A avaliação primária no atendimento ao trauma segue o protocolo XABCDE, e o A (Airway) é o primeiro passo vital, sempre com proteção da coluna cervical. No trauma de face, esse passo ganha destaque porque as lesões faciais podem rapidamente obstruir as vias aéreas. As principais causas de obstrução das vias aéreas nesses pacientes são sangramento intenso (epistaxe, cavidade oral, orofaringe), edema de tecidos moles e hematomas, fraturas de mandíbula, maxila ou ossos nasais que deslocam estruturas, corpos estranhos, dentes quebrados, próteses dentárias, língua posteriorizada (em fratura mandibular), vômitos e secreções. Esses fatores podem bloquear parcial ou totalmente a passagem de ar, levando à hipóxia rapidamente fatal. As etapas da avaliação do “A” no trauma de face corresponde à inspeção e escuta (verifique se o paciente fala, se consegue articular palavras, as vias aéreas estão, por enquanto, pérvias), observe movimentos respiratórios, sons anormais (roncos, estridor, gorgolejos), sons como gorgolejo indicam sangue ou secreções na via aérea; à seguir, o profissional de saúde deve remover obstruções, a saber, aspire secreções, sangue e vômito com sonda rígida, remova dentes soltos e próteses com cuidado e nunca tente forçar a abertura da boca se houver suspeita de fratura de mandíbula ou trismo por fratura de base de crânio; existem manobras para abertura da via aérea, a saber, manobra de elevação do mento (chin lift) ou tracionar o ângulo da mandíbula (jaw thrust) sem hiperextensão do pescoço, pois sempre se deve proteger a coluna cervical até que se prove o contrário e deve haver a imobilização cervical, a fim de manter a coluna cervical estabilizada manualmente ou com colar cervical durante toda a avaliação do “A”. Quando há necessidade de via aérea avançada e se o paciente não mantém via aérea pérvia ou há risco iminente de obstrução, deve-se garantir via aérea definitiva através de intubação orotraqueal com controle cervical (se possível e segura), intubação com videolaringoscópio ou fibrobroncoscópio (em casos complexos), cricotireoidostomia cirúrgica (em obstrução total ou intubação impossível), ou, traqueostomia (em centros especializados). Portanto, em trauma facial grave, a intubação orotraqueal pode ser difícil ou impossível, o profissional deve estar preparado para via aérea cirúrgica de urgência. Isto posto, um paciente com trauma facial apresenta estridor e cianose. Durante avaliação ABCDE, assinale a alternativa correta com a ação prioritária: Opções da pergunta 2: a) Garantir permeabilidade das vias aéreas imediatamente b) Avaliar circulação antes de qualquer intervenção c) Registrar dados antes de agir d) Avaliar pupilas e consciência e) Iniciar reposição volêmica primeiro