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Fisiologia da visão Joëlle Moreira Introdução Mais da metade dos receptores sensitivos, no corpo humano, está localizada nos olhos, e uma grande parte do córtex cerebral é dedicada ao processamento das informações visuais. Os olhos são responsáveis pela detecção da luz visível, a parte do espectro eletromagnético com comprimentos de onda variando aproximadamente de 400nm e 700nm. ● A luz visível apresenta cores: a cor depende do comprimento de onda ● Um objeto é capaz de absorver certos comprimentos de onda da luz visível e refletir outros. Anatomia geral do olho Estrutura que dá forma ao globo ocular Membrana da parede interna do olho. Contém fotorreceptores que transformam a luz em impulsos elétricos Transporta os impulsos elétricos para o cérebro Abertura central da íris que permite a passagem da luz para o cristalino Ajusta o foco da luz ⤍ acomodação visual 1a estrutura a receber a luz Parte colorida. Possui músculos que permitem a midríase e a miose da pupila É o centro da mácula. Local de concentração dos cones ⤍ máxima acuidade visual Depressão Fotorreceptores Cones Recepção de estímulos luminosos brilhantes (visão fotópica), responsável pela visão de cores Bastonetes Sensíveis a penumbra (visão escotópica) Rodopsina Pigmentos coloridos - fotopsina Em animais diurnos, os bastonetes são mais densos na periferia da retina Nos noturnos, ocorre o inverso. Em regra geral, são mais densos nas áreas centrais e esparsos nas áreas periféricas da retina Essa variação central se dá pelo local onde o feixe luminoso entra. Fotometria Há três tipos de visão: ● Fotópica: visão colorida sob condições normais de luz natural (> 3 cd/m2). Os cones estão ativados. ● Escotópica: visão humana no escuro (< 0,001 cd/m2). Apenas os bastonetes estão ativados ● Mesópica: É a combinação dessas duas em situações com pouca luz, mas sem ser totalmente escuro. Quando bastonetes e cones são excitados, os sinais são transmitidos, primeiramente, através de sucessivas camadas de neurônios na própria retina e, por fim, propagam-se pelas fibras do nervo óptico e para o córtex cerebral. ● Quando a energia luminosa é absorvida pela rodopsina, essa começa a se decompor dentro de fração muito pequena de segundo ● É a metarrodopsina II (rodopsina ativada), que provoca alterações elétricas nos bastonetes, e os bastonetes então transmitem a imagem visual para o SNC sob a forma de potencial de ação do nervo óptico. ● A vitamina A está presente no citoplasma dos bastonetes e na camada pigmentar da retina. Portanto, a vitamina A normalmente está sempre disponível para formar novo retinal quando necessário. Inversamente, quando houver excesso de retinal na retina, será convertido de volta à vitamina A, reduzindo, assim, a quantidade de pigmento fotossensível na retina. Essa interconversão entre retinal e vitamina A é especialmente, importante na adaptação a longo prazo da retina a diferentes intensidades luminosas. Fotoquímica da Visão dos Bastonetes processo inibitório Os bastonetes desenvolveram cascata química importante que amplifica o efeito de um só fóton de luz, causando o movimento de milhões de íons sódio. Esse mecanismo explica a extrema sensibilidade dos bastonetes, sob condições de baixa luminosidade. Os cones são cerca de 30 a 300 vezes menos sensíveis que os bastonetes, mas mesmo este grau de sensibilidade permite a visão colorida em qualquer intensidade de luz, acima da penumbra extrema. ● As substâncias fotoquímicas nos cones têm quase exatamente a mesma composição química que a da rodopsina nos bastonetes. A única diferença é que as porções proteicas, ou opsinas — chamadas fotopsinas nos cones — são ligeiramente diferentes da escotopsina dos bastonetes Fotoquímica da Visão dos Cones Raios luminosos ⤍ retina (fotorreceptores) ⤍ pigmentos (iodopsina e cianopsina - cones; e rodopsina - bastonetes) ⤍ degradação desses pigmentos perante o impacto da luz ⤍ alteração no metabolismos dos fotorreceptores, que propicia o desencadeamento de estímulos elétricos transmitidos posteriormente para as células da retina cujos prolongamentos constituem o nervo óptico Para o funcionar corretamente, os pigmentos degradados têm que se regenerar ⤍ condição para que os fotorreceptores recebam novos estímulos Adaptação à luz e ao escuro Adaptação à luz e ao escuro ADAPTAÇÃO À LUZ Luz intensa por muitas horas ⤍ grande parte das substâncias fotoquímicas nos bastonetes e cones é reduzida a retinal e opsinas; e grande parte do retinal dos bastonetes e dos cones terá sido convertida em vitamina A ⤍ ⇣ das concentrações das substâncias químicas fotossensíveis que permanecem nos bastonetes e nos cones ⤍ ⇣ sensibilidade do olho à luz. ADAPTAÇÃO AO ESCURO Escuro por longo período ⤍ retinal e as opsinas nos bastonetes e nos cones serão convertidos de volta a pigmentos sensíveis à luz; e a vitamina A é convertida de volta em retinal para aumentar os pigmentos sensíveis à luz, sendo o limite final determinado pela quantidade de opsinas nos bastonetes e nos cones, para se combinarem com o retinal. Adaptação à luz e ao escuro O gráfico mostra a evolução da adaptação ao escuro, quando a pessoa é exposta à escuridão total depois de ter sido exposta à luz forte por várias horas. A curva resultante é chamada curva de adaptação ao escuro. ● A primeira parte da curva é causada por adaptação dos cones ⤍ todos os eventos químicos da visão ocorrem cerca de 4x mais rapidamente nos cones do que nos bastonetes. ● Portanto, a despeito da adaptação rápida, os cones param de se adaptar após apenas alguns minutos, enquanto os bastonetes com adaptação mais lenta continuam a se adaptar por muitos minutos e até horas, aumentando imensamente sua sensibilidade. Referências SILVERTHORN, D. U.; Fisiologia Humana – Uma abordagem integrada. 7 ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.