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cap 29- Depressão Os quadros depressivos caracterizam-se por uma multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos a autovaloração, à vontade e à psicomotricidade. PSICOPATOLOGIA DA AFETIVIDADE A afetividade seria a capacidade de experimentar sentimentos e emoções. Compreende o estado de ânimo ou humor, os sentimentos, as emoções e as Humor ou estado de ânimo: é definido como o tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional basal e difuso no qual se encontra a pessoa em determinado momento. Afetos: define-se como a qualidade e o tônus emocional que acompanham uma ideia ou representação mental. Os afetos acoplam-se às idéias, anexando a elas um "colorido" afetivo. Seria o componente emocional de uma ideia. OBSERVAÇÕES: Catatimia - (Bleuler) a importante influência da vida afetiva, o estado de humor, as emoções, sentimentos e exercem sobre as demais funções psíquicas. Reação afetiva - a afetividade caracteriza-se particularmente por sua dimensão de reatividade. Sintonização afetiva - é a capacidade de ser influenciadoafetivamente por estimulos externos; o sujeito entristece com experiências dolorosa, alegra-se com eventos positivos, etc. Afeto sintone & afeto distone. ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE: Distimia-alteração básica do humor, tanto no sentido da Inibição quanto da exaltação. Dois pólos básicos da alteração do humor 1. Distimia hipotímica ou melancólica ou hipotimia (termo clássico que designa a depressão) - base afetiva da sindrome depressiva, estado de humor deprimido. 2. Distimia hipertímica, expansiva ou eufórica ou hipertimia (bases afetivas do estado maníaco) -humor patologicamente alterado no sentido da exaltação e da alegria. É um estado de ânimo morbidamente elevado. CID 11-TRANSTORNOS DO HUMOR [AFETIVOS] Transtornos nos quais a perturbação fundamental e uma alteração do humor ou dos afetos, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação A alteração do humor em geral é acompanhada de uma modificação do nível global de atividade, e a maioria dos outros sintomas são: quer secundários a estas alterações do humor e da atividade, quer facilmente compreensiveis no contexto destas alterações.Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente (CID-11 e DSM-5) Sintomas devem estar presentes por pelo menos duas semanas e não mais que dois anos de forma ininterrupta. Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor redução da energia e diminuição da atividade. Alteração da capacidade de experimentar o prazer Perda de interesse Diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. problemas do sono e diminuição do apetite. Diminuição da auto-estima e da autoconfiança Idéias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos "somáticos", por exemplo: perda de interesse ou prazer. despertar matinal precoce agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite. perda de peso e perda da libido.TRANSTORNO DEPRESSIVO PERSISTENTE E TRANSTORNO DISTÍMICO (CID-11 E DSM-5) Um grupo de pacientes desenvolve a forma crônica de depressão, muito duradoura (pelo menos dois anos ininterruptos), que pode ser de intensidade leve (distimia) ou de moderada a grave Ela começa geralmente na adolescência ou no início da vida adulta e persiste por vários anos. Também são comuns na distimia o mau humor crônico e a irritabilidade. DEPRESSÃO TIPO MELANCÓLICA OU ENDOGENA Trata-se de um subtipo no qual predominam os sintomas classicamente endógenos. A pessoa deve apresentar: 1) perda de prazer ou Incapacidade de sentir prazer (anedonia) em todas ou quase todas as atividades ou 2) falta de reatividade a estimulos em geral prazerosos Além de um desses dois sintomas, deve apresentar pelo menos tres dos seguintes sintomas: -humor depressivo característico com prostração profunda, desespero, hiporreatividade geral, psicomotora, demora em responder às perguntas (aumento da latência entre perguntas e respostas) ou agitação psicomotora; -Idelas ou sentimentos de culpa excessivos ou do apetite elou de peso corporal;-depressão pior pela que pode melhorar um pouco ao longo do dia. DEPRESSÃO PSICÓTICA OU DEPRESSÃO COM SINTOMAS PSICÓTICOS (CID-11 E DSM-5) Trata-se de depressão muito grave, na qual ocorrem, associados aos sintomas depressivos, um ou mais sintomas psicóticos, como delirio elou alucinação. Nesse caso, os mais frequentes são sintomas como delírio de ruina ou culpa, delirio hipocondríaco ou de negação de órgãos ou alucinações com conteúdos depressivos, com vozes que dizem "você não presta", "você vai morrer na miséria" ou "seus filhos vão passar fome". As alucinações também podem ter o conteúdo de "punição merecida" ("vou morrer, vou sofrer, pois mereço isso"). DEPRESSÃO ANSIOSA OU AGITADA OU COM SINTOMAS ANSIOSOS PROEMINENTES (CID-11 E DSM-5) E TRANSTORNO MISTO DE DEPRESSÃO E ANSIEDADE (CID-11) A ansiedade é, de modo geral, um componente frequente e importante nos quadros depressivos. O DSM-5 e a CID-11 propõem que se distinga uma forma de depressão, geralmente moderada ou grave, com marcante componente de ansiedade, tensão e inquietação psicomotora, chamada depressão ansiosa ou depressão agitada. Na depressão ansiosa, há risco ainda maior de suicídio.DEPRESSÃO SECUNDARIA OU ORGANICA (TRANSTORNO DEPRESSIVO DEVIDO A OUTRA CONDIÇÃO MÉDICA OU INDUZIDO POR SUBSTÂNCIA OU MEDICAMENTO, CID-1110SM-3 Aqui estão presentes as sindromes depressivas causadas ou fortemente associadas a uma doença fisica, a um quadro clinico primariamente somático, seja ele localizado no cérebro (doença de Parkinson doença de Huntington, (AVC), trauma su tumor cerebral), seja ele sistêmico, isto é, em outra parte do organismo, mas com consequências para todos os órgãos, inclusive o cérebro. Como doenças endocrinológicas do tipo hipo ou hipertireoidismo, hipo ou hiperparatineoidisma, carências vitaminicas, como déficit de vitamina B12 a sindrome depressiva è de causa orgânica). IMPORTANTE observar em um atendimento Principalmente se a isso se seguir um estado de excitação ansiosa (geralmente estimulado pela medicação, que é quando o paciente leva a cabo as idéias de auto-exterminio). Tem melhor prognóstico a depressão motivada. Se o indivíduo não uma distimia quando existe uma causa que justifique o seu aparecimento, é possível considerar a existência de um estado patológico. Ao mesmo tempo, também falamos de uma distimia anômala quando não se encontra motivo algum que possa explicá-la ou o motivo desencadeante é insignificante.termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles; pode significar uma sindrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos; ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas. Termo "depressão", no singular, precisa ser questionado Sem dúvida, existem estados depressivos que podem ser descritos, recenseados, mas seus graus e variações desafiam a unificação do conceito. Podemos dizer: a psicose, a psicopatia, o transtorno obsessivo-compulsivo, mas devemos ter cuidado ao dizer a depressão. É preciso não reduzi-la ao humor triste. EPISÓDIO MANÍACO CAP 30 É definido como um período ou estado psíquico durante qual existem um humor anormalmente e persistentemente elevado, expansivo ou irritável. A perturbação do humor envolve: auto-estima inflada- heteroagressivo necessidade de sono diminuída, pressão por falar fuga de idéas, do curso e da forma do pensamento distraibilidade- aumento da vigilância e diminuição da tenacidade. agitação motora, oscilação dos sintomas afetivos envolvimento excessivo em atividade prazerosas com um alto potencial para consequências dolorosa. pode ser marcada pela presença de aspectos psicóticos (delírio e grandeza)No episódio maníaco: Normalmente essa perturbação do humor é suficientemente severa para causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional ou para exigir a hospitalização ou, ainda pode ser marcada pela presença de aspectos psicóticos (p.e. delírios de grandeza). Esta noção se aplica exclusivamente a um episódio isolado. Um episódio hipomaníaco ou maníaco em individuo que já tenha apresentado um ou mais episódios afetivos prévios (depressivo, hipomaníaco, maníaco, ou misto) deve conduzir a um diagnóstico de transtorno afetivo bipolar. A fala maníaca é tipicamente pressionada, alta, rápida e dificil de interromper. Os individuos podem falar ininterruptamente, às vezes por horas a fio, sem consideração para com desejo de comunicação de outras pessoas. A distratibilidade na Mania é evidenciada por uma incapacidade de filtrar estimulos externos irrelevantes (por ex., a gravata do entrevistador, ruidos ou conversas de fundo, ou os móveis da sala). Pode haver redução da capacidade de diferenciar entre pensamentos pertinentes ao assunto e pensamentos de pouca relevância ou nitidamente irrelevantes. HIPOMANIATranstorno caracterizado pela presença de uma elevação ligeira mas persistente do humor, da energia e da atividade, associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de eficácia fisica e psíquica Existe freqüentemente um aumento da sociabilidade, do desejo de falar, da familiaridade e da energia sexual, e uma redução da necessidade de sono estes sintomas não são, entretanto, tão graves de modo a entravar funcionamento profissional ou levar a uma rejeição social. A euforia e a sociabilidade são por vezes substituidas por irritabilidade, atitude pretensiosa ou comportamento grosseiro. MANIA SEM SINTOMAS PSICÓTICOS Presença de uma elevação do humor fora de proporção, podendo variar de uma forma descuidada a uma agitação praticamente incontrolável. aumento da energia, levando hiperatividade, desejo de falar redução da necessidade de sono atenção não pode ser mantida, grande distração Frequentemente um aumento do auto-estima com ideas de grandiza superestimativa de suas capacidades. Ha perda das inibições sociais pode levar a condutas imprudentes, inapropriadas ou deslocadas. MANIA COM SINTOMAS PSICOTICOS Presença, além do quadro clinico descrito anteriormente, deidéias delirantes (em geral de grandeza) ou de alucinações (em geral do tipo de VOZ que fala diretamente ao sujeito) ou de agitação, de atividade motora excessiva e de fuga de idéias de uma gravidade tal que o sujeito se torna incompreensivel ou inacessivel a toda comunicação normal. TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), também conhecido como Transtorno Bipolar do Humor (TBH) OU, antigamente, Psicose Maniaco Depressiva (PMD). TAB se caracteriza por alterações do humor, com episódios depressivos e maníacos ao longo da vida. Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episodios repetidos de hipomania ou mania são classificados como TAB-CID E DSM -Transtorno bipolar tipo -Transtorno bipolar tipo (Especificar o episódio atual: misto, maníaco (com ou sem sintomas psicóticos), hipomaníaco, depressivo (leve, moderado ou grave, com ou sem sintomas psicóticos), ouem remissão.) Ciclotimia - Outros transtornos bipolares não especificados TRANSTORNO BIPOLAR NO DSM V 1. Os critérios para transtorno bipolar tipo 1 representam o entendimento moderno do transtorno maníaco-depressivo clássico, ou psicose afetiva, descrito no século XIX. Diferem da descrição clássica somente no que se refere ao fato de não haver exigência de psicose ou de experiência na vida de um episódio depressivo maior. No entanto, a vasta maioria dos indivíduos cujos sintomas atendem aos critérios para um episódio maníaco também tem episódios depressivos maiores durante o curso de suas vidas. TRANSTORNO BIPOLAR NO DSMV 2. O transtorno bipolar tipo II, que requer um ou mais episódios depressivos maiores e pelo menos um episódio hipomaníaco durante curso da vida. Não é mais considerado uma condição "mais leve que transtorno bipolar tipo I, em grande parte em razão da quantidade de tempo que pessoas com essa condição passam em depressão e pelo fato de a instabilidade do humor vivenciada ser tipicamente acompanhada de prejuízograve no funcionamento profissional e social. TRANSTORNO BIPOLAR NO DSM V 3. diagnóstico de transtorno ciclotimico é feito em adultos que têm pelo menos dois anos (um ano em crianças) de periodos hipomaníacos e depressivos, sem jamais atender aos critérios para um episódio de mania, hipomania ou depressão maior. Diagnóstico que pode ser feito em crianças e adolescentes com muito cuidado, tendo em vista pelo menos um ano do aparecimento dos sintomas. SENSOPERCEPÇÃO Sensação - fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, originados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores, estimulando-os; dimensão neuronal; são os elementos estruturais simples da percepção. Percepção - é a sensação elaborada, tomada de CS do estímulo sensorial; dimensão propriamente neuropsicológica e psicológica do processo, a transformação de estímulos puramente sensoriais em fenômenos perceptivos conscientes. A sensopercepção é o ato que em relação nossa CS com o mundo exterior; sujeito no ato não é um meroreceptor de dados exteriores, pois ele assume uma participação ativa, nas tarefas de selecionar, classificar e configurar significativamente os dados objetivos. Imagem perceptiva nitidez (a imagem é seus contornos são precisos); corporeidade (a imagem é viva, corporea, tem luz, brilho e cores vivas); estabilidade (a Imagem percebida é estável; enquanto estiver presente o objeto estimulador, a imagem não muda de um momento para outro); extrojeção (a imagem, provinda do espaço exterior, também é percebida nesse espaço); ininfluenciabilidade voluntária (o individuo não consegue alterar voluntariamente a imagem percebida); completude (a imagem apresenta desenho completo e determinado, com todos os detalhes diante do observador). Representação pouca nitidez (os contornos, geralmente, são borrados) pouca corporeidade (a representação não tem a vida de uma imagem real) instabilidade (a representação aparece e desaparece facilmente do campo de consciência), Introjeção (a representação é percebida no espaço interno); incompletude (a representação demonstra um desenho indeterminado,apresentando-se geralmente incompleta.Alterações da sensopercepção Alterações quantitativas Hiperestesia - é a condição na qual as percepções estão anormalmente aumentadas. Hipoestesia - pacientes depressivos; mundo é percebido como mais escuro, cores estão mais pálidas, odores perdem a intensidade, etc. Alterações qualitativas Ilusões, alucinações, alucinose, pseudo-alucinações. 1. ILUSÕES: percepção deformada, alterada, de um objeto real e presente; onde se mistura o real e o irreal. É diferente de delírio, pois não tem haver com um juizo patologicamente alterado da realidade (com um signo ilógico e psicologicamente incompreensivel) Condições: estados de rebaixamento do nivel de CS; estados de fadiga grave ou de inatenção marcante (que podem ocorrer ilusões transitórias e sem muita importância clinica); em determinados estados afetivos (ilusões catatímicas - ouvir ruidos na casa quando se está sozinho, confundir roupas e objetos com pessoas). 2. ALUCINAÇÕES: define- se alucinação como a vivência de uma percepção sem objeto (voz, ruído, imagem); consistiria no fenômeno de perceber objetos, com todas as características da sensação, sem o estímulo sensorial.Alucinações auditivas - mais frequentes; Alucinações audio-verbais - sujeito ouve vozes (geralmente de conteúdo depreciativo ou persecutório; "vozes de comando", "vozes que comentam a ação") sonorização do pensamento, eco do pensamento (do próprio pensamento ou como vivência alucinatório- delirante, em forma de diálogos); publicação do pensamento. Alucinações visuais - simples (fotopsias), complexas (figuras, imagens de pessoas, etc.); alucinações cenográficas; alucinação liliputiana (sindromes psicorgânicas agudas, psicoses desencadeadas por drogas). DELÍRIO cap 31 Alguns autores descrevem o delírio como uma alteração do conteúdo do pensamento. Para Jaspers, o delírio é um distúrbio dos juízos de realidade, ou seja, ele é um distúrbio da CS da realidade e dos juízos que fazemos dela; um juízo patologicamente falseado. Alteração do Juízo de Realidade. Juízo implica em um julgamento; é o processo que estabelece relações significativas entre os conceitos básicos; a princípio, é a afirmação da relação entre dois conceitos: "a criança é frágil. Henri "idéias delirantes devemos não entender apenas ascrenças e as concepções pelas quais se exprimem os temas da ficção delirante (perseguição, grandeza, etc), mas também todo o cortejo de fenômenos ideoafetivos no qual o Delirio toma corpo (intuições, ilusões, interpretações, alucinações, exaltação imaginativa e passional, etc.) É preciso lembrar que há uma relação especial do sujeito psicótico com a lingua. delírio não é uma mera alteração de uma função psíquica isolada, mas uma modificação própria e global de toda atividade psíquica. Há uma transformação global da personalidade. Realidade psíquica X Realidade compartilhada Juízos erróneos: preconceitos, superstições, etc. Ideias prevalentes ou sobrevaloradas: nem sempre patológicas; egossintônicas, alto grau de emoção/afeto; alto grau de convicção. (Jaspers) Erros (psicologicamente compreensíveis) # Delírios (psicologicamente incompreensíveis). Psicopatologia do Delírio (Jaspers) Delírios são juízos psicologicamente falsos (sua base é mórbida). 3 características: 1. convicção extraordinária - certeza subjetiva absoluta, uma crença inabalável;2. impossibilidade de influência - não pode ser modificado pela experiência objetiva; haveria impenetrabilidade e incompreensibilidade psicológica para o individuo normal, bem como impossibilidade de sujeitar-se às influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da argumentação lógica. 3. inverossimilhança do conteúdo - este seria impossível. Delirio X delirium - no segundo há necessariamente uma causa orgânica, ocorre sob um estado de turvação da consciência, o primeiro refere-se a uma modificação global da vida psiquica. delírio é uma produção associal, idiossincrática. Precisamos observar diferentes caracteristicas: 1. convicção; 2. extensão; 3. bizarrice; 4. desorganização; 5. pressão; 6. resposta afetiva; 7. comportamento desviante. Delirio Primário ou Idéias delirantes verdadeiras Fenômeno primário, psicologicamente incompreensivel (Jaspers), impenetrável, inteiramente novo; surge sem um estado de ânimo que o justifique; não são suscetíveis de serem seguidos psicologicamente; uma ruptura (é de ordem processual); há uma transformação qualitativa de todaexistência do doente. Delirio Secundário ou Idéias deliróides Assemelha-se externamente ao primário, mas não é uma alteração primária do pensamento, mas sim, alterações profundas em outras áreas da atividade mental (afetividade, CS, etc.), que indiretamente fazem com que se produzam juízos falsos; tem origem compreensível, de vivências afetivas, de alterações da CS, de outras vivências; deriva de um estado de ánimo particular. P.e. delírio de ruina - depressivo grave delírio de grandeza - maníaco, paranóico. Classificações 1. delírios simples: tema único; 2. delírios complexos: vários temas. Delírios não-sistematizados; sem concatenação consistente; fragmentado, fala solta, pensamento solto Delírios sistematizados: bem organizados- fala, pensamentos internos Surgimento e evolução: estados pré-delirantes Vivências delirantes primárias - "há alguma coisa que não sei o que é", tudo passa a ter uma nova significação. Trema - estado de tensão, aflição e ansiedade intensas; perplexidade, sensação de estranheza radical.Humor delirante - mudança especial, há uma CS de significado anormal; é o estado que precede a eclosão do delírio, grau máximo da angústia psicótica. Estado apofântico - apresentação do delirio, mudança radical.0 humor delirante cessa quando o paciente "configura" o delirio, quando "descobre" o que está acontecendo Alucinações é alteração sensorial, delírio é necessariamente uma alteração global, a linguagem, realidade, afeto e sensorial. Formações delirantes primária Nesse caso é quando surge de uma percepção NORMAL que recebe e imediatamente ao ato perceptivo uma significação DELIRANTE. É quando se atribui a uma percepção normal um significado anormal, no sentido auto-referência imposto à CS do delirante. A percepção delirante é vivenciada como uma REVELAÇÃO, uma descoberta abrupta que o individuo faz, passando então a "entender" tudo o que se passa. Podem ir desde vivências de significação imprecisa até claros delirios de observação e auto-referência. Relações entre alucinação e delirio (delirio alucinatório); Relações entre delírio e afetividade (delírios catatimicos);Alteração de nível consciência (delirio onírico): abstinência Delirio interpretativo- interpretação complexa a respeito da realidade. História delirante que o indivíduo cria- famosos Delírio intuitivo- ideias que aparecem Delirio imaginativo- interpretação da imaginativa Conteúdos e tipos mais de delírios: Delirio de perseguição Delirio de referência (de alusão ou de auto-referência) Delirio de relação Delírio de influência Delirio de grandeza (megalomania) Delirio de ciúmes ou delirio de infidelidade Delirio erótico ou erotomania Delirio de reivindicação (ou querelância) Delirio de invenção ou descoberta Delirio de reforma (ou salvacionismo) Delirio místico ou religioso Delirio de ruína (ou niilista) Delírio hipocondriaco LINGUAGEM Lentidão patológica da linguagem: bradifesia Trata-se de uma alteração da linguagem oposta à taquifasia, o pacientes fala muito vagarosamente, as palavras seguemse umas as outras de forma lenta e difícil. Ha também, geralmente latência (duração) aumentada entre a pergunta que lhe fazemos a sua resposta. Bradifasia está associada a quadros depressivos graves, estados demenciais. Mutismo Ausência de resposta verbal oral por parte do pacente. De responde ao interlocutor, embora esteja desperto, sem comprometimento da audição, nivel de consciência e sem paralisias motoras que comprometam a produção palada. Os fatores e sindromes que estão na base do mutismo podem ser de natureza neurobiológica, psic ou psicogênica. O mutismo nas síndrome psicopatológicas é, muitas vezes, uma forma de negativismo verbal, tendência automática a se opor passivamente ou atividameente as solicitações pessoas no que concerne a resposta e à produção verbal. Perseveração verbal Repetição automática de palavras ou trechos de frases, de modo estereotipado mecânico e sem sentido, o que indica lesão neuronal, particularmente das áreas cerebrais pré- frontais (mas não apenas) A perseveração da linguagem pode ser da linguagem falada ou escrita, Ecolalia É a repetição da última ou das últimas palavras que o entrevistador (ou alguém no ambiente) falou ou dirigiu ao paciente, uma repetição em eco da fala. É um fenómeno automático, involuntário, realizado sem planejamento.Palilalia é a repetição automática e estereotipada pelo paciente de suas palavras ou frases, que ele próprio emitiu em seu discurso. É comum, mas não necessário, que a palavra repetida seja a última da frase. A palilala ocorre de forma involuntária, sem controle por parte do indivíduo,ngosto de gosto de gosto de A logocionia é um fenômeno semelhante à pailalia, sendo que aqui a repetição automática e voluntára é a das últimas silabas que o paciente pronunciou. Ele diz: "Moro em Jundial, al, ei, ar Tiques verbais ou fonéticos e coprolalia Tanto os tiques fonéticos e verbars (mais frequentes) como a coprolella (menos frequente) são fenômenos característicos do transtorno de Tourette Os tiques fonéticos ou verbais são produções de fonemas ou palavras de forma recorente, imprópria e irreversível. No tique verbal, o paciente produz geralmente sons guturais, abruptos e espasmódicos. É algo desagradável, mas impossível de ser contido pelo individuo (que pode apenas adia-lo um pouco) Alogia, ou discurso lacónico é o empobrecimento da produção de linguagem (e do pensamentos que se verifica pela diminuição da fluência verbal e pelo discurso empobrecido. E sintoma principalmente da esquizofrenia, sendo considerado um sintoma de tipo negativo.Verbigeração é a repetição, de forma monólona e sem sentido comunicativo aparente de palavras sílabas trecho de frases. Mussitação é a produção repetitive de uma muito baixa murmurada, em tom monocórdico, geralmente sem significado comunicativo. Aqui, o paciente fala como que "para si", apenas movendo discretamente os lábios, emitindo fonemas, palavras ou frases pouco comprensives. Glossolalla e pararrespostas É a produção de uma fala pouco ou nada compreensível, um verdadeiro conglomerado ininteliglivel de sons (ou, no plano escrito, de letras ininteligiveis). Os sons, apesar de não terem sentido, têm a sonoridade, a inflexão de uma fala normal nos seus aspectos prosódicos (a música da fela"), mantando as distinções de "palavras", "sentenças" e até de "parágrafos" Neologismos Os neologismos patológicos são palavras inteiramente novas, criadas pelo paciente, ou palavras já existentes que recebem acepção totalmente nova. A LINGUAGEM NA ESQUIZOFRENIA A linguagem é, com considerável frequência, empobrecida e laconica (alogia) na esquizofrenia, podendo se tornar de difícil compreensão porque não se encaixa no sentido contextual dos diálogos compartilhados.O descarrilhamento é uma forma de desorganização da linguagem (e de pensamento) na qual os relaxamentos das associações permitem que haja um deslizamento de uma para outra linha argumentativa, com pouca ou sem nenhuma relação entre si, ou com relações indiretas difíceis para o interlocutor captar. paciente pode mudar de tema, de forma pessoal, de um marco referencial a outro, falar coisas justapostas que carecem de relação com o significado compartilhado da mensagem (Fine, 2007). Os neologismos são frequentes encontrados na esquizofrenia. É preciso cuidado na avaliação do paciente para se identificar se o caso é de um neologismo patológico (relacionado à psicopatologia do paciente) ou de um neologismo normal, produzido por um grupo sociocultural do qual o indivíduo participa. São encontrados, também em pacientes com esquizofrenia, estilizações, rebuscamentos maneirismos, que indicam a transformação do pensamento e do comportamento geral do indivíduo no sentido de adotar posturas e funcionamentos rigidos e estereotipados. Nos estados avançados de desorganização esquizofrènica, podem-se observar a chamada Jargonofasia ou esquizofazla, também denominada salada de palavras. Trata- se de produção de palavras e frases sem sentido, com fluxo verbal desorganizado e caótico. O sinal extremo da desarmonia das estruturas depensamento e de linguagem é o desenvolvimento de uma linguagem completamente incompreensível, uma lingua privada (do pacienta) que ninguém entende, denominada criptolalla (no caso da linguagem falada) e criptografia (no caso da linguagem escrita). AS PSICOSES 32 Atualmente também chamados de transtornos psicóticos primários (CID 11). Sintomatologia heterogênea: Sintomas positivos e negativos; Alterações do juízo de realidade (delirios); Alterações do pensamento (desorganização formal do pensamento e da linguagem); Alterações de (senso) percepção Alterações na autoexperiência (sentimento de controle externo dos próprios impulsos, pensamentos ou comportamentos; fenômenos de influência ou de controle); Alterações na cognição (atenção, memória e cognição social prejudicadas); Nos afetos, na volição; E no comportamento (excêntrico, sem propósito, imprevisível, inapropriado).Atuais classificações: As classificações atuais mantém a abordagem categoríal, mas se aproximam cada vez mais de uma avaliação mais dimensional em psicopatologia. Avaliar o domínio dos sintomas e nivel de gravidade. Excluir doenças cerebrais e uso de substâncias com efeito psicoativo. Abandono dos subtipos clássicos; Introdução dos sintomas cognitivos como orientação diagnóstica (diminuição do desempenho cognitivo de forma generalizada em diversos dominios) Catatonia passa a ser classificada em uma categoria distinta, pois pode ocorrer em associação a outros transtornos mentais, DSM 5 exige a apresentação dos chamados sintomas de primeira ordem para o diagnóstico. A CID 11 admite a possibilidade de apresentação mais variada de sintomas, ainda que os considere centrais Atuais classificações: Esquizofrenia Transtorno esquizoafetivo Transtorno esquizotípico- esquisitice da personalidade Transtorno psicótico breve, agudo ou transitório Transtorno delirante Transtorno de personalidade esquizotipica (DSM 5) Transtorno esquizofreniforme (DSM 5)Desorganização do Pensamento e alterações de linguagem A desorganização do pensamento (transtorno do pensamento formal) costuma ser inferida a partir da fala do individuo. Este pode mudar de um tópico a outro (descarrilamento ou afrouxamento das associações). As respostas a perguntas podem ter uma relação obliqua ou não ter relação alguma (tangencialidade). Raras vezes, discurso pode estar tão gravemente desorganizado que é quase incompreensível, lembrando a afasia receptiva em sua desorganização linguistica (incoerência ou "salada de palavras"). Uma vez que o discurso levemente desorganizado é comum e inespecífico, o sintoma deve ser suficientemente grave a ponto de prejudicar de forma substancial a comunicação efetiva. Pode ocorrer desorganização menos grave do pensamento ou do discurso durante os períodos prodrômicos ou residuais da esquizofrenia. As psicoses esquizofrênicas - ou a esquizofrenia O conceito de esquizofrenia foi introduzido por Bleuler, em 1911. Na verdade ele é apenas uma reformulação dos conceitos kraepelinianos pela influência da psicanálise e no qual, para Bleuler, a dissociação é o ponto nodal, central, uma dissociação do Eu. De fato, a paranóia é um tipo clínico que pertence a psiquiatria, anterior à psicanálise, enquanto que o de esquizofrenia é posterior.Kraepelin distinguia um grupo restrito, o da paranoia, e um outro, um pouco mais vasto, a demência precoce, na qual ele colocava a hebefrenia de Ecker, a catatonia de Kahlbaum, e as demências paranóides. Estas últimas devem ser separadas das paranóias em razão de sua não sistematização. Busca pela etiologia: Assim, os dados indicam que o Brasil tem situação intermediária (nem baixa, nem alta) em termos de incidência e prevalência de psicoses não afetivas (a maior parte das quais é esquizofrenia). A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta toda estrutura vivencial. Na psicose, pensamento e a afetividade se apresentam qualitativamente alterados, tal como uma novidade cronologicamente delimitada na história de vida do paciente e que passa a atuar morbidamente em toda sua performance psíquica. Sintomas positivos e negativos Os sintomas caracteristicos da Esquizofrenia podem ser agrupados, genericamente, em 2 tipos: positivos e negativos: Os sintomas positivos são os mais floridos e exuberantes: alucinações (mais frequentemente, as auditivas e visuais e, menos frequentes as táteis, e olfativas),delirios (persecutórios, de grandeza, de ciúmes, místicos, fantásticos, autorreferente, etc.), perturbações da forma e do curso do pensamento (como incoerência, prolixidade, desagregação), comportamento desorganizado, bizarro, agitação psicomotora Sintomas negativos são, deficitários, de perdas de funções psíquicas ou empobrecimento global da vida afetiva, cognitiva e social. a pobreza do conteúdo do pensamento e da fala, Embotamento, aplainamento ou rigidez afetiva, prejuízo do pragmatismo, incapacidade de sentir emoções, incapacidade de sentir prazer (anedonia), retração ou isolamento social, diminuição de iniciativa e da vontade negligência dos cuidados pessoais. Sintomas de Primeira Ordem segundo Kurt Schneider delírio-Percepção delirante- a atribuição de significado Alucinações auditivas na forma de vozes que acompanham a própria atividade com comentários Alucinações auditivas na forma de vozes que dialogam entre si Sonorização (ou eco) do pensamentoVivência de influência corporal Roubo do pensamento Vivência de influência sobre o pensamento Sintomas de desorganização (síndrome de Essa sindrome tem certa correspondência ou semelhança com o subtipo classicamente denominado esquizofrenia hebefrènica. Observam-se: Pensamento progressivamente desorganizado, de leve afrouxamento das associações, passando por descarrilamento do pensamento até a total desagregação e produção de um pensamento totalmente incompreensivel, totalmente incoerente; fragmentação da progressão lógica do discurso. Discurso que revela tangencialidade e circunstancialidade em niveis não totalmente desorganizados da linguagem/pensamento. A presença de neologismos eventualmente é incluída aqui. Comportamentos desorganizados e incompreensiveis; comportamentos sociais e sexuais bizarros e inadequados Afeto inadequado, marcadamente ambivalente, incongruente e em descompasso franco entre as esferas afetivas, ideativas e volitivas.Sintomas psicomotores e catatonia (síndrome psicomotora) Não é incomum pacientes com esquizofrenia apresentarem e empobrecimento psicomotor com restrição do repertório da esfera gestual e motora. Alterações psicomotoras também são verificadas na forma de estereotipias de movimentos (atos, gestos, atitudes mais complexos que os tiques, repetidos de forma mecânica, sem finalidades), maneirismos (gestos complexos, repetidos, que parecem ter um objetivo e significado para o indivíduo, mas que são percebidos pelo observador como algo excessivo, excêntrico e muito bizarro) e posturas bizarras. Alguns pacientes fazem caretas, vestem roupas e usam adornos bizarros, A síndrome catatônica ou catatonia é a manifestação psicomotora mais marcarite na esquizofrenia. Na catatonia, embora os pacientes apresentem o nivel de consciência preservado, podem revelar sintomas de estupor (diminuição marcante até ausência de atividade psicomotora, com retenção da consciência, mutismo e negativismo. ESQUIZOFRENIA - TIPOS CLÍNICOS (E.Kraepelin) Os diferentes tipos clinicos caíram em "desuso" para categorização, mas ainda podem aparecer como orientadores clínicos. Os transtornos esquizofrénicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e caracteristicas do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ouembotados, mas apresentam caracteristicas em conjunto que merecem observação. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso da doença/tempo. Esquizofrenia hebefrênica Forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível; existem maneirismos. afeto é superficial e inapropriado. pensamento é desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao isolamento social. Geralmente o prognóstico é desfavorável em razão de seu desencadeamento precoce e devido ao rápido desenvolvimento de sintomas "negativos", particularmente um embotamento do afeto e perda da volição. Esquizofrenia catatônica A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes, que podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e negativismo. Um padrão marcante da doença pode ser constituido por episódios de excitação violenta (denominados furoralternados com os de grande apatia. Esquizofrenia simples Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um declínio global do desempenho. Os padrões negativos característicos da esquizofrenia residual (por exemplo: embotamento do afeto e perda da volição) se desenvolvem sem serem precedidos por quaisquer sintomas psicóticos manifestos. Outros tipos descritos: Esquizofrenia indiferenciada: Afecções psicóticas que preenchem os critérios diagnósticos gerais para a esquizofrenia mas que não correspondem a nenhum dos outros subtipos. Depressão pós-esquizofrènica: Episódio depressivo eventualmente prolongado que ocorre ao fim de uma afecção esquizofrénica. Ao menos alguns sintomas esquizofrénicos "positivos" ou "negativos" devem ainda estar presentes mas não dominam mais o quadro clinico. Este tipo de estado depressivo se acompanha de um maior risco de suicídio. Esquizofrenia residual: Consiste no estágio crônico da doença onde os sintomas positivos, que caracterizaram odiagnóstico de Esquizofrenia, estão ausentes ou diminuídos e os sintomas negativos prevalecem e se destacam. Diagnóstico diferencial Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta (ex: AVC epilepsia ou tumor cerebral), induzidos por intoxicação ou abstinência de drogas psicoativas. Uma dificuldade diagnóstica importante é a associação de sintomas psicóticos e transtornos do humor (especialmente o transtorno afetivo bipolar). Esquizofrenia não é um transtorno delirante. TRANSTORNO DELIRANTE 32 É uma psicose caracterizada pelo surgimento e desenvolvimento de um delírio menos abrupto, com um sistema delirante com relativa preservação da personalidade Tem um delírio geralmente organizado e sistematizado, esses delírios são de longa duração e são a mais importante característica clínica desse transtorno. Esses delírios normalmente são: AUTOREFERENTE interpretativo egocêntrico sistematizados e coerentePodem ser de prejuízo, de perseguição ou de grandeza, impregnado ou não de tonalidade erótica ou com ideias de invenção ou de reforma. Uso de substancia pode gerar delírio porém não S enquadra como transtorno delirantes. Diagnóstico: Para o diagnóstico, é muito importante que o delirio do Transtorno Delirante não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando de uma falsa e absurda crença. As alucinações não são proeminentes e nem habituais, embora possam existir concomitantemente. Alucinações auditivas (vozes) claras e persistentes, sintomas esquizofrénicos, tais como delirios de controle e embotamento afetivo marcante, ou evidência de doença cerebral definitiva são todos incompatíveis com este diagnóstico. Geralmente tem aparecimento mais tardio, curso crônico e estável. Bizarrice: O caráter bizarro dos delírios pode ser dificil de julgar, especialmente entre diferentes culturas.Os delírios são considerados bizarros quando claramente implausíveis, incompreensíveis e não extraídos de experiências comuns da vida (por ex., a crença de um indivíduo de que um estranho retirou seus órgãos internos e os substituiu pelos de outra pessoa sem deixar quaisquer cicatrizes ou ferimentos). Em comparação, os delírios não-bizarros envolvem situações que poderiam concebivelmente ocorrer (por ex., ser seguido, envenenado, infectado, amado à distância ou traído pelo cônjuge ou parceiro romântico). Prejuízos e comprometimentos: Normalmente, funcionamento social dos pacientes paranóicos não está tão prejudicado quanto os pacientes esquizofrénicos, apesar da existência do Delírio. A maioria dos pacientes pode parecer normais em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em alguns o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social. Subtipos: PRIMÁRIO, parte mais importante Tipo erotomaníaco: Esse subtipo aplica-se quando tema central do delírio é o de que outra pessoa está apaixonada pelo individuo. Tipo grandioso: Esse subtipo aplica-se quando o tema central do delírio é a convicção de ter algum grande talento (embora não reconhecido), insight ou ter feito uma descoberta importante.Tipo ciumento: Esse subtipo aplica-se quando o tema central do delírio do indivíduo é o de que o cônjuge ou parceiro é infiel. Tipo persecutório: Esse subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve a crença de que o próprio indivíduo está sendo vítima de conspiração, enganado, espionado, perseguido, envenenado ou drogado, difamado maliciosamente, assediado ou obstruído na busca de objetivos de longo prazo. Tipo somático: Esse subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve funções ou sensações corporais. Tipo misto: Esse subtipo aplica-se quando não há um tema delirante predominante. Tipo não especificado: Esse subtipo aplica-se quando a crença delirante dominante não pode ser determinada com clareza ou não está descrita nos tipos específicos (p. ex., delirios referenciais sem um componente persecutório ou grandioso proeminente). PARAFRENIA São psicoses de aparecimento tardio, em que surgem delírios acompanhados de alucinações, mas nas quais, como na paranóia, há relativa preservação da personalidade do enfermo.Alguns autores consideram a parafrenia uma forma tardia de esquizofrenia.Kraepelin é quem individualiza conceito, refere-se a "um grupo relativamente pequeno de casos, com vários pontos comuns com a demência precoce, mas que devido a um desenvolvimento mais ligeiro das perturbações da emoção e volição, a harmonia interna da vida psíquica fica consideravelmente menos afetada ou, pelo menos, limitada a certas faculdades intelectuais". Em relação ao diagnóstico diferencial: Kraepelin afirma que a conservação da personalidade é o aspecto que mais distingue a parafrenia das formas paranóides da demência precoce (esquizofrenia), embora admita que esta questão é discutível por, no último caso, a deterioração não ser, muito evidente. É preciso aguardar pela evolução. Fatores que tornam mais provável o diagnóstico de parafrenia: - o aparecimento tardio das alucinações, - a elaboração mental do delírio, - as reações emocionais exacerbadas, - a ausência de perturbações volitivas - e a conservação do bom senso e da racionalidade. audio 1h.02