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Amanda Peretti R1 PRM em Pediatria HE-UFPel Doenças Exantemáticas – Parte II Doenças Exantemáticas Sarampo Rubéola Varicela Exantema Súbito Exantema Infeccioso Mononucleose Infecciosa Síndrome Mão-Pé-Boca Escarlatina Doença de Kawasaki Eritema Infeccioso 01 Eritema Infeccioso Transmissão Gotículas das vias aéreas dos infectados em período de viremia (07 a 10 dias) Mais raramente por hemoderivados. Agente etiológico Causado pelo Parvovírus B19 Ser humano é seu único hospedeiro Sua infecção é comum. Eritema Infeccioso Fisisopatologia 03 Controle da doença Queda dos reticulócitos Vírus entra em células precursoras da linhagem eritróide Lise celular Interrupção da eritropoiese; 01 Ocorre já com a presença de anticorpos circulantes Não há mais viremia Resultado de um processo imunomediado pós- infeccioso. Anticorpos (imunidade humoral) surgem no segundo ou terceiro dia após início do quadro inespecífico Retomada da eritropoiese e desaparecimentos dos sintomas; 02 Manifestação exantemática Eritema Infeccioso Manifestações Clínicas Incubação O tempo de incubação gira em torno de 04 a 14 dias; Pródromos Na maioria das vezes, não temos a presença de pródromos; Sintomas Febre, mal-estar e rinorreia podem estar presentes Muitas vezes, a infecção pelo parvorírus B19 é assintomática. Eritema Infeccioso Exantema Segunda fasePrimeira fase Início com maculopápulas confluentes em face Placas vermelhas, poupando região periorbital, testa e nariz “Asa de borboleta” ou “face esbofetada”; Exantema se dissemina para o tronco e acomete os membros superiores e inferiores podendo ter um leve prurido que dura em torno de 10 dias Pele “rendilhada” ou “em forma de samambaia”; Recorrência das lesões após 01 ou 02 semanas depois do desaparacimento dos sintomas Exposição ao sol, exercícios ou alteração de temperatura. Terceira fase Aplasia medular Paciente já com imunidade humoral comprometida Instalação de infecção crônica Supressão total da medula óssea; Eritema Infeccioso Outras manifestações Crise aplástica transtitória Evento imunomediado Desde artralgia até artrite Autolimitado (dura poucas semanas); Em indivíduos com doença hemolítica crônica Queda abrupta da hemoglobina Apesar de autolimitada, geralmente é necessário hemotranfusão; Infecção fetal Artropatia Placenta contém antígeno P que serve como receptor para o vírus Hidropsia fetal não imune; Síndrome papular-purpúrica em “luvas e meias” Febre, eritema e edema doloroso em mãos e pés Autolimitada (melhora em ate 02 semanas). Eritema Infeccioso Tratamento Clínico Possibilidade de solicitar anticorpos específicos ou DNA viral; Sem tratamento específico Quadro autolimitado com imunidade duradoura IGIV 2g/kg por 5 dias em imunocomprometidos; Diagnóstico Evitar transmissão! Não existe vacina para controle pré ou pós- exposição Atentar a gestantes e portadores de doença hemolítica crônica. Prevenção Mononucleose Infecciosa 02 Mononucleose Infecciosa Transmissão Contato com a saliva de indivíduos infectados (sintomáticos, assintomáticos ou com infecção latente) “Doença do beijo”. Agente etiológico Causado pelo vírus Epstein- Barr (EBV). Mononucleose Infecciosa Fisisopatologia 03 Viremia Infecção primária Vírus infecta células da cavidade oral Faringite Primeira multiplicação viral com acometimento das glândulas salivares. 01 Transformação e manutenção dos Linfócitos B Reativação normalmente assintomática Vírus eliminado de forma intermitente através das secreções da orofaringe. Acometimento dos Linfócitos B do sangue periférico e sistema rediculoendotelial Aparecimento de Linfócitos T CD8+ (linfócitos atípicos caracteríscticos da doença). 02 Infecção latente Mononucleose Infecciosa “Existe uma associação entre o EBV e o desenvolvimento de neoplasias como o carcinoma de nasofaringe, linfoma de Burkitt, doenças de Hodgkin, entre outros O vírus não é considerado o causador desses tumores.” Mononucleose Infecciosa Manifestações Clínicas Incubação Mais prolongada 30 a 50 dias; Curso insidioso Fadiga e febre prolongada Odinofagia, mialgia, náusea e dor abdominal. Mononucleose Infecciosa Manifestações clínicas Aumento dos linfonodos Alterações da orofaringe Exsudato amigdaliano com hipertrofias e petéquias em palato; Mais frequentes em cadeias cervicais posteriores e anteriores Ocorre também em axilares e inguinais Linfadenopatia epitroclear é bem característica; Edema palpebral que, associado aos demais sintomas, é característico da doença. Sinal de Hoagland Mononucleose Infecciosa Sinais mais característicos Esplenomegalia 50% dos casos Linfadenopatia generalizada 90% dos casos Hepatomegalia 10% dos casos Maculopapular De forma espontânea surge apenas em 5 a 15% dos pacientes Após tratamento errôneo com amoxicilina/ampicilina (semelhança com amigdalite bacteriana) cerca de 80% dos pacientes irá apresentar o exantema. Mononucleose Infecciosa Exantema Sintomas neurológicos Raros 1 a 5% Ataxia cerebelar, convulsões, síndrome de Guillain-Barré e síndrome da Alice no país das maravilhas; Mononucleose Infecciosa Complicações Obstrução de vias aéreas superioresNão é comum, porém é a mais temida Afastamento de atividade física por 30 dias; Devido ao edema Estridor laríngeo Hospitalização; Anemia hemolítica com CD+ Ruptura esplenica Inícia-se no fim da primeira semana e dura menos de um mês; Plaquetopenia Comum Não costuma ser grave. Mononucleose Infecciosa Tratamento Clínico! Hemograma com leucocitose e 20 a 40% de linfócitos atípicos + plaquetopenia Dosagem de anticorpos; Sem tratamento específico Corticóide somente em caso insuficiência respiratória; Diagnóstico Não existe! Não é necessário isolamento. Profilaxia Síndrome Mão-Pé-Boca 03 Síndrome Mão-Pé-Boca Transmissão Contato com paciente infectado Excreção viral nas fezes ou em secreções respiratórias desde dias antes do sintomas e nas fezes mesmo após semanas da infecção Maior transmissão 01 semana após início dos sintomas; Agente etiológico Causado principalmente pelo vírus Coxsackie A16 Tropismo pelo trato gastrointestinal; Síndrome Mão-Pé-Boca Manifestações Clínicas Contágio Alto! Crianças Mais comumente afetadas Menores de 5 anos; Autolimitada Duração aproximada de 01 semana Benigna; Síndrome Mão-Pé-Boca Manifestações clínicas Lesões vesiculares Período de incubação Três a seis dias Após febre, odinofagia, irritabilidade e recusa alimentar; Aparecimento em mucosa bucal e língua Formato oval semelhante a um grão de arroz; Em mãos e pés (incluindo as palmas e plantas) As lesões na nádega não costumam ser do tipo vesícula. Erupção pápulo- vesicular Lesões na cavidade oral Dificuldade na ingesta inclusive de líquidos; Síndrome Mão-Pé-Boca Complicações Desidratação Onicomadese Descolamento da unha desde a sua base (mãos e os pés) Geralmente após 3 a 8 semanas; Não requer notificação de forma obrigatória, porém se houver dois ou mais casos relacionados deve-se realizar notificação considerando surto. Síndrome Mão-Pé-Boca Quando notificar Síndrome Mão-Pé-Boca Tratamento Clínico Pode ser solicitada avaliação laboratorial com identificação viral (PCR) ou sorologias; Sintomáticos Internação caso não consiga se alimentar ATB somente se infecção secundária; Diagnóstico Precaução de contato Desinfecção de superfícies como trocadores públicos. Profilaxia Escarlatina 04 Escarlatina Transmissão Gotículas de saliva e secreção nasal Mais frequente em crianças entre 5 a 15 anos com faringite aguda Incubação de 2 a 5 dias; Agente etiológico Provocada pelo Streptococcus pyogenes Streptococodo grupo A; Escarlatina Fisisopatologia 03 Rash típicoToxina eritrogênica O Streptococcus pyogenes produz diversas enzimas e toxinas, inclusive as exotoxinas pirogênicas; 01 As exotoxinas estimulam a produção de um anticorpo que curiosamente não protege contra as outras infecções por estreptococo Ação apenas no exantema. Exotoxinas pirogênicas A, B e C são responsáveis pelas formação do rash típico; 02 Anticorpo antitoxina Escarlatina Manifestações Clínicas IVAS Infecção de vias aéreas superiores Instauração do rash entre 24 a 48h após início dos sintomas; Exantema Início em volta do pescoço Tronco Extremidades; Micropapular Coloração avermelhada e brilhante Aspecto de lixa; Escarlatina Manifestações clínicas Sinal de FilatovSinal de Pastia Exantema acentuado em áreas de dobras; Bochechas hiperemiadas Contraste com a pele ao redor da boca que fica mais pálida; Orofaringe com características de faringite estreptocócica (eritema, edema, exsudato) Língua saburrosa Edema e hiperemia das papilas. Língua em Morango/Framboesa Após 03 ou 04 dias exantema diminui Descamação fina inicialmente em face Aspecto de descamação de queimadura solar. Escarlatina Manifestações Clínicas Síndrome do Choque Tóxico Estreptpcócico Escarlatina Complicações Infecção invasiva pelo Streptpcoccus Pyogenes Grave! Choque e falência de múltiplos orgãos e sistemas; Precoce Febre Reumática Tardia Glomerulonefrite Tardia ; Escarlatina Tratamento Clínico Cultura do swab de orofaringe Teste rápido; Penicilina: penicilina benzatina IM em dose única 600.000 UI (até 25kg) e 1.200.000UI mais 25kg)ou amoxacilina VO 50mg/kg/dia por 10 dias Em alérgicos, cefalosporina ou macrolídeo Diagnóstico Antibioticoterapia profilática em pacientes com histórico de febre reumática aguda ou doença cardíaca reumática. Profilaxia Doença de Kawasaki 05 Doença de Kawasaki Fator genético Observação de alta associação familiar, principalmente no Japão, levantando essa hipótese Genes/loci ligados a maior chance de desenvolver a doença (CASP3, HLA II, BLK, IRPKC, CD40). Etiológia Ainda incerta Resposta imune desregulada após exposição a um agente infeccioso; Doença de Kawasaki Fisisopatologia 03 Vasculite subaguda/crônicaArterite necrotizante Processo inflamatório vascular inicial mediado por neutrófilos Aneurismas Autolimitado (até 02 semanas após episódio febril); 01 Processo cicatricial da vasculatura é mediado por células musculares proliferação concêntrica de miofibroblastos; Mediada por linfócitos, eosinófilos e macrófagos Rara progressão para caso crônico que pode durar até 01 ano; 02 Estenose vascular Conjuntivite não exsudativa, indolor e bilateral; Doença de Kawasaki Manifestações Clínicas e Diagnóstico Associado a pelo menos +4 achados clínicos: Eritema e rachadura dos lábios, língua em framboesa ou eritema da mucosa oral e de orofaringe; Febre com duração de 5 dias Rash cutâneo do tipo exantema polimorfo Acomete inicialmente o tronco e pode confluir para região perianeal e descamar posteriormente; Edema e eritema das mãos e pés na fase aguda, ou descamação periunguel na fase subaguda; Linfadenopatia cervical anterior, com medida maior ou igual a 1,5cm, geralmente unilateral. Doença de Kawasaki Manifestações Clínicas e Diagnóstico Doença de Kawasaki Alterações Laboratoriais Típicas Anemia normocítica e normocrômica; Leucocitose associada a linfopenia; Trombocitose tardia, principalmente após o 07 dia; Plaquetopenia Manifestação rara e indica maus prognóstico; Elevação de provas inflamatórias PCR e VHS; Albumina menor ou igual a 3; Elevação de TGP; Leucocitúria. É mandatória a realização de um Ecocardiograma Transtorácico no momento da suspeita Importante para identificar alterações coronarianas típicas da doença Até 25% dos paciente não tratados e 2-4% dos tratados com IVIG evoluem para aneurisma coronariano; Doença de Kawasaki IVIG + corticóide Reduz risco de aneurisma coronariano IVIG 2g/kg dose única em infusão de 10-12h metilprednisolona 2mg/kg/dia até resolução da febre e desmame com prednisolona; 01 Anti-inflamatório + anti-agregante 30-80mg/kg/dia inicialmente Após 48 afebril 3-5mg/kg/dia de 6 a 8 semanas; Dupla antiagregação AAS + Clopidogrel se aneurismas médios; 03 AAS Doença de Kawasaki Tratamento Anticoagulação Associada ao tratamento em caso de aneurismas gigantes. 04 02 Doença de Kawasaki Complicações Choque Síndrome de Ativação Macrofágica Ativação e proliferação de macrófagos e linfócitos T Febre persistente após IVIG Hepatoesplenomegalia, CIVD, citopenias, trombose, hiperferritinemia; Acometimentos vasculares não- coronarianos e anomalias coronarianas Dilatação, aneurisma, estenose. Kliegman, Robert M., et al., eds. Nelson. Tratado de pediatría. Elsevier Health Sciences, 2020; BURNS, Dennis Alexander Rabelo, et al. “Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.” Barueri, SP (2017); ARAUJO, Tami de; SCHACHNER, Lawrence. Erupções vesicopustulosas benignas no neonato. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro , v. 81, n. 4, p. 359-366, Aug. 2006; Documento Científico Síndrome - Mão-Pé-Boca - SBP https://www.sbp.com.br/ fileadmin/user_upload/_22039d-DocCient_-_Sindrome_Mao-Pe-Boca.pdf; Doenças Exantemáticas – Um guia para diagnóstico diferencial https://site-medway.s3.sa-east- 1.amazonaws.com/wp-content/uploads/sites/5/2023/03/06110230/ebook-doenca-exantematicas.pdf; Referências Obrigada pela atenção!