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Riquetsioses DEFINIÇÃO - Rickettsiose ou riquetsiose refere-se a qualquer doença infecciosa causada por bactérias gram-negativas da família Rickettsiaceae e que são transmitidas por carrapatos, ácaros ou piolhos. - Doenças infecciosas que compõem as riquetioses: - Tifo epidêmico. - Febre maculosa. - Bartonesole - Erliquiose - Tifo da pulga de gato. - Abordaremos a febre maculosa brasileira. FEBRE MACULOSA BRASILEIRA · ETIOLOGIA: - Causada pela R. rickettsii. - Bacilos gram negativos, aeróbios, aflagelados e intracelulares obrigatórios. - Mantidos em reservatórios animais. - Transmitidos ao homem por vetores artrópodes, como os carrapatos (carrapato de cavalo). - Ela possui como alvo as células do endotélio vascular. · EPIDEMIOLOGIA: - Conhecida como sarampão, sarampo preto, febre tifoide hemorrágica, pintada, febre chitada e febre tifoide das montanhas. - Acomete sul e sudeste brasileiros. - 80% dos casos ocorrem de maio a outubro. - Transmitida por carrapato. - Causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. · VETORES: - O principal vetor é um carrapato. - Em qualquer fase da vida eles podem transmitir as doenças. - No Brasil o principal representante é o Amblyomma cajannense (carrapato de cavalo) sendo também chamado de carrapato estrela. - Uma vez infectado o carrapato transmite pelo resto da vida (transmissão vertical ou transovariana). - O carrapato faz lesão na pele no momento em que se alimenta do sangue humano, a saliva do carrapato é anticoagulante e se alimenta por vários dias, mas para transmitir a bactéria ele precisa de, pelo menos, 3 a 4 horas na pele. - Sempre retirar os carrapatos precocemente. O homem é hospedeiro ACIDENTAL -> FEBRE MACULOSA. · FISIOPATOGENIA: - Lesão de células do epitélio vascular é a principal causa de doença nos humanos. - Macrófagos são os alvos secundários. - Colônias de bactérias fazem lesão direta em células hospedeiras. - As lesões mais graves são observadas em pulmão e cérebro. - CLINICA: edema pulmonar não cardiogênico, pneumonia intersticial, síndrome da insuficiência respiratória, choque hipovolêmico, meniongoencefalite, convulsão e coma. Insuficiencia renal aguda, manifestações hemorrágicas e alterações neurológicas focais. Em suma, temos processo inflamatório agudo e pró-coagulante localizado. Temos um aumento de permeabilidade vascular, resultando em: edema, hipovolemia, hipotensão com insuficiência vascular, associada a subsequente resposta mononuclear leucocitária do hospedeiro. Assim, temos: vasculite generalizada -> hemorragia. Consumo localizado de plaquetas -> trombocitopenia Ativação do sistema calicreina-cinina e do mecanismo de coagulação. GERANDO: lesão em todos os órgãos, principalmente em capilares e arteríolas do sistema nervoso, baço, rim e pele. · CLÍNICA: - Incubação: 2 a 14 dias. - Multissistêmica, com quadro clínico variado. - Febre, mal estar geral, cefaleia, hiperemia conjuntival e mialgias. - Exantema: é o mais IMPORTANTE. Ocorre no 3º ou 5º dia. Mas é ausente em 20% dos casos. Tem inicio macular róseo e evolui de 2 a 5 dias para máculo-papular-petequial avermelhado. Vai de extremidades para o tronco e desaparece com digitopressão. Não aparece em idosos ou para quem recebe tratamento com antibiótico precocemente, assim como em idosos. - Cancro de inoculação – ocorre no local da picada: é raro de ser observado – entretanto, quando é observado tem necrose local por proliferação de riquétsias, levando a uma resposta imune local adaptativa contra as bactérias nos linfonodos de drenagem, antes da disseminação hematogênica (quando há o cancro de inoculação, tem menor letalidade pois tenho resposta imune localizada precoce). - Sintomas do TGI: náuseas, vômitos e dor abdominal. Eventualmente temos compremetimento hepático com icterícia, necrose tubular aguda, pneumonia intersticial, derrame pleural, meningite, encefalite, vasculite retiniana e gangrena de extremidades. - Lesões equimóticas e purpúricas causam necrose e gangrena – o que pode levar a amputação de dedos ou membros pelas lesões de microcirculação. - Se retardo de diagnóstico -> podemos ter letalidade de 8 a 15 dias. - Forma FULMINANTE: óbito dentro de 5 dias (simulando uma apendicite aguda). - COMPLICAÇÕES: pneumonite, miocardite, IR, gangrena de dedos e escroto, encefalite, trombocitopenia e CIVD. Exantema característico. · DIAGNÓSTICO: - Uso precoce de antibiótico modifica o desfecho da patologia: NA PRIMEIRA SUSPEIÇÃO DE FEBRE MACULAR BRASILEIRA É OBRIGATÓRIO ANTIBIÓTICO. - Pesquisa de anticorpos -> imunofluorescência indireta: surge nos 7 – 10 dias. - IgM pode ter reação cruzada com dengue e leptospirose. - IgG é mais específico e é usado no diagnóstico -> buscar fazer de forma pareada (2ª amostra de 14 a 21 dias depois). - Confirmatório: aumento de até 4x na titulação do IgG com intervalo de 14 a 21 dias. - PCR com busca de genes específicos do patógeno. - Imunohistoquimica: amostras de biópsia de pele. - Cultura: serviços especialidados. · DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Fazer diagnóstico com as síndromes febris: Fazer diagnóstico com síndrome febril (íctero)hemorrágica: · TRATAMENTO: - A partir de uma suspeita de febre maculosa, a terapêutica com antibióticos deve ser iniciada imediatamente, não se devendo esperar a confirmação laboratorial do caso. - Durando 7 a 10 dias e de preferencia com: Ou até 3 dias após o término da febre. · PREVENÇÃO: - Relacionada ao combate de vetores: evitar áreas infestadas por carrapato, roupas de prevenção/proteção individual. - Retirar de carrapatos (escovação e pinçamento). - Uso de carrapaticidas. - Educação continuada.