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Fundamentos Teóricos 
e Metodológicos da 
Alfabetização de 
crianças
Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor 
Alfabetizador
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Ms. Edna de Oliveira Telles 
Revisão Textual:
Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco 
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e Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação 
do Professor Alfabetizador
Compreender a importância do lúdico no trabalho pedagógico de alfabetização e 
a importância da formação contínua do professor alfabetizador.
Compreender o brincar e o aprender como direitos de todas as crianças.
Compreender as relações entre a aprendizagem da língua escrita e o desenvolvimento 
de atividades lúdicas. 
Compreender a formação do professor alfabetizador como uma necessidade contínua
Nesta Unidade o principal objetivo será compreender a importância do lúdico no trabalho 
pedagógico de alfabetização e o valor da formação contínua do professor alfabetizador.
Leia todo o texto com atenção, fique atento(a) às referências de material complementar, resolva 
as atividades propostas para esta unidade e participe da atividade de aprofundamento.
Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:
• Introdução
• Brincar e Aprender: Direito de todas as Crianças
• Aprendizagem da Língua Escrita, Atividades 
Lúdicas e Aprendizagem: a Criança que Brinca 
Aprende?
• Formação do Professor Alfabetizador: uma 
Necessidade Contínua
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
A disciplina Fundamentos teóricos e metodológicos da alfabetização de crianças é de 
grande relevância em sua formação no curso de Especialização em Alfabetização e Letramento.
A compreensão dos principais aspectos que envolvem o debate sobre educação, alfabetização 
e letramento no Brasil – e que envolvem a intersecção de assuntos como currículo inclusivo; 
concepções de alfabetização; planejamento do trabalho em salas de alfabetização; ludicidade; 
cultura e letramento –, peças-chave na construção e acompanhamento do processo de ensino 
e aprendizagem nas séries iniciais, necessitam de um conhecimento teórico e prático para que 
possam contribuir na direção de uma educação de qualidade.
Atenta à tal necessidade, esta disciplina foi elaborada para que a formação na área seja 
significativa, em consonância com as reais necessidades da organização educacional e do 
mundo contemporâneo na perspectiva de uma educação emancipadora.
Nesta Unidade você estudará a importância do lúdico no trabalho pedagógico de alfabetização 
e da formação contínua do professor alfabetizador, bem como a relação existente entre o brincar 
e o aprender.
Para iniciarmos esta Unidade, reflita sobre as seguintes questões:
Em que consiste o brincar? O que é o lúdico? A criança que brinca, aprende? Como 
desenvolver um trabalho que seja ao mesmo tempo lúdico e que dê conta dos objetivos 
pedagógico-escolares? Isso é possível?
Tente responder essas perguntas a partir da experiência que tem na escola, seja como 
estudante, seja como profissional da educação.
Ademais, adentre neste universo maravilhoso da construção do conhecimento, tomando 
contato com nossos textos e tirando suas próprias conclusões! 
Lembre-se que este conteúdo é de suma importância para sua formação pessoal e profissional 
e fará parte de sua trajetória ao longo da vida. Por isso, não limite seu empenho nesta jornada!
Contextualização
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Introdução
Temos vivenciado no Brasil a dura realidade de verificar que muitas crianças têm concluído 
sua escolarização sem a plena alfabetização. Como vimos nesta disciplina, estar alfabetizado não 
é apenas compreender como funciona o sistema de escrita alfabética, mas é ir além, significa ler 
e produzir diferentes tipos de texto, considerando seu contexto de produção, as características 
do gênero etc., é participar ativamente de uma cultura letrada, é compreender as entrelinhas de 
um texto e conseguir interpretar diferentes tipos de texto nas mais diversas áreas. 
Nos últimos anos, a educação brasileira passou por grandes transformações, sobretudo no 
que se refere ao ingresso infantil na Educação Básica. A entrada das crianças com seis anos no 
Ensino Fundamental a partir da lei n.º 11.274/2006, significou aos educadores grandes desafios 
no que tange à reflexão sobre a definição mais clara do que se espera da escola nos anos iniciais 
de escolarização. O ingresso dessas crianças não pode – de maneira alguma – constituir-se 
em uma medida meramente administrativa. Faz-se necessária uma atenção especial ao seu 
processo de desenvolvimento e aprendizagem, o que implica conhecimento e respeito às suas 
características etárias, sociais, psicológicas e cognitivas.
Soma-se a isso a urgência da construção de uma escola na perspectiva da educação 
inclusiva, solidária e de qualidade social para todas as crianças, onde a reflexão – 
sobre a transformação na estrutura escolar, reorganização de tempos e espaços de 
aprendizagem, nas formas de ensinar, aprender, avaliar, organizar e desenvolver 
o currículo, trabalhar com o conhecimento, respeitando as singularidades do 
desenvolvimento humano – torna-se imprescindível (BEAUCHAMP; PAGEL; 
NASCIMENTO, 2007, p. 5).
O respeito às características etárias, sociais e psicológicas infantis – incluindo as de seis anos 
– obriga educadores e pessoas envolvidas com a educação nos anos iniciais de escolarização à 
série reflexão sobre a ludicidade e a importância do brincar como linguagem universal e humana 
e, mais especificamente, como a maneira da criança aprender e desenvolver-se plenamente.
Para que você, cursista, possa apreender as principais questões relacionadas à essa discussão hoje 
tão relevante no âmbito da alfabetização de crianças, apresentamos nesta Unidade a linguagem lúdica, 
o brincar e o aprender como direito de todas as crianças, e a formação do professor alfabetizador 
como uma necessidade básica para que se obtenha sucesso no objetivo de construir um país onde 
crianças, adolescentes e jovens possam constituir-se como plenamente alfabetizados.
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
Brincar e Aprender: Direito de todas as Crianças
Brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver menino sem 
escola, mais triste ainda é vê-los sentados, tolhidos e enfileirados em uma sala 
de aula sem ar, com atividades mecanizadas, exercício estéreis, sem valor para 
a formação dos homens críticos e transformadores de uma sociedade (Carlos 
Drummond de Andrade).
Para dar início à nossa reflexão sobre a importância do brincar e do lúdico para a aprendizagem 
infantil, faremos uma incursão pelo significado dessas palavras. A palavra brincar, pelo dicionário 
Aurélio online, remete à ideia de ornamentar-se, divertir-se, entreter-se com coisas infantis, 
agitar-se, entre outros. 
A palavra lúdico origina-se do latim ludus e tem significado associado à 
brincadeira, ao jogo, ao divertimento, diversão, prazer. Para profissionais da área 
educacional, é relevante saber que seu significado foi ampliado e passou a ser 
reconhecido como elemento essencial do desenvolvimento humano (BRAINER 
et al., 2012a, grifos nossos).
Segundo Luckesi (apud GRILO et al., 2002, p. 2), o que caracteriza o lúdico “é a experiência 
de plenitude que ele possibilita a quem o vivencia em seus atos”. Adotado esse entendimento, 
o significado do lúdico não pode estar restrito apenas aos jogos e brincadeiras. Seria preciso 
associá-lo a algo alegre, agradável, que o indivíduo faz de forma livre e espontânea (BRAINER 
et al., 2012a, 2012b).
Nesse sentido, o lúdico faz parte do cotidiano de qualquer criança desde muito pequena. Mas 
quando o assunto é a relação entre o lúdico e as práticas escolares, há diferentes abordagens 
teóricas enfatizando a sua importância. 
Os teóricos construtivistas defendem a necessidade de participação do sujeito na 
construção de seu conhecimento e evidenciam que as brincadeirasse constituem como 
situações de aprendizagem.
A perspectiva sociointeracionista – com base em Vygotsky e Leontiev – também influenciou 
o pensamento atual sobre o papel do lúdico e da participação do sujeito em seu processo de 
aprendizagem, ressaltando que a principal atividade infantil é a brincadeira e que, com base 
nessa, a criança aprende a interagir e a compreender o mundo.
Na perspectiva sócio-histórica elaborada por Vygotsky e seus colaboradores 
a escola pode desempenhar uma função de andaime que impulsiona o 
desenvolvimento infantil. A apropriação do repertório de brincadeiras e jogos 
que constituem o patrimônio cultural, bem como as atividades lúdicas, são um 
bom caminho para que as crianças, em interação com os pares e utilizando 
estratégias cognitivas, desenvolvam as funções mentais superiores associadas 
ao pensamento e a linguagem (ROSA; BRAINER; CAVALCANTE, 2012, p. 7).
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Para os autores em questão:
Diversos estudos abordam a ludicidade e a aprendizagem como ações 
complementares, de que quando as crianças brincam, aprendem. Esses 
estudos ressaltam a ideia de que o lúdico, no seu papel de instrumento auxiliar 
e complementar da educação, representa um recurso facilitador e motivador 
da aprendizagem Vários pesquisadores de Psicologia já mostraram, em seus 
estudos sobre a infância que, é completamente possível e necessário conciliar 
os interesses das crianças pelo jogo e pela brincadeira e os objetivos de ensino 
da escola. Isto porque a brincadeira proporciona a criança o envolvimento em 
situações favoráveis à aquisição de regras, à expressão de seu imaginário, à 
apropriação e exploração do meio e esses são aspectos importantes na aquisição 
de conhecimentos (ROMERA et al.; LEAL; ALBUQUERQUE; LEITE apud 
ROSA; BRAINER; CAVALCANTE, 2012, p. 6). 
Estudos no campo da Psicologia Infantil também apontam para o fato de que os 
jogos e as brincadeiras favorecem o domínio das habilidades de comunicação, 
nas suas várias formas, facilitando a autoexpressão. Muitos autores, inclusive, 
consideram a ação lúdica como metacomunicação, ou seja, a possibilidade de 
a criança pensar sobre seu próprio agir e pensar, bem como compreender o 
pensamento e a linguagem do outro (BITTENCOURT; FERREIRA apud ROSA; 
BRAINER; CAVALCANTE, 2012, p. 8).
No campo das teorias sobre a infância, há autores que defendem o brincar 
como modo de expressão peculiar das crianças e identificam na brincadeira 
oportunidades para o desenvolvimento integral. Ao observar sistematicamente 
crianças brincando, Henri Wallon (apud BARBOSA; BOTELHO, 2008) chamou 
a atenção para o fato de que nas brincadeiras as crianças desenvolvem várias 
habilidades corporais, afetivas e cognitivas que contribuem para aquisições 
fundamentais ao ser humano como socialização, articulação, interatividade, entre 
outras. A partir das premissas do pensamento walloniano, professores passaram 
a valorizar os momentos em que as crianças interagem espontaneamente e 
criam as suas brincadeiras (ROSA; BRAINER; CAVALCANTE, 2012, p. 7).
Trata-se da perspectiva de educação inclusiva, ou seja, uma educação para a democracia e a 
construção de cidadania; em uma postura democrática da escola e dos professores na organização 
do trabalho escolar; considerando a criança como sujeito que constrói o seu conhecimento na 
interação com objetos e pessoas, com o ambiente, com o próprio conhecimento; onde o trabalho 
desenvolvido tenha como foco a inclusão de todas as pessoas em todos os contextos sociais; que 
considere a cultura da diversidade e da pluralidade em detrimento da cultura do preconceito; 
que valorize as diferenças como enriquecedoras do trabalho pedagógico; que garanta que os 
direitos de aprendizagem e de alfabetização plena sejam conquistados por todos; que considere 
a criança com necessidades educativas especiais no planejamento das ações educativas, dado 
que não se pode – de forma alguma – ignorar que a criança aprende a partir de uma linguagem 
própria, que é a linguagem lúdica, que utiliza-se dos jogos, dos brinquedos e das brincadeiras 
como meio para o pleno desenvolvimento infantil.
Em suma, o que defende-se é que a escola seja inclusiva e centrada no prazer de aprender, 
pois brincar e aprender é direito de toda criança. A brincadeira possibilita vários ganhos para o 
desenvolvimento e a aprendizagem infantil.
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
Aprendizagem da Língua Escrita, Atividades Lúdicas e Aprendizagem: 
a Criança que Brinca Aprende?
Escrever, eu já andava rabiscando mesmo antes de entrar para a escola. Escrevia nas paredes 
do galinheiro, no cimento do tanque ou no passeio da rua. Arranjava um pedaço de carvão, 
de tijolo, de caco de telha, pedra de cal. Minhas irmãs me pediam para traçar amarelinhas no 
quintal. Eu caprichava. Usava uma vareta de bambu sobre a terra batida. Além de fazer as casas 
bem quadradas e certas, ainda escrevia os números e as palavras céu e inferno. De tanto as 
meninas pularem em cima, as palavras se apagavam aos poucos, mas escrever de novo não era 
sacrifício pra mim (Bartolomeu Campos de Queiroz).
Está mais que comprovado, a partir de diferentes abordagens advindas da Psicologia da 
infância e da educação que o brincar representa uma ferramenta poderosa no processo educativo, 
principalmente porque constitui-se na própria linguagem infantil, que aprende brincando. Nossa 
tarefa enquanto professores é pensar, mais detidamente, sobre a importância dos jogos e das 
brincadeiras para a criança e como utilizá-los para motivar e facilitar a aprendizagem. 
Mas por que à medida que avançam os segmentos escolares se reduzem os espaços e tempos 
do brincar e os pequenos vão deixando de ser crianças para se tornarem alunos?
A brincadeira está entre as atividades frequentemente avaliadas por nós como 
tempo perdido. Por que isso ocorre? Ora, essa visão é fruto da ideia de que 
a brincadeira é uma atividade oposta ao trabalho, sendo por isso menos 
importante, uma vez que não se vincula ao mundo produtivo, não gera 
resultados. E é essa concepção que provoca a diminuição dos espaços e tempos 
do brincar à medida que avançam as séries/anos do Ensino Fundamental. Seu 
lugar e seu tempo vão se restringindo à “hora do recreio”, assumindo contornos 
cada vez mais definidos e restritos em termos de horários, espaços e disciplina: 
não pode correr, pular, jogar bola etc. Sua função fica reduzida a proporcionar 
o relaxamento e a reposição de energias para o trabalho, este sim sério e 
importante. Mas a brincadeira também é séria! (BORBA, 2007, p. 35).
O que devemos, enquanto profissionais da educação, é compreender qual a função da escola 
frente à sociedade capitalista, cada vez mais consumista e que induz o tempo todo à competição. 
Essa sociedade onde dificilmente algo para além do trabalho e do consumo é levado a sério. A 
função da escola, na perspectiva da qualidade social da educação, é fazer com que as crianças, 
adolescentes, jovens e adultos possam construir uma postura crítica frente à sociedade e possam 
participar ativamente dessa, atuando, argumentando e fazendo parte da cultura letrada.
Ora, se pensarmos a partir dessa perspectiva, em primeiro lugar precisamos 
garantir os direitos de aprendizagem de todos e – quando mencionamos crianças 
das séries iniciais – garantir seus direitos de aprendizagem quer dizer respeitá-
las em suas formas de aprender, essas que têm como constituição a linguagem 
lúdica, do brincar.
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Compreendendo a importância do brincar para o desenvolvimento infantil, podemos planejar 
atividades onde essas crianças sintam-se motivadas e possam avançar, quaisquer que sejam as 
suas dificuldades e níveis de aprendizagem, porque – como vimos – as brincadeiras e o lúdico 
na organização do trabalho pedagógico da escola proporcionam a interação e a cooperação – 
além de diversas outras habilidades – que, por sua vez, são fatores determinantes no trabalho 
com as diferenças.
Como aprendemos em unidadesanteriores, a organização do trabalho em salas de 
alfabetização requer que o professor conheça os alunos – geralmente, crianças a partir de seis 
anos –, de que forma aprendem, o que já sabem sobre o conteúdo que será trabalhado e o 
que precisam saber – diagnóstico –, o planejamento de atividades desafiadoras para todas as 
crianças, considerando a sua heterogeneidade, a organização dessas atividades em diferentes 
agrupamentos de acordo com os objetivos dessas e uma avaliação contínua e formativa, que 
considere o processo de aprendizagem de cada criança.
Vimos que a criança aprende e motiva-se a prender a partir de atividades desafiadoras e 
lúdicas. Nesse sentido, utilizar jogos e brincadeiras no trabalho em salas de alfabetização é 
imprescindível no caminho para a garantia dos direitos de aprendizagem infantil.
O papel docente nesse trabalho é ser um mediador da atividade lúdica. Em determinadas 
situações escolares, não precisa ser o centro do ensino, e isso não quer dizer que seja passivo. 
Muito pelo contrário, fará a mediações necessárias para que as crianças deem um salto em sua 
aprendizagem. Isso ocorre quando o professor conhece seus alunos, domina o que ensinará 
e como as crianças aprendem. É tarefa complexa e exige conhecimentos específicos da área 
educacional. Nesse sentido, 
o professor pode atuar na seleção de propostas de atividade, na organização 
dos grupos de crianças, na mediação durante a situação (propondo questões 
e desafios) ou mesmo pode ser um problematizador, provocando as crianças a 
tomarem decisões, a opinarem, a defenderem suas posições (BRAINER et al., 
2012a, p. 15).
Todas as situações de trabalho em grupo ou em duplas, ou mesmo a partir de objetivos de 
aprendizagem de conteúdos, podem ser lúdicas, dependendo de como forem planejadas. 
Sugere-se que o trabalho seja desenvolvido em uma perspectiva interdisciplinar, ou seja, não 
de forma fragmentada, como se as disciplinas fossem caixinhas separadas em um armário; mas 
de modo que os conteúdos diversos se entrecruzem, dando sentido ao aprendizado.
Atividades onde desenvolvem-se conteúdos de diferentes áreas, de forma lúdica e 
significativa podem ser, por exemplo, jogos e brincadeiras tradicionais, como amarelinha, bola 
de gude, brincadeiras com bola como queimada, boliche, entre outras que, além de favorecer 
explorações de natureza numérica, tais como registros e organização em listas ou tabelas e 
posteriormente construção de gráficos, podem ser utilizadas para discussão e registro escrito 
de regras. A construção de linhas do tempo com percursos de vidas (idades, experiências de 
brincadeiras) dos pais, avós e deles mesmos, com o objetivo de o estudante se ver na própria 
história e construir a noção do antes e depois é outro exemplo de como podem ser realizadas 
atividades lúdicas significativas para as crianças, neste caso, em intersecção com conteúdos 
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
de História, pois a ideia principal em relação à alfabetização é a de que alfabetizar implica em 
ensinar o Sistema de Escrita Alfabética, a leitura e a produção de textos, de modo integrado às 
aprendizagens relativas aos diferentes componentes curriculares (BRAINER et al., 2012, p. 17).
É interessante trabalhar com situações de leitura e conversa sobre textos, leitura e atividades 
a partir de letras de músicas conhecidas pelas crianças; o brincar com as palavras utilizando 
parlendas e trava-línguas; a produção coletiva de texto; jogos relacionados ao sistema alfabético, 
como bingo de letras, rimas, forca, entre outros jogos, sempre na perspectiva do trabalho com 
o letramento, como ressaltado em unidades anteriores.
Em relação à leitura de textos, no primeiro ano do Ensino Fundamental, é 
muito importante a realização de leitura em voz alta feita pelo professor. Nestes 
casos, o professor assume o papel de ledor e, ao mesmo tempo, de mediador 
da discussão. Se forem realizadas escolhas de textos interessantes ao público 
infantil, a situação será lúdica. O professor, ao fazer uma leitura expressiva do 
texto, motiva as crianças a participarem da conversa e a desejarem que outros 
textos sejam lidos. Assim, ressaltamos a importância dos textos literários, que ao 
longo da história da humanidade vêm encantando gerações (BRAINER et al., 
2012a, p. 17).
A forma como o professor trabalha as atividades lúdicas é importante para ajudar a criança a 
ampliar seu desenvolvimento cognitivo e sócio-relacional. Nesse sentido, Brainer e Teles (2012, 
p. 23-24) ressaltam que:
O professor, portanto, desempenha um papel central no planejamento das situações 
com utilização de jogos para ajudar na alfabetização e no acompanhamento dos 
estudantes durante as atividades. Cabe à ele, ao trazer um jogo para a sala de 
aula, saber explorá-lo no momento oportuno considerando os aspectos que 
podem ser contemplados para que as crianças desenvolvam seu raciocínio de 
forma descontraída. É sua função prever o quanto de aprendizagem determinado 
jogo pode promover para determinado estudante. Ou seja, o diagnóstico sobre 
o que sabe o aluno acerca do que se deseja ensinar é fundamental para que 
se programem os jogos que serão disponibilizados. Enfim, entrega, dedicação e 
positividade são as três qualidades que não podem faltar no professor que busca 
no educando um sujeito ativo, interativo e inventivo, sem esquecer, no entanto, de 
propiciar-lhe liberdade de ação.
Complementarmente, a ideia central e base para as demais é a da responsabilidade do 
professor sobre o seu próprio trabalho. O professor que decide trabalhar com crianças das 
séries/anos iniciais em classes de alfabetização precisa, sobretudo, de conhecimento. É sobre a 
formação do professor alfabetizador que discorreremos a seguir.
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Formação do Professor Alfabetizador: uma Necessidade Contínua
A história da alfabetização é a história da escola! E se quisermos dar outro rumo à vergonhosa 
história da alfabetização em nosso país, é à história da escola que temos que dar outro rumo – é 
a escola que temos de transformar (Magda Soares).
Precisamos dar outro rumo à história da escola, buscando cada vez mais – e de diversas 
formas – uma escola que cumpra efetivamente o seu papel: o desenvolvimento e aprendizagem 
de crianças, adolescentes, jovens e adultos, de maneira que esses possam atuar criticamente 
na sociedade contemporânea, essa cada vez mais letrada e constituída pelas novas tecnologias 
digitais de educação e comunicação. Essa participação não pode ser de qualquer forma, deve 
ser uma participação que contribua para a mudança do quadro tão desigual em que vivemos. 
Mudando a história da escola, muda-se a história da alfabetização no País.
A mudança necessária precisa de um outro olhar para a estrutura das escolas, da 
reorganização de tempos e espaços de aprendizagem, de mudanças significativas nas formas de 
ensinar, aprender, avaliar, organizar e desenvolver o currículo, trabalhar com o conhecimento, 
respeitando as singularidades do desenvolvimento humano e as necessidades e exigências da 
sociedade contemporânea. Mas como conseguir essa mudança?
Colocando como centro de referência para a mudança o professor. Tratando-o com o devido 
respeito e importância. Sabemos que o professor é a peça-chave no desenvolvimento do trabalho 
pedagógico, junto da gestão escolar e a partir dos propósitos do projeto político pedagógico, 
que também merecem destaque nas políticas de formação continuada. É o professor que está à 
frente do trabalho pedagógico com os alunos e que planeja as ações didáticas. 
Pensar nas estratégias para a melhoria da educação brasileira significa pensar na formação 
contínua docente, considerando a sua história e trajetória de formação ao longo da vida. Quando 
o professor reflete sobre a sua história, entra em contato com novas teorias e concepções e 
contrapõe de forma reflexiva práticas de ontem e de hoje, buscando um equilíbrio entre os 
conhecimentos adquiridos desdeo momento em que foi alfabetizado – como aluno – e os saberes 
adquiridos a partir de sua trajetória como professor alfabetizador e as atuais características dos 
alunos, da sociedade e da educação, colocando questões que transformam-se em desafios para 
a sua profissão.
Conhecer e investigar as trajetórias de formação docente ao longo da vida – e a 
partir de sua perspectiva – ajuda-nos a compreender o saber-fazer na docência. 
Pois, o estilo de vida do professor, dentro e fora da escola, as suas identidades e 
culturas ocultas têm impacto sobre os modelos de ensino e sobre a prática educativa 
(GOODSON, 1992, p. 72). Mudar a escola, portanto, é tarefa complexa e exige 
das políticas públicas um olhar para quem é esse profissional, sua história, suas 
necessidades profissionais e aspectos que precisam refletir acerca do exercício de 
sua função, no caso específico, a respeito da alfabetização infantil na sociedade 
contemporânea. Portanto, alerta-se para a importância do estabelecimento de uma 
política de formação continuada para professores, gestores e também profissionais 
de apoio à docência nas séries/anos iniciais com ênfase no ciclo de alfabetização.
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
A formação continuada diversificada, com ações de diferentes tipos (cursos de Especialização 
e Aperfeiçoamento, ações de estudo e planejamento coletivo nas próprias escolas, estímulo aos 
estudos individuais, participação em eventos da área de Educação), atendem às demandas 
dos profissionais quanto aos saberes da docência. A prática docente deve ser o objeto central 
de atenção. A teorização da prática deve constituir o eixo nuclear das ações formativas. Os 
projetos de formação continuada devem fortalecer na escola a constituição de espaços e 
ambientes educativos que possibilitem a aprendizagem, reafirmando a escola como espaço do 
conhecimento, do convívio e da sensibilidade (BRASIL, 2012, p. 13).
Para finalizar esta disciplina, reiteramos que definir prioridades é, sem dúvida, uma ação 
que ajuda a estabelecer estratégias e concentrar esforços para resolver problemas. Garantir que 
todas as crianças que frequentam a escola se alfabetizem, no contexto atual, deve ser prioridade 
para a escola brasileira. Investir em políticas públicas de formação contínua dos professores 
alfabetizadores e gestores educacionais na perspectiva da educação inclusiva, que considerem as 
crianças em sua diversidade, a especificidade da infância e suas linguagens, como essa aprende 
e quais as metodologias mais adequadas às exigências atuais é urgente e necessário.
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Material Complementar
Caro(a) aluno(a),
Para saber mais sobre o trabalho com alfabetização em uma perspectiva inclusiva, considerando 
a ludicidade e a formação do professor alfabetizador, consulte as seguintes indicações:
• Confira os slides disponíveis em: <http://w3.ufsm.br/gepfica/wp-content/uploads/2013/05/
Ano-1-Unid-04.pdf>, elaborados por Sabrina Garcez, da Universidade Federal de Santa 
Maria, a partir do texto Ludicidade na sala de aula, ano 1, unidade 4, do Pacto Nacional 
pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic);
• Assista ao vídeo Jogos e brincadeiras infantis, do projeto Pró-Letramento, disponível 
em: <https://www.youtube.com/watch?v=Tc6u37ff1ug>;
• Leia a coletânea de textos de diversos autores sobre a ludicidade, o brincar e o trabalho com a 
criança de seis anos na publicação do Ministério da Educação intitulada Ensino fundamental 
de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade e disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ensifund9anobasefinal.pdf>;
• Assista ao vídeo A importância do brincar, disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=0al1A_UBdWA>, onde a professora Tisuko Morshida Kishimoto, da Universidade 
de São Paulo, discorre sobre a importância da brincadeira no desenvolvimento infantil a 
partir de exemplos concretos. 
http://w3.ufsm.br/gepfica/wp-content/uploads/2013/05/Ano-1-Unid-04.pdf
http://w3.ufsm.br/gepfica/wp-content/uploads/2013/05/Ano-1-Unid-04.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=Tc6u37ff1ug
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ensifund9anobasefinal.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=0al1A_UBdWA
https://www.youtube.com/watch?v=0al1A_UBdWA
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Unidade: Ludicidade nas Salas de Alfabetização e a Formação do Professor Alfabetizador
Referências
ALMEIDA, P. N. de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo, Loyola, 2003.
BEAUCHAMP, J.; PAGEL, S. D.; NASCIMENTO, A. R. do (Org.). Ensino Fundamental de 
9 anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade. Brasília, DF: 
MEC/SEB, 2007.
BORBA, A. M. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: BEAUCHAMP, 
J.; PAGEL, S. D.; NASCIMENTO, A. R. do (Org.). Ensino Fundamental de 9 anos: orientações 
para a inclusão de crianças de seis anos de idade. Brasília, DF: MEC/SEB, 2007.
BRAINER, M.; TELES, R. Qualquer maneira de jogar e brincar vale a pena? O que fazer 
para ajudar as crianças a aprender? In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de 
Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto nacional pela alfabetização 
na idade certa: ludicidade na sala de aula. Ano 1. Unidade 4. Brasília, DF, 2012. p. 22-25.
BRAINER, M. et al. Ser cuidado, brincar e aprender: direito de todas as crianças. In: 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão 
Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: ludicidade na sala de aula. Ano 
1. Unidade 4. Brasília, DF, 2012a. p. 6-13.
______. Que brincadeira é essa? E a alfabetização? In: BRASIL. Ministério da Educação. 
Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto nacional pela 
alfabetização na idade certa: ludicidade na sala de aula. Ano 1. Unidade 4. Brasília, DF, 2012b. 
p. 14-21.BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio 
à Gestão Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: formação do professor 
alfabetizador: caderno de apresentação. Brasília, DF, 2012.
CHAGURI, J. de P. O uso de atividades lúdicas no processo de ensino/aprendizagem 
de espanhol como língua estrangeira para aprendizes brasileiros. 2006. Disponível 
em: <http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/u00004.htm>. Acesso em: 5 
nov. 2014.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 11. ed. São Paulo: Cortez, 
2008.ROSA, E. C. S.; BRAINER, M.; CAVALCANTE; T. C. F. A criança que brinca, aprende? In: 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão 
Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: ludicidade na sala de aula. Ano 
3. Unidade 4. Brasília, DF, 2012. p. 6-15.
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