Prévia do material em texto
Patologia Oral 21.1 Pênfigo Vulgar Módulo 5 Apresentação na forma vesiculobolhosa. Bolhas que estouram e levam a formação de úlceras. → Doença autoimune mucocutânea, caracterizada pela formação de bolhas intra epiteliais. Classificação: - Vulgar → acomete a cavidade bucal. - Vegetante - Eritematoso - Foliáceo Etiopatogênese: Lesão associada ao desenvolvimento de autoanticorpos - anticorpos direcionados contra as estruturas epiteliais de adesão (junções oclusivas, GAPs, desmossomos, entre outros). O pênfigo surge a partir da produção de autoanticorpos contra uma proteína específica dos desmossomas, chamada de desmogleína 3. - Esses autoanticorpos se ligam a essa proteína, levando a ativação do sistema complemento, liberação de mediadores inflamatórios, migração de neutrófilos, formação de complexo de ataque à membrana. Promovendo a lise desses desmossomos e por isso as células epiteliais perdem adesão. → Devido a essa perda de adesividade, surgem bolhas dentro do tecido epitelial. Características Clínicas: - 40 a 60 anos, sem predileção por sexo. - Pode se localizar em qualquer região da mucosa oral, mas os locais mais frequentes são: palato, mucosa labial, língua e gengiva. - Aspecto das lesões intraorais: vesículas ou bolhas, no entanto elas se rompem facilmente, levando a formação de áreas ulceradas e eritematosas. Sintomatologia dolorosa. - Acometimento com outras doenças auto-imunes. - Sinal de Nikolsky positivo - formação de uma bolha imediatamente após o tracionamento da mucosa clinicamente normal desse paciente. - Úlcera em fundo de sulco. - recoberta por essa pseudo membrana esbranquiçada, resultante de necrose superficial. - Úlcera com membrana esbranquiçada - Úlcera rasa - Periferia mais avermelhada em alguns casos. - Bolha na região lateral de língua. - Área ulcerada na região anterior. - Mucosa labial totalmente ulcerada. - Áreas eritematosas - Dor e dificuldade de alimentação - Área de ventre de língua com ulcerações sangrantes. - Lesão um pouco mais profunda (pouco comum) - Circundada por área eritematosa e ulcerada e exulcerada de aspecto mais raso. Histopatológico: → Quadro típico de acantólise - lise da camada espinhosa. → Formação de bolha ou fenda intraepitelial. - Acantólise - lise da camada espinhosa. - Fenda ou bolha dentro do tecido epitelial. - O soalho dessa fenda ou bolha é revestido por células da camada basal - células colunares ou cúbicas, hipercromáticas. - No interior da bolha observa-se a formação de queratinócitos acantolíticos (células de Tzanck) - Infiltrado inflamatório na lâmina própria - predominantemente crônica. Aspectos Microscópicos: Imunofluorescência direta: complexos antígeno-autoanticorpo nos desmossomos dos ceratinócitos (IgM, IgG e C3). - É importante a localização! Essa fluorescência deve ser intercelular. → Imunofluorescência direta: auto-anticorpos aderidos aos antígenos. → Imunofluorescência indireta: auto-anticorpos plasmáticos. Tratamento: → Corticoterapia - Sistêmica e tópica - Sistêmica - Intralesional OBS: O pênfigo é uma lesão agressiva e recidivante, as lesões orais geralmente são as primeiras a surgirem e as últimas a cicatrizarem. Não responde bem apenas a corticoide tópico, sendo necessário uso sistêmico. Muitas vezes quando o corticoide é tirado, as lesões voltam. Se o paciente não responder bem à corticoterapia, pode-se usar agentes imunossupressores, como azatioprina.