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1 Bibliografia: aula da prof. Aureliana B. Nóbrega Apresentação pélvica • Definição: feto disposto longitudinalmente com as nádegas situadas no estreito superior. • Incidência: 3 a 4% → termo. Nas gestações prematuras, a incidência chega a 25%. • Ponto de referência: sacro. • Linha de orientação: sulco interglúteo. Classificação 1. Pelvipodálica ou pélvica completa 2. Pélvica simples ou incompleta modo de nádegas: quando a pelve e os membros inferiores estão em extensão. 3. Pélvica incompleta, variedade de pés ou de joelhos A versão espontânea pode ocorrer em qualquer momento antes do parto, mesmo depois de 40 semanas. Quanto mais avançada a idade gestacional, menor a chance de isso ocorrer, mas é possível sim. • Fatores etiológicos: prematuridade, oligo ou polihidrâmnio, cordão umbilical curto, gestação múltipla, primiparidade e condições fetais (malformações, hidrocefalia, anencefalia), condições uterinas (tumores uterinos, como miomas, que podem deformar a cavidade uterina, malformações congênitas uterinas). Na maioria das gravidezes, no entanto, a apresentação pélvica parece ser uma ocorrência casual. Diagnóstico • Desconforto subcostal • Percepção de chutes no abdome inferior – pelve • Manobras de Leopold: identifica o colo pélvico – as nádegas, quando seria esperado encontrar o polo cefálico. • Ecografia pode confirmar • Toque vaginal intraparto (diagnóstico diferencial com apresentação de face edemaciada) Ultrassonografia • Confirmar diagnóstico • Tipo de apresentação • Estimar peso fetal • Excluir anomalias fetais, placentárias e do líquido amniótico. Possibilidades de manejo • Versão cefálica externa (VCE): imagem a seguir; com uma das mãos leva o polo pélvico, que se encontra na escavação pélvica, e a outra mão segurando o polo cefálico, fazendo ele girar, de forma que o polo cefálico ocupe a escavação pélvica. A manobra deve ser feita por um profissional treinado, em um ambiente em que a paciente possa ser submetida a um parto cirúrgico de urgência, em caso de complicações, e que o bebe possa ser monitorizado em caso de sofrimento fetal. • Cesariana planejada 2 • Parto transpelvino planejado com cuidador capacitado, em mulheres que desejam ter um parto vaginal e atendam a critérios de seleção. • Contraindicações o Gestação múltipla o Placenta prévia: risco de sangramento e morte materna e fetal; se a placenta é prévia, já é contraindicação a parto vaginal. o Frequência cardíaca fetal (FCF) não tranquilizadora. o Insuficiência uteroplacentária: sofrimento fetal o Anomalias uterinas. • Complicações: FCF não tranquilizadora (em geral, se resolve espontaneamente) em 40% dos casos; necessidade de cesariana de emergência. o Raras: descolamento prematuro de placenta, hemorragia materna, hemorragia fetal, nó de cordão. o Improváveis: morte fetal, morte materna por embolia de líquido amniótico. Parto normal vs. cesariana • TERM BREECH TRIAL (2000): uma política de cesariana planejada para apresentação pélvica termo foi associada com uma diminuição grande na mortalidade e morbidade neonatais, com aumento modesto em curto prazo da morbidade materna, em comparação com uma política de parto vaginal planejado. Desfechos • Em todo o mundo, depois da publicação do TBT, houve aumento das taxas de cesarianas em casos de apresentação pélvica. • Muitos obstetras perderam ou não chegaram a desenvolver habilidade para assistir partos pélvicos. • Isso coloca em risco os casos de nascimento pélvico não planejado. • Vieses do TBT foram posteriormente apresentados. Vieses do TBT Violações do protocolo • Casos com hiperextensão da cabeça não excluídos (mais de 30% das mulheres não tinham exame de imagem para diagnosticar se havia hiperextensão) • Maior número de fetos pesando mais de 4.000g no braço do parto vaginal (5,8% vs. 3,1%) • Dos 16 óbitos perinatais, houve 2 pares de gêmeos, 1 anencéfalo e 2 natimortos antes do início do TP • Níveis diferentes de padrão de cuidado entre os centros participantes • Atendimento de % significativa dos partos vaginais por profissionais sem experiência com parto pélvico (18,5% por obstetras em treinamento) • Dos casos de morbidade/morte perinatal, 22/69 (31,9%) foram atendidos por obstetras em treinamento ou sem experiência • Maior parte dos casos de morte perinatal no parto vaginal não foi relacionada com a via de parto. Em 2015, uma revisão da Cochrane, que incluiu três grandes ensaios, obteve as seguintes conclusões: • Uma política de cesarianas planejadas reduzirá a incidência global de nascimentos cefálicos e não eliminará totalmente os problemas do parto pélvico vaginal. • No TBT, no grupo alocado para cesárea 100/1041 (9.6%) evoluíram para parto vaginal, principalmente porque o nascimento aconteceu antes da data agendada. • Desses, 22 (2.1%) tiveram partos difíceis; e seis (0.6%) tiveram trauma de parto (tocotraumatismo). • Com uma política de cesariana de rotina para apresentação pélvica a termo, a tempo, as habilidades clínicas de parto pélvico vaginal serão desgastadas, colocando as mulheres que têm parto vaginal em maior risco. Recomendações do ACOG (Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia) 3 Tentar VCE a termo como alternativa a uma cesariana programada para mulher com apresentação pélvica a termo que deseja um parto vaginal de feto em apresentação de vértice. • Realizar cesariana programada se VCE não bem sucedida. • Parto vaginal razoável o Desejo materno o Seguindo protocolos hospitalares específicos (elegibilidade e manejo do parto) o Termo de consentimento o Equipe experiente Mecanismo de parto • Desprendimento do polo pélvico • Desprendimento da cintura escapular • Desprendimento da cabeça derradeira 1. Desprendimento do polo pélvico Pode ser dividido em três momentos. I. Insinuação do diâmetro bitrocantérico no sentido oblíquo. II. Descida e rotação em 45° para se localizar no diâmetro anteroposterior. É nele que ocorre o desprendimento do polo pélvico. III. Desprendimento pélvico: inicialmente temos a saída do quadril anterior, a partir do movimento de retropulsão do cóccix pelo quadril posterior. Já externamente, ele vai sofrer uma rotação externa, com anteriorização do dorso. O dorso vai ficar voltado para cima. N++o momento do desprendimento pélvico, deve-se lembrar de duas manobras: manobra de Ritgen e Episiotomia. • Manobra de Ritgen: o profissional que está assistindo o parto faz a proteção do períneo com uma compressa. 2. Desprendimento da cintura escapular I. Insinuação: biacromial no oblíquo II. Descida até a bacia mole e rotação de 45° AP III. Desprendimento A e P; soltam-se os braços Se notar alguma dificuldade na saída da escápula ou dos braços, pode lançar mão da manobra de Bracht. O profissional vai apreender o polo pélvico com as duas mãos e levar de encontro com a sínfise púbica. Isso ajuda no desprendimento dos membros inferiores, da cintura escapular e dos membros superiores. 3. Desprendimento da cabeça derradeira Uma vez desprendendo escápulas, MMII e braços, vem o desprendimento da cabeça derradeira. I. Loca o suboccipicio na subpube II. Libera sucessivamente: circunferências SoM – SoF – SoB • Mauriceau: se a cabeça não vir como o esperado, lança mão dessa manobra. O obstetra coloca o corpo do bebê sobre a sua mão esquerda e os dedos indicador e médio dentro da boca, apoiado no assoalho da boca. A mão direita faz leve 4 pressão de encontro à mão que está dentro da boca, para que ocorra a flexão da cabeça e ela assim saia. Faz o movimento para cima, jogando o dorso de bebê de encontro à sínfise púbica materna. Protocolo tradicional • Assistência ao desprendimento do pólo pélvico semmanobras (muitos obstetras tracionam os membros na apresentação pélvica completa, o que deve ser evitado). • Desprendimento dos membros inferiores • Alça de cordão: puxar um pouco o cordão, para que ele fique solto e não ocorra tração nem compressão desse cordão. • Manobra de Bracht: auxilia na saída das escápulas e MMII. Manobras adicionais para desprendimento dos ombros e braços • Manobra de Lovset: rotação, tração e translação do eixo escapular por até 180 graus. O profissional vai fazer um movimento de rotação, uma leve tração e uma translação imaginando o eixo da cintura escapular. Esse movimento é por até 180 graus. • Manobra de Rojas: basicamente a mesma manobra, só que o movimento é por mais de 180 graus. • Manobra de Deventer-Muller: coloca o diâmetro biacromial em relação ao diâmetro anterior e realiza movimentos pendulares de elevação e tração fetal. • Manobra de Pajot: liberação dos braços fetais através da mão do obstetra na vagina, com o abaixamento do braço fetal. É interessante em apresentação de braços rendidos (para cima, em extensão). Encravamento da cabeça derradeira • Manobra de Mauriceau • Fórceps de Piper: somente em casos de apresentação pélvica, em que se precisa prestar assistência à cabeça derradeira. • Manobra de Zavanelli: empurra feto para dentro da vagina para cesárea; última opção. 5 Recomendo assistir essa aula: https://www.youtube.com/watch?v=2_V6LwlAaAc&ab_c hannel=J%C3%BAlioArag%C3%A3o https://www.youtube.com/watch?v=2_V6LwlAaAc&ab_channel=J%C3%BAlioArag%C3%A3o https://www.youtube.com/watch?v=2_V6LwlAaAc&ab_channel=J%C3%BAlioArag%C3%A3o