIRO PARágRAfO EXPõE PROJEçõES PASSAdAS SOBRE POSSIBIlIdAdES dE UM fUTURO REgIdO PElA INTERNET. O RECURSO lINgUíSTICO QUE PERMITE IdENTIfICAR QUE SE TRATA dE PRO- JEçÃO E NÃO dE fATOS dO PASSAdO é O USO dA: a) forma verbal b) pontuação informal 60 c) adjetivação positiva d) estrutura coordenativa TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CANÇÃO DO VER Fomos rever o poste. O mesmo poste de quando a gente brincava de pique e de esconder. Agora ele estava tão verdinho! O corpo recoberto de limo e borboletas. Eu quis filmar o abandono do poste. O seu estar parado. O seu não ter voz. O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com as mãos. Penso que a natureza o adotara em árvore. Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos que um dia teriam cantado entre as suas folhas. Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos. Mas o mato era mudo. Agora o poste se inclina para o chão − como alguém que procurasse o chão para repouso. Tivemos saudades de nós. mAnoel De bARRos. poesiA completA. são pAulo: leyA, 2010. 1arrulos − canto ou gemido de rolas e pombas 2. (UERJ) A MEMÓRIA EXPRESSA PElO ENUNCIAdOR dO TEXTO NÃO PER- TENCE SOMENTE A ElE. Na construção do poema, essa ideia é reforçada pelo emprego de: a) tempo passado e presente b) linguagem visual e musical c) descrição objetiva e subjetiva d) primeira pessoa do singular e do plural TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A INVASÃO DOS BLABLABLÁS O planeta é dividido entre as pessoas que falam no cine- ma − e as que não falam. É uma divisão recente. Por dé- cadas, os falantes foram minoria. E uma minoria reprimida. Quando alguém abria a boca na sala escura, recebia logo um shhhhhhhhhhhhh. E voltava ao estado silencioso de onde nunca deveria ter saído. Todo pai ou mãe que honrava seu lugar de educador ensinava a seus filhos que o cinema era um lugar de reverência. Sentados na poltrona, as luzes se apaga- vam, uma música solene saía das caixas de som, as cortinas se abriam e um novo mundo começava. Sem sair do lugar, vivíamos outras vidas, viajávamos por lugares desconhecidos, chorávamos, ríamos, nos apaixonávamos. Sentados ao lado de desconhecidos, passávamos por todos os estados de alma de uma vida inteira sem trocar uma palavra. Comungávamos em silêncio do mesmo encantamento. (...) Percebi na sexta-feira que não ia ao cinema havia três meses. Não por falta de tempo, porque trabalhar muito não é uma no- vidade para mim. Mas porque fui expulsa do cinema. Devagar, aos poucos, mas expulsa. Pertenço, desde sempre, às fileiras dos silenciosos. Anos atrás, nem imaginava que pudesse haver outro comportamento além do silêncio absoluto no cinema. As- sim como não imagino alguém cochichando em qualquer lugar onde entramos com o compromisso de escutar. Não é uma questão de estilo, de gosto. Pertence ao campo do respeito, da ética. Cinema é a experiência da escuta de uma vida outra, que fala à nossa, mas nós não falamos uns com os outros. 1No cinema, só quem fala são os atores do filme. Nós calamos para que eles possam falar. Nossa vida cala para que outra fale. 2Isso era cinema. Agora mudou. É estarrecedor, mas os blablablás venceram. Tomaram conta das salas de cinema. E, sem nenhuma repressão, vão expulsando a todos que entram no cinema para assistir ao filme sem importunar ninguém. (...) eliAne bRum, in: RevistA épocA, 10/08/2009. 3. (UERJ) ISSO ERA CINEMA. (REf. 2) O verbo assume, nesta frase, o sentido específico de indicar um estado de coisas que durava. No entanto, ele assume o sentido específico de indicar uma mu- dança sem retorno na seguinte reescritura:a) Isso foi o cinema. b) Isso será o cinema. c) Isso tem sido o cinema. d) Isso teria sido o cinema. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO FUNÇÃO 1. Me deixaram sozinho no meio do circo 2. Ou era apenas um pátio uma janela uma rua uma esquina 3. Pequenino mundo sem rumo 4. Até que descobri que todos os meus gestos 5. Pendiam cada um das estrelas por longos fios invisíveis 6. E havia súbitas e lindas aparições como aquela das longas tranças 7. E todas imitavam tão bem a vida 8. Que por um momento se chegava a esquecer a sua cruel ino- cência de bonecas 9. E eu dizia depois coisas tão lindas 10. E tristes 11. Que não sabia como tinham ido parar na minha boca 12. E o mais triste não era que aquilo fosse apenas um jogo cambiante de reflexos 13. Porque afinal um belo pião dançante 14. Ou zunindo imóvel 15. Vive uma vida mais intensa do que a mão ignorada que o arremessou 16. E eu danço tu danças nós dançamos 17. Sempre dentro de um círculo implacável de luz 18. Sem saber quem nos olha atenta ou distraidamente do escuro... (quintAnA, máRio. AntoloGiA poéticA. Rio De JAneiRo: eDitoRA Do AutoR, 1966.) 4. (UERJ) dO INíCIO AO vERSO 12, O POEMA APRESENTA EXClUSIvA- MENTE fORMAS vERBAIS NO TEMPO PASSAdO. NO vERSO 15, PORéM, O POETA INTROdUz O TEMPO PRESENTE. 61 O vAlOR ESTIlíSTICO dESTA MOdIfICAçÃO dO TEMPO dO vERBO é: a) retratar o movimento rotativo do pião b) fazer uma reflexão de validade permanente c) produzir um contraste irônico entre o circo e a vida d) registrar um fato ocorrido no momento da narração 5. (UERJ) “OS AlIAdOS NÃO QUEREM ROMPER O NAMORO COM fHC - QUEREM é NAMORAR MAIS.” RevistA veJA, 18/08/1999. A comparação entre as palavras EM DESTAQUE acima demons- tra que o significado geral de “expressar ação” não é suficien- te para identificar o verbo como classe gramatical, já que o NAMORO consta do dicionário como “ato de namorar”. Para diferenciar o verbo do substantivo, por exemplo, seria neces- sário considerar, além do sentido de ação, a seguinte característi- cas que só os verbos possuem: a) terminação em “r” b) flexão de tempo, modo e pessoa c) presença indispensável à frase d) anteposição de um substantivo E.O. UErJ ExAmE disCUrsivO 1. (UERJ) vERSOS ESCRITOS N'ágUA Os poucos versos que aí vão, Em lugar de outros é que os ponho. Tu que me lês, deixo ao teu sonho Imaginar como serão. Neles porás tua tristeza Ou bem teu júbilo, e, talvez, Lhes acharás, tu que me lês, Alguma sombra de beleza... Quem os ouviu não os amou. Meus pobres versos comovidos! Por isso fiquem esquecidos Onde o mau vento os atirou. (bAnDeiRA, mAnuel. "poesiA completA e pRosA". Rio De JAneiRo: novA AGuilAR, 1993.) a) No poema, as etapas do processo de composição do texto são marcadas pelos tempos verbais – passa- do, presente e futuro. Identifique essas etapas, relacionando-as aos tempos verbais empregados. b) O eu poético sugere que o ato de composição do texto há de envolver, também, a participação do leitor. Aponte dois recursos de construção da linguagem que expressem essa sugestão do eu poético. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO DIÁLOGO DA RELATIVA GRANDEZA Sentado no monte de lenha, as pernas abertas, os cotovelos nos joelhos, Doril examinava um louva-deus pousado nas costas da mão. Ele queria que o bichinho voasse, ou pu- lasse, mas o bichinho estava muito à vontade, vai ver que dormindo – ou pensando? Doril tocava-o com a unha do dedo menor e ele nem nada, não dava confiança, parece que nem sentia; se Doril não visse o leve pulsar de 1fole do pescoço – e só olhando bem é que se via – 1ERA CAPAZ DE DIZER QUE O POBREZINHO ESTAVA morto, ou então que era um grilo de brinquedo, desses que as moças pregam no vestido para enfeitar. Entretido com o louva-deus, Doril não viu Diana chegar comendo um marmelo, fruta azeda enjoada que só serve para ranger os dentes. Ela parou perto do monte de lenha e ficou descascando o marmelo com os dentes mas sem jogar a casca fora, não queria perder nada. Quando ela já tinha comido um bom pedaço da parte de cima e nada de Doril ligar, ela cuspiu fora um pedaço de miolo com semente e falou: – Está direitinho um macaco em galho de pau. Doril olhou só com os olhos e revidou: – Macaco é quem fala. Está até comendo banana. – Marmelo é banana, besta? – Não é mas serve. Ficaram calados, cada um pensando por seu lado. Diana cuspiu mais um caroço. – Sabe aquele livro de história que o Mirto ganhou? – Que Mirto, seu. É Milllton. Mania! – Mas sabe? Eu vou ganhar um igual. Tia Jura vai mindar. – Não é mindar. É me-dar. Mas não é vantagem. – Não é vantagem? É muita vantagem. – Você já não leu o de Milton? – Li mas quero ter. Pra guardar e ler de novo. – Vantagem é ganhar outro. Diferente. – Deferente eu não quero. Pode não ser bom. – Como foi que você disse? Diz de novo? – Já disse uma vez, chega. – Você disse deferente. – Foi não. – Foi. Eu ouvi. – Foi não. – Foi. – Foi não. – Fooooi. 2CONTINUARIAM ATÉ UM SE CANSAR E TAPAR O OUVI- DO para ficar com a última palavra, se Diana não tivesse tido a habilidade de se retirar logo que percebeu a 2dízima. Com o pedacinho final do marmelo entre os dedos ela chegou-se mais perto do irmão e disse: – Gi! Matando louva-deus! Olhe o castigo! – Eu estou matando, estou? – Está 3judiando. Ele morre. – Eu estou judiando? – Amolar um bicho tão pequenininho é o mesmo que judiar. 62 Doril não disse mais nada, 3QUALQUER COISA QUE ELE DIS- SESSE ela aproveitaria para outra acusação. Era difícil tapar a boca de Diana, ô menina 4renitente. 5Ele preferiu continuar olhando o louva-deus. Soprou-o de leve, ele encolheu- -se e vergou o corpo para o lado do sopro, como faz uma pessoa na ventania. O louva-deus estava no meio de uma tempestade de vento, dessas que derrubam árvores e arrancam telhados e podem até levantar uma pessoa do chão. Doril era a força que manda- va a tempestade e que podia pará-la quando quisesse. Então ele era Deus? 4SERÁ QUE AS NOSSAS TEMPESTADES TAMBÉM SÃO BRINCADEIRA? Será que quem manda elas olha para nós como Doril estava olhando para o louva-deus? Será que somos pequenos para ele como um gafanhoto é pequeno para nós, ou menores ainda? De que tamanho, comparando – do de formiga? De piolho de galinha? Qual será o nosso tamanho mesmo, verda- deiro? José J. veiGA. A máquinA extRAviADA. Rio De JAneiRo: eDitoRA pRelo, 1968. 1fole − papo 2dízima − refere-se à dízima periódica, algo sem fim 3judiar − maltratar 4renitente − teimosa 2. (UERJ) 1. era capaz de dizer que o pobrezinho estava morto, 2. Continuariam até um se cansar e tapar o ouvido para ficar com a última palavra, 3. qualquer coisa que ele dissesse 4. Será que as nossas tempestades também são brincadeira? NESTAS QUATRO PASSAgENS, RETRATAM-SE SITUAçõES HIPOTéTICAS, APE- NAS IMAgINAdAS PElO NARRAdOR OU PElOS PERSONAgENS. CARACTERIzE A fORMA lINgUíSTICA USAdA EM CAdA UMA PARA EXPRIMIR SUPOSIçÃO EM lUgAR dE CERTEzA. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO INOCÊNCIA Depois das explicações dadas ao seu hóspede, sentiu-se o minei- ro mais despreocupado. — Então, disse ele, se quiser, vamos já ver a nossa doentinha. — Com muito gosto, concordou Cirino. E, saindo da sala, acompanhou Pereira, que o fez passar por duas cercas e rodear a casa toda, antes de tomar a porta do fundo, fronteira a magnífico laranjal, naquela ocasião todo pontuado das brancas e olorosas flores. 1— Neste lugar, disse o mineiro apontando para o pomar, todos os dias se juntam tamanhos bandos de graúnas, que é um baru- lho dos meus pecados. Nocência gosta muito disso e vem sempre coser debaixo do arvoredo. É uma menina esquisita... Parando no limiar da porta, continuou com expansão: 2— Nem o Sr. imagina... Às vezes, aquela criança tem lembranças e perguntas que me fazem embatucar... Aqui, havia um livro de horas da minha defunta avó... Pois não é que 3um belo dia ela me pediu que lhe ENSINASSE a ler? ... Que ideia! Ainda há pouco tempo me disse que quisera ter nascido princesa... Eu lhe retru- quei: E sabe você o que é ser princesa?Sei, me secundou ela com toda a clareza, é uma moça muito boa, muito bonita, que tem uma coroa de diamantes na cabeça, muitos lavrados no pescoço e que manda nos homens... Fiquei meio tonto. 4E se o Sr. VISSE os modos que tem com os bichinhos?! ... Parece que está falando com eles e que os entende... (...) Quando Cirino penetrou no quarto da filha do mineiro, era quase noite, de ma- neira que, no primeiro olhar que atirou ao redor de si, só pôde lobrigar, além de diversos trastes de formas antiquadas, uma dessas camas, muito em uso no interior; altas e largas, feitas de tiras de couro engradadas. (...) Mandara Pereira acender uma vela de sebo. Vinda a luz, aproxi- maram-se ambos do leito da enferma que, achegando ao corpo e puxando para debaixo do queixo uma coberta de algodão de Minas, se encolheu toda, e voltou-se para os que entravam. — Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez. — Boas noites, dona, saudou Cirino. Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava o pulso à doente. Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca. Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante. Do seu rosto, irradiava singela expressão de encantadora inge- nuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces. Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado. Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fas- cinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença. Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente. visconDe De tAunAy. inocênciA. são pAulo: áticA, 2011. graúna – pássaro de plumagem negra, canto melodioso e hábi- tos eminentemente sociais livro de horas – livro de preces secundou – respondeu lavrados – na província de Mato Grosso, colares de contas de ouro e adornos de ouro e prata lobrigar – enxergar escabelo – assento facultativo – médico 3. (UERJ) UM BElO dIA ElA ME PEdIU QUE lHE ENSINASSE A lER?... (REf. 3) E SE O SR. VISSE OS MOdOS QUE TEM COM OS BICHINHOS?! ... (REf. 4) 63 As formas verbais sublinhadas estão empregadas nos mesmos tempo e modo gramaticais, mas diferem pelo efeito de sentido que produzem. Identifique o tempo e modo gramaticais comuns a essas for- mas e aponte aquela em que não há expressão de tempo, e sim de uma hipótese. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Tempo: cada vez mais acelerado Pressa. Ansiedade. E a sensação de que nunca é possível fazer tudo — além da certeza de que sua vida está passando rá- pido demais. Essas são as principais consequências de viver- mos num mundo em que para tudo vale a regra do “quanto mais rápido, melhor”. “Para nós, ocidentais, o tempo é linear e nunca volta. Por isso queremos ter a sensação de que es- tamos tirando o máximo dele. E a única solução que encon- tramos é acelerá-lo”, afirma Carl Honoré. “É um equívoco. A resposta a esse dilema é qualidade, não quantidade.” Para James Gleick, Carl está lutando uma batalha invencível. “A aceleração é uma escolha que fizemos. Somos como crianças descendo uma ladeira de skate. Gostamos da brincadeira, quere- mos mais velocidade”, diz. O problema é que nem tudo ao nosso redor consegue atender à demanda. Os carros podem estar mais rápidos, mas as viagens demoram cada vez mais por culpa dos congestionamentos. Semáforos vermelhos continuam testando nossa paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão. 1Mais sorte têm os pedestres, que podem apertar o botão que aciona o sinal verde — uma ótima opção para despejar a ansiedade, mas com efeito muitas vezes nulo. Em Nova York, esses sistemas es- tão desligados desde a década de 1980. Mesmo assim, milhares de pessoas o utilizam diariamente. É um exemplo do que especialistas chamam de “botões de ace- leração”. Na teoria, deixam as coisas mais rápidas. Na prática, servem para ser apertados e só. Confesse: que raios fazemos com os dois segundos, no máximo, que economizamos ao acionar aquelas teclas que fecham a porta do elevador? E quem disse que apertá-las, duas, quatro, dez vezes, vai melhorar a eficiência? Elevadores, aliás, são ícones da pressa em tempos velozes. Os primeiros modelos se moviam a vinte centímetros por segundo. Hoje, o mais veloz sobe doze metros por segundo. E, mesmo acelerando, estão entre os maiores focos de impaciência. Enge- nheiros são obrigados a desenvolver sistemas para conter nossa irritação, como luzes ou alarmes cuja única função é aplacar a ansiedade da espera. Até onde isso vai? séRGio GweRcmAn. RevistA supeRinteRessAnte. são pAulo: AbRil. 4. (UERJ) O AUTOR dO TEXTO ABORdA UMA SITUAçÃO QUE dIz RESPEITO A TOdA A SOCIEdAdE, ENvOlvENdO TANTO ElE COMO O lEITOR. NOMEIE A MARCA lINgUíSTICA EMPREgAdA PARA INdICAR A INClUSÃO dO AUTOR E dOS SEUS lEITORES NA SITUAçÃO. EM SEgUIdA, TRANSCREvA UM TRECHO QUE EXEMPlIfIQUE SUA RESPOSTA. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A CIDADE Destinava-se a uma cidade maior, mas o trem permaneceu inde- finidamente na antepenúltima estação. Cariba acreditou que a demora poderia ser atribuída a algum 1comboio de carga descarrilado na linha, acidente comum na- quele trecho da ferrovia. Como se fizesse excessivo o atraso e ninguém o procurasse para lhe explicar o que estava ocorrendo, pensou numa provável desconsideração à sua pessoa, em virtu- de de ser o único passageiro do trem. Chamou o funcionário que examinara as passagens e quis saber se constituía motivo para tanta negligência o fato de ir vazia a composição. Não recebeu uma resposta direta do empregado da estrada, que se limitou a apontar o morro, onde se dispunham, sem simetria, dezenas de casinhas brancas. – Belas mulheres? – indagou o viajante. – Casas vazias. Percebeu logo que tinha pela frente um cretino. 2Apanhou as malas e se dispôs a subir as íngremes ladeiras que o conduziriam ao povoado. (...) Durante todo o percurso, desde as vias secundárias à avenida principal, os moradores do lugar observaram Cariba com des- confiança. Talvez estranhassem as 3valises de couro de camelo que carregava ou o seu paletó xadrez, as calças de veludo azul. Mesmo sendo o seu traje usual nas constantes viagens que fa- zia, achou prudente desfazer qualquer mal-entendido provocado pela sua presença entre eles: – Que cidade é esta? – perguntou, esforçando-se para dar às palavras o máximo de cordialidade. Nem chegou a indagar pelas mulheres, conforme pretendia. Pegaram-no com violência pelos braços e o foram levando, aos trancos, para a delegacia de polícia: – É o homem procurado – disseram ao delegado, um sargento 4espadaúdo e rude. (...) O sargento chegara a uma conclusão, entretanto divagava: – O telegrama da Chefia de Polícia não esclarece nada sobre a nacionalidade do delinquente, sua aparência, idade e quais os crimes que cometeu. Diz tratar-se de elemento altamente perigoso, identificável pelo mau hábito de fazer perguntas e que estaria hoje neste lugar. (...) 5Cinco meses após a sua detenção, ele não mais espera sair da cadeia. Das suas grades, observa os homens que passam na rua. Mal o encaram, amedrontados, apressam o passo. Pressente, às vezes, que irão perguntar qualquer coisa aos compa- nheiros e fica à espreita, ansioso que isso aconteça. Logo se desen- gana. Abrem a boca, arrependem-se, e se afastam rapidamente. Caminha, dentro da noite, de um lado para outro. E, ao avistar o guarda, cumprindo sua ronda noturna, a examinar se as celas estão em ordem, corre para as grades internas, impelido por uma débil esperança: – Alguém fez hoje algumapergunta? 64 – 6Não. Ainda é você a única pessoa que faz perguntas nesta cidade. muRilo Rubião. obRA completA. são pAulo: compAnhiA DAs letRAs, 2010. 1comboio – trem 3valise – mala de mão 4espadaúdo – de ombros largos 5. (UERJ) CINCO MESES APÓS A SUA dETENçÃO, ElE NÃO MAIS ESPE- RA SAIR dA CAdEIA. dAS SUAS gRAdES, OBSERVA OS HOMENS QUE PASSAM NA RUA. MAl O ENCARAM, AMEdRONTAdOS, APRES- SAM O PASSO. (REf. 5) A PARTIR dO PARágRAfO ACIMA, A NARRAçÃO PASSA A SER fEITA NO TEMPO E MOdO vERBAl dAS fORMAS dESTACAdAS. IdENTIfIQUE ESSE TEMPO E MOdO vERBAl E EXPlIQUE O EfEITO QUE SEU EM- PREgO PROdUz, CONSIdERANdO A SITUAçÃO EM QUE CARIBA SE ENCONTRA. E.O. ObJEtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO PARA RESPONdER à(S) QUESTÃO(õES), lEIA O POEMA dE CATUlO dA PAI- XÃO CEARENSE (1863-1946). O AZULÃO E OS TICO-TICOS Do começo ao fim do dia, um belo Azulão cantava, e o pomar que atento ouvia o seus trilos de harmonia, cada vez mais se enflorava. Se um tico-tico e outras aves vaiavam sua canção... mais doce ainda se ouvia a flauta desse Azulão. Um papagaio, surpreso de ver o grande desprezo, do Azulão, que os desprezava, um dia em que ele cantava e um bando de tico-ticos numa algazarra o vaiava, lhe perguntou: 1“Azulão, olha, dize-me a razão por que, quando estás cantando e recebes uma vaia desses garotos joviais, tu continuas gorgeando e cada vez canta mais?!” Numas volatas sonoras, o Azulão lhe respondeu: “Caro Amigo! Eu prezo muito esta garganta sublime e esta voz maravilhosa... este dom que Deus me deu! Quando, há pouco, eu descantava, pensando não ser ouvido nestes matos por ninguém, 2um Sabiá*, que me escutava, num capoeirão, escondido, gritou de lá: — meu colega, bravos! Bravos... muito bem! Pergunto agora a você: quem foi um dia aplaudido pelo príncipe dos cantos de celestes harmonias, (irmão de Gonçalves Dias, um dos cantores mais ricos...) — que caso pode fazer das vaias dos tico-ticos?” * notA Do eDitoR: simbolicAmente, Rui bARbosA está RepResentADo neste sAbiá, pois foi A “áGuiA De hAiA” um Dos mAioRes ADmiRADoRes De cAtulo e pRefAciADoR Do seu livRo poemAs bRAvios. poemAs escolhiDos, s/D. 1. (UNESP) NA fAlA dO PAPAgAIO, NA REfERêNCIA 1, UMA dAS fORMAS vERBAIS NÃO APRESENTA, COMO dEvERIA, flEXÃO CORRESPONdENTE à MESMA PESSOA gRAMATICAl dAS dEMAIS. TRATA-SE dE a) continuas. b) dize. c) canta. d) recebes. e) estás. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A(S) QUESTÃO(õES) A SEgUIR fOCAlIzA(M) UMA PASSAgEM dO ROMANCE ágUA-MÃE, dE JOSé lINS dO REgO (1901-1957). ÁGUA-MÃE Jogava com toda a alma, não podia compreender como um jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola nos pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele back, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o moto- rista lhe dizia sempre: — Joca, você aqui não paga. Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham logo me- ninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No clube ti- nha amigos. Havia porém o antigo center-forward que se sentiu roubado com a sua chegada. Não tinha razão. Ele fora chama- do. Não se oferecera. E o homem se enfureceu com Joca. Era um jogador de fama, que fora grande nos campos da Europa e por isso pouco ligava aos que não tinham o seu cartaz. A entrada de Joca, o sucesso rápido, a maravilha de agilidade e de oportunismo, que caracterizava o jogo do novato, irritava-o até ao ódio. No dia em que tivera que ceder a posição, a um 65 menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Viram-no chorando, e por isso concentrou em Joca toda a sua raiva. No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha sido a sua admiração, o seu herói. 1 Beque, ou seja, o zagueiro de hoje. 2 Centroavante. AlencAR, José De. áGuA mãe. 1974. 2. (UNESP) NO PRIMEIRO PARágRAfO, PREdOMINAM vERBOS EMPREgA- dOS NO a) pretérito perfeito do modo indicativo. b) pretérito imperfeito do modo indicativo. c) presente do modo indicativo. d) presente do modo subjuntivo. e) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO RECEITA DE MULHER As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de [haute couture* Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, [como na República Popular Chinesa). Não há meio-termo possível. É preciso Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas [pousada e que um rosto Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no [terceiro minuto da aurora. vinicius De moRAes. *“haute couture”: alta costura. 3. (fUvEST) TENdO EM vISTA O CONTEXTO, O MOdO vERBAl PREdOMI- NANTE NO EXCERTO E A RAzÃO dESSE USO SÃO: a) indicativo; expressar verdades universais. b) imperativo; traduzir ordens ou exortações. c) subjuntivo; indicar vontade ou desejo. d) indicativo; relacionar ações habituais. e) subjuntivo; sugerir condições hipotéticas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO AS QUESTõES A SEgUIR TOMAM POR BASE UMA PASSAgEM dO ROMANCE REgIONAlISTA vIdAS SECAS, dE gRACIlIANO RAMOS (1892-1953). CONTAS Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro ou assinar a orelha de um cabrito. Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco. Tran- sigindo com outro, não seria roubado tão descaradamente. Mas receava ser expulso da fazenda. E rendia-se. Aceitava o cobre e ouvia conselhos. Era bom pensar no futuro, criar juízo. Ficava de boca aberta, vermelho, o pescoço inchando. De repende estourava: – Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver sem comer. Quem é do chão não se trepa. Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia. Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinhá Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminui- ções. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explica- ção habitual: a diferença era proveniente de juros. Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim se- nhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida in- teira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria! O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que, o vaquei- ro fosse procurar serviço noutra fazenda. Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa.Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser ignorância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra. (GRAciliAno RAmos. viDAs secAs. são pAulo: livRARiA mARtins eDitoRA, 1974.) 4. (UNESP) NO fRAgMENTO APRESENTAdO, dE vIdAS SECAS, AS fOR- MAS vERBAIS MAIS fREQUENTES SE ENQUAdRAM EM dOIS TEMPOS dO MOdO INdICATIvO. MARQUE A AlTERNATIvA QUE INdICA, PElA ORdEM, O TEMPO vERBAl PREdOMINANTE NO SEgUNdO PARágRAfO E O QUE PREdOMINA NO QUINTO PARágRAfO. a) pretérito perfeito – pretérito imperfeito. b) presente – pretérito imperfeito. c) presente – pretérito perfeito. 66 d) futuro do pretérito – presente. e) pretérito imperfeito – pretérito perfeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO [Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, al- guém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou se- manas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer da- quela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansaço o fazia parar. A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas se- caram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava. Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele ho- mem de colete cinzento que fumava um charuto. JoRGe AmADo. cApitães DA AReiA. 5. (UNIfESP) O zIgUE-zAgUE TEMPORAl lIgAdO à vIdA dE SEM-PER- NAS, EMPREgAdO NO fRAgMENTO PARA A COMPOSIçÃO dA PERSONA- gEM, é CONSTRUídO dE MANEIRA MUITO PRECISA, POR MEIO dA UTIlIzA- çÃO AlTERNAdA dE dIvERSOS TEMPOS vERBAIS. INdIQUE A AlTERNATIvA EM QUE Há, RESPECTIvAMENTE, UM TEMPO vERBAl QUE EXPRESSA fATOS OCORRIdOS NUM TEMPO ANTERIOR A OUTROS fATOS dO PASSAdO E UM TEMPO vERBAl USAdO PARA MARCAR O CARáTER HIPOTéTICO dE CERTAS AçõES OU O dESEJO dE QUE SE REAlIzASSEM. a) VIVERA na casa de um padeiro (...) – uma mão que o ACARINHASSE (...) b) Em cada canto ESTAVA um com uma borracha comprida. – SOFREU fome. c) Nunca TIVERA família. – A perna coxa se RECUSA- VA a ajudá-lo. d) A princípio CHOROU muito (...) – Mas de dentro dele nunca DESAPARECEU a dor daquela hora. e) Ele quer um carinho (...) – Um dia LEVARAM-NO preso. E.O. dissErtAtivAs (UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO EXAMINE ESTE ANúNCIO dE UMA INSTITUIçÃO fINANCEIRA, CUJO NOME fOI SUBSTITUídO POR X, PARA RESPONdER àS QUESTõES A SEgUIR. 1. (fUvEST) COM BASE NA PARTE ESCRITA dO ANúNCIO, RESPONdA. a) Qual é a relação temporal que se estabelece entre os verbos “conhecer”, “oferecer”, “proporcionar” e “alcançar”? Explique. b) Complete a frase abaixo, flexionando de forma adequa- da os verbos “oferecer”, “proporcionar” e “alcançar”. Conhecer profundamente os negócios de nossos clien- tes é só o primeiro passo que permite que __________ sempre respostas mais rápidas, __________ decisões mais assertivas e __________ melhores resultados. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO lEIA O POEMA dE MANUEl BANdEIRA (1886-1968) PARA RESPONdER à(S) QUESTÃO(õES) A SEgUIR. POEMA SÓ PARA JAIME OVALLE1 Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia. Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite. Então me levantei, Bebi o café que eu mesmo preparei, Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando... – Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei. bAnDeiRA, mAnuel. estRelA DA viDA inteiRA, 1993. 1Jaime Ovalle (1894-1955): compositor e instrumentista. Aproxi- mou-se do meio intelectual carioca e se tornou amigo íntimo de Villa-Lobos, Di Cavalcanti, Sérgio Buarque de Hollanda e Manuel Bandeira. Sua música mais famosa é “Azulão”, em parceria com o poeta Manuel Bandeira. (Dicionário Cravo Albin da música po- pular brasileira) 2. (UNESP) NO POEMA, BANdEIRA EXPlORA UMA ESPéCIE dE CON- TRASTE ENTRE OS TEMPOS vERBAIS “PRETéRITO PERfEITO” E “PRETéRITO 67 IMPERfEITO”. dOS PONTOS dE vISTA SINTáTICO E SEMâNTICO, QUE PA- dRÃO POdE SER PERCEBIdO NO EMPREgO dESSES dOIS TEMPOS vERBAIS? 3. (UNICAMP) ENCONTRA-SE, A SEgUIR, A TRANSCRIçÃO dE PARTE dE UMA TRANSMISSÃO dE JOgO dE fUTEBOl, TRECHO dE UMA CANçÃO E UMA MANCHETE dE NOTíCIA. TEXTO I Na marca de 36 minutos do primeiro tempo do jogo, pode abrir o marcador o time da Itapirense. A Esportiva precisa da vitória. Tomando posição o camisa 9 Juary. É a batida de penalidade máxima. Faz festa a torcida. Fica no centro do gol o goleiro Cléber. Partiu Juary com a bola para a esquerda, tocou, é gol. Gol da Esportiva! E o Mogi Mirim tem posse de bola agora, escanteio pela direita. 39 minutos, Juan na cobrança do es- canteio para o Mogi Mirim, chutou, cruzou, cabeceia Anderson Conceição e é gol. Foi aos 39 minutos do primeiro tempo, Juan pra cobrança do lado direito, subiu, desviou de cabeça o zagueiro Anderson Conceição, bola pro fundo da rede do goleiro Brás da Itapirense. Cutucou pro fundo da rede Anderson Conceição, camisa 4. tRAnscRição ADAptADA De tRecho DA tRAnsmissão DA pARtiDA entRe moGi miRim espoRte clube e itApiRense em 04/10/2008. TEXTO II Cotidiano (Chico Buarque) Todo dia ela faz Tudo sempre igual Me sacode Às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca De hortelã (...) TEXTO III Presidente visita amanhã a Estação Antártica impRensA nAcionAl, em www.in.Gov.bR, 15/02/2008. a) Nos três textos ocorrem verbos no tempo presente. En- tretanto, seu uso descreve as ações de formas diferentes. Compare o uso do presente nos textos 1 e 2, e mostre a diferença. Faça o mesmo com os textos 2 e 3. Explique. b) O encadeamento narrativo do texto 1 é construído pela alternância entre verbos no presente e no pas- sado. Justifique a presença exclusiva do passado no último parágrafo, considerando que se trata de uma transmissão de jogo de futebol. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS SERTÕES A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A pru- mo sobre o Atlântico desdobra-se como a cortina de baluarte desmedido. De encontro às suas escarpas embatia, fragílima, a ânsia guerreira dos Cavendish e dos Fenton. No alto, volvendo o olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em se- gurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópole. Transposta a montanha – arqueada como a precinta de pedra de um conti- nente – era um isolador étnico e um isolador histórico. Anulava o apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzia-o a estreita faixa de mangues e restingas, ante a qual se amorteciam todas as cobiças, e alteava, sobranceira às frotas, intangível no recesso das matas, a atração misteriosa das minas... Ainda mais – o seu relevo especial torna-a um condensador de primeira ordem, no precipitar a evaporação oceânica. Os rios que se derivam pelas suas vertentes nascem de algum modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. En- tranham-se no interior, correndo em cheio para os sertões.Dão ao forasteiro a sugestão irresistível das entradas. A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o pelo aspecto formosíssimo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, na correnteza dos rios. Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, diretriz preponderante nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, no Amazonas, e em todos os cursos d’água da borda oriental, o acesso para o interior seguia ao arrepio das correntes, ou emba- tia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, ele levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande e daí ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, em Goi- ás, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso, no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resistência, que definem os lineamentos mais claros da expansão colonial, não se opunham, como ao norte, renteando o passo às bandeiras, a es- terilidade da terra, a barreira intangível dos descampados brutos. Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dous pontos do país, sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XVII. Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernambuco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se tra- vavam recontros memoráveis em que, solidárias, enterreiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, absolu- tamente alheio àquela agitação, revelava, na rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de mestiços levantadiços, expandindo outras tendências, norteado por outros destinos, pisando, resoluto, em demanda de outros rumos, bulas e alvarás entibiadores. Volvia-se em luta aberta com a corte portuguesa, numa reação tenaz contra os jesuítas. Estes, olvidando o holandês e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz Taño a Roma, apontavam-no como inimigo mais sério. De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava o drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portugal veio alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congregando de novo os combatentes exaustos, os sulistas frisaram ainda mais esta sepa- ração de destinos, aproveitando-se do mesmo fato para estadearem a autonomia franca, no reinado de um minuto de Amador Bueno. Não temos contraste maior na nossa história. Está nele a sua fei- ção verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbramos nas cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da conquista das almas, eufemismo casuístico disfarçando o monopólio do braço indígena. (eucliDes DA cunhA. os seRtões. eDição cRíticA De wAlnice noGueiRA GAlvão. 2 eD. são pAulo: eDitoRA áticA, 2001, p. 81-82.) 4. (UNESP) O ESCRITOR SE SERvE, NO fRAgMENTO APRESENTAdO, dA AlTERNâNCIA dE dOIS TEMPOS vERBAIS, CONfORME QUEIRA dIfERENçAR 68 ASPECTOS PROPRIAMENTE fíSICOS, dESCRITIvOS, dE ASPECTOS dE ORdEM NARRATIvA OU HISTÓRICA. RElEIA O PRIMEIRO PARágRAfO dO fRAgMENTO E IdENTIfIQUE OS dOIS TEMPOS vERBAIS QUE O ESCRITOR UTIlIzA COM ESSA fINAlIdAdE. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A(s) questão(ões) tomam por base um trecho da conferência “Sobre algumas lendas do Brasil”, de Olavo Bilac (1865-1918), e um soneto do mesmo autor, utilizado por ele para ilustrar seus argumentos. Sendo cada homem todo o universo, tem dentro de si todos os deuses, todas as potestades superiores e inferiores que diri- gem o universo. (Tudo, se existe objetivamente, é porque existe subjetivamente; tudo existe em nós, porque tudo é criado e alimentado por nós). E esta consideração nos leva ao assunto e à explanação do meu tema. Existem em nós todas as entidades fantásticas, que, segundo a crença popular, enchem a nossa terra: são sentimentos humanos, que, saindo de cada um de nós, personalizam-se, e começam a viver na vida exterior, como mitos da comunhão. Tupã, demiurgo criador, e o seu Anhangá, demiurgo destruidor. É o eterno dualismo, governando todas as fases religiosas, toda a história mitológica da humanidade. Já entre os persas e os iranianos, na religião de Zoroastro, havia um deus de bondade, Ormuz, e um deus de maldade, Ahriman. A religião de Manés, na Babilônia, não criou a ideia do dualismo; acentuou-a, pre- cisou-a; a base da religião dos maniqueus era a oposição e o contraste da luz e da treva: o mundo visível, segundo eles, era o resultado da mistura desses dois elementos eternamente inimi- gos. Mas em todos os grandes povos, e em todas as pequenas tribos, sempre houve, em todos os tempos, a concepção desse conflito: e esse conflito perdura no catolicismo, fixado na con- cepção de Deus e do Diabo. Os nossos índios sempre tiveram seu Tupã e o seu Anhangá... Ora, o selvagem das margens do Amazonas, do São Francisco e do Paraná compreende os dois demiurgos, porque os sente dentro de si mesmo. E nós, os ci- vilizados do litoral, compreendemos e contemos em nós esses dois princípios antagônicos, Deus e o Diabo. Cada um de vós tem uma arena íntima em que a todo o instante combatem um gênio do bem e um gênio do mal: Não és bom, nem és mau: és triste e humano... Vives ansiando em maldições e preces, Como se, a arder, no coração tivesses O tumulto e o clamor de um largo oceano. Pobre, no bem como no mal, padeces; E, rolando num vórtice vesano*, Oscilas entre a crença e o desengano, Entre esperanças e desinteresses. Capaz de horrores e de ações sublimes, Não ficas das virtudes satisfeito, Nem te arrependes, infeliz, dos crimes: E, no perpétuo ideal que te devora, Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora... * Vesano: louco, demente, delirante, insensato. (últimAs confeRênciAs e DiscuRsos, 1927.) 5. (UNESP) E NÓS, OS CIvIlIzAdOS dO lITORAl, COMPREENdEMOS E CONTEMOS EM NÓS ESSES dOIS PRINCíPIOS [...]. QUAl A fORMA INfINITIvA dO vERBO dESTACAdO E EM QUE TEMPO E MOdO ESTá flEXIONAdO? gAbAritO E.O. Aprendizagem 1. D 2. C 3. C 4. B 5. B 6. D 7. E 8. C 9. C 10. B E.O. Fixação 1. E 2. C 3. E 4. E 5. C 6. D 7. C 8. E 9. A E.O. Complementar 1. A 2. C 3. C 4. C 5. C E.O. Dissertativo 1. Há vários tipos de exemplos de interlocução no poema. Um deles é o uso de vocativos para fazer um chamado ao interlo- cutor, como “meu amor” no verso “amo-te tanto, meu amor...”. Outro é o uso de pronomes na segunda pessoa do singular “tu”, tais como “te” no trecho “Amo-te tanto”, ou como “teu” no trecho “teu corpo”. Há ainda o uso de verbo no imperativo da segunda pessoa do singular, como em “não cante”. 2. a) Segundo Amanda Montañés, a palavra “moderno” pos- sui os significados apresentados, pois se relaciona a grupos de artistas e intelectuais que, exilados, ampliam a reflexão sobre aspectos históricos e sociais. Consequentemente, são expostos sentimentos e opiniões norteados pelo conceito de não pertencimento, o que ganha força no contexto de inter- câmbio cultural vivido. b) Em [I], o verbo está conjugado no Presente do Indicativo e seu emprego relaciona-se a afirmações atemporais. Em [II], o verbo está conjugado no Pretérito Perfeito Composto do Indicativo, in- dicando que a ação tem efeito regular e durativo, estendendo-se do passado ao presente. Finalmente, em [III], o verbo está conju- gado no Futuro do Pretérito do Indicativo, indicando uma ação possível, uma hipótese. 3. a) A mãe representa proteção para o eu lírico, conforme ele expressa em “Que me leve consigo, adormecido, / Ao passar pelo sítio mais sombrio...”, assim como alívio: “Me banhe e lave a alma lá no rio / Da clara luz do seu olhar querido...”. Tal pedido decorre de um momento de dificuldades vivido pelo eu lírico, uma vez que o primeiro verso do poema, “Mãe – que adormente este viver dorido.” expõe tal situação de forma direta e pontual. Seu desejo, no entanto, seria outro viver, isento depreocupações próprias à vida adulta, uma vez que gostaria de 69 se tornar uma “débil criancinha” (…) “Descuidada, feliz, dócil também / Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, / Se tu fosses, querida, a minha mãe!” b) “Eu me absteria do meu orgulho de homem – abster-me-ia de mi- nha estéril ciência, sem receio, e em débil criancinha me converteria”. 4. a) O projeto urbanístico de J. H. Crawford teria, entre outras, as seguintes vantagens: facilitaria o deslocamentodos cidadãos entre os bairros, reduziria os níveis de poluição e tornaria mais seguro o ambiente urbano. b) Uma das funções características do futuro do pretérito do in- dicativo é a expressão de suposições e situações hipotéticas. É, portanto, natural e plenamente justificável que tal tempo verbal prevaleça no Texto 1, uma vez que se trata ali da apresentação de um projeto de cidade, de suposições sobre o que acontece- ria na hipótese de tal projeto ser efetivamente realizado. 5. O recurso formal que expressa a hipótese é o futuro do preté- rito (“gostaria”). E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. A 2. D 3. A 4. B 5. B E.O. UERJ Exame Discursivo 1. a) Os verbos no passado (Ouviu/amou/atirou) mostram a eta- pa que não desperta emoção; os verbos no presente (Vão /é / lês/deixo) mostram a etapa do oferecimento de novos versos; os verbos no futuro (Porás/acharás) mostram a etapa em que o leitor se envolverá na própria construção do texto. b) Emprego da segunda pessoa gramatical. Emprego repetido de: "tu que me lês". 2. A expressão era capaz exprime dúvida. Enquanto o verbo no futuro do pretérito mais a preposição: continuariam até... expri- mem uma suposição por parte do narrador. A expressão qualquer coisa mais verbo no presente do subjuntivo: que ele dissesse... exprimem uma situação de dúvida e de incerteza, juntamente com o verbo será no exemplo logo abaixo: Será que as nossas tempestades também são brincadeira? Logo, pode-se concluir que os recursos utilizados pelo narra- dor para indicar hipóteses estão indicados, sobretudo pelos tempos verbais. 3. Os termos verbais “ensinasse” e “visse” apresentam-se conju- gados no pretérito imperfeito do subjuntivo, mas apenas o último expressa hipótese. 4. A marca linguística que indica a inclusão do autor e dos seus leitores na situação é o uso de termos verbais na primeira pes- soa do plural e dos pronomes “nos” e “nosso(a)”: “Essas são as principais consequências de vivermos num mundo”; “ O problema é que nem tudo ao nosso redor consegue atender à demanda”; “Semáforos vermelhos continuam testando nossa paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão”; “que raios fazemos com os dois segundos, no máximo, que economizamos ao acionar aquelas teclas que fecham a porta do elevador?”; “ para conter nossa irritação”. Também o imperativo do termo verbal “Confesse” sugere igualmente a inclusão do autor e dos leitores na situação. 5. Presente do indicativo. Efeito: o emprego dos verbos no presente do indicativo traz para a narrativa a ideia de permanência, em consonância com o fato de Cariba continuar preso sem nenhuma perspectiva de mudança. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. B 3. C 4. E 5. A E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) A sequência dos verbos “conhecer”, “oferecer”, “pro- porcionar” e “alcançar” estabelecem uma relação temporal de continuidade e progressão. Em primeiro lugar, é necessário conhecer a atividade do cliente, para depois oferecer propostas que venham a proporcionar resultados positivos e correspon- dam aos objetivos positivos do negócio. b) Os verbos mencionados devem ser conjugados no modo subjuntivo, na primeira pessoa do plural: Conhecer profunda- mente os negócios de nossos clientes é só o primeiro passo que permite que ofereçamos sempre respostas mais rápidas, proporcionemos decisões mais assertivas e alcancemos melho- res resultados. 2. O emprego desses dois tempos verbais obedece a uma dis- tinção entre o eu lírico e os aspectos externos. Assim, verbos no pretérito perfeito (como “acordei”, “levantei”, “bebi”, “deitei”, “acendi” e “amei”) se relacionam com o sujeito (“eu”); ao passo que os verbos no pretérito imperfeito (por exemplo, “chovia” e “fazia”) se conectam a fatores do mundo exterior. 3. a) No texto 1, o uso do tempo presente indica o momento da fala e, no texto 2, ações habituais. No texto 3, é usado para indicar ação que se realizará no futuro. b) No último parágrafo, o uso do pretérito perfeito justifica-se porque, nesse momento, o locutor está repetindo a narrativa, ou seja, retomando um fato ocorrido. 4. Referindo-se a aspectos físicos, o enunciador usa o presente do indicativo, como, por exemplo: “A Serra do Mar TEM um no- tável perfil...” e “A prumo sobre o Atlântico DESDOBRA-SE como a cortina...” Quando se refere a aspectos de ordem histórica, o autor empre- ga o pretérito imperfeito do indicativo, tal como se nota em: “De encontro às suas escarpas EMBATIA, fragílima, a ânsia guerrei- ra...” e “...o forasteiro SENTIA-SE em segurança.” 5. O termo verbal “contemos” pertence ao verbo “conter” e está flexionado na primeira pessoa do plural do tempo presente (ex- pressa o momento da enunciação) do modo indicativo (apresen- ta a ação como um fato real). 70 CÓDIGOS HIERÁRQUICOS Os códigos a seguir foram elaborados para ajudar o aluno a identificar os temas dos exercícios realizados, ajudando-o a mapear seus pontos fortes e seus pontos fracos. As numerações aqui dispostas, portanto, possuem correspondências didáticas no seu material teórico. E.O. APRENDIZAGEM exercícios códigos 1 1.5 2 1.4 3 1.5 4 1.5 5 1.5 6 1.5 7 1.5 8 1.5 9 1.5 10 1.5 E.O. FIXAÇÃO exercícios códigos 1 1.5 2 1.5 3 1.5 4 1.5 5 1.5 6 1.4 e 1.5 7 1.5 8 1.5 9 1.5 E.O. COMPLEMENTAR exercícios códigos 1 1.5 2 1.5 3 1.5 4 1.5 5 1.5 E.O. DISSERTATIVO exercícios códigos 1 1 2 1.5 3 1.5 4 1.5 5 1.5 E.O. UERJ EXAME DE QUALIFICAÇÃO exercícios códigos 1 1.5 2 1.5 3 1.5 4 1.5 5 1.2 E.O. UERJ EXAME DISCURSIVO exercícios códigos 1 1.5 2 1.5 3 1.5.2 4 1 5 1.5 E.O. OBJETIVAS (UNESP, FUVES, UNICAMP E UNIFESP) exercícios códigos 1 1 e 1.2 2 1.5 3 1.3 e 1.5 4 1.5 5 1.5 E.O. DISSERTATIVAS (UNESP, FUVES, UNICAMP E UNIFESP) exercícios códigos 1 1.5 2 1.5 3 1.3 e 1.5 4 1.5 5 1.3 e 1.5 71 verbos: modo imperativo e vozes verbais CompetênCias: 1 e 8 Habilidades: 1, 2, 3 e 27 AULAS 7 e 8 E.O. AprEndizAgEm TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O MONSTRO DA PROCRASTINAÇÃO penélope sAlles bloG posGRADuAnDo.com Assim como eu, você tem um monte de coisas para fazer: tex- tos para ler, um artigo para escrever, e-mails importantes para responder, casa para limpar (porque a vida não está fácil para ninguém)? E nessa hora o que você sente é aquela vontade de conferir a última novidade do Facebook? Ou de ver um vídeo no YouTube, passar aquela fase do Candy Crash ou ainda tirar aquela soneca boa no meio da tarde? Quem nunca? Infelizmente a perfeita consciência disso não faz as coisas acon- tecerem como num passe de mágica. É preciso muito mais que força de vontade para deixar o monstro peludo da procrastina- ção de lado e fazer aquilo que realmente é necessário. Vou falar de cinco estratégias que tenho adotado e que têm me ajudado nesta batalha diária contra este monstro terrível: 1. Listas Faça uma lista de tudo o que precisa ser feito no dia e selecione aquelas que são prioritárias. Não se esqueça de listar até mesmo aquelas atividades consideradas mais “chatas”, mas que são im- portantes. Eu sei que muita gente já faz isso, mas a necessidade de planejar o dia a dia só surgiu quando eu percebi que não ti- nha tempo suficiente para fazer tudo o que precisava. Este hábito facilita e muito a minha vida, já que tenho que me dividir entre o mestrado, a monitoria, o cuidado com a casa, família. Costumo toda noite, antes de ir dormir, fazer uma lista de tarefas para o dia seguinte na minha agenda. Você podeusar o bloco de notas no celular, o Evernote no computador ou a ferramenta que melhor se adeque à sua rotina. Com a lista de atividades em mãos, fica mais fácil visualizar o que precisa ser feito. Se não sabemos exatamente o que fazer, vamos deixar para mais tarde e aí a procrastinação vai tomar conta. 2. Objetivos claros É claro que sem força de vontade não fazemos nada nessa vida, mas para agirmos precisamos ter claro quais são os nossos objetivos. Por que é importante fazer o fichamento do texto X? É impor- tante porque vou utilizá-lo para a produção do meu artigo. Por que ler o livro Y? Porque ele será discutido na próxima aula. E assim por diante. Dessa forma, até mesmo as tarefas mais simples e corriqueiras acabam sendo ressignificadas e a partir daí não serão mais ignoradas. 3. Prazos pré-estabelecidos Ao sabermos a data de uma prova, nos descabelamos e co- meçamos a estudar desesperados, não é mesmo? Nada como uma boa pressão para nos mexermos rapidinho. Então, é preciso estabelecer prazos para as tarefas a serem realizadas e depois determinação para cumpri-los. Você tem que ler um texto X para a aula? Defina um prazo para realizá-lo. Precisa escrever um artigo? Estabeleça uma data para terminá-lo. Você precisa preparar uma apresen- tação para um seminário? Determine o dia que precisará concluí-lo. E por fim, cumpra os prazos e você se sentirá feliz por ter conseguido vencer mais uma batalha contra este monstro. 4. Fuja das Distrações Você já percebeu que é só iniciar uma tarefa importante, como escrever o projeto do mestrado, terminar a leitura de um livro, estudar para a prova, que tudo ao redor acaba distraindo a nos- sa atenção? Uma hora é o Facebook, outra é Whatsapp, SMS, e-mails, TV e assim por diante. E essas pequenas distrações consomem tanto do nosso tempo que no final acabamos não fazendo nada do que nos propomos a realizar. Largue tudo, que isso não te pertence mais. Pelo menos nos horários que você estabeleceu para cumprir as suas tarefas. Eu mesma tenho que aplicar a Técnica Pomodoro para conse- guir me concentrar de verdade. Essa técnica é bem simples: você coloca um despertador (eu coloco o timer da cozinha ou então, o despertador do celular) para tocar em 25 minutos. Enquanto isso você realiza uma tarefa e não faz outra coisa neste tempo. Se lembrar de algo, anote num papel, mas depois continue sua tarefa até terminar o tempo. Depois dos 25 minutos, descanse 5 e faça as coisas que estavam pendentes. Você verá uma grande diferença na sua rotina. Pronto! Você perceberá que priorizar uma tarefa só é melhor do que tentar realizar várias ao mesmo tempo e não conseguir concluir nenhuma. 5. Recompensa Apesar de soar um pouco estranho, a recompensa é a motiva- ção para muitas pessoas cumprirem as tarefas necessárias. Seria mais ou menos o seguinte: você se propõe a fazer determinada atividade e, como forma de realizá-la, promete a si mesmo uma recompensa no final. Embora nem todo mundo concorde com ela, acho que é uma estratégia para nos motivarmos a realizar as tarefas mais difíceis ou mais “chatas”. Espero que estas dicas ajudem vocês a evitar a procrastinação. fonte: posGRADuAnDo.com/bloG/pRocRAstinAcAo 72 1. (UfJf) NO TEXTO, ENCONTRAMOS vERBOS CONJUgAdOS NO MOdO IMPERATIvO, COMO “fAçA” E “fUJA”. A AUTORA USOU ESSE TEMPO vER- BAl PARA EXPRESSAR: a) ordem. b) pedido. c) súplica. d) conselho. e) crítica. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO EMBARQUE IMEdIATO Não basta passar pelos dias. Viva a partir de agora, com emoção poR máRciA De lucA Neste mundo de turbulências em que estamos vivendo, muitas vezes nos sentimos deprimidos. Em certos momentos, parece que tudo está perdido, não é mesmo? Achamos que tudo está dife- rente, que as pessoas estão ruins. Mas aqui e agora, tome uma atitude firme em sua vida. Mude seu jeito negativo de ser, evitando que sua vida seja insignificante. Perdoe erros que você considerava imperdoáveis, troque as pessoas insubstituíveis por gente mais leve e solta. O apego aos outros está obsoleto. Nada nem ninguém é insubstituível. Aceite a decepção que outros lhe causaram para que você também seja aceito. Sim, porque todos, inclusive nós, já de- cepcionamos alguém. Antes de reagir por impulso, pare, respire fundo. E, só então, aja, com equilíbrio. Ame profundamente, dê risadas gostosas, abrace, proteja pessoas queridas, faça amigos. Pule de felicidade e não tenha medo de quebrar a cara – se isso acontecer, encare com leveza. Se perder alguém nesta vida, sofra comedidamente – e vá em frente, pois tudo passa. Mas, sobretudo, não seja alguém que simplesmente passa pela vida. Viva intensamente. Abrace o mundo com a devida paixão que ele merece. Se perder, faça-o com classe, se vencer, que de- lícia! O mundo pertence a quem se atreve a ser feliz. Aproveite cada instante dessa grande aventura. Agora mesmo, neste voo, sente-se confortavelmente na pol- trona, com a coluna ereta e de olhos fechados. Faça vários ciclos de respiração profunda e sinta o ar entrando e saindo. Quando sentir seu corpo relaxado e sua mente mais calma, pense em sua nova vida, mais leve. Desta maneira você viverá mais facilmente. RevistA Gol – linhAs áReAs inteliGentes 2. (IfSUl) QUANTO AO EMPREgO dO MOdO vERBAl, é CORRETO AfIRMAR QUE O a) imperativo afirmativo está presente no título e no primeiro parágrafo. b) indicativo predomina no primeiro e no último parágrafo. c) subjuntivo constrói a ideia veiculada no quinto pa- rágrafo. d) imperativo predomina do segundo ao último parágrafo. 3. (UEg) Disponível em: <http://www.bloGDefRAses.com.bR>. Acesso em: 24 set. 2014. (ADAptADo). NA TIRINHA, A lOCUTORA UTIlIzA O IMPERATIvO vERBAl PARA dESAfIAR SEU INTERlOCUTOR A lHE APRESENTAR UMA PROvA dE AMOR. ESSAS fOR- MAS IMPERATIvAS APRESENTAM UM CASO dE vARIAçÃO NA PESSOA dO vERBO, TENdO A SEgUINTE CONfIgURAçÃO: a) “mate” e “peça” são formas de 2ª pessoa que de- rivam do presente do modo indicativo e se correlacio- nam ao pronome de 2ª pessoa “tu”. b) “prova” e “coloca” são formas de 3ª pessoa que derivam do presente do modo subjuntivo e se correla- cionam ao pronome de 3ª pessoa “você”. c) “prova” e “coloca” são formas de 2ª pessoa correla- cionadas ao pronome “tu”; “mate” e “peça” são for- mas de 3ª pessoa correlacionadas ao pronome “você”. d) “mate” e “peça” são formas de 2ª pessoa correla- cionadas ao pronome “tu”; “prova” e “coloca” são for- mas de 3ª pessoa correlacionadas ao pronome “você”. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO VESPERTINA TROPICAL Então Deus, tendo acabado de criar o firmamento e os conti- nentes, o homem e a mulher, a zebra, os elétrons, o umbu e a neblina, quis dar um último toque em Sua obra: num arroubo de lirismo, lá pelas 17h54 do sexto dia, pintou a aurora boreal. É, de fato, um troço estupendo: mais bonito que o pôr do sol, mais im- provável que a girafa, mais grandioso que o relâmpago. Era pra ser o corolário da criação, a maior atração da Terra32, diante da qual casais em lua de mel deixariam cair os queixos, japoneses ergueriam as câmeras e mochileiros BATERIAM palmas, con- tentes por terem nascido neste planeta abençoado e multicolor, mas, infelizmente, como se sabe, a aurora boreal não pegou. Claro: é longe, é raro e é muito cedo, como esses espetáculos incríveis encenados domingo de manhã no Sesc Belenzinho. Imagina se a aurora boreal fosse nos trópicos, seis e meia da tarde? O sujeito tá num táxi na avenida Atlântica, olha pro lado, o céu todo verde e amarelo e laranja e roxo, saca o celular, faz um “selfie” [tava louco pra usar essa palavra], posta “#vespertinatropical!!!” e segue pra casa, satisfeito. Mas não, é pra lá da Groenlândia, 4h30 AM, ninguém sabe quando: aí, não adianta reclamar que o público é ignorante e prefere a caretice hollywoodiana de um arco-íris. 73 Fosse só a aurora boreal, beleza, mas a natureza tá cheia de desarranjos semelhantes. Não surpreende: ela foi criada há milhões de anos, nunca passou por uma revisão e aindaé administrada pelo fundador. Se eu fosse Javé, chamava uma dessas consultorias especializadas em fazer a transição de empresas familiares para organizações, digamos, mais com- petitivas, e dava um choque de gestão. Nem precisa gastar muito, basta alocar melhor os recursos. 19VEJA os cometas, por exemplo. Tudo espalhado por aí, nos vi- sitam só a cada 70, cem anos, às vezes chegam de lado, outras vezes de dia, ninguém vê, baita desperdício de energia. Por que não otimizar essas órbitas? 33Fazer com que VENHAM cinco, dez ao mesmo tempo na noite de Réveillon, proporcionando uma queima de fogos global à nossa sofrida humanidade? A gravidade é outro assunto que merece uma calibrada: tem que ser mesmo 9,8 m/s2? Por quê? Como Deus chegou a esse número? Gostaria que Ele abrisse as planilhas para entender- mos se cada m/s2 é realmente necessário. Com metade dessa atração, nós continuaríamos colados ao chão e seria muito mais agradável se locomover por aí. O mínimo que o Senhor poderia fazer era dar uma ªmainada de dezembro a março: imagina que alívio encarar esse calorão com 25% menos esforço, durante a “Gravidade de Verão”. Sem falar, óbvio, em 50% para grávidas, idosos e cadeirantes. Não tenho dúvida de que o Todo Poderoso resistirá a essas e ou- tras reformas. Criar o Universo é o tipo da coisa que infla um pouco o ego do sujeito, mas seria bom se Ele se animasse a colocar o mundo nos eixos – literalmente: já repararam como a Terra gira toda torta, envergada como um frei Damião? Se meu pacote de sugestões não puder convencê-lo pelo bom senso, quem sabe ao menos uma parte cutuque a Sua vaidade? Ora, El Shaddai, a aurora boreal é um negócio tão lindo, tão grandioso, tão divino, não é justo que siga sendo exibida, ano após ano, apenas para os ursos-polares, as focas e a Björk, é ou não é? pRAtA, Antonio. vespeRtinA tRopicAl. in: folhA De são pAulo. 4. (UPf) OS TEMPOS E OS MOdOS vERBAIS CONTRIBUEM PARA CONS- TRUIR, NO TEXTO, dETERMINAdOS EfEITOS dE SENTIdO. ACERCA dESSES EfEITOS, AfIRMA-SE: I. O fUTURO dO PRETéRITO é USAdO PARA dAR IdEIA dE PROBABIlIdAdE, COMO OCORRE EM “dIANTE dA QUAl CASAIS EM lUA dE MEl dEIXARIAM CAIR OS QUEIXOS, JAPONESES ERgUERIAM AS CâMERAS E MOCHIlEIROS BATERIAM PAlMAS” (REf. 32). II. O IMPERATIvO AfIRMATIvO CONTRIBUI PARA CONSTRUIR O EfEITO dE PROXIMIdAdE COM O lEITOR, COMO OCORRE EM “vEJA OS COMETAS, POR EXEMPlO” (REf. 19). III. O PRESENTE dO SUBJUNTIvO é USAdO PARA dAR IdEIA dE POSSIBIlIdA- dE dE AçÃO, COMO OCORRE EM “fAzER COM QUE vENHAM CINCO, dEz AO MESMO TEMPO” (REf. 33). ESTÃO CORRETAS AS AfIRMAçõES APRESENTAdAS EM: a) I, II e III. b) I e II apenas. c) II e III apenas. d) I apenas. e) III apenas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Monsenhor Caldas interrompeu a narração do desconhecido: – Dá licença? é só um instante. Levantou-se, foi ao interior da casa, chamou o preto velho que o servia, e disse-lhe em voz baixa: – João, vai ali à estação de urbanos, fala da minha parte ao co- mandante, e pede-lhe que venha cá com um ou dois homens, para livrar-me de um sujeito doido. Anda, vai depressa. E, voltando à sala: – Pronto, disse ele; podemos continuar. – Como ia dizendo a Vossa Reverendíssima, morri no dia vinte de março de 1860, às cinco horas e quarenta e três minutos da ma- nhã. Tinha então sessenta e oito anos de idade. Minha alma voou pelo espaço, até perder a terra de vista, deixando muito abaixo a lua, as estrelas e o Sol; penetrou finalmente num espaço em que não havia mais nada, e era clareado tão-somente por uma luz difusa. Continuei a subir, e comecei a ver um pontinho mais luminoso ao longe, muito longe. O ponto cresceu, fez-se sol. Fui por ali dentro, sem arder, porque as almas são incombustíveis. A sua pegou fogo alguma vez? – Não, senhor. – São incombustíveis. Fui subindo, subindo; na distância de qua- renta mil léguas, ouvi uma deliciosa música, e logo que cheguei a cinco mil léguas, desceu um enxame de almas, que me levaram num palanquim feito de éter e plumas. (mAchADo De Assis, A seGunDA viDA. obRAs completAs, vol. ii, p. 440-441.) 5. (UFSCAR) O IMPERATIvO UTIlIzAdO POR MONSENHOR CAldAS, AO dAR AS ORdENS AO PRETO vElHO, EMPREgA a) uma forma indireta. b) a terceira pessoa do singular. c) a primeira pessoa do plural. d) a segunda pessoa do singular. e) a segunda pessoa do plural. lEIA O TEXTO dE ClAUdIA wAllIN PARA RESPONdER à QUESTÃO. Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago no- tícias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar, Vossas Excelências, que nesta estranha terra os habitantes criaram um país onde os mui digníssimos e respeitáveis representantes do povo são tratados, imaginem Vossas Senhorias, como o próprio povo. Insânia! Dirão que as histórias que aqui relato são me- ras alucinações de contos de fada, pois há neste rico reino, que chamam de Suécia, rei, rainha e princesas. Mas não se iludam! Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei, em nome de uma democracia que proclama uma tal igualdade entre todos, e o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer. Nestas longínquas comarcas, os mui distintos parlamentares, mi- nistros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o trabalho, em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De ônibus, Emi- nências! E muitos castelos há pelos quatro cantos deste próspero reino, mas aos egrégios representantes do povo é oferecido abrigo apenas em pífias habitações de um cômodo, indignas dos ilustríssi- mos defensores dos direitos dos cidadãos e da democracia. 74 Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa península chamada Escandinávia, onde também há príncipes e reis, e onde os representantes do povo vivem como sobrevive um súdito qualquer. E isto eu também vi, com os olhos que esta terra há de comer: em um dos povos vizinhos, conhecido como o reino dos noruegueses, os nobres representantes do povo chegam a almoçar sanduíches que trazem de casa, e que tiram dos bolsos dos paletós quando a fome aperta. É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que chamam de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as notícias sobre o igualitário reino dos suecos se espalham. Estocolmo, 6 de janeiro de 2013. (um pAís sem excelênciAs e moRDomiAs, 2014. ADAptADo.) 6. (fAMEMA 2017) “OS HABITANTES dESTA TERRA Já TIRARAM TOdOS OS POdERES dO REI”. ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE EXPRESSA, NA vOz PASSIvA, O CONTEúdO dESSA ORAçÃO. a) Todos os poderes do rei já tiraram os habitantes desta terra. b) Os habitantes desta terra já tiram todos os poderes do rei. c) Os habitantes desta terra já foram tirados por todos os poderes do rei. d) Todos os poderes do rei já foram tirados pelos ha- bitantes desta terra. e) Todos os poderes do rei já são tirados pelos habi- tantes desta terra. lEIA O TEXTO dE kATIA CANTON PARA RESPONdER à QUESTÃO. A arte moderna toma corpo num contexto de grande transforma- ção que ocorre sobretudo a partir do século XIX, com a Revolu- ção Industrial. Nesse momento, as pessoas saem dos campos e passam a ocupar as cidades, que crescem cada vez mais no ritmo frenético das linhas de montagem das grandes fábricas. A industrialização inaugurou uma classe social que, enriqueci- da pelas máquinas, se tornaria hegemônica: a burguesia. Essa nova classe social necessitava de uma nova forma de arte para se legitimar culturalmente. A arte acadêmica, as be- las-artes com regras impostas pela academia e talhadas aos moldes da antiga aristocracia, passa a dar lugar a propostas construídas por artistas que surgem em movimentos e con- textos singulares. [...] Uma das novidades surgidas no século XIX e que teve impacto fenomenal sobre a arte foi a fotografia. A fotografia liberou os artistas, até então incumbidos de registrar nas telas pessoas, paisagens e fatos históricos para a posteridade. Agora a foto- grafia podia cumprir essa função, dando ao artista a liberdade de criar e realizar novas pesquisas e experimentoscom seus pincéis, suas mãos e seus olhares. (Do moDeRno Ao contempoRâneo, 2009. ADAptADo.) 7. (UNICId MEd – UNESP) “AgORA A fOTOgRAfIA POdIA CUMPRIR ESSA fUNçÃO”. vERTIdA PARA A vOz PASSIvA, A ORAçÃO ACIMA SE TRANSfORMA EM: a) Agora essa função pode se cumprir com a fotografia. b) Agora essa função podia estar cumprida com a fotografia. c) Agora essa função podia ser cumprida pela fotografia. d) Agora essa função pode ser cumprida pela fotografia. e) Agora essa função podia cumprir o papel da fotografia. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO (fonte: https://DAnDoumGiRobloG.woRDpRess.com/ tAG/mAfAlDA. Acesso em: 03/10/2016) 8. (CP2) lEIA A SEgUINTE fRASE ElABORAdA A PARTIR dA lEITURA dO 2º QUAdRINHO: E ESSES INgêNUOS CONTINUAM MANdANdO CONTAS EM SEU NOME. ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE CORRESPONdE à CORRETA REESCRITA dESSA fRASE NA vOz PASSIvA. a) E esses ingênuos continuarão mandando contas em seu nome. b) E contas continuaram sendo mandadas em seu nome pelos ingênuos. c) E contas continuam mandando em seu nome por esses ingênuos. d) E contas em seu nome continuam sendo enviadas por esses ingênuos. 9. (IfSP) CONSIdERANdO A NORMA PAdRÃO dA líNgUA PORTUgUESA, MARQUE (vP), PARA vOz PASSIvA, (vA), PARA vOz ATIvA E ASSINAlE A AlTERNATIvA CORRETA. I. O JOgAdOR MARCOU UM BElO gOl NA úlTIMA SEMANA. ( ) II. O ôNIBUS ATRASOU BASTANTE NA TARdE dE ONTEM. ( ) III. A BOlA fOI ATRASAdA dE MOdO MUITO fORTE PElO zAgUEIRO. ( ) Iv. O COMPUTAdOR fOI dESlIgAdO INAdEQUAdAMENTE NA úlTIMA vEz. ( ) a) VA, VP, VP, VA. b) VP, VA, VA, VP. c) VA, VA, VP, VP. d) VP, VP, VA, VA. e) VP, VA, VP, VA. 75 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Quando a economia política clássica nasceu, no Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do século XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava no centro de todas as análises. Estava claro que 3transformações radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento demográfico sustentado – iné- dito até então – e pelo início do êxodo rural e da Revolução In- dustrial. Quais seriam as consequências sociais dessas mudanças? Para Thomas Malthus, que publicou em 1798 seu Ensaio sobre o princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos franceses às vésperas da Revolução de 1789, quando havia misé- ria generalizada no campo. Na época, a França era de longe o país mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco mais de 8 milhões de pessoas. A população francesa se expandiu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 30 milhões. Tudo leva a crer que esse dinamismo demográfico, desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a estagnação dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos asso- ciados à propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fatores que levaram à Revolução Francesa. 12Para evitar que torvelinho similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que 14toda assistência aos pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade deveria ser severamente controlada. Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de eco- nomia política e tributação, preocupava-se com a evolução do pre- ço da terra. Se o crescimento da população e, consequentemente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se tornar escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do bem escasso – a terra – deveria subir de modo contínuo. No limite, 19os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significati- va da renda nacional, e o 20restante da população, uma parte cada vez mais reduzida, 21destruindo o equilíbrio social. De fato, 22o valor da terra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de sé- culo XIX, caiu em relação a outras formas de riqueza, à medida que diminuía o peso da agricultura na renda das nações. Escrevendo nos anos de 1810, Ricardo não poderia antever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda. piKetty, t. o cApitAl no século xxi. tRAD. De m. b. De bolle. Rio De JAneiRo: intRínsecA, 2014. p.11-13. 10. (UfRgS) ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRESENTA A CORRETA PAS- SAgEM dE SEgMENTO dO TEXTO dA vOz ATIvA PARA A vOz PASSIvA. a) transformações radicais entraram em curso (ref. 3) – transformações radicais foram entradas em curso. b) Para evitar que torvelinho similar vitimasse o Reino Unido (ref. 12) – Para evitar que o Reino Unido fosse vitimado por torvelinho similar. c) toda assistência aos pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade deveria ser se- veramente controlada (ref. 14) – os pobres deveriam suspender de imediato toda assistência e deveriam controlar severamente a taxa de natalidade. d) os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significativa da renda nacional (ref. 19) – a ren- da nacional seria recebida por uma parte cada vez mais significativa dos donos da terra. e) o valor da terra permaneceu alto por algum tempo (ref. 22) – o valor da terra foi permanecido alto por algum tempo. E.O. FixAçãO lEIA O TRECHO dO CONTO “TEORIA dO MEdAlHÃO”, dE MACHAdO dE ASSIS, PARA RESPONdER à QUESTÃO. – Não te ponhas com denguices, e falemos como dois ami- gos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na im- prensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso destino. Os mesmos Pitt* e Napoleão, apesar de precoces, não foram tudo aos vinte e um anos. Mas, qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida. * William Pitt (1759-1806): assumiu o cargo de primeiro-ministro bri- tânico em 1783, com 24 anos. (contos: umA AntoloGiA, 1998.) 1. (FASM MED – UNESP) “SENTA-TE E CONvERSEMOS.” NO TEXTO, O PAI dIRIgE-SE AO SEU fIlHO NA SEgUNdA PESSOA dO SINgU- lAR (TU). COM AS MOdIfICAçõES NECESSáRIAS, NA TERCEIRA PESSOA dO SINgUlAR (vOCê), A fRASE ACIMA SERIA ESCRITA COMO: a) Senta-se e conversemos. b) Sente-se e conversamos. c) Senta e conversamos. d) Sente-se e conversemos. e) Sente e converse. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A ameaça de uma bomba atômica está mais viva do que nun- ca. Os conflitos étnicos mataram quase 200 chineses só no mês de julho. Agora uma boa notícia: a paz mundial pode estar a caminho. Segundo estimativas de pesquisadores, o mundo está bem menos sangrento do que já foi. Cerca de 250 mil pessoas morrem por ano em consequência de algum conflito armado. É bem menos do que no século 20, que teve 800 mil mortes anuais em sua 2ª metade e 3,8 milhões por ano até 1950. O que aconteceu? O psicólogo Steven Pinker diz que o aumento do número de democracias ajudou. Assim como a nossa saúde: como a expectativa de vida subiu, temos mais medo de arriscar o pescoço. Até a globalização teria contribuído: um mundo mais integrado é um mundo mais tolerante, diz Pinker. RevistA supeRinteRessAnte 2. (MACkENzIE) OS CONflITOS éTNICOS MATARAM QUASE 200 CHINESES SÓ NO MêS dE JUlHO. dE ACORdO COM A NORMA PAdRÃO, PASSANdO-SE ESSA fRASE PARA A vOz PASSIvA ANAlíTICA, A fORMA vERBAl CORRESPONdENTE SERá: a) foram mortos. b) estavam sendo mortos. c) eram mortos. d) matou-se. e) morreram. 76 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Se escapar do bombardeio ao qual está sendo submetido, 11um achado divulgado anteontem por pesquisadores do Reino Unido poderá mudar a história da ocupação humanada América. Se- gundo eles, pegadas de pessoas descobertas no centro do Mé- xico teriam 40 mil anos – embora os registros mais antigos de presença humana no continente não ultrapassem os 13 mil anos. A equipe, liderada pela geoarqueóloga mexicana Silvia Gonzá- lez, achou os rastros na beira de um antigo lago assolado por chuvas de cinza vulcânica. Imagina-se que, depois de um desses episódios, um grupo de pessoas (entre as quais crianças, a julgar pelas dimensões das pegadas) teria caminhado sobre a cinza, deixando sua marca. Usando uma série de métodos diferentes, o grupo britânico da- tou fósseis de animais no mesmo nível da pegada, assim como sedimentos em volta da própria, chegando à data de por volta de 40 mil anos antes do presente. Hoje, o sítio arqueológico das Américas mais antigo cujas datas são aceitas pelos cientistas é Monte Verde, no extremo sul do Chile, com seus 12, 5 mil anos. Poucos pesquisadores põem em dúvida a ideia de que os primei- ros americanos cruzaram o estreito de Bering, vindos do extremo nordeste da Ásia, para chegar ao Novo Mundo. “Novas rotas de migração que expliquem a existência desses sítios mais antigos precisam ser consideradas. Nossos achados reforçam a teoria de que esses primeiros colonos tenham vindo pela água, usando a rota da costa do Pacífico”, disse González em comunicado. “Nunca se deve dar a conhecer um achado tão importante numa entrevista coletiva”, critica o antropólogo argentino Ro- lando González-José, do Centro Nacional Patagônico. 12O pes- quisador já chegou a estudar os antigos mexicanos junto com a arqueóloga, mas teve “divergências inconciliáveis” com ela. 13”Uma data de 40 mil anos não necessariamente leva a mo- delos alternativos do povoamento, muito menos recorrendo a rotas transpacíficas”, diz. lopes, ReinAlDo José. in: folhA De s. pAulo, 6 Jul. 2005, p. A 16. 3. (UfRgS) CONSIdERE OS SEgUINTES TRECHOS E AS PROPOSTAS dE SUA REESCRITURA APRESENTAdAS A SEgUIR. 1. [...] “UM ACHAdO dIvUlgAdO ANTEONTEM POR PESQUISAdORES dO REINO UNIdO POdERá MUdAR A HISTÓRIA dA OCUPAçÃO HUMANA dA AMéRICA” (REf. 11). 2. “O PESQUISAdOR Já CHEgOU A ESTUdAR OS ANTIgOS MEXICANOS JUNTOS COM A ARQUEÓlOgA” (REf. 12). 3. “UMA dATA dE 40 MIl ANOS NÃO NECESSARIAMENTE lEvA A MOdE- lOS AlTERNATIvOS dE POvOAMENTO” (REf. 13). I. TRECHO 1: [...] A HISTÓRIA dA OCUPAçÃO HUMANA dA AMéRICA PO- dERá SER MUdAdA POR UM ACHAdO dIvUlgAdO ANTEONTEM POR PESQUI- SAdORES dO REINO UNIdO. II. TRECHO 2: OS ANTIgOS MEXICANOS, JUNTO COM A ARQUEÓlOgA, Já CHEgARAM A SER ESTUdAdOS PElO PESQUISAdOR. III. TRECHO 3: MOdElOS AlTERNATIvOS dO POvOAMENTO NÃO SÃO lEvA- dOS NECESSARIAMENTE A UMA dATA dE 40 MIl ANOS. QUAIS PROPOSTAS SÃO TRANSPOSIçõES CORRETAS dOS RESPECTIvOS TRE- CHOS PARA A vOz PASSIvA? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. 4. (ITA) OS vERSOS ABAIXO SÃO dA lETRA dA MúSICA “COBRA”, dE RITA lEE E ROBERTO dE CARvAlHO: Não me cobre ser existente Cobra de mim que sou serpente COM RElAçÃO AO EMPREgO dO IMPERATIvO NOS vERSOS, POdEMOS AfIR- MAR QUE a) a oposição imperativo negativo e imperativo afir- mativo justifica a mudança do verbo cobre/cobra. b) a diferença de formas (cobre/cobra) não é registra- da nas gramáticas normativas, portanto há inadequa- ção na flexão do segundo verbo (cobra). c) a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se ao des- locamento da 3a para a 2a pessoa do sujeito verbal. d) o primeiro verbo no presente do indicativo opõe-se ao segundo verbo que se encontra no imperativo negativo. e) o primeiro verbo no imperativo negativo opõe-se ao segundo verbo que se encontra no presente do indicativo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CONTAS Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro ou assinar a orelha de um cabrito. Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabe- ça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumi- dos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos mingua- dos, engasgava-se, engolia em seco. Transigindo com outro, não seria roubado tão descaradamente. Mas receava ser expulso da fazenda. E rendia-se. Aceitava o cobre e ouvia conselhos. Era bom pensar no futuro, criar juízo. Ficava de boca aberta, verme- lho, o pescoço inchado. De repente, estourava: – Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver sem comer. Quem é do chão não se trepa. Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertane- jo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia. Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, ar- rependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinhá Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio 77 notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, dife- riam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros. Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim se- nhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria! O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o va- queiro fosse procurar serviço noutra fazenda. Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, sim, senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser ignorância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra. O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as rosetas das esporas, afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no chão como cascos. (...) RAmos, GRAciliAno. viDAs secAs. 11ª eD. são pAulo: l. mARtins, 1964. 159 p. 5. (UNIRIO) PARA MARCAR AS AgRURAS dO SOfREdOR fABIANO, O NAR- RAdOR EMPREgA vERBOS NA vOz REflEXIvA, COM EXCEçÃO dE: a) “... apenas se limitava a semear na vazante ...” b) “... engasgava-se, engolia em seco.” c) “E rendia-se.” d) “... o sertanejo endividava-se, ...” e) “... via-se perfeitamente ...” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO áRIES (21 MAR. A 20 ABR.) Lunação em signo complementar destaca importância das re- lações em sua vida nas próximas semanas. Cuide de sua rede social, mostre-se atencioso com as pessoas. Seu sucesso é re- sultado disso também e agora essa questão tem importância suprema. Cultive o tato. folhA De s. pAulo, ilustRADA, AstRoloGiA, bARbARA AbRAmo, 29 set. 2008. 6. (IBMEC-SP) SE AS fORMAS vERBAIS “CUIdE”, “MOSTRE-SE” E “CUlTIvE” fOSSEM EMPREgAdAS NA SEgUNdA PESSOA dO SIN- gUlAR, TERíAMOS: a) Cuidas, mostras-te, cultivas. b) Cuida, mostra-te, cultiva. c) Cuidai, mostrai-vos, cultivai. d) Cuida, mostra-se, cultiva. e) Cuides, mostres-te, cultives. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A PIPOCA Rubem Alves A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho maisescrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das mi- nhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamen- te isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira delicio- sa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamen- to nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um ex- traordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem exis- tir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé... A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricul- tor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, espe- rando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repenti- namente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, espe- cialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a trans- formação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles 78 venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transfor- mações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não pas- sa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa si- tuação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depres- são – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá den- tro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está repre- sentado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordiná- rio professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... Disponível em: http://www.ReleituRAs.com/RubemAlves_ pipocA.Asp. AcessADo em: 31 De mAi. 2016. Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. 7. (EfOMM) é PRECISO dEIXAR dE SER dE UM JEITO PARA SER dE OUTRO. “MORRE E TRANSfORMA-TE!” − dIzIA gOETHE. NESSA PASSAgEM, O AUTOR, TRATANdO dA TRANSfORMAçÃO, CITA A fAlA dE UM fIlÓSOfO AlEMÃO, QUE UTIlIzA A SEgUNdA PESSOA dO SINgUlAR. SE gOETHE TIvESSE USAdO O TRATAMENTO dE vOCê, TERíAMOS, ENTÃO: a) Morre e transforme-se! b) Morra e transforme-se! c) Morra e transforma-te! d) Morrem e transformam-se! e) Morre e transforma-se! TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO HISTÓRIA DO HUMOR 1“O humor está presente na civilização desde as sociedades mais primitivas – ele é uma capacidade que o ser humano tem de olhar a realidade e ressignificá-la, tornando-a algo engraçado e conferindo-lhe olhar crítico. No passado, ele era até uma forma de sobrevivência às adversidades e de união do grupo”, de acordo com o professor da Escola de Comuni- cações e Artes, Ricardo Alexino Ferreira. Alexino conta que, a partir dos anosos humoristas passaram a retratar frequentementede forma pejorativa grupos minoriza- dos da sociedade, como negros, mulheres, idosos e deficien- tes. 2Segundo ele, os comediantes consideraram esse humor fácil, pois muitas vezes se limitava a imitar essas pessoas. “Parte do humor se tornou sem repertório e um reforçador de estereótipos, uma caricatura do ‘outro’”, diz. http://www.JoRnAlDocAmpus.usp.bR/inDex.php/2011/10/ quAnDo- A-piADA-peRDe-A-GRAcA-e-viRAofensA/ Acesso em: 08/09/2015) 8. (CP2) RElEIA O SEgUINTE TRECHO dESTACAdO dO TEXTO “HISTÓRIA dO HUMOR”: “SEgUNdO ElE, OS COMEdIANTES CONSIdERARAM ESSE HUMOR fáCIl, POIS MUITAS vEzES SE lIMITAvA A IMITAR ESSAS PESSOAS.” (REf. 2). ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE APRESENTA A fORMA CORRESPONdENTE dA ORAçÃO SUBlINHAdA NA vOz PASSIvA. a) Esse humor fácil foi considerado pelos comediantes. b) Esse humor é considerado fácil pelos comediantes. c) Considerou-se esse humor fácil pelos comediantes. d) Esse humor foi considerado fácil pelos comediantes. lEIA O TEXTO dE MAURICE NAdEAU PARA RESPONdER à QUESTÃO. Estudar um movimento de ideias querendo ignorar o que o pre- cedeu ou o seguiu, abstraindo a situação social e política que o alimentou e sobre a qual, por sua vez, ele pôde agir é trabalho inócuo. O Surrealismo, particularmente, está fortemente engaja- do no período entre as duas guerras. Dizer, como alguns, que ele não passa, no plano da arte, de uma manifestação pura e simples é de um materialismo por demais simplista: ele constitui também o herdeiro e o continuador dos movimentos artísticos que o pre- cederam sem os quais não teria existido. É, portanto, sob esses dois aspectos ao mesmo tempo que devemos considerá-lo. Entre 1918 e 1940, foi o contemporâneo de acontecimentos sociais, políticos, científicos, filosóficos de primeira importância. Alguns o marcaram fortemente; a outros deu seu colorido próprio. 79 Na Exposição Internacional do Surrealismo, realizada em Paris (1938), estavam representados quatorze países. O Surrealismo havia rompido os quadros nacionais da arte. Nenhum movimento artístico antes dele, inclusive o Romantismo, teve essa influência e essa audiência internacionais. Foi o alimento saboroso dos melho- res artistas de cada país, o reflexo de uma época que, também no plano artístico, devia encarar seus problemas em escala mundial. (históRiA Do suRReAlismo, 2008. ADAptADo.) “O Surrealismo havia rompido os quadros nacionais da arte.” 9. (UNICId MEd UNESP) ASSINAlE A AlTERNATIvA QUE EXPRESSA, NA vOz PASSIvA, O CONTEúdO dESSA ORAçÃO. a) Os quadros nacionais da arte haviam sido rompi- dos pelo Surrealismo. b) Os quadros nacionais da arte romperam o Surrealismo. c) O Surrealismo havia sido rompido pelos quadros nacionais da arte. d) Os quadros nacionais da arte haviam rompido o Surrealismo. e) O Surrealismo estava rompendo os quadros nacionais da arte. LEIA A TIRA PARA RESPONDER A QUESTÃO (www.folhA.uol.com.bR. 24.05.2017) 10. (ANHEMBI Morumbi MEd UNESP) NO úlTIMO QUAdRINHO, CASO A PERSONAgEM EMPREgASSE A PRIMEIRA PESSOA dO PlURAl, SEM AlTERAR O MOdO vERBAl, SUA fRASE SERIA: a) Não falaremos assim de Deus. b) Não falamos assim de Deus. c) Não falemos assim de Deus. d) Não falem assim de Deus. e) Não faleis assim de Deus. E.O. COmplEmEntAr CONSIdERE O TEXTO dO CRíTICO ANTONIO CANdIdO PARA RESPONdER à QUESTÃO. A literatura do Brasil faz parte das literaturas do Ocidente da Euro- pa. No tempo da nossa independência, proclamada em 1822, for- mou-se uma teoria nacionalista que parecia incomodada por este dado evidente e procurou minimizá-lo, acentuando o que haveria de original, de diferente, a ponto de rejeitar o parentesco, como se quisesse descobrir um estado ideal de começo absoluto. Trata-se de atitude compreensível como afirmação política, exprimindo a ânsia por vezes patética de identidade por parte de uma nação recente, que desconfiava do próprio ser e aspirava ao reconhecimento dos outros. Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais visível que a nossa literatura é modificada pelas condições do Novo Mundo, mas faz parte orgânica do conjunto das literaturas ocidentais. Por isso, o conceito de “começo” é nela bastante relativo, e diferen- te do mesmo fato nas literaturas matrizes. A literatura portuguesa, a francesa ou a italiana foram se constituindo lentamente, ao mesmo tempo em que se formavam os respectivos idiomas. Língua, socie- dade e literatura parecem nesses casos configurar um processo contínuo, afinando-se mutuamente e alcançando aos poucos a ma- turidade. Não é o caso das literaturas ocidentais do Novo Mundo. Com efeito, no momento da descoberta e durante o processo de conquista e colonização, houve o transplante de línguas e literatu- ras já maduras para um meio físico diferente, povoado por povos de outras raças, caracterizados por modelos culturais completa- mente diferentes, incompatíveis com as formas de expressão do colonizador. No caso do Brasil, os povos autóctones eram primiti- vos vivendo em culturas rudimentares. Havia, portanto, afastamen- to máximo entre a cultura do conquistador e a do conquistado, que por isso sofreu um processo brutal de imposição. Este, além de genocida, foi destruidor de formas culturais superiores no caso do México, da América Central e das grandes civilizações andinas. (iniciAção à liteRAtuRA bRAsileiRA, 2007. ADAptADo.) 1. (SÃO CAMIlO MEd UNESP) CONSIdERE O TRECHO dO PRIMEIRO PARágRAfO: […] a nossa literatura é modificada pelas condições do Novo Mundo […]. SE A ORAçÃO fOR REESCRITA NA vOz ATIvA, A fORMA vERBAl RESUlTANTE SERá: a) modificaram. b) foi modificada. c) modifica. d) modificam. e) está modificada. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO quino, 10 Anos com mAfAlDA. são pAulo, mARtins fontes, 2010 80 2. (IfSUl) OBSERvE. Não abra a porta... SE O ENUNCIAdO ACIMA PASSASSE PARA O IMPERATIvO AfIRMATIvO E O TRATAMENTO dAdO fOSSE O dE SEgUNdA PESSOA, QUAl dAS CONSTRUçõES ESTARIA dE ACORdO COM A NORMA CUlTA dA líNgUA? a) Abre a porta... b) Abres a porta... c) Abra a porta... d) Abras a porta... 3. (fASM MEd UNESP) AMAvA SIMÃO UMA SUA vIzINHA, MENINA dE QUINzE ANOS, RICA HERdEIRA, REgUlARMENTE BONITA E BEM- -NASCIdA. dA JANElA dO SEU QUARTO é QUE ElE A vIRA A PRIMEIRA vEz, PARA AMá-lA SEMPRE. NÃO fICARA ElA INCÓlUME dA fERIdA QUE fIzERA NO CORAçÃO dO vIzINHO: AMOU-O TAMBéM, E COM MAIS SERIEdAdE QUE A USUAl NOS SEUS ANOS. OS POETAS CANSAM-NOS A PACIêNCIA A fAlAREM dO AMOR dA MU- lHER AOS QUINzE ANOS, COMO PAIXÃO PERIgOSA, úNICA E INflEXívEl. Al- gUNS PROSAdORES dE ROMANCES dIzEM O MESMO. ENgANAM-SE AMBOS. O AMOR dOS QUINzE ANOS é UMA BRINCAdEIRA; é A úlTIMA MANIfESTAçÃO dO AMOR àS BONECAS; é A TENTATIvA dA AvEzINHA QUE ENSAIA O vOO fORA dO NINHO, SEMPRE COM OS OlHOS fITOS NA AvE-MÃE, QUE A ESTá dA fRON- dE PRÓXIMA CHAMANdO; TANTO SABE A PRIMEIRA O QUE é AMAR MUITO, COMO A SEgUNdA O QUE é vOAR PARA lONgE. TERESA dE AlBUQUERQUE dEvIA SER, PORvENTURA, UMA EXCEçÃO NO SEU AMOR. (cAmilo cAstelo bRAnco — AmoR De peRDição) “dA JANElA dO SEU QUARTO é QUE ElE A vIRA PElA PRIMEIRA vEz”. PASSANdO-SE A ORAçÃO EM dESTAQUE PARA A vOz PASSIvA ANA- líTICA, A fORMA vERBAl CORRESPONdENTE é: a) foi vista. b) havia visto. c) estava sendo visto. d) seria vista. e) fora vista. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? So- berania popular, liberdade civil, igualdade perante a lei – 1as pa- lavras hoje são ditas com tanta facilidade que somos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo Regime, os homens eram desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que 2fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava privilégio – isto é, literalmente, “lei privada”, uma prerrogativa especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, 3pois havia sido ungido como o agente de Deus na terra. Durante todo o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questio- naram esses pressupostos,