Text Material Preview
237 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. Posicionamento crítico em forma de poema Fazer a leitura compartilhada do poema com os estudantes. Chamar a atenção para o significado de algumas palavras/expressões que possam cau- sar dificuldade de interpretação: pro- clama (anúncio); reincidência (prática repetida); premência (urgência); itine- rante (que se desloca); açambarcando (tomando com exclusividade); pérgu- las (galerias ou varandas próprias pa- ra passear, caminhar); idiossincrasias (modo particular de um indivíduo ou grupo de se comportar). Se achar oportuno, estimular a leitu- ra em grupos, como em um jogral, para que os estudantes apreciem os efeitos sonoros do texto poético. Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido Posicionamento crítico em forma de poema Leia a seguir um poema que expressa um posicionamento crítico em relação ao mundo da publicidade e do consumo. Relacione-o com as propagandas em estudo e depois converse com os colegas. Eu, etiqueta Carlos Drummond de Andrade Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. [...] Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer principalmente). E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação. Não sou — vê lá — anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética? Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrina me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente. ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 91-93. a) Você gostou do poema? Por quê? b) Qual é a razão de a pessoa que fala no poema se autodenominar “coisa”? c) Você acha que, ao usar um produto, a pessoa, de certa forma, faz propaganda dele? Explique. b. Resposta pessoal. Possibilidade: A pessoa se autodenomina “coisa” porque provavelmente se sente como um objeto, como se perdesse sua personalidade para se tornar algo que o consumismo impõe. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes infiram que, por meio dessa estratégia, além de ser um portador de divulgação dos produtos, o consumidor pode ser manipulado a adquirir o produto. R ic a rd o J . S o u za 237 224-253_Telaris6_LP_LE_MPU_U08_PNLD24.indd 237224-253_Telaris6_LP_LE_MPU_U08_PNLD24.indd 237 7/28/22 3:13 PM7/28/22 3:13 PM 238 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. Língua: usos e reflexão Verbo: usos dos modos verbais Habilidades da BNCC: EF69LP05, EF69LP17, EF69LP28, EF69LP56, EF67LP32, EF06LP04, EF06LP05 Ponto de checagem – Avaliação processual/formativa Para desenvolver esta etapa sobre o estudo do verbo, é aconselhável que se- ja feita breve aferição para localizar es- tudantes que possam ainda não ter se apropriado do conceito de verbo, identi- ficando-o em orações, bem como ainda não tenham se apropriado de algumas características das formas verbais como identificação de tempo, pessoa e número. Sugestão para superar defasagens: Por meio de pequenos textos escritos na lousa – manchetes de jornais, pe- quenos poemas, trechos de histórias –, estimular os estudantes a localizar as formas verbais, identificando a quem se referem (pessoa/sujeito), número e tempo. Sugere-se que a parte inicial – até a atividade 5 – sobre os modos do verbo seja lida e desenvolvida coletivamente, com mediação passo a passo feita pe- lo professor. A compreensão dos efeitos de senti- do produzidos pelos modos verbais é um conteúdo mais complexo para os estu- dantes e deve ser desenvolvido paula- tinamente, considerando-se que é uma reflexão que exige abstração para depre- ender efeitos de sentido dos usos de mo- dos verbais. O efeito de sentido do em- prego de modos verbais é um conteúdo fundamental tanto para a compreensão de intencionalidade na comunicação co- mo para uma produção de textos mais consistente e coerente. A integração en- tre os modos verbais em um texto é um dos elementos que garantem a unidade e a coesão textual. Considera-se tam- bém que esse é um conteúdo que de- ve ser sistematicamente retomado pelo professor, em textos, sempre que surgir a oportunidade de comentar efeitos de sentido produzidos pelo emprego de di- ferentes modos verbais. José Carlos de Azeredo, na Gramática Houaiss da Língua Portuguesa (2014, p. 209), afirma que há a distinção tradicio- nal de modos verbais – indicativo, subjun- tivo, imperativo –, mas também há outros recursos de modalização para expres- sar atitudes do falante: uso de verbos como saber, duvidar, supor, e advérbios, como talvez, sinceramente, obviamente, etc. Evanildo Bechara (2019, p. 235, 242 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido Língua: usos e reflexão Verbo: usos dos modos verbais Várias entidades abraçaram a causa da proteção animal. Leia outro cartaz sobre esse tema. L NÃO ESCREVA NO LIVRO. Ponto de checagem Cartaz da campanha Dezembro Verde. Tijucas (SC), 2021. 1 Vamos analisar as ideias que os verbos expressaram nas frases do cartaz. Diga não ao abandono e maus-tratos de animais. Caso você presencie um animal de rua debilitado ou em situação de maus-tratos, denuncie ao GOR. No caderno, relacione cada uma das formas verbais destacadas acima (números de 1 a 3) às ideias que podem expressar. a) Indica certeza de quem fala e que o fato é real, certo. b) Indica possibilidade, algo que pode ou não acontecer. 2 c) Indica ordem, apelo, pedido, conselho, súplica. 2 Veja a seguir frases de outro cartaz lido por você nesta unidade. Esse PET é descartável. Abandono é crime. No caderno, indique qual das alternativas a seguir corresponde às ideias que as formas verbais 1 e 2 podem expressar. a) Indica certeza de quem fala e que o fato é real, certo. b) Indica possibilidade, algo que pode ou não acontecer. c) Indica ordem, apelo, pedido, conselho, súplica. 3 Compare as frases dos dois cartazes. a) Que diferenças podemos notar entre a forma de expressar as ideias do cartaz da atividade 1 e a do car- taz da atividade 2? b) Na sua opinião, em qual dos cartazes os verbos convencem melhor o leitor sobre o tema da campanha? 3a. Na atividade 1, há ideia de possibilidade(“caso você presencie”) e apelo, pedido (“Diga”, “denuncie”). Na atividade 2, as frases fazem afirmações, expressando a certeza de quem fala. (1) (2) (3) 1 e 3 (1) (2) Resposta pessoal. Os estudantes podem escolher o cartaz da atividade 1, por expressar de forma mais clara o pedido, a orientação; e podem escolher o cartaz da atividade 2, por trazer certezas sobre as ideias expressadas na campanha. x GOR é a sigla de Grupo de Operações e Resgate. L a ri s s a S o u za /P re fe it u ra d e T iju c a s 238 e 243), para abranger outras atitudes ou modos, inclui, por exemplo, os modos optativo e condicional. Nesta unidade, é dada uma ideia sobre alguns desses recursos de modaliza- ção, mas o foco serão os modos indicativo, subjuntivo e impe- rativo, desenvolvendo as habilidades EF06LP04 e EF06LP05. Atividades 1 e 2 Essas atividades iniciais têm por objetivo que o estudan- te faça a relação entre a forma verbal e a ideia de modo expressa. Observar que nessas atividades não há a preo- cupação com uma classificação, mas apenas com a iden- tificação dos efeitos de sentido produzidos. Atividade 3 Nessa atividade, o estudante deve comparar efeitos de sentido que escolhas de uma ou outra forma verbal podem produzir e, nesse caso específico, comparar efeitos de con- vencimento da peça publicitária. 224-253_Telaris6_LP_LE_MPU_U08_PNLD24.indd 238224-253_Telaris6_LP_LE_MPU_U08_PNLD24.indd 238 07/08/2022 17:5907/08/2022 17:59