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Supositórios, Óvulos e Velas Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC Colegiado de Farmácia Tecnologia Farmacêutica II Lorena Rosa Objetivos • Entender o uso prático de supositórios, óvulos e velas • Compreender o processo de absorção local e sistêmica dessas FFs • Compreender o processo de fabricação dessas FFs Considerações sobre absorção de fármacos na via retal e vaginal Desenvolvimento farmacotécnico Via adequada Eficácia do tratamento Parâmetros relacionados à substância Parâmetros relacionados à formulação Parâmetros relacionados ao local de absorção • VIA RETAL • pH na faixa neutra: 7,2-7,4 • Requer retenção do supositório para garantir maior absorção • PF, tamanho e forma do supositório afetam a BD • Pode haver desvio do fármaco para a veia porta, carregando o fármaco para o fígado → depende da migração do supositório • Absorção não é reprodutível • Formulação: solubilidade do fármaco em bases oleosas limita a absorção: retarda a partição • Quanto mais solúvel nos líquidos aquosos, mais rápida a absorção do fármaco • Fármacos lipossolúveis terão difusão mais lenta a partir da base • Fatores fisiológicos ▫ Pouco fluido (2-3mL): pH neutro, não tamponante ▫ Sem mucosa absortiva ▫ Irrigação (linfa e sangue) → veias hemorroidais ▫ Conteúdo retal → vazio aumenta absorção • Bases muito viscosas reduzem a velocidade de liberação do fármaco, exceto para fármacos pouco lipossolúveis • Adição de tensoativos na base aumenta o espalhamento dela após a fusão → aumenta a extensão da absorção e apermeabilidade • Absorção depende da [fármaco], contato com a mucosa retal e fusão da base • VIA VAGINAL • Não permite absorção sistêmica • pH mais ácido após a puberdade ▫ pH ácido: 3,5 a 4,5 • Microbiota rica em lactobacilos • Altera conforme fase do ciclo hormonal e idade • Problemas: ▫ Região com produção de muco: retarda/impede absorção ▫ Pouco fluido disponível para dissolução • Ação local → sem absorção • Absorção se dá por transporte passivo • Fatores intrínsecos: pH, viscosidade, volume, fase do ciclo menstrual • Fatores do fármaco: solubilidade, grau de ionização, PM, formulação Células Alta vascularização Drenagem para veia cava Características das Formas Farmacêuticas • FF sólidas • Uso interno • Amolecem e dissolvem o conteúdo nos líquidos corporais • Não devem causar distensão muscular • Diferentes formatos • Aplicados com auxílio dos dedos ou de aplicadores • Uso retal, vaginal ou uretral • Ação local e sistêmica • Absorção errática ÓVULOS • Objetiva ação local, majoritariamente ▫ Menor absorção, distribuição e toxicidade • Antifúngicos • Uso sistêmico: sem efeito de 1ª passagem VELAS • Formato cilíndrico – 5 a 10cm de comprimento • Devem ser sólidas e elásticas • Pouco usadas devido aos ATB orais. Uso AD = 2g Uso PED = 1g Liberação do conteúdo Inserção do supositório Amolecimen -to (T) Fusão Liberação do conteúdo Dissolução Distribui- ção Ação local Ação sistêmica Hemorroidas, prurido, laxantes Náuseas, dor, febre, êmese Vantagens dos supositórios • Para ação sistêmica: ▫ Adm em pacientes inconscientes ou com vômitos ▫ Uso de substâncias irritantes ao estômago ▫ Uso de fármacos instáveis no HCl ▫ Desvia fármacos da circulação portal Papel da base na absorção Bases hidrofílicas Bases hidrofóbicas Liberam fármacos neutros ou ionizados Liberam mais rápido fármacos ionizados • Fatores FQ da base ▫ Capacidade de amolecer e fundir ▫ Caráter hidrofílico hidrofóbico • Fatores FQ do fármaco ▫ Lipossolubilidade: afinidade pela base ou pelos fluidos aquosos ▫ Tamanho de partícula: partículas menores Fonte: sciencepharma.blogspot.com Fonte: naturalmed.com.br Fonte: catalogodelempaque.com Tipos de bases Aquosas Oleosas Manteiga de cacau Óleos vegetais Monestearato de glicerila Fusão rápida Gelatina glicerinada PEG Fusão lenta Bases diversas Oleagionosos miscíveis em água → emulsões A/O Estearato de polioxil 40, manteiga de cacau • Manteiga de cacau: ▫ Sólida em T ambiente, funde a 30-36°C ▫ Polimorfismo: afeta T de fusão ▫ Fusão lenta em banho-maria ▫ Agentes solidificantes: cera de abelha • Gelatina glicerinada: ▫ 20%gelatina + 70% glicerina + 10%água ▫ Liberação lenta de fármacos ▫ Absorvem água: proteger da umidade • PEG: ▫ Líquidos abaixo de 1000 ▫ Misturas para atingir a consitência ▫ Dissolvem, não fundem à T corporal: liberação lenta, armazenamento Ponto de fusão Base Glicerol/gelatina – aquosa PEGs Óleos naturais Excipientes Diluentes, adsorventes, tensoativos, conservantes, estabilizantes pH pode ser ajustado para 4,5 Acompanha aparato para inserção ÓVULOS Preparo • Moldagem Fusão da base Incorpora ativo Molde Resfriamento Remoção Cuidados: Arranhões Lubrificação: óleo mineral Calibração: com a base • Compressão Pesa base e ativos Tritura Fusão Obtenção de uma pasta Compressão para molde Fármacos termolábeis Excipientes • Sem efeito irritante e inertes; • Facilidade de fusão, emulsificação ou dissolução nos líquidos locais; • Viscosidade no estado líquido; • Compatíveis com os fármacos; • Não serem polimórficos; • Serem suficientemente hidrofílicos; • Sofrerem contração por resfriamento; • Não interferir na absorção e liberação do fármaco; • Estáveis, inodoros e incolores; • Conservantes: ▫ Parabenos (0,2%) • Antioxidantes: ▫ BHA, BHT, alfa-tocoferol, ácido cítrico → 0,2 – 0,5% • Tensoativos ▫ Co-solubilização de compostos ▫ Lecitina, polissorbatos, colesterol, spans • Corretores de consistências ▫ Ceras, ácido esteárico, álcool cetílico • Corretores de viscosidade e tixotropia ▫ Bases lipofílicas →monoestearato de alumínio 1- 3% • Determinação da quantidade de base: 1) Determinar o volume necessário de base para preencher o molde. Subtrair do volume de ativo prescrito; 2) Subtrair a massa do ativo da massa do supositório → acha massa da base e multiplica pelo total de supositórios 3) Adicionar em vidraria volumétrica os ativos e adicionar base fundida até o total de volume da forma 4) Pelo fator de densidade • Fator de densidade: 1) Fator de deslocamento F= [100 𝐸−𝐺 ] 𝐺 𝑥 𝑋 +1 E: massa do supositório de base; G: massa do supositório com X de ativo Ex.: Preparar supositórios com um fármaco de fator de deslocamento 0,83, usando manteiga de cacau de base, suficiente para 2g. Esse fármaco será na dose de 200mg, com [ ] de 10% no supositório. Qual a massa do supositório? 2) Fator de densidade Determinar o peso médio de um sup. de base (A) Pesar quantidade para 10 sup. Pesar 2g de fármaco (2g/10 = 0,2g) (B) Preparar os sup. e determinar o peso médio (C) Fator de densidade = B/A-C+B Dividir a massa do fármaco pelo fator de densidade Subtrair da massa do sup. Base Ex.: preparar 15 sup de paracetamol 300mg em base de manteiga de cacau. A=2g e C= 1,8g. 3) Volume ocupado Determinar o PM do sup. de base Pesar base para N sup. Dividir a densidade do fármaco pela da base Dividir a massa total de fármaco pela razão da densidade Subtrair o valor anterior pela massa total de base requerida Ex.: preparar supositórios com 150mg de um fármaco de densidade 3,0. A base pesa 2g e tem densidade de 0,9 Características ideais • Ação longa • Alta estabilidade • Inócuo • Incolor e inodoro • Facilidade de uso • Não deve vazar ou provocar manchas nas roupas Características ideias dos fármacos • Partículas menores que 50µm • Solubilidade aquosa • Doses: difícil incorporar doses elevadas • Molhabilidade → uso de tensoativos Liberação • Fundem a T ambiente • Liberação do fármacoFusão • Dissolve e desintegra • Dispersão do conteúdo Desintegração Exemplos de formulações Referências • ALLEN, L. V. Jr.; POPOVICH, N. G.; ANSEL, H. C. Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos. 9ed. [recurso eletrônico] Porto Alegre: Artmed, 2013. 716pISBN 978-85- 65852-84-5. • AULTON, M. E.; TAYLOR, K. M. G. Aulton delineamento de formas farmacêuticas. [tradução Francisco Sandro Menezes]. - 4 ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2016 • BERMAR, K. C. de O. Farmacotécnica - Técnicas de Manipulac ̧ão de Medicamentos. 1. ed. [recurso eletrônico] São Paulo : Érica, 2014.