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Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame Autores: Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 4 de Maio de 2020 AULA 05 - DEFESA. 1 –Considerações Iniciais ..................................................................................................... 2 2 –Características da Defesa no Processo do Trabalho ........................................................ 3 I - Inexistência ou nulidade da citação; ........................................................................................................... 5 II - Incompetência absoluta e relativa; ............................................................................................................ 6 III - Incorreção do valor da causa; .................................................................................................................. 7 IV - Inépcia da petição inicial; ......................................................................................................................... 7 V - Perempção; ................................................................................................................................................. 7 VI e VII – Litispendência e coisa julgada; ....................................................................................................... 8 VIII - Conexão; ................................................................................................................................................. 8 IX - Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; .............................................. 8 X - convenção de arbitragem; .......................................................................................................................... 9 XI - ausência de legitimidade ou de interesse processual; ............................................................................... 9 XII - falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; ................................................ 9 XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. .................................................................... 9 PRESCRIÇÃO ................................................................................................................................................ 10 DECADÊNCIA ............................................................................................................................................... 13 COMPENSAÇÃO, DEDUÇÃO E RETENÇÃO. ............................................................................................. 13 3 – Defesa – Das Exceções Rituais..................................................................................... 15 3.1 – Da Exceção de Incompetência Relativa. ............................................................................................... 15 3.2 – Da Exceção de Suspeição e de Impedimento. ........................................................................................ 16 4 – Defesa – Reconvenção. ................................................................................................. 17 5–Legislação Aplicada ....................................................................................................... 19 6–Resumos/Dicas ............................................................................................................... 23 Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 2 1 –Considerações Iniciais Olá, Pessoal. Inicialmente, destacamos que o artigo 5º, LV, da CF, trata do direito à ampla defesa e ao contraditório, o que permite à parte interessada impugnar todas as alegações realizadas em sua defesa. A CLT trata da matéria no art. 847 e prevê que a defesa poderá ser apresentada por escrito por meio do processo judicial eletrônico, até a audiência, ou ainda, de forma oral, em vinte minutos. Neste ponto introdutório, já ressalto que o art. 2º, V, da IN 39, do TST, traz a inaplicabilidade acerca do prazo para defesa previsto no processo civil, art. 335, do CPC, ao Processo do Trabalho. Há quatro modalidades de defesa que a reclamada (empregador) poderá apresentar frente à existência de uma ação proposta pelo empregado, quais sejam: Nestes termos, observe o artigo 847 da CLT: Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. Observe que, apesar da legislação não prever a defesa na modalidade escrita, esta é aceita e reconhecida pela doutrina e jurisprudência trabalhista. Assim, vamos aos estudos destes tópicos, e espero vocês em nossas aulas, durante a semana. Bom estudo a todos! Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 3 2 –Características da Defesa no Processo do Trabalho O artigo 847 da CLT traz algumas características da defesa: I. A defesa, quando escrita, deve ser presentada até a audiência, por meio do sistema de processo judicial eletrônico, sendo que, entre a notificação e a audiência deve haver um prazo mínimo de 5 dias, sob pena de nulidade da notificação, nos termos do artigo 337, I, CPC/2015. II. Nesse sentido, ressalta-se que o artigo 2o, inciso V, da Instrução Normativa nº 39/2016, do TST, determina que o prazo de 15 dias, previsto no artigo 335, do Novo CPC, é inaplicável ao Processo do Trabalho. III. A defesa pode ser feita de forma oral e no prazo de 20 minutos, com base no princípio da oralidade. Ressalta-se que a praxe forense consagrou a defesa na modalidade escrita. IV. A defesa oral será apresentada em audiência, e após a leitura da Reclamação Trabalhista, quando esta não for dispensada por ambas as partes. V. A Contestação é regida por dois princípios: ✓ Princípio da Impugnação Específica ou do Ônus da Impugnação Específica (artigo 341 da CPC): Compete ao Réu impugnar especificadamente cada fato/pedido ventilado na exordial, de forma que o fato não impugnado tornar-se-á incontroverso, havendo a presunção relativa de veracidade. Desta forma, na Justiça do Trabalho não é possível fazer Contestação por negativa geral, salvo no caso do Defensor Público, do advogado dativo e do curador especial. Nesse sentido, prevê o artigo 341, do CPC: Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: I - não for admissível, a seu respeito, a confissão; II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial. ✓ Princípio da Eventualidade ou da Concentração de Defesas (artigo 336 do CPC): Compete ao Reclamado alegar toda a sua matéria de defesa no bojo da Contestação. Isto quer Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 4 dizer que não é possível fazer Contestação por etapas, devendo todos os argumentos de defesa serem alegados, neste momento, sob pena de preclusão. Acerca do tema, observe o artigo 336 do CPC: Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificandoas provas que pretende produzir. VI. Observe que a apresentação da contestação é ônus do réu, logo, a sua não apresentação em audiência implicará revelia e, consequentemente, entre os seus efeitos, a confissão quanto à matéria de fato (artigo 344, CPC/2015). VII. Os artigos 799 a 802 da CLT tratam das Exceções Rituais (Exceção de Incompetência Relativa e de Suspeição). VIII. O CPC/2015 extinguiu as peças de Exceção de Incompetência Relativa, de Suspeição e de Impedimento. Todavia, prevalece o entendimento de que as Exceções Rituais continuam existindo na Justiça do Trabalho, com fundamento no artigo 1o, “caput”, da Instrução Normativa nº 39/2016 do TST, uma vez que não há omissão acerca do tema na seara trabalhista (artigos 799 a 802 da CLT). Portanto, é possível concluir que são cabíveis na Justiça do Trabalho as três modalidades de Exceções: Incompetência, Suspeição e Impedimento. IX. Por fim, com o advento do novo CPC, houve um fortalecimento da Reconvenção como tese no bojo da própria Contestação (artigo 343 do CPC/2015). X. A Contestação tem sua matéria de defesa dividida em três partes, quais sejam: Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 5 ✓ PRELIMINARES; As preliminares de mérito devem ser alegadas pelo réu sempre que verificado um vício processual, o qual importará em extinção do processo sem resolução de mérito, conforme artigo 337 do CPC/2015: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: I - inexistência ou nulidade da citação; II - incompetência absoluta e relativa; III - incorreção do valor da causa; IV - inépcia da petição inicial; V - perempção; VI - litispendência; VII - coisa julgada; VIII - conexão; IX - incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X - convenção de arbitragem; XI - ausência de legitimidade ou de interesse processual; XII - falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. ✓ PREJUDICIAIS DE MÉRITO; Já as prejudiciais de mérito referem-se à existência de fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor, como exemplo, verificamos na prescrição, decadência, compensação, dedução, retenção, pagamento etc. ✓ MÉRITO. No mérito, o réu deve rebater frontalmente todos os pedidos realizados pelo reclamante, de forma a negar o direito alegado pelo autor. Com base na premissa vista, vamos ao estudo de cada tópico da contestação, iniciando pelas preliminares do artigo 337 do CPC/2015. As preliminares se baseiam pela existência de vícios processuais, quais sejam: I - Inexistência ou nulidade da citação; Todo processo para ser tido como válido é essencial e imprescindível que a citação / notificação seja válida, devendo esta ser postal e automática, com aviso de recebimento, sendo a notificação por edital exceção na praxe trabalhista. A título de exemplo, suponha que a reclamada tivesse sido notificada em 16.06.2017 e a audiência fosse designada para 18.06.2017, estaríamos diante de uma clara nulidade, já que não foi observado o prazo mínimo de cinco dias, quando se deveria pleitear a extinção do processo sem Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 6 resolução de mérito, nos termos do artigo 485, IV, CPC, e caso não seja este o entendimento do magistrado, caberia a redesignação de nova audiência, observado o prazo mínimo de cinco dias para elaboração da defesa. II - Incompetência absoluta e relativa; A incompetência relativa deve ser alegada por meio de exceção de incompetência, nos termos do artigo 847, 799 e 800, da CLT, enquanto que a incompetência absoluta deverá ser arguida em sede de preliminar de contestação. Nestes termos, a Justiça do Trabalho será competente para processar e julgar as matérias contidas no artigo 114 da CF, como se observa nas principais hipóteses que seguem: - Relação de trabalho e emprego; - Dissídio de Greve; - Ações envolvendo sindicato; - Mandado de segurança, Habeas Corpus e Habeas data, quando o ato questionado envolver matéria de jurisdição trabalhista; - Ação de indenização por danos morais, embasada em uma relação laboral; - A execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir etc. Neste ponto, devemos nos ater também à incompetência da Justiça do Trabalho para a execução das contribuições previdenciárias, que não sejam objeto de acordo homologado ou de sentença condenatória em pecúnia que a Justiça do Trabalho proferir, conforme Súmula nº 368, I, do TST: Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 7 “A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o salário de contribuição”. Nesta toada, se o trabalhador laborou sem CTPS assinada por determinado período, e obteve em juízo apenas o reconhecimento de vínculo, as contribuições que deveriam ter sido arcadas pelo empregador no período não serão executadas na Justiça do Trabalho. Agora, quanto às verbas em que a empresa for condenada, sobre estas incidirão as contribuições, as quais serão executadas na justiça especializada. Desta forma, quando o autor ingressar com ação trabalhista em que a matéria não seja competência da Justiça do Trabalho, caberá ao magistrado determinar a extinção do processo sem resolução do mérito quanto a este pedido, com fundamento no artigo 485, IV, do CPC. No entanto, se a lide versar apenas sobre um único pedido, o qual a Justiça do Trabalho seja incompetente, caberá a esta determinar a remessa do processo ao Juízo competente. Assim, observe a dicotomia entre incompetência absoluta e relativa: INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA RELATIVA - Material funcional e pessoal - Territorial - Matéria de ordem pública - Interesse das partes - Poderá ser reconhecida de ofício pelo juiz ou mediante requerimentos da parte em qualquer grau de jurisdição. - O juiz não poderá reconhecer de ofício, devendo ser alegada por meio de exceção a incompetência, e, caso não alegada, ter-se-á a prorrogação da competência. III - Incorreção do valor da causa; Tratando-se de uma hipótese de incorreção do valor da causa, o magistrado deverá extinguir o processo sem resolução do mérito. Situação claramente verificada por esta hipótese, quando a Reclamação Trabalhista está tramitando pelo procedimento ordinário, e sendo correto o procedimento sumaríssimo, os quais devem ter pedido certo, líquido e determinado, o que permite ao magistrado extinguir o processo. IV - Inépcia da petição inicial; A petição inicial será considerada inepta, nos termos do artigo 330, parágrafo primeiro do CPC, quando: I - for inepta; II - a parte for manifestamente ilegítima; III - o autor carecer de interesse processual; IV - não atendidas as prescrições dos artigos 106 e 321; Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 8 § 1o Considera-se inepta a petição inicial quando: I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. Logo, quando observada uma situação de inépcia, em sede de defesa, deverá se pleitear a extinção do processo sem resolução de mérito quanto a este pedido, nos termos do artigo 330, I e 485, I e IV, do CPC. V - Perempção; Nos termos do art. 731 e 732, da CLT, a perempção se caracteriza pelo impedimento temporal de seis meses, quando o empregado não poderá ingressar com nova demanda trabalhista, em razão de ter dado causa a dois arquivamentos seguidos pelo não comparecimento em audiência, ou ainda, não ter reduzido a termo a Reclamação Trabalhista verbal no prazo de cinco dias. Observe que a perempção trabalhista é diferente daquela regulamentada no processo civil. Nesta situação, deverá se requerer em sede de preliminar de contestação, artigo 337, V, CPC, a extinção do processo, sem resolução de mérito, nos termos do artigo 485, V, CPC. Nesse sentido, se você obtiver a informação de que o empregado deu causa a um arquivamento pelo não comparecimento em audiência, e, na sequência, ingressou com nova ação, mas desistiu desta, gerando novo arquivamento, não haverá que se falar em perempção, já que a primeira hipótese refere-se à desistência, e a outra ao arquivamento pelo não comparecimento. Logo, não se coadunando com a hipótese legal de perempção. VI e VII – Litispendência e coisa julgada; A litispendência será verificada sempre que houver duas ou mais ações em curso, com as mesmas partes, causa de pedir e pedido, ou seja, há identidade de ações. Desta forma, em havendo litispendência, deverá se requerer a extinção do processo sem resolução do mérito, nos termos do artigo 485, V, CPC. Outrossim, a coisa julgada repercutirá da mesma forma, gerando a extinção do processo sem resolução de mérito, quando houver determinada ação em curso, esta idêntica a outra já transitada em julgada, ou seja, a qual não cabe mais recurso. VIII - Conexão; Nos termos do artigo 54 e 55, do NCPC, a conexão será constatada quando houver duas ou mais ações conexas, ou seja, em que lhes seja comum o pedido ou a causa de pedir. Tal preliminar refere-se à matéria de ordem pública e, como tal, pode ser reconhecida de ofício pelo magistrado (artigo 337, VIII e §5º do NCPC). Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 9 Nesta situação, as ações deverão ser reunidas para que possam ser julgadas simultaneamente pelo juízo prevento, visando evitar-se decisões conflitantes. A prevenção será identificada pelo juízo que teve primeiro o registro/distribuição do processo, conforme artigo 59, do NCPC. IX - Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; O réu terá o ônus de alegar a incapacidade postulatória, a incapacidade de ser parte ou para estar em juízo. Devemos lembrar que a capacidade processual para estar em juízo é adquirida aos 18 anos, de forma que os incapazes deverão ser representados ou assistidos pelos seus pais, tutores ou curadores, sob pena de o processo ser extinto em resolução do mérito (artigo 485, VI, CPC). Da mesma forma ocorre na ausência de regularidade de representação, de forma que o magistrado deve conceder prazo para regulamentação, caso contrário, haverá extinção do processo (artigo 485, VI, CPC). Observe o artigo 76 do CPC: Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I - o processo será extinto, se a providência couber ao autor; (...) X - Convenção de arbitragem; A arbitragem passou a ser admitida no processo do trabalho, mas em hipóteses específicas, tais como: Art. 507-A. Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. Logo, nas demais situações não se admitirá a utilização deste mecanismo conciliatório entre as partes. XI - Ausência de legitimidade ou de interesse processual; A parte é legitima para postular em juízo, quando for titular do direito material postulado, ou ainda, terceiro interessado. Não podendo, ainda, se olvidar do MPT atuando no processo trabalhista como custos legis, ou do sindicato, representando direitos individuais e coletivos da categoria. Nesta situação, sendo a parte ilegítima, o processo deverá ser extinto sem resolução do mérito, conforme 485, VI, CPC. Já o interesse processual é compreendido pela existência do trinômio, qual seja: necessidade- utilidade-adequação. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 10 Assim, o processo deve ser necessário, útil para se alcançar o objeto pretendido e adequado à via processual escolhida. Em não havendo o preenchimento desses requisitos, o processo deverá ser extinto sem resolução do mérito, conforme artigo 330, III, CPC e artigo 485 I e IV, CPC. XII - Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; A falta de caução, a princípio, não terá maiores repercussões na seara trabalhista. No entanto, quando o reclamante deixa de comparecer em audiência inaugural, sem justificativa plausível, o processo poderá ser arquivado e ele condenado ao pagamento de custas processuais, as quais se revelam como condição sine qua non para propositura de nova demanda. Neste sentido, prevê o artigo 844, parágrafo segundo da CLT: Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. XIII - Indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. A concessão do benefício da Justiça Gratuita não será concedida quando não observado os requisitos presentes no artigo 790, parágrafo terceiro, da CLT: É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Agora, ainda na ordem estrutural da peça, após alegadas as devidas preliminares processuais na contestação, deverá se demonstrar as prejudiciais de mérito, ou seja, aquelas que dão ensejo a fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor, como, por exemplo, a prescrição ou a decadência. Desta forma, devemos nos ater às principais prejudiciais de mérito, quais sejam: ✓ Prescrição; ✓ Decadência; ✓ Compensação; ✓ Dedução; ✓ Retenção. ✓ PRESCRIÇÃO A prescrição, uma vez reconhecida, enseja a extinção do processo com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, II, CPC. Nesse sentido, o tema está regulamentado pelo art. 7º, XXIX da CF, art. 11, da CLT, e Súmula 308 do TST. No processo do trabalho nos deparamos com dois tipos de prescrição, a bienal e a quinquenal, sendo a bienal referente ao prazo de dois anos que o empregado possui para ingressar com a Reclamação Trabalhista, após a extinção do contrato; e a prescrição quinquenal, referente ao período de créditos Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br11 que o empregado tem direito, sendo de cinco anos, estes retroagindo da data de ingresso da Reclamação Trabalhista. Desta forma, a prescrição bienal aplica-se a contar do termo final do contrato de trabalho, já a prescrição quinquenal deverá atingir os débitos trabalhistas pretéritos, a contar da propositura da reclamação trabalhista. PROPOSTURA DA RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. Prescrição Bienal - 2 anos TERMO INICIAL DO CONTRATO DE TRABALHO. TERMO FINAL DO CONTRATO DE TRABALHO Prescrição Quinquenal - 5 anos TERMO INICIAL DO CONTRATO DE TRABALHO. TERMO FINAL DO CONTRATO DE TRABALHO PROPOSTURA DA RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 12 No entanto, observamos que as ações meramente declaratórias são imprescritíveis, (artigo 11, parágrafo 1º, da CLT), assim como contra menor de 18 anos não corre nenhum prazo de prescricional (artigo 440 da CLT). O instituto do FGTS possui algumas peculiaridades que merecem nossa atenção, em especial, quanto à prescrição de suas parcelas que, anteriormente à decisão do STF, era trintenária, sempre se respeitando o biênio para propositura da ação. Ou seja, a contar da rescisão do contrato de trabalho, o empregado poderia pleitear, junto à Justiça do Trabalho, no prazo de dois anos, as parcelas referentes ao seu FGTS, e teria direito aos últimos 30 anos do contrato de trabalho, a contar do ingresso da Reclamação Trabalhista. Contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de decisão proferida no Agravo em Recurso Extraordinário (ARE) nº 709.212, em 13.11.2014, no qual o Ministro Gilmar Mendes, Relator, declarou a inconstitucionalidade da regra especial da prescrição trintenária prevista nos arts. 23, § 5º, da Lei nº 8.036/90 e 55 do Decreto nº 99.684/90. No ARE nº 709.212, o STF aplicou a “Teoria da Modulação dos Efeitos do Julgado”, com eficácia ex nunc, de modo que, para ações cuja prescrição ainda não tenha sido iniciada até a data do julgamento pelo STF, 13.11.2014, o prazo será de cinco anos; por outro lado, para as hipóteses em que o prazo prescricional já estiver em curso em 13.11.2014, aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados do termo inicial, ou 5 anos, a partir da data do julgamento (Súmula nº 362 do TST). Por fim, nos termos da Súmula nº 268 do TST, observa-se a hipótese capaz de gerar a interrupção da prescrição, esta que se consolida com o ajuizamento da reclamação trabalhista, quer em juízo competente ou incompetente. Nesta situação, novo prazo se reiniciará de dois anos para o empregado ingressar com nova reclamação trabalhista, mas sempre se observando que a interrupção só ocorrerá uma única vez e com relação a pedidos idênticos. Logo, a título de exemplo, se o empregado ingressa com reclamação trabalhista pleiteando hora extra e adicional noturno, e sendo esta ação arquivada, novo prazo prescricional, dois anos, irá iniciar, a contar do arquivamento da ação, mas tão somente em relação aos dois pedidos realizados, horas extras e adicional noturno, quanto aos demais possíveis pedidos a serem realizados em nova ação, a prescrição não ficou interrompida. Ressaltamos, neste sentido, que majoritariamente se entende que a interrupção ocorre tanto para prescrição bienal como para a quinquenal, esta continuando a ser projetada do ingresso da primeira reclamação trabalhista. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 13 ➢ DECADÊNCIA No que tange à decadência, temos alguns prazos específicos no processo do trabalho, como se observa: ✓ Mandado de Segurança (MS) – O prazo para o MS ser impetrado é de 120 dias, a contar da ciência acerca da ilegalidade do ato praticado, conforme artigo 23, da Lei nº 12.016/2009. ✓ Ação Rescisória – O prazo decadencial é de dois anos para o ajuizamento da ação, a contar do trânsito em julgado da decisão rescindenda (artigo 975 do CPC e Súmula nº 100, I, do TST). ✓ Inquérito Judicial para apuração de falta grave – O prazo decadencial para sua propositura é de 30 dias, este a contar da data de suspensão do empregado, se esta tiver ocorrido, nos termos da Súmula nº 403, do STF, artigo 853, da CLT. Neste sentido, há uma exceção a ser observada na Súmula nº 62 do TST: O prazo de decadência do direito do empregador de ajuizar inquérito em face do empregado que incorre em abandono de emprego é contado a partir do momento em que o empregado pretendeu seu retorno ao serviço. ➢ COMPENSAÇÃO, DEDUÇÃO E RETENÇÃO. O instituto da compensação trata-se de uma forma de extinção da obrigação, quando autor e réu são, ao mesmo tempo, credores e devedores recíprocos, envolvendo dívidas líquidas, vencidas e coisas fungíveis. A alegação da compensação deve ser feita como matéria de defesa, sob pena de preclusão, e de forma a se admitir a compensação apenas de dívidas de natureza trabalhista, como, por exemplo, adiantamentos salariais, aviso prévio não cumprido pelo empregado etc., conforme Súmula 18 e 48 do TST e artigo 767 da CLT. Logo, não se admite a compensação de dívidas de natureza civil ou comercial. No mais, a compensação não deve ser confundida com a dedução, já que esta poderá ser reconhecida de ofício pelo magistrado, e aquela apenas mediante requerimento. A dedução trata-se de uma forma de extinção da obrigação, no qual o autor pleiteia em juízo títulos já pagos pelo réu, o que inclusive poderá ser reconhecido de ofício, a fim de evitar enriquecimento ilícito. Por fim, a retenção consiste na possibilidade da reclamada, por exemplo, reter algum bem do reclamante, até que este quite a sua dívida em relação àquele, o que deve ser alegado em sede de defesa, sob pena de preclusão. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 14 ➢ COMPENSAÇÃO ➢ DEDUÇÃO ➢ RETENÇÃO Quando as partes são credoras e devedoras simultaneamente. A dedução observa-se em razão de verbas que já foram pagas durante a relação de trabalho, ou seja, deve se operar ao respectivo abatimento. É o direito do credor em conservar sob sua posse a coisa legitimamente, até que a obrigação seja adimplida. - Deve ser arguida em contestação– Art. 767 da CLT. - Pode ser alegada e conhecida em qualquer grau / tempo. - Deve ser arguida em defesa – Art. 767 da CLT. - Não pode ser reconhecida de ofício. - Poderá ser reconhecida de ofício. - Não pode ser reconhecida de ofício. No que tange à compensação, devemos fazer uma ressalva, quanto aos momentos em que ela pode ser observada: ✓ Na rescisão contratual; Havendo o que se compensar em sede de rescisão contratual, esta deverá ser efetuada até o limite de um mês de remuneração, nos termos do artigo 477, parágrafo quinto da CLT: Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. ✓ Na contestação. Já em sede de contestação, a compensação poderá ser efetuada, sempre que requerida pela parte interessada, em sede de defesa, sem a necessidade de se observar a limitação contida no artigo 477, parágrafo quinto da CLT. E, finalmente, a defesa direta de mérito trata-se do momento processual em que serão rebatidos frontalmente os fatos constitutivos do direito do autor, de forma que a não impugnação gerará presunção relativa de veracidade das alegações do autor. (VI EXAME DE ORDEM) - No processo trabalhista, a compensaçãoou retenção a) Só poderá ser arguida como matéria de defesa. b) Poderá ser arguida em qualquer fase do processo, mesmo na execução definitiva da sentença. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 15 c) Poderá ser arguida em qualquer momento, até que a sentença seja proferida pelo juiz de 1ª instância. d) Poderá ser arguida em qualquer momento, até que a sentença tenha transitado em julgado. Gabarito: A Comentário: De acordo com o artigo 767, da CLT, a retenção ou compensação só podem ser arguidas em sede de defesa. Vale ressaltar a Súmula nº 18, do TST, que traz expressamente que a compensação, na Justiça do Trabalho, está restrita a dívidas de natureza trabalhista. 3 – Defesa – Das Exceções Rituais. No processo do trabalho, temos três tipos de exceções rituais, as quais devemos nos atentar, quais sejam: ✓ Exceção de Incompetência Relativa; ✓ Exceção de Impedimento; ✓ Exceção de Suspeição. 3.1 – Da Exceção de Incompetência Relativa. Inicialmente, observamos que a competência absoluta pode ser material, em razão da pessoa ou funcional, e, diferentemente da relativa, pode ser conhecida de ofício pelo magistrado, por se tratar de uma objeção processual, alegável a qualquer tempo e grau de jurisdição. Desta forma, a incompetência absoluta deve ser alegada como preliminar de mérito, na contestação. Em contrapartida, a incompetência relativa territorial deve ser alegada por meio de exceção, e não poderá ser conhecida de ofício pelo juiz, logo, dependendo de manifestação da parte. A alegação desta exceção deverá estar embasada no artigo 651, CLT, o qual trata das hipóteses de ajuizamento da reclamação trabalhista. A exceção possui previsão nos artigos 799 e 800 da CLT, sendo que a sua apresentação deve ocorrer no prazo de cinco dias, a contar da notificação (citação), e uma vez não observado o referido prazo, próprio e peremptório, considera-se preclusa a oportunidade de sua alegação. Logo, quando apresentada, a exceção terá a função de suspender a audiência, a qual não se realizará até que se resolvam as alegações contidas na exceção de incompetência relativa arguida, nos termos dos artigos 799 e 843, da CLT. Assim, o magistrado abrirá vista ao reclamante, exceto, para se manifestar no prazo comum de cinco dias, quando se decidirá acerca da competência ou incompetência territorial. Caso não seja acolhida a exceção de incompetência, o magistrado deve designar nova audiência, prosseguindo-se o feito para solução com apresentação de defesa e instrução processual. Em Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 16 contrapartida, se acolhida a exceção, os autos deverão ser remetidos ao juízo competente para prosseguimento da lide. Na hipótese de ser rejeitada a exceção, não caberá nenhum recurso de forma imediata, o que igualmente ocorrerá quando acolhida a exceção, mas remetido for o processo para localidade ligada ao mesmo TRT, em que foi proposta a inicial trabalhista. Contudo, caso acolhida a exceção e remetido o processo para outra vara, de TRT distinto ao que o processo estava vinculado, nesse caso, estaremos diante de uma decisão interlocutória terminativa do feito, e que, nos termos da Súmula 214, “c”, TST, permitirá a propositura de recurso ordinário frente ao TRT do juízo que acolheu a exceção. Desta forma, observe: Caso o magistrado queira, possível se torna a designação de audiência, antes de decidir acerca da exceção, inclusive, para fins de oitiva de testemunha, e verificação de onde se deu a prestação de serviço para assim se proferir uma decisão acerca da exceção. 3.2 – Da Exceção de Suspeição e de Impedimento. A exceção de suspeição e de impedimento tem como objetivo questionar a imparcialidade do juiz no seu exercício jurisdicional, nos termos dos artigos 799, 801 e 802 da CLT, a fim de se evitar que haja qualquer tipo de parcialidade em suas decisões. Reclamação Trabalhista Notificação Exceção de Incompetência Relativa - Prazo de 5 Dias. Suspensão Decisão Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 17 O novo Código de Processo Civil prevê que a suspeição e o impedimento devem ser alegados por simples petição, artigo 146, do CPC, ou seja, como um incidente processual; já a CLT regulamentou o assunto trazendo que sua apresentação frente à Justiça do Trabalho deve ser por meio de exceção. A suspeição está regulamentada no artigo 801, da CLT, o qual prevê: O juiz, presidente ou vogal, é obrigado a dar-se por suspeito, e pode ser recusado, por algum dos seguintes motivos, em relação à pessoa dos litigantes: a) inimizade pessoal; b) amizade íntima; c) parentesco por consanguinidade ou afinidade até o terceiro grau civil; d) interesse particular na causa. Parágrafo único - Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual haja consentido na pessoa do juiz, não mais poderá alegar exceção de suspeição, salvo sobrevindo novo motivo. A suspeição não será também admitida, se do processo constar que o recusante deixou de alegá-la anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida, aceitou o juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o motivo de que ela se originou. Já as hipóteses de impedimento devem ser observadas conforme os preceitos do artigo 144 do CPC: Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo: I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. Neste sentido, ressalta-se que o impedimento é arguível a qualquer tempo, não estando sujeito à preclusão, pois se refere à matéria de ordem pública. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 18 ➢ PROCEDIMENTO – EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO / IMPEDIMENTO: Desta forma, apresentada a exceção de suspeição/impedimento, o juiz deverá se manifestar no prazo de 48 horas, e, uma vez por ele acolhida, deverá remeter o processo ao seu substituto legal por meio de decisão irrecorrível. Caso rejeitada a exceção, o processo deve ser remetido ao TRT para julgar o incidente, o qual poderá tomar as seguintes providências: ✓ Não acolher a alegação de impedimento/suspeição, rejeitando-a; ou ✓ Acolher a alegação, e tratando-se de impedimento ou de manifesta suspeição, o tribunal condenará o juiz nas custas e remeteráos autos ao seu substituto legal, podendo, ainda, o juiz recorrer da decisão. Com base em todo o exposto, questiono: ➢ É possível alegar simultaneamente suspeição, impedimento e incompetência? R. Sim, ocasião em que o juiz julgará na seguinte ordem: exceção de impedimento, suspeição e incompetência. ➢ Cabe alguma medida processual a fim de recorrer da decisão que não acolhe a exceção de suspeição/impedimento? R. Não, haja vista que se trata de uma decisão interlocutória, a qual, nos termos do artigo 893, parágrafo primeiro da CLT, é irrecorrível. (XVIII EXAME UNIFICADO – ADAPTADO) - Na qualidade de advogado de Mauro, você ajuizou reclamação trabalhista no local da prestação de serviços do empregado. Entretanto, o advogado da empresa ré, anteriormente a audiência, apresentou exceção de incompetência em razão do lugar. Diante disso, à luz da CLT, a) O autor-exceto terá o prazo de 5 dias para se manifestar. b) O juiz julgará independentemente da manifestação da parte contrária, pois não há previsão para tanto em razão do princípio da celeridade. c) O autor-exceto terá prazo de 48 horas para manifestação. d) O autor-exceto poderá se manifestar até a sessão de julgamento da exceção de incompetência. GABARITO: A Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 19 Comentário: De acordo com o artigo 800, §2º, da CLT, após apresentada a exceção, os autos serão imediatamente conclusos ao juiz, que intimará o reclamante e, se existentes, os litisconsortes serão intimados para manifestação no prazo comum de cinco dias. 4 – Defesa – Reconvenção. O instituto da reconvenção possui previsão legal no art. 343, do CPC, aplicado ao Processo do Trabalho por força do artigo 769, da CLT, e 15, do CPC, e consiste no contra-ataque do réu em face do autor. O novo CPC não mais determina a sua alegação como peça autônoma, sendo, atualmente, uma tese a ser elaborada no bojo da contestação, logo após o mérito. Assim, pode-se mencionar como exemplos de reconvenção na Justiça do Trabalho: Danos morais ocasionados pelo empregado perante a empresa, dano ao patrimônio da empresa, a não devolução pelo empregado de equipamento da empresa, tendo todos estes se consolidado em decorrência do contrato de trabalho. A reconvenção possui algumas características legais a serem observadas, quais sejam: ✓ Trata-se de uma modalidade de defesa que possui natureza de ação da reclamada contra o reclamante, ou seja, é um contra-ataque do réu em face do autor. ✓ Com o advento do novo CPC, houve um fortalecimento da Reconvenção como tese no bojo da própria Contestação (artigo 343, do CPC/2015), o que se admite, em razão do princípio da celeridade e simplicidade processual. Nesta situação, a contestação deverá conter expressa previsão de notificação da reconvinda para que, querendo, apresente defesa, sob pena de confissão quanto à matéria de fato, bem como trazer valor da causa, no que tange à reconvenção; ✓ A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro; ✓ A Justiça do Trabalho deve ser competente para julgar a Reconvenção; ✓ O procedimento deve ser o mesmo da ação, a qual se reconvém; ✓ A sentença apreciará simultaneamente a ação e a Reconvenção; ✓ Da sentença, caberá Recurso Ordinário; ✓ Nos termos do art. 343, §6º, do CPC/2015, o Réu poderá propor Reconvenção independente da contestação, caso em que será apresentada em peça autônoma; ✓ Se houver desistência ou qualquer causa extintiva da ação principal, a Reconvenção seguirá seu regular trâmite, por se tratar de ação autônoma; ✓ A contestação não se confunde com a reconvenção, sendo esta cabível sempre que o montante a ser compensado for superior ao valor da causa, e ainda estiverem presentes os seus requisitos legais. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 20 ✓ Acerca do tema, tome nota: Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. (IX EXAME DE ORDEM UNIFICADO) - Uma das espécies de resposta é a reconvenção, que vem a ser a ação do réu contra o autor no mesmo feito e juízo em que é demandado. Malgrado não estar formalmente previsto na CLT, é pacífico o cabimento da reconvenção nas lides trabalhistas. Das hipóteses abaixo listadas, assinale aquela em que, pela natureza da pretensão deduzida, seria inviável a apresentação de reconvenção na Justiça do Trabalho. a) Quando a empresa pretender a condenação do empregado no valor do aviso prévio por ele não concedido, ao pedir demissão. b) Quando a empresa pretender o ressarcimento por dano causado pelo empregado no decorrer do contrato de trabalho. c) Quando a empresa pretender a devolução do valor de um curso pago em benefício do empregado e pelo qual o obreiro comprometeu-se a não pedir demissão durante determinado período, o que depois foi descumprido pelo trabalhador. d) Quando a empresa pretender a devolução de valor pago pela compra de um bem do seu empregado que, após, verificou possuir vício redibitório. GABARITO: D Comentário: A reconvenção é cabível desde que a matéria seja compatível com a competência da Justiça do Trabalho, elencada no artigo 114, da CF, devendo, ainda, ser conexa a causa de pedir ou pedido, e versar sobre demanda oriunda da relação de emprego ou da relação de trabalho. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 21 5–Legislação Aplicada Atenção aos seguintes fundamentos legais envolvendo a reforma trabalhista, acerca desta aula: Art. 799 - Nas causas da jurisdição da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as exceções de suspeição ou incompetência. § 1º - As demais exceções serão alegadas como matéria de defesa. § 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final. Art. 800. Apresentada exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da notificação, antes da audiência e em peça que sinalize a existência desta exceção, seguir- se-á o procedimento estabelecido neste artigo. § 1o Protocolada a petição, será suspenso o processo e não se realizará a audiência a que se refere o art. 843 desta Consolidação até que se decida a exceção. § 2o Os autos serão imediatamente conclusos ao juiz, que intimará o reclamante e, se existentes, os litisconsortes, para manifestação no prazo comum de cinco dias. § 3o Se entender necessária a produção de prova oral, o juízo designará audiência, garantindo o direito de o excipiente e de suas testemunhas serem ouvidos,por carta precatória, no juízo que este houver indicado como competente. § 4o Decidida a exceção de incompetência territorial, o processo retomará seu curso, com a designação de audiência, a apresentação de defesa e a instrução processual perante o juízo competente. Art. 801 - O juiz, presidente ou vogal, é obrigado a dar-se por suspeito, e pode ser recusado, por algum dos seguintes motivos, em relação à pessoa dos litigantes: a) inimizade pessoal; b) amizade íntima; c) parentesco por consangüinidade ou afinidade até o terceiro grau civil; d) interesse particular na causa. Parágrafo único - Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual haja consentido na pessoa do juiz, não mais poderá alegar exceção de suspeição, salvo sobrevindo novo motivo. A suspeição não será também admitida, se do processo constar que o recusante deixou de alegá-la anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida, aceitou o juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o motivo de que ela se originou. Art. 802 - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou Tribunal designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para instrução e julgamento da exceção. § 1º - Nas Juntas de Conciliação e Julgamento e nos Tribunais Regionais, julgada procedente a exceção de suspeição, será logo convocado para a mesma audiência ou sessão, ou para a seguinte, o suplente do membro suspeito, o qual continuará a funcionar no feito até decisão final. Proceder-se-á da mesma maneira quando algum dos membros se declarar suspeito. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 22 § 2º - Se se tratar de suspeição de Juiz de Direito, será este substituído na forma da organização judiciária local. (...) Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. § 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. § 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma do parágrafo anterior. § 3o Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. Art. 842 - Sendo várias as reclamações e havendo identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou estabelecimento. (...) Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. § 1o Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. § 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. § 3o O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova demanda. § 4o A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. § 5o Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Art. 845 - O reclamante e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas. (...) Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 23 Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. 6–Resumos/Dicas ▪ Existem quatro modalidades de defesa: contestação, reconvenção, exceção de incompetência territorial e exceção de impedimentos ou suspeição. ▪ A defesa pode ser apresentada de forma oral, no prazo de 20 minutos em audiência ou escrita, no prazo de 5 dias. ▪ A contestação é regida por dois princípios: Princípio da Impugnação Específica ou do Ônus da Impugnação Específica e Princípio da Eventualidade ou da Concentração de Defesas. ▪ A não apresentação da constatação importa em revelia. ▪ São cabíveis na Justiça do Trabalho as três modalidades de Exceções: Incompetência, Suspeição e Impedimento. ▪ A constatação será dividida em: preliminares, prejudicais de mérito e mérito. ▪ Preliminares de mérito devem ser alegadas pelo réu sempre que verificado um vício processual. ▪ As prejudiciais de mérito referem-se à existência de fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor. ▪ O réu deve rebater frontalmente todos os pedidos realizados pelo reclamante. ▪ As preliminares se baseiam pela existência de vícios processuais, quais sejam: Inexistência ou nulidade da citação; Incompetência absoluta e relativa; Incorreção do valor da causa; Inépcia da petição inicial; Perempção; Litispendência e coisa julgada; Conexão; Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; convenção de arbitragem; ausência de legitimidade ou de interesse processual; falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça; ▪ Prescrição, uma vez reconhecida, enseja a extinção do processo com resolução de mérito. ▪ A prescrição se divide em bienal e quinquenal. Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br 24 ▪ Compensação trata-se de uma forma de extinção da obrigação, quando autor e réu são, ao mesmo tempo, credores e devedores recíprocos. ▪ Dedução trata-se de uma forma de extinção da obrigação, no qual o autor pleiteia em juízo títulos já pagos pelo réu. ▪ Retenção consiste na possibilidade da reclamada, por exemplo, reter algum bem do reclamante, até que este quite a sua dívida em relação àquele. ▪ Existem três tipos de exceções rituais: Exceção de Incompetência Relativa; Exceção de Impedimento e Exceção de Suspeição. ▪ Incompetência absoluta deve ser alegada como preliminar de mérito, na contestação. ▪ Incompetência relativa territorial deve ser alegada por meio de exceção, e não poderá ser conhecida de ofício pelo juiz. ▪ A exceção de suspeição e de impedimento tem como objetivo questionar a imparcialidade do juiz no seu exercício jurisdicional. A suspeição e o impedimento devem ser alegados por simples petição. ▪ O impedimento é arguível a qualquer tempo, não estando sujeito à preclusão,pois se refere à matéria de ordem pública. ▪ A reconvenção consiste no contra-ataque do réu em face do autor. Aguardo vocês em nossa próxima aula! prof.prisfer@gmail.com @profpriscilaferreira Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno Bons estudos e muito sucesso a todos! Priscila Ferreira Equipe Priscila Ferreira, Priscila Ferreira Aula 05 Direito Processual do Trabalho p/ OAB 1ª Fase XXXII Exame www.estrategiaconcursos.com.br