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RELAÇÕES INTERPESSOAIS AULA 6 Prof.ª Elizabeth Nery Sinnott 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos tratar sobre aspectos voltados às mudanças necessárias tanto no contexto organizacional como no contexto pessoal. De que forma a mudança ocorre e quais as suas razões, tanto na empresa como no comportamento dos indivíduos? Vamos entender qual é a imagem que você repassa às pessoas, como elas veem você e qual a importância disso nas relações interpessoais, na autoconsciência e principalmente na sua carreira profissional. Vamos aprender sobre como relacionamentos são estabelecidos nos meios sociais em que você está inserido, tanto profissionais como pessoais. Vamos também discutir a forma com que você se relaciona socialmente e qual a repercussão desse processo. Vamos entender quais são as condições estratégicas facilitadoras dentro de uma organização, bem como na gestão de uma equipe. Por fim, trataremos da condição tão atual e necessária sobre a agilidade do mercado, transformações importantes, transições de modelos tradicionais para modelos ágeis. Vamos falar de mudanças do âmbito individual, sobre a ampliação dos modelos mentais, mudança de mindset — ou seja, isso é importante para que o indivíduo seja mais colaborativo com as adversidades no cenário que estiver inserido. Esse mundo Vuca (acrônimo que descreve aspectos da atualidade — Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), que nos desperta para superarmos os desafios presentes. CONTEXTUALIZANDO Atualmente, o mercado necessita de atitudes diferenciadas dos profissionais ali inseridos para que eles possam entregar resultados inovadores para a manutenção da empresa no mercado competitivo. Portanto, a mudança do mindset, da sua forma de se comportar e enxergar o mundo, proporcionará essa condição, como também irá impactar nas suas relações interpessoais, facilitando os processos da equipe e da organização. Importante também entender as estratégias das organizações levando em consideração sua estrutura e cultura, o quanto tudo isso caracteriza as suas ações no mercado. As empresas estão utilizando métodos facilitadores para agilizar a sua visão e manutenção e fazer a manutenção de relações positivas entre os indivíduos ali 3 presentes, ou melhor, dar valor ao que a organização tem de maior valor: as pessoas! Saiba mais Vamos dar continuidade a essas reflexões vendo um vídeo sobre essas atuais formas que as organizações estão utilizando para os processos necessários de mudanças: “Como funcionam as Metodologias Ágeis?”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DSCdFr3FyAg>. Acesso em: 17 out. 2019. TEMA 1 – O PROCESSO DE MUDANÇA DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES O que é requerido para uma mudança ser realizada? Qual a razão para que uma mudança seja realizada? As mudanças são necessárias, sejam elas no âmbito pessoal, profissional ou nas organizações em si. Porém, tem uma condição anterior à mudança: a percepção! A mudança somente pode ser efetuada se for percebida a razão dela acontecer. Só mudamos aquilo que percebemos! Podemos começar pelas mudanças no âmbito pessoal. Se você não perceber em você as suas características, o seu comportamento, as suas atitudes, e não identificar os resultados ou impactos em relação a elas, você não poderá mudar, porque não saberá a razão para isso. Claro que falamos da necessidade de ampliar a autoconsciência, de elevar o autoconhecimento para que você entenda como funciona e, aí sim, perceber a necessidade de realizar mudanças em si mesmo. 4 Figura 1 – Processo de mudança Crédito: Rawpixel.com/Shutterstock. Essas mudanças muitas vezes têm como objetivo e resultado favorecer o crescimento pessoal e interpessoal. Para que você possa ter mais benefícios nas relações com as demais pessoas, vínculos mais positivos, será necessário também perceber o outro, como ele funciona, saber como você impacta o outro com o seu funcionamento para que possa se adaptar, mudar e fortalecer as relações. Agora, a mudança intrapessoal necessita que você se perceba de uma forma mais frequente, entendendo o que gosta, o que não gosta, sabendo qual a sua missão de vida, a sua visão, o seu propósito para que, assim, saiba para onde quer ir e efetue mudanças mais assertivas em si mesmo. Quando falamos de mudanças organizacionais, da mesma forma é necessário perceber, conhecer e detalhar o cenário em que a organização está inserida, para se ter dados e informações da direção necessária a ser tomada. Para isso, existem diversas ferramentas estratégicas para um planejamento, e uma delas é a Análise SWOT, que pode inclusive ser utilizada com na vida pessoal. O termo SWOT é uma combinação das primeiras letras das palavras (em inglês) Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats) [...] A Análise SWOT é uma ferramenta-conceito utilizada para fazer a análise de um cenário (ou de um ambiente), proporcionando a base para o planejamento estratégico e o gerenciamento de uma empresa. (Manager, 2009) 5 Figura 2 – Análise SWOT Crédito: Inspiring/Shutterstock. Essa ferramenta é muito utilizada nas organizações para elaboração de um planejamento estratégico. É realizada uma análise das forças e fraquezas internas da organização e as ameaças e oportunidades externas, do mercado. Dessa forma, podemos também a utilizar no âmbito pessoal, em que iremos fazer essa análise interna e externa para que tenhamos o conhecimento do que está funcionando em nós, elaborando um plano de desenvolvimento pessoal. E a gestão da mudança? O que é e qual a importância? A gestão da mudança tem que envolver todos os elementos e considerar a importância de todos os níveis. Essa gestão consiste em uma metodologia. Tem como objetivo central proporcionar que todos os envolvidos tenham um processo de adaptação equilibrado, com menores impactos negativos possíveis. Em uma gestão da mudança são implementados diversos projetos com intuito de realizar muitas reestruturações, porém o mais importante é que a organização se atente e leve em consideração os impactos que essas mudanças podem gerar nos indivíduos ali inseridos. Esses impactos podem ser negativos ou positivos, pois existem benefícios na gestão da mudança. Um dos benefícios está ligado à competitividade, pois enquanto ela não mudar e se adaptar ao movimento do mercado, ela não vai elevar a sua posição no cenário competitivo. Ela precisa agir com velocidade, elevando a sua produtividade. Outro benefício é a possibilidade de avaliar e controlar melhor os processos financeiros e de custo, pois o planejamento favorece enxergar mais sistemicamente o funcionamento da organização. A gestão da mudança diminui a presença de riscos, pela razão de ter uma boa e minuciosa investigação sobre 6 as consequências que a mudança pode ocasionar, avaliando os riscos e evitando os imprevistos. Isso também eleva a produtividade, pois ao se estabelecer planejamentos, é feita também uma análise detalhada do cenário interno e externo, para então obter mais subsídios e traçar novas ações estratégicas, gerando melhores resultados. Com base em uma pesquisa realizada em uma empresa apresentada no artigo de Mapa e Rodrigues (2013) se identificou que, embora existam diferentes formas para que o processo de mudança ocorra, alguns aspectos são comuns. [...] ter uma visão compartilhada, liderança engajada traduzida em coalizão administrativa, criação do clima para mudança, boa comunicação, mensuração de ganhos com a mudança, monitoramento e ações de correção. (Mapa; Rodrigues, 2013, p. 15-16) Aluno e aluna! O foco sempre será na obtenção de melhores e maiores resultados, tanto na vida pessoal, para elevar o nível de satisfação,como na organização, para a sua manutenção no mercado competitivo. Portanto, entendemos que nossas condições de flexibilidade, resiliência, adaptação, novo mindset, abertura ao diferente, criatividade e visão inovadora serão extremamente facilitadoras para o alcance do desejado. Figura 3 – Novo mindset, novos resultados Crédito: Tashatuvango/Shutterstock. Saiba mais Links para textos de leitura obrigatória (livro da disciplina ou artigos): Para que complemente os conhecimentos sobre o tema, leia o livro Construindo relacionamentos no contexto organizacional (Czajkowski; Muller; 7 Oliveira, 2019), em especial o capítulo 6, Desenvolvendo relacionamentos no contexto organizacional (p. 149-154). Veja o vídeo “Eduardo Carmello – Gestão de Mudança”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mW1oZl4vdmg>. Acesso em: 17 out. 2019. TEMA 2 – A CONFIGURAÇÃO DO EU FRENTE AO OUTRO – QUEM SOU EU PARA O OUTRO Que tal iniciarmos com o pensamento de Bakhtin, um célebre pesquisador, pensador e filósofo do início do século, notável para a história do progresso da linguagem humana? Ser significa ser para o outro e, através dele, para si. O homem não tem um território interior soberano, está todo e sempre na fronteira, olhando para dentro de si ele olha o outro nos olhos ou com os olhos do outro. (Bakhtin, 2006, p. 341, grifo no original) Como você entendeu a citação acima? Podemos compreender que a nossa formação pessoal se dá desde as interações sociais com os demais indivíduos, proporcionando aprendizados e a aquisição da nossa própria linguagem. E também nessas interações temos a oportunidade de partilhar os nossos desejos, visões e ideias; enfim, o que no momento tivermos necessidade. Czajkowski, Muller e Oliveira (2019), dando continuidade às nossas reflexões, trazem esses questionamentos que constam no nosso livro base da nossa disciplina: Se o processo de autoconhecimento é uma atividade árdua e compreender quem nós somos pode levar uma vida inteira, será que as pessoas a nossa volta nos enxergam da maneira como acreditamos ser? [...] quem somos nós para as pessoas com as quais convivemos todos os dias? [...] Qual a imagem de nós mesmos que passamos para as outras pessoas nos nossos círculos de convívio pessoal e profissional? (Czajkowski; Muller; Oliveira, 2019, p. 155-156) Abaixo, uma atividade muito interessante proposta por Czajkowski, Muller e Oliveira (2019), que convido você aluno/a a exercitar para que ampliar a percepção de si e possa encontrar melhores alternativas para elevar o seu nível de satisfação na vida pessoal e profissional: Quem sou para o outro? Será que eu estou me apresentando aos outros como eu gostaria de ser visto? Qual a visão que as pessoas ao meu redor têm de mim? Como eu gostaria de ser visto pelas pessoas? (Czajkowski; Muller; Oliveira, 2019, p. 157) 8 Com base em diversas reflexões acima propostas, podemos considerar que o autoconhecimento é fundamental, ou seja, você precisa ter uma percepção cada vez mais clara de si para poder conviver com os demais indivíduos. O modelo mental representa a forma do indivíduo enxergar o mundo, com suas ideias, crenças, valores, verdades etc. Porém, identificamos no mercado atual, tanto pessoal como profissional, que as pessoas não estão mais satisfeitas com formas, reações, comportamentos e resultados iguais, repetitivos. Interpretamos, com base nesse cenário, que necessitamos urgentemente alterar o nosso modelo mental; ou melhor, vamos utilizar outra terminologia: ampliar o nosso mindset! Esse assunto faz parte de uma grande demanda em relação ao perfil e atuação do profissional no mercado atual. O mindset representa o que acreditamos, os valores que foram estabelecidos e que guiam as nossas decisões. Por meio dele enxergamos a realidade, que, claro, pode ser bem diferente dos demais indivíduos com quem nos relacionamos. Ele interfere e dá referências do que devo acreditar ou não, seja na vida pessoal, amorosa, profissional, inclusive, do que sou capaz ou não de conquistar na vida. Será que eu conheço bem o meu mindset? Será que tenho consciência de como estou funcionando e quais as minhas atitudes diante de diversos cenários na minha vida? Não temos consciência muito ampla, porém podemos ampliar essa consciência para ter clareza da razão de certos comportamentos e entender o sentido de determinadas escolhas, além de poder acreditar nas próprias potencialidade e melhor utilizá-las. Talvez entender sobre merecimento! Figura 4 – Tipos de mindset Crédito: Busyok Creative/Shutterstock. 9 Qual a importância disso nas relações interpessoais? Identificamos que quanto mais eu me conheço, mais tenho consciência tanto das minhas potencias como das minhas limitações. Com base nisso, tenho possibilidades de saber que possuo muitas condições positivas, que mereço me perceber assim, que posso contribuir muito mais do que estou fazendo hoje. E também ter clareza que necessito desenvolver alguns aspectos que aparecem como limitações. Preciso me propor a trabalhar esses aspectos, para ser uma pessoa melhor comigo e com os outros indivíduos com que me relaciono. Quanto mais me conheço, mais tenho condições de lidar com a diversidade das pessoas e aceitá-las. No âmbito profissional, eu ampliando meu mindset tenho a grande chance de contribuir com resultados diferenciados, “fora da caixa”, inovadores, para que a organização também possa se manter no cenário competitivo. Existem metodologias e ferramentas que podem facilitar o autoconhecimento, que favorecem a ampliação do mindset. Uma delas é a metodologia do coaching, considerada uma metodologia estruturada para facilitar com que o outro reconheça as suas fortalezas, as suas competências, e melhor as utilize, e também se proponha a um plano de desenvolvimento focando em objetivos futuros. Outra possibilidade é o uso da Análise SWOT, que tem como base principal realizar uma análise do cenário em que o indivíduo ou organização está inserida, para obter dados, informações e subsídios para um planejamento de melhorias, com foco bastante estratégico. Entre outras alternativas de investimento em si mesmo, pode ser por estudos, leituras que remetem à autoconsciência e irão facilitar também esse processo. Lembrando que a mudança só ocorre quando existe percepção! Identificamos então que quanto mais eu amplio meu autoconhecimento, minha autoconsciência, mais eu tenho condições de identificar o que tenho, qual o meu propósito, quais são os meus valores, quais são as minhas motivações, como as pessoas que convivem comigo me veem, quem sou eu na essência, e o que não tenho em minhas habilidades, atitudes. Faz sentido? Saiba mais Links para textos de leitura obrigatória (livro da disciplina ou artigos). Para que complemente os conhecimentos sobre o tema, leia o livro Construindo relacionamentos no contexto organizacional (Czajkowski; Muller; 10 Oliveira, 2019), em especial o capítulo 6, Desenvolvendo relacionamentos no contexto organizacional (p. 155-158). Veja o vídeo “Autoconhecimento e as Relações Interpessoais”. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=OlzSTkS7uRM >. Acesso em: 17 out. 2019. TEMA 3 – COMO EU ME RELACIONO COM A SOCIEDADE O que é considerado importante para que as relações que estabeleço socialmente sejam positivas e benéficas? Benéficas de uma forma que eu possa contribuir com o outro e que eu possa evoluir com o outro. Já revelamos a grande importância do processo de autoconhecimento para que o indivíduo tenha maior consciência de si, para que efetue as mudanças necessárias, e assim ser uma pessoa cada vez mais evoluída. E também para que o indivíduo entenda as diferenças nas relações interpessoais e possa desenvolver sua flexibilidade, adaptação,responsabilidade e disponibilidade as mudanças, facilitando as suas interações sociais. Será que pensamos em muitos momentos nas possibilidades de lidar bem com as diferenças entre os indivíduos, tanto na vida pessoal como profissional? Será que é possível realizar as minhas atividades no meu trabalho de forma positiva com os demais? É possível compreender realmente as outras pessoas e poder criar um vínculo efetivo? Conviver com outras pessoas, com essa diversidade, com seus modelos mentais, com seu funcionamento diferente do seu sempre foi um grande desafio. Ou melhor, se entendermos que esse desafio é extremamente impulsionador ao seu próprio crescimento — ou seja, quanto mais você se adapta as situações e a pessoas diferentes — mais você percebe recursos internos que o fazem melhorar e evoluir nas interações. 11 Figura 5 – Diversidade Crédito: GoodStudio/Shutterstock. As interações humanas se dão com base no processo de comunicação, seja ele verbal ou não verbal. Percebemos muito isso em momentos iniciais de interação, os quais necessitamos ter cuidado com primeiras impressões. Moscovici (2008, p. 72) fala sobre a competência interpessoal: “é a habilidade de lidar eficazmente com relações interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada às necessidades de cada uma e às exigências da situação”. Ainda essa mesma autora fala de dois aspectos muito importantes no desenvolvimento da competência interpessoal. Ela cita a percepção e a habilidade. A percepção é um componente que necessita ser exercitado. Somente iremos agir e nos relacionar de forma mais eficaz se percebermos como está o outro, como ele funciona, qual é o modelo mental dele, para que assim possamos nos adaptar e criar uma relação positiva. Claro que o processo de autoconhecimento vai ser extremamente facilitador para isso, mas, segundo a autora, ele só pode ser alcançado considerando os demais indivíduos com quem convivemos, por meio dos retornos que o outro dará a nós; melhor falando, dos feedbacks emitidos, como o outro nos enxerga. Esse dado é muito significativo para o seu autodesenvolvimento, pois temos algumas características e manifestações que não são percebidas por você e sim pelos outros. Interessante isso, não é? Vale entrarmos em um conteúdo que aborda exatamente essa temática. Manifestamos características que são percebidas por 12 nós e pelos outros; outras somente são percebidas pelos outros; outras somente eu conheço e não manifesto; e por fim, existe conteúdo meu que desconheço e os outros também. Isso se chama Janela de Johari. Vamos entender um pouco mais sobre isso? Janela de Johari enfoca: a questão do Relacionamento Interpessoal, baseado nas descobertas de Joseph Luft & Harry Ingham, dois cientistas sociais (um psicólogo e outro psiquiatra) que se dedicaram a estudar as questões pertinentes ao comportamento humano e seus reflexos, representadas em uma janela de quatro vidraças. É um modelo conceitual ou perspectivo para uma visão do relacionamento interpessoal. Com os quatro quadrantes de uma janela pode-se ver como as pessoas se relacionam em grupos. A dinâmica do relacionamento interpessoal faz esses quadrantes se moverem (aumentando e diminuindo) principalmente após respostas aos estímulos (feedback) que recebemos ao nos relacionarmos em grupo. Estes, por sua vez, nos ajudam a compreender uns aos outros. (Portal da Psique, 2007) Figura 6 – Janela de Johari Fonte: Adaptado de Janela de Johari, 2011. Analisamos essa imagem da Janela de Johari e percebemos que existem quadrantes que revelam de si e das relações interpessoais. O eu aberto é aquele em que eu conheço os meus comportamentos e as pessoas também. O eu secreto só eu conheço e não demonstro para as demais pessoas, elas não conhecem esses meus comportamentos. O eu cego só os outros conhecem os meus comportamentos e eu não conheço. E por fim, o eu desconhecido de que nem eu tenho conhecimento e nem as outras pessoas de tais comportamentos. Interessante esse tema, não é mesmo? Essa ferramenta tem como objetivo elevar o nível de autoconhecimento, entender, com base na disponibilidade, por exemplo, de ouvir feedbacks e assim tornar mais consciente 13 o conteúdo do meu “eu cego”. Esses quadrantes facilitam o processo de ampliar da percepção das pessoas em relação a si mesmo e aos demais que se relaciona. Conforme Moscovici (2008), o objetivo fundamental é fazer com que esses “eus” se aproximem do quadrante do “eu aberto”, conteúdos do “eu cego” e “eu secreto”. Isso traria impactos positivos no autodesenvolvimento e nas relações sociais. Formas facilitadoras como a frequência do feedback movimenta muito “eu cego” para o “eu aberto”, repercutindo em relacionamentos interpessoais efetivos e saudáveis. Lembrando que, para que eu facilite as minhas interações sociais, necessito estar disponível às mudanças necessárias, adaptar-me às diferenças, criar relações empáticas em que eu considere o que é do outro algo também importante e, principalmente, ampliar a percepção de mim e do outro com foco na evolução frequente e contínua. Saiba mais Links para textos de leitura obrigatória (livro da disciplina ou artigos). Para que complemente os conhecimentos sobre o tema, leia o livro Construindo relacionamentos no contexto organizacional (Czajkowski; Muller; Oliveira, 2019), em especial o capítulo 6, Desenvolvendo relacionamentos no contexto organizacional (p. 158-162). Veja o vídeo “Janela Johari na prática e teste”, pelo qual você terá a possibilidade de fazer um teste para identificar o seu quadrante mais atuante no momento. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8PGGaSqxbA0>. Acesso em: 17 out. 2019. TEMA 4 – OS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS NO AMBIENTE PROFISSIONAL E O TRABALHO EM EQUIPE Será que é importante ter relacionamentos interpessoais positivos nas organizações? E a gestão de equipe, como se faz, qual a melhor forma e o que considerar? Alunos e alunas! Você faz parte de uma equipe ou já fez? As relações interpessoais impactavam nos resultados dependendo do tipo de relação? E as relações criavam um ambiente psicológico na empresa que influenciava no desenvolvimento das tarefas? 14 Figura 6 – Trabalho em equipe Crédito: Aurielaki/Shutterstock. Segundo Moscovici (2010), o relacionamento interpessoal no trabalho requer algumas condições importantes, como relações coesas, que as pessoas sejam cooperativas, solidárias e que exista principalmente uma relação harmoniosa. Isso tudo vai influenciar diretamente na entrega dos resultados. Porém, entendemos que as pessoas são complexas! Não temos como prever comportamentos e reações perante fenômenos que ocorrem nas empresas. Um clima de confiança é fundamental para que as pessoas sejam genuínas na sua produtividade, utilizando o seu melhor potencial. Para isso, é imprescindível uma liderança eficaz para impulsionar as pessoas a colocarem em prática o que elas têm de melhor. A confiança fortalece os vínculos, fazendo com que as pessoas consigam se expressar abertamente, autodesenvolvendo-se e estabelecendo a empatia de forma mais frequente. 15 Figura 7 – Exemplos de relações empáticas Crédito: Blan-k/Shutterstock. Lencioni (2015) entende que o trabalho em equipe se inicia pela estruturação da confiança. E ainda salienta que “a única maneira de fazer isso é superando nossa necessidade de sermos invulneráveis” (Lencioni, 2015, p. 63). Lembrando que vulnerabilidade está ligada a fraqueza, insegurança, instabilidade, fragilidade. O autor ainda aborda a confiança da construção de equipe, que se caracteriza como uma certeza, entre os integrantes, de que tudo o que vai ocorrer na equipe e entre as pessoas ali conectadas,é de boa intenção. Portanto, não há motivo algum para que alguma pessoa dessa equipe tenha atitudes de resistências, ou mesmo ficar se defendendo de quaisquer situações adversas. Essencialmente, os colegas de equipe devem se sentir à vontade para se permitirem ser vulneráveis na frente dos outros [...] É preciso que os membros se mostrem vulneráveis e que tenham a certeza de que suas vulnerabilidades - fraquezas, falta de habilidades, problemas interpessoais, erros e pedidos de ajuda – não serão usadas contra eles. (Lencioni, 2015, p. 179) No processo de desenvolvimento de uma equipe, é fundamental conhecer cada integrante, seus sonhos, e acompanhar o seu desempenho para que possa investir no desenvolvimento de cada indivíduo ali inserido. Os relacionamentos interpessoais vão ser cada mais eficazes quando cada indivíduo se responsabilizar pelas suas atitudes, disponibilizar-se ao 16 contínuo aprendizado, seja com a ajuda dos seus pares, com seu gestor ou até mesmo com seus liderados. Essa condução está ligada ao desenvolvimento da inteligência emocional de cada um. Importante que cada indivíduo tenha um nível de maturidade elevado para poder gerir as diversidades e adversidades do atual cenário competitivo, facilitando com frequência as relações interpessoais, o desenvolvimento da equipe. Isso impacta positivamente o clima organizacional e, por consequência, atinge os melhores resultados demandados. Figura 8 – Trabalho em equipe Crédito: Viktoria Kurpas/Shutterstock. Saiba mais Links para textos de leitura obrigatória (livro da disciplina ou artigos). Para que complemente os conhecimentos sobre o tema, leia o livro Construindo relacionamentos no contexto organizacional (Czajkowski; Muller; Oliveira, 2019), em especial o capítulo 6, Desenvolvendo relacionamentos no contexto organizacional (p. 163-167). Veja o vídeo “4 dicas para melhorar relacionamentos interpessoais na empresa” para entender sobre as relações entre os indivíduos dentro de uma organização. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vJDxdSBv_M8>. Acesso em: 17 out. 2019. 17 TEMA 5 – O MUNDO VUCA, AS COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS Alunos e alunas! Para finalizar a nossa disciplina, convido vocês a relacionarem todo o nosso conteúdo com temas bastante contemporâneos do mercado profissional atual. Vamos começar tratando da expressão “Mundo VUCA”! O que significa? Você já tinha ouvido falar? Figura 9 – Mundo Vuca Crédito: Bimbim/Shutterstock. Podemos entender que o mundo atual está em constante mudança, e com uma grande velocidade. Muitas vezes é incerta a direção, mas essa forma acelerada vem promovendo diversas resoluções para uma mesma demanda. Vejamos abaixo um conceito do acrônimo Vuca: O exército americano já usava a sigla Vuca para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) nas diversas situações e contextos de guerra. O uso militar dessa sigla começou no final dos anos 90 para tratar das ferramentas e métodos necessários para fazer frente a um ambiente extremamente agressivo e desafiador. Após os atentados terroristas desde 2001, os contextos Vuca passaram a ser o novo “normal” no ambiente militar americano. (Elias, 2019) Qual a razão de falarmos sobre isso agora? Será que essa velocidade das informações, as mudanças constantes, os grandes desafios e incertezas 18 impactaram nas relações interpessoais, no comportamento do indivíduo e especialmente nas diferentes competências exigidas nesse mercado profissional atual? Isso parece bem interessante para o seu desenvolvimento, não é? Então vamos falar mais sobre esse mundo VUCA e entender quais fatores podem impactar nos indivíduos de uma forma holística. Figura 10 – Preparando-se para o Mundo VUCA Crédito: Gabydesign/Shutterstock. Esse termo começou a ser usado no mundo dos negócios recentemente, por volta do ano de 2010. Sabemos que o meio corporativo traz características do cenário militar, que iniciou o uso do termo. Já vivenciamos de alguma forma os desafios frequentes, o estabelecimento de metas agressivo, a competitividade nas organizações, não é mesmo? As incertezas estão presentes nas empresas, porém baseiam-se muito em administrar os possíveis riscos. Existe uma necessidade das organizações em obter os melhores e diferentes resultados, porém para que isso seja alcançado é importante saber por onde se está transitando, caminhos, alternativas, métodos etc. Os novos sistemas caracterizam esse novo mundo — riscos, desafios, imprevisibilidade, diversidades e adversidades presentes — e para nós, como profissionais, requerem que estejamos atentos e em desenvolvimento constante para atender essas demandas de forma mais efetiva. Entendemos que vários impactos ocorreram na nossa sociedade, como a própria globalização e os avanços na tecnologia, entre outros. 19 Vamos detalhar o acrônimo Vuca: Volátil: é caracterizado pela forma variável, inconstante, que apresenta muita instabilidade. As tendências e as certezas não são constantes, trazendo cada vez maiores desafios para as organizações e para os indivíduos ali inseridos. Incerto: está ligada às dúvidas constantes, impossibilidade de previsões, trazendo muitas indecisões. Agora podemos entender que uma empresa no atual mercado não tem a possibilidade de traçar muitos planos estratégicos a longo prazo, pois os cenários são inconstantes. Isso traz a dificuldade de realizar as necessárias previsões. Complexo: a existência de inúmeras variáveis de um determinado cenário ou problemática nos causa confusão nas interpretações. Os resultados para esse mundo atual são muito complicados. Vimos com isso que as relações interpessoais também estão sendo impactadas por essa complexidade, pois as alternativas para um certo desafio são variadas, e não somente uma única correta. Ambíguo: existem vários sentidos, vários caminhos para um mesmo impasse. Será que é possível compreender a causa, a natureza da problemática apresentada? Muitas incertezas estão presentes. Os indivíduos sentem necessidade de ter a questão presente mais claramente, porém é o indivíduo que necessita se adaptar a essa ambiguidade, conhecer os possíveis riscos e ficar atento às tomadas de decisões. Não existe mais duas alternativas para escolha: existem inúmeras! Esse é o mundo Vuca! E o que esse mundo pode impactar na sua carreira? Percebemos uma era de transformação digital, e principalmente a área de RH, tornando-o mais ágil nesse cenário. Chamado de RH Ágil. Ocorreram fortes mudanças da gestão de pessoas tradicional para a atual. Os métodos ágeis alteraram a forma de gerir as pessoas numa corporação, desde a contratação até a própria gestão das equipes. Essas mudanças estão presentes devido à grande demanda de inovação em todos os aspectos no mercado atual. E quais são as competências mais necessárias hoje para o alcance dos resultados esperados nesse mundo Vuca? São competências que você já conhece, porém elas irão facilitar para lidar com todos esses desafios e instabilidade desse mundo que estamos inseridos. 20 Quadro 1 – Competências para o mundo VUCA Mundo Vuca Competências Volatilidade Resiliência – capacidade de se adaptar a diferentes cenários, às mudanças constantes. Carmello (2004, p. 19) fala sobre resiliência: "Em Biologia, é a capacidade de um sistema de manter- se firme, flexível, e integrado durante um embate ou recuperar-se prontamente de traumas, doenças ou adversidades”. Incerteza Flexibilidade – condição fundamental para poder lidar com as diversidades e adversidades existentes. Nada se prevê! É necessário compreender e aceitar diferentes caminhos para as soluções.Complexidade Multidisciplinariedade – é o investimento contínuo de conhecimento em diferentes áreas, é aprender e lidar com as diferenças para se ter a vitória desejada nesse novo mundo! Ambiguidade Coragem – nada é preciso, nada é certo no contexto em que vivemos. Não há caminhos corretos. Com isso, é necessário no processo decisório, acreditar, investir e prever as consequências, e estar disponível a aprender com os erros. Porém, sabemos que quanto mais desenvolvido o indivíduo, seja em competências técnicas ou comportamentais, suas decisões vão ser muito mais assertivas! 21 Fonte: Adaptado de Pires, s. d. Com base em nosso estudo sobre esses conceitos da atualidade, percebemos que essas mudanças contínuas têm impactado tanto nas organizações, quanto nas carreiras, nas relações interpessoais e nos indivíduos. Tem-se notado que a satisfação no trabalho está muito ligada também aos relacionamentos investidos. A importância dos relacionamentos é comprovada em pesquisa. Estudos mostram que as conexões sociais têm papel fundamental na construção de um senso de propósito e bem- estar no ambiente de trabalho. E também têm impacto nos resultados: a gestão eficiente do capital social das empresas favorece o compartilhamento do aprendizado e do conhecimento, aumenta a retenção e o engajamento de colaboradores, reduz a ocorrência de quadros de burnout, promove a inovação e melhora o desempenho dos funcionários e da empresa como um todo. (Cross, 2019) Figura 12 – A importância dos relacionamentos Crédito: Evellean/Shutterstock. Portanto, após você entender sobre os temas abordados nessa disciplina, concluímos que o ser humano é um ser social e necessita se relacionar, interagir com demais indivíduos. Vimos a importância de sempre fortalecer as relações e construir vínculos confiáveis para que você possa se desenvolver, evoluir e contribuir para que o outro cresça juntamente nesse processo. Com as grandes mudanças desafiadoras e incertas, os indivíduos precisam unir fortalezas para 22 que possam elevar os seus aprendizados, ampliar o seu mindset para que consigam pensar de forma diferente e, consequentemente, fazer entregas mais inovadoras, mais ágeis nesse mundo VUCA, e como equipe, se tem uma maior oportunidade de lidar com as diversidades e aprender com elas. Saiba mais Links para textos de leitura obrigatória (livro da disciplina ou artigos). Leia o artigo “O RH torna-se ágil” (Cappeli; Tavis, 2018) para complementar o seu estudo. Veja o vídeo “VUCA oficial” para dar continuidade às reflexões sobre a importância o mundo VUCA e os aspectos que o envolvem. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZuEF76Xs_Mw>. Acesso em: 17 out. 2019. TROCANDO IDEIAS Tratamos de temas bastante introspectivos voltados para o autoconhecimento e para a forma de interação humana. Olhe como isso é significativo! Como você está sendo notado pelos outros com quem convive, tanto no âmbito pessoal como profissional? Veja a importância de ouvir atentamente os feedbacks dados a você e o quanto eles podem favorecer o seu crescimento e ampliação do seu mindset. Mas porque tantos questionamentos introspectivos? Você percebeu que num mundo agitado, em ebulição, o maior valor nisso tudo são as pessoas com quem você convive, que você escolheu, as pessoas com quem você trabalha. Para que exista uma harmonia nessas relações, é fundamental que você esteja disponível, flexível para as mudanças necessárias, para assim agir, se comportar e ter atitudes positivas. Convido você a participar de um fórum e continuar com essas discussões sobre os temas a seguir: autodesenvolvimento e sua importância; mudanças aceleradas que você tem notado na sua vida pessoal e profissional e nos relacionamentos interpessoais; formas que você tem investido neles e feito a manutenção necessária. 23 NA PRÁTICA Analise o objetivo da Janela de Johari e identifique uma forma para trabalhar com os quadrantes “eu desconhecido” e “eu secreto” para que eles possam cada vez mais ser direcionados ao quadrante “eu aberto”, com objetivo de evolução tanto na vida pessoal e profissional. Assista o vídeo Janela Johari para um maior aprofundamento do tema. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ubPln13OvtE&t=4s>. Acesso em: 17 out. 2019. O quadrante secreto se refere ao conteúdo que conhecemos de nós mesmos, o que somos, as nossas características e comportamentos, porém, os demais indivíduos não conhecem. O quadrante desconhecido se refere ao conteúdo que nem nos nem os outros conhecem. Esses “eus” não são permanentes! Eles têm a grande possibilidade de se moverem, porém, somente se houver feedback e a autoexposição — feedback para identificar como sou visto pelo outro e não percebo, e autoexposição para que os demais me conheçam e eu consiga estabelecer vínculos interpessoais mais fortalecidos. FINALIZANDO Você percebeu alguma mudança em você após ter estudado todos esses temas? Estudamos sobre as mudanças nas organizações, as quais o mercado demanda muito para gerir processos de inovação nas ofertas de produtos ou serviços. Refletimos também sobre o papel do indivíduo nisso tudo e as suas próprias mudanças. E tratando do indivíduo, percebemos a importância do desenvolvimento dele para o melhor convívio com os demais, bem como da flexibilidade e da percepção da sua posição frente ao outro e sua disponibilidade as mudanças. Estudamos sobre a relação do indivíduo com a sociedade e que tipo de interação social ele vem estabelecendo, tanto nos meios profissionais como pessoais, e suas repercussões quanto ao nível de qualidade e investimento do seu processo. E por fim, entendemos as características do mundo atual e suas consequências: a importância de o indivíduo estar atento e perceber de forma sistêmica onde ele está inserido e de que forma contribui para os resultados que 24 tem na sua vida pessoal e profissional. Vimos que o mundo Vuca requer diferentes entendimentos, comportamentos, atitudes inovadoras, velocidade, dinamismo e flexibilidade, entre outras características facilitadoras para que todos tenhamos resultados mais positivos nas nossas conquistas e que a nossa satisfação esteja sempre presente no convívio com os demais indivíduos da nossa vida. 25 REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Reformulação do livro sobre Dostoiévski. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2006. CAPPELLI, P.; TAVIS, A. O RH torna-se ágil. Harvard Business Review. 2018. Disponível em: <https://hbrbr.uol.com.br/rh-agil-feedback/>. Acessado em: 17 out. 2019. CARMELLO, E. Supere – a arte de lidar com as adversidades. São Paulo: Gente, 2004. CROSS, R. Para ser mais feliz no trabalho, invista mais nos relacionamentos. Harvard Business Review. 2019. Disponível em: <https://hbrbr.uol.com.br/para-ser-mais-feliz-no-trabalho-invista-mais-nos- relacionamentos/>. Acesso em: 17 out. 2019. CZAIJKOWSKI, A.; MULLER, R.; OLIVEIRA, V. S. de. Construindo relacionamentos no contexto organizacional dos autores. Curitiba: Intersaberes, 2019. ELIAS, M. O que é Mundo VUCA? Administradores. 2019. Disponível em: < https://administradores.com.br/artigos/o-que-e-o-mundo-vuca>. Acesso em: 17 out. 2019. JANELA DE JOHARI. Blog da Secretaria de Educação de São Paulo. 2011. Disponível em: <http://sppseducao.blogspot.com/2011/08/janela-de- johari.html>. Acesso em: 17 out. 2019. LENCIONI, P. 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