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Tricuríase Introdução A Tricuríase é uma doença de distribuição cosmopolita, prevalente em climas quentes e úmidos, acometendo principalmente crianças. A doença prevalece em locais de piores condições sanitárias e econômicas, em que também há maior chance de maior carga parasitária. Taxonomia: trata-se de uma doença causada por nematódeos da ordem Trichurida, que também alberga outros parasitos de humanos. Porém, a principal espécie e que se mostra mais distribuída é o Trichuris trichiura. Epidemiologia: os humanos são o principal hospedeiro de T. trichiura, mas há relatos de porcos e macacos que alberguem a espécie, embora sem importância no ciclo da parasitose. A doença prevalece em crianças abaixo de 15 anos associada a más condições de higiene. Morfologia Verme adulto: possui uma morfologia típica de chicote ou de cabelo, uma vez que a porção anterior é afilada e enrolada, pela presença do esôfago (a nomenclatura ideal seria Trichocephalus, pois Trichuris indica que a cauda seria curvada), sendo o 1⁄3 posterior dilatado e com presença dos órgãos genitais. Os vermes possuem de 3 a 5 cm, sendo dióicos com a fêmea maior e mais larga que o macho e esse com a cauda recurvada distalmente. Ovo: possui morfologia elíptica típica, com dois poros transparentes nas extremidades e uma casca com três camadas distintas (lipídica, quitinosa e vitelínica). Por seu formato, é associado a uma ‘’bola de Rugby’’. Ciclo Biológico Habitat: é encontrado no ceco e no colo ascendente, podendo, nas infecções maciças, ocupar todo o cólon e parte do íleo. Ele é um parasito tissular, pois seus terços anteriores penetram na mucosa e lesam os enterócitos com enzimas, de modo a se alimentar; enquanto seu terço posterior fica livre para facilitar a cópula. Ciclo biológico: o ciclo se inicia quando o homem ingere os ovos fertilizados (passam por período de 15 a 30 dias para se tornar infectantes), os quais eclodem em larvas no intestino delgado. Essas penetram na região do ceco, deixando sua porção posterior livre para a cópula, onde geram ovos que são liberados nas fezes. Os vermes adultos passam por um período pré-patente de 60 a 90 dias, sobrevivem de 1 a 2 anos no intestino grosso e põe de 3000 a 20000 ovos diários nas fezes. Transmissão: ovos eliminados nas fezes se disseminam por meio do vento ou água, contaminando alimentos e líquidos, sendo transmitidos por vetores mecânicos como moscas ou sendo transmitidos por geofagia (comum em crianças que se contaminam com barro). Manifestações Clínicas A maioria das formas graves se dão em criança e depende da idade do hospedeiro, carga parasitária, sítio de localização dos vermes e estado nutricional. Infecções leves e moderadas: como a doença não possui migração sistêmica pelo ciclo de Loss, não há síndrome de Löeffler e as manifestações derivam da lesão do epitélio, produção de muco e inflamação. Nos quadros leves a moderados, não há sintomas expressivos. Infecções intensas: distribuem-se para o intestino grosso, até o reto, e os sintomas estão relacionados à pancolite. Assim, há puxo e tenesmo pela congestão da mucosa retal, com dor abdominal, disenteria, sangramento e prolapso retal (pelo esforço para a defecação repetitivo). Nas crianças, o achado de prolapso retal deve levantar a hipótese de tricuríase, embora não seja a única causa. Diagnóstico A exceção das infecções intensas, a clínica é limitada e se usam métodos parasitológicos como o Kato-Katz, que quantifica a infecção em leve (1000< ovos/g), moderada (1000-9999 ovos/g ou intensa (10000> ovos/g). Na colonoscopia ou anoscopia vê-se os vermes adultos Tratamento O tratamento é feito com albendazol e mebendazol, porém merece destaque o manejo inicial do prolapso retal (utilizar gaze umedecida para auxiliar no transporte até o hospital, onde se realiza terapia cirúrgica). Profilaxia Medidas de higiene pessoal, educação sanitária e engenharia sanitária bem como combate à proliferação de vetores mecânicos como formigas, moscas e baratas. Gabriel Torres→ Uncisal→ Med52→ Tricuríase