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Os acidentes de trânsito representam a 1º causa mortis
em indivíduos de 15-29 anos. Têm-se também os
acidentes por arma branca, por arma de fogo e quedas
como grandes causas de pacientes politraumatizados.
O atendimento ao politraumatizado é sistematizado e
baseado em um protocolo.
Protocolo de atendimento ao politraumatizado:
1. Preparação: comunicação com a equipe de APH para
planejamento antecipado da equipe médica
2. Triagem: escolha do hospital a ser transportado
✓ Pacientes e gravidade das lesões não excedem a
capacidade de atendimento do hospital –
prioridade aos com risco de vida eminente e
politraumatizados;
✓ Pacientes e gravidade das lesões excedem a
capacidade de atendimento do hospital –
prioridade aos pacientes com maiores
possibilidades de sobrevida.
3. Exame primário (abc)
A: Vias aéreas com controle da coluna cervical
✓ Considerar possível lesão de coluna cervical em
todo politrauma;
✓ Retirar o colar: pacientes conscientes, após
palpação e, na dúvida, RX da coluna cervical;
✓ Assegurar a permeabilidade;
✓ Técnicas de manutenção das vias aéreas
superiores (VAS): aspiração e cânula orofaríngea.
• Observação da via aérea → ver, ouvir e sentir.
Manobras “Chin Lift” e “Jaw Thrust”
• Pacientes com fratura de base de crânio não podem
utilizar intubação orotraqueal
As fraturas da base do crânio envolvem pelo menos um
dos cinco ossos que compõem a base do crânio: placa
cribriforme do osso etmóide, placa orbital do osso frontal,
porção petroso e escamosa do osso temporal e o
esfenóide e ossos occipitais.
✓ Via aérea definitiva: apneia, impossibilidade de
manter uma via aérea adequada por outros
métodos, proteção das vias aéreas contra
aspirações, necessidade de hiperventilação, TRM
(traumatismo raquimedular), necessidade de via
aérea adequada antes de afastar lesão cervical.
B: ventilação
✓ Expor o tórax do paciente;
✓ Inspeção, palpação, ausculta e percussão
C: circulação
✓ Hemorragia (principal causa de óbito no trauma);
✓ Avaliação: nível de consciência, cor da pele,
hipotensão, pulso (taquicardia, filiformes,
ausentes), diurese (50mL/h) e PVC (pressão
venosa central).
Controle da hemorragia – tratamento de choque
hipovolêmico
1) Identificar e controlar hemorragia (pressão direta)
2) Acesso venoso periférico: 2 cateteres curtos e de
grosso calibre, dissecção venosa e punção intraóssea
3) Reposição volêmica: RL 2L (cristaloides), Sg (choque
grau III e IV)
D: avaliação neurológica
✓ Escala de coma de Glasgow (ECG) – perguntar
nome, onde ele está e que dia é hoje → Glasgow
15;
✓ Pupilas – tamanho e reação;
✓ Rebaixamento de nível de consciência →
diminuição da oxigenação → lesão cerebral ou
choque hipovolêmico
✓ Diagnóstico de exclusão → álcool e
entorpecentes;
✓ Exames complementares: RX do crânio (pouca
utilidade) e TC do crânio (exame de escolha);
✓ Fraturas de base de crânio: otorreia, rinorreia,
fístula liquórica, paralisia facial e perda de
audição.
Fraturas de base de crânio: sinal de Battle e sinal de
guaxinim
E: exposição
✓ Despir totalmente o paciente;
✓ Cobrir o paciente → prevenir hipotermia
✓ Cobertores aquecidos
✓ Fluidos aquecidos
✓ Ambiente aquecido
4. Reanimação
História ampla do passado médico: medicamentos
ingeridos
5. Exame secundário (da cabeça aos pés
{no 4 e no 5 a professora caiu}
Definição de abdômen agudo: quadro de dor abdominal que
leva o paciente a buscar atendimento médico e necessita
de terapêutica clínica ou cirurgia de urgência
Diagnóstico: história, exame físico, exames bioquímicos,
métodos de imagem e videolaparoscopia.
Várias etiologias;
Apresentações clínicas diversas;
Características da dor: caráter, intensidade,
periodicidade, fatores de melhora ou piora, etc.
Importante → interpretar a história do paciente!
O quadro pode iniciar com uma dor visceral que não
apresenta localização muito bem delimitada. Somente
após inflamação do peritônio parietal, o paciente vai
referir dor localizada. Os sintomas tem uma
apresentação mais insidiosa e progressiva.
Principais causas:
Apendicite aguda
Colecistite aguda
Pancreatite aguda
Diverticulite aguda
Apendicite e colecistite são geralmente cirúrgicas,
enquanto pancreatite e diverticulite são, na maior parte
dos casos, tratadas clinicamente.
Apendicite aguda:
inflamação do apêndice cecal, causada pela obliteração da
luz apendicular (fecalitos, neoplasias, etc)
Sintomas:
Dor abdominal difusa – localizada em FID;
Peritonite localizada na FID que pode se tornar difusa com
a piora do quadro.
Associado a náusea, anorexia;
Associado a febre
EF → dor a palpação em FID, DB positiva, sinal de
Blumberg (DB no ponto de McBurney) e sinal de
Rovsing
Descompressão brusca: pressionar o peritônio parietal
sobre o visceral e soltando rapidamente.
Existe uma diferença entre o diagnóstico masculino e
feminino, pois no homem há poucos casos clínicos que se
assemelhem a uma apendicite → importância em incluir
β-HCG e exames ginecológicos em mulheres.
Exames de escolha:
USG + USG TV (transvaginal)
TC
Videolaparoscopia
(TC e videolaparoscopia em quadros atípicos)
Tratamento (essencialmente cirúrgica):
Cirurgia videolaparoscópica;
Aberta: McBurney ou Mediana (quadro mais longo
com peritonite difusa).
Evolução da apendicite: inflamação → necrose →
perfuração do órgão.
Colecistite aguda:
A maioria são advindas de um cálculo originado na região
do infundíbulo, inflamando a vesícula e obstruindo a
passagem da bile. Pode evoluir para necrose e
perfuração da vesícula.
Quadro clínico:
Dor abdominal em hipocôndrio direito;
Associado a náusea;
Febre é incomum
EF: dor a palpação em hipocôndrio direito, sinal de
Murphy +
Exame de escolho → USG
Classificação de Tokyo
1) Tokyo I – colecistite não complicada;
2) Tokyo II – complicação local (empiema/perfuração...)
3) Tokyo III – complicação sistêmica → SEPSE
Tratamento:
Antibioticoterapia
Colecistectomia (videolaparoscópica ou aberta)
Colecistosmia (drenagem externa da vesícula biliar):
utilizado para reverter quadros agudos – tokyo III →
controversa!
Contraindicações da videolaparoscopia? Complicações,
cirurgias prévias, complicações relacionadas ao
pneumoperitônio
Diverticulite aguda:
USG/TC
Clínico + laboratório + TC*+
Protusão da mucosa através das camadas musculares
do intestino grosso. Proliferação bacteriana →
inflamação → infecção.
Quadro clínico:
Dor abdominal em fossa ilíaca esquerda;
Associado a alteração de hábito intestinal;
EF: dor a palpação de fossa ilíaca esquerda com
plastrão palpável em FIE;
Exame: tomografia de abdômen com contraste.
Classificação de Hinchey
(protocolo da santa casa)
Tratamento:
Antibioticoterapia;
Drenagem percutânea;
Anastomose primária;
Cirurgia de Hartmann → procedimento cirúrgico
realizado no intestino grosso que se divide em três
estágios: retirada do cólon sigmoide, fechamento do
reto e procedimento de colostomia (Hinchey III e IV).
Pancreatite aguda:
Dor abdominal epigástrica com irradiação para o
dorso;
Associado a vômitos;
Outros sintomas: febre e icterícia (- comuns)
USG → definir causa etiológica
Tripé diagnóstico:
I. História clínica compatível;
II. Elevação de amilase/lipase 3x acima do valor de
referência;
III. Imagem compatível (tomografia de abdômen)
(são necessários pelo menos dois critérios p/ diagnóstico)
A TC de abdômen é
utilizada para definir a
causa etiológica. A
tomografia precoce,
geralmente, não mostra
as complicações.
Tratamento:
Todos os casos iniciam com hidratação e jejum;
Antibioticoterapia (evidência de quadro infeccioso
após 48/72h ou TC alterada);
CPRE – colangite associada
Drenagem percutânea
Cirurgia – necrosectomia pancreática (último caso
→ elevadamortalidade)
I. Abscesso
paracólico
pequeno.
II. Abscesso
paracólico
grande, pélvico
ou
retroperitoneal
III. Peritonite
purulenta
generalizada
(ruptura)
IV. Peritonite
fecal
Síndromes ortopédicas:
I. Fratura exposta
II. Síndrome de compartimento: aumento da pressão
dentro de um compartimento delimitado, mais comum
na região da perna associado a fratura de tíbia →
dor sem melhora e desproporcional a lesão
III. Artrite séptica: infecção dentro de alguma
articulação (joelho, quadril e ombro – locais mais
comuns)
IV. Luxações: perda total da congruência articular →
luxação mais fácil de manejar e a mais comum é a de
ombro
V. Ferimentos, mordeduras, lesões tendíneas,
vasculonervosas
Fratura exposta:
É toda fratura/foco de fratura que acontece em
comunicação com o meio externo. Seja por exposição do
osso, ou por comunicação do hematoma de fratura para
o meio ambiente ou meio externo interno (tubo digestivo).
Se o osso entrar em contato com cavidade oral, vaginal,
anal, dentre outras cavidades, é considerada uma fratura
exposta, pois há contato com bactérias de meio externo.
Avaliar o tipo de sangramento para analisar o tipo de
fratura – sangramento com pequenas gotículas de
gordura envolvendo medula amarela indica fratura
exposta.
Envolvem, em geral, alta energia, maior velocidade dos
automóveis e PAF (projétil de arma de fogo).
Risco: concomitante lesão de partes moles (músculo,
fáscia, pele...), o que favorece a infecção pelos germes,
além de dificultar sua consolidação.
Classificação:
Mais utilizada no Brasil:
(quanto maior a classificação, pior o prognóstico)
Em casos graves:
▪ Difícil decisão entre amputar ou tentar manter o
membro;
▪ Índice de MESI → acima de 7, possui respaldo
científico para refutar a amputação;
▪ Anotar tudo em prontuário para evitar questões
médico legais.
Tratamento:
Objetivos: evitar infecção, consolidar a fratura e
preservar ou restaurar a função dentro do limite
possível;
Local do trauma:
Isolamento do meio externo → aplicar gases,
compressas ou roupas limpas;
Imobilização provisória pode ajudar a evitar mais
trauma às partes moles e diminuir a dor do paciente;
Tentativas de redução devem ser evitadas em casos de
inexperiência, para evitar lesões adicionais.
Na admissão:
Antibiótico profilático de amplo espectro (em geral a
cefalosporina é o de primeira escolha – cefalotina e
cefasolina)
Em casos selecionados de contaminação com detritos
orgânicos ou de contaminação intensa, o acréscimo de um
aminoglicosídeo visando os gram-negativos é
recomendado.
Bloco cirúrgico:
Ambiente próprio para fazer o desbridamento é a
sala cirúrgica;
Lavar com soro abundante 0,9% (quantidade
controversa 10L);
O objetivo é conseguir ferida limpa e remover tecidos
desvitalizados (sem perfusão).
Indícios desfavoráveis quanto à vitalidade do músculo são:
▪ Coloração escura (cianose) ou palidez;
▪ Ausência de contratilidade após estímulo mecânico;
▪ Ausência de sangramento ao corte.
Estabilização (fixação):
Na maioria dos casos, em ossos longos, usa-se
fixador externo para estabilizar;
Fixação estável da fratura exposta diminui a
probabilidade de infecção;
Possibilita movimentação precoce;
5º-8º dia – janela ótima de oportunidade para
converter para tratamento definitivo
(Emergências clínicas: abordagem prática – 8ª ED)
Protocolo de sala vermelha (MOVE – monitorização,
oxigênio, acesso venoso e exame físico direcionado): sinais
vitais do paciente, oferecer O2 se necessário e venóclise
(dois acessos venosos calibrosos).
Anamnese da urgência e emergência – SAMPLE
S = sinais e sintomas
A = alergias
M = medicamentos de uso habitual
L = líquidos ingeridos nas últimas horas
E = ambientes e eventos relacionados ao trauma
Identificação do choque hipovolêmico:
História anterior (idade, procedimentos prévios,
história de trauma, etc);
Características clínicas (FC, PA, reenchimento
capilar, FR, débito urinário e nível de consciência);
Índice de choque: FC/PAS (normal 0,5-0,7): aumento
persistente do índice >1,0 indica maior mortalidade.
FC, PA, lentificação do reenchimento capilar, ou
falência de FR, débito urinário inexistente, nível de
consciência qualitativo ou quantitativo (ECG)
Classificação:
Hemorrágico – relacionado a trauma ou não relacionado
ao trauma (hemotórax, hemoperitônio, hematoma
retroperitoneal, hemorragia digestiva)
Não hemorrágico (perdas insensíveis e sensíveis; diarreia;
vômitos; via renal...)
(CH – concentrado de hemácias)
Mecanismo de óbito:
Choque = débito de perfusão e oxigenação do tecido
periférico. Hipovolêmico → diminuição de volume dentro
dos vasos.
Mecanismo compensatório (metabolização s/ suporte de
O2, gerando ácido lático) → dano tecidual
Inflamação, lesão celular e micro vascularização – falta
de O2 presente, c/ disfunções iniciais (ex.: SDRA, lesão
renal aguda...
Lesões irreversíveis (múltiplas disfunções e aumento da
taxa de letalidade.
Monitoramento:
Hemograma – hematócrito;
Eletrólitos – distúrbio eletrolítico;
Ureia e creatinina – taxa de filtração glomerular;
TGO e TGP – marcadores de lesões hepáticas;
Amilase e lipase – alterações de musculatura e tecido
pancreático;
Coagulação;
Troponina – sofrimento cardíaco;
Gasometria artéria – descompensação ácido base;
Screening toxicológico;
Lactato arterial – marcador de respiração
anaeróbica;
Urina;
PCR
Tipagem sanguínea e provas cruzadas (transfusão);
Teste de gravidez;
FAST – rotina em grandes centros p/ investigação
de líquido livre intraperitoneal;
Ecocardiograma – envolvimento cardíaco;
Investigação do abdômen – radiografia de abdômen,
TC abdominal;
Protocolo de SEPSE (score SOFA);
Cateterismo venoso central e a cateterização de
artéria pulmonar (Swan-Ganz)
Manejo:
Volume: soro fisiológico (NaCl) 0,9%, ringer lactato
(capacidade tampão), albumina (pouco frequente), etc.
▪ Associação com CH quando necessário;
▪ 20-40mL/Kg (monitorar melhora do BE, queda
do lactato e aumento da pressão de O2 no
cateter da artéria pulmonar)
▪ Aquecer a solução infundida (cuidado com
hipotermia – 5H e 5T da parada respiratória)
Aminas vasoativas (sem presença de melhora após
manejo do volume):
▪ Noradrenalina
▪ Dopamina
▪ Adrenalina
▪ Vasopressina
▪ Dobutamina
(administração em bombas de infusão)
I Jornada Nacional de Urgência e Emergência Interligas