Dois meses após internação por COVID-19, paciente de 32 anos Paciente de 59 anos, obeso, diabético, sem quadro vacinal completo para Influenza e COVID-19, chega ao Centro de Saúde (CS) com quadro de febre, há quatro dias, tosse seca, sem se queixar de dispneia. Exceto pelo quadro gripal, diz se sentir bem. Tabagismo interrompido há mais de vinte anos. No exame, nota-se que está acianótico, Frequência Respiratória (FR) 28 irpm, Frequência Cardíaca (FC) 98 bpm, saturação de 88%, crepitações teleinspiratórias em base pulmonar direita lateralmente. Foi realizado um Ultrassom (POCUS), que revelou irregularidades na linha pleural e ausência de linhas A no local da ausculta alterada. Diante desse quadro, é CORRETO afirmar: a) No paciente sem dispneia, a saturação baixa deve ser interpretada como erro na leitura e o exame deve ser repetido a cada duas horas. b) Provavelmente, a saturação baixa apresentada pode estar relacionada à DPOC, associada ao Tabagismo, e deve ser relativizada. c) A saturação baixa em pacientes com quadro respiratório agudo, sem falta de ar, pode ser uma Hipoxemia Silenciosa, e o caso deve ser classificado como grave. d) A oferta de O₂ deverá ser feita apenas após o diagnóstico tomográfico, revelando encontro de imagens em vidro fosco em mais de 25% da área pulmonar. e) Nesse caso, a SARA (Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto) relacionada à COVID-19 se deve a complicações bacterianas secundárias, impedindo a troca gasosa. persistência de sintomas. Durante a hospitalização, não necessitou de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva, mas fez uso de oxigênio de alto fluxo e Dexametasona. Não havia sido vacinada previamente e acredita estar imunologicamente protegida após a infecção, motivo pelo qual optou por não se vacinar posteriormente. O sumário de alta descreve Pneumonia viral, com presença de opacidades em vidro fosco à Tomografia Computadorizada (TC). Sem comorbidades prévias e previamente hígida, apresentou melhora do quadro respiratório. No entanto, evoluiu com sintomas persistentes, incluindo ansiedade, dor muscular difusa sem sinais de artrite e fadiga intensa e prolongada, sem melhora há vários meses, sem febre. No exame físico, não são observadas alterações significativas. Exames laboratoriais recentes mostram provas de função hepática e renal dentro da normalidade, assim como radiografia de tórax sem alterações. Diante do quadro, levanta-se a hipótese de condição pós-COVID-19 (COVID-longa). Como orientar essa pessoa no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS)? a) Deve ser iniciado o uso de corticoides (Prednisona ou Dexametasona), por, no máximo, 10 dias, para alívio dos sintomas. Para além desse período, a retirada deverá ser por diminuição progressiva das doses. b) Iniciar o uso de anti-inflamatórios não esteroides, por duas semanas, caso o corticoide oral não traga benefícios, ou até melhora dos sintomas. c) A Radiografia de Tórax deve ser solicitada, dado a alta incidência de Pneumonias no curso da COVID-longa. d) Com exames normais e sem sinais de gravidade deve ser oferecido ajuda psicológica e de apoio, para tranquilizar a paciente, já que a maioria dos sintomas deverão melhorar em algumas semanas, além de recomendar vacinar-se contra a COVID-19 e a Influenza. e) A observação é constante, uma vez que os casos críticos aparecem quando maior for o tempo de evolução dos sintomas; a vacinação, nesse momento, deve ser evitada, dada a chance de efeitos colaterais se mesclaram com a COVID-longa.