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UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Pedagogia Franciele da Silva Luna Ruth Andre Silva PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA: O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE ALFABETIZAÇÃO NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL LINS-SP 2013 FRANCIELE DA SILVA LUNA RUTH ANDRE SILVA PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA: O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Pedagogia, sob a orientação da Profª Drª Adriana Monteiro Piromali Guarizo e orientação técnica da Profª Ma Fátima Eliana Frigatto Bozzo. LINS-SP 2013 DEDICATÓRIA Dedico o presente trabalho à minha filha Gabriele, que é o alicerce que me ofereceu todas as forças necessárias para completar esta etapa de suma importância, em minha vida. Dedico, também, a meus familiares e amigos, especialmente a meus pais, pelo estímulo, dedicação e compreensão depositados em mim, assim como minha companheira Ruth que se tornou grande merecedora desta dedicatória, por estar ao meu lado em cada barreira deparada, sabendo a hora e o momento certo de nos reerguermos. Franciele da Silva Luna DEDICATÓRIA Dedico o atual trabalho a todos os meus familiares, especificamente a meus pais, pois não mediram esforços para me ajudar a alcançar meu objetivo. Também ofereço ao meu namorado Tiago, que me compreendeu em todos os momentos atribulados pelos quais passei, dando-me força e coragem para não desistir. A minha companheira Franciele, que não hesitou em dar seu melhor para o enriquecimento de nosso trabalho. Aos membros da igreja Cristo é Vitória, tal como as crianças, que de uma forma ou de outra tiveram sua participação nesse início de minha carreira profissional. E a todos que direta ou indiretamente me acompanharam nessa trajetória. Ruth André Silva AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente, e acima de tudo, a Deus, pois, sem a luz posta sobre mim, que iluminou toda a minha longa caminhada, não teria como obter forças para chegar até aqui. Obrigada, meu Deus, por iluminar minha vida e me encorajar a ultrapassar todos os obstáculos encontrados. Bem como o apoio de meus pais, que acreditaram em mim e atravessaram todas as barreiras comigo, uma vez que suas palavras pacientes e perseverantes soaram magicamente aos meus ouvidos e, ao longo dos dias, fizeram com que todos os contratempos desaparecessem. Amo muito vocês, vocês são a fonte da minha vida. Agradeço, do mesmo modo, a minha companheira Ruth, que junto comigo se esforçou para dar o melhor de si, em cada página deste trabalho. Juntas, nos reerguemos quando foi necessário. Nunca alguma coisa cessou a nossa força de vontade de fazer tudo o que estava ao nosso alcance. Merecedores de meus méritos também são vocês, meus mestres, que sempre que precisei vocês estavam disponíveis a me auxiliar, contribuindo com seus ensinamentos. Agradeço por investirem em mim. Obrigada, igualmente, minha filha, que apesar de ser tão pequena, indiretamente auxiliou para me alegrar, me restaurar e me animar para continuar meu percurso. A mamãe te ama muito. Por fim, gratifico, da mesma maneira, a minha orientadora Adriana Guarizo que se tornou de suma importância para a confecção desta pesquisa. Obrigada por todo o suporte oferecido para aprimorar este trabalho. Meus cordiais agradecimentos a todos vocês. Franciele da Silva Luna AGRADECIMENTOS Quero agradecer primeiramente Aquele que é digno de toda honra, de toda glória e louvor, pois me deu a imensa graça de chegar até aqui vitoriosamente. Obrigada Senhor pelas bênçãos vinda dos céus, que me acompanharam e, creio que, me seguirão todos os dias da minha vida. Eu te amo Jesus e sempre carregarei dentro de mim essa gratidão, porque tudo o que tenho e tudo o que sou vem de Ti. Agradeço também a meus familiares, e em especial meus pais que oraram por mim, e sempre declararam palavras sabias e confortantes nos momentos dificultosos. Amo vocês. A minha irmã Débora e ao meu irmão Daniel que sempre me incentivaram e se disponibilizaram quando mais precisei. Peço a Deus que recompense a vida de vocês. Sou grata a meu namorado Tiago que me ajudou com palavras de carinho e amor, me fortalecendo com orações. Obrigada amor pela atenção e paciência durante todo o tempo. Amo muito você. Aos irmãos da igreja Cristo é Vitória que sempre se preocuparam e se colocaram a disposição. Obrigada pelas orações. Agradeço a minha companheira Franciele, que sempre esteve ao meu lado, preocupando-se e me ajudando, durante todo o percurso de nosso trabalho, não esmorecendo em meio às circunstâncias difíceis, mas pelo contrário me impulsionou a, juntas, completarmos nosso trabalho. À minha orientadora Adriana Monteiro Piromali Guarizo, que lapidou todo o nosso trabalho com a finalidade de hoje apresentá-lo com êxito. Da mesma forma reconheço a meus mestres, que me ensinaram com suas experiências, lançando sempre palavras frutíferas. Meus sinceros agradecimentos a todos. Ruth André Silva EPIGRAFE “Preste atenção no que lhe ensinam e aprenda o mais que puder” (Provérbios 23.12) RESUMO Considerando que a alfabetização assume um papel de suma importância na vida social de qualquer ser humano, o presente trabalho buscou resgatar a gênese do sistema gráfico, intencionando provar a relevância deste, para que posteriormente houvesse a focalização em como são estruturados, na mente humana, essa representação. Assim, diante das diversas temáticas que seguem a história da alfabetização, almeja-se com esta pesquisa trazer à tona questões referentes à prática pedagógica, argumentando que a forma como se ensina, muitas vezes, não está de acordo com a maneira com que se aprende. Embasado no conceito de que o aluno é capaz de construir seu próprio conhecimento, este trabalho objetivou analisar se o professor oportuniza ao educando situações de ensino-aprendizagem de alfabetização que são capazes de levá-lo a construir seu próprio conhecimento, de forma ativa e autônoma; descrever os métodos alfabetizadores existentes; refletir sobre os estudos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky em relação à alfabetização; e por fim analisar como se efetiva o processo de alfabetização na sala de aula. A metodologia adotada por esta pesquisa fundamentou-se em análises bibliográficas, assim como em dados coletados por meio de questionários direcionados aos professores e alunos do 1º ano do ensino fundamental, estes obtidos durante a pesquisa de campo, no qual, sucessivamente, realizou-se a análise qualitativa. Indagou-se, nesse trabalho, quais as concepções dos educadores referente à como ocorre o processo de alfabetização, assim como em qual perspectiva eles se fundamentam em sua prática pedagógica e se esses educadores oportunizam situações de ensino e aprendizagem de leitura e escrita que permita, ao aluno, construir seu próprio conhecimento. Intencionou-se, por meio do questionário direcionado aos alunos, a comprovação das afirmações de seus respectivos professores. Pode-se comprovar, por meio da comparação dos questionários que todos os professores utilizam alguns aspectos contidos na Psicogênese da língua escrita, de Ferreiro e Teberosky, entretanto, ainda, há indícios de que o ensino das escolas pesquisadas permanece embasado em metodologias tradicionais. Concluiu-se, assim a significância da perspectiva abordada à prática pedagógica, assim como a necessidadedos educadores se aprofundarem, ainda mais, nos pensamentos de Ferreiro e Teberosky no que concerne à visão do aluno como ser ativo em seu processo de aprendizagem sobre alfabetização. Palavras chaves: Alfabetização. Métodos alfabetizadores. Psicogênese da língua escrita. ABSTRACT Considering that literacy plays an extremely important role in the social life of any human being, the present study aimed to rescue the genesis of the graphics system, intending to prove the relevance of it later. There was a focus on like it is structured in the human mind and its representation. Thus, given the diverse issues concerning the history of literacy, the concerning is, with this research, give importance to issues related to teaching practice, in order to propose a discussion that is often on the way we teach is not according to the way like to learn. Based on the concept that the students are able to construct their own knowledge, this study aimed to analyze if the teacher gives opportunity to the student on teaching-learning situations literacy that are able to take you to build your own knowledge actively and autonomously, describing the methods existing literacy; reflected on studies of Emilia Ferreiro and Ana Teberosky in relation to literacy, and finally analyze as effective the process of literacy is in the classroom. The methodology adopted for this research was based on analysis of specific literature, as well as on data collected through questionnaires addressed to teachers and students of the 1st year of elementary school where they obtained during the field research, in which successively held qualitative analysis. For this work, which the conceptions of educators was to like the process occurs literacy, as well as what perspective they are based on their teaching and educators nurture these situations of teaching and learning of reading and writing that permit, the student to construct their own knowledge .Through the questionnaire given to the students, to prove the assertions of their teachers. It can be proved, by comparing the questionnaires that all teachers use some aspects contained in the Psychogenesis of Written Language, by Ferreiro and Teberosky. However, there is evidence that the teaching of the schools surveyed remains grabbed in traditional methodologies. It was concluded, therefore, the significance of perspective addressed in the pedagogical practice, as well as the need for educators to delve even further into the thoughts Ferreiro and Teberosky regarding the vision of the student as being active in the process of learning and literacy. Keywords: Literacy. Literacy methods. Psychogenesis of Written Language. LISTA DE FIGURAS Figura 1; 2; 3: Primeiro nível de escrita ............................................................ 36 Figura 4; 5: Segundo nível de escrita ............................................................... 37 Figura 6; 7: Terceiro nível de escrita ................................................................. 38 Figura 8: Quarto nível de escrita ....................................................................... 39 Figura 9: Quinto nível de escrita ....................................................................... 40 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Resposta da pergunta nº 1 dos professores e dos alunos .............. 53 Quadro 2: Resposta da pergunta nº 2 dos professores .................................... 55 Quadro 3: Resposta da pergunta nº 3 dos professores e nº 2 dos alunos ........ 57 Quadro 4: Resposta da pergunta nº 4 dos professores .................................... 60 Quadro 5: Resposta da pergunta nº 5 dos professores .................................... 62 Quadro 6: Resposta da pergunta nº 6 dos professores e nº 3 dos alunos ........ 64 Quadro 7: Resposta da pergunta nº 7 dos professores e nº 4 dos alunos ........ 66 Quadro 8: Resposta da pergunta nº 8 dos professores e nº 5 dos alunos ....... 69 Quadro 9: Resposta da pergunta nº 9 dos professores e nº 6 dos alunos ........ 71 Quadro 10: Resposta da pergunta nº 10 dos professores ................................ 73 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Resposta nº 1 dos professores ......................................................... 84 Tabela 2: Resposta nº 2 dos professores ......................................................... 84 Tabela 3: Resposta nº 3 dos professores ......................................................... 84 Tabela 4: Resposta nº 4 dos professores ......................................................... 85 Tabela 5: Resposta nº 5 dos professores ......................................................... 85 Tabela 6: Resposta nº 6 dos professores ......................................................... 86 Tabela 7: Resposta nº 7 dos professores ......................................................... 86 Tabela 8: Resposta nº 8 dos professores ......................................................... 87 Tabela 9: Resposta nº 9 dos professores ......................................................... 87 Tabela 10: Resposta nº 10 dos professores ..................................................... 88 Tabela 11: Resposta nº 1 dos alunos ............................................................... 89 Tabela 12: Resposta nº 2 dos alunos ............................................................... 89 Tabela 13: Resposta nº 3 dos alunos ............................................................... 89 Tabela 14: Resposta nº 4 dos alunos ............................................................... 90 Tabela 15: Resposta nº 5 dos alunos ............................................................... 90 Tabela 16: Resposta nº 6 dos alunos ............................................................... 90 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................ 13 CAPÍTULO I – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA LEITURA E DA ESCRITA 16 1 SURGIMENTO DA ESCRITA ......................................................... 16 2 MÉTODOS ALFABETIZADORES TRADICIONAIS ....................... 18 2.1 Métodos sintéticos ........................................................................... 20 2.2 Métodos analíticos .......................................................................... 23 3 CARTILHAS ALFABETIZADORAS ............................................... 25 CAPÍTULO II – PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ALFABETIZAÇÃO ................................................................... 28 2 UMA PERSPECTIVA INOVADORA ............................................... 28 3 REFERÊNCIAS CONCEITUAIS ..................................................... 28 3.1 O olhar construtivista ...................................................................... 29 3.2 Contribuições de Piaget ................................................................. 30 4 NÍVEIS DE LEITURA ...................................................................... 33 5 NÍVEIS DE ESCRITA ...................................................................... 34 6 A SONDAGEM ................................................................................ 42 7 INTERAÇÕES COMO INSTRUMENTO AUXILIADOR NA APRENDIZAGEM .................................................................................. 43 7.1 Interação grupal .............................................................................. 44 7.2 Professor mediador ......................................................................... 45 7.3 Ambiente alfabetizador .................................................................... 46 8 CONSEQUÊNCIAS GERADAS PELA PESQUISA ........................ 48 CAPÍTULO III - A PESQUISA ................................................................. 51 3 A METODOLOGIA.......................................................................... 51 4 O RESULTADO .............................................................................. 52 CONCLUSÃO .......................................................................................... 76 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 78 APÊNDICES ............................................................................................ 80 13 INTRODUÇÃO A literatura especializada, muitas vezes, tem apontado para o fato de que parte dos educadores possui uma visão distorcida sobre qual deve ser a posição do aluno, no processo de aquisição do sistema de escrita alfabética, desmerecendo a capacidade que este tem para assumir uma postura ativa, diante do processo de leitura e escrita. Diante disto, para efetivar o conhecimento sobre o sistema alfabético, o aluno não precisa simplesmente de ensinamentos externos, mas sim de oportunidades para colocar à prova suas próprias elaborações, acerca do sistema notacional. Desta forma, justifica-se a relevância deste estudo, que buscou ressaltar a importância da alfabetização, em um mundo letrado como o atual, considerando que, apesar de todo este valor, há aqueles alunos que não conseguem dominar o sistema de leitura e escrita, deste modo, o foco desta pesquisa buscou priorizar, mais do que o produto final do percurso da alfabetização, o processo gradual percorrido pela criança. Da mesma forma, torna-se pertinente acentuar que levar em conta como são estruturados os pensamentos dos educandos sobre a leitura e a escrita é um aspecto indispensável para se atingir o êxito educacional. Diante da importância da alfabetização à sociedade, a pesquisa objetiva analisar se o professor oportuniza ao educando situações de ensino e aprendizagem de alfabetização que são capazes de levá-lo a construir seu próprio conhecimento, de forma ativa e autônoma; descrever os métodos alfabetizadores existentes; refletir sobre os estudos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky em relação à alfabetização e, por fim, analisar como se efetiva o processo de alfabetização na sala de aula. Para elucidar este trabalho, a problemática que incitou esta pesquisa se fundamentou na indagação de se as crianças que se encontram no primeiro ano do ensino fundamental têm tido oportunidades para expressarem suas hipóteses, acerca do processo de leitura e escrita, uma vez que, levando em consideração os diferentes métodos utilizados pelos professores que se encontram na série inicial do ensino fundamental, percebe-se que, muitas vezes, não é oferecida à criança a chance para manifestação de seus saberes, provenientes de suas vivências sociais. Em vez disso, o professor valoriza o 14 treino e a memorização, de forma descontextualizada da realidade natural do aluno. A metodologia deste trabalho se baseou em pesquisas bibliográficas referentes ao assunto tratado, bem como em coletas de dados obtidos por meio de um questionário realizado por 10 professores e 20 alunos do primeiro ano do ensino fundamental, durante a pesquisa de campo. Estes dados, posteriormente, foram analisados mais atentamente, mediante a análise qualitativa, para que, em consequência disto, se atingisse um compreendimento detalhado das informações coletadas. Para explicitar o trabalho, o primeiro capítulo, intitulado “Evolução histórica da leitura e da escrita”, aponta a evolução da escrita, bem como sua relevância, desde seu surgimento na pré-história até a elaboração do sistema que hoje se tem conhecimento. Deste modo, nota-se a imprescindibilidade de a escola ter assumido o legado de ensinar globalmente todas as peculiaridades do processo de representação da língua escrita, entretanto, para exercer este ofício, a escola lançou mão de metodologias que traziam fórmulas prontas para o ensino da alfabetização, ignorando a subjetividade de cada educando. Em contraposição a estes pensamentos empiristas, o segundo capítulo, cujo título é “Psicogênese da língua escrita: Contribuições para alfabetização” reflete o lançamento de uma nova ótica pedagógica, baseada nas pesquisas de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, publicadas no livro Psicogênese da língua escrita, no qual, pela primeira vez, é priorizado o ponto de vista do sujeito que aprende, frisando que o aluno traz, de suas vivências, uma bagagem sobre o mundo letrado que o rodeia, sendo capaz de operar, alicerçando-se em seu próprio raciocínio. Vale salientar que esta tese não é mais uma metodologia, mas sim uma perspectiva teórica, que serve como norteamento para o trabalho educacional, visto que considera a criança como construtora ativa de seu próprio conhecimento. Por fim, o terceiro e último capítulo, “A pesquisa”, baseou-se no ato de buscar, nas escolas, elementos referenciais sobre o que, de fato, orienta a prática pedagógica de professores do primeiro ano do ensino fundamental. Almeja-se, portanto, que este trabalho de Conclusão de Curso auxilie o processo alfabetizador, de modo a proporcionar aos profissionais docentes um enriquecimento de seus conhecimentos teóricos, para que possam, cada vez 15 mais, ter uma prática pedagógica eficaz que não desconsidere o aluno. 16 CAPÍTULO I EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA LEITURA E DA ESCRITA 1 SURGIMENTO DA ESCRITA A leitura e a escrita são habilidades muito importantes em um mundo letrado como o atual, pois é a partir deste tipo de comunicação que o ser humano se torna capaz de registrar suas próprias informações e ideias, assim como abstrair novos conceitos através do pensamento de outras pessoas, uma vez que A escrita, sistema simbólico que tem um papel mediador na relação entre sujeito e objeto de conhecimento, é um artefato cultural que funciona como suporte para certas ações psicológicas, isto é, como instrumento que possibilita a ampliação da capacidade humana de registro, transmissão e recuperação de ideias, conceitos, informações (OLIVEIRA, et al. 2002, p.63). Como se pode observar, os primeiros registros deram vazão a uma nova maneira de se viver, abrindo caminhos para interações sociais e alargando o conhecimento humano. A escrita serviu, ainda, como um dispositivo capaz de marcar graficamente mensagens para uma comunicação a distância, assim como um documento para resgatar concepções já adquiridas, pois, para Oliveira, A escrita seria uma espécie de ferramenta externa, que estende a potencialidade do ser humano para fora do seu corpo: da mesma forma que ampliamos o alcance do braço com o uso de uma vara, com a escrita ampliamos nossa capacidade de registro, de memória e de comunicação (2002, p.63). Diante disso, pode-se deduzir que, a partir do momento que o ser humano domina a escrita, este passa a expandir seus conceitos, por meio de registros, para o meio no qual está inserido. Conforme salienta Barbosa, a escrita, [...] vai surgir pela primeira vez no mundo antigo, num momento histórico caracterizado pelo desenvolvimento simultâneo de uma série de elementos diversos, a que chamamos civilização [...] Observando os fatores geográficos, sociais e econômicos que conduzem ao desenvolvimento de uma civilização, notamos que o complexo de condições que se origina nesse momento histórico não poderia funcionar se não existisse a escrita (1994, p.34). Como se pode observar, para o autor, a civilização se expandiu junto ao surgimento da escrita. Segundo o exposto, o notável desenvolvimento que 17 aprimorou a situação social da era só foi possível graças ao aparecimento dessa nova marca gráfica. Ou seja, a evolução de uma civilização não seria possível sem os benefícios e auxílios do registro, mas também, a escrita não se fortaleceria em um mundo não civilizado. Vale salientar que, apesar de a comunicação escrita se estabelecerno mundo antigo, na era pré-histórica já existia a preocupação do homem primitivo em reproduzir mensagens e registrar conceitos originando o início de um sistema de representação. Torna-se pertinente mencionar que O homem, através dos tempos, vem buscando comunicar-se com gestos, expressões e com a fala. A escrita tem origem no momento em que o homem aprende a comunicar seus pensamentos e sentimentos por meio de signos (BARBOSA, 1994, p.34). Nota-se, portanto, que antes da eclosão da civilização já surgiam indícios de uma comunicação estabelecida simbolicamente. Graças a capacidade do homem em transpor suas ideias em signos, emergiu-se assim, traços baseados na implantação de uma unidade linguística que englobava um significante e um significado. Gradativamente, o homem se empenhou em aperfeiçoar esses signos, objetivando estabelecer uma comunicação clara que estivesse ao alcance de todos. Diante da exigência de se instaurar uma comunicação compreensível, Cócco e Hailer (1996, p.16) frisam que esta necessidade “[...] deu origem aos primeiros pictogramas com intenção expressa de comunicar, embora esses desenhos primitivos não assegurassem uma mensagem precisa para seus semelhantes”. Percebe-se, assim, que na era pré-histórica, o homem aprendeu a comunicar seus pensamentos e sentimentos reproduzindo traços gráficos. No entanto, tais correspondências, muitas vezes, não transmitiam uma mensagem precisa para o discernimento da comunicação, o que resultou uma preocupação em relação ao aprimoramento da representação gráfica. Ainda segundo os autores supracitados surgem, então, os primeiros pictogramas, utilizados para representar palavras por meio de desenhos, atribuindo um significado para cada um deles. Aos poucos, estes sinais evoluíram para a escrita cuneiforme, em que o significante não se assemelhava ao objeto descrito (CÓCCO; HAILLER, 1996). Todavia, notou-se que estes sinais não eram suficientes para expressar a imensidão de conceitos 18 existentes. Observa-se, portanto, que embora a escrita tenha se evoluído neste período, seu aperfeiçoamento ainda não dava conta de expressar com totalidade as informações. A partir disso, Iniciou-se um processo de junção de duas unidades de escrita para representar uma terceira. O mesmo ocorreu com a representação de gestos e outros tipos de analogias, todos com a finalidade de especificar a mensagem (CÓCCO; HAILLER, 1996, p.17). Como se pode observar, houve a introdução de uma representação mais elaborada para abranger a diversidade de objetos e pensamentos que há no mundo, em que para se representar um conceito utilizavam-se duas unidades de escrita diferentes que resultava na interpretação desse primeiro. Contudo, segundo Cócco e Hailler (1996), ainda assim, ocorria certa dificuldade em registrar palavras abstratas e nomes pessoais, que só pode ser superada com uma notação gráfica da fala. Durante esse processo, progrediu- se a escrita alfabética. Diante desta constatação, observa-se que os desenhos iniciais se sofisticaram até alcançar um sistema que envolvia elementos que correspondessem a fala, sendo um marco de herança cultural. Logo, deduziu- se a importância da comunicação estabelecida por meio de registros e os novos horizontes que esta expressão trouxe para a vida humana. Por mais que o ganho da viabilidade de representar a fala tenha sido uma grande conquista, persistiu-se a necessidade de lapidar a escrita, da mesma forma que houve a preocupação de todos usufruí-la em sua totalidade. A partir desta visão, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky iniciam um estudo com o objetivo de desvendar como a criança pensa, em relação ao sistema de escrita alfabética, uma vez que os métodos tradicionais existentes não se comprometiam em considerar este fato. Sendo assim, as estudiosas passaram a repensar a prática escolar de alfabetização, comparando a disparidade de crianças de classes sociais diferentes, focando o aluno como um ser capaz de pensar sobre o mundo letrado em que se encontra, independente de suas condições financeiras. 2 MÉTODOS ALFABETIZADORES TRADICIONAIS 19 Em contrapartida ao pensamento de Ferreiro e Teberosky (1999), o ensino sobre leitura e escrita até o momento trazia um saber pré-fabricado, advindo dos métodos alfabetizadores. Os educadores da época buscavam a melhor solução para a aprendizagem de seus alunos, ou seja, o melhor método que garantisse um estudo preciso e fragmentado, entretanto, o sucesso escolar de algumas crianças era insatisfatório. Ferreiro e Teberosky acreditavam que, Tradicionalmente, conforme uma perspectiva pedagógica, o problema da aprendizagem da leitura e da escrita tem sido exposto como uma questão de métodos. A preocupação dos educadores tem-se voltado para a busca do “melhor” ou “mais eficaz” deles [...] (1999, p.21). Partindo deste pressuposto, deduz-se que a preocupação dos professores se focava na procura de uma didática que o satisfizesse, sendo que o docente era considerado o responsável pelo processo de ensino e aprendizagem. Em momento algum o aluno era visto como o protagonista deste percurso. Segundo Morais, Criados desde a antiguidade, mas, sobretudo, a partir do século XVIII, os métodos tradicionais de alfabetização que conhecemos, apesar das diferenças que aparentam, têm uma única e comum teoria de conhecimento subjacente: a visão empirista/associacionista de aprendizagem (2012, p.27). O autor quis retratar neste discurso que as metodologias seguiam pensamentos diferentes, porém, enxergavam o meio como o informante que interferia significativamente no êxito escolar, no qual o aprendiz a partir dos conhecimentos, emitidos pelo educador, faria, então, associações de ideias. Desta maneira, A aprendizagem é vista como um processo de simples acumulação das informações recebidas do exterior, sem que o sujeito precisasse, em sua mente, reconstruir esquemas ou modos de pensar, para poder compreender os conteúdos (sobre letras e sons) que alguém (a escola, a professora) estava lhe transmitindo (MORAIS, 2012, p.27). Diante do exposto, nota-se que o aprendiz está posto sob uma entrega de conhecimento fornecido pelo professor através de repetições e memorizações de conteúdo didático. A aprendizagem era vista como um acúmulo de informações recebidas do ambiente, sem que a criança necessitasse pensar e compreender aquilo que lhe era transmitido. As atividades propostas eram extremamente limitadas e pouco reflexivas. Partindo desta ideia, deduz-se que o educador tradicional acreditava que ele era a única fonte que forneceria conhecimento. Agindo assim como um transmissor de 20 informações. Posto isto, os docentes lançavam mão de alguns métodos alfabetizadores que, de acordo com Ferreiro e Teberosky (1999), se dividem em dois grupos. No primeiro, denominado métodos sintéticos, a aprendizagem parte dos elementos mínimos num processo que consiste em ir das partes ao todo, e em contrapartida encontram-se os métodos analíticos que se iniciam com unidades maiores e posteriormente estas unidades são fragmentadas. Firma-se assim que a diferença de tais métodos centra-se na gênese do aprendizado, e terá sempre uma disputa sobre o que o aprendiz deveria aprender inicialmente, unidades linguísticas menores ou maiores, pressupondo a criança como passiva, que espera a escolha do professor que irá lhe transferir o conhecimento de leitura e escrita. 2.1 Métodos sintéticos. Seguindo a concepção de partir das unidades menores, os métodos de marcha sintética se fundamentam na correspondência entre o oral e o escrito. Seu processo consiste em iniciar o ensino partindo das unidades linguísticas mínimas, as letras, e em uma evolução acumulativa, ir somando as partes para poder “codificar” ou “decodificar” os elementos maiores, o texto. Segundo Feil no processo dealfabetização contido neste método, Ensina-se partindo das letras (ou sons) para a criança formar sílabas e só mais tarde formar palavras, e, o pior, palavras que só tem função de fixar as letras estudadas. São apresentadas de uma forma isolada. A criança permanece horas repetindo uma letra, ou uma sílaba, até chegar a memorização. Ler, para estes métodos, significa decifrar. Esses elementos (sons, sílabas e até mesmo palavras) nada têm a ver com o sentido e, por outro lado, sabemos que o indivíduo que não souber o sentido das palavras e só souber decifrar ainda não aprendeu a ler (1987, p.27). Considera-se assim, que esta ideologia, dos métodos sintéticos, parte de palavras que não apresentam função social, imaginando que a utilização desses escritos usuais e de fácil memorização, seria a melhor maneira para as crianças aprenderem, visto que esse método trabalha a repetição de elementos isolados. Por se utilizar palavras carentes de sentido real, o aluno não consegue compreender aquilo que decifra. Consequentemente, não há apelo à criatividade e ao raciocínio, pois a criança trilha os caminhos pré-concebidos 21 pelo educador. Morais (2012) aponta que são encontrados dentro dessa perspectiva métodos de soletração, que parte o ensino de leitura e escrita do nome das letras; fônico que se inicia nos sons correspondentes às letras; e de silabação no qual se introduz, inicialmente, as sílabas. Deste modo, às crianças são ensinadas a leitura e escrita, a partir da apresentação dos nomes ou dos sons das letras, ou das silabações para poderem formar palavras, sempre levando em consideração uma ordem crescente de dificuldade. Somente depois de algum tempo, elas entrariam em contato com pequenos textos. Vale ressaltar que, Por trás dos métodos alfabéticos (“B com A, BÁ”, “B com E, BÉ” etc.) existe a crença de que o aprendiz já compreenderia que as letras substituem sons e que, memorizando “casadamente” os nomes das letras, ele poderia ler sílabas. Depois de aprender muitas sílabas, o principiante veria que, juntas, elas formariam palavras e ...um dia ele leria textos (MORAIS, 2012, p.29). Sob este discurso, o método alfabético centra-se em decorar as letras do alfabeto e seus nomes, contudo o educando já deveria ter conhecimento de que cada marca gráfica substitui uma pauta sonora, o que por sua vez não ocorre. Assim, passando por um longo processo de repetições de leitura de sílabas, a criança aprende que a junção destas constituem as palavras. A partir desse momento, é introduzida à leitura de sentenças curtas e, somente em um momento posterior, há o contato com pequenos textos. Vale ressaltar que as maiores críticas a esse pensamento são centradas à repetição dos exercícios, tornando o meio escolar tedioso e cansativo, além de não considerar os conhecimentos do próprio aluno. Ao contrário do método alfabético, que parte do nome das letras, no método fônico, firma-se o pensamento de que o ensino da leitura e da escrita deva partir dos fonemas das letras. Capovilla e Capovilla apontam que, no método fônico, “A habilidade de discriminar e manipular os segmentos da fala é um quesito fundamental para a aquisição de leitura e escrita.” (2002, p.88). Diante desse argumento, a criança deveria dominar o som de cada correspondência, agrupando-os de modo a formar sílabas. Desta maneira, somente assim o aluno conseguiria ser capaz de alcançar o sistema de escrita alfabética. Neste caso, seguindo os pensamentos de Alessandra G. S. Capovilla e 22 Fernando C. Capovilla (2002), o professor, deve explicitar ao educando não somente o nome das letras, mas também os seus sons. A introdução das letras segue um grau de dificuldade. Inicialmente, são apresentadas as vogais, por haver uma semelhança do nome ao fonema. Posteriormente, mostram-se consoantes que são de fácil pronuncia e regulares como F, J, M, N, V, e Z. Dando prosseguimento, são ensinadas as consoantes de fácil pronúncia, mas que são irregulares, como L, S, R, e X. Após o aprendizado das consoantes facilmente pronunciáveis, são introduzidas as consoantes consideradas de emissão sonora mais difícil, como B, C, P, D, T, G e Q. Por fim, os alunos aprendem o som da letra H e somente depois as letras K, W e Y. Como se pode perceber, o método não trabalha a sequência do alfabeto, pois apresenta às crianças, inicialmente, as letras que são de fácil pronúncia para posteriormente introduzir o aprendizado dos sons das letras mais complexas. Decorados todos os fonemas, inicia-se a apresentação das sílabas. O método introduz o texto de forma gradual à medida que a criança consiga adquirir uma boa habilidade de fazer decodificações fonêmicas fluentemente (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2002). Observa-se, deste modo, que somente depois que os alunos conhecem cada fonema, eles poderão juntá-los com a intenção de formar sílabas, já a leitura de textos, só é efetivada a partir do instante que o educando se torna hábil à decodificação de fonemas. Em contraposição aos métodos já mencionados, de acordo com Morais, na técnica silábica, [...] está a crença de que o aprendiz não só compreenderia que algumas poucas letras juntas substituem sílabas das palavras que falamos, mas que ele acreditaria que coisas escritas apenas com duas letras poderiam ser lidas. Decorando as sílabas e “juntando-as”, ele chegaria a ler palavras e ...um dia ele leria textos (2012, p.29). Entende-se, portanto, que os professores que faziam uso método silábico acreditavam que o aluno deveria ser introduzido à memorização de letras e sílabas através de exercícios repetitivos. Desta forma, o professor lança alguns exercícios de fixação das famílias silábicas para, sucessivamente, formar palavras, sem embasamento em algo concreto e real, crendo que o aprendiz traz, consigo, noções de que uma sílaba formada com poucas letras 23 pode ser lida. O trabalho escolar fica preso à leitura destas famílias silábicas durante um bom tempo, até introduzir o uso de frases pequenas com a mesma sonoridade. Somente depois, o discente teria contato com pequenos textos, mesmo assim, tais escritos são formados por repetições da mesma correspondência. Subjacente a qualquer um desses métodos sintéticos, conclui-se, portanto, que há a crença de que os educandos já teriam a capacidade de compreender as unidades menores do sistema alfabético. Dessa forma, o professor impõe atividades de cópias monótonas do gesto gráfico e memorização destes, gerando um acúmulo exaustivo de informações. 2.2 Métodos Analíticos. Não muito diferente dos métodos sintéticos, os analíticos também priorizam o professor como único conhecedor do processo de ensino e aprendizagem sobre leitura e escrita. No entanto, diferem-se por partir de elementos maiores: textos, sentenças ou palavras, para, posteriormente, subdividi-los nas unidades menores: letras. Para Morais os métodos analíticos, [...] propõem que, por razões de tipo perceptivo e motivacional, seria adequado começar com unidades maiores, que “têm significado” (palavras, frases, histórias), e, pouco a pouco, levar os alunos a analisá-las, isto é, a “parti-las em pedaços menores” (2012, p.29). Mediante essa constatação, deduz-se que os adeptos a esta concepção pensavam que o trabalho com unidades maiores que tivessem um “sentido” trariam um envolvimento mais eficaz da criança com o objeto de ensino, mas vale acentuar que este “sentido” carecia de temas reais. Posteriormente, os elementos mínimos, no caso as letras, que constituem as palavras, as sentenças e os textos seriam estudados pelas crianças. Nicolas Adam apud Feil (1987) esclareceu em 1787 uma corrente de pensamento contrária ao Método sintético, lançando as bases do Método Analítico. Segundo seus pensamentos, a alfabetização deve partir do todo, para depois passar para a decomposição, só que o todopara Adam era a palavra. Ele afirmava que, quando alguém apresenta um objeto a uma criança, como, por exemplo, uma roupa, nunca são retiradas a gola, a manga e os bolsos, para depois mostrar a roupa inteira. É mostrado o conjunto completo e 24 o nome da roupa. Deste modo, pode-se notar que o pensamento de Adam em relação ao processo de ensino de alfabetização, referia-se ao fato de possibilitar à criança o contato com as palavras, para em seguida trabalhar as letras. Em 1818, as ideias de Adam evoluíram através de Jacotot, o qual enunciou que o início do aprendizado de leitura e escrita [...] não se limita na palavra. Ele vai além, afirmando que a alfabetização deve partir de uma frase. Lança-se a frase (pois é ela que dá o verdadeiro sentido da ideia) e analisa junto à criança os elementos, destacando o mais importante, passando da análise para a síntese. (JACOTOT apud FEIL, 1987, p.31). Considera-se, assim, que, enquanto para Adam o ensino sobre leitura e escrita inicia-se na palavra, Jacotot (apud FEIL, 1987) afirma que a alfabetização deve ocorrer com base na frase, que será a geradora dos próximos estudos. Conforme Morais (2012), partindo dessas divergências, os métodos analíticos podem iniciar-se na palavra, na sentença ou nas historietas. No método de palavração, o elemento mais focado em que se introduz o ensino de leitura e escrita é a palavra. Morais (2012, p.30) menciona que, No método de palavração, durante um longo período (por exemplo, um semestre letivo), os alunos são ensinados a identificar e copiar um repertório de palavras para, só depois, começarem a partir as palavras em sílabas e as sílabas em letras ou fonemas. Compreende-se, portanto, que os alunos passam a ter contato com vocábulos que englobam todos os sons da língua e, depois da memorização de um certo número de palavras, começam a fragmentar as elocuções. Morais ressalta que no método de sentenciação, [...] a cada unidade didática ou lição, as crianças memorizam (de modo a poder a identificar e copiar) sentenças completas, para, em seguida, tratar isoladamente suas palavras e, depois, analisarem tais palavras em partes menores (sílabas, letras) (2012, p.30). Diante do exposto, nota-se que ao contrário do método de palavração que se inicia nas palavras, o de sentenciação parte das sentenças, neste caso, frases que são intencionadas para trabalhar a alfabetização, quase sempre desconectada da realidade social de cada aluno. Outro método trabalhado na metodologia analítica é o global ou dos contos, que direciona um trabalho partindo de textos. Neste método, [...] a criança seria exposta a narrativas artificiais (sem qualidade 25 literária, escritas especificamente para alfabetizar). O “grande todo”, o texto, seguiria, então, os passos do método anterior: suas frases seriam trabalhadas isoladamente e, do interior das mesmas, seriam selecionadas algumas palavras, cujas silabas ou relações fonema- grafema seriam enfocadas (MORAIS, 2012 p. 30). Como se pode constatar, o método supracitado trabalha com textos, porém, segundo o autor, carentes de qualidade, por serem narrativas curtas e artificiais, especificamente escritas para a alfabetização de crianças. Após o trabalho com este elemento, são focalizadas as frases, dentro das quais são retiradas palavras para serem estudadas mais profundamente. Nas palavras as crianças aprendem as sílabas e as letras. Apesar das singularidades de cada um dos métodos, vale acentuar que existiam tanto educadores que se apoiavam nos métodos sintéticos, quanto os que se fundamentavam nos analíticos. Entretanto, havia docentes que utilizavam as benevolências das duas metodologias, pois consideravam que, assim, alcançariam o aprendizado de forma mais rápida e eficiente. Percebe-se que, em consequência disso, não ocorria um seguimento didático, pois, ora se ensinava com os métodos sintéticos, ora com os analíticos, ocasionando assim uma ruptura no aprendizado de ambos. Para facilitar ainda mais o trabalho educacional, nos métodos tradicionais de alfabetização os educadores se apoiavam em cartilhas que serviam de referências para lecionar. Este material era pré-fabricado sem considerar a realidade de cada criança. 3 CARTILHAS ALFABETIZADORAS As cartilhas eram livros que ditavam exercícios, de acordo com determinada metodologia, para se ensinar a leitura e a escrita. De acordo com Barbosa, Cartilhas são livros didáticos infantis destinados ao período da alfabetização. Daí seu caráter transitório, limitando-se seu uso à etapa em que, na concepção tradicional da alfabetização, a criança necessita dominar um mecanismo considerado de base na aprendizagem da leitura e escrita (1994, p.54). Entende-se, assim, que este material propunha o alicerce para o trabalho com alfabetização, e o uso deste seria dispensado quando a criança se familiarizasse com a leitura e escrita, uma vez que o mesmo foi criado 26 apenas para esta etapa inicial. A cartilha apresenta um universo de leitura bastante restrito, em função mesmo de seu objetivo: trata-se de um pré-livro, destinado a um pré-leitor. A cartilha limita-se então ao ensino de uma técnica de leitura, entendendo-se essa técnica como a decifração de um elemento gráfico em um elemento sonoro. É a iniciação da criança ao mundo da escrita e, nessa iniciação, ela deve aprender a identificar os sinais gráficos (letras, sílabas, palavras) e associá-los aos sons correspondentes. A cartilha, coerente com os postulados das metodologias tradicionais, parte da crença de que, ensinando-a a decodificar e codificar, a criança aprende a ler e escrever (BARBOSA, 1994, p.54). Compreende-se, portanto, que este apoio didático se caracterizava limitadamente, devido à crença de considerar a criança como um ser que ainda seria incapaz de lidar com textos literários reais, pois precisava, antes, descobrir os elementos da escrita e associá-los para, somente depois, ser introduzida ao mundo letrado. Desta forma, esta iniciação prioriza um treino de repetição de sons e memorização de conteúdos, reduzindo a leitura e escrita a um mero código de transcrição da fala. Sendo assim, as cartilhas posicionam o professor como o ator principal e primordial no processo de ensino. O livro adota peculiaridades de cada metodologia tradicional, podendo se encontrar cartilhas sintéticas e cartilhas analíticas (BARBOSA, 1994). Apesar das divergências entre as diferentes metodologias adotadas nas cartilhas, todas seguem o mesmo sistema de escrita, em relação ao sistema oral, partindo de uma visão em que o aprendizado provém do meio e das associações realizadas por exercícios repetitivos. As cartilhas sintéticas iniciam seu trabalho com os elementos menores da língua, ou seja, com as letras ou sílabas. Conforme Barbosa estes informantes, [...] Iniciam o processo pela apresentação das vogais [...] Passa-se a seguir para as combinações das vogais com as consoantes, dirigindo- se então o ensino para o estudo das “famílias silábicas” resultantes dessas combinações. As palavras surgem da combinatória das famílias silábicas já conhecidas. Passa-se, enfim, para a fase de fixação através de exercícios repetitivos. As cartilhas sintéticas propõem um processo combinatório, em que elementos não- significantes da língua vão se somando até resultar em palavras; combinando-se as palavras surgem os textos (1994, p.55). Nota-se, assim, que este instrumento abrange uma sequência de exercícios que começam da apresentação das vogais para que, em seguida, 27 focalize as combinações destas com as consoantes. As palavras serão estruturadas após o trabalho das famílias silábicas e, a partir desse momento, emprega-se um treinamento repetitivo para a decoração dos elementos envolvidos. Em contraposição, as cartilhas analíticas procedem de elementos significativosda língua, ou seja, das palavras ou frases. Estas cartilhas Adotam procedimentos inversos ao das cartilhas sintéticas: partem dos elementos maiores da língua (o “todo”, palavras em sentenças) e, através da decomposição, chegam aos elementos menores (as “partes”, as sílabas). Esses elementos menores são então sistematizados através dos exercícios de fixação (BARBOSA, 1994, p.55). O enunciado dito pelo autor acentua que os procedimentos dessa cartilha partem de elementos mais significantes, se comparado ao das cartilhas sintéticas, no qual se inicia o estudo com as unidades maiores: o texto, as sentenças ou as palavras, para posteriormente sintetizar estes elementos em correspondências menores, ou seja, em letras. A partir do estudo das cartilhas alfabetizadoras, pode-se até mesmo inferir que, em nenhuma das cartilhas abordadas, transparece a função e o valor real de comunicação da língua escrita, uma vez que não levam em conta a realidade de cada educando, tornando o ensino da leitura e da escrita uniforme, cumulativo e homogêneo. Muitos educadores ainda acreditam que as cartilhas são suportes para o ensino de leitura e escrita, entretanto, não compreendem que estas limitam tanto o ensino como a aprendizagem dos alunos. Percebe-se, portanto, que houve uma grande preocupação em torno do objeto de ensino, ou seja, o conteúdo didático, no qual se gerou a ênfase ao melhor método que seria capaz de alfabetizar a criança. Em nenhum desses momentos houve a consideração sobre o fato de o aluno ser capaz de participar ativamente da descoberta de novos conhecimentos sobre leitura e escrita. E foi a partir desta constatação que Emilia Ferreiro e Ana Teberosky se empenharam em compreender como a criança estrutura seus pensamentos, em relação à escrita que a rodeia, vendo o aluno como construtor de seu próprio conhecimento. Deste modo, as autoras propõem um olhar pedagógico diferenciado daqueles existentes até o momento, com a publicação do livro “Psicogênese da Língua Escrita”. 28 CAPÍTULO II PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ALFABETIZAÇÃO 2 UMA PERSPECTIVA INOVADORA Em 1980, houve um renascimento sobre a questão de alfabetização, que até então era considerada sem solução. Esta grande mudança foi ocasionada pela publicação dos dados de uma pesquisa realizada por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, a “Psicogênese da língua escrita”, que indagava o fracasso escolar e buscava compreender como eram elaborados os pensamentos das crianças, frente à aprendizagem de leitura e escrita. Iniciou-se, assim, uma nova discussão que partia do pressuposto de que o conhecimento do sujeito não se restringia apenas ao uso de determinados métodos. Esta pesquisa surgiu na área pedagógica para Destacar a validade de pensar no conhecimento já adquirido pelas crianças independentemente da classe social a que pertenciam. Isso permitiu aos educadores olhar para o objeto de conhecimento e para o processo de aprendizagem por um novo ângulo. Era preciso dialogar com o aluno sobre o que ele sabia (WEISZ, 2012, p.36). Diante disto, compreende-se que a pesquisa surgiu com a intencionalidade de repensar a prática escolar, levando em conta os conhecimentos dos educandos, visto que estes já possuíam noções sobre a escrita que os rodeia. Desse modo, pode-se até mesmo inferir que as autoras Ferreiro e Teberosky se opunham à didática existente até o momento, a qual partia de um método pronto, a ser transmitido pelo professor e adquirido pelo aluno, uma vez que esta era a concepção que imperava no processo ensino- aprendizagem. Para abrir esse novo olhar sobre este processo, as autoras se apoiaram em concepções, já existentes, que viam o sujeito como um ser capaz de construir ativamente seu próprio conhecimento a partir da elaboração de hipóteses e interpretações acerca da leitura e da escrita. 3. REFERÊNCIAS CONCEITUAIS 29 Algumas referências podem ser interpretadas como bases da pesquisa de Ferreiro e Teberosky. Pode-se ressaltar, assim, a relação deste estudo com a teoria construtivista, visto que esta corrente estabelecia que o conhecimento deveria ser construído através da relação entre o sujeito e o meio no qual está inserido. Faz-se pertinente mencionar, ainda, que em muitos momentos da pesquisa, as estudiosas se apoiaram nos estudos de Jean Piaget, no qual fizeram uso das concepções deste como complemento dos novos fundamentos que seriam estabelecidos na Psicogênese da Língua Escrita. Entende-se, portanto, que a ideia de se repensar a prática pedagógica, surgiu a partir da reflexão das concepções do Construtivismo, assim como as de Piaget, pois, desta forma, Ferreiro e Teberosky perceberam que as metodologias adotadas pelos métodos tradicionais enxergavam o professor como o centro do aprendizado, e não o aluno, como propõe os estudos supracitados. 3.1 O olhar construtivista A pesquisa realizada por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (1999), criticava a prática pedagógica que considerava o educador como a única fonte geradora da aprendizagem, uma vez que, ao seguir este pensamento, torna-se impossível ver o aluno como o construtor de seu próprio conhecimento. Observa-se, assim, que as estudiosas tiveram como base teórica o construtivismo, pois, este [...] é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. A idéia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada (CONSTRUTIVISMO..., 2013, p.1). Confirma-se, assim, que os pensamentos de Ferreiro e Teberosky (1999) realmente seguem uma perspectiva construtivista, visto que partem dos princípios básicos desta corrente, que são os de que o sujeito reage em resposta aos estímulos que o envolve, ao qual pode construir seu conhecimento de maneira ativa. É necessário acentuar que embora a 30 “Psicogênese da língua escrita” tenha concordância com o construtivismo, não deve ser rotulada por este. Nota-se, portanto, que Ferreiro e Teberosky abriram um olhar construtivista sobre o conteúdo escolar, no qual se objetivava esclarecer que o professor precisava considerar os conhecimentos de mundo, estes advindos das relações com o meio no qual está inserido cada aluno. 3.2 Contribuições de Piaget O aluno, dentro de uma ótica construtivista, deveria ser visto como um sujeito que busca ativamente a construção de seu próprio conhecimento, ou, nas palavras de Piaget, [...] o sujeito cognoscente, o sujeito que busca adquirir conhecimento, o sujeito que a teoria de Piaget nos ensinou a descobrir. O que quer isto dizer? O sujeito que conhecemos através da teoria de Piaget é aquele que procura ativamente compreender o mundo que o rodeia e trata de resolver as interrogações que este mundo provoca. Não é um sujeito o qual espera que alguém que possui um conhecimento o transmita a ele por um ato de benevolência. (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999, p. 29). Pode-se observar que as autoras supracitadas se fundamentaram nos estudos de Piaget, os quais postulavam que o conhecimento não era totalmente intrínseco (mas também não era fornecido pelo meio, e sim gerado pela interação entre sujeito e objeto), para focalizar que o aluno não é um ser passivo, pois constrói seus pensamentos por meio da interação que estabelece com o ambiente. Deste modo, compreende-se que há uma relação entre o olhar construtivista e as ideologias de Piaget, posto que ambos apontam para o fato de o conhecimento não nascer pronto, nem tampouco ser transmitido, mas sim, construído. Ferreiro e Teberosky (1999),ao se apoiarem nos estudos de Piaget, expõem que o sujeito constrói seu conhecimento a partir do instante que responde aos estímulos provindos do mundo. Neste instante, tais estímulos são transformados pelos sistemas de assimilação da criança. Percebe-se, deste modo, que as estudiosas, em concordância com os pensamentos de Piaget, acreditam que o conhecimento se constrói no momento em que a criança reage aos diversos estímulos oferecidos pelo meio, visto que esta situação, a qual resultará na construção do conhecimento, pode 31 modificar-se por meio dos esquemas de assimilação, que consiste em [...] uma integração à estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação (PIAGET, 1996, p.13). Em síntese, nota-se que o indivíduo, ao receber novas informações provindas do meio externo, adapta estes novos informantes aos já existentes em sua mente, que por sua vez, podem ou não sofrer leves alterações devido a essa troca. Piaget, além de conceituar os esquemas de assimilação, também definiu outro esquema, este chamado acomodação, no qual se refere a “[...] toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meio) aos quais se aplicam” (PIAGET, 1996, p.18). Deste modo, compreende-se que, no processo de acomodação, o sujeito não apenas recebe e assimila a informação, mas a transforma em função das novas circunstâncias oferecidas pelo ambiente, acomodando-a. Segundo Piaget apud Carretero (1997), o produto final da interação entre a assimilação e a acomodação resulta a equilibração, que sucede quando se alcança um equilíbrio entre as disparidades provindas da recente informação recebida, em relação àquela que o sujeito já possuía no qual se acomoda. Sendo assim, pode-se concluir que a equilibração, ocorre a partir do momento que a criança estabiliza seus esquemas de assimilação e de acomodação, uma vez que este ponto de equilíbrio possibilita à criança uma interação eficiente dela com o meio. Ferreiro e Teberosky ressaltam que o avanço no conhecimento, por parte das crianças, [...] não será obtido se não através de um conflito cognitivo, isto é, quando a presença de um objeto (no sentido amplo de objeto de conhecimento) não-assimilável force o sujeito a modificar seus esquemas assimiladores, ou seja, a realizar um esforço de acomodação que tenda a incorporar o que resultava inassimilável (e que constitui, tecnicamente, uma perturbação) (1999, p.34). Diante do exposto, verifica-se que o aprendizado somente se interioriza quando o aluno, ao percorrer pela zona de conflito cognitivo, consegue acomodar e reestruturar seus esquemas de assimilação e acomodação. 32 Compreende-se por conflito cognitivo uma perturbação que ocorre quando a criança se depara com informações que não estão de acordo com seus conhecimentos prévios, e que, assim, geram um desafio que fará com que ela reorganize seus pensamentos. Torna-se pertinente estabelecer que, no instante do conflito cognitivo, o educando pode cometer erros inconscientemente, pois, como afirmam Ferreiro e Teberosky (1999), os erros ocorridos no processo de ensino-aprendizagem não se dão por falta de conhecimentos, mas sim demonstram os saberes de cada criança. Observa-se, assim, que o erro deve ser entendido como um apontamento dos conhecimentos que cada criança carrega durante seu processo educacional e não como insuficiência de determinado conhecimento. Ferreiro e Teberosky relataram os “erros construtivos” e afirmaram que, Na teoria de Piaget, o conhecimento objetivo aparece como uma aquisição, e não como um dado inicial. O caminho em direção a este conhecimento objetivo não é linear: não nos aproximamos dele passo a passo, juntando peças de conhecimento umas sobre as outras, mas sim através de grandes reestruturações globais, algumas das quais são “errôneas” (no que se refere ao ponto final); porém, “construtivas” (na medida em que permitem aceder a ele). Esta noção de erros construtivos é essencial [...] Para uma psicologia piagetiana, é chave o poder distinguir entre os erros aqueles que constituem pré- requisitos necessários para a obtenção da resposta correta (1999, p.33). Diante do exposto, frisa-se que o sujeito, para alcançar o produto final da aprendizagem, passa por um caminho em que terá de reestruturar seus conhecimentos prévios, mediante aos aprendidos, no qual essas reestruturações podem manifestar-se de forma inadequada, porém construtivas, no sentido de permitir, futuramente, o acesso à adequada. A partir desses conceitos, pode-se, até mesmo, inferir que o educador precisa compreender e analisar os erros de seus alunos e enxergá-los como um auxílio à sua prática docente, no processo de alfabetização, visto que os “erros construtivos” podem servir de ponto de partida para identificar os saberes já existentes, de seus alunos, assim como os que ainda precisam ser internalizados. Subentende-se, assim, que as autoras criticavam os métodos tradicionais, pois baniam todos os erros dos educandos, sem percebê-los como um instrumente norteador do processo de ensino-aprendizagem, uma vez que 33 os educadores adeptos à metodologia tradicional não se preocupavam em analisar o pensamento da criança, tal como as razões que a levavam a cometer determinado erro, o que, por sua vez, permite a dedução de que esses professores não intervinham significativamente, mediante o erro de seus alunos. Ferreiro e Teberosky (1999) afirmam que os alunos passam por um processo evolutivo na aquisição do conhecimento sobre leitura e escrita. Deste modo, a pesquisa esclareceu, a partir de um novo ângulo, que alguns erros comuns às crianças que ainda não efetivaram o sistema de escrita alfabética, nada mais eram do que algo característico de determinada fase de leitura ou de escrita. Pode-se observar, deste modo, que, a partir do momento que se constatou que o erro construtivo contribui para a identificação dos conhecimentos dos alunos, as pesquisadoras estabeleceram que alguns erros típicos de muitas crianças durante o processo de alfabetização designam hipóteses, que os próprios alunos constroem para entender o sistema de leitura e escrita. 4 NÍVEIS DE LEITURA Ao analisar os erros das crianças no momento da leitura e da escrita, Ferreiro e Teberosky detectaram que alguns erros ocorriam comumente, e que poderiam ser considerados como característicos de diferentes níveis de leitura e de escrita. As autoras (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999), em relação aos níveis de leitura, ostentam algumas concepções cogitadas pelas crianças, no qual podem emergir alguns exemplos de erros construtivos, tais erros estavam integrados em um processo gradativo de compreensão do sistema de leitura, em que as crianças ao percorrerem-no estruturam seus pensamentos de forma a dominarem este sistema. Ferreiro e Teberosky expõem, sob um olhar evolutivo, que, de início, a criança, mesmo sem saber ler, já apresenta conhecimentos prévios sobre o ato de leitura e possui critérios, estes, por sua vez, bem elaborados, para admitir se uma marca gráfica pode ou não ser lida, tais como: o de fazer uma dicotomia entre as figuras e os escritos; o de 34 hipotetizar uma exigência de “quantidade mínima de caracteres”; e o de exigir uma “variedade de letras”. Pode-se observar, em relação aos critérios elaborados pelos alunos no processo de compreensão de leitura, que o fato de a criança não estar, ainda, alfabetizada, não significa que ela não formula hipóteses acerca do que se pode ler, pois, como afirmam as pesquisadoras, quando é apresentado um texto ao aluno, ele discerne o que é legível daquilo que não é, isto ocorre em situaçõescomo: quando diferencia um desenho de um texto; quando estabelece a hipótese de que para uma palavra ser lida, esta não pode ter poucas letras; e, por fim, que é necessário uma variedade das letras que constituem as palavras. Ferreiro e Teberosky (1999) apontam que, além dos critérios de diferenciar desenho de texto, assim como o de estabelecer uma quantidade mínima de caracteres e o de variedades gráficas, os alunos, de início, pensam que apenas os substantivos estão escritos, deste modo, eles não consideram que verbos e artigos também estejam grafados, e em seu conceito existem partes escritas em demasia. Este percurso, gradativamente, tem seu término na ocasião em que os educandos percebem que estas palavras que, para eles, estão sobrando, fazem parte de todo o sistema de escrita. Nota-se, portanto, que as crianças elaboram inferências com a intenção de dominar o sistema de leitura. Vale acentuar, que as formulações criadas pelos educandos são tipicamente provindas de seus pensamentos, uma vez que nenhum adulto ensinaria a uma criança que somente os substantivos são escritos em um texto. Acentua-se, assim, que indubitavelmente a tese de Ferreiro e Teberosky manifestou uma inovação teórica, que trazia consigo a ideia de que a alfabetização de leitura ocorria gradualmente. 5 NÍVEIS DE ESCRITA Assim como ocorre no processo de leitura, o aprendizado da escrita também se efetiva gradualmente, no qual os erros construtivos aparecem como características específicas de cada etapa percorrida pelo aluno. Segundo Ferreiro e Teberosky (1999), a evolução da escrita é marcada por cinco níveis que levarão o aprendiz a se tornar alfabético. Para identificar 35 as características de cada nível, é necessário mencionar que os dados da pesquisa, realizada pelas autoras, foram obtidos através de uma exploração em que se solicitava à criança que escrevesse seu próprio nome; um nome de alguém conhecido; palavras de uso escolar e não escolar; assim como uma pequena oração. No decorrer desta pesquisa, as crianças escreviam os pedidos, propostos por Ferreiro e Teberosky, da forma como lhes parecessem melhor. Percebe-se, deste modo, que os dados advindos da pesquisa de Ferreiro e Teberosky, notificaram diferentes características de escrita produzidas pelas crianças. Por meio da análise destas características, as estudiosas descobriram que os alunos passam por uma evolução, até compreenderem como funciona o sistema de escrita alfabética. No primeiro nível, (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999) escrever é reproduzir os traços típicos da escrita que a criança conhece. Devido a isto, todas as escritas se assemelham muito entre si. Podem aparecer, no início deste nível, tentativas de correspondência figurativa entre a escrita e o objeto referido. Outra característica é a dificuldade momentânea de diferenciar desenho de escrita, chamada de fase icônica. Pode-se mencionar que há uma tendência de a criança escrever por meio de garatujas e, a partir do instante que o aluno entra em contato com o sistema escrito e numérico, tende a misturá-los, no momento da escrita, no qual passa a inventar novos símbolos para anotar as sentenças. Evidenciam-se, ainda, duas hipóteses que os alunos formulam: as grafias são variadas e a quantidade destas diferem-se, entre si. Vale acrescentar que estas hipóteses somente são formuladas quando a escrita-modelo do educando é a de imprensa. Observa-se, assim, que, no primeiro nível, o educando formula várias hipóteses acerca do sistema de escrita alfabética. Dentre elas, vale ressaltar as tentativas de correspondência figurativa, que ocorrem quando a criança imagina que a grafia dos nomes é proporcional ao tamanho do objeto a ser representado; a dificuldade, momentânea, por parte da criança, em diferenciar desenho de escrita. Torna-se pertinente estabelecer, ainda, que o sujeito analisa que, para ler algo, o texto precisa possuir uma quantidade considerável de letras e uma variedade destas, pois a criança possui o conceito de que há uma quantidade mínima de caracteres para que certa palavra seja lida, tal 36 como a ideologia de que os elementos gráficos devem variar-se dentro do vocábulo. As figuras abaixo podem exemplificar alguns aspectos do primeiro nível. Figura 1, 2 e 3: Primeiro nível de escrita. Fonte: (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999, p. 195-197). Verifica-se, por meio da análise das figuras, que algumas crianças, ao escreverem, fazem uso de garatujas (desenhos sem configuração), como explicita o primeiro exemplo, em que pode-se, até mesmo, inferir que, embora as elocuções se assemelhem graficamente, o educando, ao dispor tais características, teve um intento de estruturá-las diferentemente. Já o segundo exemplo mostra claramente a indistinção que o educando possui entre a escrita e o desenho, no momento da representação gráfica. O terceiro exemplo demonstra aquela criança que dispõe as letras e os números que conhece, inventando conjuntamente novos símbolos, sem considerar que o número não se integra ao sistema de escrita alfabética. No segundo nível, conforme exposto por Ferreiro e Teberosky (1999), a hipótese central é que, para ler coisas diferentes, deve haver uma distinção objetiva nas escritas. As crianças formulam a hipótese de que há uma quantidade específica e uma variedade de letras para se escrever uma palavra. Visto que as crianças não conhecem muitas correspondências, elas tendem a dispor mais frequentemente as letras que compõem seu nome, variando a sequência destas para representar diferentes escritas. Sendo assim, constata-se que as formas de grafismos deste nível são mais definidas, se comparadas às do primeiro, pois, neste momento, sua representação demonstra que a criança utiliza pensamentos mais elaborados 37 para grafar uma palavra. O avanço do conceito dos alunos referentes à notação das sentenças será exemplificado nas figuras a seguir: Figura 4 e 5: Segundo nível de escrita Fonte: (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999, p.203). De acordo com as imagens expostas, pode-se observar que os dois exemplos expressam que, devido às crianças conhecerem poucas correspondências, há a necessidade de a criança utilizar-se das mesmas letras (aquelas que conhece) alternadamente, para não escrever palavras iguais, pois possui a hipóteses de que, para se escrever coisas diferentes, as palavras não podem ser idênticas. Vale pontuar que, apesar do avanço, se comparado ao primeiro nível, o educando ainda nota números e inventa grafismos para delinear as palavras. Segundo Ferreiro e Teberosky (1999), o terceiro nível é caracterizado pela tentativa de dar um valor sonoro a cada uma das letras que compõe a escrita produzida pela criança. Neste nível, o aluno dá um salto qualitativo: cada letra vale por uma sílaba, uma vez que esta letra pode ser representada com um valor sonoro estável, ou não. Caso o aluno não empregue o valor sonoro convencional para cada letra, segue-se, durante a representação escrita do educando, a exigência de se dispor uma letra para notar uma sílaba. Entretanto, há também outras crianças que, além de escreverem as palavras com a preocupação de quantificá-las corretamente, atribuem o valor sonoro convencional a cada letra representada, em suas escritas. Compreende-se, portanto que o terceiro nível de escrita pode ser subdividido em duas hipóteses distintas, a primeira é caracterizada por crianças que escrevem silabicamente, porém, ao grafar, dispõem letras 38 aleatoriamente, sem relevar os valores sonoros designados a cada uma destas para representar as palavras notadas. A segunda hipótese é definida por crianças que também se preocupam em quantificar corretamente as palavras grafadas, no entanto, atentam-se em atribuir o valor sonoro convencional de cada letra constituída na palavra a ser escrita. Ferreiroe Teberosky apontam que, no terceiro nível de escrita, a criança progride qualitativamente, visto que o avanço, [...] consiste em que: a) se supera a etapa de uma correspondência global entre a forma escrita e a expressão oral atribuída, para passar a uma correspondência entre partes do texto (cada letra) e partes da expressão oral (recorte silábico do nome); mas, além disso, b) pela primeira vez a criança trabalha claramente com a hipótese de que a escrita representa partes sonoras da fala (1999, p.209). Diante do exposto, cabe salientar que, para a criança chegar a este nível, ela avançou significativamente, em relação aos níveis precedentes, pois não havia, até então, a noção de que a escrita é uma representação da fala e que, para cumprir o sistema alfabético, ela deveria dispor de letras que correspondessem ao som da palavra notada. Um exemplo disso são as próximas imagens. Figura 6 e 7: Terceiro nível de escrita. Fonte: (MORAIS, 2012, p.59). A partir dessas figuras, compreende-se que a primeira imagem exemplifica a escrita de uma criança que não atribui um valor sonoro convencional às suas representações, pois se preocupa apenas com questões quantitativas. Por outro lado, o segundo exemplo aponta a notação de um aluno que se preocupa com a qualidade de seus grafismos, isto é, atribui um valor sonoro convencional a seus escritos. 39 O quarto nível de escrita é uma passagem do nível 3 ao nível 5 (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999), caracterizada por grandes conflitos, pois, neste momento, a criança percebe que estabelecer uma letra para cada sílaba não é suficiente para representar uma palavra e assim, começa a dispor mais letras, tornando a tarefa muito complexa, devido ao fato de implicar uma reflexão mais sofisticada, acerca da palavra a ser notada. Percebe-se, deste modo, que o quarto nível, é uma etapa relevante, no processo evolutivo de compreensão de escrita, por ser caracterizado pelos conflitos que o aluno irá enfrentar no momento da escrita. Cócco e Hailler em relação ao quarto nível de escrita exposto por Ferreiro e Teberosky, dispõem que o quarto nível, Por se tratar de um nível intermediário, é mais uma vez um momento conflitante, pois a criança precisa negar a lógica do nível silábico. Ninguém consegue ler o que ela escreve e, nesse momento, ela se vê sem saída. Isso acontece principalmente quando ela usa só as vogais, porque a mesma combinação de letras serve para escrever uma porção de palavras (1996, p.42). Diante do exposto, percebe-se que o sujeito, para chegar ao quinto nível de escrita, passa por um grande conflito, este típico do quarto nível, ocasionado pelo fato de o aluno começar a compreender que uma letra não é suficiente para escrever uma sílaba, negando, assim, suas hipóteses antes estruturadas. Pode-se dizer que essa nova concepção surge principalmente quando o aprendiz repara que, ao escrever diferentes palavras, estas podem apresentar-se iguais, visto que há o costume de se grafar apenas as vogais, por serem entonadas com mais vigorosidade. A próxima imagem notificará com mais clareza as características do quarto nível de escrita. Figura 8: Quarto nível de escrita Fonte: (MORAIS, 2012, p.64). 40 A figura exemplifica a representação gráfica de uma criança que se encontra no quarto nível de escrita. Nota-se que o exemplo exposto pela figura demonstra a escrita de uma criança que descobriu a necessidade de se dispor mais letras para representar uma sílaba. Sendo assim, este nível implica uma etapa em que o aprendizado das correspondências grafema-fonema precisa ser refletido de forma mais aprimorada. Ferreiro e Teberosky (1999) acentuam o quinto nível como o ponto final da evolução da escrita. Neste instante, o aluno se torna alfabético, visto que já compreendeu que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores sonoros menores que a sílaba. Sendo assim, pode-se compreender que o processo evolutivo, descrito por Ferreiro e Teberosky, se encerra no momento em que o educando alcança o quinto nível e se torna alfabético. Vale enunciar que esta etapa final se resume ao aprendizado do aluno sobre questões conceituais da escrita. A partir deste instante, o aluno irá se deparar com dificuldades tipicamente ortográficas, pois, [...] não podemos confundir “ter alcançado uma hipótese alfabética de escrita” com “estar alfabetizado”. A passagem da primeira condição à seguinte deverá ser, em nosso ponto de vista, o resultado de um cuidadoso processo de ensino-aprendizagem, agora não mais (ou principalmente) de aspectos conceituais do sistema alfabético, mas, sim, das convenções som-grafia [...] (MORAIS, 2012, p.65). Com base nas ideias de Morais, pode-se concluir que, embora o sujeito tenha alcançado o quinto nível de escrita, este, descrito por Ferreiro e Teberosky, existe, nesta ocasião, uma nova preocupação quanto à autonomia desse aluno, no momento da escrita, em relação às regras ortográficas. A imagem a seguir exemplifica uma escrita produzida por uma criança que se encontra no quinto nível. Figura 9: Quinto nível de escrita Fonte: (MORAIS, 2012, p.65). 41 Como se pode perceber, esta criança já compreendeu o sistema notacional da palavra, entretanto apresenta um erro comum em relação às regras ortográficas, visto que um aluno recém-alfabético ainda não possui muitas habilidades grafofônicas e isso só será alcançado com uma autonomia mínima de leitura. Enfim, pode-se notar, que Ferreiro e Teberosky, ao realizarem a pesquisa que fundamentou a Psicogênese da Língua escrita (tese das autoras sobre como se inicia o processo de ensino aprendizagem de leitura e escrita), possibilitaram o surgimento de um pensamento reflexivo, por parte dos educadores, sobre como o aluno reage, sob os estímulos do meio, para compreender os conceitos que regem o sistema notacional. Vale pontuar que Ferreiro e Teberosky se embasaram, durante a estruturação da “Psicogênese da Língua Escrita”, nos estudos de Piaget quanto às fases de desenvolvimento humano, visto que os níveis do processo de compreensão de leitura e escrita, apontados pelas autoras, se assemelham às características típicas de cada estágio de desenvolvimento descrito por Piaget, uma vez que estes estágios, se dividem em; Sensório-motor (0 aos 2 anos)[...] um sujeito que começa a conhecer-se enquanto fonte ou mesmo enquanto senhor de seus movimentos[...] Pré-operatório (2 a 7 anos) [...] passagem das condutas sensoriomotoras para as ações conceituais[...] Operações concretas (7 a 11 anos) [...] é aquele em que se atinge o equilíbrio geral das operações “concretas”, além das formas parciais já equilibradas desde o primeiro nível[...] Operações Formais (a partir dos 12 anos)[...] consiste em poderem elas realizar-se sobre hipóteses e não somente sobre objetos[...](PIAGET, 2002, p. 7 à 54) A partir destes estudos, compreende-se que Ferreiro e Teberosky se fundamentaram nos estágios de desenvolvimento de Piaget, posto que o conhecimento de mundo adquirido pelo contato do aluno com o meio, citado pelas autoras, ocorre no momento em que o sujeito se percebe como autor e ator de seus movimentos a fim de conhecer o outro (objeto) que está a sua volta, construindo, assim, o conhecimento por meio da interação que estabelece com o mundo que o rodeia. Pode-se destacar, ainda, que as características de cada nível de leitura e de escrita, os quais a criança percorre até tornar-se alfabética, só se estabelece, primeiramente, graças ao fato de a criança poder construir conceitos, como descreve o estágio pré-operatório. Torna-se pertinente mencionar, ainda, que, durante o processo de 42 compreensão da alfabetização, a criança passa por reestruturações e estabilizações das operações concretas, visto que somente depois da equilibração dessas operações a criança poderá utilizar-sede operações mais elaboradas e abstratas, uma vez que, neste momento, se preocupará com questões hipotéticas para compreender um objeto de conhecimento. Sendo assim, percebe-se que foram inúmeras as contribuições dos estudos de Piaget, às concepções de Ferreiro e Teberosky. Torna-se pertinente enunciar, ainda, que os níveis de escrita relatados por Ferreiro e Teberosky são conhecidos, popularmente, como pré-silábico, no qual se caracteriza pelos dois primeiros níveis; silábico, este envolvendo aspectos do terceiro nível; silábico alfabético, em que se seguem as peculiaridades do quarto nível e alfabético, sendo, por fim, o quinto e último nível desta evolução (FERREIRO, 1992). As estudiosas se destacaram na área pedagógica por terem focalizado os pensamentos das crianças, em relação à leitura e escrita, no decorrer do processo de alfabetização, no qual se percebe que, neste processo, a criança passa por níveis gradativos de escrita e leitura. Cabe, neste momento, ao professor, saber detectar em qual destes níveis o educando se encontra, para, posteriormente, utilizar tais informações como norteadoras de sua prática educacional. 6 A SONDAGEM Para identificar os níveis de escrita e de leitura, as autoras arquitetaram um instrumento para avaliar os conhecimentos dos alunos. Telma Weisz (2012) comentou que o instrumento elaborado por Ferreiro e Teberosky, que, posteriormente, foi denominado como sondagem diagnóstica, é uma ferramenta que identifica o nível de escrita e de leitura das crianças, a partir da qual o educador poderá analisar as produções espontâneas do aluno. Deste modo, pode-se atentar que, além das autoras salientarem que os alunos passam por uma evolução no processo de ensino aprendizagem de leitura e escrita, elas também elaboraram uma maneira de identificar em qual nível de compreensão, do sistema de escrita alfabética, a criança se localiza. 43 Faz-se necessário pontuar que, durante a sondagem diagnóstica, a criança irá realizar suas produções sem o auxílio do professor, para que, deste modo, ela consiga expor, através da escrita, seus pensamentos, no que concerne ao sistema de escrita alfabética. Vale acentuar que a sondagem diagnóstica ocorre por meio de uma entrevista realizada pelo professor com o aluno. Ferreiro, ao narrar a experiência que vivenciou durante sua pesquisa, sobre o processo de alfabetização, esclarece que Em cada entrevista propusemos às criança quatro palavras dentro de um dado campo semântico (nomes de animais, de alimentos, etc.), com uma variação sistemática no número de sílabas (palavras de uma a quatro sílabas) (1992, p.88). Pode-se estabelecer, deste modo, que a sondagem diagnóstica é realizada a partir da escolha de palavras que envolvam um determinado tema e que variem na quantidade de sílabas. Torna-se pertinente frisar que, de nada adianta o docente aplicar uma sondagem adequadamente se não souber interpretá-la e fazer uso das informações que provém dessa interpretação. Cabe, deste modo, ao professor, o difícil dilema de analisar coerentemente os dados obtidos por meio da sondagem, tal como identificar a periodicidade no qual se deve aplicá-la, para que consiga acompanhar o percurso de seus educandos, no processo de compreensão de leitura e escrita, visando proporcionar condições necessárias para o avanço de cada um deles. 7 INTERAÇÕES COMO INSTRUMENTO AUXILIADOR NA APRENDIZAGEM Ao aprofundar-se nos estudos referentes ao pensamento da criança, durante o processo de alfabetização, Ferreiro e Teberosky atribuem grande importância às interações que a criança estabelece com o meio, como auxílio, na efetivação da aprendizagem sobre leitura e escrita. Desta forma, nota-se que as interações assumem um papel significativo na contribuição da busca do aluno pelo objeto de conhecimento, posto que, “Através das interações adulto-adulto, adulto-criança e crianças entre si, criam- se as condições para a inteligibilidade dos símbolos” (FERREIRO, 1992, p.59). Observa-se, portanto, que a autora citada atribui grande importância às interações, para o êxito no processo de ensino e aprendizagem sobre leitura e 44 escrita, pois, afirma que as trocas de conhecimento, geradas pela interação, são efetivadas, não somente na relação do professor com o aluno, mas também entre os adultos envolvidos no processo de alfabetização, visto que estas relações podem ser concebidas pelo contato do professor com a família dos educandos, tal como com outros educadores. Vale ressaltar que as crianças se beneficiam do conhecimento umas das outras, a partir do momento que o professor oportuniza situações favoráveis para a interação mútua de seus alunos. Um autor de grande destaque, que pode ter servido de base a esses conceitos, foi Vygotsky que, segundo Marta Kohl de Oliveira, postulava que, [...] à dimensão sócio-histórica do funcionamento psicológico humano está sua concepção da aprendizagem como um processo que sempre inclui relações entre indivíduos. Na construção dos processos psicológicos tipicamente humanos, é necessário postular relações interpessoais: a interação do sujeito com o mundo se dá pela mediação feita por outros sujeitos (2002, p. 56). Confirma-se, deste modo, que Vygotsky considerava extremamente importante a interação do sujeito aprendiz com o mundo em que está inserido, no qual as relações que esse sujeito terá, servirão como um auxílio ao seu próprio desenvolvimento. 7.1 Interação Grupal Visto que as interações, no âmbito escolar, favorecem o desenvolvimento dos alunos, pode-se acentuar que a relação entre aluno-aluno serve como um instrumento de apoio ao professor, pois as crianças, neste momento, são mediadoras de seus próprios conhecimentos. Vale ressaltar que, durante essa relação, ambos os alunos podem avançar em seus conhecimentos sobre leitura e escrita, uma vez que os aprendizes trocam informações positivas, entre si, que acarretarão a mediação de um novo aprendizado. A partir do olhar construtivo sob a interação aluno-aluno, destaca-se a Interação Grupal, a qual pode ser descrita por uma interação que, [...]constitui uma fonte de conflitos, visto que as crianças utilizam suas próprias hipóteses para assimilar a informação do meio, e as põem à prova ao confrontá-las com as hipóteses de outros, nem sempre idênticas às suas (FERREIRO; PALACIO, 1987, p.125). 45 Deste modo, observa-se que, por meio da interação grupal, o educando utiliza os conhecimentos que possui para assimilar as informações advindas do meio, no qual as ideias da criança são confrontadas, uma vez que, no momento da escrita, suas representações não se assemelham, fazendo-a reestruturar seus pensamentos quanto ao sistema de escrita alfabética. Segundo Ferreiro e Palacio (1987), para a formação adequada das interações grupais, o professor deve conhecer e se basear nos níveis de leitura e escrita de seus alunos, expostos por Ferreiro e Teberosky, para que, deste modo, o educador consiga agrupá-los, seguindo a exigência de que os níveis, de cada integrante do grupo, estejam próximos. Vale acentuar que o agrupamento entre alunos, em níveis distantes, não se torna produtivo, uma vez que a discrepância entre os conhecimentos não permite o avanço dos aprendizes, pois aquele que se encontra em uma etapa inferior tende a agir passivamente em um ato de recepção e não de reconstrução de conhecimento, posto que, somente quando o aluno reconstrói as informações recebidas pela interação com outra criança, é que conseguirá gerar o conhecimento referente à leitura e escrita. De forma sucinta, pode-se concluir que a troca de informações, provindas da relação mútua entre as crianças, faz com que ambas progridam significativamente, no percurso do domínio do sistema de escrita alfabética. Pode-se, deste modo, inferir que, a partir doinstante que o aluno avançar em suas hipóteses de leitura e escrita, há a necessidade de se remanejar os agrupamentos entre os educandos, posto que os níveis de leitura e escrita se assemelham após o avanço dos envolvidos. Isto posto, cabe ressaltar que essa interação grupal precisa ser repensada, para possibilitar, novamente, o conflito entre seus pensamentos, objetivando, assim, um novo progresso. Como se pode notar, neste caso, o professor assume uma postura de líder, que deverá analisar como serão separados os agrupamentos, para que seus alunos sejam beneficiados por este instrumento. 7.2 Professor Mediador A interação grupal é de extrema importância para a busca do aluno ao conhecimento sobre leitura e escrita. Outra interação relevante, que gera a 46 mediação do conhecimento, é a relação do aluno com seu professor. Visto que o professor assume uma postura imprescindível no processo de ensino sobre leitura e escrita, Oliveira enuncia que Vygotsky preocupa-se particularmente (entretanto mais do que Ferreiro, a meu ver) com a importância da intervenção pedagógica intencional para que ocorra o processo de alfabetização, de domínio do sistema de leitura e escrita [...] A mediação de outros indivíduos é essencial para provocar avanços no domínio desse sistema culturalmente desenvolvido e compartilhado ( 2002, p.65). Compreende-se, assim, que, para o professor tornar-se mediador do conhecimento, ele necessita intervir ativamente, junto aos alunos, no processo de compreensão do sistema de leitura e escrita. Vale ressaltar que o educador precisa saber o momento em que deve intervir, para que esta mediação não se torne repressiva, como ocorre nos métodos tradicionais. Em relação ao fato de Oliveira afirmar que Vygotsky atribuía mais importância às intervenções pedagógicas do que Ferreiro, cabe salientar que o estudioso dedicou mais tempo à pesquisa do “professor” do que Ferreiro. Porém, a autora não menospreza esse agente alfabetizador; o que ocorre é que seu foco na pesquisa limitou-se a verificar como se estrutura o pensamento do sujeito na construção dos conhecimentos que abrangem o domínio da língua escrita. Ferreiro salienta a necessidade de a criança estar em contato com a escola, posto que [...] é muito o que a escola pode fazer para ajudar as crianças, especialmente aquelas cujos pais, analfabetos ou semianalfabetos, não possam transmitir-lhes um conhecimento que eles mesmos não possuem. O professor é quem pode minorar esta carência, evitando porém ficar prisioneiro de suas próprias convicções: as de um adulto já alfabetizado. Para ser eficaz, terá que adaptar seu ponto de vista ao da criança (1992, p.60-61). Deste modo, pode-se perceber que Ferreiro atribui ao professor um papel de suma importância, no processo de alfabetização sobre leitura e escrita. Todavia, a autora ressalta que o educador não deve agir embasado no pensamento de que ele irá transmitir os conhecimentos que já possui, sobre os conceitos do sistema notacional, aos seus alunos. A estudiosa aponta que o docente deve se submeter ao ponto de vista de uma criança que ainda não compreendeu o sistema conceitual da leitura e da escrita, para, deste modo, prosseguir com sua prática pedagógica. 47 7.3 Ambiente Alfabetizador As interações que a criança estabelece, seja com o professor, ou, até mesmo, com outras crianças, fornecem informações resultantes da resposta, dos alunos, aos estímulos externos. Deste modo, torna-se pertinente enunciar que o ambiente na sala de aula pode oferecer interações construtivas, do aluno com o meio no qual será alfabetizado. Desta forma, o ambiente escolar deve se organizar em função de propor melhores condições, para que as crianças consigam elaborar e comprovar suas hipóteses, acerca de como se estrutura a leitura e a escrita. Taylor, Blum e Logsdon apud Teberosky e Colomer (2003) enfatizam que um ambiente rico em cultura letrada deve oferecer às crianças situações de contato com os suportes de linguagem escritas que contenham diversos textos da vida cotidiana dos aprendizes, como rótulos, parlendas, logotipos, assim como os suportes (que geralmente não são muito frequentes nos lares das crianças) como livros, atlas, enciclopédias, dicionário. Vale ressaltar que os materiais deste ambiente alfabetizador podem se constituir, ainda, de textos e objetos produzidos pelas próprias crianças e que, também, estejam ao alcance delas, pois de nada adiantaria promover um espaço, com todos estes suportes escritos, se tais elementos não estiverem constantemente acessíveis aos alunos. Cabe, então, ao professor, atentar-se à importância da disponibilidade da criança à manipulação dos materiais da sala de aula. Deste modo, nota-se que, no ambiente alfabetizador, as crianças colocam à prova seus conceitos, referentes ao sistema de escrita alfabética, uma vez que os materiais acessíveis (desde que sejam significativos à vida social da criança) darão apoio para os educandos verificarem se o pensam sobre a leitura e a escrita é verdadeiro ou não, o que permitirá que possam avançar ou efetivar suas concepções. Torna-se necessário salientar a significância de estarem dispostos na sala de aula os trabalhos dos alunos, visto que, deste modo, os educandos podem visualizar suas produções, tal como verificar seus avanços, por meio destas. Ainda conforme os autores supracitados (Taylor; Blum; Logsdon, 1986, apud Teberosky; Colomer, 2003) destacam-se dois fatores de suma importância que o educador deve levar em conta, ao organizar um ambiente 48 alfabetizador. O primeiro se refere à qualidade do material a ser exposto na sala. O segundo relaciona-se ao tempo de exposição do material em sala de aula. Quanto ao primeiro fator, acentua-se que os docentes precisam desenvolver critérios de seleção de materiais que despertam o interesse dos alunos, afinal o ambiente não é importante por si só, mas para e pelo sujeito. Em relação ao segundo fator, este designado pela duração dos objetos em classe, vale ressaltar que quando os materiais escritos são permanentes, no decorrer do ano letivo, isto pode ser um sinal de que estes suportes não foram utilizados nas aulas, o que lhes atribui um valor decorativo. Em contrapartida, quando há mudança de material, no ambiente da sala de aula, nota-se um indicador de sucessão de atividades. Observa-se, assim, que o ambiente contribui significativamente, no avanço dos alunos em relação ao aprendizado, posto que, quando há uma intencionalidade, por parte do professor, em dispor na sala de aula materiais que estejam de acordo com a necessidade de seus educandos, esses materiais resultarão no desenvolvimento das crianças, referente ao processo de compreensão sobre a leitura e a escrita. Vale acentuar a importância de se modificar os materiais disponíveis em sala de aula, uma vez que, quando alternados, possibilitam o contato com diferentes escritos, o que, por sua vez permite à criança vivenciar situações de extrema relevância, para a efetivação do processo de alfabetização. Ferreiro e Teberosky atribuem grande importância ao ambiente alfabetizador, todavia acentuam que “[...] não é o ambiente que alfabetiza, tampouco o fato de pendurar coisas escritas nas paredes que produz por si um efeito alfabetizador” (1999, p.8). Assim, criar um ambiente alfabetizador significa organizar a sala com materiais que favoreçam a aquisição do conhecimento, sobre a leitura e a escrita. O ato de dispor materiais que não oferecem como objetivo o contato com a realidade social das crianças se torna inadequado à busca de um espaço mediador de aprendizagem, visto que o papel do ambiente alfabetizador é incentivar o interesse das crianças pela leitura e escrita de forma natural. 8 CONSEQUÊNCIAS GERADAS PELA PESQUISA 49 A “Psicogênese da língua escrita”,sob uma ótica construtivista, comprova a capacidade de o aluno ser o ator principal de seu próprio processo de compreensão de leitura e escrita, o que, por sua vez, deslocou o foco da prática pedagógica, sustentada nos métodos alfabetizadores tradicionais, que desconsiderava o pensamento subjetivo do aluno. Tal perspectiva, adotou a ideologia de que a criança é um sujeito ativo, capaz de construir seu próprio conhecimento, mediante a interação com o meio no qual se encontra. Nas palavras de Telma Weisz, pode-se verificar o quanto Emilia Ferreiro e Ana Teberosky demonstraram que [...] a mão que escreve e o olho que lê estão sob um comando de um cérebro que pensa sobre a escrita que existe em seu meio social e com a qual toma contato através da sua própria participação em atos que envolvem o ler ou o escrever, em práticas sociais mediadas pela escrita (1999, p.8). Compreende-se, assim, que a criança, antes mesmo de chegar à escola, carrega de suas vivências sociais uma bagagem de conhecimentos referentes à sua cultura letrada. Deste modo, o aluno deve ser visto sob um ângulo no qual ele seja o construtor de seu próprio conhecimento. Apesar do avanço que a educação percorreu após a publicação dos estudos realizados por Ferreiro e Teberosky, esta concepção foi interpretada equivocadamente por alguns educadores, que entenderam a proposta das pesquisadoras como um sinalizador de que o aluno deveria ser livre, pois aprenderia tudo sozinho. Morais exprime que a [...] má apropriação da teoria da psicogênese [...] teriam levado à conclusão de que não era preciso ensinar, de modo sistemático e planejado, a escrita alfabética, porque os alunos espontaneamente a aprenderiam participando de práticas de leitura e produção de textos (2012, p.24). Observa-se, portanto, que, por questões interpretativas inadequadas, a teoria de Ferreiro e Teberosky foi compreendida como uma abertura ao ensino, sem metas impostas, pois havia a crença de que os alunos dariam conta de aprender todo o sistema da língua escrita naturalmente. As autoras, realmente, enunciaram que a criança é capaz de construir seu próprio conhecimento; todavia, lançaram luz à questão de que, para alcançar a aprendizagem sobre a leitura e a escrita, os alunos passam por um processo marcado por diversas interações que o auxiliam. Deste modo, o aprendiz não poderia, por si só, dominar o sistema notacional. 50 Ferreiro (1992) ressalta que muitas questões foram levantadas, neste sentido, de que a criança aprenderia tudo sozinha. Uma delas se refere ao papel do professor, mediante ao fato de os alunos já possuírem um repertório sobre a compreensão da escrita. Em resposta a esta indagação, a autora afirma que sua pesquisa não menospreza o papel da escola e do professor, já que os considera como imprescindíveis, mas atribui-lhes o legado de propiciar condições favoráveis, para que as crianças descubram por si mesmas os enigmas do sistema notacional. Vale ressaltar ainda que, apesar da má compreensão da pesquisa, esta trouxe avanços à prática pedagógica, em razão de lançar uma educação exclusa da ditadura dos métodos tradicionais. Weisz salienta que As pesquisas de Emilia Ferreiro e colaboradores romperam o imobilismo lamuriento e acusatório e deflagaram um esforço coletivo de busca de novos caminhos. Deslocando a investigação do “como se ensina” para o “como se aprende”, Emilia Ferreiro descobriu e descreveu a psicogênese da língua escrita e abriu espaço – agora sim – para um novo tipo de pesquisa em pedagogia. Uma pedagogia onde a compreensão do papel de cada um dos envolvidos no processo educativo muda radicalmente. Suas ideias, quando levadas a prática, produzem mudanças tão profundas na própria natureza das relações educacionais, alteram de tal maneira as relações do poder pedagógico que, sonho ou não, é inevitável acalentar a ideia de que esta revolução conceitual sobre a alfabetização acabe levando a mudanças profundas na própria estrutura escolar (1992, p.6). Em suma, Weisz exprime, sucintamente, toda a revolução ocasionada pela publicação da Psicogênese da língua escrita, que, de fato, deslocou o foco do como se ensina para o modo como se aprende, ou, em outras palavras, expôs o caminho que cada criança percorre, em busca da compreensão do sistema de escrita, ressaltou a necessidade de o educador observar e considerar as subjetividades de seus educandos. Dessa forma, este novo olhar permite ao docente refletir sobre seus conceitos, quanto ao processo de ensino-aprendizagem. Todavia, apesar de todos esses benefícios, existem aqueles educadores que não acolhem as ideologias dispostas nesta perspectiva, o que traz à tona a dúvida de se os professores, na realidade escolar, oportunizam ao aluno situações de ensino-aprendizagem de alfabetização que o leva a construir seu próprio conhecimento, de forma ativa e autônoma. 51 CAPÍTULO III A PESQUISA 3 A METODOLOGIA A metodologia deste Trabalho de Conclusão de Curso agrupa dados obtidos por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. Esta última, por sua vez, baseou-se em uma análise efetuada a partir de dois questionários: um respondido por 10 (dez) professores do primeiro ano do ensino fundamental, e outro por 2 (dois) alunos de cada um destes educadores. Participaram da pesquisa 100% (cem por cento) dos alfabetizadores da cidade de Avanhandava, sendo 5 (cinco) educadores da rede municipal e 1 (um) da privada, visto que há somente um docente na cidade que atua em uma escola particular. O questionário foi efetuado, ainda, por 4 (quatro) educadores da cidade de Promissão que atuam em uma escola de rede estadual. A pesquisa foi realizada em 4 (quatro) escolas diferentes, sendo 3 (três) na cidade de Avanhandava e 1 (uma) na cidade de Promissão. A escola desta última cidade é de rede estadual, enquanto as localizadas em Avanhandava são da rede municipal e privada. O questionário destinado para os professores foi elaborado com 10 (dez) questões, dentre elas, 8 (oito) são dissertativas e 2 (duas) são de múltipla escolha. As perguntas referem-se às práticas pedagógicas desses professores, relacionando-as às contribuições conceituais que Emilia Ferreiro e Ana Teberosky lançaram na Psicogênese da Língua Escrita. Já o questionário preparado para os alunos baseou-se em 6 (seis) questões dissertativas que seguem o mesmo referencial do questionário para os professores, com o intuito, neste caso, de confirmar as respostas emitidas pelos docentes. Em relação aos educadores, participaram desta pesquisa apenas profissionais do sexo feminino, que atuam no primeiro ano do ensino fundamental. A idade destes docentes se concentra entre 36 (trinta e seis) e 58 (cinquenta e oito) anos, sendo que das 10 (dez) professoras que responderam ao questionário 7 (sete) possuem formação profissional no magistério e na graduação de pedagogia, e 3 (três) possuem somente o ensino superior de 52 pedagogia. O tempo de atuação profissional na área, entre as participantes da pesquisa, varia de 13 (treze) a 30 (trinta) anos. Quanto aos alunos, participaram desta pesquisa 11 meninas e 9 meninos, todos do primeiro ano do ensino fundamental, sendo que a idade destas crianças varia de 6 (seis) a 7 (sete) anos. A pesquisa foi realizada em 4 (quatro) escolas diferentes, sendo 3 (três) na cidade de Avanhandava e 1 (uma) na cidade de Promissão. A escola desta última cidade é de rede estadual, enquanto as localizadas em Avanhandava são da rede municipal e privada. Para a análise dos dados obtidos na pesquisa de campo, foram efetuados dois modelos de quadros. Um primeiro modelo destinado a agrupar algumas respostas de todos os professores, e um segundo, designado para uma comparação das respostas dos alunos à dos docentes. O quadro de respostas dos educadores é estabelecido com o intuito de mostrarum controle dos resultados alcançados pela pesquisa, no qual se analisa como se efetiva o processo de ensino - aprendizagem de alfabetização, no primeiro ano do ensino fundamental. Já o quadro que engloba as respostas dos professores e dos alunos, foi efetuado para gerar uma comparação das respostas de ambos, em que, deste modo, pode-se confirmar se o que o professor disse no questionário realmente está de acordo com o que acontece na sala de aula. 4 O RESULTADO A primeira pergunta destinada aos professores foi referente a como eles acreditam que a criança aprende a ler e a escrever. Em concordância a esta questão, os alunos responderam, segundo seus próprios pontos de vista, como eles aprenderam a ler e a escrever. O quadro abaixo representa as respostas dos professores e dos alunos quanto à primeira pergunta. Do lado esquerdo, estão dispostas as respostas do professor, e do lado direito, a dos alunos. Cada professor foi representado por uma letra, esta mesma letra foi utilizada para marcar os 2 (dois) alunos deste professor. Por exemplo, quando o professor foi representado pela letra A, seus alunos foram assim dispostos: aluno A1 e aluno A2. A análise, deste modo, gerará uma comparação entre o que o educador emitiu ao o que o aluno 53 respondeu. As respostas iguais, emitidas pelos alunos e professores, foram agrupadas para facilitar a análise. Quadro 1: Resposta da pergunta nº1 dos professores e dos alunos Professor Resposta Aluno Resposta A e B Manuseio de livros, letras e apoio familiar A1 Lendo livros A2 Juntando letras B1 e B2 Juntando letras C Não especificou quando aprende C1 Pensando na família silábica C2 Lendo livros D Apoio familiar D1 Juntando vogais D2 Prestando atenção na professora E, G, H e I Manuseio de livros e letras E1 Juntando letras E2 Juntando palavras G1 e I2 Pensando na palavra e escrevendo-a G2 e I2 Lendo livros H1 Juntando letras H2 Pensando na família silábica F Refletindo sobre as letras e seus valores sonoros F1 Prestando atenção no fonema e escrevendo as letras F2 Juntando as palavras J Manuseio de suportes de uso cotidiano J1 Prestando atenção na professora J2 Copiando o que a professora escreve Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 A partir das respostas dos professores e dos alunos percebe-se, em alguns casos, que há uma semelhança entre os pensamentos do educador e o 54 de seus respectivos alunos em relação a como se aprende a ler e a escrever. Os professores E, G, H e I, ou seja, 4 (quatro) entre os 10 (dez) entrevistados, comentaram que a criança aprende a ler e a escrever quando o educador trabalha com livros e letras e, de fato, todos os alunos destes docentes confirmaram que aprenderam a ler e a escrever por meio destes recursos, ou pelo menos um deles. Nos casos das respostas dos professores C, D e J não houve uma compatibilidade dos pensamentos dos alunos com os descritos pelos educadores, mas, em cada um desses casos, pode haver uma explicação em torno dessa incoerência de respostas. Pode-se inferir que o professor C compreendeu equivocadamente a pergunta, uma vez que emitiu quando e não como os educandos aprendem a ler e a escrever, como demonstra o depoimento: Professor C “Acredito que a criança aprende a ler e escrever quando pequenas. Porque é o momento em que elas começam a desenvolver atitudes positivas e habilidades básicas”. Como se pode notar, o professor C não soube interpretar adequadamente a questão, o que torna difícil uma comparação de sua resposta à de seus alunos. Em contrapartida, o professor D atribuiu o aprendizado de leitura e escrita ao apoio da família, enquanto que os alunos descreveram que eles aprendem a ler e a escrever juntando as vogais e prestando atenção no professor. Percebe-se, neste caso, que a resposta do educador é insuficiente para ser comparada à de seus alunos, visto que somente os educandos responderam, realmente, como eles iniciam o processo de alfabetização. Quanto ao professor J, embora tenha relatado o que, de fato, faz com que a criança aprenda a ler e escrever, seus alunos enunciaram uma resposta contraditória a esse pensamento, como demonstram os depoimentos abaixo: Professor J: “Meus alunos aprendem a ler e a escrever através de livros, folhetos de compras, rótulos e histórias”. 55 Aluno J1: “Aprendo prestando atenção na professora e ficando olhando”. Aluno J2: “Aprendo copiando tudo o que a professora escreve na lousa” Como se pode verificar, a educadora diz trabalhar com recursos de uso cotidiano, como panfletos e rótulos; todavia, seus alunos não se lembraram em nenhum momento destas atividades, enunciando que só aprendem copiando o que a professora escreve, assim como prestando atenção em suas explicações. Vale ressaltar que o fato de os alunos não se lembrarem dos recursos expostos pela docente não é sinal de que tais atividades não foram realizadas. O que se pode deduzir é que, na memória dos alunos, ficaram marcados outros meios utilizados para aprender a ler e escrever, que não coincidem com os ditados pela educadora. Com base nos dados obtidos, constata-se que os professores têm suas próprias maneiras de conceberem como a criança aprende a ler e a escrever, porém, os recursos utilizados na sala de aula para a aprendizagem da leitura e da escrita, segundo a pesquisa, são semelhantes, visto que apareceram mais de uma vez como norteadores da alfabetização, atividades que envolvam letras, livros, bem como a necessidade do apoio extraescolar da família dos alunos. A segunda pergunta do questionário lançada para os educadores buscou apresentar quais atividades, segundo o professor, dão início ao ensino de leitura e escrita. Esta questão somente foi dirigida ao docente, portanto, o quadro abaixo não demonstra os dados obtidos por meio da pesquisa com os alunos. Quadro 2: Resposta da pergunta nº2 dos professores (cont.) Professor Resposta A Livros e alfabeto B e E Nome próprio C Leituras, ditados, caça-palavras D e G Nome próprio, alfabeto e textos H Projetos que abrangem leitura e escrita 56 I Alfabeto, listas de palavras, nome próprio J Alfabeto, sondagem Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Com base nas informações apresentadas, verifica-se que 5 (cinco) das 10 (dez) respostas representam que o ensino de leitura e escrita deve partir do nome próprio das crianças, visto que este nome é carregado de sentido para ela e se torna um grande apoio às atividades de alfabetização. Além do nome próprio, algumas das respostas, 5 (cinco) dentre 10 (dez), notificam que as professoras atribuem importância ao uso do alfabeto para o ensino inicial de leitura e escrita. Aparecem, ainda, como norteadores do processo de alfabetização, atividades como: listas de nomes, trabalhos que envolvam a reflexão do sistema de escrita, ditados, caça-palavras, sondagem, livros e textos, como demonstram os depoimentos abaixo: Professor A: “As atividades que dão início ao ensino de leitura e escita são as que envolvem as letras do alfabeto e livros infantis”. Professor F: “Trabalho com atividades que leve a criança a refletir sobre o sistema de escrita” Professor I: “Trabalho com atividades com alfabetos, listas, etc... sendo que no início é importante trabalhar essas atividades envolvendo o próprio nome do aluno”. Diante do exposto, nota-se a relevância de se trabalhar com atividades que geram a reflexão, por parte dos alunos, ao sistema de escrita alfabética. Nada se torna mais adequado, para gerar esta reflexão, do que atividades que envolvam o nome próprio dos alunos, bem como textos e palavras que as criançasestão acostumadas a conviver, no meio social. Somente uma professora, a representada pela letra H, demonstra a preocupação de se trabalhar projetos sobre leitura e escrita no início da alfabetização: Professor H: “Procuro trabalhar com Projetos, pois são bem abrangentes 57 e despertam para o gosto da leitura e da escrita”. Os projetos são, de fato, valiosíssimos para a alfabetização, visto que envolvem os alunos ativamente, como investigadores de algum problema, no caso, a leitura e a escrita. Este tipo de atividade incentiva o interesse dos educandos, e assim como disse a professora citada, desperta o gosto pela leitura e pela escrita. Através dos resultados desta segunda questão, nota-se que todos os professores que responderam ao questionário têm suas próprias atividades para iniciar a alfabetização, porém, todos buscam, da melhor maneira possível, lançar atividades que envolvam os alunos e façam com que eles consigam avançar no conhecimento referente à leitura e à escrita. A terceira pergunta proposta para os professores solicitou a descrição de qual método norteava sua prática pedagógica. Para confirmar as respostas dos docentes, foram apresentadas aos alunos duas atividades, nas quais teriam que apontar qual delas o professor utilizava com mais frequência. A primeira atividade foi retirada de uma cartilha e a segunda foi extraída de um livro de parlendas. Cabe explicitar que os métodos tradicionais se apoiam nas cartilhas, ou seja, se o aluno responder que o professor trabalha com atividades como as da cartilha que lhe apresentamos, ele está automaticamente dizendo que seu educador se embasa nos métodos tradicionais. Em contraposição, se o aluno disser que o professor trabalha com parlendas, ele espontaneamente está confirmando que seu docente adere às ideias construtivistas, visto que os adeptos a esta corrente defendem o uso de textos reais para despertar o interesse dos alunos no aprendizado sobre leitura e escrita. Quadro 3: Resposta da pergunta nº 3 dos professores e nº 2 dos alunos (cont.) Professor Resposta Aluno Resposta A Método Construtivista e o de Silabação A1 e A2 Atividade de cartilha B Método de Silabação B1 e B2 Atividade de cartilha 58 C e I Não especificou o método C1 e C2 Atividade de cartilha I1 e I2 Parlenda e Atividade de cartilha D, E e H Método Tradicional e Construtivista D1, D2, E1 e E2 Atividade de cartilha H1 e H2 Parlenda e Atividade de cartilha F Método Global F1 e F2 Atividade de cartilha G Método Global, Sintético, Analítico e outros G1 e G2 Atividade de cartilha J Método Construtivista J1 Parlenda e Atividade de cartilha J2 Parlenda Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Em relação aos dados expostos, pode-se observar que apenas 4 (quatro) respostas dos professores foram comprovadas pelos alunos, estas representadas pelos professores B, F, G e H. Vale ressaltar que os professores B, F e G se apoiam em métodos tradicionais, enquanto o professor H trabalha com o método tradicional simultaneamente aos pensamentos da concepção construtivista. Apesar deste educador se apoiar em duas perspectivas diferentes, seus alunos comprovaram o uso de ambas. Nota-se, ainda, que 5 (cinco) dos educadores entrevistados não se apoiam em apenas um conceito teórico, como é o caso dos professores A, D, E, G e H. O depoimento abaixo exemplifica a resposta de um deles: Professor E: “Eu uso o Método Construtivista junto com a Silabação, vou integrando e aperfeiçoando as dificuldades das crianças com a 59 criatividade também”. Deste modo, pode-se perceber, que os professores dizem se beneficiar das benevolências de mais de uma concepção teórica. Todavia, ao comparar as respostas dos professores A, D e E às de seus educandos, vê-se que não há a comprovação do uso das duas perspectivas citadas, visto que estes três docentes disseram se basear nos modelos tradicionais, bem como nos construtivistas, mas este último não foi reconhecido pelas crianças. Torna-se pertinente salientar, também, que o professor representado pela letra C não expôs qual seria o método utilizado como suporte nas suas aulas, como demonstra sua descrição: Professora C: “Lousa digital, computadores e biblioteca”. Como se pode perceber, o professor C não soube interpretar a questão, disponibilizando como metodologia aquilo que ele utiliza na sua sala de aula para promover as atividades de alfabetização. Vale acentuar, ainda, que o professor I não especificou o método que utiliza como apoio durante suas aulas, expondo: Professora I: “Não tenho um único método”. Em relação a este depoimento, compreende-se que este professor utiliza, em suas aulas, mais de um método como suporte para as atividades de leitura e escrita. Porém, não os especifica. Pode-se deduzir, por meio das respostas dos alunos I1 e I2, que as teorias adotadas pelo professor I para nortear as aulas de alfabetização sobre leitura e escrita são tradicionais e construtivistas, uma vez que os alunos reconheceram que trabalham com atividades de cartilhas, bem como com parlendas. Faz-se necessário enunciar, também, que somente um dos professores entrevistados, o representado pela letra J, declarou seguir apenas um pensamento teórico, no caso o construtivismo. Esta corrente teórica seguida pelo professor J foi afirmada pelos alunos J1 e J2, uma vez que identificaram trabalhar com parlendas; entretanto, o aluno J1 disse que, além de textos e 60 parlendas, seu professor também trabalha com atividades de cartilha. Pode-se perceber, através da análise desta terceira pergunta, que muitos educadores seguem mais de uma concepção teórica, dizendo, na maioria das vezes, que são adeptos à ótica construtivista, mas que também se apoiam aos métodos tradicionais. Todavia, quando perguntado aos alunos, poucos reconheceram o texto “parlenda”, o que pode demonstrar que seus educadores, ao contrário do que dizem, trabalham tradicionalmente. Vale acentuar, ainda, que os professores acreditam que o construtivismo é um método de ensino, pois disseram que o utilizam como metodologia em suas aulas. Porém o construtivismo não é um método, mas sim uma teoria a respeito do aprendizado. Perguntou-se aos professores, em quarto lugar, se eles conheciam a perspectiva de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky em “A Psicogênese da Língua escrita” e se concordavam com esta tese. As respostas coletadas se concentram no quadro abaixo. Quadro 4: Resposta da pergunta nº4 dos professores Professor Resposta A, D, E Conhece a perspectiva, mas não concorda totalmente com as autoras B Conhece a perspectiva, mas não especificou se concorda C, G, H, I, J Conhece a perspectiva, e diz que concorda com as autoras F Conhece a perspectiva, mas não respondeu se concorda Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Com base nos dados levantados neste quadro constata-se que todos os educadores entrevistados dizem conhecer a “Psicogênese da Língua Escrita” de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Vale ressaltar que o fato de os professores dizerem que já ouviram falar nesta perspectiva não significa que eles conheçam todos os pensamentos contidos nesta tese. Como se pode observar no quadro, 1 (um) professor não respondeu se concorda com esta tese, deixando a questão em branco, e 1 (um) educador respondeu à pergunta, porém não deixou claro se concorda ou não, como se pode observar: 61 Professor B: “A psicogênese da língua escrita nos trouxe a compreensão da trajetória da criança em direção a descoberta do sistema alfabético, havendo um equívoco na transmissão, ao acreditarmos que apenas por meio do convívio intenso com o material escrito que circula nas práticas sociais,a criança se alfabetiza” Diante do exposto, pode-se notar que este educador ressalta que a Psicogênese da Língua Escrita foi equivocadamente analisada como uma perspectiva que anunciava que o aluno era capaz de aprender todo o sistema de escrita sozinho, o que por sua vez gerou um abandono dos professores à intervenção pedagógica. Torna-se pertinente frisar que essa má interpretação não se efetiva, visto que Ferreiro e Teberosky, atribuem suma importância à interação da criança ao meio para construir seu conhecimento. O que ocorreu é que, pela primeira vez, alguém olhou para o aluno como um ser capaz de agir ativamente, em busca da aprendizagem, e não como um ser passivo que espera que alguém lhe transmita o conhecimento. Apesar de os pensamentos de Ferreiro e Teberosky terem contribuído efetivamente para a educação, 3 (três) educadores disseram que não concordam totalmente com esta ótica. Em contrapartida, 5 (cinco) dos docentes entrevistados dizem concordar com a tese: Professor G: “Sim, eu concordo, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky contribuíram muito para a educação de nosso país e eu me espelho e aproveito muito as suas teses no meu dia a dia”. Professor H: “Depois que passei a entender melhor o seu trabalho na construção da hipótese silábica, isto facilitou muito o meu trabalho, porque agora sei o nível que meu aluno se encontra e a partir daí vou estimulando o seu desenvolvimento e o seu progresso [...]”. Os depoimentos acima são alguns exemplos das respostas de educadores que concordam com a perspectiva de Ferreiro e Teberosky, provando, assim, que a prática docente, aliada aos pensamentos construtivos da Psicogênese da Língua Escrita, garantem muitos avanços e produtividade à 62 realidade educacional. A quinta pergunta do questionário destinado somente para os professores, refere-se a se o professor utiliza algum instrumento para levantar dados sobre os níveis dos alunos, qual a periodicidade da aplicação deste recurso e como ocorre a intervenção, após os resultados obtidos. Quadro 5: Resposta da pergunta nº5 dos professores Professor Resposta A Sondagem realizada uma vez por semana. Não especificou sua intervenção B Sondagem realizada uma vez por mês. Intervém separando os alunos em agrupamentos C Sondagem realizada uma vez por mês. Não especificou sua intervenção D Sondagem realizada a cada dois meses. Intervém voltando do zero quando aluno apresenta alguma dificuldade E, F, G, H, J Sondagem realizada a cada dois meses. Intervém adaptando as atividades ao nível dos alunos I Sondagem realizada a cada dois meses. Não especificou a intervenção Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Com base nos dados do quadro, pode-se observar que todos os educadores entrevistados utilizam a sondagem como suporte para detectar os níveis de seus alunos. Cabe frisar que os professores E, F, G, H e J, enunciaram que com base nos resultados obtidos através da sondagem, as atividades da sala são adaptadas para atender às necessidades particulares de cada aluno, como exemplificam os depoimentos abaixo: Professor E: “Faço a sondagem a cada bimestre, e após detectar o nível de cada aluno, preparo atividades relativas a este nível”. Professor H: “Após o resultado trabalho com algumas atividades 63 diferenciadas para favorecer o progresso da escrita”. Nota-se, assim, que metade dos educadores que responderam ao questionário diz utilizar a sondagem como ponto de partida para as atividades educacionais. De acordo com as respostas apresentadas pelos educadores, constata- se que 7 (sete) dos entrevistados efetuam a sondagem bimestralmente, estes representados pelas letras D, E, F, G, H, I e J, enquanto 2 (dois), no caso B e C, realizam uma vez por mês, e somente 1 (um) avalia seus alunos semanalmente, o professor A. Observa-se, ainda, que 1 (um) professor, representado pela letra B, intervém sobre os dados coletados pela sondagem, agrupando seus alunos em níveis distintos, porém próximos, para que um aprenda interagindo com o outro. Em contrapartida, 1 (um) educador, notificado com a letra D, expôs que, quando descobre uma dificuldade em seu aluno durante a sondagem, retoma todo o trabalho de leitura e escrita ao início: Professor D: “[...] começo do zero, volto tudo de novo”. Como se pode notar, este educador acredita que a melhor intervenção a ser realizada com o aluno, é a de recomeçar o processo de ensino, retomando todos os conceitos primários da alfabetização. Com base nos dados obtidos nesta questão, pode-se constatar que a sondagem é realizada periodicamente pelos docentes, e que a intervenção realizada, após a obtenção dos resultados, é variada. Compreende-se, ainda, que a sondagem é um importante instrumento avaliativo utilizado por todos os componentes desta pesquisa para detectar os níveis dos alunos, comprovando, a eficácia de uma das contribuições estabelecidas, graças à Psicogênese da Língua Escrita (1999), que detectou que as crianças passam por níveis graduais na construção do conhecimento referente à leitura e à escrita. A sexta pergunta direcionada aos professores requisitava que estes descrevessem o que, para eles, significa o erro da criança, no momento da escrita, tal como sua atuação mediante a este erro. Para realizar uma análise às respostas dos educadores, foi solicitado aos alunos que relatassem qual a reação do docente quando eles cometem algum erro, no momento da escrita. 64 Quadro 6: Resposta da pergunta nº 6 dos professores e nº 3 dos alunos Professor Resposta Aluno Resposta A Não especificou o que significa o erro. Intervém solicitando ao aluno à correção adequada. A1 e A2 Apaga e manda corrigir B O erro significa um norteamento à prática. Intervém solicitando ao aluno à correção adequada. B1 Marca o erro, e manda corrigir B2 Explica o erro e manda corrigir C e F O erro demonstra as dificuldades dos alunos. Intervém ajudando a superá-las C1 e C2 Apaga e manda corrigir F1 Manda corrigir ou mostra o correto F2 Manda corrigir D O erro demonstra a dificuldade do aluno, Intervém iniciando novamente as primeiras atividades D1 e D2 Apaga e manda corrigir E O erro é visto como falta de interesse do aluno. Intervém deixando a criança perceber o erro E1 Apaga e manda corrigir E2 Coloca atrás da porta G e H O erro significa um norteamento à prática. Intervém deixando a criança perceber o erro G1 Pergunta se está certo ou errado G2 A professora corrige sozinha H1 Apaga e manda corrigir H2 Marca o erro, e manda corrigir I e J O erro significa um norteamento à prática. Intervém propondo atividades adequadas I1, I2, J1 e J2 Manda corrigir ou mostra o correto Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Ao analisar as respostas dos professores, verifica-se que alguns deles enunciaram que o erro significa um norteamento à prática pedagógica, como é o caso dos educadores B, G, H, I e J. Em contrapartida, 3 (três) docentes, estes representados pelas letras C, D e F , denominaram que o erro representa 65 as dificuldades dos alunos no momento da escrita. Apenas 1 (um) professor, o identificado pela letra E, relatou que o erro demonstra o desinteresse do aluno em aprender a ler e a escrever. Faz-se pertinente mencionar, também, que houve 1 (um) educador que não esclareceu sua concepção sobre o que é um erro. Segundo os dados sobre como o professor vê o erro de seus alunos, nota-se, com exceção do professor E, que o erro não apresenta um fim em si mesmo, visto que este representa a dificuldade da criança e pode servir de norteamento, indicando o caminho que o professor deve seguir, ao preparar as atividadessobre a leitura e a escrita. As respostas dos educandos ratificaram, nesta sexta questão, o que acontece quando eles erram. Vale ressaltar que, nos casos dos docentes C, E, F, H e I, a resposta do aluno não coincidiu à de seus professores, como exemplifica os depoimentos abaixo: Professor E: “Eu vejo o erro como falta de interesse, mas, quando um aluno erra, eu pergunto se está certo. Deixo a criança perceber o erro”. Aluno E1: “A professora apaga, pede para sentar e fazer tudo de novo”. Aluno E2: “Ela me coloca atrás da porta”. Pode-se notar que, apesar deste docente dizer que deixa seus alunos perceberem o erro, esta afirmação não foi confirmada pelos alunos, visto que as crianças demonstraram, pelas respostas, que seu professor reage autoritariamente diante do erro. Percebe-se, ainda, analisando o quadro, que 8 (oito) alunos disseram que o educador apaga o erro e manda corrigi-lo; 5 (cinco) falam que o professor faz a correção ou manda o aluno corrigir; 2 (dois) dizem que o professor marca aonde está errado; 1 (um) enuncia que lhe é explicado o erro para que possa corrigir; 1 (um) é colocado atrás da porta; 1 (um) diz que o educador manda corrigir, sem mostrar o que ele errou; 1 (um) responde ao professor se está certo ou errado o que ele escreveu; e 1 (um) o professor corrigi sozinho. 66 Como se pode compreender, apesar da maioria dos professores dizerem que o erro representa uma dificuldade ou um guia à prática educativa, grande parte dos alunos descreveram que seus professores apagam aquilo que ele escreveu e manda fazer novamente. Vale salientar que estas crianças estão em fase de aprendizado, portanto, suas colocações inadequadas às normas cultas são comuns, uma vez que ainda não dominaram o sistema notacional, não podendo ser autoritariamente concebidas como “erros”, visto que o erro é um importante fator que fará com que a criança reflita e consiga, através desta reflexão produtiva, evoluir. A sétima pergunta elaborada para os professores buscou saber se o docente agrupa seus alunos produtivamente, para gerar uma interação aluno- aluno que auxilie no aprendizado dos educandos, assim como estabelecer qual é o critério utilizado para formar estes grupos. Para confirmar as respostas dos professores, os alunos comunicaram se eles trabalham em grupos e quem decide sobre esta formação. Quadro 7: Resposta da pergunta nº7 dos professores e nº 4 dos alunos (cont.) Professor Resposta Aluno Resposta A, C, G e J Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, assim como nos níveis dos alunos A1 e A2 Senta em duplas formadas pela professora C1, C2, J1 e J2 Senta sozinho, porque a professora decidiu G1 e G2 Às vezes em duplas. A professora que decide B Agrupamentos baseados no comportamento, na opinião dos alunos, e em seus níveis B1 e B2 Senta com 6 (seis) colegas. Formado pela professora D e I Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, no comportamento dos alunos e em seus respectivos níveis D1 e D2 Senta sozinho, porque a professora decidiu I1 e I2 Às vezes em duplas. A professora que decide 67 E Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, na opinião dos alunos, e em seus níveis, bem como pela proximidade das crianças. E1 Senta sozinho, mas a professora dispõe alguns alunos que sentam juntos E2 Senta sozinho, porque a professora decidiu F Agrupamentos baseados pelos níveis dos alunos F1 Senta sozinho, porque a professora decidiu F2 Às vezes em duplas. A professora que decide H Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, no comportamento, na opinião dos alunos, e em seus níveis, H1 e H2 Às vezes em duplas. A professora que decide Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Com base nas respostas obtidas, observa-se que todos os educadores, entrevistados, disseram trabalhar com agrupamentos, para satisfazer uma interação produtiva aluno-aluno, todavia, nem todas as respostas dos alunos combinaram com as dos educadores. Os alunos C1, C2, D1, D2, J1 e J2 disseram que não sentam junto com outro colega, e quem decidiu sobre essa situação foi o próprio professor. Os depoimentos abaixo evidenciam essa contradição: Aluno C1: “Eu sempre sentei sozinho, porque a professora sempre quis assim”. Aluno C2: “Sento longe, a professora que quis”. Aluno D1: “Não sento com ninguém, não, a professora que decidi que a gente tem que sentar assim”. Aluno J1: “Sento sozinha, com a professora de antes eu sentava junto, agora não”. Como se pode notar, estes depoimentos são alguns exemplos que 68 estabelecem que aquilo que o educador respondeu ao questionário não se enquadrou ao que o aluno enunciou, uma vez que o educador disse trabalhar com agrupamentos, mas os alunos negaram esta afirmação. O aluno E1 respondeu ao questionário, dizendo que ele senta sozinho, mas alguns colegas sentam em duplas, seu colega de sala representado pela letra E2 disse que não senta em agrupamentos. De qualquer forma, as respostas destes dois alunos não se assemelham, totalmente, à do professor, visto que o docente frisa trabalhar com agrupamentos. Outra contradição pode se estabelecer, ao analisar os alunos do professor F. O aluno F1 diz que não há agrupamentos na sua sala de aula, enquanto o aluno F2 enfatiza que, às vezes trabalha em duplas e, às vezes, não. Nota-se, portanto, que a resposta de um dos alunos, de certa forma, corresponde à fala do educador, provando que o docente realmente realizava grupos com seus alunos. Cabe informar, ainda, que, apesar de alguns enunciados das crianças contradizerem à dos educadores, 5 (cinco) respostas dos professores foram confirmadas por seus 2 (dois) alunos, como é o caso dos professores A, B, G, H e I. Posto isto, observa-se que metade dos docentes entrevistados acredita que a interação aluno-aluno auxilia no processo de ensino-aprendizagem sobre leitura e escrita, no primeiro ano do ensino fundamental. A sétima pergunta não se referia apenas a se os educadores separam seus alunos em grupos, mas objetivava saber, também, quais são os critérios que o docente utiliza para formar tais agrupamentos. Em relação a este segundo questionamento, pode-se constatar que 4 (quatro) dos professores entrevistados, disseram que organizam agrupamentos baseando-se nas dificuldades e nos avanços semelhantes dos alunos, bem como nas hipóteses de escritas, estabelecidas por Ferreiro e Teberosky (1999); 2 (dois) educadores relataram que se baseiam, além desses dois fatores citados, no comportamento dos alunos; 1 (um) professor enunciou que parte do comportamento, da opinião de seus alunos e das hipóteses de escrita; 1 (um) leva em conta a proximidade e a opinião dos alunos, além das dificuldades e dos avanços semelhantes e das hipóteses de escrita; 1 (um) separa os alunos conforme as hipóteses de escrita; e 1 (um) considera as hipóteses, o comportamento, a opinião e as dificuldades e avanços semelhantes. Observa-se, portanto, que todos os educadores citados se baseiam nas 69 hipóteses de escrita, descritas por Ferreiro e Teberosky (1999), para se guiarem na separação de seus alunos. Vale ressaltar que os agrupamentos só se tornam produtivos quando baseados nos níveis próximos, porém diferentes, de escrita dos educandos, pois esta diferença fará com que o aluno, em estado inferior de conhecimento, perceba que o modo que escreve não se assemelha à escrita de seu colega, o que gerará um conflito de ideias que posteriormente fará com que os pensamentos deste aluno, sobre a escrita, se modifiquem. Como se pode notar, para que os alunos avancem no processo de conhecimento sobre leitura e escrita, o professor pode agrupá-los, porém o resultado destes agrupamentos seráinsatisfatório se o educador ao invés de se basear nos níveis de escrita de seus aprendizes, levar em conta questões como o comportamento e a proximidade das crianças na sala, uma vez que estes fatores não são suficientes para provocar uma interação produtiva. A oitava pergunta do questionário destinado aos educadores objetivou detectar se há remanejamento dos agrupamentos formados pelo professor e com qual periodicidade esses grupos se modificam. Os alunos responderam se realmente os grupos se modificam e por quê. Quadro 8: Resposta da pergunta nº8 dos professores e nº 5 dos alunos (cont.) Professor Resposta Aluno Resposta A, D, F, G e I O agrupamento é modificado quando há necessidade A1 e A2 Muda quando há brigas D1, D2 e F1 Não senta em agrupamentos F2 e G1 Muda até não dar conversa G2 Muda para poder ajudar os outros I1 e I2 A professora muda, mas o aluno não sabe por quê 70 B e E Altera quando há necessidade ou ocorre algum problema de comportamento B1 e B2 Muda até não dar conversa E1 e E2 Não senta em agrupamentos C e J O agrupamento é modificado a cada bimestre ou quando há necessidade C1, C2, J1 e J2 Não senta em agrupamentos H O agrupamento é modificado todas as semanas ou quando há necessidade H1 Professor muda porque quer H2 Muda para poder ajudar os outros Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 Segundo os dados do quadro, constata-se que os mesmos alunos que disseram que não há agrupamentos, na sétima pergunta, persistem em dizer que realmente ficam sozinhos, como é o caso dos alunos C1, C2, D1, D2, E2, F1, J1 e J2. O aluno E1, na pergunta anterior, disse que sentava sozinho, mas que alguns alunos sentavam em duplas; já nesta oitava pergunta, apenas respondeu que não há agrupamentos, concordando com a resposta do aluno E2 e negando a afirmação do educador E, que ressaltou que modifica os agrupamentos quando há necessidade ou quando ocorre algum problema de comportamento. Os alunos F1 e F2 permanecem contrários, o primeiro insistiu em dizer que senta sozinho, enquanto que o segundo disse que, às vezes, há agrupamentos dos alunos e que esses agrupamentos modificam-se quando há conversas entre os integrantes do grupo. Cabe elencar que 5 (cinco) dos professores disseram modificar os grupos apenas em caso de necessidade; 2 (dois) alteram a cada bimestre ou quando ocorre o mesmo fator dito pelos 5 (cinco) educadores citados anteriormente; 2 (dois) quando é necessário ou ocorre algum problema de comportamento; e 1 (um) semanalmente ou quando necessário. Vale ressaltar, ainda, que alguns dos alunos não sabem por que o professor os agrupa, como exemplifica os alunos H1, I1 e I2, enquanto outros, como G2 e H2, percebem que o agrupamento é uma ferramenta utilizada pelo 71 professor para garantir que os educandos ajudem uns aos outros. Nota-se, portanto, que todos os educadores dizem modificar os grupos formados na sala, todavia, não apresentam uma regra imutável quanto à periodicidade, uma vez que os agrupamentos, segundo as respostas do questionário, podem ser alterados segundo vários fatores, como conversas, comportamentos e avanços. A nona pergunta, dirigida aos docentes, solicitava que estes elencassem os materiais que compunham sua sala de aula, no decorrer do ano letivo. Em concordância a esse questionamento, os alunos também relataram quais materiais estavam disponíveis nas paredes de sua sala. Quadro 9: Resposta da pergunta nº 9 dos professores e nº 6 dos alunos (cont.) Professor Resposta Aluno Resposta A Calendário, numerais e alfabeto A1 e A2 Desenhos, alfabeto, numerais e cantinho da leitura B e E Calendário, lista nome próprio, cartazes, músicas, gráficos, tabelas, números e alfabeto B1 e B2 Calendário, alfabeto e cantinho da leitura E1 Nome dos desenhos, silabário, alfabeto e cartaz com música E2 Alfabeto e numerais C Não especificou os materiais C1 e C2 Alfabeto e numerais D Parlenda, alfabeto, versos, lista de palavras e numerais D1 Alfabeto, números e cantinho da leitura D2 Trabalho dos alunos (permanentes) F Calendário, numerais e alfabeto F1 e F2 Diz que a professora não coloca nada G Calendário, lista de alunos, alfabeto, numerais, painéis referente aos projetos e atividades G1 Alfabeto, numerais, calendário e nome dos alunos G2 Histórias, músicas e aniversariantes 72 H Alfabeto, calendário, numerais, relógio, cartaz dos nomes e dos aniversariantes do mês, datas comemorativas e textos H1 Calendário, nome dos alunos, desenhos e trabalho dos alunos (não permanente) H2 Alfabeto, numerais, calendário e nome dos alunos I Calendário, cartazes dos assuntos trabalhados, aniversariantes e lista dos nomes dos alunos I1 Calendário, aniversariantes do mês e alfabeto I2 Alfabeto, relógio, calendário, aniversariantes do mês e trabalho dos alunos (não permanente) J Parlendas, músicas, sequência numérica, lista de alunos e quadrinhas J1 e J2 Cartaz de animais (fêmea e macho), qual o seu tamanho, parlendas, músicas e alfabeto Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 A partir das respostas dos entrevistados, pode-se observar que ao serem comparados os dados obtidos das respostas dos professores aos de seus alunos, nota-se que, em todos os casos, pelo menos um material se assemelha entre os depoimentos. Entretanto, esse fato não ocorreu com o docente representado pela letra C, visto que não especificou os materiais que disponibiliza em sala de aula, embora seus alunos tenham declarado a exposição de numerais e alfabeto. Em relação ao uso dos nomes dos alunos como material integrante ao ambiente da sala de aula, percebe-se que os docentes B, E, G, H, I e J usufruem do beneficio que esse instrumento oportuniza. No entanto, apenas os educadores G e H tiveram suas respostas sustentadas por seus educandos, enquanto que os representados pelas letras B, E, I e J não alcançaram a mesma compatibilidade. Deste modo, pode-se deduzir que os educadores que utilizam os nomes das crianças como suporte, dentro da sala de aula, valorizam o que é significativo para seus alunos, visto que a lista de nomes faz com que consigam pensar na composição de seus nomes, tal como nos de seus colegas, contribuindo para que avancem em seu processo de compreensão do sistema de escrita alfabética, porquanto servem de apoio, no momento em que 73 precisam escrever outras palavras. Percebe-se, ainda, que há a utilização de textos, como parlendas, músicas e versos, no ambiente da sala de aula, como dito pelos professores B, D, E, H e J, que expressam a significância desses materiais como forma de as crianças colocarem à prova suas hipóteses, sobre a leitura e a escrita. Todavia, somente os alunos J1 e J2 comprovaram a fala de seu educador. Pode-se inferir que, quanto ao fato de os outros alunos não reafirmarem a resposta de seus docentes, referente à integração de textos, não generaliza a falta de uso destes, visto que os educandos podem ter esquecido de citá-los. Em relação à disposição dos trabalhos dos alunos em sala de aula, os alunos D2, H1 e I2 descreveram que seus professores os disponibilizam no ambiente da sala de aula. Contudo, o aluno D2 citou que esses trabalhos não são modificados, ficando dispostos até o fim do ano, o que não ocorre com os educandos H1 e I2, pois declararam que os trabalhos que eles fazem são expostos na sala de aula, porém são revezados, quando necessário. Visto isto, torna-se relevante ressaltar a importância da temporalidade dos materiais expostos na sala de aula, uma vez que, o ambientealfabetizador deve se renovar durante todo o ano letivo. Alguns recursos utilizados como apoio à alfabetização, como, o alfabeto, tornam-se permanentes, pois não há a necessidade de mudá-lo. Todavia materiais como painéis e trabalhos dos alunos precisam estar em constantes mudanças, já que a alternância destes simboliza uma sucessão de atividades. Pode-se observar, a partir dos dados da pesquisa, que todos os educadores entrevistados se preocupam em manter um ambiente rico em cultura letrada na sala de aula, utilizando vários recursos para estabelecer a interação aluno-ambiente. A décima e última questão, destinada somente aos educadores, buscou elencar a relação de materiais disponíveis na sala de aula que se alteram durante o ano letivo. Quadro 10: Resposta da pergunta nº10 dos professores (cont.) Professor Resposta A e E Jogos, listas de palavras e cartazes com letras de músicas B Listas de palavras, gráficos, tabelas e cartazes com músicas 74 C Não especificou quais materiais são alterados D e J Listas de palavras e cartazes com parlendas e versos F e G Painéis de projetos H Cartazes de datas comemorativas e textos I Calendário, aniversariantes e lista dos alunos Fonte: elaborado pelas pesquisadoras, 2013 A partir dos dados do quadro, pode-se observar que o ambiente da sala de aula deve ser renovador e não monótono, e para gerar esta renovação produtiva 2 (dois) educadores disseram que alteram os jogos, as listas de palavras e os cartazes de músicas; 2 (dois) enunciaram modificar as parlendas, os versos e as listas de palavras; 2 (dois) renovam os painéis de projetos; 1 (um) troca as listas, os gráficos, as tabelas e as músicas; 1 (um) varia na estruturação de cartazes com textos e datas comemorativas; 1 (um) relatou que diversifica seus calendários, os cartazes de aniversariantes e as listas de alunos; e 1 (um) não especificou quais materiais são modificados, enunciando somente que o ambiente deve se basear no momento da aprendizagem. Cabe enunciar, ainda, que muitos educadores quando questionados, na nona questão, sobre quais eram os materiais disponíveis na sala não lembraram de alguns recursos que citaram na décima pergunta, o que gerou o surgimento de novos materiais, como por exemplo o professor F, que nesta questão se lembrou dos painéis de projetos que ele realiza. Constata-se, ainda, segundo as respostas dos professores, que os materiais disponíveis na sala de aula devem ser modificados durante o ano, para atender às necessidades de cada atividade trabalhada, como exemplificam os depoimentos abaixo: Professor C: “Não são permanentes aqueles materiais que já foram utilizados na aprendizagem. O ambiente tem que ser renovador”. Professor F: “Os materiais que se modificam são os painéis de projetos, porque a cada projeto desenvolvido ele é mudado para dar lugar a outro”. 75 Percebe-se, portanto, que os professores não somente modificam alguns materiais na sala, mas compreendem porque que estes devem ser modificados, visto que, quando os materiais não são alterados, estes atribuem uma decoração à sala e não um recurso gerado para a interação aluno- ambiente. Em suma, pode-se constatar, nesta pesquisa, a partir dos dados obtidos pelo questionário, que a tese de Ferreiro e Teberosky é conhecida pela totalidade dos educadores questionados e, embora nem todos concordem totalmente com esta perspectiva, adotam estratégias para auxiliar o processo de alfabetização de leitura e escrita, baseadas nos pensamentos levantados na Psicogênese da língua escrita, como a sondagem, os agrupamentos de alunos, a disposição adequada de materiais na sala de aula e a visão do erro como guia de atividades. No entanto, a carência de conhecimento sobre a tese de Ferreiro e Teberosky faz com que estes instrumentos não sejam aplicados corretamente, o que, por sua vez, não gera resultados positivos em relação ao processo de ensino e aprendizagem de leitura e escrita. Cabe enunciar, ainda, que quando questionados, os educadores, em alguns casos, se disseram tradicionais, porém sabem o valor da contribuição da tese de Ferreiro e Teberosky, visto que se baseiam nos níveis ditos pelas autoras, assim como usufruem das interações aluno-aluno e aluno-ambiente e, embora os educandos neguem que estas interações ocorrem, os docentes, por algum motivo disseram se apoiar aos pensamentos construtivistas. Infelizmente, o que alguns educadores dizem não condiz ao o que o aluno relata, pois, se realmente o que foi dito pelos educadores, em algumas questões, ocorresse, de fato, no ambiente escolar, estaria, deste modo, iniciando um processo de alfabetização que oportuniza ao aluno situações de ensino e aprendizagem que o levem a construir seu conhecimento ativamente. 76 CONCLUSÃO O presente trabalho realizou estudos que apresentaram a significância da perspectiva de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, em Psicogênese da língua escrita, à prática pedagógica, no que diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem sobre alfabetização, reconhecendo o aluno como construtor de seu próprio conhecimento. Primeiramente, pode-se analisar o surgimento dos registros gráficos inventados pelos seres humanos, assim como a evolução destes sinais para estabelecer uma comunicação ou, até mesmo, para conservar uma ideia, visto que, com o passar do tempo, almejava-se obter um registro mais preciso que desse conta de toda e qualquer expressão. A partir do aperfeiçoamento do código linguístico, criou-se o sistema de escrita alfabética que hoje se tem conhecimento. Para o ensino deste sistema, a escola apoiou-se em métodos tradicionais de alfabetização, com a intenção de promover a aprendizagem dos alunos. Entretanto, o sujeito que aprende era visto, pelas metodologias tradicionais, apenas como um receptor de informações, que se alfabetizaria pelo treino e memorização de conteúdos. Em seguida, refletiu-se sobre os estudos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, bem como as referências conceituais nas quais as estudiosas se apoiaram para realizarem a perspectiva descrita em Psicogênese da língua escrita. Ao analisar a tese das autoras, compreendeu-se como se efetiva, na mente da criança, o aprendizado do sistema notacional, visto que o sujeito passa por etapas gradativas até compreender o sistema de leitura e escrita. Percebe-se, também, que os estudos de Ferreiro e Teberosky trouxeram um olhar diferenciado ao processo de ensino e aprendizagem de alfabetização, uma vez que consideraram o sujeito como personagem central no ensino de leitura e escrita. Vale salientar, ainda, que o professor assume, nesse momento, o importante papel de mediar os conhecimentos construídos por seus alunos, posto que o educador deve criar condições favoráveis para a efetivação do aprendizado de seus educandos, referente ao sistema de escrita alfabética. Torna-se pertinente salientar as contribuições que este referencial teórico, elaborado por Ferreiro e Teberosky, possibilita à prática pedagógica, 77 uma vez que os educadores ao se basearem nesta perspectiva proporcionam às crianças situações de ensino e aprendizagem favoráveis à construção de seus próprios conhecimentos. Questionou-se, em ultima instância, como se efetiva o processo de ensino e aprendizagem sobre leitura e escrita no primeiro ano do ensino fundamental, no qual pode ser compreendido que, apesar dos benefícios gerados pela publicação da Psicogênese da língua escrita, poucos educadores se embasam, totalmente, nesta teoria, visto que, na realidade escolar, segundo a pesquisa, é preferível conciliar os modelos associacionistas dos métodos tradicionais com alguns conceitos apresentados por Ferreiro e Teberosky. Entretanto, vale ressaltar que estes docentes se contradizem ao relatarem o uso dos métodos tradicionaisjunto às concepções das autoras, pois, um educador que segue o último pensamento, não pode agir como um transmissor de informações a serem memorizadas pelos alunos. Portanto, torna-se difícil compreender que pode haver um elo entre duas perspectivas contrárias, visto que não há como se estabelecer uma didática que, ao mesmo tempo, vê o aluno como construtor e receptor do conhecimento. Apesar do uso misto de mais de uma concepção teórica, pode-se concluir, por meio da pesquisa realizada, que os educadores dizem se embasar em alguns conceitos enunciados pela Psicogênese da língua escrita. Embora o relato de alguns alunos contradizerem os dos educadores, comprovou-se, por meio dos dados dos docentes, a relevância do estudo de Ferreiro e Teberosky, visto que, na prática educacional, são utilizados alguns instrumentos que auxiliam no processo de compreensão do sistema de escrita alfabética, tais como o uso da sondagem, para descobrir os níveis de leitura e de escrita de cada aluno e a disponibilidade de fatores que promovem interações significativas para a aprendizagem da alfabetização. O assunto abordado nesta pesquisa é direcionado a todos os educadores, podendo servir de referência à prática alfabetizadora, visto que possibilita a ampliação do conhecimento profissional do educador que acredita que o aluno é capaz de agir ativamente, em busca de seu próprio conhecimento. Almeja-se, assim, que este trabalho instigue outras pesquisas referentes ao tema abordado e que contribua para os educadores refletirem sobre sua atuação no campo educacional. 78 REFERÊNCIAS BARBOSA, J. J. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 1991. CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Alfabetização: Método Fônico. São Paulo: Memnon Edições Cientificas. 2002. CARRETERO, M. Construtivismo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. CÓCCO, M. F.; HAILER, M. A. Didática de alfabetização: decifrar o mundo, alfabetização e socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996. CONSTRUTIVISMO. Disponível em: <www.wikipedia.org> Acesso em 15/03/2013. FEIL, I. T. S. Alfabetização: um desafio novo para um novo tempo. Ijuí: Vozes, 1987. FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999 FERREIRO, E. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 1992. FERREIRO, E; PALACIO, M.G. Os processos de leitura e escrita. Novas perspectivas. Porto Alegre; Artmed, 1987. MORAIS, A. G. Sistema de escrita alfabética. São Paulo: Melhoramentos, 2012. OLIVEIRA, M. K. “Pensar a educação – Contribuições de Vygotsky”. In: CASTORINA, J. A.; et al. Piaget-Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 2002. PIAGET, J. A Epistemologia genética: sabedoria e ilusão da filosofia. São Paulo: Abril, 1983 79 PIAGET, J. Biologia e conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1996. TEBEROSKY, A; COLOMER, T. Aprender a ler e a escrever. Porto Alegre: Artmed, 2003 WEIZ, T. Os analfabetos funcionais são fruto de uma escola que produz não- leitores. Nova Escola. São Paulo, n.251, p.35-37, Abril, 2012. WEIZ, T “Prefácio”. In: FERREIRO, E. Reflexões sobre a alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001. WEIZ, T “Prefácio”. In: FERREIRO, E; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. 80 APÊNDICES 81 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES Nós, Franciele da Silva Luna, RG 47.954.789-0 e Ruth André Silva, RG 48.866.353-2 gostaríamos que vocês respondessem o questionário abaixo por fazer parte do nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Alfabetização no primeiro ano do ensino fundamental”, do curso de Pedagogia do Unisalesiano da cidade de Lins. Receberemos de volta até __/__/__. Atenciosamente Franciele e Ruth I – Da identificação: Idade: ___________ Sua formação: ( ) Magistério ( ) CEFAM ( ) Normal Superior ( )Pedagogia Tempo de atuação como professor: _____________________________ II – Das perguntas: 1. Como que a criança aprende a ler e escrever? 2. Quais atividades dão início ao ensino da leitura e da escrita? 3. Qual método de ensino você utiliza como suporte durante suas aulas? 4. Você conhece a perspectiva de Emília Ferreiro e Ana Teberosky em “A Psicogênese da Língua Escrita”? Em caso afirmativo, você concorda com esta tese: Por quê? 5. Você utiliza de algum apoio, assim como a sondagem, para levantar dados sobre as hipóteses de leitura e escrita de seus alunos? Caso faça uso da sondagem, como ocorre sua intervenção, após os resultados obtidos e qual a frequência da aplicação desse instrumento? 82 6. Para você, o que é um erro e quais são as intervenções realizadas por você mediante o erro da criança? 7. Você trabalha com agrupamentos produtivos? Quais critérios você utiliza para realizá-los? ( ) pelas dificuldades e avanços semelhantes das crianças ( ) pelo comportamento ( ) pela opção dos próprios alunos ( ) pelas hipóteses de leitura e escrita ( ) pela proximidade dos alunos na sala ( ) de forma aleatória ( ) não trabalho com agrupamentos produtivos 8. Há remanejamento desses agrupamentos? Com qual periodicidade: ( ) sempre que há necessidade ( ) sempre que há algum problema de comportamento entre as duplas ( ) a cada bimestre ( ) sempre que........................................................................................... ( ) não faço remanejamento 9. Qual a estrutura da sala de aula, no decorrer do ano, em termos de painéis, calendários? 10. Quais destes materiais dispostos na sala de aula não são permanentes? 83 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO PARA ALUNOS 1. Como você aprende a ler e a escrever? 2. Qual dessas atividades o professor trabalha, mais frequentemente, com vocês? (neste momento, será entregue à criança duas atividades: uma retirada de uma cartilha e outra parlenda de um livro). 3. Quando você erra o que o professor faz? 4. Você faz as atividades, na sala de aula, sozinho ou em grupos? Quem decide sobre a formação dos agrupamentos: você ou o professor? 5. Depois de formados, os agrupamentos são sempre os mesmos? Porque há esta modificação? 6. O que é colocado nas paredes da sua sala de aula que o professor utiliza como complemento a alguma atividade? 84 APÊNDICE C – TABELAS DA ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS DOS PROFESSORES 1. Como que a criança aprende a ler e escrever? Manuseio de livros, letras e apoio familiar Apoio familiar Manuseio de livros e letras Refletindo sobre as letras e seus valores sonoros Manuseio de suportes de uso cotidiano Não especificou quando aprende 2 1 4 1 1 1 2. Quais atividades dão início ao ensino da leitura e da escrita? Livros e alfabeto Nome próprio Leituras, ditados, caça- palavras Nome próprio, alfabeto e textos Atividades de reflexão do sistema de escrita Projetos que abrangem leitura e escrita Alfabeto, listas de palavras, nome próprio 1 2 1 2 1 1 1 Alfabeto, sondagem 1 3. Qual método de ensino você utiliza como suporte durante suas aulas? Método Construtivista e o de Silabação Método de Silabação Método Tradicional e Construtivista Método Global Método Global, Sintético, Analítico e outros Método Construtivista 1 1 2 3 1 1 Não especificou o método 1 85 4. Você conhece a perspectiva de Emília Ferreiro e Ana Teberosky em “A Psicogênese da Língua Escrita”? Em caso afirmativo, você concorda com esta tese: Por quê? Conhece a perspectiva, mas não concorda totalmente com as autoras Conhece a perspectiva,mas não especificou se concorda Conhece a perspectiva, e diz que concorda com as autoras Conhece a perspectiva, mas não respondeu se concorda 3 1 5 1 5. Você utiliza de algum apoio, assim como a sondagem, para levantar dados sobre as hipóteses de leitura e escrita de seus alunos? Caso faça uso da sondagem, como ocorre sua intervenção, após os resultados obtidos e qual a frequência da aplicação desse instrumento? Sondagem realizada uma vez por semana. Não especificou sua intervenção Sondagem realizada uma vez por mês. Intervém separando os alunos em agrupamentos Sondagem realizada uma vez por mês. Não especificou sua intervenção Sondagem realizada a cada dois meses. Intervém voltando do zero quando aluno apresenta alguma dificuldade Sondagem realizada a cada dois meses. Intervém adaptando as atividades ao nível dos alunos 1 1 1 1 5 Sondagem realizada a cada dois meses. Não especificou a intervenção 1 86 6. Para você, o que é um erro e quais são as intervenções realizadas por você mediante o erro da criança? Não especificou o que significa o erro. Intervém solicitando ao aluno à correção adequada. O erro significa um norteamento à prática. Intervém solicitando ao aluno à correção adequada. O erro demonstra as dificuldades dos alunos. Intervém ajudando a superá-las O erro demonstra a dificuldade do aluno, Intervém iniciando novamente as primeiras atividades O erro é visto como falta de interesse do aluno. Intervém deixando a criança perceber o erro 1 1 2 1 1 O erro significa um norteamento à prática. Intervém deixando a criança perceber o erro O erro significa um norteamento à prática. Intervém propondo atividades adequadas 2 2 7. Você trabalha com agrupamentos produtivos? Quais critérios você utiliza para realizá-los? Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, assim como nos níveis dos alunos Agrupamentos baseados no comportamento, na opinião dos alunos, e em seus níveis Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, no comportamento dos alunos e em seus respectivos níveis Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, na opinião dos alunos, e em seus níveis, bem como pela proximidade das crianças 4 1 2 1 87 Agrupamentos baseados pelos níveis dos alunos Agrupamentos baseados nas dificuldades e avanços, no comportamento, na opinião dos alunos, e em seus níveis , 1 1 8. Há remanejamento desses agrupamentos? Com qual periodicidade O agrupamento é modificado quando há necessidade Altera quando há necessidade ou ocorre algum problema de comportamento O agrupamento é modificado a cada bimestre ou quando há necessidade O agrupamento é modificado todas as semanas ou quando há necessidade 5 2 2 1 9. Qual a estrutura da sala de aula, no decorrer do ano, em termos de painéis, calendários? Calendário, numerais e alfabeto Calendário, lista nome próprio, cartazes, músicas, gráficos, tabelas, números e alfabeto Não especificou os materiais Parlenda, alfabeto, versos, lista de palavras e numerais 1 2 1 1 Calendário, numerais e alfabeto Calendário, lista de alunos, alfabeto, numerais, painéis referente aos projetos e atividades Alfabeto, calendário, numerais, relógio, cartaz dos nomes e dos aniversariantes do mês, datas comemorativas e textos Calendário, cartazes dos assuntos trabalhados, aniversariantes e lista dos nomes dos alunos 1 1 1 1 88 Parlendas, músicas, sequência numérica, lista de alunos e quadrinhas 1 10. Quais destes materiais dispostos na sala de aula não são permanentes? Jogos, listas de palavras e cartazes com letras de músicas Listas de palavras, gráficos, tabelas e cartazes com músicas Não especificou quais materiais são alterados Listas de palavras e cartazes com parlendas e versos 2 1 1 2 Painéis de projetos Cartazes de datas comemorativas e textos Calendário, aniversariantes e lista dos alunos 2 1 1 89 APÊNDICE D – TABELAS DA ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS DOS ALUNOS 1. Como você aprende a ler e a escrever? Lendo livros Juntando letras Juntando vogais Pensando na família silábica Prestando atenção na professora Juntando palavras 4 4 2 2 2 2 Pensando na palavra e escrevend o-a Prestando atenção no fonema e escrevendo as letras Copiando o que a professora escreve 2 1 1 2. Qual dessas atividades o professor trabalha, mais frequentemente, com vocês? (neste momento, será entregue à criança duas atividades: uma retirada de uma cartilha e outra parlenda de um livro). Atividade de cartilha Parlenda e Atividade de cartilha Parlenda 14 5 1 3. Quando você erra o que o professor faz? Apaga e manda corrigir Marca o erro, e manda corrigir Explica o erro e manda corrigir Manda corrigir ou mostra o correto Manda corrigir Coloca atrás da porta 8 2 1 5 1 1 Pergunta se esta certo ou errado A professora corrige sozinha 1 1 90 4. Você faz as atividades, na sala de aula, sozinho ou em grupos? Quem decide sobre a formação dos agrupamentos: você ou o professor? Senta em duplas formadas pelo professor Senta sozinho, porque a professora decidiu Às vezes em duplas. A professora que decide Senta com 6 (seis) colegas. Formado pela professora Senta sozinho, mas a professora dispõe alguns alunos que sentam juntos 2 8 7 2 1 5. Depois de formados, os agrupamentos são sempre os mesmos? Porque há esta modificação? Muda quando há brigas Não senta em agrupamentos Muda até não dar conversa Muda para poder ajudar os outros A professora muda, mas o aluno não sabe por quê 2 9 4 2 3 6. O que é colocado nas paredes da sua sala de aula que o professor utiliza como complemento a alguma atividade? Desenhos, alfabeto, numerais e cantinho da leitura Calendário, alfabeto e cantinho da leitura Nome dos desenhos, silabário, alfabeto e cartaz com música Alfabeto e numerais Alfabeto, números e cantinho da leitura Trabalho dos alunos (permanentes) 2 2 1 3 1 1 Diz que a professora não coloca nada Alfabeto, numerais, calendário e nome dos alunos Histórias, músicas e aniversariante Calendário, nome dos alunos, desenhos e trabalho dos alunos (não permanente) Alfabeto, numerais, calendário e nome dos alunos Cartaz de animais (fêmea e macho), qual o seu tamanho, parlendas, músicas e alfabeto 2 2 1 1 1 2 91 Alfabeto, relógio, calendário, aniversariante s do mês e trabalho dos alunos (não permanente) 1