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Morfologia Portuguesa
Rozangela Nogueira 
de Moraes
Aula 2
Objetivos de sua aprendizagem
Que você seja capaz de:
aprender sobre diacronia e sincronia;
aprofundar seus conhecimentos sobre a dupla articulação da linguagem.
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Sincronia, diacronia e acronia
Os fatos linguísticos, de acordo com Borba (2005), podem ser estudados sob três pontos de vista: 
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quanto ao seu modo de ser geral;
quanto ao seu funcionamento num determinado momento e lugar; e 
quanto às suas transformações ou evolução.
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Acrônico: faz abstração do tempo, sendo os fatos explicados ou descritos quanto à sua natureza e função; 
Sincrônico: preocupa-se em descrever o funcionamento concreto da língua em dado momento e lugar; e
Diacrônico: observa as mudanças que a língua sofre com o decorrer do tempo.
Síntese
Conceito de diacronia e sincronia proposto por Saussure:
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	Diacronia	Sincronia
	Evolutiva	Estática
	Sucessões	Simultaneidade
	Ao longo do tempo	Prende-se a um estado a uma fase
Sincrônico versus diacrônico 
Os enfoques sincrônico e diacrônico, embora tenham traços específicos, não devem ser considerados como coisas separadas, uma vez que, na verdade, se completam:
 
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“(...) a língua não é estática e, portanto, não é uma realidade sincrônica”.
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A sincronia é, portanto uma operação abstrativa e, de certa forma, redutora. Por isso “deve ser completada pela visão diacrônica”.
(BORBA, 2005, p. 71)
Pertinência de uma complementaridade entre o enfoque sincrônico e o diacrônico
Sincronicamente o plural dos nomes (substantivos e adjetivos) funciona assim:
1º) nomes terminados em vogal recebem -s: 
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Meninos
Bodes.
2º) nomes terminados em -r, -s, -z recebem -es: 
3º) Nomes terminados em -l mudam o -l em -is:
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Mar es
Mês es
Feroz es
Anima is
Crué is
Azu is
Observações 
Se a vogal pertence ao ditongo ão, há três possibilidades de plural:
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mão, irmão → mãos, irmãos
pão, cão → pães, cães
dragão, leão → dragões, leões
2.Se o s está em sílaba átona, a palavra não varia.
um/três lápis
o/os alferes
este/estes ourives.
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© Kalman89 | Dreamstime.com; © Ragsac19 | Dreamstime.com; © Luba V Nel | Dreamstime.com
3. A terminação il se comporta assim:
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il átono perde o il e acrescenta-se eis: 
fóssil, dócil > fósseis, dóceis.
il tônico perde o l e recebe o s
 funil, anil > funis, anis.
Morfologia
A morfologia preocupa-se com a classificação das palavras. Classificar é, de acordo com Faraco (2000, p.199):
distribuir em classes ou em grupos, seguindo determinado sistema ou método;
uma necessidade fundamental quando se pretende descrever a estrutura dessa língua.
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Segundo Rosa (2005, p.15), morfologia significa, com base nos seus elementos de origem, o estudo da forma, a qual compreende dois níveis de realização: 
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sons: destituídos de significados, mas que se combinam e formam unidades com significado;
palavras: as quais têm regras próprias de combinação para a composição de unidades maiores.
Morfologia flexional e lexical
Segundo Laroca (2005, p. 15), os linguistas dividem a morfologia em dois ramos.
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Flexional
Lexical
A morfologia flexional
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Flexional ou gramatical 
Estuda as relações entre as diferentes formas de uma mesma palavra, isto é, o seu paradigma flexional, sendo a flexão uma variação de caráter morfossintático, uma exigência da concordância verbal ou nominal.
Observemos o exemplo abaixo:
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Antigamente fazíamos longas viagens.
Nós 
Advérbio 
Perfeito do indicativo
A morfologia lexical
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Morfologia lexical 
Trata da estrutura das palavras e dos seus processos de formação; das relações entre paradigmas diferentes.
Observemos o exemplo abaixo.
 
Jogador se relaciona derivacionalmente com jogar, por meio do sufixo derivacional dor. 
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Jogar/ jogador
© Petesaloutos | Dreamstime.com
Observemos o exemplo abaixo.
 
Beleza que se deriva de belo por meio do sufixo derivacional eza. 
 
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Belo/ beleza
As formas jogar e jogador, belo e beleza são palavras distintas, pertencentes a paradigmas distintos.
Palavra e vocábulo
No âmbito da modalidade escrita, “serão consideradas palavras as sequências gráficas que representam signos da língua em questão e que ocorram precedidas e seguidas de espaço ou pontuação” 
(BASILIO, 1974, p.79).
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O rapaz lhe telefonou?
De acordo com Ribeiro (2003), as palavras da Língua Portuguesa podem ser subdivididas em:
vocábulos formais variáveis,
vocábulos formais invariáveis.
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Os vocábulos formais variáveis podem ser exemplificados pelas seguintes classes de palavras:
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	Vocábulos formais variáveis	
	Substantivo 	Menino, meninas
	Verbo 	Canto, cantas
	Artigo 	O, as, os, as, um, uma...
	Adjetivo 	Fácil, difícil 
	Pronome 	Meu, seu, sua
	Numeral 	Dois, primeiro, dobro
Os vocábulos formais invariáveis podem ser exemplificados pelas seguintes classes de palavras:
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	Vocábulos formais variáveis	
	Advérbio 	Calmamente, não, talvez...
	Preposição 	A, até, desde, para...
	Conjunção 	E, nem, mas também...
	Interjeição	Oh! Ah! Vixi!
 Primeira articulação da linguagem: ou morfologia
O segmento fônico se associa a uma significação léxica ou gramatical, o vocábulo formal é a contraparte do vocábulo fonológico.
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Se a morfologia é o estudo da forma, as palavras, sob essa perspectiva, podem ser agrupadas e analisadas em:
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formas livres, 
formas presas,
formas dependentes.
Formas livres
São aquelas que podem constituir, isoladas, um enunciado suficiente para a comunicação.
 Ex.: lei.
Formas presas 
São aquelas que não são suficientes para, sozinhas, constituírem um enunciado. 
Ex:. pro (de proscrever), trans ( de transcrever). 
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Formas dependentes
São considerados os artigos, preposições, algumas conjunções e os pronomes oblíquos átonos.
 Ex.: o rapaz, diga-me, preciso de ajuda.
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Segunda articulação da linguagem: ou fonologia
A divisão mínima na segunda articulação da língua é a dos sons vocais elementares, que podem ser vogais ou consoantes.
O estudo dessa primeira divisão chamou-se fonética. Criou-se, mais tarde, o conceito de fonema ao lado do som vocal elementar.
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Cada fonema ou conjunto de traços distintivos opõe entre si as formas da língua, que o possuem, em face de outras formas, que não o possuem, ou possuem em seu lugar outro fonema.
Vejamos os exemplos:
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Ala, vala, vela, vê-la, vila
Saco, soco, suco
Morfologia Portuguesa
Rozangela Nogueira 
de Moraes
Atividade 2
Oficina
Aprendiz de poeta,
Vou tecendo meu verso
Com os fios da esperança
E as vozes da memória.
Tecelã do irreal,
Projeta a realidade
Nas tramas da palavra.
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Na aspereza das fibras,
O ressonar do rio
E a ciranda dos heróis.
Na superfície intacta,
O voo livre do pássaro
Descreve o infinito.
LAROCA, Maria Nazaré de. Sem cerimônia. Juiz de fora. Edição do autor, 1985. 2 ed., 2000.
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Identifique, nos exemplos retirados do poema, os fenômenos da flexão e derivação.
a) esperança (esperar)
b) vozes (voz)
c) tecelã (tecelão)
d) irreal (real)
e) realidade (real)
f) aspereza (áspero)
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