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ESTUDO DIRIGIDO: Anatomia topográfica e funcional das regiões poplítea, perna e pé 1) Liste ao menos 10 acidentes ósseos palpáveis no joelho, perna e pé, que você médico (a), utilizaria como referência no exame físico e nas vias de acesso cirúrgico. 1. Epicôndilo lateral 2. Patela 3. Tubérculo do adutor 4. Epicôndilo medial 5. Côndilos lateral e medial da tíbia 6. Cabeça da fíbula 7. Tuberosidade da tíbia 8. Face medial do corpo da tíbia 9. Margem anterior do corpo da tíbia 10. Maléolo lateral da fíbula 11. Maléolo medial da tíbia 12. Tuberosidade do navicular 13. Cabeça do metatarsal I 2) A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões ligamentares mais comuns, tornando a reconstrução do LCA uma das cirurgias mais frequentes. Explique sucintamente o principal mecanismo de estabilização de cada um dos ligamentos do joelho e as funções dos meniscos. ● Ligamentos cruzados: cruzam-se dentro da cápsula articular, mas fora da cavidade sinovial. Os ligamentos cruzados estão localizados no centro da articulação e cruzam-se obliquamente, como a letra X. Durante a rotação medial da tíbia sobre o fêmur, os ligamentos cruzados espiralam-se ao redor um do outro; assim, o grau de rotação medial possível é limitado a cerca de 10°. Como eles se desenrolam durante a rotação lateral, é possível realizar quase 40° de rotação lateral quando o joelho é fletido a cerca de 90°, sendo o movimento finalmente limitado pelo LCT. O quiasma (ponto de cruzamento) dos ligamentos cruzados é o eixo para movimentos giratórios no joelho. Por causa de sua orientação oblíqua, em todas as posições um ligamento cruzado, ou partes de um ou de ambos os ligamentos, está tenso. Os ligamentos cruzados mantêm contato com as faces articulares do fêmur e da tíbia durante a flexão do joelho. ○ Ligamento cruzado anterior (LCA): o mais fraco dos dois ligamentos cruzados, origina-se na área intercondilar anterior da tíbia, imediatamente posterior à inserção do menisco medial. ■ O LCA tem vascularização relativamente pobre. ■ Estende-se em sentido superior, posterior e lateral e se fixa na parte posterior da face medial do côndilo lateral do fêmur. ■ Limita a rolagem posterior dos côndilos do fêmur sobre o platô tibial durante a flexão, convertendo-o em rotação (sem sair do lugar). ■ Também impede o deslocamento posterior do fêmur sobre a tíbia e a hiperextensão da articulação do joelho. ■ Quando a articulação é fletida em ângulo reto, a tração anterior da tíbia não é possível (como ao puxar uma gaveta) porque é segura pelo LCA. ○ Ligamento cruzado posterior (LCP): o mais forte dos dois ligamentos cruzados, origina-se da área intercondilar posterior da tíbia. ■ O LCP segue em sentido superior e anterior na face medial do LCA para se fixar à parte anterior da face lateral do côndilo medial do fêmur. ■ O LCP limita a rolagem anterior do fêmur sobre o platô tibial durante a extensão, convertendo-a em rotação. ■ Também impede o deslocamento anterior do fêmur sobre a tíbia ou o deslocamento posterior da tíbia sobre o fêmur e ajuda a evitar a hiperflexão da articulação do joelho. ■ No joelho fletido com sustentação de peso, o LCP é o principal fator estabilizador do fêmur (p. ex., ao caminhar em um declive). ● Meniscos da articulação do joelho: são lâminas em forma de meia-lua (“hóstias”) de fibrocartilagem na face articular da tíbia que aprofundam a superfície e absorvem o choque. Os meniscos são mais espessos em suas margens externas e afilam-se até formarem margens finas, não fixadas no interior da articulação. Os meniscos, que têm formato de cunha em corte transversal, estão firmemente fixados em suas extremidades na área intercondilar da tíbia. As margens externas fixam-se à cápsula articular do joelho. Os ligamentos coronários são partes da cápsula articular que se estendem entre as margens dos meniscos e a maior parte da periferia dos côndilos da tíbia. Uma faixa fibrosa delgada, o ligamento transverso do joelho, une-se às margens anteriores dos meniscos, cruzando a área intercondilar anterior e fixando os meniscos um ao outro durante movimentos do joelho. ○ Menisco medial: tem formato de C, é mais largo na parte posterior do que na anterior. ■ Sua extremidade (corno) anterior está fixada à área intercondilar anterior da tíbia, anteriormente à inserção do LCA. ■ A extremidade posterior está fixada à área intercondilar posterior, anteriormente à inserção do LCP. ■ O menisco medial adere firmemente à face profunda do LCT. ■ Em razão de suas inserções amplas laterais na área intercondilar tibial e mediais no LCT, o menisco medial é menos móvel sobre o platô tibial do que o menisco lateral. ○ Menisco lateral: é quase circular, menor e tem mais mobilidade do que o menisco medial. ■ O tendão do músculo poplíteo tem duas partes na região proximal. Uma parte fixa-se no epicôndilo lateral do fêmur e segue entre o menisco lateral e a parte inferior da face epicondilar lateral do fêmur (sobre a face medial do tendão) e o LCF que se situa na sua face lateral. ■ A outra parte mais medial do tendão do músculo poplíteo fixa-se no ramo posterior do menisco lateral. Uma alça tendínea forte, o ligamento meniscofemoral posterior, une o menisco lateral ao LCP e ao côndilo medial do fêmur. 3) Vários são os motivos para o conhecimento anatômico da vascularização arterial do joelho. Trata-se de uma complexa rede anastomótica com diversas artérias envolvidas. Como exemplo, podemos citar a Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP), que acomete 10,5% das pessoas maiores de 18 anos no Brasil. A sua principal etiologia é a obstrução aterosclerótica. A rede vascular arterial do joelho está acometida quando a DAOP envolve principalmente a A. femoral e a A. poplítea. Com o auxílio do atlas de anatomia, cite as artérias que fazem parte da rede articular do joelho. As artérias que suprem a articulação do joelho são os 10 vasos que formam a rede articular do joelho: os ramos geniculares dos ramos femoral, poplíteo e recorrentes anterior e posterior das artérias recorrente tibial anterior e circunflexa fibular. Os ramos geniculares médios da artéria poplítea penetram a membrana fibrosa da cartilagem articular e suprem os ligamentos cruzados, a membrana sinovial e as margens periféricas dos meniscos. 4) No exame físico do membro inferior é importante determinar os pulsos para verificação da perfusão. Cite três pontos de aferição dos pulsos e as artérias examinadas (apenas nas regiões de estudo deste ED). Pulsos avaliados: ● Pulso femoral ○ Artéria femoral ○ Palpa-se ao nível do trígono femoral, no ponto médio entre a sínfise púbica e a espinha ilíaca ântero-superior. ● Pulso poplíteo ○ Artéria poplítea ○ Geralmente é de difícil palpação, uma vez que não é superficial nem atravessa nenhuma proeminência óssea, existindo dois métodos de palpação: ■ Flexão do joelho em 90º, enquanto o examinador coloca os dois polegares na tuberosidade tibial e os outros dedos em gancho na fossa poplítea, procurando o feixe neuromuscular e pressionando-o contra a superfície posterior da tíbia ■ Colocando o paciente em decúbito dorsal e com flexão passiva do joelho em 60º procurando o pulso na fossa poplítea com as polpas digitais ● Pulso tibial posterior ○ Artéria tibial posterior ○ Palpado posteriormente ao maléolo medial ● Pulso pedioso (dorsal do pé) ○ Artéria dorsal do pé ○ Tem variação anatômica e pode apresentar dificuldade de palpação OBS: Na prática clínica os pulsos pedioso e tibial posterior são habitualmente usados para investigar a presença de doença vascular nos membros inferiores. 5) A lesão traumática na região lateral do joelho é comum, mas de acordo com a força do impacto e a sua natureza, pode levar a fratura da cabeça da fíbula e do nervo fibular comum. No caso da lesão total desse nervo, cite os sinais e sintomas que o paciente apresentará no exame físico. Em virtude de sua posição superficial, o nervo fibular comum é lesado com maior frequência no membro inferior, principalmente porque se espirala sob a pele aoredor do colo da fíbula, o que o deixa vulnerável ao traumatismo direto. Esse nervo também pode ser seccionado durante a fratura do colo da fíbula ou muito distendido quando há lesão ou luxação da articulação do joelho. A secção do nervo fibular comum resulta em paralisia flácida de todos os músculos nos compartimentos anterior e lateral da perna (dorsiflexores do tornozelo e eversores do pé). A perda da dorsiflexão do tornozelo causa o pé em gota, que é ainda mais exacerbado pela inversão do pé sem oposição. Isso tem o efeito de tornar o membro “muito longo”: os dedos do pé não saem do solo durante a fase de balanço da marcha. Existem várias outras situações que podem resultar em um membro inferior “muito longo” funcionalmente, por exemplo, inclinação pélvica e paralisia espástica ou contração do músculo sóleo. Existem pelo menos três formas de compensar esse problema, que podem ser observados ao fazer o exame físico no paciente: ● A marcha cambaleante, na qual o indivíduo se inclina para o lado oposto ao do membro longo, “fazendo subir” o quadril ● A marcha com balanço lateral, na qual o membro longo balança lateralmente (é abduzido) para permitir que os dedos saiam do solo ● A marcha escarvante, com elevação demasiada do membro inferior, na qual há flexão exagerada do quadril e do joelho para levantar o pé o suficiente para evitar que os dedos toquem o solo. Como o pé em gota dificulta tocar primeiro com o calcanhar no solo como na marcha normal, a marcha escarvante costuma ser observada no caso de paralisia flácida. Às vezes é acrescentado um “chute” extra durante o avanço do membro livre, na tentativa de levantar o antepé, logo antes de abaixar o pé. No pé em gota da paralisia flácida também há perda da ação de frenagem normalmente produzida por contração excêntrica dos músculos dorsiflexores. Portanto, o pé não é abaixado até tocar o solo de forma controlada depois do toque do calcâneo, mas bate subitamente no solo, emitindo um “clop” característico e aumentando muito o choque recebido pela parte anterior do pé e o choque transmitido pela tíbia para o joelho. Os indivíduos com lesão do nervo fibular também podem apresentar perda variável de sensibilidade na face anterolateral da perna e no dorso do pé. 6) A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade. O Brasil ocupa o 2º lugar no mundo no registro de novos casos. Os sinais e sintomas mais comuns da hanseníase são: lesões cutâneas com alterações de sensibilidade, e comprometimento de nervos periféricos. Nos membros inferiores, o nervo periférico mais frequentemente acometido é o nervo fibular comum, levando a alterações do seu ramo cutâneo, o N. cutâneo sural lateral. Cite a inervação cutânea da perna, identificando as regiões correspondentes a cada nervo cutâneo ao qual o (a) médico (a) deve examinar nesses casos. Os principais nervos responsáveis pela inervação cutânea da perna são: ● Ramo infrapatelar do nervo safeno ● Nervo safeno (ramo do nervo femoral) ● Nervo cutâneo sural lateral (ramo do nervo fibular comum) ● Nervo fibular superficial (formando os nervos digitais dorsais) ● Nervo cutâneo femoral posterior ● Nervo cutâneo sural medial (ramo do nervo tibial) ● Ramo fibular comunicante ● Nervo sural 7) A síndrome compartimental é um conjunto de sinais e sintomas causados pelo aumento de pressão em um compartimento osteomiofascial. Possui uma forte relação com edemas volumosos pós-traumáticos, sendo a perna, a região mais frequentemente envolvida por esta síndrome em virtude da anatomia da fáscia crural (por exemplo, fratura da tíbia e da fíbula). Cite os compartimentos da perna com seus músculos, nervos e artérias. Compartimento da perna Músculos Nervos e artérias Função Anterior Tibial anterior, extensor longo dos dedos, extensor longo do hálux, fibular terceiro (divisão tendínea do m. extensor longo dos dedos) N. fibular profundo (ramo do N. fibular comum) e vasos tibiais anteriores Dorsiflexão, extensão dos dedos e inversão do pé Lateral Fibular longo e fibular curto N. fibular superficial (ramo terminal do N. fibular comum). Não há vasos próprios no compartimento, a vascularização é feita pelos ramos dos vasos fibulares e tibiais anteriores Plantiflexão e eversão do pé Posterior Plantar, tríceps sural (gastrocnêmios medial e lateral + sóleo), poplíteo, flexor longo dos dedos, flexor longo do hálux, tibial posterior N. tibial (ramo terminal do N. isquiático) e vasos tibiais posteriores e fibulares Plantiflexão e flexão dos dedos e inversão do pé 8) Mediante a questão anterior, de acordo com o compartimento acometido, cite dois principais movimentos no qual o (a) médico (a) deverá perceber alteração no exame físico do paciente (cite para cada compartimento da perna). Compartimento acometido da perna Movimento alterado Anterior Dorsiflexão, extensão dos dedos e inversão do pé Lateral Plantiflexão e eversão do pé Posterior Plantiflexão e flexão dos dedos e inversão do pé 9) O diabete mellitus (DM) é uma doença que pode evoluir com ulcerações associadas com alterações neurológicas e arteriais nos pés (chamado, pé diabético). O pé diabético é a única complicação crônica do DM possível de prevenção primária. Para a prevenção primária, é necessário o exame neurológico do pé do paciente diabético. Cite a inervação cutânea do pé, identificando as regiões correspondentes a cada nervo cutâneo o qual o (a) médico (a) deve examinar e interpretar. A inervação cutânea do pé é feita: ● Na parte medial, pelo nervo safeno, que se estende distalmente até a cabeça do metatarsal I ● Na parte superior (dorso do pé), pelos nervos fibulares superficial (principal) e profundo ● Na parte inferior (planta do pé), pelos nervos plantares medial e lateral; a margem comum de sua distribuição estende-se ao longo do 4o metacarpal e do dedo. (Isso é semelhante ao padrão de inervação da palma da mão) ● Na parte lateral, pelo nervo sural, inclusive parte do calcanhar ● Na parte posterior (calcanhar), por ramos calcâneos medial e lateral dos nervos tibial e sural, respectivamente. 10) O refluxo venoso das veias periféricas dos membros inferiores pode levar ao aparecimento de varizes. É um fenômeno muito comum e idiopático, mas que podem complicar formando trombos e êmbolos que se deslocam para outras regiões do corpo. No exame físico o (a) médico (a) deve inspecionar e palpar esses vasos na perna. Para tanto, cite as veias superficiais, o seu trajeto na perna, e os nervos cutâneos que acompanham essas veias. ● Relações Veia- Nervo: ○ Veia safena magna- Nervo safeno ○ Veia safena parva- Nervo sural 11) A forma como um indivíduo pisa (pisada) determina uma série de outros fatores que podem levar a saúde ou à doença. A pisada está anatomicamente relacionada a forma do pé, especialmente aos arcos plantares. Cite os arcos do pé, e as estruturas responsáveis pela manutenção destes arcos. ● Arco longitudinal do pé: é formado pelas partes medial e lateral. Do ponto de vista funcional, as duas partes atuam como uma unidade com o arco transverso do pé, distribuindo o peso em todas as direções. ○ Arco longitudinal medial: é mais alto e mais importante do que o arco longitudinal lateral. ■ O arco longitudinal medial é formado por calcâneo, tálus, navicular, três cuneiformes e três metatarsais. ■ A cabeça do tálus é o elemento principal do arco longitudinal medial. ■ O músculo tibial anterior, que se fixa ao metatarsal I e ao cuneiforme medial, ajuda a fortalecer o arco longitudinal medial. ■ O tendão do músculo fibular longo, que segue da região lateral para a medial, também ajuda a sustentar esse arco. ○ Arco longitudinal lateral: é muito mais plano do que a parte medial do arco e apoia-se no solo na posição de pé. ■ É formado pelo calcâneo, pelo cubóide e pelos dois metatarsais laterais. ● Arco transverso do pé: segue de um lado ao outro. ○ É formado pelo cubóide, cuneiformes e bases dos metatarsais. ○ As partes medial e lateral do arco longitudinal atuam como pilares para o arco transverso. ○ Os tendõesdos músculos fibular longo e tibial posterior, que cruzam sob a planta do pé como um estribo, ajudam a manter a curvatura do arco transverso. ○ A integridade dos arcos ósseos do pé é mantida por fatores passivos e suportes dinâmicos. Fatores de manutenção dos arcos: ● Fatores passivos que participam da formação e manutenção dos arcos do pé: ○ O formato dos ossos unidos (os dois arcos, mas principalmente o arco transverso) ○ Quatro camadas sucessivas de tecido fibroso que contém o arco longitudinal (da região superficial para a profunda): ■ Aponeurose plantar ■ Ligamento plantar longo ■ Ligamento calcaneocubóideo plantar ■ Ligamento calcaneonavicular plantar. ● Sustentações dinâmicas que contribuem para a manutenção dos arcos do pé: ○ Ação de sustentação ativa (reflexa) dos músculos intrínsecos do pé (arco longitudinal) ○ Contração ativa e tônica dos músculos com tendões longos que se estendem até o pé: ■ Flexores longos do hálux e dos dedos para o arco longitudinal ■ Fibular longo e tibial posterior para o arco transverso. OBS: Desses fatores, os ligamentos plantares e a aponeurose plantar suportam a maior tensão e são mais importantes na manutenção dos arcos do pé.