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RELATÓRIO DE ESTUDO DE CASO 
CLÍNICO: TRANSTORNO 
OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC) 
1. IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE 
• Nome: Júlia S. 
• Idade: 23 anos. 
• Escolaridade: Graduanda em Medicina Veterinária (4º ano). 
• Ocupação: Estudante / Estagiária. 
• Estado Civil: Solteira. 
• Configuração Familiar: Mora com os pais e a avó materna (acamada). 
2. QUEIXA PRINCIPAL 
"Eu me sinto uma escrava da minha mente. Se eu toco em qualquer coisa que considero 
'suja', sinto uma angústia insuportável, como se tivesse veneno na minha pele. Preciso 
lavar as mãos até sentir que está 'certo'. Ontem demorei 4 horas para conseguir tomar 
banho." 
3. HISTÓRIA DA MOLÉSTIA ATUAL (HMA) 
O quadro teve início na infância (aos 9 anos) com rituais de simetria (alinhar chinelos), 
mas agravou-se drasticamente há 2 anos, após o diagnóstico de câncer da avó. Júlia 
desenvolveu a crença mágica de que ela poderia "transmitir doenças" ou "azar" para a 
avó vulnerável. Atualmente, apresenta: 
• Obsessões de Contaminação: Medo intenso de secreções corporais, lixo, 
maçanetas e sapatos de rua. 
• Obsessões de Responsabilidade/Dano: "Se eu não me limpar, vou matar minha 
avó." 
• Compulsões (Rituais): 
o Lavagem das mãos: Segue uma sequência rígida de 3 repetições, 
esfregando até o cotovelo com água escaldante. As mãos apresentam 
dermatite de contato severa (pele rachada e sangrando). 
o Banho: Rituais que duram de 2 a 4 horas. 
o Evitação: Não toca em trincos de porta (usa o cotovelo ou papel) e 
isolou-se no quarto ("zona limpa"). 
 
4. ANAMNESE E DINÂMICA FAMILIAR 
Júlia descreve a família como "caótica". A mãe também apresenta traços ansiosos e de 
limpeza excessiva, frequentemente validando os rituais da filha ("Lava mesmo, filha, a 
rua é suja" - Acomodação Familiar). O pai é ausente. 
• Crença de Fusão: Desde pequena, Júlia acreditava que seus pensamentos 
tinham poder sobre a realidade (Pensamento Mágico). Se pensasse algo ruim 
sobre alguém, precisava "anular" o pensamento batendo na madeira. 
5. EXAME DO ESTADO MENTAL (SÚMULA 
PSÍQUICA) 
• Aparência: Mãos com lesões visíveis (eczema), vestimentas excessivamente 
limpas. 
• Consciência/Orientação: Preservadas. 
• Atenção: Hipovigilante para o ambiente externo, hipertenaz para estímulos de 
"sujeira" (atenção seletiva). 
• Pensamento: Curso normal; conteúdo obsessivo egodistônico (reconhece que é 
absurdo, mas não consegue parar). Presença de Pensamento Mágico. 
• Insight (Crítica): Bom. Diferente de um delírio, Júlia sabe que a sujeira não é 
fatal, mas a ansiedade a impede de agir racionalmente. 
6. DIAGNÓSTICO (DSM-5-TR) 
300.3 (F42.2) Transtorno Obsessivo-Compulsivo. 
• Especificador: Com Insight Bom ou Razoável (a paciente reconhece que as 
crenças do transtorno provavelmente não são verdadeiras). 
7. CONCEITUAÇÃO COGNITIVA (MODELO DE 
SALKOVSKIS) 
O TOC de Júlia sustenta-se no ciclo de Responsabilidade Inflada: 
1. Intrusão (Gatilho): Toca na maçaneta da clínica. 
2. Significado (Interpretação): "Essa maçaneta tem bactérias mortais. Se eu 
tocar na minha avó depois, ela vai morrer e a culpa será minha." 
3. Emoção: Ansiedade Extrema e Culpa. 
4. Neutralização (Compulsão): Lavar as mãos com álcool puro. 
5. Alívio Temporário: A ansiedade cai (Reforço Negativo), ensinando ao cérebro 
que "lavar salva". 
8. PLANO TERAPÊUTICO (16 SESSÕES) 
FASE 1: Psicoeducação e Mapeamento (Sessões 1-3) 
• Explicação de que o ritual é o "combustível" do TOC. 
• Trabalho com a família para reduzir a Acomodação Familiar (instruir a mãe a 
parar de comprar sabonetes extras ou abrir portas para Júlia). 
FASE 2: ERP - Exposição com Prevenção de Resposta (Sessões 4-12) Esta é a 
intervenção "Padrão-Ouro". 
• Hierarquia de Exposição: 
1. Tocar no sapato e não lavar a mão por 10 min (SUDS 30). 
2. Tocar na maçaneta da clínica e passar a mão no rosto (SUDS 60). 
3. Sentar no chão e depois comer uma maçã sem lavar as mãos (SUDS 90). 
• Execução: Júlia tocou na maçaneta. A ansiedade subiu. Ela foi impedida de 
lavar (Prevenção de Resposta). Após 40 minutos, a ansiedade caiu naturalmente 
(Habituação). Ela aprendeu que a catástrofe não aconteceu. 
FASE 3: Reestruturação Cognitiva (Sessões 13-16) 
• Técnica da Torta (Responsabilidade): 
o Crença: "Sou 100% responsável pela saúde da avó." 
o Realidade: Vírus (40%), Imunidade da avó (30%), Médicos (20%), Júlia 
(10%). 
• Experimentos Comportamentais: "Pensar que a avó vai piorar" vs. "A 
realidade". (Júlia escreveu "quero que chova" num papel para testar se seu 
pensamento controlava o clima. Não choveu. Isso enfraqueceu a Fusão 
Pensamento-Ação). 
9. PROGNÓSTICO 
A paciente reduziu o tempo de banho para 20 minutos e as lavagens de mão 
normalizaram. As lesões nas mãos cicatrizaram. Mantém leve ansiedade em hospitais, 
mas funcional. 
 CADERNO DE QUESTÕES - CASO 3: TOC (JÚLIA) 
1. Júlia reconhece que seus rituais são exagerados e sem sentido lógico, mas sente-
se obrigada a fazê-los. Essa característica do TOC é chamada de: A) Sintoma 
Egosintônico (em harmonia com o Eu). B) Sintoma Egodistônico (em conflito com o 
Eu/indesejado). C) Delírio de Influência. D) Personalidade Anancástica. 
2. A intervenção principal utilizada no caso foi a "ERP". O que significa essa 
sigla? A) Estimulação Repetitiva do Pensamento. B) Exposição com Prevenção de 
Resposta. C) Estratégia de Reestruturação Psíquica. D) Entrevista de Recuperação 
Pessoal. 
3. No modelo cognitivo de Salkovskis para o TOC, o fator central que transforma 
um pensamento intrusivo normal em uma obsessão patológica é: A) A frequência 
do pensamento. B) O conteúdo violento do pensamento. C) A interpretação de 
Responsabilidade Inflada (acreditar que se tem o poder/dever crucial de prevenir o 
dano). D) A baixa inteligência do paciente. 
4. Júlia acredita que "pensar que a avó vai morrer" é tão perigoso quanto "fazer 
algo para a avó morrer". Esse fenômeno cognitivo chama-se: A) Fusão Pensamento-
Ação. B) Despersonalização. C) Alucinação Cognitiva. D) Pensamento Concreto. 
5. A mãe de Júlia frequentemente abria as portas para a filha não precisar tocar 
nas maçanetas. Tecnicamente, esse comportamento da família é chamado de: A) 
Suporte Emocional Adequado. B) Acomodação Familiar (que reforça e mantém os 
sintomas do paciente). C) Terapia Familiar Sistêmica. D) Negligência. 
6. Por que a "Parada do Pensamento" (gritar PARE quando vem a obsessão) NÃO 
é mais recomendada no tratamento moderno do TOC? A) Porque causa dor de 
cabeça. B) Porque tentar suprimir um pensamento (Efeito Urso Branco) geralmente faz 
com que ele volte com mais força (Efeito Rebote). C) Porque o paciente não gosta de 
gritar. D) Porque funciona rápido demais. 
7. O "Reforço Negativo" no ciclo do TOC ocorre quando: A) Júlia lava as mãos e 
sente prazer. B) Júlia é criticada pela mãe. C) Júlia lava as mãos e sente um alívio 
imediato da ansiedade, o que aumenta a chance de ela repetir o ritual no futuro. D) Júlia 
não lava as mãos. 
8. O diagnóstico diferencial entre TOC e Transtorno da Personalidade Obsessivo-
Compulsiva (TPOC) baseia-se no fato de que: A) No TPOC, não há rituais claros de 
lavagem/verificação; há um padrão difuso de perfeccionismo, rigidez e controle que o 
indivíduo considera "correto" (egosintônico). B) O TPOC é mais grave que o TOC. C) 
O TPOC só acontece em crianças. D) No TOC, o paciente não tem ansiedade. 
9. Durante a Exposição (ERP), o objetivo da "Habituação" é: A) Fazer o paciente 
gostar da sujeira. B) Permitir que o sistema nervoso do paciente perceba, com o passar 
do tempo, que a ansiedade diminui sozinha sem a necessidade do ritual. C) Cansar o 
paciente até ele dormir. D) Mostrar que bactérias não existem. 
10. Júlia apresenta lesões físicas (dermatite) devido à compulsão. Isso demonstra 
que: A) O TOC é uma doença dermatológica. B) O TOC pode causar prejuízos físicos 
secundários graves além do sofrimento mental. C) Ela tem alergia a sabonete. D) Elaestá fingindo os sintomas. 
 
 GABARITO OFICIAL - CASO 3 (TOC) 
1. B | 2. B | 3. C | 4. A | 5. B 
2. B | 7. C | 8. A | 9. B | 10. B

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