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1 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
Psiquiatria 
EXAME DO ESTADO MENTAL 
Introdução: 
A anamnese psiquiátrica divide-se em: 
- Identificação: nome, sexo, idade, estado 
civil, procedência, profissão e religião. 
- Queixa principal: motivo do 
encaminhamento; utilizar as palavras do 
paciente. 
- História da doença atual: descrição 
detalhada dos sintomas psiquiátricos atuais, 
duração, frequência, fatores 
desencadeantes, etc. 
- História médica e psiquiátrica 
pregressa: doenças clínicas e/ou 
psiquiátricas prévias; medicamentos de uso 
atual e/ou prévio, incluindo psicofármacos; 
alcoolismo, tabagismo e uso de drogas. 
- História pessoal: 
→ Pré-natal e nascimento: gestação, parto e 
nascimento. 
→ Infância: crescimento e desenvolvimento 
neuropsicomotor. 
→ Adolescência e vida adulta: sexualidade, 
relacionamentos, abuso de álcool e drogas, 
escola, faculdade e trabalho. 
- História familiar: doenças psiquiátricas 
e/ou suicídios na família. 
O exame físico pode ser realizado com o 
objetivo de avaliar se os sinais e os sintomas 
do paciente estão associados a condições 
orgânicas ou psiquiátricas. 
Exame do Estado Mental: 
C-A-S-O-M-I-A-PE-JU-CO-L 
 
• Consciência: 
o Obnubilação: com sono. 
o Sonolência: sono leve do qual o 
paciente pode ser despertado por 
estímulos leves. 
o Estupor ou Torpor: sono profundo do 
qual o paciente pode ser despertado 
por estímulos intensos como dor ou 
ruído. 
o Coma: estado de inconsciência do qual 
o paciente não pode ser despertado, 
mesmo com estímulos dolorosos muito 
intensos. 
o Delirium ou Turvação: oscilação de 
consciência, com momentos em que o 
paciente está sonolento e momentos 
em que o paciente responde 
ativamente a estímulos. 
O delirium pode ser classificado em 
hiperativo e hipoativo. O delirium 
hiperativo ocorre em casos de uso de 
drogas que causam alucinação ou 
estimulação do SNC, de abstinência a 
substâncias depressoras do SNC e de 
TCE. O delirium hipoativo ocorre em 
casos de intoxicação por álcool ou 
benzodiazepínicos e de alterações 
orgânicas, como infecção/sepse, 
distúrbios hidroeletrolíticos, TCE, 
tumores do SNC e insuficiência 
hepática, renal ou respiratória. 
o Estado crepuscular: estreitamento da 
consciência, em que o paciente 
apresenta movimentos relativamente 
organizados na ausência de um estado 
de consciência plena. O estado 
crepuscular é comum em estados 
epiléticos. 
• Atenção: 
o Euprosexia: atenção preservada. 
o Hiperprosexia: aumento da capacidade 
de atenção. 
o Hipoprosexia: diminuição da 
capacidade de atenção. 
o Aprosexia: ausência da capacidade de 
atenção. 
o Tenacidade: capacidade do indivíduo 
de fixar sua atenção sobre determinada 
área ou objeto. O paciente pode 
apresentar normotenacidade, 
hipertenacidade ou hipotenacidade. 
 
2 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
o Vigilância: capacidade do indivíduo de 
alterar seu foco de atenção de um 
objeto para outro. O paciente pode 
apresentar normovigilância, 
hipervigilância ou hipovigilância. 
Como regra geral, o indivíduo com 
comprometimento da atenção por 
hipervigilância é hipotenaz e vice-
versa. 
O paciente maníaco é exemplo de 
hipervigilância e hipotenacidade. O 
paciente deprimido preso às ideias de 
perda é exemplo de hipovigilância e 
hipertenacidade. 
Como exceção à regra, o paciente 
paranoide pode apresentar 
hipervigilância e hipertenacidade. 
o Distração: hipertenacidade e 
hipovigilância temporárias. O cientista 
que apresenta superconcentração ativa 
da atenção sobre determinado 
problema e esquece onde estacionou o 
carro é um exemplo de distração. 
o Distraibilidade: hipotenacidade e 
hipovigilância patológicas. 
• Sensopercepção: 
o Hiperestesias: percepção de sons de 
forma muito amplificada, imagens e 
cores de forma mais viva e intensa e 
maus odores de forma mais intensa. 
As imagens e as cores são percebidas 
de forma mais viva e intensa em 
intoxicações por alucinógenos, 
hipertireoidismo, enxaquecas, algumas 
formas de epilepsia, esquizofrenia 
aguda e alguns quadros maníacos. 
o Hipoestesias: percepções diminuídas, 
as cores são pálidas e sem brilho, os 
alimentos sem sabor e os odores sem 
intensidade. 
As hipoestesias podem estar presentes 
em pacientes depressivos. 
o Analgesia: ausência de sensibilidade. 
o Ilusão: percepção distorcida de um 
estímulo ou objeto real e presente. 
As ilusões mais comuns são as visuais, 
em que geralmente o paciente vê 
pessoas, monstros ou animais a partir 
de estímulos visuais, como objetos, 
móveis e roupas penduradas na 
parede. 
As ilusões auditivas também são 
comuns. Elas ocorrem quando o 
paciente ouve seu nome ou palavras 
significativas a partir de estímulos 
sonoros inespecíficos. 
o Alucinação: percepção clara e definida 
de um estímulo (imagem, voz, ruído) 
sem a presença de um estímulo. 
As alucinações auditivas são as mais 
comuns, seguidas pelas visuais. As 
alucinações gustativas, olfativas e, às 
vezes, visuais podem indicar distúrbios 
orgânicos. 
As pseudoalucinações ocorrem, por 
exemplo, quando olhamos para a luz 
por muito tempo e depois passamos a 
enxergar imagens na ausência de 
estímulo visual (olhos fechados). 
o Alucinação hipnagógica: ao adormecer. 
o Alucinação hipnopômpica: ao 
despertar. 
As alucinações hipnagógicas e 
hipnopômpicas não são 
necessariamente patológicas, podendo 
estar associadas ao sono normal. 
o Despersonalização: quando o paciente 
relata sensação de que o seu corpo não 
lhe pertence. 
o Desrealização: sensação de que o 
ambiente ao redor é estranho e irreal. 
• Orientação: 
o Alopsíquica: tempo e espaço. 
o Autopsíquica: identidade, 
personalidade e saúde do indivíduo. 
A orientação geralmente é perdida na 
seguinte ordem: tempo, lugar e, por 
último, em relação à pessoa, 
inicialmente aos outros e, 
posteriormente, a si mesmo. A 
demência causa alteração de 
orientação. 
• Memória: 
o Hipermnésias: afluxos rápidos de 
grande número de memórias devido à 
aceleração do ritmo psíquico. 
 
3 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
o Amnésias ou Hipomnésias: perdas de 
memória de origem orgânica ou 
psicogênica. 
A amnésia psicogênica geralmente é 
específica, temática e tem função 
defensiva, ou seja, diminuir a 
ansiedade e evitar o confronto com 
aspectos emocionais conflitivos, sua 
recuperação é abrupta. 
A amnésia orgânica é ampla, 
inespecífica, gera ansiedade e a 
recuperação, se houver, é lenta. 
A amnésia pode ser anterógrada (perda 
de memória relacionada a fatos 
ocorridos após determinado evento) ou 
retrógrada (perda de memória 
relacionada a fatos ocorridos antes de 
determinado evento). A perda de 
memória também pode ser classificada 
em remota, recente (últimos dias) ou 
imediata (últimos minutos). 
o Paramnésias: alterações no processo 
de evocação das memórias. 
Os principais tipos são as ilusões 
mnêmicas (adição de elementos falsos 
a uma memória verdadeira); as 
confabulações (processos em que o 
indivíduo preenche vazios na memória 
com fantasias) e a lembrança 
obsessiva (memória fixa e prevalente 
que, embora indesejável, permanece 
de forma constante e incômoda no 
consciente do indivíduo, como o refrão 
de uma música). 
o Transtornos do reconhecimento: 
fenômeno do já visto, já ouvido, já 
pensado ou já vivido (déjà-vú). 
• Inteligência: 
o Retardo mental leve: corresponde ao 
desenvolvimento cognitivo de uma 
criança de 9 a 12 anos. 
o Retardo mental moderado: 
corresponde ao desenvolvimento 
cognitivo de uma criança de 6 a 9 anos. 
o Retardo mental grave: corresponde ao 
desenvolvimento cognitivo de uma 
criança de 3 a 6 anos. 
o Deterioração: diminuição da 
capacidade intelectual associada a 
doenças (ex. esquizofrenia) ou ao uso 
crônico de substâncias (ex. drogas de 
abuso). 
 
• Afeto/Humor: 
o Afeto: estado emocional 
momentâneo/transitório; alegria, 
tristeza, culpa, vergonha. 
O afeto pode ser classificado em 
normomodulado, hipermodulado ou 
hipomodulado. 
o Humor: estado emocional de longa 
duração. 
o Hipertimia:euforia. 
o Hipotimia: depressão. 
o Disforia: irritabilidade, mau humor. 
o Embotamento afetivo: ausência de 
expressão de emoções e sentimentos. 
É comum na depressão e na 
esquizofrenia. 
o Afeto inadequado ou incongruente: 
aquele que não está de acordo com o 
tema da conversa, a circunstância ou o 
pensamento. 
o Labilidade afetiva/emocional ou 
instabilidade afetiva/emocional: 
mudança repentina de um polo 
emocional para outro, sempre 
associada à hipermodulação do afeto. 
É comum no transtorno de humor 
bipolar. 
o Afeto histriônico: expressão de emoção 
dramática, um tanto superficial, com o 
objetivo de situar-se no centro das 
atenções. 
o Apatia: falta de interesse e motivação 
(energia). 
o Anedonia: incapacidade de sentir 
prazer em atividades normalmente 
prazerosas. É comum no transtorno 
depressivo. 
o Afeto depressivo: sentimento de 
tristeza. Geralmente, relacionado a 
 
4 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
eventos que envolvem perda, rejeição, 
derrota ou desapontamento. 
o Raiva mórbida: sentimento de raiva 
caracterizada por impulsividade e falta 
de controle. 
o Euforia: sensação de bem-estar e bom-
humor exagerado ou desproporcional. 
É comum na mania. 
o Depressão disfórica ou mania disfórica: 
quadros de depressão ou mania 
acompanhados de irritação, amargura, 
desgosto ou agressividade intensos. 
o Ansiedade e medo: sensação subjetiva 
(ansiedade) ou objetiva (medo) de 
perigo iminente acompanhada de 
amplas manifestações de descarga 
autonômica. 
• Pensamento: 
o Aceleração do pensamento: comum na 
ansiedade e na mania. 
o Lentificação do pensamento: comum 
na depressão. 
o Circunstancialidade: adiamento do 
objetivo final do pensamento devido à 
adição de detalhes irrelevantes; comum 
nos transtornos obsessivo-
compulsivos. 
o Prolixidade: discurso detalhista, cheio 
de rodeios e repetições, com 
introdução de temas e comentários 
irrelevantes ao assunto principal. 
o Tangencialidade: adiamento do 
objetivo final do pensamento ou 
ausência de objetivo final definido 
devido ao afastamento do assunto 
principal associado à introdução de 
informação vagas e irrelevantes. 
o Perseveração: repetição dos mesmos 
conteúdos de pensamento. 
o Bloqueio ou roubo do pensamento: 
comum na esquizofrenia. 
o Fuga de ideias: rápida divagação de 
uma ideia para outra; comum na mania. 
o Desagregação ou desorganização de 
ideias: ausência de sequência lógica e 
organizada dos pensamentos; comum 
na esquizofrenia. 
o Afrouxamento dos enlaces associativos 
e descarrilamento do pensamento: 
comum na esquizofrenia. 
o Neologismo: criação de palavra nova e 
ininteligível. 
o Delírio: conjunto de ideias delirantes 
que estão fora de contato com a 
realidade; as ideias mais comuns são 
as de perseguição, referência (o 
indivíduo acha que estão falando ou 
rindo dele), religião, erotismo, poder, 
riqueza ou grandeza, ruína ou culpa e 
conteúdos hipocondríacos. 
O delirium é uma disfunção cerebral 
orgânica difusa e temporária, 
caracterizada por comprometimento da 
consciência, orientação, linguagem, 
agitação psicomotora e, por vezes, 
alucinações. Ele pode ser provocado 
por febre alta, intoxicações, infecções, 
bebidas alcoólicas e em ambientes 
médico-hospitalares. Quando 
diagnosticado, deve ser imediatamente 
tratado em função de sua gravidade. 
• Juízo Crítico: 
o Juízo deficiente ou prejudicado: 
deficiência intelectual ou cognitiva. 
o Alterações do juízo de realidade ou 
delírio. 
o Delírios simples: um único tema. 
o Delírios complexos: vários temas. 
o Delírios não sistematizados: temas 
desorganizados e sem fundamentos. 
o Delírios sistematizados: temas 
organizados e com fundamentos. 
o Ideias supervalorizadas ou prevalentes: 
ideias que predominam sobre os 
demais pensamentos e mantêm-se de 
forma insistente na mente do indivíduo. 
 
• Conduta: avalia a aparência e a 
motricidade do paciente. 
o Aparência: aparência quanto à idade e 
à saúde, presença de deformidades e 
peculiaridades físicas, modo de vestir-
se, higiene pessoal (barba, cabelo, 
 
5 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
dentes, pele), estado geral, expressão 
facial, postura, cooperação, etc. 
o Cinesia: movimentos. 
o Atividade aumentada: comum na 
mania. 
o Atividade diminuída ou retardo 
psicomotor: comum nos quadros 
depressivos. 
o Condutas repetitivas ou estereotipadas: 
comuns no autismo. 
o Tiques motores: comuns na Síndrome 
de Gilles de La Tourette. 
o Catalepsia: imobilidade constante e 
prolongada na mesma posição; comum 
na forma catatônica da esquizofrenia. 
o Flexibilidade cérea: manutenção de 
postura imposta por outros; comum na 
forma catatônica da esquizofrenia. 
o Negativismo: reação psicológica de 
defesa, que se caracteriza por oposição 
ou resistência do paciente a tudo o que 
lhe é sugerido. 
o Compulsões: necessidades 
patológicas de executar um ato 
aparentemente irracional de forma 
repetida, em geral acompanhada de 
ansiedade; podem resultar de uma 
obsessão; comuns nos transtornos 
obsessivo-compulsivos. 
o Insônia: quando não existe uma causa 
orgânica, considera-se como uma 
alteração de conduta; comum nos 
transtornos de ansiedade, depressão 
ou mania. 
o Suicídio: preocupação excessiva ou 
obsessiva com pensamentos ou ideias 
suicidas. 
• Linguagem: 
o Disfemia: gagueira. 
o Dislalia: deformação, omissão ou 
substituição de fonemas. 
o Logorreia e taquilalia: produção 
aumentada e acelerada da linguagem 
verbal; comum em quadros maníacos. 
o Bradilalia: lentificação da linguagem; 
comum em quadros depressivos, 
demências e sintomas negativos da 
esquizofrenia. 
o Mutismo: ausência de resposta verbal; 
comum em esquizofrênicos, 
principalmente os catatônicos, e em 
quadros graves de depressão. 
o Ecolalia: repetição da última ou das 
últimas palavras do entrevistador; 
comum na esquizofrenia catatônica. 
o Tiques verbais ou fonéticos. 
o Coprolalia: emissão involuntária e 
repetida de palavras obscenas ou 
relativas a excrementos; comum na 
Síndrome de Gilles de La Tourette. 
o Pararrespostas: alterações do 
pensamento e do comportamento 
verbal mais amplo; comum na 
esquizofrenia. 
Classificação em Psiquiatria: 
Os principais sistemas de classificação de 
diagnósticos psiquiátricos são: 
- CID-10: apresenta 11 categorias de 
transtornos mentais, totalizando 78 
transtornos mentais diferentes organizados 
em causas orgânicas e não orgânicas. 
- CID-11: previsão de entrar em vigor em 
2022. 
- DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico da 
Associação Americana de Psiquiatria; 
apresenta 22 categorias de transtornos 
mentais, totalizando 150 transtornos mentais 
diferentes.

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