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1 Aline David – ATM 2025/B PATOLOGIA – AULA 21 HPV ❖ Tem tipos oncogênicos e tipos não oncogênicos; ❖ Infecção comum e altamente contagiosa; - Sem sintomas na maioria dos casos; - Contágio por contato → camisinha?? ❖ Afeta mais de 80% de homens e mulheres sexualmente ativos; ❖ Associado ao desenvolvimento de câncer: - Anal → 84% dos casos; - Pênis → 47% dos casos; - Vulva, vagina e garganta; ❖ 99% dos casos de câncer cervical; ❖ Mais de 150 tipos: - Aproximadamente 40 afetam o trato genital; • Alto risco: associados ao desenvolvimento de câncer (16, 18, 31); • Baixo risco: associados ao desenvolvimento de doenças benignas; - Variações de acordo com a região; COMO OCORRE A INFECÇÃO? ❖ Encontro do vírus com a célula por microtraumas do epitélio: - Células superficiais contendo cópias virais que penetram em células basais (pode haver latência); ❖ Genoma viral é amplificado em células da camada basal (1000 cópias por célula); ❖ Empacotamento do vírus em capsídeos para liberação e retomada do ciclo; Genoma em forma epissomal em lesões cervicais benignas e genoma integrado à célula hospedeira em lesões malignas. ❖ Para que o vírus consiga se replicar, proteínas virais como E1 e E2 começam a ser expressas. - Essenciais para a estabilização do DNA viral em longo prazo e controlam a expressão dos genes virais; ❖ O gene E4 codifica uma proteína associada à manutenção viral e à alteração da matriz intracelular. - Facilitando a manutenção do vírus; ❖ E5 codifica uma proteína capaz de interagir com várias proteínas como os receptores do fator de crescimento epidérmico. - Estimulando a proliferação celular e impedindo a apoptose. ❖ Células normais do epitélio escamoso estratificado param de se reproduzir à medida que começam a se diferenciar, um problema para o HPV, que precisa de DNA polimerase e dos fatores de transcrição que são apenas produzidas durante a divisão celular. Esse problema é resolvido pela atuação das oncoproteínas E6 e E7 (inativação do p53). - Os genes E6 e E7 codificam proteínas que podem estimular a proliferação e a transformação das células hospedeiras, cooperando sinergicamente para a imortalização celular. - Não são todos os casos que evoluem para o câncer, sendo que a maioria deles regride. ❖ Infecção por HPV não é suficiente para desencadear a carcinogênese; - Eliminação espontânea; • 90% dos indivíduos infectados em um período de 24 meses eliminam; • Mulheres abaixo de 30 anos, algumas infecções por HPV regridem dentro de 2 a 3 anos; • LSIL após o inícil da atividade sexual pode regredir espontaneamente após 2 a 3 anos, porém cerca de 14% podem progredir; • HSIL deve-se realizar tratamento; ❖ Presença de alguma lesão: 2 Aline David – ATM 2025/B - Detecção do DNA do HPV → indicação do tipo, sendo importante para a classificação do risco. - LSIL: citologia a cada 6 meses: • Sem lesão: biologia molecular após 12 ou 18 meses para verificar a eliminação do vírus; • SUS: citologia em 6 meses com colposcopia em caso de permanência. - Não se usa o método de biologia molecular pele sus por conta do valor. FATORES DE RISCO PARA INFECÇÃO POR HPV ❖ Baixa idade e ectocopia (endocervice mais exposta) cervical induzindo metaplasia. - Se expõem mais a endocervice favorecendo a infecção por microrganismos. ❖ Início da atividade sexual precoce (acelera o processo de maturação do epitélio do colo do útero); ❖ Múltiplos parceiros; ❖ Alta paridade; ❖ Raça (descendente de africanos); ❖ Tabagismo; ❖ DSTs (HIV, Clamydia trachomatis, herpes simplex, etc); ❖ Imunodepressão; ❖ Contraceptivos orais; MÉTODOS DE DETECÇÃO DO HPV COLPOSCOPIA ❖ Alta sensibilidade, baixa especificidade; ❖ Espéculo; ❖ Soro fisiológico 0,9% para umidificar o epitélio e remover conteúdo de descarga vaginal; ❖ Utilização de filtro verde para avaliação da vascularização; ❖ Ácido acético 3 a 5%: aumenta visibilidade das áreas normais e anormais do epitélio cervical (ZT, JEC → junção escamo colunar → passa da ectocervice para a endocérvice). Edema nas papilas do epitélio cilíndrico provoca seu empalidecimento. ❖ Solução iodada de lugol ou Schiller: - Células intermediárias ricas em glicogênio coram-se de marrom escuro. - Epitélio diastrófico, metaplásico, cilíndrico, pré- neoplásico e neoplásico não se coram por não apresentar glicogênio → DELIMITAÇÕES DE MARGENS! ❖ Identificação do epitélio escamoso, colunar, JEC normal e anormal, onde encontram-se lesões pré-neoplásicas, estimando sua extensão, tamanho e gravidade. ❖ Biópsia: utilização de pinças ou alças diatérmicas. HISTOLOGUA (BIÓPSIAS) ❖ Método mais específico para avaliação do grau de lesões → figuras de mitose, núcleos atípicos. BIOLOGIA MOLECULAR ❖ Metodologia mais específica para detecção do HPV → captura híbrida; CITOLOGIA ONCÓTICA ❖ Eficaz: - Falsos-negativos e falsos-positivos; - Biologia molecular; ❖ Sistema Bethesda: - Alterações por HPV (coilócito) = LSIL → espaço que o vírus abre dentro da célula para se infiltrar. Único momento que a gente sabe que tem HPV ali. • Potencial oncológico duvidoso, podendo regredir. • HSIL → carcinoma de células escamosas invasoras; 3 Aline David – ATM 2025/B - AS células vão diminuindo de tamanho, aumentando o núcleo e ficando dismorfas. VACINAÇÃO CONTRA HPV ❖ Proteção contra subtipos: - 6, 11, 16 e 18; ❖ Público-alvo (2 doses, 6 meses): - Meninas: 9 a 13 anos; - Meninos: 12 e 13 anos (2017) a partir de 9 (2020); ❖ HIV positivos (3 doses, 0,2 e 6 meses): - 9 a 26 anos; ATIPIAS - Células maduras: célula grande com núcleo pequeno. - Células imaturas: são menores e o núcleo parece maior. * ASC-US → sem halo perinuclear, com núcleos redondos, um pouco maiores podendo ser células binucleadas. * ASC-H → células pequenas, logo a relação núcleo citoplasma fica maior. O contorno do núcleo permanece liso. Pode ser binucleada também. * LSIL → são células maduras, mas os núcleos não são tão redondos, sendo mais irregulares, coilócitos (para ser um coilócitos a gente tem que ter núcleo alterado e a borda grande e clara ao redor do núcleo). * HSIL: células imaturas com muitas atipias nucleares, contorno irrecular, hipercromasia (núcleos escuros), manchas na cromatina. ATIPIAS EM CÉLULAS ESCAMOSAS (ASC) ❖ Alterações citológicas sugestivas de SIL (Lesão intraepitelial escamosa); - Insuficientes para uma interpretação definitiva que seria o LSIL ou o HSIL; ❖ Requer 3 características essenciais: 1) Diferenciação escamosa; 2) Aumento da proporção N/C; 3) Hipercromasia nuclear mínima, agrupamento da cromatina, irregularidade, multinucleação; ASC-US ❖ Células escamosas atípicas de significado indeterminado; ❖ É uma atipia muito leve que pode ser ocasionada por inflamação, mas como não tem halo foi classificado como ASC-US. ❖ Critérios: - Núcleos de 2,5 a 3 vezes o tamanho normal; - Proporção N/C ligeiramente aumentada; - Hipercromasia nuclear mínima e irregularidade na distribuição da cromatina ou forma nuclear; - Anormalidades nucleares associadas a citoplasma orangeofílico denso (paraceratose atípica); Não precisa de paraceratose para determinar que é um ASC-US, mas pode ter. - Contorno nuclear liso; ❖ Inflamação ou ASC-US? 4 Aline David – ATM 2025/B - Essa imagem claramente indica que há os dois. ASC-US ASC-US não podendo excluir LSIL → células em fase de transformação; Não tem critério suficiente para excluir ou um ou outro. - Uma célula com núcleo espiculado. PREVALÊNCIA DE ASC -US ❖ 1,4% entre tosos os exames realizados no BR; - 48,8% considerando apenas os resultados alterados (2013); ❖ Entre as mulheres com ASC-US: - 6,4% a 11,9% HSIL; - 0,1% a 0,2% câncer; ASC-H ❖ Células escamosas atípicas, não podendoexcluir o HSIL; ❖ Critérios (metaplasia atípica); - Células do tamanho de metaplásicas, com núcleos de 1,5 a 2,5 maiores; - Considerando uma possível interpretação de ASC-H ou HSIL, as anormalidades nucleares: hipercromasia, irregularidade da cromatina, formas nucleares anormais com irregularidades focais. - Variação de tamanho, forma e proporção da área do núcleo com citoplasma → ASC-H; 5 Aline David – ATM 2025/B - Citoplasma metaplásico (mais denso). Variação de tamanho, forma e proporção da área do núcleo com citoplasma → ASC-H; ❖ Crowded Sheet: - Microbiópsias de células agrupadas contendo núcleos que podem mostrar perda de polaridade ou são de difícil visualização; - Citoplasma denso, célula de forma poligonal e fragmentos com bordas lineares nítidas geralmente favorecem uma diferenciação escamosa sobre uma glandular (endocervical); - Agregado Crouded Sheet; - As células alteradas com ASC-H ou HSIL elas não vão maturar, vão permanecer neste aspecto; PREVALÊNCIA DO ASC -H ❖ No BR: - 0,2% entre todos os exames; - 8,8% entre os resultados alterados em 2013; ❖ Frequência de lesão de alto grau após análise de colposcopia: - 12,2 a 68%; ❖ Frequência de câncer: - 1,3% a 3% → pode ter câncer apenas tendo ASC-H. 6 Aline David – ATM 2025/B ATIPIAS COM CÉLULAS ESCAMOSAS SIL LSIL ❖ Critérios: - Alterações citológicas restritas a células com citoplasma “maduro” ou tipo superficial; - Citoplasma abundante; - Aumento nuclear (3x): aumento N/C; - Variações de tamanho, hipercromasia, número e formato nuclear; - Bi ou multinucleação; - Cromatina pode estar borrada ou degenerada; - Nucléolos ausentes; - Contorno nuclear ligeiramente irregular; - Coilocitose (aspecto característico, mas não necessário) → representa o espaço que o HPV está ocupando dentro da célula. É um aspecto característico, mas não necessário. - Oreangeofilia densa com anormalidades nucleares (paraceratose típica); ❖ Alterações associadas ao HPV: - Coilocitose: • Células escamosas superficiais e intermediárias; • Grande halo perinuclear irregular delimitado com binucleação e núcleos atípicos (hipercromático e contorno irregular); • Torna-se menos evidente com o avanço da lesão; - O que diferencia é um contorninho que indica o início de uma formação de coilócito, sem dar certeza → coilocitose sutil. Quando isso acontece a gente tem o limite entre ASC-US e LSIL. - Grupamento de células paraceratóticas (laranjas com núcleos hipercromáticos). Como esse grupamento tem bastante sobreposição, a gente não consegue estabelecer o grau (células grandes ou pequenas). Logo, pode aparecer no laudo apenas como SIL. - Grupamento com células escamosas de caráter maduro por conta do tamanho dos núcleos, em um caráter mais tridimensional. Paraceratose atípica pode estar dentro do LSIL, mas daí ela precisa de mais critérios. - Os núcleos estão extremamente lisas, mas os núcleos tem alteração da cromatina, sendo ASC-US, mas com critérios para LSIL, logo, seria o chamado limite. 7 Aline David – ATM 2025/B - Limites um pouco borrados que impedem enxergar direito o citoplasma. ❖ Tratamento de LSIL: HSIL ❖ Lesão intra-epitelial escamosa de alto grau; ❖ Critérios: - Alterações citológicas afetam células menores e menos maduras do que as células de LSIL; - Células ocorrem isoladas, em grupos ou em agregados do tipo sincicial; - Tamanho celular global é variável, desde células próximas a LSIL até células do tipo basal muito pequenas; - Hipercromasia nuclear e variações do tamanho e da forma; - Contorno nuclear bastante irregular, com entalhes e/ou sulcos; - Nucléolos geralmente ausentes, vistos especialmente quando HSIL se estende para células glandulares; - Aspecto sincicial (células enfileiradas). Podem simular histiócitos (que são células mononucleares inflamatórias como macrófagos). 8 Aline David – ATM 2025/B - Nesse momento a gente identifica além de alto grau → câncer; vai fazer direto colposcopia, independente da idade. Se a colposcopia não der nada de anormal, pode fazer uma revisão da lâmina ou uma nova coleta patológica. PREVALÊNCIA ❖ 0,26% de todos os exames; ❖ 9,1% de todos os exames alterados em 2013; ❖ Confirmação: - 70 a 75% apresentam confirmação histopatológica; - 1 a 2% confirmação de carcinoma invasor; ❖ Há necessidade de tratamento das lesões pré-invasivas para impedir sua progressão para o câncer; ❖ Métodos de escolha para tratamento dessas lesões são excisionais, pois disgnosticam os casos de invasão não detectados pela citologia ou colposcopia e servem para tratamento! E SE FOR OBSERVADA ATIPIAS EM CÉLULAS GLANDULARES? ❖ Podem ser divididas em: - Possivelmente não neoplásicas; - Possivelmente neoplásicas (não se pode afastar lesão de alto grau). CÉLULAS EPITELIAIS GLANDULARES ENDOCERVICAIS ATÍPICAS SEM OUTRAS ESPECIFICAÇÕES ❖ Células em agrupamentos e “tiras” com algum amontoamento e sobreposição nuclear. ❖ Aumento nuclear entre três a cinco vezes a área dos núcleos das células endocervicais normais. ❖ Leve hipercromasia nuclear. ❖ Mitoses raras. ❖ Citoplasma pode ser abundante, mas a relação nucleocitoplasmáticase mostra aumentada. ❖ Bordas celulares distintas. 9 Aline David – ATM 2025/B CÉLULAS GLANDULARES ENDOCERVICAIS ATÍPICAS PROVAVELMENTE NEOPLÁSICAS ❖ Células em placas ou “tiras” com amontoamento e sobreposição. ❖ Raras rosetas ou aspecto de “plumagem” (feathering). ❖ Núcleos aumentados de volume com leve a moderada hipercromasia. ❖ Aumento da relação nucleocitoplasmática. ❖ Menor quantidade de citoplasma com bordas celulares mal definidas. ❖ Mitoses ocasionais. PREVALÊNCIA ❖ 0,13% entre os exames realizados no BR; - 4,7% dos resultados alterados; ❖ Apesar da baixa incidência, tem relevância pela possibilidade de tratar-se de neoplasia intraepitelial escamosa, adenocarcinoma, e outros. - Associação de 15 a 56% com HSIL ou câncer; QUAL A CONDUTA?