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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
AATTOOMMÍÍSSTTIICCAA
Volume 2
Teoria e
Exercícios
SÂO PAULO ■ BRASIL
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
FICHA CATALOGRÁFICA
[Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte,
Câmara Brasileira do Livro, SP]
Feltre, Ricardo, 1928-
F
374a
Atomística: teoria e exercícios |por| Ricardo Feltre
|e| Setsuo Yoshinaga. São Paulo, Ed. Moderna,
1974.
477p. ilust.
1. Átomos 2. Moléculas I. Yoshinaga, Setsuo,
1937- II. Título.
CDD-539
-541.22
7
74-0086
-541.24
Índices para o catálogo sistemático:
1. Estrutura atômica: Química teórica 541.24
2. Estrutura molecular: Química 541.22
3. Física moderna: Ciências puras 539
4. Química molecular 541.22
É proibida a reprodução
total ou parcial deste livro, sob as
penas da lei.
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PREFÁCIO
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ABREVIAÇÕES ADOTADAS, PELOS AUTORES, PARA OS
NOMES DAS ESCOLAS SUPERIORES
MEDICINA - USP (até 1964) - Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo.
CESCEM - Centro de Seleção de Candidatos a Escolas Médicas e
Biológicas da Fundação Carlos Chagas.
EPUSP ou POLI - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica.
FFCLUSP - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de
São Paulo.
EE MACKENZIE - Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.
FEI - Faculdade de Engenharia Industrial da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo.
EES CARLOS - Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade
de São Paulo.
EE MAUÁ - Escola de Engenharia Mauá.
MEDICINA - Santa Casa - Faculdade de Medicina da Santa Casa de
Misericórdia de São Paulo.
FEF ARMANDO ALVARES PENTEADO - Faculdade de Engenharia da
Fundação Armando Alvares Penteado.
ESQ OSWALDO CRUZ - Escola Superior de Química Oswaldo Cruz.
ENE - Escola Nacional de Engenharia (Guanabara).
MEDICINA - GB - Vestibulares Unificados `as Escolas de Medicina
(Guanabara e Rio de Janeiro).
ENGENHARIA - GB - Vestibulares Unificados às Escolas de
Engenharia (Guanabara e Rio de Janeiro).
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ÍÍNNDDIICCEE
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
CAPÍTULO 1 - introdução à atomística
ONDAS ELETROMAGNÉTICAS ................................................... 15
O que é onda eletromagnética ........................................ 15
Tipos de ondas eletromagnéticas ....................................... 21
Propagação das ondas eletromagnéticas ............................ 23
DESCARGAS ELÉTRICAS NOS GASES À ALTA PRESSÃO ........ 25
DESCARGAS ELÉTRICAS NOS GASES À BAIXA PRESSÃO ...... 26
Explicação do fenômeno .................................................... 27
A ionização inicial ............................................................ 28
Lâmpada fluorescente ........................................................ 28
DESCARGAS ELÉTRICAS NO ALTO VÁCU0 .............................. 31
RAIOS ANÒDICOS - AMPOLA DE GOLDSTEIN ......................... 33
ESPECTRÓGRAFO DE MASSA .................................................... 35
ISÓTOPOS - ISÓBAROS - ISÓTONOS ........................................ 37
RAIOS "X" ..................................................................................... 40
EXERCÍCIOS E TESTES .............................................................. 43
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CAPÍTULO 2 – radiatividade
DESCOBERTA DA RADIATIVIDADE ............................................. 47
NATUREZA DAS EMISSÕES ........................................................ 50
LEIS DA RADIATIVIDADE ........................................................... 53
CINÉTICA DAS EMISSÕES .......................................................... 59
Velocidade instantânea de desintegração ......................... 60
Constante radiativa ............................................................ 61
Vida média ......................................................................... 62
Período de semi-desintegração ou meia vida .................... 65
Relação entre vida média e período
de semi-desintegração ........................................................ 69
FAMÍLIAS RADIATIVAS OU SÉRIES RADIATIVAS ...................... 72
REAÇÕES DE- TRANSMUTAÇÃO ................................................. 77
FISSÃO NUCLEAR ....................................................................... 85
FUSÃO NUCLEAR ......................................................................... 99
ELEMENTOS ARTIFICIAIS ............................................................ 102
Carbono 14 ......................................................................... 102
Iôdo radiativo ..................................................................... 103
Cobalto 60 ......................................................................... 104
EXERCÍCIOS E TESTES ............................................................. 106
CAPÍTULO 3 - estrutura do átomo
O ÁTOMO DE DALTON ................................................................ 121
O MODELO DE RUTHERFORD - BOHR .................................... 123
Contradição `a teoria de Rutherford ................................ 126
A teoria de Bohr ................................................................ 126
Distribuição eletrônica ...................................................... 135
Os elementos de transição ............................................... 137
A EVOLUÇÃO DA TEORIA DE RUTHERFORD - BOHR ............ 138
PRINCÍPIO DA EXCLUSÃO DE PAULI ........................................ 143
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A MECÂNICA ONDULATÓRIA ....................................................... 144
NÍVEIS, SUBNÍVEIS E ORBITAIS ................................................. 147
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA E REGRA DE HUND .................... 156
MEMORIZAÇÃO ATRAVÉS DO ESTUDO COMPARATIVO ........... 161
HIBRIDAÇÃO ................................................................................. 166
EXERCÍCIOS E TESTES ............................................................. 176
CAPÍTULO 4 - ligações químicas
LIGAÇÃO ELETROVALENTE ........................................................ 192
Estrutura do cloreto de sódio .......................................... 198
Estrutura dos cristais iônicos .......................................... 200
Estrutura eletrônica dos íons ...........................................201
LIGAÇÃO COVALENTE . ................................................................ 202
Teoria de Heitler - London ............................................... 203
Orientação das ligações covalentes no espaço ................. 208
Covalência coordenada ........................................................ 210
Principais elementos e número de elétrons
na camada externa ............................................................ 213
Contagem dos elétrons na camada, externa .................... 214
Estrutura de hidretos moleculares ................................... 215
Estrutura dos Óxidos moleculares .................................... 217
Estrutura de ácidos oxigenados ........................................ 220
Estrutura dos sais .............................................................. 223
Ligação π (pi ....................................................................... 227
Hibridações parciais ........................................................... 233
Hibridações especiais ......................................................... 239
LIGAÇÃO POLAR E MOLÉCULA POLAR ..................................... 244
Eletronegatividade ............................................................... 244
Ligação polar ..................................................................... 245
Momento polar .................................................................... 247
Molécula polar ................................................................... 249
Constante dielétrica ........................................................... 251
Ponte de hidrogênio ............................................................ 253
Ligação de Van der Waals ............................................... 257
Fusão e dissolução de um sal ........................................ 263
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ESTRUTURAS DAS MOLÉCULAS ............................................... 268
Átomos que obedecem à regra do octeto ........................ 268
Átomos que não obedecem à regra do octeto ................. 275
Estruturas macromoleculares ............................................ 278
PARAMAGNETISMO ...................................................................... 281
RESSONÂNCIA ............................................................................... 284
LIGAÇÃO METÁLICA ..................................................................... 290
Teoria da "nuvem eletrônica" ou
"gás eletrônico" ................................................................... 291
Teoria das faixas eletrônicas ou
bandas eletrônicas .............................................................. 293
Retificador de corrente ...................................................... 302
Transistores ........................................................................ 303
Célula fotoelétrica ............................................................. 305
CRISTAIS METÁLICOS ................................................................ 306
Sistema cúbico de corpo centrado ................................... 306
Sistema cúbico de face centrada .................................... 308
Sistema hexagonal compacto ............................................. 309
EXERCÍCIOS E TESTES .............................................................. 311
CAPÍTULO 5 - classificação periódica dos elementos
HISTÓRICO .................................................................................... 333
A MODERNA CLASSIFICAÇÃO PERIÓDICA ................................. 337
AS ESTRUTURAS ELETRÔNICAS DOS ELEMENTOS ................. 341
PROPRIEDADES PERIÓDICAS E APERIÓDICAS ......................... 348
Densidade ........................................................................... 348
Volume atômico................................................................... 349
Pontos de fusão .................................................................. 351
Raios: atômico, covalente, iônico e de
Van der Waals .................................................................... 352
POTENCIAL DE IONIZAÇÃO ........................................................ 356
Definição de elétron-volt ..................................................... 356
Definição de potencial de ionização .................................. 357
Variação dos potenciais de ionização ................................ 358
ELETRONEGATIVIDADE ................................................................ 360
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PROPRIEDADES QUÍMICAS .......................................................... 368
Natureza das ligações ........................................................ 368
Hidretos ............................................................................... 370
Óxidos .................................................................................. 370
EXERCÍCIOS E TESTES ............................................................... 372
CAPÍTULO 6 - óxido-redução
CONCEITOS DE OXIDAÇÃO E REDUÇÃO .................................. 389
OXIDANTES E REDUTORES ........................................................ 392
NÚMERO DE OXIDAÇÃO.............................................................. 394
Número de oxidação de íons ............................................. 396
Número de oxidação de átomos nas moléculas ............... 397
AJUSTAMENTO DE COEFICIENTES PELO MÉTODO
DE ÓXIDO-REDUÇAO ................................................................... 409
Óxido-redução com 3 elementos ...................................... 416
Presença da água oxigenada ............................................. 419
Equações iônicas ................................................................ 421
MONTAGEM DE EQUAÇÕES DE ÓXIDO-REDUÇÃO ................. 423
EXERCÍCIOS E TESTES ............................................................... 427
CAPÍTULO 7 - conceitos modernos de ácidos e bases
CONCEITOS DE LOWRY - BRONSTED ....................................... 439
Definições............................................................................. 439
Ácidos e bases conjugadas ................................................ 441
TEORIA DE LEWIS ....................................................................... 445
FORÇAS DE ÁCIDOS E BASES .................................................. 447
Definições e comparações ................................................... 447
Fatores influentes .............................................................. 451
Efeitos de indução .............................................................. 452
Caráter básico das aminas ................................................ 454
EXERCÍCIOS E TESTES ............................................................... 456
RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS E TESTES ................................. 469
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orbitais atômicos
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AA OONNDDAASS
EELLEETTRROOMMAAGGNNÉÉTTIICCAASS________________________
O que é onda
eletromagnética?
____________________
Em primeiro lugar vamos recordar o conceito físico de onda.
Imagine a onda no mar.
Um barril flutua no mar onde a onda "não se quebra".
A onda caminha numa direção, mas o barril não
desliza sobre a superfície,o que prova que a água do mar não
se desloca no sentido da onda.
O movimento que a onda vai causar é apenas de
fazer "subir e descer" o barril. Então, pode-se afirmar que a
onda possui energia para suspender o barril. Este "sobe" ao
receber energia e depois devolve a mesma energia ao mar
quando "desce".
Nos desenhos ao lado está uma seqüência dos
movimentos do barril.
Então:
Onda é propagação de ENERGIA.
Imagine agora um lago e os abalos (ondas causadas pela sucessiva queda de
"pedras" no centro do lago). Suponhamos que caem pe-
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dras de modo periódico, vamos dizer de 10 em 10 segundos.
Formam-se círculos concêntricos equidistantes que se propagam na
superfície da água. Aquela parte "saliente" na superfície da água será chamada de
"avista" da onda. 0 que vemos não é senão um conjunto de "cristas" concêntricas
propagando-se na água a partir do ponto de queda da pedra.
A distância entre duas cristas consecutivas corresponde ao comprimento de
onda X (lâmbda) que,no exemplo acima, é a mesma,qualquer que seja o "par de
ondas".
Vejamos as ondas numa secção de perfil.
Chamemos de "T" (período) ao tempo gasto para caírem duas pedras
consecutivas, que é igual ao tempo para passarem duas ondas consecutivas num
mesmo ponto. Então X será a distância percorrida pela onda no tempo "T".
Sabendo-se que:
espaço percorrido = velocidade x tempo
λ = v . T
Dizemos ainda que os pontos "A" e "B" da superfície são pontos em
concordância de fase, ou seja ,pontos que executam movimentos análogos
simultaneamente.
Então:
_____________________________________________________________________
Comprimento de onda (λ) é a menor distância entre dois pontos atingidos
pelas ondas e que se acham em concordância de fase.
_____________________________________________________________________
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introdução à atomística -1
Imagine agora uma rolha que se encontre flutuando na superfície do lago.
Ocorrerão oscilações na cortiça à medida que as ondas, passam.
Vamos anotar o número de oscilações provocadas pelas ondas na unidade de
tempo. Marquemos um minuto como unidade de tempo.
Ora, se cai no lago uma pedra de 10 em 10 segundos,teremos 6 pedras
e,portanto, 6 oscilações para a rolha num minuto. Este número de oscilações é
chamado de freqüência das ondas.
_____________________________________________________________________
Freqüência (f) é o número de oscilações produzidas pelas ondas, na
unidade de tempo.
_____________________________________________________________________
No caso anterior temos: f = 6 ciclos/minuto
Podemos relacionar o período (T) com a freqüência (f).
Vimos que:
PERÍODO (T): é o tempo gasto para caírem duas pedras consecutivas, ou seja,
o tempo para repetir uma oscilação idêntica num mesmo ponto atingido pelas ondas.
FREQÜÊNCIA (f): ê o número de oscilações produzidas pelas ondas, na
unidade de tempo.
Ou seja, o período é o inverso da freqüência. Voltando à fórmula de
propagação de ondas temos:
substituindo
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Daí se conclui que, quanto maior o (X), menor será a (f) das oscilações,já que
a velocidade de propagação é constante em determinado meio.
Poderíamos fazer a seguinte comparação:
Uma rolha "dança" na água (subindo e descendo) ao "ritmo" das pedras que
caem. Quanto mais depressa as pedras caem, mais depressa, "com maior freqüência"
oscila a rolha. Mas, então, formam-se ondas sucessivas umas muito próximas das
outras e diremos que "diminuiu o comprimento de onda" (menor distância entre 2
cristas consecutivas) .
Vamos supor agora que a água do lago ou a água do mar se tornasse
"invisível". Iríamos, então, ver os objetos (barril, rolha, etc) flutuando no espaço e
não numa superfície visível.
Além disso, se nessa misteriosa "água invisível" houvesse propagação de
alguma onda, Iríamos ver os objetos oscilando. Poderíamos até "imaginar" os tipos de
onda que estariam se propagando nessa "misteriosa água".
Pois bem, existem formas de energia que se propagam em forma de ondas
invisíveis.
Seja um recipiente contendo água. Na superfície flutua uma rolha com um
prego. Do lado de fora fazemos oscilar um imã bastante forte.
A rolha também irá oscilar com a mesma freqüência do Imã. É que quando o
Imã oscila, ele produz ondas invisíveis no espaço capazes de atravessarem o vidro e
fazer oscilar o prego. Estas ondas são denominadas "ondas magnéticas" e as
representamos por um conjunto de setas chamadas vetores "campo magnético" (H).
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introdução à atomística-1
Outro tipo de "onda invisível" é aquela produzida por cargas elétricas.
Imagine um pêndulo de fio de seda que possui uma esfera carregada elétrica
mente (vamos supor com carga negativa).
Balançando-se diante da esfera um bastão carregado positivamente, a esfera
tentará acompanhar o movimento do bastão.
É porque o bastão, em oscilação, emite ondas invisíveis constituídas de
"ondas elétricas" representadas por vetores denominados de "campos elétricos"
(E).
Na prática constata-se que, quando surge uma "onda elétrica", ela ê
acompanhada de "onda magnética" e vice-versa. Dizemos, então, que se trata de "onda
eletromagnética". Experimentalmente, sabe-se que o "plano dos campos elétricos é
sempre perpendicular ao plano dos campos magnéticos".
A representação ilustrativa da onda eletromagnética seria:
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____________________________________________________________________________
A onda eletromagnética é uma forma de energia constituída de campos
elétricos e campos magnéticos, em planos perpendiculares entre si, capazes de
propagar-se no espaço.
____________________________________________________________________________
As ondas eletromagnéticas propagam-se em diversos meios e, no vácuo a
velocidade de propagação é de 300.000 km/seg, ou seja, 7,5 voltas em redor da Terra
num segundo.
Graças às ondas eletromagnéticas podemos captar emissoras de rádio,
televisão, radar, etc.
Apenas para termos uma idéia ilustrativa de onda eletromagnética, imagine
uma estação transmissora de rádio.
═════════════════
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução à atomística -1
___________________________________________
Tipos de ondas eletromagnéticas
___________________________________________
As ondas eletromagnéticas apresentam os comprimentos de onda numa vasta
gama de variação e, para cada faixa de variação, a onda eletromagnética recebe um
nome específico. Vejamos os principais nomes.
Os raios cósmicos são constatados em qualquer parte do Universo, sendo
constituídos de partículas subatômicas de altíssima velocidade e "ondas
eletromagnéticas de X curtíssimo".
Em seguidatemos os raios gama, observados nos fenômenos quando se "toca
ou modifica a estrutura nuclear dos átomos". È o caso de fenômenos radiativos e
explosões atômicas que veremos adiante, onde são produzidas emissões de "raios
gama".
Os raios-X são ondas eletromagnéticas que surgem nas "colisões de elétrons
contra anteparos duros".
As ondas eletromagnéticas, nas faixas ultra-violeta, luz visível e infra-
vermelho, correspondem às "energias libertadas" pelos "saltos de elétrons dentro
do átomo".
Os raios infra-vermelhos são conhecidos popularmente como "calor de
irradiação” .
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As ondas eletromagnéticas de comprimento maior surgem quando elétrons
num condutor sofrem "impulsos".
Ê o caso das ondas hertzianas libertadas duma torre de transmissão. Lá,os
elétrons sofrem "impulsos" e libertam ondas eletromagnéticas.
As ondas de F.M. (freqüência modulada) e de televisão possuem somente
alguns metros.
Exemplos:
o CANAL 9 da T.V. tem À = 1,5 metros
o F.M. da Eldorado tem A = 3 metros
As ondas de rádio estão numa faixa de A maior e temos 3 classes:
A) ondas curtas 10--------- 200 metros.
B) ondas médias 200 --------- 600 metros.
C) ondas longas 600 --------- 1000 metros.
Foi o cientista Hertz quem descobriu a existência de ondas eletromagnéticas.
Em sua homenagem, a unidade de freqüência ê denominada de "hertz".
__________________________________________________________________________
1 ciclo/segundo = 1 hertz
1000 ciclos/segundo = 1 khz (ki1ohertz)
1 milhão ciclos/segundo =1 Mhz (megahertz)
__________________________________________________________________________
Pode-se então caracterizar uma onda eletromagnética, exprimindo o seu
comprimento de onda "A" ou então, a sua freqüência (f).
Lembre-se da relação:
Quando nada se fala da velocidade de uma onda eletromagnética,
subentende-se que a velocidade é de 300.000 km/seg (no vácuo = no ar) .
EXERCÍCIOS
(1) Você está sintonizando uma emissora que opera numa frequência
de 1.000 Khz. Qual o comprimento de onda dessas emissões?
RESPOSTA: são ondas de 300 metros.
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introdução à atomística-1
(2) Uma emissora de T.V. utiliza-se de ondas de λ = 2 metros, Qual
a freqüência dessa emissora?
(3) Seja um rádio de uma faixa:
Você está sintonizando uma estação quando no dial temos a posição
acima indicada.
Seu rádio é um receptor de ondas:
a) médias
b) curtas
c) longas
d) F.M.
__________________________________________________________________________
propagação das ondas eletromagnéticas
__________________________________________________________________________
As ondas eletromagnéticas propagam-se em linha reta num meio homogêneo.
Ao penetrar noutro meio, pode ocorrer uma mudança de direção que se denomina
refração.
Pode mesmo ocorrer reflexão das ondas eletromagnéticas.
Se você mora num local vizinho a prédios altos, ou onde passam aviões, as
ondas de T.V. serão refletidas por esses obstáculos, provocando distúrbios no seu
receptor. (Fantasmas pelo prédio e ondulações da imagem pelo avião).
Uma torre de emissão, de T.V. ou de rádio, geralmente emite ondas em todas
as direções, ou seja, ondas tridimensionais, formando se frentes esféricas de ondas.
(Lembre-se que, na água, a onda causada pela queda da pedra tinha propagação
bidimensional e tínhamos frentes de onda circulares).
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Outro detalhe muito importante ê saber o aspecto energético das ondas
eletromagnéticas. Elas são emitidas de modo intermitente em forma de conjuntos
de ondas, que recebem o nome de "fótons".
Resumindo: As ondas eletromagnéticas são emitidas de modo descontinuo,
em forma de quantidades bem discretas, denominadas de "fotons?
A energia do fóton depende do seu comprimento de onda (A).
Quanto maior o "X", menor será a energia. Podemos dizer, então, que a
energia do fóton é diretamente proporcional à freqüência da onda eletromagnética,já
que:
Essa energia variável de cada fóton é denominada de "quantum" (no plural
"quanta"). Segundo o cientista Planck o quantum (q) cor responde a:
_____________
q = h . f
_____________
q = a energia do fóton
h = constante de Planck = 6,62 x 1O-27 erg x seg
f = freqüência da onda eletromagnética
Portanto, cada fóton possui uma quantidade definida de energia. Assim,
quanto mais fótons num feixe de luz, mais intensa será a energia.
EXERCÍCIOS
(4) Qual a energia do fóton constituinte da luz violeta de 4000 Ǻ?
(5) Qual é a energia do fóton constituinte dos raios-X de λ=1Ǻ ?
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introdução à atomística -1
BB DDEESSCCAARRGGAASS EELLÉÉTTRRIICCAASS
NNOOSS GGAASSEESS ÀÀ AALLTTAA PPRREESSSSÃÃOO
São os gases: bons, regulares ou péssimos condutores de eletricidade?
A resposta seria: "depende da pressão do gás".
Estudemos, então, os 3 casos principais: à alta pressão, à baixa pressão e
no alto vácuo.
De modo geral, os gases à pressão elevada (acima de 1 atm) comportam-se
como isolantes, isto é, oferecem grande dificuldade a passagem de elétrons.
Veja,por exemplo,os fios de luz nos postes que, às vezes estão descobertos,
em contato com ar atmosférico (mistura gasosa) sem que ocorra descarga.
É necessário grande diferença de potencial (AV) entre os pólos e ainda uma
pequena distância entre esses fios para ocorrer uma descarga à alta pressão.
Exemplo: Vela de motor à explosão que utiliza alguns milhares de volts para
produzir a centelha.
Quanto maior a distancia entre os eletrodos,exigem-se maiores tensões.
.
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C DDEESSCCAARRGGAASS EELLÉÉTTRRIICCAASS
NNOOSS GGAASSEESS AA BBAAIIXXAA PPRREESSSSÃÃOO
Esses tipos de descargas são realizadas em tubos de Geissler
Um tubo de Geissler é constituído de uma ampola de vidro possuindo 2
eletrodos. No interior da ampola pode-se colocar um gás qualquer a uma pressão de
1 a 30 mm Hg.
Um dos eletrodos é ligado ao polo negativo e será chamado de
"CÁTODO". Outro que é ligado ao polo positivo é chamado de "ÂNODO".
A diferença de potencial, necessária para a descarga, depende do
comprimento do tubo e da pressão interna. Para um tubo de 40 cm e pressão
de 3 mm Hg, pode-se usar uma tensão de 60 volts, quando no seu interior temos
"vapor de mercúrio".
Durante a descarga aparecerá uma boa luminosidade em toda região entre o
"cátodo" e o "ânodo" A cor da luz emitida depende da natureza do gás, da pressão
interna e da tensão utilizada.
Descargas deste tipo são utilizadas em anúncios
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introdução à atomística-1
luminosos e também nas lâmpadas fluorescentes.
Uma particularidade dessas lâmpadas é que para iniciar a descarga exige-se
uma tensão elevada,a fim de provocar a ionização inicial das moléculas gasosas.
___________________________________
A) EXPLICAÇÃO DO FENÔMENO
Vimos no LIVRO I que as moléculas são formadas de átomos. Os átomos são
constituídos de núcleose elétrons. Quando o tubo de Geissler ê submetido a
determinada tensão, dá-se a descarga,porque o "CÁTODO". emite elétrons.
Na prática o cátodo ê um filamento incandescente, pois a elevada
temperatura facilita a emissão de elétrons.
Os elétrons acelerados colidem com as moléculas do gás provocando
ionizações. Os íons dirigem-se para o"CÁTODO" (-) enquanto que os elétrons vão
para o "ÂNODO" (+).
Dentro do tubo existem duas espécies de partículas em movimento:
- elétrons no sentido cátodo ânodo
- Íons no sentido ânodo cátodo
Na realidade, além" das colisões elétron x molécula, ainda ocorrem, em menor
número, colisões de molécula que também produzem mais ionizações.
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Os íons chegam até o cátodo, regenerando assim o elétron e voltando a ser
molécula neutra. Mas, uma nova colisão imediatamente provocará nova ionização.
Nessas colisões, uma parcela de energia ê emitida em forma de ondas
eletromagnéticas que podem ser visíveis ou invisíveis.
Utilizando-se gases diferentes, ou pressões variadas, podem-se obter os mais
deslumbrantes coloridos que enfeitam as avenidas na forma de anúncios luminosos.
_________________________________
B) A IONIZAÇÃO INICIAL
Um tubo de Geissler de um metro de comprimento, contendo vapor de
mercúrio como gás residual, trabalha numa tensão de 100 volts aproximadamente.
Mas, para haver descarga nessas condições é necessário que já exista
considerável número de íons no gás.
Como poderemos obter essa elevada ionização?
- Os raios cósmicos que "chovem" em qualquer parte e, portanto, no local de
experiência causam uma pequena ionização do gás, mas isso é insuficiente para se
dar a descarga.
- Um jato de elétrons,que ê lançado pela cátodo, é que realmente
inicia a descarga.
A emissão inicial de elétrons exige condições especiais: "cátodo incandescente
e elevada tensão instantânea" de alguns milhares de volts.
Na prática, como veremos adiante, o cátodo é um filamento incandescente
(como o das lâmpadas comuns) e a elevada tensão inicial é conseguida com um
dispositivo chamado "reator".
Uma vez iniciada a descarga, a tensão pode baixar sem prejudi car a
continuidade da descarga elétrica.
_______________________________________
C) LÂMPADA FLUORESCENTE
É um tubo de Geissler com algumas adaptações.
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introdução à atomística -1
A parte interna do vidro é revestida com uma tinta fluorescente. Essa tinta
emite luz visível quando excitada por raios ultra-violeta.
Como a lâmpada trabalha com corrente alternada, qualquer dos pólos é um
"ânodo-cátodo". Possui um filamento de tungstênio para facilitar a saída de elétrons
quando aquecido.
Esquema da lâmpada no início da descarga
No circuito existe um "REATOR" e um "STARTER".
O reator destina-se a produzir uma alta-tensão inicial e a manter uma
tensão adequada para a descarga.
O starter é uma chave automática . Ele fecha o circuito no início a logo
em seguida se abre interrompendo o circuito, onde ele foi colocado.
Para uma lâmpada de 20 Watts temos o seguinte esquema:
Inicialmente a corrente atravessa: reator, filamento, starter e outro filamento.
Os filamentos tornam-se incandescentes , facilitando a emissão de elétrons. Então,
desliga-se automaticamente o"S" (starter). Essa abertura do circuito provoca "alta
tensão" entre os filamentos,porque o reator está no circuito. (É preciso noções de
corrente alternada para entender minuciosamente o aparecimento da alta tensão). A
alta tensão instantânea provoca a ionização inicial que iniciará a descarga elétrica no
tubo. Dai por diante, o circuito que possui o starter ficará aberto e sem efeito.
Pode-se mesmo substituir o "S" por uma chave elétrica, que ini
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
cialmente é fechada e, após alguns segundos, é aberta dando início a
descarga.
É por este motivo que, quando ligamos o interruptor de uma lâmpada
fluorescente, ainda leva alguns segundos para ocorrer a descarga.
Esse tempo necessário é para aquecer o filamento e esperar o "desliga" do
starter,que é realizado automaticamente após determinado tempo no circuito.
A alta tensão inicial é capaz de "succionar" alguns elétrons das moléculas
vizinhas ao ânodo.
Durante a descarga da lâmpada, o gás (vapor de mercúrio) emite mais
intensamente luz ultra-violeta acompanhada de pequena quantidade de luz violeta. A
luz ultra-violeta (invisível) excita a tinta fluorescente e esta emitira então, a luz visível.
Dai o nome de lâmpada fluorescente.
CONCLUSÃO:
____________________________________________________________________________
Admitindo-se que os átomos possuem elétrons pode-se justificar porque
ocorrem descargas em tubos de Geissler.
____________________________________________________________________________
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução à atomística -1
D DDEESSCCAARRGGAASS EELLÉÉTTRRIICCAASS
NNOO AALLTTOO VVÁÁCCUUOO
As descargas desse tipo são estudadas na “ ampola de Crookes “ . Chama-
se"alto vácuo" uma atmosfera onde se tenta produzir o melhor vácuo possível. Hoje,
consegue-se alto-vácuo da ordem de l0-11 mm Hg.
Entre o cátodo e o ânodo, estabelece-se uma tensão de alguns milhares de
volts.
Observa-se, na região em frente ao cátodo, uma luminosidade esverdeada no
vidro.
Em 1869, Hitterf demonstrou que a luminosidade era devida aos raios
provenientes do cátodo, pois, se colocasse uma placa metálica entre o cátodo e o vidro,
a luminosidade esverdeada do vidro iria desaparecer.
Como somente o cátodo emitia esses raios, eles foram denominados "raios
catódicos".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Crookes demonstrou que os "raios catódicos" eram constituídos de partículas
de carga negativa, pois, sofrem deflexões diante de campos elétricos ou campos
magnéticos.
Esta evidência veio provar que o cátodo não emitia raios luminosos, mas sim,
"PARTÍCULAS DE CARGA NEGATIVA".
Alguns anos depois, o cientista Thomson conseguiu determinar a massa
dessas partículas de carga negativa,constatando ser bem menor que o mais leve dos
átomos ,ou seja, mais leve que o átomo de hidrogênio.
Ficou assim esclarecido que "EXISTEM PARTÍCULAS" mais leves que o
"ÁTOMO", ou seja, que "0 ÁTOMO É CONSTITUÍDO DE PARTÍCULAS".
As partículas constituintes dos raios catódicos foram chamadas
de"ELÉTRONS"
Inicia-se,assim, uma nova fase de pesquisa do interior do átomo e,
evidentemente, o abandono da teoria atômica de Dalton.
Hoje sabemos que os raios catódicos são formados de elétrons. Os elétrons
caminham pelo condutor até o cátodo. Como a tensão é muito elevada, os elétrons
saem do cátodo com grande energia cinética rumo ao ânodo. Durante a trajetória, os
elétrons quase não perdem energia porque, no meio rarefeito,quase não há colisões
entre as partículas. No entanto, os elétrons não conseguem curvar sua trajetória e
acabam colidindo contra as paredes de vidro. Al, parte da energia cinética ê
transformada em energia luminosa. A seguir os elétrons são "succionados" pelo
ânodo.
______________________________________________________________
RAIOS CATÓDICOSSÃO ELÉTRONS ACELERADOS
EMITIDOS PELO CÁT0DO.
______________________________________________________________
Uma das importantes aplicações dos raios catódicos está na televisão. O tubo
de imagem da televisão é uma ampola de Crookes que possui o canhão (cátodo)
capaz de, ordenadamente, atirar elétrons
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução à atomistica -1
contra a superfície interna do vídeo, onde se encontra um revestimento
de tinta fluorescente.
0 tubo de imagem da T.V. opera com uma tensão de aproximadamente
10.000 volts.
E RRAAIIOOSS AANNÓÓDDIICCOOSS
aammppoollaa ddee GGoollddsstteeiinn
Em 1886, Goldstein fez experiências de descargas em ampolas contendo gás
numa pressão de 0,1 mm Hg aproximadamente. Utilizando cátodo perfurado,
observou que no prolongamento dos orifícios do cátodo formavam-se "focos"
luminosos. Sugeriu então que nessas descargas houvesse formação de partículas
positivas vindas da direção do ânodo, que foram denominadas "raios anòdicos".
A evidencia de que os raios anódicos são constituídos de partículas de carga
positiva é que, passando-os em campos elétricos e em campos magnéticos, constatam-
se desviou no sentido oposto no dos raios catódicos.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A explicação do fenômeno é a seguinte:
Os elétrons dos raios catódicos saem com grande energia cinética e podem
colidir com moléculas do gás residual, transformando-os em íons positivos .
Estes íons são "atraídos pelo cátodo" e regeneram o elétron quando colidem
com o cátodo. No entanto, alguns íons atravessam o orifício e provocam colisões
na parte posterior do cátodo. Essas colisões serão de íons acelerados x
moléculas do gás residual, donde é emitida energia em forma de onda
eletromagnética luminosa. Então o ânodo "não emite raios anódicos.".
___________________________________________________________________________
RAIOS_ANÓDIC0S são íons_do próprio gás residual que são repelidos pelo
ânodo e atraídos pelo cátodo.
___________________________________________________________________________
Existem métodos para determinar a massa das partículas positivas dos raios
anódicos. Constatou-se que a massa das partículas positivas é incomparavelmente
maior que as partículas dos raios catódicos.
Utilizando-se o hidrogênio como gás residual, foram obtidos raios anódicos,
constituídos de partículas cujas massas eram o mais leve possível em relação a outros
raios anódicos. No entanto, essa mais leve partícula positiva,até então conhecida, era
cerca de 1840 vezes mais pesada que o elétron.
Para essa partícula, foi sugerido o nome de "PRÓTON", que ficou estabelecido
como unidade de carga positiva, (pois era a partícula de menor massa e menor
carga observada naquela época).
EM RESUMO:
A descarga numa ampola de Goldstein apresenta:
- elétrons acelerados num sentido,(raios catódicos) e
- íons positivos acelerados no sentido contrário,(raios anódicos).
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução à atomística -1
F EESSPPEECCTTRRÓÓGGRRAAFFOO
DDEE MMAASSSSAA
Uma das mais importantes aplicações dos raios anódicos é no espectrógrafo
de massa. Este aparelho permite determinar a massa do átomo.
Um dos primeiros espectrógrafos de massa utilizado foi o espectrógrafo
de "ASTON".
Na ampola onde se encontram o ânodo "A" e o cátodo "B" formam se os íons
positivos, ou seja , os raios anódicos do gás. Como O cátodo "B" tem uma fenda
vertical, muitos íons passam e alguns conseguem atravessar as fendas "C" "D". Entre
"C" e "D^' existe um fortíssimo campo elétrico que acelera bastante as partículas
positivas nesse trecho. Em "E" existe um fortíssimo campo magnético capaz de curvar
a trajetória dos raios positivos, fazendo-os colidir com "F", onde existe um filme
fotográfico.
Conhecendo-se os valores dos campos elétricos e magnéticos, pode-se
determinar a massa do íon.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Se na ampola foi colocado gás de um elemento químico e, se no filme "F", são
obtidas duas ou mais impressões, pode-se concluir que existem partículas do mesmo
elemento químico com diferentes massas.
Ora, essas partículas são íons, ou seja, átomos que perderam elétrons. Como
a massa do elétron é praticamente desprezível,conclui-se que,no elemento gasoso
utilizado na experiência, existem "ÁTOMOS COM MASSAS DIFERENTES". Os átomos de
diferentes massas,porém do mesmo elemento, serão chamados de "ISÔTOPOS", e sua
existência é constatada no espectrógrafo. (Maiores detalhes serão explanados no
próximo assunto.)
Então, se no filme "F" tivermos a impressão:
Conclui-se que,o elemento gasoso em estudo tem 3 isótopos
Uma representação esquemática seria:
O isótopo que incide em "A" ê mais leve que aquele que incide em
"B" e "C".
Quanto menor a massa do íon, maior será o desvio, ou seja, menor
será a curvatura da trajetória.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução à atomística -1
G IISSÓÓTTOOPPOOSS
IISSÓÓBBAARROOSS--IISSÓÓTTOONNOOSS
Veremos, nos capítulos II e III, os trabalhos de diversos cientistas que
possibilitaram melhor esclarecimento da estrutura atômica.
Vamos no entanto adiantar que o átomo ê constituído de duas partes:
a) Núcleo: onde se encontram principalmente duas espécies de partículas:
"PRÓTONS e NEUTRONS". Eles possuem massas praticamente iguais. 0 próton ê o
responsável "pela carga positiva".
b) Eletrosfera: onde se encontram "ELÉTRONS", partículas de carga negativa
que contrabalançam as cargas positivas do núcleo. Os elétrons têm massa
desprezível em relação aos protons e nêutrons.
As propriedades químicas de um átomo são determinadas pelo número de
elétrons na eletrosfera, que é igual ao número de prótons do núcleo, também
chamado "NÚMERO ATÔMICO".
Em outras palavras:
"Átomos de mesmo número atômico possuem as mesmas propriedades
químicas".
Os nêutrons são partículas "sem carga" e de massa aproximadamente igual
à do próton e se encontram nos núcleos dos átomos.
Os prótons e nêutrons determinam praticamente amassa do átomo, pois os
elétrons têm massa desprezível em relação àquelas anteriores.
CONVENÇÕES
Z-------número atômico (número de prótons do núcleo).
N-------número de nêutrons.
A-------número de massa (soma de prótons + nêutrons do núcleo).
Logo: A = Z + N
ISÓTOPOS: São átomos do mesmo elemento químico (mesmo número
atômico), porém,com diferentes números de massa (logo, de diferente número de
nêutrons).
ISÓBAROS: São átomos de diferentes elementos (diferentes números
atômicos), porém, com o mesmo número de massa.
ISÓTONOS: São átomos de diferentes elementos (diferentes números
atômicos),porém, com o mesmo número de nêutrons.
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Sejam os átomos "1" e "2" que apresentam respectivamente:
número de prótons -----------Z1 e Z2
número de nêutrons -----------N1 e N2
número de massa -----------A1 e A2
Representa-se o NÚMERO ATÔMICO e o NÚMERO DE MASSA de um
átomodo seguinte modo:
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Introdução à atomística -1
EXERCÍCIOS
(6) Examinemos os seguintes átomos:
(7) São dados três átomos, X, Y e Z. 0 átomo "X" tem número atômico 35 e
número de massa 80. 0 átomo "Z" tem 47 nêutrons sendo isótopo de "X". 0 átomo "Y" é
isóbaro de "Z" e isótono de "X". Quantos prótons tem "Y"?
Foram dados:
a = 37
(8) Os elementos A, B e C tem números de massa consecutivos.
"B" é isótopo de "A" e "A" é isótono de "C".
0 átomo "B" tem 21 nêutrons e o átomo "C" tem 22 prótons. Quais
são os números de massa dos átomos "A", "B" e "C"?
(9) Numa fileira horizontal da tabela periódica (período) os elementos A, B e
C são consecutivos. "A" e "B" são isóbaros é "C" e isótono de "B". 0 número de massa
de "C" é 197 e o elemento A tem 119 nêutrons. Calcule os números atômicos
desses elementos.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
HH RRAAIIOOSS ""XX""
Em 1895, o físico Wilhelm Konrad Roentgen anunciava a descoberta de raios
misteriosos capazes de atravessar diversos materiais que são opacos à luz.
Roentgen estava fazendo experiências com uma ampola de "Crookes" em
plena descarga. Observou que alguns materiais, como uma placa coberta por sulfeto
de zinco, tornava-se fluorescente quando colocada nas proximidades da região de
colisão dos raios catódicos.
A fluorescência do cartão permanecia, mesmo que entre o cartão e a
ampola fosse colocada uma placa de papelão.
A experiência surpreendeu -o e uma investigação mais meticulosa foi
iniciada a fim de esclarecer a causa da fluorescência.
Então, foi montado o seguinte dispositivo.
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introdução à atomística -1
Uma ampola de Crookes foi encerrada dentro de uma caixa de papelão. Do
lado externo, em frente ã região de colisão dos elétrons, foi colocado o material
fluorescente. Os raios misteriosos partiam daquela região de colisão, atravessavam o
papelão e vinham incidir no sulfeto de zinco, tornando-o fluorescente. Como Rôentgen
não conseguiu desvendar a natureza desses raios invisíveis, ele denominou os de
"raios-X".
Em 1912, através de difrações em cristais, foi provado que os "raios-X" são
ondas eletromagnéticas de " λ "muito curto.
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Raios-X são ondas eletromagnéticas que surgem na colisão de raios
catódicos contra anteparos duros.
__________________________________________________________________________
Logo em seguida, constatou-se que os "raios-X" eram capazes de
impressionar chapas fotográficas.
Esta descoberta possibilitou "fotografar" o interior de muitos objetos opacos `a
luz, mas transparentes aos raios-X. Uma das aplicações mais notáveis dessa
descoberta foi na obtenção de radiografias.
As primeiras aplicações na medicina foram no diagnóstico de fraturas
ósseas.
Os "raios-X" atravessam facilmente .materiais constituídos de elementos de
baixo peso atômico. Então, o tecido ósseo que apresenta cálcio, de peso atômico 40,
(maior que os do "C", "H" e "N" , principais constituintes da pele, músculo e carne) é
mais opaco aos "raios-X".
Os "raios-X" não conseguem atravessar o tecido ósseo e daí a mancha branca
da radiografia.
Também é por este motivo que o chumbo de peso atômico 207, retém quase
que totalmente os "raios-X". Os operadores de aparelhos de "raios-X" utilizam aventais
de chumbo para proteger-se de eventuais radiações que escapam, pois um excesso de
"raios-X pode causar lesões internas gravíssimas no ser humano.
http://chumbo.de/
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Quando uma televisão está ligada, do vídeo deste aparelho emanam
"raios-X". Porém são "raios-X" de comprimento de onda (λ) maior que aqueles
utilizados em radiografias. Esses "raios-X", de"A" relativamente longo (λ = 100
Ǻ), são praticamente inofensivos.
Os "raios-X" de muita energia e portanto, perigosos aos seres vivos, são os
"raios-X" denominados duros, de comprimento de onda curtíssimo (λ = 0,01 Ǻ). São
obtidos fazendo-se colidir raios catódicos bastante energéticos contra anteparos de
tungstênio. O anteparo é chamado "anti-cátodo".
Numa ampola de vidro,como indica o esquema, faz-se o melhor alto-vácuo
possível. Utiliza-se uma tensão da ordem de 100.000 volts e um cátodo incandescente,
os quais produzirão raios catódicos de elevadíssima energia.
Nos aparelhos de "raios-X"reais, o próprio ânodo já ê o anti-cátodo.
A ampola ê envolvida por uma camada de chumbo que protege o operador dos
"raios-X" que poderiam se dispersar. Existe uma janela no envólucro de chumbo
por onde saem os "raios-X':.
Uma das grandes contribuições científicas foi a aplicação de "raios-X" na
investigação de cristais, que possibilitou determinar distâncias entre núcleos de
átomos. Isto desencadeou o esclarecimento da estrutura da matéria.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
introdução a atomística -1
TESTES E EXERCÍCIOS
(10)-"Raios-Y" , "raios-X", "ultra-violeta" e "ondas curtas de rádio" são ondas
eletromagnéticas que apresentam freqüências na ordem:
a) crescente
b) decrescente
c) crescente e depois decrescente
d) constante
e) nenhuma das respostas anteriores
(11)-No item anterior, naquela seqüência, suas velocidades no vácuo
apresentam-se na ordem:
a) crescente
b) decrescente
c) crescente e depois decrescente
d) constante
e) nenhuma das respostas anteriores
(12)-Referindo-se ainda à questão 10, aquelas ondas eletromagnéticas
apresentam"λ" (comprimentos de onda) na ordem:
a) crescente
b) decrescente
c) constante
d) crescente e depois decrescente
e) nenhuma das respostas anteriores
(13)-Uma estação de radar emite ondas com 30.000 Mhz. Qual o
comprimento de onda dessas emissões?
(14)-Qual a freqüência da luz de comprimento de onda: λ=5000Ǻ?
(15)-Quantos ergs de energia possui um foton de uma emissão de
λ = 1 micron?
(16) - Seja (q1) a energia do foton de determinado "raios-X" e (q2) a
energia do foton de "infra-vermelho". Pode-se afirmar que:
a) q1 > q2
b) q1 = q2
c) q1 < q2
d) não se pode comparar
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
AATTOOMMÍÍSSTTIICCAA
capítulo 2
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
A DDEESSCCOOBBEERRTTAA
DDAA RRAADDIIAATTIIVVIIDDAADDEE
A descoberta dos "raios X" causou um verdadeiro sensacionalismo no meio
cientifico. Alguns meses após a sua descoberta, os "raios-X" já eram empregados em
clinicas médicas.
Lembremos que esses raios surgem na região esverdeada da ampola de
Crookes,ou seja, de onde seda a fluorescência no vidro pela colisão dos raios
catódicos.
0 fenômeno da fluorescência despertou no cientista Becquerel a desconfiançade que haveria uma correlação entre os "raios-X" e a fluorescência das substâncias.
Em outras palavras, Becquerel achou que as substâncias, quando fluorescentes,
emitem "raios-X".
Ele se utilizou então de diversas substâncias fluorescentes ao ultra-violeta,
expondo-as a luz solar. (A luz solar contém uma dose de radiações ultra-violeta)
Estas amostras eram colocadas sobre chapas fotográficas envolvidas por
papel negro. Então, a chapa fotográfica estava protegida dos raios da luz solar. Se a
fluorescência na amostra emitisse "raios-X" , então, estes atravessariam o papel negro
e iriam impressionar o filme.
Após diversas tentativas, Becquerel observou que o sulfato duplo de potássio
e uranila K2U02(S04))2 era a única substância fluorescente que conseguira
impressionar o filme. Parecia que as previ
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
soes do cientista estavam confirmadas.
Na ocasião em que Becquerel realizava experiências, ele teve que interrompê-
las em face dos dias chuvosos e nublados que se seguiram.
Ele guardou numa gaveta o sal de urânio sobre uma chapa fotográfica. Como
não havia incidência de ultra-violeta no sal, este não poderia emitir "raios-X".
Alguns dias depois, ao revelar por acaso aquele filme da gaveta, com surpresa
notou impressões muito mais intensas que nas suas experiências. Estava provado que
não era a fluorescência a causa das emissões estranhas análogas aos "raios-X".
Logo,foi evidenciado que o K2U02(S04))2 tinha a propriedade de, espontaneamente,
produzir emissões que atravessavam o papel negro e vinham decompor o sal de prata
do filme fotográfico.
Assim, em 1896,Becquerel declarava que o sulfato duplo de potássio e uranila
emitia estranhos raios que, inicialmente, foram denominados de "raios de
Becquerel".
A nova descoberta causou profundo interesse ao casal de cientistas Marie
Sklodowska Curie - Pierre Curie,que trabalhavam no laboratório de Becquerel.
Eles acabaram descobrindo que a propriedade de emitir aqueles raios era
comum a todos os elementos que possuíam urânio, evidenciando assim que o
"elemento urânio era o responsável pelas misteriosas emissões".
Para o fenômeno foi sugerido o nome de radiatividade" ou "radioatividade" que
quer dizer: atividade de emitir raios (do latim - radius).
Constatou-se logo que a radiatividade tem muita semelhança com os "raios-
X" descobertos por Roentgen, sendo, por exemplo, capazes de ionizar gases ou ainda,
capazes de ser retidos por espessas camadas de chumbo.
48
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade - 2
Isto é comprovado utilizando-se um eletroscópio elementar de folhas de
ouro.
Quando se encosta um bastão carregado (digamos positivamente) , as
lâminas de ouro se repelem. Se existe no interior do vidro um material radiativo, este
ioniza o gás e, rápida mente, descarrega o eletroscópio. fazendo com que as folhas de
ouro se reaproximem.
Constata-se ainda que, quanto maior o teor de urânio na amostra, mais
rapidamente se descarrega o eletroscópio.
Este aparelho, embora muito simples, foi utilizado pelo casal Curie durante
suas experiências.
Para extrair o urânio., compravam minérios de diversas procedências.
Um deles, apechblenda da cidade de Joachimsthal (hoje na Tchecoslováquia),
apresentava-se muito mais radiativo que ou trás amostras.
Examinando o minério com cuidado, foi observado que uma das frações de
impureza extraída da pechblenda apresentava-se muito mais radiativa que o urânio
puro.
Este fato fez com que o casal Curie desconfiasse da existência de um outro
elemento radiativo até então desconhecido. De fato, em 1898 eles conseguem isolar
um novo elemento radiativo, cerca de 400 vezes mais radiativo que o urânio. Ao
novo elemento foi dado o nome de "Polônio" em homenagem à pátria de Mme.
Curie, natural de Varsóvia.
As pesquisas continuaram e logo depois, o casal Curie anunciava a
descoberta de outro elemento muito mais radiativo que o Polônio e que foi
denominado de "rádio".
O rádio produz intensas emissões; as quais atravessam até mesmo camadas
de chumbo que seriam barreiras para os _ "raios-X": tornam muito fluorescentes
materiais como "sulfeto de zinco" ou "platino cianureto de bário". Estas emissões
exercem ainda efeito enérgico na destruição de células vivas. O próprio Becquerel que
carregou um tubo contendo sais de rádio, no bolso do paletó, quando se dirigia a uma
conferência, recebeu uma forte queimadura na pele que depois se degenerou em
forma de úlcera, levando meses para curar-se.
Hoje, o rádio é também empregado para fulminar células cancerígenas, em
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
virtude das suas enérgicas emanações radiativas.
0 sal de rádio emite espontaneamente luz azul e calor.
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BB NNAATTUURREEZZAA DDAASS
EEMMIISSSSÕÕEESS
Logo após a descoberta da radiatividade,
os cientistas reconheceram que no fenômeno,havia
emissão de "partículas" e "radiações'.
Um engenhoso dispositivo foi
idealizado,como indica a figura.
Num cilindro de chumbo é perfurado um
poço. Ai dentro, coloca-se um material radiativo,
por exemplo, polônio ou rádio.
O material vai emitir radiatividade em
todas as direções, porém, o chumbo estanca a
propagação. Somente na direção do poço escapam
as emissões.
Colocando-se placas fortemente
eletrizadas, cria-se um campo elétrico capaz de
desviar a trajetória das radiações.
No entanto, aparecem 3 direções de
propagação, o que se pode constatar colocando
uma placa fotográfica ou um cartão flúorescente no
plano (XY) (perpendicular à figura).
50
http://que.no/
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiativídade - 2
CONCLUSÕES:
A emissão radiativa é constituida de
partículas de carga positiva, partículas de carga
negativa e radiações, hoje denominadas "ondas
eletromagnéticas” .
As partículas positivas, que foram
chamadas de "partículas alfa" (a), devem possuir massa elevada, já que, o desvio
produzido é bem menor em relação às outras partículas.
O famoso cientista Rutherford conseguiu
demonstrar que as partículas (a) eram núcleos de
átomo de hélio e,portanto constituídos de 2
prótons + 2 nêutrons.
Num tubo barométrico de vidro espesso
foi colocada uma cápsula contendo sal de
rádio.
0 rádio emite partículas "a", que
facilmente atravessam a cápsula, mas não
atravessam a espessa parede de vidro que
forma o tubo.
Após algum tempo, verificou-se que o nível de mercúrio abaixou (Ah),
informando a presença de gás no interior do tubo barométrico. A análise desse gás
revelou ser o gás hélio. 0 gás formou-se a partir das partículas (a) emitidas pelo rádio.
As partículas negativas foram denominadas de partículas beta (β) e possuem
o mesmo comportamento dos raios catódicos. Desta forma,não restava dúvida: tratava
-se de "elétrons em grande velocidade".
Estas partículas têm maior poder de penetração que as partículas (a) .
As partículas (β) sofrem "desvio maior e em sentido oposto" , em relação às
partículas (α), pois são "partículas leves e de carga negativa".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Enquando as partículas (α) só atravessam alguns milímetros de madeira, as
partículas (β) chegam a atravessar alguns milímetros de aço.
A energia dessas partículas depende também do átomo emissor. As partículas
emitidas pelos átomos de rádio são muito mais penetrantes que aquelas emitidas
pelo polônio.
Asemissões que "não eram desviadas" pela ação de campos elétricos ou
magnéticos foram denominadas de "raios gama" (y). Hoje sabemos que "os raios (y) são
ondas eletromagnéticas de (λ) curtíssimo, mais curtos que os "raios-X"e de grande
poder de penetração. Chegam a atravessar dezenas de centímetros de chumbo.
Resumindo temos o seguinte esquema:
A radiatividade é hoje detectada por um aparelho denominado
"contador Geiger" - posteriormente melhorado por Muller.
Trata-se de um
balão de vidro contendo um gás.
Quando as partículas e as
radiações penetram no balão de vidro,
ocorre uma ionização do gás.
Internamente, o balão cilín
drico de vidro e revestido por uma
folha metálica.
Existe um fio metálico que
atravessa longitudinalmente o tubo de
vidro.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
Quando as emissões radiativas ionizam o gás, os íons produzidos são atraídos
para o fio metálico. Aí, eles recebem os elétrons provenientes do gerador. Os elétrons
que saltam na ionização do gás, são também atraídos pela parede metálica, que os
conduz para o gerador.
EM RESUMO, uma pequena corrente elétrica aparece no circuito assim
esquematizado. Esta corrente elétrica produz "impulsos" que podem ser
transformados em ruidos num amplificador.
Desta forma, podem-se "contar" os ruídos e deduzir o número de ionizações
que ocorrem na amostra. Os contadores comuns são sensíveis às partículas (β) e raios
(γ), principalmente.
Existem diversos modelos desses aparelhos; fixos e portáteis de maior ou
menor sensibilidade.
Uma das grandes aplicações é na prospecção de minérios radiativos.
CC LLEEIISS DDAA
RRAADDIIAATTIIVVIIDDAADDEE
0 cientista inglês Frederick Soddy partiu da hipótese de que a radiatividade
era um fenômeno conseqüente a uma instabilidade nuclear. Assim, um átomo
radiativo, após a emissão de uma partícula (α) ou (β), iria transformar-se em
átomo de outro elemento.
Verificou-se que, quando um átomo radiativo emite uma partícula (α ), ele se
transforma num elemento, cujo átomo recua "2 lugares na tabela periódica" e cuja
"massa atômica diminui de 4 unidades".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Assim, Soddy enunciou uma lei conhecida como "1a. lei da
radiatividade" ou "Lei de Soddy", hoje assim interpretada:
___________________________________________________________________________
"Quando um átomo radiativo emite uma partícula (α), seu número atômico
diminui de 2 unidades e seu número de massa diminui de 4 unidades".
___________________________________________________________________________
Com a colaboração de mais dois cientistas, foi descoberto que, quando um
átomo radiativo emite uma partícula (β) , o lugar desse átomo na classificação
periódica "avança de uma unidade" e a sua "massa atômica permanece constante".
Esta foi a observação de onde resultou a "2a. lei da radiatividade", conhecida
como "lei de Soddy, Fajans e Russell", assim interpretada:
___________________________________________________________________________
"Quando um átomo radiativo emite uma partícula (β), seu número atômico
aumenta de uma unidade e seu número de massa permanece constante".
___________________________________________________________________________
Evidentemente, os enunciados dessas leis não tinham esses textos,pois,
naquela época, nem se admitia o átomo nuclear. Ainda se pensava no átomo "bolinha"
como aquela imaginada por Dalton. Então, não se podia falar em número atômico
e número de nêutrons.
EXPLICAÇÃO ATUAL DA 1a. LEI
As leis da radiatividade tornaram-se evidentes após a descoberta da
estrutura nuclear do átomo.
Como a partícula (α) é
constituída de 2 prótons e 2 nêutrons,
teremos uma diminuição de 2 prótons e 2
nêutrons no núcleo e,
consequentemente,seu número de massa
irá diminuir de 4 unidades.
A saída de uma partícula
do núcleo provoca simultaneamente a
emissão de raios gama pelo núcleo.
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radiatividade - 2
EXPLICAÇÃO ATUAL DA 2a. LEI
Admite-se hoje a existência de neutrons instáveis no núcleo dos átomos
radiativos. Estes nêutrons desintegram-se, ocorrendo o seguinte:
0 nêutron transforma-se em próton + elétron + neutrino, sendo que "apenas o
próton permanece no núcleo". O neutrino, por ser uma partícula muito leve e sem
carga, não é detectada nos contadores Geiger comuns. Neste curso iremos preocupar-
nos apenas com prótons e neutrons nas emissões (β).
Apenas para ter uma idéia ilustrativa, pode-se
admitir que um neutron instável e aquele constituido
de um próton, um elétron e um neutrino.
Ora, sempre que do núcleo sai um
elétron, resulta que "um neutron" transforma-se
"num próton". Então, o número atômico aumenta de
uma unidade e o número de massa permanece
constante, pois diminui um nêutron, mas em seu
lugar aparece um próton, sem alterar então a
contagem de "prótons + neutrons"
Constata-se experimentalmente que,
apenas os átomos de número atômico superior a 82,
manifestam a radiatividade natural. São aqueles elementos do fim, na Tabela
Periódica, incluindo também os artificiais. Os átomos de números atômicos menores
podem tornar-se radiativos, mas somente após terem seus núcleos bombardeados por
de terminadas partículas sub-atômicas.
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___________________________________________________________________________
Radiatividade é a propriedade de os átomos emitirem partículas e radiações,
como conseqüência de uma instabilidade nuclear.
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EQUAÇÕES DE DESINTEGRAÇÃO
Sabendo-se que a partícula (α) é constituída de 2 prótons e 2 nêutrons, pode-
se escrever +2a4 nas equações de desintegração. Seja o tório emitindo uma
partícula (α) e transformando-se em rádio:
Desta forma, os números de massa e os números de prótons ficam
balanceados.
Do mesmo modo, quando um átomo emite uma partícula (β), pode--se
escrever: -1
β0
. Isto quer dizer que o número de massa do átomo não se alterou e, se
subtrairmos uma unidade do número atômico do átomo resultante, obteremos o
número atômico inicial. Seja o tório transformando-se em protactínio:
A equação geral para a emissão de "x" partículas (α) e"γ" partículas
(β) é a seguinte:
(quando após essas emissões, um átomo UXV transforma-se em pYq)
EXERCÍCIOS
(17) 0 átomo 92U235 emitiu 5 partículas (α) e 7 partículas (β)
consecutivamente. Quantos nêutrons possui o átomo final?
Resposta: 126 nêutrons
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radiatividade - 2
(18) Quando o átomo de urânio de "Z" = 92 e "A" = 238 emite 5 partículas (α)
e 2 partículas (β)» qual o número de neutrons do átomo final?
(19) Quantos (α) e quantos (β) deve emitir o 91Pa231 para se
transformar em 82Pb207?
EQUAÇÃO GERAL DAS DESINTEGRAÇÕES - FORMULAS
Vamos admitir que o átomo UXV emitiu "x" partículas (α) e "γ" partículas
(β), transformando-se no átomo pYq.
A equação geral seria:
Vamos adotar as seguintes convenções:
A) CALCULO DE ΔA
Os números de massa nos fornecem a seguinte equação:
Logo_:
"A diferença dos númerosde massa" entre os átomos inicial e final é
igual a "quatro vezes o número de emissões (a)".
B) CÁLCULO DE AZ
A equação dos números atômicos é:
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Logo_:
A diminuigão do número atômico para o átomo radiativo é igual a 2 vezes o
número de emissões (a), menos o número de emissões (8).
C) CÁLCULO DE AN
A diferença entre o número de nêutrons de "X" e "Y" é dada pelo cálculo:
Então:
Logo:
A diminuição do número de nêutrons é igual ã soma das emissões (β) oom o
dobro das emissões (a).
EXERCÍCIOS
(20) Um átomo 89X emitiu partículas (α) e (β) transformando-se em 86Y com
perda de 13 nêutrons. Determinar o número de partículas (α) e (β) emitidas.
RESOLUÇÃO:
Resposta: (4α) e (5β) foram as emissões.
(21) Um átomo radiativo emitiu 5 partículas (α) e3 partículas (β). Quantos
nêutrons foram diminuídos no seu núcleo?
(22) 0 número de massa de um átomo radiativo diminuiu de 16 unidades e o
número de nêutrons diminuiu de 11 unidades,quando ocorreram emissões (α) e
(β) . Quantos (α) e quantos (β) foram emitidas?
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radiatividade – 2
D CCIINNÉÉTTIICCAA
DDAASS EEMMIISSSSÕÕEESS
Logo após a descoberta da radiatividade, a observação do fenômeno
demonstrou que se tratava de um fenômeno estatístico. Em outras palavras: nenhuma
previsão de "quanto tempo levara para desintegrar-se" pode ser feita para um
determinado átomo, mas se examinamos um número grande de átomos, pode-se
prever o número de desintegrações que ocorrerão em certo intervalo de tempo. Esta
previsão será tanto mais próxima da realidade quanto maior o número de átomos na
amostra.
Apenas para um exemplo comparativo: se você perguntar a um indivíduo
quanto tempo ele viverá exatamente você não terá nenhuma resposta. Mas,
analisando-se uma cidade como S. Paulo, pode-se prever, aproximadamente, o
número de óbitos num mês. Isto é um fenômeno estatístico.
Então, é absurdo querer prever quanto tempo levará para que, determinado
átomo de rádio por exemplo seja desintegrado. No en tanto, estudando-se uma
amostra de 1 grama de rádio, pode-se prever o número de emissões por minuto
nessa amostra.
A) VELOCIDADE DE DESINTEGRAÇÃO
Seja uma amostra radiativa possuindo n0 átomos iniciais.
Vamos supor que este elemento possa emitir partículas (a) ou (β) Cada
partícula emitida será contada como uma unidade de emissão.
Ao fim de um tempo "t" teremos "n" átomos que ainda não emitiram
nenhuma partícula.
Então, o número de átomos que já emitiram é: n0 - n.
Chamemos de: Δn = n - n0 (diferença entre o número de átomos
final e inicial.
Vi-se que "Δn é sempre negativo".
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Sendo "Δt" o tempo decorrido para que apareça a diferença "Δn" pode-
se definir.
A grandeza "v" é denominada velocidade de desintegração.
Nota-se que sendo. " Δn " sempre negativo, "v" será também negativo. Isto
quer dizer que,na amostra, o número de átomos está diminuindo".
EXEMPLO:
(23) Numa amostra de urânio observam-se 180 emissões_por minuto. Qual é
a velocidade de desintegração expressa em emissões/segundo?
Então:
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
É claro que um átomo após a emissão de (α) ou (β) não desaparece. Êle
continua na amostra podendo ou não efetuar mais emissões. No entanto,_para
simplificar o estudo, vamos admitir que uma vez que o_ átomo já emitiu, ele não
pertence mais ao conjunto.
E por isso que dizemos: à medida que os átomos vão emitindo, o número de
átomos restantes vai diminuindo no conjunto em estudo.
A) VELOCIDADE INSTANTÂNEA DE DESINTEGRAÇÃO (vi)
Chama-se, por definição, "Vj_" , o limite da expressão de velocidade
de desintegração, para " Δt " tendendo a zero.
(Lê-se derivada de n em relação a t)
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radiatividade – 2
B) CONSTANTE RADIATIVA (-C)
Verificado que a radiatividade é um fenômeno estatístico, então, pode-se dizer
que, quanto maior o número de átomos na amostra, maior será a velocidade de
desintegração.
Exemplo comparativo: Examinando o número de óbitos/ano numa cidade,
esse número será tanto maior quanto maior a população dessa cidade.
Para cada elemento, pode-se determinar uma constante, que relaciona o
número de desintegração com a velocidade de desintegração.
Para o mesmo elemento teremos:
(0 sinal - é porque a velocidade tem sinal negativo, ou seja, vai
diminuindo a quantidade de átomos na amostra.)
Para o mesmo elemento teremos:
(0 sinal - é porque a velocidade tem sinal negativo, ou seja, vai
diminuindo a quantidade de átomos na amostra)
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temos como conseqüência:
Logo:
"C" é a fração de átomos desintegrados na unidade de tempo.
EXEMPLO:
O radio tem a constante
Isto quer dizer que numa amostra de rádio contendo 2300 átomos , após 1
ano, ter-se-ia desintegrado apenas um átomo.
Evidentemente, para um elemento, quanto maior o valor da
constante mais radiativo será esse elemento.
Sejam dois elementos
Vê-se que "A" e" mais radiativo que "B", pois no mesmo tempo, "A" emite o
dobro de "B", para o mesmo número de átomos.
C) VIDA MÉDIA (Vm)
A vida média da população do nosso pais é 34 anos. Isto não quer dizer que
todo brasileiro tem que morrer com apenas 34 anos. Para esse cálculo, foi computado
o tempo de vida de todos os indivíduos e o valor médio caiu bastante, em face da
grande mortalidade infantil no nordeste.
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radiatividade – 2
De modo análogo, calcula-se a vida média de um elemento radiativo. Sejam 5
átomos de rádio que para emitir partículas (α) levaram:
Para esses cinco átomos a vida media é:
Na verdade, uma amostra radiativa,por menor que seja, tem um enorme
número de átomos.
Logo
'Esta ê a definição de vida média.
Na prática, a vida média é calculada a partir da constante radiativa,
baseando-se num dos axiomas da probabilidade.
Imagine 100 esferas numeradas de 1 a
100, dentro daquele cesto utilizado no jogo de
BINGO.
Vamos supor que, em cada hora,é
sorteado um número. Consideremos que a
esfera premiada voltará ao cesto, concorrendo
novamente para o novo sorteio.
Então, pode-se dizer que de cada 100
esferas, uma é sorteada, em cada hora. Ou
seja:
(C é a constante do sorteio para as esferas).
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A probabilidade média de determinado número ser sorteado é de 1/100, ou
seja, em média, de cada 100 jogadas (100 horas), aquele número escolhido sairá uma
só vez. Levará em média 100 HORAS para um escolhido número sair.
Estatisticamente temos:
Em outras palavras, cada esfera terá que esperar em média 100 horas para
sair (pode sair antes ou mesmo depois de 100 horas).
A relação acima é um "axioma da probabilidade".
Se o leitor não conseguiu acertar arelação acima, vamos pensar de outra
forma. Você aceita que valor médio num fenômeno estatístico ê um valor hipotético,
admitindo-se condições de igualdade para qualquer elemento da amostra.
Então, vamos supor que todas as esferas vão permanecer exata mente o
mesmo tempo dentro do cesto até serem sorteadas. Isto seria possível com certeza, se
a retirada não fosse ao acaso. Vamos, então, tirar as esferas na ordem 1, 2, 3, ..., até
100. "Lembre-se de que cada esfera retirada voltará logo ao cesto e que, em cada 1_
hora, retira-se apenas 1 esfera".
Escolhido certo número, este somente sairá de 100 em 100 horas, e todas as
esferas teriam esperado 100 horas dentro do cesto para então sairem novamente. Este
é o valor, médio, pois todas as esferas teriam o mesmo ritmo de retirada.
Diríamos então, que a vida média de permanência das esferas, para serem
sorteadas, é de 100 horas, mesmo para o processo de retirada ocasional.
Se tivéssemos 200 esferas numeradas de 1 a 200, a constante de retirada
seria:
e a vida média seria de 200 horas.
Voltemos agora ao exame de uma amostra radiativa. O elemento rádio tem
constante:
Isto quer dizer que,de cada 2300 átomos de rádio, em 1 ano ,a probabilidade
é de ocorrer uma desintegração.
então, teremos vm = 2300 anos
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radiatividade-2
Em outras palavras, numa amostra de rádio em exame, já existem átomos em
desintegração e daqui a 5.000 anos ainda existirão átomos não desintegrados nessa
amostra, mas a média de duração será de 2300 anos. Ou ainda, muitos átomos irão se
desintegrar muito antes de 2300 anos, muitos irão durar mais que 2300 anos, mas a
media prevista é 2300 anos.
C) PERÍODO DE SEMI-DESINTEGRAÇÃO OU MEIA-VIDA (P)
Definição:
Seja uma amostra com n0 átomos radiativos iniciais.
Após certo tempo, teremos n0/2 átomos não desintegrados.
Definiremos esse tempo de "P", período de semi-desintegração.
Note-se que esse tempo, para que sejam desintegrados 50% dos átomos da
amostra, independe do número global de átomos iniciais, desde que sejam amostras
do mesmo elemento, pois v = C.n (quanto mais átomos, maior será a velocidade
de desintegração).
Se continuarmos observando a amostra inicial, é de se prever que, ap5s mais
um período,, teremos uma desintegração de mais 50% dos átomos restantes. Isto quer
dizer que, em relação ao n0, teremos como átomos restantes apenas n0/4; após um
período, teremos apenas n0/8 átomos e assim sucessivamente.
Na prática, um átomo que produziu uma emissão continuará junto aos outros
átomos. Por questão de simplificação didática vamos, teoricamente, considerar
excluídos da amostra os átomos que já produziram emissões.
Daí na figura, aparecerem as amostras com uma diminuição de átomos com o
decorrer dos períodos, pois estamos englobando apenas os átomos que ainda não
produziram emissões.
Para cada período "P"que passa, teremos uma diminuição de 50% da
amostra, que continuamente vai diminuindo, até chegar a uma quantidade tão
pequena, onde não valem mais as previsões probabilísticas.
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Passados "x" períodos, teremos genericamente "n" átomos
restantes na amostra. Note-se que, se consideramos os números de átomos
na amostra em intervalos de um período, esses números constituem uma progressão
geométrica (P.G.) de razão 1/2.
Uma progressão pode ser representada por:
A1, a2, a3, ... ak, quando temos k termos.
Como no instante inicial temos "n0" átomos, sendo n0 já, o a1 (1º.
termo da P.G.) e ainda com zero período, verifica-se que:
Ordem do termo da "P.G." = (número de períodos transcorridos + 1)
ou então:
0 primeiro termo da "P.G." é o "n0" e o último termo é o "n" que
corresponde ao "ak".
Ora:
(Obs.: "n" pode representar também a mass a final de uma amostra
radiativa).
Pode-se relacionar o número de períodos com o tempo observado:
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radiatividade - 2
"p" é o tempo correspondente a um período, expresso em anos, dias,
horas, etc.
"x" é o número de períodos transcorridos.
"t" i o tempo de observação na mesma unidade de "p".
As duas fórmulas utilizadas para a resolução de problemas são:
EXERCÍCIOS
(24) Quanto tempo levará para que, uma amostra radiativa de 28 gramas e de
período de semi-desintegração 17 horas, fique reduzida a 1,75 gramas?
Resolução:
(25) Certa amostra radiativa produz 8000 emissões por minuto. Após 60
horas, constata-se que o número de emissões acusadas num contador Geiger cai para
250 por minuto. Qual é o período de semi desintegração dessa amostra?
Temos:
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Então:
Resposta: 12 horas
(26) 0 período de semi-desintegração do isótopo radiativo Na24 é 15 horas. 0
tempo necessário para que 50 gramas desse elemento fique reduzido apenas a
3,125 g é:
a) 16 horas
b) 240 horas d) 120 horas
c) 60 horas e) 100 horas
(27) Quanto tempo levará para que seja desintegrado 87,5%de uma
amostra radiativa de período de semi-desintegração de 14 dias?
(28) Quando o 90Th227 transforma-se em 88Ra223 com a emissão de
partículas (α), o período de semi-desintegração é de 19 dias. Após 76 dias de
observação de uma amostra de 90Th227, qual é a porcentagem da porção não
desintegrada?
(29) 0 período de semi-desintegração é de 6 horas, quando o Ac228
emite partículas (β). Quanto tempo levará para que 10 g dessa amostra
fique reduzida apenas a 2 g? (dado: log 2 = 0,3)
(30) Quando o Ra226 emite partícula (α), o período de semi-desintegração é de
1590 anos. Quanto tempo levará para que a amostra de 100 g fique reduzida
apenas a 8 gramas? (dado: log 2 = 0,3)
══════════════════
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radiatividade - 2
E) RELAÇÃO ENTRE VIDA MÉDIA, Vm
E PERÍODO DE SEMI-DESINTEGRAÇÃO, P
Pode-se deduzir, com recursos da Matemática Superior,que:
A dedução da fórmula será dada apenas corno uma curiosidade para os
leitores que já tenham estudado cálculo diferencial e integral (Curso Superior).
Para os alunos secundários: SÓ ACREDITEM NA FORMULA E ESQUEÇAM A_
DEDUÇÃO.
Sabemos que a velocidade de desintegração instantânea é:
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Então, a formula geral será:
Onde:
n0 -> número de átomos ou massa inicial
n -> número de átomos ou massa após o tempo “ t”
C -> constante radiativa
t -> tempo decorrido
Trata-se de uma função exponencial decrescente.
Façamos um gráfico para relacionar o n com o tempo, representando
alguns pontos importantes como: 1IP, 2P, 3P, ..., etc.
Vamos analisar um instante, por exemplo "IP", quando temos apenas
nn/2 átomos.
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radiatividade – 2EXERCÍCIOS
(31) Qual é a constante radiativa do 84Po210, quando se transforma em
82Pb206, sabendo-se que o período de semi-desintegraçao é de 140 dias?
Resolução:
Isto vem informar-nos que,de cada 200 átomos em média,desintegra-se
1 átomo por dia.
(32) 0 urânio - 238 tem constante radiativa C = 1,53 x IO-10 anos, quando se
transforma em tório. 0 período de semi-desintegração do urânio é:
(33) Para o radônio - 222 transformar-se em polônio - 218, a
constante radiativa é de 1/130 hora-1.
Pergunta-se
a) o período de semi-desintegração do radônio - 222.
b) o tempo necessário para que 10 gramas de radônio fiquem
reduzidas apenas para 1,25 g.
(34) Certa amostra de radio tem velocidade de desintegração 10.000
átomo/ano. Sua constante radiativa é 1/9 ano-1. Pedem-se:
a) o número aproximado de átomos na amostra.
b) o tempo necessário para que a velocidade de desintegração se
reduza para 2500 átomo/ano.
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(35) Certa amostra radiativa tem vida média de "x" anos. Após anos
de observação:
a) metade dos átomos já se desintegrou
b) menos que metade já se desintegrou
c) todos os átomos já se desintegraram
d) mais da metade dos átomos já se desintegrou
e) nenhuma das proposições acima pode ser afirmada
════════════════
E FFAAMMÍÍLLIIAASS RRAADDIIAATTIIVVAASS
OOUU SSÉÉRRIIEESS RRAADDIIAATTIIVVAASS
Em primeiro lugar, vamos interpretar o significado da palavra "família" entre
os seres humanos.
Às pessoas são da mesma família quando, as existências desses indivíduos
estão interligadas.
Se na natureza realmente o ser humano partiu de "Adão e Eva", todos os
humanos pertencem a uma única família.
Segundo as pesquisas realizadas no estudo da origem dos átomos radiativos,
conclui-se que existem apenas 3 famílias ou séries radiativas naturais.
Isto quer dizer que todos os átomos radiativos naturais existentes surgiram
de apenas 3 espécies de átomos radiativos.
As três séries radiativas são encabeçadas pelos seguintes átomos:
a) série do Urânio-----------inicia com 92U238
b) série do Actínio---------inicia com 92U235
c) série do Tório -----------inicia com 90Th232
Aqui,nos átomos, não é necessário "um casal" de átomos para originar outro
átomo.
Quando o átomo de urânio 92U238 emite uma partícula α, ele se transforma
em 90Th234, este se emitir uma partícula β transforma-se em 91Pa234 e assim
sucessivamente até se transformar em chumbo estável.
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radiatividade – 2
Acontece que nem todos os átomos sofrem desintegrações simultâneas. O
U238 tem período de semi-desintegração 4,56 x IO9 anos. Recordando o que é
período de semi-desintegração,subentende-se que:
A qualquer instante temos átomos se desintegrando. No entanto, para se
extinguirem todos os átomos da amostra levaria um tempo infinitamente grande.
Isto explica a existência de "velhíssimos" átomos de urânio, ainda hoje
encontrados na natureza,sem ter produzido emissões.
Resumindo:
Na natureza apareceu inicialmente uma multidão de átomos radiativos,
porém, pertencentes a um dos três tipos de elementos radiativos: U238, U235 e Th232
(talvez houvesse outros já extintos).
Muitos deles ainda existem inalterados, de prontidão para produzir emissão a
qualquer momento; outros já emitiram e se encontram atualmente em forma de outro
átomo radiativo ou já na forma de chumbo estável.
Então, é de se prever que os átomos radiativos naturais vao se esgotando dia
a dia. Levar-se-á muito e muito tempo mas, chegará o dia em que todos os átomos
radiativos naturais se terão transformado em chumbo.
As três séries radiativas encabeçadas por U238, U235 e Th232 foram
respectivamente denominadas séries do urânio, actínio e tório.
92U238-------------------------------------------- Pb
92U235 ------------------------------------ ----- Pb
90Th232---------------------------------------- -- Pb
____________________________________________________________________________
Série ou família radiativa é o conjunto de átomos que estão
relacionados por sucessivas desintegrações.
____________________________________________________________________________
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Examinemos agora a “ série do urânio"
que se inicia com 92U2 3 8.
Vamos interpretar e fazer algumas
observações no esquema ao lado, que representa a
série do urânio natural U238.
1) O átomo 92U238 é radiativo porque é
capaz de emitir uma partícula (α), transformando-se
em tório. No entanto, o período de semi-
desintegração é de 4,56 x 1O9 anos, ou seja, para
desintegrar 50% de átomos de uma amostra
contendo somente U238 levará esse tempo.
2) O átomo de tório, assim originado, pode
emitir, a qual quer instante, uma partícula (β),
transformando-se em Pa234.
O tório tem período de semi-
desintegração de 24,6 dias.
3) E assim sucessivamente até que o
polônio - 210 emita uma partícula (α) e se
transforme em chumbo - 206, que é estável.
4) Os átomos que inicial mente eram U238
vão pouco a pouco se estabilizando na forma de
chumbo. Como a desintegração não é simultânea,
na natureza existem todos os elementos da série
que constituem a FAMÍLIA DO URÂNIO.
5) Note-se que a emissão é (α) ou (β),
e portanto, o número de massa, diminui de 4_
unidades ou mantém-se constante.
Então, o (ΔA) entre 2 átomos quaisquer
da série, será sempre um múltiplo de 4.
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radiatividade - 2
A série do Actínio e encabeçada pelo 92U235 e se estabiliza com 82Pb207. O
nome desta série é esse porque se pensava que o elemento inicial fosse o Actínio que
realmente é o 4º.elemento da série.
A série do tório inicia-se com 90ThZ32 e também estabiliza-se com chumbo-
208. Note-se ainda que o (ΔA) entre 2 elementos quaisquer da mesma série, é sempre
múltiplo de 4.
O casal Curie-Juliot obteve artificialmente outra série radiativa a partir do
90Th232, bombardeando-o com nêutrons. Porém, na natureza,encontram-se apenas
as séries citadas.
Hoje existem outras séries radiativas artificiais.
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Vimos então que todos os átomos radiativos naturais estabilizam-se na forma
de chumbo. No entanto, os isótopos finais de Pb são diferentes. Temos chumbo com
número de massa 206, 207 e 208 respectivamente, para as series do urânio, actínio e
tório. Então, o número de massa pode ser dado pelas seguintes expressões:
Série do urânio - A = 4k + 2
Série do actínio - A = 4k + 3
Série do tório - A = 4k sendo k um número inteiro.
Em outras palavras, dado um átomo radiativo natural é possível
reconhecer a sua série.
EXERCÍCIOS
(36) A que família pertence o 83Bi214?
Resolução:
Dividindo o número de massa do bismuto por 4, temos o resto da
divisão que caracterizará a série radiativa.
214 ÷ 4 resto 2
Então, o átomo é da família do urânio (4k + 2).
(37) Um átomo possuí 86 prótons e 134 nêutrons. Este átomo é da família
do:
a) urânio c)tório
b) actínio d) é artificial
(consulte as famílias radiativas)
(38) Quando o polônio de Z = 84 e A = 215 estabilizar-se, o átomo estável
será o:
a) 86Pb206 c) 82pb208
b) 82Pb207 d) nada se pode prever
(39) Consultando o esquema que representa a família do urânio, pode-se
prever que para o Urânio dessa família transformar-se em chumbo foram emitidas:
a) 9α e 10β c) 6 α e 8 β
b) 10 α e 5 β d) 8 α e 6 β
76
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radiatividade - 2
F RREEAAÇÇÕÕEESS DDEE
TTRRAANNSSMMUUTTAAÇÇÃÃOO
Uma reação é de transmutação, quando os átomos sofrem
transformação em seus núcleos, originando-se átomos de um novo elemento.
A transmutação pode ser natural ou artificial.
A transmutação natural e aquela
verificada nos átomos radiativos onde o
núcleo, por emissão espontânea de
partículas, passa a ser núcleo de um outro
elemento químico.
A transmutação artificial e aquela
provocada por bombardeamentos de núcleos,
utilizando-se partículas sub-atômicas.
Mas como se pode bombardear um
núcleo?
A descoberta da radiatividade
trouxe a possibilidade de atirar partículas
nos núcleos, provocando transformações.
Imagine um bloco de chumbo onde
se faz um poço, ou seja, um orifício. Coloque
mos aí dentro um pouco de polônio, que é
capaz de emitir partículas (α). As emissões que escapam são aqueIas que vão
na direção do orifício externos um dispositivo que podemos admitir como um
"fuzil de emissão (α)".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A primeira reação de transmutação
artificial foi realizada por Rutherford em 1919.
Ele colocou um pedaço de polônio dentro
de uma ampola selada contendo apenas nitrogênio.
Após algumas semanas constatou a presença de
oxigênio dentro da ampola.
A única explicação plausível era:
As partículas (α) emitidas pelo polônio
devem ter bombardeado núcleos de nitrogênio,
transformando-os então em oxigênio.
Hoje sabemos que isso se trata da seguinte "reação nuclear"
A equação de transmutação é:
Reparem que a equação de transmutação apresenta obediência algébrica aos
índices que representam número de massa e número de prótons.
14 + 4 = 17 + 1
7 + 2 = 8 + 1
Hoje pode-se constatar experimentalmente que, de fato, houve uma colisão de
partícula com núcleo, utilizando-se a câmara de Wilson ou também - conhecida
como câmara de neblina.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade-2
A câmara "C" é cilíndrica, coberta
por um disco de vidro "D" e contém um gás
saturado com vapor d'água.
Quando o pistão "P" desce (com a
abertura da válvula "V" conectada ao frasco
evacuado "F") a pressão em "C" cai bruscamente
e teremos gás super-saturado. Em "E" existe um
bloco de chumbo contendo emissor radiativo ca
paz de lançar partículas (α).
A trajetória das partículas (α) pode ser
fotografada do ponto "X", pois essas partículas
provocam a condensação do vapor d'água
super-saturado.
Observemos a fotografia da câmara de
Wilson,que utilizou gás nitrogênio + vapor
d'água.
Na verdade, a condensação da água é por
causa da ionização do nitrogênio (elétrons do
nitrogênio que são arrancados pelas partículas a),
que condensa moléculas de água sobre os íons
formados .
79
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Mas, em certos pontos, nota-se uma brusca bifurcação da trajetóri, como
a observada no ponto "K".
É que houve colisão de (α) com o núcleo de nitrogênio, ocorrendo a
transmutação já explicada.
A bifurcação não é senão as trajetórias do próton e do átomo de oxigênio.
Em 1932, o físico inglês Sir James Chadwick anunciava a descoberta de uma
partícula de massa aproximadamente igual ao do próton, porém de carga nula. Era
o NÊUTRON.
Desde 1930, já se havia observado que o bombardeamento do berílio com
partículas (α) produzia emissões de grande energia e admitia-se que eram "fótons
muito energéticos".
A experiência abaixo fez com que Chadwick sugerisse que não se tratava de
fótons,mas sim,de partículas com massa que foram denominadas de nêutrons, em
virtude da neutralidade de carga.
Uma placa de polônio foi justaposta a uma finíssima lâmina de Berílio. Na
outra face do Berílio, foi colocada uma camada de parafina (substância contendo
hidrogênio e carbono).
Verificou-se que a parafina emitia
prótons com elevada energia. Os prótons foram
expulsos da parafina (CXHV) pela colisão de "alguma
coisa" com átomos de hidrogênio.
Essa "alguma coisa" que vinha do berílio não
podia ser fótons, pois sua energia, necessária para ex
pulsar prótons da parafina, era incompatível com a
experiência.
Para expulsar prótons (íons H+) de um
composto que possui hidrogênio é preciso colisão,
utilizando-se partícula de elevada massa.
Assim, Chadwick sugeriu que ocorresse a seguinte transmutação.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade-2
Os nêutrons provenientes do
berílio colidem com os átomos leves de
hidrogênio, podendo arrancá-los da
parafina.
Também no mesmo ano, Anderson
conseguiu obter em laboratório o "elétron
positivo',' ou seja, única partícula de massa
igual à do elétron, porém com carga
positiva.
Sua notação é ( + 1 є0 ) e foi de
nominada de POSITRON.
Em 1934, o casal Frederick Joliot-Irene Curie Joliot (filha da Madame Curie)
conseguiu produzir o primeiro elemento radiativo artificial.
Bombardeando alumínio com partículas (α), obteve-se um elemento de
natureza radiativa.
Observou-se que o fósforo-30 ê capaz de emitir pósitrons
espontaneamente segundo a equação:
Não resta dúvida de que o fósforo-30 é radiativo.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A descoberta do nêutron veio edificar a estrutura nuclear. Antes, pensava-se
que qualquer núcleo possuísse partículas "a" (que era imaginado como única
partícula), prótons e elétrons.
Por exemplo, o átomo de lítio que hoje sabemos ter Z = 3 e A = 7 era
apresentado com a seguinte concepção.
Hoje sabemos que o núcleo de lítio possui 3 prótons + 4 nêutrons.
Portanto, antes da descoberta do nêutron, era necessário admitir a
existência de elétrons e partículas "α" no núcleo.
Se por um lado isso era muito cômodo para explicar as emissões " α " e "β" de
átomos radiativos naturais, por outro lado verdadeiras controvérsias surgiam em
relação à mecânica quântica.
A descoberta do nêutron veio eliminar essa incompatibilidade teórica. Daí
por diante, ficou estabelecido que o "NÚCLEO" é constituído por partículas
fundamentais: "PRÓTONS e NÊUTRONS".
Na década de 1930, os cientistas perceberam
que a energia das partículas "a" de fontes radiativas
era muito fraca para bombardear átomos,
principalmente aqueles de elevado número atômico.
Não restavam mais dúvidas: era necessário
construir aceleradores de partículas,utilizando-se
campos elétricos e campos magnéticos. Surgiram os
aceleradores gigantes como:
Acelerador linear de Van der Graaff.
ATOMÍSTICARicardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
O cíclotron idealizado por Lawrence em 1931.
"Não serão dadas as descrições nem o funcionamento destes aparelhos, pois
não se enquadram no nível deste curso".
Com o auxilio destes aceleradores têm-se obtido muitos elementos artificiais
(muitos deles radiativos), bombardeando-se núcleos com partículas. As principais
partículas utilizadas são
a) partículas "α" de fontes radiativas +2α4
b) prótons obtidos de hidrogênio ionizado +1P1
c) dêuterons obtidos do hidrogênio da água pesada + id2
Para representar essas reações de transmutação, utilizaremos equações já
apresentadas, onde e fundamental a igualdade algébrica para cargas e massa:
Exemplo:
RECAPITULEMOS AS PRINCIPAIS PARTÍCULAS E SUAS
RESPECTIVAS NOTAÇÕES:
1) alfa = 2 prótons + 2 nêutrons --> +2α4
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
2) beta = 1 elétron + - 1є0
3) gama = ondas eletromagnéticas curtas 0y0
4) neutrino = partícula neutra de massa quase desprezível 0v°
esta partícula surge somente na desintegração de um próton ou
nêutron.
5) próton = núcleo de hidrogênio +1p
6) neutron = partícula neutra de massa quase igual à do próton 0n1
7) dêuteron = núcleo de deutério (isótopo de hidrogênio) = 1 próton +
1 neutron +1d2
8) pósitron = partícula positiva de massa igual a do elétron +1e°
EQUAÇÕES DE TRANSMUTAÇÃO
Nos exercícios, para completar as equações de transmutação, basta
igualar algebricamente as cargas e as massas.
Exemplo:
(40) Descobrir a partícula que completa a seguinte equação de
transmutação:
17C137 + d ------------------ l8A38 +....................
Ora, sabemos que o dêuteron é +id2. Colocando seus índices:
17C137 + +id2- ------------- 18A38 + . . . 0.....1.....
Os índices indicam que a partícula deve ser o neutron (0n1).
EXERCÍCIOS
Em cada equação, indique já a partícula que completa a mesma:
(41) 5B11 + p_________________6C11 + ................
(42) 4Be9 + p ________________4Be8 + ................
(43) 13Al27 + a _________________14Si30 + ...............
(44) 37Rb85 + n_________________36Kr85 + ...............
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radiatividade – 2
(45) 11Na23 + d_________________11 Na24 + ............... + y
(46) 9F19 + n_________________ 7N16 + ...............
(47) Br79 + n_________________ Br80 + ...............
════════════════════════
G FFIISSSSÃÃOO NNUUCCLLEEAARR
Em 1932, o físico italiano Enrico Fermi
observou que, quando os átomos são bombardeados
por nêutrons (então descobertos por Chadwick),
resultam átomos de núcleos radiativos.
Em 1934, o mesmo cientista bombardeou o
urânio (Z=92) com nêutrons, obtendo átomos
radiativos. Ele imaginou que fossem átomos com
número atômico maior que 92, ou seja, um elemento
"transurânico" . Não conseguiu, no entanto, es clarecer
o fenômeno de um modo completo.
Otto Hahn e Strassmann repetiram o
bombardeamento do urânio com nêutrons em 19
38 e constataram a presença de átomos de bário
como produtos da experiência.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
No mesmo ano, Lise Meitner e Frisck conseguem, então, interpretar a
referida experiência.
O átomo de urânio-235, recebendo um "tiro" de nêutron, divide-se,
produzindo dois novos átomos radiativos acompanhados de alguns nêutrons.
A notícia da fissão nuclear foi anunciada por Niels Bohr e, em diversos
países, foram realizadas experiências análogas, confirmando-se as seguintes
conclusões:
a) 0 urânio-235, quando bombardeado por nêutrons, sofre fissão nuclear
originando dois átomos radiativos.
b) Cada átomo fissionado produz átomos-fragmento de número de massa
que podem variar de 72 a 158. Portanto, não se pode falar apenas numa reação de
fissão nuclear para o U-235.
c) Além dos 2 átomos-fragmento, libertam-se freqüentemente 2 3 nêutrons
em cada fissão. Em média temos 2,5 nêutrons/fissão.
d) Em cada fissão liberta-se espantosa quantidade de energia!
Apenas para exemplificar podemos equacionar:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
Para justificar a tremenda quantidade de energia libertada,era plausível
aceitar a equação de Einstein:
ΔE = c2 . Δm
A variação de energia (ΔE) resultou da transformação de matéria (Δm) em
energia.("c" é a velocidade da luz).
Portanto, os produtos da reação têm massa menor que os mesmos
componentes antes da fissão.
Em 1939, Fermi declarou que se poderia obter uma reação em cadeia, isto é,
que os nêutrons resultantes da desintegração do U235 poderiam incidir em outros
átomos de urânio vizinhos e provocar novas desintegrações e assim
sucessivamente.
Vemos então a necessidade de se obter urânio, constituído apenas de
isótopos U-235, para ocorrer reação em cadeia, já que o outro isótopo de urânio (U-
238) é não fissionável.
Sabe-se que o urânio encontrado na natureza é constituído de 2 isótopos:
U238 (com 99,3%) e U235 (com apenas 0,7%).
Apenas o isótopo mais leve é fissionável. 0 isótopo U238 é capaz de absorver
um nêutron rápido,transformando-se em U239 que, logo em seguida,se transforma em
“ Pu"(plutônio), após a emissão de partícula "β".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Como se vê, bombardeando-se o urânio natural com nêutrons não se
produzirá reação em cadeia, pois, provavelmente , nas vizinhanças do U-235
encontraremos átomos de U-238 (99,3%) que irão absorver os nêutrons resultantes
da fissão.
0 tempo gasto para ocorrer a fissão de 2 átomos consecutivos (isto é, um
átomo fissiona, emite nêutrons e a seguir um deles cinde o átomo vizinho) depende da
velocidade do nêutron inicial, mas varia em torno de 10-12 a IO-5 segundos. Portanto,
após a primeira fissão, imediatamente, teremos uma multidão de átomos se
desintegrando. Isto é reação em cadeia mas, possível apenas com material fissionável
puro (U-235).
Os Estados Unidos haviam entrado na 2a. Grande Guerra, após o
bombardeio de Pearl Harbor.
Albert Einstein e Alexandre Sachs conseguem convencer o presidente
Roosevelt de que os E.U.U. tinham condições de produzir uma bomba de assombrosa
potência,capaz de acabar rapidamente a guerra.
Era, no entanto, necessário um fabuloso investimento a fim de poder separar
material fissionável.
Nessa época ficou descoberto que o Plutônio-239 obtido do Urânio-238
também era material fissionável, de potência até maior que o U-235.
Uma espantosa usina foi montada em Oak Ridge (Tennessee) e foram
realizadas diferentes tentativas para se obter material fissionável.
Lograram êxito dois processos:
1) Separação do U-235 pelo processo da difusão térmica.
0 urânio natural foi transformado em hexafluoreto de urânio, que é um
composto gasoso. Na verdade, o gás será uma mistura de molécuIas de U235F6
e U238F6 , este último de massa molecular maior.
De acordo com a lei deGraham para a difusão temos:
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radiatividade – 2
Então o U235F6, de massa molecular menor, "atravessará" mais rapidamente
uma placa porosa que o U238F6.
Todavia, a execução prática dessa separação é muito trabalhosa, pois:
a) o UF6 é extremamente corrosivo. Somente placas porosas de uma liga
especial de ouro e prata (!) conseguem resistir à ação corrosiva do UF6.
b) Como a diferença entre as massas moleculares do U235F6 e U238F6 é
muito pequena, a diferença da velocidade entre essas moleculas é também muito
pequena e portanto a separação "por difusão" e muito lenta. Daí a necessidade de se
empregar uma série enorme de placas porosas; (nas instalações de Oak Ridge, se
todas as placas fossem colocadas em linha, daria um conjunto igual à metade da
distância dos Estados Unidos ao Japão - e, notem, placas de liga ouro-prata!).
Assim conseguiu-se obter U235F6 puro, que reagindo com cálcio produziu o
U235 puro.
2) Outro processo foi a obtenção do plutônio através de bombardeamento do
U238 com nêutrons.
Naquela época, já havia sido construída a pilha atômica, ou seja, o reator
nuclear, pelo físico Fermi. Logo após este assunto,descreveremos esse reator.
Nos reatores, utilizam-se barras de urânio de composição natural (99,3%
U-238 e 0,7% U-235).
Após algum tempo, estas barras apresentam um certo teor de Plutônio, como
material resultante do bombardeamento do U-238 por nêutrons .
Conseguiu-se separar apreciável quantidade de plutônio.
Estaria pronta a BOMBA ATÔMICA.
Como detoná-la?
Cuidadosas experiências concluíram que,para produzir "reação em cadeia",
bastava apenas aglomerar certa massa de material fissionável, pois nêutrons livres
existem em qualquer parte. (0 nêutron é um dos constituintes de raios cósmicos).
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Existe então uma massa mínima acima da qual o material detona. Essa
massa é denominada massa crítica.
Quando o material fissionável tem massa menor que a critica, os nêutrons
resultantes da primeira fissão escapam do material e não se processa a reação em
cadeia.
È verdade que nem todos os nêutrons escapam na prática.
Pode-se usar determinada massa (abaixo da crítica) de modo que, para cada
fissão, um nêutron escape e o outro produza nova fissão; aí resultando dois nêutrons,
um escapa e o outro produz nova fissão e assim sucessivamente.
Sendo assim, se foram incididos x nêutrons iniciais, a qualquer instante
temos x nêutrons em movimento dentro do material. Dizemos aí que o fator de
multiplicidade é 1.
RESUMO:
- Se o fator de multiplicação < 1 estanca a reação.
- Se o fator de multiplicação = 1 reação ocorre, não em cadeia (é o caso
do reator atômico) .
- Se o fator de multiplicação > 1 reação em cadeia (detona a Bomba).
A bomba possuía duas porções de U-235 puro com massas menores que a
massa crítica e previamente possuindo nêutrons em movimento com fator de
multiplicação 1.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
Acionado o detonador, iria primeiro explodir a carga de T.N.T. Isto iria
empurrar o U-235 contra a outra porção e a união dessas massas ultrapassaria a
massa crítica. Daí, imediatamente a reação em cadeia'!.
A bomba atômica experimental foi detonada a 16 de julho de 1945, no deserto
do Novo México, confirmando as previsões de potência da mesma.
A 6 de agosto do mesmo ano foi
detonada sobre a cidade de Hiroshima
(Japão)uma bomba de U-235 contendo alguns
quilogramas desse material.
Foi tremenda a destruição causada pela
bomba, que foi avaliada com potência de 20
kilotons, ou seja, 20.000 toneladas de T.N.T.
(equivalente a 2000 caminhões de T.N.T.)
Podemos classificar em quatro, os
efeitos mortíferos da bomba.
a) A bomba explodiu a cerca de 300 m
de altitude, varrendo uma vasta área com os
fulminantes raios-gama .
b ) 0 calor libertado incendiou
imediatamente todos os materiais combustíveis
da cidade.
Por causa do tremendo calor, formou-se imediatamente uma corrente de
convecção, elevando pó e produtos radiativos resultantes da explosão. É o cogumelo
característico de uma explosão nuclear.
c) A detonação produziu fortíssima onda de choque (deslocamento do ar.),
que destruiu mecanicamente extensa área.
d) Por fim,o pior deles: a poeira radiativa;
Sendo os materiais mais densos que o ar, pouco a pouco vão-se precipitando,
contaminando de radiatividade uma extensão bem maior.
As células humanas não suportam excessiva radiatividade. Na poeira
radiativa temos os produtos da fissão, principalmente Bário e Criptônio radiativos .
Esta bomba causou cerca de 80.000 vítimas civis (homens, mulheres,
crianças), com destruição total da cidade.
Pela primeira vez na História, registrou-se tamanho fenômeno catastrófico.
Dois dias depois, outra bomba de potência equivalente foi detonada sobre a
cidade de Nagasaki. Desta vez a bomba era de Plutônio.
Aos quinze de agosto, terminava a Guerra no Pacífico.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
REATOR NUCLEAR
Por outro Lado, a energia nuclear propunha perpectivas de grandes
benefícios à humanidade.
A 2 de dezembro de 19 42, Enrico Fermi anunciava o funcionamento
da primeira pilha nuclear.
Imaginemos uma barra de urânio natural. A maior parte de seus
átomos e o U-238, que é_ absorvedor de nêutrons .
Os átomos U-238 absorvem os nêutrons e a reação se estanca, mesmo_
quando se bombardeia um átomo de U-235.
Se utilizarmos cilindros finos de urânio, mesmo após a desintegração do U-
235 não haverá chance de o U-238 absorver os nêutrons resultantes, porque antes
da colisão o nêutron escapa do material.
Pelo contrário, se o cilindro tivesse
diâmetro maior, então, os nêutrons resultantes
seriam captados pelo U-238.
Fermi pensou também: "Seria bom se conseguíssemos um material capaz de
causar reflexão dos nêutrons, fazendo-os voltar.'" Mas ainda; nesta hipótese, os
nêutrons seriam captados pelo U-238.
Acontece que o U-238 só absorve nêutrons acelerados e, se se pudesse
moderar a velocidade desses nêutrons,eles não seriam absorvi dos pelo U-2 38 e
então poderiam fissionar outros átomos de U-2 35.
Após demoradas pesquisas, descobriu-se que a grafite é ao mesmo tempo
refletor e_ moderador de nêutrons. Colocando-se uma barra de urânio num tijolo de
grafite, pode-se dar continuidade de reação.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
Os nêutrons resultantes da cisão do U-235 escapam da barra de urânio
atingindo átomos de carbono (grafite). Um átomo de carbono absorve o nêutron mas,
logo depois (cerca de 12 segundos após) devolve o nêutron com velocidade já
moderada. Após alguns choques com os átomos de grafite, os nêutrons podem voltar â
barra de urânio . Sua velocidade não permite a absorção pelo U-2 38 mas, ainda é
capaz de cindir átomos de U-235.
Como cada átomo U-235 fissionado produz 2 ou 3 nêutrons, pouco a pouco
vai aumentando a população de nêutrons em movimento.
A certa altura, a energia libertada nas cisões faz os materiais atingirem
temperaturas de centenas de graus Celsius.
Agora há necessidade de eliminar nêutrons excessivos. Para
isso,colocam-se barras de cádmio (veja figura do reator nuclear) que
ATOMÍSTICARicardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
é um material capaz de absorver nêutrons. O cádmio não é_ refletor:
ele capta o nêutron e não o emite mais.
Assim, a presença do cádmio nos tijolos de grafite pode abaixar o fator de
multiplicação para valores menores que 1.
Estava assim controlada a reação nuclear.
Para se obter mais energia bastava retirar as barras de cádmio. Portanto, um
reator atômico é uma fonte controlável de energia nuclear (ao contrário da Bomba-
A).
Vejam na figura os materiais usados para que os operadores do reator não
sejam atingidos por emissões de nêutrons e radiações.
Embora o concreto seja uma proteção aos operadores contra os raios-gama e
nêutrons que escapam, mesmo assim há necessidade de tomar devidas precauções
contra a extrema radiatividade dos produtos da fissão. Cada operador usa uma placa
na lapela que muda de cor. Trata-se de um dispositivo que acusa a excessiva
exposição às radiações -gama.
Portanto, o primeiro reator nuclear utilizava barras de urânio natural (0,7%
de U-235), colocadas em tijolos de grafite. Para moderar a reação nuclear,
introduziam-se barras de cádmio. Assim, a cisão de átomos de U-235 podia ser
controlada e a fonte energética do reator era o calor libertado nessas fissões.
Como utilizar este calor?
No reator, perfurando os tijolos de grafite, passa uma entrelaçada rede de
canalização por onde caminha vapor d'água.
Este vapor recebe energia proveniente
da cisão, sofrendo conseqüentemente aumento
de temperatura e pressão.
0 circuito, passa por um trocador de
calor, onde a energia é "transferida para um
segundo circuito de vapor d'água.
Este 2º. circuito está ligado a uma
turbina acoplada a um gerador elétrico. Mui
tas vezes, no primeiro circuito, utiliza se gás
carbônico.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A figura ilustra o esquema de uma central elétrica nuclear.
Na verdade, é uma usina termoelétrica que, ao invés de utilizar combustíveis
comuns (carvão, gás ou óleo), utiliza a energia térmica de um reator nuclear.
Descobriu-se também que a água pesada é bom moderador e refletor de
neutrons. Verificou-se ainda que a massa de água pesada necessária para suficiente
moderação de neutrons é bem menor que a massa de grafite equivalente. O emprego
da água pesada como modera dor traz vantagens de ordem técnica na instalação
de uma usina.
Ao mesmo tempo, a água pesada serve como veículo trocador de calor. O único
inconveniente é na obtenção de grandes quantidades de água pesada. Ela ocorre em
qualquer água, mas numa proporção ínfima e,para separá-la, trata-se de um processo
muito trabalhoso o conseqüentemente oneroso.
Atualmente, a água pesada é retirada da água do fundo dos oceanos.
Para dar maior proteção aos operadores, o reator é envolvido por paredes de
grafite e concreto.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
As barras de cádmio para absorver nêutrons excessivos tornam-se radiativas,
daí também estarem dentro de um recipiente de chumbo.
A própria água pesada circula continuamente no reator onde se liberta calor.
Por sua vez, a água pesada transfere energia ao vapor d'água de outro circuito, através
do trocador de calor.
Assim o homem conseguiu controlar a energia nuclear e grandes são as
perspectivas de sua aplicação para finalidades pacificas.
Atualmente existem reatores nucleares, instalados em submarinos e navios
atômicos, capazes de realizar longas viagens com um mínimo de consumo material.
O Nautilus, primeiro submarino atômico viajou cerca de 80.000 km (2 voltas
em redor da Terra), sem se abastecer.
No entanto, tornam-se ainda extremamente onerosa as construções de pilhas
atômicas, principalmente na parte que se refere ã proteção humana exigida pelas
fortes irradiações gama de emissões de nêutrons.
Por outro lado, o homem precisa de fontes energéticas e,atual mente, conta
ainda com reservas de petróleo e carvão.
No ritmo dos acontecimentos, estas reservas se esgotarão no ano
2.100!
Se considerarmos a energia nuclear, contamos ainda com energia para mais
1.000.000 de anos!
Deixo para o leitor imaginar como será o futuro que nos aguarda.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade - 2
reator de piscina
Fotografia de um reator de piscina em pleno funcionamento na
Cidade Universitária, de S. Paulo.
A luz intensa no fundo da piscina e causada pela passagem de
partículas sub-atômicas velozes na água e chama-se radiação de Cherekov.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
H FFUUSSÃÃOO NNUUCCLLEEAARR
O sol é uma fonte energética que continuamente irradia energia. Mas, a
energia não é criada! De onde o sol consegue tanta energia?
A explicação plausível é que, no sol, matéria transforma-se em energia. Por
isso, o sol a todo instante torna-se um pouco mais leve, perdendo cerca de milhares de
toneladas de matéria por segundo.
Admite-se, que na superfície solar, a temperatura seja de alguns milhões de
graus Celsius e que aí ocorre a síntese do gás hélio a partir de hidrogênio, com
libertação de pósitrons, neutrinos e tremenda quantidade de energia em forma de
radiações eletromagnéticas que se propagam pelo Universo.
Quatro átomos de hidrogênio sofrem uma FUSÃO, originando o núcleo de
hélio.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Neste processo, os produtos apresentam massa menor que a massa total dos
átomos de hidrogênio. A energia libertada equivale "a transformação de massa ->
energia segundo a equação de Einstein:
Energia = c2 . Δm
"c" - velocidade da luz no vácuo.
Para ressaltar um fato histórico importante, falemos na descoberta do gás
hélio.
Durante um eclipse, foi observado no espectro solar o apare cimento de uma
nova "linha" de absorção. Não se conhecia,ainda,nenhum elemento capaz de produzir
a referida absorção. Foi então pro posta a existência de um novo elemento, que deveria
estar sendo "criado" no sol e,dai, o nome sugerido foi Hélio (Helium = sol).
Mais tarde, o gás hélio foi descoberto como um componente mínimo do ar
atmosférico.
Pensou-se em sintetizar o hélio a partir de hidrogênio,aqui na Terra.
Evidentemente faltavam condições energéticas, ou seja, a elevadíssima temperatura.
Estima-se que a temperatura da superfície solar seja aproximadamente de 40
milhões de °C.
Os cientistas conseguiram sintetizar o hélio a partir de isótopos pesados de
hidrogênio.
Utilizando-se deutério (núcleo com 1 próton + 1 nêutron) e tritério (núcleo
com 1 próton + 2 nêutrons) e ainda fontes de elevadíssima temperatura conseguiu-se
sintetizar o hélio.
O deutério ocorre na natureza em proporções mínimas, já dissemos que é o
componente da água pesada encontrada em mínimas proporções nos fundos dos
oceanos, já que a densidade da água pesada e maior que a da água comum.
O tritério é obtido artificialmente, sendo um átomo radiativo.
Pode-se obter o tritério, bombardeando lítio com nêutrons.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
A reação liberta assombrosa quantidade de energia, muito maior que
numa fissão nuclear.
A princípio não se conseguia obtera elevada temperatura, que seria da
ordem de dezenas de milhares de graus Celsius.
Com a descoberta da fissão nuclear, a detonação de uma bomba
atômica (bomba-A) possibilitou a fusão do deutério e tritério.
Esta fusão é realizada na Bomba-H (Bomba de Hidrogênio).
A potência dessas bombas é milhares de vezes superior à das bombas
atômicas da 2a. Grande Guerra.
A bomba-H utiliza a fissão nuclear como fonte energética para provocar a
reação entre deutério e tritério.
Portanto, a Bomba-A serve como "espoleta" da bomba-H.
A potência das bombas de hidrogênio é milhares de vezes a de uma
bomba de fissão. As últimas bombas de hidrogênio detonadas com caráter
experimental tinham potências próximas a 100 Megatons (1 megaton = 1.000
kilotons = 1.000.000 de toneladas de T.N.T.).
A bomba-H também espalha poeira radiativa por causa dos produtos
radiativos da fissão do U-235.
Existe atualmente uma Comissão Internacional de Energia Atômica cuja
finalidade, além de outras, ê a de controlar as experiências nucleares, a fim de evitar a
contaminação da atmosfera com materiais radiativos.
═════════════════
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
I EELLEEMMEENNTTOOSS
AARRTTIIFFIICCIIAAIISS
Como já vimos na página 81 do capítulo 2, a obtenção de elementos
radiativos artificiais foi desencadeada com a experiência do casal Curie-Joliot.
Hoje, conhecem-se isótopos radiativos de Quase todos os elementos químicos
e, comumente esses isótopos são obtidos dos elementos comuns, bombardeados por
nêutrons.
Estudemos apenas 3 desses isótopos:
A) CARBONO-14
Este isótopo radiativo forma-se no ar atmosférico quando nêutrons de raios
cósmicos colidem com núcleos de nitrogênio.
O carbono-14 assim formado
reage com o "02" da atmosfera,
resultando C*02 radiativo (Vamos colocar
um asterisco no C* radiativo).
Este C*02 poderá ser absorvido
por uma planta, num processo de
fotossíntese e tornar se um constituinte
de tecido vegetal.
Por outro lado, um animal pode
alimentar-se daquela erva e o C*-14
tornar-se assim um constituinte de tecido
animal.
Mesmo os seres humanos
possuem certa do se de C*-14.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
Quando o ser humano ou mesmo o animal morre, a quantidade do C*-14 só
tende a diminuir, pois ocorre a seguinte desintegração:
6C14-------►_1β° + 7N14
O período de semi-desintegração é de 5.600 anos para esse isótopo.
Ora, então, pode-se mesmo pensar num processo de determinação de idades
de fósseis arqueológicos.
Vamos supor que os fósseis de um animal acusam, num contador Geiger,
apenas 25% de C*-14,que teria o mesmo espécime na atualidade.
Isto vem esclarecer que o fóssil tem:
No entanto, após 10 períodos de semi-desintegração (56.000
anos), a quantidade de C*-14 restante é tão pequena que não existem ainda
aparelhos capazes de detetar radiações . Esta é a mais séria limitação desse
processo.
Por outro lado, os nêutrons de uma pilha atômica podem ser empregados na
obtenção de C*-14 artificialmente.
Ê importante o emprego de C-14 para sintetizar substâncias orgânicas a fim
de acompanhar os processos de metabolismo.
É muito usado na obtenção de radioproteínas e radioaçúcares.
B) IODO RADIATIVO
O iodo radiativo é utilizado na medicina, nos diagnósticos de doenças da
tireóide. Tem um período de semi-desintegração de 12 horas.
Em primeiro lugar, o paciento ingere uma
dose de iodo radiativo, que e facilmente absorvido
pelas glândulas de tireóide.
Após certo tempo, pode-se "mapear", ou
seja, localizar e delimitar os contornos dessas
glândulas.
Sabe-se que os tecidos afetados de tireóide
absorvem geralmente iodo de modo diferente (mais
ou menos intensamente) do tecido normal .
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Então, utilizando-se um contador Geiger, podem-se localizar as regiões
afetadas.
C) COBALTO-60
Este isótopo é obtido do cobalto (Co59), quando bombardeado por
nêutrons.
Por sua vez, o Co-60 é radiativo, sendo capaz de emitir raios "β", com um
período de semi-desintegração de 5,3 anos. Observem o longo período de semi-
desintegração, que proporcionou excelente aplicação na Medicina, pois tem-se
material radiativo por longo tempo.
NOTA: O carbono-14 não serve para tal finalidade, pois seus raios "β" têm
energia bem menor e,consequentemente,menor penetração.
Descobriu-se que as células cancerígenas são fulminadas pelo efeito de-
radiações intensas. As células normais suportam dose bem maior de radiação.
No tratamento do câncer pela
radioterapia era antigamente usado o
elemento rádio, cujo custo era
assombroso.
Hoje, esse elemento foi
substituído pelo cobalto-60 de custo
incomparavelmente baixo em relação
ao radio.
0 aparelho é chamado
"Bomba de Cobalto" que nada mais é,
senão um canhão de emissões "β"
(Gentilmente cedida pelo
Hospital do Câncer - S. Paulo )
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade-2
Eis um tipo de Bomba de Cobalto. Quando se encontra na posição de
descanso, o Co-60 esta emitindo radiações, mas são totalmente bloqueadas pela
blindagem. Na posição ativa, os raios "S" podem então ser dirigidos ao paciente.
Citamos apenas algumas aplicações das recentes descobertas nucleares. (As
duas últimas aplicações são exemplos de "Medicina Nuclear") .
Dia a dia, a energia nuclear e os isótopos radiativos estão sendo explorados
pelo homem a fim de proporcionar melhores condições de vida.
Na pesquisa da energia nuclear, o homem descobriu uma terrível arma, mas
por outro lado, indubitavelmente, ganhou excelentes conhecimentos sobre o
átomo,que nos promete um futuro promissor.
O homem,que veio da idade da pedra, passou por diversas evoluções e entra
agora na ERA ATÔMICA.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
EXERCÍCIOS
(48) Tendo-se num instante zero, 4,0 g de um elemento radiativo de tempo, de
meia vida igual a 1,0 hora, quantos gramas do material ativo restarão respectivamente
depois de 1,0 hora e depois de 2,0 horas?
a) 2,0 g e 1,0 g
b) 2,0 g e 0 g
c) 3,0 g e 2,0 g
d) 3,5 g e 2,5 g
e) depois de 1,5 horas não restará material ativo
ITA-63
(49) A expressão fusão nuclear se refere a:
a) liquefação de núcleos.
b) quebra de núcleos formando núcleos menores.
c) reunião de núcleos formando um núcleo maior.
d) captura de elétrons.
e) fissão nuclear.
ITA-63
(50) Um dos isótopos do Einstênio 99Es253 , quando bombardeado com
partículas 2He4 , forma um elemento novo e dois nêutrons , como indicado pela
reação:
99Es253 + 2He4 = Elemento Novo + 2 n
Qual é o conjunto de número atômico e o número de massa que
corresponde ao novo elemento?
(51) Qual das afirmações abaixo, relativas a reações nucleares como
a da questão anterior, é FALSA?
a) 0 número total de nucleons e conservado.
b) A lei de conservação de cargas também se aplica a reações nucleares.
c) A soma dos números de massa dos reagentes e igual a soma dos
números de massa dos produtos.
d) A energia libertada numa reaçãonuclear e, grosso modo, 107 (10 milhões)
vezes maior que a energia libertada em reações químicas ordinárias, fixando-se
massas iguais de reagentes.
e) A energia de ligação nuclear dos reagentes é igual à energia de ligação
nuclear dos produtos.
ITA-64
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade-2
(52) A vida média de 1,0 g de um isótopo radiativo vale 18 horas.
A vida média de 0,5 g desse mesmo isótopo valerá:
a) 9 horas d) 18 horas
b) 36 horas e) nenhuma das respostas
c) 20 horas acima esta certa
ITA-66
(53) Citar os tipos de radiações, indicando os sinais das respectivas cargas
elétricas, que se observam na desintegração radiativa natural.
POLI-65
(54) Um átomo de um elemento radiativo "X" sofre uma desintegração
emitindo uma partícula alfa, produzindo um átomo de um elemento "Y". Quantas
desintegrações "B" deve sofrer o átomo do elemento "Y", para produzir um átomo
isótopo do elemento "X"? Escrever as equações das diversas desintegrações
dessas transformações.
POLI-67
(55) Um grama de 42 99Mo , por emissão de raios "β", decaia 1/8 g
em 200 horas.
I - qual a sua meia-vida?
II - qual o seu novo número atômico e qual o seu novo número
de m assa?
FMUSP-63
(56) A desintegração do iodo radiativo aumenta com a temperatura.
Certo ou Errado?
FMUSP-64
(57) Um grama de rádio leva 5.040 anos para decair a 1/16 g. A
sua meia vida será:
a) 315 anos c) 20.160 anos
b) 1260 anos d)
FMUSP-64
(58) Na seguinte lista, todos os elementos são transurânicos: európio,
amerício, frâncio, germânio e polônio?
Certo ou Errado?
FMUSP-64
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(59) O número atômico de um elemento diminuirá de duas
unidades se o núcleo de seu átomo emitir uma partícula alfa.
Certo ou Errado?
FMUSP-64
(60) A meia-vida do isótopo 1124 Na é de 15 horas. Se a
quantidade inicial deste isótopo for 4 g, depois de 75 horas teremos:
a) 0,800 g d) 0,125 g
b) 20 g e) nenhuma das respostas
c) anteriores
CESCEM-65
(61) Nas reações nucleares sucessivas
o elemento Z que se forma é:
CESCEM-66
(62) São necessários 5,0 anos, para que o 60Co perca a metade de sua
radiatividade. Que porcentagem da sua atividade original permanecerá no fim de
20 anos?
a) 0% d) 25,0%
b) 6,25% e) nenhum dos
c) 12,5% valores acima
CESCEM-66
(63) Dispõe-se de um isótopo radiativo, cujos produtos de desintegração não
são radiativos. Medindo-se a atividade de uma amostra deste isótopo, registrou-se
uma contagem de 10.000 desintegrações por minuto. Após 24 horas, a mesma
amostra acusou uma atividade de 5000 desintegrações por minuto. Deixando-se
passar mais 24 horas , a atividade da mesma amostra correspondera a:
a) 1250 desintegrações/minuto d) zero
b) 2500 desintegrações/minuto e) nenhum dos valores
c) 3750 desintegrações/minuto anteriores
CESCEM-67
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
(64) Quando um elemento emite uma partícula "α" e, em seguida,
duas partículas "β", os elementos, primitivo e final:
a) tem o mesmo número de massa
b) são isótopos radiativos
c) não ocupam o mesmo lugar na tabela periódica
d) possuem números atômicos diferentes
e) têm a mesma massa atômica
CESCEM-67
(65) Na reação nuclear 2He4 + X ───1
H1
+ 8017
elemento X possuí:
a) número atômico 7 e d) número atômico 8 e
número de massa 15 número de massa 14
b) 8 prótons e 7 nêutrons e) número atômico 7 e
c) 7 prótons e 7 nêutrons número de massa 16
CESCEM-68
(66) Uma grama do isótopo Mo99 decai por emissão beta, atingindo l/8 g após
200 horas. Qual é aproximadamente a meia-vida deste isótopo?
a) 2 5 horas d) 1600 horas
b) 50 horas e) os dados são insuficientes
c) 67 horas para se saber a meia-vida.
CESCEM-69
(67) Um elemento "A",de número atômico 87 e número de massa 190, emite
uma partícula alfa, transformando-se em"B". "B" emite uma partícula beta
transformando-se em "C ". "C " emite alfa dando "D". "D" por sua vez emite beta
resultando em "E". Os números atômicos e de massa de ''E" são respectivamente:
a) 87 e 190
b) 8 3 e 192 d) 85 e 182
c) 87 e 186
SANTA CASA-64
(68) 0 número atômico do átomo de um elemento é 88 e o número de massa
226. Quando esse átomo emite uma partícula "α", o átomo resultante apresentará:
a) número atômico 08 e número de massa 225
b) número atômico 87 e número de massa 224
c) número atômico 86 e número de massa 222
d) número atômico 85 e número de massa 225
SANTA CASA-65
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(69) Os raios gama são:
a) radiações eletromagnéticas
b) núcleos de átomos de hélio d) núcleos de átomos
c) elétrons de hidrogênio
SANTA CASA-65
(70) Período de semi-desintegração de um elemento radiativo é o
tempo no qual:
a) a metade da quantidade inicial dos átomos
do elemento se desintegra
b) todos os átomos do elemento se desintegram
c) 6,02 x IO23 átomos do elemento se desintegram
d) 1 mol do elemento se desintegra
SANTA CASA-66
(71) Quando um átomo emite um raio alfa, seu número de massa:
a) aumenta de duas unidades c) diminui de quatro unidades
b) diminui de duas unidades d) não se altera
SANTA CASA-66
(72) Quando um átomo emite um raio beta, seu número atômico:
a) aumenta de uma unidade c) aumenta de duas unidades
b) diminui de uma unidade d) não se altera
SANTA CASA-66
(73) Os raios-X, os raios catódicos e os raios alfa (do rádio)
a) são todos desviados por um ímã
b) somente o primeiro e o terceiro são desviados por um imã
c) somente o segundo e o terceiro são desviados por um imã
SANTA CASA-67
(74) Ao emitir uma partícula alfa, um elemento radiativo passa a
ter:
a) número e peso atômicos diminuídos de uma unidade
b) número atômico diminuído de 2 e peso atômico diminuído de 4
unidades
c) número e peso atômicos diminuídos de 2 unidades
SANTA CASA-67
http://tercei.ro/
ATOMÍSTICARicardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade – 2
(75) É possível determinar a idade da Terra por meio:
I - da teoria da relatividade
II - da radiatividade
III - pela expansão do universo
SANTA CASA-68
(76) Quando o Boro (peso atômico 11, número atômico 5) e
bombardeado com partículas alfa, as seguintes variações são observadas
Boro + partícula alfa -------------------> novo elemento + neutron
(transmutação α, n)
0 peso atômico e o número atômico do novo elemento formado
serão, respectivamente;
a) 14 e 7 d) 11 e 5
b) 10 e 7 e) nenhum dos
c) 11 e 6 anteriores
SANTA CASA-69
(77) Radiatividade natural é o fenômeno pelo qual:
a) um elemento pesado emite espontaneamente apenas "raios-X"
b) dois elementos mais leves se unem para produzir um 3º.
elemento, com grande emissão de energia
c) um elemento, sofrendo o bombardeamento por um nêutron, se
transforma num isótopo
d) nenhuma das respostas
EES CARLOS-66
As questões 78 e 79 referem-se ao seguinte enunciado: "A" e
"B" são 2 elementos radiativos que se desintegram em chumbo (Pb)
segundo o esquema:
(78) 0 valor correto de "u", "k" e "x" e:
u = k = x = u = k = x =
a) 232 208 82 c) 228 216 86
b) 228 208 82 d) 222 212 74
(79) 0 valor correto de "z", "y" e "t" é:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
z = y= t = z = y= t =
a) 98 82 206 c) 96 86 214
b) 92 82 206 d) 84 74 210
EES CARLOS-67
(80) Qual das reações abaixo está errada:
EES CARLOS-68
(81) Um átomo “ A” emitindo um raio "alfa", se transforma no átomo
"B" OS átomos "A" e "B" s ao :
a) isótopos c) alotrópicos
b) isóbaros d) nem isótopos nem isóbaros
FEI-68
(82) A vida média de um grama de certo isótopo radiativo vale
30 dias. A vida média de 0,5 gramas do mesmo isótopo vale:
a) 30 dias b) 15 dias c) 60 dias
FEF ALVARES PENTEADO-68
(83) Um grama de um elemento radiativo emite partículas beta e
após 400 horas fica reduzido a 1/16 g. Qual é sua meia vida?
a) 100 horas c) 10 horas
b) 400 horas d) 50 horas
GEOLOGIA USP-64
(84) Um átomo de número atômico 27 e número de massa 35
emite uma partícula alfa. 0 novo átomo possuirá:
a) número atômico 28 número de massa 35
b) número atômico 26 número de massa 36
c) número atômico 25 número de massa 31
d) número atômico 25 número de massa 35
GEOLOGIA USP-64
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade - 2
(85) Dois átomos pertencentes a dois isótopos de um mesmo
elemento apresentam:
a) a mesma massa d) mesmas propriedades
b) propriedades químicas diversas nucleares
c) mesmo tamanho e) nenhuma das citadas
EE LINS-67
(86) Quando um átomo radiativo de número atômico 90 emite uma
partícula beta, origina-se um novo átomo de número atômico:
a) 91 b) 89 c) 88
EE MAUA-63
(87) Os nêutrons, como projéteis, são mais usados que os
prótons nos processos de bombardeio nuclear porque:
a) tem maior massa
b) são desprovidos de carga
c) são mais fáceis de serem obtidos
EE MAUÁ-64
(88) Quando um átomo de um elemento radiativo e cujo número atômico é
Z,emite um elétron (negativo), origina-se um novo núcleo de número atômico:
a) Z - 1 b) Z + 1 c) Z
EE MAUÁ-65
(89) Quando o núcleo de um átomo, de número atômico Z,emite uma
partícula beta, origina-se um outro núcleo de número atômico Z +1, isóbaro do
primeiro.
Certo ou Errado?
EE MAUS-68
(90) 0 que é uma substância radiativa?
EE MACKENZIE-63
(91) 0 que caracteriza um elemento radiativo?
EE MACKENZIE-64
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(92) Qual o comportamento dos raios alfa, beta e gama num campo
magnético?
EE MACKENZIE-64
(93) Após 40 dias, um determinado radioisótopo puro, cuja meia
vida é de 10 dias, pesa 0,5 g. 0 seu peso inicial era:
a) 8 g d) 2 g
b) 6 g e) 0,5 g
c) 4 g
MEDICINA SANTOS-68
(94) 0 símbolo que pode ser usado para completar a reação nuclear:
3Li7 + 1H1 = 2 ..... é:
a) iH1 d) _1e0
b) on1 e) 1D2
c) 2He4
MEDICINA SANTOS-68
(95) Assinalar as proposições corretas:
1) Os raios-gama apresentam pequeno comprimento de onda, sendo
mais penetrantes que os raios alfa, beta e raio-X.
2) Raios alfa são os núcleos de átomos de argônio, portanto, com
carga positiva, porém, com poder de penetração limitado
3) Raios beta são elétrons em grande velocidade e, com maior poder
de penetração que as partículas alfa.
4) Quando um elemento emite partículas alfa, forma-se outro
elemento,cujo número atômico é uma unidade inferior.
QUIM-MOGI DAS CRUZES-69
(96) Dos elementos que participam das reações nucleares sucessivas:
92E238--------- E2 + 2α4
E2 --------- E3 + β
E3 -------- E4 + β
a) E1 e E2 são isótopos e E2, E3 e E4, são isóbaros
b) E1 e E3 são isótopos e E2, E3 e E4, são isóbaros
c) E1 e E4, são isótopos e E1, E3 e E4, são isóbaros
d) E1 e E4, são isótopos e E2, E3 e E4, são isóbaros
e) E1 e E4, são isótopos e E1 , E2 e E3 são isóbaros
UFMG-67
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade - 2
(97) As sucessivas reações nucleares abaixo
90A232--------- B + 2ª4
B ------------- C + β
levam a um elemento C com as seguintes características:
a) 87C229 d) 91 C 227
b) 89C228 e) 88C231
c) 90c230
UFMG-67
(98) Um elemento radiativo tem ao fim de 36 dias, sua radiatividade
reduzida a 1/8 da original. Sua meia-vida é:
a) 4 dias d) 12 dias
b) 6 dias e) nenhuma das
c) 9 dias anteriores
UFMG-67
(99) Uma certa quantidade de Ra, ao se desintegrar, emite em um ano, 2,7 x
1013 partículas alfa e, a quantidade "He" formada é da 1 x IO-3 mm3, medidos nas
condições normais de temperatura e pressão. Os dados acima permitem deduzir:
a) o valor da vida— média do Ra
b) o valor da meia-vida do Rac) o valor da constante de desintegração radiativa do Ra
d) o valor do número de Avogadro
e) que o "He", membro da família radiativa do Ra
UFMG-68
(100) Entre as equações dadas abaixo:
assinalar o grupo de equações em que a instabilidade do elemento é devida
a excesso de protons:
a) I, II, III d) I, IV, V
b) I, III, IV e) III, IV, V
C) I, III, V UFMG-68
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(101) Qual destas afirmativas sobre os elementos transurânicos é errada:
a) tem número atômico elevado
b) seu enchimento eletrônico se dá no subnível 4f
c) são todos radiativos
d) apresentam massa atômica elevada
e) são obtidos por meio de reações nucleares
EEUMG-67
(102) Um certo isótopo radiativo tem um período de meia-vida de 10
minutos. Se num certo instante, tivermos 20 microgramas deste isótopo, quantos
microgramas existirão ao fim de 20 minutos?
a) zero d)
b) 5 e) não se pode saber
c) 10
MEDICINA-VALENÇA-69
(103) Qual das seguintes afirmações é a mais correta?
a) Raios alfa são núcleos de átomos de Hélio, formados por 4
prótons e 4 neutrons.
b) O poder de penetração dos raios alfa aumenta com a elevação da
pressão.
c) Os raios beta são elétrons emitidos pelos núcleos dos átomos dos
elementos radiativos.
d) Os raios gama são radiações da mesma natureza que os raios alfa
e beta.
e) O "Curie" é a radiatividade equivalente à de um quilograma de
rádio em equilíbrio radiativo.
MEDICINA-ITAJUBA-68
(104) Vinte miligramos de um elemento radiativo, depois de 10 minutos, se
reduzem a cinco miligramos. Quarenta miligramos do mesmo elemento, depois de
20 minutos, reduzir-se-ão a:
a) 20 miligramos
b) 13,5 miligramos
c) 4 miligramos
d) 25 miligramos
e) 2,5 miligramos
MEDICINA-ITAJUBÁ-68
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
radiatividade-2
(105) O carbono radiativo 14C pode ser obtido por:
a) desintegração do carbono 12C
b) bombardeamento do carbono-12 por neutrontes
c) bombardeamento do carbono-12 por cíclotron
d) bombardeamento do nitrogênio por neutrontes lentos
e) bombardeamento do carbono-12 por raios gama
MEDICINA-GB-66
(106) Marcar o processo que não pode ser considerado como da
desintegração atômica:
a) emissão de partículas alfa
b) emissão de partículas beta
c) emissão de partículas e+
d) emissão de fóton de luz ultravioleta
e) captura de eletrontes pela camada K do átomo
MEDICINA-GB-66
(107) 0 produto da desintegração de um elemento que só emite raios
"a" tem:
a) a mesma massa atômica e número atômico maior
b) a mesma massa atômica e número atômico menor
c) o mesmo número atômico e massa atômica maior
d) o mesmo número atômico e massa atômica menor
e) o número e massa atômicos menores
UFRJ-68
(108) 0 32P, de grande importância bioquímica, pode ser obtido, mediante
bombardeio do 31P com dêuterons de 10 milhões de volts, procedentes de 1 cíclotron.
Esta reação será do tipo:
a) 31P (d, p) 32P
b) 31P (d, y) 32P
c) 31P (d, α) 32P
d) 31P (d, n) 32P
e) diferente
UFRJ-68
117
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(109) A massa da partícula alfa é de:
a) 0,000548
b) 1,00897
c) 1,007852 (unidade de massa atômica )
d) 2,014722
e) 4,002764
UFRJ-68
(110) A transformação radiativa, com emissão de raios beta, fornece um
novo elemento (Lei de Russell, Fajans e Soddy) com:
a) mesma massa atômica e número atômico menor
b) mesma massa atômica e número atômico maior
c) mesmo número atômico e massa atômica maior
d) mesmo número atômico e massa atômica menor
e) diferentes dos mencionados
UFRJ-68
══════════════════
118
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
AATTOOMMÍÍSSTTIICCAA
ccaappííttuulloo 33
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
estrutura do átomo-3
A OO ÁÁTTOOMMOO
DDEE DDAALLTTOONN
Vimos no LIVRO I que a concepção de átomo, como constituinte universal da
matéria, havia sido lançada pelos filósofos gregos.
Foi o inglês John Dalton que, em 1808, deu um caráter cientifico À idéia de
átomo. As proposições de Dalton foram baseadas nas leis ponderais das reações
químicas"que já haviam sido observadas e constatadas como válidas em quaisquer
reações.
De modo resumido, Dalton supôs que:
a) Todo átomo é uma minúscula partícula material indestrutível,
mantendo massa e dimensão inalteráveis.
b) Átomos do mesmo elemento químico são idênticos entre si.
c) Os diversos átomos podem combinar-se,originando diferentes espécies
de matéria.
Exemplos:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Enfim, matéria para Dalton, seria um aglomerado de átomos (bolinhas
indivisíveis), uns colados aos outros. Seria, então,como uma miniatura do "doce de
sagu".
Dalton pensou que, os átomos diferentes, quando se combinavam, sempre
mantinham a proporção de 1:1 e, sugeriu, que tais combinações fossem denominadas
"moléculas". Como a água é constituída de hidrogênio e oxigênio, Dalton pensou que, a
molécula de água fosse "HO" e que, numa gota d'água, existissem muitas e_ muitas
dessas moléculas , umas vizinhas das outras. Mais tarde, os trabalhos de Gay-Lussac
e Avogadro, demonstraram que, numa molécula, podem existir diferentes átomos sem
obedecer a proporção 1:1. É o caso da molécula de água, que como vocês sabem,
possui 2 átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio.
Cada molécula de água, é Cada molécula de enxofre (S8), é
constituída por 2 átomos de constituída por 8 átomos de
hidrogênio e 1 átomo de oxigênio enxôfre.
A atual concepção do átomo, está muito longe dessa idéia inicial, como
veremos adiante. No entanto, por questões de comodidade de apresentação, até hoje
utiliza-se muito a representação "átomo = esfera maciça", pois,deste modo, ainda é
muito satisfatória para um grande número de fenômenos químicos.
A introdução, da idéia de molécula, que decorreu das leis dos gases (vide livro
I) veio reestruturar a teoria atômica de Dalton. A teoria "atomo=bolinha" começou a
sofrer abalos violentos a medida que iam sendo descobertos novos fenômenos.
Como poderíamos responder às seguintes perguntas?
- Por que nem todos os átomos se combinam entre si?
- Que é eletricidade?
- Por que certas reações químicas absorvem ou libertam muita energia?
- 0 que é radiatividade?
- Por que existem ímãs?
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
estrutura do átomo-3
Respostas com argumentos satisfatórios somente aparecemcom o decorrer
dos tempos. A ciência toma um impulso extraordinário no século 20 e, em
conseqüência, surgiram renovações para a teoria atômica.
Hoje, é incabível aceitar átomo = esfera maciça,"'mas não resta dúvida que
esta idéia primitiva foi a base inicial que conduziu os cientistas a investigarem o
interior do átomo.
════════════════
B OO MMOODDEELLOO DDEE
RRUUTTHHEERRFFOORRDD--BBOOHHRR
Foi o cientista inglês Ernest Rutherford, quem apresentou "a nova face" para
o átomo, discordando da indivisibilidade do mesmo.
Vimos no CAPITULO 2 que Rutherford conseguiu demonstrar a existência de
partículas "α", "β" e raios gama nos fenômenos radiativos.
Desta vez, ele utilizou um material radiativo, o polônio, que emite raios alfa
com surpreendente intensidade.
Colocando o polônio radiativo dentro de um bloco de chumbo, Rutherford
bombardeou uma finíssima lâmina de ouro com as partículas "a", então emitidas
pelo polônio.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Rutherford estava curioso em estudar as trajetórias das partículas "α" e
também os resultados das colisões dessas partículas com átomos de ouro.
Para isso, colocou um anteparo de forma cilíndrica em redor da lâmina de
ouro. Este anteparo é revestido com um material fluorescente (sulfeto de zinco) e
quando nele há incidência de uma partícula "α" ocorre emissão de luz visível.
Uma região de fluorescência constante e intensa apareceu no anteparo,
exatamente na direção das emissões "α".
Em outros pontos do anteparo apareciam de tempos em tempos pontos
luminosos.
INTERPRETAÇÃO: A maioria das partículas "α" atravessam a lâmina de
ouro como se esta fosse uma peneira. Apenas algumas partículas sofrem desvios.
Estas observações levaram a crer que a matéria é praticamente oca. Embora
a lâmina de ouro pareça compacta é constituída de muitas camadas de átomos de
ouro.
Rutherford fez as seguintes proposições:
A) O átomo deve ser constituído de uma parte central (caroço) e que foi
denominado núcleo . Este deve ter carga POSITIVA, pois repele violentamente as
partículas "α" que possuem carga positiva , quando estas passam próximo ao
núcleo.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
estrutura do átomo-3
B) Analisando o número de
partículas "α" que sofreram desvios, em
relação aquelas que atravessaram
normalmente a lâmina, conclui-se que
o"tamanho do núcleo, deve ser
extremamente pequeno em relação ao
átomo'. Os cálculos probabilísticos revelam
que:
Raio do núcleo = do Raio do átomo
Isto quer dizer que, se o núcleo tivesse 1 metro de diâmetro, o átomo teria
um diâmetro de 10 Km, no mínimo.
A título ilustrativo, imaginemos uma bola de tênis no centro do Estádio
Maracanã. Então a bola seria o núcleo e o estádio seria o átomo, em termos
proporcionais com o verdadeiro átomo.
C) Se o átomo tivesse apenas
núcleos positivos e nada mais, qualquer
matéria, como a lâmina de ouro, seria
eletricamente muito positiva!
Para contornar este fato, Rutherford
admitiu que a carga nuclear seria
equilibrada por elétrons. Esses elétrons não
poderiam estar parados, pois seriam atraídos
para o núcleo e o átomo seria um sistema
instável. Foi admitido um equilíbrio dinâmico
ou seja: "Os elétrons devem girar em redor do
núcleo, em órbitas circulares".
Como o átomo é elétricamente neutro, a carga total dos elétrons deve
ser igual à carga do núcleo. Pode-se comparar a estrutura atômica com o sistema
planetário: o Sol atrai a Terra; como a Terra gira em redor do Sol, eles
mantém um equilíbrio dinâmico.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
CONTRADIÇÃO À TEORIA DE RUTHERFORD
Mal a teoria fora lançada, ela teve que vencer diversos obstáculos. Uma forte
contradição apareceu imediatamente, em relação à trajetória e energia do elétron.
Segundo a teoria clássica de Maxwell, no
estudo do eletromagnetismo, qualquer carga
elétrica acelerada emite energia em forma de onda
eletromagnética.
Ora, o elétron em movimento circular está
constantemente sujeito `a aceleração centrípeta
(Ycp) e , continuamente deveria emitir energia.
Perder energia significa perder velocidade
e, para que o elétron continuasse em equilíbrio com
o núcleo, seria necessário diminuir o raio da
trajetória. Então, o movimento do elétron teria
uma trajetória em espiral. Dentro em breve o
elétron cairia no núcleo e qualquer átomo teria
estrutura instável. Absurdo!!!.
A TEORIA DE BOHR
Foi o físico dinamarquês Niels Bohr quem introduziu a justificação energética
para o elétron, aceitando-se o modelo de Rutherford.
Bohr achou que nem todas as leis que eram válidas na Física Clássica
(resultantes de observações experimentais) deveriam ser seguidas pelas partículas
constituintes do átomo.
Foi o caso do elétron girando em torno do núcleo. Para este, Bohr estabeleceu
certas proposições baseadas na teoria quântica de Planck, que se tornaram
conhecidas como"POSTULADOS DE BOHR" fugindo das restrições impostas pela
física Clássica.
Os constituintes do átomo passam a respeitar novas leis que são baseadas
na mecânica quântica.
Em simples palavras, os postulados de Bohr são:
A) "Os elétrons giram em redor do núcleo em órbitas circulares bem
definidas e, espontaneamente,ao fazê-lo, eles não irradiam energia."
B) "Quando um elétron passa de uma órbita para outra, ele emite ou
absorve, determinada energia dada pela expressão:
ΔE = h.f
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
estrutura do átomo -3
Sendo:
h - constante de Planck = 6,6 x IO-27 erg x seg.
f - frequência da radiação absorvida ou emitida.
A energia “ absorvida ou emitida por um elétron'” é sempre de"um fóton”.
Embora os elétrons girem em órbitas circulares, eles não irradiam energia
espontaneamente.
Para afastar o elétron do núcleo, Quando um elétron "passa"
ele absorve um fóton de a uma órbita mais interna, ele
energia "q = h.f." emite um fóton de energia "q=h.f.“
Bohr não enunciou esses postulados apenas com base intuitiva; muitos
cientistas já haviam estudado os espectros de emissão do hidroqênio e seus resultados
permitiram que fossem enunciados aqueles postulados.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Vamos descrever rapidamente o que é um espectro de emissão.
Imagine uma lâmpada incandescente, uma lente, um prisma de vidro e
um anteparo branco como indica o esquema abaixo:
No anteparo serão projetadas as sete cores, numa seqüência como àquela que
aparece no arco-íris. De cima para baixo: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul,
anil e violeta.
As cores sofrem uma mudança gradativa e, teremos então um espectro
contínuo.
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estrutura do átomo-3
Vamos substituir a lâmpada incandescente por um tubo de Geisller contendo
gás hidrogênio.
Observa-se que, durante a descarga, no anteparo aparecem linhas luminosas,
umas distanciadas das outras. Trata-se, portanto, de um 'espectro descontínuo ou
espectro linear ou de raias"
Observação:
Na verdade, durante a descarga no tubo de hidrogênio, ainda são emitidos
raios ultra-violetas e infra-vermelhos que sãoinvisíveis, que seriam detectados se
utilizasse prisma de quartzo e anteparo:: especiais (filmes ou materiais
fluorescentes).
Por que surgem estas linhas durante a descarga?
Eis a explicação:
Durante a descarga, elétrons saem do cátodo e dirigem-se para o ânodo (veja
capítulo 1). Pode um desses elétrons colidir com um elétron do átomo de hidrogênio (I
e II) e jogá-lo numa órbita mais externa (III), resultando um estado instável no átomo.
O elétron tende a voltar para a órbita inicial e, na transição, ele emite uma radiação.
Agora que sabemos o que é um espectro de emissão, vamos narrar como, o
famoso cientista dinamarquês, conseguiu contornar a contradição à teoria de
Maxwell.
Bohr examinou cuidadosamente as experiências realizadas por
Lyman, Balmer e Paschen.
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Estes cientistas estudaram as emissões produzidas durante a descarga de
um tubo de Geissler contendo hidrogênio:
Lyman, preocupou-se com as emissões na região da luz ultra-violeta; Balmer
na parte da luz visível e, Paschen, anotou as radiações dos infra-vermelhos.
Os comprimentos de onda das diversas radiações foram anotadas, e eles
encontraram as seguintes fórmulas:
Os inversos de "λ' estavam assim relacionados, como indicam as fórmulas
puramente empíricas. Nestas relações, "R" é a constante de Rydberg e vale:
R = 1 ,097 x 107 m-1; "n" é apenas número natural.
Por exemp1o:
Vejamos as anotações feitas por Balmer na região da luz visível.
No filme ele encontrou os seguintes "λ":
Êle mesmo verificou que, os valores de "λ" obedeciam à seguinte
fórmula:
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estrutura do átomo-3
Este resultado concorda com o maior valor de "λ" lido no espectrômetro.
Quando Bohr examinou estas correlações, sugeriu que, o movimento dos
elétrons obedecessem a determinadas leis energéticas. Foi assim que êle adaptou ao
fenômeno a teoria quântica de Planck.
Por que apareciam diferentes valores de " λ "
no espectro?
O átomo de hidrogênio, no estado normal,
apresenta um elétron girando numa região próxima
do núcleo. Aí, esse elétron tem posição estável.
Quando esse elétron receba energia, êle
passa a girar numa órbita mais externa, porém, a
sua estabilidade é pequena. Dentro de pouco tempo,
o elétron voltará à_ órbita inicial. E nessa volta que
ocorrera emissão de ondas eletromagnéticas de
comprimento de onda "A" (uma
forma de energia).
Eis agora a interpretação de Bohr:
Devem existir diversas órbitas, onde os elétrons possam estacionar
temporariamente.
A cada órbita estacionária deve
corresponder determinada energia para o elétron.
Acontece que, a variação de energia , devo ser
descontínua, como se fossem "degraus de uma
escadaria".
Vamos supor que o elétron fosse uma
pequena bola. Quando ela fosse lançada, teria
recebido energia e, iria atingir deter
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
minado degrau. Daí, a descida seria feita por "saltos" (não obrigatóriamente
de degrau em degrau), e em cada etapa, perderia uma parcela da energia.
No átomo, quando o elétron é colocado numa órbita externa, ele tende a voltar
à órbita inicial, pelo processo de "saltos". Porém, esses saltos podem ser diferentes nos
diversos átomos. A cada tipo de salto corresponde determinado "λ".
Mas, saltos maiores significam maiores perdas de energia!
Então, todo "λ" está associado a determinada variação de energia.
Qual seria a relação entre o "λ" e a variação de energia?
Foi aí que Bohr aplicou a teoria de Planck:
Sabe-se que:
λ = c f freqüência de radiação
f c velocidade da luz
e segundo Planck:
________________________________
energia do fóton = q = h.f
__________________________________
h = constante de Planck = 6,6 x IO-27 erg x seg
onde:
q = quantum
Resumindo:
a) Para um elétron que volta à posição normal através de saltos, em
cada salto, ele só emite um fóton.
b) Se os fótons emitidos possuem energias diferentes, conclui-se que
existem diferentes tipos de saltos.
c) Cada fóton tem energia q = h.f donde se conclui que o número de saltos
diferentes corresponde ao número de diferentes frequências (ou de λ diferentes).
d) Foi assim que Bohr supôs que existissem órbitas circulares bem
determinadas onde os elétrons poderiam girar como esta no desenho da pagina
seguinte. Cada órbita recebeu um número n inteiro.
e) O número de raias que aparecem no espectro correspondem a todos os
possíveis saltos dos elétrons utilizando-se apenas as n órbitas.
Não existem órbitas intermediárias, pois no espectro não se constatou
nenhum valor de λ que fosse compatível com essa hipótese.
http://pois.no/
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estrutura do átomo-3
Neste desenho esquemático, temos os correspondentes "saltos" do elétron
nas séries de Lyman, Balmer e Paschen.
Num gráfico energético teríamos:
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No desenho esquemático vê-se que, para cada "n", corresponde determinada
energia. Então, a energia do elétron não varia de modo continuo.
Apenas as posições inicial e final no "salto do elétron" é que determina o "X_"
do fóton emitido.
Para melhor visualizar a idéia energética do elétron, imagine uma miniatura
de um estádio de futebol com suas arquibancadas.
Suponhamos que o jogador esteja bem próximo das arquibancadas (fora do
campo).
Faça de conta que a "bola" é o elétron que, chutada pelo "era que" (que
fornece energia), vai para o alto e depois desce a arquibancada dando "saltos".
Vamos supor que as arquibancadas sejam indicadas por (n = 1, 2, 3,
4, ...).
A bola recebe energia atingindo determinado "n". Ela voltará à posição inicial
(n = 1), porém, os caminhos serão os mais variados.
No desenho temos a volta (n = 6 n = 3 n = 1). Poderia até voltar
diretamente. Para cada salto diferente, a bola perde diferente energia.
Pode ainda acontecer que, com um "chute" muito forte, a bola saísse do
estádio (no átomo seria a ionização).
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estrutura do átomo-3
Bohr achou que, cada elétron possui sua "arquibancada de estabilidade" bem
determinada. Aí, o elétron gira em redor do núcleo, sem irradiar energia.
Se um elétron é deslocado de sua arquibancada para outra superior, ele
tende a voltar à posição inicial (diretamente ou por etapas), com irradiação de energia.
Observa-se que, as energias são bem definidas para cada arquibancada.
Os diversos estados energéticos do elétron,foram relacionados com regiões, de
maior ou menor distância,até o núcleo. Estas regiões, são as CAMADAS
ELETRÔNICAS ou NÍVEIS ELETRÔNICOS.
Cada camada eletrônica pode ter um máximo de elétrons, assunto que
discutiremos a seguir.
DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA
Os átomos até hoje conhecidos apresentam seus elétrons em camadas, tendo
um máximo de 7 camadas de estabilidade, denominadas: K, L, M, N, 0, P e Q.
O cálculo desses máximos de elétrons será discutido adiante.Experimentalmente, constatou-se que, num átomo estável, o máximo de
elétrons na camada externa é 8.
Regra para a distribuição eletrônica:
Vamos repetir a regra que foi dada no capítulo 2 do LIVRO I.
a) Preencha as camadas na ordem:_K, L, M, N, ... etc. Nessa ordem, coloque
o máximo de elétrons que aceita cada camada. Assim, K - 2, L - 8, M - 18, ... etc, até
completar o total de elétrons do átomo.
b) Verifique o número de elétrons na camada mais externa. Se ela
tiver mais de 8 elétrons deve-se:
CANCELAR esse número e deixar apenas 8 ou 18 elétrons.
(Escreve 8 ou 18; aquele que for imediatamente inferior ao número
a ser cancelado).
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- a_ diferença entre o número cancelado e 8 ou 18 (imediatamente
inferior), deve ser escrito na camada seguinte.
c) Se ainda, a nova camada tem mais de 8 elétrons, deve-se repetir
a operação do item b.
EXERCÍCIOS
(111) Seja a configuração eletrônica do átomo de cálcio de Z = 20.
Então temos:
(112) Seja a configuração eletrônica do átomo de iodo de Z=53.
(113) Seja a configuração eletrônica do átomo de frâncio de
(114) Escreva a configuração eletrônica do átomo de alumínio de
Z = 13, segundo suas camadas eletrônicas.
(115) Idem, para o átomo de antimônio de Z = 51.
(116) Quantos elétrons possui o átomo de Z = 37 na sua camada
externa?
a) 1 b) 8 c) 9 d) 5
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estrutura do átomo-3
(118) Quantas camadas eletrônicas possui o átomo de Z = 56?
a) 5 c) 7
b) 6 d) 2
(119) Quantos elétrons possui a penúltima camada do átomo de
germânio de Z = 32?
a) 2 c) 18
b) 8 d) 32
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Os elementos de transição
A regra que foi citada abrange um grande número de átomos. Porém,
constata-se experimentalmente que ela NÃO VALE para os ELEMENTOS DE
TRANSIÇÃO.
Os elementos de transição serão estudados no capitulo 5 deste livro, onde se
trata da classificação periódica dos elementos.
Adiantando as afirmações, podemos dizer que, os elementos de transição
aparecem no 49, 59, 69 e 79 períodos da tabela e seus números atômicos estão
compreendidos entre:
21----------- 28
39----------- 46
5 7---------- 78
89-----------103
Dada a distribuição eletrônica desses elementos é facílimo o seu
reconhecimento, porque qualquer um deles possui:
a) 1 ou 2 elétrons na camada externa.
b) Pelo menos uma camada interna com número de elétrons diferente
de 2, 8, 18 ou 32.
EXERCÍCIOS
(120) O átomo de ferro de Z = 26 possui a seguinte configuração
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(121) Sejam os átomos A, B, C e D cujas configurações eletrônicas
estão abaixo indicadas. Aponte aquele que é de transição.
Como já dissemos, a regra da distribuição eletrônica diretamente nas
camadas é válida somente para elementos não de transição.
Os elementos não de transição apresentam nas camadas internas, número de
elétrons 2, 8, 18 e 32 enquanto aqueles de transição possuem pelo menos uma
camada interna com diferente número de elétrons.
══════════════
C AA EEVVOOLLUUÇÇÃÃOO
DDAA TTEEOORRIIAA DDEE
RRUUTTHHEERRFFOORRDD--BBOOHHRR
A teoria de Rutherford-Bohr foi muito bem sucedida, quando aplicada ao
átomo com apenas 1 elétron (Hidrogênio, deutério e hélio ionizado). Quando se tratava
de espectros de átomos mais complexos, com diversos elétrons, surgiram dificuldades
em adaptar a teoria, e houve necessidade de adaptar novas grandezas quânticas.
Num sistema com diversos elétrons ocorrem interações entre esses elétrons e
o espectro, ao invés de ser"espectro de linhas" aparece na forma de "espectro de raias".
Estas "raias" são diversas linhas umas muito próximas das outras.
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estrutura do átomo-3
O exame mais minucioso é
denominado "espectro fino".
Se cada raia está associada a 5
linhas, isto significa que ocorreram 5 saltos
muito semelhantes.
Esta experiência força a aceitar que
elétrons com o mesmo número quântico
principal possuem diferentes energias. Há
necessidade de introduzir outros números
quânticos para caracterizar a energia do
elétron num átomo.
Foi Sommerfold, quem deu o primeiro passo para a ampliação à teoria de
Bohr. Ele admitiu a possibilidade de órbitas elípticas com diferentes excentricidades,
para um mesmo número quântico principal n.
Assim os elétrons da camada 'M" (n = 3) poderiam ter 3 tipos de elipses.
Foi introduzido um 29 número quântico para caracterizar estas elipses de
diferentes excentricidades. E o número quântico azimutal ℓ, também denominado
número quântico secundário.
Os valores que ℓ pode assumir variam de 0 até (n - 1). Por exemplo, na
camada N (n = 4) , os possíveis valores são: ℓ, = 0, 1 , 2 e 3.
Temos, então, 4 tipos de elipses. Quanto maior o valor de t a elipse é mais
"arredondada". O máximo valor de ℓ, portanto ℓ=(n-l), no exemplo ℓ = 3, corresponde à
elipse mais arredondada, ou seja, uma circunferência.
Quanto maior o valor de ℓ maior é a energia do elétron.
Cientificamente, ao invés de falar que os elétrons têm trajetórias de diferentes
excentricidades, diz-se que, os elétrons descrevem órbitas de diferentes momentos
angulares.
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Sejam os elétrons das três órbitas
desenhadas na figura anterior. A órbita
circular de ℓ = (n - 1) é aquela de maior
energia. Se esses elétrons "saltam" para um
nível energético mais baixo, emitirão fótons
com diferentes λ e portanto, teremos
impressões em diferentes regiões no espectro.
A trajetória de um elétron pode ser
considerada uma corrente elétrica. Esta
corrente cria um campo magnético
perpendicular ao plano dessa trajetória (elipse
ou circunferêncial .
Quando colocamos um átomo numa
região de intenso campo magnético, o vetor H
criado pelo elétron sofre uma orientação,
forçando-o a tornar paralelo ao campo
magnético externo.
Se efetuarmos "saltos" de elétrons,
dentro de um campo magnético, observam-se
novos tipos de emissões.
Este fenômeno é conhecido como
EFEITO ZEEMAN.
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estrutura do átomo-3
A explicação é que, como os vetores H criados pelos elétrons têm
diferentes orientações, acumulam-se diferentes energias nesses elétrons, quando
dentro de forte campo magnético.
Para cada orientação de H, será produzida uma linha espectral no
efeito Zeeman.
Numa linguagem científica dizemos que, o elétron tem um momento
magnético (ao invés de dizer que a sua trajetória cria um campo magnético).
Para determinado momento magnético, podemos associar um vetor que
apresenta determinada orientação espacial e recebe um terceiro número quântico
denominado número quântico magnético (m ℓ ).
Verificou-se que esse número quântico magnético podeter valores inteiros
no intervalo: -ℓ, ..., 0, ..., +ℓ.
Assim, os elétrons de ℓ = 3, podem ter m ℓ -3, -2, -1, 0, +1, +2, +3.
Por enquanto, estamos admitindo o elétron como uma partícula elementar
que gira em redor do núcleo, em órbitas elípticas ou circulares, tendo trajetórias em
planos bem definidos.
Examinando os espectros com maior precisão,
ou seja, obtendo-se o "espectro fino" vê-se que cada
raia espectral tem diversas linhas.
A primeira raia da série de Balmer é, na
verdade, constituída de 2 linhas muito próximas, com
uma diferença de 0,14 Ǻ no comprimento.
Como poderia ser explicada a "estrutura fina"
das raias espectrais?
Em 1925 foi sugerido que isso o corria porque o elétron pode ser considerado
como uma carga esférica que gira em torno do eixo axial, ou seja, teria também um
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
movimento de rotação próprio.
Em outras palavras, o elétron é considerado como um pequeno eletro-
imã. Este imã vai se orientar dentro do campo magnético criado pelo seu
movimento de translação em redor do núcleo. Existem dois tipos de
orientação: paralelo e anti-paralelo.
Estes dois tipos de orientação dos elétrons forçaram a introduzir o 4º.
número quântico denominado número quântico de spin ms .
Os valores de ms podem ser: - 1/2 e + 1/2.
Para caracterizar determinado elétron de um átomo, são necessários 4
números quânticos:
a) número quântico principal n
b) número quântico azimutal ℓ
c) número quântico magnético mℓ
d) número quântico de spin ms
Esses números quânticos podem ter os seguintes valores:
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estrutura do átomo-3
D PPRRIINNCCÍÍPPIIOO DDEE
EEXXCCLLUUSSÃÃOO DDEE PPAAUULLII
Após examinar cuidadosamente os espectros de diversos átomos,
Wolfgang Pauli enunciou o conhecido princípio da exclusão.
Num átomo nunca existem 2 elétrons com seus 4
números quânticos iguais.
Para você entender melhor, imagine um sistema telefônico que utiliza 4
números. Será preciso discar 4 números para determinar um aparelho. No elétron
precisamos de 4 números quânticos para determiná-lo.
Por outro lado, neste sistema telefônico não existem 2 aparelhos com os 4
números iguais, limitando-se o número de aparelhos que o sistema comporta.
O principio da exclusão de Pauli limita também o número de elétrons que
cada camada pode admitir.
Por exemplo: Na camada L (n = 2) teremos os valores de ℓ = 0 e 1 pois, o
máximo é (n - 1) . Ainda mℓ tem suas limitações desde -ℓ a + ℓ.
Teremos então estes elétrons:
Conclusão:
A camada "L",admite no máximo 8 elétrons.
Os detalhes sobre as conseqüências do principio da exclusão são de Pauli
serão estudadas adiante, neste mesmo capítulo.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
E AA MMEECCÂÂNNIICCAA
OONNDDUULLAATTÓÓRRIIAA
Em 1924, o físico francês Louis de Broglie sugeriu que o elétron
também pudesse ser encarado como uma onda.
Quando um fóton colide com um elétron, este adquire mais energia e, o fóton
resultante, após o choque, perde parte da energia. Esse fenômeno e denominado efeito
Compton.
A proposição de "de Broglie" era simples:
Se os fótons.que comumente afirmamos serem ondas, podem algumas
vezes apresentar propriedades de corpúsculos (como no efeito Compton), por que
os elétrons não poderiam apresentar propriedades ondulatórias?
Inicialmente, a proposição recebeu diversas criticas, mas logo
apareceram provas que corroboravam a teoria.
Experiências de Germer e Davisson vieram provar que, elétrons podem sofrer
difração obedecendo as leis ondulatórias como se fossem ondas sonoras, luminosas,
etc.
Vejamos uma comparação como recurso didático:
Um "cara" metralha a esmo, próximo a uma esquina.
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estrutura do átomo-3
As balas caminham praticamente em linha reta. No entanto, o "som" da
rajada sofre difração na quina da parede e o indivíduo agachado, protegido das balas,
pode ouvir a rajada. Isto quer dizer que o som "dobra a esquina", que é uma das
características na propagação ondulatória.
Se a metralhadora atirasse elétrons, estes sofreriam difração na quina e iriam
atingir o indivíduo, caracterizando a sua própriodade ondulatória.
Esse fato levou a crer que, poderia associar ao elétron uma onda de
determinado comprimento de onda λ.
De Broglie propôs que, qualquer partícula material em movimento teria
uma onda associada com o comprimento de onda.
onde;
λ comprimento de onda associada
h constante de Planck
m massa da partícula
v velocidade da partícula
Reparem na equação
Um corpúsculo que tem massa elevada teria um λ muito pequeno. Por
exemplo, uma bola de tênis em movimento possui um λ, porém é tão pequeno o seu
valor que, torna-se imperceptível na prática.
Um elétron, segundo Bohr,
descreve uma órbita circular. Segundo De
Broglie, a trajetória do elétron é a de uma
onda, como indica a figura ao lado. E ainda,
a trajetória devo conter um número inteiro
de λ.
Neste caso, o elétron não é
considerado como uma partícula; ele é
considerado como um conjunto do ondas
que vibram em redor do núcleo.
Criou-se, então, um novo ramo na
Física denomina do "Mecânica Ondulatória".
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O princípio das incertezas
É difícil aceitar certas teorias, quando elas fogem dos aspectos de fenômenos
cotidianos. Antes cientistas pensavam em átomos = esfera, elétron = satélite, etc.
Na verdade, quando vamos ao mundo subatômico, as teorias clássicas
perdem sua validade e necessitamos de novos conceitos. - Como este por exemplo,
do elétron ser encarado como uma onda.
Às vezes, esses novos conceitos entram em choque com a nossa mente
intuitiva, sendo difícil sua aceitação. É o que está acontecendo com a teoria matéria
------- onda e também acontecerá com o princípio das incertezas.
O princípio das incertezas diz que:
_______________________________________________________________
Jamais poderemos determinar simultâneamente a posição
de uma partícula e a sua velocidade num dado instante.
______________________________________________________________
Em outras palavras: quanto mais exata for a determinação da posição de uma
partícula., em determinado instante, maior incerteza te remos na sua velocidade, e
vice-versa.
Para um elétron em movimento em redor do núcleo, pode-se determinar sua
energia, mas há indeterminação na velocidade e posição desse elétron, num dado
instante.
Torna-se absurdo falar na trajetória de um elétron em redor do núcleo (como
supôs Bohr), para um elétron com energia e momento angular determinados.
Pode-se falar numa região de máxima probabilidade de se encontrar
determinado elétron.
Um físico austríaco Erwin Schrodinger conseguiu adaptar ao elétron as
teorias de Heisenberb e De Groglie.
Utilizando-se equações do movimento de ondas, em coordenadas cartezianas,
ele conseguiu deduzir equações matemáticas que deter minam regiões no espaço, onde
temos a máxima probabilidade de se encontrar determinado elétron.
Esta região é denominada ORBITALdo elétron.
A figura ao lado é a visualização do
orbital do elétron do átomo de hidrogênio,
no estado normal .
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
estrutura do átomo-3
ORBITAL é a região do espaço onde se tem a máxima
probabilidade de se encontrar determinado elétron.
Apenas para efeito ilustrativo, vamos imaginar um beija-flor, seu ninho e
suas vizinhanças. Tudo está imóvel exceto o beija-flor.
Lancemos mão de uma câmara fotográfica e vamos bater chapas de 10 em 10
segundos. Assim, as posições do beija-flor serão dadas em cada 10 segundos e vamos
registrá-las num mapa (figura).
No mapa vê-se que, com maior freqüência, o beija-flor esteve perto do ninho
(núcleo). O conjunto de todos os pontos por onde o beija-flor esteve, é denominado do
ORBITAL desse pássaro.
══════════════════
F NNÍÍVVEEIISS
SSUUBBNNÍÍVVEEIISS
EE OORRBBIITTAAIISS
Quando Bohr enunciou os postulados, sugeriu que o raio da órbita
circular fosse:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
sendo:
h - constante de Planck = 6,6 x 10-27 erg x seg
π - 3,1416
m - massa do elétron
v - velocidade do elétron
n - número inteiro
Para os átomos estáveis os valores de "n" podem ser:
1 < n < 7
2
Hoje, não tem mais sentido falar em raio da órbita e a interpretação de "R"
seria: a distância mais provável do elétron ao núcleo.
Conforme o "n" adquira valores 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, dizemos que o elétron
pertence às camadas ou níveis K, L, M, N, O, P e Q respectivamente.
Pela equação de Bohr vê-se que, quanto maior o "n", o elétron encontra-se
mais afastado do núcleo.
Na camada "K", existe apenas 1 tipo de orbital.
Esse orbital é chamado "ls" e tem forma esférica.
Na verdade, o orbital não possui um limite nítido, porém, representaremos
com figuras geométricas com a finalidade de facilitar a visualização espacial.
Na camada L, ou seja, para o número quântico principal "2" , existem duas
formas de orbitais: "s" e "p".
Chamaremos de orbitais "2s" e "2p". Reparem que a letra do orbital é sempre
precedida pelo número quântico principal que no caso é "2".
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estrutura do átomo-3
0 orbital "2s" é uma corôa esférica que envolve "ls".
Os orbitais "2p" são três, denominados: "2px ", "2py " e "2pz ", que se orientam
em 3 eixos triortogonais "x", "y e "z" respectivamente.
Cada orbital "p" tem formato de halteres.
Os orbitais "2px", "2py", e "2pz" constituem
um conjunto de orbitais que é denominado
SUBNÍVEL. Este é o subnível 2p que e o conjunto
de todos os orbitais 2p (2px, 2py e 2pz).
O conjunto dos subníveis de mesmo
número quântico principal definem a camada
ou nível eletrônico.
Neste caso temos:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Resumindo :
Os elétrons de mesmo número quântico principal podem estar em diversos
ORBITAIS.
Os orbitais formam agrupamentos que são chamados de SUBNÍVEIS.
Esses subníveis é que constituem os conjuntos denominados de CAMADAS.
É como num prédio de apartamentos, por analogia!
Os habitantes (elétrons) se encontram nos cômodos (orbitais); os cômodos
constituem o apartamento (subnível); um conjunto de apartamentos determinam um
andar (camada) e o conjunto de andares constituem o prédio (eletrosfera).
Vamos à camada "M".
Esta camada apresenta os se guintes
subníveis: 3s, 3p e 3d.
- 0 subnível "3s" é constituído apenas
pelo orbital "3s"que ê uma coroa esférica
envolvendo "2s".
- O subnível "3p" é constituído pelos
orbitais 3px , 3py e 3pz dispostos em 3 eixos
triortogonais.
- 0 subnível "3d" é constituído de 5 orbitais assim denominados:
"3dxy", "3dyz", "3dxz," "3dx2-y2" e "3dz2".
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estrutura do átomo-3
Eis as formas geométricas que representam esses orbitais:
Mas como poderemos prever o número de orbitais numa camada?
A mecânica quântica ê quem pode dar esta resposta. As discussões das
equações que nos poderiam responder ficarão em suspenso por estarem fora do
nível deste curso.
Teoricamente, pode-se dizer que, um átomo possui camadas K, L, M, N, ...
onde os elétrons teriam seus números quânticos principais n = 1, 2, 3, 4, ...
respectivamente.
Logo, um elétron da camada "P" tem: n = 6.
Cada camada é constituída de subníveis. Cada subnível tem um número
quântico secundário ou,também chamado, número quântico azimutal, indicado por
ℓ (inteiro).
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Os valores de ℓ são: 0, 1, 2, 3, ... (n - 1).
Por exemplo:
A camada "M" tem no. quântico principal n = 3.
Então, os subníveis possíveis serão com valores de ℓ = 0, l e 2.
Conclusão: a camada "M" possui 3 subníveis.
Cada subnível recebeu letras do alfabeto
conforme seja o seu número quântico azimutal ℓ
(veja a correspondência ao lado) .
Na prática só se conhecem valores de ℓ ≤ 3
para os átomos estáveis.
Portanto os subníveis g, h, i, j, etc são
puramente teóricos.
As letras "s", "p", "d" e "f" foram
extraídas do inglês: sharp, principal, diffuse e
fundamental, respectivamente.
Estas palavras estão relacionadas com os espectros de emissão.
EXERCÍCIOS
Quais os subníveis que apresenta a camada N?
Temos:
camada N n = 4
então:
ℓ = 0, 1, 2 e 3
e os subníveis são:
s, p, d e f
Resposta: os subníveis são 4s, .4p, 4d e 4f.
(123) Quantos subníveis tem o átomo normal que possui as camadas K. L e
M?
Cada subnível é constituído de orbitais. Cada orbital recebe um número que é
chamado número quântico magnético (mℓ). A mecânica quântica garante que os
valores de mℓ so podem ser - ℓ, ..., -1, 0, +1, ..., + ℓ (todos inteiros).
Então, o subnível d cujo valor de ℓ. = 2 possui orbitais cujos números
quânticos magnéticos são:
-2, -1, 0, +1, +2.
0 subnível d possui 5 orbitais.
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estrutura do átomo-3
(124) Quantos orbitais possui a camada "L"?
Sendo camada L:
n = 2 ; ℓ = 0 e ℓ =1
Para ℓ = 0 { m ℓ = 0
Para ℓ = 1
Então:
A camada "L" possui 4 orbitais.
(125) Quantos orbitais possui o subnível 4f ?
a) 4 c) 6 e) 10
b) 28 d) 7
(126) Quantos orbitais possui a camada M ?
a) 9 c) 3 e) 7
b) 5 d) 6
E em cada orbital, quantos elétrons podem existir?
A resposta a esta pergunta pode ser dada pelo Princípio da exclusão de
Pauli.
Vimos que, este princípio_assegura que num átomo não pode existir 2
elétrons com seus 4 números quânticos iguais. Dois elétrons do mesmo orbital já
possuem 3 números quânticos iguais (n, ℓ e mℓ), pois esses elétrons são da mesma
camada (n), do mesmo sub nível (ℓ) , e do mesmo orbital (mℓ) .
Por outro lado, o número quântico de spin sópode ser -1/2 e +1/2. Então, a
outra forma de enunciar o principio da exclusão é:
___________________________________________________________________________
Num orbital, encontram-se no máximo 2 elétrons e eles
possuem spins opostos.
_______________________________________________________________
Conclusão:
Num orbital teremos apenas 2 elétrons, no máximo._ A mecânica quântica
deduz que o primeiro_elétron do orbital tem número quântico de spin -1/2. 0
segundo elétron terá ms = + 1/2.
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EXERCÍCIOS
(127) Quais são os números quânticos dos 2 elétrons externos do
átomo de mercúrio sabendo-se que eles pertencem ao subnível 6s?
Resolução:
subnível 6s -> camada com n = 6
subnível com ℓ = 0
Logo:
mℓ = 0
pois :
-ℓ < mℓ < + ℓÍ
como os valores de ms são:
-1/2 e +1/2
Os conjuntos dos números quânticos são:
6, 0, 0, -1/2
6, 0, 0, +1/2
(128) Dar o conjunto dos números quânticos do elétron externo do
átomo de potássio cujo Z = 19.
a) 1, 0, 0, -1/2 c) 4, 0, 0, -1/2
b) 3, 0, 1, -1/2 d) 4, 0, 0, +1/2
════════════════════
Diante do que foi estudado podemos prever o máximo de elétrons em
cada camada.
Em primeiro lugar vamos determinar o número de orbitais nos
diferentes subníveis.
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estrutura do átomo-3
Anàlogamente os subníveis teóricos g, h, ... teriam o máximo de 9,
11, ...orbitais.
Observe que o número de ORBITAIS num SUBNÍVEL é sempre ÍMPAR.
Como em cada orbital só cabem no máximo 2 elétrons.
subníveis orbitais elétrons
s ------------------------ 1 ----------------------- 2
p ------------------------ 3 ----------------------- 6
d ------------------------ 5 ----------------------- 10
f ------------------------- 7 ----------------------- 14
Temos aí os máximos de elétrons em cada subnível.
Vejamos agora os subníveis em cada camada:
Lembremos que ℓ = 0, 1, 2, 3, ... até (n - 1).
Nas camadas O, P e Q deveriam existir novos tipos de subníveis (g, h, i, j ,
etc). Na realidade essas camadas não apresentam todos os subníveis teoricamente
admissíveis.
Na camada O existem os subníveis 5s, 5p, 5d e 5f (deveria aparecer,
então, o 5g) .
Na camada P temos os subníveis 6s, 6p e 6d.
Na camada Q temos apenas o subnível 7s.
Estas conclusões foram levantadas de trabalhos puramente
experimentais.
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Temos, num resumo geral:
(Obs.: Na prática, para a camada "P" só foi encontrado o átomo com
um máximo de 10 elétrons).
════════════════════
G RREEPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO
GGRRÁÁFFIICCAA EE
RREEGGRRAA DDEE HHUUNNDD
Vimos que um subnível é um conjunto de orbitais. Lembremos que os
subníveis s, p, d e f, apresentam respectivamente 1, 3, 5 e 7 orbitais.
Cada orbital será representado por um quadrado (gaiola) em cujo
interior representaremos os elétrons.
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estrutura do átomo-3
Cada orbital possui um número quântico magnético mℓ, que recebeu a
seguinte convenção: sempre o orbital central tem: mℓ = 0; à esquerda temos mℓ
negativos e à direita mℓ positivos.
Exemplo:
d
-
-2
-
-1
0
0
+
+1
+
+2
Evidentemente o orbital do subnível s tem mℓ = 0
EXERCÍCIO
(129) Qual o valor de mℓ do orbital colocado na extremidade direita,
quando se representa o subnível f ?
a) 0
b) -3 d) +3
c) +2 e) -1
Os elétrons que irão ocupar os orbitais serão indicados por setas para cima
↑ ou para baixo ↓ .
A seta para cima (↑) representará o 1º. elétron a ocupar determinado orbital; a
seta para baixo (↓) indicará o 2º. elétron que se encontra num orbital.
Sabe-se ainda que:
no. quântico de spin
↑ —► 1º. elétron -------------------► - 1/2
↓ —►2º. elétron -------------------► + 1/2
Exemplos:
Seja o subnível ls com 1 elétron --------
Seja o subnível ls com 2 elétrons --------
Regra para preenchimento de elétrons num subnível
Experimentalmente constata-se que os primeiros elétrons, a ocupar um
subnível apresentam valores de mℓ e ms menores possíveis. Por exemplo: no subnível
d inicia-se com mℓ = -3 e ms = -1/2. Isto significa que, deve-se colocar setas para cima
da esquerda para a direita. Ainda todos os orbitais receberão 1 elétron ↑(-1/2) e, só
depois, é que completaremos os orbitais da esquerda para a direita (ordem crescente
de mℓ ) com os elétrons↓ (+1/2).
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Exemplo:
Dar a representação gráfica do subnível 3d que possui 7 elétrons .
O preenchimento dessas "gaiolas", é conhecido como regra de Hund
que assim é enunciado:
______________________________________________________________
Num subnível, enquanto todos os orbitais não
receberem o 1º. elétron, nenhum deles receberá o 2º. elétron.
_______________________________________________________________
EXERCÍCIOS
(130) Dar os 4 números quânticos do ultimo elétron representado (seguindo a
regra do Hund), quando efetuamos a representação gráfica de 9 elétrons no
subnível 4f.
(131) Idem no caso de 4 elétrons no subnível 6p.
(132) Seja o subnível da camada 0.
Indique os 4 números quânticos do elétron assinalado.
(133) Qual a representação gráfica do elétron que possui os números
quânticos: 2, 0, 0, -1/2.
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estrutura do átomo-3
Vamos analisar agora o aspecto energético dos elétrons. Jamais 2 elétrons de
um mesmo átomo possuem exatamente a mesma energia. No entanto, as diferenças de
energia notórias estão entre elétrons de subníveis diferentes. É o que vamos
apreciar.
Tem-se o seguinte gráfico energético:
DIAGRAMA ENERGÉTICO DOS SUBNÍVEIS
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O que se nota nitidamente é que, certos subníveis de camadas mais externas,
são energèticamente inferiores que alguns subníveis mais internos. É o caso da
energia do 4s ser menor que a energia do 3d.
A ordem energética é portanto:
Is, 2s, 2p,3s, 3p, 4s, 3d, 4p, 5s, 4d, 5p, 6s, 4f, 5d, 6p , 7s, 5f, 6d (que é a
leitura vertical de_ baixo para cima no diagrama energético).
O cientista Linus Pauling (prêmio Nobel da Química - 1954 - e prêmio Nobel
da Paz - 1963) idealizou um dispositivo prático que permite dar, imediatamente, a
ordem energética dos subníveis e que é conhecida como Diagrama de Pauling.
Ei-lo:
No preenchimento de elétrons num átomo, eles vão ocupando os orbitais de
menorenergia. Portanto, o diagrama de Pauling mostra nos como devemos
preencher os subníveis dos átomos.
Lembra-se da regra elementar que foi puramente informada sem nenhuma
explicação e, ainda não valia para os elementos de transição?
Agora temos uma regra com base energética e vale também para muitos
elementos de transição.
EXERCÍCIOS
(134) Dar a configuração eletrônica para o átomo de cálcio de Z = 20.
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estrutura do átomo-3
Resposta: a configuração é. ls2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2.
(135) Dar a configuração eletrônica do átomo de ferro de Z=26.
(136) Idem, para o tungstênio de Z = 74.
Atualmente, a distribuição eletrônica deve ser feita respeitando-se o
diagrama energético, ou seja, o diagrama de Pauling.
Ao tentar aplicar o diagrama para todos os elementos, alguns deles,
principalmente os de transição, fogem do esquema. Isto se verifica porque, para esses
átomos, o diagrama energético não é igual àquele da página 159. Por exemplo, para o
átomo de cobre, os subníveis 3d e 4s possuem praticamente a mesma energia,
podendo ser encarados como 1 único subnível. Porém, essas discussões não cabem
neste curso.
═══════════════
H MMEEMMOORRIIZZAAÇÇÃÃOO
AATTRRAAVVÉÉSS DDOO
EESSTTUUDDOO CCOOMMPPAARRAATTIIVVOO
Dissemos que o átomo poderia ser comparado com um prédio de
apartamentos. Se você encontrou dificuldade em memorizar o esquema da estrutura
atômica, veja se consegue associá-lo com a seguinte idéia:
Vamos supor que elétrons são "pensionistas" que moram nos cômodos, de um
prédio de apartamentos. Ainda suponhamos que, num cômodo, cabem no máximo um
casal de elétrons. Um conjunto de cômodos constitui um apartamento. Um conjunto
de apartamentos constitui um andar. O conjunto dos andares compõe a estrutura
do prédio.
O nosso prédio tem 7 andares chamados K, L, M, N, O, P e Q.
Existem também, apenas, 4 tipos de apartamentos denominados: s, p, de f
onde o número de cômodos é, respectivamente, 1,3, 5 e 7 (ímpares consecutivos).
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Em cada cômodo cabem no máximo 2 elétrons (1 par com spins
opostos); então, teremos as seguintes lotações nos apartamentos:
_______________________________________________
s -> 2 p -> 6 d -> 10 f -> 14
_______________________________________________
Vejamos, ainda, os tipos de apartamentos que existem em cada andar.
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estrutura do átomo-3
Com a finalidade de distinguir os apartamentos, vamos colocar diante de cada
um o número correspondente ao andar, como se faz nos apartamentos reais. Por
exemplo, os apartamentos 51, 52, ...etc., são aqueles do 5º. andar.
Sendo assim, os apartamentos serão:
K --------- ls
L --------- 2s , 2p
M ---------- 3s, 3p, 3d
N ---------- 4s, 4p, 4d, 4f
O ---------- 5s, 5p, 5d, 5f
P --------- 6s, 6p, 6d
Q --------- 7S
Diante de tudo isso pode-se comparar:
"inquilino" ------------- elétron
"cômodo" --------------- orbital
"apartamento" --------- subnível
" andar" ---------------- camada
"prédio" ----------------- eletrosfera
Você poderia agora calcular o máximo de elétrons que cada camada
pode comportar.
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Dividimos o prédio também em faixas verticais que chamaremos de setores 0,
1, 2 e 3 que correspondem ao número quântico azimutal do elétron.
Reparem ainda como foi numerado cada cômodo. Em qualquer apartamento,
o cômodo central recebeu o número zero; os apartamentos da direita os POSITIVOS
e os da esquerda os NEGATIVOS.
Estes nos. correspondem ao número quântico magnético, (mℓ) no átomo.
Cada elétron será localizado através do seu "endereço" que é expresso
com 4 números, denominados números quânticos.
São eles:
n°. quântico principal ------------► ANDAR-------------------► n
n° quântico azimutal -------------► SETOR--------------------► ℓ
n°. quântico magnético ----------► CÔMODO ---------------► mℓ
n°. quântico de spin --------------► SPIN DO ELETRÓN-----►ms
Reparem ainda que até o 4º. andar, para determinado n, temos as
seguintes limitações.
0 < ℓ < (n – 1 )
Por exemplo, no andar M (n = 3), o máximo valor do número quântico
azimutal é ℓ = 2 (não atinge o setor 3).
Ainda em cada setor observe que:
- ℓ ≤ mℓ ≤ + ℓ
Por exemplo:
No setor 2, os cômodos têm as numerações: -2, -1, 0, +1, +2.
Sabemos que em cada cômodo vivem no máximo_2 elétrons e se existirem
dois, eles terão spins opostos, que serão representados assim:
A colocação do elétron nos cômodos obedece rigorosamente a regra de Hund
(primeiro entra o elétron de ms = - 1/2 em todos os orbitais) .
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estrutura do átomo-3
Finalizando a comparação, devemos lembrar que:
Como já dissemos, poderíamos comparar os 4 números quânticos com
números de um telefone. Cada elétron teria então um aparelho telefônico.
Assim, cada elétron estaria associado a um conjunto de 4 números que
indicariam, respectivamente: o andar, o setor do apartamento, a posição do cômodo e
o tipo de spin do elétron. (Cada número telefônico chama uma pessoa de um bairro,
numa rua, em determinada casa) .
Seja o elétron com os números quânticos: 4, 1, 0, -1/2.
Trata-se de um elétron que reside:
n = 4 -------- 4º. andar
ℓ = 1 --------- setor 1 ou seja no subnível "p"
mℓ = 0-------- no orbital central
m = -1/2----- é o elétron ↑
Sua representação gráfica seria:
═════════════════════
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I HHIIBBRRIIDDAAÇÇÃÃOO
A palavra hibridar ou hibridizar faz lembrar o fenômeno genético: Duas
espécies diferentes cruzam-se e nasce uma nova espécie, com características
diferentes das anteriores.
Exemplo: O burro é um produto híbrido que resultou do cruzamento da
égua com o jumento.
Vimos que os orbitais atômicos podem ter diversas formas, conforme seja o
subnível desse orbital.
Às vezes podem 2 ou mais orbitais fundirem-se, surgindo novos orbitais
diferentes das anteriores. Dizemos então que ocorreu a hibridação ou hibridização
desses orbitais.
Exemplo: 1 orbital s e um orbital p, podem fundir-se, resultando dois
orbitais híbridos.
Cada orbital híbrido é chamado "sp" que faz lembrar a origem da
hibridação.
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estrutura do átomo-3
Por que os átomos sofrem hibridação?
Veremos no próximo capítulo que os átomos adquirem estabilidade quando
todos seus orbitais ficam com 2 ELÉTRONS, ou seja, cada orbital fica com UM
PAR de elétrons de spins opostos.
A maioria dos átomos apresentam pelo menos 1 orbital com apenas 1
ELÉTRON e diremos que se trata de ORBITAL com elétron desemparelhado, ou
orbital incompleto.
Uma das formas de completar o orbitalé a do átomo se associar com outro
átomo que possua também elétrons desemparelhados. Por exemplo, citemos o caso
do flúor:
Fluor Z = 9
A configuração eletrônica será: ls2, 2s2, 2p5
Examinemos o subnível 2p5.
O orbital 2pz está com elétron desemparelhado. Por outro lado sabemos que o
hidrogênio tem orbital ls com apenas 1 ELÉTRON. Então, o flúor e o hidrogênio podem
ligar-se, produzindo o HF (fluoridreto).
Esta representação é apenas esquemática, supondo o átomo como
"esferas" tal qual Dalton havia imaginado.
Vejamos o que está ocorrendo com os orbitais.
Para simplificar, desenhemos o orbital ls do hidrogênio e apenas os orbitais
px, py e pz do flúor (deixaremos de desenhar ls e 2s desse átomo). Destes apenas ls
e pz estão incompletos !
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Os orbitais ls e 2pz unem-se, dando lugar a um orbital chamado orbital
MOLECULAR que ficará com 2 elétrons de spins opostos.
De modo mais esquemático, indicaremos a união de hidrogênio ao flúor
através de um TRAÇO e diremos que se estabeleceu uma ligação COVALENTE.
Portanto, cada covalência representa uma ligeira interpenetração de orbitais
e, consequentemente, um emparelhamento de elétrons (par de elétrons de spins
opostos).
Vejamos agora o carbono de Z = 6.
A configuração é: ls2, 2s2, 2p2
Os orbitais incompletos são 2py e 2px
Teoricamente, o carbono teria apenas 2 elétrons desemparelhados e deveria
produzir apenas 2 covalências, ou seja, precisaria de apenas 2 átomos de hidrogênio
para emparelhar todos os elétrons.
No entanto, o mais simples composto de
carbono e hidrogênio é o metano que possui um átomo
de carbono e 4 átomos de hidrogênio.
Isto quer dizer que temos 4 covalências e eram
4 ELÉTRONS DESEMPARELHADOS no átomo de
carbono.
As verificações experimentais começaram a
contradizer as previsões calculadas pela teoria da estrutura atômica. Para contornar
casos como este, foi necessária a aceitação da teoria de hibridação, introduzida por
Linus Pauling.
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estrutura do átomo 3
Vejamos como o carbono ficará com 4 elétrons desemparelhados.
Inicialmente, lembremos que os elétrons do subnível 2s possuem energia
mais baixa que os do 2p. (Vide diagrama energético dos orbitais na página 159). Um
elétron do 2s recebe energia e "pula" para o orbital 2pz, que estava "vazio".
Teremos o carbono no ESTADO ATIVADO ou EXCITADO e, a
configuração será ls2, 2s, 2px, 2py, 2pz.
Admite-se que os orbitais 2a e 2p sofram
"fusão", dando origem a 4 orbitais novos. Como neste
processo houve associação de 1 orbital "s" e 3 orbitais
"p", diremos que os novos orbitais são do tipo "sp3" c n
hibridação ê do tipo "sp3".
Os orbitais híbridos distribuem-se no espaço
de maneira mais simétrica possível. Neste caso, com 4
orbitais, teremos uma estrutura tetraédrica e cada
orbital possui uma forma geométrica como indica a figura ao lado.
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Vamos esquematizar a sequência da hibridação:
Os ângulos entre os orbitais híbridos é de 109°28' (estrutura tetraédrica). Por
isso, essa hibridação é denominada TETRAÉDRICA ou TETRAGONAL. Os 4 orbitais
híbridos estão incompletos, ou seja, com apenas 1 elétron.
Cada orbital desses, pode emparelhar seu elétron com o elétron do
hidrogênio, resultando um orbital molecular, ligação de "s" do hidrogênio com "sp3" do
carbono. Teremos então, o CH4 com 4 orbitais moleculares do tipo ڭs-sp3 (ڭ lê-se
sigma).
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estrutura do átomo-3
Diz-se que, o carbono combina-se com o hidrogênio formando orbitais
moleculares, segundo direções apontadas do centro para vértices de um tetraedro
regular.
Outras representações para o metano.
Isto que ocorreu para o átomo
de carbono ocorre para outros átomos
que possuem 1 elétrons na camada
externa, como são os casos de silício é
germânio. Eles formam hidretos SiH4,
e GeH4, com hibridações de orbitais na
forma tetraédrica.
A hibridação também ocorre com átomos que possuem 3 elétrons na camada
externa, quando esse átomo vai se ligar a outro com interpenetração de seus
orbitais.
É o caso do boro quando se liga ao flúor.
Este átomo possui no estado normal apenas 1 elétron desemparelhado. Mas
na realidade os compostos de Boro possuem 3 1igações. Então, deve ter ocorrido
uma hibridação.
Observou-se que a hibridação ocorre com os orbitais da camada
externa. 0 estado ativado ou excitado é quando um elétron de orbital completo
"pula" para um orbital vazio.
Para o boro excitado teremos:
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Finalmente, o orbital "s" e os 2 orbitais "p" da camada externa fundem-se,
dando origem a 3 orbitais, então, denominados "sp2" (lembrando os orbitais
originais).
Vejamos o aspecto geométrico dessa hibridação.
Já havíamos dito que a disposição dos orbitais híbridos é a mais simétrica
possível no espaço. Os três orbitais híbridos "sp2" apresentarão eixos coplanares,
sendo o ângulo de 120° entre 2 eixos quaisquer. Diz-se que e uma hibridação
TRIGONAL. Como o átomo apresenta 3 orbitais incompletos, poderá efetuar 3 ligações
e nesta estrutura o boro e trivalente.
Vejamos as ligações do átomo de boro com 3 átomos de flúor.
O átomo de flúor - apresenta apenas um orbital "p" incompleto e este será o
orbital de ligação.
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estrutura do átomo-3
Esquematicamente:
Geometricamente, os orbitais "p" sofrem uma deformação na parte
oposta àquela que faz a ligação.
0 átomo de flúor ficará com 3 orbitais
moleculares denominados ڭp-sp2 e, portanto, com 6
elétrons na camada externa.
Vejamos, ainda, um caso especial de um átomo com apenas 2 elétrons na
camada externa e que apresenta hibridação. É o caso do berílio, cuja configuração
eletrônica é:
Se não ocorresse hibridação, o Berílio seria um átomo estável.
Realmente, este átomo sofrerá hibridação e, teremos 2 orbitais
incompletos o que tornará o Berílio bivalente.
No estado ativado teremos:
Dar-se-á uma hibridação do tipo "sp".
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Geometricamente, os orbitais híbridos situam-se diametralmente opostos,
ou seja, a 180° e, então, teremos uma hibridação LINEAR.
Quando o berílio se liga ao hidrogênio temos uma hibridação "sp" com 2
orbitais híbridos incompletos. Portanto, podem-se ligar 2 átomos de hidrogênio
formando-se a molécula BeH2.
O átomo de berílio ficará com 4 elétrons na camada externa, após as
ligações com os átomos de hidrogênio.
Vamos fazer um resumo sobre a hibridação.
a) Pelo que foi visto, os átomos com 2 ,3 ou 4 elétrons na camada externa
sofrem hibridações quando eles vão 1igar-se a_ outros átomos através da covalência.
b) Os orbitais que se hibridam pertencem a camada externa.
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estruturado átomo-3
c) Antes de ocorrer a hibridação o átomo fica excitado. Este estado
corresponde nos exemplos anteriores à passagem de um elétron 2s para um orbital
2p. Nesta passagem é aumentada a energia desse elétron.
d) 0 número de orbitais híbridos que se formam é igual ao número
de orbitais daquela camada, no estado ativado.
e) Os orbitais híbridos orientam-se no espaço de modo mais simétrico
possível.
f) Temos então as seguintes características:
n° elétrons
na
camada
externa
exemplos
tipos de
hibridação
número
de
orbitais
híbridos
ângulos entre os
orbitais híbridos
2 Berílio sp (linear) dois 180°
3 Boro sp2(trigonal) três 120°
4 Carbono,
Silício,
Germãnio
sp3 (tetraé-
drica)
quatro 109°28'
Graficamente:
Existem outros casos de hibridações que serão estudadas no capítulo
das ligações químicas.
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EXERCÍCIOS
(137) Cloro tem número atômico 17 e peso atômico 35,5. Os
números de massa dos dois isótopos do cloro que ocorrem na natureza são
35 e 37. Em vista destas informações, qual das afirmações abaixo é falsa:
a) todos os núcleos do cloro tem a mesma carga.
b) os núcleos dos átomos de cloro tem um diâmetro aproximadamente
10.000 vezes menor que o diâmetro dos átomos de cloro completos.
c) praticamente, toda massa do átomo de cloro se concentra no núcleo.
d) alguns átomos naturais de cloro contém 18 prótons no núcleo.
e) alguns átomos naturais de cloro contém 20 nêutrons no núcleo.
(138) Ainda, tendo em vista as informações sobre o cloro, dadas na
questão anterior, qual das afirmações abaixo e falsa?
a) os dois isótopos de cloro têm essencialmente as mesmas propriedades
químicas.
b) a abundância do Cl-35 é aproximadamente três vezes maior do que a do
isótopo Cl-37.
c) a abundância relativa dos dois isótopos do cloro é praticamente a mesma
em todos os compostos de cloro que ocorrem na natureza.
d) 6,02 x I023 moléculas de Cl2 pesam 71,0 gramas.
e) o átomo de cloro possui 17 prótons, 17 elétrons e 18,5 nêutrons.
Questões 139 a 142
0 gráfico ao lado é um
diagrama de níveis de energia
para o elétron no átomo de
hidrogênio.
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estrutura do átomo-3
(139) A energia mínima necessária para ionizar o átomo de hidrogênio
do seu estado normal é em eV de:
a) -3,38 c) zero
b) +13,5í d) não se pode prever com apenas esses dados
(140) Quando o elétron passa da camada M para a K ele:
a) absorve 12 eV d) emite um fóton de 1,58 eV
b) emite um fóton de 12 eV e) nenhuma das anteriores
c) absorve 1,58 eV
(141) Para um elétron passar do nível n = 2 para n = 3 e
necessário um fóton de energia:
a) 1,58 eV c) 1,8 eV
b) 3,38 eV d) jamais passará nesse átomo
(142) Quando o elétron "pular" de n = 6 para n = 2 haverá emissão
de luz (fóton) de A correspondente a:
a) violeta d) vermelho
b) ultra-violeta e) infra-vermelho
c) verde
Dados: λ = c
f
ultra-violeta Ι visível Ι infra-vermelho
4.000 7.000
E = h . f
h = 6,6 x I0-27 erg x seg
c = 3 x 10'° cm/seg
1 eV = 1,6 x 10-12 ergs
(143) Quem introduziu na estrutura eletrônica a possibilidade de órbitas
elípticas para os elétrons e consequentemente, o segundo número quântico
(azimutal) foi:
a) Planck d) Germer e Davisson
b) Bohr e) Einstein
c) Sommerfeld
As questões 144 a 148 são do tipo associação:
a) "Qualquer partícula material (massa m) em movimento (velo-
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cidade v) está associada a um movimento ondulatório , de comprimento de
onda dado por λ = h/m . v , sendo h a constante de Planck".
b) "Nunca será possível conhecer-se com exatidão a posição e a
velocidade de um elétron simultaneamente".
c) "Não mais do que 2 elétrons podem ocupar um orbital e isto
somente se eles tiverem spins opostos".
d) "No preenchimento eletrônico dos orbitais de um mesmo sub-
nível, o elétron entrará de preferência no orbital vazio"
e) "Existem equações deduzidas do comportamento de ondas que
determinam a probabilidade de se encontrar o elétron em de terminada
região".
(144) Hund
(145) Heisenberg
(146) Schrodinger
(147) Pauli
(148) de Broglie
As questões 149 a 152 são do tipo associação:
a) número quântico principal
b) número quântico secundário
c) número quântico magnético
d) número quântico de spin
(149) forma do orbital
(150) rotação do elétron em torno de seu eixo
(151) orientação do orbital no espaço
(152) distância de maior probabilidade do elétron ao núcleo
(153) A representação eletrônica correta do átomo de Z = 7 é:
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estrutura do átomo-3
e) nenhuma das anteriores
(154) Seja o elétron assinado no subnível 4f.
0 conjunto de seus 4 números quânticos é:
a) -3, 4, 3, -1/2 d) 4, 7, -3, -1/2
b) 4, 3, -3, -1/2 e) nenhuma das respostas citadas
c) 7, -3, -1, -1/2
(155) 0 efeito Compton confirma:
a) 0 caráter ondulatório dos fótons
b) 0 caráter corpuscular dos fótons
c) 0 caráter corpuscular do elétron
d) 0 caráter ondulatório do elétron
e) que fótons e elétrons são partículas semelhantes
(156) Sejam os átomos de números atômicos 5, 6, 11 e 14. Os
atomos capazes de sofrer hibridação sp3 são os de números atômicos:
a) 5 e 6
b) 6 e 11 d) 6 e 14
c) 11 e 14 e) apenas 6
As questões 157 a 159 referem-se ao mesmo átomo:
(157) Quantos elétrons tem um átomo que, no estado normal ,apresenta os
seguintes orbitais?
a) 4 d) 8
b) 5 e) 6, 7 ou 8
c) 6
179
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(158) Se o átomo da questão anterior conseguir hibridar-se, teremos
uma hibridação do tipo:
a) sp c ) s p 3
b) sp2 d) nenhuma das respostas anteriores
(159) Se a estrutura daquele átomo fosse de um estado ativado,
Hibridação, quando ocorresse, seria do tipo:
a) sp c) sp3
b) sp2 d) dsp3
(160) 0 ângulo entre 2 orbitais híbridos do tipo "sp2" é:
a) 120° d) 105°
b) 100° e)nenhuma das mencionadas
c) 109°28'
(161) 0 átomo de Germânio (Z = 32.) forma o hidreto GeH4 .
Pode se dizer que o germânio tem os orbitais numa estrutura:
a) quadrangular d) trigonal
b) retangular e) tetraédrica
c) linear
(162) Indique a afirmação errada:
a) A hibridação linear pode ocorrer num átomo com 2 elétrons na camada
externa.
b) A hibridação linear terá orbitais no espaço diametralmente opostos, isto
é, a 180°.
c) Um átomo com a configuração s2, p1 na camada externa pode sofrer uma
hibridação trigonal com os orbitais dispostos a 120°.
d) Todos os átomos que se hibridam ficarão estáveis somente se na última
camada-completarem 8 elétrons.
e) Nem todos os átomos poderão sofrer hibridação.
(163) 0 hélio, 2He4, possui dois elétrons no orbital ls. Quando perde um
elétron ele se ioniza formando o íon He+. Qual das seguintes afirmações a respeito
deste íon é verdadeira?
a) o seu espectro assemelha-se ao espectro do átomo de
hidrogênio
b) o elétron remanescente é agora mais fácil de remover
c) a sua carga nuclear decresce de uma unidade
d) o elétron remanescente passou ao nível quântico n = 2
e) ele perdeu uma unidade de massa atômica
(CESCEM-67)
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estrutura do átomo-3
(164) Em relação ao esquema abaixo, referente a um orbital do tipo p.
qual das seguintes afirmações é a mais correta?
a) o ∞ da figura representa a trajetória em forma de 8 de um elétron
b) a parte 1 da figura corresponde à região onde se encontra um e apenas
um dos dois elétrons que podem existir no orbital.
c) o volume da figura de revolução resultante da rotação do elétron ao redor
do eixo x corresponde à região do espaço onde se tem certeza da existência do
elétron.
d) o volume da figura de revolução citada na alternativa (c) corresponde à
região do espaço onde é maior a probabilidade se encontrar o elétron
e) o volume da figura de revolução citada na alternativa (c) corresponde ao
volume que um elétron ocupa no espaço
(CESCEM-69)
Questões 165 a 167
a) ls2 2s2 2p6 3s2 3p3
b) ls2 2s2 2p6 3s2 3p4 Dados:
c) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 P Z = 15
d) ls2 2s2 2p6 3s2 3p5 4s Ca Z = 20
e) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 Ar Z = 18
(165) Configuração eletrônica do átomo de P.
(166) Configuração eletrônica do íon Ca2+.
(167) Configuração eletrônica do átomo de Ar.
(CESCEM-69)
(168) Nas ligações covalentes os átomos participantes tem a
tendência de:
a) trocar elétrons de spins semelhantes
b) partilhar elétrons de maneira a adquirir a estrutura de algum gás
nobre
c) desobedecer ao princípio de exclusão de Pauli
(MEDICINA-Santa Casa-67)
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(169) A existência dos átomos é justificada:
I - por experiências com microscópios eletrônicos
II - pelas leis das proporções definidas edas proporções multiplas
III - pela estrutura cristalina
(MEDICINA-Santa Casa-68)
(170) I - Os elétrons não estão distribuídos ao acaso em torno
do núcleo, mas sim em localizações determinadas como orbitais.
II - Os orbitais são designados K. L, M, N, etc, a partir do núcleo
para a periferia dos átomos.
III - Dois ou mais elétrons de "spins" contrários se localizam em
cada orbital.
(MEDICINA-Santa Casa-63)
(171) A configuração eletrônica correta do átomo de manganês, no
estado normal e a seguinte: Mn Z = 25
a) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d5 4s2
b) ls2 2p2 2p6 3s2 3p5 3d6 4s2 d) ls2 2s2 2p6 3s2 3p4 3d7 4s2
c) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d7 e ) ls2 2s2 2p6 3s3 3p4 3d8 4s
(MEDICINA-Santos-68)
As questões de número 172 a 174 referem-se aos átomos dos
seguintes elementos:
Elemento No. atômico No. de massa
S ......... 16 .......... 32
Ar ......... 18 .......... 39
K ......... 19 .......... 40
Ti ......... 22 .......... 48
Cu ......... 29 .......... 63
Zn ......... 30 .......... 65
(172) A configuração eletrônica dos átomos de Ti é:
a) ls2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2, 3d2
b) ls2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 3d4
c) ls2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p2 3d5
d) ls2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4S1, 3d3
e) ls2, 2s2, 2p6, 3s3, 3p6 , 4s2, 3dl
(173) São isoeletrônicos os íons:
a) K+ e Cu+ b) S = , Zn + + e Ti + +
c) Cu++, Zn++ e Ti++ d) Cu++ e Zn++ e) S= e K+
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estrutura do átomo-3
(174) Assinale a afirmativa verdadeira:
a) Entre os elementos dados, o argônio apresenta o maior raio
atômico porque tem todos seus níveis completos.
b) Os átomos de titânio, cobre e zinco apresentara seus elétrons
diferenciadores em orbitais "p".
c) Os átomos de argonio e potássio na relação acima tem igual
número de neutrons no núcleo.
d) Os elementos de número atômico 16, 18 e 19 tem todos os
seus elétrons diferenciadores no mesmo nível principal.
e) Os elementos de número atômico 19, 22, 29, 30, são
elementos de transição.
(MEDICINA-Santos-69)
(175) Se houvesse um composto formado por um átomo do elemento de
número atômico 14 com quatro átomos de elemento de número atômico 17, deve-se
esperar que a molécula resultante seja:
a) plana
b) octaédrica d) trigonal
c) linear e) tetraédrica
(FE Mogi das Cruzes-68)
(176) Com respeito ã questão anterior (um átomo de elemento de número
atômico 14 e 4 átomos do elemento de número atômico 17), pode-se dizer que a
geometria da molécula resultante é determinada pelo fato de:
a) o elemento 17 sofrer hibridação sp2
b) o elemento 17 sofrer hibridação sp3
c) o elemento 17 sofrer hibridação sp4
d) o elemento 14 sofrer hibridação sp3
e) o elemento 14 sofrer hibridação sp
FE Mogi das Cruzes-68)
(177) Quais são os quatro números quânticos dos dois elétrons mais
externos do átomo de cálcio (massa atômica 40)?
(EPUSP-68)
(178) Qual a carga que possui um íon de escândio (o escândio tem número
atômico 21) com a estrutura eletrônica do gás nobre precedente?
(EPUSP-68)
(179) Escrever a estrutura eletrônica do átomo de fósforo (número atômico
15), indicando a distribuição dos elétrons nos dife-
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinagarentes orbitais p.
(EPUSP-68)
(180) Os elementos de números atômicos, 2, 10, 18, 36, 54 e
86 constituem o grupo de:
a) elementos inertes
b) metais das terras raras
c) metais alcalinos
(EE MAUÁ-64)
(181) 0 que caracteriza os chamados elementos de transição?
(EE MAUÁl-68)
(182) Um elemento tem, respectivamente, 2, 8, 9, 2 elétrons nas
camadas K, L, M, N. É portanto:
a) metal alcalino-terroso
b) elemento de transição c) semi-metal
(FEI-67)
(183) Qual das séries de números atômicos seria representativa de
elementos da família dos metais alcalinos terrosos?
a) 4, 22, 40, 72
b) 8, 16, 34, 52 d) 12, 20, 38, 56
c) 14, 32, 50, 82 e) nenhuma das respostas anteriores
(EES CARLOS-68)
(184) Qual dos símbolos abaixo está relacionado com orbitais de
simetria esférica?
a) s
b) p d) f
c) d e) g
(ITA-64)
(185) Nos modelos atômicos atualmente aceitos, o número máximo
de elétrons presentes num mesmo orbital é:
a) 2 com spins contrários d) 8 com spins no mesmo
b) 2 com spins no mesmo sentido sentido
c) 8 com spins contrários e) 18 com spins variados
(ITA-66)
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estrutura do átomo-3
(186) Um determinado elemento possui em sua configuração eletrônica um
nível energético com 32 elétrons e um outro com 3 elétrons. 0 número atômico
desse elemento e:
a) 72
b) 81 d) 90
c) 89 e) 103
(UFMG-68)
(187) 0 bombardeio da folha de ouro muito delgada com raios alfa de rádio
mostra que alguns deles sofrem desvio acentuado do seu trajeto ao atravessar a
lâmina, o que é devido a:
a) as partículas alfa chocam-se com as moléculas de ouro e tem
seu trajeto modificado.
b) as partículas alfa têm carga negativa e são repelidas pelo núcleo
do átomo de ouro.
c) as partículas alfa são muito lentas e qualquer obstáculo as
desvia do seu trajeto.
d) as partículas alfa tem carga positiva e são repelidas pelo núcleo
do átomo de ouro, que também tem carga positiva.
e) as partículas alfa não podem atravessar a lâmina de ouro a são
refletidas.
(MEDICINA-GB-66)
(188) 0 elemento cuja distribuição de elétrons é ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d10
4s2 4p6 4dl0 4f14 5s2 5p6 5d10 6s2 6p6 7S1:
a) é halogênio
b) é metal alcalino d) é gás nobre
c) é metal alcalino-terroso e) é actinídeo
(MEDICINA-GB-68)
Questões 189 a 191.
Associe:
a) número quântico que representa aproximadamente a distância do
elétron ao núcleo.
b) número quântico que descreve a forma do orbital.
c) número quântico que descreve a orientação do orbital no espaço.
d) número quântico que descreve o momento angular do elétron
(rotação do elétron em torno do seu eixo).
e) número que traduz a perda ou ganho de elétrons por um átomo
(189) Número quântico secundário.
(190) Número quântico principal.
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(191) Número de oxidação.
(192) Spin.
(1S3) Número quântico magnético.
(MEDICINA-GB-68)
(194) 0 elemento de número atômico 21 tem a estrutura eletrônica
a) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3a1
b) ls2 2S4 2p6 3S4 3p4 3a1
c) ls2 2s2 2P4 3s2 3p6 3d5
d) ls2 2s2 2p4 3s5 3p6 3d1
e) ls2 2p6 3s2 3p6 3d3 4s2
(MEDICINA-GB-68)
(195) Qual a relação entre o diâmetro de um átomo e o diâmetro do
núcleo?
a) 10.000 vezes maior
b) 2.000 vezes maior d) 1.000.000.000.000 vezes maior
c) 500.000.000 vezes maior e) 10.000.000 vezes maior
(MEDICINA-GB-68)
(196) A molécula do metano tem uma configuração tetraédrica, o que decorre
do fato do átomo de carbono apresentar seus elétrons de valência em orbitais
híbridos do tipo:
a) sp2
b) sp d) s2p
c) sp3 e) s3p
(MEDICINA-GB-68)
(197) 0 deutério difere do hidrogênio comum por ter:
a) 2 elétrons a mais d) 1 nêutron a mais
b) 1 próton e um nêutron a mais e) 1 partícula alfa como núcleo
c) 1 elétron e 1 próton a mais
(MEDICINA-GB-68)
(198) De acordo com o Princípio da Exclusão de Pauli, o número
máximo de elétrons que um orbital pode conter é:
a) 1
b) 2
c) 8
d) 18
e) 32
(MEDICINA-GB-68)
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estrutura do átomo-3
(199) Quando um elétron de um átomo passa de orbital 2s para 2p,
podemos dizer que:
a) houve emissão de energia d) um outro elétron pas-
b) houve absorção de energia sou de 2p para 2s
c) não houve variação de energia e) houve emissão de luz
(MEDICINA-GB-68)
(200) Um átomo possui o número atômico 15 e número de massa 31, o
número de elétrons na sua camada mais externa é:
a) um c) cinco
b) três d) sete
(Ciências Biológicas USP-68)
(201) Qual das seguintes representações eletrônicas representa um
halogênio?
a) ls2 2s c) ls2 2s2 2p5
b) ls2 2s2 2p3 d) ls2 2s2 2p6
(Ciências Biológicas USP-68)
(202) A configuração eletrônica correta para o elemento K (número atômico
19) no estado normal é:
a) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1 c) ls2 2s2 2p6 3s2 3p5 3d 4s1
b) ls2 2s2 2p6 3s2 3p5 4s2 d) ls2 2s2 2p6 3s2 3p6 3a1
(FFCLUSP-67).
(203) Em cada camada eletrônica só existe um orbital s porque:
a) só existe um orbital híbrido c) os orbitais s apre-
b) em torno de um ponto só existe sentam ressonância
uma única esfera com um raio dado d) trata-se de orbital
ligante
(EE Lins-67)
(204) Sabendo-se que a estrutura eletrônica do átomo de boro no estado
fundamental é ls2 2s2 2p1, qual deveria ser a fórmula do seu fluoreto supondo não
haver hibridação do átomo de boro?
a) BF
b) BF2 d) BF4
c) BF3 e) BF5
(MEDICINA-Valença-69)
═══════════════
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
AATTOOMMÍÍSSTTIICCAA
Capítulo 4
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
LLIIGGAAÇÇÕÕEESS
QQUUÍÍMMIICCAASS
Imagine dois imãs em forma de ferradura,
exercendo entre si forças de atração,como indica a
figura ao lado.
As duas peças irão unir-se formando um
sistema estável.
Imagine agora, dois átomos aproximando-se.
Suponhamos que apareçam entre eles forças de atração
como no exemplo dos imãs, pois, a eletrosfera de um
átomo atrai o núcleo de outro átomo. Entretanto, à
medida que os átomos vão se aproximando, surgirá uma
repulsão entre os núcleos, pois estes possuem
cargas positivas,
Em determinada posição, estabelecer-se-á um
equilíbrio entre as atrações e repulsões.
Se o equi1íbrio for ESTÁVEL, diremos que se
estabeleceu uma LIGAÇÃO QUÍMICA entre esses
átomos.
As ligações químicas recebem diferentes nomes
conforme o tipo das forças de atração que aparecem entre
os átomos, que se aproximam.
Existem 4 tipos de ligações:
-"Ligação eletrovalente, iônica ou heteropolar."
-"Ligação covalente ou molecular. "
-"Ligação metálica."
-"Ligação intermolecular. "
que serão estudadas a seguir).
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A LLIIGGAAÇÇÃÃOO
EELLEETTRROOVVAALLEENNTTEE
A descoberta dos gases nobres e o exame de suas configurações eletrônicas
fizeram com que os cientistas Lewis, Langmuir e Kossel sugerissem que:
Os átomos adquirem ESTABILIDADE, quando suas
configurações eletrônicas assemelham-se àquelas dos GASES
NOBRES.
Esta sugestão é de fato confirmada na grande maioria dos casos. De modo
geral, os átomos dos gases nobres distinguem-se dos demais, porque na camada
externa possuem 8 elétrons (exceto o gás hélio - vide tabela abaixo).
Eis a configuração eletrônica dos gases nobres:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
O átomo procura "reagir" , quimicamente, para passar de uma configuração
instável para outra mais estável. Uma das formas de estabilizar-se é "ganhando" ou
"perdendo" elétrons.
Entre os gases nobres, o hélio é o único que possui 2 elétrons na
camada periférica. Alguns átomos podem adquirir estabilidade quando ficam
com configuração semelhante ao hélio.
RESUMINDO:
____________________________________________________________________________
Um átomo adquire estabilidade quando possui 8 elétrons na camada
periférica. Também será estável o átomo que possuir apenas 2 elétrons na
camada K.
____________________________________________________________________________
Na formação de diversos compostos, os átomos procuram ganhar uma dessas
configurações estáveis. Esta é a "REGRA DO OCTETO", para os átomos.
Esta regra é comprovada num grande número de observações, mas apresenta
exceções. Sendo assim, pedimos ao leitor não criar a obrigatoriedade da regra do octeto
para todos os átomos. Existem compostos onde os átomos tornam-se estáveis,
apresentando na camada externa 4, 6, 12, 18 elétrons e assim por diante, como
veremos ainda neste capítulo.
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Para que o leitor tenha uma fixação melhor dessa "regra do octeto",
examinemos os seguintes átomos:
Vamos ilustrar o encontro de um átomo de cloro com um átomo de
sódio:
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ligações químicas – 4
Quando o átomo de sódio perde um elétron, ele se torna um íon
positivo ou "CÀTION' (e o diâmetro do átomo DIMINUI). 0 átomo de cloro que
recebe o elétron, torna-se um íon negativo ou ÂNION" (e o diâmetro do átomo
AUMENTA).
Tanto o câtion como o ãnion adquirem configurações de gases nobres e
tornam-se estáveis. No entanto, suas cargas são opostas e, esses íons passam a atrair-
se mutuamente até que eles fiquem encostados . Dizemos que entre estes íons,
apareceu a ligação ".ELETROVALENTE" ou "IÕNICA"
A equação que representa o fenômeno é:
Na0 + C10 ---------- Na+C1-
Na prática, quando se efetua uma reação entre sódio e cloro, participam da
reação um grande número de átomos. Se o sódio está no estado sólido, temos uma
"pilha" de átomos de sódio.
Se empregamos cloro gasoso, temos moléculas de cloro Cl 2 (bi.i tÔmicas) que,
colidindo com o sódio, formam o cloreto de sódio, que será então uma pilha de íons
Na+ e Cl-
A ligação eletrovalente é aquela que caracteriza os compostos iônicos. Esta
ligação aparece sempre que alguns átomos perdem elétrons , transformando-se em
cátions, enquanto outros átomos ganham esses elétrons, transformando-se em
ânions. As forças, que mantêm
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os cátions unidos aos ânions, são de caráter puramente eletrostático.
No estado sólido, cada íon fica encostado a diversos íons de carga oposta. No
caso do cloreto de sódio, cada íon Na + está ligado (encostado)a seis íons Cl- por outro
lado, cada íon Cl- está ligado (encostado) a seis íons Na+. Mas, a proporção de íons Na+
e Cl - é de 1:1.
Para se determinar a proporção dos íons que se combinam, é preciso
examinar as configurações eletrônicas dos átomos que se ligam.
De modo geral:
- PERDEM ELÉTRONS os átomos com menos de 4 elétrons na última
camada. São os metais que apresentam estas configurações eletrônicas.
- GANHAM ELÉTRONS os átomos com mais de 4 elétrons na última camada.
São os não metais que possuem esta configuração eletrônica.
Resumindo:
"A LIGAÇÃO IÔNICA aparece quando se liga um METAL com um
NÃO METAL '.'
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ligações químicas-4
Para completar os octetos, parece mais fácil:
o Cálcio perder 2 elétrons
o Bromo ganhar 1 elétron
0 número de átomos de cada elemento é inversamente proporcional à
capacidade de perder ou ganhar elétrons.
Então:
A proporção entre os átomos que se combinam, ou seja, a
FÓRMULA do composto será Ca++Br2_.
Sejam os elementos Alumínio e Enxofre.
De modo mais simplificado:
EXERCÍCIOS
(205) Escrever a fórmula do composto constituído pelos elementos 11X
e 15Y.
(206) Sejam os elementos 56X e 34Y. Se eles combinarem, o composto
terá fórmula:
a) X2Y d) X2Y2
b) XY2 e) não se combinarão
c) XY
(207) Com qual dos seguintes elementos o íon Cr+++ pode formar
um composto iônico?
a) 10X d) 14T
b) 12Y e) nenhum deles
c) 17Z
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(208) Quando o elemento X, que possui 10 prótons e 10 nêutrons, é
colocado diante do sódio, forma-se um composto cuja fórmula é:
a) NaX
b) NaX2
c) Na2X
d) Na2X2
e) não se forma nenhum composto
Estrutura do cloreto de sódio
Estudaremos o cloreto de sódio que é um composto tipicamente iônico.
Temos os seguintes raios para os átomos,antes e após as ligações :
Os ânions cloro e cátions sódio se
agregam para formar o cloreto de sódio sólido. As
forças que mantém os íons agrupados são do tipo
e1etrostático. Esta pilha de ÍONS é denominada
CRISTAL de cloreto de sódio.
Vamos discutira estrutura do cristal. Para isso, imaginemos que os íons
estão mais afastados entre si. Seria apenas uma "visualização didática",porém já
longe da realidade.
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ligações químicas-4
Assim, podemos apreciar melhor a distribuição geométrica espacial dos
íons,que constituem o cloreto de sódio.
Acabamos de desenhar a grade, a rede ou o RETÍCULO CRISTALINO"
do cloreto de sódio.
Retirando-se a mínima amostra do cristal, temos a CÉLULA UNITÁRIA
do cristal. No desenho corresponde á porção "hachuriada".
Agora, vamos desenhar um pedaço do cristal e, analisar as estruturas
dos íons Cl- e dos íons Na+ separadamente.
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Tanto os íons cloro como os íons sódio constituem estruturas "CÚBICAS DE
FACE CENTRADA"(C.F.C.) .
Dizemos que o cloreto de sódio é constituído pela interpenetração de duas
estruturas C.F.C.
Voltemos ao cristal real e examinemos um
íon cloro. Em seu redor, estão 6 íons Na+ que se
situam em três eixos triortogonais.
Dizemos que, o número de coordenação do
Cl- isto é, o número de cátions ligados ao Cl- é 6.
Da mesma forma, o número de coordenação
do Na+ é 6 porque em seu redor estão 6 anions Cl-.
Em outras palavras, cada cloro liga-se a 6 Na+ e, cada sódio liga-se a 6 Cl-.
Mas, a proporção entre Na+ e Cl- é 1:1. Por isso, a fórmula do cloreto de sódio é Na+ Cl-
.
Então, o que é aquele minúsculo "grãozinho"
constituinte do sal?
É um cristal de cloreto de sódio, ou seja, uma
"pilha" formada por um_número monstruoso de íons
Na+ e Cl-, ordenados no sistema C.F.C. e
interpenetrados.
Por isso é que dizemos que não existe molécula de NaCl.
Impropriamente, poderíamos dizer que um cristal desses seria uma
macromolécula.
Estrutura dos cristais iônicos
Todos os compostos iônicos formam, no estado sólido, estruturas bem
definidas. O tipo de estrutura cristalina depende de 2 fatores:
a) Proporção entre números de cátions e ânions no cristal.
b) Relação dos tamanhos dos cátions e ânions.
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ligações químicas-4
Exemplos:
(209) O cloreto de cálcio Ca++ Cl2 não tem estrutura igual à do Na+ Cl- porque
a proporção cátion-ânion é 1:2.
0 cloreto de césio Cs+ Cl- tem a mesma proporção de íons do Na+ Cl- (1:1).
À primeira vista, era de se esperar que o Cs+Cl- tivesse estrutura C.F.C.
interpenetradas.
Na realidade, como íon Cs+ tem tamanho aproximadamente igual do Cl-,
resulta um outro tipo de empilhamento, chamado cúbico de corpo centrado (C.C.C.).
Estrutura eletrônica dos íons
Os ânios , sem exceção, adquirem nos compostos iônicos confígurações de
gases nobres.
Quanto aos cátions : Se for alcalino ou alcalino terroso apresentará 8 elétrons
na camada externa. Sendo outros metais, as configurações são diversificadas.
Os íons Ag+, Cu++ e Au+ também se estabilizam com 18 elétrons na camada
periférica.
Vejamos o caso do Ferro que apresenta os íons Fe++ e Fe+++.
Muito bem. Estamos apresentando algumas estruturas " SEM OCTETO" para
que o leitor apenas LEMBRE: "Nem sempre os átomos 8 elétrons na camada externa
para se tornarem estáveis".
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B LLIIGGAAÇÇÃÃOO
CCOOVVAALLEENNTTEE
Esta ligação é responsável pela formação das substâncias ” MOLECULARES.” '
Substâncias dessa classe, quando no estado líquido, não conduzem corrente elétrica.
Esta é a principal característica de diferenciação em relação a um composto
iônico.
Numa ligação iônica , vimos que
um átomo cede totalmente um ou mais
elétrons ao outro "átomo e, daí, o
aparecimento de íons de cargas opostas.
Na ligação covalente, nenhum
átomo cede e nem recebe o elétron, de
forma integral.
Esta ligação surge quando um par
de elétrons de spins opostos . torna-se
comum aos átomos que se ligam.
No exemplo, cada átomo de
hidrogênio possuía seu elétron. Após a
ligação, não se reconhece mais qual é o
elétron que pertence a determinado átomo.
Agora, os 2 elétrons pertencem a ambos os
átomos. É uma "sociedade".
Dizemos que houve um emparelhamento de elétrons e, esta ligação será
representada por um traço ou um par de pontos.
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ligações químicas-4
Foi Lewis quem sugeriu que a ligação covalente é resultante do
emparelhamento de elétrons. Lewis observou que quase todos os compostos
moleculares apresentam todos os seus elétrons em pares. Sugeriu que os átomos»que
tivessem orbitais com 1 elétron pudessem emparelhar esse elétron com outro de spin
oposto, atribuindo que o emparelhamento resultaria um sistema de mais estabilidade.
Do mesmo modo que os elétrons procuram se emparelhar nos orbitais atômicos, eles
também procuram um parceiro na formação da ligação covalente.
________________________________
Teoria de Heitler-London
________________________________
O primeiro tratamento teórico, para justificar a ligação covalente foi exposta
por Heitler e London em 1927.
Imaginemos 2 átomos de hidrogênio aproximando-se e examinemos as forças
que aparecem no sistema.
Os elétrons estão em movimento em redor do núcleo mas, a cada instante,
aparecem 4 forças de atração (elétron—núcleo) e 2 forças de repulsão (núoleo-núcleo e
elétron-elétron).
Variando-se a distância internuclear "d" , iremos notar que existirá uma
posição "dH",onde o sistema terá maior estabilidade.
Heitler e London calcularam as energias do sistema para diversas distâncias
internucleares que, transportadas para um gráfico cartesiano, se apresentam:
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Verifica-se que a posição de equilíbrio " dH " é aquela na qual o sistema possui
mínima energia.
Em outras palavras; para se ter uma distância inter-nuclear maior que "dH" é
preciso fornecer energia ao sistema; para diminuir a distância, o sistema também
requer energia do exterior.
No gráfico vê-se que o valor ZERO de energia foi adotado arbitráriamente para
o átomo isolado de hidrogênio.
A quantidade de energia AB corresponde a energia de ligação H-H.
Podemos fazer analogia com um
sistema imãs-molas.
Vamos supor que os Imãs estejam
presos a molas e colocadas num plano sem
atrito.
As molas se encontram comprimidas e empurram os Imãs. Estas não se
aproximam mais porque defrontam-se pólos de mesmo nome.
Haverá uma posição de equilíbrio onde a distância entre os centros dos ímãs
será."dH". Esta posição apresenta mínima energia pois, tanto para afastar como para
aproximar os imãs, necessita-se de energia.
Resumindo:
Os átomos tendem a emparelhar os elétrons porque poderão constituir um
sistema com menor energia,que significa maior estabilidade.
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ligações químicas-4
Que acontece aos orbitais "1s"
do hidrogênio, quando 3 átomos se
ligam por covalência?
Estudos efetuados na
mecânica ondulatória concluem que os
orbitais atômicos "ls" sofrem
inicialmente uma superposição parcial
e, em seguida, deformam-se dando
lugar ao novo orbital. Conterá os 2
elétrons de spins opostos e este
abrangerá os 2 átomos em ligação. É o
orbital molecular.
O orbital molecular que surge
pela superposição ("overlap" em inglês)
parcialde orbitais atômicos, é
denominado orbital sigma (ڭ) e tem
como índices os orbitais atômicos de
origem. No caso da molécula de
hidrogênio, temos o orbital molecular
-s-sڭ
Pode-se medir a distância
internuclear e, no caso da molécula de
H2 xtemos 2,4 Ǻ. A metade dessa
distância, ou seja l,2 Ǻ é denominada
ralocovalente.
Embora haja completa
deformação dos orbitais atômicos após
uma ligação, numa representação
segundo átomo = bolinha costuma-se
indicar que houve apenas ligeira interpenetração dos átomos,como indica a figura aõ
lado.
A equação do fenômeno é:
H(g) + H(g)------ H2(g)
(g) - gasoso
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Vejamos a ligação covalente entre os orbitais "s" e "p". O exemplo tomado será
a formação do "HF".
O átomo de flúor tem 9 elétrons e a seguinte configuração eletrônica:
O orbital "pz" está com o elétron desemparelhado e pronto para ligar-se ao
orbital "ls" do hidrogênio.
0 orbital molecular que surge, pela superposição ou interpenetração dos
orbitais atômicos "s" do hidrogênio e "p" do flúor, chama-se orbital molecular ڭ (sigma)
ou melhor , ڭs-p.
Como conseqüência da ligação molecular, haverá uma "contração" do orbital
atômico "p", no lado oposto à ligação.
Observemos mais uma vez apenas a formação do orbital molecular ڭs-p:
Quando desaparece certa parte do orbital, significa que naquela região, o
elétron se ausenta.
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ligações químicas-4
A representação esquemática da formação da molécula "HF" é:
Na covalência, também se observa a regra do octeta. O flúor, tem na última
camada "8" elétrons, enquanto o hidrogênio tem "2". Lembremos que, na ligação
covalente, o par de elétrons pertence a ambos os átomos.
Examinemos mais uma ligação importante que é a p-p-
É aquela que está presente, por exemplo, na molécula de flúor "F2".
Observando apenas os orbitais "p2" dos átomos de flúor, temos:
Também, costuma-se representar apenas os elétrons da última camada nas
ligações covalentes.
Observe, mais uma vez, a obediência à regra do octeto.
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Orientação das ligações covalentes no espaço
Quando um átomo liga-se a 2 ou mais átomos deve-se levar em conta o
ângulo entre as ligações.
Linus Pauling e Slater desenvolveram o assunto,
cuja importância já havia sido apontada por Van't Hoff
(1874) quando admitiu teoricamente que as 4 valências do
carbono eram dirigidas para os vértices de um tetraedro
regular.
Vejamos então, as ligações na formação da molécula de água.
O oxigênio tem 8 elétrons e possui a seguinte configuração eletrônica:
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ligações químicas-4
Lembrando que os orbitais "p"
formam entre si um ângulo de 90°, era de se
esperar que na molécula de água, fosse de
90° o ângulo entre as duas ligações ڭ s-p.
Medidas reais, calculadas através de
espectroscopia e do momento magnético,
indicam porém, que as ligações da molécula
da água formam um ângulo de 104° e 30'.
Tenta-se justificar esta ligeira fuga angular, admitindo-se que os átomos de
hidrogênio ficam suavemente positivos, em face da grande atração de elétrons pelo
oxigênio. Dizemos que os átomos de hidrogênio estão polarizados positivamente e
portanto, há uma repulsão entre eles que os afasta e aumenta o ângulo de 90° para
104° 30'.
Outro exemplo interessante é a formação da amônia "NH3".
O nitrogênio tem 7 prótons e 7 nêutrons.
então:
Os orbitais incompletos são: 2px1, 2py1 e 2pz1. Cada um desses orbitais
aceita um átomo de "H", que apresenta "ls1".
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Formam-se três orbitais moleculares ک s-p e o ângulo entre as ligações
é de 106 .
O ângulo deveria ser de 90° mas, aparecerá um pequeno desvio, como
no caso do H20.
Quando o H liga-se a átomos maiores como S, Se, P, As, Sb , os
átomos de H ficam mais distantes entre si e menos polarizados.
Daí, os seguintes valores para os ângulos, nas ligações em:
repe1indo-se, portanto, com menores intensidades.
Covalência Coordenada
As vezes, um átomo já está com seu octeto completo e, portanto, todos os
seus orbitais com elétrons emparelhados. No entanto, este átomo pode ligar-se a outro
"emprestando-lhe" (em base da coparticipação ou "condomínio") um par de elétrons, e
formar um orbital molecular.
Seja a molécula de água diante da molécula de
HC1, o oxigênio da água poderá atrair o hidrogênio do
HC1.
Como o cloro é mais eletronegativo que o
hidrogênio, este pode libertar-se do cloro,deixando-lhe o
seu elétron. Deveriam-se formar os íons H+ e Cl-.
O íon Cl- tem configuração estável (octeto), mas
o H+ teria ficado sem nenhum elétron!
Então, este H+ pode-se ligar ao oxigênio que
lhe "empresta" 2 elétrons.
Dizemos que o oxigênio efetuou uma ligação covalente coordenada ou,
simplesmente, "coordenada" ou "dativa" com o cátion hidrogênio. Esta ligação é
indicada com uma seta no sentido de quem está sendo "beneficiado"com os elétrons.
H - 0 + H - Cl ----- H – 0 H+ + Cl-
H H
Teremos então, cátion H30+, chamado "hidrônio" ou "hidroxônio" ' e ânion "cloreto".
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ligações químicas-4
Encarando o fenômeno de modo mais concreto, uma molécula de água colide
com uma molécula de "HCl", resultando aqueles íons.
Se examinarmos sob o aspecto real, temos que verificar o que acontece aos
orbitais dos átomos.
O orbital "2px" do oxigênio já possui um par de elétrons e recebe um cátion
"H+" através de uma ligação coordenada, chamada também semi-polar ou dativa.
Forma-se o orbital molecular کg-p, idêntico às ligações já existentes entre o
oxigênio e hidrogênio, na molécula de água.
Depois de efetuadas as ligações, geometricamente, não se nota diferença
alguma entre a ligação covalente normal e a dativa. Elas se diferem quanto à origem
dos elétrons que, formarão o orbital molecular.
Esta é a razão pela qual muitos autores confundem as notações das ligações
covalente normal e dativa.
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Então, em muitos compêndios, aparece o íon hidrônio com a fórmula
estrutural:
Não podemos saber qual é a ligação dativa, mas temos a certeza de que uma
destas covalências é coordenada.
Em outras palavras: o íon hidrônio é constituído de 3 ligações: duas
covalentes normais e uma coordenada.
Resumindo:
- Numa ligação covalente normal, aproximam-se dois átomos, cada um com
orbital contendo um elétron. Forma-se assim, um orbital contendo elétrons com spins
anti-parale1os, denominado orbital molecular (sigma). Será indicada por um traço.
Na ligação covalente coordenada,aproximam-se dois átomos, um com orbital
completo (2 elétrons) e outro com orbital "vazio". Forma-se o orbital molecular
denominado , geometricamente análogo ao orbital da ligação covalente normal.. Esta
ligação será representada por uma seta mas em muitos compêndios, está indicado por
traço, em vista à analogia geométrica com a ligação covalente normal.
Fórmulas estruturais
Quando se indicamas ligações entre todos os átomos de uma molécula,
dizemos que estamos apresentando a sua fórmula estrutural.
A fórmula estrutural permite deduzir muito do comportamento dessa
molécula numa reação química, razão pela qual é frequentemente utilizada,
principalmente na química orgânica.
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ligações químicas-4
Neste capítulo,vamos treinar o seguinte tipo de exemplo: Dada a fórmula
molecular de um composto - inorgânico, escrever a sua fórmula estrutural.
Para isso, existem regras que exigem conhecimentos sobre:
- ELÉTRONS NA CAMADA EXTERNA
- CONTAGEM DE ELÉTRONS NAS LIGAÇÕES
A) Principais elementos e números
de elétrons na camada externa.
Inicialmente, vamos desenhar uma parte da tabela periódica:
Os algarismos romanos indicam "os grupos" da tabela periódica que, para os
elementos presentes, é o número de elétrons na camada externa.
Assim, o "N" tem 5 elétrons na camada externa, o "Si" tem 4, o "Br" tem 7
elétrons, etc. Reparem que o hidrogênio, embora tenha apenas 1 elétron, está na
coluna VII porque, ele "precisa" de apenas mais um elétron, como os demais elementos
desse grupo, para estabilizar-se. O hidrogênio estabiliza - se com 2 elétrons na
camada K.
QUAIS SÃO OS ELEMENTOS QUE EFETUAM LIGAÇÕES COVALENTES?
Todos aqueles que estão à direita da linha tracejada, quando ligam-se entre
si, pois eles possuem tendência a tomar elétrons de outros átomos. Quando 2 átomos
apresentam essa tendência, eles irão "compartilhar" elétrons. Por exemplo: no "PCI3",
temos três ligações (P-Cl) covalentes. O "H" também pertence a esta classe de átomos,
compartilhando 1 elétron.
Às vezes, o "Be", "Mg" e "Al" efetuam ligações covalentes, mas sofrem
hibridações e são considerados casos especiais.
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B) Contagem dos elétrons
na camada externa
Seja a molécula de água:
O oxigênio, tinha 6 elétrons na camada externa e,
agora tem 8_.
Cada hidrogênio, tinha apenas 1 elétron e, agora tem
2.
CONCLUSÃO:
Na contagem dos elétrons da última camada, cada covalência
normal (representada por um traço) aumenta um elétron em cada
átomo que participa da ligação.
De modo geral, os átomos se estabilizam quando completam o octeto.
Vejamos,então, algumas estruturas estáveis.
O nitrogênio é do grupo "V" e,portanto, tem 5 elétrons na cama da externa.
Três covalências o farão mais estável.
Então:
Examinemos agora a, ozona 03:
Todos os átomos de oxigênio (A, B e C) ficaram
com 8 elétrons na camada externa.
Veja a ligação dativa (B-C). 0 átomo "B" empresta
2 elétrons para "C".
Consequentemente,"B" não sofreu aumento de
elétrons por causa da ligação dativa e "C" tem um
aumento de 2 unidades.
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ligações químicas – 4
Na contagem de elétrons de última camada, uma ligação coordenada
produz um aumento de 2 e1étrons para o átomo" favorecido (ponta da seta) e
nenhum elétron para o átomo que "empresta" o par de elétrons.
____________________________________________________________________________
Nesse exemplo da ozona:
Oxigênio A Tem um aumento de 2 elétrons por causa de 2 covalências com
"B".
Oxigênio B Tem um aumento de 2 elétrons por causa de 2 covalências com
"A" e nenhuma alteração por causa da ligação coordenada.
Oxigênio C Tem_um aumento de 2 elétrons por causa de uma ligação
coordenada com "B".
C) Estruturas de Hidretos moleculares
Os hidretos são compostos do tipo "EHX".
0 átomo de hidrogênio tem 1 elétron e, portanto, aceita uma ligação covalente
normal (H-).
0 elemento "E" aceita tantas ligações covalentes quantao sejam necessárias
para completar o octeto.
N do grupo V________precisa de 3 covalências - N -
Se do grupo VI______precisa de 2 covalências____Se –
Lembre-se de que o número do grupo (da Tabela Periódica) representa o
número de elétrons na camada externa e cada traço produz um aumento de um
elétron.
Então, pode-se aceitar a seguinte regra para escrever as estruturas de
hidretos moleculares:
______________________________________________________________________
1) Escrever o elemento "E" com (8 – no. do grupo) traços.
2) Em cada traço ligar H-.
_____________________________________________________________________
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EXERCÍCIOS
Exemplo:
(211) Hidreto de fósforo:
P é do grupo V..........(8 - V) - 3 traços.
H - P - H
A fórmula estrutural é
H
Exemplo:
(212) Hidreto de silício:
Si é do grupo IV......... (8 - IV) = 4 traços.
H
Logo H - Si – H
H
Escreva as fórmulas estruturais dos seguintes compostos:
(213) Hidreto de arsênio
(214) Hidreto de telúrio
(215) Hidreto de germânio
(216) Hidreto de iodo
════════════════
A regra não e válida para elementos que possuem 2 ou 3 elétrons na camada
externa. São os casos como o Berílio e Boro principalmente e que trataremos como
casos especiais.
HIDRETO DE BERÍLIO
O'Be" tem 2 elétrons na camada externa e,antes de ligar-se ao H, sofre uma
hibridação do tipo "sp". Isto já foi estudado no capítulo de hibridação.
0 Berílio fica com 2 orbitais híbridos "sp", formando um ângulo de 180°.
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ligações químicas-4
Reparem que o berílio ficou estável com 4 elétrons na sua camada externa.
HIDRETO DE BORO
O Boro tem 3 elétrons na camada periférica e sofre uma hibridação do tipo
sp2. Aparecem 3 orbitais híbridos com ângulo entre as ligações de 120°.
e, a formula do hidreto, deveria ser: BH3.
Na prática constata-se que essas moléculas de "BH3" reunem-se duas a duas,
resultando moléculas do tipo "B2H6".
C) Estruturas dos óxidos moleculares
Os óxidos moleculares apresentam fórmulas do tipo "E2Ox" ou "EOx/2" (forma
simplificada).
Recordamos que o átomo de oxigênio tem 6 elétrons na camada periférica e
aceita mais 2 elétrons. As possíveis formas de ganhar mais 2 elétrons são:
= 0........ duas ligações covalentes normais.
0......... uma 1igação coordenada.
O átomo "E" admite tantas covalências normais (traços) quantas sejam
necessárias para completar o octeto.
Por exemplo, o nitrogênio:
"N" tem 5 elétrons periféricos e admite 3 covalências normais.
Além disso, o elemento "E" pode efetuar ligações
coordenadas com os elétrons não emparelhados. No caso do
nitrogênio, após ele efetuar três ligações covalentes ainda é
capaz de fazer uma ligação coordenada, se necessário, sem
prejudicar o octeto.
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Eis a regra para a estruturação de 5xidos moleculares:
1) Escrever o elemento "E" com (8 – no. de grupo) traços.
2) Cada 2 traços de "E" recebe um átomo de oxigênio.
3) Os restantes oxigênios serão ligados com ligações coordenadas na forma
[ ->- 0 ] .
4) NO caso de moléculas do tipo E20X, admite-se uma simetria estrutural.
EXERCÍCIOS
1º. exemplo:
(217) Seja o SO2 - anidrido sulfuroso.
(8 – no. do grupo) = (8 - VI) = 2 traços.
S -
Coloca-se um átomo de oxigênio que utiliza 2 traços.
S = 0
Tem ainda mais um átomo de oxigênio.Este se liga por coordenada.
S = 0
↓
0
2º. exemplo:
(218) Seja o CO2 - anidrido carbônico.
no. de traços . . . ( - IV) = 4
Cada 2 traços recebe um átomo de oxigênio;
então, cabem os 2 átomos de oxigênio .
Não houve necessidade de ligação
coordenada.
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ligações químicas-4
3º. exemplo:
(219) Sejam N2O4, e N2O5. Agora estamos no caso E20x e temos que admitir
simetria estrutural. É preciso fazer esta consideração para ficar o mesmo número de
átomos de oxigênio em cada átomo de nitrogênio na molécula (simetria).
E preciso examinar se o número de oxigênio é par ou ímpar. Se o número de
oxigênio for par, não pode ter oxigênio no eixo de simetria; se for impar, deve o
oxigênio estar entre os 2 átomos de Ne, portanto, no eixo de simetria.
Agora,seguem-se as regras normais para a estruturação de óxidos
moleculares.
Em cada átomo, vão (8 - n° de grupo) traços. No caso do nitrogênio, são 3
traços em cada átomo.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Escrever as estruturas dos seguintes óxidos;
(220) SO3 - anidrído sulfúrico
(221) N2O3 - anídrido nitroso
(222) C12O6 - anídrido clórico-perclórico
(223) CI2O7 - anídrido perclórico
(224) AS2O5 - anídrido arsênico
E) Estruturas de ácidos oxigenados
A maioria dos ácidos oxigenados apresentam a fórmula HxEO y.
Nesses ácidos, os hidrogênios ionizáveis ligam-se ao oxigênio por uma
covalência normal. (H - 0 -) .
O elemento "E" fica no centro da molécula e procura, também, a estabilidade
através de covalências normais ou coordenadas.
Temos uma regra de estruturação semelhante a dos óxidos:
1) Escrever o elemento "E" com (8 – no. do grupo) traços.
2) Todos os hidrogênios ionizáveis deverão ser ligados ao "E" juntamente com
o oxigênio, na forma H - 0 -.
3) Os restantes oxigênios serão ligados ao "E"; cada 2 traços de "E" admite
um átomo "0".
4) Se ainda existem átomos de "0" e não existem traços suficientes, devem-se
ligar os oxigênios restantes por 1igações coordenadas, na forma 0.
5) Se a molécula do ácido for do tipo HxE20y, esta molécula admite uma
simetria estrutural.
EXERCÍCIOS
1º. exemplo:
(225) Seja o HN03 - ácido nítrico.
0 nitrogênio é do grupo V . . . (8 - V) = 3 traços.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
O átomo de "N" estará com seu octeto, se
efetuar 3 covalências.
0 hidrogênio ionízavel será ligado na
forma H - 0 -.
Cada 2 traços admite um átomo de
oxigênio.
Ainda falta mais um átomo de oxigênio.
Este, será unido ao N por uma ligação
coordenada.
2º. exemplo:
(226) Seja o H2CO3 - ácido carbônico.
0 carbono é do grupo IV ... (8 - IV) = 4 traços.
Seguindo um raciocínio análogo ao 1º. exemplo:
3º. exemplo:
(227) Seja o H2C2 O4 - ácido oxálico.
Neste caso, a molécula é do tipo HxE20y e, vamos então admitir uma simetria
estrutural. Análogo ao caso do óxido, examinemos o numero de átomos de oxigênio - é
par; logo "C" será ligado direto ao C.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Daqui para frente, a regra e a mesma:
coloca-se (8 – no. do grupo) traços em cada átomo.
Todos os "H" ionizáveis na forma H - 0 -,
mas sempre respeitando a simetria.
Os restantes oxigênios serão ligados por 2
covalências.
Neste caso, não houve necessidade da
ligação dativa.
4º. exemplo:
(228) Seja o H4P2O7 - ácido pirofosfórico.
0 número de oxigênio é ímpar . . . "então, entre os átomos de P irá um átomo
de oxigênio.
0 fósforo é do grupo V - . . (8 - V) = 3 traços.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas – 4
Escrever as fórmulas estruturais dos seguintes ácidos:
(229) HC10 - ácido hipocloroso
(230) HC102 - ácido cloroso
(231) HCl04, - ácido perclórico
(232) HI03 - ácido iódico
(233) H2SO3 - ácido sulfuroso
(234) H2SO4 - ácido sulfúrico
(235) HPO3 - ácido metafosfórico
(236) H3AsO3 - ácido ortofosfórico
(237) H3ASO3 - ácido arsenioso
(238) HNO2 - ácido nitroso
(239) H2SIO3 - ácido metassilícico
(240) H4SiO4, - ácido ortossilícico
(241) H2S2O7 - ácido pirossulfúrico
(242) H6Si207 - ácido pirossilícico
F) Estruturas dos sais
Os sais são compostos iônicos e,portanto, possuem CÃTIONS e
ANIONS. Pode acontecer desses cátions ou ânions serem um agrupamento
de átomos contendo ligações covalentes.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Para escrever as estruturas desses sais, lança-se uma forma mista: a parte
que possui covalências é apresentada dentro de um "colchete" e, ao mesmo tempo,
indica-se as ligações iônicas.
EXERCÍCIOS
1º. exemplo:
(243) Seja o Na2SO4 = 2 Na+ . SO4= .
Para escrever a estrutura do ânion SO4= , comece estruturando o ácido
correspondente; tirando H ionizáveis,restará o ânion com os elétrons responsáveis
pela carga negativa.
Procede-se analogamente,quando o cátion possui covalências.
2º. exemplo:
(244) Seja o NH4Cl = NH4 + Cl-.
Escrever as fórmulas estruturais dos seguintes sais:
(245) KCIO3 - clorato de potássio
(246) CaCO3 - carbonato de cálcio
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ligações químicas-4
(247) Na3PO4 - fosfato de sódio
(248) NH4NO3 - nitrato de amôneo
════════════════
CASOS ESPECIAIS DE FÓRMULAS ESTRUTURAIS
1º. caso: Ácidos com hidrogênios não ionizáveis
Na química inorgânica, destacam-se 2 ácidos de fósforo que apresentam "H"
não ionizáveis. Neste caso, o "H" não ionizável fica diretamente ligado ao "P".
H3PO3 - ácido fosforoso - tem 1 "H" não ionizável.
Sua fórmula estrutural é:
H3PO2 _ ácido hipofosforoso - tem 2 "H" não ionizáveis.
Sua formula estrutural é:
2º. caso: Peroxi-ácidos
Nos peroxi-compostos sempre está presente a forma [- 0 - 0 -].
EXERCÍCIOS
ExempIo:
(249) H2SO5 - ácido peroxissulfúrico
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(250) H2S208 - ácido peroxidissulfúrico
0 0
↑ ↑
H – O - S - O – O – S – O - H
↓ ↓
O O
Sugestão:
Para maior facilidade, escreva o ácido sem o prefixo peroxi:
peroxissulfúrico ácido sulfúrico
peroxidissulfúrico ácido dissulfúrico
Em seguida,procure encaixar o O para formar o grupo peroxi.
(251) Escrever a fórmula do ácido pirofosfórico.
(252) Escrever a fórmula do peróxido de oxigênio ou água oxigenada.
3º. caso: Estruturas por tentativas
Os casos que não caem naqueles já estudados podem ser deduzidos
lembrando-se que:
- cada covalência normal "aumenta" um elétron para ambos os átomos que
se ligam.
- cada coordenada "aumenta" 2 elétrons apenas no átomo para o qual a seta
aponta.
Por outro lado, sabemos que os átomos tornam-se estáveis com o octeto de
elétrons.
EXERCÍCIOS
Exemplos:
(253) Seja o CO - monóxido de carbono.
C - tem 4 elétrons periféricos O - tem 6 elétrons periféricos
Solução :
2 covalências e uma coordenada do O
para C.
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ligações químicas-4
(254) Seja o HCN - ácido cianídrico
Escrever as estruturas dos seguintes compostos:
Sugestão:
Nunca o oxigênio será átomo central.
(255) COC12 - cloreto de carbonila ou gás fosgênio
(256) HNC - ácido isocianídrico
(257) POCI3 - cloreto de fosforila
(258) SOC12 - cloreto de sulfurila
(259) N2H4 – hidrazina
══════
_________________
Ligação π (pi)
_______________
Imaginemos 2 átomos de nitrogênio se aproximando.
Cada um tem 5 elétrons periféricos e pretendem completar o octeto, através
de ligações covalentes. Serão 3 covalências normais.
Temos a molécula N2, onde os átomos completaram seus octetos.
À primeira vista, tem-se a impressão de que as 3 ligações covalentes são
iguais. Se examinarmos os orbitais numa representação espacial, veremos que uma
dessas ligações é diferente das demais.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
O átomo de nitrogênio apresenta os orbitais "2p" incompletos:
ZPx1 , 2py 1 e 2pz1
Quando os 2 átomos se aproximam, em primeiro lugar, os orbitais pxx irão
fundir-se, formando o orbital molecular ک p-p. Recordemos que este processo de fusão
de orbitais por uma aproximação dos mesmos é denominada de sobreposição ou
"overlap", característica das ligações ک<f (sigma) .
A ligação sigma aparece uma só vez entre 2 átomos unidos por covalências. A
molécula "N2" apresenta 3 covalências: uma é ligação " ک p-p " e ainda temos 2 outras
espécies de covalências. Estas são as ligações "π" (pi) .
Vamos esclarecer o que é a ligação " π _" e como é o orbital molecular π.
Sejam 2 átomos "A" e "B" que possam emparelhar elétrons originando
covalências. Quando aparecerá entre eles a ligação π ?
É necessário que entre "A" e "B":
______________________________________________________________
a) Já exista uma ligação (sigma) .
b) Tanto "A" como "B" possuam orbitais "p" incompletos .
___________________________________________________________________________
Os orbitais "p" vão se aproximando e diminuindo a distância internuclear; de
repente, os orbitais "p" se fundem aparecendo em seu lugar o orbital molecular "π"
com dois elétrons de spins opostos.
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ligações químicas -4
O "par" das regiões espaciais é que constituem um orbital "π_".
Reparem mais uma vez que a ligação "π" faz diminuir a distância
internuclear.
Assim, nos carbonos, numa ligação simples "C-C" onde se tem apenas ligação
.a distância internuclear é de 1,54 Ǻ ,"ک"
Quando esses átomos possuem uma dupla ligação "C=C", uma das ligações é
.e a outra é" π ". A distância internuclear neste caso é de 1,34 Â ""ک"
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Voltemos ao caso do nitrogênio "N2". Nesta molécula, cada átomo possui 2
orbitais "p" incompletos, então, surgirão 2 ligações π.
O desenho acima, já inicia com os 2 átomos de nitrogênio ligados por ک. A
seguir virão os orbitais π.
Reparem mais uma vez que, à medida que aparecem as ligações π ,os átomos
vão se aproximando.
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ligações químicas -4
Por uma questão de comodidade didática, a ligação π será artificiosamente
indicada, esquematicamente, como a figura acima.
No caso da molécula de "N2" vê-se perfeitamente uma ligação ک e duas π. As
ligações π determinam planos que são perpendiculares entre si.
Finalmente, de modo resumido, as ligações π surgem quando existem duplas
ou triplas ligações entre os átomos.
EXERCÍCIOS
Contar o número de ligações ک e π nos seguintes compostos
(260 )
(261) H - C = N - ácido cianídrico
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(262) O = C = O - gás carbônico
(263) H - C = C - H - acetileno
(264) H – O – N ≡ N – O - H - ácido hiponitroso
(265) H - N - H - amônia
Ι
H
═════════════
E quando aparecer uma ligação coordenada?
Neste caso, adote a notação moderna, ou seja: substitua a seta por um traço.
Isto pode ser feito na representação porque a ligação coordenada difere da covalente
normal apenas pela origem dos elétrons que contribuem na ligação.
Então:
será
CO --► C ≡ O ---------------------- C ≡ O
representada
Sendo uma tripla, uma ligação é ک e duas serão π.
EXERCÍCIOS
Contar o número de ligações "ک" e "π", nos seguintes compostos .
(266) ácido nítrico - HNO 3
(267) ácido oxálico – H2C2O4
(268) ozona - O3
(269) ácido sulfúrico - H2SO4
(270) carbonato de sódio - Na2CO3
(271) ácido bórico - H3BO3
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ligações químicas-4
Hibridações parciais
Examinemos as ligações entre os
átomos de carbono na molécula de etileno.
Existem duas covalências sendo uma ligação
.e uma ligação π "ک"
Se existe uma ligação " π " é porque
cada átomo de carbono reservou um orbital
"p" incompleto afim de formar o orbital
molecular "ir".
Recorda-se que o carbono é um
átomo com 4 elétrons na camada externa;
normalmente, ele hibrida seus orbitais
atômicos "2s" e "2p" originando um átomo de
carbono "sp3" (hibridação tetraédrica),
utilizando-se um orbital "s" e três orbitais
"p".
Agora, no etileno, o carbono precisa
guardar um "p". Então, a hibridação será do
tipo "sp2", pois vai utilizar 1 orbital "s'! e
somente dois orbitais "p"
Abaixo está a seqüência da hibridação do carbono na forma sp2.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Como se vê, o átomo de carbono continua tetravalente: três orbitais "sp2" para
as ligações "ک" e 1 orbital "p" para a ligação π.
A figura acima mostra as ligações na molécula de etileno.
0 ângulo entre as ligações é de 120°.
Na ligação "C=C" uma delas é:
sp2-sp2 ک
e a outra é π.
Em H-C as ligações são do tipo:
.s - sp2 ک
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ligações químicas-4
Examinemos agora a molécula de
acetileno. Existem duas ligações π e as
restantes são "ک". Mais uma vez
lembremos que, para ocorrer ligação "π" é
necessário que haja um par de orbitais "p"
incompletos.
Então, na molécula de acetileno,
cada átomo de carbono reservou 2
orbitais "p" para as ligações " π ".
Consequentemente, a hibridação
será feita por 1 orbital "s" com 1 orbital
"p" do tipo "sp"
Numa representação geométrica teremos:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
O átomo de carbono continua tetravalente: 2 orbitais "sp" para as ligações "ک"
e 2 orbitais "p" para as ligações "π".
A figura acima mostra, esquematicamente, as ligações na molécula de
acetileno.
Observa-se que a molécula é linear.
Nas ligações C≡C, uma é do tipo " کSp-Sp" e duas são do tipo "p".
A ligação "H-C" é do tipo " کp-Sp" .
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ligações químicas-4
Examinemos agora a molécula de "CO2" (gás carbônico).Entre o "C" e "O" existem duas ligações: uma é "ک" e a outra é "π".
Então, o átomo de carbono tem duas ligações "π" e, naturalmente, reservou
dois orbitais "p".
A hibridação do carbono foi igual aquela do acetileno, ou seja, do tipo "sp".
0 oxigênio possui 2 orbitais incompletos "py" e "pz". O orbital "py" fará
ligação "ک" com o orbital "sp" do carbono; o orbital "pz" fará ligação "π".
A molécula de CO2 apresenta duas ligações " ک p-sp" e duas ligações "π".
A molécula é linear.
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O átomo de carbono sofre hibridações parciais quando apresenta duplas e
triplas ligações.
Abaixo está o quadro que indica as hibridações e os ângulos entre as
valências num átomo de carbono.
EXERCÍCIOS
No hidrocarboneto acima, os ângulos formados pelas ligações entre os
carbonos 1-2-3 e 3-4-5 são, respectivamente:
(273) Com relação ao composto citado na questão anterior podemos afirmar
que:
a) o carbono 2 forma apenas três ligações sigma.
b) o carbono 4 forma apenas quatro ligações sigma.
c) o carbono 5 forma duas ligações sigma e duas ligações pi.
d) o carbono 3 forma duas ligações pi e duas ligações sigma.
e) o carbono 1 forma apenas duas ligações pi.
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ligações químicas – 4
(274) Ainda com referência ao hidrocarboneto citado nas questões anteriores,
podemos afirmar que:
a) A distância entre os carbonos 1 e 2 é maior que a distância entre os
carbonos 3 e 4.
b) A distância entre os carbonos 4 e 5 é maior que a distância entre os
carbonos 2 e 3.
c) A distância entre os carbonos 4 e 5 é menor que a distância entre os
carbonos 1 e 2.
d) As distâncias entre os carbonos 1 e 2 e entre os carbonos 2 e 3 são iguais.
e) Todas as distâncias entre os carbonos são iguais.
(275) Qual é o tipo de hibridação do carbono no ácido carbônico "H2C03"?
a) sp
b) sp2
c) sp3
d) sp4
e) nenhum dos anteriores
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_______________________
Hibridações especiais
____________________________
Vimos no capítulo da hibridação que os átomos que possuem 2, 3 ou 4_
elétrons na camada externa e se dispõem a efetuar covalências sofrem hibridações
entre seus orbitais "s" e "p".
Lembremos,ainda que os átomos com tais características eletrônicas possuem
na camada externa 1 orbital completo e pelo menos 1 "orbital vazio" .
Quando o átomo normal passava ao estado excitado, um elétron do orbital
completo passava a constituir outro orbital, preenchendo o espaço que antes era
indicado como orbital vazio. Em seguida, os orbitais hibridizavam-se.
Existem átomos que não apresentam tais características, as vezes nem
passam pelo estado ativado e mesmo assim, produzem estruturas que somente
podemos aceitá-las justificadas, admitindo-se as hibridações de seus orbitais. Alguns
desses casos especiais serão tratados neste capítulo.
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1º. caso: Hibridação sp3 do N no íon NH4
O átomo de N tem a seguinte configuração eletrônica.
N K - 2 . . . ls2
Z = 7
L – 5 . . . 2s2,2p3.
Eis a representação eletrôca na camada externa.
Quando o "N" efetua apenas 3
covalências normais, não ocorre
hibridação e teremos 3 ligações através
de seus orbitais "p".
É o caso do "NH3" que possui 3
ligações " ک s-p"
0 átomo de nitrogênio possui ainda um par de elétrons e poderá efetuar uma
ligação coordenada. Isto realmente ocorrerá quando o NH3 passar a íon NH4+ onde um
dos hidrogênios está ligado através de uma covalência coordenada.
Qual seria a explicação desse fato através de seus orbitais?
Admite-se que haja uma
hibridação dos orbitais do N, sem que o
átomo passa pelo estado ativado.
Trata-se de uma hibridação do
tipo sp3 e portanto, no espaço, a
distribuição será em forma tetragonal.
Um dos orbitais híbridos já
está completo e somente aceitará
ligação coordenada.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
No íon " NH4+" temos 4 ligações "کs-Sp3". Reparem que na representação
geométrica, a ligação coordenada confunde-se com a covalente normal.
É por este motivo que muitos autores admitem que, na molécula de "NH3", o
N já está hibridizado .
Seria uma hibridação do tipo "sp3" com 1 orbital completo, como indica
a figura (antes de efetuar l igações). 0 angulo teórico seria de 1090 28',
enquanto que na real idade e de 106°.
Analogamente, este raciocínio é também aplicável a molécula de água. O
oxigênio teria sofr ido uma hibridação do tipo "sp3", com 2 orbitais completos e
2 orbitais que efetuariam as ligações com os átomos de hidrogênio.
Nesta diferente interpretação de hibridação para os casos da amônea e
água, teremos respectivamente os nomes: hibridação de pirámide trigonal e de
configuração em "V".
Para faci litar as visualizações espaciais, eis as moléculas de CH4,""NH3"
"H20", admitidas hibridações "sp3".
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2º. caso: Hibridação dsp 3 do P no PCI 5
0 átomo de "P" tem a seguinte configuração eletrônica:
Hormalmente o "P" comporta-se semelhante ao "N"; por exemplo, na formação
da fosfina ou fosfamina "PH3", as ligações são análogas às do "NH3".
No entanto, o átomo de "P" poderá produzir hibridações de todos os orbitais
da camada externa, em determinadas ligações como no "PC15", "PF5" e "PBr5".
Vejamos a seguir, a seqüência da hibridação denominada "dsp3", porque irão
participar: 1 orbital "d", 1 orbital "s" e 3 orbitais "p".
Átomo de fósforo - camada M
Teremos 5 orbitais híbridos incompletos, destinados às ligações sigma. A
estrutura geométrica dos orbitais "dsp3" é de uma bi pirâmide triangular.
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ligações químicas – 4
A molécula de "PCI5" possui 5 covalências do tipo " p-dsp3" > pois o cloro
efetua ligações pelos orbitais "p". Reparem que, nesta molécula, o fósforo não respeita
a regra do octeto, ele compartilha 10 elétrons na camada externa.
3º. Caso: Hibridação "d2sp3" do "S" na molécula "SF6" .
0 enxofre tem a seguinte configuração:
Normalmente, suas ligações serão através de seus orbitais incompletos "py e
pz".
Análogo ao caso do fósforo; o enxofre poderá hibridar seus orbitais como no
"SF6" - (hexafluoreto de enxofre).
Teremos então, para a camada M:
Os orbitais híbridos "d2sp3"
distribuem-se no espaço numa estrutura
tetraédrica.
Reparem que o enxofre efetuara
6 covalências do tipo " p-d2sp3" na
formação da molécula de "SF6".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Na molécula de "SF6", o enxofre ficará com 12 elétrons na camada periférica,
Mais uma vez, estamos presenciando uma exceção à regra do octeto.
C LIGAÇÃO POLAR
E MOLÉCULA POLAR
A) Eletronegatividade
Chama-se eletronegatividade a tendência do átomo em atrair elétron para a
sua camada eletrônica. De modo geral, quanto mais elétron na periferia e quanto
menor o átomo, ele será mais eletro negativo. A medida da eletronegatividade será
descrita no capitulo da Classificação Periódica dos Elementos.
ATOMÍSTICA RicardoFeltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Apareceram diversos critérios para medir a eletronegatividade. Um deles,
talvez o mais aceito, é o da escala de "Linus Pauling", onde os principais elementos
eletronegativos são:
Nesta escala, o flúor é o mais eletronegativo, tendo-lhe sido atribuído o valor
4; os demais valores foram calculador em relação ao valor adotado àquele elemento.
Em resumo, esses números são como "notas" que os professores atribuem aos
seus alunos, para avaliar seu grau de conhecimento; no caso, é para avaliar a
tendência em atrair elétrons, quando um átomo está ligado a outro.
B ) Ligação polar
Quando se ligam dois átomos de
diferente eletronegatividade produzindo ligação
molecular (formação de orbital molecular), o
núcleo do átomo mais eletronegativo irá atrair
mais os elétrons do orbital molecular. Ocorrerá
uma deslocalização das cargas e, diremos que
a ligação é polarizada.
Seja a ligação entre o hidrogênio e o
flúor.
Os orbitais incompletos são: "ls" e"2pz"
que efetuam a ligação " کs-p"
Nesse orbital molecular, os elétrons
terão maior probabilidade de se encontrarem
mais próximo do núcleo de flúor. Dizemos que,
nessa região, e maior a densidade eletronica e
teremos uma ligação polar. A molécula é também denominada molécula polar que se
comporta como um minúsculo DIPOLO. A polarização é indicada por "σ+" e "σ"".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
A ligação H-F é fortemente polar, o que se podia prever em vista da
grande diferença de eletronegatividade desses elementos.
∆ = 4,0 - 2,1 = 1,9
Numa ligação do tipo Br-Cl a diferença de eletronegatividade
é:
∆ = 3,0 - 2,8 = 0,2
tem-se então, uma ligação fracamente polar.
Na ligação Cl-Cl temos ∆ = 3,0 - 3,0 = 0, então é uma ligação totalmente
apolar e dizemos que a molécula CI2 é uma mo1écula apolar. Isto é aceitável, pois se
os átomos possuem a mesma eletronegatividade, as atrações de elétrons são
equivalentes. Disso se conclui que quase todas as substâncias simples moleculares
possuem moléculas apolares.
EXERCÍCIOS
(276) Qual das ligações é a mais polar?
a) C - F
b) C - Cl
c) C - Br
d) C - I
e) H - F
(277) Qual das ligações é a menos polar?
a) C - F
b) C - Cl
c) C - Br
d) C - I
e) C – H
(278) Qual das ligações é a menos polar?
a) P - F
b) O - C
c) O - H
d) Br - Cl
e) C - H
OBSERVAÇÕES:
- A ligação iônica surge quando a diferença de eletronegatividade entre os
átomos é muito grande. Poderíamos até conceber a ligação iônica como um caso de
excessiva polarização. De modo geral, excetuando casos do "H", pode-se dizer que as
ligações são predominantemente iônicas quando: ∆ > 1,7
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Na molécula de "03" (ozona) temos uma ligação polar.
E que a ligação dativa entre átomos iguais produz uma ligeira
polarização.
Então, esta molécula é polarizada.
C) Momento polar
Vamos imaginar duas placas
metálicas, inicialmente descarregadas,
como indica a figura.
Agora imaginemos uma molécula
polar inclinada, em relação as paredes da
placa.
Ligando os terminais das placas a
uma fonte elétrica, aparecerão nestas
placas cargas positivas e negativas. A
molécula, imediatamente, será orientada
desviando-se da posição inicial.
Esta tendência, maior ou menor,
em se orientar diante dessa eletrização das
placas, é que denominamos de MOMENTO
DIPOLAR (μ).
Trata-se de uma grandeza vetorial
(que tem intensidade, direção e sentido),
sendo que a sua intensidade é diretamente
proporcional à carga elétrica efetiva de um
dos pólos e à distância entre essas
cargas.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Num orbital não se pode dizer que as cargas elétricas estão concentradas em
apenas 2 pontos; existe a região negativa e a região positiva.
No entanto, podemos imaginar hipoteticamente que as cargas positivas e as
cargas negativas estão concentradas nos pontos ocupa dos pelos núcleos dos átomos
em ligação. Estas cargas, iguais e de sinais contrários (+q) e (-q) seriam as cargas
efetivas da ligação polar. Evidentemente, a distância internuclear será, então, o " ℓ"
(distância entre as cargas).
Definição de vetor momento dipolar: μ
→
Trata-se de vetor que possui as seguintes características:
1) Módulo: |μ
→
| = q . ℓ
onde:
q - valor absoluto da carga elétrica efetiva
ℓ - distância internuclear
2) Direção: É aquela que passa pelos núcleos dos átomos em ligação.
3) Sentido: Por convenção é do positivo para o negativo, ou seja, de um
núcleo para o outro núcleo que mais atrai os elétrons.
A unidade para medir a polarização de uma ligação é o Debye (D)
Por definição, o Debye é o momento produzido por uma molécula hipotética
que teria uma distância internuclear de 1 Ǻ (Angstron) e uma carga efetiva igual em
valor absoluto a 10-10 unidades eletrostáticas em cada pólo.
Apenas para exemplificar:
De quantos "D" (Debyes) seria o momento dipolar de uma molécula hipotética,
que tivesse a carga efetiva igual de 1 elétron no polo negativo e uma distancia de 1 Ǻ?
q (1 elétron) = 4,8 x 10-10 unidades eletrostáticas
ℓ = 1 Ǻ
μ = q x ℓ, = 4,8 x 10-10 = 4,8 D
O momento dessa molécula seria de 4,8 Debyes.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Exemplos de alguns valores de μ;
D) Molécula Polar
Vimos que átomos de diferentes
eletronegatividades produzem ligações
polares. A cada ligação polar associa-se um
vetor momento polar.
Uma molécula pode ter mais de
uma ligação polar. É o caso da molécula de
água, cuja estrutura é angular.
A ligação "H-O" é polar e pode-se
associar o vetor (μ
→
).
Os vetores (μ
→
) produzem um vetor
soma, (μ
→
r) que vale aproximadamente 1,8
D, confirmando que se trata de molécula
polar.
O que se faz na prática é o inverso.
Pode-se de terminar o valor de (μ
→
) por
meios experimentais e concluir-se que a
molécula de água é angular. Se a molécula
fosse linear (H-O-H), os vetores iriam se
anular e ela não seria polar o que iria contradizer os fatos experimentais.
Vejamos agora o CO2 (gás carbônico)
Nesta molécula, cada átomo de oxigênio liga-se ao carbono. Esta ligação é
bastante polar.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Num orbital não se pode dizer que as cargas elétricas estão concentradas em
apenas 2 pontos; existe a região negativa e a região positiva.
No entanto, podemos imaginar hipoteticamente que as cargas positivas e as
cargas negativas estão concentradas nos pontos ocupa dos pelos núcleos dos átomos
em ligação. Estas cargas, iguais e de sinais contrários (+q) e (-q) seriam as cargas
efetivas da ligação polar. Evidentemente, a distância internuclear será, então, o " ℓ"
(distância entre as cargas).
Definição de vetor momento dipolar: μ
→
Trata-se de vetor que possui as seguintes características:
1) Módulo: ן μ
→
q . ℓ = ן
onde:
q - valor absoluto da carga elétrica efetiva
ℓ - distância internuclear
2) Direção: é aquela que passa pelos núcleos dos átomos em ligação.
3) Sentido: Por convenção é do positivo para o negativo, ou seja, de um
núcleo para o outro núcleo que mais atrai os elétrons.
A unidade para medir a polarização de uma ligação é o Debye (D)
Por definição, o Debye é o momento produzido por umamolécula hipotética
que teria uma distância internuclear de 1 Ǻ (Angstron) e uma carga efetiva igual em
valor absoluto a 10"10 unidades eletrostáticas em cada pólo.
Apenas para exemplificar:
De quantos "D" (Debyes) seria o momento dipolar de uma molécula hipotética,
que tivesse a carga efetiva igual de 1 elétron no póIo negativo e uma distância de
1 Ǻ?
q (1 elétron) = 4,8 x 10-10 unidades eletrostáticas
ℓ = l Ǻ
μ = q x ℓ, = 4,8 x 10"10 = 4,8 D
0 momento dessa molécula seria de 4,8 Debyes.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Exemplos de alguns valores de y;
D) Molécula Polar
Vimos que átomos de diferentes
eletronegatividades produzem ligações
polares. A cada ligação polar associa-se
um vetor momento polar.
Uma molécula pode ter mais
de uma ligação polar. É o caso da
molécula de água, cuja estrutura é
angular.
A ligação "H-0" é polar e pode-se
associar o vetor (μ
→
).
Os vetores (μ
→
) produzem
um vetor soma, (μ
→
r) que vale
aproximadamente 1,8 D, confirmando
que se trata de molécula polar.
O que se faz na prática é o
inverso. Pode-se de terminar o valor de
(μ
→
) por meios experimentais e concluir-
se que a molécula de água é angular. Se
a molécula fosse linear (H-O-H), os vetores iriam se anular e ela não seria polar o que
iria contradizer os fatos experimentais.
Vejamos agora o CO2 (gás carbônico)
Nesta molécula, cada átomo de oxigênio liga-se ao carbono. Esta ligação
é bastante polar.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Experimentalmente,verifica-se que a
molécula de " CO2," é APOLAR.
Conclusão:
A molécula de "CO2" De fato, deve
ser linear, essa conclusão pode ser aceita
desde que se admita que o carbono nessa
molécula sofra uma hibridação do tipo "sp".
Aí, os vetores se anulam pois, o
ângulo entre 2 ligações no carbono "sp" é de
180°.
Examinemos agora a molécula de CC14 (tetracloreto de carbono).
Podemos prever, através de um
estudo teórico, se a molécula é polar ou
apolar.
O carbono tem 4 ligações polares
e, a disposição espacial é tetraédrica
(hibridação sp3).
Cada ligação C-Cl admite um vetor
(μ
→
) . Somando esses vetores 2 a 2 teremos
2 vetores resultantes parciais (μ
→
) e
(μ
→
2).
Acontece, que eles estão num
mesmo eixo direcional possuem a mesma
intensidade e sentidos opostos.
Conclusão:
0 (μ
→
) resultante final é ZERO e a
molécula é APOLAR, o que de fato é
comprovado por medidas experimentais.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
RESUMO:
1) Se uma molécula não possui ligação polar, evidentemente, a
molécula será APOLAR.
Exemplos : F2, H2, P 4, etc.
2) Se a molécula tiver ligações polares então, poderá ser P0LAR ou
APOLAR.
Como sabemos se a molécula é polar?
___________________________________________________________________________
a) Escreva a fórmula estrutural espacial da molécula, respeitando os
ângulos entre as ligações.
b) Assinale os vetores (μ
→
) para todas as ligações polares.
c) Efetue a soma dos (μ
→
).
____________________________________________________________________________
Somente se a Σμ
→
for igual a ZERO, pode-se confirmar que a molécula
é APOLAR.
A observação prática leva-nos a reparar que moléculas simétricas são
apolares e moléculas assimétricas são polares.
EXERCÍCIOS
Verificar se a molécula é polar ou apolar:
(279) HC1 (280) S8
(281) CH4, (282) BF3
(283) CS2 (284) HCC13
(285) NH3 (286) N2
E) Constante dielétrica - Є
O dispositivo desenhado ao lado é um
condensador constituído de duas placas planas
que recebem cargas elétricas porque as mesmas
estão submetidas a uma tensão "U".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Entre as placas encontra-se uma substância isolante que constitui o
"meio" do condensador.
Este dispositivo serve para armazenar energia elétrica.
A energia armazenada também depende do "meio" desse condensador.
Quanto mais polar e mais
moléculas tiver o "meio", maior será a
energia acumulada.
A explicação é a seguinte: as
moléculas polares ocupam o espaço
entre as placas mas, não possuem uma
orientação direcional enquanto as
placas estão descarregadas.
No momento que aparecem as
cargas nas placas, as moléculas
polares exigem uma energia para sua
orientação. Isto significa maior
acúmulo de energia no sistema e,
dizemos que esse meio possui uma
constante dielétrica (Є) elevada.
Em outras palavras : Se a
substância colocada entre as placas for
polar, diremos que se trata de um material de elevada constante dielétrica (Є).
No sistema eletro-estático (C.G.S.) foi tomado convencionalmente (Є = 1) para
o vácuo. Os valores de (Є) para outras substâncias foram calculados em relação ao
do vácuo.
De modo geral, se o material entre as placas é gasoso, temos poucas
moléculas, a energia acumulada nessas moléculas é muito pequena e teremos uma
constante dielétrica próxima do vácuo (E =1).
Exemplos:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas – 4
Para as substâncias no estado líquido é que se observa uma grande
diferença entre moléculas POLARES e APOLARES.
Vê-se que as moléculas polares apresentam (Є) elevados. Isto quer dizer que
esses materiais são capazes de armazenar maior energia elétrica num condensador.
Teoricamente, as moléculas apolares deveriam ter (Є≈1) pois, não se orientam
dentro de placas eletrizadas. Na verdade, as cargas das placas acabam polarizando
ligeiramente essas moléculas (e uma polarização induzida, ou seja, provocada). Esta é
a razão do benzeno e do "CCl4' possuírem (Є ≈ 2) .
EXERCÍCIOS
(287) Dentre as seguintes substâncias no estado líquido, qual delas
apresenta maior constante dielétrica?
a) HCC13 c) CCl4
b) CH4 d) CS2
_______________________________
F) Ponte de Hidrogênio
_______________________________
Vimos que o "HF" é uma molécula polar. Quando a polarização é muito
intensa como no "HF" , as moléculas passam a se atrair. Dai resultam moléculas
"H2F2" , _"H3F3" e até "HnFn ", dependendo da tempe ratura. Acima de 88°C, só existem
moléculas " HnFn ", pois a agitação térmica é muito forte.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Pois bem, as ligações entre
moléculas polares, onde um dos pólos e o
hidrogênio , são denominadas pontes de
hidrogênio,sendo indicadas por pontos
(...).
Trata-se de um tipo de ligação
intermolecular.
As pontes de hidrogênio aparecem
normalmente nos estados sólido e
líquido
Somente o H2F2 é que apresenta
pontes de hidrogênio no estado gasoso.
Outro caso interessante de pontes de hidrogênio é na água.
O vapor de água não possui pontes de hidrogênio.
ATOMÍSTICARicardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
A água líquida já apresenta aglomeração de moléculas através das
pontes de hidrogênio.
O gelo é um sistema ordenado de moléculas de água que se ligam
através das pontes de hidrogênio. Como as moléculas de "H2O" possuem
dipolos localizados, forma-se uma estrutura que deixa muitos "vazios" entre as
moléculas. Daí, o fenômeno da expansão de volume quando a água liquida
transforma-se em gelo.
As moléculas de água, no gelo, formam hexágonos reversos. É por esse motivo
que, ao analisar neve ao microscópio, encontra-se sempre cristais com 6 pontas.
As pontes de hidrogênio aumentam as forças de coesão entre as
moléculas. Isto explica a maior dificuldade dessas moléculas passarem ao
estado gasoso. Em outras palavras, explica o elevado ponto de ebulição de
substâncias que possuem pontes de hidrogênio.
1º. exemplo: Comparemos o álcool etílico (álcool comum) e éter etílico
(éter comum).
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Como já explicamos no LIVRO I, passar uma substância ao estado gasoso é
fazer com que suas moléculas "voem". Ora, moléculas de pesos moleculares baixos
teriam maior facilidade em sofrer ebulição. Por que então, o éter que tem peso
molecular maior (P.M. = 74) tem ponto de ebulição menor que o álcool etílico
(P.M. = 46)?
A resposta é simples: somente no álcool etílico existe hidrogênio ligado ao
oxigênio. Este hidrogênio é polarizado e consegue atrair o oxigênio de outra molécula
formando ponte de hidrogênio. Desta forma, moléculas são atraídas entre si pelas
pontes de hidrogênio, que causam a dificuldade em separá-las e se tornarem
gases.
2º. exemplo: Sejam as moléculas de orto-clorofenol e para-clorofenol:
A forma orto apresenta uma ponte de hidrogênio intramolecular, isto é,
entre o "H" do grupo "OH" e o cloro da própria molécula.
Já a forma para de mesmo peso molecular apresenta pontes de hidrogênio
com moléculas vizinhas, uma vez que o "H" do grupo "OH" está agora, muito "longe"
do cloro da mesma molécula.
Então, qual deles terá maior ponto de ebulição?
Experimentalmente, tem-se verificado que a forma orto tem P.E. = 176 °C e
a forma para P.E. = 217 °C.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
EXERCÍCIOS
(283) Qual das substâncias abaixo, no estado líquido apresenta
pontes de hidrogênio?
a) HC1 d) SiH4
b ) CH 4 e) BeH2
C) H2
(289) Qual das substâncias abaixo apresenta ponte de hidrogênio
mais forte?
a) HC1 gasoso c) H2O gasoso
b) NH 3 líquido d) H2S líquido
(290) Qual das substâncias abaixo apresenta maior ponto de
ebulição?
a) CO2 c) H2S
b) NH3 d) CH4
______________________________________
Ligação de Van der Waals
______________________________________
Sejam os átomos dos elementos nobres: Hélio, Neônio, Argônio, Criptônio,
Xenônio e Radônio. Eles são átomos de grande estabilidade e no estado gasoso são
realmente monoatômicos. Será que existe alguma força de atração entre os átomos
de um desses elementos?
Seja o Neônio, por exemplo; se não
existisse nenhuma atração atômica, esse
elemento deveria passar diretamente do
estado gasoso para o sólido quando a energia
cinética fosse nula, ou seja, exatamente o O0
Kelvin. Mas isso não é verdade: o gás passa ao
estado líquido e depois ao estado sólido antes
do ZERO ABSOLUTO, quando os átomos
ainda possuem energia cinética. Então,
embora eles queiram movimentar-se
livremente, existem forças que mantêm esses
átomos unidos.
Acima está o gráfico dos pontos de ebulição desses elementos nobres. No eixo
das abcissas foi escolhido o número atômico.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Como os átomos se atraem entre si?
A resposta foi sugerida pelo físico holandês Johannes Diderik Van der
Waals, com a teoria da polarização temporária e induzida.
Segundo Van der Waals, à
medida que os átomos vão sendo
aglomerados , eles não apresentarão seus
elétrons distribuídos simétricamente a
todo instante. A deslocalização de certos
elétrons num átomo já causa uma
pequena polarização neste átomo.
Por outro lado, elétrons de um
átomo repelem elétrons de outros átomos e atraem núcleos vizinhos. Um átomo já
"deformado" eletricamente causa induções elétricas mais sensíveis nos átomos
vizinhos. Dizemos que os átomos sofreram uma polarização induzida. Em outras
palavras: Se um átomo apresentar distribuição eletrônica"deformada", este
desencadeia uma seqüência de polarizações por indução.
Os átomos, mesmo no estado sólido, estão em vibração, razão pela qual essa
polarização fica sujeita a alterações. Evidentemente, no estado líquido, esta
polarização sofre mudanças mais rápidas, pois a todo instante, átomos rolam uns
sobre outros. No estado gasoso, a polarização é praticamente desprezível, em face da
grande distância entre os átomos. Como a polarização pode aumentar ou diminuir de
intensidade, diz-se também que é temporária.
As forças,que unem os átomos através dessas polarizações induzidas, são
chamadas ligações de Van der Waals.
Os elementos nobres quando liqüefeitos ou solidificados apresentam apenas
ligações de Van der Waals. A polarização induzida e muito fraca, mesmo nos sólidos, o
que resulta que as ligações de Van der Waals são as mais fracas entre todas as
ligações.
Por este motivo, os átomos dos elementos nobres entram em ebulição muito
antes de 0°C.
A ligação de Van der
Waals é também a responsável
pelas atrações intermoleculares
nos líquidos e sólidos constituídos
de moléculas apolares. Por
exemplo, no cloro sólido, a ligação
que une Cl-Cl para formar a
molécula é a ligação covalente
normal.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas – 4
Aquelas que mantêm as moléculas unidas entre si, por exemplo, no
estado sólido, são as ligações de Van der Waals.
Vamos exemplificar líquidos, onde as coesões entre as moléculas são
mantidas apenas pelas ligações de Van der Waals.
Examinemos algumas substâncias desse tipo e seus pontos de ebulição.
São dois os fatores que explicam a diferença desses pontos de ebulição:
a) Número de elétrons em cada molécula
Quanto mais elétrons tiver a molécula maior será a intensidade de
polarização induzida e mais acentuadas serão as forças de Van der Waals.
b) Peso molecular
Para que moléculas passem ao estado gasoso, não basta apenas separá-las,
mas, é preciso fornecer-lhes energia cinética suficiente para que se movam
rapidamente, e consigam "fugir” do estado líquido. Ora, quanto maior o peso
molecular maior será a energia cinética necessária o que se traduz em maior
temperatura.
No exemplo já citado, comparemos os pontos de ebulição com os pesos
moleculares e números de elétrons por molécula.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo YoshinagaMoléculas isoeletrônicas e pontos de ebulição
Examinemos agora algumas séries de hidretos com mesmo número de
elétrons ou também denominadas MOLÉCULAS ISOELETRÔNICAS.
a) com 10 elétrons:
HF - H20 - NH3 - CH4
P.M. 20 18 17 16
P.E. 292 373 240 112 (°K)
b) com 18 elétrons
HC1 - H2S - PH3 - SiH4
P.M. 36,5 34 34 32
P.E. 188 213 188 161 (°K)
c) com 36_ elétrons
HBr - H2Se - AsH3 -G eH4
P.M. 81 81 78 76,5
P.E. 206 231 218 183 (°K)
Os elementos em foco, ligados ao hidrogênio, pertencem
respectivamente aos grupos VII, VI, V e IV.
Coloquemos num gráfico, os pontos de ebulição nas ordenadas e os
grupos dos elementos nas abcissas.
Em cada série, as moléculas
são isoeletrônicas e os pesos moleculares
não se apresentam muito diferentes.
Então, os pontos de ebulição deveriam
ser bastante próximos.
Explicação:
Agora não podemos levar em
conta apenas as forças de Van der
Waals na união dessas moléculas no
estado liquido. Muitas delas são
moléculas polares e apresentam pontes
de hidrogênio.
As moléculas que apresentam
pontes de hidrogênio possuem uma
polarização permanente. Em cada serie, quanto maior for o ponto de ebulição,
significa que existem pontes de hidrogênio mais fortes.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
O CH4, SiH4 eGeH4 são
moléculas apolares e não apresentam
pontes de hidrogênio.
0 exagerado ponto de ebulição
da água deve-se ao fato de, além do
oxigênio ser muito eletronegativo, cada
molécula de H2O apresentar 2 (duas)
pontes de hidrogênio no átomo de oxi
gênio. Já no NH3 e HF, tanto o N como o
F só apresentam uma ponte de
hidrogênio.
EXERCÍCIOS
(291) Quando temos Argônio líquido, as ligações que unem os
átomos é do tipo:
a) covalente c) iõnica
b) ponte de hidrogênio d) Van der Waals
(292) Na amônia líquida encontram-se predominantemente as ligações
a) apenas covalente
b) covalente e Van der Waals
c) covalente e ponte de hidrogênio
d) iônica e Van der Waals
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
(293) Quando o hidrogênio líquido passa para o estado gasoso são
rompidas:
a) pontes de hidrogênio
b) ligações covalentes
c) covalentes e pontes de hidrogênio
d) apenas ligações de Van der Waals
(294) Qual dessas ligações é mais fraca?
a) eletrovalente c) ponte de hidrogênio
b) covalente d) Van der Waals
(295) Qual das seguintes substancias apresenta ponto de ebuliçao
mais elevado?
a) O2
b) CI2 CI – 35,5 F - 19
c) N2 O-16 N - 14
d) F2
(296) A água de P.M. = 18 apresenta ponto de ebulição maior do que
o H2S de P.M. = 34. Isto se deve:
a) às ligações de Van der Waals mais fortes na água
b) às ligações covalentes mais fortes na água
c) às pontes de hidrogênio mais fortes na égua
d) nenhuma das respostas anteriores
(297) Entre os hidretos: CH4, SiH4, GeH4 e SnH4, qual deles
apresenta ponto de ebulição mais elevado?
a) CH4 c) GeH4
b) SiH4 d) SnH4
(298) Na questão anterior, a explicação é devida:
a) a ponte de hidrogênio mais forte
b) ao maior peso molecular e mais elétrons por molécula
c) ser não metal, semi-metal e metal
d) à diferentes tipos estruturais das moléculas
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
_________________________________
Fusão e dissolução de um sal
________________________________________
Já foi revisto no início deste capítulo que os sais são compostos iònicos e que
no estado sólido eles constituem retículos cristalinos bem definidos, ou seja, possuem
empilhamentos ordenados de íons.
Vejamos as causas capazes de destruir o empilhamento desses íons. Pode-se
dar por 2 processos: fusão e dissolução do sal.
A) Fusão
Fundir um sal é agitar
termicamente a pilha de íons
ordenados até provocar o
desmoronamento.
Provocada a fusão, os íons
passam a rolar uns sobre os outros.
Durante a fusão, toda
energia é gasta apenas para libertar
os íons do retículo cristalino. A.
temperatura mantém-se constante
durante a fusão. Esta será a temperatura de fusão (P.F.).
A temperatura de fusão de sais está ligada diretamente à distância
internuclear e à carga do íon.
Para íons de mesma carga, quanto maior a distância internuclear menores
serão as forças de atração e então MENOR será a temperatura de fusão:
Exemplos:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Com relação à carga do íon quanto maior for essa carga maior será a atração
entre os tons e, teremos ponto de fusão MAIOR. Comparem os "P.F." do quadro abaixo
com os "P.F." do quadro anterior, para substâncias que apresentam distâncias
internucleares próximas.
B) Dissolução em líquido polar
A dissolução de um sal é uma outra forma de romper o retículo cristalino.
Trata-se de um fenômeno superficial, ou seja; os íons superficiais do cristal sofrem
uma interação com as moléculas do solvente"". É necessário que essas moléculas
sejam POLARES.
Suponhamos que o
solvente seja a água e o sal o
"NaCl".
Diante de um íon Na+
a molécula de água volta a sua
face negativa para a aquele
íon.
Eles se atraem
mutuamente e realmente a
molécula de água acaba
"colando" no íon Na+.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Dizemos que o íon está "solvatado" e, em particular, no caso da água,
dizemos que o íon está "hidratado".
Cada íon solvata-se com determinado número de moléculas, dependendo do
tamanho e carga desse íon. Esse número é chamado de número de coordenação de
solvatação e no caso da água é geralmente 4 ou 6.
O Na + hidrata-se com 6 moléculas de água e diremos que se trata de
uma solvatação octaédrica.
0 mesmo acontece para o íon Cl- neste caso as moléculas de água ficam com
os hidrogênions (positivos) voltados para o Cl-. O Cl- hidrata-se com 4 moléculas de
água e temos uma hidratação tetraédrica.
Na realidade, a dissolução de um sal (A+B- ) na água é dada pela
equação:
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Vejamos de modo global o fenômeno da dissolução do "NaCI".
As moléculas de água bombardeiam a superfície do cristal "NaCl",
conseguindo interpenetrar-se entre os íons.
Na eletrostática, quando duas cargas elétricas opostas (Q e q) se atraem,
temos a fórmula de Coulomb, que relaciona a força de atração com essas cargas.
(Є) é a constante dielétrica do meio (material entre ascargas).
(d) é a distância entre as cargas.
A figura acima representa as moléculas de água bombardeando a superfície
do cristal e interpenetrando entre os íons Na+ e Cl".
A água é uma molécula muito polar e apresenta constante dielêtrica
"Є = 80".
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas -4
Isto quer dizer que a atração entre Na+ e CI¯ diminui de 80 vezes, razão pela
qual esses íons se separam, ocasionando a solubilidade do sal na água.
Isto não aconteceria se a molécula do solvente fosse APOLAR, pois de modo
geral, os líquidos apolares (principalmente orgânicos) apresentam (Є ≈ 2). A força de
atração iônica é ainda suficientemente grande e mantém os íons unidos. O (Na+Cl¯) é
insolúvel na gasolina porque esse liquido é um solvente apolar.
Em outras palavras:
"Substancias iônicas são solúveis apenas em solventes polares".
Por outro lado, a naftalina (molécula apoiar) é insolúvel na água e solúvel
em solvente apolar como na gasolina.
A sacarose (açúcar) é solúvel na água, pois as moléculas de sacarose
possuem hidrogênio polarizado (-OH).
Em relação ã solubilidade vale a lei do Similis-similis: o semelhante dissolve
o semelhante.
Substâncias iônicas e polares são solúveis em solventes POLARES e
substancias apolares são solúveis em solventes apolares.
Quando a molécula é relativamente grande e possui parte polar e parte
apolar, será uma molécula parcialmente solúvel tanto na substância polar como na
apolar.
Substâncias desse tipo são, por exemplo, os detergentes. Os detergentes mais
antigos são os próprios sabões comuns. Eles possuem moléculas com 16, 17 ou 18
carbonos e radical polar. Uma de suas moléculas é:
Representaremos
assim: ☼ “ parte polar “
Geralmente, um tecido fica
impregnado com moléculas orgânicas
apolares, que são insolúveis na água. As
moléculas do sabão, através da parte apolar,
conseguem dissolver essas impregnações. Por
fim, esta solução, sabão-impregnação,pode
ser emulsionada na água já que as moléculas
do sabão possuem o radical -COO]¯ que é
polar. Sendo capaz de solvatar-se com
moléculas de água.
O que se acaba de concluir é que a
operação "lavar roupa com sabão" não é um fenômeno químico, mas sim, apenas uma
estratégica dissolução das impregnações, ou seja, um fenômeno físico.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
D EESSTTRRUUTTUURRAASS
DDAASS MMOOLLÉÉCCUULLAASS
Nas representações que seguem vamos utilizar a concepção (átomo =_bolinha
de Dalton). Poderemos visualizar melhor a disposição dos átomos nas moléculas,
teremos um modelo mais real e inclusive, poderemos prever, aproximadamente, o
ângulo entre as ligações nessa molécula.
1 a. parte:
_______________________________________________________________
Átomos que obedecem à regra do octeto
_____________________________________________
Lembremos inicialmente que um par de elétrons (spins opostos) pode-se
encontrar:
a) Num orbital atômico (não é ligação)
b) formando uma ligação covalente normal
c) formando uma ligação dativa
Exemplo: No íon H30+ o oxigênio apresenta esses tipos de ligações.
Recordemos que, uma vez efetuada a ligação dativa, ela adquire todas as
características da ligação covalente normal, razão pela qual substituímos a seta ()
por um traço ( — ).
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
Como podemos prever o ângulo entre 2 ligações?
As respostas aparecerão ã medida que formos estudando as estruturas
das moléculas.
__________________________________________________________________________
I) O octeto só tem simples ligações - ESTRUTURA TETRAÈDRICA
__________________________________________________________________________
Sejam as moléculas, onde o átomo central efetua apenas ligações simples
(normais ou dativas) e tem 8 elétrons periféricos.
Teremos 4 pares de elétrons, podendo ou não constituir ligações químicas.
Esses pares de elétrons localizam-se no átomo segundo as posições dos
vértices de um tetraedro regular, tendo o núcleo como centro desse tetraedro.
Admite-se que o átomo sofreu uma hibridação sp3.
ROTEIRO PARA DESENHAR A ESTEREOESTRUTURA DA MOLÉCULA.
1) Escrever a fórmula estrutural plana.
2) Substituir as setas da ligação dativa por traços.
3) Desenhar o tetraedro com os pares de elétrons nos vértices.
4) Desenhar os átomos esféricos.
Exemplos:
- Seja o HC103
Para que o assunto fique mais racionalizado vamos dividir em 3
casos:
1º. caso:
Existem 4 radicais com 1igações
simples.
A estrutura é esta desenhada ao
lado.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
De fato, aplicando a regra, existem 4 átomos ligados nas posições dos
vértices de um tetraedro regular.
Seja o metano CH4.
Se os 4 radicais são iguais, o ângulo entre 2 ligações quaisquer é de
109°28".
No HC1O4 os 4 radicais não são
iguais. As repulsões entre os radicais são
diferentes e teremos pequenas alterações.
Porém, o ângulo é bem próximo a 109°28'.
Analogamente para o H2SC4,
Exemplos de outras moléculas ou íons que apresentam estruturas
semelhantes:
NH 4+, PO4≡ , SIH4, GeH4, H3ASO4, etc.
Se o SiF4, tem estrutura tetraêdrica, terá também o XeF4 (tetrafluoreto
de xenônio)? Resposta: NÃO.
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ligações químicas-4
Por que?
Se o leitor observar, o SiF4 obedece à regra do octeto. Já no XeF4, o
xenônio é um gás nobre e já tem oito elétrons periféricos.
Se existem 4 ligações covalentes, o xenônio tem mais 4
elétrons de ligação totalizando 12 elétrons periféricos.
Lembre-se:
A estrutura tetraédrica é somente para átomos que obedecem à regra
do octeto.
EXERCÍCIOS
(299) Qual das seguintes moléculas ou íons não apresenta estrutura
tetraédrica?
a) GeCl4 c) BF4
b) CCl4 d) SeCI4
2º. caso:
Existem 3 radicais com 1igações simples
Evidentemente, se obedece a regra do
octeto, existe um par de elétrons num orbital
atômico. A estrutura ê tetraédrica, mais
precisamente, uma pirâmide trigonal.
O ângulo entre 2 ligações deve ser de
109°28', provávelmente, com pequena
variação.
Seja a molécula de amônia NH3
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
O ângulo real da ligação "H - N - H" é 106°45', verificado experimentalmente.
Estruturas semelhantes temos para PCI3, NC13, PH3, AsH3, etc, pois, nessas
moléculas existem átomos que tem 5 elétrons periféricos e que com 3 ligações
covalentes completam o octeto.
Não é necessário que os três radicais sejam iguais.
Exemplo: HC103.
EXERCÍCIOS
(300) Das moléculas abaixo indicadas, assinale aquela que não possui
estrutura de pirâmide trigonal.
a) PBr3 c) HBr03
b) CIF3 d) HIO3
3º. caso:
Existem 2 radicais com simples ligações
Agora existem 2 pares de elétrons
periféricos sem ligações. Os pares de elétrons
ainda ocupam vértices de um tetraedro
regular.O ângulo teórico é109°28', porém na
realidade ocorrem desvios e agora mais
acentuados que nos casos anteriores.
É também denominada estrutura V.
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ligações químicas-4
Seja a molécula de água:
Na molécula de água o
ângulo entre as ligações é de
104°30'.
No H2S já é de 92°. Por
causa desses desvios apreciáveis,
prefere-se justificar essas ligações
através de orbitais "s" e "p" como
vimos na página.
Analogamente aos casos anteriores, os radicais podem ser diferentes.
Exemplo: HC102.
______________________________________________________________________
II) 0 octeto tem uma dupla ligação - ESTRUTURA TRIGONAL
________________________________________________________________
Trata-se da hibridação sp2. O átomo central tem 8 elétrons periféricos onde
um par constitui a ligação π. A ligação π efetua-se na direção de uma ligação ک .
Temos, então, 3 pares de elétrons que ocupam os vértices de um triângulo equilátero.
0 núcleo do átomo ocupa o centro do triângulo.
Exemplo: S03.
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Possuem ângulos entre as ligações de 120°. É verdade que se os radicais
forem diferentes poderá ocorrer pequeno desvio angular.
Estruturas trigonais aparecem também nos ácidos HN03, H2C03, etc.
Quando um átomo possui uma dupla ligação, pode ocorrer que só exista mais
um radical. O outro par de elétrons estará num orbital atômico.
Exemplo: S02
O ângulo entre as 2 ligações é próximo de 120°.
_______________________________________________________________________
III) O octeto tem 2 duplas ou 1 tripla ligação - ESTRUTURA LINEAR
__________________________________________________________________
Trata-se agora de uma hibridação "sp". Existem 2 ligações u e restam 2 pares
de elétrons que se localizam em posições diametralmente opostas. Dizemos que a
molécula é LINEAR.
Exemplo: CO2.
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ligações químicas-4
É também o caso do acetileno: H - C ≡ C - H.
2a. parte
________________________________________
Átomos que não obedecem
a regra do octeto
__________________________________________
Estudando as estruturas de um modo mais geral, pode-se prever a geometria
molecular através do número de elétrons na camada periférica.
A regra abaixo vale para átomos que sigam ou não a regra do octeto.
Dada uma molécula:
a) deve-se "Contar" o total de elétrons periféricos.
b) deve-se para cada ligação π subtrair 2 elétrons.
c) 0 número de pares de elétrons restantes (ligados ou não ligados)
determinam a estrutura.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
2 pares........... estrutura linear.
3 pares ........... estrutura triangular ou trigonal.
4 pares ........... tetraédrica.
5 pares ........... pirâmide trigonal.
6 pares ........... octaédrica.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
d) Os átomos ocupam no espaço a disposição mais simétrica possível.
Exemplos:
BF3 - O boro tem aqui 6 elétrons.
- nenhuma ligação π; então, são 3 pares de
elétrons.
Logo a estrutura é trigonal.
Seja o CIF3.
- O Cloro já tinha 7 elétrons.
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com 3 ligações covalentes teremos 10 elétrons, ou se ja,
5 pares.
Será,então, uma estrutura de bipirâmide trigonal.
Considerando apenas os átomos ligados, podemos dizer que temos
uma estrutura triangular.
Seja o SF6.
- S já tinha 6 elétrons.
- com_mais 6 elétrons de ligação totalizam 12 elétrons.
- Serão 6 pares e teremos uma estrutura octaédrica.
Seja o XeF4.
- Xe já tinha 8 elétrons.
- Surgiram mais 4 elétrons.
- Totalizaram 12 elétrons ou seja 6 pares.
- A estrutura é octaédrica.
(Deve-se dispor os átomos de forma mais simétrica possível)
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ligações químicas-4
Considerando apenas os átomos ligados, teremos uma estrutura plana
quadrangular.
Seja o XeF2.
- Xe já tinha 8 elétrons.
- Surgiram mais 2 elétrons.
- teremos 5 pares de elétrons.
- A estrutura é bipirâmide trigonal.
- Colocando os átomos na posição mais simétrica possível.
Considerando apenas os átomos ligados temos uma estrutura LINEAR.
EXERCÍCIOS
(301) Qual é o ângulo entre a ligação Cl-C-Cl, no tetracloreto de
carbono (CCl4)?
a) 90° d) 180°
b) 60° e) 109°28'
c) 120°
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(302) Qual é o ângulo entre a ligação 0 - N - 0 no íon NO3 ¯ ?
a) 90°
b) 60° d) 180°
c) 120º e) 109°28'
(303) Qual é o ângulo entre C=C-C nas ligações da molécula de
benzeno?
(304) Na molécula de benzeno é de se esperar que os núcleos de
todos os átomos determine:
a) 1 plano
b) 2 planos d) 4 planos
c) 3 planos e) infinitos planos
(305) Qual o par de compostos que apresentam estereoestrutura
semelhante?
a) NH3 e BF3
b) H2S e BeH2 d) S03 e BF3
c) C02 e S02 e) CH4 e XeF4
3a. parte:
______________________________
Estruturas macromoleculares
______________________________
Ao analisar um cristal é preciso verificar se se trata de:
a) cristal iônico
b) cristal metálico
c) cristal molecular
d) cristal covalente ou macromolecular
No cristal iônico os íons ocupam determinadas posições do retículo cristalino.
As forças de atração entre esses íons são do ti o eletrostático, através da ligação
eletrovalente.
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ligações químicas -4
No cristal metálico, como veremos adiante, a ligação metálica é que garante
a estabilidade dos átomos nesse cristal.
Num cristal molecular existem moléculas bem definidas que se atraem
através de forças intermoleculares (pontes de hidrogênio ou ligações de Van der
Waals).
Exemplos:
No gelo as moléculas de água constituem um cristal molecular.
No cloro sólido, as moléculas de CI2 constituem um cristal molecular.
No KCI sólido, os íons K+ e CI2 constituem um cristal iônico.
No ferro sólido, os átomos de Fe constituem um cristal metálico.
Que vem a ser um cristal covalente ou macromolecular?
É um cristal que já é a própria macromolécula com os átomos ligados por
covalência.
Por exemplo, o diamante. Num cristal de diamante, todos os átomos de
carbono são interligados através de ligações ς sp-sp3 (covalentes).
Temos, então, a estrutura como Cada átomo de carbono está ligado
indica a figura. a 4 outros carbonospor covalências.
O silício e o germânio apresentam
estruturas semelhantes ao
. diamante.
Os átomos de carbono podem apresentar outra disposição espacial como na
figura.
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Temos, então, a grafite, Agora, cada átomo de carbono possui 3 carbonos
vizinhos, sendo 2 ligações simples e uma dupla em deter minada camada de átomos.
Em cada camada, os átomos se unem muito fortemente, formando uma
macromolécula.
As camadas ficam acumuladas umas sobre as outras, já mais distanciadas e
a atração entre essas camadas já é bastante fraca.
Estas camadas podem deslizar uma sobre as outras; portanto a grafite é uma
substância mole usada até como lubrificante seco. Através da região entre as
camadas, os elétrons podem mover-se facilmente, o que justifica a boa
condutividade elétrica da grafite.
Outro exemplo de macromolécula
é a sílica que é o (Si02)n mais vulgarmente
conhecida como areia.
Cada átomo de silício liga-se a 4
átomos de oxigênio; cada átomo de
oxigênio liga-se a 2 átomos de silício.
Outros exemplos de macromoléculas são os polímeros, conhecidíssimos na
atualidade da química orgânica.
São macromoléculas obtidas a partir de moléculas simples. Por exemplo, o
polietileno é uma macromolécula obtida pela polimerização do etileno (C2H4) . A
fórmula do polietileno é (C2H4)n.
Todos os plásticos como polietileno, P.V.C., baquelite, etc, são polímeros e
portanto são macromoléculas.
Pode-se obter polímeros de estrutura linear como nylon , dacron, etc, que são
utilizados como fios sintéticos de elevadíssima resistência.
Esses compostos serão estudados na química orgânica.
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ligações químicas-4
E PPAARRAAMMAAGGNNEETTIISSMMOO
Façamos a seguinte experiência : fixemos um imã evamos aproximar
na região dos pólos materiais diferentes.
Se a substância for repelida diremos que
se trata de material diamagnético.
Se a substância for atraída diremos que
se trata de material paramagnético.
Se a atração for muito forte capaz de
até provocar imantação permanente nesse
material diremos que se trata de um material
ferromagnético.
Essa propriedade se manifesta de modos diferentes conforme o número de
elétrons não emparelhados que o material apresenta.
As substâncias diamagnéticas possuem todos os elétrons emparelhados. Em
outras palavras, os elétrons sempre se encontram 2 a 2 em orbitais atômicos ou
moleculares.
As substâncias paramagnéticas possuem elétrons desemparelhados, ou
seja, orbitais com apenas 1 elétron.
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São paramagnéticos a maioria dos metais de transição e algumas moléculas
que não obedecem as regras normais nas ligações e que ficam com elétrons isolados
em orbitais.
Quanto mais elétrons desemparelhados mais acentuado será o
paramagnetismo.
Um caso particular é quando a força de atração for muito acentuada. É o
ferromagnetismo que apresenta atração milhares de vezes superior que o
paramagnetismo.
Examinemos agora a estrutura do oxigênio. Normalmente era de se esperar
a estrutura:
Verificou-se experimentalmente que o oxigênio é uma substância
paramagnética. Então, ele deve apresentar elétrons desemparelhados e a estrutura
proposta é:
Vê-se que a ligação entre os átomos de
oxigênio não obedece a regra do octeto.
Observação:
A ligação simples é muito fraca e, experimentalmente, verificou-se que
a energia de ligação entre os átomos de oxigênio no 02 é muito maior que na
água oxigenada "H-O-O-H". Para contornar o fenômeno admite-se atualmente
que entre os átomos de oxigênio exista uma ligação covalente normal e duas
ligações de 3 elétrons.
A ligação de três elétrons contraria até o princípio de exclusão de
Pauli, pois admite 3 elétrons num orbital.
Esta é a melhor forma de apresentar a estrutura sem
haver contradição à energia de ligação e também ao
paramagnetismo, pois em cada ligação de 3 elétrons existe um
elétron desemparelhado.
0 estado de orbitais com 3 elétrons está fora do nível desse curso.
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ligações químicas-4
Existem algumas moléculas com numero ímpar de elétrons. Evidentemente
estas moléculas apresentarão elétrons desemparelhados e teremos propriedades
paramagnéticas.
São poucas as moléculas ímpares à temperatura ambiente; podemos citar
como principais NO, N02 e Cl02.
Os elementos de transição apresentam subnível d com elétrons não
emparelhados. Disso resulta que quase todos os elementos de transição são
paramagnéticos. O ferro, o cobalto e o níquel são metais ferromagnéticos, pois
apresentam elevado número de elétrons desemparelhados num cristal metálico.
Os íons dos metais de transição continuam apresentando elétrons
desemparelhados.
Quando um íon possui elétrons não emparelhados, a dissolução desse íon
origina soluções coloridas. Daí, a propriedade de quase todos os íons de metais de
transição apresentarem colorações características.
De um modo geral, pode-se dizer que se um sal apresentar solução colorida,
esse sal, no estado sólido, apresentará propriedade paramagnética.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
F RREESSSSOONNÂÂNNCCIIAA
Seja a molécula de SO2. A fórmula estrutural será:
Se utilizarmos diferentes isótopos de oxigênio
teremos, teoricamente, 2 compostos de fórmula S02- Na
prática verifica-se que existe apenas um tipo de
molécula SO2.
A explicação desse fato e possível
admitindo-se que a dupla ligação não é fixa entre o S
e de terminado oxigênio. Dizemos, então, que as
duas estruturas são ressonantes, ou seja, uma se
transforma na outra e vice-versa pela mudança da dupla ligação.
Numa interpretação mais real, a mudança
da dupla ligação corresponde a uma
deslocalização de elétrons. No caso exemplificado
corresponde à deslocalização dos elétrons do
orbital П .
Uma visualização mais real da molécula
seria manter a dupla deslocalizada.
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ligações químicas-4
Diremos que o S tem duas ligações
covalentes com os átomos de oxigênio. A
ligação П é deslocalizada e essa nuvem de
elétrons П aparece em redor dos 3 átomos da
molécula.
Como essa representação é incômoda
para desenhar, continuaremos desenhando as
duas estruturas com uma dupla-seta e
subentendemos que a verdadeira estrutura é
aquela obtida pela superposição das duas
estruturas também chama da estrutura híbrida de ressonância.
Assim, a estrutura da ozona O3 é:
Quando é que se pode "prever" que a estrutura é ressonante?
________________________________________________________________________
A primeira condição é que haja ligação П.
Além, disso é necessário que essa ligação Пr possa "saltar" para um
átomo vizinho.
________________________________________________________________________Reparem no seguinte exemplo :
a) No etileno, o carbono tem uma ligação П que é fixa. Ela está entre os
átomos de carbono e não pode "saltar" para o átomo de hidrogênio.
b) já no HNO3, a ligação П do nitrogênio não é fixa, podendo passar para o
outro átomo de oxigênio. Temos um caso de ressonância.
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A estrutura do HN03 é o híbrido das estruturas abaixo desenhadas.
Os íons CO3≈ e NO3 ¯ apresentam também o fenômeno da
ressonância.
A estrutura real e aquela que é a superposição das três desenhadas onde a
ligação 71 está deslocalizada.
Um caso muito importante de ressonância é aquela observada no
benzeno.
O benzeno possui uma cadeia
cíclica de 6 carbonos que trocam
alternadamente simples e duplas ligações.
O carbono sofreu hibridação sp2 e o
ângulo entre as ligações é de 120°.
As duplas ligações apresentam o
orbital П ressonante.
Temos duas estruturas
ressonantes e a representação real e um híbrido de ressonância.
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ligações químicas-4
Como a estrutura real é um híbrido
das duas estruturas acima, prefere-se
desenhar um círculo dentro do hexágono para
representar a nuvem dos orbitais П
deslocalizados.
A estrutura híbrida de ressonância é
bastante estável. Isto justifica porque as
duplas do benzeno não possuem a mesma
reatividade que as duplas do etileno.
Outro exemplo interessante é no butadieno-1,3.
Os orbitais П não são fixos e cobrem todos os átomos de carbono formando-se
uma estrutura híbrida muito semelhante ao benzeno.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Neste caso as formas ressonantes são:
Na grafite, os átomos de carbono situados no mesmo plano molecular
apresentam duplas ligações ressonantes.
Quando 2 átomos apresentam ligações ressonantes a distância internuclear
entre esses átomos é intermediária entre a ligação simples e a ligação dupla.
Vejamos no caso C↔C
na ligação C - C do etano ------------------► d = 1 ,54 Ǻ
na ligação C = C do etileno -----------------► d = 1,35 Ǻ
na ligação entre os C do núcleo benzênico—► d = 1,40 Ǻ
Tratando-se de moléculas ímpares (paramagnéticas) ocorre também uma
ressonância. Desta vez a ressonância não é da ligação П , mas sim do elétron não
emparelhado.
Exemplos:
Mais uma vez repetimos que uma estrutura ressonante é mais estável.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
EXERCÍCIOS
(306) A estrutura do S03 é um híbrido de ressonância que é
superposição de:
a) 1 estrutura
b) 2 estruturas d) 4 estruturas
c) 3 estruturas e) não é ressonante
(307) Qual das seguintes moléculas ou íons apresenta estrutura não
ressonante?
(308) Quantas estruturas ressonantes apresenta o íon NO3¯ ?
a) duas
b) três d) cinco
c) quatro e) não é ressonante
(309) Idem para o íon PO4≡
a) duas
b) três d) cinco
c) quatro e) não é ressonante
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
G LLIIGGAAÇÇÃÃOO
MMEETTÁÁLLIICCAA
Quando se examina um metal, por exemplo, uma lâmina de canivete,
tem-se a impressão que existe uma homogeneidade no material.
Se atacarmos a superfície metálica
com um reagente adequado e auxiliado por um
microscópio, vemos que o material é
constituído por diversos domínios que mais se
assemelham a células de tecido vivo. Estas
minúsculas regiões são chamadas "grãos"ou
também cristais do metal. Em muitos
materiais metálicos, estes grãos chegam até a
serem visíveis a olho nu.
Quando se analisa um desses cristais
através de raios X, verifica-se que ele é
constituído de um empilhado de átomos
perfeitamente ordenados.
Conclusão:
Um pedaço de metal é constituído de cristais e cada cristal é um agregado
ordenado de muitos e muitos átomos.
0 estado metálico é caracterizado pela presença de muitos e muitos átomos
agregados; portanto é errado dizer que um metal é monoatõmico. Por exemplo,
escreve-se: o cobalto metálico Co e só por esse motivo pensa-se que é monoatômico. O
cobalto no estado sólido é um empilhado de diversos átomos de cobalto que
constituem um cristal; então, deveria-se escrever Cooo.
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ligações químicas-4
Uma reação de cobalto com oxigênio deveria ser escrita:
Cooo + O2 -----► Co2O3
O que iria dificultar o ajustamento de coeficientes e por isso se
escreve:
4 Co + 3 02 -----► 2 Co2O3
Assim, pode-se expressar a
proporção correta de átomos de cobalto e
oxigênio que reagem.
Utilizando-se o mesmo artifício, muitas substâncias simples poliatômicas são
representadas como se fossem monoatômicas, como por exemplo:
S ao invés de S8 (enxofre sólido)
P ao invés de P4 (fósforo branco)
C ao invés de Coo (diamante ou grafite)
Lembremos que um cristal sólido é constituído de átomos, moléculas ou íons,
ordenados, os quais se mantêm imóveis e unidos por determinadas ligações.
Num cristal de NaCl os íons são ligados por forças iônicas ; num cristal de
diamante os átomos são ligados por covalência; no iodo sólido as moléculas são
unidas umas às outras por forças de Van der Waals.
Num cristal metálico como o de cobalto, os átomos são unidos pela ligação
metálica.
Passaremos a estudar primeiramente a ligação metálica do ponto de vista
eletrônico para depois discutirmos os tipos de empilhamento de átomos com
ligações metálicas.
____________________________________________
A) Teoria da "nuvem eletrônica"
ou "gás eletrônico"
________________________________________
A primeira idéia de ligação metálica foi apresentada por Dru-de-Lorentz.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Sejam os átomos de sódio
constituindo sódio metálico.
Cada átomo de sódio possui
eletrosfera com a configuração 2, 8, 1.
Segundo a teoria, quando se
agrupam muitos átomos de metal, certos
elétrons periféricos libertam-se de seus
átomos e adquirem uma grande liberdade
de movimentação.
No átomo de sódio, o elétron da
camada M tornar-se-ia um elétron livre
que poderia se locomover de um átomo
para o outro com um mínimo de energia.
Num pedaço de sódio metálico teríamos
muitos íons Na+ mergulhados numa
nuvem de elétrons e originados pela
libertação dos mesmos da camada M.
Esses elétrons que rodeiam os íons Na+ são considerados também como "gás
eletrônico" que se comporta como uma "cola" para unir os íons Na+.
Esta apresentação teórica de ligação metálica era muito cômoda para
justificar a boa condutividade elétrica e térmica nos metais.
0 gás eletrônico deveria comportar-se como gás real:
Eis um esquema comparativo:
Se num tubo colocarmos um gás (fig. A) e estabelecermos uma diferença de
pressão nas suas extremidades, o gás se desloca.
Se numa barra metálicaestabelecermos uma diferença de potencial ΔV (fig. B)
os elétrons deslocam-se sem alterar a constituição da barra.
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ligações químicas-4
A teoria da nuvem eletrônica explica diversas propriedades dos metais. No
entanto, começaram a ser observados fenômenos impossíveis de serem explicados com
essa teoria como, por exemplo, o espectro eletrônico de um metal.
Surgiu, então, uma nova teoria sobre ligação metálica, era a teoria das faixas
eletrônicas que possibilitou a descoberta dos transistores. Eis um exemplo típico de
descoberta, não ao acaso, mas que, baseando-se em fundamentos teóricos produziu
tal dispositivo mundialmente explorado no campo da eletrônica.
______________________________________
B) Teoria das faixas eletrônicas
ou bandas eletrônicas
______________________________________
Vimos no capítulo da estrutura atômica que, quando um elétron salta de uma
camada para outra mais interna há emissão de um fóton com determinado λ. Esta
emissão pode ser detectada num filme onde se podem calcular as freqüências das
emissões. Em outras palavras, trata-se de um espectro de emissão. Os átomos
isolados produzem espectros descontínuos.
Agora, vamos obter o espectro de elétrons do alumínio no esta do
sólido, ou seja, de uma barra de alumínio.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Obtém-se no espectro algumas linhas, mas o importante é observar que
aparece uma "faixa". Isto vem informar que existe um número muito grande de
estados energéticos muito próximos.
Foi então que Fermi e Dirac supuseram que os elétrons num metal deveriam
possuir energias quantizadas, integrando-se o comportamento desses elétrons à
Mecânica Quântica.
Aqueles elétrons que foram imaginados como "livres" possuem, segundo a
nova teoria, energias bem qualificadas e esses elétrons obedecem ao princípio da
exclusão de Pauli: "em determinado nível energético só podem existir, no máximo, 2
elétrons de spíns opostos"
A teoria das bandas eletrônicas baseia-se no seguinte princípio:
________________________________________________________________________
Quando "N" átomos se agrupam em 1igações, cada nível energético
desdobra-se em "N" novos estados energéticos.
________________________________________________________________________
Exemplifiquemos este princípio com átomos de sódio.
Quando se tem um átomo isolado
de sódio temos a seguinte configuração
eletrõnica: ls2, 2s2, 2p6, 3S1 já que o
sódio tem 11 elétrons.
Quando 2 átomos de sódio se
"encostam" cada um desses subníveis
desdobra-se em 2 novos subníveis.
Agora os 2 átomos começam a comportar-se como um único sistema.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas-4
No subnível ls, por exemplo, existem 2 estados energéticos para o sistema de
átomos; então, esse sistema comportará no máximo 4 elétrons.
Vamos supor que, no átomo A, os_ 2 elétrons ls estejam ocupando o nível
inferior, e no átomo B os 2 elétrons ls o nível superior.
À primeira vista tem-se a impressão
que existem níveis vazios em A e B. Mas não
esqueçamos que, agora, os átomos unidos
constituem um sistema e portanto os estados
energéticos estão lotados de elétrons.
Nem em A ou em B cabem mais
elétrons ls (veja o esquema energético).
Agora vamos supor um número bastante elevado de átomos.
Seja um cristal de sódio metálico contendo N átomos ligados.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Na verdade, as diferenças entre as
energias num subnível são tão pequenas que
os N estados constituem uma verdadeira
faixa.
Lembre-se que N é muito grande; 23
gramas de sódio (1 átomo-grama) tem 6,02 x
1023 átomos!
Então, cada átomo de só fio, quando
em ligação metálica, possui subníveis
constituindo faixas ou bandas eletrônicas.
Esta teoria não é produto de
intuição.
Se realmente as faixas existem, um
elétron/excitado para um subnível superior
voltará à faixa emitindo um fóton.
Se fizermos isso com mui tos elétrons,
nem todos voltarão para o mesmo nível
energético da faixa; os fótons emitidos terão
energias muito próximas e consequentemente
no filme do espectro aparecerá uma faixa
como aparece no filme ao lado.
Agora vamos examinar se as faixas dos átomos de sódio estão ou não lotadas
de elétrons.
Examinemos o subnível ls agora transformado em faixa ls.
Sendo N átomos teremos N estados energéticos.
Cada átomo de sódio contribuiu com 2 elétrons; são N átomos e portanto 2N
elétrons para a faixa com N estados energéticos.
Conclusão:
A faixa ls está lotada e não admite mais elétrons. 0 mesmo se sucede com as
faixas 2s e 2p.
Numa faixa lotada os elétrons não conseguem locomover-se.
A explicação desta dificuldade de movimentação dos elétrons seria muito
complicada para este curso e, portanto, faremos uma simples analogia com um fato
prático.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
ligações químicas - 4
Imaginemos uma avenida com um trânsito totalmente congestionado.
Embora os carros de trás queiram movimentar-se, isto é impossível, pois a
avenida está lotada!
Fazendo-se a analogia de avenida = faixa eletrônica e carro = = elétron,é
aproximadamente este o problema da movimentação de elétrons.
Agora vamos ã faixa 3s. Cada átomo de sódio tem apenas 1 elétron no
subnível 3s. Sendo N átomos, teremos que distribuir N elétrons na faixa 3s.
Por outro lado, sendo N átomos,
formam-se N estados energéticos que
admitirão 2N elétrons no máximo. Os
elétrons tendem a ocupar os níveis de
energia mais baixos. Então, teremos um
preenchimento da metade inferior dos
níveis da faixa 3s. A metade superior
ficará vazia.
Quando se liga o metal aos terminais de uma fonte elétrica, alguns elétrons
"saltam" para os estados superiores desocupados. Isto permite que os elétrons se
movimentem dentro da faixa e dizemos que esta ê uma faixa de condução.
Fazendo a analogia com os automóveis teríamos agora uma aveni da onde
apenas meia pista está lotada de automóveis.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
O trânsito estava "engarrafado". Porém um guarda grita:"Podem utilizar a
pista da esquerda". Alguns carros saem para a outra pista e em toda avenida
haverá tráfego dos carros.
Para haver condução elétrica é preciso que existam faixas com estados
energéticos vazios; as faixas desse tipo denominamos de faixas permitidas.
Por outro lado, uma faixa lotada é também chamada faixa permitida ocupada
ou faixa de valência.
A região energética que se situa
entre as faixas permitidas e denominada
faixa proibida.
No átomo de sódio metálico temos as
faixas como indica a figura ao lado.
Resumindo:
0 sódio metálico e um condutor
elétrico porque apresenta a faixa 3s com
metade de estados "vazios" o que a torna
uma faixa de condução.
Examinemos agora o magnésio
metálico. Ele possui todos os subníveis
lotados: ls2, 2s2, 2pG, 3s2. Quando os átomos
de magnésio se ligam, aparecem as faixas
como no caso do sódio.
Na faixa 3s aparecem 2N elétrons
para N átomos de magnésio (pois o Mg tem 2
elétrons externos) o que significa que esta
faixa está lotada. Então,o magnésio deveriaser um isolante! Na prática constata-se ser
ele um bom condutor elétrico.
Como se explica tal comportamento?
É que no magnésio, o subnível 3p (situado logo acima do 3s) , totalmente
vazio, também subdivide-se em N estados energéticos. Porém a parte 3p superpõe-se à
parte superior da faixa 3s resultando uma nova faixa 3s + 3p com muitos estados
energéticos vazios. Então,não existe faixa proibida entre 3s e 3p. Temos, assim, uma
faixa de condução 3s + 3p.
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ligações químicas-4
Diante de um potencial elétrico,
muitos elétrons inferiores “pulam” para os
estados superiores, permitindo a
movimentação dos elétrons.
Suponhamos agora um exemplo hipotético. Se no átomo de magnésio não
ocorresse superposição de 3s e 3p e se estas faixas estiverem suficientemente
afastadas teríamos um material isolante.
Teríamos a faixa lotada superior e a
faixa vazia separada pela faixa proibida de
modo que um elétron para saltar a faixa
proibida necessitaria de uma tensão
absurdamente elevada!
Neste caso não há condução
elétrica.
Um caso desse tipo seria por exemplo
o diamante.
Existem certos materiais, principalmente os semi-metais (Silício e Germânio),
que apresentam a faixa proibida muito estreita em temperatura ambiente. Em outras
palavras, o nível inferior da faixa vazia quase toca no nível superior da faixa
lotada.
Em temperaturas baixas, a faixa proibida desses materiais é relativamente
larga e eles comportam-se como isolantes. Porém, em temperatura ambiente, por
causa da aproximação das faixas vazia e lotada, esses materiais tornam-se
condutores.
São eles denominados de semi-condutores e suas principais aplicações são
como retificadores e amplificadores de sinais (transistores) .
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Num semi-condutor à temperatura ambiente, a agitação térmica faz com que
muitos elétrons da faixa de valência (que era completa) passem para a faixa de
condução.
Reparem então que aumentando-se a temperatura, mais elétrons saltarão
para a faixa de condução e teremos melhor condutividade ao contrário da condução
metálica.
A condutividade dos semi-condutores pode ser modificada pela presença de
pequenas adições de impurezas no material.
Quando o semi-condutor é puro (por exemplo, Germânio puro) temos o
chamado semi-condutor intrínseco.
Se aparecem impurezas, teremos o semi-condutor dopado.
Existem duas espécies de semi-condutores dopados, conforme o número de
elétrons periféricos da impureza associada.
1º. TIPO: SEMI-CONDUTOR DO TIPO "n"
Os semi-condutores usuais Si e Ge possuem na camada externa 4 elétrons.
Eles constituem macromoléculas no estado sólido.
Suponhamos um cristal de Germânio "dopado" com pequenas quantidades
(traços) de Antimônio. Esta impureza possui átomos com 5 elétrons na última
camada, porém o átomo de Sb amolda-se à estrutura do Germânio, deixando um
elétron em excesso. Teremos a estrutura eletrônica abaixo:
Os átomos de Germânio já apresentam
alguns elétrons na faixa de condução.
Os elétrons de excesso vindos do
Antimônio têm muito mais facilidade para passar
a faixa de condução. Aumentando-se o número
de elétrons na faixa de condução teremos maior condutibilidade.
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ligações químicas-4
OBS. :
Os elétrons da faixa de condução correspondem aos elétrons livres da
teoria de Drude-Lorentz.
Este aumento de cargas negativas de condução sugeriu o nome de semi-
condutor de tipo-n (n de negativo).
Neste tipo de semi-condutor, a corrente elétrica é feita pelo movimento
de elétrons na faixa de condução.
2º. TIPO: SEMI-CONDUTOR DO TIPO "p"
Suponhamos um cristal de Silício "dopado" com impurezas de Gálio.
Os átomos do Gálio tendem a moldar-se ã estrutura do Silício. Mas, como o
Gálio só possui 3 elétrons na camada externa, deixará um "buraco" disponível para
um elétron.
Um buraco pode ser preenchido
por um elétron de átomo vizinho, Germânio;
porém fica um buraco no Germânio que
poderá ser preenchido por um outro elétron
de um outro átomo. Enfim, podemos dizer
que os buracos é que estão se
movimentando; evidentemente eles se
movimentam para o polo (─) (a esquerda na
figura) até receber o elétron do pólo
negativo. Mas no polo positivo surgem novos
buracos (pela sucção de elétrons) que caminharão para o polo negativo.
O movimento de buracos pode ser interpretado como movimento de
cargas positivas (ausência de elétrons).
Então, o semi-condutor é do tipo-p, pois a corrente elétrica
responsável se deve ás cargas positivas.
Para melhor compreensão
podemos imaginar os buracos como
"vagas" que aparecem num trânsito
congestionado.
Um carro virá ocupar a vaga
surgida, porém deixa em seu lugar uma
outra vaga que provavelmente será
ocupada por outro carro de trás.
Enfim, enquanto os carros, pouco a
pouco, caminham para a frente, as vagas
caminham para trás.
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RETIFICADOR DE CORRENTE
Associação de semi-condutores "dopados" originaram importantes
dispositivos eletrônicos.
Um deles é o retificador de corrente que transforma corrente alternada
em corrente contínua.
Trata-se da junção de semi-condutores do tipo-p e do tipo-n.
Quando o dispositivo não está
ligado a nenhuma fonte, teremos um
equilíbrio de buracos no tipo-p e
elétrons em excesso no tipo-n.
Agora liguemos as extremidades p ao
polo negativo e n ao polo positivo. Veja no
estudo do semi-condutor tipo p como os
buracos dirigem-se para o polo (─) e aí
eles desaparecem. Agora não aparecem
novos buracos, pois p está em junção
com n e não ligado ao pólo (+).
Fato análogo está acontecendo com o semi-condutor do tipo-n.
Aí os elétrons dirigem-se para o polo (+) mas não existe polo (─) para liberar
mais elétrons.
Conclusão:
Esta ligação faz com que desapareçam buracos e elétrons e, instantes após a
ligação, nos pólos (+) e (─) não sairão nem entrarão, elétrons. Então, pela junção NÃO
PASSARÃO ELÉTRONS, comportando-se _o dispositivo como um isolante. Dizemos
que ocorreu uma polarização inversa, ou seja, quando p liga-se a (─) e n liga-se a
(+).
Agora vamos inverter os pólos. O
polo (+) vai criando mais buracos enquanto o
polo negativo vai liberando mais elétrons.
Buracos e elétrons caminham em sentido
oposto e encontram-se na junção
"desaparecendo" os buracos e elétrons que se
combinam. Enfim, do polo (─) saem elétrons e
o polo positivo está "sugando" elétrons que
criam novos buracos. Então, há uma forte migração de elétrons do polo (─) para o polo
(+) através dos semi-condutores em junção. Dizemos que nos semi-condutores ocorreu
uma polarização direta ou seja, p ligado a (+) e n ligado a (─).
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ligações químicas - 4
O dispositivo que acabamos de descrever é um retificador de corrente
alternada em corrente contínua. Tal dispositivo só deixa passar corrente elétrica num
único sentido, ou seja, do semi-condutor "p" para o "n".
_______________________
TRANSISTORES
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São dispositivos que vieram substituir válvulas eletrônicas. Uma das funçõesda válvula eletrônica é a de amplificar impulsos (sinais) de um circuito. Por exemplo,
as ondas eletromagnéticas que se propagam no espaço produzem impulsos elétricos
numa antena que faz parte do circuito de rádio.
Dentro do aparelho, estes impulsos são amplificados até que possam fazer
vibrar uma membrana do altofalante e transformar-se em ondas sonoras.
Um dispositivo que tem a mesma
função da válvula é o transistor. Vamos
descrever aquele que é constituído pela
junção de semi-condutores dopados n-p-n
que são respectivamente chamados de
emissor (E) , base (B) e coletor (C) .
Lembremos que:
a] POLARIZAÇÃO DIRETA - deixa passar corrente elétrica e a ligação e
"n" ao polo (─) (negativo) e "p" ao polo (+) (positivo).
b) POLARIZAÇÃO INVERSA - não passa corrente e a ligação é "n" ao polo (+)
e "p" ao polo (─)
A base B sempre atua como um polo (+) em relação a E que é (─).
A junção EB comporta-se como condutor porque apresenta uma polarização
direta.
A base B sempre atua como um polo (─) em relação a C que é (+) .
Então, a junção BC é um isolante, pois trata-se de uma polarização inversa.
Quando o circuito está ligado, elétrons atravessam do emissor E para a
base B.
Se a base B é um material de pequeníssima espessura (milésimo de polegada)
não dá tempo de B criar suficiente número de buracos para unir-se com os elétrons
vindos de E.
Então, esses elétrons, na maioria, atravessam a base caindo no coletor.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Aí eles serão atraídos para o pólo (+) . Lembremos que a corrente
elétrica tem sentido contrário do movimento dos elétrons.
Conclusão:
A corrente IB (originada pela união de elétrons e buracos emB) é tão pequena
que praticamente a corrente IE do emissor é igual à corrente Ic do coletor. Em outras
palavras: quase todos os elétrons que vem do emissor atravessam a base e caem
no coletor.
Se produzirmos uma pequena
variação ΔI na corrente IE, praticamente a
mesma variação surgirá em IC..
Acontece que IE está num circuito
de baixa tensão, enquanto Ic está num
circuito cerca de 100 vezes a tensão do
emissor. A variação de potência, na
eletricidade, é dada pela fórmula |ΔI. U| ;
então, o "sinal" imputado no IE terá uma
potência cerca de 100 vezes mais em IC.
Ha prática utiliza-se um circuito
como indica o esquema.
Existem transistores também do tipo p-n-
p, de funcionamento análogo.
Os transistores vieram substituir as válvulas eletrônicas, por que
apresentavam inúmeras vantagens: pequeno consumo de energia, ai ta eficiência,
minúsculo tamanho e durabilidade quase eterna.
No entanto, não puderam substituir todas as aplicações, pois um transistor
possui uma estreita faixa de temperatura de trabalho e não suporta elevadas
correntes ou tensões.
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ligações químicas-4
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CÉLULA FOTOELÉTRICA
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Suponhamos uma junção p-n em polarização inversa. O dispositivo está
intercalado num circuito, mas não há passagem de corrente elétrica.
Lembremos que a luz visível é
constituída de fótons, portadores de
energia. Estes fótons podem incidir sobre
elétrons dos átomos de junção e criar
buracos e elétrons de condução.
0 fenômeno é chamado
fotoelétrico e,enquanto estiver incidindo
luz na junção, buracos caminham ao polo
(─) e elétrons para o polo (+) . Teremos,
então, uma corrente elétrica que somente
cessará quando não houver mais
incidência de luz. Tal dispositivo é muito
usado hoje em dia para ligar lâmpadas de iluminação nas avenidas (somente na
ausência da luz) e abrir portas de estabelecimentos como indica a figura.
Quando o indivíduo passa pelo
corredor, ele "corta" a incidência da luz na
célula fotoelétrica.
Então, existe um dispositivo
elétrico capaz de abrir a porta.
Enfim, existem ainda muitas
aplicações de células fotoelétricas como em
elevadores, máquinas fotográficas , etc.
Não resta dúvida que os semi-condutores vieram revolucionar o campo da
eletrônica. Mais importante é lembrar que não foi uma simples "descoberta" ao acaso
como a de muitos elementos químicos; foi produto de perseverante pesquisa pelo
desenvolvimento de uma teoria que conseguiu prever a possibilidade da construção
dos dispositivos que relatamos, os quais surgiram fundamentados em dados teóricos.
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ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
H CCRRIISSTTAAIISS
MMEETTÁÁLLIICCOOSS
Os átomos dos metais empilham-se para formar o cristal metálico. A ligação
metálica é a responsável pela conservação desses átomos unidos.
Na prática constata-se que existem 3 tipos principais de empilhamentos
para os metais:
A) cúbico de corpo centrado (C.C.C.)
B) cúbico de face centrada (C.F.C.)
C) hexagonal denso (H.C.)
_______________________________________________________________
1. SISTEMA CÚBICO DE CORPO CENTRADO C.C.C.
________________________________________________________________
Examinando um cristal, podemos observar que existe uma posição mínima
que vai se repetindo e constitui o cristal. Essa posição mínima e chamada célula
unitária.
Pedimos ao leitor não comparar a célula unitária de um cristal com célula de
tecido vivo. Enquanto a célula viva é uma porção limitada e real, a célula de um cristal
não existe isoladamente, é a penas uma porção retirada de um cristal, só por
conveniência, para entendermos os diferentes tipos de estruturas cristalinas.
0 sistema cúbico de corpo centrado
é constituído de diversas camadas de
átomos.
Seja a camada A de átomos
Os átomos dessa camada não são
ligados entre si; em outras palavras, eles
não se tocam. No entanto, esses átomos
estão dispostos segundo as posições dos vértices de quadrados.
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ligações químicas-4
Teremos diversos centros de quadrados imaginários, indicados pela
letra X.
Vamos agora colocar uma nova
camada de átomos com a mesma disposição
que a cama da já desenhada.
Façamos, porém, com que os novos
átomos fiquem na vertical passando por X.
Chamaremos essa de camada B.
Cada átomo da camada B toca em 4
átomos da camada A e vice-versa. Onde os
átomos se tocam, diremos que ocorre uma
ligação metálica. Na camada B teremos
quadrados , onde os átomos ocupam os
vértices e os centros desses quadrados estão
assinalados por Y.
Colocando-se uma nova camada C
sobre a camada B de modo que os átomos
ocupem a vertical que passa por Y, teremos
uma disposição que coincide com a 1a.
camada (A), situada no plano inferior.
Em outras palavras; os átomos
da camada C estão na mesma vertical dos
átomos da camada A.
Para o leitor visualizar melhor a
estrutura, tente fazer o empilhamento
utilizando-se botões em sua casa.
Cada átomo da camada C encosta-se
a 4 átomos da camada B e vice-versa.
A célula unitária é uma porção
mínima que, repetida em todas as direções espaciais, reproduz o cristal em questão.
A célula unitária tem:
a) um átomo central inteiro
b) 1/8 de átomo em cada vértice do cubo.
Equivale a dizer que o volume da célula unitária é ocupado por 2
átomos
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Para tornar-semais explícito no estudo das
estruturas cristalinas, desenha-se o retículo
cristalino. São figuras geométricas espaciais onde,
nos vértices, estão os centros dos átomos no cristal
verdadeiro.
Para o sistema em estudo C.C.C., pode-se
imaginar que a célula unitária é um cubo com
átomos nos vértices e no centro. Por essa razão,
apareceu o nome desse sistema.
Se o leitor fez o empilhamento de botões, percebeu que todos os botões
ocupam posições equivalentes. Pode-se considerar que o botão está no centro ou
no vértice do cubo imaginário.
Assim, todos os átomos possuem posições equivalentes. Cada átomo do
C.C.C. está encostado em 8 átomos; quatro do plano superior e 4 do plano inferior.
Dizemos que o número de coordenação é 8, nesse sistema.
0 número de átomos que se encosta num átomo genérico é chamado número
de coordenação.
Cristalizam-se nesse sistema os metais alcalinos , Ba, Cr, Mo, etc. Os não
metais não se cristalizam nesse sistema.
________________________________________________________________
2. SISTEMA CÚBICO DE FACE CENTRADA (C.F.C.)
_________________________________________________________________
Já vimos este sistema quando
estudamos o cristal de NaCl.
Muitos metais cristalizam-se nesse
sistema. No retículo cristalino desse sistema,
os átomos ocupam os vértices e os centros das
faces do cubo.
Vejamos quantos átomos ocupam o
volume da célula unitária.
a) Átomos das faces = 1/2 átomo 6 x 1/2 = 3 átomos.
b) Átomos dos vértices =1/8 átomo 8 x 1/8 = 1 átomo.
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ligações químicas-4
Então, o volume da célula unitária é ocupado por 4 átomos.
Ao lado esta desenhada a célula
unitária real do sistema C. F. C.
Veja o átomo X da face superior. Está
desenhado apenas "meio átomo". Se
imaginarmos o átomo X inteiro, podemos
concluir que existem nele encostados:
a) 4 átomos inferiores
b) 4 átomos da mesma camada
c) 4 átomos superiores
O número de coordenação do sistema
C.F.C. é 12.
Cristalizam-se neste sistema Ca, Sr,
Cu, Ag, Pd, etc. Dos não metais, apenas os gases nobres com 8 elétrons periféricos
cristalizam-se neste sistema.
_________________________________________________________
2. SISTEMA HEXAGONAL COMPACTO - H.C.
_________________________________________________
É também denominado hexagonal
denso, estando os átomos numa disposição a
mais compacta possível.
Não desenharemos a célula unitária,
pois difícil seria a sua visualização no cristal.
Vamos examinar o retículo cristalino
desse sistema.
À primeira vista tem-se a impressão
que existem átomos em diferentes posições
espaciais. Logo, o leitor perceberá que qualquer
átomo ocupa uma posição equivalente dos
outros.
ATOMÍSTICA Ricardo Feltre • Setsuo Yoshinaga
Para se entender melhor esse
sistema, vamos imaginar que estamos
empilhando laranjas de modo que a 1ª.
camada tenha laranjas na mesma vertical que
a 3a., 5a., 7a., etc e também que a 2a. cama
da seja "paralela" ã 4a., 6a., 8a., etc.
Desenhemos apenas a 1ªa., 2a. e 3a.
camadas numa vista lateral.
Seccionemos a 2a. camada num
plano horizontal e olhemos apenas 3 desses
átomos seccionados, da posição vertical.
Veremos, assim, os 3 átomos
seccionados, do topo (foi excluída a 3a.
camada).
Um átomo da 1ª. camada encosta-se
a 3 átomos seccionados. O mesmo átomo (da
1ª. camada) encosta-se a 6 átomos vizinhos
dessa camada . 0 mesmo átomo ainda deve
estar encostado a 3 outros átomos da camada abaixo da 1ª. camada, num cristal
real.
Então, cada átomo encosta-se a:
- 6 átomos da mesma camada
- 3 átomos de camada anterior
- 3 átomos da camada posterior
O número de coordenação do sistema HC é 12.
Cristalizam-se nesse sistema: Be, Mg, Zn, Cd, Sc, etc. Alguns não metais
como: Se, Te, cristalizam-se nesse sistema.
Quando os átomos se "encostam" para formar os cristais é que surgem as
ligações metálicas onde o elétron pode locomover-se de átomo para átomo com um
mínimo de energia.
Portanto, o estado metálico só se encontra em sólidos e líquidos (quando os
átomos se encostam).
Isto equivale afirmar que o vapor de mercúrio, de sódio ou de qualquer
"metal" não apresenta ligação metálica.
Atualmente, prefere-se perguntar se o elemento está ou não no ESTADO
METÁLICO a perguntar se é ou não um metal.
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ligações químicas-4
EXERCÍCIOS
(310) Qual das seguintes substâncias possui ligação covalente
coordenada?
a) hidrogênio c) cloreto de potássio
b) cloreto de amônio d) argônio
(Poli-66)
(311) Qual das seguintes substâncias apresenta caráter iônico mais
acentuado?
a) H - H
b) H - F d) H2S
c) H - I e) H2Se
(Poli-68)
(312) 0 oxido de magnésio e o fluoreto de sódio possuem a mesma estrutura
cristalina. A dureza e o ponto de fusão do oxido de magnésio são, no entanto, mais
elevados do que os do fluoreto de sódio. Quais os fatores que justificam tais
diferenças?
(Poli-68)
(313) Sabe-se que a molécula da água S polar. Citar dois fatores
responsáveis por essa polaridade.
(Poli-68)
(314) Uma substância covalente, por dissolução em água, nunca produz
solução iônica.
(EE Mauá-68)
(315) 0 ácido fluorídrico não se encontra completamente dissociado em
solução aquosa. Esse comportamento:
a) é devido a grande volatilidade do flúor
b) e explicado pela existência da molécula (HF)n
c) está relacionado com a grande reatividade do flúor
d) não pode ser explicado
(FEI-68)
(316) É característica de todos os sólidos o fato de apresentarem
a) densidade maior do que a dos líquidos
b) grade cristalina
c) pressão de vapor menor do que a dos líquidos
d) temperatura de fusão maior do que a da água
(FEI-68)
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(317) São solúveis em sulfato de carbono:
a) fósforo branco e carbono
b) enxofre e fósforo vermelho
c) iodo e fósforo branco
d) iodo e silício
(FEI-68)
(318) Sabe-se que as moléculas de NH3 tem a forma de uma pirâmide
trigonal, sendo a base constituída pelos três átomos de hidrogênio; sabe-se também
que o ângulo entre as ligações H-N-H é de aproximadamente 106° e que a temperatura
de ebulição da amônia é de -33,4°C. Considerando a trietilamina, composto derivado
da amônia pela substituição dos átomos H por radicais etila, indicar qual de verá ser a
forma geométrica das moléculas da trietí1amina , o ângulo aproximado entre as
ligações C-N-C, bem como a temperatura provável de ebulição da trietilamina. Uma
das possibilidades abaixo e a correta. Qual é?
a) tetraedro regular, 106°, -60°C
b) pirâmide trigonal, 106°, 89,5°C d) tetraedro regular,109°29', 89,5°C
c) triangular plana, 120°, 89,5°C e) pirâmide trigonal, 106°, -60°C
(CESCEM-66)
(319) Os compostos H2S, H2Se, H2Te são gasosos nas condições normais de
pressão e temperatura. A água, H2O, ferve a 100°C. Este ponto de ebulição anormal da
água em relação aos demais hidretos dos elementos da mesma