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Português Lista de Exercícios Exercício 1 (Espcex (Aman) 2019) Analise as duas frases abaixo: I. Os ladrões estão roubando! Prendam-nos! II. Somos os assaltantes! Prendam-nos! Assinale a alternativa cuja descrição gramatical dos termos sublinhados está correta. a) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do plural. Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do plural. b) Ambos são pronomes pessoais oblíquos referentes à 1ª pessoa do plural. c) Em I, “nos” é pronome reto da 3ª pessoa do plural. Em II, “nos” é pronome reto da 1ª pessoa do plural. d) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do plural. Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do plural. e) Ambos são pronomes pessoais retos referentes à 1ª pessoa do plural. Exercício 2 (Espm 2016) OGX poderá �car com campos em caso de recuperação “A OGX está bastante avisada que, em meio a tudo isso que ela está vivendo, ela tem que ter uma �el observância ao contra to, tem que estar atenta para o cumprimento das cláusulas contratuais”, a�rmou Magda Chambriard, diretora-geral da ANP. Entre outras, as cláusulas abrangem fornecimento de garantias, realização dos planos de desenvolvimento, realização dos planos de avaliação, “en�m, todas as obrigações dos contratos que ela tem, essa uma condição ‘sine qua nom’”, com pletou Magda. (Folha de SP, 17.10.2013) Leia as frases do texto: “ela tem que ter uma �el observância ao contrato” e “as cláusulas abrangem forneci mento de garantias”. Se os segmentos grifados forem substitu ídos por pronomes pessoais oblíquos, se gundo a norma, teremos: a) ter ela; abrangem ele. b) tê-la; abrangem-nas. c) tê-la; abrangem-no. d) tê-lo; abrangem-o. e) ter a ela; abrangem-no. Exercício 3 (G1 - ifsc 2014) Leia a charge abaixo para responder as questões. Sobre a classe gramatical das palavras do texto, assinale a alternativa CORRETA. a) Como as personagens estão descrevendo a si mesmas, são abundantes os adjetivos, entre os quais se incluem azuis, atlético, magra e sensual. b) Como a principal função do texto é descrever, nele não ocorrem verbos, que são próprios de textos narrativos. c) No texto, curiosamente, não ocorrem pronomes pessoais ou de tratamento, que são bastante comuns em diálogos. d) O único substantivo que aparece no texto é a palavra olhos, como seria de esperar em um diálogo em que as pessoas falam sobre si mesmas. e) Na fala da mulher, a palavra super, originalmente um pre�xo, está sendo usada como um substantivo que caracteriza boca. Exercício 4 (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Ladainha II Por que o raciocínio, os músculos, os ossos? A automação, ócio dourado. O cérebro eletrônico, o músculo mecânico mais fáceis que um sorriso. Por que o coração? O de metal não tornará o homem mais cordial, dando-lhe um ritmo extra-corporal? Por que levantar o braço para colher o fruto? A máquina o fará por nós. Por que labutar no campo, na cidade? A máquina o fará por nós. Por que pensar, imaginar? A máquina o fará por nós. Por que fazer um poema? A máquina o fará por nós. Por que subir a escada de Jacó? A máquina o fará por nós. Ó máquina, orai por nós. (RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.) Sobre o emprego de pronomes no texto, é correto a�rmar que a) no verso “dando-lhe um ritmo extra-corporal?”, o pronome “lhe” exerce função sintática de complemento nominal. b) no verso “A máquina o fará por nós”, o pronome “o” exerce função de objeto direto. c) no verso “Por que levantar o braço”, o termo “que” classi�ca-se como pronome relativo. d) no verso “Ó máquina, orai por nós”, a substituição pela forma “orai-nos” manteria a correção sintática e semântica. Exercício 5 (S1 - ifsul 2020) Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. Só o ensino superior salva Sou do tipo que chora. Batizado, casamento*, mas principalmente formatura. Como é bonita a chance e o cumprimento do estudo. Pra todo mundo, universal mesmo. 1Imagina a oportunidade a quem só poderia se formar em escola pública. De arrepiar. Por isso comemoro aqui o diploma de mais 423 alunos da URCA, a Universidade Regional do Cariri, conforme leio no site “Miséria”, o jornal da minha aldeia universalíssima. A festa foi nesta quinta (08/08) e haja 2orgulho na gente de pequenas cidades e da roça nos arredores da Chapada do Araripe. São 12,5 mil alunos nesta escola mantida pelo governo cearense. Sou do tipo que chora com o ensino público e gratuito e a chance para quem vem lá do mato. Na formatura da 3URCA, haja primos, 4pense num povo metido, né, 5ave palavra, que orgulho enquadrado na parede. Pense numa “balbúrdia”, 6esse povo “lá de nós”, como na bendita 7linguagem caririense, 8formada em Artes Visuais, Biologia, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Direito, Enfermagem, Educação Física, Engenharia de Produção, Física, Geogra�a, História, Letras, Matemática, Pedagogia, Teatro e Tecnologia da Construção Civil. Pense! E mais orgulhosamente ainda 9vos digo: a URCA, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 10viva o gênio Anísio Teixeira, tem a menor taxa de evasão universitária do Brasil, apenas 4,47%. Como a turma dá valor ao candeeiro iluminista sertões adentro. Choro um Orós inteiro e ainda derramo minhas lágrimas no Jaguaribe, rio 11que constava nos meus livros didáticos como o “rio mais seco do mundo”. 12Desculpa aí, hoje só 13venho 14com as grandezas. Hoje, se eu pudesse, faria você também re�etir com um discurso na linha do David Foster Wallace (1962-2008). Aquela sua fala como paraninfo de uma turma de formandos americanos do Kenyon College, em 2005, Gambier, Ohio. Ele escreveu uma singularíssima fábula sobre — 15repare só! — dois peixinhos e a água. Recomendo a leitura. O texto está no livro Ficando longe do fato de já estar meio que longe de 16tudo (Companhia das Letras). De Ohio ao Cariri. Além da URCA, em 2013 conquistamos (nada é de graça) a UFCA, a brava Universidade Federal do Cariri. 17Era um facho, uma fogueira, era um candeeiro, era uma lamparina, era uma luminária a gás butano, fez-se a luz, pardon matriz iluminista, perdão Paris, mas o mundo e o futuro 18será de um certo Cariri que peleja, aprende a preservar e estuda, somos a própria ideia viva de Patrimônio Universal da Humanidade, só falta o referendo da Unesco — escuto os mestres do Reizado ao fundo, que batuque afro-indígena-futurista. [...] Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara. Qual o quê, corri léguas rodoviárias, rumo ao Recife, a bordo da viação Princesa do Agreste, ainda no comecinho dos anos 1980. Espírito beatnik, por desejo e necessidade, deixei Juazeiro — onde morava —, o Crato de nascença, a Santana (Sítio das Cobras) afetiva de infância e a Nova Olinda das primeiras letras. Seria o primeiro representante do clã (risos rurais amarcodianos) dos Sá-Menezes-Freire-Novais, família meio pernambucana meio cearense, a chegar ao ensino superior. Um Xicobrás, diria, 100% escolha pública, do primário ao campus da UFPE. Hoje tenho uma penca de primos a cada nova formatura, sem precisar sequer sair dos arredores de casa. E pensar que não havia a 19ideia de universidade no meu terreiro. Nada disso do que hoje comemoro com os formandos da URCA e UFCA. [...]. Só nos resta defender [...]. Sem sequer o direito ao 20VAR (olho no lance) da história. 21jmmmmmmmmmmmkk kkll l çnçççlllçlxsp. Eita, desculpa, caro leitor, pela incompreensão da escrita, é que minha �lha Irene invadiu esta crônica — tentando ver a Pepa Pig — e dedilhou involuntariamente estas mal- traçadas linhas. [...] Texto adaptado de Xico Sá, publicado em 10 ago. 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/10/opinion/1565450440_00144 Acesso em: 14 ago. 2019 * Os termos sublinhados neste texto representam hyperlinks no texto original publicado no sítio eletrônico do jornal El País. Conforme o dicionário Michaelis,hyperlink é, “no contexto da hipermídia e do hipertexto, endereço que aparece em destaque (geralmente sublinhado ou apresentado em uma cor diferente) e que, a um clique no mouse, permite a conexão com outro site”. Quanto à presença de pronomes no texto, é correto a�rmar que a) vos (referência 9) é pronome pessoal oblíquo e complementa o sentido do verbo dizer. b) esse (referência 6) é pronome possessivo e retoma a população da região do Cariri. c) que (referência 11) é pronome interrogativo e faz referência a livros didáticos. d) tudo (referência 16) é pronome relativo e se refere ao livro de David Foster Walace. Exercício 6 (Eear 2019) Marque a alternativa correta quanto à classi�cação sintática dos pronomes destacados. a) Preciso de ti na execução do projeto. (objeto indireto) b) O mau exemplo incomoda a mim. (objeto indireto) c) Encontrei-o em decúbito, ao chão. (sujeito) d) Contei-lhes toda a verdade. (objeto direto) Exercício 7 (Udesc 2019) DE MAVIOSO ENCANTO 1Eu vi um beija-�or. 2De manhã reuni a família ao redor da mesa do café e disse: Gente, vou contar uma coisa importante e vocês precisam acreditar em mim. Hoje, enquanto vocês dormiam, vi um beija-�or no terraço. Foi assim. 3Era de madrugada e acordei chamada pela sede. 4Mas o dia me pareceu tão novo que parei de olhar. 5E de repente, lá estava ele tecendo entre as �ores a rede de seus voos. 6Um beija-�or de verdade em 1972, um beija-�or vivo numa cidade de 6 milhões de habitantes. Ficaram pasmos. 7Mas me amavam e acreditaram em mim. 8Minha �lha pediu que o descrevesse, pediu que o desenhasse e que o pintasse com todas as cores dos seus lápis. Meu marido comoveu-se, eu era uma mulher que 9tinha visto um beija-�or, e era dele. 10Beijou-me na testa. As domésticas foram convocadas para participar da alegria, mas, pessoas de pouca fé, se entreolharam descrentes. As amigas às quais telefonamos me deram parabéns; a�nal, eram amigas. A novidade habitou minha casa. A notícia correu. Verdade, Marina, que você viu um beija- �or? E eu modesta mas banhada de graça, verdade. Ligaram do jornal. Alô, Marina, a que horas? Que cor? De que tamanho? E você tem certeza? Alguém mais viu? Olha gente, não quero fazer declarações. Sei que parece estranho, mas eu vi. A hora não sei bem, nem o tamanho, não medi. 11Sei que era um beija-�or feito os de antigamente, com asas, bico, tudo. Um beija-�or de penas. Fotos? Não tenho, não falei com ele. 12Vieram ver o terraço, mediram tudo, controlaram os ventos, 13aspiraram as �ores. E chegaram à conclusão de que não, não era possível, nenhum beija-�or 14havia estado ali. COLASANTI, Marina. Crônicas para jovens, 1ª ed. São Paulo: Global, 2012, pp. 23 e 24. Assinale a alternativa incorreta em relação à crônica De mavioso encanto, Marina Colasanti. a) A palavra destacada em “Eu vi um beija-�or” (ref. 1) é, na morfologia, substantivo composto por verbo e substantivo e, quando pluralizado, os dois elementos vão para o plural. b) No período “Vieram ver o terraço, mediram tudo, controlaram os ventos, aspiraram as �ores” (ref. 12) há orações com sujeito indeterminado por apresentarem o verbo na 3ª pessoa do plural, sem antecedente expresso. c) As locuções verbais “tinha visto” (ref. 9) e “havia estado” (ref. 14) podem ser substituídas pelas formas verbais vira e estivera, respectivamente, sem prejuízo do entendimento do texto. d) No período “Mas me amavam e acreditavam em mim” (ref. 7) os pronomes destacados são, sintaticamente, na sequência, objeto direto e objeto indireto. e) Na estrutura “Um beija-�or de verdade em 1972, um beija-�or vivo numa cidade” (ref. 6) as palavras destacadas reforçam a ideia de incredulidade da existência de um beija-�or nesta época, (1972) na cidade de São Paulo. Exercício 8 (Fatec 2019) Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir: Temple Grandin empacou diante da porteira. Alguns parafusos cravados na madeira lhe saltaram aos olhos. “Tem que limar a cabeça desses parafusos, se não o gado pode se machucar”, aconselhou à dona da fazenda, Carmen Perez, que ao lembrar a cena comentou: “Sempre passo no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto.”. Grandin tem um parafuso a mais quando se trata do bem-estar dos bichos. Professora de ciência animal, ela é autista e dona de uma hipersensibilidade visual e auditiva. Tocada pelas angústias do gado desde a juventude, ela compreendia por que a rês recuava na hora da vacinação, por que atacava um vaqueiro, por que tropeçava, por que mugia. Grandin traduziu esse entendimento em projetos que propunham mudanças no manejo. Hoje, instalações criadas por ela são familiares a quase metade dos bovinos nos Estados Unidos. O Brasil, com seus quase 172 milhões de cabeças de gado, segundo o Censo Agropecuário de 2017, vem aos poucos fazendo ajustes alinhados com as propostas da americana. Em julho passado, Grandin, hoje com 71 anos, veio ao Brasil pela sexta vez. Na fazenda Orvalho das Flores, localizada em Barra do Garças (MT), ela testemunhou como a equipe de Perez conduz suas 2 980 cabeças de Nelore, raça predominante no país. Os vaqueiros massageiam os bezerros, não gritam com os bois, tampouco deixam capas de chuva, correntes ou chapéus no caminho dos animais. A engenheira agrônoma Maria Lucia Pereira Lima foi aluna de pós-doutorado de Grandin na Universidade do Estado do Colorado, em Fort Collins, em 2013. Viajara aos Estados Unidos para aprender como medir o bem-estar dos bovinos e se inteirar de inovações que pudessem ser implantadas em currais brasileiros. Uma delas, por exemplo, tranquiliza o animal conduzido à vacinação: o gado em geral se via obrigado a passar espremido por espaços afunilados. Grandin projetou um acesso em curva, sem cantos, que dá à rês a ilusão de que voltará ao ponto de partida. Outra: uma lâmpada acesa na entrada do tronco de contenção – o equipamento que permite o manejo individual do boi – a indicar o trajeto reduziu em até 90% o uso de choque elétrico durante o processo. [...] No auditório da universidade, outros pesquisadores se revezavam no palco discutindo aspectos econômicos e sociais relacionados ao bem-estar animal. O tempo de manejo cai pela metade nos estabelecimentos agropecuários que seguem os manuais de Grandin. De ovos transportados com cuidado nascem pintinhos sadios. Sem falar na melhor qualidade de vida de quem lida com esses bichos. Vaqueiros bem treinados sofrem menos acidentes no trabalho e desenvolvem uma relação mais harmoniosa nos casamentos. “A melhoria do bem-estar animal melhora o bem- estar humano”, a�rmou o zootecnista Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista. Monica Manin <https://tinyurl.com/y8xeoqul> Acesso em: 12.10.2018. Adaptado. Observe os elementos destacados na passagem: “Sempre passo no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto”, presente no primeiro parágrafo. As palavras destacadas exercem a) funções diferentes, pois o primeiro “que” é conjunção integrante e introduz uma oração coordenada, enquanto o segundo “que” é pronome relativo e introduz uma oração explicativa. b) funções diferentes, pois o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo é um pronome relativo, tendo como antecedente o termo “coisa”. c) mesma função, pois ambos são conjunções subordinativas, sendo que o primeiro introduz uma oração substantiva, enquanto o segundo, uma oração adverbial restritiva. d) mesma função, pois ambos os pronomes “que” retomam vocábulos anteriores, sendo o verbo “dizem” e o substantivo “coisa” seus antecedentes respectivamente. e) mesma função, pois ambos são conjunções, porém o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo, uma conjunção coordenativa. Exercício 9 (Unifesp 2019) Leia o poema “Sou umevadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à(s) questão(ões) a seguir. Sou um evadido. Logo que nasci Fecharam-me em mim, Ah, mas eu fugi. Se a gente se cansa Do mesmo lugar, Do mesmo ser Por que não se cansar? Minha alma procura-me Mas eu 1ando a monte, Oxalá que ela Nunca me encontre. Ser um é cadeia, Ser eu é não ser. Viverei fugindo Mas vivo a valer. (Obra poética, 1997.) 1“andar a monte”: andar fugido das autoridades. “Se a gente se cansa Do mesmo lugar, Do mesmo ser Por que não se cansar?” (2ª estrofe) Os termos sublinhados constituem a) pronomes, somente. b) conjunção, pronome e pronome, respectivamente. c) conjunções, somente. d) pronome, conjunção e conjunção, respectivamente. e) conjunção, conjunção e pronome, respectivamente. Exercício 10 (G1 - ifal 2018) Sobre o anúncio publicitário, o mecanismo usado linguisticamente na seguinte passagem: “LEVE UMA DE BROTINHO BANANA!” está inserido no plano do(a) a) coesão referencial pelo uso de elipse. b) coesão sequencial pelo uso de conectores. c) coesão referencial pelo uso de pronomes. d) coesão referencial pelo uso de sinonímia. e) coesão sequencial pelo emprego de pontuação. Exercício 11 (Famerp 2018) Leia o poema “A última nau”, da obra Mensagem, de Fernando Pessoa, para responder à(s) questão(ões). Levando a bordo El-Rei D. Sebastião, E erguendo, como um nome, alto o pendão Do Império, Foi-se a última nau, ao sol aziago1 Erma2, e entre choros de ânsia e de pressago3 Mistério. Não voltou mais. A que ilha indescoberta Aportou? Voltará da sorte incerta Que teve? Deus guarda o corpo e a forma do futuro, Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro E breve. Ah, quanto mais ao povo a alma falta, Mais a minha alma atlântica se exalta E entorna, E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço, Vejo entre a cerração teu vulto baço Que torna. Não sei a hora, mas sei que há a hora, Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora Mistério. Surges ao sol em mim, e a névoa �nda: A mesma, e trazes o pendão ainda Do Império. (Obra poética, 1987.) 1 aziago: funesto. 2 erma: solitária. 3 pressago: presságio. Os pronomes oblíquos assumem, geralmente, a função de complementos verbais. Em “projeta-o” (2ª estrofe) e “Demore-a” (4ª estrofe), os pronomes oblíquos referem-se, respectivamente, aos termos a) “Deus” e “alma”. b) “sol” e “nau”. c) “corpo” e “hora”. d) “Mistério” e “cerração”. e) “Império” e “névoa”. Exercício 12 (Espcex (Aman) 2017) Assinale a alternativa que contém, na sequência, a forma correta da substituição da voz passiva analítica pela voz passiva pronominal e, ao mesmo tempo, a substituição dos termos destacados pelos pronomes oblíquos correspondentes. Era notada no olhar dela uma expressão feliz. Era vista no rosto dele a palidez da morte. São vistas no corpo dele as marcas das balas. Foi notado no rosto dele algo de estranho. Foi inserida na opinião dele um dado novo. a) Notou-se-lhe no olhar dela uma expressão feliz. b) Viu-se-lhe no rosto a palidez da morte. c) Vê-se no seu corpo as marcas das balas. d) Notou-se-lhe no rosto algo de estranho. e) Inseriu-se na sua opinião um dado novo. Exercício 13 (Eear 2017) Leia: “Você é exatamente o que eu sempre quis/ Ela se encaixa perfeitamente em mim”. O trecho apresenta um fragmento de uma canção, de autoria de Sorocaba. Em relação ao uso dos pronomes, marque a alternativa correta, de acordo com a gramática normativa. a) O pronome “ela” indica com quem se fala no discurso. b) O pronome “você” indica a pessoa que fala no discurso. c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto exempli�cado. d) O pronome “você” se refere, gramaticalmente, à mesma pessoa descrita pelo pronome “ela”, no texto exempli�cado. Exercício 14 (Eear 2017) Leia: Meteoro (Sorocaba) Te dei o Sol Te dei o Mar Pra ganhar seu coração Você é raio de saudade Meteoro da paixão Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar Aaaahh... Como é bom poder te amar [...] O trecho da canção de autoria de Sorocaba, que �cou famosa na voz de Luan Santana, está escrito em linguagem coloquial. Quanto ao uso dos pronomes oblíquos, marque a alternativa correta. a) Se o autor tivesse optado pelo uso do pronome de acordo com a gramática normativa, e, desse modo, tivesse realizado a colocação do pronome oblíquo após as formas verbais com que se inicia os dois versos do início da canção, seria possível interpretações diferentes das apresentadas por conta de cacofonia (união sonora de sílabas que provoca estranheza auditiva). b) O fato de o texto trazer pronomes oblíquos em vez de retos acentua a ideia de precisão ao escrever de acordo com as normas estabelecidas pela gramática normativa, pois os oblíquos, de uso mais elaborado que os retos, garantem mais legibilidade ao texto escrito ou falado. c) A opção pelo uso de pronomes oblíquos é um indício das tentativas do autor de gerar duplo sentido em seus enunciados, uma vez que nos dois primeiros versos houve ajuste preciso ao que se determina nas gramáticas de língua portuguesa. d) Os pronomes oblíquos presentes no trecho da canção visam promover elegância e estilo, uma vez que estão estritamente de acordo com o que se preconiza nas gramáticas normativas. Exercício 15 (Uel 2017) Leia, a seguir, a crônica “Assassinos por distração”, de Martha Medeiros, e responda à(s) questão(ões). O Jornal Nacional, dias atrás, apresentou uma reportagem que merecia ser mais comentada. A história: na Flórida, dois rapazes e uma garota resolveram roubar algumas placas de PARE instaladas em cruzamentos. Motivo: falta do que fazer. Consequência: na noite seguinte, numa dessas esquinas desfalcadas de sinalização, três rapazes de 18 anos chocaram seu veículo contra um caminhão. Não sabiam que estavam atravessando uma preferencial. Tiveram morte instantânea. O julgamento dos afanadores de placas foi televisionado. Choravam feito bezerros desmamados. Alegavam que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto. Eram réus primários, quase crianças, e pediam clemência. Inútil. O juiz decretou 15 anos de prisão para cada um e disse estar sendo generoso, porque assassinos não costumam pegar menos de 30. Comovida com o arrependimento dos acusados, a mãe de um dos garotos morto no acidente pediu ao juiz que não os condenasse por tanto tempo, pois no presídio iriam conviver com bandidos de verdade e o futuro deles �caria irreversivelmente comprometido. Nada feito. O juiz bateu o martelo e os três já estão vendo o sol nascer quadrado. O juiz foi rígido? Na hora em que eu assistia ao telejornal, vendo o desespero daqueles jovens e de suas famílias, achei que sim. Mas uma pergunta me veio à cabeça: quem, nos Estados Unidos, vai agora ousar roubar uma placa de sinalização? Só um demente. A lição é clara: a irresponsabilidade provoca crimes e a impunidade os multiplica. O Brasil está cheio desses pequenos transgressores que depredam orelhões e dani�cam placas de trânsito. [...] Precisam ser detidos. Falta de intenção atenua um crime, mas não pode absolver. Qualquer pessoa com mais de 18 anos deve ter consciência de que dirigir bêbado, soltar foguetes, dar tiros para o alto, jogar coquetéis molotov dentro de ônibus, tudo isso também provoca tragédias. Estamos acostumados a chamar de assassinos apenas aquelas pessoas que saem de casa com uma pistola automática e o endereço da vítima anotado num papel. Já políticos que desviam verbas destinadas a postos de saúde, esses são gentilmente chamados de corruptos. Ladrões, no máximo. Assassinos, nunca. Não somos marginais, mas somos todos homicidas em potencial. Basta uma inconsequência, uma distorção de valores ou uma sandice como a dos jovens americanos. É pena que eles estejam pagando tão caro pelo que �zeram, mas outros três adolescentes morreram por sua causa, e outros tantos continuariam a morrer se o juiz pensasse como nós: o acusado poderia serum �lho meu. Poderia. Mas poderia também estar enterrado sete palmos abaixo da terra por não ter sido avisado de que no meio do caminho havia uma preferencial. Foi dado o recado: não existe muita diferença entre os assassinos por natureza e os assassinos por distração. Junho de 1997 MEDEIROS, M. Topless. Porto Alegre: L&PM, 2015. p. 165-167. Releia os trechos a seguir presentes no segundo parágrafo. “Alegavam que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto.” “[...] pediu ao juiz que não os condenasse por tanto tempo [...]” Quanto a esses trechos, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, as referências retomadas pelos pronomes sublinhados. a) A colisão do veículo dos rapazes contra um caminhão; os julgadores dos réus primários. b) A repercussão pública dos atos cometidos; os 15 anos decretados pelo juiz como pena. c) O motivo e a consequência do roubo das placas de sinalização; os rapazes de 18 anos, cujo veículo bateu no caminhão. d) O julgamento ter sido televisionado; os assassinos que costumam receber pena de 30 anos ou mais. e) O roubo das placas de sinalização nos cruzamentos; os acusados, que demonstravam arrependimento. Exercício 16 (Fatec 2017) Leia o poema de Camilo Pessanha para responder à(s) questão(ões) a seguir. INTERROGAÇÃO Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; E apesar disso, crês? nunca pensei num lar Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito. E nunca te escrevi nenhuns versos românticos. Nem depois de acordar te procurei no leito, Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos. Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo A tua cor sadia, o teu sorriso terno... Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso Que me penetra bem, como este sol de Inverno. Passo contigo a tarde e sempre sem receio Da luz crepuscular, que enerva, que provoca. Eu não demoro o olhar na curva do teu seio Nem me lembrei jamais de te beijar na boca. Eu não sei se é amor. Será talvez começo. Eu não sei que mudança a minha alma pressente... Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, Que adoecia talvez de te saber doente. (PESSANHA, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.) O escritor português Camilo Pessanha faz parte da escola literária denominada Simbolismo. Assinale a alternativa que possui uma característica desse movimento artístico presente no poema. a) Elipse, pois o autor omite todos os pronomes pessoais a �m de criar musicalidade. b) Bucolismo, pois o amor faz grande reverência à natureza ao evocar a sua sonoridade. c) Aliteração, pois o autor explora a repetição harmônica e ritmada de sons consonantais. d) Determinismo, pois o meio em que vive a pessoa amada determina o ritmo de sua vida. e) Ornamentação exagerada, pois há vocabulário ritmado com exclusividade de rimas ricas. Exercício 17 (Unesp 2017) Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português Luís de Camões (1525?-1580), para responder à(s) questão(ões) a seguir. Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no Céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma coisa a dor que me �cou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. Sonetos, 2001. “Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente,” (2ª estrofe) Os termos destacados constituem a) pronomes. b) conjunções. c) uma conjunção e um advérbio, respectivamente. d) um pronome e uma conjunção, respectivamente. e) uma conjunção e um pronome, respectivamente. Exercício 18 (G1 - ifal 2017) Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões). Renúncia Chora de manso e no íntimo... Procura Curtir sem queixa o mal que te crucia: O mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. Só a dor enobrece e é grande e é pura. Aprende a amá-la que a amarás um dia. Então ela será tua alegria, E será, ela só, tua ventura... A vida é vã como a sombra que passa... Sofre sereno e de alma sobranceira, Sem um grito sequer, tua desgraça. Encerra em ti tua tristeza inteira. E pede humildemente a Deus que a faça Tua doce e constante companheira... BANDEIRA, Manuel. A cinza das horas. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 75. Nos excertos “o mal que te crucia”, “que a amarás um dia” e “pede humildemente a Deus que a faça”, os pronomes em negrito estão, adequadamente, em posição proclítica, haja vista a força atrativa exercida pelo vocábulo “que”, presente nos referidos trechos. De acordo com a norma padrão, qual das sentenças abaixo também se compõe de maneira adequada quanto à colocação do pronome átono? a) Nada mantinha-se como antes. b) Se permita sempre amar os outros. c) Trataria-se de uma nova vitória do time. d) Quando falará-se em ética na política? e) Aqui também se fazem boas ações. Exercício 19 (Espcex (Aman) 2016) Assinale a alternativa em que o uso dos pronomes relativos está em acordo com a norma culta da Língua Portuguesa. a) Busca-se uma vida por onde a tolerância seja, de fato, alcançada. b) Precisa-se de funcionários com cujo caráter não pairem dúvidas. c) São pessoas com quem depositamos toda a con�ança. d) Há situações de onde tiramos forças para prosseguir. e) José é um candidato de cuja palavra não se deve duvidar. Exercício 20 (G1 - ifsp 2016) Com relação à colocação pronominal e ao emprego dos pronomes, observe a tirinha abaixo. I. No primeiro quadrinho, o pronome “mim” foi utilizado de forma incorreta, no que tange à norma padrão da Língua Portuguesa e de acordo com a gramática normativa. II. No terceiro quadrinho, a frase: “Eu sei, estes momentos nos deixam sem palavras...”, para seguir a regra da colocação pronominal, deveria ter sido escrita da seguinte maneira: “Eu sei, estes momentos deixam-nos sem palavras...”. III. A frase: “Beije-me como nunca beijou alguém antes!” pode ser reescrita da seguinte maneira, sem que haja prejuízo semântico: “Beije-me como nunca beijou ninguém antes!”. É correto o que se a�rma em a) II, apenas. b) II e III, apenas. c) I e III, apenas. d) I, II e III. e) III, apenas. Exercício 21 (Epcar (Afa) 2016) Quarto de Despejo “O grito da favela que tocou a consciência do mundo inteiro” 2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos que eu pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava que não tinha valor e achei que era perder tempo. ...Eu �z uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas que eu conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso amavel as crianças e aos operarios. ...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite os meus pés doiam tanto que eu não podia andar. Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Carlos. A intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos. 3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas �cou sem efeito, porque eu não tenho gordura. Os meninos estão nervosos por não ter o que comer. 6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o João carregar. Eu estava contente. Recebi outra intimação. Eu estava inspirada e os versos eram bonitos e eu esqueci de ir na Delegacia. Era 11 horas quando eu recordei do convite do ilustre tenente da 12ª Delegacia. ...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la. Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo Theatro Nilo. 9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de conta que estou sonhando. 10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que homem amavel!Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na Delegacia na primeira intimação. (...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus �lhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele sabe disso, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o Dr Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas di�culdades.(...) O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome tambem é professora. Quem passa fome aprende a pensar no proximo e nas crianças. 11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Parece que até a natureza quer homenagear as mães que atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos de seus �lhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai chover. Hoje é o nosso dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que era para a Vera ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para comprar pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigori�co. Comemos a carne e guardei os ossos para ferver. E com o caldo �z as batatas. Os meus �lhos estão sempre com fome. Quando eles passam muita fome eles não são exigentes no paladar. (...) Surgiu a noite. As estrelas estão ocultas. O barraco está cheio de pernilongos. Eu vou acender uma folha de jornal e passar pelas paredes. É assim que os favelados matam mosquitos. 13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos. Nas prisões os negros eram os bodes expiatorios. Mas os brancos agora são mais cultos. E não nos trata com desprezo. Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam feliz. (...) Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair. (...) Eu tenho dó dos meus �lhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: Viva a mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Mandei-lhe um bilhete assim: “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho de gordura, para eu fazer sopa para os meninos. Hoje choveu e não pude catar papel. Agradeço. Carolina” (...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera começou a pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome! (DE JESUS, Carolina Maria. Quarto de Despejo.) Quanto ao uso dos pronomes, assinale a opção que traz uma INFRAÇÃO à norma padrão da língua a) “Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor Manuel vender os ferros.” b) “Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz.” c) “...as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país.” d) “É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.” Exercício 22 (Uel 2016) Leia o poema, abaixo, e responda à(s) questão(ões) a seguir. estupor esse súbito não ter esse estúpido querer que me leva a duvidar quando eu devia crer esse sentir-se cair quando não existe lugar aonde se possa ir esse pegar ou largar essa poesia vulgar que não me deixa mentir (LEMINSKI, P. Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 249.) Acerca dos pronomes presentes no poema, assinale a alternativa correta. a) As várias ocorrências de “esse” têm função coesiva e remetem ao “estupor” do título. b) A segunda ocorrência de “que” reintroduz a ideia segundo a qual a poesia é uma mentira. c) Na primeira estrofe, “me” e “eu” indicam, respectivamente, o poeta e o narrador. d) As duas ocorrências do “se”, na segunda estrofe, re�etem a tensão entre eu lírico e leitor. e) No último verso, “me” é complemento do verbo “mentir”. Exercício 23 (G1 - cp2 2016) Leia o texto para responder à(s) questão(ões). História do humor 1“O humor está presente na civilização desde as sociedades mais primitivas – ele é uma capacidade que o ser humano tem de olhar a realidade e ressigni�cá-la, tornando-a algo engraçado e conferindo-lhe olhar crítico. No passado, ele era até uma forma de sobrevivência às adversidades e de união do grupo”, de acordo com o professor da Escola de Comunicações e Artes, Ricardo Alexino Ferreira. Alexino conta que, a partir dos anos 40 os humoristas passaram a retratar frequentemente de forma pejorativa grupos minorizados da sociedade, como negros, mulheres, idosos e de�cientes. 2Segundo ele, os comediantes consideraram esse humor fácil, pois muitas vezes se limitava a imitar essas pessoas. “Parte do humor se tornou sem repertório e um reforçador de estereótipos, uma caricatura do ‘outro’”, diz. (Fonte: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2011/10/ quando-a-piada-perde-a-graca-e-viraofensa/ Acesso em: 08/09/2015) Releia o trecho do texto “História do humor” a seguir: “O humor está presente na civilização desde as sociedades mais primitivas – ele é uma capacidade que o ser humano tem de olhar a realidade e ressigni�cá-la, tornando-a algo engraçado e conferindo-lhe olhar crítico.” (ref. 1). Os pronomes oblíquos “la”, “a” e “lhe” referem-se ao mesmo termo, que é a) “uma capacidade”. b) “as sociedades”. c) “na civilização”. d) “a realidade”. Exercício 24 (G1 - ifpe 2016) Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. COMPUTADORES PROVOCAM ACIDENTES DO TRABALHO? Durante muito tempo, a segurança do trabalho foi vista como um tema que se relacionava apenas ao uso de capacetes, botas, cintos de segurança e uma série de outros equipamentos de proteção individual contra acidentes. No entanto, a evolução tecnológica se fez acompanhar de novos ambientes de trabalho e de riscos pro�ssionais a eles associados. Muitos desses novos riscos são pouco ou nada conhecidos e demandam pesquisas cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos a sua saúde e integridade física. Hoje, o setor de segurança e saúde no trabalho é multidisciplinar e tem como objetivo principal a prevenção dos riscos pro�ssionais. O conceito de acidente é compreendido por um maior número de pessoas que já identi�cam as doenças pro�ssionais como consequências de acidentes do trabalho. A relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios para a humanidade, também trouxe um grande número de vítimas. Entre as máquinas das novas relações pro�ssionais, os computadores pessoais têm uma característica ímpar: nunca, na história da humanidade, uma mesma máquina esteve presente na vida pro�ssional de um número tão grande e diversi�cado de trabalhadores. Diante desses fatos, muitas dúvidas têm sido levantadas sobre os riscos de acidentes no uso de computadores; entre eles, destacam-se os chamados riscos ergonômicos. A Ergonomia é uma ciência que estuda a adequação das condições de trabalho às características psico�siológicas dos trabalhadores de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho e�ciente. Entre os riscos ergonômicos, aqueles que têm maior relação com o uso de computadores são: exigência de postura inadequada, utilização de mobiliário impróprio, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade. A exposição do trabalhador ao risco gera o acidente, cuja consequência,nesses casos, tem efeito mediato, ou seja, ela se apresenta ao longo do tempo por ação cumulativa desses eventos sucessivos. É como se, a cada dia de exposição ao risco, um pequeno acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo. As consequências dos acidentes do trabalho desse tipo são as doenças pro�ssionais ou ocupacionais. Já para os pro�ssionais que têm o computador como instrumento de um trabalho diário, a prevenção dos riscos ergonômicos relacionados ao seu uso deverá ser motivo de atenção e interesse, observando, entretanto, que a legislação e as normas técnicas estão inseridas no contexto maior de uma avaliação completa do ambiente de trabalho. O bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores re�ete no seu desempenho pro�ssional e é resultado de uma política global de investimento em segurança, saúde e meio ambiente. O fundamental para os usuários de computadores é saber que há procedimentos básicos para se evitar acidentes no trabalho, mesmo quando esse trabalho se concentra em uma relação homem-máquina aparentemente amigável e isenta de riscos, desenvolvida em escritórios ou mesmo em casa. MATTOS, Ricardo Pereira de. Adaptado. Disponível em <http://www.ricardomattos.com/artigo.htm#saude>. Acesso em: 09 jun. 2016. Na Língua Portuguesa, o acento grave indicativo da crase é utilizado para marcar a fusão da preposição a com os artigos de�nidos femininos a e as, com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, a e as e com o “a” do pronome relativo a qual e as quais. A gramática normativa de nossa língua, no entanto, a�rma que o uso desse acento é facultativo em algumas situações. Assinale a alternativa em que o referido acento também poderia ter sido utilizado, sem comprometer o sentido do trecho. a) “como se, à cada dia de exposição ao risco, um pequeno acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo”. (4º parágrafo) b) “À relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios para a humanidade, também trouxe um grande número de vítimas”. (2º parágrafo) c) “Entre os riscos ergonômicos, àqueles que têm maior relação com o uso de computadores são”. (3º parágrafo) d) “pesquisas cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos à sua saúde e integridade física”. (1º parágrafo) e) “à prevenção dos riscos ergonômicos relacionados ao seu uso deverá ser motivo de atenção e interesse”. (5º parágrafo) Exercício 25 (Upf 2016) O �lósofo e romancista Umberto Eco concedeu uma entrevista ao Jornal El País em março de 2015, pouco menos de um ano antes de sua morte. Na ocasião, o escritor falou sobre o conteúdo de seu último romance, Número Zero, uma �cção sobre o jornalismo inspirada na realidade e sobre as relações da temática da obra com a atualidade: o papel da imprensa, a Internet e a sociedade. Pergunta: Agora a realidade e a fantasia têm um terceiro aliado, a Internet, que mudou por completo o jornalismo. Resposta: A Internet pode ter tomado o lugar do mau jornalismo... Se 1você sabe que está lendo um jornal como EL PAÍS, La Repubblica, Il Corriere della Sera…, pode pensar que existe um certo controle da notícia e con�a. 2Por outro lado, se 3você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses, sensacionalistas, não con�a. Com a Internet acontece o contrário4: con�a em tudo porque não sabe diferenciar a fonte credenciada da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na Internet qualquer página web que fale de complôs 5ou que 6invente histórias absurdas: tem um acompanhamento incrível, de internautas e de pessoas importantes que as levam a sério. Pergunta: Atualmente é difícil pensar no mundo do jornalismo que era protagonizado, aqui na Itália, por pessoas como Piero Ottone e Indro Montanelli… Resposta: Mas a crise do jornalismo no mundo começou nos anos 1950 e 1960, bem quando chegou a televisão, antes que eles 7desaparecessem! Até então o jornal 8te contava o que acontecia na tarde anterior, por isso muitos eram chamados jornais da tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard… Desde a invenção da televisão9, o jornal te diz pela manhã o que você já sabe. E agora é a mesma coisa. O que um jornal deve fazer? Pergunta: Diga o senhor. Resposta: Tem que se transformar em um semanário. Porque um semanário tem tempo, são sete 10dias para construir 11suas reportagens. Se você lê a Time ou a Newsweek vê que várias pessoas 12contribuíram para uma história concreta, que trabalharam nela semanas ou meses, enquanto que em um jornal tudo é feito da noite para o dia. Um jornal que em 1944 tinha quatro páginas hoje tem 64, então tem que preencher obsessivamente com notícias repetidas, cai na fofoca, não consegue evitar... A crise do jornalismo, 13então, começou há quase cinquenta anos e é um problema muito grave e importante. Pergunta: Por que é tão grave? Resposta: Porque é verdade que, como dizia Hegel, a leitura dos 14jornais é a oração matinal do homem moderno. E 15eu não consigo tomar meu café da manhã se não folheio o jornal; mas é um ritual quase afetivo e religioso, porque folheio olhando os títulos, e por 16eles me dou conta de que quase tudo já sabia na noite anterior. 17No máximo, leio um editorial ou um artigo de opinião. Essa é a crise do jornalismo contemporâneo. E disso não sai! Pergunta: Acredita de verdade que não? Resposta: O jornalismo poderia ter outra função. Estou pensando em alguém que faça uma crítica cotidiana da Internet, e é algo que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: 18“Olha o que tem na Internet, olha que coisas falsas estão dizendo, reaja a isso, eu te mostro”. E isso pode ser feito tranquilamente. 19No entanto, ainda 20pensam que o jornal é feito para que seja lido por alguns velhos senhores 21– já que os jovens não 22leem – que ainda não usam a Internet. Teria que se fazer um jornal que não se torne apenas a crítica da realidade cotidiana, mas também a crítica da realidade virtual. Esse é um futuro possível para um bom jornalismo. (EL PAÍS. Caderno cultura. 30 de março de 2015. Disponível em http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/26/cultura/1427393303_512601 Acesso em 10 abr. 2016) Em relação ao uso dos pronomes no texto, é correto a�rmar que: a) “suas” (ref. 11) retoma “dias” (ref. 10). b) “eu” (ref. 15) é a única marca de subjetividade do texto. c) “você” (ref. 1 e ref. 3) é uma referência direta ao entrevistador. d) “eles” (ref. 16) retoma “jornais” (ref. 14). e) “te” (ref. 8) pode ampliar a referência para além do interlocutor. Exercício 26 (Ita 2015) Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-homens” ou equivalentes com valor pejorativo. Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças. A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e incomuns. Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder- se-ia concluir – precipitadamente – que o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e so�sticada, mas com a mesmacontundência elementar. Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o “biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...] (*) Pierre Clastres (1934-1977) (VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998) Considere o primeiro parágrafo do texto e a tirinha abaixo. O par de pronomes que expressa a dicotomia dos conjuntos tribos/navegantes e tribos vizinhas/não navegantes é a) eu – você b) tu – vós c) ele – eles d) nós – eles e) vocês – eles Exercício 27 (Enem 2012) A colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos, Esses pronomes podem assumir três posições na oração em relação ao verbo. Próclise, quando o pronome é colocado antes do verbo, devido a partículas atrativas, corno o pronome relativo. Ênclise, quando o pronome é colocado depois do verbo, o que acontece quando este estiver no imperativo a�rmativo ou no in�nitivo impessoal regido da preposição “a” ou quando o verbo estiver no gerúndio. Mesóclise, usada quando o verbo estiver �exionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito. A mesóclise é um tipo de colocação pronominal raro no uso coloquial da língua portuguesa. No entanto, ainda é encontrada em contextos mais formais, como se observa em: a) Não lhe negou que era um improviso. b) Faz muito tempo que lhe falei essas coisas. c) Nunca um homem se achou em mais apertado lance. d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum outro autor? e) Acabou de chegar dizendo-lhe que precisava retornar ao serviço imediatamente. Exercício 28 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Examine a tira de André Dahmer para responder à(s) questão(ões) a seguir (Unesp 2020) Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas: a) “Ah, estou morrendo de pena...” e “Ainda vou trabalhar a noite inteira no Iraque, meu rapaz.” b) “Me adianta essa, vai...” e “É cedo para mim.” c) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” d) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa, vai...” Exercício 29 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Precisamos falar sobre fake news Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente, vence a distância e a saudade dos netos e netas. Mas, para ela, assim como para milhares e milhares de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de engano. De vez em quando, por acreditar no que chega por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou outra mensagem contendo uma fake news. A última foi sobre um suposto problema com a vacina da gripe que, por um momento, diferente de anos anteriores, a fez desistir de se vacinar. Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros, não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera um certo estranhamento (e até constrangimento), embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação. Pior: é difícil destrinchar o que é verdade em tempo de fake news. Um dos maiores estudos sobre a disseminação de notícias falsas na internet, publicado ano passado na revista "Science", foi realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e concluiu que as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. Isso porque as fake news se valem de textos alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque para notícias atreladas a temas de saúde, seguidas de informações mentirosas sobre tudo. Até pouco tempo atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de produção de notícias. E os fatos obedeciam, a critérios de apuração e checagem. O problema é que hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não Identi�camos sequer a origem, boa parte delas disseminada em redes sociais. Con�a-se a ponto de compartilhar, sem questionar. O impacto disso é preocupante. Partindo de pesquisas que mostram que notícias e seus enquadramentos in�uenciam opiniões e constroem leituras da realidade, a disseminação das notícias falsas tem criado versões alternativas do mundo, da História, das Ciências "ao gosto do cliente", como dizem por aí. Os problemas gerados estão em todos os campos. No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam de vacinar seus �lhos a ponto de criar um grave problema de saúde pública de impacto mundial. E passa por jovens vítimas de violência virtual e física. No mundo corporativo, estabelecimentos comerciais fecham portas, pro�ssionais perdem suas reputações e produtos são desacreditados como resultado de uma foto descontextualizada, uma Imagem alterada ou uma legenda falsa. A democracia também se fragiliza. O processo democrático corre o risco de ter sua força e credibilidade afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas iniciativas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco. Estamos em um novo momento cultural e social, que deve ser entendido para encontrarmos um caminho seguro de convivência com as novas formas e ferramentas de comunicação. No Congresso Nacional, tramitam várias iniciativas nesse sentido, que precisam ser amplamente debatidas, com a participação de especialistas e representantes da sociedade civil. O problema das fake news certamente passa pelo domínio das novas tecnologias, com instrumentos de combate ao crime, mas, também, pela pedagogia do esclarecimento. O que posso a�rmar, é que, embora não saibamos ainda o antídoto que usaremos contra a disseminação de notícias falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a utilização de qualquer tipo de controle que não seja democrático. D.A., O Globo, em 10 de julho de 2019. (G1 - col. naval 2020) Em qual opção a colocação do pronome oblíquo NÃO está de acordo com a modalidade padrão da língua? a) Já me enviaram uma ou outra mensagem contendo notícias falsas ou mentirosas. b) Se o mundo corporativo despreocupar-se com as fake news, fechará as portas para o mercado. c) Con�a-se nas mensagens a ponto de compartilhá-las, sem questionar suas origens. d) Atualmente, convivemos com uma tecnologia que nos fascina e facilita muito a vida. e) Nada nem ninguém nos preparou para as mudanças tecnológicas que vivemos hoje. Exercício 30 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia a música de Marcelo Jeneci e responda à(s) questão(ões). Dar-te-ei [...] Não te darei papéis, não te darei, esses rasgam, esses borram Não te darei discos, não, eles repetem, eles arranham Não te darei casacos, não te darei, nem essas coisas que te resguardam e que se vão Dar-te-ei �nalmente os beijos meus Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus Esses embalam, esses secam, mas esses �cam. Não te darei bombons, não te darei, eles acabam, eles derretem Não te darei festas, não te darei, elas terminam, elas choram,elas se vão [...] <https://tinyurl.com/ybf22rpl> Acesso em: 10.11.2017. (G1 - cps 2018) Há, nessa música, uma construção gramatical chamada de mesóclise – “dar-te-ei” – de pouco uso na linguagem escrita e quase extinto o uso na falada. Essa construção, chamada de colocação pronominal, é uma das três posições possíveis – de acordo com a gramática normativa Baseando-se no que foi apresentado, assinale a alternativa que apresenta uma relação correta – de acordo com a gramática normativa – entre colocação pronominal e o seu uso na frase. a) Próclise – “Faça-me o favor de não atrasar para nosso encontro!” b) Ênclise – “Não te darei discos, não, eles repetem.” c) Ênclise – “Importava-se com o sucesso da prova.” d) Mesóclise – “A música? Cantá-la-rei quando souber a letra.” e) Mesóclise – “Alguém me procurou?” Exercício 31 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exempli�car este fato, seu professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto "Aí, Galera", de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte. AÍ, GALERA Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo "estereotipação"? E, no entanto, por que não? - Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. - Minha saudação aos a�cionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. - Como é? - Aí galera. - Quais são as instruções do técnico? - Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do �uxo da ação. - Ahn? - É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. - Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? - Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? - Pode. - Uma saudação para a minha progenitora. - Como é? - Alô, mamãe! - Estou vendo que você é um, um... - Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com di�culdade de expressão e assim sabota a estereotipação? - Estereoquê? - Um chato? - Isso. (Correio Braziliense, 13/05/1998) (Enem 1998) A expressão "pegá eles sem calça" poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta, formal, por: a) pegá-los na mentira. b) pegá-los desprevenidos. c) pegá-los em �agrante. d) pegá-los rapidamente. e) pegá-los momentaneamente. Exercício 32 (G1 - ifsp 2017) De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e com a gramática normativa e tradicional, quanto à colocação pronominal, assinale a alternativa correta. a) Espero que Milton nunca esqueça-se de mim. b) Não me diga que Jorge faltou hoje. c) Tudo incomoda-me em você. d) Em tratando-se de informática, Lucas é o melhor. e) Foi Ronaldo quem ensinou-me matemática. Exercício 33 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a seguir. O dono do livro Li outro dia um fato real narrado pelo escritor moçambicano Mia Couto. Ele disse que certa vez chegou em casa no �m do dia, já havia anoitecido, quando um garoto humilde de 16 anos o esperava sentado no muro. O garoto estava com um dos braços para trás, o que perturbou o escritor, que imaginou que pudesse ser assaltado. Mas logo o menino mostrou o que tinha em mãos: um livro do próprio Mia Couto. Esse livro é seu? perguntou o menino. Sim, respondeu o escritor. Vim devolver. O garoto explicou que horas antes estava na rua quando viu uma moça com aquele livro nas mãos, cuja capa trazia a foto do autor. O garoto reconheceu Mia Couto pelas fotos que já havia visto em jornais. Então perguntou para a moça: Esse livro é do Mia Couto? Ela respondeu: É. E o garoto mais que ligeiro tirou o livro das mãos dela e correu para a casa do escritor para fazer a boa ação de devolver a obra ao verdadeiro dono. Uma história assim pode acontecer em qualquer país habitado por pessoas que ainda não estejam familiarizadas com os livros – aqui no Brasil, inclusive. De quem é o livro? A resposta não é a mesma de quando se pergunta: “Quem escreveu o livro?”. O autor é quem escreve, mas o livro é quem lê, e isso de uma forma muito mais abrangente do que o conceito de propriedade privada – comprei, é meu. O livro é de quem lê mesmo quando foi retirado de uma biblioteca, mesmo que seja emprestado, mesmo que tenha sido encontrado num banco de praça. O livro é de quem tem acesso às suas páginas e através delas consegue imaginas os personagens, os cenários, a voz e o jeito com que se movimentam. São do leitor as sensações provocadas, a tristeza, a euforia, o medo, o espanto, tudo que é transmitido pelo autor, mas que re�ete em quem lê de uma forma muito pessoal. É do leitor o prazer. É do leitor a identi�cação. É do leitor o aprendizado. É o leitor o livro. Dias atrás gravei um comercial de rádio em prol do Instituto Estadual do Livro em que falo aos leitores exatamente isso: os meus livros são os seus livros. E são, de fato. Não existe livro sem leitor. Não existe. É um objeto fantasma que não serve para nada. Aquele garoto de Moçambique não vê assim. Para ele, o livro é de quem traz o nome estampado na capa, como se isso sinalizasse o direito de posse. Não tem ideia de como se dá o processo todo, possivelmente nunca entrou numa livraria, nem sabe o que é tiragem. Mas, em seu desengano, teve a gentileza de tentar colocar as coisas em seu devido lugar, mesmo que para isso tenha roubado o livro de uma garota sem perceber. Ela era a dona do livro. E deve ter �cado estupefata. Um fã do Mia Couto afanou seu exemplar. Não levou o celular, a carteira, só quis o livro. Um danado de uma amante da literatura, deve ter pensado ela. Assim são as histórias escritas também pela vida, interpretadas a seu modo por cada dono. Martha Medeiros. Jornal ZERO HORA – 06/11/11. Revista O Globo, 25 de novembro de 2012. (Esc. Naval 2017) No trecho “[...] um garoto humilde de 16 anos o esperava sentado no muro.” (1º parágrafo), é também correta, de acordo com a norma-padrão brasileira, a colocação enclítica do pronome o. Assinale a opção em que também ocorre essa dupla possibilidade – próclise e ênclise – na colocação do pronome destacado. a) Ana me emprestou este livro. b) Não lhe emprestarei o livro de novo. c) Pre�ro que me traga as publicações depois. d) Sempre o vê sozinho na frente da biblioteca. e) Em lhe chegando a vez, termino de contar a história de ontem. Exercício 34 (G1 - ifal 2016) Escolha a frase que apresenta erro de colocação pronominal. a) Arremataram-nas, num leilão online, os que deram os maiores lances. b) Se pudesse, explicaria-lhe tudo. c) Meu �lho tem-se interessado pelos negócios da família. d) Ele preparou-se para a entrevista de emprego. e) Sinto-me lisonjeado pelo elogio de tão ilustre professor. Exercício 35 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: (G1 - ifsul 2019) Acerca do texto, nas orações: “se as eleições fossem ontem” e em “quem você teria votado e se arrependido”, é INCORRETO a�rmar que a) a classi�cação gramatical do SE, respectivamente, é conjunção e pronome. b) a conjunção SE poderia ser substituída, sem alteração de sentido, pelo nexo oracional CASO. c) o pronome SE é atraído pela conjunção E, havendo, portanto, uma ênclise. d) aclassi�cação do verbo utilizado na primeira oração é pretérito imperfeito do subjuntivo. Exercício 36 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO Hélio Gurovitz Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell, saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) 1A distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) 2O mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. 3Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da comunicação americano Neil Postman: Amusing ourselves to death (4Nos divertindo até morrer), relembrado por seu �lho Andrew em artigo recente no The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário nenhum Grande Irmão para despojar a população de autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman. “Ela acabaria amando sua opressão, adorando as tecnologias que destroem sua capacidade de pensar. Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia aqueles que nos privariam de informação. Huxley, aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à passividade e ao egoísmo. 5Orwell temia que a verdade fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num mar de irrelevância.” 6No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães, pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está disponível na forma de jogos esportivos, cinema multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens, onde 7grupos nativos ainda preservam costumes e tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; 8não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; 9não têm esposas, nem �lhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma.” 10Para chegar à estabilidade absoluta, foi necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade universal mantém as engrenagens em funcionamento regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”, diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza, o que importava.” A verdade é considerada uma ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida. Mas foi excelente para a felicidade.” No universo de Orwell, a população é controlada pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley, pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento. (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão, que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e super�cial, incapaz de manter com a verdade a relação re�exiva e racional da palavra impressa. 11O computador só engatinhava, e Postman mal poderia prever como celulares, tablets e redes sociais se tornariam – bem mais que a TV – o soma contemporâneo. Mas suas palavras foram prescientes: “O que a�igia a população em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam rindo, nem tinham parado de pensar”. Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p. 67. Distopia = Pensamento, �loso�a ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p. 533). (Epcar (Afa) 2018) Tendo como base o que prescreve a norma culta padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa cuja análise está correta. a) “Nos divertindo até morrer” (ref. 4) apresenta uma colocação pronominal adequada, pois, além de ser a tradução de um nome próprio, o gerúndio não admite ênclise. b) Em “...grupos nativos ainda preservam costumes e tradições primitivos...” (ref. 7), o adjetivo poderia estar no feminino para concordar com o último elemento, já que está posposto a ele. c) O termo sublinhado em “... não têm esposas, nem �lhos, nem amantes por quem possam sofrer...” (ref. 9) poderá ser substituído por os quais e não acarretará alteração sintática nem semântica na sentença. d) Em “... não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice...” (ref. 8) os termos sublinhados exercem a mesma função sintática: adjuntos adnominais dos substantivos a que se referem. Exercício 37 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O celular que escraviza Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar? Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. 1Dormimos ao lado dele, acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de �car mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o mundo, com os amigos, com o trabalho. 2Sabemos da vida de todos e informamos a todos o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito mais que falar. Com eles, trocamos e- mails, usamos programas de GPS e navegamos em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam. Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo enquanto dirigem. 3“É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David Green�eld, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” 4O pai de todos os vícios, claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana. Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a uma conversa na mesa do bar. O �nal dessa história pode ser dramático. Interagir com o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco. 5Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18 anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety Board. No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos pro�ssionais que trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) 6O cérebro só faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente. (...) 7A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman. Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele, seus amigos e o restante do mundo 8– com exceção (maldição!) de locais em que o sinal é fraco 9ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser altamente viciante. Daí a descon�ança de especialistas de que motoristas que não conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes. Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. 10Uma mensagem é um pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios, a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia gastamos com 11o hábito de veri�car atualizações em busca desse barato cerebral. De acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...) Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular- que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017. (G1 - cmrj 2018) Sobre o trecho “Dormimos ao lado dele, acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo.” (ref. 1), pode-se a�rmar que a) os verbos dormir e acordar são transitivos indiretos e regem complementos introduzidos, respectivamente, pelas preposições “a” e “com”. b) foi usada, de acordo com a norma padrão, a próclise com os verbos levar e esquecer. c) as expressões “ao lado dele”, “com ele”, “para o banheiro” e “em casa” são adjuntos adverbiais. d) caso o autor optasse pela ênclise, a colocação pronominal resultaria nas formas esquecemos-lo e levamos-lo. e) a ênclise não é indicada nos dois casos em questão por causa de palavras atrativas. Exercício 38 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões). Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. “(...) De uma coisa sabemos, que o homem branco 1talvez venha a um dia descobrir: 2o nosso Deus é o mesmo Deus. 3Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, 4talvez mais depressa do que as outras raças. 5Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, 6quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de �os que falam, onde �carão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; 7o �m da vida e o começo da luta pela sobrevivência. (...) 8Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus �lhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas �orestas e praias, 9porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. 10Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, 11conserva-a para os seus �lhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.” www.culturabrasil.pro.br/seattle1.htm. Acesso em 16/04/2016. (G1 - epcar (Cpcar) 2017) Assinale a alternativa cuja análise está correta. a) O acento utilizado em “compreendêssemos” justi�ca-se por se tratar de uma palavra proparoxítona; já o utilizado em “protegíamos” justi�ca-se pela regra do hiato tônico. b) Os acentos graves utilizados em “causar dano à terra” e “federem à gente” justi�cam-se por se tratar de complementos verbais intransitivos. c) Justi�ca-se o uso da ênclise em “Protege-a” (ref. 10), por iniciar período; e, em “conserva-a” (ref. 11), por iniciar uma oração antecedida de vírgula. d) Em “o nosso Deus é o mesmo Deus” (ref. 2) o adjetivo “mesmo” foi utilizado no sentido de “próprio”. Exercício 39 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto e responda à(s) questão(ões) a seguir. EMBARQUE IMEDIATO Não basta passar pelos dias. Viva a partir de agora, com emoção Por Márcia de Luca Neste mundo de turbulências em que estamos vivendo, muitas vezes nos sentimos deprimidos. Em certos momentos, parece que tudo está perdido, não é mesmo? Achamos que tudo está diferente, que as pessoas estão __________. Mas aqui e agora, tome uma atitude �rme em sua vida. Mude seu jeito negativo de ser, evitando que sua vida seja insigni�cante. Perdoe erros que você considerava imperdoáveis, troque as pessoas insubstituíveis por gente mais leve e solta. O apego aos outros está obsoleto. Nada nem ninguém é insubstituível. Aceite a decepção que outros lhe causaram para que você também seja aceito. Sim, porque todos, inclusive nós, já decepcionamos alguém. Antes de reagir por impulso, pare, respire fundo. E, só então, aja, com equilíbrio. Ame profundamente, __________ risadas gostosas, abrace, proteja pessoas queridas, faça amigos. Pule de felicidade e não tenha medo de quebrar a cara – se isso acontecer, encare com leveza. Se perder alguém nesta vida, sofra comedidamente – e vá em frente, pois tudo passa. Mas, sobretudo, não seja alguém que simplesmente passa pela vida. Viva intensamente. Abrace o mundo com a devida paixão que ele merece. Se perder, faça-o com classe, se vencer, que delícia! O mundo pertence a quem se atreve a ser feliz. Aproveitecada instante dessa grande aventura. Agora mesmo, neste __________, sente-se confortavelmente na poltrona, com a coluna ereta e de olhos fechados. Faça vários ciclos de respiração profunda e sinta o ar entrando e saindo. Quando sentir seu corpo relaxado e sua mente mais calma, pense em sua nova vida, mais leve. Desta maneira você viverá mais facilmente. Fonte: Revista Gol – Linhas áreas inteligentes (G1 - ifsul 2016) A colocação pronominal em “Se perder, faça-o com classe...” justi�ca-se por a) questão de estilo. b) ausência de mesóclise. c) necessidade de próclise. d) obrigatoriedade de ênclise. Exercício 40 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a seguir. Laivos de memória “... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao �m dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela.” (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana �uminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, su�cientemente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas – e despedidas são sempre dolorosas – não seriam certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientí�ca, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos passados des�lam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar – a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro início da vida pro�ssional – no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda- Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de O�cial começariam, �nalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor- marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: “... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a adolescência, primavera da vida. Tudo são �ores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos”. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d’ Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo pro�ssional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é grati�cante, ainda que melancólico, repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, “o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento”. (CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, nº 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) (Esc. Naval 2016) Assinale a opção em que o uso da ênclise se dá pelo mesmo motivo observado em: “Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família (...)” (2º parágrafo) a) Os Aspirantes sentiam-se orgulhosos de suas conquistas acadêmicas. b) Aqui, instalaram-se comodamente os atletas brasileiros, durante os Jogos Olímpicos. c) A mãe da jovem Aspirante tinha-lhe observado a importância da escolha pro�ssional. d) Relatou-nos, com detalhes, as aventuras e desventuras de sua última viagem de barco. e) Os alunos não estavam gostando do livro, mas continuavam a lê-lo. Exercício 41 (Insper 2012) Com mais de 50 anos de escrevinhação nas costas, descobri algumas ideias que muita gente faz da vida de um escritor. Por exemplo, tem quem ache que os escritores, notadamente entre eles mesmos, só falam difícil, uma proparoxítona para abrir, umamesóclise para dar classe e um tetrassílabo para arrematar. "Em teu parecer, meu impertérrito amigo", perguntaria eu ao Rubem Fonseca, durante nosso almoço periódico, "abater-se-á hoje, sobre a nossa urbe, uma formidanda intempérie?" Ao que o Zé Rubem reagiria com uma anástrofe, um mais-que-perfeito fazendo as vezes do imperfeito do subjuntivo e uma aliteração �nal show de bola, coisa de craque mesmo. "Augure do tempo fora eu, pressagiá-lo-ia libentissimamente", responderia ele. "Todavia, de tal não me trato." E assim iríamos almoço afora, discutindo elevadíssimos assuntos, em linguagem só compreensível por indivíduos especiais. João Ubaldo Ribeiro, O Estado de São Paulo, 03/07/2011. Ao comentar a suposta so�sticação presente nas falas dos escritores, João Ubaldo Ribeiro faz menção a vários fenômenos de linguagem. A respeito deles, está correto o que se a�rma em: a) Os tetrassílabos ocorrem quando as palavras contêm um grupo de duas letras que representam um único fonema. b) A mesóclise, exempli�cada em formas como “abater-se-á”, é uma construção que determina a colocação do pronome em relação ao verbo. c) A anástrofe consiste em estabelecer a concordância ideológica, isto é, de acordo com a ideia e não com as palavras que efetivamente aparecem na oração. d) O pretérito mais que perfeito e o imperfeito do subjuntivo expressam um processo verbal indicativo de exortação e advertência. e) A aliteração, empregada pelo autor em “libentissimamente”, exprime o auge da intensi�cação de uma qualidade. Exercício 42 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho do ensaio “A transitoriedade”, de Sigmund Freud (1856-1939), para responder à(s) questão(ões) a seguir. Algum tempo atrás, �z um passeio por uma rica paisagem num dia de verão, em companhia de um poeta jovem, mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário que nos rodeava, porém não se alegrava com ela. Era incomodado pelo pensamento de que toda aquela beleza estava condenada à extinção, pois desapareceria no inverno, e assim também toda a beleza humana e tudo de belo e nobre que os homens criaram ou poderiam criar. Tudo o mais que, de outro modo, ele teria amado e admirado, lhe parecia despojado de valor pela transitoriedade que era o destino de tudo. Sabemos que tal preocupação com a fragilidade do que é belo e perfeito pode dar origem a duas diferentes tendências na psique. Uma conduz ao doloroso cansaço do mundo mostrado pelo jovem poeta; a outra, à rebelião contra o fato constatado. Não, não é possível que todas essas maravilhas da natureza e da arte, do nosso mundo de sentimentos e do mundo lá fora, venham realmente a se desfazer. Seria uma insensatez e uma blasfêmia acreditar nisso. Essas coisas têm de poder subsistir de alguma forma, subtraídas às in�uências destruidoras. Ocorre que essa exigência de imortalidade é tão claramente um produto de nossos desejos que não pode reivindicar valor de realidade. Também o que é doloroso pode ser verdadeiro. Eu não pude me decidir a refutar a transitoriedade universal, nem obter uma exceção para o belo e o perfeito. Mas contestei a visão do poeta pessimista, de que a transitoriedade do belo implica sua desvalorização. Pelo contrário, signi�ca maior valorização! Valor de transitoriedade é valor de raridade no tempo. A limitação da possibilidade da fruição aumenta a sua preciosidade. É incompreensível, a�rmei, que a ideia da transitoriedade do belo deva perturbar a alegria que ele nos proporciona. Quanto à beleza da natureza, ela sempre volta depois que é destruída pelo inverno, e esse retorno bem pode ser considerado eterno, em relação ao nosso tempo de vida. Vemos desaparecer a beleza do rosto e do corpo humanos no curso de nossa vida, mas essa brevidade lhes acrescenta mais um encanto. Se existir uma �or que �oresça apenas uma noite, ela não nos parecerá menos formosa por isso. Tampouco posso compreender por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam ser depreciadas por sua limitação no tempo. Talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos se reduzam a pó, ou que nos suceda uma raça de homens que não mais entenda as obras de nossos poetas e pensadores, ou que sobrevenha uma era geológica em que os seres vivos deixem de existir sobre a Terra; mas se o valor de tudo quanto é belo e perfeito é determinado somente por seu signi�cado para a nossa vida emocional, não precisa sobreviver a ela, e portanto independe da duração absoluta. (Introdução ao narcisismo, 2010. Adaptado.) (Unesp 2019) a) Identi�que os referentes dos pronomes sublinhados no primeiro e no quarto parágrafos. b) Reescreva o trecho “Era incomodado pelo pensamento de que toda aquela beleza estava condenada à extinção” (1º parágrafo) na voz ativa. Exercício 43 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O fragmento de texto apresentado foi retirado do romance O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós.* FRAGMENTO IV Ela então, movendo-se com uma cautela solene, chegou-se ao espelho da sacristia – um antigo espelho de re�exo esverdeado, com um caixilho negro de carvalho lavrado, tendo no topo uma cruz. Mirou-se um momento, naquela seda azul-celeste que a envolvia toda, picada do brilho agudo das estrelas, com uma magni�cência sideral. 1Sentia-lhe o peso rico. A santidade que o manto adquirira no contacto com os ombros da imagem penetrava-a duma voluptuosidade beata. Um �uido mais doce que o ar da terra envolvia-a, fazia-lhe passar no corpo a carícia do éter do Paraíso. 2Parecia-lhe ser uma santa no andor, ou mais alto, no Céu... Amaro babava-se para ela: – Oh �lhinha, és mais linda que Nossa Senhora! Ela deu uma olhadela viva ao espelho. Era, decerto, linda. Não tanto como Nossa Senhora... Mas com o seu rosto trigueiro, de lábios rubros, alumiado por aquele rebrilho dos olhos negros, se estivesse sobre o altar, com cantos ao órgão e um culto sussurrando em redor, faria palpitar bem forte o coração dos �éis... Amaro então chegou-se por detrás dela, cruzou-lhe os braços sobre o seio, apertou-a toda – e estendendo os lábios por sobre os dela, deu-lhe um beijo mudo, muito longo... Os olhos de Amélia cerravam-se, a cabeça inclinava-se-lhe para trás, pesada de desejo. (...) Mas endireitou-se de repente, �xou Amaro batendo as pálpebras como acordada de muito longe; 3uma onda de sangue escaldou- lhe o rosto: – Oh Amaro, que horror, que pecado!... – Tolice! disse ele. Mas ela desprendia-se do manto, toda a�ita: 4– Tira-mo, tira-mo! gritava, como se a seda a queimasse. Então Amaro fez-se muito sério. Realmente não se devia brincar com coisas sagradas... (CAPÍTULO XVIII) * Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000. (Uerj 2019) Tendo em vista o papel coesivo dos pronomes, leia as frases a seguir, retiradas do fragmento IV. (1) Sentia-lhe o peso rico. (ref. 1) (2) Parecia-lhe ser uma santa no andor, (ref. 2) (3) uma onda de sangue escaldou-lhe o rosto: (ref. 3) (4) – Tira-mo, tira-mo! (ref. 4) Reescreva essas quatro frases, recuperando os termos retomados pelos pronomes sublinhados. Exercício 44 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho do conto O 1alienista, de Machado de Assis (1839- 1908), para responder à(s) questão(ões) a seguir. Era a vez da terapêutica. Simão Bacamarte, ativo e sagaz em descobrir enfermos, excedeu-se ainda na diligência e penetração com que principiou a tratá-los. Neste ponto todos os cronistas estão de pleno acordo: o ilustre alienista fez curas pasmosas, que excitaram a mais viva admiração em Itaguaí. Com efeito, era difícil imaginar mais racional sistema terapêutico. Estando os loucos divididos por classes, segundo a perfeição moral que em cada um deles excedia às outras, Simão Bacamarte cuidou em atacar de frente a qualidade predominante. Suponhamos um modesto. Ele aplicava a medicação que pudesse incutir-lhe o sentimento oposto; e não ia logo às doses máximas, — graduava-as, conforme o estado, a idade, otemperamento, a posição social do enfermo. Às vezes bastava uma casaca, uma �ta, uma cabeleira, uma bengala, para restituir a razão ao alienado; em outros casos a moléstia era mais rebelde; recorria então aos anéis de brilhantes, às distinções honorí�cas, etc. Houve um doente, poeta, que resistiu a tudo. Simão Bacamarte começava a desesperar da cura, quando teve ideia de mandar correr matraca, para o �m de o apregoar como um rival de Garção 2 e de Píndaro 3. — Foi um santo remédio, contava a mãe do infeliz a uma comadre; foi um santo remédio. [...] Tal era o sistema. Imagina-se o resto. Cada beleza moral ou mental era atacada no ponto em que a perfeição parecia mais sólida; e o efeito era certo. Nem sempre era certo. Casos houve em que a qualidade predominante resistia a tudo; então, o alienista atacava outra parte, aplicando à terapêutica o método da estratégia militar, que toma uma fortaleza por um ponto, se por outro o não pode conseguir. No �m de cinco meses e meio estava vazia a Casa Verde; todos curados! O vereador Galvão, tão cruelmente a�igido de moderação e equidade, teve a felicidade de perder um tio; digo felicidade, porque o tio deixou um testamento ambíguo, e ele obteve uma boa interpretação, corrompendo os juízes, e embaçando os outros herdeiros. [...] Agora, se imaginais que o alienista �cou radiante ao ver sair o último hóspede da Casa Verde, mostrais com isso que ainda não conheceis o nosso homem. Plus ultra! 4 era a sua divisa. Não lhe bastava ter descoberto a teoria verdadeira da loucura; não o contentava ter estabelecido em Itaguaí o reinado da razão. Plus ultra! Não �cou alegre, �cou preocupado, cogitativo; alguma coisa lhe dizia que a teoria nova tinha, em si mesma, outra e novíssima teoria. — Vejamos, pensava ele; vejamos se chego en�m à última verdade. Dizia isto, passeando ao longo da vasta sala, onde fulgurava a mais rica biblioteca dos domínios ultramarinos de Sua Majestade. Um amplo chambre de damasco, preso à cintura por um cordão de seda, com borlas de ouro (presente de uma Universidade) envolvia o corpo majestoso e austero do ilustre alienista. A cabeleira cobria-lhe uma extensa e nobre calva adquirida nas cogitações cotidianas da ciência. Os pés, não delgados e femininos, não graúdos e mariolas, mas proporcionados ao vulto, eram resguardados por um par de sapatos cujas �velas não passavam de simples e modesto latão. Vede a diferença: — só se lhe notava luxo naquilo que era de origem cientí�ca; o que propriamente vinha dele trazia a cor da moderação e da singeleza, virtudes tão ajustadas à pessoa de um sábio. (O alienista, 2014.) 1alienista: médico especialista em doenças mentais. 2Garção: um dos principais poetas do Neoclassicismo português. 3Píndaro: considerado o maior poeta lírico da antiga Grécia. 4Plus ultra!: expressão latina que signi�ca “Mais além!”. (Unesp 2018) a) Cite os referentes dos pronomes sublinhados no primeiro e no segundo parágrafos. b) Transcreva dois pequenos excertos em que o narrador se dirige diretamente ao leitor. Exercício 45 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir. Duzentos dos que gozam da mesma cidadania que ela e quase o mesmo número dos que gozam da mesma que eu �guram entre os oitocentos mortos no naufrágio de 18 de abril de 2015 na costa da Sicília. Muitos são aqueles de quem já não se fala mais, aqueles dos quais nunca se falará, jogados nas fossas comuns que se tornaram o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo. Seu �lho único, um dia, partiu para a Europa com 89 outros jovens de Thiaroye (Senegal) a bordo de uma embarcação que o mar engoliu. Nós nos encontramos porque, no meu país, outras mães de migrantes desaparecidos que não querem esquecer nem baixar os braços me interpelaram: “Não vimos de novo nossos �lhos nem vivos nem mortos. O mar os matou. Por quê?” Elas também não sabiam nada sobre esse mar assassino, já que nosso país não tem litoral. Me lembrarei para sempre, corajosa Yayi, deste profundo momento de acolhimento e de partilha que foi o “Círculo do Silêncio” que organizamos juntas no Fórum Social Mundial (FSM) de Dacar, em fevereiro de 2011. Aminata D. Traoré. “São nossas crianças”. Em: Le Monde Diplomatique Brasil, setembro de 2016. Adaptado. (Fgv 2017) Considerando o emprego de pronomes do texto, responda ao que se pede. a) A quem se referem os pronomes destacados nas passagens: “Duzentos dos que gozam da mesma cidadania que ela...”, “Seu �lho único, um dia, partiu para a Europa...”, “Nós nos encontramos porque...” e “Elas também não sabiam nada sobre esse mar assassino...”? Justi�que sua resposta com informações do texto. b) Observe a colocação dos pronomes destacados nas passagens: - “Muitos são aqueles de quem já não se fala mais, aqueles dos quais nunca se falará, jogados nas fossas comuns que se tornaram o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo.” (1º parágrafo) - “Me lembrarei para sempre, corajosa Yayi, deste profundo momento de acolhimento e de partilha…” (último parágrafo) Comente, segundo os princípios da norma-padrão, a colocação desses pronomes nos respectivos contextos. Exercício 46 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A CADEIRINHA Naquele fundo de sacristia, escondida ou arredada como se fora uma imagem quebrada cuja ausência do altar o decoro do culto exige, encontrei a cadeirinha azul, forrada de damasco cor de ouro velho. Na frente e no fundo, dois pequenos painéis pintados em madeira com traços �nos e expressivos. Representava cada qual uma dama do antigo regime. A da frente, vestida de seda branca, contrastava a alvura do vestido e o tênue colorido da pele com o negrume dos cabelos repuxados em trunfa alta e o vivo carmim dos lábios; tinha um ar desdenhoso e fatigado de �dalga elegante para quem os requintes da etiqueta e galanteios dos salões são já coisas velhas e comezinhas. A outra, mais antiga ainda, trazia as melenas em cachos artísticos sobre as fontes e as pequeninas orelhas; um leque de mar�m semiaberto comprimia-lhe os lábios rebeldes que queriam expandir-se num riso franco; os olhos grandes e negros tinham mais paixão e mais alma. Esta contemporânea de La Vallière, que o artista anônimo perpetuou na madeira da cadeirinha, não se parecia muito com aquela meiga vítima da régia concupiscência; ao contrário, um certo arregaçado das narinas, uma ponta de ironia que lhe voejava na comissura da boca breve e enérgica – tudo isso mostrava estar ali naquele painel representada uma mulher meridional, ardente e vivaz, pronta ao amor apaixonado ou à luta odienta. [...] Sem querer acrescentar mais ao já dito sobre as damas, perguntava de mim para mim se o pintor do século passado, ao traçar com tanta correção e �nura os dois retratos de mulher, transmitindo-lhes em cada cabelo do pincel uma chama de vida, não estaria realmente diante de dois espécimens raros de �lhas de Eva, de duas heroínas que por serem de comédia ou de ópera nem por isso deixam de o ser da vida real? – Quem sabe se a Fontagens e a Montespan? – Qual! Impossível! – Impossível? não! Porque a cadeirinha podia perfeitamente ter sido pintada em França e era até mais natural crê-lo; porquanto a �nura das tintas e a correção dos traços pareciam indicar um artista das grandes cortes da época. E assim, em tais conjeturas pus-me a examinar mais detidamente o velho e delicado veículo, relíquia do século passado, sobrevivendo não sei por que na sacristia da igreja de um modesto arraial mineiro. Os varais, conformes à moda bizarra do tempo, terminavam em cabeças de dragões com as faces abertas e sanguentas e os olhos com uma expressão de ferocidade estúpida. O forro de cima formava um pequeno docel de torno senhorial; e o ouro velho do damasco que alcatifava também os dois assentos fronteiriços não tem igual nas casas de modas de agora. Qual das matronas de Ouro Preto, ou das cidadesque como esta alcançam mais de um século, não terá visto, ou pelo menos ouvido falar com insistência, quando meninas, nas cadeirinhas conduzidas por lacaios de libré, onde as moçoilas e as damas de outrora se faziam delicadamente transportar? Quem não fará reviver na imaginação uma das cenas galantes da cortesia antiga em que, através da portinhola cortada de caprichosos lavares de talha, passava um rostozinho enrubescido e dois olhos de veludo a pousarem de leve sobre o cavalheiro de espadim com quem a misteriosa dama cruzava na passagem? Também, ó pobre cadeirinha, lá terias o teu dia de caiporisnio: havia de chegar a hora em que, em vez dos saltos vermelhos de um sapatinho de cetim calçando um pezinho delicado, teu fundo fosse calcado pela chanca esparramada de alguma cetácea obesa e tabaquista. [...] Nem foram desses os teus piores dias, ó saudosa cadeirinha! Já pelos anos de tua velhice, quando, como agora, sobrevivias ao teu belo tempo passado, quando, perdidos teus antigos donos, alguém se lembrou de carregar-te para a sacristia da igreja, não te davam outro serviço que não o de transportares, como esquife, cadáveres de anjinhos pobres ao cemitério, ou semelhante às macas das ambulâncias militares, o de conduzires ao hospital feridos ou enfermos desvalidos. Que cruel vingança não toma aquela época longínqua por lhe teres sobrevivido! Coisa inteiramente fora da moda, o contraste �agrante que formas com o mundo circundante é uma prova evidente de tua próxima eliminação, ó velha cadeirinha dos tempos mortos! Mas é assim a vida: as espécies, como os indivíduos, vão desaparecendo ou se transformando em outras espécies e em outros indivíduos mais perfeitos, mais complicados, mais aptos para o meio atual, porém muito menos grandiosos que os passados. Que �gura faria o elefante de hoje, resto exótico da fauna terciária, ao lado do megatério? A de um �lhote deste. E, no entanto, bem cedo, talvez nos nossos dias, desaparecerá o elefante, por já estar em desarmonia com a fauna atual, por constituir já aquele doloroso contraste de que falamos acima e que é o primeiro sintoma da próxima eliminação do grande paquiderme. Parece que o progresso marcha para a dispersão, a desagregação e o formigamento. Um grande organismo tomba e se decompõe e vai formar uma Inumerável quantidade de seres ávidos de vida. A morte, essa grande ilusão humana, o início daquela dispersão, ou antes a fonte de muitas vidas. E que grande consoladora! Lembra-me ter visto, há tempos, um octogenário de passo trôpego e cara rapada passeando em trajes domingueiros a pedir uma caricia ao sol. Dirigi-lhe a palavra e detivemo-nos largo espaço a falar dos costumes, das coisas e dos homens de outro tempo. Nisso surpreendeu-nos um magote de garotos que escaramuçou o velho a vaias. O pobre do ancião já ia seguindo seu caminho quando o abordou a meninada; não apressou o passo nem perdeu aquela serenidade de quem já tinha domado as fúrias das paixões com o vencer os anos. Vi-o ainda voltar-se com o rosto engelhado numa risada tristíssima, a comprida japona abanando ao vento e dizer, em tom de convicção profunda: “Ai dos velhos, se não fosse a morte!" Parecia uma banalidade, mas não era senão o apelo supremo, a prece fervente que esse exilado fazia a Deus para que pusesse termo ao seu exílio, onde ele estava fora dos seus amigos, dos seus costumes, de tudo quanto lhe podia falar ao coração. [...] Por que, pois, a pobre cadeirinha, esse mimo de graça, esse traste casquilho, essa �el companheira da vida de sociedade, da vida palaciana, da vida de corte com seus apuros e suas intrigas, suas vinganças pequeninas, seus amores, todavia sobrevive e por que a não pôs em pedaços um braço robusto empunhando um machado benfazejo? Ao menos evitaria esse dolorosíssimo ridículo, essa exposição indecorosa de nudez de velha! Já tiveste dias de glória, cadeirinha de outros tempos! Pois bem: desaparece agora, vai ao fogo e pede que te reduza a cinzas! É mil vezes preferível a essa decadência em que te achas e até mesmo à hipótese mais lisonjeira de te perpetuarem num museu. Deves preferir a paz do aniquilamento à glória de �gurares numa coleção de objetos antigos, exposta à curiosidade dos papalvos e às lorpas considerações dos burgueses, mofada e tristonha. Morre, desaparece, que talvez – por que não? – a tua dona mais gentil, aquela para quem tuas alcatifas tinham mais delicada carícia ao receber-lhe o corpinho mimoso, aquela que recendia um perfume longínquo de roseira do Chiraz te conduza para alguma região ideal, dourada e fugidia, inacessível aos homens... [...]. ARINOS, Affonso. Pelo Sertão. Minas Gerais: Itatiaia, 1981. (Texto adaptado) 1. (Esc. Naval 2021) Observe o emprego do pronome átono na frase abaixo: "Esta contemporânea de La ValIière, que o artista anônimo perpetuou na madeira da cadeirinha, não se parecia muito com aquela meiga vítima da régia concupiscência; [...]" (1º parágrafo) Marque a opção em que, diferentemente da frase acima, NÃO se observa um elemento que faça com que a próclise do pronome átono destacado seja preferível, respeitando-se a norma culta da língua. a) "[...] e pede que te reduza a cinzas! [...]" (10º parágrafo) b) "[...] É mil vezes preferível a essa decadência em que te achas [...]" (15º parágrafo) c) "[...] e por que a não pôs em pedaços um braço robusto empunhando um machado benfazejo?" (14º parágrafo) d) "[...] aquele que recendia um perfume longínquo de roseira do Chiraz te conduza para alguma região ideal [...]" (15º parágrafo) e) "[...] não te davam outro serviço que não o de transportares, como esquife, cadáveres de anjinhos pobres ao cemitério [...]" (10º parágrafo) Exercício 47 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Adiante seguiu a Justiça Maria Berenice Dias Durante séculos, ninguém 1titubeava em responder: família, só tem uma – a 2constituída pelos sagrados laços do matrimônio. Aos noivos era imposta a obrigação de se multiplicarem até a morte, mesmo na tristeza, na pobreza e na doença. Tanto que se falava em débito conjugal. Esse modelito se manteve, ao menos na 3aparência, 4_____ expensas da integridade física e psíquica das mulheres, que se mantinham dentro de casamentos 5esfacelados, pois assim exigia a sociedade. Tanto que o casamento era indissolúvel. As pessoas até podiam se desquitar6, mas não podiam se casar de novo. Caso encontrassem um par, 7tornavam-se 8concubinos e alvos de punições. As mudanças foram muitas: vagarosas, mas signi�cativas. As causas9, incontáveis. No entanto, o resultado foi um 10só. O conceito de família mudou, se esgarçou. O casamento perdeu a sacralidade e permanecer dentro dele deixou de ser uma imposição social e uma obrigação legal. Veio o 11divórcio. Antes, porém, o 12purgatório da separação, que exigia que se identi�cassem causas, 13punindo-se os culpados. A liberdade total de casar e descasar chegou somente no ano de 2006. A lei regulamentava exclusivamente o casamento. Punia com o silêncio toda e qualquer modalidade de estruturas familiares que se afastasse do modelo “o�cial”. E foi assumindo a responsabilidade de julgar que os 14juízes começaram a alargar o conceito de família. As mudanças chegaram 15_____ Constituição Federal, que enlaçou no conceito de família, outorgando-lhes especial proteção, outras estruturas de convívio. Além do casamento, trouxe, de forma exempli�cativa, a união estável entre um homem e uma mulher e a chamada família parental: um dos pais e seus �lhos. Adiante ainda seguiu a Justiça. Reconheceu que o rol constitucional não é exaustivo, e continuou a reconhecer como família outras estruturas familiares. Assim as famílias anaparentais, constituídas somente pelos �lhos, sem a presença dos pais; as famílias parentais, decorrentes do convívio de pessoas com vínculo de parentesco; bem como as famílias homoafetivas,que são as formadas por pessoas do mesmo sexo. O reconhecimento da homoafetividade como união estável foi levado 16_____ efeito pelo Supremo Tribunal Federal no ano de 2011, em decisão unânime e histórica. Agora esta é a realidade: 17homossexuais casam18, têm �lhos19, ou seja20, podem constituir família. Ativismo judicial? Não, interpretação da Carta Constitucional segundo um punhado de princípios fundamentais. É a Justiça cumprindo o seu papel de fazer justiça, mesmo diante da lacuna legal. Da inércia, passou o Legislativo21, dominado por autointitulados profetas religiosos22, a reagir. Não foi outro o intuito do Estatuto da Família, que acaba de ser aprovado pela comissão especial na Câmara dos Deputados (PL 6.583/2013). 23Tentar limitar o conceito de família à união entre um homem e uma mulher, além de 24afrontar todos os princípios fundantes do Estado, impõe um retrocesso social que irá retirar direitos de todos aqueles que não se encaixam neste conceito limitante e limitado. Mas 25_____ mais. Proceder ao cadastramento das entidades familiares e criar Conselhos da Família é das formas mais perversas de excluir direito à saúde, à assistência psicossocial, à segurança pública, que são asseguradas somente às entidades familiares reconhecidas como tal. Limitar acesso à Defensoria Pública e à tramitação prioritária dos processos à entidade familiar de�nida na lei, às claras tem caráter punitivo. O conceito de família mudou. E onde procurar a sua de�nição atual? Talvez na frase piegas de Saint-Exupéry: na responsabilidade decorrente do afeto. (Fonte: Zero Hora, Caderno PrOA, 27-09-2015 – Adaptação) 2. (Imed 2016) Considere as a�rmações abaixo sobre o seguinte fragmento do texto: Tentar limitar o conceito de família à união entre um homem e uma mulher, além de afrontar todos os princípios fundantes do Estado, impõe um retrocesso social que irá retirar direitos de todos aqueles que não se encaixam neste conceito limitante e limitado. (ref. 23). I. Em ambas as ocorrências, a palavra que é um elemento de coesão referencial. II. Veri�ca-se a próclise do pronome átono se devido à ocorrência do advérbio de negação que o atrai. III. A forma verbal encaixam tem como sujeito um pronome relativo. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas II e III. e) I, II e III. Exercício 48 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Quanto à organização social de nossos selvagens, é coisa quase incrível – e dizê-la envergonhará aqueles que têm leis divinas e humanas – que, 1apesar de serem conduzidos apenas pelo seu natural, ainda que um tanto degenerado, eles se deem tão bem e vivam em tanta paz uns com os outros. Mas com isso me re�ro a cada nação em si ou às nações que sejam aliadas; pois quanto aos inimigos, já vimos em outra ocasião o tratamento terrível que lhes dispensam2. Porque, em ocorrendo alguma briga (o que se dá com tão pouca frequência que durante quase um ano em que com eles estive só os vi brigar duas vezes), os outros nem sequer 3pensam em separar ou paci�car os contendores; ao contrário, se estes tiverem de arrancar-se mutuamente os olhos, 4ninguém lhes dirá nada, e eles assim farão. 5Todavia, se alguém for ferido por seu próximo, e se o agressor for preso, ser-lhe-á 6in�igido o mesmo ferimento no mesmo lugar do corpo, por parte dos parentes próximos do agredido, e caso este venha a morrer depois, ou caso morra na hora, os parentes do defunto tiram a vida ao assassino de um modo semelhante. De tal forma que, para dizer numa palavra, é vida por vida, olho por olho, dente por dente etc. Mas, como já disse, são coisas que raramente se veem entre eles. 2 O autor tratou do assunto no capítulo XIV, “Da guerra, combate e bravura dos selvagens”. Olivieri, Antonio Carlos e Villa, Marco Antonio. Cronistas do descobrimento. São Paulo: Ed. Ática,1999, p.69. (Udesc 2015) Analise as proposições em relação à obra Cronistas do descobrimento, Antonio Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa, e trecho retirado da mesma, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. ( ) A leitura do texto leva o leitor a inferir que, embora se trate de um relato sobre nossos selvagens, o autor procura desmisti�car a imagem de selvageria, justi�cado pela organização e pelo respeito social. ( ) O uso da próclise em “ninguém lhes dirá nada” (ref. 4) é justi�cado pela presença da palavra negativa ninguém. Se a palavra destacada for substituída por alguém, ocorrerá mesóclise: alguém dir-lhes-á nada. ( ) A leitura do texto leva o leitor a inferir que os índios viviam dentro de um esquema de normalidade e respeito. ( ) Da leitura do período “Todavia, se alguém for ferido por seu próximo” (ref. 5) infere-se que a palavra próximo está relacionada a outro selvagem e não ao homem branco. ( ) No período “ninguém lhes dirá nada” (ref. 4) em relação às palavras destacadas, sequencialmente, na sintaxe, tem-se sujeito simples e objeto indireto. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) V - F - F - V - F b) V - V - F - V - V c) F - F - V - F - V d) V - F - V - V - F e) V - F - V - V - V Exercício 49 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A língua e o poeta Hoje eu peço vênia¹ para discrepar do grande Ferrei ra Gullar, que, no domingo, escreveu um artigo defen dendo o "modo correto" de usar a língua portuguesa. Longe de mim propor que o poeta, eu e o leitor comecemos a dizer “nós vai” ou “de bateu sobre as alternativas”, mas não dá para comparar violações à norma culta com um erro conceitual como a�rmar que tuberculo se não é doença, para �car nos exemplos de Gullar. Fazê-lo é passar com um “bulldozer”³ sobre o último meio século de pesquisas, em especial os trabalhos de Noam Chomsky, que conseguiram elevar a linguística de uma dis - ciplina entrincheirada nos departamentos de humanidades a uma ciência capaz de fazer previsões e articular-se com outras, como psi cologia, biologia, computação. Chomsky mostra que a capacidade para a linguagem é inata. É só lançar uma criança no meio de uma comunidade que ela absorve o idioma local. O fenômeno das línguas crioulas revela que grupos ex postos a «pidgins» ( jargões comerciais que misturam vários idiomas, geralmente fala dos em portos) desenvolvem, no espaço de uma geração, uma gramática completa para essa nova linguagem. Mais do que de facilidade para o aprendizado, estamos fa lando aqui de uma gramática universal que vem como item de fábrica em cada ser hu mano. Foi a resposta que a evolução deu ao problema da comunicação entre caça dores- coletores. Nesse contexto, o único critério para de cidir entre o linguisticamente certo e o erra do é a compreensão da mensagem transmi tida. Uma frase ambígua é mais "errada" do que uma que �ra as caprichosas regras de colocação pronominal. Na verdade, as prescrições estilísticas que decoramos na escola e que nos habitu amos a chamar de gramática são o que há de menos essencial e mais aborrecido no fenômeno da linguagem. Estão para a lin guística assim como a pesquisa da etiqueta está para o estudo da história. (HÉLIO SCHWARTSMAN, Folha de S.Paulo, 27 de março de 2012) ¹vênia = licença, permissão ²discrepar = divergir de opinião, discordar ³bulldozer = (inglês) escavadeira (Espm 2013) Segundo o texto, o autor: a) defende de forma incondicional, como Ferreira Gullar, o “modo correto” de usar a língua portuguesa. b) considera que ambiguidade seria mais “errada” do que um erro de próclise porque esta não apresenta distorção na comunicação. c) preconiza que uma frase com transgres sões às “caprichosas regras de coloca ção pronominal” prejudica o ato da fala. d) prega o caráter supér�uo e vão das prescri ções gramaticais, linguísticas e estilísticas. e) reclama da natureza complexa e enfado nha do estudo da gramática nas escolas. Exercício 50 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: A(s) quest(ões) a seguirtoma(m) por base o “Soneto LXVII” (“Considera a vantagem que os brutos fazem aos homens em obedecer a Deus”), de Dom Francisco Manuel de Melo (1608- 1666). Quando vejo, Senhor, que às alimárias1 Da terra, da água, do ar, – peixe, ave, bruto –, Não lhe esquece jamais o alto estatuto Das leis que lhes pusestes ordinárias; E logo vejo quantas artes2 várias O homem racional, próvido3 e astuto, Põe em obrar, ingrato e resoluto, Obras que a vossas leis são tão contrárias: Ou me esquece quem sois ou quem eu era; Pois do que me mandais tanto me esqueço, Como se a vós e a mi não conhecera. Com razão logo por favor vos peço Que, pois homem tal sou, me façais fera, A ver se assi melhor vos obedeço. (A tuba de Calíope, 1988.) 1alimária: animal irracional. 2arte: astúcia, ardil. 3 próvido: providente, que se previne, previdente, precavido. (Unesp 2016) No primeiro verso, a que classe de palavras pertence o termo “que” e qual sua função na frase? No quarto verso, a que classe de palavras pertence o termo “que” e qual sua função na frase? Exercício 51 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico brasileiro Marcelo Gleiser para responder à(s) questão(ões) a seguir. Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de �loso�a pré-socrática �oresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da �loso�a ocidental. A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna. Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o �m da guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem conseguia ver as coisas que estavam a seus pés. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) (Unesp 2016) “Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna.” (1º parágrafo) O pronome em destaque refere-se a a) “cidade-Estado” (Mileto). b) “ciência moderna”. c) “grande aventura intelectual”. d) “primeira escola de �loso�a pré-socrática”. e) “costa mediterrânea da Turquia”. Exercício 52 Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico brasileiro Marcelo Gleiser para responder à(s) questão(ões) a seguir. Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de �loso�a pré-socrática �oresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da �loso�a ocidental. A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna. Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o �m da guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem conseguia ver as coisas que estavam a seus pés. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) (Unesp 2016) Em “Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3º parágrafo), o termo destacado exerce função de a) adjunto adnominal. b) adjunto adverbial. c) sujeito. d) objeto indireto. e) objeto direto. Exercício 53 Leia o excerto do romance Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) para responder à(s) questão(ões) a seguir. Era no tempo do rei. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo – O canto dos meirinhos1 –; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). [...] Mas voltemos à esquina. Quem passasse por aí em qualquer dia útil dessa abençoada época veria sentado em assentos baixos, então usados, de couro, e que se denominavam – cadeiras de campanha – um grupo mais ou menos numeroso dessa nobre gente conversando paci�camente em tudo sobre que era lícito conversar: na vida dos �dalgos, nas notícias do Reino e nas astúcias policiais do Vidigal. Entre os termos que formavam essa equação meirinhal pregada na esquina havia uma quantidade constante, era o Leonardo-Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e gordíssima personagem de cabelos brancos e carão avermelhado, que era o decano da corporação, o mais antigo dos meirinhos que viviam nesse tempo. A velhice tinha-o tornado moleirão e pachorrento; com sua vagareza atrasava o negócio das partes; não o procuravam; e por isso jamais saía da esquina; passava ali os dias sentado na sua cadeira, com as pernas estendidas e o queixo apoiado sobre uma grossa bengala, que depois dos cinquenta era a sua infalível companhia. Do hábito que tinha de queixar-se a todo o instante de que só pagassem por sua citação a módica quantia de réis, lhe viera o apelido que juntavam ao seu nome. Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe2 em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia3 rochonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão4. 1 meirinho: espécie de o�cial de justiça. 2 algibebe: mascate, vendedor ambulante. 3 saloia: aldeãdas imediações de Lisboa. 4 maganão: brincalhão, jovial, folgazão, divertido. (Unesp 2016) Identi�que os referentes dos pronomes destacados no segundo (se; lhe) e no quarto parágrafos do excerto (se; lhe). Exercício 54 Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro de 1953. Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe �cava passeando pela sala com uma �anelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do 1vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho. Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa �la de ônibus, minha mãe �cou ligeiramente 2ressabiada quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular: – Onde vais assim tão elegante? Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a �o, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à 3lide caseira, queixou-se do fatigante 4ramerrão do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse: – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão. De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe: – Cantas? Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo: – É, canto às vezes, de brincadeira... Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador: – Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática. Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou: – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro! E, a seguir, ponderou: – Agora, piano é diferente. Pianista ela é! E acrescentou: – Eximinista pianista! Para uma menina com uma �or, 2009. 1vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional. 2ressabiado: descon�ado. 3lide: trabalho penoso, labuta. 4ramerrão: rotina. (Unesp 2017) Observa-se no texto um desvio quanto às normas gramaticais referentes à colocação pronominal em: a) “Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe �cava passeando pela sala com uma �anelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro.” (1º parágrafo) b) “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.” (1º parágrafo) c) “Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal.” (2º parágrafo) d) “[...] seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular [...].” (2º parágrafo) e) “Seu Afredo virou-se para ela e disse: [...].” (4º parágrafo) Exercício 55 Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o segundo capítulo do romance Iracema, do escritor José de Alencar (1829-1877), publicado em 1865. Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da 1graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da 2jati não era doce como seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da �oresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da 3oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam �ores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho: o 4aljôfar d’água ainda a 5roreja, como à doce 6mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do 7gará as �echas de seu arco e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste. A graciosa 8ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras, remexe o uru9 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos �os do 10crautá, as agulhas da 11juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o algodão. Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da �oresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. 12Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A �echa embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. De primeiro ímpeto, a mão 13lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida. O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a 14uiraçaba e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara. A mão que rápida ferira estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a 15�echa homicida; deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada. O guerreiro falou: – Quebras comigo a �echa da paz? – Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu? – Venho de bem longe, �lha das �orestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram e hoje têm os meus. – Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema. Iracema, 2006. 1graúna: pássaro de cor negra. 2jati: pequena abelha que fabrica delicioso mel. 3oiticica: árvore frondosa. 4aljôfar: pérola; por extensão: gota. 5rorejar: banhar. 6mangaba: fruto da mangabeira. 7gará: ave de cor vermelha. 8ará: periquito. 9uru: pequeno cesto. 10crautá: bromélia. 11juçara: palmeira de grandes espinhos. 12ignoto: que ou o que é desconhecido. 13lesto: ágil, veloz. 14uiraçaba: estojo em que se guardavam e transportavam as �echas. 15quebrar a �echa: maneira simbólica de se estabelecer a paz entre os indígenas. (Unesp 2017) Examine o seguinte trecho: “O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu.” (12º parágrafo) A quem se refere o pronome “eu”? Reescreva este trecho em ordem direta, substituindo o pronome “o” pelo seu referente. Exercício 56 Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697), para responder à(s) questão(ões) a seguir. Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubaisem uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as signi�cações, a uns e outros, de�niu com o mesmo nome: [...] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, �zer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome. Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um �lósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a con�ança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. [...] Suponho, �nalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado [...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera [...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam. (Essencial, 2011.) (Unesp 2018) “[...] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo) Os termos destacados constituem, respectivamente, a) um artigo, uma preposição e uma preposição. b) uma preposição, um artigo e uma preposição. c) um artigo, um pronome e um pronome. d) um pronome, uma preposição e um artigo. e) uma preposição, um artigo e um pronome. Exercício 57 Leia o poema de Murilo Mendes (1901-1975) para responder à(s) questão(ões) a seguir. O pastor pianista Soltaram os pianos na planície deserta Onde as sombras dos pássaros vêm beber. Eu sou o pastor pianista, Vejo ao longe com alegria meus pianos Recortarem os vultos monumentais Contra a lua. Acompanhado pelas rosas migradoras 1Apascento os pianos: gritam E transmitem o antigo clamor do homem Que reclamando a contemplação, Sonha e provoca a harmonia, Trabalha mesmo à força, E pelo vento nas folhagens, Pelos planetas, pelo andar das mulheres, Pelo amor e seus contrastes, Comunica-se com os deuses. (As metamorfoses, 2015.) 1apascentar: vigiar no pasto; pastorear. (Unesp 2018) a) Explique por que se pode a�rmar que o verso inicial desse poema opera uma perturbação ou quebra do discurso lógico. b) Sem prejuízo para o sentido dos versos, que expressões poderiam substituir os termos “onde” (2º verso da 1ª estrofe) e “pelo” (4º verso da 3ª estrofe), respectivamente? Exercício 58 Leia o trecho do romance S. Bernardo, de Graciliano Ramos, para responder à(s) questão(ões) a seguir. O caboclo mal-encarado que encontrei um dia em casa do Mendonça também se acabou em desgraça. Uma limpeza. Essa gente quase nunca morre direito. Uns são levados pela cobra, outros pela cachaça, outros matam-se. Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra, bateu-lhe no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou-se. Para diminuir a mortalidade e aumentar a produção, proibi a aguardente. Concluiu-se a construção da casa nova. Julgo que não preciso descrevê-la. As partes principais apareceram ou aparecerão; o resto é dispensável e apenas pode interessar aos arquitetos, homens que provavelmente não lerão isto. Ficou tudo confortável e bonito. Naturalmente deixei de dormir em rede. Comprei móveis e diversos objetos que entrei a utilizar com receio, outros que ainda hoje não utilizo, porque não sei para que servem. Aqui existe um salto de cinco anos, e em cinco anos o mundo dá um bando de voltas. Ninguém imaginará que, topando os obstáculos mencionados, eu haja procedido invariavelmente com segurança e percorrido, sem me deter, caminhos certos. Não senhor, não procedi nem percorri. Tive abatimentos, desejo de recuar; contornei di�culdades: muitas curvas. Acham que andei mal? A verdade é que nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; �z coisas ruins que deram lucro. E como sempre tive a intenção de possuir as terras de S. Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê- las. Alcancei mais do que esperava, mercê de Deus. Vieram-me as rugas, já se vê, mas o crédito, que a princípio se esquivava, agarrou-se comigo, as taxas desceram. E os negócios desdobraram-se automaticamente. Automaticamente. Difícil? Nada! Se eles entram nos trilhos, rodam que é uma beleza. Se não entram, cruzem os braços. Mas se virem que estão de sorte, metam o pau: as tolices que praticarem viram sabedoria. Tenho visto criaturas que trabalham demais e não progridem. Conheço indivíduos preguiçosos que têm faro: quando a ocasião chega, desenroscam-se, abrem a boca – e engolem tudo. Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras tentativas e obriguei a fortuna a ser-me favorável nas seguintes. Depois da morte do Mendonça, derrubei a cerca, naturalmente, e levei-a para além do ponto em que estava no tempo de Salustiano Padilha. Houve reclamações. – Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo enquanto viveu. Mas agora é isto. E quem não gostar, paciência, vá à justiça. Como a justiça era cara, não foram à justiça. E eu, o caminho aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralítico de um braço, e a dos Gama, que pandegavam no Recife, estudando Direito. Respeitei o engenho do Dr. Magalhães, juiz. Violências miúdas passaram despercebidas. As questões mais sérias foram ganhas no foro, graças às chicanas de João Nogueira. Efetuei transações arriscadas, endividei-me, importei maquinismos e não prestei atenção aos que me censuravam por querer abarcar o mundo com as pernas. Iniciei a pomicultura e a avicultura. Para levar os meus produtos ao mercado, comecei uma estrada de rodagem. Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos, chamou-me patriota, citou Ford e Delmiro Gouveia. Costa Brito também publicou uma nota na Gazeta, elogiando-me e elogiando o chefe político local. Em consequência mordeu-me cem mil-réis. (S. Bernardo, 1996.) (Unesp 2019) “Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra, bateu-lhe no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou- se.” (2º parágrafo) Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”. b) “pedra”, “um”, “meninos”. c) “pedra”, “alavanca”, “viúva e órfãos”. d) “alavanca”, “pedra”, “viúva e órfãos”. e) “alavanca”, “pedra”, “meninos”. GABARITO Exercício 59 Leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo. MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa! UMA VOZ (de fora): Senhor! MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui... A VOZ: O burro? MACÁRIO: A mala, burro! A VOZ: A mala com o burro? MACÁRIO: Amarra a malanas tuas costas e amarra o burro na cerca. A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro? MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro. A VOZ: Um moço que parece estudante? MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala. A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé? MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe! A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar. OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro... MACÁRIO: E minha mala? A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!... MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão) O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro? MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu... O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis... MACÁRIO: Porém a raiva... O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia. Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho? MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo... O DESCONHECIDO: Fumais? MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me pergunteis se fumo! O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso. [...] MACÁRIO: E vós? O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma) MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome? O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso? MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo. O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão) MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso. Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono. O DESCONHECIDO: E a poesia? MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado1. Entendeis-me? O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou- se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje o povo fá-la... para ninguém... (Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 1azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão, resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido). (Unesp 2022) “MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui... A VOZ: O burro? MACÁRIO: A mala, burro! A VOZ: A mala com o burro? MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.” (Unesp 2022) Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em: a) “O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?” b) “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis…” c) “A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!…” d) “A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?” e) “MACÁRIO: Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.” Exercício 1 Exercício 2 Exercício 3 d) Em I, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 3ª pessoa do plural. Em II, “nos” é pronome pessoal oblíquo da 1ª pessoa do plural. c) tê-la; abrangem-no. Exercício 4 Exercício 5 Exercício 6 Exercício 7 Exercício 8 Exercício 9 Exercício 10 Exercício 11 Exercício 12 Exercício 13 Exercício 14 Exercício 15 Exercício 16 Exercício 17 Exercício 18 Exercício 19 Exercício 20 Exercício 21 Exercício 22 Exercício 23 Exercício 24 Exercício 25 Exercício 26 Exercício 27 Exercício 28 Exercício 29 Exercício 30 Exercício 31 a) Como as personagens estão descrevendo a si mesmas, são abundantes os adjetivos, entre os quais se incluem azuis, atlético, magra e sensual. b) no verso “A máquina o fará por nós”, o pronome “o” exerce função de objeto direto. a) vos (referência 9) é pronome pessoal oblíquo e complementa o sentido do verbo dizer. a) Preciso de ti na execução do projeto. (objeto indireto) a) A palavra destacada em “Eu vi um beija-�or” (ref. 1) é, na morfologia, substantivo composto por verbo e substantivo e, quando pluralizado, os dois elementos vão para o plural. b) funções diferentes, pois o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo é um pronome relativo, tendo como antecedente o termo “coisa”. b) conjunção, pronome e pronome, respectivamente. a) coesão referencial pelo uso de elipse. c) “corpo” e “hora”. d) Notou-se-lhe no rosto algo de estranho. c) O pronome “você” não indica, gramaticalmente, a mesma pessoa indicada por “ela”, no texto exempli�cado. a) Se o autor tivesse optado pelo uso do pronome de acordo com a gramática normativa, e, desse modo, tivesse realizado a colocação do pronome oblíquo após as formas verbais com que se inicia os dois versos do início da canção, seria possível interpretações diferentes das apresentadas por conta de cacofonia (união sonora de sílabas que provoca estranheza auditiva). e) O roubo das placas de sinalização nos cruzamentos; os acusados, que demonstravam arrependimento. c) Aliteração, pois o autor explora a repetição harmônica e ritmada de sons consonantais. e) uma conjunção e um pronome, respectivamente. e) Aqui também se fazem boas ações. e) José é um candidato de cuja palavra não se deve duvidar. b) II e III, apenas. a) “Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor Manuel vender os ferros.” a) As várias ocorrências de “esse” têm função coesiva e remetem ao “estupor” do título. d) “a realidade”. d) “pesquisas cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada dos trabalhadores a ambientes nocivos à sua saúde e integridade física”. (1º parágrafo) e) “te” (ref. 8) pode ampliar a referência para além do interlocutor. d) nós – eles d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum outro autor? e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa, vai...” b) Se o mundo corporativo despreocupar-se com as fake news, fechará as portas para o mercado. c) Ênclise – “Importava-se com o sucesso da prova.” b) pegá-los desprevenidos. Exercício 32 Exercício 33 Exercício 34 Exercício 35 Exercício 36 Exercício 37 Exercício 38 Exercício 39 Exercício 40 Exercício 41 Exercício 42 Exercício 43 Exercício 44 Exercício 45 Exercício 46 Exercício 47 Exercício 48 Exercício 49 b) Não me diga que Jorge faltou hoje. a) Ana me emprestou este livro. b) Se pudesse, explicaria-lhe tudo. c) o pronome SE é atraído pela conjunção E, havendo, portanto, uma ênclise. b) Em “...grupos nativos ainda preservam costumes e tradições primitivos...” (ref. 7), o adjetivo poderia estar no feminino para concordar com o último elemento, já que está posposto a ele. c) as expressões “ao lado dele”, “com ele”, “para o banheiro” e “em casa” são adjuntos adverbiais. c) Justi�ca-se o uso da ênclise em “Protege-a” (ref. 10), por iniciar período; e, em “conserva-a” (ref. 11), por iniciar uma oração antecedida de vírgula. d) obrigatoriedade de ênclise. b) Aqui, instalaram-se comodamente os atletas brasileiros, durante os Jogos Olímpicos. b) A mesóclise, exempli�cada em formas como “abater-se-á”, é uma construção que determina a colocação do pronome em relação ao verbo. a) No primeiro parágrafo, o pronome “lhe” estabelece relação anafórica com o pronome “ele”, ligado por sua vez a “um poeta jovem” mencionado no início do parágrafo. No segundo, o pronome “lhes” refere-se a ‘beleza da natureza” e “beleza do rosto e do corpo humanos”. b) Na voz ativa, o trecho citado teria a seguinte con�guração: o pensamento de que toda aquela beleza estava condenada à extinção incomodava-o. As reescritas são:(1) Sentia o peso rico do manto/da seda azul-celeste. (2) Parecia a Amélia ser uma santa no andor. / a ela (3) uma onda de sangue escaldou o rosto de Amélia. (4) Tira o manto de mim! a) O pronome “se” tem como referente “Simão Bacamarte” e “lhe”, “um modesto”. b) Os termos verbais “imaginais” e “vede”, modo imperativo na segunda pessoa do plural (vós), indicam que o narrador se dirige diretamente ao leitor. a) Referem-se à Yayi, personalidade mencionada pela autora, o pronome pessoal do caso reto “ela” e o pronome possessivo “seu”, neste caso referindo-se ao �lho de Yayi. Por sua vez, o pronome pessoal do caso reto “nós” relaciona- se à própria autora e à Yayi, organizadora, em conjunto com a autora, do “Círculo do Silêncio”. Finalmente, o pronome pessoal do caso reto “elas” faz referência à expressão “outras mães de migrantes desaparecidos”, as quais também desconheciam informações sobre o “mar assassino”. b) As ocorrências da primeira passagem seguem os princípios da norma-padrão: em todos os casos, ocorre próclise justi�cada pela presença de uma partícula atrativa: em “já não se fala mais” e “dos quais nunca se falará”, há o advérbio de negação; em “nas fossas comuns que se tornaram”, há o pronome relativo. Na segunda passagem, a oralidade é privilegiada ao iniciar um período com pronome pessoal do caso oblíquo. Caso houvesse a intenção de seguir os princípios da norma-padrão, seria necessária a ocorrência de mesóclise, uma vez que o verbo está conjugado no futuro: “Lembrar-me-ei para sempre (...)”. d) "[...] aquele que recendia um perfume longínquo de roseira do Chiraz te conduza para alguma região ideal [...]" (15º parágrafo) e) I, II e III. d) V - F - V - V - F b) considera que ambiguidade seria mais “errada” do que um erro de próclise porque esta não apresenta distorção na comunicação. Exercício 50 Exercício 51 Exercício 52 Exercício 53 Exercício 54 Exercício 55 Exercício 56 Exercício 57 Exercício 58 Exercício 59 No primeiro verso, “Quando vejo, Senhor, que às alimárias”, o “que” é uma conjunção integrante, cuja função é introduzir a oração subordinada substantiva objetiva direta. No quarto verso, o “que” é pronome relativo e introduz a oração adjetiva restritiva “que lhes pusestes ordinárias”. d) “primeira escola de �loso�a pré-socrática”. c) sujeito. No segundo parágrafo, o referente para o pronome “se” é “as ruas do Ouvidor e da Quitanda”; e para o pronome “lhe” é “Uma das quatro esquinas”. Já no quarto parágrafo, o referente tanto para “se” quanto para “lhe” é “Leonardo”. b) “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.” (1º parágrafo) O pronome “eu” se refere ao próprio narrador. Já o referente do pronome “o” é “sentimento”, como vemos ao reescrever o trecho em ordem direta: “Eu não sei o sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto”. b) uma preposição, um artigo e uma preposição. a) O verso “Soltaram os pianos na planície deserta” surpreende pela ocorrência de algo inesperado, insólito e fora da expectativa do leitor que se depara com um cenário ilógico onde pianos são lançados a um prado deserto como se se tratasse de um rebanho de ovelhas. b) O termo “onde” poderia ser substituído por “em que” ou “na qual” e o termo “pelo”, por “através do” ou “por meio do” sem prejuízo para o sentido dos versos originais. a) “alavanca”, “um”, “viúva e órfãos”. b) “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis…”