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MENINGITES BACTERIANAS: • N. meningitidis: coco Gram negativo, início abrupto, evolução rápida, petéquias. • S. pneumoniae: coco Gram positivo, presença de otite, sinusite, mastoidite ou pneumonia, qualquer idade, mais prevalente na idade avançada. • H. influenzae: bacilo Gram negativo • L. monocytogenes: bacilo Gram positivo, extremos de idade, imunodeprimidos. • E. coli: bacilo Gram negativo, extremos de idade, principalmente RN e lactentes. • S. agalactiae: coco Gram positivo, RN, lactentes. • S. aureus: coco Gram positivo, TCE, DVE, DVP, Pós-operatório de neurocirurgia. • Outras bactérias: sobretudo bacilos Gram negativos, como P. aeruginosa e Klebsiella spp. VIRAIS: • Enterovírus: coxsackievírus A ou B e echovírus (80% dos casos); • Família Herpes: HSV-1 (encefalite herpética), VZV, CMV, Epstein-Barr • Outros: Arbovírus, arenavírus, HIV, sarampo (encefalite e panencefalite esclerosante subaguda) FUNGICAS: • Criptocócica: crônica, mais comum nos imunocomprometidos. • Outros: C. albicans PODE AINDA SER NEUROTUBERCULOSE, NEUROTOXOPLASMOSE, NEUROCISTICERCOSE Neurotoxoplasmose: mais comum em imunodeprimidos, associada a sinais focais e hemiparesia, lesões no tálamo e núcleos da base, edema perilesional. Neurocisticercose: qualquer lugar do cérebro, lesões nodulares e calcificações na TC, eosinofilorraquia Neurotuberculose: disseminação hematogênica, formação de tubérculos, crônica, identificação pela história e exame do LCR. EXAME DO LCR TRATAMENTO • RN até 1 mês de vida: Ampiclina + Cefotaxima • Crianças de 1-3 meses a 7 anos: Cefotaxima ou Ceftriaxona • Crianças > 7 anos e adultos: Ceftriaxona • Idosos, imunossuprimidos, diabéticos, alcoolistas, pacientes com infecção hospitalar: Ceftriaxona + Ampicilina + Vancomicina • Após TCE aberto ou cirurgia intracraniana: Cefepime ou Ceftazidima + Vancomicina • Após TCE fechado: Ceftriaxona • Quando há elevada resistência ao pneumococo, a MRSA ou a hemófilo: Vancomicina + Ceftriaxona/Cefotaxima • Se Pseudomonas: Vancomicina + Ceftazidima ou Cefepima ou Cefpiroma • Criptocócica: Anfotericina B + Flucitosina + Fluconazol • Neurotuberculose: 2RIPE + 10RI • Neurocisticercose: Praziquantel ou Albendazol + Corticoide • Neurotoxoplamose: Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido folínico QUIMIOPROFILAXIA • Contactantes e somente para N. meningitidis e H. influenzae. • Rifampicina VO por 2 dias ou Ceftrixona IM dose única ou Ciprofloxacino IM dose única • Vacinas: BCG, Pentavalente, Pneumo 10-valente, Meningo C, Meningo AWCY ENDOCARDITE AGENTES ETIOLÓGICOS: • S. aureus: aguda mais frequente, usuários de drogas intravenosas, valva tricúspide. • S. pneumoniae: aguda, alcoólatras, valva aórtica, síndrome de Austrian (meningite, pneumonia e endocardite) • Estafilococos coagulase-negativos: endocardite em valva protética em até 1 ano da troca valvar, o principal é o S. epidermidis. • Estreptococos do grupo viridians: subaguda mais frequente, procedimentos dentários, higiene bucal precária. • S. bovis e S. gallolyticus: neoplasias gastrintestinais, pacientes idosos • Enterococos: • HACEK: todos Gram negativos, causadores de EI subaguda. ➢ Haemophilus spp. ➢ Aggregatibacter spp./Actinobacillus spp. ➢ Cardiobacterium spp. ➢ Eikenella spp. ➢ Kingella spp. • Outros: P. aeruginosa (mais prevalente entre os Gram negativos), Coxiella burnetii, Bartonella spp., Brucella spp., Legionella spp., Chlamydia spp, fungos, etc. Endocardite subaguda de valva nativa: S. viridians, S. bovis, Enterococos, HACEK. Endocardite aguda de valva nativa: S. aureus, S. pneumoniae. Endocardite aguda em valva nativa, em usuário de drogas: S. aureus (mais frequente), P. aeruginosa, Klebsiella, Enterobacter, Serratia, Salmonella, Candida. Endocardite em valva protética: até 1 de troca: S. epidermidis (mais frequente), outros coagulase-negativos: S. hominis, S. saprophyticus. Após 1 ano de troca: mesmas da endocardite subaguda de valva nativa. MANIFESTAÇÕES • Hemorrágicas: petéquias, hemorragias “em lasca”, Lesões de Janeway • Imunológicas: nódulos de Osler, manchas de Roth • Outras: aneurisma micótico, anemia normo/normo, glomerulonefrite, artrites, embolizações CRITÉRIOS DE DUKE Diagnóstico: 2 critérios maiores, 1 maior e 3 menores ou 5 menores. Critérios maiores: • Microrganismos típicos isolados em duas hemoculturas separadas; • Culturas persistentemente positivas com 12 horas de diferença ou 3 ou mais hemoculturas, com a primeira e a última separadas por mais de 1 hora; • Isolamento por cultura de Coxiella burnetti ou anticorpos antifase-1-IgG com títulos maiores que 1:800 • Massa intracardíaca oscilante, na valva o nas estruturas de suporte, ou no caminho do jato regurgitante, ou em material implantado, na ausência de uma explicação anatômica alternativa, abcesso perianular, deiscência parcial nova de prótese valvar. • Nova regurgitação valvar Critérios menores: • Febre maior que 38°C • Lesão cardíaca predisponente ou uso de drogas injetáveis • Fenômenos vasculares: embolia séptica, infartos pulmonares, lesões de Janeway, hemorragias conjuntivas, aneurisma micótico e sangramento intracraniano. • Fenômenos imunológicos: Fator reumatoide positivo, glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth • Achados microbiológicos CRITÉRIOS DE DUKE MODIFICADOS ENDOCARDITE DENIFITIVA • Microrganismos demonstrados por cultura ou análise histológica de vegetação, êmbolo séptico ou abcesso cardíaco demonstrando EI ativa; • 2 critérios maiores, 1 maior e 3 menores ou 5 menores. ENDOCARDITE PROVÁVEL/POSSÍVEL • 1 maior e 1 menor ou 3 menores ENDOCARDITE REJEITADA • Diagnóstico alternativo sólido; resolução do quadro com 4 dias ou menos de antibioticoterapia; não preenche critérios para EI provável. TRATAMENTO • Tratamento empírico Se agudo, pensar em tratar o mais prevalente: S. aureus. Se subagudo, pensar em tratar o mais prevalente, S. viridians, além do enterococo. • Endocardite aguda S. aureus meticilinosensível: oxacilina e penicilinas. A droga com melhor penetração no endocárdio é a oxacilina. Associação com a gentamicina, potencializando seu efeito. MRSA: vancomicina + gentamicina • Endocardite subaguda Estreptococos do grupo viridians, S. bovis e Enterococos sp. Penicilina G cristalina + gentamicina. Ampicilina é uma opção de troca para a penicilina. • Endocardite em valva protética MRSA, Staphylococcus coagulase-negativos Vancomicina (ou Teicoplanina) + Gentamicina Possível associação com rifampicina, potencializando a eficácia, pois trataria as formas bacterianas latentes de Staphylococcus na valva cardíaca. • Indefinição sobre endocardite aguda ou subaguda Oxacilina (Staphyloccos) + Penicilina (Streptococcus) + Gentamicina • HACEK Ceftriaxona (1ª escolha) ou Ciprofloxacino ou Ampiclina ou Ampiclina/Sulbactam O TRATAMENTO DURA, EM MÉDIA, DE 4 A 6 SEMANAS! EM VALVAS PROTÉTICAS, DE 6 A 8 SEMANAS! TRATAMENTO CIRURGICO • Pacientes em tratamento de EI que evoluem para insuficiência cardíaca grave; • EI de valvas esquerdas causadas por fungos, S. aureus ou bactérias multidrogaresistentes; • EI evoluindo com bloqueio cardíaco, abcessos valvares ou destruição de cordoalhas; • EI com embolia recorrente ou vegetação persistente mesmo com tratamento completo; • Vegetação acima de 10 mm em pacientes com tratamento adequado e evidência de fenômeno embólico; • EI de valvas direitas, cirurgia se grandes vegetações e evidência de infecção persistente: febre após 5 a 7 dias de tratamento adequado ou embolia séptica. PROFILAXIA • Pacientes com valvas cardíacas prostéticas ou com valva reparada com material prostético; • EI prévia; • Doença cardíaca congênita cianótica não tratada ou cirurgicamente tratada, com shunt residual ou regurgitação no sítioou adjacente ao sítio da colocação do dispositivo prostético corretivo; • Transplante cardíaco com regurgitação da valva, devido a anormalidades estruturais. A profilaxia é direcionada para os pacientes com o perfil acima (de alto risco), que farão procedimentos que envolvam a manipulação do tecido gengival e região periodontal ou perfuração da mucosa oral. Amoxicilina 2 g 1 hora antes do procedimento; Incapacidade de ingerir a medicação: Ampiclina 2g IM ou IV ou Cefazolina 1g IV, antes do procedimento. Alergia à penicilina: clindamicina ou cefalexina ou cefadroxila ou claritromicina ou azitromicina. FEBRE DE ORIGEM INDETERMINADA Definição de Petersdorf e Beeson: • Temperatura superior a 38,3°C em diversas ocasiões; • Duração mínima de 3 semanas; • Ausência de diagnóstico etiológico após uma semana de investigação hospitalar. Definição de Durack e Street: Clássica: • Temperatura superior a 38,3°C; • Duração mínima de 3 semanas; • Avaliação por 3 dias ou 3 ambulatórios. Nosocomial • Temperatura superior a 38,3°C; • Paciente internado a mais de 24h, sem febre a admissão; • Avaliação por 3 dias; Neutropênico • Temperatura superior a 38,3°C; • Contagem de neutrófilos inferior a 500 células/mm3; • Avaliação por 3 HIV – Associado • Temperatura superior a 38,3°C; • Duração superior a 4 semanas no ambulatório ou por 3 dias nos pacientes hospitalizados; • HIV confirmado. ETIOLOGIA Infecções: • Tuberculose, principalmente as formas extrapulmonar e miliar; • Abcessos abdominais, abcessos pélvicos; • Osteomielite; • Endocardite bacteriana; • CMV, EBV, HBV, HCV, HIV; • Micoses. Doenças do tecido conjuntivo (colagenoses): • Lúpus eritematoso sistêmico; • Febre reumatoide; • Doença de Still de adultos; • Arterite de células gigantes; • Poliarterite nodosa • Arterite de Takayasu Neoplasias: • Leucemias • Linfomas (A FOI é mais presente nos mais avançados ou agressivos); • Carcinoma de células renais • Carcinoma hepatocelular; Miscelânea: • Doença inflamatória intestinal; • Cirrose, hepatite alcoólica; • Doença de Kawasaki; • Tireoidite subaguda; • Febre factícia: manipulação do termômetro pelo paciente ou uso de procedimentos para se autoprovocar febre. • Febre induzida por medicações: ➢ Anfotericina B, Interferon, Vancomicina; ➢ Antibióticos; anti-histamínicos; anticonvulsivantes; AINEs; anti-hipertensivos; corticosteroides, etc. Considerar: • Febre psicogênica • Hipertermia habitual: ocorre em mulheres jovens com febre contínua ou intermitente por um longo período de tempo e costumam estar associados cansaço fácil, insônia, cefaleia e dores no corpo, sem qualquer achado ao exame clínico ou alterações laboratoriais. • Temperatura axilar entre 37,2 e 37,7°C: pacientes imunodeprimidos, com tuberculose peritoneal e idosos podem ter doença de longa duração com pequena elevação de temperatura. DIAGNÓSTICO • Certificar-se de que o paciente realmente tem febre. A temperatura deve ser aferida pelo menos 4 vezes ao dia; • Excluir a possibilidade de febre factícia, certificar-se que não houve manipulação do tamanho; • Deve-se fazer uma anamnese minuciosa e repeti-la periodicamente a fim de obter novos dados não alcançados em anamnese prévia. ➢ Aspectos profissionais; ➢ Local de moradia; ➢ Contato com pessoas doentes; ➢ Contato com animais; ➢ Viagens e endemias dos lugares visitados; ➢ Medicações atuais e prévias; ➢ Doenças anteriores; ➢ Cirurgias; ➢ Transfusões sanguíneas; ➢ Patologias dentárias. • Exame físico completo e detalhado, deve-se pesquisar: ➢ Lesões em orofaringe, seios paranasais; ➢ Visceromegalias; ➢ Adenomegalias; ➢ Sopros cardíacos; ➢ Massas palpáveis em abdome e pelve; ➢ Fundoscopia deve ser realizada pelo menos a cada 3 dias; ➢ Peso corporal deve ser aferido semanalmente. • Excluir doenças potencialmente graves com tratamento disponíveis ➢ Endocardite bacteriana ➢ Doenças das vias biliares; Principais causas de morte ➢ Abcessos abdominais; evitável por FOI ➢ Infecções em imunossuprimidos. EXAMES COMPLEMENTARES • Qualquer adenomegalia em paciente com FOI deve ser biopsiada; • A biópsia hepática deve ser realizada sempre que houver evidência de doença hepática por história clínica; • A biópsia da medula óssea é realizada mesmo quando não há alteração no sangue periférico, a fim de diagnosticar doenças do sistema mononuclear fagocitário. • ÚLTIMA OPÇÃO: considerar a realização de uma laparotomia exploradora, principalmente se houver suspeita de doença intra-abdominal (dor abdominal, anemia e perda de peso progressivas, icterícia, hepatomegalia, esplenomegalia, massa abdominal palpável e ascite). Encontram-se neoplasias em aproximadamente 40% das laparotomias por FOI. DOENÇAS EXANTEMÁTICAS SARAMPO • Paramyxovirus, subgrupo Morbillivirus • Contágio: de 2 dias antes dos pródromos até 4 dias após o aparecimento do exantema. • Pródromo: 3 a 4 dias de duração, com febre baixa a moderada, tosse seca, coriza e conjuntivite. Aparecem as manchas de Koplik no revestimento interno das bochechas e desaparecem 48h após seu surgimento. • A febre ainda se mantém até 3 ou 4 dias após o surgimento do exantema, com pico máximo no início do período exantemático (38,5 a 40,5°C). Febre persistente após o 4º dia de exantema deve levantar a suspeita de infecção bacteriana secundária. • 2 dias após o aparecimento do exantema: febre, elevada, exantema difuso, conjuntiva congesta, fotofobia, lacrimejamento, coriza abundante e tosse produtiva, constituindo a “fácies sarampenta” As manchas de Koplik podem ainda estar presentes. • Durante o período febril podem ser ainda observadas: adenomegalia, estomatite, laringite, diarreia, ocasionalmente com muco e sangue, e, raramente, esplenomegalia. • EXANTEMA: eritematoso, maculopapular e morbiliforme com progressão craniocaudal, iniciando-se na região retroauricular e no pescoço, evoluindo para a região torácica e dorso e, finalmente, para os membros. Não poupa região palmoplantar. Desparece em torno do terceiro ou quarto dia, deixando manchas acastanhadas. • Isolamento respiratório é recomendado para pacientes internados até quatro dias após o início do exantema. • Complicações: otite média é a principal complicação bacteriana. Outras incluem encefalite, laringotraqueobronquite, pneumonia, miocardite e a panencefalite esclerosante subaguda. • Tratamento: Sintomáticos, medidas de apoio e administração de vitamina A. • Prevenção: Tríplice viral aos 12 meses, tetra viral aos 15 meses. • Profilaxia pós-exposição: vacinação de bloqueio preferencialmente em até 72h da exposição, podendo ser aplicada até 5 dias após contato. Imunoglobulina para casos específicos. EXANTEMA SÚBITO OU ROSÉOLA INFATIL OU SEXTA DOENÇA • Herpes-vírus humano tipos 6 e 7 • Mais prevalente entre 6 e 15 meses de idade. • Febre sem nenhum outro sintoma por 3 a 5 dias. Após 12 a 24 horas do último pico febril há aparecimento de EXANTEMA maculopapular difuso. • Pelas altas temperaturas, pode cursar com crise convulsiva febril. • O EXANTEMA inicia-se no tranco e estende-se ao pescoço e à face e também aos membros. Possui curta duração, de 24 a 72 horas, sem descamação ou com discreta pigmentação residual. • Pode haver adenopatia. • Complicações: são incomuns, mas pode ocorrer meningoencefalite, síndrome mono-like e hepatite. • Tratamento: sintomáticos. Em pacientes imunocomprometidos e nos que apresentam complicações neurológicas: GANCICLOVIR ERITEMA INFECCIOSO OU QUINTA DOENÇA • Parvovírus B19, também chamado de eritovírus • Produz infecção clinicamente expressa por exantema e crises aplásicas, afetaprincipalmente crianças de 5 a 15 anos. • Pródromo: febre, mal-estar e rinorreia. • A manifestação mais comum é o EXANTEMA que se inicia com rubor fácil eritematoso que pouca a região perioral, conferindo um aspecto de face “esbofeteada” ou fácies “de palhaço”, que se estende ao tronco e às partes proximais dos membros sob a forma de eritema maculoso. • Pode se manifestar a síndrome das luvas e meias caracteriza-se pela presença de EXANTEMA papulopurpúrico de predomínio distal com distribuição em mãos e pés, podendo ser acompanho de febre e lesões orais. • Outros sintomas como prurido, artralgia e recidiva do EXANTEMA pode surgir após exercícios físicos, exposição ao sol, estresse e banhos quentes. • O EXANTEMA desaparece após 1 a 3 semanas. DOENÇA “MÃO-PÉ-BOCA” • Coxsackievírus, da família dos enterovírus • Há fase prodrômica com febre alta no início. Após 3 a 5 dias, há aparecimento de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas centrais que podem evoluir para ulcerações dolorosas, em amígdalas, palato e mucosa jugal. • Há o aparecimento de pequenas lesões vesicobolhosas em palmas das mãos e dos pés. Podem ainda aparecer na região genital e nas nádegas. • Pode haver apenas lesões orais (estomatite) ou amigdalianas (herpangina). • Outros sintomas: inapetência, mal-estar, diarreia. • Semanas após a infecção aguda pode ocorrer onicomadese, o deslocamento da unha a partir de sua base. ESCARLATINA • Estreptococo beta-hemolítico do grupo A – Streptococcus pyogenes • Lactentes são menos afetados devido a existência de anticorpos maternos circulantes e falta de receptores faríngeos para a fixação estreptocócica. • Caracteriza-se pela presença de faringoamigdalite associada à febre alta e erupção cutânea. • O EXANTEMA é maculopapular eritematoso de início no tronco e nas dobras cutâneas, com aspecto de lixa, pruriginoso, e que evolui com descamação lamelar extensa, acometendo mãos e pés, cerca de duas semanas após o início do quadro. • Sintomas: odinofagia, anorexia, febre elevada acompanhada ou não de calafrios, vômito e cefaleia. Pode haver dor abdominal devido a adenite mesentérica. Adenomegalia cervical e submandibular são achados ao exame físico. Há presença de edema, hiperemia e exsudato purulento nas tonsilas. • Língua saburrosa • Língua “em framboesa” ou “em morango” • Sinal de Filavot: palidez perioral e com bochechas e testa hiperemiadas. • Sinal de Pastia: petéquias e linhas hiperpigmentadas na superfície flexora dos braços e raízes das coxas. • Tratamento: PENICILINA G BENZATINA ou, na impossibilidade de seu uso, eritromicina, clindamicina ou cefalosporina de 1ª geração. VARICELA-ZÓSTER OU CATAPORA • Infecção primária pelo vírus varicela-zóster ou herpes-vírus humano tipo 3 • Entre 24 e 48 horas antes do surgimento das lesões cutâneas, há um período de sintomas inespecíficos, como febre baixa, mal-estar, anorexia e cefaleia. • O EXANTEMA inicia-se na face e no couro cabeludo na forma de máculas eritematosas intensamente pruriginosas. Transformam-se em vesículas, que se rompem, formando crostas. As lesões são mais concentradas no tronco e na face. • Polimorfismo regional – presença de diferentes lesões (máculas, pápulas, vesículas e crostas) em uma mesma área, próximas umas das outras. • Tratamento: Sintomáticos, estando CONTRAINDICADO o uso de AAS, devido a possibilidade de síndrome de Reye. Em situações especiais, ACICLOVIR, como nos imunocomprometidos e nos casos de reativação do vírus latente. • Complicações: Infecções bacterianas secundárias, síndrome de Reye, pneumonia, encefalite, hepatite, ataxia cerebelar aguda, herpes-zóster. Nas gestantes, efeito teratogênico e varicela congênita. • Prevenção: Vacina tetra viral. Pode ser feito o bloqueio com vacina dentro de 120 horas ou com imunoglobulina, dentro de 96 horas. RUBÉOLA • Togavirus, do gênero Rubivirus. • Pode se apresentar na forma congênita e adquirida • Congênita: tríade clássica formada por catarata, surdez neurossensorial e cardiopatia congênita. Podem ser observados glaucoma congênito, microcefalia, meningoencefalite e retardo mental. • Adquirida: Sintomas gripais, seguidos de linfadenopatia retroauricular, cervical posterior e pós-occipital, dolorosa, que pode durar por até uma semana o mais e sempre precede o surgimento do exantema em pelo menos 24 horas. • O EXANTEMA se inicia na face e rapidamente progride para tronco e membros. Apresenta rápida evolução e duração, onde ao atingir tronco, o exantema já mostra sinais de esvaecimento na face. • Manchas de Forchheimer – enantema caracterizado por manchas róseas distintas no palato mole, que podem coalescer em uma única mancha vermelha. • Mucosa faríngea e conjuntivas discretamente inflamadas, sem fotofobia. Poliartrite com artralgia. • Prevenção: vacinação infantil 12 e 15 meses. Bloqueio vacinal em até 72 horas após o contato com o caso suspeito. MONONUCLEOSE INFECCIOSA • 80% dos casos são relacionados ao vírus Epstein-Barr. O resto é associado a CMV, HIV, Toxoplasmose que provocam quadro semelhante em sua fase aguda. • Transmissão: secreções orais, beijo, contato sexual. • O primeiro contato ocorre durante a primeira infância, onde a infecção primária costuma ser assintomática, subclínica ou indistinguível de outras infecções infantis que cursam com febre. • 1/3 dos casos ocorre entre adolescentes e adultos jovens, onde mais da metade se caracteriza pela tríade de Hoagland: faringite exsudativa, linfadenopatia e esplenomegalia. • A linfadenopatia generalizada tem como gânglios mais acometidos os cervicais anteriores, posteriores e submandibulares. Inguinais e axilares também podem se demonstrar aumentados. • Outros sintomas: cefaleia, mal-estar, febre, calafrios e dor de garganta intensa. Pode haver hepatomegalia, mas é menos comum. • O EXANTEMA é pouco frequente e geralmente está associado ao uso errôneo de ampicilina ou derivados da penicilina. • Sinal de Hoagland: edema periorbitário presente em 30 a 40% dos casos • Após a infecção primária, o EBV permanece latente em células epiteliais orofaríngeas e linfócitos B. • Diagnóstico: PCR, Anticorpos anti-EA, anti-VCA e anti-EBNA • Tratamento: Sintomático. Em casos complicados ou de imunodepressão: ACICLOVIR. • Complicações: ataxia, convulsões, paralisia do nervo facial, síndrome de Guillain-Barré, meningite e encefalite. CITOMEGALOVÍRUS • As infecções pelo CMV em indivíduos imunocompetentes, em sua maioria, são assintomáticas. • Quando ocorre, a infecção primária é uma síndrome mono-like, cursando com febre, linfadenopatia e linfocitose reativa, mas com faringite e linfadenopatia mínimas se comparado coma infecção pelo EBV. Esplenomegalia também é menos comum do que na mononucleose infecciosa. A febre é o sintoma que se mostra mais frequente, manifestando-se em quase todos os pacientes. • Transplantes de doadores CMV positivos: síndrome com febre, neutropenia, linfocitose atípica e hepatomegalia. A doença pode se desenvolver no órgão transplantado: hepatite, pneumonia e colite por CMV. • AIDS: retinite por CMV em pacientes come exantema maculopapular (síndrome mono-like). Pode haver linfocitose atípica, mas em menor proporção do que na mononucleose infecciosa e infecção aguda por CMV. • Toxoplasmose ocular: é o patógeno que mais frequentemente infecta a retina de imunocompetentes. Causa em torno de 80% das uveítes posteriores com coriorretinite. Os primais sintomas são perda da acuidade visual, escotomas, dor ocular, fotofobia e epífora. • Imunocomprometido: encefalite, pneumonite, miocardite, neurotoxoplasmose. • Toxoplasmose congênita: sequelas fetais diversas – Tétrade de Sabin: coriorretinite bilateral, calcificações cerebrais, perturbações neurológicas e alteração do volume craniano. • Diagnóstico: Toxoplasma IgM e IgG, PCR • Tratamento: ➢ 1ª escolha: Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico ➢ Alergia ou efeitos adversos com sulfa: Clindamicina + Pirimetamina + Ácido Folínico ➢ Alternativa: Sulfametoxazol-Trimetoprima ➢ Casos suspeitos em gestantes: Espiramicina HIV AGUDO • A síndrome dura de 3 a 4 semanas, em média. O quadro clínico inicial apresenta-se com febre, polimicroadenopatia, faringite, fadiga e exantema. • Sintomas mais comuns: febre, linfadenopatia, letargia e mal-estar, mialgia, perda de peso, EXANTEMA maculopapular, de início no tronco, podendo envolver extremidades, incluindo a região palmoplantar, úlceras orais, genitais ou esofágicas, levando, nesse último caso a quadros de odinofagia e disfagia. • Podem haver outros sintomas menos comuns, como sintomas gastrintestinais, manifestações neurológicas (meningite asséptica, Guillain-Barré) e infecções respiratórias. • O exantema é mais frequente do que na mononucleose infecciosa. Exames laboratoriais mostram leucopenia, mas pode haver linfócitos atípicos. DOENÇA DA ARRANHADURA DO GATO • Infecção provocada por Bartonella henselae, um bacilo Gram negativo. • Em 3 a 10 dias após a mordida ou arranhão, os pacientes, em sua maioria, desenvolvem pápula indolor, eritematosa com crostas (raramente, pústula) no local da mordida. Dentro de 2 semanas, desenvolve-se linfadenopatia regional, dolorosa. • A linfadenopatia pode ser acompanhada de febre, mal-estar, cefaleia e anorexia. • É uma causa de FOI. • Bartonella hanselae é uma das causas mais comuns de endocardite com cultu- ra negativa, geralmente em pacientes com cardiopatia valvular predisponente. • Manifestações incomuns: muito raras ➢ Síndrome oculoglandular de Parinaud: conjuntivite granulomatosa unilateral associada à linfadenopatia pré-auricular e submandibular. ➢ Manifestações neurológicas: encefalite, convulsões, neuroretinite, mielite, paresia, arterite cerebral; ➢ Doença granulomatosa esplênica • A doença regride espontaneamente em alguns meses, com completa recuperação, exceto nos casos com complicações. • Tratamento: Aplicação de calor local e analgesia. Apesar de ser uma doença autolimitada, a antibioticoterapia reduz a sintomatologia e o risco de evolução para formas mais graves. O tratamento de escolha é a azitromicina por 5 dias. FEBRE TIFOIDE OU FEBRE ENTÉRICA OU FEBRE DE EBERTH • Causada por um bacilo enterofermentador Gram negativo, Salmonella typhi • É uma infecção relacionada a condições precárias de saneamento básico e higiene de alimentos. • Quadro clínico: ➢ Período prodrômico ou inicial: ocorre na 1ª semana de doença; sinal de Faget; febre ascendente e contínua; mialgia, cefaleia, astenia e mal-estar; predominância da obstipação. ➢ Período de estado: duração de suas semanas; diarreia, com forte cefaleia mantida e muita adinamia e prostração; desidratação grave, com delirium associado; hepatoesplenomegalia; icterícia; roséola tífica; ➢ Período de declínio e convalescência: melhora dos sintomas a longo prazo. • Complicações: enterorragia, perfuração intestinal, Salmonelose septicêmica prolongada (coinfecção com esquistossomose), meningoencefalite, pneumo- nia, osteomielite. • Diagnóstico: padrão-ouro é o mielograma, outras opções incluem a coprocul- tura, urocultura, hemocultura, sorologias e reação de Widal. • Tratamento: Ciprofloxacino ou Ceftriaxona (10 dias) ou SMX-TMP (14 dias) FEBRE MACULOSA • Doença febril aguda causada pela Rickettsia rickettsii, um cocobacilo Gram negativo. • É adquirida pela picada do carrapato Amblyomma aureolatum • Mais comum na região sul e sudeste, em pessoas com relação de exposição a mata ou animais, como o cavalo, que é portador do carrapato. • Sintomas iniciais: febre de moderada a alta, em torno de 39,5°C, cefaleia, mialgias, mal-estar generalizado, hiperemia das conjuntivas. Podem haver, ainda, sintomas gastrintestinais, como vômitos, diarreia e dor abdominal. • O EXANTEMA maculopapular aparece em torno do 3º ao 5º dia de doença, na maioria dos pacientes. As máculas têm aspecto róseo, iniciam-se geralmente ao redor dos punhos e tornozelos, podendo também iniciar na região do tórax. Há aparecimento de exantema na região palmoplantar. Em casos graves, a erupção cutânea pode se tornar confluente, com algumas áreas da pele sofrendo necrose, devido aos danos induzidos pelo patógeno na microcirculação. • Complicações: encefalite, delírios, ataxia, convulsões e coma; sangramento muco-cutânea, digestivo e pulmonar; IRA pré-renal e grande perda proteica, resultando em edema generalizado; edema pulmonar, pneumonia e derrame pleural. • Tratamento: Doxiciclina ou Cloranfenicol. As sulfas são contraindicadas e os betalactâmicos e aminoglicosídeos não apresentam atividade contra a riquétsia. DENGUE • Fase febril: corresponde ao período sintomático clássico da doença – febre alta de início súbito e duração de 2 a 7 dias, frequentemente associada a cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária. O paciente também pode apresentar náuseas e vômitos, anorexia, diarreia e exantema. • O exantema está presente em 50% dos casos e é maculopapular afetando todo o corpo do paciente. • Após a fase febril, boa parte dos pacientes evoluem direto para a recuperação, mas uma parte dos pacientes podem entrar na fase crítica • Fase crítica: melhora da febre entre o 3º e 7º dias de doença associada a sinais de alarme – dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, letargia/irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia, sangramento de mucosa, aumento do hematócrito. Paciente de risco, internação. • Fase de recuperação: melhora do estado geral. CHIKUNGUNYA • Vírus CHIKV, do gênero Alphavírus e família Togaviridae • Fase aguda: febre alta associada a queixa de poliartralgia intensa e incapacitante (comumente com edema periarticular), que acomete principalmente mãos, punhos e tornozelos, podendo, em alguns casos, ter comprometimento do esqueleto axial. • Pode haver o exantema maculopapular e outros sintomas inespecíficos. • Fase subaguda: após cerca de 10 dias, a febre desaparece e se inicia essa fase, que pode se estender por até 3 meses e é marcada pela persistência da dor articular, cursando, agora, com rigidez matinal, edema e tenossinovite hipertrófica, podendo levar a complicações como síndrome do túnel do carpo. • Fase crônica: deformação articular, fenômeno de Raynaud e o paciente pode voltar a apresentar fadiga, cefaleia, prurido, dor neuropática e distúrbios do sono. ZIKA • Exantema maculopapular, prurido, febre baixa, fadiga, hiperemia conjuntival. • O exantema é mais frequente do que nas outras arboviroses, inicia-se no tronco e desce para membros inferiores; pode haver petéquias no palato. • O vírus apresenta neurotropismo, o que pode levar a complicações graves: ➢ Síndrome de Guillain-Barré ➢ Microcefalia FEBRE DO NILO OCIDENTAL • O vetor é o mosquito Culex; • O vírus causa doença febril, sem envolvimento do SNC, mas às vezes provoca meningite asséptica e encefalite grave, em particular nos idosos. • A síndrome de febre e mialgia causada pelo vírusdo Nilo Ocidental difere daquela causada por outros vírus pelo aparecimento mais frequente de erupção maculopapular centrada no tronco (especialmente em crianças) e do desenvolvimento de linfadenopatia. • Dor lombar, fadiga, cefaleia, mialgia, dor retro-orbitária, dor de garganta, náuseas, vômitos e artralgia são acompanhamentos comuns que podem persistir por várias semanas. • Pacientes imunossuprimidos podem ter evolução fulminante ou desenvolver infecção persistente do SNC. FEBRE DO MAYARO • Vírus MAYV, do gênero Alphavirus e família Togaviridae • O principal vetor é o mosquito Haemagogus, mas outros mosquitos podem estar envolvidos no ciclo de manutenção do vírus na natureza. • O quadro clínico inicia-se com síndrome febril aguda inespecífica, e que pode acompanhar cefaleia, mialgia e exantema. A artralgia, acompanhada ou não de edema articular, é o principal sintoma das formas severas. • Casos graves podem apresentar encefalite. • Na maioria dos casos, a doença é autolimitada, com desaparecimento dos sintomas em uma semana. PNEUMONIA • Pneumonia típica: início agudo, febre alta com calafrios, prostração, tosse produtiva com expectoração esverdeada e com imagens radiológicas de consolidação alveolar e presença de pneumococos, na maioria das vezes, no exame de escarro. • Pneumonia atípica: início subaguda, arrastado, febre leve a moderada, tosse seca, radiografia de tórax com infiltrado intersticial ou broncopneumônico, sem nenhum agente identificado pelo Gram ou cultura. • Agentes típicos: S. pneumoniae, S. aereus, H. influenzae (DPOC) e bacilos Gram negativos – P. aeruiginosa é o principal, seguido de E. coli (recém- nascidos) e Klebsiella pneumoniae (etilistas, aspiração de vômito, pneumonia do “lobo pesado”). • Agente atípicos: Mycoplasma pneumoniae: ➢ Resistência natural aos betalactâmicos; ➢ Resolução rápida; ➢ Adultos jovens, geralmente na 2ª a 3ª décadas de vida; ➢ Associada à miringite bolhosa (inflamação de membrana timpânica); Legionella pneumophila: ➢ Imunossuprimidos: AIDS e usuários crônicos de corticoides ➢ Transplantados; ➢ Pneumonia grave, associada a hiponatremia; ➢ Diarreia, dor abdominal; ➢ Resolução lenta e arrastada; ➢ História de viagens recentes Chlamydophila pneumoniae: idosos com mais de 65 anos. Moraxella catarrhalis: ➢ Doença pulmonar prévia: DPOC, asmáticos; ➢ Contato com gado. Coxiella burnetti: contato com gado. Chlamydia psittaci: exposição a pássaros. Burkholderia cepacia: pacientes com bronquiectasia. Influenza, coronavírus, enterovírus, vírus sincicial respiratório. • Quadro clínico: tosse, dispneia, calafrios, expectoração e dor torácica. Pode ocorrer hemoptise. Náusea, vômito e diarreia, dentre os sintomas gastrintestinais. Fadiga, mialgia, cefaleia e artralgia também são comuns. Estertores crepitantes à ausculta. Idosos podem apresentar sintomatologia inespecífica, abrindo o quadro já de forma grave, com choque séptico e insuficiência respiratória. • Radiografia: os padrões radiológicos podem variar desde densa consolidação do parênquima até infiltrados de padrão alveolar mais tênue (“vidro fosco”) ou de padrão intersticial, dependendo do agente infeccioso e da interação com o sistema imune do indivíduo. O broncograma aéreo é classicamente associado ao diagnóstico de pneumonia, mas não é patognomônico. • Quando há derrame pleural, é mandatória toracocentese diagnóstica, sempre que o derrame tiver quantidade puncionável e a lâmina de líquido for maior que 1 cm, a fim de definir se há derrame complicado ou empiema. Após a toracocentese, a drenagem do tórax será indicada na presença de: ➢ Presença de pus na cavidade pleural ou germe identificado ao Gram ou à cultura; ➢ Glicose macrófagos os fagocitam -> formação de granuloma. A formação dos granulomas indica que a infecção está contida e sua manutenção depende da integridade do sistema imune celular. • Infecção contida nos pulmões mostra lesão cicatricial ao exame de imagem que se mostra como um nódulo densamente calcificado, denominado nódulo de Ghon. • Apresentações clínicas: TUBERCULOSE PULMONAR A tuberculose primária ocorre após o primeiro contato com o bacilo, sendo mais comum em crianças. O complexo primário de Ghon pode evoluir para cura espontânea, doença circunscrita ou doença disseminada. A cura ocorre na maioria dos casos e o complexo primário se calcifica, perdendo a capacidade de reativação. A doençalocalizada se manifesta por TB pulmonar primária, que corresponde a um quadro de pneumonia clássica, com febre e tosse produtiva, ou por pleurite tuberculosa, com dor pleurítica aguda, tosse e febre alta. A doença disseminada é representada pela TB miliar primária, mais comum em recém-nascidos e crianças com imunodeficiência, onde os focos em outros locais formados por disseminação hematogênica. É comum o comprometimento do SNC, com neurotuberculose e meningite tuberculosa. O paciente desenvolve insuficiência dos múltiplos órgãos afetados, febre, insuficiência respiratória aguda e pode ter evolução fatal. A tuberculose secundária decorre da reativação do complexo primário. Essa reativação é mais comum em imunossuprimidos, desnutridos, etilistas, durante a gestação e em pneumopatas, como os portadores de DPOC e câncer de pulmões. Sintomas: tosse produtiva, com expectoração mucoide ou purulenta, com ou sem hemoptise. A febre é geralmente vespertina, sem calafrios, não ultrapassando os 38,5°C. É comum ocorrer sudorese, perda ponderal e anorexia. Exame físico: diminuição dos murmúrios vesiculares, principalmente nos ápices. Radiografia: presença de cavitações, decorrentes da comunicação do local de inflamação, onde há focos de necrose caseosa, com os brônquios e drenagem do material necrótico pelas vias aéreas, formando uma cavidade. A tuberculose miliar refere-se ao aspecto radiológico pulmonar típico (micronódulos disseminados difusa e aleatoriamente). A TB miliar secundária pode estar associada à disseminação hematogênica de TB pulmonar secundária ou por reativação simultânea de vários focos latentes. Os locais preferencialmente acometidos são o fígado, o baço e os ossos. TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR • Pleural: principal manifestação extrapulmonar no imunocompetente. Dor torácica do tipo pleurítica, astenia, emagrecimento, tosse seca com febre associada e derrame pleural exsudativo, geralmente unilateral. • Ganglionar (escrófula): mais frequente manifestação extrapulmonar em pacientes HIV positivo. Aumento indolor e assimétrico das cadeias ganglionares cervicais anteriores e posteriores. A cadeia mediastinal também é frequentemente atingida. A biópsia de gânglio é o diagnóstico-padrão. • Osteoarticular: mais comum em crianças. O mal de Pott é responsável por 50% dos casos de TB óssea e cursa com destruição total da vértebra, com reativação de focos hematogênicos nas porções central e anterior do osso esponjoso do corpo vertebral. Pode haver paraplegia. A coluna torácica baixa e lombar alta é a mais acometida. • Neurotuberculose, pericárdica, do trato urinário e em qualquer parte do corpo. DIAGNÓSTICO • Baciloscopia do escarro: realizada em duas amostras, uma no primeiro momento e outra no dia seguinte, preferencialmente ao despertar. ➢ Negativo: nenhum bacilo em 100 campos observados; ➢ Positivo+: 10 a 99 BAAR em 100 campos observados; ➢ Positivo++: 1 a 10 BAAR por campo em 50 campos observados; ➢ Positivo+++: em média mais de 10 BAAR por campo em 20 campos observados; • Teste rápido molecular para tuberculose: elevada sensibilidade (90%), oferece informação sobre resistência a rifampicina. • Cultura para micobactéria • Exames de imagem • Prova tuberculínica (PPD): teste de hipersensibilidade tardia à inoculação intradérmica de antígeno da micobactéria, medindo-se o tamanho área de reação na pele. Isoladamente, ele é insuficiente para o diagnóstico, sua principal função é na avaliação de TB latente. Situações de imunossupressão podem interferir no resultado. Indivíduos infectados por HIV devem ser submetidos ao PPD anualmente. ➢ ≥ 5 mm: reagente ➢