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Letícia Cavalcante – FAHESP/IESVAP, 2021 T E S T E D O Q U I RELEMBRANDO TESTE DE HIPÓTESES: É importante relembrar o teste de hipóteses para compreender o teste do qui-quadrado. Assim, é importante compreender que existem dois tipos de hipóteses: HIPÓTESE DA NULIDADE (H0): diz que não existe diferença entre os grupos estudados, os resultados entre os grupos são sempre iguais. HIPÓTESE ALTERNATIVA (H1): a hipótese que contradiz a primeira, em que os resultados dos grupos são diferentes. P-VALOR: Para maior confiabilidade no resultado do teste de hipóteses usa-se o p- valor. O p-valor determina, de acordo com o nível de significância adotado, qual das hipóteses é verdadeira. NÍVEL DE SIGNIFICÂNCIA: diz se os resultados são significantes ou não. é a probabilidade de cometer erro tipo I, isto é, rejeitar H0 quando H0 é verdadeira. É usual indicar o nível de significância pela letra grega a. (Lê-se: alfa). x2 DE PEARSON É um teste que serve para comparar duas proporções quando os dados assumirem qualquer distribuição (dois grupos de dados), ou seja, é usado em caso de variáveis qualitativas nominais. Também testa o grau de associação entre as variáveis. Existem dois tipos: TESTE DE ADERÊNCIA Testa a hipótese de que dados de frequência se distribuem de acordo com alguma teoria ou postulado, ou seja, testa a hipótese que duas variáveis sejam dependentes. Exemplo: Gregor Mendel, que polinizou 15 plantas de sementes lisas e albume amarelo com plantas de sementes rugosas e albume verde. As plantas resultantes desse cruzamento tinham sementes lisas e albume amarelo (amarelo-lisas). Cruzando essas plantas entre si, Mendel obteve 556 sementes, distribuídas conforme mostra a Tabela: FREQUÊNCIA OBSERVADA; A teoria postulada por Mendel estabelece que a segregação, neste caso, deve ocorrer na seguinte proporção: Será que os resultados obtidos experimentalmente por Mendel estão de acordo com a teoria que ele postulava? DETERMINAÇÃO DAS HIPÓTESES: Temos, então, as duas hipóteses: H0: a segregação obedece à lei de Mendel. Letícia Cavalcante – FAHESP/IESVAP, 2021 H1: a segregação não obedece à lei de Mendel. FÓRMULA DO TESTE DE ADERÊNCIA: Para fazer o teste, os estatísticos usam um programa de computador que fornece, além do valor de x2, o p-valor. Porém, vamos aprender a usar as tabelas de p-valor e para isso é preciso estabelecer o nível de significância do teste, que deve ser estabelecido antes do início do teste. Vamos, então, estabelecer a= 0,05. Para verificar se os dados se distribuem de acordo com a teoria, vamos aplicar o teste de x2 por meio da fórmula: OI → representam as frequências observadas. EI → representam as frequências esperadas. Variáveis observadas (r) → 4 tipos DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA ESPERADA: Foram obtidas 556 ervilhas e já se sabe quais são as frequências observadas. Assim, devemos procurar a frequência esperada, que pela teoria de Mendel: Amarelo-lisas é: Amarelo-rugosa é: Verde-lisas é: Verde-rugosas: Assim faz-se a tabela da frequência esperada: DIFERENÇA DE FREQUÊNCIAS: As diferenças entre as freqüências observadas e esperadas são, respectivamente: APLICAÇÃO DA FÓRMULA: Para verificar se a distribuição de freqüências observadas está de acordo com a teoria, vamos aplicar o teste de x2: VERIFICAÇÃO DA SIGNIFICÃNCIA, DETERMINAÇÃO DO GRAU DE LIBERDADE E USO DA TABELA: O valor calculado de qui- quadrado deve ser comparado com o valor da tabela de x2 ao nível de significância estabelecido e com r - 1 graus de liberdade. Geralmente o valor de significância usado é o de 5%: a < 0,05 → H0: Se o valor calculado da estatística for menor do que o valor crítico da tabela, não rejeite a hipótese da nulidade (H0) ao nível estabelecido de significância. Letícia Cavalcante – FAHESP/IESVAP, 2021 a > 0,05 → H1: a Se o valor calculado da estatística for igual ou maior do que o valor crítico da tabela, rejeite a hipótese da nulidade (H0) em favor da alternativa (H1) ao nível estabelecido de significância. Para o exemplo que estamos desenvolvendo, o valor calculado de x2 foi 0,47. O valor dado na tabela de x2, com r -1 = 4 -1 = 3 graus de liberdade e ao nível de 5% de significância é 7,82. Como o valor calculado (X2 = 0,47) é menor do que o valor dado na tabela (X2 = 7,82), não se rejeita, ao nível de significância de 5% a hipótese de que a segregação ocorreu de acordo com a teoria. TESTE DE INDEPENDÊNCIA Testa a hipótese de que duas variáveis nominais ou categorizadas são independentes, ou seja, suas frequências não sofrem influência uma da outra. Exemplo: Para estudar a efetividade de determinada droga no alívio da dor após a instrumentação endodôntica (tratamento de canal), um cirurgião-dentista fez um experimento: DETERMINAR AS VARIÁVEIS: A Tabela 12.5 é uma tabela 2 x 2 porque apresenta duas variáveis, cada uma com duas categorias: → VARIÁVEL 1: grupo, com duas categorias: controle; tratado; → VARIÁVEL 2: relato de dor, com duas categorias: com dor; sem dor. DETERMINAÇÃO DAS HIPÓTESES: As hipóteses a serem testadas são: H0: A probabilidade de relatar dor depois do tratamento não depende de o paciente ter recebido ou não a droga; H1: a probabilidade de relatar dor depois do tratamento muda se o paciente tiver recebido a droga. DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE SIGNIFICÂNCIA: Vamos estabelecer o nível de significância a = 0,05. FÓRMULA DO TESTE DE INDEPENDÊNCIA: Após a montagem da tabela, deve-se compreendê-la e aplicar a fórmula para testar as hipóteses: a Tabela 12.6 que apresenta os valores literais no caso de uma tabela 2 x 2, isto é, de urna tabela que apresenta duas variáveis categorizadas, indicadas aqui por X e Y. A variável X tem duas categorias, X1 e X2; a variável Y tem, também, duas categorias: Y1 e Y2 DETERMINAÇÃO DO GRAU DE LIBERDADE; Como cada variável tem duas categorias, cada uma delas tem 1 grau de liberdade. APLICANDO-SE A FÓRMULA; Letícia Cavalcante – FAHESP/IESVAP, 2021 USANDO-SE A TABELA: a < 0,05 → H0: Se o valor calculado da estatística for menor do que o valor crítico da tabela, não rejeite a hipótese da nulidade (H0) ao nível estabelecido de significância. a > 0,05 → H1: a Se o valor calculado da estatística for igual ou maior do que o valor crítico da tabela, rejeite a hipótese da nulidade (H0) em favor da alternativa (H1) ao nível estabelecido de significância. Como o valor calculado (X2 = 3,429) é menor do que 3,84, não se rejeita a hipótese da nulidade. Portanto, a probabilidade de relatar dor depois do tratamento é a mesma para pacientes que receberam e não receberam a droga. REFERÊNCIAS •VIEIRA, Sônia. Introdução à Bioestatística. 4ª edição. Editora Campus-1991, 2008. p. 252