Prévia do material em texto
E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 1 NERVOS CRANIANOS RESUMO 15 - Semiologia do adulto e do idoso – EDUARDO FERREIRA NERVO OLFATÓRIO (I) ANATOMIA: Cavidade nasal Neurônio bipolar axônios amielínicos Passa pela lâmina crivosa do etmoide Sinapse com o 2º neurônio no bulbo olfatório raízes Área olfatória (mais importante no homem – núcleo amigdaliano e úncus do hipocampo – comissura branca associa) e o outro para porção anterior da circunvolução calosa. Exclusivamente sensitivo. O TESTE: Substâncias aromáticas inspiração pela narina, uma de cada vez. O resultado pode ser: 1. Anosmia: Quando há ausência (Não existe anosmias unilaterais devido à associação no hipocampo – comissura) 2. Hiposmia: Quando há redução Dicas do exame prático: 1. Explicar para fechar os olhos e informar para concentrar nas sensações ao inspirar. 2. Examinador fecha o nariz certificar da execução correta. 3. Colocar o recipiente com a substância numa distância segura, para impedir que não haja uma puxada brusca de material para dentro da cavidade nasal. 4. Pote opaco, impedir a identificação visual. 5. Normal inspirar menos ar em uma narina, quando em repouso. CAUSA DE ANOSMIA E HIPOSMIA: 1. Rinites agudas 2. Interrupções e compressões 3. Tumores (meningioma de goteira olfatória ou glioma frontal) 4. Lesões por meningite ou sífilis meningovascular 5. Tabes dorsalis (atrofia do nervo olfatório) OUTRAS ALTERAÇÕES: 1. Parosmia: sensação alterada do olfato, cheiros que não existem ou desagradáveis 2. Alucinação: Cheiros sem a presença do causador (crises convulsivas no úncus do hipocampo) a. Cacosmia: cheiro ruim (excrementos, panos queimados) NERVO ÓPTICO (II) Juntamente com o nervo I são caracterizados por um prolongamento do cérebro. ANATOMIA: Células ganglionares da retina nervos ópticos Fibras provenientes das metades nasais da retina se cruzam no quiasma óptico Os tratos se encaminham para os corpos geniculados laterais (A) (percepção visual consistente) e para região pré-tectal (reflexo fotomotor) (A) Vias geniculocalcarinas (radiações ópticas) área estriada do lobo occipital (Fissura calcarina) O EXAME: 1. Acuidade visual a. Ambliopia – Diminuição b. Amaurose – Abolição i. Ambas associadas à hipertensão intracraniana, doenças degenerativas do SN, desmielinizantes, atropias de papila e neurites ópticas. ii. Medição da visão periférica 2. Verificação dos campos visuais a. Método da confrontação. O ideal é a campimetria ou perimetria instrumental) a. A papila óptica é desprovida de projeção: Escotoma fisiológico. 1. Escotoma patológico a. Positivo – percebido pelo paciente b. Negativo E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 2 b. A falha é metade: Hemianopsia ii. Homônima: um temporal e outro nasal contralateral (ex. lesão retroquiasmática) iii. Heterônima: Ambos os campos temporais (bitemporal - Ex. tumores de hipófise) ou nasal (binasal – Ex. lesões duplas [aneurismas bilaterais da carótida interna, aracnoidites optoquiasmáticas]) iv. Determinadas de acordo com o campo c. A falha é um quadrante: Quadrantanopsia 3. Exame de fundo de olho a. Exame oftalmoscópico, observar: i. Cor da papila ii. Borda do disco papilar iii. Vasos (artérias e veias) – Veias pulsam na maioria das pessoas, mas com pressão intracraniana alta ela desaparece (algumas pessoas não pulsam naturalmente) 4. Reflexo a. Oftalmoplegia i. Interna: Musculos intraoculares (M. pupilar e M ciliar); globo com mobilidade total e paralisia pupilar. ii. Externa: Globo com mobilidade reduzida, mas com pupilas normais. LESÃO no lobo temporal anterior LESÃO parietal ou occipital da radiação óptica E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 3 OCULOMOTOR (III) ANATOMIA: Fibras motoras Todos os músculos extrínsecos do globo ocular + levantador da pálpebra superior, exceto reto lateral e oblíquo superior. Atinge a órbita: Fenda esfenoidal. Fibras parassimpáticas M. constritor da pupila Oftalmoplegia interna: Paralisia isolada dos músculos intraoculares. Isocórica: Pupilas de tamanhos iguais, contrário de anisocórica. Reflexo fotomotor direito (no mesmo olho da luz); Reflexo fotomotor consensual (no olho contralateral). Dano no nervo: Olhos para baixo e abduzidos; Dilatação pupilar. TROCLEAR (IV) ANATOMIA: Inerva o oblíquo superior (olhar patético) Atinge órbita: fenda esfenoidal Lesão: Olhar para cima e aduzido. Inclinação da cabeça para o lado do nervo normal. Inclinação da cabeça para o lado do músculo paralisado com acentuação da divergência/diplopia = fenômeno de Bielschowsky. ABDUCENTE (VI) ANATOMIA: Inerva o M. reto lateral. Mais longo. Fenda esfenoidal. Lesão Estrabismo convergente. Causada por: Tumores, lesões vasculares (subaracnoidea), elevação da pressão intracraniana, ex. alteração da pressão depois de uma punção lombar (lateralização relativa) E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 4 Movimentos: Versivos (olhos na mesma direção); vergência (direções contrárias); Ducção ou torção, movimentos de um único olho. OFTALMOPLEGIA INTERNUCLAR: Distúrbio do olhar horizontal conjugado (causa comum: esclerose múltipla, encefalites em idosos e doenças vasculares). O olho não passa da linha média. O olho de abdução é o direcionador. O centro integrador é a formação reticular pontina paramediana e fascículo longitudinal medial. Síndrome de Parinaud – Olhar conjugado deficiente, paresia do olhar direcionado para cima. Lesão na região da borda anterior dos colículos superiores. Nistagmo optocinético consistem em fases lenta e rápida, movimentos lentos com saltos corretivos mais rápidos em direção contrária. Ajustar a fóvea. Alteração da motricidade pupilar – Sinal de Argyll-Robertson – miose, abolição do reflexo fotomotor com conservação dos reflexos de acomodação e convergência. Síndrome de Claube Bernard-Horner Síndrome de Adie – Pupilotomia, abolição de um ou mais reflexos profundos (patelares e aquileus). Diagnóstico diferencial com a Tabes dorsalis. NERVO TRIGÊMIO (V) Misto. Fibras motoras para mastigação; Fibras sensitivas para face e crânio. PORÇÃO SENSITIVA – Gânglio semilunar ou Gasser. Prolongamentos periféricos em três ramos: o Oftálmico – sensibilidade exteroceptiva – região supraciliar, pálpebra superior e dos tegumentos da porção anterior do nariz, globo ocular, córnea e conjuntiva, corpo ciliar, da íris, mucosa dos seios frontais, parte dos seios esfenoidais e etmoidais, parte superior da cavidade nasal. Porção mais baixa do núcleo espinal (Lesão na medula cervical alta) – Emerge pela fissura orbitária superior. Reflexo corneano (Toque na córnea provoca fechamento dos dois olhos) o Maxilar superior – Lábio superior, pálpebra inferior, porção anterior da região temporal, arcada dentária superior, palato duro e mole, úvula, tonsila, nasofaringe, ouvido médio, porção inferior da cavidade nasal. Emerge pelo forame rotundo o Mandibular – Lábio inferior, mento, bochecha inferior, com exceção do ângulo da mandíbula (Plexo cervical superior C2). Ainda, porção externa do tímpano, pavilhão da orelha, dois terços anteriores da língua, arcada dentária inferior. Porção mais alta do núcleo espinal (lesões da protuberância ou da porção alta do bulbo). Emerge pelo forame oval o Lesões nucleares do trigêmeo = dissociadas o Lesões tronculares – déficit sensitivo global A sensibilidade proprioceptiva da face é veiculada pelo V e VII. Reflexo do espirro e succção possuem mecanismo aferente pelo trigêmeo e eferente por outros ANATOMIA – Prolongamentos centrais das células localizadas no gânglio de Gasser Penetram no neuroeixo ao nível do sulco bulboprotuberancial /DIVIDE/ o Curto ramo ascendente Protuberânciaanular Feixe trigêmio-talâmico dorsal – fita de Reil mediana o Nervo longo descendente Sensibilidade térmica e dolorosa da face – terminam na substância gelatinosa do V – feixe trigêmio-talâmico ventral + feixe espinotalâmico. PORÇÃO MOTORA – Núcleo mastigador – porção média da protuberância anular – passa sob o gânglio de Gasser, se incorpora ao ramo mandibular sensitivo e deixa o crânio pelo forame oval – Inervação do masseter, tempora, pterigóideo medial e lateral, milo-hóideo e ventre anterior do digástrico. EXPLORAÇÃO o Sensibilidade Calor, frio, dor, tato e pressão Reflexo córneo Dores paroxísticas (neuralgia do trigêmeo) o Motora Funções musculares dos músculos mastigadores. Unilateral ou bilateral – palpação do masseter e temporal, fechamento forçado da boca, morder abaixador de língua de cada lado e observar a força de retirada, abrir a boca em toda a amplitude Desvio da mandíbula para o lado da lesão. E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 5 Reflexo mandibular ou massetérico – exaltado em lesões piramidais bilaterais, as vezes, em síndromes parksonianas. Sua abolição (as vezes com ptose da mandíbula) esclerose lateral amiotrófica e na miastenia frave. o Neuralgia do trigêmeo – dores intensas semelhantes a choques – exame neurológico não é conclusivo o Neuralgia de Sluder (síndrome do gânglio esfenopalatino) – comprometimento do contingente do trigêmeo (dor ocular e nasal, rubor da mucosa ocular e nasal lacrimejamento, rinorréia e insensibilidade dos dois terços anteriores da língua. o Síndrome de Gradenigo – Dor na distribuição do nervo oftálmico com paralisia ipsolateral do nervo abducente. Infecção das câmeras aéreas do ápice petroso. NERVO FACIAL (VII) ANATOMIA - Componente motor do nervo facial: região ventrolateral do tegmento pontino – Semicírculo em torno do nervo abducente (joelho interno do nervo facial) – saliência na cobertura do IV ventrículo (colículo facial) – subaracnóideo – meato acústico interno + nervo intermédio + VIII saiu do meato se separa do VIII nervo – gânglio geniculado forma uma curva para baixo (joelho externo do nervo facial) forame estilomastóideo - trajeto petroso emite ramos: anastomótico para o nervo vago (X) e para o músculo do estapédio, corda do tímpano. Emite ramos bilaterais ao sair do crânio – Parótida ramos terminais (Temporofacial e cervicofacial). Nervo intermédio – Fibras aferentes gustativas/Secretórias eferentes (nasal e lacriamal, sublinguares e submandibulares) Participa do reflexo corneano – reflexo do piscar – reflexo estapédico Musculatura da mímica, exceto o levantador da pálpebra superior. Digástrico – ventre posterior + estilo-hóideo Sensibilidade gustativa dos dois terços anteriores da língua (função sensorial) Sensibilidade proprioceptiva dos músculos da mímica, sensibilidade tátil, térmica e dolorosa do pavilhão auditivo, conduto auditivo externo e tímpano (função sensitiva) Função vegetativa – natureza secretória – fibras parassimpáticas destinadas às glândulas lacrimais e salivares (maxilar e sublingual) EXPLORAÇÃO o Paralisia facial periférica (Causas: traumatismos, infecções – otites, otomastoidites, herpes zoster, lepra) Desvio dos traços fisionômicos para o lado SÃO. Piscar ausente e sulcos da pele menos pronunciados do lado comprometido Rima palpebral mais aberta do mesmo lado (lagoftalmo) Déficit do músculo orbicular das pálpebras secreção lacrimal escorre do lado paralisado (epífora) Sinal de Bell – paciente força para fechar os olhos desvio do globo ocular para cima e para fora, córnea parcialmente ou totalmente coberta pela pálpebra superior. Sinal de Negro – paciente olha para cima, globo ocular do lado paralisado excursiona mais no sentido vertical que o lado são. Dificuldade de assobiar ou assoprar Diartria nas consoantes labiais e dentolabiais (b, p, m, v) Lesão no trajeto intrapetroso – pesquisa de gostos dos 2/3 anteriores da língua Paralisia fácil periférica bilateral Face imóvel, amímica e o lábio inferior evertido o Paralisia facial central (supranuclear) – principal causa é acidente vascular cerebral Compromete o território inferior da face – o território superior possui representação cortical bilateral do músculos. Desvio da rima bucal Apagamento do sulco nasolabial Disartria Ausência de contração do platisma. Desvio da comissura bucal par alado não comprometido Boca em exclamação ! Paciente em coma – Avaliar por meio da compressão dos ângulos da mandíbula – mímica de dor. Coma profundo – levantamento palpebral rápido e maior abertura da fenda palpebral do lado comprometido. BEL L E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 6 VESTIBULOCOCLEAR (VIII) Sistema auditivo – ANATOMIA: Nervo acústico – células do gânglio espiral – prolongamento periféricos com as células receptoras do órgão de Corti. – Núcleos cocleares dorsal (diretas e cruzadas – estrias acústicas do assoalho do IV ventrículo) e as fibras ventrais (trapezóides - diretas e cruzadas) – Leminisco lateral colículos inferiores (centro auditivo reflexo), corpos geniculados mediais e o tálamo centro discriminatórios do córtex (giro de Heschl). Cada lemnisco possui fibras direta da cóclea ipsolateral e fibras cruzadas, condutoras da cóclea contralateral – explicação para uma lesão de um único lemnisco não causa surdez unilateral total, mas apenas surdez parcial do lado oposto além da percepção de diversos sons. EXPLORAÇÃO – Voz alta ou cochichada, relógio, diapasões (condução aérea e óssea – surdez de condução VS percepção) ou adiômetros. Acuidade verificada para cada lado. o PROVA DE Weber – diapasão vibrando no vértice do crânio ou fronte – Indivíduo normal ouve o tom na linha média. Indivíduo comprometido unilateral Se for de condução: localiza do lado lesado Se for de percepção (neurossensoria): localiza o tom no lado normal (o lesado não via perceber) Não há lateralização: Weber indiferente – Função aditiva normal hipocusia bilateral, não percebe o estímulo sonoro bilateralmente. o PROVA DE Rinne – Diapasão de 128 ciclos/s no mastóide – Som despercebido 20 s quando desaparece; em seguida, coloca no conduto auditivo onde o paciente percebe o som por mais 30 a 40 segundo. É o Rinne normal. Rinne negativo – consegue ouvir o tom por mais tempo na via óssea do que na aérea – Déficit de condução. Rinne positivo encurtado – Via aérea é melhor que por via óssea, porém ambas estão diminuídas. Distúrbios da audição o Surdez (anacusia) Surdez de condução – Defeito de transmissão das vibrações auditivas ao órgãos receptores (orelha média) Surdez de percepção – Lesão nervosa – afetam o órgão de Corti, nervo coclear ou via auditiva central (orelha interna) SISTEMA VESTIBULAR – Receptores no labirinto – células dos canais semicirculares (sácula e utrículo) gânglio vestibular/Scarpa axônios se unem e formam o nervo vestibular Fascículos (para os quatro núcleos bulboprotuberanciais, os outros para o cerebelo lóbulo floculonodular). Exploração: Distúrbios vestibulares: Vertigem (sensação de rotação) – deslocamento de objetos que o cercam. Nistagmo é presente, a fase lenta bate para o lado menos ativo, pode acompanhar desvio de cabeça e dos membros na mesma direção, queda deste lado, pode causar osciloscopia (distorção ilusória aprox-afastamento). Fecha os olhos para evitar irritação adicional e cabeça em posição fixa com orelha anormal voltada para cima. SÍNDROME VESTIBULAR HORMÔNICA – Uma síndrome vestibular periférica. Distúrbios proprioceptivos: o indivíduo piora o desequilíbrio no escuro, não apresenta nistagmo, marcha. o Síndrome de Ménière: Vertigem rotatória com náuseas e vômitos, déficit auditivo parcial ou total unilateral e tinido – déficit auditivo unilateral posterior surdez de percepção (vertigem desaparece) - Orelha interna, neurológica.Distúrbios do equilíbrio osmótico da endolinfa – hidropisia – ruptura da barreira entre endolinfa e perilinfa. o Síndromes vestibulares centrais são desarmônicas – não se processam para o mesmo lado. o Vertigens de origem visual (diplopia ou vícios de refração); origem cortical (lesões temporoparietais); psicogênicas e das alturas (origem psicoafetiva). NERVO CLOSSOFARÍNGEO (IX) Ramos: Nervo timpânico, ramos estilofaríngeo, ramos faríngeos, ramos do seio carotídeo, ramos linguais. IX, X, XI – Origem bulbar, deixam o crânio pelo forame jugular, raramente são acometidos isoladamente. Fibras motoras – Núcleo ambíguo (bulbo) Fibras sensoriais – sensibilidade gustativa dos terço posterior da língua Fibras sensitivas - sensibilidade geral da parte posterior do véu palatino e da faringe Fibras parassimpáticas – Glândula parótida Neuralgia clossofaríngea – Dor paroxística grave – faringe, pescoço, tonsilas ou língua. Medo de se alimentar – emagrecimento – desaparece com meses – persistência = tumor de faringe. EXPLORAÇÃO o Sensibilidade gustativa Doce (açúcar), salgado (sal), ácido (vinagre) e amargo (cloridrato de quinina) – no terço posterior – O paciente aponto para um papel escrito o nome. Enxugar a língua para cada substância. o Distúrbios E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 7 Ageusia – abolição do gosto Hipogeusia – diminuição do gosto Parageusia – perversão do gosto Disfagia – em paralisia bulbar progressiva, neuropatia diftérica. Neuralgia - paroxismos dolorosos intensos e de curta duração – região amigdaliana podendo irradiar- se para auricular, maxilar inferior e cervical. Desencadeados pelo ato de exteriorizar a língua, deglutir e falar. NERVO VAGO (X) Misto – Gânglio jugular (superior) e nodoso (inferior) – acompanha carótida interna- ramo direito cruza a a. subclávia – fixação ao esôfago (direito –posteriormente/esquerdo – anteriormente) –hiato esofágico – cavidade abdominal Fibras motoras – músculos do palato mole, faringe e laringe (núcleo ambíguo) Fibras sensitivo-sensoriais – área curtânea retroauricular e do contudo auditivo externo, mucosa da laringe e porção inferior da faringe, gustação da epiglote (terminam no terço inferior do núcleo solidário) Fibras vegetativas – parassimpática da arvore traqueo-brônquica, miocárdio, e maior parte do trato digestivo (origem no núcleo dorsal do vago ou cardioneurodigestivo) – funções não são comprometidas em lesões unilaterais do vago. EXPLORAÇÃO o Lesão unilateral do IX e X – Desvio do véu palatino para o lado comprometido à inspeção tática Lado oposto – inspeção dinâmica – durante fonação Faringe – Sinal de cortina – desvio da parede posterior para o lado são durante a fonação o Lesões bilaterais – disfagia importante – líquidos piora, com regurgitação nasal o Componente motor IX e X abolição do reflexo velopalatino o Disfonia e disfagia, assimetria do véu em repouso, repuxamento do véu para o lado sadio, abolição dos reflexos véu e nauseoso o EXPLORAÇÃO das funções vegetativas não fazem parte do exame neurológico de rotina Vômitos em jato (hipertensão intracraniana), ritmo de Cheyne-Stokes, soluços e bocejo patológico É possível testar o reflexo oculocardíaco (Reflexo de Aschner), que consiste na compressão da córnea do globo ocular, ocasionando bradicardia (redução de 5 a 10 batimentos por minuto). NERVO ESPINHAL (XI) Motor – dois núcleos (bulbar – para músculos da laringe – componente funcional do nervo vago; e medular – 5 primeiros segmentos medulares – entra pelo forame magno e sai pelo forame jugular (parte espinal separa) – Esternocleidomastóideo (ECM) e porção superior do trapézio) EXPLORAÇÃO – comprometimento do ramo interno confunde com o vago Lesão Vagoespinal alterações na fonação e da respiração (voz rouca, bitonal, sussurrada, dispnéia, respiração estridulante). o Ramo externo (acessório espinal) – Atrofia do ECM e porção superior do trapézio- déficit de elevação do ombro e na rotação da cabeça para o lado oposto à lesão e exagero na fossa supraclavicular. o Paralisia do esternocleido-mastoideo (homolateral) – Atrofia muscular – incapacidade de baixar e virar a cabeça para fora o Paralisia do músculo trapézio (homolateral) – atrofia muscular, queda do ombro, aumento do oco- supraclavicular, pseudohipertrofia da clavícula – incapacidade de elevar o ombro NERVO HIPOGLOSSO (XII) Nervo motor da língua – Núcleos de origem bulbar EXPLORAÇÃO o Inspeção estática – língua na cavidade oral – desvios e fasciculações o Inspeção dinâmica – exteriorização do órgão – execução de movimentos de lateralidade e verticalidade – desvio para o lado lesado o Palpação – trofismo e tonicidade dos músculos da língua. Paralisia unilateral: Desvio da língua para o lado lesionado quando exteriorizada. o Quando há atrofia – aspecto geográfico ou escrotal E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 8 o Fasciculações – evidencia de lesão crônica (Esclerose lateral amiotrófica e na siringobulbia) o Não consegue tocar o palato com a ponta da língua Paralisia bilaterais – Estágios finais da Esclerose lateral amiotrófica (paralisia labioglossolaríngea) – língua imóvel –atrofia e fasciculações – articulações de palavras e deglutição comprometidas. E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 9 NERVOS CRANIANOS – PARALISIAS ASSOCIADAS DOS NERVOS CRANIANOS - SÍNDROMES SÍNDROME DE FOSTER-KENNEDY Causas comuns: meningiomas da goteira olfatória e gliomas – face anterior do lobo frontal. Comprometimento do I e II nervos Características: o Atrofia ótica ipsilateral tumor (por compressão direta) o Edema de papila contralateral (por hipertensão intracraniana o Anosmia SÍNDROME DA FENDA ESFENOIDAL (ROCHON-DUVIGNEAD) Causa: Natureza traumática ou tumoral – fenda esfenoidal Comprometimento dos nervos III, IV, VI e o ramo oftálmico do V. Características: o Oftalmoplegia total o Anestesia ocular o Exoftalmo (às vezes) SÍNDROME DO VÉRTICE DA ÓRBITA (ROLLET) Semelhante ao anterior, adicionado de atrofia óptica e amaurose por lesão do II nervo. SÍNDROME DA PAREDE EXTERNA DO SEIO CAVERNOSO (CHARLES FOIX) Similar à fenda esfenoidal, mas, com frequência os sintomas são dissociados. Causas comuns: Fístula carotído-cavernosa (traumático) e tromboflebite do seio cavernoso (infecciosa) SÍNDROME DA ENCRUZILHADA PETROSFENOIDAL (JACOB) Causas comuns: processos tumorais ou meníngeos extensos (sarcoma da trompa de Eustáquio) Comprometimento dos oculomotores (III, IV e VI), nervo óptico e ramo oftálmico do V + surdez tubária. SÍNDROME DA PONTA DO ROCHEDO (GRADENIGO) Causas: petrosites, geralmente secundariamente à otite média ou mastoidite) Comprometimento do trigêmeo e do abducente Características: o Neuralgia da face o Déficit do músculo reto lateral (estrabismo convergente) SÍNDROME DE RAEDER Comprometimento simultâneo do ramo oftálmico do V nervo e da inervação simpática ocular. Dor supra-orbitária e quadro incompleto de Claude Bernard-Horner (miose e ptose palpebral) Causas: traumáticas, tumorais e infecciosas. Lesões na proximidade do gânglio de Gasser (área paratrigeminal) SÍNDROME DO FORAME RASGADO POSTERIOR (VERNET) Comprometidos: IX, X, XI – que deixam o crânio pelo forame jugular. Características: o Hemiparalisia velopalatina, laríngea e faríngea o Arreflexia palatina e faríngea o Paralisia atrófica dos mm. Esternocle... e trapézio o Anestesia da parede posterior da laringe e faringe o Hipogeusia ou ageusia do terço posterior da língua. Causas: tumoral, traumática e inflamatória (meningites da base) SÍNDROME DOS QUATRO ÚLTIMOS NERVOS CRANIANOS (SICARD E COLLET) Similar à do forame rasgado posterior (forame jugular), mas acrescentado do XII (hipoglosso) – paralisia da hemilingua.SÍNDROME DO ESPAÇO RETROPAROTIDIANO (VILLARET) Síndrome precedente + um Claude Bernard-Horner – comprometimento simpático na loja retroparotidiana Causas: adenopatias malignas SÍNDROME DE TAPIA Acomete todos os nervos cranianos – progressivamente – sem sinais e sintomas de Hipertensão intracraniana. Tumores invasivos da base do crânio (sarcomas) ADICIONAL SÍNDROME DE CLAUDE BERNARD-HORNER Causa: bloqueio da inervação simpática do olho e da face em quaisquer ponto do trajeto. Características: o Ptose discreta e moderada da pálpebra superior (paralisia do m. de mesmo nome) o Miose variável com o local da lesão, grau e cronicidade o Enoftalmia o A síndrome é considerada completa quando apresenta somado aos anteriores: Anidrose da hemiface ipsilateral E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 10 EXAME FÍSICO DOS NERVOS CRANIANOS É necessário informar para o paciente que o exame vai ser iniciado. É importante o consentimento e ciência de cada manobra. O primeiro nervo, a análise do Nervo Craniano I (NC I) olfatório. Nesse teste, vou informar ao paciente que vou testar a capacidade de sentir o cheio/aroma das coisas. Para isso eu peço que ele feche uma narina com um dedo e em seguida feche os olhos. Você também poderá fechar a narina dele, desde que já tenha avisado que assim será feito. Em primeiro plano, o objetivo é permitir identificar uma anosmia ou hiposmia. Então, certifique-se de fazer com que o paciente sinta na primeira narina e tente fazer ele comparar com a segunda narina perguntando, da segunda vez, se o cheiro está normal, tá diferente, mais fraco. Entretanto, lembre-se que gripe altera o resultado. 1. Na sequência, coloco o recipiente com a substância na narina aberta do paciente, numa distância segura, pois ele pode aspirar tão forte a ponto de descolar partículas para a cavidade nasal. 2. Em seguida, peço para o paciente, ainda de olhos fechados, agora tampar a outra narina. É importante que ele não visualize a sustância, pois interfere no julgamento, a princípio um recipiente opaco é ideal. 3. Se o paciente conseguiu identificar o cheiro e avaliar se está normal de uma narina para a outra, é importante notificar e a ele que está tudo normal. 4. Repita o exame para outros odores mais fortes. O exame do nervo Óptico (NC II): Informar ao paciente que será realizado os exames da visão. O exame será feito em quatro etapas, são elas: 1. Acuidade visual: Esse exame é feito com as cartas de Snellen ou Rosenbaum. Posicione o paciente na distância necessária, informe para ele fecha um dos olhos com uma das mãos em formato de concha. Em seguida aponte para as linhas e peça para ele ler. Verifique o teste para os dois olhos. Informe os resultados. 2. Avaliação da visão central: Esse exame é a fundoscopia, precisa de um aparelho de fundoscopia direto ou indireto. Como a dilatação farmacológica nem sempre é possível, peça para o paciente fixar em um ponto distante e diminua a luz do ambiente para favorecer a midríase. Nesse exame, peça para o paciente olhar fixo para um local a sua frente e, em seguida, posicione o oftalmoscópio no seu olho direito e visualize o olho direito do paciente, e vice-versa. Observe a visão na Figura 1. Avaliar as veias, artérias e nervo óptico. 3. Avaliação da visão periférica: Através do exame de campimetria por confrontação. Olhos do médico e paciente na mesma altura, distância de um braço para o paciente, peça para o paciente fechar um dos olhos com a mão em formato de concha. Em seguida, peça para o paciente informar quando ver o dedo mexendo dentro do seu campo visual. Teste para as extremidades superior e inferior nasal e temporal do campo nasal e depois repita para o segundo olho. 4. Reflexos luminosos: O paciente olha para o ponto no horizonte mais longe possível, incide a luz e percebe-se a contração da pupila. Local com baixa luminosidade. Nervos oculomotor, troclear e abducente (NC III, IV e VI) 1. Avaliação da musculatura extrínseca: Peça para o paciente acompanhar o dedo/objeto. Faça as manobras explorando todos os segmentos de retas possíveis para os movimentos oculares. Observe a paresia ou paralisia de algum movimento. Analise qual dos nervos estão envolvidos de acordo com o músculo responsável pelo movimento. Ao todo , são 9 posições dos olhares. 2. Avaliação de movimentos sacádicos: Peça par ao paciente olhar para o dedo que levantar 3. Movimentos perseptórios 4. Nistagmo opticocinético TRIGÊMIO (V) Reflexo corneopalpebral – Tocar na córnea – reflexo de fechar os olhos. Paciente olha para o lado enquanto faz o toque com o algodão, leve e rapidamente. Aferência: trigêmio; Eferência: facial. Porção motora – mastigação o Pedir para o paciente fechar e abrir a boca enquanto o examinador sente os músculos temporais e masseter o Pedir para mexer a mandíbula lateralmente o Utilizar o abaixador de língua nas laterais da boca e pedir para o paciente morder – puxar o abaixador e verificar a força da mordida – verificar as marcas do dente no abaixador. FACIAL (VII) Músculo da mímica – Faça o movimento e peça para o paciente repetir Figura 1 E d u a r d o F e r r e i r a - P á g i n a | 11 o Fechar os olhos com força (O oculomotor abre os olhos) – o examinador testa se consegue abrir a pálpebra com seus dedos. o Franzir a testa o Sorriso forçado o Bico o Encher as bochechas de ar – o examinador aperta Início do meato acústico externo – sensibilidade (opcional) VESTIBULOCOCLEAR (VIII) Audição – perceber os sons o Diapasão (128hz) – pergunte se está ouvindo Comparar uma orelha a outra – Posicione o diapasão de modo que as astes se ajustem ao meato acústico externo - Emita a vibração num ouvido, se o paciente ouve, mude imediatamente para o outro e veja se está presente a mesma percepção de som. Evidenciar se os dois ouvidos estão escutando igualmente. Próximo teste descartar a hipocusia bilateral. Comparar audição – examinador e paciente. O paciente ouve até parar de ouvir, logo após, o examinador escuta. Pressupõe audição normal do examinador – evidenciar a acuidade auditiva – Evidenciar hipocusia bilateral – precisa fazer somente em uma orelha (no teste anterior fez a simetria) Teste de Weber – se ouve mais para um lado – transmissão óssea – diapasão no vértice da cabeça (ponto mais alto, pode variar) Normal – Weber centralizado – nenhuma orelha tem percepção maior O ouvido afetado na condução percebe mais a óssea que a aérea – O weber lateraliza para o lado da lesão. Weber contralateral – quando for lesão neurológica Teste de Rinne - Condução óssea e aérea (espera-se que a aérea seja melhor) Base do diapasão no processo mastódeo perpendicularmente – A paciente escuta até parar; passa para aérea Diapasão no meato acústico externo (audição aérea) – paciente escuta até parar. Evidenciar – Se a audição óssea é melhor ou não que a aérea. o Audição óssea > aérea – Rinne invertido – problema de condução – Evidenciar o ouvido direito ou esquerdo. o Problema neurológico – Rinne invertido – os dois não vão ser percebidos Vestibular – O olho aberto corrige o Teste de Romberg o Marcha – normal, numa linha reta, ponta do pé + linha reta (dificultando a marcha – teste de equilíbrio) o Marcha com olhos fechado. o Sinal de estrela – Caminhar um passo para frente a para trás, mover os dois pés de base (vai-vem) o Nistagmo o Reflexo vestíbulo-ocular – olhar para ponta do nariz e mexer a cabeça do paciente. GLOSSOFARÍNGEO (IX)/VAGO (X) Reflexo nauseoso – Com o abaixador de língua estimular o reflexo na orofaringe. Elevação do palato enquanto pronuncia e estático – observar úvula e arcos faríngeo ACESSÓRIO (XI) Motora – Avaliar trapézio e esternocleidomastoideo o Paciente eleva os ombros enquanto o examinador força o relaxamento com as mãos. o Paciente vira a cabeça para um dos lados enquanto oexaminador força a volta da cabeça para o lado oposto. Segurar o ombro do paciente para fixar o movimento. HIPOGLOSSO (XII) Avaliar língua dentro da boca – atrofia e desvio Avaliar língua fora da boca - movimentos verticais e horizontais – atrofia e desvios Paciente empurra a bochecha com a língua no interior da boca, enquanto o examinador força o movimento oposto através da palpação da porção exterior da bochecha.