Alteridade, justiça e cultura da paz A alteridade diz respeito ao reconhecimento do outro como legítimo em sua singularidade, o que desloca o eu do centro exclusivo das relações e amplia o horizonte ético da convivência. Nesse quadro, a justiça não pode ser reduzida a cálculos de utilidade privada, pois supõe compromisso coletivo com a correção de desigualdades que impedem a existência digna de parte da sociedade. A construção de uma cultura da paz depende, portanto, de práticas que reconheçam direitos, protejam diferenças e sustentem condições materiais mínimas para todos. Ao mesmo tempo, a modernidade consolidou formas de colonialidade que naturalizaram hierarquias raciais, silenciaram saberes e converteram pessoas e territórios em recursos descartáveis. A perspectiva decolonial propõe desfazer essas heranças por meio do reconhecimento de memórias, línguas e símbolos subalternizados, recolocando a afetividade como força ética de vínculo e cuidado. Educação, planejamento e técnica, nesse sentido, deixam de ser neutros: podem reproduzir a opressão ou favorecer a libertação, conforme assumam ou recusem o reconhecimento do outro como sujeito de direitos.