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Texto sobre a concepção platônica do amor: análise d'O Banquete sobre Eros como intermediário entre homens e deuses, a ascensão do desejo sensível à ideia do Belo e o dever moral de buscar o saber.

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Em um nível cósmico, a função do deus é
ligar os homens a Zeus, sendo um
intermediário entre eles. Aos deuses, o
amor leva as súplicas dos homens, seus
anseios, suas dúvidas e necessidades
através das preces e orações. Aos
homens, o deus do amor traz as
recomendações aos sacrifícios e honra
aos deuses. Por isso, não sendo nem bom
nem mal, mortal e também imortal, o amor
é o que nos leva a escolher sempre o
melhor, a fazer o bem. 
Em um dos mais belos textos da
literatura mundial, O Banquete, Platão
expôs aquilo que seria a sua doutrina
sobre o amor.
A narrativa que rememora uma festa
acontecida na casa de um famoso
poeta (Agatão) vai desencadear uma
série de elogios ao deus que, se
acreditava, não havia ainda recebido os
louvores dos homens.
SOBRE A IDEOLOGIA
Para Platão, no nível mais imediato, o amor refere-se à nossa sensibilidade e apetites,
principalmente o sexual. Vemos, a partir de um corpo, a beleza, e o desejo de procriar
nele. Isso significa, inconscientemente, que o desejo por um corpo belo é a tentativa
da matéria de se eternizar. Os filhos são uma forma dos pais serem eternos. No
entanto, o belo não é somente o corpo, tanto que logo que esse desejo se esvai,
percebemos que outros corpos também nos atraem. Assim, passamos do singular
(indivíduo) para o universal (todos os indivíduos). Mas ainda nisso não consiste a
beleza, apenas participa da ideia. Para Platão, subimos degraus na compreensão da
beleza, dos corpos até as ações nas ciências, nas artes e na política, que expandem a
ideia de beleza. Mas ela mesma é uma ideia, norteadora das ações humanas, que dirige
as almas para o bem absoluto que não pode simplesmente ser conquistado pelo
homem encarnado.
Mas nem por isso deve deixar de se desenvolver. É moral dever agir procurando o
melhor sempre. Ao homem, ser desejante intermediário entre os deuses e os outros
seres não conscientes, cabe buscar o conhecimento que o aproxime dos deuses, não
se deixando fascinar pelo sensível, mas buscando compreender o inteligível, o reino
das ideias, o que propriamente é o saber.
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