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Português Lista de Exercícios
Exercício 1
(Espcex (Aman) 2019)  Analise as duas frases abaixo:
I. Os ladrões estão roubando! Prendam-nos!
II. Somos os assaltantes! Prendam-nos!
Assinale a alternativa cuja descrição gramatical dos termos
sublinhados está correta.
a) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do plural.
Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do plural.
b) Ambos são pronomes pessoais oblíquos referentes à 1ª pessoa
do plural.
c) Em I, “nos” é pronome reto da 3ª pessoa do plural. Em II, “nos”
é pronome reto da 1ª pessoa do plural.
d) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do plural.
Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do plural.
e) Ambos são pronomes pessoais retos referentes à 1ª pessoa do
plural. 
Exercício 2
(Espm 2016)
OGX poderá �car com campos em caso de recuperação
“A OGX está bastante avisada que, em meio a tudo isso que ela
está vivendo, ela tem que ter uma �el observância ao contra to,
tem que estar atenta para o cumprimento das cláusulas
contratuais”, a�rmou Magda Chambriard, diretora-geral da ANP.
Entre outras, as cláusulas abrangem fornecimento de garantias,
realização dos planos de desenvolvimento, realização dos planos
de avaliação, “en�m, todas as obrigações dos contratos que ela
tem, essa uma condição ‘sine qua nom’”, com pletou Magda.
(Folha de SP, 17.10.2013)
Leia as frases do texto: “ela tem que ter uma �el observância ao
contrato” e “as cláusulas abrangem forneci mento de garantias”.
Se os segmentos grifados forem substitu ídos por pronomes
pessoais oblíquos, se gundo a norma, teremos:
a) ter ela; abrangem ele.
b) tê-la; abrangem-nas.
c) tê-la; abrangem-no.
d) tê-lo; abrangem-o.
e) ter a ela; abrangem-no.
Exercício 3
(G1 - ifsc 2014) Leia a charge abaixo para responder as questões.
Sobre a classe gramatical das palavras do texto, assinale a
alternativa CORRETA.
a) Como as personagens estão descrevendo a si mesmas, são
abundantes os adjetivos, entre os quais se incluem azuis, atlético,
magra e sensual.
b) Como a principal função do texto é descrever, nele não
ocorrem verbos, que são próprios de textos narrativos.
c) No texto, curiosamente, não ocorrem pronomes pessoais ou de
tratamento, que são bastante comuns em diálogos.
d) O único substantivo que aparece no texto é a palavra olhos,
como seria de esperar em um diálogo em que as pessoas falam
sobre si mesmas.
e) Na fala da mulher, a palavra super, originalmente um pre�xo,
está sendo usada como um substantivo que caracteriza boca.
Exercício 4
(G1 - epcar (Cpcar) 2020)
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1964.)
Sobre o emprego de pronomes no texto, é correto a�rmar que
a) no verso “dando-lhe um ritmo extra-corporal?”, o pronome
“lhe” exerce função sintática de complemento nominal.
b) no verso “A máquina o fará por nós”, o pronome “o” exerce
função de objeto direto.
c) no verso “Por que levantar o braço”, o termo “que” classi�ca-se
como pronome relativo.
d) no verso “Ó máquina, orai por nós”, a substituição pela forma
“orai-nos” manteria a correção sintática e semântica.   
Exercício 5
(S1 - ifsul 2020)  Leia o texto abaixo para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
Só o ensino superior salva
Sou do tipo que chora. Batizado, casamento*, mas principalmente
formatura. Como é bonita a chance e o cumprimento do estudo.
Pra todo mundo, universal mesmo. 1Imagina a oportunidade a
quem só poderia se formar em escola pública. De arrepiar. Por
isso comemoro aqui o diploma de mais 423 alunos da URCA, a
Universidade Regional do Cariri, conforme leio no site “Miséria”, o
jornal da minha aldeia universalíssima. A festa foi nesta quinta
(08/08) e haja 2orgulho na gente de pequenas cidades e da roça
nos arredores da Chapada do Araripe. São 12,5 mil alunos nesta
escola mantida pelo governo cearense.
Sou do tipo que chora com o ensino público e gratuito e a chance
para quem vem lá do mato. Na formatura da 3URCA, haja primos,
4pense num povo metido, né, 5ave palavra, que orgulho
enquadrado na parede. Pense numa “balbúrdia”, 6esse povo “lá
de nós”, como na bendita 7linguagem caririense, 8formada em
Artes Visuais, Biologia, Ciências Econômicas, Ciências Sociais,
Direito, Enfermagem, Educação Física, Engenharia de Produção,
Física, Geogra�a, História, Letras, Matemática, Pedagogia, Teatro
e Tecnologia da Construção Civil. Pense!
E mais orgulhosamente ainda 9vos digo: a URCA, segundo o
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), 10viva o gênio Anísio Teixeira, tem a menor taxa
de evasão universitária do Brasil, apenas 4,47%. Como a turma
dá valor ao candeeiro iluminista sertões adentro. Choro um Orós
inteiro e ainda derramo minhas lágrimas no Jaguaribe, rio 11que
constava nos meus livros didáticos como o “rio mais seco do
mundo”. 12Desculpa aí, hoje só 13venho 14com as grandezas.
Hoje, se eu pudesse, faria você também re�etir com um discurso
na linha do David Foster Wallace (1962-2008). Aquela sua fala
como paraninfo de uma turma de formandos americanos do
Kenyon College, em 2005, Gambier, Ohio. Ele escreveu uma
singularíssima fábula sobre — 15repare só! — dois peixinhos e a
água. Recomendo a leitura. O texto está no livro Ficando longe do
fato de já estar meio que longe de 16tudo (Companhia das
Letras).
De Ohio ao Cariri. Além da URCA, em 2013 conquistamos (nada
é de graça) a UFCA, a brava Universidade Federal do Cariri. 17Era
um facho, uma fogueira, era um candeeiro, era uma lamparina, era
uma luminária a gás butano, fez-se a luz, pardon matriz
iluminista, perdão Paris, mas o mundo e o futuro 18será de um
certo Cariri que peleja, aprende a preservar e estuda, somos a
própria ideia viva de Patrimônio Universal da Humanidade, só
falta o referendo da Unesco — escuto os mestres do Reizado ao
fundo, que batuque afro-indígena-futurista.
[...]      
Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara. Qual o quê, corri
léguas rodoviárias, rumo ao Recife, a bordo da viação Princesa do
Agreste, ainda no comecinho dos anos 1980. Espírito beatnik, por
desejo e necessidade, deixei Juazeiro — onde morava —, o Crato
de nascença, a Santana (Sítio das Cobras) afetiva de infância e a
Nova Olinda das primeiras letras. Seria o primeiro representante
do clã (risos rurais amarcodianos) dos Sá-Menezes-Freire-Novais,
família meio pernambucana meio cearense, a chegar ao ensino
superior. Um Xicobrás, diria, 100% escolha pública, do primário
ao campus da UFPE. Hoje tenho uma penca de primos a cada
nova formatura, sem precisar sequer sair dos arredores de casa.
E pensar que não havia a 19ideia de universidade no meu terreiro.
Nada disso do que hoje comemoro com os formandos da URCA e
UFCA. [...].
Só nos resta defender [...]. Sem sequer o direito ao 20VAR (olho
no lance) da história. 21jmmmmmmmmmmmkk kkll l
çnçççlllçlxsp. Eita, desculpa, caro leitor, pela incompreensão da
escrita, é que minha �lha Irene invadiu esta crônica — tentando
ver a Pepa Pig — e dedilhou involuntariamente estas mal-
traçadas linhas. [...]
Texto adaptado de Xico Sá, publicado em 10 ago. 2019.
Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/10/opinion/1565450440_00144
Acesso em: 14 ago. 2019
* Os termos sublinhados neste texto representam hyperlinks no
texto original publicado no sítio eletrônico do jornal El País.
Conforme o dicionário Michaelis,hyperlink é, “no contexto da
hipermídia e do hipertexto, endereço que aparece em destaque
(geralmente sublinhado ou apresentado em uma cor diferente) e
que, a um clique no mouse, permite a conexão com outro site”.
Quanto à presença de pronomes no texto, é correto a�rmar que
a) vos (referência 9) é pronome pessoal oblíquo e complementa o
sentido do verbo dizer.
b) esse (referência 6) é pronome possessivo e retoma a população
da região do Cariri.
c) que (referência 11) é pronome interrogativo e faz referência a
livros didáticos.
d) tudo (referência 16) é pronome relativo e se refere ao livro de
David Foster Walace.
Exercício 6
(Eear 2019)  Marque a alternativa correta quanto à classi�cação
sintática dos pronomes destacados.
a) Preciso de ti na execução do projeto. (objeto indireto) 
b) O mau exemplo incomoda a mim. (objeto indireto)
c) Encontrei-o em decúbito, ao chão. (sujeito)
d) Contei-lhes toda a verdade. (objeto direto)   
Exercício 7
(Udesc 2019) 
DE MAVIOSO ENCANTO
1Eu vi um beija-�or.
2De manhã reuni a família ao redor da mesa do café e
disse: Gente, vou contar uma coisa importante e vocês precisam
acreditar em mim. Hoje, enquanto vocês dormiam, vi um beija-�or
no terraço.
                      Foi assim. 3Era de madrugada e acordei chamada pela
sede. 4Mas o dia me pareceu tão novo que parei de olhar. 5E de
repente, lá estava ele tecendo entre as �ores a rede de seus voos.
6Um beija-�or de verdade em 1972, um beija-�or vivo numa
cidade de 6 milhões de habitantes.
            Ficaram pasmos. 7Mas me amavam e acreditaram em mim.
8Minha �lha pediu que o descrevesse, pediu que o desenhasse e
que o pintasse com todas as cores dos seus lápis. Meu marido
comoveu-se, eu era uma mulher que 9tinha visto um beija-�or, e
era dele. 10Beijou-me na testa. As domésticas foram convocadas
para participar da alegria, mas, pessoas de pouca fé, se
entreolharam descrentes. As amigas às quais telefonamos me
deram parabéns; a�nal, eram amigas. A novidade habitou minha
casa.
            A notícia correu. Verdade, Marina, que você viu um beija-
�or? E eu modesta mas banhada de graça, verdade. Ligaram do
jornal. Alô, Marina, a que horas? Que cor? De que tamanho? E
você tem certeza? Alguém mais viu? Olha gente, não quero fazer
declarações. Sei que parece estranho, mas eu vi. A hora não sei
bem, nem o tamanho, não medi. 11Sei que era um beija-�or feito
os de antigamente, com asas, bico, tudo. Um beija-�or de penas.
Fotos? Não tenho, não falei com ele.
12Vieram ver o terraço, mediram tudo, controlaram os
ventos, 13aspiraram as �ores. E chegaram à conclusão de que
não, não era possível, nenhum beija-�or 14havia estado ali.
COLASANTI, Marina. Crônicas para jovens, 1ª ed. São Paulo:
Global, 2012, pp. 23 e 24.
Assinale a alternativa incorreta em relação à crônica De mavioso
encanto, Marina Colasanti.
a) A palavra destacada em “Eu vi um beija-�or” (ref. 1) é, na
morfologia, substantivo composto por verbo e substantivo e,
quando pluralizado, os dois elementos vão para o plural.
b) No período “Vieram ver o terraço, mediram tudo, controlaram
os ventos, aspiraram as �ores” (ref. 12) há orações com sujeito
indeterminado por apresentarem o verbo na 3ª pessoa do plural,
sem antecedente expresso.
c) As locuções verbais “tinha visto” (ref. 9) e “havia estado” (ref.
14) podem ser substituídas pelas formas verbais vira e estivera,
respectivamente, sem prejuízo do entendimento do texto.
d) No período “Mas me amavam e acreditavam em mim” (ref. 7)
os pronomes destacados são, sintaticamente, na sequência,
objeto direto e objeto indireto.
e) Na estrutura “Um beija-�or de verdade em 1972, um beija-�or
vivo numa cidade” (ref. 6) as palavras destacadas reforçam a ideia
de incredulidade da existência de um beija-�or nesta época,
(1972) na cidade de São Paulo.
Exercício 8
(Fatec 2019) Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a
seguir:
Temple Grandin empacou diante da porteira. Alguns parafusos
cravados na madeira lhe saltaram aos olhos. “Tem que limar a
cabeça desses parafusos, se não o gado pode se machucar”,
aconselhou à dona da fazenda,
Carmen Perez, que ao lembrar a cena comentou: “Sempre passo
no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho
biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto.”. Grandin
tem um parafuso a mais quando se trata do bem-estar dos
bichos. Professora de ciência animal, ela é autista e dona de uma
hipersensibilidade visual e auditiva. Tocada pelas angústias do
gado desde a juventude, ela compreendia por que a rês recuava
na hora da vacinação, por que atacava um vaqueiro, por que
tropeçava, por que mugia. Grandin traduziu esse entendimento
em projetos que propunham mudanças no manejo. Hoje,
instalações criadas por ela são familiares a quase metade dos
bovinos nos Estados Unidos. O Brasil, com seus quase 172
milhões de cabeças de gado, segundo o Censo Agropecuário de
2017, vem aos poucos fazendo ajustes alinhados com as
propostas da americana.
Em julho passado, Grandin, hoje com 71 anos, veio ao Brasil pela
sexta vez. Na fazenda Orvalho das Flores, localizada em Barra do
Garças (MT), ela testemunhou como a equipe de Perez conduz
suas 2 980 cabeças de Nelore, raça predominante no país. Os
vaqueiros massageiam os bezerros, não gritam com os bois,
tampouco deixam capas de chuva, correntes ou chapéus no
caminho dos animais.
A engenheira agrônoma Maria Lucia Pereira Lima foi aluna de
pós-doutorado de Grandin na Universidade do Estado do
Colorado, em Fort Collins, em 2013. Viajara aos Estados Unidos
para aprender como medir o bem-estar dos bovinos e se inteirar
de inovações que pudessem ser implantadas em currais
brasileiros. Uma delas, por exemplo, tranquiliza o animal
conduzido à vacinação: o gado em geral se via obrigado a passar
espremido por espaços afunilados. Grandin projetou um acesso
em curva, sem cantos, que dá à rês a ilusão de que voltará ao
ponto de partida. Outra: uma lâmpada acesa na entrada do tronco
de contenção – o equipamento que permite o manejo individual
do boi – a indicar o trajeto reduziu em até 90% o uso de choque
elétrico durante o processo.
[...]
No auditório da universidade, outros pesquisadores se revezavam
no palco discutindo aspectos econômicos e sociais relacionados
ao bem-estar animal. O tempo de manejo cai pela metade nos
estabelecimentos agropecuários que seguem os manuais de
Grandin. De ovos transportados com cuidado nascem pintinhos
sadios. Sem falar na melhor qualidade de vida de quem lida com
esses bichos. Vaqueiros bem treinados sofrem menos acidentes
no trabalho e desenvolvem uma relação mais harmoniosa nos
casamentos. “A melhoria do bem-estar animal melhora o bem-
estar humano”, a�rmou o zootecnista Mateus Paranhos da Costa,
da Universidade Estadual Paulista.
Monica Manin <https://tinyurl.com/y8xeoqul> Acesso em:
12.10.2018. Adaptado.
Observe os elementos destacados na passagem: “Sempre passo
no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho
biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto”, presente
no primeiro parágrafo.
As palavras destacadas exercem
a) funções diferentes, pois o primeiro “que” é conjunção
integrante e introduz uma oração coordenada, enquanto o
segundo “que” é pronome relativo e introduz uma oração
explicativa.
b) funções diferentes, pois o primeiro “que” é uma conjunção
subordinativa, enquanto o segundo é um pronome relativo, tendo
como antecedente o termo “coisa”.
c) mesma função, pois ambos são conjunções subordinativas,
sendo que o primeiro introduz uma oração substantiva, enquanto
o segundo, uma oração adverbial restritiva.
d) mesma função, pois ambos os pronomes “que” retomam
vocábulos anteriores, sendo o verbo “dizem” e o substantivo
“coisa” seus antecedentes respectivamente.
e) mesma função, pois ambos são conjunções, porém o primeiro
“que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo, uma
conjunção coordenativa.
Exercício 9
(Unifesp 2019) Leia o poema “Sou umevadido”, do escritor
português Fernando Pessoa, para responder à(s) questão(ões) a
seguir.
Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu 1ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
(Obra poética, 1997.)
1“andar a monte”: andar fugido das autoridades.
“Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?” (2ª estrofe)
Os termos sublinhados constituem
a) pronomes, somente.
b) conjunção, pronome e pronome, respectivamente.
c) conjunções, somente.
d) pronome, conjunção e conjunção, respectivamente.
e) conjunção, conjunção e pronome, respectivamente.
Exercício 10
(G1 - ifal 2018)  Sobre o anúncio publicitário, o mecanismo usado
linguisticamente na seguinte passagem: “LEVE UMA DE
BROTINHO BANANA!” está inserido no plano do(a)
a) coesão referencial pelo uso de elipse.
b) coesão sequencial pelo uso de conectores.
c) coesão referencial pelo uso de pronomes. 
d) coesão referencial pelo uso de sinonímia.
e) coesão sequencial pelo emprego de pontuação.
Exercício 11
(Famerp 2018) Leia o poema “A última nau”, da obra Mensagem,
de Fernando Pessoa, para responder à(s) questão(ões).
Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago1
Erma2, e entre choros de ânsia e de pressago3
Mistério.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa �nda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.
(Obra poética, 1987.)
1 aziago: funesto.
2 erma: solitária.
3 pressago: presságio.
Os pronomes oblíquos assumem, geralmente, a função de
complementos verbais. Em “projeta-o” (2ª estrofe) e “Demore-a”
(4ª estrofe), os pronomes oblíquos referem-se, respectivamente,
aos termos
a) “Deus” e “alma”.
b) “sol” e “nau”.
c) “corpo” e “hora”.
d) “Mistério” e “cerração”.
e) “Império” e “névoa”.
Exercício 12
(Espcex (Aman) 2017)  Assinale a alternativa que contém, na
sequência, a forma correta da substituição da voz passiva
analítica pela voz passiva pronominal e, ao mesmo tempo, a
substituição dos termos destacados pelos pronomes oblíquos
correspondentes.
Era notada no olhar dela uma expressão feliz.
Era vista no rosto dele a palidez da morte.
São vistas no corpo dele as marcas das balas.
Foi notado no rosto dele algo de estranho.
Foi inserida na opinião dele um dado novo.
a) Notou-se-lhe no olhar dela uma expressão feliz.
b) Viu-se-lhe no rosto a palidez da morte.
c) Vê-se no seu corpo as marcas das balas.   
d) Notou-se-lhe no rosto algo de estranho.
e) Inseriu-se na sua opinião um dado novo.   
Exercício 13
(Eear 2017)  Leia:
“Você é exatamente o que eu sempre quis/
Ela se encaixa perfeitamente em mim”.
O trecho apresenta um fragmento de uma canção, de autoria de
Sorocaba. Em relação ao uso dos pronomes, marque a alternativa
correta, de acordo com a gramática normativa.
a) O pronome “ela” indica com quem se fala no discurso.
b) O pronome “você” indica a pessoa que fala no discurso.
c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma
pessoa indicada por “ela”, no texto exempli�cado.
d) O pronome “você” se refere, gramaticalmente, à mesma pessoa
descrita pelo pronome “ela”, no texto exempli�cado.
Exercício 14
(Eear 2017)  Leia:
Meteoro
(Sorocaba)
Te dei o Sol
Te dei o Mar
Pra ganhar seu coração
Você é raio de saudade
Meteoro da paixão
Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar
Aaaahh...
Como é bom poder te amar [...]
O trecho da canção de autoria de Sorocaba, que �cou famosa na
voz de Luan Santana, está escrito em linguagem coloquial.
Quanto ao uso dos pronomes oblíquos, marque a alternativa
correta.
a) Se o autor tivesse optado pelo uso do pronome de acordo com
a gramática normativa, e, desse modo, tivesse realizado a
colocação do pronome oblíquo após as formas verbais com que
se inicia os dois versos do início da canção, seria possível
interpretações diferentes das apresentadas por conta de
cacofonia (união sonora de sílabas que provoca estranheza
auditiva).
b) O fato de o texto trazer pronomes oblíquos em vez de retos
acentua a ideia de precisão ao escrever de acordo com as normas
estabelecidas pela gramática normativa, pois os oblíquos, de uso
mais elaborado que os retos, garantem mais legibilidade ao texto
escrito ou falado.
c) A opção pelo uso de pronomes oblíquos é um indício das
tentativas do autor de gerar duplo sentido em seus enunciados,
uma vez que nos dois primeiros versos houve ajuste preciso ao
que se determina nas gramáticas de língua portuguesa.
d) Os pronomes oblíquos presentes no trecho da canção visam
promover elegância e estilo, uma vez que estão estritamente de
acordo com o que se preconiza nas gramáticas normativas.   
Exercício 15
(Uel 2017) Leia, a seguir, a crônica “Assassinos por distração”, de
Martha Medeiros, e responda à(s) questão(ões).
O Jornal Nacional, dias atrás, apresentou uma reportagem que
merecia ser mais comentada. A história: na Flórida, dois rapazes e
uma garota resolveram roubar algumas placas de PARE
instaladas em cruzamentos. Motivo: falta do que fazer.
Consequência: na noite seguinte, numa dessas esquinas
desfalcadas de sinalização, três rapazes de 18 anos chocaram seu
veículo contra um caminhão. Não sabiam que estavam
atravessando uma preferencial. Tiveram morte instantânea.
O julgamento dos afanadores de placas foi televisionado.
Choravam feito bezerros desmamados. Alegavam que tudo não
passou de uma brincadeira de mau gosto. Eram réus primários,
quase crianças, e pediam clemência. Inútil. O juiz decretou 15
anos de prisão para cada um e disse estar sendo generoso,
porque assassinos não costumam pegar menos de 30. Comovida
com o arrependimento dos acusados, a mãe de um dos garotos
morto no acidente pediu ao juiz que não os condenasse por tanto
tempo, pois no presídio iriam conviver com bandidos de verdade e
o futuro deles �caria irreversivelmente comprometido. Nada feito.
O juiz bateu o martelo e os três já estão vendo o sol nascer
quadrado.
O juiz foi rígido? Na hora em que eu assistia ao telejornal, vendo o
desespero daqueles jovens e de suas famílias, achei que sim. Mas
uma pergunta me veio à cabeça: quem, nos Estados Unidos, vai
agora ousar roubar uma placa de sinalização? Só um demente.
A lição é clara: a irresponsabilidade provoca crimes e a
impunidade os multiplica. O Brasil está cheio desses pequenos
transgressores que depredam orelhões e dani�cam placas de
trânsito. [...] Precisam ser detidos. Falta de intenção atenua um
crime, mas não pode absolver. Qualquer pessoa com mais de 18
anos deve ter consciência de que dirigir bêbado, soltar foguetes,
dar tiros para o alto, jogar coquetéis molotov dentro de ônibus,
tudo isso também provoca tragédias. Estamos acostumados a
chamar de assassinos apenas aquelas pessoas que saem de casa
com uma pistola automática e o endereço da vítima anotado num
papel. Já políticos que desviam verbas destinadas a postos de
saúde, esses são gentilmente chamados de corruptos. Ladrões,
no máximo. Assassinos, nunca.
Não somos marginais, mas somos todos homicidas em potencial.
Basta uma inconsequência, uma distorção de valores ou uma
sandice como a dos jovens americanos. É pena que eles estejam
pagando tão caro pelo que �zeram, mas outros três adolescentes
morreram por sua causa, e outros tantos continuariam a morrer se
o juiz pensasse como nós: o acusado poderia serum �lho meu.
Poderia. Mas poderia também estar enterrado sete palmos abaixo
da terra por não ter sido avisado de que no meio do caminho
havia uma preferencial. Foi dado o recado: não existe muita
diferença entre os assassinos por natureza e os assassinos por
distração.
Junho de 1997
MEDEIROS, M. Topless. Porto Alegre: L&PM, 2015. p. 165-167.
Releia os trechos a seguir presentes no segundo parágrafo.
“Alegavam que tudo não passou de uma brincadeira de mau
gosto.”
“[...] pediu ao juiz que não os condenasse por tanto tempo [...]”
Quanto a esses trechos, assinale a alternativa que apresenta,
correta e respectivamente, as referências retomadas pelos
pronomes sublinhados.
a) A colisão do veículo dos rapazes contra um caminhão; os
julgadores dos réus primários.
b) A repercussão pública dos atos cometidos; os 15 anos
decretados pelo juiz como pena.
c) O motivo e a consequência do roubo das placas de sinalização;
os rapazes de 18 anos, cujo veículo bateu no caminhão.
d) O julgamento ter sido televisionado; os assassinos que
costumam receber pena de 30 anos ou mais.
e) O roubo das placas de sinalização nos cruzamentos; os
acusados, que demonstravam arrependimento. 
Exercício 16
(Fatec 2017) Leia o poema de Camilo Pessanha para responder
à(s) questão(ões) a seguir.
INTERROGAÇÃO
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crês? nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito,
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo.
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
(PESSANHA, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.)
O escritor português Camilo Pessanha faz parte da escola
literária denominada Simbolismo.
Assinale a alternativa que possui uma característica desse
movimento artístico presente no poema.
a) Elipse, pois o autor omite todos os pronomes pessoais a �m de
criar musicalidade.
b) Bucolismo, pois o amor faz grande reverência à natureza ao
evocar a sua sonoridade.
c) Aliteração, pois o autor explora a repetição harmônica e
ritmada de sons consonantais.
d) Determinismo, pois o meio em que vive a pessoa amada
determina o ritmo de sua vida.
e) Ornamentação exagerada, pois há vocabulário ritmado com
exclusividade de rimas ricas.
Exercício 17
(Unesp 2017)  Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”,
do poeta português Luís de Camões (1525?-1580), para
responder à(s) questão(ões) a seguir.
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me �cou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
Sonetos, 2001.
“Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,” (2ª estrofe)
Os termos destacados constituem
a) pronomes.
b) conjunções.
c) uma conjunção e um advérbio, respectivamente.
d) um pronome e uma conjunção, respectivamente.
e) uma conjunção e um pronome, respectivamente.
Exercício 18
(G1 - ifal 2017) Leia o texto abaixo para responder à(s)
questão(ões).
Renúncia
Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...
BANDEIRA, Manuel. A cinza das horas. In: Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 75.
Nos excertos “o mal que te crucia”, “que a amarás um dia” e “pede
humildemente a Deus que a faça”, os pronomes em negrito estão,
adequadamente, em posição proclítica, haja vista a força atrativa
exercida pelo vocábulo “que”, presente nos referidos trechos. De
acordo com a norma padrão, qual das sentenças abaixo também
se compõe de maneira adequada quanto à colocação do pronome
átono?
a) Nada mantinha-se como antes.
b) Se permita sempre amar os outros.
c) Trataria-se de uma nova vitória do time.
d) Quando falará-se em ética na política?
e) Aqui também se fazem boas ações.
Exercício 19
(Espcex (Aman) 2016)  Assinale a alternativa em que o uso dos
pronomes relativos está em acordo com a norma culta da Língua
Portuguesa.
a) Busca-se uma vida por onde a tolerância seja, de fato,
alcançada.
b) Precisa-se de funcionários com cujo caráter não pairem
dúvidas.
c) São pessoas com quem depositamos toda a con�ança.
d) Há situações de onde tiramos forças para prosseguir. 
e) José é um candidato de cuja palavra não se deve duvidar.
Exercício 20
(G1 - ifsp 2016)  Com relação à colocação pronominal e ao
emprego dos pronomes, observe a tirinha abaixo.
I. No primeiro quadrinho, o pronome “mim” foi utilizado de forma
incorreta, no que tange à norma padrão da Língua Portuguesa e
de acordo com a gramática normativa.
II. No terceiro quadrinho, a frase: “Eu sei, estes momentos nos
deixam sem palavras...”, para seguir a regra da colocação
pronominal, deveria ter sido escrita da seguinte maneira: “Eu sei,
estes momentos deixam-nos sem palavras...”.
III. A frase: “Beije-me como nunca beijou alguém antes!” pode ser
reescrita da seguinte maneira, sem que haja prejuízo semântico:
“Beije-me como nunca beijou ninguém antes!”.
É correto o que se a�rma em
a) II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I e III, apenas.
d) I, II e III.
e) III, apenas.
Exercício 21
(Epcar (Afa) 2016) 
Quarto de Despejo
“O grito da favela que tocou a consciência do mundo inteiro”
2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos que eu
pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava que não tinha valor
e achei que era perder tempo.
...Eu �z uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas que eu
conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso amavel as
crianças e aos operarios.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite na
Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite os meus pés
doiam tanto que eu não podia andar.
Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Carlos. A
intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos.
3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar
qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas �cou sem efeito,
porque eu não tenho gordura. Os meninos estão nervosos por
não ter o que comer.
6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o João
carregar. Eu estava contente. Recebi outra intimação. Eu estava
inspirada e os versos eram bonitos e eu esqueci de ir na
Delegacia. Era 11 horas quando eu recordei do convite do ilustre
tenente da 12ª Delegacia.
...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não
tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.
Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo Theatro
Nilo.
9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de
conta que estou sonhando.
10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que homem
amavel!Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na
Delegacia na primeira intimação.
(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus �lhos.
Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas
tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria
e ao país. Pensei: se ele sabe disso, porque não faz um relatorio e
envia para os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o
Dr Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre
lixeira. Não posso resolver nem as minhas di�culdades.(...) O
Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A
fome tambem é professora. Quem passa fome aprende a pensar
no proximo e nas crianças.
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Parece que
até a natureza quer homenagear as mães que atualmente se
sentem infeliz por não realizar os desejos de seus �lhos. (...) O sol
vai galgando. Hoje não vai chover. Hoje é o nosso dia. (...) A D.
Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que
era para a Vera ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para
comprar pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem
eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigori�co. Comemos
a carne e guardei os ossos para ferver. E com o caldo �z as
batatas. Os meus �lhos estão sempre com fome. Quando eles
passam muita fome eles não são exigentes no paladar. (...) Surgiu
a noite. As estrelas estão ocultas. O barraco está cheio de
pernilongos. Eu vou acender uma folha de jornal e passar pelas
paredes. É assim que os favelados matam mosquitos.
13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para
mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos
escravos. Nas prisões os negros eram os bodes expiatorios. Mas
os brancos agora são mais cultos. E não nos trata com desprezo.
Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam feliz. (...)
Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte.
Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou
escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor Manuel
vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e
linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair. (...) Eu tenho dó dos
meus �lhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: Viva a
mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de
sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o
João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Mandei-lhe um
bilhete assim:
“Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho de gordura,
para eu fazer sopa para os meninos. Hoje choveu e não pude
catar papel. Agradeço. Carolina”
(...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente
come mais. A Vera começou a pedir comida. E eu não tinha. Era a
reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia
comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um
pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9
horas da noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura
atual – a fome!
(DE JESUS, Carolina Maria. Quarto de Despejo.)
Quanto ao uso dos pronomes, assinale a opção que traz uma
INFRAÇÃO à norma padrão da língua
a) “Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor
Manuel vender os ferros.” 
b) “Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a
banha e arroz.”
c) “...as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que
tornar-se util a patria e ao país.”
d) “É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.”
Exercício 22
(Uel 2016) Leia o poema, abaixo, e responda à(s) questão(ões) a
seguir.
estupor
esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer
esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir
esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir
(LEMINSKI, P. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras,
2013. p. 249.)
Acerca dos pronomes presentes no poema, assinale a alternativa
correta.
a) As várias ocorrências de “esse” têm função coesiva e remetem
ao “estupor” do título.
b) A segunda ocorrência de “que” reintroduz a ideia segundo a
qual a poesia é uma mentira.
c) Na primeira estrofe, “me” e “eu” indicam, respectivamente, o
poeta e o narrador.
d) As duas ocorrências do “se”, na segunda estrofe, re�etem a
tensão entre eu lírico e leitor.
e) No último verso, “me” é complemento do verbo “mentir”.
Exercício 23
(G1 - cp2 2016) Leia o texto para responder à(s) questão(ões).
História do humor
1“O humor está presente na civilização desde as sociedades mais
primitivas – ele é uma capacidade que o ser humano tem de olhar
a realidade e ressigni�cá-la, tornando-a algo engraçado e
conferindo-lhe olhar crítico. No passado, ele era até uma forma de
sobrevivência às adversidades e de união do grupo”, de acordo
com o professor da Escola de Comunicações e Artes, Ricardo
Alexino Ferreira.
Alexino conta que, a partir dos anos 40 os humoristas passaram a
retratar frequentemente de forma pejorativa grupos minorizados
da sociedade, como negros, mulheres, idosos e de�cientes.
2Segundo ele, os comediantes consideraram esse humor fácil,
pois muitas vezes se limitava a imitar essas pessoas. “Parte do
humor se tornou sem repertório e um reforçador de estereótipos,
uma caricatura do ‘outro’”, diz.
(Fonte: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2011/10/
quando-a-piada-perde-a-graca-e-viraofensa/ Acesso em:
08/09/2015)
Releia o trecho do texto “História do humor” a seguir: “O humor
está presente na civilização desde as sociedades mais primitivas –
ele é uma capacidade que o ser humano tem de olhar a realidade
e ressigni�cá-la, tornando-a algo engraçado e conferindo-lhe
olhar crítico.” (ref. 1).
Os pronomes oblíquos “la”, “a” e “lhe” referem-se ao mesmo
termo, que é
a) “uma capacidade”.
b) “as sociedades”.
c) “na civilização”.
d) “a realidade”.
Exercício 24
(G1 - ifpe 2016) Leia o texto abaixo para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
COMPUTADORES PROVOCAM ACIDENTES DO TRABALHO?
Durante muito tempo, a segurança do trabalho foi vista como um
tema que se relacionava apenas ao uso de capacetes, botas,
cintos de segurança e uma série de outros equipamentos de
proteção individual contra acidentes. No entanto, a evolução
tecnológica se fez acompanhar de novos ambientes de trabalho e
de riscos pro�ssionais a eles associados. Muitos desses novos
riscos são pouco ou nada conhecidos e demandam pesquisas
cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada
dos trabalhadores a ambientes nocivos a sua saúde e integridade
física. Hoje, o setor de segurança e saúde no trabalho é
multidisciplinar e tem como objetivo principal a prevenção dos
riscos pro�ssionais. O conceito de acidente é compreendido por
um maior número de pessoas que já identi�cam as doenças
pro�ssionais como consequências de acidentes do trabalho.
A relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios
para a humanidade, também trouxe um grande número de
vítimas. Entre as máquinas das novas relações pro�ssionais, os
computadores pessoais têm uma característica ímpar: nunca, na
história da humanidade, uma mesma máquina esteve presente na
vida pro�ssional de um número tão grande e diversi�cado de
trabalhadores.
Diante desses fatos, muitas dúvidas têm sido levantadas sobre os
riscos de acidentes no uso de computadores; entre eles,
destacam-se os chamados riscos ergonômicos. A Ergonomia é
uma ciência que estuda a adequação das condições de trabalho
às características psico�siológicas dos trabalhadores de modo a
proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho
e�ciente. Entre os riscos ergonômicos, aqueles que têm maior
relação com o uso de computadores são: exigência de postura
inadequada, utilização de mobiliário impróprio, imposição de
ritmos excessivos, trabalho em turno noturno, jornadas de
trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade.
A exposição do trabalhador ao risco gera o acidente, cuja
consequência,nesses casos, tem efeito mediato, ou seja, ela se
apresenta ao longo do tempo por ação cumulativa desses
eventos sucessivos. É como se, a cada dia de exposição ao risco,
um pequeno acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo. As
consequências dos acidentes do trabalho desse tipo são as
doenças pro�ssionais ou ocupacionais.
Já para os pro�ssionais que têm o computador como instrumento
de um trabalho diário, a prevenção dos riscos ergonômicos
relacionados ao seu uso deverá ser motivo de atenção e interesse,
observando, entretanto, que a legislação e as normas técnicas
estão inseridas no contexto maior de uma avaliação completa do
ambiente de trabalho. O bem-estar físico e psicológico dos
trabalhadores re�ete no seu desempenho pro�ssional e é
resultado de uma política global de investimento em segurança,
saúde e meio ambiente. O fundamental para os usuários de
computadores é saber que há procedimentos básicos para se
evitar acidentes no trabalho, mesmo quando esse trabalho se
concentra em uma relação homem-máquina aparentemente
amigável e isenta de riscos, desenvolvida em escritórios ou
mesmo em casa.
MATTOS, Ricardo Pereira de. Adaptado. Disponível em
<http://www.ricardomattos.com/artigo.htm#saude>. Acesso em:
09 jun. 2016.
Na Língua Portuguesa, o acento grave indicativo da crase é
utilizado para marcar a fusão da preposição a com os artigos
de�nidos femininos a e as, com os pronomes demonstrativos
aquele(s), aquela(s), aquilo, a e as e com o “a” do pronome
relativo a qual e as quais. A gramática normativa de nossa
língua, no entanto, a�rma que o uso desse acento é facultativo
em algumas situações. Assinale a alternativa em que o referido
acento também poderia ter sido utilizado, sem comprometer o
sentido do trecho.
a) “como se, à cada dia de exposição ao risco, um pequeno
acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo”. (4º parágrafo)
b) “À relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios
para a humanidade, também trouxe um grande número de
vítimas”. (2º parágrafo)
c) “Entre os riscos ergonômicos, àqueles que têm maior relação
com o uso de computadores são”. (3º parágrafo)
d) “pesquisas cujos resultados só se apresentam após a
exposição prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos à
sua saúde e integridade física”. (1º parágrafo) 
e) “à prevenção dos riscos ergonômicos relacionados ao seu uso
deverá ser motivo de atenção e interesse”. (5º parágrafo)
Exercício 25
(Upf 2016) O �lósofo e romancista Umberto Eco concedeu uma
entrevista ao Jornal El País em março de 2015, pouco menos de
um ano antes de sua morte. Na ocasião, o escritor falou sobre o
conteúdo de seu último romance, Número Zero, uma �cção sobre
o jornalismo inspirada na realidade e sobre as relações da
temática da obra com a atualidade: o papel da imprensa, a
Internet e a sociedade.
Pergunta: Agora a realidade e a fantasia têm um terceiro
aliado, a Internet, que mudou por completo o jornalismo.
Resposta: A Internet pode ter tomado o lugar do mau
jornalismo... Se 1você sabe que está lendo um jornal como EL
PAÍS, La Repubblica, Il Corriere della Sera…, pode pensar que
existe um certo controle da notícia e con�a. 2Por outro lado, se
3você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses,
sensacionalistas, não con�a. Com a Internet acontece o contrário4:
con�a em tudo porque não sabe diferenciar a fonte credenciada
da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na Internet
qualquer página web que fale de complôs 5ou que 6invente
histórias absurdas: tem um acompanhamento incrível, de
internautas e de pessoas importantes que as levam a sério.
Pergunta: Atualmente é difícil pensar no mundo do jornalismo
que era protagonizado, aqui na Itália, por pessoas como Piero
Ottone e Indro Montanelli…
Resposta: Mas a crise do jornalismo no mundo começou nos anos
1950 e 1960, bem quando chegou a televisão, antes que eles
7desaparecessem! Até então o jornal 8te contava o que acontecia
na tarde anterior, por isso muitos eram chamados jornais da
tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard…
Desde a invenção da televisão9, o jornal te diz pela manhã o que
você já sabe. E agora é a mesma coisa. O que um jornal deve
fazer?
Pergunta: Diga o senhor.
Resposta: Tem que se transformar em um semanário. Porque um
semanário tem tempo, são sete 10dias para construir 11suas
reportagens. Se você lê a Time ou a Newsweek vê que várias
pessoas 12contribuíram para uma história concreta, que
trabalharam nela semanas ou meses, enquanto que em um jornal
tudo é feito da noite para o dia. Um jornal que em 1944 tinha
quatro páginas hoje tem 64, então tem que preencher
obsessivamente com notícias repetidas, cai na fofoca, não
consegue evitar... A crise do jornalismo, 13então, começou há
quase cinquenta anos e é um problema muito grave e importante.
Pergunta: Por que é tão grave?
Resposta: Porque é verdade que, como dizia Hegel, a leitura dos
14jornais é a oração matinal do homem moderno. E 15eu não
consigo tomar meu café da manhã se não folheio o jornal; mas é
um ritual quase afetivo e religioso, porque folheio olhando os
títulos, e por 16eles me dou conta de que quase tudo já sabia na
noite anterior. 17No máximo, leio um editorial ou um artigo de
opinião. Essa é a crise do jornalismo contemporâneo. E disso não
sai!
Pergunta: Acredita de verdade que não?
Resposta: O jornalismo poderia ter outra função. Estou pensando
em alguém que faça uma crítica cotidiana da Internet, e é algo
que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: 18“Olha o
que tem na Internet, olha que coisas falsas estão dizendo, reaja a
isso, eu te mostro”. E isso pode ser feito tranquilamente. 19No
entanto, ainda 20pensam que o jornal é feito para que seja lido
por alguns velhos senhores 21– já que os jovens não 22leem –
que ainda não usam a Internet. Teria que se fazer um jornal que
não se torne apenas a crítica da realidade cotidiana, mas também
a crítica da realidade virtual. Esse é um futuro possível para um
bom jornalismo.
(EL PAÍS. Caderno cultura. 30 de março de 2015. Disponível em
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/26/cultura/1427393303_512601
Acesso em 10 abr. 2016)
Em relação ao uso dos pronomes no texto, é correto a�rmar que:
a) “suas” (ref. 11) retoma “dias” (ref. 10).
b) “eu” (ref. 15) é a única marca de subjetividade do texto.
c) “você” (ref. 1 e ref. 3) é uma referência direta ao entrevistador.
d) “eles” (ref. 16) retoma “jornais” (ref. 14).
e) “te” (ref. 8) pode ampliar a referência para além do interlocutor.
Exercício 26
(Ita 2015) 
            Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*,
estudioso francês que conviveu durante muito tempo com tribos
indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente
os membros dessas tribos designarem a si mesmos com um
vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os homens” e
reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como
“ovos de piolho”, “sub-homens” ou equivalentes com valor
pejorativo.
                      Trago esta referência – que Clastres denomina
etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em sociedades
primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces,
quem sabe constitucionais ou genéticas, no ódio ou recusa das
diferenças.
                      A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas
crianças. Uma criança uruguaia, com clara ascendência europeia,
como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena,
denuncia, entre indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança
japonesa que entrou em sua classe (fato raro em nosso meio) e
argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus
traços são diferentes e incomuns.
            Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-
se-ia concluir – precipitadamente – que o que manifestam, de
maneira tão primária e transparente, é algo que os
desenvolvimentos posteriores da civilização tornarão evidente de
forma mais complexa e so�sticada, mas com a mesmacontundência elementar.
                      Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar
causalidades simples e lineares, estamos a um passo de
“encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma
hierarquização em que a natureza precede a cultura, território de
escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o “biológico”
como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e
tranquilizadora ante questões que nos encurralam na ignorância e
na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o
ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.)
O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Considere o primeiro parágrafo do texto e a tirinha abaixo.
O par de pronomes que expressa a dicotomia dos conjuntos
tribos/navegantes e tribos vizinhas/não navegantes é
a) eu – você   
b) tu – vós
c) ele – eles
d) nós – eles
e) vocês – eles
Exercício 27
(Enem 2012)  A colocação pronominal é a posição que os
pronomes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação
ao verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te,
se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos, Esses pronomes podem
assumir três posições na oração em relação ao verbo. Próclise,
quando o pronome é colocado antes do verbo, devido a partículas
atrativas, corno o pronome relativo. Ênclise, quando o pronome é
colocado depois do verbo, o que acontece quando este estiver no
imperativo a�rmativo ou no in�nitivo impessoal regido da
preposição “a” ou quando o verbo estiver no gerúndio. Mesóclise,
usada quando o verbo estiver �exionado no futuro do presente ou
no futuro do pretérito.
A mesóclise é um tipo de colocação pronominal raro no uso
coloquial da língua portuguesa. No entanto, ainda é encontrada
em contextos mais formais, como se observa em:  
a) Não lhe negou que era um improviso.    
b) Faz muito tempo que lhe falei essas coisas.    
c) Nunca um homem se achou em mais apertado lance.    
d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum outro
autor?    
e) Acabou de chegar dizendo-lhe que precisava retornar ao
serviço imediatamente.
Exercício 28
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Examine a tira de André Dahmer para responder à(s)
questão(ões) a seguir
(Unesp 2020)  Constituem exemplos de linguagem formal e de
linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas:
a) “Ah, estou morrendo de pena...” e “Ainda vou trabalhar a noite
inteira no Iraque, meu rapaz.”    
b) “Me adianta essa, vai...” e “É cedo para mim.”    
c) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” e “Posso
lhe dar um emprego bem melhor...”    
d) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem
melhor...”    
e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa,
vai...”
Exercício 29
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Precisamos falar sobre fake news
            Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de pessoas no
mundo, faz uso frequente do celular. É com ele que, conversando
por voz ou por vídeo, diariamente, vence a distância e a saudade
dos netos e netas.
            Mas, para ela, assim como para milhares e milhares de
pessoas, o celular pode ser também uma fonte de engano. De vez
em quando, por acreditar no que chega por meio de amigos no
seu WhatsApp, me envia uma ou outra mensagem contendo uma
fake news. A última foi sobre um suposto problema com a vacina
da gripe que, por um momento, diferente de anos anteriores, a fez
desistir de se vacinar.
            Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros, não
nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os chamados
migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera um certo
estranhamento (e até constrangimento), embora nos fascine e
facilite a vida.
            Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos preparou para
essas mudanças que revolucionaram a comunicação. Pior: é difícil
destrinchar o que é verdade em tempo de fake news.
            Um dos maiores estudos sobre a disseminação de notícias
falsas na internet, publicado ano passado na revista "Science", foi
realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na
sigla em inglês), dos Estados Unidos, e concluiu que as notícias
falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e
alcançam muito mais gente.
            Isso porque as fake news se valem de textos alarmistas,
polêmicos, sensacionalistas, com destaque para notícias atreladas
a temas de saúde, seguidas de informações mentirosas sobre
tudo. Até pouco tempo atrás, a imprensa era a detentora do que
chamamos de produção de notícias. E os fatos obedeciam, a
critérios de apuração e checagem.
            O problema é que hoje mantemos essa mesma crença,
quase que religiosa, junto a mensagens das quais não
Identi�camos sequer a origem, boa parte delas disseminada em
redes sociais. Con�a-se a ponto de compartilhar, sem questionar.
            O impacto disso é preocupante. Partindo de pesquisas que
mostram que notícias e seus enquadramentos in�uenciam
opiniões e constroem leituras da realidade, a disseminação das
notícias falsas tem criado versões alternativas do mundo, da
História, das Ciências "ao gosto do cliente", como dizem por aí.
            Os problemas gerados estão em todos os campos. No
âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam de vacinar
seus �lhos a ponto de criar um grave problema de saúde pública
de impacto mundial. E passa por jovens vítimas de violência
virtual e física.
            No mundo corporativo, estabelecimentos comerciais
fecham portas, pro�ssionais perdem suas reputações e produtos
são desacreditados como resultado de uma foto
descontextualizada, uma Imagem alterada ou uma legenda falsa.
            A democracia também se fragiliza. O processo democrático
corre o risco de ter sua força e credibilidade afetadas por boatos.
Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas
iniciativas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco.
            Estamos em um novo momento cultural e social, que deve
ser entendido para encontrarmos um caminho seguro de
convivência com as novas formas e ferramentas de comunicação.
            No Congresso Nacional, tramitam várias iniciativas nesse
sentido, que precisam ser amplamente debatidas, com a
participação de especialistas e representantes da sociedade civil.
            O problema das fake news certamente passa pelo domínio
das novas tecnologias, com instrumentos de combate ao crime,
mas, também, pela pedagogia do esclarecimento.
            O que posso a�rmar, é que, embora não saibamos ainda o
antídoto que usaremos contra a disseminação de notícias falsas
em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a
utilização de qualquer tipo de controle que não seja democrático.
D.A., O Globo, em 10 de julho de 2019.
(G1 - col. naval 2020)  Em qual opção a colocação do pronome
oblíquo NÃO está de acordo com a modalidade padrão da língua?
a) Já me enviaram uma ou outra mensagem contendo notícias
falsas ou mentirosas.   
b) Se o mundo corporativo despreocupar-se com as fake news,
fechará as portas para o mercado.   
c) Con�a-se nas mensagens a ponto de compartilhá-las, sem
questionar suas origens.   
d) Atualmente, convivemos com uma tecnologia que nos fascina e
facilita muito a vida.   
e) Nada nem ninguém nos preparou para as mudanças
tecnológicas que vivemos hoje.
Exercício 30
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a música de Marcelo Jeneci e responda à(s) questão(ões).
Dar-te-ei
[...] Não te darei papéis, não te darei, esses rasgam,
esses borram
Não te darei discos, não, eles repetem, eles arranham
Não te darei casacos, não te darei, nem essas coisas
que te resguardam e que se vão
Dar-te-ei �nalmente os beijos meus
Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus
Esses embalam, esses secam, mas esses �cam.
Não te darei bombons, não te darei, eles acabam,
eles derretem
Não te darei festas, não te darei, elas terminam, elas
choram,elas se vão [...]
<https://tinyurl.com/ybf22rpl> Acesso em: 10.11.2017.
(G1 - cps 2018)  Há, nessa música, uma construção gramatical
chamada de mesóclise – “dar-te-ei” – de pouco uso na linguagem
escrita e quase extinto o uso na falada. Essa construção, chamada
de colocação pronominal, é uma das três posições possíveis – de
acordo com a gramática normativa
Baseando-se no que foi apresentado, assinale a alternativa que
apresenta uma relação correta – de acordo com a gramática
normativa – entre colocação pronominal e o seu uso na frase.
a) Próclise – “Faça-me o favor de não atrasar para nosso
encontro!”   
b) Ênclise – “Não te darei discos, não, eles repetem.”   
c) Ênclise – “Importava-se com o sucesso da prova.”   
d) Mesóclise – “A música? Cantá-la-rei quando souber a letra.”   
e) Mesóclise – “Alguém me procurou?”
Exercício 31
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão
formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem
ao contexto discursivo. Para exempli�car este fato, seu professor
de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto "Aí, Galera", de Luís
Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de
discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte.
AÍ, GALERA
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por
exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo
"estereotipação"? E, no entanto, por que não?
- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
- Minha saudação aos a�cionados do clube e aos demais
esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.
- Como é?
- Aí galera.
- Quais são as instruções do técnico?
- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção
coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação,
aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico,
concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios
e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação
momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão
inesperada do �uxo da ação.
- Ahn?
- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal,
talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado
por razões, inclusive, genéticas?
- Pode.
- Uma saudação para a minha progenitora.
- Como é?
- Alô, mamãe!
- Estou vendo que você é um, um...
- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde
à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com
di�culdade de expressão e assim sabota a estereotipação?
- Estereoquê?
- Um chato?
- Isso.
(Correio Braziliense, 13/05/1998)
(Enem 1998)  A expressão "pegá eles sem calça" poderia ser
substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta,
formal, por:
a) pegá-los na mentira.   
b) pegá-los desprevenidos.   
c) pegá-los em �agrante.   
d) pegá-los rapidamente.   
e) pegá-los momentaneamente.
Exercício 32
(G1 - ifsp 2017)  De acordo com a norma-padrão da Língua
Portuguesa e com a gramática normativa e tradicional, quanto à
colocação pronominal, assinale a alternativa correta.
a) Espero que Milton nunca esqueça-se de mim.   
b) Não me diga que Jorge faltou hoje.   
c) Tudo incomoda-me em você.   
d) Em tratando-se de informática, Lucas é o melhor.   
e) Foi Ronaldo quem ensinou-me matemática.   
Exercício 33
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a seguir.
O dono do livro
Li outro dia um fato real narrado pelo escritor
moçambicano Mia Couto. Ele disse que certa vez chegou em casa
no �m do dia, já havia anoitecido, quando um garoto humilde de
16 anos o esperava sentado no muro. O garoto estava com um
dos braços para trás, o que perturbou o escritor, que imaginou
que pudesse ser assaltado.
            Mas logo o menino mostrou o que tinha em mãos: um livro
do próprio Mia Couto. Esse livro é seu? perguntou o menino. Sim,
respondeu o escritor. Vim devolver. O garoto explicou que horas
antes estava na rua quando viu uma moça com aquele livro nas
mãos, cuja capa trazia a foto do autor.
            O garoto reconheceu Mia Couto pelas fotos que já havia
visto em jornais. Então perguntou para a moça: Esse livro é do
Mia Couto? Ela respondeu: É. E o garoto mais que ligeiro tirou o
livro das mãos dela e correu para a casa do escritor para fazer a
boa ação de devolver a obra ao verdadeiro dono.
            Uma história assim pode acontecer em qualquer país
habitado por pessoas que ainda não estejam familiarizadas com
os livros – aqui no Brasil, inclusive. De quem é o livro? A resposta
não é a mesma de quando se pergunta: “Quem escreveu o livro?”.
            O autor é quem escreve, mas o livro é quem lê, e isso de
uma forma muito mais abrangente do que o conceito de
propriedade privada – comprei, é meu. O livro é de quem lê
mesmo quando foi retirado de uma biblioteca, mesmo que seja
emprestado, mesmo que tenha sido encontrado num banco de
praça.
            O livro é de quem tem acesso às suas páginas e através
delas consegue imaginas os personagens, os cenários, a voz e o
jeito com que se movimentam. São do leitor as sensações
provocadas, a tristeza, a euforia, o medo, o espanto, tudo que é
transmitido pelo autor, mas que re�ete em quem lê de uma forma
muito pessoal. É do leitor o prazer. É do leitor a identi�cação. É do
leitor o aprendizado. É o leitor o livro.
            Dias atrás gravei um comercial de rádio em prol do
Instituto Estadual do Livro em que falo aos leitores exatamente
isso: os meus livros são os seus livros. E são, de fato. Não existe
livro sem leitor. Não existe. É um objeto fantasma que não serve
para nada.
            Aquele garoto de Moçambique não vê assim. Para ele, o
livro é de quem traz o nome estampado na capa, como se isso
sinalizasse o direito de posse. Não tem ideia de como se dá o
processo todo, possivelmente nunca entrou numa livraria, nem
sabe o que é tiragem.
            Mas, em seu desengano, teve a gentileza de tentar colocar
as coisas em seu devido lugar, mesmo que para isso tenha
roubado o livro de uma garota sem perceber.
            Ela era a dona do livro. E deve ter �cado estupefata. Um fã
do Mia Couto afanou seu exemplar. Não levou o celular, a
carteira, só quis o livro. Um danado de uma amante da literatura,
deve ter pensado ela. Assim são as histórias escritas também
pela vida, interpretadas a seu modo por cada dono.
Martha Medeiros. Jornal ZERO HORA – 06/11/11. Revista O
Globo, 25 de novembro de 2012.
(Esc. Naval 2017)  No trecho “[...] um garoto humilde de 16 anos
o esperava sentado no muro.” (1º parágrafo), é também correta,
de acordo com a norma-padrão brasileira, a colocação enclítica do
pronome o.
Assinale a opção em que também ocorre essa dupla possibilidade
– próclise e ênclise – na colocação do pronome destacado.
a) Ana me emprestou este livro.   
b) Não lhe emprestarei o livro de novo.    
c) Pre�ro que me traga as publicações depois.    
d) Sempre o vê sozinho na frente da biblioteca.    
e) Em lhe chegando a vez, termino de contar a história de ontem.
Exercício 34
(G1 - ifal 2016)  Escolha a frase que apresenta erro de colocação
pronominal.
a) Arremataram-nas, num leilão online, os que deram os maiores
lances.   
b) Se pudesse, explicaria-lhe tudo.   
c) Meu �lho tem-se interessado pelos negócios da família.   
d) Ele preparou-se para a entrevista de emprego.   
e) Sinto-me lisonjeado pelo elogio de tão ilustre professor.   
Exercício 35
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
(G1 - ifsul 2019)  Acerca do texto, nas orações: “se as eleições
fossem ontem” e em “quem você teria votado e se arrependido”, é
INCORRETO a�rmar que
a) a classi�cação gramatical do SE, respectivamente, é conjunção
e pronome.   
b) a conjunção SE poderia ser substituída, sem alteração de
sentido, pelo nexo oracional CASO.   
c) o pronome SE é atraído pela conjunção E, havendo, portanto,
uma ênclise.   
d) aclassi�cação do verbo utilizado na primeira oração é pretérito
imperfeito do subjuntivo.   
Exercício 36
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz
Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell, saltou para
o topo da lista dos mais vendidos (...) 1A distopia de Orwel,
mesmo situada no futuro, tinha um endereço certo em seu tempo:
o stalinismo. (...) 2O mundo da “pós-verdade”, dos “fatos
alternativos” e da anestesia intelectual nas redes sociais mais
parece outra distopia, publicada em 1932: Admirável mundo
novo, de Aldous Huxley.
3Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada pela primeira
vez em 1985, num livreto do teórico da comunicação americano
Neil Postman: Amusing ourselves to death (4Nos divertindo até
morrer), relembrado por seu �lho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário nenhum
Grande Irmão para despojar a população de autonomia,
maturidade ou história”, escreveu Postman. “Ela acabaria amando
sua opressão, adorando as tecnologias que destroem sua
capacidade de pensar. Orwell temia aqueles que proibiriam os
livros. Huxley temia que não haveria motivo para proibir um livro,
pois não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley, aqueles que
nos dariam tanta que seríamos reduzidos à passividade e ao
egoísmo. 5Orwell temia que a verdade fosse escondida de nós.
Huxley, que fosse afogada num mar de irrelevância.”
6No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães, pais ou
casamentos. O sexo é livre. A diversão está disponível na forma
de jogos esportivos, cinema multissensorial e de uma droga que
garante o bem-estar sem efeito colateral: o soma. Restaram na
Terra dez áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde 7grupos nativos ainda preservam costumes e tradições
primitivos, como família ou religião. “O mundo agora é estável”,
diz um líder civilizado. “As pessoas são felizes, têm o que desejam
e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em
segurança; nunca adoecem; 8não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
sobrecarregadas de pais e mães; 9não têm esposas, nem �lhos,
nem amantes por quem possam sofrer emoções violentas; são
condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar
de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar
mal, há o soma.”
10Para chegar à estabilidade absoluta, foi necessário abrir mão da
arte e da ciência. “A felicidade universal mantém as engrenagens
em funcionamento regular; a verdade e a beleza são incapazes de
fazê-lo”, diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza, o que
importava.” A verdade é considerada uma ameaça; a ciência e a
arte, perigos públicos. Mas não é necessário esforço totalitário
para controlá-las. Todos aceitam de bom grado, fazem “qualquer
sacrifício em troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária
de soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida. Mas foi
excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada pela dor. No de
Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que nossa ruína seria causada
pelo que odiamos. Huxley, pelo que amamos”, escreve Postman.
Só precisa haver censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o
público sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
(...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão, que ele
julgava ter imposto uma cultura fragmentada e super�cial,
incapaz de manter com a verdade a relação re�exiva e racional da
palavra impressa. 11O computador só engatinhava, e Postman
mal poderia prever como celulares, tablets e redes sociais se
tornariam – bem mais que a TV – o soma contemporâneo. Mas
suas palavras foram prescientes: “O que a�igia a população em
Admirável mundo novo não é que estivessem rindo em vez de
pensar, mas que não sabiam do que estavam rindo, nem tinham
parado de pensar”.
Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p. 67.
Distopia = Pensamento, �loso�a ou processo discursivo
caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo
controle da sociedade, representando a antítese de utopia.
(BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de
Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p. 533).
(Epcar (Afa) 2018)  Tendo como base o que prescreve a norma
culta padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa cuja
análise está correta.
a) “Nos divertindo até morrer” (ref. 4) apresenta uma colocação
pronominal adequada, pois, além de ser a tradução de um nome
próprio, o gerúndio não admite ênclise.    
b) Em “...grupos nativos ainda preservam costumes e tradições
primitivos...” (ref. 7), o adjetivo poderia estar no feminino para
concordar com o último elemento, já que está posposto a ele.    
c) O termo sublinhado em “... não têm esposas, nem �lhos, nem
amantes por quem possam sofrer...” (ref. 9) poderá ser substituído
por os quais e não acarretará alteração sintática nem semântica
na sentença.    
d) Em “... não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da
paixão e da velhice...” (ref. 8) os termos sublinhados exercem a
mesma função sintática: adjuntos adnominais dos substantivos a
que se referem.    
Exercício 37
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O celular que escraviza
Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e
podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de
desligar?
Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia,
não conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência.
1Dormimos ao lado dele, acordamos com ele, o levamos para o
banheiro e para o café da manhã – e, se, por enorme azar, o
esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos
incapazes de �car mais de um minuto sem olhar para ele. É
através dele que nos conectamos com o mundo, com os amigos,
com o trabalho. 2Sabemos da vida de todos e informamos a todos
o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele
nos fornece pequenos estímulos prazerosos dos quais nos
tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número de
brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os
celulares que fazem muito mais que falar. Com eles, trocamos e-
mails, usamos programas de GPS e navegamos em redes sociais.
O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as
pessoas param, olham a tela do celular, dedilham uma
mensagem. Enquanto conversam. Enquanto namoram. Enquanto
participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo
enquanto dirigem.
3“É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra
americano David Green�eld, diretor do Centro para Tratamento
de Vício em Internet e Tecnologia, na cidade de West Hartford.
“Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades
constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” 4O
pai de todos os vícios, claro, é o Facebook, maior rede social do
mundo, onde publicamos notícias sobre nós mesmos como se
alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.
Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da
dependência. Programas de troca de fotos como o Instagram
conectam milhões de pessoas por meio das imagens feitas pelas
câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de
trocas de mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos
escritos que se assemelham a uma conversa na mesa do bar. O
�nal dessa história pode ser dramático. Interagir com o aparelho –
e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal –
tornou-se para alguns uma compulsão tão violenta que pode
colocar a própria vida em risco.
5Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor
Sauer, de 18 anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia
interestadual que liga os Estados de Utah e Idaho quando bateu a
130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor
trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol
americano. Uma a cada 90segundos. Seu último post foi: “Não
posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no Facebook não é
seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor
teria avistado o veículo à frente, que andava a meros 25
quilômetros por hora. O caso terrível não é uma aberração
estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da
distração no celular, de acordo com a agência federal National
Transportation Safety Board.
No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos
pro�ssionais que trabalham na área. “Minha experiência sugere
que essa é a quarta maior causa de acidentes, só atrás do excesso
de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz Dirceu
Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.
(...) 6O cérebro só faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando
ao telefone duplica o risco de um acidente.
(...)
7A sensação de estar por fora é consequência da
hiperconectividade, um conceito elaborado por dois
pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry
Wellman. Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono
de um celular moderno. Ele pode se comunicar a partir de
qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,
seus amigos e o restante do mundo 8– com exceção (maldição!)
de locais em que o sinal é fraco 9ou (pesadelo!) não chega. Um
dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser altamente
viciante. Daí a descon�ança de especialistas de que motoristas
que não conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na
verdade, dependentes. Dispositivos eletrônicos como os celulares
geram a sensação de prazer para o cérebro porque ele se sente
recompensado a cada novidade recebida. 10Uma mensagem é um
pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante
para nossos neurônios, a dopamina, encarrega-se de gerar a
sensação agradável. O Instituto de Informação e Tecnologia de
Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto
tempo do dia gastamos com 11o hábito de veri�car atualizações
em busca desse barato cerebral. De acesso em acesso, somamos
duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos Estados
Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)
Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista
Época,15/06/2012. Disponível em
<http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-
que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.
(G1 - cmrj 2018)  Sobre o trecho “Dormimos ao lado dele,
acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da
manhã – e, se, por enorme azar, o esquecemos em casa ao sair,
voltamos correndo.” (ref. 1), pode-se a�rmar que 
a) os verbos dormir e acordar são transitivos indiretos e regem
complementos introduzidos, respectivamente, pelas preposições
“a” e “com”.    
b) foi usada, de acordo com a norma padrão, a próclise com os
verbos levar e esquecer.    
c) as expressões “ao lado dele”, “com ele”, “para o banheiro” e
“em casa” são adjuntos adverbiais.    
d) caso o autor optasse pela ênclise, a colocação pronominal
resultaria nas formas esquecemos-lo e levamos-lo.    
e) a ênclise não é indicada nos dois casos em questão por causa
de palavras atrativas.    
Exercício 38
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões).
Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de
Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos
(Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que
pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz
mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma
incrível atualidade.
“(...) De uma coisa sabemos, que o homem branco 1talvez venha a
um dia descobrir: 2o nosso Deus é o mesmo Deus. 3Julga, talvez,
que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir
a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da
mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é
amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo
Criador. O homem branco também vai desaparecer, 4talvez mais
depressa do que as outras raças. 5Continua sujando a sua própria
cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios
dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os
cavalos selvagens, 6quando as matas misteriosas federem à
gente, quando as colinas escarpadas se encherem de �os que
falam, onde �carão então os sertões? Terão acabado. E as águias?
Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à
caça; 7o �m da vida e o começo da luta pela sobrevivência. (...)
8Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se
soubéssemos quais as esperanças transmite a seus �lhos nas
longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para
que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós
somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para
nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio
caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas
que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos
dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver
partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a
pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver
nestas �orestas e praias, 9porque nós as amamos como um
recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te
vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos.
10Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a
terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu
poder, e todo o seu coração, 11conserva-a para os seus �lhos, e
ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso
Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo
o homem branco pode evitar o nosso destino comum.”
www.culturabrasil.pro.br/seattle1.htm. Acesso em 16/04/2016.
(G1 - epcar (Cpcar) 2017)  Assinale a alternativa cuja análise está
correta.
a) O acento utilizado em “compreendêssemos” justi�ca-se por se
tratar de uma palavra proparoxítona; já o utilizado em
“protegíamos” justi�ca-se pela regra do hiato tônico.   
b) Os acentos graves utilizados em “causar dano à terra” e
“federem à gente” justi�cam-se por se tratar de complementos
verbais intransitivos.   
c) Justi�ca-se o uso da ênclise em “Protege-a” (ref. 10), por iniciar
período; e, em “conserva-a” (ref. 11), por iniciar uma oração
antecedida de vírgula.   
d) Em “o nosso Deus é o mesmo Deus” (ref. 2) o adjetivo “mesmo”
foi utilizado no sentido de “próprio”.  
Exercício 39
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto e responda à(s) questão(ões) a seguir.
EMBARQUE IMEDIATO
Não basta passar pelos dias. Viva a partir de agora, com
emoção
Por Márcia de Luca
Neste mundo de turbulências em que estamos vivendo, muitas
vezes nos sentimos deprimidos. Em certos momentos, parece que
tudo está perdido, não é mesmo? Achamos que tudo está
diferente, que as pessoas estão __________.
Mas aqui e agora, tome uma atitude �rme em sua vida. Mude seu
jeito negativo de ser, evitando que sua vida seja insigni�cante.
Perdoe erros que você considerava imperdoáveis, troque as
pessoas insubstituíveis por gente mais leve e solta. O apego aos
outros está obsoleto. Nada nem ninguém é insubstituível. Aceite
a decepção que outros lhe causaram para que você também seja
aceito. Sim, porque todos, inclusive nós, já decepcionamos
alguém.
Antes de reagir por impulso, pare, respire fundo. E, só então, aja,
com equilíbrio. Ame profundamente, __________ risadas
gostosas, abrace, proteja pessoas queridas, faça amigos. Pule de
felicidade e não tenha medo de quebrar a cara – se isso
acontecer, encare com leveza. Se perder alguém nesta vida, sofra
comedidamente – e vá em frente, pois tudo passa.
Mas, sobretudo, não seja alguém que simplesmente passa pela
vida. Viva intensamente. Abrace o mundo com a devida paixão
que ele merece. Se perder, faça-o com classe, se vencer, que
delícia! O mundo pertence a quem se atreve a ser feliz. Aproveitecada instante dessa grande aventura.
Agora mesmo, neste __________, sente-se confortavelmente na
poltrona, com a coluna ereta e de olhos fechados. Faça vários
ciclos de respiração profunda e sinta o ar entrando e saindo.
Quando sentir seu corpo relaxado e sua mente mais calma, pense
em sua nova vida, mais leve. Desta maneira você viverá mais
facilmente.
Fonte: Revista Gol – Linhas áreas inteligentes
(G1 - ifsul 2016)  A colocação pronominal em “Se perder, faça-o
com classe...” justi�ca-se por
a) questão de estilo.   
b) ausência de mesóclise.   
c) necessidade de próclise.   
d) obrigatoriedade de ênclise.   
Exercício 40
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a seguir.
Laivos de memória
“... e quando tiverem chegado, vitoriosamente,
ao �m dessa primeira etapa,
mais ainda se convencerão de que
abraçaram uma carreira difícil,
árdua, cheia de sacrifícios,
mas útil, nobre e, sobretudo bela.”
(NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964)
            Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia,
tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente
soube suportar com bravura.
Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da
família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana
�uminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e
coisas tão caras era, naquele momento, su�cientemente forte
para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha
vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as
minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes
que iam muito além das montanhas que circundam minha terra
natal.
Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta
nos corações dos jovens?
Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que
dolorosas – e despedidas são sempre dolorosas – não seriam
certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que
acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em
realidade.
Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas
na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de
mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da
Marinha do Brasil.
Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e
orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a
tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era
naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos
vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião
das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias
de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta
pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de
nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se,
naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em
Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica
Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara.
Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência,
tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de
aprendizagem cientí�ca, humanística e, sobretudo, militar-naval.
Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas
esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia,
ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e
sociais, que deixaram marcas indeléveis.
Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos
passados des�lam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes,
em meio a saudosos devaneios.
Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares
com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar – a razão de
ser da carreira naval.
Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras
descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza!
Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado
embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma
Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade
ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em
1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira.
Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro
embarque efetivo e o verdadeiro início da vida pro�ssional – no
meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12.
Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67.
Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do
coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a
bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas
descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-
Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a
compromissos curriculares, as platinas de O�cial começariam,
�nalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição
do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-
marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: “... é
a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a
adolescência, primavera da vida. Tudo são �ores e ilusões...
Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de
novos cargos, o acúmulo de deveres novos”.
E esses novos cargos e deveres novos, que foram se
multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam
agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o
passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d’ Armas, hoje
saudosas, foram se incorporando ao acervo pro�ssional-afetivo
de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha
de 1967.
Ah! Como é grati�cante, ainda que melancólico, repassar tantas
lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas
tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de
inesquecíveis e saudosos navios...
E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem
aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de
milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as
extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao
longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com
passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas,
baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos
quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares
bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis.
Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no
Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona
inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao
contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e
hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os
ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga
Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka.
Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos.
Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto
visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim,
pois, como dizia Câmara Cascudo, “o mar não guarda os vestígios
das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão
cordial do descobrimento”.
(CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In:
Revista de Villegagnon, Ano IV, nº 4, 2009. p. 42-50. Texto
adaptado)
(Esc. Naval 2016)  Assinale a opção em que o uso da ênclise se
dá pelo mesmo motivo observado em: “Naquela ocasião,
despedia-me dos amigos de infância e da família (...)” (2º
parágrafo)
a) Os Aspirantes sentiam-se orgulhosos de suas conquistas
acadêmicas.   
b) Aqui, instalaram-se comodamente os atletas brasileiros,
durante os Jogos Olímpicos.   
c) A mãe da jovem Aspirante tinha-lhe observado a importância
da escolha pro�ssional.   
d) Relatou-nos, com detalhes, as aventuras e desventuras de sua
última viagem de barco.   
e) Os alunos não estavam gostando do livro, mas continuavam a
lê-lo.   
Exercício 41
(Insper 2012)  Com mais de 50 anos de escrevinhação nas costas,
descobri algumas ideias que muita gente faz da vida de um
escritor. Por exemplo, tem quem ache que os escritores,
notadamente entre eles mesmos, só falam difícil, uma
proparoxítona para abrir, umamesóclise para dar classe e um
tetrassílabo para arrematar. "Em teu parecer, meu impertérrito
amigo", perguntaria eu ao Rubem Fonseca, durante nosso almoço
periódico, "abater-se-á hoje, sobre a nossa urbe, uma formidanda
intempérie?" Ao que o Zé Rubem reagiria com uma anástrofe, um
mais-que-perfeito fazendo as vezes do imperfeito do subjuntivo e
uma aliteração �nal show de bola, coisa de craque mesmo.
"Augure do tempo fora eu, pressagiá-lo-ia libentissimamente",
responderia ele. "Todavia, de tal não me trato." E assim iríamos
almoço afora, discutindo elevadíssimos assuntos, em linguagem
só compreensível por indivíduos especiais.
João Ubaldo Ribeiro, O Estado de São Paulo, 03/07/2011.
Ao comentar a suposta so�sticação presente nas falas dos
escritores, João Ubaldo Ribeiro faz menção a vários fenômenos de
linguagem. A respeito deles, está correto o que se a�rma em:
a) Os tetrassílabos ocorrem quando as palavras contêm um grupo
de duas letras que representam um único fonema.   
b) A mesóclise, exempli�cada em formas como “abater-se-á”, é
uma construção que determina a colocação do pronome em
relação ao verbo.   
c) A anástrofe consiste em estabelecer a concordância ideológica,
isto é, de acordo com a ideia e não com as palavras que
efetivamente aparecem na oração.   
d) O pretérito mais que perfeito e o imperfeito do subjuntivo
expressam um processo verbal indicativo de exortação e
advertência.   
e) A aliteração, empregada pelo autor em “libentissimamente”,
exprime o auge da intensi�cação de uma qualidade.   
Exercício 42
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o trecho do ensaio “A transitoriedade”, de Sigmund Freud
(1856-1939), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Algum tempo atrás, �z um passeio por uma rica paisagem num
dia de verão, em companhia de um poeta jovem, mas já famoso. O
poeta admirava a beleza do cenário que nos rodeava, porém não
se alegrava com ela. Era incomodado pelo pensamento de que
toda aquela beleza estava condenada à extinção, pois
desapareceria no inverno, e assim também toda a beleza humana
e tudo de belo e nobre que os homens criaram ou poderiam criar.
Tudo o mais que, de outro modo, ele teria amado e admirado, lhe
parecia despojado de valor pela transitoriedade que era o destino
de tudo.
Sabemos que tal preocupação com a fragilidade do que é belo e
perfeito pode dar origem a duas diferentes tendências na psique.
Uma conduz ao doloroso cansaço do mundo mostrado pelo jovem
poeta; a outra, à rebelião contra o fato constatado. Não, não é
possível que todas essas maravilhas da natureza e da arte, do
nosso mundo de sentimentos e do mundo lá fora, venham
realmente a se desfazer. Seria uma insensatez e uma blasfêmia
acreditar nisso. Essas coisas têm de poder subsistir de alguma
forma, subtraídas às in�uências destruidoras.
Ocorre que essa exigência de imortalidade é tão claramente um
produto de nossos desejos que não pode reivindicar valor de
realidade. Também o que é doloroso pode ser verdadeiro. Eu não
pude me decidir a refutar a transitoriedade universal, nem obter
uma exceção para o belo e o perfeito. Mas contestei a visão do
poeta pessimista, de que a transitoriedade do belo implica sua
desvalorização.
Pelo contrário, signi�ca maior valorização! Valor de
transitoriedade é valor de raridade no tempo. A limitação da
possibilidade da fruição aumenta a sua preciosidade. É
incompreensível, a�rmei, que a ideia da transitoriedade do belo
deva perturbar a alegria que ele nos proporciona. Quanto à
beleza da natureza, ela sempre volta depois que é destruída pelo
inverno, e esse retorno bem pode ser considerado eterno, em
relação ao nosso tempo de vida. Vemos desaparecer a beleza do
rosto e do corpo humanos no curso de nossa vida, mas essa
brevidade lhes acrescenta mais um encanto. Se existir uma �or
que �oresça apenas uma noite, ela não nos parecerá menos
formosa por isso. Tampouco posso compreender por que a beleza
e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização
intelectual deveriam ser depreciadas por sua limitação no tempo.
Talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje
admiramos se reduzam a pó, ou que nos suceda uma raça de
homens que não mais entenda as obras de nossos poetas e
pensadores, ou que sobrevenha uma era geológica em que os
seres vivos deixem de existir sobre a Terra; mas se o valor de
tudo quanto é belo e perfeito é determinado somente por seu
signi�cado para a nossa vida emocional, não precisa sobreviver a
ela, e portanto independe da duração absoluta.
(Introdução ao narcisismo, 2010. Adaptado.)
(Unesp 2019)  a) Identi�que os referentes dos pronomes
sublinhados no primeiro e no quarto parágrafos.
b) Reescreva o trecho “Era incomodado pelo pensamento de que
toda aquela beleza estava condenada à extinção” (1º parágrafo)
na voz ativa.
Exercício 43
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O fragmento de texto apresentado foi retirado do romance O
crime do padre Amaro, de Eça de Queirós.*
FRAGMENTO IV
Ela então, movendo-se com uma cautela solene, chegou-se ao
espelho da sacristia – um antigo espelho de re�exo esverdeado,
com um caixilho negro de carvalho lavrado, tendo no topo uma
cruz. Mirou-se um momento, naquela seda azul-celeste que a
envolvia toda, picada do brilho agudo das estrelas, com uma
magni�cência sideral. 1Sentia-lhe o peso rico. A santidade que o
manto adquirira no contacto com os ombros da imagem
penetrava-a duma voluptuosidade beata. Um �uido mais doce
que o ar da terra envolvia-a, fazia-lhe passar no corpo a carícia do
éter do Paraíso. 2Parecia-lhe ser uma santa no andor, ou mais
alto, no Céu...
Amaro babava-se para ela:
– Oh �lhinha, és mais linda que Nossa Senhora!
Ela deu uma olhadela viva ao espelho. Era, decerto, linda. Não
tanto como Nossa Senhora... Mas com o seu rosto trigueiro, de
lábios rubros, alumiado por aquele rebrilho dos olhos negros, se
estivesse sobre o altar, com cantos ao órgão e um culto
sussurrando em redor, faria palpitar bem forte o coração dos
�éis...
Amaro então chegou-se por detrás dela, cruzou-lhe os braços
sobre o seio, apertou-a toda – e estendendo os lábios por sobre
os dela, deu-lhe um beijo mudo, muito longo... Os olhos de
Amélia cerravam-se, a cabeça inclinava-se-lhe para trás, pesada
de desejo.
(...)
Mas endireitou-se de repente, �xou Amaro batendo as pálpebras
como acordada de muito longe; 3uma onda de sangue escaldou-
lhe o rosto:
– Oh Amaro, que horror, que pecado!...
– Tolice! disse ele.
Mas ela desprendia-se do manto, toda a�ita:
4– Tira-mo, tira-mo! gritava, como se a seda a queimasse.
Então Amaro fez-se muito sério. Realmente não se devia brincar
com coisas sagradas...
(CAPÍTULO XVIII)
* Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000.
(Uerj 2019)  Tendo em vista o papel coesivo dos pronomes, leia
as frases a seguir, retiradas do fragmento IV.
(1) Sentia-lhe o peso rico. (ref. 1)
(2) Parecia-lhe ser uma santa no andor, (ref. 2)
(3) uma onda de sangue escaldou-lhe o rosto: (ref. 3)
(4) – Tira-mo, tira-mo! (ref. 4)
Reescreva essas quatro frases, recuperando os termos retomados
pelos pronomes sublinhados.
Exercício 44
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o trecho do conto O 1alienista, de Machado de Assis (1839-
1908), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Era a vez da terapêutica. Simão Bacamarte, ativo e sagaz em
descobrir enfermos, excedeu-se ainda na diligência e penetração
com que principiou a tratá-los. Neste ponto todos os cronistas
estão de pleno acordo: o ilustre alienista fez curas pasmosas, que
excitaram a mais viva admiração em Itaguaí.
Com efeito, era difícil imaginar mais racional sistema terapêutico.
Estando os loucos divididos por classes, segundo a perfeição
moral que em cada um deles excedia às outras, Simão Bacamarte
cuidou em atacar de frente a qualidade predominante.
Suponhamos um modesto. Ele aplicava a medicação que pudesse
incutir-lhe o sentimento oposto; e não ia logo às doses máximas,
— graduava-as, conforme o estado, a idade, otemperamento, a
posição social do enfermo. Às vezes bastava uma casaca, uma
�ta, uma cabeleira, uma bengala, para restituir a razão ao
alienado; em outros casos a moléstia era mais rebelde; recorria
então aos anéis de brilhantes, às distinções honorí�cas, etc.
Houve um doente, poeta, que resistiu a tudo. Simão Bacamarte
começava a desesperar da cura, quando teve ideia de mandar
correr matraca, para o �m de o apregoar como um rival de Garção
2 e de Píndaro 3.
— Foi um santo remédio, contava a mãe do infeliz a uma comadre;
foi um santo remédio.
[...]
Tal era o sistema. Imagina-se o resto. Cada beleza moral ou
mental era atacada no ponto em que a perfeição parecia mais
sólida; e o efeito era certo. Nem sempre era certo. Casos houve
em que a qualidade predominante resistia a tudo; então, o
alienista atacava outra parte, aplicando à terapêutica o método da
estratégia militar, que toma uma fortaleza por um ponto, se por
outro o não pode conseguir.
No �m de cinco meses e meio estava vazia a Casa Verde; todos
curados! O vereador Galvão, tão cruelmente a�igido de
moderação e equidade, teve a felicidade de perder um tio; digo
felicidade, porque o tio deixou um testamento ambíguo, e ele
obteve uma boa interpretação, corrompendo os juízes, e
embaçando os outros herdeiros.
[...]
Agora, se imaginais que o alienista �cou radiante ao ver sair o
último hóspede da Casa Verde, mostrais com isso que ainda não
conheceis o nosso homem. Plus ultra! 4 era a sua divisa. Não lhe
bastava ter descoberto a teoria verdadeira da loucura; não o
contentava ter estabelecido em Itaguaí o reinado da razão. Plus
ultra! Não �cou alegre, �cou preocupado, cogitativo; alguma coisa
lhe dizia que a teoria nova tinha, em si mesma, outra e novíssima
teoria.
— Vejamos, pensava ele; vejamos se chego en�m à última
verdade.
Dizia isto, passeando ao longo da vasta sala, onde fulgurava a
mais rica biblioteca dos domínios ultramarinos de Sua Majestade.
Um amplo chambre de damasco, preso à cintura por um cordão
de seda, com borlas de ouro (presente de uma Universidade)
envolvia o corpo majestoso e austero do ilustre alienista. A
cabeleira cobria-lhe uma extensa e nobre calva adquirida nas
cogitações cotidianas da ciência. Os pés, não delgados e
femininos, não graúdos e mariolas, mas proporcionados ao vulto,
eram resguardados por um par de sapatos cujas �velas não
passavam de simples e modesto latão. Vede a diferença: — só se
lhe notava luxo naquilo que era de origem cientí�ca; o que
propriamente vinha dele trazia a cor da moderação e da singeleza,
virtudes tão ajustadas à pessoa de um sábio.
(O alienista, 2014.)
1alienista: médico especialista em doenças mentais.
2Garção: um dos principais poetas do Neoclassicismo português.
3Píndaro: considerado o maior poeta lírico da antiga Grécia.
4Plus ultra!: expressão latina que signi�ca “Mais além!”.
(Unesp 2018)  a) Cite os referentes dos pronomes sublinhados no
primeiro e no segundo parágrafos.
b) Transcreva dois pequenos excertos em que o narrador se dirige
diretamente ao leitor.
Exercício 45
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Duzentos dos que gozam da mesma cidadania que ela e quase o
mesmo número dos que gozam da mesma que eu �guram entre
os oitocentos mortos no naufrágio de 18 de abril de 2015 na
costa da Sicília. Muitos são aqueles de quem já não se fala mais,
aqueles dos quais nunca se falará, jogados nas fossas comuns
que se tornaram o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo.
Seu �lho único, um dia, partiu para a Europa com 89 outros
jovens de Thiaroye (Senegal) a bordo de uma embarcação que o
mar engoliu. Nós nos encontramos porque, no meu país, outras
mães de migrantes desaparecidos que não querem esquecer nem
baixar os braços me interpelaram: “Não vimos de novo nossos
�lhos nem vivos nem mortos. O mar os matou. Por quê?” Elas
também não sabiam nada sobre esse mar assassino, já que nosso
país não tem litoral.
Me lembrarei para sempre, corajosa Yayi, deste profundo
momento de acolhimento e de partilha que foi o “Círculo do
Silêncio” que organizamos juntas no Fórum Social Mundial (FSM)
de Dacar, em fevereiro de 2011.
Aminata D. Traoré. “São nossas crianças”. Em: Le Monde
Diplomatique Brasil, setembro de 2016. Adaptado.
(Fgv 2017)  Considerando o emprego de pronomes do texto,
responda ao que se pede.
a) A quem se referem os pronomes destacados nas passagens:
“Duzentos dos que gozam da mesma cidadania que ela...”, “Seu
�lho único, um dia, partiu para a Europa...”, “Nós nos encontramos
porque...” e “Elas também não sabiam nada sobre esse mar
assassino...”?
Justi�que sua resposta com informações do texto.
b) Observe a colocação dos pronomes destacados nas passagens:
- “Muitos são aqueles de quem já não se fala mais, aqueles dos
quais nunca se falará, jogados nas fossas comuns que se
tornaram o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo.” (1º
parágrafo)
- “Me lembrarei para sempre, corajosa Yayi, deste profundo
momento de acolhimento e de partilha…” (último parágrafo)
Comente, segundo os princípios da norma-padrão, a colocação
desses pronomes nos respectivos contextos.  
Exercício 46
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A CADEIRINHA
            Naquele fundo de sacristia, escondida ou arredada como
se fora uma imagem quebrada cuja ausência do altar o decoro do
culto exige, encontrei a cadeirinha azul, forrada de damasco cor
de ouro velho. Na frente e no fundo, dois pequenos painéis
pintados em madeira com traços �nos e expressivos.
Representava cada qual uma dama do antigo regime. A da frente,
vestida de seda branca, contrastava a alvura do vestido e o tênue
colorido da pele com o negrume dos cabelos repuxados em trunfa
alta e o vivo carmim dos lábios; tinha um ar desdenhoso e
fatigado de �dalga elegante para quem os requintes da etiqueta e
galanteios dos salões são já coisas velhas e comezinhas. A outra,
mais antiga ainda, trazia as melenas em cachos artísticos sobre as
fontes e as pequeninas orelhas; um leque de mar�m semiaberto
comprimia-lhe os lábios rebeldes que queriam expandir-se num
riso franco; os olhos grandes e negros tinham mais paixão e mais
alma. Esta contemporânea de La Vallière, que o artista anônimo
perpetuou na madeira da cadeirinha, não se parecia muito com
aquela meiga vítima da régia concupiscência; ao contrário, um
certo arregaçado das narinas, uma ponta de ironia que lhe
voejava na comissura da boca breve e enérgica – tudo isso
mostrava estar ali naquele painel representada uma mulher
meridional, ardente e vivaz, pronta ao amor apaixonado ou à luta
odienta. [...]
            Sem querer acrescentar mais ao já dito sobre as damas,
perguntava de mim para mim se o pintor do século passado, ao
traçar com tanta correção e �nura os dois retratos de mulher,
transmitindo-lhes em cada cabelo do pincel uma chama de vida,
não estaria realmente diante de dois espécimens raros de �lhas
de Eva, de duas heroínas que por serem de comédia ou de ópera
nem por isso deixam de o ser da vida real?
            – Quem sabe se a Fontagens e a Montespan?
            – Qual! Impossível!
            – Impossível? não! Porque a cadeirinha podia
perfeitamente ter sido pintada em França e era até mais natural
crê-lo; porquanto a �nura das tintas e a correção dos traços
pareciam indicar um artista das grandes cortes da época.
            E assim, em tais conjeturas pus-me a examinar mais
detidamente o velho e delicado veículo, relíquia do século
passado, sobrevivendo não sei por que na sacristia da igreja de
um modesto arraial mineiro. Os varais, conformes à moda bizarra
do tempo, terminavam em cabeças de dragões com as faces
abertas e sanguentas e os olhos com uma expressão de
ferocidade estúpida. O forro de cima formava um pequeno docel
de torno senhorial; e o ouro velho do damasco que alcatifava
também os dois assentos fronteiriços não tem igual nas casas de
modas de agora.
            Qual das matronas de Ouro Preto, ou das cidadesque
como esta alcançam mais de um século, não terá visto, ou pelo
menos ouvido falar com insistência, quando meninas, nas
cadeirinhas conduzidas por lacaios de libré, onde as moçoilas e as
damas de outrora se faziam delicadamente transportar?
            Quem não fará reviver na imaginação uma das cenas
galantes da cortesia antiga em que, através da portinhola cortada
de caprichosos lavares de talha, passava um rostozinho
enrubescido e dois olhos de veludo a pousarem de leve sobre o
cavalheiro de espadim com quem a misteriosa dama cruzava na
passagem?
            Também, ó pobre cadeirinha, lá terias o teu dia de
caiporisnio: havia de chegar a hora em que, em vez dos saltos
vermelhos de um sapatinho de cetim calçando um pezinho
delicado, teu fundo fosse calcado pela chanca esparramada de
alguma cetácea obesa e tabaquista. [...]
            Nem foram desses os teus piores dias, ó saudosa
cadeirinha! Já pelos anos de tua velhice, quando, como agora,
sobrevivias ao teu belo tempo passado, quando, perdidos teus
antigos donos, alguém se lembrou de carregar-te para a sacristia
da igreja, não te davam outro serviço que não o de transportares,
como esquife, cadáveres de anjinhos pobres ao cemitério, ou
semelhante às macas das ambulâncias militares, o de conduzires
ao hospital feridos ou enfermos desvalidos.
            Que cruel vingança não toma aquela época longínqua por
lhe teres sobrevivido! Coisa inteiramente fora da moda, o
contraste �agrante que formas com o mundo circundante é uma
prova evidente de tua próxima eliminação, ó velha cadeirinha dos
tempos mortos!
            Mas é assim a vida: as espécies, como os indivíduos, vão
desaparecendo ou se transformando em outras espécies e em
outros indivíduos mais perfeitos, mais complicados, mais aptos
para o meio atual, porém muito menos grandiosos que os
passados. Que �gura faria o elefante de hoje, resto exótico da
fauna terciária, ao lado do megatério? A de um �lhote deste. E, no
entanto, bem cedo, talvez nos nossos dias, desaparecerá o
elefante, por já estar em desarmonia com a fauna atual, por
constituir já aquele doloroso contraste de que falamos acima e
que é o primeiro sintoma da próxima eliminação do grande
paquiderme. Parece que o progresso marcha para a dispersão, a
desagregação e o formigamento. Um grande organismo tomba e
se decompõe e vai formar uma Inumerável quantidade de seres
ávidos de vida. A morte, essa grande ilusão humana, o início
daquela dispersão, ou antes a fonte de muitas vidas. E que
grande consoladora!
            Lembra-me ter visto, há tempos, um octogenário de passo
trôpego e cara rapada passeando em trajes domingueiros a pedir
uma caricia ao sol. Dirigi-lhe a palavra e detivemo-nos largo
espaço a falar dos costumes, das coisas e dos homens de outro
tempo. Nisso surpreendeu-nos um magote de garotos que
escaramuçou o velho a vaias. O pobre do ancião já ia seguindo
seu caminho quando o abordou a meninada; não apressou o
passo nem perdeu aquela serenidade de quem já tinha domado
as fúrias das paixões com o vencer os anos. Vi-o ainda voltar-se
com o rosto engelhado numa risada tristíssima, a comprida
japona abanando ao vento e dizer, em tom de convicção profunda:
“Ai dos velhos, se não fosse a morte!" Parecia uma banalidade,
mas não era senão o apelo supremo, a prece fervente que esse
exilado fazia a Deus para que pusesse termo ao seu exílio, onde
ele estava fora dos seus amigos, dos seus costumes, de tudo
quanto lhe podia falar ao coração. [...]
            Por que, pois, a pobre cadeirinha, esse mimo de graça,
esse traste casquilho, essa �el companheira da vida de sociedade,
da vida palaciana, da vida de corte com seus apuros e suas
intrigas, suas vinganças pequeninas, seus amores, todavia
sobrevive e por que a não pôs em pedaços um braço robusto
empunhando um machado benfazejo? Ao menos evitaria esse
dolorosíssimo ridículo, essa exposição indecorosa de nudez de
velha!
            Já tiveste dias de glória, cadeirinha de outros tempos! Pois
bem: desaparece agora, vai ao fogo e pede que te reduza a cinzas!
É mil vezes preferível a essa decadência em que te achas e até
mesmo à hipótese mais lisonjeira de te perpetuarem num museu.
Deves preferir a paz do aniquilamento à glória de �gurares numa
coleção de objetos antigos, exposta à curiosidade dos papalvos e
às lorpas considerações dos burgueses, mofada e tristonha.
Morre, desaparece, que talvez – por que não? – a tua dona mais
gentil, aquela para quem tuas alcatifas tinham mais delicada
carícia ao receber-lhe o corpinho mimoso, aquela que recendia um
perfume longínquo de roseira do Chiraz te conduza para alguma
região ideal, dourada e fugidia, inacessível aos homens... [...].
ARINOS, Affonso. Pelo Sertão. Minas Gerais: Itatiaia, 1981. (Texto
adaptado)
1. (Esc. Naval 2021)  Observe o emprego do pronome átono na
frase abaixo:
"Esta contemporânea de La ValIière, que o artista anônimo
perpetuou na madeira da cadeirinha, não se parecia muito com
aquela meiga vítima da régia concupiscência; [...]" (1º parágrafo)
Marque a opção em que, diferentemente da frase acima, NÃO se
observa um elemento que faça com que a próclise do pronome
átono destacado seja preferível, respeitando-se a norma culta da
língua.
a) "[...] e pede que te reduza a cinzas! [...]" (10º parágrafo)   
b) "[...] É mil vezes preferível a essa decadência em que te achas
[...]" (15º parágrafo)   
c) "[...] e por que a não pôs em pedaços um braço robusto
empunhando um machado benfazejo?" (14º parágrafo)   
d) "[...] aquele que recendia um perfume longínquo de roseira do
Chiraz te conduza para alguma região ideal [...]" (15º parágrafo)   
e) "[...] não te davam outro serviço que não o de transportares,
como esquife, cadáveres de anjinhos pobres ao cemitério [...]" (10º
parágrafo)   
Exercício 47
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Adiante seguiu a Justiça
Maria Berenice Dias
Durante séculos, ninguém 1titubeava em responder: família, só
tem uma – a 2constituída pelos sagrados laços do matrimônio.
Aos noivos era imposta a obrigação de se multiplicarem até a
morte, mesmo na tristeza, na pobreza e na doença. Tanto que se
falava em débito conjugal.
Esse modelito se manteve, ao menos na 3aparência, 4_____
expensas da integridade física e psíquica das mulheres, que se
mantinham dentro de casamentos 5esfacelados, pois assim exigia
a sociedade. Tanto que o casamento era indissolúvel. As pessoas
até podiam se desquitar6, mas não podiam se casar de novo.
Caso encontrassem um par, 7tornavam-se 8concubinos e alvos de
punições.
As mudanças foram muitas: vagarosas, mas signi�cativas. As
causas9, incontáveis. No entanto, o resultado foi um 10só. O
conceito de família mudou, se esgarçou. O casamento perdeu a
sacralidade e permanecer dentro dele deixou de ser uma
imposição social e uma obrigação legal.
Veio o 11divórcio. Antes, porém, o 12purgatório da separação, que
exigia que se identi�cassem causas, 13punindo-se os culpados. A
liberdade total de casar e descasar chegou somente no ano de
2006.
A lei regulamentava exclusivamente o casamento. Punia com o
silêncio toda e qualquer modalidade de estruturas familiares que
se afastasse do modelo “o�cial”.
E foi assumindo a responsabilidade de julgar que os 14juízes
começaram a alargar o conceito de família. As mudanças
chegaram 15_____ Constituição Federal, que enlaçou no conceito
de família, outorgando-lhes especial proteção, outras estruturas
de convívio. Além do casamento, trouxe, de forma exempli�cativa,
a união estável entre um homem e uma mulher e a chamada
família parental: um dos pais e seus �lhos.
Adiante ainda seguiu a Justiça. Reconheceu que o rol
constitucional não é exaustivo, e continuou a reconhecer como
família outras estruturas familiares. Assim as famílias
anaparentais, constituídas somente pelos �lhos, sem a presença
dos pais; as famílias parentais, decorrentes do convívio de
pessoas com vínculo de parentesco; bem como as famílias
homoafetivas,que são as formadas por pessoas do mesmo sexo.
O reconhecimento da homoafetividade como união estável foi
levado 16_____ efeito pelo Supremo Tribunal Federal no ano de
2011, em decisão unânime e histórica. Agora esta é a realidade:
17homossexuais casam18, têm �lhos19, ou seja20, podem
constituir família.
Ativismo judicial? Não, interpretação da Carta Constitucional
segundo um punhado de princípios fundamentais. É a Justiça
cumprindo o seu papel de fazer justiça, mesmo diante da lacuna
legal.
Da inércia, passou o Legislativo21, dominado por autointitulados
profetas religiosos22, a reagir.
Não foi outro o intuito do Estatuto da Família, que acaba de ser
aprovado pela comissão especial na Câmara dos Deputados (PL
6.583/2013). 23Tentar limitar o conceito de família à união entre
um homem e uma mulher, além de 24afrontar todos os princípios
fundantes do Estado, impõe um retrocesso social que irá retirar
direitos de todos aqueles que não se encaixam neste conceito
limitante e limitado.
Mas 25_____ mais. Proceder ao cadastramento das entidades
familiares e criar Conselhos da Família é das formas mais
perversas de excluir direito à saúde, à assistência psicossocial, à
segurança pública, que são asseguradas somente às entidades
familiares reconhecidas como tal. Limitar acesso à Defensoria
Pública e à tramitação prioritária dos processos à entidade
familiar de�nida na lei, às claras tem caráter punitivo.
O conceito de família mudou. E onde procurar a sua de�nição
atual? Talvez na frase piegas de Saint-Exupéry: na
responsabilidade decorrente do afeto.
(Fonte: Zero Hora, Caderno PrOA, 27-09-2015 – Adaptação)
2. (Imed 2016)  Considere as a�rmações abaixo sobre o seguinte
fragmento do texto:
Tentar limitar o conceito de família à união entre um homem e
uma mulher, além de afrontar todos os princípios fundantes do
Estado, impõe um retrocesso social que irá retirar direitos de
todos aqueles que não se encaixam neste conceito limitante e
limitado. (ref. 23).
I. Em ambas as ocorrências, a palavra que é um elemento de
coesão referencial.
II. Veri�ca-se a próclise do pronome átono se devido à ocorrência
do advérbio de negação que o atrai.
III. A forma verbal encaixam tem como sujeito um pronome
relativo.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.   
b) Apenas II.   
c) Apenas I e II.   
d) Apenas II e III.   
e) I, II e III.   
Exercício 48
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Quanto à organização social de nossos selvagens, é coisa quase
incrível – e dizê-la envergonhará aqueles que têm leis divinas e
humanas – que, 1apesar de serem conduzidos apenas pelo seu
natural, ainda que um tanto degenerado, eles se deem tão bem e
vivam em tanta paz uns com os outros. Mas com isso me re�ro a
cada nação em si ou às nações que sejam aliadas; pois quanto
aos inimigos, já vimos em outra ocasião o tratamento terrível que
lhes dispensam2. Porque, em ocorrendo alguma briga (o que se
dá com tão pouca frequência que durante quase um ano em que
com eles estive só os vi brigar duas vezes), os outros nem sequer
3pensam em separar ou paci�car os contendores; ao contrário, se
estes tiverem de arrancar-se mutuamente os olhos, 4ninguém
lhes dirá nada, e eles assim farão. 5Todavia, se alguém for ferido
por seu próximo, e se o agressor for preso, ser-lhe-á 6in�igido o
mesmo ferimento no mesmo lugar do corpo, por parte dos
parentes próximos do agredido, e caso este venha a morrer
depois, ou caso morra na hora, os parentes do defunto tiram a
vida ao assassino de um modo semelhante. De tal forma que,
para dizer numa palavra, é vida por vida, olho por olho, dente por
dente etc. Mas, como já disse, são coisas que raramente se veem
entre eles.
2 O autor tratou do assunto no capítulo XIV, “Da guerra, combate
e bravura dos selvagens”.
Olivieri, Antonio Carlos e Villa, Marco Antonio. Cronistas do
descobrimento. São Paulo: Ed. Ática,1999, p.69.
 (Udesc 2015)  Analise as proposições em relação à obra
Cronistas do descobrimento, Antonio Carlos Olivieri e Marco
Antonio Villa, e trecho retirado da mesma, e assinale (V) para
verdadeira e (F) para falsa.
(     ) A leitura do texto leva o leitor a inferir que, embora se trate
de um relato sobre nossos selvagens, o autor procura
desmisti�car a imagem de selvageria, justi�cado pela organização
e pelo respeito social.
(     ) O uso da próclise em “ninguém lhes dirá nada” (ref. 4) é
justi�cado pela presença da palavra negativa ninguém. Se a
palavra destacada for substituída por alguém, ocorrerá mesóclise:
alguém dir-lhes-á nada.
(     ) A leitura do texto leva o leitor a inferir que os índios viviam
dentro de um esquema de normalidade e respeito.
(     ) Da leitura do período “Todavia, se alguém for ferido por seu
próximo” (ref. 5) infere-se que a palavra próximo está relacionada
a outro selvagem e não ao homem branco.
(     ) No período “ninguém lhes dirá nada” (ref. 4) em relação às
palavras destacadas, sequencialmente, na sintaxe, tem-se sujeito
simples e objeto indireto.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima
para baixo.
a) V - F - F - V - F   
b) V - V - F - V - V   
c) F - F - V - F - V   
d) V - F - V - V - F   
e) V - F - V - V - V   
Exercício 49
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A língua e o poeta
Hoje eu peço vênia¹ para discrepar do grande Ferrei ra Gullar, que,
no domingo, escreveu um artigo defen dendo o "modo correto" de
usar a língua portuguesa.
Longe de mim propor que o poeta, eu e o leitor comecemos a
dizer “nós vai” ou “de bateu sobre as alternativas”, mas não dá
para comparar violações à norma culta com um erro conceitual
como a�rmar que tuberculo se não é doença, para �car nos
exemplos de Gullar. Fazê-lo é passar com um “bulldozer”³ sobre
o último meio século de pesquisas, em especial os trabalhos de
Noam Chomsky, que conseguiram elevar a linguística de uma dis -
ciplina entrincheirada nos departamentos de humanidades a uma
ciência capaz de fazer previsões e articular-se com outras, como
psi cologia, biologia, computação.
Chomsky mostra que a capacidade para a linguagem é inata. É só
lançar uma criança no meio de uma comunidade que ela absorve
o idioma local. O fenômeno das línguas crioulas revela que
grupos ex postos a «pidgins» ( jargões comerciais que misturam
vários idiomas, geralmente fala dos em portos) desenvolvem, no
espaço de uma geração, uma gramática completa para essa nova
linguagem. Mais do que de facilidade para o aprendizado,
estamos fa lando aqui de uma gramática universal que vem como
item de fábrica em cada ser hu mano. Foi a resposta que a
evolução deu ao problema da comunicação entre caça dores-
coletores.
Nesse contexto, o único critério para de cidir entre o
linguisticamente certo e o erra do é a compreensão da mensagem
transmi tida. Uma frase ambígua é mais "errada" do que uma que
�ra as caprichosas regras de colocação pronominal.
Na verdade, as prescrições estilísticas que decoramos na escola e
que nos habitu amos a chamar de gramática são o que há de
menos essencial e mais aborrecido no fenômeno da linguagem.
Estão para a lin guística assim como a pesquisa da etiqueta está
para o estudo da história.
(HÉLIO SCHWARTSMAN, Folha de S.Paulo, 27 de março de
2012)
¹vênia = licença, permissão
²discrepar = divergir de opinião, discordar
³bulldozer = (inglês) escavadeira
(Espm 2013)  Segundo o texto, o autor:  
a) defende de forma incondicional, como Ferreira Gullar, o “modo
correto” de usar a língua portuguesa.    
b) considera que ambiguidade seria mais “errada” do que um erro
de próclise porque esta não apresenta distorção na comunicação. 
c) preconiza que uma frase com transgres sões às “caprichosas
regras de coloca ção pronominal” prejudica o ato da fala.    
d) prega o caráter supér�uo e vão das prescri ções gramaticais,
linguísticas e estilísticas.    
e) reclama da natureza complexa e enfado nha do estudo da
gramática nas escolas.   
Exercício 50
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
A(s) quest(ões) a seguirtoma(m) por base o “Soneto LXVII”
(“Considera a vantagem que os brutos fazem aos homens em
obedecer a Deus”), de Dom Francisco Manuel de Melo (1608-
1666).
Quando vejo, Senhor, que às alimárias1
Da terra, da água, do ar, – peixe, ave, bruto –,
Não lhe esquece jamais o alto estatuto
Das leis que lhes pusestes ordinárias;
E logo vejo quantas artes2 várias
O homem racional, próvido3 e astuto,
Põe em obrar, ingrato e resoluto,
Obras que a vossas leis são tão contrárias:
Ou me esquece quem sois ou quem eu era;
Pois do que me mandais tanto me esqueço,
Como se a vós e a mi não conhecera.
Com razão logo por favor vos peço
Que, pois homem tal sou, me façais fera,
A ver se assi melhor vos obedeço.
(A tuba de Calíope, 1988.)
1alimária: animal irracional.
2arte: astúcia, ardil.
3 próvido: providente, que se previne, previdente, precavido. 
(Unesp 2016)  No primeiro verso, a que classe de palavras
pertence o termo “que” e qual sua função na frase? No quarto
verso, a que classe de palavras pertence o termo “que” e qual sua
função na frase? 
Exercício 51
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: 
Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico
brasileiro Marcelo Gleiser para responder à(s) questão(ões) a
seguir.
Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados
gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma
melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das
atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul
da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que
a primeira escola de �loso�a pré-socrática �oresceu. Sua origem
marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil
anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com
Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da �loso�a ocidental.
A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento
astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos
babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com
um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu
dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região
e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva
tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou
fazendo uma fortuna.
Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu
no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o �m da
guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que
era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe
perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à
toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia
Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido
em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse
acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem
escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo
sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem
conseguia ver as coisas que estavam a seus pés.
(A dança do universo, 2006. Adaptado.) 
(Unesp 2016)  “Sua origem marca o início da grande aventura
intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da
ciência moderna.” (1º parágrafo)
O pronome em destaque refere-se a 
a) “cidade-Estado” (Mileto).   
b) “ciência moderna”.   
c) “grande aventura intelectual”.   
d) “primeira escola de �loso�a pré-socrática”.   
e) “costa mediterrânea da Turquia”.   
Exercício 52
Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico
brasileiro Marcelo Gleiser para responder à(s) questão(ões) a
seguir.
Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados
gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma
melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das
atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul
da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que
a primeira escola de �loso�a pré-socrática �oresceu. Sua origem
marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil
anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com
Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da �loso�a ocidental.
A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento
astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos
babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com
um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu
dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região
e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva
tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou
fazendo uma fortuna.
Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu
no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o �m da
guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que
era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe
perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à
toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia
Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido
em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse
acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem
escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo
sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem
conseguia ver as coisas que estavam a seus pés.
(A dança do universo, 2006. Adaptado.) 
(Unesp 2016)  Em “Tales também previu um eclipse solar que
ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3º parágrafo), o termo
destacado exerce função de 
a) adjunto adnominal.   
b) adjunto adverbial.   
c) sujeito.   
d) objeto indireto.   
e) objeto direto.   
Exercício 53
Leia o excerto do romance Memórias de um sargento de milícias
de Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
Era no tempo do rei.
Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da
Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo –
O canto dos meirinhos1 –; e bem lhe assentava o nome, porque
era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa
classe (que gozava então de não pequena consideração). [...]
Mas voltemos à esquina. Quem passasse por aí em qualquer dia
útil dessa abençoada época veria sentado em assentos baixos,
então usados, de couro, e que se denominavam – cadeiras de
campanha – um grupo mais ou menos numeroso dessa nobre
gente conversando paci�camente em tudo sobre que era lícito
conversar: na vida dos �dalgos, nas notícias do Reino e nas
astúcias policiais do Vidigal. Entre os termos que formavam essa
equação meirinhal pregada na esquina havia uma quantidade
constante, era o Leonardo-Pataca. Chamavam assim a uma
rotunda e gordíssima personagem de cabelos brancos e carão
avermelhado, que era o decano da corporação, o mais antigo dos
meirinhos que viviam nesse tempo. A velhice tinha-o tornado
moleirão e pachorrento; com sua vagareza atrasava o negócio das
partes; não o procuravam; e por isso jamais saía da esquina;
passava ali os dias sentado na sua cadeira, com as pernas
estendidas e o queixo apoiado sobre uma grossa bengala, que
depois dos cinquenta era a sua infalível companhia. Do hábito
que tinha de queixar-se a todo o instante de que só pagassem
por sua citação a módica quantia de  réis, lhe viera o apelido que
juntavam ao seu nome.
Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe2
em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao
Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem,
alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia,
como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no
mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça,
quitandeira das praças de Lisboa, saloia3 rochonchuda e bonitota.
O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua
mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão4.
1 meirinho: espécie de o�cial de justiça.
2 algibebe: mascate, vendedor ambulante.
3 saloia: aldeãdas imediações de Lisboa.
4 maganão: brincalhão, jovial, folgazão, divertido. 
(Unesp 2016)  Identi�que os referentes dos pronomes
destacados no segundo (se; lhe) e no quarto parágrafos do
excerto (se; lhe). 
Exercício 54
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia a crônica “Seu
‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada
originalmente em setembro de 1953.
Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar
com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”)
tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito
mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não
ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu
trabalho, minha mãe �cava passeando pela sala com uma
�anelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como
linguista, cultor do 1vernáculo e aplicador de sutilezas
gramaticais, seu Afredo estava sozinho.
Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em
quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação
pronominal. Um dia, numa �la de ônibus, minha mãe �cou
ligeiramente 2ressabiada quando seu Afredo, casualmente de
passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na
segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a �o, no ritmo
do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me
foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à 3lide caseira,
queixou-se do fatigante 4ramerrão do trabalho doméstico. Seu
Afredo virou-se para ela e disse:
– Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e
tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.
De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora,
cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela,
esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia
mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:
– Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:
– É, canto às vezes, de brincadeira...
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe
explicou o temperamento do nosso encerador:
– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É
excesso de... gramática.
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela
com ar disfarçado e falou:
– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua
irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá
redondamente enganada. Nem em programa de calouro!
E, a seguir, ponderou:
– Agora, piano é diferente. Pianista ela é!
E acrescentou:
– Eximinista pianista!
Para uma menina com uma �or, 2009.
1vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.
2ressabiado: descon�ado.
3lide: trabalho penoso, labuta.
4ramerrão: rotina. 
(Unesp 2017)  Observa-se no texto um desvio quanto às normas
gramaticais referentes à colocação pronominal em: 
a) “Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe
�cava passeando pela sala com uma �anelinha debaixo de cada
pé, para melhorar o lustro.” (1º parágrafo)   
b) “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha infância
porque tratava-se muito mais de um linguista que de um
encerador.” (1º parágrafo)   
c) “Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em
quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação
pronominal.” (2º parágrafo)   
d) “[...] seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e
perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular [...].” (2º
parágrafo)   
e) “Seu Afredo virou-se para ela e disse: [...].” (4º parágrafo)   
Exercício 55
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o segundo capítulo
do romance Iracema, do escritor José de Alencar (1829-1877),
publicado em 1865.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte,
nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais
negros que a asa da 1graúna, e mais longos que seu talhe de
palmeira.
O favo da 2jati não era doce como seu sorriso, nem a baunilha
recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão
e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande
nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a
verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da �oresta.
Banhava-lhe o corpo a sombra da 3oiticica, mais fresca do que o
orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam �ores
sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros
ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o 4aljôfar d’água ainda a 5roreja, como à
doce 6mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto
repousa, empluma das penas do 7gará as �echas de seu arco e
concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto
agreste.
A graciosa 8ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às
vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo
nome; outras, remexe o uru9 de palha matizada, onde traz a
selvagem seus perfumes, os alvos �os do 10crautá, as agulhas da
11juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o
algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem
os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se
é guerreiro e não algum mau espírito da �oresta. Tem nas faces o
branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das
águas profundas. 12Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe
o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A �echa embebida
no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do
desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão 13lesta caiu sobre a cruz da espada;
mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua
mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais
d’alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu.
Porém a virgem lançou de si o arco e a 14uiraçaba e correu para o
guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira estancou mais rápida e compassiva o
sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a 15�echa
homicida; deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a
ponta farpada.
O guerreiro falou:
– Quebras comigo a �echa da paz?
– Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus
irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro
guerreiro como tu?
– Venho de bem longe, �lha das �orestas. Venho das terras que
teus irmãos já possuíram e hoje têm os meus.
– Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras,
senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.
Iracema, 2006.
1graúna: pássaro de cor negra.
2jati: pequena abelha que fabrica delicioso mel.
3oiticica: árvore frondosa.
4aljôfar: pérola; por extensão: gota.
5rorejar: banhar.
6mangaba: fruto da mangabeira.
7gará: ave de cor vermelha.
8ará: periquito.
9uru: pequeno cesto.
10crautá: bromélia.
11juçara: palmeira de grandes espinhos.
12ignoto: que ou o que é desconhecido.
13lesto: ágil, veloz.
14uiraçaba: estojo em que se guardavam e transportavam as
�echas.
15quebrar a �echa: maneira simbólica de se estabelecer a paz
entre os indígenas. 
(Unesp 2017)  Examine o seguinte trecho: “O sentimento que ele
pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu.” (12º parágrafo)
A quem se refere o pronome “eu”?
Reescreva este trecho em ordem direta, substituindo o pronome
“o” pelo seu referente.  
Exercício 56
Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira
(1608-1697), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar
Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença
um pirata, que por ali andava roubando os pescadores,
repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício;
porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim:
“Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e
vós, porque roubaisem uma armada, sois imperador?”. Assim é. O
roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com
pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.
Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar
as signi�cações, a uns e outros, de�niu com o mesmo nome: [...]
Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, �zer o que faz o ladrão
e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e
merecem o mesmo nome.
Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um
�lósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em
Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase
envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo
de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não
preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que
mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem;
porque a con�ança com que isto se diz é sinal que lhes não toca,
e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é
argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. [...]
Suponho, �nalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles
miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a
este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou
alivia o seu pecado [...]. O ladrão que furta para comer não vai
nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu
trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera [...].
Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que
cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes
colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente
merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os
exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a
administração das cidades, os quais já com manha, já com força,
roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um
homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo
do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam,
são enforcados: estes furtam e enforcam.
(Essencial, 2011.) 
(Unesp 2018)  “[...] os ladrões de que falo não são aqueles
miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a
este gênero de vida [...].” (3º parágrafo)
Os termos destacados constituem, respectivamente, 
a) um artigo, uma preposição e uma preposição.    
b) uma preposição, um artigo e uma preposição.   
c) um artigo, um pronome e um pronome.   
d) um pronome, uma preposição e um artigo.   
e) uma preposição, um artigo e um pronome.   
Exercício 57
Leia o poema de Murilo Mendes (1901-1975) para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
O pastor pianista
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Acompanhado pelas rosas migradoras
1Apascento os pianos: gritam
E transmitem o antigo clamor do homem
Que reclamando a contemplação,
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
(As metamorfoses, 2015.)
1apascentar: vigiar no pasto; pastorear.
(Unesp 2018)  
a) Explique por que se pode a�rmar que o verso inicial desse
poema opera uma perturbação ou quebra do discurso lógico.
b) Sem prejuízo para o sentido dos versos, que expressões
poderiam substituir os termos “onde” (2º verso da 1ª estrofe) e
“pelo” (4º verso da 3ª estrofe), respectivamente?
Exercício 58
Leia o trecho do romance S. Bernardo, de Graciliano Ramos, para
responder à(s) questão(ões) a seguir.
O caboclo mal-encarado que encontrei um dia em casa do
Mendonça também se acabou em desgraça. Uma limpeza. Essa
gente quase nunca morre direito. Uns são levados pela cobra,
outros pela cachaça, outros matam-se.
Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra, bateu-lhe
no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se:
um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas comeram o segundo,
o último teve angina e a mulher enforcou-se.
Para diminuir a mortalidade e aumentar a produção, proibi a
aguardente.
Concluiu-se a construção da casa nova. Julgo que não preciso
descrevê-la. As partes principais apareceram ou aparecerão; o
resto é dispensável e apenas pode interessar aos arquitetos,
homens que provavelmente não lerão isto. Ficou tudo confortável
e bonito. Naturalmente deixei de dormir em rede. Comprei móveis
e diversos objetos que entrei a utilizar com receio, outros que
ainda hoje não utilizo, porque não sei para que servem.
Aqui existe um salto de cinco anos, e em cinco anos o mundo dá
um bando de voltas.
Ninguém imaginará que, topando os obstáculos mencionados, eu
haja procedido invariavelmente com segurança e percorrido, sem
me deter, caminhos certos. Não senhor, não procedi nem percorri.
Tive abatimentos, desejo de recuar; contornei di�culdades: muitas
curvas. Acham que andei mal? A verdade é que nunca soube
quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas
boas que me trouxeram prejuízo; �z coisas ruins que deram lucro.
E como sempre tive a intenção de possuir as terras de S.
Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-
las.
Alcancei mais do que esperava, mercê de Deus. Vieram-me as
rugas, já se vê, mas o crédito, que a princípio se esquivava,
agarrou-se comigo, as taxas desceram. E os negócios
desdobraram-se automaticamente. Automaticamente. Difícil?
Nada! Se eles entram nos trilhos, rodam que é uma beleza. Se
não entram, cruzem os braços. Mas se virem que estão de sorte,
metam o pau: as tolices que praticarem viram sabedoria. Tenho
visto criaturas que trabalham demais e não progridem. Conheço
indivíduos preguiçosos que têm faro: quando a ocasião chega,
desenroscam-se, abrem a boca – e engolem tudo.
Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras tentativas e
obriguei a fortuna a ser-me favorável nas seguintes. Depois da
morte do Mendonça, derrubei a cerca, naturalmente, e levei-a
para além do ponto em que estava no tempo de Salustiano
Padilha. Houve reclamações.
– Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo enquanto viveu.
Mas agora é isto. E quem não gostar, paciência, vá à justiça.
Como a justiça era cara, não foram à justiça. E eu, o caminho
aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralítico de um braço, e a dos
Gama, que pandegavam no Recife, estudando Direito. Respeitei o
engenho do Dr. Magalhães, juiz.
Violências miúdas passaram despercebidas. As questões mais
sérias foram ganhas no foro, graças às chicanas de João Nogueira.
Efetuei transações arriscadas, endividei-me, importei
maquinismos e não prestei atenção aos que me censuravam por
querer abarcar o mundo com as pernas. Iniciei a pomicultura e a
avicultura. Para levar os meus produtos ao mercado, comecei uma
estrada de rodagem. Azevedo Gondim compôs sobre ela dois
artigos, chamou-me patriota, citou Ford e Delmiro Gouveia. Costa
Brito também publicou uma nota na Gazeta, elogiando-me e
elogiando o chefe político local. Em consequência mordeu-me
cem mil-réis.
(S. Bernardo, 1996.) 
(Unesp 2019)  “Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da
pedra, bateu-lhe no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos
miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas
comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou-
se.” (2º parágrafo)
Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a 
a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”.    
b) “pedra”, “um”, “meninos”.    
c) “pedra”, “alavanca”, “viúva e órfãos”.    
d) “alavanca”, “pedra”, “viúva e órfãos”.    
e) “alavanca”, “pedra”, “meninos”.    
GABARITO
Exercício 59
Leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a malanas tuas costas e amarra o burro na
cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura
como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando
madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço
o burro...
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no
chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o
chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia. Senti
alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda
imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola
sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo
primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro
cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso
nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. Pois
eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido,
pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito
Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um
poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso. Quanto
ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas,
acho isso sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma
cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a
fazer morrer de sono. 
O DESCONHECIDO: E a poesia? 
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão
do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de cobre; não há
mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém
azinhavrado1. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou- se
vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje o povo
fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.)
1azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se
forma na superfície dos objetos de cobre ou latão, resultante da
corrosão destes quando expostos ao ar úmido). 
(Unesp 2022)  “MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e
tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na
cerca.”
(Unesp 2022)  Retoma um termo mencionado anteriormente no
texto a palavra sublinhada em: 
a) “O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?”   
b) “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o
chamareis…”   
c) “A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!…”   
d)  “A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?”
e) “MACÁRIO: Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.”   
Exercício 1
Exercício 2
Exercício 3
d) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do
plural. Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do
plural.
c) tê-la; abrangem-no.
Exercício 4
Exercício 5
Exercício 6
Exercício 7
Exercício 8
Exercício 9
Exercício 10
Exercício 11
Exercício 12
Exercício 13
Exercício 14
Exercício 15
Exercício 16
Exercício 17
Exercício 18
Exercício 19
Exercício 20
Exercício 21
Exercício 22
Exercício 23
Exercício 24
Exercício 25
Exercício 26
Exercício 27
Exercício 28
Exercício 29
Exercício 30
Exercício 31
a) Como as personagens estão descrevendo a si mesmas, são
abundantes os adjetivos, entre os quais se incluem azuis,
atlético, magra e sensual.
b) no verso “A máquina o fará por nós”, o pronome “o” exerce
função de objeto direto.
a) vos (referência 9) é pronome pessoal oblíquo e
complementa o sentido do verbo dizer.
a) Preciso de ti na execução do projeto. (objeto indireto) 
a) A palavra destacada em “Eu vi um beija-�or” (ref. 1) é, na
morfologia, substantivo composto por verbo e substantivo e,
quando pluralizado, os dois elementos vão para o plural.
b) funções diferentes, pois o primeiro “que” é uma conjunção
subordinativa, enquanto o segundo é um pronome relativo,
tendo como antecedente o termo “coisa”.
b) conjunção, pronome e pronome, respectivamente.
a) coesão referencial pelo uso de elipse.
c) “corpo” e “hora”.
d) Notou-se-lhe no rosto algo de estranho.
c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma
pessoa indicada por “ela”, no texto exempli�cado.
a) Se o autor tivesse optado pelo uso do pronome de acordo
com a gramática normativa, e, desse modo, tivesse realizado a
colocação do pronome oblíquo após as formas verbais com
que se inicia os dois versos do início da canção, seria possível
interpretações diferentes das apresentadas por conta de
cacofonia (união sonora de sílabas que provoca estranheza
auditiva).
e) O roubo das placas de sinalização nos cruzamentos; os
acusados, que demonstravam arrependimento. 
c) Aliteração, pois o autor explora a repetição harmônica e
ritmada de sons consonantais.
e) uma conjunção e um pronome, respectivamente.
e) Aqui também se fazem boas ações.
e) José é um candidato de cuja palavra não se deve duvidar.
b) II e III, apenas.
a) “Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no
Senhor Manuel vender os ferros.” 
a) As várias ocorrências de “esse” têm função coesiva e
remetem ao “estupor” do título.
d) “a realidade”.
d) “pesquisas cujos resultados só se apresentam após a
exposição prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos
à sua saúde e integridade física”. (1º parágrafo) 
e) “te” (ref. 8) pode ampliar a referência para além do
interlocutor.
d) nós – eles
d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum
outro autor?    
e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta
essa, vai...”
b) Se o mundo corporativo despreocupar-se com as fake news,
fechará as portas para o mercado.   
c) Ênclise – “Importava-se com o sucesso da prova.”   
b) pegá-los desprevenidos.   
Exercício 32
Exercício 33
Exercício 34
Exercício 35
Exercício 36
Exercício 37
Exercício 38
Exercício 39
Exercício 40
Exercício 41
Exercício 42
Exercício 43
Exercício 44
Exercício 45
Exercício 46
Exercício 47
Exercício 48
Exercício 49
b) Não me diga que Jorge faltou hoje.   
a) Ana me emprestou este livro.   
b) Se pudesse, explicaria-lhe tudo.   
c) o pronome SE é atraído pela conjunção E, havendo,
portanto, uma ênclise.   
b) Em “...grupos nativos ainda preservam costumes e tradições
primitivos...” (ref. 7), o adjetivo poderia estar no feminino para
concordar com o último elemento, já que está posposto a ele.
c) as expressões “ao lado dele”, “com ele”, “para o banheiro” e
“em casa” são adjuntos adverbiais.    
c) Justi�ca-se o uso da ênclise em “Protege-a” (ref. 10), por
iniciar período; e, em “conserva-a” (ref. 11), por iniciar uma
oração antecedida de vírgula.   
d) obrigatoriedade de ênclise.   
b) Aqui, instalaram-se comodamente os atletas brasileiros,
durante os Jogos Olímpicos.   
b) A mesóclise, exempli�cada em formas como “abater-se-á”,
é uma construção que determina a colocação do pronome em
relação ao verbo.   
a) No primeiro parágrafo, o pronome “lhe” estabelece relação
anafórica com o pronome “ele”, ligado por sua vez a “um poeta
jovem” mencionado no início do parágrafo. No segundo, o
pronome “lhes” refere-se a ‘beleza da natureza” e “beleza do
rosto e do corpo humanos”.
b) Na voz ativa, o trecho citado teria a seguinte con�guração: o
pensamento de que toda aquela beleza estava condenada à
extinção incomodava-o.
As reescritas são:(1) Sentia o peso rico do manto/da seda azul-celeste.
(2) Parecia a Amélia ser uma santa no andor. / a ela
(3) uma onda de sangue escaldou o rosto de Amélia.
(4) Tira o manto de mim!  
a) O pronome “se” tem como referente “Simão Bacamarte” e
“lhe”, “um modesto”.
b) Os termos verbais “imaginais” e “vede”, modo imperativo na
segunda pessoa do plural (vós), indicam que o narrador se
dirige diretamente ao leitor.
a) Referem-se à Yayi, personalidade mencionada pela autora, o
pronome pessoal do caso reto “ela” e o pronome possessivo
“seu”, neste caso referindo-se ao �lho de Yayi.
Por sua vez, o pronome pessoal do caso reto “nós” relaciona-
se à própria autora e à Yayi, organizadora, em conjunto com a
autora, do “Círculo do Silêncio”.
Finalmente, o pronome pessoal do caso reto “elas” faz
referência à expressão “outras mães de migrantes
desaparecidos”, as quais também desconheciam informações
sobre o “mar assassino”.
b) As ocorrências da primeira passagem seguem os princípios
da norma-padrão: em todos os casos, ocorre próclise
justi�cada pela presença de uma partícula atrativa: em “já não
se fala mais” e “dos quais nunca se falará”, há o advérbio de
negação; em “nas fossas comuns que se tornaram”, há o
pronome relativo.
Na segunda passagem, a oralidade é privilegiada ao iniciar um
período com pronome pessoal do caso oblíquo. Caso houvesse
a intenção de seguir os princípios da norma-padrão, seria
necessária a ocorrência de mesóclise, uma vez que o verbo
está conjugado no futuro: “Lembrar-me-ei para sempre (...)”.
d) "[...] aquele que recendia um perfume longínquo de roseira
do Chiraz te conduza para alguma região ideal [...]" (15º
parágrafo)   
e) I, II e III.   
d) V - F - V - V - F   
b) considera que ambiguidade seria mais “errada” do que um
erro de próclise porque esta não apresenta distorção na
comunicação.    
Exercício 50
Exercício 51
Exercício 52
Exercício 53
Exercício 54
Exercício 55
Exercício 56
Exercício 57
Exercício 58
Exercício 59
No primeiro verso, “Quando vejo, Senhor, que às alimárias”, o
“que” é uma conjunção integrante, cuja função é introduzir a
oração subordinada substantiva objetiva direta.
No quarto verso, o “que” é pronome relativo e introduz a
oração adjetiva restritiva “que lhes pusestes ordinárias”. 
d) “primeira escola de �loso�a pré-socrática”.   
c) sujeito.   
No segundo parágrafo, o referente para o pronome “se” é “as
ruas do Ouvidor e da Quitanda”; e para o pronome “lhe” é
“Uma das quatro esquinas”.
Já no quarto parágrafo, o referente tanto para “se” quanto para
“lhe” é “Leonardo”. 
b) “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha infância
porque tratava-se muito mais de um linguista que de um
encerador.” (1º parágrafo)   
O pronome “eu” se refere ao próprio narrador. Já o referente do
pronome “o” é “sentimento”, como vemos ao reescrever o
trecho em ordem direta: “Eu não sei o sentimento que ele pôs
nos olhos e no rosto”. 
b) uma preposição, um artigo e uma preposição.   
a) O verso “Soltaram os pianos na planície deserta”
surpreende pela ocorrência de algo inesperado, insólito e fora
da expectativa do leitor que se depara com um cenário ilógico
onde pianos são lançados a um prado deserto como se se
tratasse de um rebanho de ovelhas. 
b) O termo “onde” poderia ser substituído por “em que” ou “na
qual” e o termo “pelo”, por “através do” ou “por meio do” sem
prejuízo para o sentido dos versos originais. 
a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”.    
b) “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o
chamareis…”

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