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MACHADO DE ASSIS
Considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis escreveu 
peças de teatro, crônicas, contos, poemas, mas se destacou com seus romances. Um 
representante clássico do Realismo literário, Machado criou personagens complexos 
com ricos dramas psicológicos. 
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento em 1839, era mulato, 
pobre, padecia de epilepsia e aprendeu sozinho quase tudo que sabia. Começou na 
literatura como poeta em 1864 e nunca deixou de escrever poemas. Inspirado pelo 
amigo José de Alencar, passou a escrever crônicas, o que fez entre 1859 e 1904. Além 
das crônicas, publicou em jornais críticas de teatro, literatura e ensaios sobre arte. 
Também publicou contos em jornais de teor diverso, indo do sentimental ao sisudo.
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Os primeiros romances, com influência romântica, traziam personagens que desejam 
ascender socialmente. Podemos, por isso, dizer que Machado de Assis teve uma breve 
fase romântica, até 1880, escrevendo romances e contos sóbrios, com personagens 
esféricos; e uma fase realista, com início em 1881, na qual se consagrou pintando um 
rico retrato da sociedade brasileira e, em especial, carioca do final do século XIX. 
Em suas obras da fase realista, Machado faz uma profunda análise psicológica dos 
personagens, que são bastante complexos e verossímeis, explorando jogos de interesse 
e segundas intenções. Por isso, há certo pessimismo em relação ao ser humano. Por 
conta destas características, é possível dizer que as obras de Machado apresentam um 
microrrealismo psicológico, ao contrário de Eça de Queirós, e um macrorrealismo social, 
ou seja, um estudo da realidade social brasileira.
Considera-se que Machado de Assis escreveu uma 
trilogia de brilhantes romances realistas:
Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 
1881, choca logo no início ao trazer um defunto-autor 
(não autor-defunto!), ou seja, um morto escrevendo 
sobre suas memórias de anti-herói.
Narrado em tempo psicológico, traz diversas inovações 
estilísticas, como este capítulo em que o leitor preenche 
o diálogo em sua mente:
Capítulo LV 
O velho diálogo de Adão e Eva 
BRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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José de Alencar 
Volume dedicado pelo próprio autor à
Fundação Biblioteca Nacional
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isBRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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BRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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BRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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BRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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BRÁS CUBAS 
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VIRGÍLIA 
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Quincas Borba, de 1891, traz como título o nome de um personagem do livro anterior, 
personagem este que cria a teoria do Humanistimo, à moda de Darwin, mas resumido 
pelo lema “ao vencedor, as batatas!”. O protagonista Rubião torna-se herdeiro da 
fortuna, do cão e da filosofia de Quincas Borba. Ingênuo e rico, ele é a vítima perfeita 
para ser iludida por uma promessa de carreira política e também pela sagaz Sofia.
Dom Casmurro, de 1899, é considerado por muitos a obra-prima da literatura brasileira. 
Muito além da questão até hoje debatida - Capitu traiu ou não Bentinho? - o livro traz 
um narrador pouco confiável - o próprio Bentinho - e uma série de críticas à sociedade, 
ao machismo, à valorização das aparências e à vaidade masculina. A ironia refinada e 
humor sutil do autor estão presentes nos títulos irônicos dos capítulos de Dom Casmurro. 
Leia um trecho de Dom Casmurro, em que Bentinho, já idoso, fala sobre si e sobre seus 
amigos com muita ironia:
“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. 
Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, 
a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou 
menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está 
é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas 
conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não aguenta tinta. Uma 
certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os 
documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos 
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is os antigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto às amigas, algumas datam 
de quinze anos, outras de menos, e quase todas creem na mocidade. Duas ou três fariam 
crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal 
frequência é cansativa.”
Na obra de Machado está muito presente a digressão, a narração com interrupções 
para conversa com o leitor e inserção de impressões do narrador. O narrador também 
usa metalinguagem, comentando a própria obra com o leitor - chamado assim de “leitor 
incluso”. Há muitos flashbacks - recurso também chamado de analepse - e o enredo em 
geral é elíptico, com avanços na trama e voltas ao passado. Essas características fazem 
de Machado de Assis um realista atípico, pois os realistas típicos usam narradores-
observadores que não interferem na história.
Pode-se perceber grande intertextualidade, com referências, algumas vezes implícitas, 
a outras obras. Pegue o nome do protagonista de Dom Casmurro, por exemplo: Bento 
Santiago. Bento faz referência à bênção, enquanto o sobrenome Santiago traz dentro 
de si a palavra Santo e o nome Iago, personagem da obra de Shakespeare que influencia 
Otelo a tomar más decisões.
Capitu e Bentinho na minissérie “Capitu”
Otelo e Lago

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