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1 INSTITUTO EDUCACIONAL SUPERIOR E PROFISSIONAL CURSO: TÉCNICO EM ENFERMAGEM DISCIPLINA: METODOLOGIA CIENTÍFICA São Luis – MA 2019 2 DISCIPLINA: METODOLOGIA CIENTÍFICA Prof. Francisco Vale EMENTA: Método e metodologia, como utilizá-los na pesquisa científica; os diversos tipos de conhecimentos. A ciência e o saber científico. O método: Construção da informação. Organização do trabalho acadêmico: normas e técnicas. Formas usuais de citações e referências (ABNT). Técnicas de redação na produção científica e anotações de leitura: Fichamento, esquema, resumo e resenha e artigo. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: ➢ Conceituar conhecimento ➢ Conceituar e distinguir os diversos tipos de conhecimento, ➢ Compreender o conhecimento científico no processo da construção da pesquisa acadêmica. ➢ Apreender os diversos modos de comunicação científica. ➢ Normatizar diversos tipos de trabalhos acadêmicos conforme a ABNT. UNIDADE I: CONHECIMENTO: conceitos, tipologias e aplicabilidade. UNIDADE II: METODO E METODOLOGIA. UNIDADE III: A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES UNIDADE IV: NORMAS DA ABNT UNIDADE V: ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO CIENTIFICO. UNIDADE VI: ELABORAÇÃO DO ARTIGO CIENTÍFICO UNIDADE VII: ALGUNS TRABALHOS ACADEMICOS METODOLOGIA: ➢ Leituras e debates em sala de aula; Trabalho em grupo e individual; Exposição dialogada; Trabalhos interdisciplinares. Socialização de artigos. RECURSOS DIDÁTICOS: Apostila, vídeos e slides. AVALIAÇÃO: Será levado em conta o desempenho do aluno(a) durante o processo da disciplina como: pontualidade, assiduidade, participação, elaboração de trabalhos. REFERÊNCIAS ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso. A pesquisa no Cotidiano Escolar. In: FAZENDA, Ivani (ORG) Metodologia da Pesquisa Educacional. São Paulo: Cortez, 3 1997. BRASIL. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT 10520: Informação e documentação. _________, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Nº 9394/96. DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da ciência. 2ª. ed. São Paulo: Atlas, 1996. 118p. FURASTÉ. Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Científico: Explicações das Normas da ABNT.16ª ed. Porto Alegre: Dáctilo Plus, 2013. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1994. HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação. Porto Alegre: ARTMED, 1998. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005. LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J.F de; TOSCHI. Educação escolar: política, estrutura e organização. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 2005. NÓVOA, Antonio et al. Profissão Professor. 2ª Porto: Porto, 1999. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo, Cortez Editora, 2002. VASCONCELLOS, Celso. S. Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto. Educativo. São Paulo:Libertat, 1995. VEIGA, Ilma. P. A. (Org.). Escola: espaço do projeto político-pedagógico. 4. Ed. Campinas: Papirus, 1998.l.15º.Ed. Campinas: Papirus, 2002. XAVIER, Antonio Carlos. Como fazer e apresentar trabalhos científicos em eventos acadêmicos. Recife: Ed.Rêspel, 2014 4 TOCANDO EM FRENTE Almir Sater1 Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe? Só levo a certeza de que muito pouco eu sei Nada sei. Conhecer as manhas e as manhãs, O sabor das massas e das maçãs, É preciso amor pra poder pulsar, É preciso paz pra poder sorrir, É preciso a chuva para florir Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou Estrada eu sou. Todo mundo ama um dia todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história Cada ser em si carrega o dom de ser capaz De ser feliz. Conhecer as manhas e as manhãs, O sabor das massas e das maçãs, É preciso amor pra poder pulsar, É preciso paz pra poder sorrir, É preciso a chuva para florir 5 UNIDADE I – MÉTODO E METODOLOGIA Noções básicas sobre metodologia de pesquisa científica Conceito e objetivos Método, etimologicamente, significa methodos ou métodos Meta = meta, hodus = caminho Caminho para se chegar a determinado fim MÉTODO X METODOLOGIA Método➔ é o processo para se atingir um determinado fim ou para se chegar ao conhecimento. Metodologia➔ é o campo em que se estuda os melhores métodos praticados em determinada área para a produção do conhecimento. A metodologia consiste em uma reflexão acerca do conjunto de métodos lógicos e científicos. No princípio foi concebida como uma parte da lógica que se ocupava das formas particulares do pensamento e da sua aplicabilidade. Atualmente, apesar de tudo, não se aceita que a metodologia seja relegada exclusivamente para o âmbito da lógica, já que os métodos se aplicam a distintos campos do saber. Cada área possui uma metodologia própria. A metodologia de ensino é a aplicação de diferentes métodos no processo ensino-aprendizagem. Os principais métodos de ensino usados no Brasil são: método Tradicional (ou Conteudista), o Construtivismo (de Piaget), o Sociointeracionismo (de Vygotsky) e o método Montessoriano (de Maria Montessori). Metodologia científica➔ É a disciplina que trata do método científico. É a estrutura das diferentes ciências, e se baseia na análise sistemática dos fenômenos se na organização dos princípios e processos racionais e experimentais. Permite, por meio da investigação científica, a aquisição do conhecimento científico. Metodologia de ensino➔ A metodologia de ensino é uma expressão que teve a tendência de substituir a expressão "didática", que ganhou uma conotação pejorativa por causa do caráter formal e abstrato dos seus esquemas que não estão bem inseridos em uma verdadeira ação pedagógica. Assim, a metodologia de ensino 6 é a parte da pedagogia que se ocupa diretamente da organização da aprendizagem dos alunos e do seu controle. Metodologia e TCC➔ A metodologia do trabalho científico, por exemplo, para a realização de um trabalho de conclusão de curso (vulgarmente denominado TCC), é a parte em que é feita uma descrição minuciosa e rigorosa do objeto de estudo e das técnicas utilizadas nas atividades de pesquisa. METODOLOGIA CIENTÍFICA APLICADA ÀS CIÊNCIAS Metodologia Científica não é um simples conteúdo a ser decorado pelos alunos. Trata-se de fornecer aos alunos um instrumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da Academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área do conhecimento. Trata-se, então, de se aprender fazendo, como sugere os conceitos mais modernos da Pedagogia. O que se deve fazer, na medida do possível, é seguir rigorosamente as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, para elaboração de trabalhos científicos. Caso alguma regra não esteja sendo cumprida, a responsabilidade é da desatenção do autor. Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indiretamente, a uma Academia de Ciências, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o local próprio da busca incessante do saber científico. Neste sentido, a Metodologia Científica tem uma importância fundamental na formação do profissional. Se os alunos procuram a Academia para buscar saber, precisamos entender que Metodologia Científica nada mais é do que o “estudo dos caminhos do saber”, se entendermos que “método” quer dizer caminho,“logia” quer dizer estudo e “ciência” que dizer saber. UNIDADE II CONHECIMENTOS: conceitos, tipologias e aplicabilidade.Neste conteúdo estaremos preocupados em descobrir o que é 7 CONHECIMENTO, como ele acontece e quais os tipos de conhecimento, com suas características, objetivos e finalidades. Esse conteúdo é muito importante pelo fato de o estudante do Ensino Superior estar lidando com os conteúdos propostos pelas diversas disciplinas ao longo do semestre e do curso. Por outro lado, o estudante do ensino superior se propõe a elevar o seu nível cultural, a sua forma de ver o mundo, isto é, sair de uma visão ingênua2 para uma visão mais filosófico-científica. Isso só se consegue quando comprometemo-nos a CONHECER, buscar o conhecimento e organizá-lo sistematicamente. Natureza Humana, Conhecimento e Saber. Você já se indagou sobre todo este conhecimento e informações que nós nos deparamos em nosso dia-a-dia? Como você acha que este conhecimento é produzido? Para você existem tipos diferenciados de conhecimento? Quem produz estes conhecimentos? Você produz conhecimento? Como? Qual o papel e a importância do ato de pesquisar e de estudar neste processo de aquisição e produção de conhecimento? Além disso, aqui será um espaço para descobrirmos métodos para estudarmos com mais eficiência, produzirmos nossos textos com mais qualidade, enfim... Conhecermos, produzirmos e divulgarmos nossos conhecimentos e os de outros, entendendo que é através deles que podemos compreender melhor o mundo. O Ato de Conhecer - No dia-a-dia, o ato de conhecer se manifesta tão natural que nós nem nos damos conta da sua complexidade. Desde cedo, os mestres nos falam da necessidade de aprender a conhecer o mundo e posteriormente da necessidade de autoconhecimento. Assim, entramos na engrenagem do conhecimento do mundo, considerado real, sem colocar em pauta o que significa conhecer. Todavia, à medida que nos defrontamos, na relação com o mundo, com os vários campos e formas de conhecimento, entramos num emaranhado de conceitos. Então percebe-se que quase não tematizamos questões básicas como: Quem conhece? Como conhece? Para que conhece? O conhecimento verdadeiro é o conhecimento objetivo? E o conhecimento subjetivo é falso? Hoje recebemos passivamente, através das instituições escolares, um modelo de conhecimento imposto pela ideologia do sistema tecnocrata. É o modelo, muitas vezes deturpado, do conhecimento científico. Esse modelo tem a sua razão de ser, exprime um modo de conhecer e dominar racionalmente a realidade, mas não deveria ser a única abordagem. E mais ainda, esse modelo se acha comprometido muitas vezes com os interesses do sistema. 8 O estudo desses problemas nos remete à constatação de controvertidas respostas a exigir uma análise esclarecedora do sentido do conhecimento. Já que existem múltiplas interpretações a respeito do real, diversos são os modos de se enfocar o conhecimento. Só o exame nos possibilita compreender o que está sendo passado de obscuro e de ideológico no meio cultural, e recebido por nós, na maioria das vezes sem nenhuma crítica. Finalmente, o que é conhecimento? Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos em nossa vida cotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e artigos diversos. Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar e transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento; somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e com ele registrar nossas próprias experiências e passar para outros seres humanos. Essa característica é o que nos permite dizer que somos diferentes dos gatos, dos cães, dos macacos e dos leões. Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana, permitimo-nos também ao pensar e, por consequência, a ordenação e a previsão dos fenômenos que nos cerca. DIFERENTES TIPOS DE CONHECIMENTOS: EMPIRICO FILOSÓFICO TEOLÓGICO CIENTÍFICO Conhecimento Empírico (ou conhecimento vulgar, ou senso-comum) ➔ É o conhecimento obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o conhecimento adquirido através de ações não planejadas. 9 Exemplo: A chave está emperrando na fechadura e, de tanto experimentarmos abrir a porta, acabamos por descobrir (conhecer) um jeitinho de girar a chave sem emperrar. Conhecimento Filosófico➔ É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Exemplo: "O homem é a ponte entre o animal e o além-homem" (Friedrich Nietzsche) Conhecimento Teológico➔ Conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da moral e das crenças de cada indivíduo. Exemplo: Acreditar que alguém foi curado por um milagre; ou acreditar em Duende; acreditar em reencarnação; acreditar em espírito etc.. 10 Conhecimento Científico➔ É o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. Podemos então dizer que o Conhecimento Científico: O conhecimento é o atributo geral que tem os seres vivos de reagir ativamente ao mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. O homem, utilizando de suas capacidades, procura conhecer o mundo que o rodeia, o conhecimento, a informação, enfim, a prática de vida resulta em conhecimentos. Entender o conhecimento é entender a nossa realidade. Você seria capaz de responder as perguntas abaixo? O conhecimento se origina de onde? Do sujeito (o homem)? Do objeto (o mundo)? Da relação entre sujeito e objeto? Para compreendermos de fato esse assunto vamos a algumas teorias. A TEORIA DO CONHECIMENTO O que é Epistemologia➔ Epistemologia significa ciência, conhecimento, é o estudo científico que trata dos problemas relacionados com a crença e o conhecimento, sua natureza e limitações. É uma palavra que vem do grego. A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, e também é conhecida como teoria do conhecimento e relaciona-se com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência. É uma das principais áreas da filosofia, compreende a possibilidade do conhecimento, ou seja, se é possível o ser humano alcançar o conhecimento total e genuíno, e da origem do conhecimento. A epistemologia também pode ser vista como a filosofia da ciência. A epistemologia trata da natureza, da origem e validade do conhecimento, e estuda também o grau de certeza do conhecimento cientifico nas suas diferentes áreas, com o objetivo principal de estimar a sua importância para o espírito humano. A epistemologia surgiu com Platão, onde ele se opunha à crença ou opinião ao conhecimento. A crença é um ponto de vista subjetivo e o conhecimento é crença verdadeira e justificada. A teoria de Platão diz que conhecimento é o conjunto de todas as informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia. A epistemologia provoca duas posições, uma empirista que diz que o conhecimento deve ser baseado na experiência, ou seja, no que for apreendido durante a vida, e a posição racionalista, que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão, e não na experiência. 11 A teoria do conhecimento é uma explicação ou interpretação filosófica do conhecimento humano. Mas, antes de filosofar sobre um objeto, é necessário examiná-lo cuidadosa e criteriosamente. No conhecimento encontram-sefrente a frente a consciência e o objeto, o sujeito e o objeto. O conhecimento apresenta-se como uma relação entre estes dois elementos, que nela permeiam eternamente separados um do outro. O dualismo sujeito e objeto pertence à essência do conhecimento. A relação entre os dois elementos é ao mesmo tempo uma correlação. O sujeito só é sujeito para um objeto e o objeto para um sujeito. Ambos só são o que são enquanto o são para o outro. Mas está correlação não é reversível. Ser sujeito é algo completamente distinto de ser objeto. A função do sujeito consiste em apreender o objeto, a do objeto em ser apreendido pelo sujeito. Os homens são os únicos seres que possuem razão, capacidade de relacionar, e ir além da realidade imediata. O conhecimento é uma forma de estar no mundo, e o processo do conhecimento mostra aos homens que eles jamais são alguma coisa pronta na medida em que estão sempre nascendo de novo, quando têm a coragem de se mostrarem abertos diante da realidade A CAPACIDADE DO SER HUMANO: FAZER CONHECIMENTO ESTAR CRIATIVAMENTE NO MUNDO Estar aberto para reavaliar a própria capacidade no trabalho de conhecer USAR CONHECIMENTO ESTAR SIMPLESMENTE NO MUNDO Usar algumas coisas que já estar prontas, acabada, definitiva, conforme determinado conhecimento considerado como suficiente POSICIONAR-SE DIANTE DO CONHECIMENTO ESTAR CRITICAMENTE NO MUNDO Implica colocar a relação do fazer e do usar de maneira dialética 12 UNIDADE III A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES Para iniciarmos nossos estudos acerca da pesquisa em educação é importante refletirmos sobre educação. Sabemos que há diferentes concepções, no entanto, neste texto, abordamos duas concepções que são radicalmente antagônicas: a educação como instrumento de reprodução da sociedade e a educação como instrumento de transformação da sociedade. (SAVIANI, 1983; LIBÂNEO, 1986; LUCKESI, 1993). Segundo Demo (1987) “A pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade”. A educação como instrumento de reprodução da sociedade diz respeito à educação não-crítica, aquela que tem como finalidade principal a adaptação do sujeito à sociedade tal qual ela se apresenta. Se considerarmos que vivemos em uma sociedade desigual, temos que a educação concebida como um processo de adaptação a essa sociedade, como um instrumento de reprodução dessa sociedade, tem como objetivo manter essa sociedade desigual. Obviamente que vemos essa concepção, na prática, em muitos espaços educativos, inclusive escolares. A educação como instrumento de transformação da sociedade refere-se à educação crítica, àquela que tem como finalidade principal a instrumentalização dos sujeitos para que esses tenham uma prática social crítica e transformadora. Isso significa que, em uma sociedade desigual, os sujeitos precisam se apropriar de conhecimentos, ideias, atitudes, valores comportamentos etc., de forma crítica e reflexiva para que tenham condições de atuar nessa sociedade visando a sua transformação. É a partir dessa concepção de educação que trataremos em nossos estudos sobre a pesquisa e a produção de conhecimentos. Mas o que é pesquisa? O termo “pesquisa” significa, segundo o dicionário Aurélio (FERREIRA, 1986, p. 1320), “indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade; investigação, inquirição”. Essa pergunta pode ser respondida de muitas formas. Pesquisar significa, de forma bem simples, procurar respostas para indagações propostas. Podemos dizer que, basicamente, pesquisar é buscar conhecimento. Nós pesquisamos a todo momento, em nosso cotidiano, mas, certamente, não o fazemos sempre de modo científico. 13 Além disso, também significa “investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento”. Essas definições nos ajudam a compreender a pesquisa como uma ação de conhecimento da realidade, um processo de investigação, minucioso e sistemático, para conhecermos a realidade ou alguns aspectos da realidade ainda desconhecidos, seja essa realidade natural ou social. O mais importante é compreender a pesquisa como um processo de produção de conhecimentos para a compreensão de uma dada realidade, isto é, de conhecimentos que nos auxiliem na interpretação da realidade vivida, pois como podemos ver: Pode-se definir pesquisa como um processo formal e sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento. A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informações suficientes para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema. A pesquisa, portanto, é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. O desenvolvimento de um projeto de pesquisa compreende seis passos: Seleção do tópico ou problema para a investigação; Definição e diferenciação do problema; Levantamento de hipóteses de trabalho; Coleta, sistematização e classificação dos dados; Análise e interpretação dos dados; Relatório do resultado da pesquisa. QUANTO A CLASSIFICAÇÃO, A PESQUSA ESTÁ DIVIDIDA EM: Do ponto de vista de sua natureza: ➢ Pesquisa básica: objetiva gerar conhecimentos novos para avanço da ciência sem aplicação prática prevista. ➢ Pesquisa aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação práticas dirigidas à solução de problemas específicos. Do ponto de vista da forma de abordagem ao problema: Pesquisa quantitativa: considera que tudo é quantificável, o que significa traduzir opiniões e números em informações das quais serão classificadas e analisadas. Pesquisa qualitativa: considera que existe uma relação entre o mundo e o sujeito que não pode ser traduzida em números; Do ponto de vista dos objetivos: Toda e qualquer classificação é realizada mediante algum critério. Com relação às pesquisas, é bastante usual a classificação com base em seus objetivos 14 gerais. Assim, é possível classificar as pesquisas em três grandes grupos: exploratórias, descritivas e explicativas. Pesquisa exploratória➔A pesquisa exploratória estabelece critérios, métodos e técnicas para a elaboração de uma pesquisa e visa oferecer informações sobre o objeto desta e orientar a formulação de hipóteses. A pesquisa exploratória visa à descoberta, o achado, a elucidação de fenômenos ou a explicação daqueles que não eram aceitos apesar de evidentes. A exploração representa, atualmente, um importante diferencial competitivo em termos de concorrência. Objetivo da pesquisa exploratória: Proporcionar maior familiaridade com um problema; Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos; Assume em geral a forma de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. Pesquisa exploratória: explorando novos caminhos e novos espaços! Pesquisa descritiva➔ envolvem técnicas de coleta de dados padronizadas (questionário, observação); assume em geral a forma de levantamento. De acordo com Gil (2008), as pesquisas descritivas possuem como objetivo a descrição das características de uma população, fenômeno ou de uma experiência. Na pesquisa descritiva realiza-se o estudo, a análise, o registro e a interpretação dos fatos do mundo físico sem a interferência do pesquisador. São exemplos de pesquisa descritiva as pesquisas mercadológicas e de opinião. DO PONTO DE VISTA DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS:Pesquisa bibliográfica➔ elaborada a partir de material já publicado, como livros, artigos, periódicos, Internet, etc.; Pesquisa documental ➔ elaborada a partir de material que não recebeu tratamento analítico; Pesquisa experimental➔ pesquisa em que se determina um objeto de estudo, selecionam‐se variáveis que o influenciam, definem‐se as formas de controle e de observação dos efeitos que as variáveis produzem no objeto; Pesquisa de campo➔ A pesquisa de campo procede à observação de fatos e fenômenos exatamente como ocorrem no real, à coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e interpretação desses dados, com base numa fundamentação teórica consistente, objetivando compreender e explicar o problema pesquisado. Ciência e áreas de estudo, como a Antropologia, Sociologia, Psicologia, Economia, História, Arquitetura, Pedagogia, Política e outras, usam frequentemente a pesquisa de campo para o estudo de indivíduos, grupos, comunidades, instituições, com o objetivo de compreender os mais diferentes aspectos de uma determinada realidade. 15 Exige também a determinação das técnicas de coleta de dados mais apropriadas à natureza do tema e, ainda, a definição das técnicas que serão empregadas para o registro e análise. Dependendo das técnicas de coleta, análise e interpretação dos dados, a pesquisa de campo poderá ser classificada como de abordagem predominantemente quantitativa ou qualitativa. Segundo Franco (1985) numa pesquisa em que a abordagem é basicamente quantitativa, o pesquisador se limita à descrição factual deste ou daquele evento, ignorando a complexidade da realidade social. Toda pesquisa deve passar por uma fase preparatória de planejamento devendo-se estabelecer certas diretrizes de ação e fixar-se uma estratégia global. A realização deste trabalho prévio é imprescindível. A ciência se apresenta como um processo de investigação que procura atingir conhecimentos sistematizados e seguros. Para alcançar este objetivo é necessário que se planeje o processo de investigação, isto é, traçar o curso de ação a ser seguido no processo da investigação científica. Não é, porém, necessários que se sigam normas rígidas. A flexibilidade deve ser a característica principal neste planejamento de pesquisa, para que as estratégias previstas não bloqueiem a criatividade e a imaginação crítica do investigador. Afirma-se que não existe método científico estabelecido previamente. Existem critérios gerais orientadores que facilitam o processo de investigação. UNIDADE IV PASSOS PARA ELABORAR PROJETO DE PESQUISA O projeto de pesquisa é um plano do trabalho que se pretende realizar e nele procuramos responder a uma série de perguntas, tais como: o que iremos fazer, como, quando, onde, dentre outras perguntas. São as respostas a perguntas como essas que constituem os “ingredientes” básicos de um projeto. É importante ter em mente que os ingredientes e a forma como são ordenados, variam conforme as características de cada projeto. ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA Capa; folha de rosto • Sumário • Introdução • Objetivos • Justificativa • Revisão da 16 literatura • O problema da pesquisa • Hipóteses • Metodologia • Cronograma • Referências. O primeiro passo para a elaboração de um projeto é a escolha do tema. Em geral, sua pretensão inicial deve ser pragmaticamente reduzida a dimensões adequadas. Não existe qualquer receita que permita a delimitação do tema, mas encontrar um corte temático, histórico ou geográfico já ajuda muito. Quase sempre é necessário ampliar ou aprofundar as leituras e as pesquisas de campo sobre o assunto para que os critérios de "corte" comecem a aparecer. Após escolher o tema procure checar se ele contempla os seguintes critérios Após definir o tema o passo seguinte será a redação do projeto. Sumário➔ É nele que você apresenta os capítulos de seu trabalho e a numeração das páginas. Muitas vezes o sumário é chamado, erroneamente, de índice. Título➔ Deve ser claro, objetivo e direto. Nada de frases quilométricas que mais se assemelham a um parágrafo. Introdução➔ serve para o leitor ter uma noção genérica do tema que será abordado. Uma boa introdução deve criar expectativa positiva ao leitor e despertar seu interesse pelo restante do trabalho. Deve apresentar, basicamente, a delimitação do assunto, o(s) objetivo(s) do estudo e sua finalidade, (justificativa) o ponto de vista sob o qual o assunto será tratado. JUSTIFICATIVA: ➔ Após apresentar os objetivos do seu projeto de pesquisa, você deverá mostrar ao leitor por que o seu trabalho é importante. Qual a relevância do problema ou da questão com a qual você está trabalhando? Existem outros projetos semelhantes sendo desenvolvidos nessa região ou na área temática escolhida? Qual o alcance do projeto diante do problema que será abordado? As respostas a estas perguntas constituem a justificativa. Objetivo(s) ➔ Um projeto de pesquisa deve conter objetivos gerais e específicos. Os objetivos gerais estão relacionados aos resultados mais abrangentes para os quais o projeto pretende contribuir. Já os objetivos específicos➔ devem definir exatamente o que você espera atingir até o final do trabalho. Obviamente os objetivos estão relacionados ao problema/questão que motivou a realização do seu trabalho. Exemplos aplicáveis a objetivos: a) quando a pesquisa tiver o objetivo de conhecer: apontar, citar, classificar, conhecer, definir, descrever, identificar, reconhecer, relatar; b) quando a pesquisa tiver o objetivo de compreender: compreender, concluir, deduzir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir, interpretar, localizar, reafirmar; c) quando a pesquisa tiver o objetivo de aplicar: desenvolver, empregar, estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar, traçar, otimizar, melhorar; d) quando a pesquisa tiver o objetivo de analisar: comparar, criticar, debater, 17 diferenciar, discriminar, examinar, investigar, provar, ensaiar, medir, testar, monitorar, experimentar; e) quando a pesquisa tiver o objetivo de sintetizar: compor, construir, documentar, especificar, esquematizar, formular, produzir, propor, reunir, sintetizar; f) quando a pesquisa tiver o objetivo de avaliar: argumentar, avaliar, contrastar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir, selecionar. DESENVOLVIMENTO: Aqui devem ser apresentados: REFERENCIAL TEÓRICO OU REVISÃO DE LITERATURA; METODOLOGIA POPULAÇÃO E AMOSTRA (caso haja pesquisa de campo) e CRONOGRAMA. Revisão da literatura. ➔ É a sistematização do conhecimento científico acumulado sobre o tema específico do seu projeto. Para delimitar o tema do projeto, o processo de revisão de literatura já foi forçosamente iniciado. A diferença é que, neste tópico do projeto de pesquisa, você deve apresentar um texto bem articulado e bem concentrado no tema específico que acabou sendo escolhido. Neste item do projeto, a maior importância estará na comparação de documentos científicos (artigos, comunicações, entrevistas, etc.) sobre o tema específico. E essa comparação deve ser organizada de tal forma que a posterior formulação do problema seja sua decorrência lógica. Em outras palavras, não se trata de fazer uma "colcha de retalhos", emendando citações dos documentos consultados, mas sim de articular ideias que conduzam à formulação do problema; ideias estas que deverão estar apoiadas nas referências científicas consultadas. O problema: ➔ Após revisar a literatura você deve identificar qual o problema ou a questão central do seu projeto, ou seja, em meio ao tema escolhido, a que questão (ou questões) você pretende responder. Quando a questão central estiver bastante clara para o autor é quase certo que poderá ser redigida de forma interrogativa. Não é uma tarefa fácil, mas é importante ter sempre em menteque a clara formulação do problema ou da questão central da pesquisa é fundamental para a estruturação de seu projeto. Hipóteses➔ As hipóteses são respostas provisórias à questão central ou ao problema da pesquisa. E é por isso que se diz que elas funcionam como uma verdadeira bússola para o seu trabalho. Seu desafio, durante a execução da pesquisa será o de verificar a validade das suas “respostas provisórias”, seja para confirmá-las ou para refutá-las. A(s) hipótese(s) deve(m) ser formulada(s) de forma afirmativa. EXEMPLO: Vamos supor que o candidato tenha escolhido o tema “Entendendo a degradação da Mata Atlântica no litoral norte do estado de São Paulo no período de 1980 a 1990. Após exaustiva revisão da literatura sobre o tema o candidato formula o seguinte problema: Qual a atividade econômica que mais degradou a Mata Atlântica no litoral norte do estado de São Paulo no período de 1980 a 1990 ? Uma hipótese interessante para esta pesquisa poderia ser: O incremento desordenado do turismo foi o principal fator de degradação da a Mata Atlântica no litoral norte do estado de São Paulo no período de 1980 a 1990 18 Metodologia ou Procedimentos Metodológicos➔ É o caminho traçado para atingir os objetivos do projeto. Em alguns casos, como nas ciências exatas ou biológicas, já se dispõem de metodologias consagradas que podem ser entendidas como um conjunto de procedimentos replicáveis em qualquer situação por diferentes pesquisadores. Devemos, portanto, elaborar um conjunto de procedimentos que, articulados numa sequência lógica, permitam atingir os objetivos preestabelecidos pelo projeto. É muito importante estar atento à coerência lógica dos procedimentos adotados e a sua relação com os objetivos do projeto. Se os seus objetivos específicos estiverem claramente definidos será muito mais fácil elaborar a metodologia de seu projeto. Cronograma:➔ Nada mais é do que um plano de execução das atividades descritas na metodologia do projeto. É mais fácil elaborar este plano na forma de um quadro mostrando os meses ou as semanas nos quais se pretende executar cada atividade. Referências: ➔ Trata-se de uma lista em ordem alfabética das obras que foram utilizadas para a elaboração de seu trabalho. Para referenciar corretamente tais publicações, siga as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas à disposição nas melhores bibliotecas do ramo (Referências Bibliográficas NBR 6023). O projeto de pesquisa deve conter, capa, folha de rosto e sumário. Nome da instituição Nome do Curso Título e Subtítulo se houver; Local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado CENTRALIZADO Ano de depósito (da entrega) ESTRUTURA DA FOLHA DE ROSTO: Nome do autor(s) Título principal Subtítulo - se houver Natureza (identificação, apresentação) Nome do orientador Local (cidade) Ano de 19 INSTITUTO EDUCACIONAL SUPERIOR E PROFISSIONAL CURSO: TECNICO EM ENFERMAGEM ALUNO (MODELO DE CAPA) O ATENDIMENTO DO ENFERMEIRO NA UTI. SÃO LUIS - MA 2019 20 EMANOEL LEITE MOURA DE ASSIS EMANUELLE DE ASSUNÇÃO LEITE ASSIS (MODELO DE FOLHA DE ROSTO) O ATENDIMENTO DO ENFERMEIRO NA UTI. Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Técnico em Enfermagem para obtenção de nota na disciplina Metodologia do Trabalho Científico da Instituto Educacional Superior E Profissional. Orientador: Prof. Ms. Francisco Vale SÃO LUIS - MA 2019 21 UNIDADE V ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHOS CIENTÍFICOS - NBR 14724 (AGO 2017) FORMAÇÃO Papel branco➔ formato A4 (21 cm x 29,7 cm) Margens: Superior e esquerda: ➔ 3 cm; Inferior e direita: 2 cm. Espacejamento ➔1,5 para o corpo do trabalho – 1,0 para citação recuada. Tipo de Fonte➔ Recomenda-se Arial ou Times New Roman Tamanho da Fonte➔ 12 para o texto 10 para citações mais de três linhas, notas de rodapé, paginação e legenda das ilustrações e tabelas. Siglas: Ao aparecer pela 1ª vez no texto: a forma completa do nome precede a sigla, que deverá estar entre parênteses. Paginação➔ Borda direita da folha: 2 cm x 2 cm. 22 CITAÇÃO O QUE É CITAÇÃO? É a menção de uma informação extraída de outra fonte. Para os efeitos da NBR 10520 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002), aplicamos as seguintes TIPOS: A) citação de citação: citação direta ou indireta de um texto, sendo que não tivemos acesso ao original (apud); B) citação direta: transcrição textual de parte da obra de um autor consultado; C) citação indireta: texto baseado na obra do autor consultado. As citações podem aparecer: 1) no texto; 2) em notas de rodapé – Sugere-se que se apresente as citações no texto. NOTA➔Especificar no texto a(s) páginas(s), da fonte de consulta, nas citações diretas. Esse(s) deve(m) seguir a data, separado(s) por vírgula e precedido(s) pelo termo que o(s) caracteriza, de forma abreviada. Nas citações indiretas, a indicação da(s) páginas(s) é opcional. Citação Direta A citação direta traz o sobrenome do autor em caixa alta, o ano de publicação e a página da citação. Esta informação deve estar entre parênteses e separada por vírgulas. Se a citação tem menos de três linhas, então ela é feita no corpo do texto, contando com aspas duplas. Quando a citação tem mais de três linhas, ela deve ter um recuo de 4 cm com relação ao restante do texto, sem destaque de aspas. 23 Citação indireta A citação indireta é uma citação feita dentro do próprio texto, só que deve conter sobrenome do autor e ano de publicação entre parênteses. Citações no texto, para indicar: Supressões:5 [...] Interpolações6, acréscimos ou comentários: [ ] Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico Citação direta no texto (até 3 linhas) Ex.: Para Piaget (2001, p. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno”. Citação direta no texto (mais de 3 linhas – recuo de 4 cm à margem esquerda) Exemplo1: Um dos pilares do pensamento de Vygotsky é a ideia de que as funções mentais superiores são construídas ao longo da história social do homem. Na sua relação com o meio físico e social que é mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos no interior da vida social, o ser humano cria e transforma seus modos de ação no mundo. (OLIVEIRA, 1993, p. 83). Exemplo 2: Sobre “definir”, Demo (2000, p. 13) comenta que: Entre as expectativas ditas pós-modernas está a de que toda definição é apenas aproximativa, porque nenhum fenômeno tem contornos nítidos, muito menos fenômenos sociais e históricos. Definir é colocar limites. Quanto mais algo está fechado entre limites, mais claro se torna. Citação indireta no texto Conforme NBR 10520, da ABNT (2002), é um texto baseado na obra do autor consultado. É uma paráfrase ou um comentário sobre a ideia de um autor. Acrescentamos, entre parênteses, o sobrenome do autor, em versal, e o ano; a indicação da (s) página (s) consultada (s) é opcional. Sugerimos não indicar o(s) número(s) da(s) página(s) consultada(s), para que não ocorra relação indevida com a citação direta. Citação de citação É uma citação direta ou indireta de um texto, sendo que não tivemos acesso ao original. Identificamos a obra diretamente consultada, o autor e a obra citada, acrescidos do termo latino apud (citado por, conforme, segundo). Nas referências (no final do trabalho e/ou em rodapé), somente mencionamos o nome do autor da obra consultada. Ex 1.: Para Piaget (2001 apud ZABALA, 2002, p. 57), a escola deve atender 24 as necessidades básicas do aluno, levando em consideração seu conhecimento prévio sobre a realidade, seu processo de socialização [...]. Ex 2.: Segundo Silva (1983 apud ABREU, 1999, p. 3), diz ser[...] Citação de obras consultadas em outro idioma: Em geral, utilizamos as mesmas obras, porém traduzidas, acompanhadas de expressa referência de que a tradução é responsabilidade do autor do trabalho; após a chamada da citação, devemos incluir a expressão tradução nossa, entre parênteses. Ex.: “Ao fazê-lo pode estar envolto em culpa, perversão, ódio de si mesmo [...] pode julgar-se pecador e identificar-se com seu pecado.” (RAHNER, 1962, p. 463, tradução nossa) . Grifo em citação Para enfatizar trechos de citação, deve-se destacá-los indicando essa alteração com a expressão grifo nosso entre parênteses, após a chamada da citação, ou grifo do autor, caso o destaque já faça parte da obra consultada. REFERÊNCIAS Devem seguir a norma NBR-6023 da ABNT vigente; Devem ser organizadas em ordem alfabética (pelo último sobrenome da autoria); O título da obra deve sempre estar destacado e o recurso tipográfico para tal destaque é: itálico, negrito ou sublinhado. O padrão adotado deve ser uniforme; Podem aparecer em: rodapé, fim do texto ou capítulo, lista de referências ou ainda antecedendo resumos, resenhas ou recensões. O que deve conter na referência: sobrenome do autor em caixa alta, nome do autor, título em negrito, edição, cidade, editora e ano de publicação. EXEMPLO: UM AUTOR PASSOS, Eliane. Ética nas organizações. 2. ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2000 DOIS AUTORES BASTOS, J.; LOPES, M. Educação Tecnológica: uma proposta interdisciplinar. São Paulo: Cortez Editora, 2001 TRÊS AUTORES ANTUNES, C.; CAMARGO, E. M.; COSTA E SILVA, H., 2002. Antropologia: uma introdução. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2006. MAIS DE TRÊS AUTORES 25 Havendo mais de três autores pode-se indicar o primeiro autor, seguido da expressão latina et al. (et al). No caso de projetos de pesquisa, relatórios, etc. onde é indispensável certificar a autoria, pode-se citar o nome de todos (NBR 6023:2000). NOTA: Todos devem ser mencionados na mesma ordem em que aparecem na publicação. NOGUEIRA, Eva et al. Manual de trabalhos técnicos. 21 ed. Petrópolis: Vozes, 2006 Apud - (do latim junto a; em) citado por, conforme, segundo ➔ Indica a fonte de uma citação indireta. EX: Para referenciar um autor (a cuja obra o pesquisador NÃO teve acesso) que está indicado num livro ao qual o pesquisador TEVE acesso, usa-se apud. Cf. – confira, confronte, compare – Ex: Cf. GOMES, 2001. et al. – et alii (masculino), ou et aliae (feminino), et alia (neutro) – e outros. ibidem ou ibid➔ Para fazer referência, subsequente, de um mesmo autor, em página diferente, de uma mesma obra. Ex.: GONÇALVES, 2000, p. 61 Ibid., p. 203 idem ou id. – Para fazer referência, subsequente, de um mesmo autor. Ex.: Obra monográfica no todo em meio eletrônico: As referências devem obedecer aos mesmos padrões de obras monográficas no todo; em seguida, devemos acrescentar as informações relativas à descrição física do meio ou suporte. Quando se tratar de obras consultadas on-line, são essenciais as informações sobre o endereço eletrônico, apresentado entre os sinais <>, precedido da expressão “Disponível em:” e, após a informação do endereço, colocamos a data de acesso ao documento mediante a expressão “Acesso em:”, opcionalmente acrescida dos dados referentes à hora, minutos e segundos. REFERÊNCIAS FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (01 autor) FREIRE, Paulo.; GADOTTI, M. A prática pedagógica. São Paulo: Vozes, 1997. (02 autores) FREIRE, Paulo.; GADOTTI, M.; SAVIANI, D. A prática pedagógica. São Paulo: Vozes, 1997. (03 autores) FREIRE, Paulo et al. A prática pedagógica. São Paulo: Vozes, 1997. ❖REFERÊNCIAS (Em ordem alfabética) 26 UNIDADE VI ELABORAÇÃO DO ARTIGO CIENTÍFICO Ao longo da vida acadêmica, o estudante precisa desenvolver diversas atividades de pesquisa, redação, estudos dirigidos e revisões bibliográficas. A forma como o resultado deste trabalho é apresentado pode variar de acordo com o que foi solicitado pelo professor ou orientador, ou com os itens que citamos logo acima. Dentre os modelos mais conhecidos e utilizados de apresentação de textos, monografias ou trabalhos acadêmicos e científicos são: ➢ Fichamento/Ficha de Leitura ➢ Resumo ➢ Resenha ➢ Paper ➢ Ensaio ➢ Relatório ➢ Artigo ➢ Monografia ➢ Dissertação ➢ Tese ELABORAÇÃO DO ARTIGO CIENTÍFICO A estrutura o artigo é crucial que ele esteja de acordo com as características próprias de sua natureza. Nesse sentido, alguns aspectos devem ser observados. O QUE É ARTIGO CIENTÍFICO? Segundo Furasté (2013) “é parte de uma publicação com autoria declarada que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas mais diversas áreas do conhecimento. O artigo científico deve ser um texto integral, completo e sua estrutura assemelha-se à dos demais trabalhos científicos, contendo: Partes pré-textuais; Partes textuais 27 Partes pós-textuais O artigo científico apresenta-se numa sequência única, nunca abrindo novas páginas, ou seja, é um todo único, uma só peça, separado apenas por uma linha em branco. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS DO ARTIGO (antes) TÍTULO E SUBTÍTULO SE HOUVER➔– O título é colocado no início do artigo, a 3 cm da borda superior, diferenciado tipograficamente do subtítulo, ou separado por dois pontos. Fonte: Arial ou Times – tamanho 12. Este deve ser capaz de sintetizar, em uma frase, de modo objetivo a proposta da pesquisa e ser o mais perfeitamente ajustado ao conteúdo dela. Cuidado com Títulos ambíguos e longos devem ser evitados. Quando um título mais longo se mostrar necessário, estudar sua subdivisão em um subtítulo. NOME COMPLETO DO AUTOR OU AUTORES9➔ de forma direta e sem abreviaturas, ordem alfabética seguidas de uma chamada para nota de rodapé. (inserir – referências – inserir nota de rodapé) RESUMO NA LÍNGUA VERNÁCULA ➔ este é um elemento obrigatório. É a condensação do texto. Deve ser escrito de forma clara coerente e objetiva. Sua redação deve ser feita em espaçamento simples, usando-se a terceira pessoa do singular e os verbos escritos na voz ativa. Deve ser uma sequência de frases concisas e não uma simples enumeração de itens. Sua extensão deve ficar entre 100 e 250 palavras12. É aconselhável que tenha apenas um parágrafo. PALAVRAS-CHAVE➔ é um elemento obrigatório escrita na letra do texto, colocado após o resumo. São de três a cinco palavras retiradas do resumo, cada palavra separada e encerrada por ponto. Exemplo de Palavras-chave: Educação Especial. LDB. Pedagogia. ELEMENTOS TEXTUAIS – (durante) INTRODUÇÃO➔ serve para o leitor ter uma noção genérica do tema que será abordado. Uma boa introdução deve criar expectativa positiva ao leitor e despertar seu interesse pelo restante do trabalho. Deve apresentar, basicamente, a delimitação do assunto, o(s) objetivo(s) do estudo e sua finalidade, (justificativa) o ponto de vista sob o qual o assunto será tratado. DESENVOLVIMENTO ➔ aqui é a fundamentação lógica do artigo é preferencialmente feito de uma única parte, podendo ser dividido em seções e subseções. Pode apresentar fundamentação teórica, uma metodologia, os resultados obtidos. CONCLUSÃO➔ Está deve dar resposta às questões da pesquisa, correspondente aos objetivos propostos e as hipóteses levantadas. Deve ser breve, podendo apresentar sugestões para pesquisas futuras. 28 Principais elementos de uma conclusão. Essencialidades, brevidade e personalidade. O termo mais apropriado é conclusão. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS – (após) TÍTULO E SUBTÍTULO, RESUMO E PALAVRAS-CHAVE: em língua estrangeira. REFERÊNCIAS – Elementos obrigatórios. APENDICES E ANEXOS – elementos opcionais. Apêndices e Anexos são elementos opcionais. Caso haja pesquisa de campo, utiliza-se questionário e/ou formulário, o(s) mesmo(s) deve(m) estar(em) exposto(s) nas apêndices. ENTENDA PASSO A PASSO TÍTULO ➔ O título deve ser capaz de sintetizar, em uma frase, de modo objetivo a proposta da pesquisa e ser o mais perfeitamente ajustado ao conteúdo dela. Títulos ambíguos13 e longos devem ser evitados. Quando um título mais longo se mostrar necessário, estudar sua subdivisão em um subtítulo. OBJETIVOS ➔ Qual é o alvo da pesquisa? Que fins ela visa atingir? Quais são os aspectos que a questão envolve? Para onde cada um desses aspectos aponta? É a isso que os objetivos se referem. Por se tratar da explicitação do item que, junto com a delimitação da questão, constitui-se no mais crucial do projeto, a gama dos objetivos pode ser mais extensa do que sua divisão mais comum em objetivo geral e objetivos específicos. Assim, os objetivos podem também ser de longo prazo ou imediatos, podem ser intrínsecos, quando se referem ao problema que se quer resolver, ou extrínsecos, quando chegam até a explicitação dos resultados esperados. USTIFICATIVA➔ É do estado da arte que se extraem as justificativas da pesquisa. Esta nasce da constatação de que algo falta, algo está ainda mal ou pouco resolvido no campo a ser pesquisado. No decorrer da revisão bibliográfica, ao citar as principais conclusões a que outros autores chegaram, ao indicar discrepâncias entre tendências ou constatar certos entraves teóricos ou práticos ou empíricos, ao constatar alguma lacuna que sua pesquisa pode vir a preencher, o pesquisador já deve ir conduzindo seu texto na direção da contribuição que se pode esperar de sua pesquisa. Essa contribuição constitui-se em uma chave para a justificativa, uma vez que, frente aos estudos já realizados sobre o problema, a justificativa visa colocar em relevo a importância da pesquisa proposta, quer no campo da teoria quer no da prática, para a área de conhecimento em que a pesquisa se desenvolve. O PROBLEMA: ➔ Após revisar a literatura você deve identificar qual o problema ou a questão central do seu projeto, ou seja, em meio ao tema escolhido, a que questão (ou questões) você pretende responder. Quando a questão central estiver bastante clara para o autor é quase certo que poderá ser redigida de forma interrogativa. Não é uma tarefa fácil, mas é importante ter sempre em mente que a clara formulação do problema ou da questão central da pesquisa é fundamental para a estruturação de seu projeto. HIPÓTESE ➔ Hipóteses são suposições de respostas para a questão proposta. A hipótese funciona como uma resposta antecipada, suposta, provável e 29 provisória que o pesquisador lança e que funcionará como guia para os passos subsequentes do projeto e do percurso da pesquisa. Uma pesquisa não é uma viagem no escuro. De certa forma, adivinhamos as respostas possíveis e apostamos nelas. Por isso mesmo, as hipóteses funcionam como rotas de navegação. Mas, por melhor formuladas que estejam as hipóteses, podem estar equivocadas. Por isso, em qualquer pesquisa, aquilo que imaginamos ser a resposta, ou o caminho para ela, deve ser testado. O teste não precisa ser necessariamente empírico. Vem daí os inúmeros tipos de caminhos metodológicos adaptáveis ao perfil específico de cada tipo de pesquisa. Há uma ligação estreita entre a formulação de hipóteses e a fundamentação teórica, pois são as teorias e conceitos de que estamos munidos que nos habilitam a imaginar hipóteses. É por isso que essa formulação já encaminha o pesquisador para a explicitação do seu quadro teórico de referência. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA➔ As escolhas teóricas, que somos necessariamente levados a fazer, não podem ser frutos de um impulso, ainda menos de uma imposição, ou para estar de acordo com a especialidade do orientador de uma pesquisa, ou, o que é ainda pior, simplesmente para agradá-lo. Opções teóricas só podem nascer das exigências internas que o problema da pesquisa cria. Para optar, precisamos conhecer as alternativas que se apresentam. Isso implica conhecimento da bibliografia existente. Também chamado de "embasamento teórico" ou de "teoria de base", o quadro teórico de referência é algo que brota diretamente do levantamento bibliográfico para a elaboração do estado da arte de um problema de pesquisa. Tendo brotado do estado da arte, a fundamentação teórica implica um avanço em relação àquele, na medida em que resulta de uma escolha consciente, crítica e avaliativa da teoria ou compósito teórico que está melhor equipado para fundamentar o desenvolvimento da pesquisa, em consonância com a metodologia que designa. O quadro de referência teórico consiste no corpo teórico no qual a pesquisa encontrará seus fundamentos. Todo projeto deve conter os pressupostos teóricos aos quais as interpretações irão se conformar. Eles são inevitáveis simplesmente porque não podemos evitar os pressupostos, sob pena de ficarmos imersos tão somente no senso comum. METODOLOGIA➔ É no momento da indicação dos procedimentos metodológicos que o pesquisador deve localizar o tipo de pesquisa que está realizando, teórica ou aplicada, histórica ou tipológica, crítica ou sistêmica, empírica com trabalho de campo ou de laboratório etc. A metodologia está sempre estreitamente ligada a essa tipologia. Além disso, os métodos devem estar perfeitamente afinados com o problema proposto e com as hipóteses. Tendo o problema em mente, o pesquisador deve se perguntar: "como e com que meios" poderei resolvê-lo? Este "como e com que meios" entrelaça as hipóteses e o método. As hipóteses funcionam como sinalizações para o caminho a ser percorrido. Por isso, o método deve estar sintonizado nessas sinalizações. Além disso, não pode haver contradição entre o método e a fundamentação teórica, pois, muitas vezes, o método advém diretamente do quadro teórico. CRONOGRAMA➔ O cronograma da pesquisa deve ser estabelecido com indicação das etapas da pesquisa que serão cumpridas em cada período mencionado. CONCLUSÃO ➔ essencialidade, coerência. 30 REFERÊNCIAS➔ Ao final do projeto deve comparecer a lista bibliográfica preliminar, pois a bibliografia definitiva só pode e deve ser complementada no decorrer da execução do projeto. Muitas vezes o pesquisador divide a bibliografia em duas partes. Uma parte já consultada para a elaboração do projeto e outra parte a ser pesquisada no decorrer da execução do trabalho.(A bibliografia e as referências no corpo do texto devem seguir as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas) (Texto de autoria de Lucia Santaella, mais informações sobre Elaboração de projetos podem ser obtidas no livro da mesma autora, Comunicação & pesquisa. São Paulo: Hacker). LINGUAGEM DO ARTIGO: Tendo em vista que o artigo se caracteriza por ser um trabalho extremamente sucinto, exige-se que tenha algumas qualidades: linguagem correta e precisa, coerência na argumentação, clareza na exposição das ideias, objetividade, concisão e fidelidade às fontes citadas. Para que essas qualidades se manifestem é necessário, principalmente, que o autor tenha certo conhecimento a respeito do que está escrevendo. Quanto à linguagem científica são importante que sejam analisados os seguintes procedimentos no artigo científico: - Impessoalidade: redigir o trabalho na 3ª pessoa do singular; - Objetividade: a linguagem objetiva deve afastar as expressões: “eu penso”, “eu acho”, “parece-me” que dão margem a interpretações simplórias e sem valor científico; - Estilo científico: a linguagem científica é informativa, de ordem racional, firmada em dados concretos, onde se podem apresentar argumentos de ordem subjetiva, porém dentro de um ponto de vista científico; - Vocabulário técnico: a linguagem científica serve-se do vocabulário comum, utilizado com clareza e precisão, mas cada ramo da ciência possui uma terminologiatécnica própria que deve ser observada; - A correção gramatical é indispensável, onde se deve procurar relatar a pesquisa com frases curtas, evitando muitas orações subordinadas, intercaladas com parênteses, num único período. O uso de parágrafos deve ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio: toda vez que se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o parágrafo. - Os recursos ilustrativos como gráficos estatísticos, desenhos, tabelas são considerados como figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. (PÁDUA, 1996, p. 82). Para a redação ser bem concisa e clara, não se deve seguir o ritmo comum do nosso pensamento, que geralmente se baseia na associação livre de ideias e imagens. Assim, ao explanar as ideias de modo coerente, se fazem necessários cortes e adições de palavras ou frases. A estrutura da redação assemelha-se a um esqueleto, constituído de vértebras interligadas entre si. O parágrafo é a unidade que se desenvolve uma ideia central que se encontra ligada às ideias secundárias devido ao mesmo sentido. Deste modo, quando se muda de assunto, muda-se de parágrafo. Um parágrafo segue a mesma circularidade lógica de toda a redação: introdução, desenvolvimento e conclusão. Convém iniciar cada parágrafo através do tópico frasal (oração principal), onde se expressa a ideia predominante. Por sua vez, esta é desdobrada pelas ideias secundárias; todavia, no final, ela deve aparecer mais 31 uma vez. Assim, o que caracteriza um parágrafo é a unidade (uma só ideia principal), a coerência (articulação entre as ideias) e a ênfase (volta à ideia principal). A condição primeira e indispensável de uma boa redação científica é a clareza e a precisão das ideias. Saber-se-á como expressar adequadamente um pensamento, se for claro o que se desejar manifestar. O autor, antes de iniciar a redação, precisa ter assimilado o assunto em todas as suas dimensões, no seu todo como em cada uma de suas partes, pois ela é sempre uma etapa posterior ao processo criador de ideias. MODELO DE ARTIGO ARTIGO NÃO CONTEM CAPA NEM FOLHA DE ROSTO É APRESENTADO EM SEQUÊNCIA ÚNICA. ÉTICA PROFISSIONAL: qual o papel do Assistente Social Emanuelle de Assunção Leite Assis¹ RESUMO Toda parte de resumo é escrito com fonte 10 e espaço simples. Possui apenas um parágrafo. Não exceder a quantidade de palavras recomendada de 100 a 250. Palavras-chave: aqui é retira de 3 a 5 palavras do universo do resumo separada e finalizadas por ponto. INTRODUÇÃO Uma boa introdução deve criar expectativa positiva ao leitor e despertar seu interesse pelo restante do trabalho. Deve apresentar, basicamente, a delimitação do assunto, o(s) objetivo(s) do estudo e sua justificativa, o ponto de vista sob o qual o assunto será tratado, e indicar a metodologia. (Tamanho da fonte é 12 e espaço entre linhas é 1,5 e parágrafo referente ao TAB. Na Introdução deve conter + ou – 05 parágrafos e cada parágrafo conter entre 08 até 10 linhas. A justificativa fica no último parágrafo. -------------------------- ¹Aluna do Curso de Pedagogia da Faculdade Ensino Regional Alternativa - FERA 32 ATENÇÃO PARA AS DICAS PARA LEITURA E ESCRITA NA ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS/ CIENTÍFICOS Linguagem Científica➔ Há, de modo geral, uma tendência a descuidar-se da linguagem quando se redige um trabalho científico ou técnico: talvez sob a alegação de que não se trata de trabalho literário. Importa respeitar, ao menos, os seguintes aspectos fundamentais. Correção gramatical ➔ convém sempre solicitar a contribuição de um conhecedor da língua e da gramática para nos auxiliares; Exposição clara➔ concisa, objetiva, condizente com a redação científica; Cuidado em evitar parágrafos extensos➔ construir períodos com no máximo duas ou três linhas, bem como parágrafos com cinco linhas cheias, em média, e no máximo oito a dez; Preocupação em redigir com um estilo➔capaz de equilibrar a simplicidade com o movimento, evitando o colóquio excessivamente familiar e vulgar, os recursos retóricos; Simplicidade do texto➔ Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem articuladas; Linguagem direta➔ pois conduz mais facilmente o leitor à essência do texto, dispensando detalhes irrelevantes e indo diretamente ao que interessa, sem rodeios; Precisão e rigor➔ com o vocabulário técnico, sem cair no hermetismo; Impessoalidade➔ contribui grandemente para a objetividade da redação dos trabalhos científicos, devendo usar verbos nas formas que tendem à impessoalidade; Não começar períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra➔ nem usar repetidamente a mesma estrutura de frase; 33 Evitar longas citações➔ e relatar o fato no menor número possível de palavras; Recorrer aos termos técnicos ➔somente quando absolutamente indispensáveis e nesse caso colocar o seu significado entre parênteses; Evitar palavras e formas empolada15 ou rebuscadas➔ que tentem transmitir ao leitor mera ideia de erudição; Ser rigoroso na escolha das palavras➔do texto, desconfiando dos sinônimos perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões; Encadear o assunto de maneira suave e harmoniosa➔ evitando a criação de um texto onde os parágrafos se sucedem uns aos outros como compartimentos estanques16, sem nenhuma fluência entre si. UNIDADE VII TRABALHOS ACADÊMICOS MAIS UTILIZADOS FICHAMENTO - O fichamento é uma técnica de trabalho que consiste em documentar as ideias e informações de uma obra. A importância do fichamento para a assimilação e a produção do conhecimento por acadêmicos e pesquisadores é dada pela necessidade de manipular uma considerável quantidade de material bibliográfico. É uma forma organizada de registrar as informações obtidas na leitura de um texto. É a elaboração de fichas de leitura com o intuito de registrar informações sobre livros e artigos. 34 PARA QUE SERVE UM FICHAMENTO? Apresentar anotações que sirvam como material organizado para consulta. O fichamento é fonte para estudos posteriores. ESTRUTURA DO FICHAMENTO CAPA; FOLHA DE ROSTO; REFERÊNCIA: AUTORIA, TÍTULO, LOCAL DE PUBLICAÇÃO, EDITORA E ANO DA PUBLICAÇÃO. CORPO. MODELO DE FICHAMENTO VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico, 15a ed. São Paulo: Libertad, 2006. “Planejar é uma atividade que faz parte do ser humano, muito mais inclusive do que imaginamos à primeira vista. Nas coisas mínimas do dia-a-dia, como tomar banho ou dar um telefonema, estão presentes atos de planejamento”. (p.14) “No cotidiano das escolas, em especial no final e início de ano, é realizada uma série de práticas como preencher formulários com objetivos, conteúdo, estratégia, avaliação, indicação de livros didáticos, etc. Outras vezes, os professores são convocados para discutirem a proposta pedagógica da escola.” (p.15) “[...] Sabemos da influência do pensamento grego em nossa cultura: podemos encontrar as raízes dessa influência num debate anterior aos grandes filósofos, ainda na fase pré-socrática, na famosa controvérsia entre os discípulos de Heráclito e Parmênides”. (p.24) “O educador, antes de mais nada, como cidadão, está inserido num contexto mais amplo de sociedade, sendo, portanto, atingido pela alienação mais geral, imposta, devido a toda a forma de organização social.” (p.25) [...] supressão = tirar uma parte. = cortar, retirar, riscar. não mencionar. = omitir O fichamento deve iniciar com a referência da obra. 35 O QUE RESENHA? É uma abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, e enumerando aspectos considerados relevantessobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado. O objeto resenhado pode ser de qualquer natureza: um romance, um filme, um álbum, uma peça de teatro ou mesmo um jogo de futebol. Uma resenha pode ser "descritiva" e/ou "crítica". PARA QUE SERVE UMA RESENHA ➔ serve para apresentar outro (texto-base), desconhecido do leitor. Para bem apresentá-lo, é necessário além de dar uma ideia resumida dos assuntos tratados, apresentar o maior número de informações sobre o trabalho: fatores que, ao lado de uma abordagem crítica e de relações intertextuais, darão ao leitor os requisitos mínimos para que ele se oriente quanto ao grau de interesse do texto-base. Mas é bom lembrar que resenha não é um mero resumo, é mais que isso, deve apresentar mais informações e criar o interesse do leitor. Pode ser elaborado com base em leitura motivada por interesse próprio ou sob demanda editorial. Visa geralmente à publicação em periódico técnico ou mesmo visando divulgação de conhecimento ao grande público pela veiculação em mídia ampla. Nesses casos a resenha é, geralmente, feita por um cientista da mesma área de conhecimento do texto-base. Além disso, trata-se de um texto onde geralmente são sempre lidos por professores de diversas universidades, onde pontuam o grau de entendimento do mesmo para o assunto do texto compreendido. MODELO DE RESENHA LINHARES, Célia. Os professores e a Reinvenção da Escola: Brasil e Espanha. São Paulo: Cortez, 2001. P. 17 – 55. O PROFESSORADO EM ÉPOCA DO NEOLIBERALISMO: dimensões sociopolíticas de seu trabalho é um texto escrito por Jurjo Torres Santomé, retirado da obra “Os professores e a Reinvenção da Escola: Brasil e Espanha”, onde aborda temas importantes para meio escolar, familiar e da sociedade em geral. 36 O autor discute o tema da educação, globalização e currículo, centrando sua análise na crítica ao pensamento conservador e neoliberal hegemônico no processo de reestruturação educacional em curso. Vários aspectos da realidade educacional espanhola e mundial são analisados, o que permite uma visão clara da sua compreensão acerca das principais temáticas do campo do currículo, envolvendo ensino, métodos, políticas educacionais e reformas educativas. É uma excelente obra elaborada com uma linguagem acessível recomendada aos pesquisadores em educação, professores e alunos que buscam informações mais detalhada da trajetória das Instituições Escolares, posicionamento dos governos em relação a uma educação de qualidade e de igual oportunidade para todos. O texto resenhado foi escrito pelo professor Jurjo Torres Santomé, sociólogo e pedagogo espanhol, seguidor de uma linha de investigação em currículo integrado e interdisciplinaridade, análise de políticas educativas, pedagogia crítica e formação de professores. Atualmente é professor catedrático de Didática e Organização Escolar da Universidade de La Coruña, e da Universidade de Salamanca na Espanha. Texto resenhado por Emanuelle de Assunção Leite Assis, aluna do 6º período do Curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. A RESENHA deve iniciar pela referência da obra. A RESENHA deve iniciar pela referência da obra. RESUMO Apresenta uma síntese bem clara e concisa das ideias principais do autor ou um resumo dos aspectos essenciais da obra. Caracteriza-se por: Não é um sumário ou índice das partes componentes da obra, mas exposição abreviada das ideias do autor; Não é transcrição, como na ficha de citações, mas é elaborada pelo leitor, com suas próprias palavras, sendo mais uma interpretação do autor; Não é longa, apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica, que por sua vez, é menos extensa do que a do esboço; Não precisa obedecer estritamente à estrutura da obra, lendo a obra, o estudioso vai fazendo anotações dos pontos principais. Ao final, redige um resumo, contendo a essência do texto. MONOGRAFIA No sentido etimológico, significa dissertação a respeito de um assunto único, pois monos (mono) significa um só e graphein (grafia) significa escrever. A monografia é um trabalho científico que se caracteriza pela especificação, ou seja, a redução da abordagem a um só assunto, a um só problema. Desta maneira, monografia é um trabalho com tratamento escrito de um tema específico que resulte de interpretação científica com o escopo de apresentar uma contribuição relevante ou original e pessoal à ciência. 37 Uma monografia possui sentido lato e sentido strictu: Em sentido strictu identifica-se com a tese e em sentido lato é todo trabalho científico de primeira mão, que resulte de pesquisa. E nisso, é muito importante que haja reflexão, pois sem ela a monografia torna-se simplesmente um relatório do procedimento da pesquisa, uma divulgação, uma compilação de obras alheias. É um trabalho strictu, para que possua um registro do que foi pesquisado. Deve ser um trabalho sistemático, que seja organizado em etapas, começando com o projeto, e que siga determinadas regras de execução. E deve ser completo, com qualidade, para que, apesar de apresentar um único problema, se possa compreender o todo do tema, integralmente. Deve apresentar um tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela e em cima deste tema deve ser realizado um estudo pormenorizado e exaustivo, abordando vários ângulos e aspectos, esgotando tudo o que haja e se possa concluir a respeito do tema em questão. Deve possuir um tratamento extenso em profundidade, mas não em alcance. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO O TCC, que significa trabalho de conclusão de curso, pode ser exigido em formato de monografia ou artigo e pode ser eventualmente chamado trabalho de graduação interdisciplinar ou trabalho final de graduação. Este é um tipo de trabalho acadêmico amplamente utilizado no ensino superior como forma efetuar uma avaliação final dos graduandos que contemple a diversidade dos aspectos de sua formação universitária, no Brasil. Em muitas instituições, o TCC é encarado como critério final de avaliação do aluno: em caso de reprovação, o aluno estará impedido de obter o diploma e consequentemente exercer a respectiva profissão até que seja aprovado. Embora a expressão "trabalho de conclusão de curso" possa ser utilizada em meios que não os da graduação universitária, no Brasil ela está invariavelmente ligada ao ensino superior. O escopo e o formato do TCC (assim como sua própria nomenclatura) variam entre os diversos cursos e entre diferentes instituições, mas na estrutura curricular brasileira ele possui papel de destaque: em cursos ligados às ciências, normalmente é um trabalho que envolve pesquisa experimental, em cursos de caráter profissional, normalmente envolve: pesquisa bibliográfica e/ou empírica, a execução em si e uma apresentação de um projeto perante uma banca examinadora entre 3 e 5 professores. A Banca Examinadora formada para tal propósito não cria nenhuma expectativa de originalidade. Portanto, pode ser uma compilação (e não cópia) de outros ensaios com uma finalidade, um fio condutor, algo que forneça um roteiro, uma continuidade.