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Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo – SAF Quezia Brito CONCEITO é clinicamente definida por tromboses recorrentes, arteriais ou venosas, perdas fetais de repetição e; laboratorialmente pela presença de anticorpos antifosfolipídeos (aPL), a saber: anticardiolipina (aCL), anti-beta2 glicoproteína 1 (B2GP1) e o Lúpus Anticoagulante (LAC). É responsável por 15-20% dos casos de TVP 1/3 dos AVE < 50 anos, em indivíduos sem fatores de risco para o AVE 10-15% das perdas fetais recorrentes EPIDEMIOLOGIA Prevalência 0,3 – 1% da população geral Anticorpos antifosfolipídeos presentes em 30- 40% dos portadores de LES: 52% desenvolverão a síndrome FISIOPATOLOGIA Não há vasculites, mas sim uma hiperatividade da célula endotelial → ativação do complemento, anulação do efeito das proteínas anticoagulantes = estado protrombótico Anticorpos antifosfolipídeos se liga a célula endotelial, através da proteína beta2glicoproteina 1. Com isso ocorre a ativação do complemento, liberação de citocinas, prostraglandinas. A proteína ligadora de fosfolípide adere as plaquetas = formação do coágulo Promove também a inibição da liberação de proteínas anticoagulantes = formação do coágulo Participação de imunoglobulinas (anticorpos), como também ativação do complemento MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Manifestações trombóticas Venoso: seios venosos cerebrais, veias hepáticas, veias renais, veia porta, veia pulmonar, veias superficiais e profundas, veia cava inferior Arterial: artéria central da retina, artérias cerebrais, artérias coronárias, artérias de extremidades, artérias mesentéricas, Manifestações não trombóticas não relacionadas diretamente ao trombo Tromboflebite superficial Trombocitopenia, anemia hemolítica (síndrome de Evans) IAM, endocardite de Libman-Sacks Livedo reticular Convulsão Encefalopatia Coreia Mielopatia Mononeurite DIAGNÓSTICO 1 critério clinico e 1 critério laboratorial SAF CATASTRÓFICA MANEJO DA SAF EULAR, 2019 Perfil de alto risco: indivíduos com os três anticorpos antifosfolípides positivos: anticardiolipina (aCL) em títulos altos (≥80), anti- beta2 glicoproteína 1 (B2GP1) e o Lúpus Anticoagulante (LAC). Perfil de baixo risco: apenas um anticorpo antifosfolítico positivo OU o aCL em títulos moderados (40-80) Para a SAF catastrófica: ✓Anticoagulação plena ✓Corticosteroides ✓Imunoglobulina ✓Plasmaferese ✓Rituximabe Síndrome de Sjogren CONCEITO é uma doença autoimune que se caracteriza principalmente pela manifestação de secura ocular e na boca associadas à presença de autoanticorpos ou sinais de inflamação glandular. Algumas células brancas (chamadas de linfócitos) invadem vários órgãos e glândulas, principalmente as glândulas lacrimais e salivares, produzindo um processo inflamatório que acaba por prejudicá- los, impedindo suas funções normais. EPIDEMIOLOGIA A incidência aumenta com a idade, é rara em crianças Prevalência extremamente variável pelo ✓Amplo espectro clinico ✓Inespecificidade dos sinais e sintomas ✓Diversidade dos critérios diagnósticos Mulheres na 4º e 5º década de visa 14-24 mulheres: 1 homem ½ dos casos são primeiras 10-25% dos pacientes com LES 30-50% dos pacientes com AR ETIOPATOGENIA Associação com HLA-B8, HLA-DR3 e DRW52, bem como aos loci de HLA-DQA1 e HLA-DQB1 Fatores ambientais: citomegalovírus, Epstein- Barr Virus e HTLV-1 Influências hormonais: cada 3 anos de TRH aumenta em 15% o risco de xeroftalmia Infiltração linfocitica: células T auxiliares CD4+ ativadas e plasmócitos Fibrose glandular FISIOPATOLOGIA Alterações funcionais das células epiteliais: apoptose é rara Alterações na dinâmica da concentração do cálcio e déficit da estimulação neuroendócrina MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Gerais: febre baixa, fadiga, poliadenopatia Boca: xerostomia = doença periodontal, candidíase oral, língua saburrosa, aumento compensatório das parótidas Olhos: xeroftalmia = ceratocnjuntivite seca, ulcera de córnea Pele: xerótica Vias áreas superiores: ressecamento nasal, tosse crônica, déficit auditivo neurossensorial Osteolocomotor: artralgias, artrite simétrica não erosiva, mialgias Cardiovascular: distúrbios autonômicos, fenômeno de Raynaud Fígado: cirrose biliar primária, hepatite autoimune Pulmão: doença pulmonar intersticial, bronquiectasias Tireoide: tireoidite autoimune Neurológico: polineuropatia, mononeurite múltipla, mielopatia, acometimento de nn cranianos (5, 7, 8), lesões da substância branca Rins e vias urinarias: acidose tubular renal, glomerulonefrite, cistite instersticial DIAGNÓSTICO Teste de schirmer: colocação de uma tira de papel filtro sob ambas as pálpebras inferiores. O paciente permanece com os olhos suavemente fechados e, após 5 minutos, as tiras de papel filtro são retiradas. A quantificação da produção de lágrima é feita pela medida do papel filtro que ficou úmida. ✓acima de 10mm = normal ✓entre 5 e 10mm = olho seco moderado ✓abaixo de 5mm = olho seco severo Teste de rosa bengala: é um corante que avalia o grau de comprometimento das células da superfície da córnea e da conjuntiva, causados pela baixa proteção do filme lacrimal Teste de fluoresceína CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS ACR/EULAR, 2016 Se apresentar um critério de exclusão: NÃO pensa em Sjogren CRITÉRIOS CLASSIFICATÓRIOS Sjogren primária: Diagnóstico estabelecido ≥4 pontos DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS TRATAMENTO Dependerá de cada manifestação COMPLICAÇÕES