Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Autor: Prof. Euclides Pedrozo Jr.
Colaboradores: Profa. Ivy Judensnaider
 Prof. Maurício Felippe Manzalli
Desenvolvimento 
Socioeconômico 
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Professor conteudista: Euclides Pedrozo Jr.
Economista pela Universidade São Judas Tadeu. Mestre e doutor em Economia pela Fundação 
Getúlio Vargas – SP. Atualmente, é professor titular da Universidade Paulista (UNIP) no curso 
de Ciências Econômicas. Também leciona como professor convidado nos cursos de mestrado 
profissionalizante em Economia da EESP/FGV e de pós-graduação em Direito dos Contratos na FGV 
Direito SP-GVLaw. Como pesquisador e consultor, possui larga experiência em avaliação de impacto 
socioeconômico de políticas públicas, organização industrial e economia internacional. Autor dos 
livros-texto Microeconomia em Concorrência Perfeita, Microeconomia em Concorrência Imperfeita 
e Economia Internacional.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
P372d Pedrozo Junior, Euclides.
Desenvolvimento socioeconômico. / Euclides Pedrozo Junior. – 
São Paulo: Editora Sol, 2017.
168 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII, n. 2-070/17, ISSN 1517-9230.
1. Desenvolvimento socioeconômico. 2. Desigualdade social. 3. 
Indicadores sociais. I. Título.
CDU 330.34
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Aline Ricciardi
 Ricardo Duarte
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Sumário
Desenvolvimento Socioeconômico
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: INDICADORES E CONCEITOS ................................................ 11
1.1 Sobre as diferenças de riqueza entre as nações ...................................................................... 12
1.2 A diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico ........................................ 22
1.3 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ............................................................................... 25
2 DESIGUALDADE E POBREZA ....................................................................................................................... 34
2.1 Desigualdade econômica: noções preliminares ....................................................................... 35
2.2 Medidas de desigualdade econômica .......................................................................................... 37
3 CURVA DE KUZNETS E RAZÃO DE KUZNETS ........................................................................................ 44
4 POBREZA ............................................................................................................................................................. 46
4.1 Pobreza absoluta................................................................................................................................... 47
4.2 Pobreza relativa ..................................................................................................................................... 51
Unidade II
5 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO ........................................................ 58
5.1 As teorias clássicas sobre desenvolvimento .............................................................................. 58
5.1.1 Adam Smith e os fundamentos do crescimento econômico ................................................ 60
5.1.2 Ricardo e a Lei dos Rendimentos Decrescentes ......................................................................... 62
5.1.3 Malthus e a dinâmica demográfica ................................................................................................. 65
5.1.4 A visão marxista ...................................................................................................................................... 66
5.2 Teorias sobre crescimento econômico do século XX ............................................................. 68
5.2.1 O modelo das mudanças estruturais ............................................................................................. 68
5.2.2 O enfoque da dependência internacional ................................................................................... 70
5.2.3 O modelo dos estágios de crescimento ........................................................................................ 71
5.2.4 A abordagem neoclássica ou a nova teoria do crescimento ................................................ 73
5.2.5 A teoria do desenvolvimento econômico de Schumpeter ..................................................... 74
6 TEORIAS FORMAIS SOBRE PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ................................................................ 78
6.1 Modelo Harrod-Domar ...................................................................................................................... 78
6.1.1 Efeito demanda do investimento ..................................................................................................... 79
6.1.2 Efeito capacidade produtiva do investimento ............................................................................ 80
6.1.3 Crescimento equilibrado de longo prazo ...................................................................................... 81
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
6.1.4 Taxa de crescimento do PIB por trabalhador e financial gap ............................................... 83
6.1.5 Equilíbrio do fio da navalha ............................................................................................................... 85
6.2 A contabilidade do crescimento econômico ............................................................................. 88
6.2.1 Função de produção .............................................................................................................................. 88
6.2.2 Fronteiras de possibilidade de produção (FPP) e eficiência produtiva .............................. 94
6.2.3 O conceito de produtividade ..............................................................................................................97
6.2.4 Decomposição da taxa de crescimento ......................................................................................... 98
6.2.5 Estimação empírica da taxa de crescimento da produtividade total 
de fatores (PTF) .................................................................................................................................................105
Unidade III
7 O MODELO DE SOLOW ................................................................................................................................110
7.1 Acumulação de capital e estado estacionário ........................................................................111
7.2 Crescimento equilibrado..................................................................................................................116
7.3 O nível ótimo de acumulação de capital ..................................................................................121
7.4 Crescimento demográfico e tecnologia ....................................................................................125
7.5 Estática comparativa ........................................................................................................................135
7.5.1 Aumento na taxa de crescimento demográfico ...................................................................... 135
7.5.2 Aumento na taxa de progresso técnico ...................................................................................... 137
8 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E CAPITAL HUMANO...............................................................................143
8.1 Definição de capital humano ........................................................................................................144
8.2 O modelo de Solow com trabalho qualificado .......................................................................148
8.3 O modelo de Solow com trabalho ajustado à produtividade ..........................................156
7
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
APRESENTAÇÃO
Em Eat the Rich, um livro clássico de divulgação da Economia, o autor P. J. O’Rourke fez uma 
constatação constrangedora. Ele disse mais ou menos o seguinte: 
A microeconomia trata das coisas a respeito das quais os economistas estão 
especificamente equivocados; ao passo que a macroeconomia trata das 
coisas a respeito das quais os economistas se equivocam de modo geral 
(O’ROURKE, 1999, p. 12).
Essa declaração mostra o quanto é difícil entender a economia, principalmente quando estamos 
interessados em melhorar o bem-estar da população ou aumentar a riqueza de um país. Economistas 
formados na tradição clássica acreditam que a riqueza das nações é produzida a partir de uma 
combinação de:
• recursos de capital produzidos pelo homem, como a infraestrutura dos países (composta por 
estradas, portos, aeroportos, edificações etc.), fábricas, maquinários, instalações e sistemas 
de telecomunicações;
• recursos humanos ligados à educação, acesso ao conhecimento, capacidade de trabalho e ética;
• recursos tecnológicos como a capacidade inventiva, o know-how e os equipamentos de 
alta tecnologia;
• recursos naturais como terra agricultável abundante, jazidas minerais e acesso à energia 
limpa e barata.
Assim, quanto mais um país apresentar estoques importantes dos recursos citados, maior a capacidade 
de criar produtos e mais rápido ele crescerá. Em outras palavras, quanto maior for a possibilidade de 
combinação dos fatores elencados, maior a probabilidade de crescimento econômico dos países, e 
consequentemente a renda de seus habitantes se elevaria.
Quando observamos o crescimento econômico que países como Coreia do Sul, China, Taiwan, 
Cingapura, Botswana e Chile vêm alcançando – dobrando seu Produto Interno Bruto (PIB) a cada dez 
anos –, a teoria proposta parece razoável. Apesar da importância do crescimento econômico, muitos 
países pobres não crescem tanto quanto os ricos ou, pior ainda, crescem menos. Outros países, como 
Camarões, Níger ou Venezuela, estão se tornando mais pobres ainda ao longo do tempo.
O que a teoria não mostra é que muitas vezes a abundância de recursos isoladamente não significa 
diretamente crescimento econômico. Alguns países passaram a crescer após um grande empurrão, 
via empréstimos oficiais, por exemplo. Outros países começaram a crescer quando entenderam que 
deveriam investir massivamente em educação, infraestrutura e desenvolvimento de tecnologias. Existem 
ainda casos de nações que procuraram reduzir as burocracias internas dos governos ou melhorar a 
regulamentação dos serviços concedidos à iniciativa privada.
8
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Mas também é fato que outros países, mesmo estando bem posicionados em termos de recursos 
naturais, não conseguiram crescer devido a mazelas institucionais, como corrupção, violência, ausência 
de liberdades civis e fechamento ao comércio internacional por questões ideológicas. Há ainda, como 
apontam diversos autores, a grande questão ligada à desigualdade: quanto pior a distribuição da renda 
nos estágios iniciais do crescimento, maior será a incidência de pobreza – e o excesso de pobreza pode 
implicar um círculo vicioso que diminui as chances de o país crescer de modo sustentável.
Ao longo deste livro-texto, buscaremos, de uma maneira ampla, entender os fatos que marcam 
a vida cotidiana dos cidadãos de cada país e condicionam seu futuro. Por trás desses fatos, está o 
que chamamos de processos de crescimento e de desenvolvimento socioeconômico, sobre os quais 
teorizaremos identificando os fatores que explicam tais ações. Desse esforço surgirá a compreensão de 
algumas relações econômicas que nos possibilitarão um aprofundamento maior na discussão sobre a 
história e o desenvolvimento das nações.
Inicialmente, faremos uma primeira aproximação aos temas complexos com os quais vamos lidar ao 
longo do livro-texto, dedicando-nos a lançar as grandes questões do crescimento e do desenvolvimento 
socioeconômico. Com base nelas, poderemos então traçar uma primeira distinção conceitual entre os 
dois tipos de processo, definindo o escopo deste livro e delineando, em grandes linhas, os fenômenos 
com os quais vamos lidar.
O livro-texto ora apresentado é uma introdução ao desenvolvimento socioeconômico ou, 
simplesmente, econômico. Ele é destinado a estudantes que estão tomando seu primeiro contato com o 
assunto. O nível de exigência não é maior do que o padrão em cursos introdutórios de Economia. Aqueles 
que tiveram os fundamentos básicos da teoria micro e macroeconômica vão encontrar as ferramentas 
necessárias para a compreensão dos modelos ensinados no contexto deste livro.
Este livro-texto não tem, como objetivo principal, seguir rigorosamente todos os modelos micro 
e macroeconômicos associados ao desenvolvimento econômico. Mas ele servirá para o propósito de 
traçar os modelos básicos que descrevem os processos de desenvolvimento e crescimento econômico 
das diversas nações. Por conta disso, sempre que possível, indica-se ao aluno complementar os tópicos 
contidos aqui com a leitura de livros indispensáveis sobre esse assunto, tais como Ray (1998), Valdés 
(1999), Barro e Sala-i-Martin (2004) e Jones e Vollrath (2015). Uma obra em especial, Easterly (2004), 
trata das questões do crescimento econômico de forma bastante assimilável e pode ser utilizada para 
entender melhor os mecanismos de prosperidade das nações. Questões relacionadas ao desenvolvimento 
econômico no Brasil podem ser encontradas em Veloso et al. (2013).
Por ser uma obra condensada, o texto corrido é substituído pela apresentação de modelos, gráficos 
e muitos exemplos de aplicação. Para aqueles alunos com dificuldades na utilizaçãode ferramentas 
micro e macroeconômicas, é indicada a leitura, respectivamente, de Pindyck e Rubinfeld (2010) e 
Blanchard (2012). 
Por fim, apesar de o conhecimento dos modelos econômicos e da realização dos exercícios serem 
essenciais para a formação do aluno, também é preciso que você absorva a intuição por trás dos modelos. 
Ou seja, é necessário ter uma compreensão elementar sobre o funcionamento do desenvolvimento 
9
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
econômico das diversas nações. As ferramentas aqui apresentadas são utilizadas para analisar algumas 
das questões mais importantes da sociedade contemporânea, tais como crescimento econômico, 
desigualdade e pobreza. Sem recorrer a gráficos e equações, alguns livros de divulgação da ciência 
econômica ajudam bastante a entender esses problemas de maneira objetiva. Os principais autores 
nesse sentido, além do citado Easterly (2004), são Harford (2007, 2016), Wheelan (2014), Chang (2015) 
e Acemoglu e Robinson (2012).
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
O objetivo da disciplina Desenvolvimento Socioeconômico é apresentar ferramentas analíticas e 
modelos de avaliação do impacto das políticas públicas e macroeconômicas no bem-estar da sociedade. 
Além disso, a disciplina também procura familiarizar o aluno com os problemas do desenvolvimento 
econômico por meio de conceitos e práticas. Paralelamente às teorias e aos modelos que serão 
apresentados, a evidência empírica, suporte indispensável a todo estudo sério em Economia Aplicada, 
estará presente ao longo deste livro-texto.
A princípio, buscaremos uma primeira aproximação com os temas complexos de que vamos tratar ao 
longo do livro-texto. Para isso, lançaremos as grandes questões do crescimento e do desenvolvimento 
econômico. Entre os principais conceitos a serem analisados, podemos destacar:
• as diferenças entre ricos e pobres e os problemas associados aos diferentes níveis de bem-estar 
dos países;
• a questão dos indicadores de desenvolvimento e sua diferenciação em relação ao 
crescimento econômico; 
• a importância da desigualdade de renda e da pobreza.
Depois, nos preocuparemos com as teorias sobre o crescimento econômico. Iniciaremos a discussão a 
partir das teorias clássicas de Adam Smith, David Ricardo e Thomas Malthus. Daí seguiremos para as teorias 
mais recentes, com destaque, por exemplo, para a teoria dos estágios de crescimento de W. W. Rostow. 
Também serão mencionadas as teorias formais sobre crescimento de cunho keynesiano, como as que dizem 
respeito ao acúmulo de poupança e investimento (modelo Harrod-Domar) e a conhecida contabilidade do 
crescimento, que destaca o papel da produtividade total dos fatores de produção.
Na sequência do livro-texto, examinaremos outras questões fundamentais para o crescimento 
e desenvolvimento econômico. Trataremos da mais importante teoria sobre o crescimento e a mais 
defendida em função de seu poder intelectual e empírico: o modelo de Solow. Discutiremos esse modelo 
em torno de níveis de desenvolvimento e distribuição mundial de renda per capita. Por fim, destacaremos 
a evolução mais recente da teoria do crescimento econômico: o motor do crescimento econômico. Para 
tanto, estudaremos a ação central que o capital humano e as instituições estão produzindo para revelar 
as diferenças nos estágios de desenvolvimento das nações.
11
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Unidade I
1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: INDICADORES E CONCEITOS
A riqueza de uma nação é resultado da produção de bens e serviços levada a cabo por organizações 
de pessoas com um propósito comum. Essas organizações – comumente chamadas de firmas – 
podem ser empresas, associações, cooperativas ou o próprio governo. Essas firmas empreendem 
a extração (de minérios e produtos vegetais), a criação de animais, o plantio, a transformação 
de matérias-primas em bens manufaturados, a edificação e a construção de grandes obras de 
infraestrutura, o comércio de bens móveis e imóveis (como residências) e a prestação de serviços, 
para outras empresas, para o Estado ou para as famílias.
Em cada etapa do processo produtivo, as organizações empregam fatores de produção – terra, 
capital e trabalho, em essência – e, uma vez produzidos, os bens são transacionados por elas no 
mercado e geram a renda, a qual é distribuída entre as pessoas que compartilharam o propósito 
comum. A renda é distribuída para os indivíduos na forma de salários, lucros e aluguéis, e é despendida 
por cada agente econômico na aquisição de bens e serviços que satisfazem às necessidades humanas 
de alimentação, moradia, transporte, saúde e lazer, entre tantas outras, gerando bem-estar. Essas 
relações que produzem o acúmulo de riqueza dos países podem ser entendidas com base no fluxo 
circular da renda (figura a seguir). 
Firmas Governo Indivíduos
Mercado de 
bens e serviços
Mercado de 
fatores de 
produção
Receita
Receita das 
empresas 
Custo de 
produção 
Custo 
de vida 
Renda 
familiar
Salários, 
aluguéis, lucro 
Insumos de 
produção 
Venda de bens 
e serviços 
Bens e serviços públicos 
e subsídios
Bens e serviços públicos 
e subsídios
Taxas e 
impostos
Taxas e 
impostos
Trabalho, terra, 
capital
Compra de 
bens e serviços
Consumo
Renda
Figura 1 – Fluxo circular da renda
12
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
 Observação
No processo produtivo, são gerados um fluxo de bens e serviços (ou 
fluxo real) e um fluxo de rendimentos (ou fluxo nominal). O fluxo real, 
ou seja, as mercadorias produzidas, é dirigido ao mercado para suprir as 
necessidades de consumo. O fluxo nominal, ou seja, as rendas geradas no 
processo produtivo, destina-se ao consumo e à poupança. 
Além do setor família, que consome bens e serviços e oferta insumos de produção (trabalho, terra e 
capital), e do setor empresas, que produz todos os bens e serviços da economia e emprega os insumos no 
processo de produção, existe outro setor institucional: o governo ou setor público. O governo arrecada 
impostos da venda de bens e serviços e taxas sobre a renda das famílias. Com a receita dos tributos, ele 
poderá fornecer bens e serviços públicos ou subsidiados às famílias e às firmas.
A renda e o produto agregados de uma economia são o somatório do valor adicionado pelas empresas 
que a compõem. Esse valor adicionado, por sua vez, é a soma da massa salarial e dos lucros de todas as 
firmas envolvidas no processo produtivo. Mantidos constantes todos os preços da economia – dos bens, 
da mão de obra (salários) e do capital (aluguel) –, um aumento no valor adicionado de uma empresa só 
será possível com o emprego de mais unidades de trabalho ou de capital, ou seja, com a expansão dos 
fatores empregados – ou, como veremos adiante, com o emprego mais eficiente dos fatores já existentes 
(aumento da produtividade).
O fluxo circular da renda, no entanto, não mostra uma questão fundamental: as diferenças 
nos padrões de vida dos países. Essas diferenças podem refletir-se em diversos fatores, como a 
produtividade do trabalhador e os distintos padrões de consumo de bens e serviços. Ademais, é 
extremamente complicado avaliar o padrão de vida de um país sem a utilização de uma unidade 
de medida única.
Mesmo quando essa unidade de medida é encontrada, existe grande heterogeneidade na trajetória 
de crescimento econômico dos países. Alguns países relativamente pobres há cinquenta anos se 
tornaram potências econômicas no período recente, como é o caso dos tigres asiáticos. Outros países 
permaneceramestagnados, como grande parte da América Latina. Nas subseções seguintes, serão 
apresentados os principais fatos estilizados de crescimento econômico das últimas décadas e uma 
análise do debate sobre a diferença entre desenvolvimento e crescimento econômico.
1.1 Sobre as diferenças de riqueza entre as nações
Quando se observam as estatísticas socioeconômicas de diferentes nações, a imagem que vem à 
mente é a de um enorme fosso entre nações ricas e pobres, as quais desfrutam de níveis de riqueza 
e de bem-estar bastante contrastantes. E, quando é focalizada a evolução da riqueza dos países ao 
longo do tempo, nota-se que persiste e, por vezes, se aprofunda o contraste, revelando, por um lado, o 
cenário de nações em franco processo de expansão da riqueza e, por outro, o retrato de estagnação ou 
13
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
declínio do nível de vida de outras nações. Serão apresentados diversos indicadores socioeconômicos 
com ilustrações dessas características apontadas, que estilizam os fatos que retratam as diferenças no 
desenvolvimento dos países.
Para estabelecer as comparações, foram selecionadas estatísticas socioeconômicas de 21 países, 
compiladas a partir do banco de dados Penn World Tables (PWT) versão 9.0 (UNIVERSITY OF GRONINGEN, 
[s.d.]). A relação completa dos países selecionados pode ser verificada no quadro a seguir.
 Saiba mais
O banco de dados Penn World Table (PWT) é um conjunto de informações 
de contas nacionais desenvolvido e mantido pela Universidade da 
Califórnia (Davis) e pelo Groningen Growth Development Centre da 
Universidade de Groningen (Holanda). Trata-se da principal base de 
dados para análises comparativas de desenvolvimento e crescimento 
econômico. Sucessivas atualizações ocorreram ao longo do tempo e 
atualmente constam dados sobre capital, educação, produtividade, 
emprego e população de 167 países de um longo período (1950-2014). 
A versão mais atual do banco de dados é a PWT 9.0. Esses dados podem 
ser obtidos gratuitamente no seguinte link: 
UNIVERSITY OF GRONINGEN. Groningen Growth and Development 
Centre. Penn world table. [s.d.] Disponível em: <http://www.rug.nl/ggdc/
productivity/pwt/>. Acesso em: 14 mar. 2017. 
Quadro 1 – Amostra de 21 países do PWT utilizados na análise dos fatos estilizados
País Abreviatura Continente Unidade monetária
África do Sul ZAF África Rand
Etiópia ETH África Birr
Nigéria NGA África Naira
Canadá CAN América do Norte Dólar canadense
Estados Unidos USA América do Norte Dólar estadunidense
México MEX América do Norte Peso mexicano
Argentina ARG América do Sul Peso argentino
Brasil BRA América do Sul Real
Chile CHL América do Sul Peso chileno
China CHN Ásia Yuan (Renminbi)
Coreia do Sul KOR Ásia Won
Índia IND Ásia Rúpia indiana
14
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Japão JPN Ásia Iene
Tailândia THA Ásia Baht
Alemanha DEU Europa Euro
Espanha ESP Europa Euro
França FRA Europa Euro
Grã-Bretanha GBR Europa Libra esterlina
Itália ITA Europa Euro
Portugal PRT Europa Euro
Austrália AUS Oceania Dólar australiano
O primeiro problema que temos para avaliar o tamanho de uma economia é encontrar uma unidade 
de medida única e mensurável sempre na mesma escala. O principal indicador adotado na visualização 
do contraste entre nações pobres e ricas é o PIB. 
O PIB também é a unidade de medida mais importante das contas nacionais e contabiliza, de 
uma só vez, o valor adicionado agregado por todas as organizações de uma economia, num dado 
período de tempo, e a renda apropriada pelos proprietários dos meios de produção. O PIB, portanto, 
representa uma síntese do esforço produtivo de um país e seus incrementos na geração de renda 
em determinado período.
 Observação
O Produto Interno Bruto (PIB), a produção interna na economia aberta 
com governo, é igual à soma dos gastos de todos os agentes econômicos, 
domésticos e estrangeiros, em bens produzidos domesticamente.
Na comparação que se busca estabelecer entre os níveis de renda e de bem-estar de diferentes 
países, a preocupação que emerge está relacionada à unidade de medida dessa riqueza. Cada nação 
tem uma moeda, que não é necessariamente exclusiva desse país (o euro, por exemplo), na qual as 
operações econômicas são contabilizadas. As diversas unidades monetárias (dólar, euro, real, iene etc.) 
expressam as taxas de troca de diferentes unidades monetárias nacionais por bens e serviços. Como as 
taxas de troca entre moedas – as taxas de câmbio – são disponibilizadas estatisticamente, o primeiro 
procedimento necessário é a conversão do PIB de cada país em uma única unidade monetária. 
 Observação
Para converter o PIB de um país em um determinado ano, por exemplo, o do 
Brasil, em dólares norte-americanos (US$), deve-se aplicar a seguinte fórmula:
Brasil
Brasil R$
US$ R$
US$
PIB
PIB
taxa de câmbio média anual
=
15
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Por conveniência, trabalharemos inicialmente com o dólar estadunidense ou norte-americano (US$). 
E, como lidamos com a renda em diferentes momentos do tempo, fixaremos um ano de referência para 
o qual se assume um índice de preços-base para todos os países. Assim, sempre iremos nos referir ao PIB 
do país de um determinado ano, mas a preços de outro ano-base do índice de preços.
O gráfico da figura a seguir (UNIVERSITY OF GRONINGEN, [s.d.]) ilustra o PIB do ano de 2014 em dólares 
norte-americanos dos 21 países selecionados, a preços de 2011. Entre eles, figuram nações ricas, como os 
Estados Unidos, e nações pobres, como a Etiópia. Também estão presentes países que apresentam níveis de 
renda medianos, como Brasil, México e Coreia do Sul. A discrepância é marcante: a soma do PIB dos cinco 
primeiros países que figuram no gráfico (US$ 16,5 trilhões dos Estados Unidos, US$ 9,8 trilhões da China, 
US$ 4,5 trilhões do Japão, US$ 3,7 trilhões da Alemanha e US$ 2,7 trilhões da Grã-Bretanha) supera em 
cerca de 2/3 a soma da renda das demais 16 nações, ilustrando a concentração da renda mundial num 
pequeno número de países. Mesmo entre os mais ricos, existe uma enorme desigualdade: só a economia 
dos Estados Unidos é maior que a dos rivais mais próximos, a China e o Japão. Observe, também, que o 
Brasil apresenta o sétimo maior PIB da lista, à frente de países como Itália e Canadá.
18.000
16.000
14.000
12.000
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
US
$ 
Bi
lh
õe
s
USA CHN JPN DEU GBR FRA BRA IND ITA CAN AUS KOR ESP MEX ARG NGA THA ZAF CHL PRT ETH
Figura 2 – PIB em 2014 (US$ de 2011)
Mas essa medida de riqueza não é a mais adequada para avaliar o bem-estar. Como já descrito, o fim 
dessa riqueza é o consumo de bens e serviços, e estes podem ter preços distintos em diferentes países, 
o que provoca um desvio importante em termos do que se pretende medir. Por exemplo, US$ 1.000 é 
um valor monetário suficiente para alugar um imóvel modesto (uma quitinete, por exemplo) em Nova 
York, mas com esse dinheiro é possível arrendar um apartamento de alto padrão em Santiago, capital 
do Chile. Uma refeição simples em um restaurante de Roma custava, em julho de 2014, por volta de 15 
euros, valor com o qual se compravam quase três dessas refeições em um restaurante do mesmo porte 
em Buenos Aires, Argentina. Para corrigir essas distorções, é necessário aplicar um fator de conversão 
16
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
adicional, que ajuste a renda de cada país à paridade do poder de compra (PPC) de cada moeda. Essa 
conversão, enfim, permite uma comparação mais adequada dos níveis de renda, agora entendidos como 
níveis de poder de compra.
 Observação
Paridade do poder de compra (PPC) é a teoria que propõe que a 
taxa de câmbio entre duas moedas se encontra em equilíbrio quando o 
poder de compra doméstico das moedas (medido pela taxa de inflação) for 
equivalente ao da taxa de câmbio.
A figura a seguir ilustra o PIB de 2014 (UNIVERSITY OF GRONINGEN, [s.d.]), a preços de 2011, ajustados 
à PPC dos mesmos 21 países selecionados. A discrepância ainda é marcante, mas as diferenças diminuem, 
pois, em geral, os países ricos têm níveis de preços mais elevados que os dos países pobres. O PIB da 
China, que assume o primeiro posto nessa nova base de comparação, sobe de quase US$ 10 trilhões para 
cerca de US$ 17 trilhões, visto que lá os preços das mercadorias em dólares são mais baratos que nos 
Estados Unidos. Em outras palavras, a comparação em unidades monetárias ajustadas à PPC nos diz que 
as discrepâncias de consumo não são tão acentuadas quanto as discrepâncias de renda. Nessa mesma 
base de comparação, o PIB do Brasil ajustado à PPC salta para a sexta colocação.
18.000
16.000
14.000
12.000
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
US
$ 
Bi
lh
õe
s
CHN USA IND JPN DEU BRA FRA GBR ITA MEX KOR ESP CAN AUS NGA THA ARG ZAF CHL PRT ETH
Figura 3 – PIB em 2014 (US$ de 2011, ajustados à PPC)
Mas há ainda um aspecto que dificulta a comparação estabelecida anteriormente: o tamanho da 
população de cada nação. Note que duas economias que possuem padrões de vida medianos – México 
e Brasil – figuram com PIB acima da Espanha e do Canadá. Esses dois últimos países apresentam um 
padrão de bem-estar reconhecidamente maior que o dos dois países da América Latina. Se o objetivo 
17
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
é medir o padrão de consumo dos países, devemos medi-lo considerando as diferenças de população, 
numa aproximação da disponibilidade média de bens de consumo, ou ainda da quantidade de bens de 
consumo que o cidadão de cada país dispõe, em média, ao longo de um ano. É o que mostra o gráfico 
da figura a seguir (UNIVERSITY OF GRONINGEN, [s.d.]).
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
M
il 
US
$
USA DEU AUS CAN GBR FRA ITA JPN KOR ESP PRT CHL ARG MEX BRA THA CHN ZAF NGA IND ETH
Figura 4 – PIB per capita em 2014 (US$ de 2011, ajustados à PPC)
A medida usual para análise da disponibilidade média de consumo é o PIB per capita, ou seja, o PIB 
total do país dividido pela sua população. O PIB per capita apresenta diferenças de renda, ainda grandes, 
mas, agora, pode ter uma conotação distinta. Um cidadão norte-americano, por exemplo, desfrutava de 
um poder de compra de aproximadamente US$ 52,2 mil em 2014, valor quase 10 vezes maior que o de 
um nigeriano e 3 vezes maior que o de um mexicano. Observe ainda que o PIB per capita do Brasil (de 
aproximadamente US$ 14,9 mil em 2014) cai para o décimo quinto posto nessa base de comparação. 
O PIB chinês, por sua vez, que era o maior em termos absolutos, passa para a 17ª colocação em termos 
per capita. Isso dá uma mostra de que a China, apesar do enorme progresso recente, ainda está distante 
dos países mais ricos.
Mas essas comparações ainda não nos dão uma boa ideia das discrepâncias de renda entre países, pois 
são poucos os países com renda per capita próxima à dos Estados Unidos, ao passo que são muitos aqueles 
cuja renda per capita se aproxima da nigeriana. O mapa apresentado na figura a seguir (UNIVERSITY OF 
GRONINGEN) revela, em cores, o contraste entre os diversos PIBs per capita – do claro, países de baixa 
renda per capita, ao escuro, países de alta renda per capita. Vê-se que a grande zona tropical (região 
ao longo da Linha do Equador e delimitada pelos Trópicos de Câncer e Capricórnio) contrasta com as 
regiões temperadas do planeta (região acima e abaixo dos Trópicos de Câncer e Capricórnio). De modo 
geral, portanto, há uma clara demonstração de que os países de clima mais frio apresentam melhores 
condições de vida do que os países de clima mais quente.
18
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
PIB per capita (USD-PPP)
não disponível
até 750
750 - 1.500
1.500 - 4.500
4.500 - 8.000
8.000 - 15.000
acima de 15.000
Figura 5 – Distribuição internacional da renda – PIB per capita em 2014 (US$ de 2011, ajustados à PPC)
Uma forma alternativa de vislumbrar as diferenças na distribuição de renda, e que traz informações 
adicionais sobre elas, é considerar o PIB por trabalhador. Essa nova medida, apresentada na figura a 
seguir, nos dá uma ideia mais clara do quanto um trabalhador de cada país é capaz de adicionar de 
valor ao longo de um ano, aproximando uma primeira medida de produtividade relativa – a do produto 
médio do trabalhador. 
 Observação
Produtividade média da mão de obra (ou produto médio do 
trabalhador) é a razão entre a quantidade total produzida no país e a 
quantidade de trabalhadores empregada na produção.
De acordo com a figura a seguir (UNIVERSITY OF GRONINGEN, [s.d.]), um trabalhador norte-
americano, cuja capacidade produtiva resultava numa renda de US$ 112,5 mil ao longo do ano de 
2014, destaca-se muito em relação aos trabalhadores dos outros países. Sua produtividade era quase 
4 vezes maior que a de um trabalhador brasileiro, ou 8,5 vezes maior que a de um indiano. Essa 
medida nos dá a ideia de que um país apresenta melhores condições de crescimento do que outro 
devido ao fato de haver maior estoque de capital por trabalhador. Como ficará mais claro quando 
estudarmos mais à frente os modelos empíricos de crescimento econômico, como o modelo de Solow, 
a relação capital-trabalho é a medida de diferença de renda que consideraremos em nossas análises 
de crescimento econômico, por estar mais associada às características produtivas de uma nação e, 
por isso, medir melhor sua capacidade de gerar riqueza. 
19
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
M
il 
US
$
USA FRA ITA ESP DEU AUS GBR CAN JPN PRT KOR CHL ARG MEX ZAF BRA THA CHN NGA IND ETH
Figura 6 – PIB por trabalhador em 2014 (US$ de 2011, ajustados à PPC)
 Observação
A renda per capita, ou PIB per capita, também pode ser obtida a 
partir da multiplicação entre a produtividade média do trabalhador (Y/L) e 
a participação da força de trabalho na população (L/N).
Renda per capita = 
Y L
L N
   
       
em que Y é o PIB, N é a população e L é a força de trabalho.
Até agora, foi demonstrada a situação mundial no ano de 2014, observando apenas as diferenças 
de renda entre as nações escolhidas. Se um país tiver renda maior do que a de outro em determinado 
instante do tempo, poderemos afirmar que, de um passado longínquo até os dias de hoje, ele cresceu 
mais. E é sobre o comportamento da produção e da renda – agregadas, per capita ou por trabalhador 
–, em diferentes países, que vamos centrar a maior parte do nosso esforço de compreensão. As figuras 
7 e 8 (UNIVERSITY OF GRONINGEN, [s.d.]) ilustram as taxas de crescimento médias do PIB e do PIB per 
capita, respectivamente, dos 21 países entre 1960 e 2014.
20
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
9,0%
8,0%
7,0%6,0%
5,0%
4,0%
3,0%
2,0%
1,0%
0,0%
M
il 
US
$
CHN KOR THA ETH* IND BRA CHL MEX NGA JPN AUS ESP PRT CAN ZAF USA FRA ARG ITA GBR DEU**
Notas: (*) para a Etiópia (ETH), a taxa de crescimento refere-se ao período 1981-2014; (**) para a Alemanha 
(DEU), a taxa de crescimento refere-se ao período 1970-2014.
Figura 7 – Taxas de crescimento médias anuais do PIB (US$ de 2011) – 1960 a 2014
9,0%
8,0%
7,0%
6,0%
5,0%
4,0%
3,0%
2,0%
1,0%
0,0%
M
il 
US
$
CHN KOR THA IND JPN PRT ESP CHL BRA FRA ETH* ITA USA GBR CAN AUS DEU** MEX NGA ARG ZAF
Notas: (*) para a Etiópia (ETH), a taxa de crescimento refere-se ao período 1981-2014; (**) para a 
Alemanha (DEU), a taxa de crescimento refere-se ao período 1970-2014.
Figura 8 – Taxas de crescimento médias anuais do PIB per capita (US$ de 2011) - 1960 a 2014
21
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
A ordem dos países se altera de forma expressiva nesses dois últimos gráficos. Na figura 7, 
observa-se que os tigres asiáticos (China, Coreia do Sul e Tailândia) – reconhecidos fenômenos de 
sucesso de crescimento econômico – figuram entre os líderes do crescimento econômico mundial, 
com taxas de crescimento do PIB superiores a 6% ao ano, na média dos 54 anos. Depois aparecem 
os países menos desenvolvidos (Etiópia) e as economias em desenvolvimento (Índia, Brasil, Chile 
e México), que observaram taxas médias de crescimento do PIB entre 4,0% ao ano e 5,5% ao ano. 
Seguem, na ordem, as economias mais desenvolvidas, cujas taxas de crescimento médio do PIB 
ficaram entre 2% e 4% ao ano. 
Ressalta-se a baixa taxa de crescimento do PIB da Alemanha entre 1960 e 2014, inferior a 
2% ao ano. Apesar de a Alemanha ser uma nação que apresenta alto nível de vida, ela enfrentou, 
durante o período analisado, a enorme tarefa de incorporar a economia da Alemanha Oriental, que 
apresentava um nível de vida bem mais modesto em comparação ao da Alemanha Ocidental. Esse 
evento histórico fez com que a taxa média de crescimento econômico da Alemanha unificada, ao 
longo do período, fosse mitigada.
Ao analisarmos a classificação dos países na figura 8, salta aos olhos a evolução muito 
desfavorável, no período em questão, da renda per capita de algumas economias. Nigéria, Argentina 
e África do Sul apresentaram taxas médias anuais de crescimento do PIB per capita inferiores a 2%. 
Em particular, a África do Sul apresentou crescimento inferior a 1% no período. Lembrando que o 
PIB per capita mede o quanto de bens de consumo um cidadão de um país dispõe ao longo de um 
ano, o resultado negativo expressa que, em 2014, um sul-africano dispunha de apenas um pouco 
mais de bens e serviços para seu consumo do que desfrutava em 1960. Esses países representam 
notórios casos de “fracasso”, cujo desempenho econômico esteve muito aquém do observado pelos 
tigres asiáticos e pelos países desenvolvidos. 
Algumas explicações podem ser dadas para as trajetórias pouco favoráveis desses países. Os 
três países enfrentaram, ao longo do período analisado, diversos tipos de instabilidade (guerras 
civis, golpes de Estado, políticas de segregação racial, hiperinflação etc.) que implicaram 
a redução de seus padrões de vida. Outros países, como os europeus e os Estados Unidos, 
apresentam economias estabilizadas desde o final da Segunda Guerra Mundial. Nesse caso, 
as taxas de crescimento da renda per capita moderadas podem estar refletindo, na verdade, o 
momento de estabilidade do nível de vida desses países, embora em patamares mais avançados. 
Os tigres asiáticos, por sua vez, apresentam altas taxas de crescimento da renda per capita, 
pois, provavelmente, estão enfrentando uma trajetória recente de inovação e investimento e, 
por isso, estão colhendo mais fortemente os frutos do crescimento econômico em relação ao 
resto do mundo.
As taxas médias de crescimento, embora nos deem uma boa visão geral do que ocorreu nesses 
54 anos, não ilustram as trajetórias de fato observadas em cada país. A figura a seguir (UNIVERSITY 
OF GRONINGEN, [s.d.]), que traz a evolução no tempo dos produtos per capita de 7 dos 21 países, 
ilustra fatos interessantes. Estados Unidos e França, por exemplo, são economias que apresentam 
trajetórias de crescimento relativamente estáveis, ao contrário da Argentina e do Brasil, países que 
revelam momentos de forte expansão da renda per capita seguidos por outros de forte recessão. 
22
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Outro ponto importante ilustrado pelo gráfico é o distanciamento, em termos de renda per capita, 
dos países desenvolvidos (Estados Unidos, França e Japão) das economias em desenvolvimento 
(Argentina e Brasil) e do país pobre que nele figura (Nigéria). Um terceiro aspecto relevante é 
o fenômeno de “ultrapassagem” apresentado pela economia coreana. A Coreia do Sul inicia sua 
trajetória com uma renda per capita inferior à do Brasil e da Argentina; ultrapassa o Brasil na 
primeira metade da década de 1980 e a Argentina na segunda metade da mesma década. E, 
por fim, vê-se outro fenômeno: o da secular estagnação econômica da Nigéria. De modo geral, 
podemos concluir que os países que mais cresceram nos últimos cinquenta anos foram aqueles 
que apresentaram processos de acumulação de capital vigorosos.
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
US
$ 
1.
00
0
KOR
JPN
USA
BRA
FRA
NGA
ARG
19
60
19
62
19
64
19
66
19
68
19
70
19
72
19
74
19
76
19
78
19
80
19
82
19
84
19
86
19
88
19
90
19
92
19
94
19
96
19
98
20
00
20
02
20
04
20
06
20
08
20
10
20
12
20
14
20
16
Figura 9 – Crescimento econômico, 1960 a 2014. Taxas anuais de variação do PIB per capita (US$ de 2011)
1.2 A diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico
Os dados agregados sobre renda e produção, conforme destacados anteriormente, representam 
medidas importantes sobre toda a atividade econômica do país. No entanto, os dados extraídos das 
contas nacionais não computam as atividades que não possuem valor de mercado, como o lazer, 
o trabalho não remunerado ou voltado para o próprio sustento, a depleção de recursos naturais, o 
investimento em capital humano etc.
Levando em conta esses fatores, a utilização apenas do PIB para avaliar o bem-estar pode 
estar omitindo informações importantes, o que dificulta a comparação entre o padrão de vida 
dos países. Em virtude dessa limitação, considera-se que o crescimento do PIB, ou do PIB per 
capita, refere-se ao crescimento econômico (ou crescimento da renda nacional). Para avaliar 
o crescimento econômico, basta analisar os indicadores de crescimento do PIB ou do PIB per 
capita. Também é importante avaliar a capacidade produtiva do país a partir de indicadores 
23
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
de produtividade do trabalho e do capital, da riqueza proveniente dos recursos naturais, da 
capacidade administrativa dos governos centrais e da abertura ao comércio exterior.
Para constatar se um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento econômico 
e social, deve-se avaliar se, simultaneamente ao crescimento econômico, há também melhoras 
nos indicadores associados às condições de vida e bem-estar. Essas condições de bem-estar são 
distintas em cada país, e a principal preocupação, em termos de desenvolvimento econômico, é 
explicar essas diferenças.
 Lembrete
• Crescimento econômico: está associado ao crescimento da rendanacional per capita.
• Desenvolvimento econômico: está associado às condições de vida 
e bem-estar que vigoram dentro das fronteiras do país.
O crescimento econômico, portanto, não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça 
social, pois não leva em consideração aspectos ligados à qualidade de vida, como saúde, educação e 
acesso à justiça. A análise do crescimento econômico diz respeito apenas ao acúmulo de riquezas. O 
desenvolvimento econômico, apesar de preocupar-se com o processo de geração de riquezas, tem como 
objetivo, também, a sua distribuição e, consequentemente, a melhora do bem-estar e da qualidade de 
vida de toda a população.
Diferentemente do crescimento econômico, o desenvolvimento econômico não pode ser 
avaliado a partir de um indicador único. Grande parte das discussões sobre desenvolvimento 
econômico envolve a produção de informações que possibilitem medir o desempenho dos países 
com respeito às condições socioeconômicas ao longo do tempo. A principal preocupação é produzir 
indicadores que sejam de fácil compreensão e que possam ser utilizados no processo de tomada 
de decisão dos formuladores de políticas econômicas e sociais. Além disso, esses indicadores 
devem expressar de maneira clara como o país distribui sua renda e quais são as verdadeiras 
condições de vida de seus habitantes.
24
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
O quadro a seguir apresenta um painel dos principais indicadores utilizados para medir o crescimento 
e/ou o desenvolvimento econômico dos países.
Quadro 2 – Indicadores de crescimento e desenvolvimento econômico
Crescimento econômico Desenvolvimento econômico
• PIB Total • Crescimento demográfico
• PIB per capita
• Indicadores de educação:
— Anos de estudo
— Taxa de matrícula
— Taxa de analfabetismo
• PIB por trabalhador • Nível institucional e liberdade civil
• Participação do capital na produção
• Indicadores de saúde:
— Taxa de mortalidade
— Taxa de mortalidade infantil
— Taxa de natalidade
— Taxa de morbidade
• Quantidade de recursos naturais disponíveis:
— Recursos minerais
— Recursos florestais e ambientais
• Índices de longevidade
— Expectativa de vida ao nascer
— Participação de idosos (acima de 60 anos)
— Participação de crianças (até 15 anos)
• Medidas relativas aos gastos governamentais 
em relação ao PIB:
— Superavit primário
— Dívida pública
• Indicadores de pobreza e desigualdade
— Índice de Gini
— Índice de Theil
— Incidência de pobreza (P0, P1 e P2)
— Índice de Pobreza de Sen
• Medidas relativas de comércio exterior em 
relação ao PIB:
— Saldos de balança comercial 
— Corrente de comércio exterior
— Saldo em transação corrente
— Investimento estrangeiro direto
— Reservas em moeda estrangeira
Para avaliar as condições de riqueza e de bem-estar dos países, é preciso combinar os diversos 
indicadores de crescimento e desenvolvimento econômico. Por exemplo, Ray (1998) fez um grande 
resumo do cruzamento de indicadores apresentados no quadro anterior. Essa avaliação apontou as 
seguintes evidências empíricas:
• Em geral, quanto mais rico e abastado for um país, menor a incidência de pobreza.
• Os indicadores de saúde melhoram quando há crescimento na renda.
• A pobreza tende a fazer com que países tenham taxas de crescimento do PIB rastejantes.
• O crescimento econômico faz com que a pobreza diminua de acordo com o estágio inicial de 
pobreza. Ou seja, uma maior desigualdade inicial pode implicar uma menor eficácia na redução 
da pobreza via crescimento econômico.
25
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
• Nas últimas cinco décadas, a distância entre países ricos e pobres aumentou demasiadamente, a 
despeito do aumento da renda mundial.
• Países muito pobres são caracterizados por uma alta taxa de crescimento demográfico.
• Países com baixa renda per capita possuem a maior parte da população vivendo em áreas rurais e 
trabalhadores concentrados em atividades agrícolas.
• A aceleração do crescimento econômico provoca altas taxas de migração interna.
• Países pobres têm baixa inserção no fluxo internacional de comércio (vantagens comparativas 
versus variações de preços).
1.3 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
A figura a seguir (THE WORLD BANK, 2016b) mostra a relação entre renda per capita do ano de 2011 
e o índice de pobreza extrema dos países do mesmo ano. A renda per capita é a razão entre o PIB total 
dos países ajustado pela PPC dividido pelas suas respectivas populações. O índice de pobreza extrema 
é medido pela proporção de habitantes que vivem com menos de US$ 1,90/dia (ajustados pela PPC). A 
renda per capita está representada no eixo vertical do gráfico. Já o índice de pobreza extrema de cada 
país está representado no eixo horizontal. Nota-se uma relação negativa entre renda per capita e índice 
de pobreza extrema: quanto maior a renda, menor a incidência de pobreza. Assim, em geral, quanto mais 
abastado for um país, menor a incidência de pobreza.
45.000
40.000
35.000
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
0 5,0 10,0
Pobreza extrema (% da população)
Re
nd
a 
pe
r c
ap
ita
 (U
S$
 P
PC
)
Mundo
Polônia
Brasil
TogoPaíses de baixa renda
América Latina e Caribe
Países de alta renda
15,0 20,0 25,0
Nota: dados disponibilizados de 54 países e 18 regiões agregadas do planeta.
Figura 10 – Relação entre pobreza extrema e renda per capita, 2011 (US$ PPC de 2011)
26
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
 Saiba mais
Outro conjunto de dados importantes para efetuar comparações 
internacionais, disponibilizado pelo Banco Mundial (World Bank), é 
denominado de World Development Indicators (WDI). Esse banco de dados 
multidimensional é mais abrangente do que o PWT, pois inclui, além de 
dados de contas nacionais, informações de série de tempo relativas ao 
desenvolvimento econômico de todos os países do mundo, desde 1950. 
A versão mais atual desse banco de dados é a do ano de 2015 e pode ser 
acessada gratuitamente no link a seguir: 
THE WORLD BANK. World development indicators. [s.l.], 2016b. Disponível 
em: <http://data.worldbank.org/data-catalog/world-development-indicators>. 
Acesso em: 22 mar. 2017. 
A tendência mostra que os países com renda per capita acima de $ 20.000 PPC (corrigida pela taxa 
de câmbio internacional de 2011) tenham praticamente zerado o índice de pobreza extrema. Os países 
de renda per capita inferior a US$ 5.000 PPC, por outro lado, apresentam parcelas significativas da 
população vivendo na pobreza extrema. Observe também que a renda per capita média dos países mais 
ricos do mundo atinge cerca de US$ 40.000 PPC, mas o índice de pobreza é praticamente nulo. No outro 
extremo, a renda per capita média dos países de renda mais baixa é inferior a US$ 1.000, trazendo, 
como consequência, um percentual acima de 20% da população desses países vivendo abaixo da linha 
de pobreza extrema. É possível ainda detectar que alguns países de renda per capita média (por volta 
de US$ 15.000 PPC), como os pertencentes a América Latina e Caribe, possuem pelo menos 3% da 
população extremamente pobre. Nesse mesmo quadro, encontra-se o Brasil, com 2,9% da população 
vivendo na extrema pobreza.
A figura a seguir (THE WORLD BANK, 2016b) mostra a relação entre a renda per capita (ajustada 
pela PPC) do ano de 2011 e o percentual de crianças que não foram matriculadas na escola nesse 
ano. Esse indicador mede a proporção de crianças em idade escolar que não estão matriculadas na 
escolaprimária ou secundária. Observa-se claramente a relação negativa entre renda per capita 
e o índice de crianças que não estão estudando: quanto maior a renda, menor a incidência de 
crianças fora da escola.
27
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
0 10,0 20,0
Crianças fora da escola (% da população em idade escolar)
Re
nd
a 
pe
r c
ap
ita
 (U
S$
 P
PC
)
Mundo
Noruega
Estados Unidos
Brasil
Eritreia
Países de baixa renda
Guiné EquatorialPaíses de alta renda
30,0 40,0 50,0 60,0 70,0
Nota: dados disponibilizados de 121 países e 41 regiões agregadas do planeta.
Figura 11 – Relação entre escolaridade e renda per capita, 2011 (US$ PPC de 2011)
Observa-se, mais uma vez, que os países mais ricos possuem pequena percentagem de crianças 
fora da escola (3,7% na média). Na Noruega, por exemplo, praticamente todas as crianças 
frequentam a escola. Os países de renda baixa, por outro lado, apresentam alta incidência de 
crianças que não estudam (17% na média). Em alguns países, como a Eritreia, quase 60% das 
crianças não estão matriculadas em qualquer curso primário ou secundário formal. O Brasil, nesse 
quesito, está posicionado próximo à média dos países mais ricos do mundo, com 4,3% das crianças 
fora da escola (a média mundial é 8,9%).
A figura a seguir (THE WORLD BANK, 2016b) mostra a relação entre renda per capita (ajustada pela 
PPC) do ano de 2011 e a expectativa de vida ao nascer apontada nesse ano. A expectativa de vida é 
uma previsão de quantos anos, a partir do nascimento, uma pessoa poderá viver. Esse indicador é uma 
aproximação das condições de saúde dos países. Observa-se, agora, uma relação positiva entre renda 
per capita e expectativa de vida: quanto maior a renda, maior a probabilidade de que uma pessoa, ao 
nascer, viva mais anos. Portanto, a tendência apontada no gráfico é a de que os indicadores de saúde 
dos indivíduos aumentem quando houver crescimento na renda per capita.
28
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
100.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
48,0 53,0 58,0
Expectativa de vida ao nascer (anos de vida)
Re
nd
a 
pe
r c
ap
ita
 (U
S$
 P
PC
)
Mundo
Luxemburgo
Lesoto
Brasil
Suíça
Países de baixa renda
Guiné Equatorial
Países de alta renda
63,0 68,0 73,0 78,0 83,0
Nota: dados disponibilizados de 184 países e 46 regiões agregadas do planeta.
Figura 12 – Relação entre expectativa de vida ao nascer e renda per capita, 2011 (US$ PPC de 2011) 
Nesse particular, nota-se que os países de alta renda possuem expectativa de vida mais alta (acima 
de 75 anos). Alguns países como Suíça e Luxemburgo apresentam expectativa de vida superior a 80 
anos. Esse resultado está altamente relacionado às perfeitas condições de saúde desses países (tanto 
de saneamento quanto de acesso hospitalar e medicamentos). Por outro lado, países de renda mais 
baixa apresentam expectativa de vida inferior a 60 anos, refletindo as péssimas condições de saúde e, 
também, problemas de instabilidade política e guerras. O Brasil, por sua vez, apresenta expectativa de 
vida superior à média mundial (73,6 anos, no Brasil, ante 70,8, na média mundial).
A análise empírica mostra, portanto, que existe um nível razoável de correlação entre o PIB per 
capita e vários outros indicadores, tais como:
• incidência de pobreza;
• indicadores de saúde;
• indicadores de educação.
Com o intuito de combinar os diversos indicadores de nível e distribuição de renda, educação 
e saúde, foi criado, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH). O IDH é publicado anualmente no Relatório de Desenvolvimento 
Humano (RDH) e resume o conceito do desenvolvimento em três dimensões:
• viver uma vida longa e saudável;
29
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
• ser bem instruído e qualificado profissionalmente; 
• ter um padrão de vida digno.
As três dimensões do desenvolvimento econômico são refletidas pelo IDH, que combina, basicamente, 
os três tipos de indicador:
• Indicador de longevidade: medido em anos, representando a esperança ou expectativa de vida ao 
nascer dos indivíduos. 
• Indicador de educação: medido a partir da combinação de dois indicadores: (i) anos de escolaridade 
média dos adultos; e (ii) anos de escolaridade esperados das crianças em idade escolar.
• Indicador de renda: medido a partir da renda per capita real em dólares dos países, ajustada pelo 
índice PPC.
Os indicadores-base do IDH, por serem expressos em unidades diferentes, devem ser normalizados. 
Essa normalização ranqueia cada indicador de cada país do melhor ao pior desempenho, levando em 
consideração os indicadores de todos os países. O quadro a seguir apresenta os valores mínimos e 
máximos para o cálculo do IDH.
Quadro 3 – Valores mínimos e máximos para o cálculo do IDH
Indicadores Unidades de medida
Valores 
mínimos
Valores 
máximos
Expectativa de vida (EV) Anos 20 85
Escolaridade média dos 
adultos (AME) Anos 0 15
Escolaridade esperada 
das crianças em idade 
escolar (AEE)
Anos 0 18
RNB real per capita (RPC) US$ PPC 100,00 75.000,00
Adaptado de: Human Development Report 2015 (2015).
O RDH (HUMAN DEVELOPMENT REPORT 2015, 2015), em suas notas técnicas, apresenta a metodologia 
mais recente para o cálculo dos componentes do IDH. Por exemplo, uma vida longa e saudável é medida 
pela expectativa de vida ao nascer e dá uma ideia das condições de saúde do país. Assim, o índice de 
longevidade (IDHL) deve levar em consideração a faixa de valores mínimos e máximos da expectativa de 
vida constantes do quadro anterior [20; 85] e o valor corrente desse indicador. Logo, a fórmula do IDHL 
deve ser expressa como:
min
L
max min
EV EV
IDH
EV EV
−
=
−
30
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
em que EV é o valor corrente da expectativa de vida ao nascer para um determinado ano; EVmin 
é o valor mínimo da expectativa de vida (20 anos); e EVmax é o valor máximo da expectativa de 
vida (85 anos).
Ser “bem instruído” e “qualificado profissionalmente” pode ser medido pelo acesso ao conhecimento 
(ou educação) e tem como base duas dimensões: (i) a média de anos de educação de adultos, que é o 
número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoas a partir de 25 anos; e (ii) a 
expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número 
total de anos de escolaridade que uma criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber 
se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos 
durante a vida da criança. De acordo com o RDH 2010 (PNUD, 2010), o indicador de anos médios de 
escolaridade de adultos (IAME) leva em consideração o intervalo apresentado no quadro 3 [0; 15] e é 
obtido pela seguinte fórmula:
min
max min
AME AME
IAME
AME AME
−
=
−
em que AME é o valor corrente da escolaridade média dos adultos para um determinado ano; AMEmin 
é o valor mínimo da escolaridade média dos adultos (0 ano); e AMEmax o valor máximo da escolaridade 
média dos adultos (15 anos).
O indicador de anos esperados de escolaridade das crianças (IAEE) leva em consideração o intervaloapresentado no quadro anterior [0; 18] e pode ser calculado desse modo:
min
max min
AEE AEE
IAEE
AEE AEE
−
=
−
em que AEE é o valor corrente da expectativa de escolaridade das crianças para um determinado ano; 
AMEmin é o valor mínimo da expectativa de escolaridade das crianças (0 ano); e AMEmax é o valor máximo 
da expectativa de escolaridade das crianças (18 anos).
Conforme o RDH 2015 (PNUD, 2015), o índice de educação (IDHE) é obtido a partir da média aritmética 
dos dois indicadores de educação (IAME e IAEE), ou seja:
E
IAME IAEE
IDH
2
+
=
Por fim, o padrão de vida é medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, expressa em 
paridade de poder de compra constante em dólar (US$ PPC), tendo 2011 como ano de referência 
(PNUD, 2015). 
31
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
 Observação
A Renda Nacional Bruta (RNB) é a soma das remunerações dos fatores 
de produção (salários, juros, lucros, aluguéis etc.), pagas a residentes do 
país. Essas remunerações englobam tanto recebimentos auferidos dentro 
do país quanto recursos advindos do resto do mundo.
A fórmula do índice de renda (IDHR) obedece ao mesmo procedimento dos outros indicadores, porém 
considera uma função logarítmica para seu cálculo, ou seja:
( ) ( )
( ) ( )
min
R
max min
ln RPC ln RPC
IDH
ln RPC ln RPC
−
=
−
em que RPC é o valor corrente da Renda Nacional Bruta per capita para um determinado ano; RPCmin 
é o valor mínimo da Renda Nacional Bruta per capita (US$ PPC 100,00); e RPCmax é o valor máximo da 
Renda Nacional Bruta per capita (US$ PPC 75.000,00).
O valor do IDH é obtido a partir da média geométrica dos três indicadores-base anteriores, ou seja:
3
L E RIDH IDH IDH IDH= × ×
em que:
• IDHL = Índice de longevidade. 
• IDHE = Índice de educação.
• IDHR = Índice de renda.
O IDH, portanto, é um índice normalizado e deve variar entre 0 e 1. Dessa forma, é possível apresentar 
a seguinte classificação dos países:
Quadro 4 – Classificação dos países quanto ao IDH
IDH < 0,550 Países com desenvolvimento humano baixo
0,550 < IDH < 0,700 Países com desenvolvimento humano médio
0,700 < IDH < 0,800 Países com desenvolvimento humano elevado
IDH > 0,800 Países com desenvolvimento humano muito elevado
32
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Na tabela a seguir, reproduzimos as principais estatísticas do IDH de 2014, publicado no RDH 
2015 (PNUD, 2015), para quatro países (incluindo o Brasil), que representam exemplos da situação 
das nações que se encontram em cada uma das classificações anteriormente citadas.
Tabela 1 – IDH e seus componentes – países selecionados, 2014
Ranking País
Expectativa 
de vida 
nascer 
 (anos)
Escolaridade 
esperada das 
crianças 
 (anos)
Escolaridade 
média dos 
adultos 
 (anos)
Rendimento 
Nacional 
Bruto (RNB) 
per capita 
 (PPC em 
US$ de 
2011)
Índice de 
longevidade
Índice de 
educação
Índice 
de renda IDH
1 Noruega 81,6 17,5 12,6 64.992 0,948 0,906 0,978 0,944
75 Brasil 74,5 15,2 7,7 15.175 0,838 0,679 0,759 0,756
130 Índia 68,0 11,7 5,4 5.497 0,738 0,505 0,605 0,609
152 Nigéria 52,8 9,0 5,9 5.341 0,505 0,447 0,601 0,514
Mundo 71,5 12,2 7,9 14.301 0,792 0,602 0,750 0,710
Adaptado de: PNUD (2015).
Exemplo de aplicação
Cálculo do IDH
O Chipre, país insular situado na Europa, ao sul da Grécia, apresentou, em 2014, os indicadores de 
desenvolvimento apontados na tabela a seguir:
Tabela 2 
Indicador Valor
Expectativa de vida ao nascer (em anos) 80,156
Escolaridade média dos adultos (em anos) 11,619
Escolaridade esperada das crianças em idade escolar (em anos) 13,966
Renda Nacional Bruta per capita (em US$ PPC) 28.632,70
Pergunta-se: (i) Qual o valor do IDH do Chipre em 2014? (ii) O Chipre pode ser classificado em qual 
categoria de desenvolvimento humano?
Resposta
(i) Para calcular o IDH, é necessário obter, inicialmente, seus indicadores-base, ou seja, os índices 
de longevidade, de educação e renda, considerando os valores mínimos e máximos constantes do 
quadro 3 e os valores correntes disponibilizados na tabela anterior. Dessa forma:
33
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Índice de Longevidade (IDHL):
min
L
max min
EV EV 80,156 20
IDH 0,9255
EV EV 85 20
− −
= = =
− −
Índice de Educação (IDHE):
min
max min
min
max min
E
AME AME 11,619 0
IAME 0,7746
AME AME 15 0
AEE AEE 13,966 0
IAEE 0,7759
AEE AEE 18 0
IAME IAEE 0,7746 0,7759
IDH 0,7752
2 2
− −
= = =
− −
− −
= = =
− −
+ +
= = =
Índice de Renda (IDHR):
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
min
R
max min
ln RPC ln RPC ln 28.632,7 ln 100
IDH 0,8545
ln RPC ln RPC ln 75.000 ln 100
− −
= = =
− −
O IDH é obtido a partir da média geométrica dos três indicadores acima, ou seja:
33
L E RIDH IDH IDH IDH 0,9255 0,7752 0,8545 0,850= × × = × × =
Portanto, o IDH do Chipre em 2014 foi de 0,850.
(ii) De acordo com a classificação do desenvolvimento humano proposta pelo PNUD, o IDH do Chipre 
se encontra no intervalo maior que 0,800. Portanto, o Chipre pode ser classificado como um país com 
desenvolvimento humano muito elevado.
O IDH tem grande aceitação nas análises sobre desenvolvimento pela facilidade de cálculo e de 
interpretação, além de permitir o acompanhamento do progresso social dos países ao longo do tempo. 
Além do IDH, o PNUD também disponibiliza outros indicadores que possibilitam avaliar o desenvolvimento 
econômico das nações:
• Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade.
• Índice de Desenvolvimento por Gênero.
• Índice de Desigualdade de Gênero. 
• Índice de Pobreza Multidimensional.
34
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
 Saiba mais
A metodologia desses indicadores pode ser encontrada nas notas 
técnicas do RDH 2015: 
HUMAN DEVELOPMENT REPORT 2015. Work for human development. 
Technical notes. [s.l.], 2015. Disponível em: <http://hdr.undp.org/sites/
default/files/hdr2015_technical_notes.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2017. 
O PNUD, com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
(Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), calcula 
também o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M). O IDH-M 
brasileiro segue as mesmas três dimensões do IDH Global (longevidade, 
educação e renda), mas também adéqua a metodologia global ao contexto 
brasileiro e à disponibilidade de indicadores nacionais. Embora meçam os 
mesmos fenômenos, os indicadores levados em conta no IDH-M são mais 
adequados para avaliar o desenvolvimento dos municípios brasileiros. Para 
mais detalhes e dados sobre o IDH-M brasileiro, siga o site: 
<www.atlasbrasil.org.br>.
2 DESIGUALDADE E POBREZA
Ao visualizar os gráficos anteriores, em particular o da figura 4, que ilustra a distribuição da renda 
per capita dos 21 países selecionados, constata-se que há uma clara separação entre nações ricas e 
pobres. O crescimento econômico diz respeito a variações no produto (ou renda) agregado ou per capita. 
Vimos que essa é uma boa medida do desenvolvimento de um país, mas está longe de ser a única. Deve-
se comemorar quando o crescimento econômico distribui equitativamente os seus benefícios entre a 
população. Infelizmente, na maioria das vezes, o crescimento é distribuído de forma desigual e precisa 
ser avaliado.
Há duasrazões para estarmos interessados na desigualdade e na distribuição da renda:
• Razões filosóficas e éticas: esses motivos estão ligados à aversão à desigualdade, pois não deveria 
haver pretextos para tratar os indivíduos de forma diferente em termos de acesso a recursos e ao 
bem-estar social.
• Nível funcional da desigualdade: mesmo que não se esteja interessado no problema da 
desigualdade, ainda há boas razões para se preocupar com ela. Suponha que uma autoridade 
governamental se preocupe simplesmente com o crescimento econômico. Esse formulador de 
políticas deverá se interessar pela desigualdade em um determinado nível funcional, pois, além 
desse nível, ela se tornará importante não por sua própria causa, mas porque tem um impacto 
sobre outras características que afetam o crescimento econômico.
35
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Por isso daremos importância ao nível de desigualdade que afeta o crescimento econômico e, 
também, as condições de vida e o bem-estar da população.
2.1 Desigualdade econômica: noções preliminares
A desigualdade de renda é uma medida de quanto a renda dos indivíduos na economia é 
discrepante. Por exemplo, se em determinado país as famílias que estão mais bem situados na escala 
dos rendimentos ganham muito mais do que os que estão abaixo nessa mesma escala, então dizemos 
que a desigualdade é alta. Por outro lado, se essa diferença for pequena, então constatamos que a 
desigualdade é baixa. 
Dependendo do contexto que está sendo estudado, poderemos estar interessados na distribuição:
• Do gasto corrente ou dos fluxos de renda. 
• Da riqueza ou dos estoques de ativos disponíveis na sociedade. 
• Da renda ao longo da vida.
Os casos anteriores dizem respeito à distribuição pessoal da renda. Em outros casos, deve-se estudar 
não o quanto as pessoas ganham, mas como elas ganham seus rendimentos.
 Observação
• Distribuição pessoal da renda: é a comparação entre os rendimentos 
médios de duas ou mais parcelas da sociedade.
• Distribuição funcional da renda: é a comparação dos retornos dos 
diferentes fatores de produção (trabalho, capital, terra etc.)
A distribuição funcional da renda diz respeito aos retornos advindos da utilização dos fatores de 
produção, tais como o trabalho, o capital (ou o estoque de ativos da sociedade) e a terra (ou o estoque 
de recursos naturais disponíveis). Esses diferentes fatores de produção são apropriados pelos indivíduos 
na sociedade, e a forma como isso acontece pode gerar desigualdades nos rendimentos. A figura a 
seguir (RAY, 1998) ilustra o processo de distribuição funcional e pessoal da renda.
36
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Rendimento 
de trabalho
Distribuição 
funcional
Distribuição 
pessoalPropriedade 
dos fatores
Família 1
Família 2
Família 3
Família 4
Rendimento 
do capitalProdução
Rendimento 
da terra
Figura 13 – Distribuição funcional e pessoal da renda
Lendo a figura anterior da esquerda para a direita, o primeiro conjunto de setas descreve 
como a renda é gerada a partir do processo produtivo. Como a produção envolve a utilização de 
trabalho, capital e terra, a renda, portanto, é gerada a partir do retorno desses fatores de produção. 
O retorno do trabalho é o salário pago de acordo com as habilidades de cada trabalhador. O 
retorno do capital é o lucro distribuído aos acionistas da firma ou os juros decorrentes do capital 
financeiro. O retorno da terra é o rendimento decorrente de sua utilização ou arrendamento. 
Portanto, a distribuição do rendimento dos diversos fatores de produção na sociedade é chamada 
de distribuição funcional da renda.
O segundo conjunto de setas mostra-nos como as diferentes categorias de renda são 
distribuídas às famílias. A direção e a magnitude desses fluxos dependem de como os fatores 
de produção são apropriados. Por exemplo, a família 3 se apropria de apenas uma forma de 
rendimento (do trabalho). Já a família 2 consegue compor sua renda domiciliar com até três 
fontes de rendimento: do trabalho, do capital e da terra. Combinando a distribuição funcional da 
renda com a propriedade dos fatores de produção, chegamos à distribuição pessoal da renda, ou 
seja, uma descrição dos fluxos de renda para indivíduos e/ou famílias.
37
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
 Saiba mais
Existem outras fontes de rendimento classificadas como renda do não 
trabalho, tais como as recebidas de caridade, de programas públicos de 
transferência direta de renda ou de aposentadoria. No entanto, mesmo que 
um país tente diminuir a desigualdade com distribuição de renda desse 
tipo de fonte, ela não elimina totalmente o problema do reconhecimento 
e da autoestima, que pode afetar a produtividade e, consequentemente, o 
crescimento econômico. Segundo o economista Amartya Sen, um indivíduo 
empregado no processo produtivo provoca um aumento em sua autoestima 
e gera reconhecimento e concorrência entre os demais trabalhadores. Para 
entender mais sobre esses conceitos, consultar:
SEN, A. On economic inequality. Oxford: Claredon Press, 1975.
2.2 Medidas de desigualdade econômica
Se houver uma grande disparidade nos rendimentos das pessoas em uma sociedade, os sinais dessa 
desigualdade econômica serão muitas vezes visíveis nos dados econômicos. O histograma da figura a 
seguir ilustra, com dados hipotéticos, como podemos avaliar a distribuição de renda na economia. No 
eixo horizontal, são apresentadas cinco faixas de renda mensal; o eixo vertical destaca a proporção 
da população que aufere tais rendimentos. Observe que a maior parte da população encontra-se à 
esquerda da faixa de renda mediana (1.601 a 3.200 dólares mensais). Por outro lado, pouco mais de 20% 
da população possui renda superior a 3.200 dólares mensais.
Faixas de rendimento mensal (em $)
Pe
rc
en
tu
al
 d
a 
po
pu
la
çã
o
$0 - $800 $801 - $1.600 $1.601 - $3.200 $3.201 - $6.400 acima de $6.401
40%
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
Figura 14 – Distribuição de renda organizada em classes de renda
38
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Percentagem da renda total
Primeiro quintil
Segundo quintil
Terceiro quintil
Quarto quintil
Quinto quintil
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40%
37%
27%
20%
11%
6%
Figura 15 – Distribuição de renda organizada por população e participação na renda
É possível, ainda, organizar os rendimentos a partir da participação que cada grupo tem na renda total. 
Imagine que a renda da população apresentada na figura anterior represente 100% dos rendimentos no 
país. Na figura anterior, dividimos a população em cinco grupos diferentes (quintis), em ordem do mais 
rico para o mais pobre. Em cada quintil (que agrupa 20% da população), foi calculada a participação 
dessa população na renda total do país. Essa medida permite-nos afirmar que os 20% mais ricos do país 
abocanham quase 40% da renda nacional. Já os outros 80% da população ficam com aproximadamente 
60% dos rendimentos.
Portanto, a partir de informações como a participação na população total e a participação na renda 
total, é possível calcular a distribuição de renda de um país ou região. A curva de Lorenz (figura a seguir) 
é a representação gráfica obtida da ordenação da população pela renda.
100%
80%
60%
40%
20%
0% 20% 40% 60% 80% 100%
P (% acumulada da população)Φ
 (%
 a
cu
m
ul
ad
a 
da
 re
nd
a)
Linha de 
igualdade
Curva de 
Lorenz
a
b
Figura 16 – Curva de Lorenz
39
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
No eixo horizontal da figura anterior, é representado o percentual acumulado da população (P). O 
eixo vertical mostra o percentual acumulado da renda total (Φ). A partir dessa representação gráfica, 
permite-se identificar qual a parcela da renda total acumulada pelas diversas camadas da população. 
Quando todos os indivíduos ganham a mesma porção da renda total, temos a perfeita igualdade, 
denotada pela reta de 45° do gráfico. Nesse caso, a proporção da renda apropriada é igual à proporção 
acumulada da população (por exemplo, 10% da população ganha 10% da renda; 20% da população 
ganha 20% da renda etc.).
A curva de Lorenz registra a proporção da renda total da economia acumulada pela população. 
Quanto mais distante a curva de Lorenz da linha de igualdade, maior é a desigualdade registrada. Assim, 
uma proporção menor da população vai apropriando uma proporção maior da renda.
Entre os vários métodos de cálculo do grau de desigualdade em que a renda é distribuída, o mais 
usado é o coeficiente de Gini, batizado assim em homenagem ao estatístico italiano Corrado Gini.
 Observação
O coeficiente de Gini é uma medida do grau de desigualdade existente 
em uma determinada distribuição de indivíduos, podendo ser aplicado: ao 
rendimento mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas (rendimento 
do trabalho); à renda domiciliar per capita; ao rendimento mensal de todas 
as pessoas com 10 anos ou mais etc.
O coeficiente de Gini (G) é um número adimensional que varia entre 0 e 1 (0 < G < 1), sendo que:
• Quando G = 0: a sociedade apresenta perfeita igualdade de renda, em que todos os cidadãos têm 
a mesma renda. 
• Quando G = 1: toda a renda da sociedade é apropriada por um único cidadão. 
O coeficiente de Gini é obtido a partir da razão entre a curva de Lorenz (a) e a linha de igualdade 
pela área total abaixo da linha de 45° (a + b). Portanto, o coeficiente de Gini compara a distribuição de 
renda real com a situação de igualdade completa. Geometricamente:
G
a
=
a + b
40
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
 Observação
• Quando a = 0, a distribuição de renda é perfeita e o coeficiente de 
Gini é igual a 0:
0
G 0
0
a
= = =
a + b + b
• Quando b → 0 (tende a 0), a desigualdade é extrema:
0
G lim 1
0b→
a a
= ⇒ ≅
a + b a +
A estimação de uma curva de Lorenz não é tão elementar quanto parece em virtude da necessidade 
de um número razoável de dados que torne possível a obtenção de uma distribuição contínua. No 
entanto, é possível efetuar o cálculo do coeficiente de Gini para uma distribuição discreta.
 Observação
Distribuição contínua descreve as probabilidades dos possíveis valores 
de uma variável aleatória contínua. São exemplos de distribuição contínua 
a distribuição normal e a distribuição uniforme. 
Distribuição discreta é uma lista de diferentes valores numéricos da 
variável de interesse e suas probabilidades associadas.
A fórmula do coeficiente de Gini (G) para uma distribuição discreta é dada por:
( )
n
h 1 h h
h 1
G 1 −
=
Φ= − + Φ p∑
em que:
• h ⇒ estrato de renda;
• Φ ⇒ percentual acumulado de renda;
• ph ⇒ proporção da população que se situa no h-ésimo estrato de renda, de modo que:
h
h
n
N
p =
41
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
em que:
• nh ⇒ número de elementos em cada estrato; 
• N ⇒ número total de elementos na população.
Exemplo de aplicação
Cálculo do coeficiente de Gini
A tabela a seguir mostra dados hipotéticos relativos aos rendimentos totais provenientes do trabalho 
recebidos por empregados formais de um determinado país. Os oito estratos da população estão 
ordenados de acordo com os valores crescentes de rendimentos recebidos.
Tabela 3 – Distribuição da população de empregados formais 
de acordo com o nível de renda
Estrato População (nh)
Percentagem no estrato:
decis da 
população (ph)
da renda 
domiciliar 
de cada decil
1º 1.125.000 0,125 0,025
2º 1.125.000 0,125 0,040
3º 1.125.000 0,125 0,075
4º 1.125.000 0,125 0,090
5º 1.125.000 0,125 0,100
6º 1.125.000 0,125 0,125
7º 1.125.000 0,125 0,170
8º 1.125.000 0,125 0,375
N 9.000.000 1,000 1,000
Verifica-se, pelos dados da tabela, que 12,5% dos empregados com rendimentos mais baixos 
recebem apenas 2,5% do total de rendimentos. Por outro lado, 12,5% dos empregados com 
rendimentos mais altos correspondem a 37,5% do total de salários pagos.
A partir das percentagens da população e da renda correspondentes a cada estrato, podemos 
obter as percentagens acumuladas apresentadas nas duas últimas colunas da tabela a seguir:
42
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Tabela 4 – Distribuição da população de empregados formais de acordo com o nível de 
renda – percentagem no estrato e percentagem acumulada
Estrato População (nh)
Percentagem no estrato: Percentagem acumulada:
decis da 
população (ph)
da renda 
domiciliar de 
cada decil
da 
população (p)
da renda 
domiciliar (Φ)
1º 1.125.000 0,125 0,025 0,125 0,025
2º 1.125.000 0,125 0,040 0,250 0,065
3º 1.125.000 0,125 0,075 0,375 0,140
4º 1.125.000 0,125 0,090 0,500 0,230
5º 1.125.000 0,125 0,100 0,625 0,330
6º 1.125.000 0,125 0,125 0,750 0,455
7º 1.125.000 0,125 0,170 0,875 0,625
8º 1.125.000 0,125 0,375 1,000 1,000
N 9.000.000 1,000 1,000
Observa-se, por exemplo, que 25% da população empregada com salários mais altos auferem 
apenas 6,5% da renda total. 
Para calcular o coeficiente de Gini, com o intuito de apontar a desigualdade dessa distribuição, 
utilizaremos a sua formulação para o caso discreto. Para tanto, precisaremos calcular os valores 
para (Φh-1 + Φh)ph a partir dos dados da tabela anterior. Como a tabela já apresenta os valores de 
ph e Φh, basta obter Φh-1 + Φh conforme consta da tabela a seguir.
Tabela 5 – Distribuição da população de empregados formais de acordo com 
o nível de renda – cálculo do coeficiente de Gini
Estrato População (nh)
Percentagem 
no estrato: Percentagem acumulada:
(Φh-1 + Φh) (Φh-1 + Φh) × (Φh)decis da 
população 
(ph)
da renda 
domiciliar 
de cada 
decil
da 
população 
(P)
da renda 
domiciliar 
(Φh)
1º 1.125.000 0,125 0,025 0,125 0,025 0,025 0,0031
2º 1.125.000 0,125 0,040 0,250 0,065 0,090 0,0113
3º 1.125.000 0,125 0,075 0,375 0,140 0,205 0,0256
4º 1.125.000 0,125 0,090 0,500 0,230 0,370 0,0463
5º 1.125.000 0,125 0,100 0,625 0,330 0,560 0,0700
6º 1.125.000 0,125 0,125 0,750 0,455 0,785 0,0981
7º 1.125.000 0,125 0,170 0,875 0,625 1,080 0,1350
8º 1.125.000 0,125 0,375 1,000 1,000 1,625 0,2031
N 9.000.000 1,000 1,000 Soma 0,5925
Ge 0,4075
43
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Para calcular Φh-1 + Φh , basta somar os valores da coluna correspondente a Φh, na sequência 
de cada estrato (por exemplo, no segundo estrato: 0,090 = 0,025 + 0,065). Multiplicando os valores 
da coluna Φh-1 + Φh pelos valores da coluna ph e efetuando a soma, obtemos o valor de 0,5925. 
Esse valor corresponde à área a + b da figura 16. O coeficiente de Gini é iguala 1 menos esse valor:
G = 1 - 0,5925 = 0,4075
Pode-se dizer que esse coeficiente de Gini corresponde a uma sociedade com uma distribuição de 
renda razoavelmente boa, apesar da concentração de mais de 1/3 do rendimento total no 8º estrato.
Não existe uma classificação formal da distribuição de renda a partir do coeficiente de Gini. De modo 
geral, quando um país tem Gini menor que 0,40, diz-se que tem boa distribuição de renda. Países com 
Gini entre 0,40 e 0,55 apresentam distribuição de renda média. Por fim, as nações com Gini superior a 
0,55 têm péssima distribuição de renda. Segundo o Banco Mundial, em 2011, nenhum país apresentou 
Gini inferior a 0,2409 (Ucrânia) ou superior a 0,6338 (África do Sul).
O mapa da figura a seguir (THE WORLD BANK, 2016a) mostra a desigualdade entre as nações do 
mundo, de acordo com os coeficientes de Gini calculados pelo Banco Mundial até 2008. As cores mais 
escuras mostram os países mais desiguais. As cores mais claras denotam as nações mais igualitárias.
Color
Gini 
coefficient
< 0,25
0,25 - 0,29
0,30 - 0,34
0,35 - 0,39
0,40 - 0,44
0,45 - 0,49
0,50 - 0,54
0,55 - 0,59
> 0,60
NA
Figura 17 – Desigualdade de renda no mundo medida pelo coeficiente de Gini, 2014
Comparando o mapa da figura anterior com o da figura 5 já apresentado, pode-se observar que 
a desigualdade não tem relação com países ricos ou pobres. Por exemplo, os Estados Unidos, um país 
rico, aparecem no mapa anterior como um país com desigualdade latente. A Índia, por sua vez, apesar 
de pobre em termos de renda per capita, é um país mais igualitário. Na tabela a seguir, é apresentada 
uma amostra de países e seus respectivos coeficientes de Gini e renda per capita, disponíveis para o 
ano de 2012.
44
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Tabela 6 – Coeficiente de Gini e PIB per capita (US$ PPC de 2011), 2012
Países Coeficiente de Gini
PIB per capita 
(US$ PPC de 2011)
Austrália 0,3494* 41.763,12
Brasil 0,5309 14.827,15
Índia 0,3515 4.364,95
África do Sul 0,6338 12.291,73
Suécia 0,2724 43.709,21
Estados Unidos 0,4046* 49.781,80
Nota: (*) último dado disponibilizado de 2010.
Adaptado de: The World Bank (2016a).
Observe que países pobres como a África do Sul e o Brasil possuem rendas per capita muito próximas, 
mas o coeficiente de Gini do país africano é o maior do mundo, destacando a péssima distribuição de 
renda desse país. Por outro lado, a Índia, que possui um dos piores PIB per capita do mundo, apresenta 
coeficiente de Gini compatível com países ricos como a Austrália. Países ricos também apresentam 
disparidade na distribuição de renda: a Suécia, por exemplo, tem uma das sociedades mais igualitárias 
do mundo, enquanto os Estados Unidos, que são tão ricos quanto a Suécia, possuem uma distribuição 
de renda apenas mediana.
 Saiba mais
O coeficiente de Gini é o indicador de desigualdade mais utilizado nas 
análises de distribuição de renda. Entretanto, outros indicadores também 
são utilizados, como o Índice T de Theil, que mede o grau de desigualdade 
da distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. Além 
desse indicador, também faz parte do rol de medidas de concentração da 
distribuição de renda em uma população a variação dos logaritmos. Para 
saber mais sobre essas medidas, consultar:
HOFFMANN, R. Estatística para economistas. 4. ed. São Paulo: Thomson 
Pioneira, 2006.
3 CURVA DE KUZNETS E RAZÃO DE KUZNETS
Simon Kuznets, economista russo-americano, ganhador do Prêmio Nobel de 1971, propôs uma 
teoria sobre a desigualdade ao longo do tempo. A chamada hipótese de Kuznets indica que, à medida 
que um país se desenvolve em termos econômicos, a desigualdade aumenta em um primeiro instante, 
para em seguida reduzir-se. Logo, a suposição é que a desigualdade de renda se elevaria no curto prazo 
e, com o crescimento econômico, ela seria reduzida, configurando-se um U invertido.
45
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
De acordo com Kuznets (1955), na primeira etapa do desenvolvimento econômico, a distribuição 
de renda permanece basicamente a mesma. Isso porque a maior parte da população, nessa etapa, 
é constituída de pobres que vivem nas áreas rurais e trabalham nos setores tradicionais de baixa 
produtividade e baixos salários. À medida que o país se industrializa e cresce economicamente, mais 
pessoas deixam a agricultura de subsistência e passam a trabalhar nos setores industriais e de prestação 
de serviços. Como nesses setores mais inovadores e dinâmicos as remunerações são maiores, há uma 
tendência de aumento na desigualdade.
Conforme a economia se desenvolve, a desigualdade começa a diminuir, pois maiores parcelas da 
população passam a trabalhar nos setores de maior salário, enquanto apenas poucos trabalhadores 
permanecem no setor agrícola com remunerações mais baixas. O resultado dessa hipótese é a curva em 
formato de U invertido, conhecida como curva de Kuznets, como se vê na figura a seguir.
Renda per capita
De
sig
ua
ld
ad
e
Baixa renda per 
capita e baixa 
desigualdade
Alta renda per 
capita e baixa 
desigualdade
Média renda 
per capita e alta 
desigualdade
Curva de 
Kuznets
Figura 18 – A curva de Kuznets
A correlação entre desigualdade e renda per capita ao longo do tempo foi estudada por Kuznets 
(1955) a partir de uma forma bem simples de medir a distribuição de renda de uma sociedade. A 
razão de Kuznets consiste em efetuar a comparação da renda dos indivíduos mais ricos relativamente 
à dos mais pobres. Conforme Ray (1998), normalmente, compara-se a renda de 20% dos indivíduos 
mais ricos com a renda de 20% dos indivíduos mais pobres. Mas também é frequente o uso de 
comparações entre os 40% mais ricos em relação aos 40% mais pobres ou ainda entre os 10% mais 
ricos e os 10% mais pobres.
Quanto maior for essa razão, maior será a distância de renda entre pobres e ricos e, portanto, 
maior será a desigualdade. A razão de Kuznets tem a vantagem de ser uma medida de desigualdade 
46
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
muito simples, que se calcula de maneira fácil, e de dar uma primeira ideia de quão dispersa é a 
distribuição de renda. No entanto, apresenta como desvantagem o fato de registrar o que ocorre 
somente nos extremos da distribuição, ignorando a proporção da renda apropriada pelos grupos 
médios e sua dispersão.
 Saiba mais
Apesar de a hipótese de Kuznets ter um forte apelo metodológico, 
análises recentes não a corroboram. Um estudo do Banco Mundial apontou 
que, entre 1960 e 1999, a distância entre os países ricos e pobres aumentou 
muito, a despeito do aumento da renda mundial. Além disso, a desigualdade 
variou fortemente nos anos de 1980 e 1990, mas não mostrou associação 
sistemática com o crescimento. Conclui-se, assim, que a pobreza tende a 
fazer com que os países tenham um crescimento econômico rastejante. Por 
outro lado, o crescimento econômico, desde que alcançado, faz com que se 
reduza a pobreza, de acordo com o seu estágio inicial. Para mais detalhes, 
consultar o capítulo 9 da obra a seguir:
CHANG, H. J. Economia: modo de usar. São Paulo: Portfolio Penguin, 2015.
4 POBREZA
O IDH do Brasil em 2014 não o qualifica como um país pobre no cenário internacional. Ao 
contrário, com IDH de 0,756, o Brasil é considerado um país de desenvolvimento humano elevado. É 
possível observar ainda que a classificação do Brasil (75º lugar) mostra que outros 113 países (cerca 
de 60% do total) apresentam IDH inferior. Contudo, apesarde ser relativamente rico, o Brasil é um 
país muito desigual, como indica o nosso coeficiente de Gini de 0,531 em 2011. Assim, ao comparar 
o Brasil com o resto do mundo, nota-se que nossa percepção de pobreza é significativamente 
superior à de países com renda per capita similar, o que revela a importância da má distribuição 
funcional e pessoal da renda para explicar a intensidade da pobreza brasileira. A persistência de 
altos índices de pobreza – no Brasil, na América Latina, na África e em partes da Ásia – é um dos 
grandes problemas das sociedades modernas.
No entanto, a pobreza em si não pode ser avaliada apenas pela percepção de falta de bem-estar. 
É necessário desenvolver indicadores que permitam medir sua evolução no tempo, sua incidência por 
regiões ou grupos domiciliares específicos. Com isso, torna-se possível construir perfis de pobreza que 
proporcionem informações úteis sobre as características desses grupos de população. Para definir a 
pobreza, deve-se, em primeiro lugar, definir um tipo de indicador que propicie avaliar o bem-estar. Em 
segundo lugar, é necessário definir um nível mínimo de bem-estar, abaixo do qual se diz que há pobreza. 
Portanto, deve-se estabelecer um critério de classificação que permita separar a população entre pobres 
e não pobres.
47
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
A pobreza pode ser classificada como:
• pobreza absoluta; 
• pobreza relativa.
4.1 Pobreza absoluta
A situação de pobreza absoluta ocorre quando um indivíduo ou uma família se encontram num 
nível abaixo de determinado rendimento mínimo, pelo qual não é possível atender às necessidades 
humanas mais básicas para a sobrevivência. Esse rendimento mínimo, portanto, é definido como aquele 
que permite a esses indivíduos ou famílias consumir bens essenciais ao bem-estar. Logo, quem tiver um 
rendimento abaixo desse nível mínimo poderá sofrer carência de bens e serviços essenciais para a vida.
Um exemplo de indicador da pobreza absoluta é a percentagem de pessoas com ingestão diária 
de calorias inferior ao mínimo necessário – aproximadamente 1.900 quilocalorias, de acordo com a 
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) (apud RAY, 1998). Outros 
indicadores também podem ser utilizados para avaliar a pobreza, como o acesso à água potável, a taxa 
de mortalidade (de adultos e infantil), a taxa de crianças com menos de 10 anos que participam da força 
de trabalho, a taxa de analfabetismo e os próprios indicadores de desigualdade.
Uma forma de sintetizar esses indicadores em um único indicador de pobreza absoluta é a contagem 
dos indivíduos que vivem com renda abaixo da linha de pobreza.
 Observação
Linha de pobreza é o indicador que descreve o nível de renda abaixo 
do qual uma pessoa ou uma família não têm condições de obter todos os 
recursos necessários para viver. A linha de pobreza é, geralmente, medida 
em termos de rendimento per capita ou rendimento domiciliar.
O Banco Mundial, a partir da linha de pobreza mundial, distingue a pobreza da seguinte forma:
• Extrema pobreza: linha de pobreza que define indivíduos que vivem com menos de US$ PPC 1,90 
por dia.
• Pobreza moderada: linha de pobreza que define indivíduos que vivem com menos de US$ PPC 
3,10 por dia. 
O Brasil estabelece a linha de pobreza a partir da renda familiar per capita mensal, medida em 
termos do salário mínimo vigente (R$ 880 em reais de 2016). Desse modo, no Brasil, a pobreza e a 
extrema pobreza são definidas da seguinte forma:
48
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
• Extrema pobreza: linha de pobreza que define famílias que vivem com renda per capita mensal menor 
que 1/4 do salário mínimo. Em 2016, essa linha de pobreza era equivalente a R$ 220 mensais per capita.
• Pobreza: linha de pobreza que define famílias que vivem com renda per capita menor que 1/2 do salário 
mínimo vigente. Em 2016, essa linha de pobreza era equivalente a R$ 440 mensais per capita.
Os índices de pobreza absoluta são divididos em três estágios:
• Em primeiro lugar, fixa-se um valor monetário correspondente à linha de pobreza, determinada a 
partir da ligação entre necessidades mínimas de consumo fixadas exogenamente.
• Em segundo lugar, a população é dividida em indivíduos pobres e não pobres, dependendo de a 
renda domiciliar per capita ser inferior ou não à linha de pobreza fixada.
• Em terceiro lugar, agrega-se a distância dos pobres em relação à linha de pobreza, de forma a dar 
mais ou menos peso aos indivíduos relativamente mais pobres da população.
Os índices de pobreza absoluta guardam, dessa forma, dois aspectos normativos: o valor da linha de 
pobreza e o critério de agregação de pobres. A partir disso, Foster, Greer e Thorbecke (1984) apresentaram 
três índices de pobreza relacionados a esses aspectos:
• P0: Índice de proporção de pobres.
• P1: Hiato médio de pobreza (gap poverty). 
• P2: Hiato quadrático de pobreza.
O índice de pobreza P0 mede a proporção de pobres existentes no país ou região a partir da definição 
da linha de pobreza. Nesse índice, todos os indivíduos situados abaixo da linha de pobreza entram com 
pesos idênticos. Assim, o índice de pobreza é calculado simplesmente como:
q
P0
N
=
em que N é a população total e q é a população total de pobres que vivem na linha de pobreza 
ou abaixo dela.
O índice de pobreza P1, ou hiato médio de pobreza, é uma medida da intensidade da pobreza. É 
definido como a proporção da distância média da renda per capita dos pobres em relação à linha de 
pobreza. O cálculo do índice de pobreza P1 segue a fórmula:
 
q
j
j 1
z y1
P1
N z=
−
= ∑
49
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
em que N é a população total; q é a população total de pobres que vivem na linha de pobreza ou abaixo 
dela; z é a linha de pobreza definida exogenamente; e yj é o rendimento do j-ésimo indivíduo pobre. 
Nesse cálculo, indivíduos com renda acima da linha de pobreza têm um hiato de zero.
Por definição, o índice de pobreza P1 é uma medida percentual (entre 0 e 100%), mas também pode 
ser relatado como um número adimensional, entre 0 e 1. Desse modo:
• Um valor teórico de P1 = 0 – implica que ninguém na população está abaixo da linha de pobreza. 
• Um valor teórico de P1 = 1 – implica que toda a população tem renda zero.
O índice de pobreza P1 é um aperfeiçoamento do P0, pois distingue os indivíduos ou famílias pobres 
dos extremamente pobres.
Um inconveniente atribuído ao P1 é o de que este não considera os efeitos na mudança da 
distribuição de indivíduos pobres, se o valor esperado da renda desse grupo não for afetado por algum 
evento macroeconômico (crescimento econômico, políticas monetárias ou fiscais expansionistas etc.). 
Para resolver esse problema, lança-se mão do índice de pobreza P2, que corresponde à distância média 
ao quadrado da renda per capita dos pobres em relação à linha de pobreza, ou seja:
2q
j
j 1
z y1
P2
N z=
− 
=   ∑
O índice de pobreza P2 resolve o problema do hiato de pobreza, pois atribui mais peso para os 
extremamente pobres à medida que a pobreza agregada é calculada.
Portanto, conforme caminhamos do índice P0 ao P2, aumenta-se a ponderação dos indivíduos mais 
pobres.
Exemplo de aplicação
Aplicando os indicadores de pobreza absoluta
Suponhamos uma sociedade muito simples, composta de cinco famílias com os seguintes níveis de 
renda per capita familiar:
• A: 12.000,00 reais.
• B: 1.200,00 reais.
• C: 880,00 reais.• D: 415,00 reais.
• E: 142,00 reais. 
50
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Se utilizarmos uma linha de pobreza de R$ 440 e de extrema pobreza de R$ 220, apenas as famílias 
D e E seriam consideradas pobres e/ou indigentes. Logo, o índice de pobreza P0 será igual a:
q 2
P0 0,4
N 5
= = =
Portanto, a proporção de pobres nessa sociedade é de 40%. Com o índice de pobreza P0, podemos 
supor que o custo para a erradicação seria equivalente ao valor da linha de pobreza multiplicado pela 
proporção de pobres, ou seja, 40% × R$ 440 = R$ 176
O índice de pobreza P1, ou seja, o hiato em relação à linha de pobreza, é calculado somando-se a 
quantia faltante para cada indivíduo atingir a linha de pobreza. Logo:
• A: Como R$ 12.000 > R$ 440, então, o hiato é R$ 0.
• B: Como R$ 1.200 > R$ 440, então, o hiato é R$ 0.
• C: Como R$ 880 > R$ 440, então, o hiato é R$ 0.
• D: Como R$ 415 < R$ 440, então, o hiato é R$ 440 – R$ 415 = R$ 25.
• E: Como R$ 142 < R$ 440, então, o hiato é R$ 440 – R$ 142 = R$ 298. 
Assim, R$ 25 + R$ 298 = R$ 323. Quando dividimos esse valor pelo número de famílias 
(R$ 323/5 = R$ 64,6), chegamos ao menor custo financeiro necessário para a erradicação da 
pobreza dessa sociedade fictícia. Em comparação com o índice de pobreza P0, o P1 é um indicador 
mais eficiente, imaginando-se o custo financeiro de erradicação da pobreza.
O hiato de pobreza (P1) constitui um indicador mais eficiente que a proporção de pobres (P0) por 
diferenciar a família pobre da extremamente pobre. Nesse exemplo, as famílias D e E entram com o 
mesmo peso no cálculo de P0, mas a família E vale quase 12 vezes mais que a D (R$ 298/R$ 25) quando 
usamos P1.
Dessa forma, considerando que a linha de pobreza é igual a R$ 440, o índice de pobreza P1 é igual a:
1 323
P1 0,1468
5 440
= × =
Logo, pelo índice de pobreza P1, o percentual de pobreza dessa sociedade é de 14,7%. Esse resultado 
deve-se ao fato de que P1 confere maior peso aos pobres. No entanto, o impacto de uma dada 
transferência de renda sobre o índice de pobreza independe do nível de renda daqueles que recebem 
essa transferência se o indicador utilizado for o P1. Para resolver esse problema, utilizamos o índice P2, 
que corresponde à distância média ao quadrado dos pobres com respeito à linha de pobreza, ou seja:
51
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
21 323
P2 0,1078
5 440
 = × =  
Logo, pelo índice de pobreza P2, o percentual de pobreza dessa sociedade é de 10,8%. Nesse caso, o 
custo de erradicação da pobreza é ainda menor (10,8% × R$ 440 = R$ 47,42). Isso se deve ao fato de os 
extremamente pobres serem o alvo prioritário das ações públicas.
 Saiba mais
A fixação da linha de pobreza pelos países sempre tem algum caráter 
arbitrário. Para contornar esse problema, a Organização Mundial da Saúde 
(OMS) passou a divulgar a linha de indigência, com base no consumo 
calórico de uma cesta de alimentos. Em tese, a definição da linha de pobreza 
no Brasil a partir do salário mínimo leva em consideração outras despesas 
não alimentares, como transporte, habitação e demais serviços públicos. 
Para uma comparação entre esses dois conceitos, consultar:
FERREIRA, F.; LANJOUW, P.; NERI, M. A robust poverty profile for Brazil 
using multiple data sources. Revista Brasileira de Economia, v. 1, n. 57, p. 
59-92, 2003.
4.2 Pobreza relativa
A pobreza pode ser representada como a falta de renda suficiente para cobrir as necessidades mínimas 
de uma família, porém a pobreza também se associa com uma educação deficiente, más condições de 
moradia, falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento básico, ou falta de acesso 
a serviços de saúde. Dessa forma, a pobreza relativa ocorre quando um indivíduo ou uma família têm 
o mínimo necessário para subsistir, mas não possuem os meios necessários para viver de acordo com a 
área onde estão inseridos, nem com pessoas de status social comparável.
Em suma, a pobreza relativa reflete o fato de que alguns indivíduos podem ter renda suficiente 
apenas para se alimentar, com pouco ou nenhum acesso a vestuário, habitação, educação e saúde. Não 
há consenso sobre o que deve ser incluído nesse tipo de medição, mas certamente indicadores dessa 
natureza tenderiam a aumentar o número de pessoas que vivem na pobreza.
A elaboração de um índice para medir a incidência e a profundidade da pobreza e sua evolução no 
tempo não é uma tarefa simples. A pobreza é um problema complexo, que não se pode reduzir a uma 
só dimensão. Portanto, torna-se necessário produzir um índice multidimensional que permita agregar 
vários indicadores específicos. O PNUD, além do IDH, também passou a produzir um índice que resume 
esses problemas relativos à pobreza: o Índice de Pobreza Humana ou IPH-1.
52
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Segundo o RDH 2006 (PNUD, 2006), enquanto o IDH mede os progressos médios alcançados, o IPH-1 
mede o grau de privação em três dimensões básicas do desenvolvimento humano contempladas no IDH:
• Uma vida longa e saudável: estabelecido a partir do grau de vulnerabilidade à morte numa idade 
relativamente prematura, esse indicador é medido através da probabilidade ao nascer de não viver 
até os 40 anos.
• Nível de conhecimento: fundamentado pela exclusão do mundo da leitura e das comunicações, é 
medido através da taxa de analfabetismo de adultos.
• Um nível de vida digno: baseado na falta de acesso a meios econômicos de subsistência, é medido 
a partir da média não ponderada de dois indicadores – a percentagem da população sem acesso 
sustentável a uma fonte de água tratada e a percentagem de crianças com peso abaixo do mínimo 
para a idade.
A fórmula de cálculo do IPH-1 é obtida de forma mais direta que o cálculo do IDH. Os indicadores 
utilizados para medir as privações elencadas já estão normalizados entre 0 e 1 (porque são expressos em 
termos percentuais). A fórmula de cálculo do IPH-1 é a seguinte:
( )
1
1 2 3
1
IPH1 P P P
3
θθ θ θ = + +  
em que:
• P1 – Probabilidade ao nascer de não viver até os 40 anos.
• P2 – Taxa de analfabetismo de adultos.
• P3 – Medida do grau de privação de um nível de vida digno, medido através de uma média não 
ponderada de dois indicadores:
— P3A – população sem acesso sustentável a uma fonte de água tratada; 
— P3B – crianças com baixo peso para a idade.
Logo:
( )3 3A 3B
1
P P P
2
= +
• θ – Peso associado às áreas de privação.
53
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
O valor de θ tem um impacto importante no valor do IPH-1. Se θ = 1, o IPH-1 corresponde à média 
das suas dimensões. Quando θ cresce, atribui-se maior peso à dimensão em que houver maior privação. 
Assim, à medida que θ tende a crescer ao infinito, o IPH-1 tenderá para o valor da dimensão em que o 
grau de privação for máximo. De acordo com o RDH 2006, o valor atribuído para θ é 3, para conferir um 
peso adicional, embora não excessivo, às áreas de privação mais aguda.
Exemplo de aplicação
Cálculo do IPH-1
A Namíbia apresentava em 2014 os seguintes indicadores:
• Probabilidade ao nascer de não viver até os 40 anos (P1): 45,4%.
• Taxa de analfabetismo de adultos (P2): 15,0%.
• Taxa de população sem acesso sustentável a uma fonte de água tratada (P3A): 13,0%.
• Taxa de crianças com baixo peso para a idade (P3B): 24,0%
Com base nos dados, calcule o IPH-1 da Namíbiaem 2014 (observação: considere θ = 3).
Resposta
1. Medida do grau de privação de um nível de vida digno. Dados: P3A = 0,13 e P3B = 0,24, obtemos:
( )
( )
3 3A 3B
3
1
P P P
2
1
P 0,13 0,24 0,185
2
= +
= + =
2. Cálculo do IPH-1. Dados: P1 = 0,454; P2 = 0,15; P3 = 0,185; e θ = 3:
( )
( )
1
1 2 3
1
33 3 3
1
IPH1 P P P
3
1
IPH1 0,454 0,15 0,185 0,3253
3
θθ θ θ = + +  
 = + + =  
Portanto, o IPH-1 é igual a 0,3253, ou seja, cerca de 32,5% da população da Namíbia vive em condições de 
pobreza que não permitem a esses habitantes atingir o nível mínimo de desenvolvimento humano.
54
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
 Resumo
Expusemos os principais indicadores que permitem classificar um país 
em termos de seu bem-estar. O principal indicador que proporciona algum 
parâmetro sobre o bem-estar das nações é a renda per capita, medido a 
partir da divisão da produção nacional pela totalidade da população (PIB per 
capita). Os dados mostram que algumas economias crescem rapidamente, 
enquanto outras crescem muito pouco. Além disso, há uma imensa variação 
entre a renda das diferentes economias. 
Apesar de a renda per capita produzir alguma reflexão sobre o bem-
estar das nações, podendo distingui-las entre ricas e pobres, ela pouco pode 
nos dizer sobre a condição de vida nesses países, mesmo que se possam 
efetuar ajustes nos valores usados, como a utilização da PPC. Para tanto, 
seria necessária a introdução de um indicador que enfatizasse informações 
sobre a expectativa de vida, mortalidade infantil e outros indicadores de 
qualidade de vida.
O IDH é o principal indicador sintético que identifica quanto uma economia 
é desenvolvida. Esse indicador engloba três dimensões (saúde, educação e nível 
de renda) e tem forte apelo pelo rápido entendimento e facilidade na obtenção 
de dados e cálculo. A saúde é sintetizada pela expectativa de vida ao nascer; a 
educação é resumida pela conjunção de indicadores (escolaridade média dos 
adultos e escolaridade esperada das crianças em idade escolar); o nível de renda 
é medido pela própria renda per capita do país. O IDH tem como objetivo mostrar 
os países que atendam às principais condições para a sobrevivência: (i) viver uma 
vida longa e saudável; (ii) ser bem instruído e qualificado profissionalmente; e 
(iii) ter um padrão de vida digno.
Apesar de os indicadores de desenvolvimento e crescimento apontarem 
importantes caminhos para o entendimento sobre as condições de 
vida nas diferentes nações, ainda assim existem problemas marcantes 
que diferenciam a capacidade de os países possuírem condições de 
desenvolvimento sustentável. Dois desses problemas foram analisados: a 
desigualdade e a pobreza.
A renda per capita mostra quanto cada cidadão possui da renda 
nacional, em média. Os indicadores de desigualdade apontam que 
diferentes camadas da população (normalmente decis) apropriam-se de 
parcelas distintas da renda nacional. A distribuição da renda é dividida 
normalmente em distribuição pessoal (salários e rendimentos auferidos 
pelas pessoas ou famílias) e distribuição funcional da renda (apropriação 
55
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
dos fatores de produção que geram rendimentos). O principal indicador de 
desigualdade é o coeficiente de Gini.
Por fim, a pobreza é uma mazela importante da sociedade moderna, 
mas existem muitas formas de medi-la. Os indicadores de pobreza têm 
como finalidade produzir uma medida objetiva da pobreza em termos 
do rendimento da população. A pobreza pode ser absoluta ou relativa. 
Os principais indicadores de pobreza absoluta levam em consideração a 
definição de uma linha de pobreza (valor monetário que condiz ao mínimo 
necessário para a sobrevivência). A contagem da população abaixo dessa 
linha representa a quantidade de pobres do país. A pobreza relativa deve 
ser medida em termos multidimensionais, considerando, além da renda, 
questões pautadas na saúde, na educação e no acesso a serviços públicos.
 Exercícios
Questão 1. (Enade, 2006). Numa economia há apenas duas pessoas: uma delas aufere 10% da 
renda, e a outra os 90% restantes. Nesse caso, a curva de Lorenz dessa economia será representada por 
OAB no gráfico abaixo.
100%
% da renda
10%
O
A
B
C
% da população50% 100%
Considerando o gráfico e as informações acima, é correto afirmar que:
A) O coeficiente de Gini é igual a 40%.
B) A concentração de renda vai reduzir a demanda a 50%.
C) Se a renda fosse distribuída equalitariamente, a curva de Lorenz seria OCB.
D) Se a renda fosse distribuída equalitariamente, o coeficiente de Gini seria igual a 100%.
E) Não é possível calcular o coeficiente de Gini para duas pessoas.
Resposta correta: alternativa A.
56
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
Unidade I
Análise das alternativas
A) Alternativa correta.
Justificativa: o crescimento do estoque de capital é dado pela taxa de poupança aplicada à 
taxa de crescimento. Conforme apresentado na parte teórica, devemos, primeiramente, medir 
a área do triângulo OAB, a qual corresponde à área de concentração a. Assim, mediremos as 
áreas A1, A2 e A3 e deduziremos o resultado de 0,5 (área do triângulo OCB). Depois, calculado a, 
aplicaremos a fórmula já definida do coeficiente de Gini, chegando ao resultado apresentado na 
alternativa. Veja a figura a seguir.
A3 A2
A1
B
a
50% 50%
10%
90%
50%
A
A
A
A
1
0 5 0 9
2
0 225
2 0 5 0 1 0 05
3
0 5 0 1
2
0 025
0 5 1
=
×
=
= × =
=
×
=
= −
, ,
,
, , ,
, ,
,
, (α ++ + =
= = =
A A
G
2 3 0 2
0 2
0 5
0 4 40
) ,
,
,
, %
Cálculo do coeficiente de Gini
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: essa afirmação não pode ser deduzida pelos dados apresentados.
C) Alternativa incorreta. 
Justificativa: ocorre justamente o contrário. Como vimos na parte teórica, essa seria a curva com a 
pior desigualdade possível.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: como visto na parte teórica, esse seria o índice com a pior desigualdade possível.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: duas pessoas já formam uma população. Portanto, é possível calcular o coeficiente 
de Gini.
57
CI
EC
O 
- 
Re
vi
sã
o:
 A
lin
e 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: F
ab
io
 -
 1
3/
04
/2
01
7
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO
Questão 2. (Enade, 2006). Segundo dados recentes do Banco Mundial, o Brasil ocupou as seguintes 
posições em termos de ordenamento internacional:
• 8º PNB
• 31º PNB per capita
• 72º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)
Considerando esses dados, conclui-se que:
A) Eles refletem melhor desempenho em termos de desenvolvimento do que de crescimento econômico.
B) O Brasil poderia ter uma situação pior na classificação, em termos de produto per capita, caso 
fosse considerado o PIB e não o PNB.
C) O IDH é melhor indicador que o PNB per capita para avaliar a qualidade do desenvolvimento de 
um país.
D) O índice de Gini, relativo à distribuição de renda, coloca o Brasil numa posição, entre os demais 
países, similar à de seu PNB.
E) Dos três indicadores, o IDH é o que menos reflete a realidade socioeconômica brasileira. 
Resolução desta questão na plataforma.

Mais conteúdos dessa disciplina