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1 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas Habilidades Médicas: emergências pediátricas Reconhecimento da emergência Urgência = caso que necessita de atendimento em 30 a 60 min. Ex: febre alta, TCE leve, sepse. Emergência = caso que precisa de atendimento imediato. Ex: rebaixamento de consciência, TCE grave, politrauma. O atendimento em emergências pediátricas se baseia, primeiramente, no reconhecimento da emergência. Na pediatria, isso está associado com o triangulo pediátrico de gravidade: Há diferenças entre o atendimento extra e intra-hospitalar. Entre eles, há intermédio pelas equipes do SAMU 192 ou Bombeiros 193. Suporte Básico de Vida Se associa com o atendimento extra-hospitalar: 1. Checar segurança do local 2. Reconhecer (VER, OUVIR, SENTIR): responsividade + respiração + pulso = bater no pé da criança e chamar por ele, checar pulso femoral e ver os movimentos respiratórios. 3. Chamar por ajuda e solicitar DEA se disponível 4. Iniciar RCP: ▪ Posicionar ambos os polegares lado a lado ou sobrepostos abaixo da linha intermamilar e sobre o processo xifoide. Para neonatos, podem ser usados o dedo indicador e o médio. ▪ Comprimir 1/3 ou mais do diâmetro anteroposterior do tórax e permitir sua volta completa. Fazer 100-120 compressões/ min, no ritmo da música “baby shark”. ▪ 15:2 (compressões para ventilações) para crianças até 2 anos ou sinais de puberdade OU 30:2 para crianças além da puberdade. ▪ Ventilação em bolsa-válvula-máscara ou em dispositivos de emergência ▪ Indicativos de qualidade da RCP: compressões sobre prancha rígida; exposição completa do tórax; compressão de 1/3 ou mais do tórax; permitir volta completa do tórax; 100-120 compressões/min; 15:2 compressões para ventilações; trocar avaliador a cada 2min; 1 ventilação a cada 2- 3 segundos. ▪ Cuidados pós-RCP: oxigenação e ventilação; controle hemodinâmico; manutenção controlada da temperatura; controle da glicemia; correção de eletrólitos; neuromonitoramento; sedação. 5. Chegada do DEA: posicionar ao lado da cabeça da criança, ligar o aparelho, despir o tórax, retirar pás e posicioná-las no tórax (uma anterior e uma posterior) e esperar leitura. ▪ Ritmo chocável (se FV ou TVSP) = “AFASTA!” + choque. ▪ Ritmo não chocável (se Assistolia ou AESP) = voltar RCP e considerar medicações. 6. Voltar RCP após leitura do DEA ou choque. 7. Considerar acesso venoso e medicações de acordo com o fluxograma: Responsável por: - Choques elétricos - Acidentes de trânsito - Lesões com armas de fogo - Ataques de animais Responsável por: - Convulsões - Intoxicações - Dores no peito - Hemorragias Aparência - Tônus - Interação - Olhar - Fala ou choro Respiração - Mov. respiratórios - Sons anormais Circulação / Cor - Perfusão - Sangramentos 2 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas Suporte Avançado de Vida Se relaciona com o atendimento intra-hospitalar, onde é feita classificação de risco, que pode ser feita pela escala de Manchester ou de acordo com parâmetros vitais. A partir disso, é feita avaliação conforme o SAV. 1. Avaliação da criança pelo triângulo da pediatria e classificar o estado geral em BEG, REG ou MEG: ▪ Aparência: tônus, responsividade, olhar, fala ou choro. ▪ Respiração: movimentos respiratórios, sons anormais, cianose. ▪ Circulação/ Cor: perfusão, sangramentos. 2. Avaliação primária: ABCDE do trauma! Na criança, se usa o CABDE. - Vermelho: atender imediatamente! - Laranja: atender em até 10 min - Amarelo: atender em até 60 min - Azul: atender em até 120 min - Verde: atender em até 240 min - Idade - Peso - FR e FC - PA - SatO2 - T ºC 3 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas ▪ A: via aérea e coluna cervical- garantir via aérea pérvia e aspirar secreções (introduz e volta aspirando por máximo 10 seg) ▪ B: respiração- esforço respiratório, movimentos respiratórios anormais, bradipneia ou taquipneia, sons anormais, tiragem, fúrcula. ▪ C: circulação: tempo de enchimento capilar, pulso radial, PA, pulso carotídeo, ausculta cardíaca, fígado. OBS: avaliar choque pela PAS. No RN é normal a PAS > 60 e em crianças não RN deve haver PAS de acordo com o cálculo 70 + 2x idade. ▪ D: disfunção neurológica- Glasgow modificado (ver tabela) + pupilas ▪ E: exposição e controle do ambiente 4 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas 3. Avaliação secundária: mnemônico SAMPLE ▪ Eventos relacionados ao trauma (o que aconteceu?) ▪ Sinais e sintomas (alteração de consciência, febre, apetite, tosse, coriza, dispneia, vômito, diarreia, urina e outros associados) ▪ Medicamentos em uso ▪ Alergias ▪ Líquidos e alimentos ingeridos em até 1h ▪ Passado médico (cirurgias, internações, complicações) e prenhez 4. Avaliação terciária: exames e procedimentos auxiliares: HMG, gasometria venosa, exames de imagem, sondagem... Bradicardias As bradicardias são alterações do ritmo cardíaco normal caracterizadas por FC < 50 bpm, podendo ser assintomático ou sintomático. Causas: ✓ Disfunção do nó sinoatrial com “retardamento” do ritmo: gerado por medicações cronotrópicas negativas (betabloqueadores, antagonistas dos canais de cálcio, digitálicos, amiodarona), degeneração do nó sinusal em idosos, doença de Chagas ou tônus vagal fisiológico lentificado, o que ocorre em atletas de alto nível) ✓ Disfunção do nó atrioventricular que gera atrasos na condução do impulso (= bloqueio AV). Quadro clínico: dispneia, edema ou congestão pulmonar, redução da perfusão, choque com hipotensão, colapso súbito. Classificação: ✓ Bradicardia sinusal: ritmo sinusal normal, mas com FC < 50bpm, podendo ser benigna ou maligna. ✓ Bloqueio AV de 1º grau: toda onda P precede QRS, mas o intervalo PR > 200ms (> 0,2s ou > 5 quadradinhos). ✓ BAV de 2º grau: • Mobitz I = aumento gradual do intervalo PR culminando em uma onda P que não precede QRS. • Mobitz II = intervalos PR constante com uma onda P que não precede QRS de repente. • Mobitz 2:1 = não há ondas P suficientes para definir se é MI ou MII. • Avançado/ alto grau = 2 ou mais ondas P seguidas que não conduzem QRS. ✓ BAV de 3º grau (Bloqueio AV total): dissociação completa entre ondas P e QRS Tratamento: ✓ Para todos: MOV (monitorização + oxigênio e suporte ventilatório + veias e acesso venoso) + identificação e tratamento da causa. ✓ Se sinais de instabilidade hemodinâmica (CHIA = consciência alterada ou hipotensão ou Insuficiência Cardíaca ou Angina): 1. Atropina 2. Marca-passo transcutâneo (pás posicionadas e sedação com Fentanil ou Dormonid até o marca- passo definitivo) ou Dopamina ou Adrenalina. ✓ Para casos leves: tratamento ambulatorial com alta e encaminhamento ao especialista. Taquicardias As taquicardias são alterações do ritmo cardíaco caracterizadas por FC > 100 bpm, sendo sintomática se FC >150. Causas: automatismo anormal; reentrada (mais comum); atividade deflagrada pós-potencial. 5 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas Quadro clínico: palpitação, dor torácica, dispneia, tontura, sinais de instabilidade (palidez, sudorese, rebaixamento de consciência ou agitação). Diagnóstico: de acordo com a clínica e história, identifica-se uma taquiarritmia quando com TPSV: taquicardia (FC> 100) + quadro paroxístico (episódio limitado sem explicação) + supraventricular (o QRS estará estreito indicando que a causa está acima dos ventrículos, ou seja, nos átrios). Não é aplicável em todos os casos. Em caso de taquicardia de ritmo regular, sem onda P e com QRS estreito, sempre pensar em taquicardia por reentrada nodal, que é a mais comum. Classificação: ✓ Taquicardias Supraventriculares:ritmos disfuncionais originados acima da junção AV, tendo QRS estreito. ✓ Taquicardia Sinusal = ritmo sinusal com FC > 100; pode ocorrer após infecções, anemia, etc. ✓ Fibrilação Atrial (FA) = é a arritmia sustentada mais comum. Ritmo muito irregular sem onda P, tendo dissociação do pulso e FC. Fatores de risco: HAS, DM, obesidade, IC, genética. Possível onda f (minúsculo). ✓ Flutter Atrial = presença de serrilhado em linha de base do ECG; ocorre por reentrada atrial. Possível onda F (maiúsculo). ✓ Taquicardia por Reentrada AV (Sd Wolf Parkinson White) = FC >300 com intervalo PR curto + QRS de início lento e possível onda delta. ✓ Taquicardias Ventriculares (TV): são mais graves e possuem ritmos disfuncionais originados nos ventrículos e a maioria possui QRS largo > 120ms. Tipos: • Monomórfica: QRS uniforme. • Polimórfica: QRS de diferentes formas, podendo ter intervalo QTc normal ou irregular (Torsaides de Pointes) • Fibrilação Ventricular: parada cardior- respiratória Tratamento: ✓ Para todos: MOV (monitorização + oxigênio e suporte ventilatório + veias e acesso venoso) + identificação e tratamento da causa. ✓ Identificar sinais de instabilidade hemodinâmica (CHIA = consciência alterada ou hipotensão ou Insuficiência Cardíaca ou Angina): se arritmia for a causa da instabilidade: sedação com cardioversão sincronizada (CVES) com 0,5-1 J/kg. ✓ Se taquicardias estáveis: valsalva modificada (manobra de valsava por 15s + decúbito dorsal com pernas elevadas a 45º por 15s) OU Adenosina IV bolus 6mg com SF OU Verapamil ou Dialtiazem IV ou Betabloqueador IV OU, em último caso, cardioversão. OBS: outras opções de manobra vagal na criança: Gelo na testa, pressão sobre as pálpebras, massagem carotídea. ✓ Se Fibrilação Atrial ou Flutter: 6 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas • Se < 48h de duração = cardioversão elétrica ou química, que pode utilizar Amiodarona IV ou Propafenona VO. • Se > 48h de duração ou início desconhecido = anticoagulantes por 3s OU USG transesofágico para ver se foi formado trombo pela FA. Sem não houver trombo, pode cardioverter. Se tiver trombo, anticoagula. ✓ Se Torsaides de Pointes: Sulfato de Magnésio 2mg. ✓ Após o manejo: monitorar, exames complementares, avaliação por cardiologista. 7 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas Ritmos de parada cardíaca Os ritmos chocáveis são FV e TVSP, já os ritmos não chocáveis são AESP e Assistolia. ✓ Fibrilação Ventricular ✓ Taquicardia Ventricular Sem Pulso ✓ Atividade elétrica Sem Pulso ✓ Assistolia Causas de PCR por AESP: 6hs e 5Ts • Hipovolemia • Hipóxia • Hidrogênio/ acidose • Hipo ou hipercalemia • Hipoglicemia • Hipotermia • Tensão/ pneumotórax • Tamponamento cardíaco • Toxinas • TEP • Trombose coronaria/ IAM Acesso intraósseo Indicações: situações de emergência como choque ou PCR; administração de produtos sanguíneos/líquidos/fármacos; análise do sangue medular... Contra-indicações: fraturas locais; osteogênese imperfeita ou osteoporose; risco de complicação infecciosa ou infecção como celulites ou queimaduras infectadas. Material: agulha intra-óssea ou espinhal tamanho 18 a 13; material para assepsia; material para anestesia local; conector em T; seringas de 10ml; equipos de infusão; tala de imobilização; esparadrapos. Técnica: ✓ Agrupar material ✓ Escolher local: podem ser usados pontos anatômicos da tíbia proximal (principal), tíbia distal ou fêmur distal. ✓ Fixar o membro escolhido em semiflexão com tala ou coxim sob o joelho ou com ajuda de auxiliar. ✓ Assepsia local com povidine iodada ✓ Anestesia local com infusão de xilocaína ✓ Na tíbia proximal, o principal ponto de acesso, é feita inserção da agulha perpendicular ou com ligeira angulação caudal na linha média da face medial anterior da tíbia, 1-3cm abaixo da tuberosidade óssea da tíbia. Deve ser feita pressão firme e movimentos rotatórios até que haja perda da resistência pela passagem pelo córtex da diáfise. ✓ Retirar o guia, verificar saída de sangue medular, lavar a agulha com solução heparinizada e conectar o equipo para infusão. ✓ Fixação do membro e do equipo, sem cobrir o local da punção. Intubação Orotraqueal Materiais: máscara, ambu, laringo com lâmina reta nº 0, seringa, 3 tubos endotraqueais (um no número do paciente, um abaixo e um acima), esteto ou capnógrafo, material para sedação, material para fixação, carrinho de parada. Procedimento: ✓ Reunir material ✓ Testar cuff (se tiver), laringo e ver a inserção segura da sua lâmpada 8 Vanessa Telles- Medicina – Emergências Pediátricas ✓ Paramentação + analgesia e sedação ✓ Posicionar paciente ✓ Pré-oxigenação por 3 min ✓ Laringoscopia sem retirar o olho com a ponta da lâmina até a valécula ✓ Pedir tubo sem retirar o olho e inserir até o 3 ✓ Insuflar cuff (se tiver) + ventilar ✓ Conferir posição do tubo ✓ Fixar ✓ Conectar com ventilador Insuficiência Respiratória