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RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Editora Ática, 1993. 269 p.
Parte 1: De uma problemática a outra 
Capítulo 1: Crítica a geografia política clássica
I – Nascimento da geografia política clássica 
	Em sua raiz a geopolítica é a tentativa de organizar a vida política de um território em leis, utilizando-se de princípios da biologia e sociologia. O território foi considerado de grande importância para a existência e manutenção do Estado, e o solo (território) seria então considerado fator determinante no desenvolvimento do Estado. 
	Ratzel considerou importante os estudos espaciais, sobretudo o conceito de posição, mas não apenas isso, estudou também as interfaces terra-mar e o posicionamento de assentamentos humanos em relação a rios, montanhas e outros objetos da paisagem. Os conceitos e construções feitas por ele continuam a ser utilizadas atualmente, com poucas modificações e agora fortificadas pelo uso da estatística e matemática nos estudos. 
	O Estado para Ratzel é o único elemento capaz de concentrar o poder, seguindo as tradições hegelianas, o Estado pode não ser visto diretamente, mas pode ser visto pela capital, fronteiras, as hierarquias interiores, malhas internas e as relações que exerce sobre as suas subdivisões internas. Nas análises geradas por essa interpretação, apenas os Estados são considerados, deixando de lado os demais poderes que agem em escalas regionais e locais. 
 II – Geografia Política ou Geografia do Estado 
	O poder é o poder político, que ganha várias formas (e que Ratzel considerada o Estado a forma mais elevada dele), mas ele existe a partir de qualquer organização de grupos humanos contra a desordem. Com isso considera-se organizações que se desenvolvem no Espaço-Tempo e contribuem para a organização ou para a desorganização da ordem. 
	A geografia política se baseia em uma tríade: a população, o território e a autoridade. O território teria códigos que denotam sua morfologia, e características de um ponto de vista estratégico e estático, no campo conceitual os conceitos de posição e dimensão são importantes na formulação das estratégias de manutenção e expansão do território. Esses dados, são de grande importância para os estrategistas que dependem do espaço estratégico para tomarem ações, já que não podem ser o espaço de fato, mas dão uma precisão supérflua já que não levam em conta as características da população e seus recursos.
	A população perde seu significado, só existe através das ações do Estado, ela é utilizada como recurso e não se faz questão de se diferenciar o que há nela (a população é vista apenas como quantitativa e não com algo qualitativo), pois sua finalidade é ser usada como potencial, o Estado busca heterogeneidade da população.
	Para que a Geografia Política avance é preciso entender que as questões não estão na formulação morfofuncional dos Estados, mas sim na problemática relacional entre os focos de poder político, que incluem fontes além dos Estados. 
Capítulo 2: Elementos para uma problemática relacional
I – O que é uma problemática?
	As problemáticas são um conjunto de ideias, que por simples análises, são definidas o mais certeiramente possível sobre determinado tema. A problemática relacional é escolhida pois é possível entender o poder político e sua materialização no espaço através dela. 
II – Identificação da relação
	Em uma relação há uma demanda e um ofertante, a realização da relação se da a partir de uma troca.
	A relação não está somente no presente, ela é extensiva e co-fundadora de todas as relações sociais. A troca (escambo, compra e venda) e não-troca material (doação ou roubo), pode-se haver trocas mentais, essas trocas fazem parte das relações. Em geral estudar as relações é uma tarefa difícil, pois elas são um emaranhado de relações que, mesmo em acordos bilaterais, envolvem outros atores além dos que estão participando ativamente, e o meio em que essas relações acontecem deve ser entendido também, já que podem ocorrer, por exemplo no meio estatal e sindical.
	As relações sempre tem um conteúdo “político”, e se trata da repartição das coisas entre os seres humanos. As relações refletem o poder que cada lado pode exercer sobre o outro para se beneficiar ou causar danos ao outro, essa dinâmica só pode existir se um dos participantes abusar de seus recursos, ou do recurso do outro. As relações simétricas impedem o crescimento de uma estrutura sobre outra (evitando a destruição de organizações) e as dissimétricas causam o crescimento de uma estrutura sobre a outra, a simetria entre as relações promove a pluralidade. As trocas podem ser verbais, e pode-se se pensar em um “mercado de palavras”.
	As relações podem ser caracterizadas por processos deterministas ou aleatórias, as deterministas caracterizam sistemas físicos, que só podem ocorrer de uma única forma, às de processo aleatório dependem das características anteriores a relação é somente no momento da realização dela que se determinará o resultado dela entre muitos possíveis. As relações são deterministas quando um sistema depende do outro e aleatórias quando os sistemas são independentes.
	A aleatoriedade permite escolha, mesmo que essa possa ser limitada. Nas relações políticas sempre há aleatoriedade e a capacidade de escolha, ou mesmo a capacidade de se determinar que uma relação seja negada por um dos participantes. 
III – Os elementos constitutivos da relação
	Os elementos que constituem uma relação são, de forma genérica; os atores, suas finalidades, a estratégia para se chegar às finalidades, os Agem indiretamente ou precisam de mediação mediatos, os códigos, e os elementos espaciais e temporais. 
	O Estado foi um ator privilegiado na Geografia Política clássica, mas ele não é o único capaz de exercer o poder político, há muitas outras organizações que exercem esse poder, e elas são capazes de controlar as forças sociais através deste poder. As organizações pretendem canalizar (forçar a tomada de decisão), bloquear (dividir e dominar) e controlar (tem tudo ou pretendem ter tudo sob um mesmo olhar), as organizações fazem isso pois estão em constante ameaça, seja de dissolução interna ou regressão, essas organizações só crescem quando conseguem romper o que resiste contra o crescimento delas. 
	Os atores coletivos podem ser divididos em dois grupos, os sintagmáticos, quando realizam um programa, esses atores realizam múltiplos e sucessivos processos dentro de um único processo de forma precisa, esses processos têm como finalidade produzir algo e paradigmáticos quando surgem de uma partição, ou categorização sem ter participação num processo programado, as populações nacionais são um exemplo e são consideradas trunfos pelo Estado por ser um ator de importância sem um programa a realizar.
	A estratégia é um conjunto de elementos que se pretende usar para se alcançar determinado objetivo, ela provém de um plano. Os mediatos que são usados são muitos, o meio financeiro, forças militares, discursos, trabalhos, produtos entre outros, todos os Não está em contato direto, não é imediato, precisam de um intermediário mediatos têm energia (capacidade de movimentar e modificar a matéria) e informação (que é a forma e a ordem em que detecta a matéria e ou energia). A Os processos e relações que levam até determinado ponto, é a capacidade de se modificar algo em passis energia existe em quantidades limitadas, ela pode ser adicionada ou repartida, tem rendimento máximo e toda ação que realiza causa um aumento na entropia do universo. A informação pode ter caráter qualitativo (quando se dá sentido e valor a ele) e quantitativo (quando se conhece as probabilidades), toda a troca de informação tem um custo energético. A informação são mensagens, e para se transmitir essas mensagens é necessário um conjunto de instrumentos que são os sinais (que podem ou não ser linguísticos), as informações não são limitadas, ela não é aditiva, a informação organiza e a informação se degrada com o tempo.
	Os atores combinam informação e energiade acordo com suas estratégias e também pelo contexto social, compreende um modo de produção, um modelo cultural, um modo de conhecimento, um modelo político entre vários outros fatores. Toda relação é comunicação, e toda ação é codificada. 
	A moeda é o que permite a troca de produtos, ela é a quantificação do produto, a moeda colonizou o material e o substituiu. É a partir da manipulação dos códigos financeiros e monetários que se manifestarão a perda ou o ganho de riquezas. O tempo e espaço são pilares das estratégias, mas também podem ser recursos. Ao que toca o espaço, é preciso lembrar que ele é finito. 
	O espaço é representado comumente por suas características geométricas, que podem ser combinadas e controladas, esse pensamento leva a necessidade da divisão do espaço em escalas. O espaço pode ser dividido em plano da expressão (a superfície constituída de suas construções e propriedades) e o plano do conteúdo (superfície constituída dos objetos reorganizados e que têm significado social).
	O tempo pode ser representado como tempo absoluto (representado pelos eventos astronômicos) e o tempo relativo (representado pela organização do tempo absoluto pela sociedade).
Capítulo 3 – O poder
I – O que é o poder?
	O poder pode ser investido ou privado, pode carregar muitos significados ou características, quando escrito com a primeira letra maiúscula representa a organização estatal, as leis ou a dominação. O poder em minúsculo está presente em cada relação e se esconde por trás do Poder, que se confunde com o Estado. O Poder (em maiúsculo) é mais fácil de se compreender pois se manifesta através de complexas estruturas que cercam um território, e por isso é considerado como mais perigoso.
	
	É preciso destacar a necessidade de se diferenciar o Estado do Poder, já que essas são duas coisas diferentes, apesar de um usar o outro para seus objetivos e possuir instituições diversas para que exerça o poder. 
	O poder está em todos os lugares e vem de todos os lugares, não há um ponto central da onde ele venha, ele é inerente a todas as relações. O poder se manifesta no ocorrer de uma relação, onde os participantes usarão suas ferramentas para negociar (essas ferramentas formam um campo de poder). Ele não é adquirido, é exercido de vários pontos, as relações de poder não são diferentes das relações financeiras, sociais, entre outras, elas são imanentes, o poder vem de baixo (dos dominados), as relações de poder são intencionais e não subjetivas, onde há poder, há resistência a ele. (Todos os pontos onde o poder se manifesta são pontos de conhecimento ou de grande energia).
	O poder é um alicerce móvel, e intrínseco a todas as coisas, não irradia ou irradiou de um ponto central e soberano, mas foi depositado em certos centros para que esses possam exercê-lo.
	O poder, estando presente em todas as relações de todos os tipos está intimamente ligado a capacidade de manipulação de fluxos na relação, essa manipulação é feita através do trabalho, quando ele é apropriado pelo outro, a apropriação do trabalho é a destruição dele, para que a energia seja separada da informação.
	De acordo com Foucault, o poder é exercido de vários pontos, as relações de poder agem em conjunto com todas as outras relações como parte integrante delas, o poder vem de baixo, as relações de poder são objetivas e intencionais, e onde há poder há resistência a ele, e por isso mesmo a resistência não está em uma posição exterior ao poder.		
	O poder é uma combinação variável de energia e informação, com isso é possível dizer que existem poderes com forte componente informacional, ou com forte componente energético.		
	O trabalho é a energia informada, e seria a única coisa de que os homens dispões, e não haveria relações dissimétricas a não ser pela possibilidade de se apropriar do trabalho do outro, o que significa essencialmente destruir o trabalho, já que se apropria uma parte desse trabalho, ou a energia ou a informação deste trabalho. 
II – Os trunfos do poder
	Os objetivos do poder muitas vezes mascaram os verdadeiros trunfos, que sempre se baseiam em alguma forma na população, território ou recurso. Na maioria das vezes as relações que existem para a conquista destes trunfos pode ser descrita como um jogo de soma não nula, onde ambos os concorrentes atingem parte de seu objetivo (jogos de suma nula existem, mas são casos extremos onde um ganha e o outro perde tudo). 
	As organizações são caracterizadas pelas coisas que detêm, controlam ou dominam, e são essas coisas que as organizações utilizam quando entram em conflito ou concorrência com outras organizações. Conforme as organizações dominam seus trunfos e trunfos suplementares elas tendem a simplificar suas estruturas para permitir a melhor circulação ou a melhor concentração de energia e informação, essa simplificação significa se afastar do triunfo real e se aproximar de um trunfo simbólico, e é essa distância do real que pode ser perigosa para o poder.
III – O campo do poder
As relações de poder podem provocar instabilidade quando ocorrem, principalmente entre organizações, já que as trocas que ambos os lados propõe e fazem podem resultar em perdas para os dois, perda para um e não para o outro ou ganho para os dois, mas mesmo com ganho para os dois é preciso levar em consideração se está sendo retirado menos do que foi investido, ou quando a perda para os dois, um dos lados pode ter tido uma perda menor.
As trocas desiguais de informação têm um caráter destrutivo dentro da estrutura relacional. 
Parte 2: População e poder 
Capítulo 1 : A população é o ator mais poderoso, e existe não por causa de organização própria, mas sim porque foi caracterizada assim. Ter uma imagem da população é essencial para aplicação e manutenção do poder estatal, financeiro, cultural e etc. Recenseamento e poder
I – A representação da população: Primeiro domínio do poder 
	 Ter uma imagem da população, mesmo que imprecisa, é uma forma de organizar os potencias recursos e gastos que esse ator pode trazer. A população, como conjunto de seres humanos, é finita e portanto é possível quantificar e qualificar ela, mesmo que de forma imprecisa, mas isso já é o suficiente para se ter uma representação dela, essa representação dá uma ideia do potencial de recursos e gastos dessa população, e com essa informação é possível estender o domínio sobre o grupo recenseado. A população, apesar do recurso, é um ator importante que pode resistir ao poder, e ela é o fundamento e fonte dos atores sociais, podendo ser também um entrave. 
	O início dos recenseamentos coincide com o fortalecimento do Estado Moderno, tendo como desculpas ter um melhor plano para taxar a população e determinar aqueles que servem ao exército, mas esses não são os únicos motivos para que haja um recenseamento, o que há por trás da vontade de recensear é a vontade de conhecer a população e saber com quantos se pode contar. A população nesse sentido é vista como energia, que o Estado tentará integrar em seus projetos e por isso é preciso conhecer a população, mas esses dados se degradam (por causa das mudanças que ocorrem naturalmente , como nascimentos e mortes, imigrantes e emigrantes entre outros fatores). Uma população que resiste ao poder, deixa de ser um trunfo e se torna um entrave.
	As organizações que detém este dado não conseguem resistir à vontade de o explorar, para reafirmar sua posição de poder. Mas o Estado não é o único que faz isso, igrejas, corporações, partidos, também detém fichários demográficos, onde tudo é inventariado e reportado. Mas, como esses dados são dinâmicos, entender como ele se modifica também é de interesse para se tomar medidas, variações temporais ditam medidas natalistas ou não, variações espaciais ditam políticas de localização, de transferências autoritárias ou não. 
	Para se realizar o recenseamento é preciso gastar recursos, mas ainda há outro fator, as divisões de poder, já que a ordem de recensear sai do Estado e migra para esferas de menor poder, como províncias, cidades ecidadãos. Espera-se que as repostas sejam simétricas as ordens, ou seja, que todas as esferas de poder atuem em conjunto, o que nem sempre corresponde à realidade, ou seja, alguma parte do elo pode não cooperar, mentir ou mesmo não receber informações, essa quebra na cadeia de informações é entendida como perda de energia, já que a energia transferida não retorna como informação.
	O homem estatístico é o sujeito do censo, é o contribuinte, o soldado em potencial, para empresas pode ser um consumidor ou produtor, ele vai ser integrado nos cálculos estratégicos, porém essa concepção retira dele toda a humanidade, ele apenas é um receptáculo de rútulos que são ou não úteis, apenas mais um na estatística. 
II – Os atores e suas finalidades
	A imagem da população para os grupos que precisam manter diversas relações com ela servem como guias de como utilizar esse recurso, para a demografia, existem 3 números populacionais, o mínimo, o ótimo e o máximo, para se manter uma população estável e manter o jogo democrático normal, o número mínimo deve ser a meta, se o objetivo é o poderio militar a ideia é atingir a população máxima e se o objetivo for o conforto e bem-estar econômico a meta deve ser a população ótima (essa que nunca pode ser alcançada, somente aproximada). Esses são valores teóricos, para uma população máxima seria necessário coagi-la para se aceitar o mínimo possível para a existência de cada indivíduo. 
	Há duas maneiras de se aumentar o estoque populacional, aumentando as taxas de natalidade ou encorajando a imigração, mas essas duas atingem esse objetivo com significados diferentes. Extremamente importante para se evitar tensões raciais, religiosas ou étnicas, mas há uma demora até que se atinja a idade para entrar no mercado de trabalho e esse crescimento põe um peso maior nos sistemas públicos. A natalidade não altera a composição racial, religiosa, linguística da população, mantendo uma certa estabilidade, mas demora a ocorrer e supõem a presença de um sistema de saúde robusto, A imigração é mais rapida, os que imigram já chegam na idade para entrar no mercado de trabalho imediatamente, e dependem menos dos serviços públicos como saúde e educação o recurso da imigração põe uma série de dificuldades nessas relações, porém ocorre de forma mais rápida. 
	São empregados vários meios para se atingir o controle populacional, desde medidas contraceptivas, Como visto nos Estados Unidos em 2020, que esterilizava as imigrantes latinas. esterilizações, incentivos à migração e emigração a até mesmo, genocídios, mas há medidas mais lentas, como leis, regulamentações. Mas o Estado se interessa também pela distribuição desta população pelo espaço, como mover centros de produção e incentivos à migração. 
III – Controle e gestão dos fluxos naturais 
	Como fluxos naturais se entende a natalidade e a mortalidade, nos animais há uma espécie de equilíbrio, quando há superpovoamento a um aumento na mortalidade e uma queda na natalidade e o oposto ocorre quando há subpovoamento, mas esses estados de sub e superpovoamento são definidos pela capacidade do meio onde eles vivem. Entre essas medidas estão a criação de creches, férias pôs maternidade, incentivos para ter filhos, qualidade dos serviços públicos de saúde entre outros, que podem ou não estar presentes. Os humanos podem influenciar esses fluxos em suas sociedades através de políticas de Estado, que criam um ambiente onde é possível haver um crescimento ou um ambiente hostil a esse crescimento. 
	Os indivíduos, como reprodutores, são controlados pelo Estado, ele é coisificado, e suas relações sexuais devem ser úteis ao Estado, devem ser fecundas. O Estado interfere no círculo privado. A sexualidade deixa de ser algo íntimo e se torna algo político. Mesmo em políticas natalistas os Estados buscam limites, já que o crescimento da população desta forma causa mudanças no interior dos grupos, modificando as relações no interior dele e por consequência modificando também as relações de poder. Há uma contração do tempo espacial, Se não houver crescimento no mercado de trabalho para acompanhar o crescimento populacional, cria-se um exército de reserva. já que haverão mais pessoas trabalhando, fazendo com que o tempo seja menos valioso e com mais pessoas num espaço, há uma diminuição na razão de espaço por pessoa. 
	Em caso em que esse crescimento não é controlado, a quantidade grande de crianças ultrapassa a capacidade que o Estado tem de absorvê-las em seus sistemas cria-se uma situação onde a natalidade aumenta bruscamente, mas a mortalidade também. 
	Mesmo com políticas opostas, Malthusianas, o indivíduo continua sendo apenas um objeto do Estado, as políticas claramente anti-natalistas nesse caso abrangem desde medidas contraceptivas a abortos e infanticídios. A ideia é reduzir os custos do Estado, reduzindo o número de crianças que dependiam dos sistemas públicos para seu crescimento.
IV – Controle e gestão dos fluxos migratórios
	As políticas migratórias tentam controlar e administrar os fluxos no espaço, sejam eles fluxos autônomos ou heteronômicos. Em geral as políticas que tentam controlar esses fluxos tendem a ter características mais qualitativas que quantitativas, ou seja, os imigrantes devem ter certas características desejáveis, como riqueza, boa saúde, raça, formação acadêmica ou outra forma de diferenciação qualquer, em geral essas políticas tentam impedir a modificação expressiva das características da população local para impedir possíveis conflitos ou atritos, mas essas políticas também dependem de atores internos do Estado, como empresas, sindicatos, partidos políticos e etc.
Capítulo 2: Língua e poder 
I – As funções da linguagem 
	
	 A língua não é apenas uma ferramenta, ela está inserida na cultura e pode ser a fonte de muitos conflitos, a língua é o conjunto de todas as informações não hereditárias e dos meios de organização e sua conservação. A língua pode ser abordada das seguintes maneiras: linguagem vernácula (língua local, feita mais para se comunicar do que para comungar), linguagem veicular (nacional, aprendida por necessidade, destinada a comunicação na escala de cidades), linguagem referencial (ligada as tradições orais ou escritas e que assegura a continuidade das tradições), linguagem mítica (usada como último recurso, pelo qual se compreende a incompreensibilidade como prova real do sagrado). Não há, cientificamente, nenhuma evidência de que existam línguas melhores ou piores, mas, mesmo assim, as línguas continuam sendo um recurso, já que algumas ocupam grandes espaços e são de uso corrente, enquanto outras estão se retraindo e são de uso local.
II – Vista aqui como produto de um trabalho, que combina o capital linguístico e acrescenta-se a variabilidade do uso diário. A língua como recurso
	A língua é trabalho, pois não existe na natureza, então pode-se assumir que a língua tem um capital constante, mas somente este capital é morto e não gera produto, o produto vem da soma deste capital constante com o capital variável. O produto desse trabalho é a comunicação e a circulação de mensagens.
A linguagem não é um lugar de poder, é na verdade a própria manifestação dele, os problemas e conflitos provenientes da língua são, na verdade, causados pelas diferenças socioculturais entre os diferentes falantes. 
III – A língua e as relações de poder
	Uma comunidade linguística é formada pelo total de mensagens trocadas em uma língua, a comunidade linguística pode aparecer como um mercado onde circulam diversas mensagens como mercadorias, onde se há valor de troca e valor de uso. O domínio sobre a linguagem (através do estudo) fornece ao que fala a capacidade de tornar as relações dissimétricas ao seu favor, o poder sobre a língua é a capacidade de manipulá-la. Pierre Chaeffer, musico, teórico musical. 
A opressão linguística pode ser proveniente do interior, quando se há uma pressão para torná-la mais padronizada e forçar o desaparecimento de dialetos, ou de línguas de menor uso. O Estado nesse sentido buscacriar um capital constante padronizado para a língua, o que o Estado busca é criar um senso de união interno, evitando situações onde cidadãos de um mesmo país não consigam se entender por causa da língua, e facilitar o entendimento das informações que circulam. 
Capítulo 3 : Religião e poder 
I – O poder de um sobre o outro O sagrado e o profano
	Os fatos religiosos não escapam da problemática relacional e nem do poder, na verdade as relações religiosas são bem fundamentadas no poder, pois todas as religiões fazem distinção entre o sagrado e o profano, e são concepções opostas, uma onde há chance de salvação e a outra o tormento, uma onde há o domínio da esperança e na outra o temor. Esses dois mundos se caracterizam um ao outro, eles são excludentes e se sobrepõem.
	A vida religiosa se dá pela soma das relações do homem com o sagrado, as crenças são as garantias e os ritos são a prática. A religião é uma ferramenta de comunicação com o sagrado, e pode ser manipulada. A religião pode usar a mesma fórmula da linguagem para se verificar seu trabalho, e da mesma forma que a linguagem depende do capital variável, aqui são os adeptos, as religiões precisam desse capital variável para continuar existindo, o resultado deste trabalho é a circulação de mensagens dentro da comunidade religiosa, a circulação desta mensagem é a mesma coisa que a circulação do sagrado. Ao contrário da linguagem que evolui lentamente, sem mudanças abruptas, as religiões podem sofrer cismas ou reformas, desta forma partilhando o capital constante, dividindo também o capital variável e por consequência o produto desse trabalho. 
	As grandes religiões são aquelas que conseguiram dominar partes importantes do espaço e tempo das coletividades. Não existem relações puramente religiosas, elas são subentendidas pelas relações políticas e é através disto que as relações entre o sagrado e o profano encontram seu valor.
II – Relações Estado-Igreja 
	O Estado pode assumir uma religião como oficial, o que pode levar a uma teocracia. As obrigações, os sacrifícios e as interdições são de caráter temporal, e o não cumprimento desses tem consequências não apenas no mundo sagrado, mas também na realidade. A convergência do sagrado e do profano é uma arma poderosa, quando a religião é atrelada ao Estado, é o Estado que tende a se sobrepor e manipular a religião para que possa fazer sua manutenção no poder. A religião também pode representar o oposto disto, já que se caracteriza por um grande componente de informação, ela pode formar redes de resistência (assim como a linguagem). 
	Mesmo nas relações internas da religião estão as marcas de relações dissimétricas, essas existentes devido a concentração de informação em uma das partes, o empréstimo de riquezas e a transferência de bens. A igreja como qualquer outra organização busca se expandir, reunir, controlar e gerenciar.
III – O despertar do Islã
	O Islã aparece em diversas partes como uma rede de resistência contra a ocidentalização das regiões onde é dominante, essa resistência tem se materializado de forma violenta.
Capítulo 4: Raças, etnias e poderosa
I – O papel e significado das diferença Houston Stewart Chamberlain: Escritor, antropólogo, filosofo, racista , nazista (?) s Georges Vacher de Lapouge: Antropólogo, teocrata, proponente da eugenia. Arthur de Gobineau: Diplomata, filosofo e proponente do racismo. 
 	 Através da história se percebe mudanças contínuas entre o papel das diferenças étnico e raciais, ora para o poder é apenas uma diferença virtual, ora é concreta. No último século, se percebe uma crescente onda de pesquisas que tentam comprovar a superioridade de uma raça sobre outra, essas pesquisas têm como objetivo não falado a dominação poucos sobre muitos. Abre o capítulo criticando o pensamento de diversos autores, que baseados na antropologia e em conceitos eurocêntricos propagavam o racismo. Muitas das pesquisas para provar a superioridade de uma raça a outra não apresentaram resultados incontestáveis, mas o que se pode contestar são os motivos para a realização de tais estudos, a necessidade de provar a superioridade ao outro, e portanto ter o direito de exercer poder sobre ele. 
	Uma das maneiras pelas quais se pode lutar contra isso é assegurando a existência de diferenças, já que mesmo dentro das raças existem diferenças, que asseguram a diferenciação cultural e genética dos seres humanos, e portanto a autonomia da espécie.
	A perseguição por um modelo único, é uma forma de genocídio que pode tomar muitas formas, o genocídio de forma geral enfraquece a autonomia da espécie em seu conjunto. O mundialismo pode ser alcançado através da universalização de forma unitária pelo modelo que se considera melhor que todos os outros, ou pode ser alcançado de forma pluralista, pela experimentação de vários modelos. O modelo unitário se esconde atrás da racionalidade que esconde as diferenças em prol de um único modelo, e essa tentativa de homogeneização que é traduzida como perda de autonomia.
	Não existe uma superioridade ou inferioridade racial absoluta, apenas relativas, a passagem da inferioridade relativa para a absoluta se inscreve num mecanismo de controle de uma raça sobre a outra para se fazer dominar o poder. A existência de preconceitos de diversas formas (racismo, preconceito político, econômico entre outros) têm um mesmo objetivo simples; assegurar o máximo de trunfos para a dominação, e isso pode ser alcançado tanto pela supressão quanto pela exploração das diferenças, seja num plano político-econômico ou socio-cultural. 
II – As formas de discriminação
	Em uma sociedade multirracial ou multiétnica há uma série de dispositivos que permitem a exploração das diferenças e o controle dos trunfos por uma determinada raça ou etnia. A discriminação pode ser espacial, onde se delimita áreas para a existências de determinados grupos, e tende a vir acompanhada de outras medidas, o grupo fica isolado e mais facilmente dominado. Entre as várias consequências estão a superpopulação destas áreas, assim como elevados níveis de violência e de doenças, há o risco de que a classe dominante precise despender grandes quantias de dinheiro para reduzir os problemas e evitar revoltas que a minoria reprimida pode esconder.
	As relações de trabalho são particularmente dissimétricas para os que são discriminados (por exemplo, salários menores, empregos piores, condições ruins de trabalho entre outras formas). As empresas e o Estado buscam discriminar com vários objetivos, e um deles é manter a legitimidade de seu poder, mas isso vem acompanhado de uma série de fatores negativos, como por exemplo: recursos humanos não sendo utilizados de forma plena, custos de produção não racionais, recursos fundiários são desperdiçados, uma parte da mão de obra é ineficiente por falta de formação, duas economias paralelas, serviços em dobros, retração do mercado interno por falta do consumo de uma parcela da população entre vários outros fatores negativos.
Terceira parte: O território e o poder
Capítulo 1: O que é o território?
I – Do espaço ao território
	Um território se forma a partir de um espaço onde um Um ator que realiza um programa em qualquer nível e que detêm algum planejamento para alcançar seus objetivos. ator sintagmático realiza um programa, ele faz isso a partir da apropriação concreta e absoluta do espaço, o espaço ao transicionar para território se modifica através das Pode se entender como as redes de informações criadas, a construção de infraestrutura e a circulação de informações, bens, dinheiro e pessoas. redes, fluxos e circuitos que ali se instalam. O território nesse sentido é trabalho realizado, quando se investe energia e ou informação no espaço.
	O espaço no marxismo não tem valor de troca, apenas valor de uso, isso significa que o espaço é algo dado, não necessitando de nenhum trabalho pré existente. O território precisa do espaço para existir, mas não é o espaço, ele é uma produção a partir do espaço, e qualquer projeto realizado no território é expressopor uma representação dele.
	Qualquer projeto sobre o território necessita de conhecimento, práticas e sistemas sêmicos, é através desses processos que se realiza a objetificação do espaço nas relações sociais. O espaço representado é um espaço que se insere nos trabalhos (já que se demanda trabalho para se manter uma representação) e por isso os limites dessas representações são as utilidades que um determinado espaço pode apresentar com base em suas propriedades.
	A cartografia ressurge no mesmo momento do surgimento dos Estados Modernos, e foi e ainda é muito utilizada pelas organizações. Essa cartografia representa o espaço através de planos, linhas, pontos (uma sintaxe euclidiana), esses mapas transcendem os objetos representados enquanto preserva as relações e contatos. As representações num mapa são um conjunto definido em relação ao objetivo do ator, espaço representado não é mais um espaço, é uma imagem dele. Essa representação é informação gerada a partir do gasto de energia, e essa informação se modifica e se desgasta e, por fim, se perde, esperar que essa informação não precise de manutenção é assumir que o espaço é estático e sem nenhum ator atuando. 
	Interessa para os atores, no momento da criação de uma representação do território, a capacidade que eles tem de alcançar seus objetivos, manipular as redes e fluxos ou manter seu domínio. Na criação das representações os seguintes axiomas são necessários: toda superfície é passível de ser constituída por malhas, esse sistema de malhas não é único, pode-se estabelecer ao menos um caminho entre dois pontos na superfície, esse caminho não é único e entre três pontos na superfície pode se estabelecer ao menos uma rede. Nessas formulações a continuidade geométrica do território é menos levada em consideração e se analisa as heterogeneidades que as redes apresentam.
II – O sistema territorial 
	Após a representação, o mapa passará a ser entendido através dos nós, redes e malhas, o que se chamará essencial visível, mesmo que esses objetos as vezes não sejam realmente visíveis, esses objetos se formam a partir das ações ou comportamentos, que geram uma produção territorial. A população se distribui regularmente ou não com base na capacidade de locomoção e a proximidade com pontos em que tem interesse de se aproximar, e também os custos de locomoção entre vários pontos, essa distância se traduz na capacidade de interagir politicamente, financeiramente, culturalmente ou de outras formas. Essa organização hierarquia de preferências permite a configuração e o controle sobre aquilo que pode ser distribuído.
III – A territorialidade 
	A territorialidade é o território vivido, onde se completam as atividades produtivas e a população vive ao mesmo tempo a produção territorial, através das várias relações existenciais e produtivas. A territorialidade pode ser definida como um conjunto de relações de um sistema tridimensional sociedade-espaço-tempo que pretende assumir a maior autonomia possível compatível com os recursos do sistema.
	A territorialidade aparece como um sistema mediador entre uma coletividade interna e o meio externo, ela se apresenta como uma relação de trocas, consumo e produção, não sendo apenas uma simples ligação com o espaço (apesar dele ser a base). A territorialidade se manifesta em todas as escalas espaciais e sociais, e se segrega uma das outras.
	Ela se baseia em três elementos: identidade espacial, exclusividade e compartimentação da interação humana do espaço, então para se compreender a territorialidade é preciso entender o que a construiu, os lugares em que ela se desenvolve e o ritmo de suas ações.
Capítulo 2: As quadrículas do poder 
I – Limites e fronteiras 
	Toda relação depende da criação de um campo onde ela se origina e se esgota, esse campo tem um limite que contém a relação. Os limites (fronteiras) são reflexos do subconsciente humano que dependem do contexto histórico, esses limites e fronteiras evoluíram, mas em nenhum momento deixaram de existir. Os limites são utilizados por coletividades como formas de dividir o território de forma visível ou não, sendo assinaladas no próprio terreno ou em outras representações do território. O limite também pode se referir a ações, ou até onde o campo das ações pode atuar.
	Todo o sistema de limites não é aleatório, pode ser convencional, mas é pensado previamente como forma de conduzir e refletir as sociedades, ele reflete um projeto social que a própria sociedade julga prioritário. Por isso não se pode naturalizar as fronteiras e limites, pois a naturalização deles tende a perpetuação do sistema.
	Os limites são uma classe geral, da qual as fronteiras fazem parte, na verdade as fronteiras fazem parte de uma classe especial, pois os Estados-nação as tomaram como sinais plenos e absolutos do seu poder sobre o território. Para se alcançar esse estagio, um dos principais meios foi a linearização das fronteiras, que antes eram vagas e não representavam um limite claro, mas que com a vulgarização dos mapas, e o surgimento do Estado moderno a fronteira teve que ser melhor delimitada, para evitar que o pretexto da fronteira fosse evitado em conflitos. Mas a demarcação cada vez mais precisa também indica a crescente dificuldade de permeabilidade destas fronteiras.
	As fronteiras têm 3 funcionalidades para com o interior, a legal (aplicação das leis), a fiscal (o controle financeiro, coleta de impostos e o protecionismo do mercado interno) e o da circulação dos homens, essas funções podem ser reais ou virtuais.
	A reprodução social; troca, consumo e produção são vividos, e se dão em relações simétricas ou dissimétricas, esses fenômenos são observáveis tanto nas fronteiras quanto no interior dos países, e exatamente por serem vividos, os limites participam da territorialidade. Essa é uma das dificuldades de se dividir uma territorialidade, essas divisões nem sempre fazem sentido do ponto de vista existencial, a malha é dividida pelo poder em busca da melhor forma de exercer esse poder. 
II – Mudanças de poder, mudanças de tessitura 
	A aplicação de uma divisão que ignora as características particulares regionais e apenas se distingue por marcadores geométricos, apesar de possível, representa uma forma muito ineficiente de se gerir um território. Modificar os limites desta forma é desorganizar a territorialidade local e questionar a existência cotidiana das populações.
	A tessitura é um trunfo que se instaura em várias escalas entre organizações políticas e econômicas. As organizações políticas querem evitar a difusão de diferenças enquanto as econômicas querem aumentar essa divisão e por isso essas organizações têm objetivos tão diferentes. 
III – Mudanças no modo de produção, mudanças na tessitura
	O modo de produção reflete nas relações existentes e também na territorialidade desenvolvida, mudanças no sistema de produção geralmente são acompanhadas da mudança dos fluxos de energia e informação, e também das relações existentes.
	A mudança entre sistemas de produção começa com uma mudança na coleta de impostos, e em seguida o surgimento de coalizões entre detentores de terra que a exploram.
IV – A procura de uma nova malha: a região
	A região surge dentro de uma disputa, entre o Estado, que quer homogenizar as estruturas internas, e as diversas territorialidades, que querem manter suas autonomias, a discussão sobre a região se torna na verdade uma discussão mais sobre o discurso do que sobre o objeto em si. A lógica do Estado permite a ideia da existência de uma “diversidade” sobre uma tessitura que busca a homogeneidade.
	A região é um desafio para o Estado, essa define, corta e encerra as quadriculas do poder, mas não encerra o território, as regiões são independentes do todo, e não tem ligações com o real. O Estado mantém um discurso ambíguo sobre a região, para que possa agir com diferentes estratégias em diferentes escalas. 
	A região altera os tempos locais, os destruindo, ou seja, altera as rotinas e ritmos das territorialidades que existem dentroda região, e destruindo as relações horizontais que existem dentro da região, deixando apenas as relações verticais, onde o poder vem de cima para baixo, e as relações entre essas territorialidades agora precisa passar pelo Estado. 
	O discurso regional interfere muito pouco na vida cotidiana de quem mora nela, justamente por não estar ancorada em nada real. Há na base desses discursos diversos movimentos contra o Estado, mas que não conseguem se organizar justamente por causa das diversas diferenças que existem dentro da região.
Capítulo 3: Nodosidade, centralidade e marginalidade 
I – Os lugares do poder
	O poder antes de se realizar no espaço precisa se cristalizar em um lugar, e por isso ele marca de forma irrefutável a existência destes locais. Muitos dos lugares centrais de uma comunidade surgem e crescem e se irradiam são locais onde o poder se materializa através das relações. A realização dessas ações deixa marcas simbólicas onde os lugares surgem. 
	A princípio não há lugares privilegiados, mas é preciso levar em consideração a nodosidade, onde as pessoas já se reuniam, e levar em conta as densidades dessas reuniões.
II – Capitais e o poder 
	Uma capital não é algo institucionalizado, a capital é reflexo de uma crise que surge do desaparecimento de um poder e o surgimento de outro (ou mesmo do reaparecimento de um poder, ou de um poder que supera uma crise), em todo caso, mesmo que a posição da cidade não mude, as relações de centralidade-marginalidade mudam. A capital é a representação, mais ou menos estável, de uma representação política, e ao se posicionar num ponte de centralidade ela define o completamente ou parcialmente a marginalidade do que a circunda, e a mudança de posição ou de sistema sêmico, ou mesmo a permanência dos mesmos representa uma estratégia que se materializa na capital. 
III – Regiões, nações, grandes espaços e poder
	Apesar de ser central, uma capital depende e se apoia em uma ou várias regiões ou nações, e depende dos recursos dessas áreas para que exerça o poder.
Capítulo 4: As redes e o poder
I – A circulação e a comunicação
	A circulação e a comunicação são duas faces da mobilidade, e são essenciais no planejamento e uso de estratégias dos atores que pretendem manter ou expandir seu controle sobre o espaço. Não é possível que um exista sem o outro, todos os homens que circulam carregam alguma informação, e toda informação que é comunicada carrega algum valor.
	A circulação é a face do poder, pois os homens e bens só podem circular pelas estruturas criadas e mantidas por esse poder. A movimentação de qualquer coisa é um ato de poder, que pode ser visto e controlado, o poder sempre prefere agir sem ser visto, para isso tenta dissimular seus movimentos, evitando que concorrentes tenham alguma estimativa do que está sendo movido e do potencial disso. 
	Mas em contra mão a informação pode ser dissimulada, o poder pode atingir seu ideal (ver sem ser visto). É por isso que a maioria dos atores tem tomado a estratégia da transparência da circulação (já que a própria circulação chama atenção para si, tentar torná-la invisível seria inútil) e a opacidade das redes de comunicação (que podem ser escondidas, controladas, vigiadas).
Parte 4: Os recursos e o poder
Capítulo 1: O que são os recursos 
I – Matéria, recurso e tecnicismo
	A matéria preexiste a existência humana, e nesse sentido ela é similar ao espaço, tanto por já existir antes dos seres humanos, como pela sua acessibilidade e sua capacidade de ser assimilada. Ela é um dado puro, que é resultado de forças e fenômenos que atuaram durante a história sem a participação humana. A matéria oferece possibilidades para as práticas, das quais algumas se realizaram como forma de um objetivo intencional. 
	O valor da matéria é dado pelas relações que os homens mantiveram com ela, e que através do trabalho informado, “inventa” as propriedades dela, as propriedades são “inventadas” justamente porque dependeram de trabalhos analíticos e empíricos para que fossem descobertas e encontradas. Essas propriedades surgem das ações e utilidades encontradas pelos homens ao integrar a matéria em suas praticas, que acabam por esgotar as propriedades da matéria nesse ponto de vista, mas com a mudança de práticas a meteria se insere em uma nova integração com outros elementos que podem ajudar na descoberta de outras propriedades. Ou seja, não é possível dizer que se conhecem todas as propriedades de algo, pois as práticas a quais esses elementos se integram estão evoluindo. 
	A matéria depende das atividades humanas para ser algo mais que o “dado puro” e inerte, ela não é desvendada como campo de possibilidade, não tem praticas, não tem relações e portanto, não tem produção. 
	O homem se interessa pelas matérias que tem suas propriedades alinhadas com as utilidades. Ela precisa de um processo de produção para se tornar recurso, um ator que realiza uma prática (uma técnica mediada pelo trabalho), ela é resultado de um processo complexo. 
	Os recursos se referem a funções, e não a coisas, eles são utilizados para se atingir um fim, se esse fim se modifica, os recursos também podem se modificar. A relação com a matéria é politica, pois o trabalho para a produzir é coletivo, as relações dão acesso de um grupo a matéria, e esse acesso modifica por sua vez as relações entre os grupos. Todas as relações com a matéria são relações politicas, que se inscrevem nesse campo com intermédio do modo de produção. 
	Um recurso é fruto de relações, então não existem recursos naturais, somente matérias naturais. A matéria como ela mesma, permanece inerte, enquanto o produto, está em constante evolução. As propriedades podem também desaparecer quando deixam de ser interessantes num ponto de vista econômico ou técnico. 
	A tecnicidade pode ser definida como o conjunto de relações que o homem, enquanto membro de um grupo mantêm as matérias a quais pode ter acesso, e assim como a territorialidade ela pode ser simétrica e assimétrica. Uma relação simétrica indica uma não destruição do material, enquanto a assimétrica indica o oposto. As relações dissimétricas levam ao esgotamento dos materiais, é preciso fazer uma mudança na prática, porém, quanto mais complexa é a prática, mais sensível e frágil ela é, e qualquer pequena mudança pode causar problemas. 
	A produção da meteria revela um trunfo, mesmo que temporário do domínio das relações que os homens têm com a matéria e os recursos, e também, de um quadro espaço-temporal, onde a produção da tecnicidade interage com a territorialidade. As relações com a matéria são de fato relações espaço temporais, onde o tempo e o espaço interferem no acesso a esses materiais, onde uma indústria pode por anos ter acesso a determinado material e ter que mudar suas operações pois perdeu acesso a eles. 
II – Recursos renováveis e recursos não renováveis 
	Todos os recursos renováveis dependem diretamente ou indiretamente da fotossíntese, dependem do ecossistema e de um ciclo fechado, onde não haja o comprometimento de nenhuma parte dele. A quantidade dos recursos renováveis pode variar, e todas as sociedades tentam fazê-lo crescer, mas há um limite, a superfície da terra é finita. Desde o surgimento da agricultura, os recursos renováveis são recolhidos a partir de uma organização de terras, que evoluiu em conjunto com as ferramentas, métodos e técnicas utilizadas. 
	Na agricultura existe a exigência de mais dois recursos, solo arável e água, o solo é um recurso renovável, mas limitado, e que pode ser diminuído devido a fatores diversos. A produção agrícola no solo pode ser simétrica ou dissimétrica, quase sempre dissimétrica, já que essa produção se baseia no princípio da propriedade, a propriedade da terra se torna um trunfo e uma fonte de poder nas relações. A água, é um recurso limitado e essencial a vida, e por isso também deve ser preservada, é preciso também diferenciar o consumo e utilização, já que esse é um recurso que pode ser reciclado, e assim como o solo cultivável a água não é distribuídaigualmente, e por isso, também é motivo de conflitos. 
	Os recursos não renováveis são matérias que foram acumulados no subsolo ao longo da história da Terra, recursos como petróleo, gás, jazidas de ferro, não são renováveis, pelo menos não no tempo de vida humano. A utilização desses trunfos resulta na diminuição deles, e enquanto para os recursos renováveis existem mecanismos de regulação, para os recursos não renováveis não existe nada, para esses recursos, uma vez consumidos, deixam de existir de uma maneira utilizável. 
	
	Nos últimos anos os países produtores destes recursos tem subido os preços em vista do crescente consumo e desperdício deles, mas, ainda assim, esses recursos continuam se reduzindo. 
III – A mobilização dos recursos
	Toda mobilização de recursos exige um domínio mínimo de informação e energia para se planejar, explorar e criar um inventário da matéria e ter planos para sua utilização. A exploração é a fase de demarcação que resulta no inventário e avaliação dos recursos, o que determina a possibilidade de exploração são os custos e a possibilidade de gerar lucro, mas a avaliação dessa possibilidade não é absoluta e é sempre feita em relação ao contexto, contexto esse que pode ser econômico, tecnológico, político ou uma combinação desses fatores, e mesmo antes de inciar a exploração, ainda se tem o contexto jurídico para se enfrentar. 
	Os exploracionistas, uma vez tomada a decisão, explorarão e retirar o material sem se preocupar com o esgotamento deles, a exploração contínua conforme o mercado aceita o produto, ou quando o Estado já tem planificada a extração. Apenas utilizam a informação funcional, que valoriza todas as técnicas em todos os níveis, a única regulação são os preços de mercado, se valoriza o bem presente em detrimento do futuro.
	Os preservacionistas não estão numa perspectiva de crescimento, mas sim de estagnação, nesse caso, o meio é pouco tocado, e são evitados os ganhos presentes para se preservar o futuro, mas essa não é uma estratégia ecológica, já que se pode estar preservando o recurso para um momento futuro quando ele valer mais. 
	Os conservadoristas estão em um meio termo, já que tentam otimizar o presente e o futuro, tendo em vista os objetivos de uma coletividade, e está marcada por um forte senso de gestão futura.
Capítulo 2 – Os atores e suas estratégias 
I – Os componentes da estratégia 
	Os atores ocupam diferentes estratégias dependendo das características renováveis do recurso, exercendo sua parte na propriedade e produção deste recurso. Para se produzir esse recurso, o ator deve aplicar um conjunto coerente de técnicas de acordo com o processo programado. Os atores assim se dividem em 4 categorias, conforme o domínio da técnica ou dos materiais, mas essa divisão não é homogênea nem quantitativamente nem qualitativamente. As técnicas e os materiais podem ser muito avançados ou muito rudimentares, e esses atores são territorializados, e se deparam com as malhas, redes e pontos já existentes. 
	Há três formas de transferência, transferência de matérias-primas, de tecnologia, e de produtos semiacabados ou acabados. Um ator que controle boas técnicas e vastas quantidades do material é considerado central, enquanto o ator que não detêm nem o material e nem as técnicas seria um ator periférico. Mas as estratégias não dependem apenas disso, já que a matéria se encontra em um território, e só se torna valiosa com o acesso a ela, a mudança de localização de um ator para alcançar esse material é uma possibilidade, outra possibilidade é a mudança relativa da distância, feita pela reorganização de uma série de fatores que reduzem o custo do transporte. 
II – O Japão e a transferência de tecnologia
	O sucesso da industrialização japonesa é reflexo de saber introduzir as tecnologias estrangeiras a seu meio de produção. O Japão inicialmente enfrentou um problema, não era capaz de gerar tecnologia e para isso precisava importá-la, mas isso traria consequências negativas, já que também não havia mão de obra qualificada. 
	A mudança começa pelas instituições japonesas, que também foram importadas, primeiro nos setores públicos e posteriormente nos setores privados, após sua abertura o Japão apressou o desenvolvimento de tecnologias de circulação e comunicação, firmando seu poder sobre o território e acelerando o desenvolvimento das indústrias de ferro e naval para sustentar o aumento na circulação. 
	As indústrias foram escolhidas devido as necessidades nacionais e os recursos utilizáveis disponíveis, o desenvolvimento tecnológico foi ligado ao desenvolvimento militar, a transferência tecnológica encurtou o período de modernização, crescimento da inovação e adaptação do meio japonês as técnicas do exterior.
III – As multinacionais e a transferência tecnológica 
	A maior parte da tecnologia é gerada em países centrais, com grande apoio financeiro de empresas multinacionais, essa é uma estratégia muito comum para esses atores que querem preservar seu controle sobre a matéria. As tecnologias geradas dentro dessas empresas multinacionais pode até circular, mas, em geral, circula apenas dentro da empresa por vias privadas, e não públicas. Pode haver a circulação externa, mas essa remete a um conhecimento do saber manejar um produto, não o do saber fazer o produto. De um ponto de vista econômico, para as empresas, circular externamente o conhecimento do como usar é necessário, já o como fazer é um segredo interno que garante poder, é muito obvio a presença de uma vontade mercantilista por trás desse saber. Nesse sentido, a transferência de tecnologia também pode se dar pela transferência de tecnologia ultrapassada como forma de garantir mais lucros, mesmo com a tecnologia já defasada 
	Há três formas de tecnologia; a tecnologia alienada, que é cedida através de acordos, que é secreta e que se cristaliza de forma complexa nos produtos; a tecnologia socializada, que é disponível e acessível sem restrições; e a tecnologia “encarnada”, o saber fazer incorporado pelos homens. A aplicação de tecnologias é um fator que afeta de grande maneira o retorno de lucros, a eficiência, a repartição dos lucros e os níveis de produção. 
	O pacote tecnológico se define pela existência de tecnologias medulares, importantes para os processos, e tecnologias secundarias, intensivas de mão de obra que dependem da anterior. Essa ideia de centralidade e marginalidade se reflete nos territórios, onde os países centrais concentram a tecnologia e podem decidir comprar menos dos países periféricos, que tem que competir entre eles, ou os países centrais podem adotar técnicas que limitam os produtos que são precisos fazendo substituições. 
IV – As estratégias tecnológicas intermediarias
	A técnica intermediaria permite a criação de aparelhos pouco custosos, mas que dependem de grande mão de obra, aumentando a produção de uma comunidade local. 	Para os atores que já detêm uma tecnologia avançada, pode não valer a pena, mas para atores menos avançados, essas técnicas podem produzir mercadorias para alimentar o mercado doméstico, e talvez serem destinadas a exportação, mesmo que este não seja o objetivo. 
	Entre as vantagens dessas técnicas podem ser citadas: baixo custo de introdução, e o baixo nível tecnológico, simplicidade no funcionamento, utilização de instrumentos ultrapassados mas ainda utilizáveis, mobilização de muita mão de obra (criando empregos) e tecnologia de fácil assimilação que não provoca muitas mudanças sociais. A utilização destas tecnologias pode ser um caminho para o avanço tecnológico de um país.
	O controle das tecnologias avançadas também se torna um controle do poder, já que essas produzem mais em menos tempo, mas abre-se uma questão, essas tecnologias são justamente as que mais consomem energia, e a energia é um recurso que se torna cada vez mais escarço (devido ao consumo de recursos não renováveis), e nesse ponto as tecnologias intermediarias se saem melhor, pois consomem menos energia e mais trabalho humano, para os países desenvolvidos sobramduas opções, economizar energia, ou mudar suas tecnologias. 
Capítulo 3 – Os recursos como “armas políticas”
I – Quais os recursos 
	Qualquer recursos pode ser uma arma politica, desde que seja parte integral de algum processo importante, ou necessidade insubstituível ou de difícil substituição. Esses recursos importantes continuam mudando, e o que é valioso hoje, pode deixar de ser nos próximos anos, essa importância se dá pelas conjunturas dos sistemas e sua evolução. Todos os recursos são políticos, pois dependem da coletividade para sua fabricação, e por serem dependentes do meio internos das técnicas e da economia. 
	Qualquer recurso pode ser um instrumento do poder, não importa o qual usado ou não, e desde o início da humanidade existem conflitos pelas “coisas úteis”. Mesmo os recursos renováveis podem se tornar mais escassos, seja absolutamente ou relativamente, e um conflito econômico sempre se prova mais vantajoso que um conflito bélico. 
	Para que um recurso se transforme em arma, é preciso que haja pressões, essas pressões podem ser: Adotar uma politica de diversificação de importações, reduzir as importações de tal recurso através de técnicas que economizem esse recurso ou o substitua, continuar as importações, mas fazer acordos bilaterais para garantir o recurso ou procurar soluções multilaterais com os países exportadores. 
II – Os cereais e, em particular, o trigo
	Os cereais são ainda a base de grande parte da população mundial, e essencial para os países menos desenvolvidos, e estão presentes na maior parte dos países que tenham as condições climáticas adequadas para seu plantio. Os cereais por isso são incríveis instrumentos do poder, alguns mais do que outros, 
	
	Houve nos anos 60 e 70 um grande aumento na dependência da importação de cereais, em especial o trigo, entre os países mais dependentes se notam essas características: países pobres com condições ruins para a agricultura, países em guerra ou envolvidos em conflitos políticos e países onde a elite fez a decisão de depender de depender da importação de gêneros alimentícios estrangeiros. Em alguns desses países, a produção agrícola se especializou em outro vegetal devido as pressões externas, como o caso de diversos países da América latina que exportam frutas, ou café. 
	A dependência latino-americana de cereais tem crescido, devido a especialização dos países em outras atividades agrícolas, nesse continente, os países dependem dos cereais norte-americanos, em especial, dos cereais vindos dos Estados Unidos. Nesse sistema, a saída dos países latino-americanos da tutela dos Estados Unidos se torna improvável a curto prazo. Os Estados Unidos usam esse monopólio para não só exportar trigo, mas também para que esse seja porta de entrada para outros produtos, e ainda ode usar como estratégia para manter seu poder reafirmado. 
III – Os recursos energéticos 
	Em 1973 o mito da energia abundante e barata acaba, a OPEP surge e começa a demarcar os preços, os preços sobem, mas não de forma a desencadear reações militares, os países produtores passam a receber mais e a conceder empréstimos a países consumidores mais pobres, o controle sobre o petróleo se tornou um trunfo. 
	A OPEP surge em 1960 em reação as empresas petrolíferas, que por muito tempo mantiveram os preços do petróleo bruto o mais baixo possível, levando os países produtores a receberem bem pouco, os preços baixos do petróleo levavam os países consumidores ao desperdício de um recurso que é finito. O controle de preços da OPEP se deu através de diversas situações que convergiram, entre elas, a guerra do Yon Kippur, a inutilização de oleodutos na sibéria e a ameaça de redução da produção dos países árabes. 
	Esse controle se foi possível devido a concentração do recurso na península arábica, que sozinha detêm aproximadamente 40% do petróleo mundial, e por isso as decisões sobre preço, e quantidade produzida podem ter caráter negativo sobre os países consumidores, principalmente os países que mais consomem. Para que essa situação mude seria necessário a descoberta de novas jazidas de petróleo, que elas sejam grandes e que estejam próximas aos países consumidores, ou a substituição do petróleo por outras fontes, sejam elas sintéticas ou renováveis. 
	As estratégias da OPEP levaram a uma grande mudança nos sistemas ocidentais, que tiveram que reorganizar suas estruturas a fim de economizar no consumo e desenvolver formas mais eficientes de produzir, ao mesmo tempo que deu aos países produtores grandes fontes de riqueza, mas o jogo pode estar novamente virando, tendo em vista as crescentes pesquisas e desenvolvimento de fontes substitutas de energia. 
IV – Cobre e alumínio 
	Esses são os metais mais consumidos, além do ferro, no mundo e 	a anos as empresas lutam sobre o domínio desses metais, que se traduz numa série de fenômenos; internacionalização da produção com uma postura agressiva das empresas, reestruturação parcial da divisão internacional do trabalho, tendência de integração e desenvolvimento, tendência a formação de conglomerados. 
	A produção mundial desses metais está concentrada em empresas multinacionais americanas, que produzem bem mais que consomem, e mesmo os países europeus e o Japão se veem obrigados a comprar desta fonte. A situação do alumínio é um pouco diferente, já que a maior parte da produção de alumínio americana vêm de países do caribe, que possuem minérios com baixa concentração, dessa forma, um custo maior por unidade produzida, a Europa nesse sentido, tem uma produção mais satisfatória. 
	As empresas mineradoras agora tem uma estratégia tripla, diminuição dos riscos financeiros, garantia de renda num nível suficiente e diversificação das associações com países produtores, desta forma, essas empresas mineradoras mantêm suas atividades sem terem nenhuma mina. 
	O território em que as empresas agem refletem a história, os Estados Unidos concentram suas ações na América latina, os europeus, na África. Mas as atividades mais economicamente interessantes se mantiveram nos países consumidores, ou seja, o minério bruto é retirado para ser trabalhado nos países centrais. 
Resumo
	O autor critica a geografia política clássica por somente enxergar a estrutura hierarquizada do território estatal como fonte de poder, negando o poder popular. Para ele toda ação é uma ação política, e por isso toda a geografia humana é uma geografia política. 
	O poder não é adquirido é exercido, e todas as relações são permeadas por ele, independente de quais sejam, o poder é algo multidimensional, relacional e imanente. O poder não é algo estritamente hierárquico, visto que grupos subalternos também exercem o poder. 
	Toda relação de poder depende de informação e energia, a informação não é aditiva e degrada com o tempo, mas não é limitada. A energia é limitada, aditiva, divisível e degradável. As relações se dão em campos com um desbalanço entre as quantidades de energia e informação de cada lado, esse balanço depende das densidades demográficas e circulação de cada grupo, que por vezes podem ser impedidas ou dificultadas por barreiras geográficas ou outros tipos de barreira.
	A circulação e a comunicação são as faces do poder, porém há uma preferência pelo poder na comunicação, já que a mobilização do que quer que seja não é facilmente mascarável, dando informação aos rivais, já as comunicações podem ser mascaradas facilitando o controle.
	As redes de circulação e de comunicação existem devido às estratégias do poder, e manter o controle sobre essas redes é manter o controle sobre os seres humanos. A mídia não é um poder, é um instrumento de poder que é utilizado em conjunto com outras estratégias. 
	O poder para ele vem de baixo, das relações de trabalho e se materializam em malhas, redes e centralidades. As redes são flexíveis, inacabadas e se adaptam às mudanças de espaços temporais. As redes são organizações vivas e que não se reproduzem ao acaso, para entendê-las é preciso conhecer o contexto histórico de onde se está estudando. 
O autordivide o estudo do poder em três partes: população, território e recursos. Para ele o poder vem da população, assim como a energia e informação, todas as relações de poder passam pela população e por isso o recenseamento é tão importante para a manutenção do poder.

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