Vista previa del material en texto
cirúrgico primário é recomendado. Com o tempo, a infl ama- ção progride, e os tecidos tornam-se friáveis e podem não ser receptivos ao reparo primário. O determinado período de ouro para fechamento primário de uma perfuração esofágica situa-se entre as primeiras 24 horas. Embora o reparo primá- rio seja usualmente possível neste intervalo de tempo, ele não é de modo algum um período limítrofe mágico. Se um leito saudável de tecido for encontrado durante a ex- ploração cirúrgica, o reparo primário da perfuração é aceitá- vel em qualquer momento. Se uma reação infl amatória grave ou mediastinite estiver presente e os tecidos não forem re- ceptivos ao reparo primário, emprega-se um retalho de mús- culo. Todos os reparos são reforçados com retalhos de tecido saudáveis e amplamente drenados. Se o reparo, primário ou o retalho de músculo falhar, deverá ser feita a ressecção ou ex- clusão do esôfago com esofagostomia cervical, gastrostomia, jejunostomia para alimentação; a reconstrução deverá ser postergada. A ressecção é recomendada para pacientes com perfurações de nível médio e alto. A exclusão é recomendada para perfurações baixas em que a preservação do esôfago é possível ou em qualquer paciente instável no qual a ressecção poderia não ser tolerada. A variável fi nal a considerar no tratamento cirúrgico das per- furações do esôfago é a localização da perfuração. As perfurações torácicas são abordadas através do hemitórax direito para os dois terços superiores do esôfago e pelo hemi- tórax esquerdo para o terço inferior. O espaço intercostal é escolhido com base na localização da perfuração; e o quarto espaço intercostal direito se a perfuração estiver no nível ou acima da carina, sexto espaço intercostal direito para per- furações do esôfago médio ou no sétimo espaço intercostal esquerdo para perfurações do terço inferior do esôfago. As perfurações abdominais são abordadas pelo tórax esquerdo ou pelo abdome. Se a perfuração contaminar livremente o es- paço peritoneal e for verdadeiramente intra-abdominal sem cornponente intratorácico, usa-se uma abordagem abdomi- nal. Entretanto, esta é uma circunstância rara, e a maioria das perfurações do esôfago abdominal é abordada através de uma toracotomia esquerda. Os retalhos de músculo não são facilmente acessíveis nesta área, e, por isso, um reparo primá- rio neste local é protegido por um retalho pleural ou por uma fundoplicatura. Resposta a. 46. O tratamento para ruptura de Mallory-Weiss geralmente tem sido favorável, devido à natureza autolimitada do sangra- mento, juntamente com as tentativas de reduzir náusea e vômito. Mais recentemente, vários métodos de terapia endoscópica têm sido utilizados. Injeção de adrenalina e polidocanol tem mos- trado redução signifi cativa do sangramento e da necessidade de transfusão sanguínea, com encurtamento da permanência no hospital. Ligadura elástica por endoscopia também tem se mos- trado efi caz e em um teste foi equivalente à terapia de injeção. A colocação de clipe endoscópico também foi sugerida como alternativa terapêutica para controlar a hemorragia nas rupturas de Mallory-Weiss. Para pacientes com sangramento persistente, apesar da terapia endoscópica, a embolização angiográfi ca atra- vés da artéria gástrica esquerda pode ser usada. A necessidade de intervenção cirúrgica é rara. Resposta e. 47. A atresia de esôfago sem fístula pode ser classifi cada em três grupos de tratamento, dependendo da avaliação da dis- tância entre os segmentos esofágicos no momento da gas- trostomia, aos dois meses de idade e próximo dos três meses de idade, antes da cirurgia defi nitiva. • Gap ≥ do que duas vértebras • Gap > duas e ≤ quatro vértebras • Gap > 4 vertebras • Coto inferior ausente ou abdominal • A gastrostomia costuma ser um procedimento difícil pelo pequeno tamanho do estômago. Sempre indicar broncos- copia associada para avaliar existência de fístula proximal. • O comprimento do gap pode ser medido em centímetros ou corpos vertebrais. O corpo vertebral mede aproximada- mente 1 cm no bebê a termo. Os corpos vertebrais crescem corn a criança e passam a ser > l cm. A distância em centí- metros vai depender da idade e peso do bebê. Se o gap for menor ou igual a dois corpos vertebrais deve ser realizada anastomose primária. Podem ser usadas manobras cirúr- gicas para diminuir a tensão da anastomose, conforme já descritas anteriormente. • Quando indicado, o alongamento esofágico pela técnica de Foker nao é aconselhado em bebês de baixo peso pela fria- bilidade do tecido esofágico e facilidade do ponto esofágico romper pela tração continuada. Nesse caso, aguardar um período de três meses, esperando um maior crescimento, aumento da espessura da parede esofágica e, só após, utili- zar a técnica de Foker. • Nos casos com gap maior do que 2 cm, a conduta geral pode ser: aspiração contínua do coto superior, alimentação pela gastrostomia e manobras de distensão do coto supe- rior uma vez/dia. Ultimamente, não temos achado neces- sário utilizar a manobra de distensão, aguardando o cres- cimento espontâneo do esôfago (que costuma crescer mais rápido do que a cavidade torácica). • Distensão do esôfago inferior por refl uxo do conteúdo gás- trico. A distância entre os cotos é avaliada mensalmente até um total de três meses. Resposta a. 48. Múltiplas úlceras, localização atípica, incluindo esôfa- go distal e cárdia deve nos fazer suspeitar de síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma). A gastrina basal superior a 200 pg/mL, na ausência do uso de bloqueadores H2 e inibidores da bomba de prótons, suge- re gastrinoma. A taxa acima de 1.000 pg/mL é considerada diagnóstica. O antro residual pós-gastrectomia e a hiperpla- sia de células G do antro gástrico podem produzir sintomas semelhantes aos determinados pelo gastrinoma. Nos casos intermediários (gastrinemia entre 200 e 1.000 pg/mL), o au- mento de 200 pg/mL em 20 minutos da gastrina após estí- mulo de injeção com secretina na dosagem de 2 UI/kg/peso sugerem fortemente o gastrinoma. Resposta b. 15 Anatomia, divertículos, acalasia e temas gerais 165