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Resumo confeccionado pelos ligantes durante o semestre de 21.2 Nome dos ligantes: Nathália Machado, Leandro Fonseca e Anderson Francelo. 1 Doença Diverticular O QUE É? É a presença de divertículos no cólon que são protusões através da mucosa e submucosa do cólon. Isso ocorre devido a um aumento da pressão intraluminal do cólon (pacientes obesos, constipados, tabagistas) e com isso o cólon tenta “escapar” por onde se oferece menos resistência. O local de menor resistência é o local onde entram os vasos que irrigam o cólon, pois eles transpassam as três camadas e formam um defeito milimétrico natural da parede, e quando a pressão aumenta, a parede sofre uma herniação. - Lei de Laplace: quanto mais estreita a luz do cólon, maior a pressão intraluminal. Diverticulose assintomática: o paciente sem manifestações clínicas possui apenas a presença de achados de divertículos ou pseudodivertículos ao exame. Doença diverticular ou diverticulose sintomática: quando além dos divertículos, o paciente apresenta sintomas como sangramento, abscesso, infecção, perfuração e fístulas. Diverticulite: quando ocorre uma infecção no divertículo, causando uma diverticulite aguda, que é um abdome agudo inflamatório. A fisiopatologia é bastante similar à apendicite aguda. Obs: pseudodivertículos são aqueles que acometem mucosa e submucosa apenas, enquanto os divertículos acometem a mucosa, submucosa e serosa. ETIOLOGIA: A etiologia e fisiopatologia da diverticulite não estão totalmente compreendidas e podem variar entre os pacientes. Há muito tempo considera-se que a diverticulite ocorre quando se desenvolve macro ou microperfuração em um divertículo, resultando na liberação de bactérias intestinais e desencadeando inflamação. Mas dados novos sugerem que a diverticulite aguda é mais um processo inflamatório do que infeccioso em alguns pacientes. Além disso, o citomegalovírus pode desencadear essa inflamação; descobriu-se replicação viral ativa no tecido do cólon afetado em mais de dois terços dos pacientes com diverticulite. Um estudo de 2017 sugeriu uma correlação direta entre o consumo de carne vermelha por semana e a incidência de diverticulite . Não há associação entre consumo de oleaginosas, sementes, milho ou pipoca e o desenvolvimento de diverticulite, como se pensava anteriormente. Resumo confeccionado pelos ligantes durante o semestre de 21.2 Nome dos ligantes: Nathália Machado, Leandro Fonseca e Anderson Francelo. 2 QUADRO CLÍNICO: Quadro Clínico - Diverticulose Assintomáticos: maior parte dos casos. Sintomáticos: o principal sintoma é o sangramento e a principal causa de HDB é a doença diverticular complicada. O paciente pode apresentar desconforto, dor e alteração do hábito intestinal. Quadro Clínico – Diverticulite Aguda O quadro é infeccioso e depende da extensão da doença. Dor em QIE com piora progressiva; Quadro agudo; Náuseas e vômitos; Inapetência; Febre baixa; “Plenitude perirretal”. É uma apendicite à esquerda! -> Dor em FIE. Ao exame físico: Dor abdominal localizada em FIE + distensão. ➔ Se perfurou, fezes entram na cavidade abdominal e pode ocasionar uma peritonite: descompressão brusca, defesa involuntária e rigidez de parede. DIAGNÓSTICO: TC de abdome com contraste intravenoso: é o padrão-ouro para diagnóstico de diverticulite aguda, através dele é possível encontrar divertículos, líquido livre pericolônico, abscesso, sinais de inflamação e se houve perfuração. Raio X: excelente exame, pode ser utilizado e será útil para casos como pneumoperitônio. Colonoscopia: excelente para doença diverticular e verificar se há presença de divertículo. Mas em paciente com quadro agudo em emergência, a colonoscopia tem contraindicação absoluta. TRATAMENTO: Inicialmente deve-se estadiar o paciente quanto à classificação de Hinchey: Resumo confeccionado pelos ligantes durante o semestre de 21.2 Nome dos ligantes: Nathália Machado, Leandro Fonseca e Anderson Francelo. 3 Estágio I: abscesso pequeno peridiverticular. Estágio II: grande abscesso estendendo para a pelve, acima de 4-5cm. Estágio III: Perfuração do abscesso e peritonite purulenta. Estágio IV: Perfuração e peritonite fecal, fezes livres em cavidade abdominal. - Se diverticulite não complicada e, portanto, não entra na escala Hinchey significa que o paciente não desenvolveu uma complicação -> tratamento ambulatorial com dieta leve rica em fibras + analgésico. Anteriormente o uso de ATB era recomendado, mas estudos recentes mostraram que não fazia diferença utilizar ciprofloxacino + metronidazol, porém alguns profissionais ainda continuam incluindo no plano terapêutico. - Se diverticulite complicada: depende da escala Hinchey. Hinchey 1: jejum ou dieta leve se o paciente tolerar + analgesia + ATB endovenoso (cipro + metronidazol). Possível alta com 72h, com ATB oral em casa. Hinchey 2: jejum ou dieta leve + analgesia + ATB + drenagem de abscesso (punção percutânea, drenagem laparoscópica ou drenagem aberta – laparotomia). Hinchey 3 ou Hinchey 4: jejum para todos devido a necessidade de cirurgia + analgesia + ATB + cirurgia. Para cirúrgia existem duas opções: 1- Em dois tempos: Hartmann – sigmoidectomia com sepultamento do reto e colostomia terminal. É a técnica mais realizada e mais segura pois não tem necessidade de realizar uma anastomose e até 1/3 dos pacientes acabam ficando com a colostomia definitiva. Primeiro tempo: retira a porção afetada, sepulta o reto e faz uma colostomia com a parte saudável do cólon esquerdo. Segundo tempo: Após 2-3 meses, opera-se novamente o paciente e reconstrói o trânsito. Porém, apenas 2/3 dos pacientes consegue reverter a colostomia. Resumo confeccionado pelos ligantes durante o semestre de 21.2 Nome dos ligantes: Nathália Machado, Leandro Fonseca e Anderson Francelo. 4 2- Em um tempo: Retira a parte afetada do cólon e ao invés de fazer a colostomia, reconstrói-se o trânsito intestinal na mesma cirurgia. Apesar de aparentemente mais vantajosa que a Hartmann, existe a necessidade de realizar uma anastomose, e como toda anastomose, tem risco de deiscência, e com isso, ocorre liberação de fezes para a cavidade abdominal e piora do quadro já bastante grave, aumentando substancialmente a chance de óbito. Não realizar em pacientes com múltiplas comorbidades, idosos, pacientes em choque ou em uso de DVA, pacientes que realizaram múltiplas transfusões e tabagistas; Os dois tipos de cirurgia podem ser realizados por laparotomia ou laparoscopia, as suas são apenas vias de acesso e não a cirurgia em si. A escolha da via depende da gravidade do caso, da idade do paciente, se choque ou uso de DVA, os resultados são proporcionais à experiência da equipe. Existe uma chance de 26% de conversão para cirurgia aberta, e a taxa é maior naqueles pacientes que possuem histórico de cirurgias abdominais prévias. Resumo confeccionado pelos ligantes durante o semestre de 21.2 Nome dos ligantes: Nathália Machado, Leandro Fonseca e Anderson Francelo. 5 MAPA MENTAL: