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AULA 3 INDÚSTRIA 4.0 Profª Ana Carolina Bueno Franco 2 CONVERSA INICIAL As aplicações que usam inteligência artificial (IA) vêm ganhando espaço, não só nas atividades cotidianas, mas também na indústria. Como parte dos pilares que norteiam o conceito de “indústria 4.0”, a IA atua de forma significativa em soluções que visam a manutenção preditiva. Esta aula tem como objetivos: • compreensão dos conceitos relativos à inteligência artificial; • os principais avanços da inteligência artificial; • formas de aplicação e implementação de seus conceitos; • apresentar como a inteligência artificial é aplicada a sistemas de manutenção; • exemplos de aplicações com o uso de IA na manutenção. TEMA 1 – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: CONCEITOS De acordo com Silva et al. (2018), o termo inteligência artificial foi adotado pela primeira vez em 1956 por John McCarthy nos Estados Unidos e pode ser definido como uma atividade dedicada a tornar máquinas inteligentes. A inteligência é a qualidade que permite que uma entidade funcione adequadamente e com capacidade de previsão em seu ambiente. De modo geral, a inteligência artificial pode ser dividida em subáreas: • Aprendizado de máquina: utiliza algoritmos com a função de analisar dados, possibilitando a identificação de padrões. Com isso, aprende-se a executar uma tarefa, sem que haja a necessidade de implementação de um código específico da tarefa no software. Pode ser usado em diversos tipos de aplicações, conforme Figura 1. 3 Figura 1 – Aprendizado de máquina Crédito: Macrovector/Shutterstock. • Algoritmo genético: utiliza algoritmos que se baseiam em mecanismos da seleção natural e da genética. Esses algoritmos apresentam quatro características em comum: codificação de um conjunto de parâmetros; estabelecimento de hipóteses para solução; uso de valores da função objetivo para compor a hipótese de solução; uso de probabilidade. • Redes neurais: simulam o funcionamento do cérebro, através da interligação dos neurônios. Nas redes neurais, esses neurônios estão organizados em camadas. A rede neural artificial cria camadas de aprendizado (Figura 2), nas quais ocorrem a propagação de dados e conexão entre os neurônios. 4 Figura 2 – Modelo simplificado de redes neurais Crédito: Shadedesign/Shutterstock. • Robótica: esta área depende de aplicações da inteligência artificial, bem como, elétrica, mecânica e computação. Na indústria 4.0, tem grande notoriedade e será tratada nas próximas aulas. Neste caso, a inteligência artificial é empregada para programar as atividades dos robôs. • Sistemas especialistas: baseados em algoritmos com regras estabelecidas e bem definidas. Para seu funcionamento, dependem de uma base de conhecimento, gerada a partir de especialistas (engenheiros etc). 5 Figura 3 – Exemplo de um diagrama de um sistema especialista Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. • Visão computacional: são algoritmos capazes de extrair informações de imagens, como por exemplo: detecção de face, identificação de placas de automóveis, entre outros. A Figura 4 mostra um exemplo de uso de visão computacional em uma fábrica de telefones. Figura 4 – Visão computacional em uma fábrica de telefones Crédito: Asharkyu/Shutterstock. 6 Saiba mais Assista ao vídeo e veja como uma indústria de cosmético adotou o aprendizado de máquina em suas operações: HARADA, E. Machine learning ajudando a manter a inovação na indústria. Tecmundo, 4 jan. 2018. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/mercado/125314-machine-learning-ajudando- manter-inovacao-industria.htm>. Acesso em: 31 mar. 2019. TEMA 2 – PRINCIPAIS AVANÇOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Conforme vimos no tema anterior, a inteligência artificial é composta por diversas subáreas que, nos últimos anos, têm recebido investimentos para pesquisa. Isso possibilitou o avanço e a ampliação do uso dessas técnicas em várias atividades do cotidiano. Dentre os avanços, duas técnicas merecem destaque: Deep Learning e AutoML. A técnica de Deep Learning pode ser considerada como uma otimização das redes neurais artificiais, utilizando milhões de dados como entrada em uma grande rede neural, com muitas camadas de neurônios. O processamento neste tipo de técnica é possível graças ao processamento em paralelo. Considerada como um dos ramos do aprendizado de máquina, a técnica tem sido usada em aplicações complexas: carro autônomo, sistema para detecção e reconhecimento de doenças, etc. Já a técnica de AutoML foi desenvolvida pela empresa Google DeepMind e tem como objetivo a criação automática de modelos de aprendizado de máquina (Silva et al., 2018). A partir de uma rede neural gerada, o software é capaz de aprender e expandir a rede para que ela execute uma determinada tarefa. A grande vantagem desta técnica é que não é necessário criar modelos, reduzindo o tempo de implementação. Um exemplo de aplicação é o projeto AlphaGo. O jogo de tabuleiro chinês, conhecido por Go, é conhecido pela sua complexidade devido ao número de combinações possíveis. Em 2015, o programa AlphaGO venceu várias partidas compra o campeão europeu da época. Desde então, as versões mais novas do programa ganharam disputas contra outros jogadores. De acordo com a equipe do Google DeepMind em 2017, a terceira 7 versão do software foi capaz de aprender o jogo Go sem a necessidade de exposição a partidas após 41 dias de treinamento. Saiba mais Assista ao vídeo e veja como uma indústria de cosmético adotou o aprendizado de máquina em suas operações: WEBINAR: Aplicação de Mercado Deep Learning. Pollux, 21 nov. 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=o9Ov2UVzMJ0>. Acesso em: 31 mar. 2019. TEMA 3 – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IMPLEMENTAÇÃO Com base nos conceitos e técnicas apresentados, como aplicar a inteligência artificial ao mundo real? Como estabelecer os valores de entrada? A interação de uma máquina com o meio ocorre conforme a Figura 5. Figura 5 – Interação entre a máquina e ambiente Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. O agente, de modo geral, pode ser um robô ou máquina. Ele é dotado de sensores que transmitem as informações relativas ao ambiente. De acordo com as informações dadas pelos sensores, os atuadores serão responsáveis pelas ações do agente. O comportamento do agente pode ser definido por uma função matemática. É possível dizer que a maior dificuldade é conseguir estabelecer um modelo matemático para o agente que possibilite listar todas as ações e interações 8 possíveis com o ambiente. Após estabelecer o modelo matemático, é preciso definir medidas de desempenho com o intuito de avaliar se o modelo e técnica escolhida estão adequados. Como a inteligência artificial pode ser aplicada em diversos tipos de processos, o ambiente também varia. De acordo com Medeiros (2018): • Determinístico x Estocástico: quando o próximo estado é determinado pelo estado atual, o ambiente é determinístico. Quando isto não ocorre, é considerado estocástico. • Episódico x Sequencial: no ambiente episódico, as ações são realizadas sem que haja uma sequência definida. • Estático x Dinâmico: quando o ambiente é alterado constantemente, mesmo durante a execução de tarefas do agente, é dinâmico. • Discreto x Contínuo: neste caso, considera-se tanto o tempo como variável do ambiente. Se há mudança brusca de um estado para outro, é discreto. O quadro a seguir traz alguns exemplos de ambientes e suas classificações. Quadro 1 – Exemplos de ambientes e sua classificação Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. 9 Os agentes podem ser classificados em: 1. Agente Reativo Simples: suas ações se baseiam na percepção atual do ambiente, sem considerar o histórico (Figura 6). Figura 6 – Agente Reativo Simples Fonte:Elaborado com base em Medeiros, 2018. 2. Agente Reativo com Base em Modelos: neste caso, a tomada de decisão, relativa a quais ações serão executadas, depende do histórico do ambiente (Figura 7). Figura 7 – Agente Reativo Baseado em Modelos Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. 10 3. Agente Baseado em Objetivos: neste caso, a tomada de decisão baseia- se também em objetivos que são pré-estabelecidos (Figura 8). Figura 8 – Agente Baseado em Objetivos Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. 4. Agente Baseado em Utilidade: neste caso, a função “utilidade” quantifica o mapeamento de um estado (Figura 9). Figura 9 – Agente Reativo Baseado em Utilidade Fonte: Elaborado com base em Medeiros, 2018. 11 TEMA 4 – MANUTENÇÃO INDUSTRIAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL A manutenção é uma área promissora para o uso de inteligência artificial. Como o objetivo é a “antecipação”, para evitar problemas e paradas não programadas, a análise de dados, aliada a algoritmos e técnicas de análise, permite extrair informações que serão essenciais. Existem diversas soluções comerciais que permitem a aplicação de técnicas de inteligência artificial focadas em manutenção. Dentro da indústria, máquinas e equipamentos considerados críticos devem atuar com eficiência, provendo sua capacidade máxima e, consequentemente, gerando o retorno esperado sobre o capital que foi investido. Esses equipamentos são aplicados às mais diversas áreas: máquinas de processo, turbinas, caldeiras, elevadores etc. Na manutenção corretiva, as peças são substituídas somente quando falham, gerando paradas não programadas (ocasionando prejuízos). Na manutenção preventiva, o tempo de vida útil do equipamento é estimado e a substituição da peça ocorre antes de uma possível falha. Nesse caso, além do tempo de inatividade para a substituição da peça, há a subutilização, pois nem sempre ela atingiu seu ciclo de vida completo. A manutenção preditiva busca o equilíbrio entre a corretiva e a preventiva, fazendo com que o equipamento só sofra reposição no momento certo, ou seja, pouco antes de ocorrer a falha, conforme Figura 10. Figura 10 – Tipos de manutenção na indústria Fonte: Guia..., 2018. 12 Os principais questionamentos das equipes de manutenção que devem ser respondidos através do uso de técnicas de inteligência artificial são: • detectar discrepâncias e anomalias em equipamentos através de desempenho ou funcionalidade; • mensurar e estimar a vida útil de uma máquina ou equipamento; • permitir a identificação e o reconhecimento das principais causas que levam o equipamento a falhar; • identificar as ações que devem ser realizadas no equipamento, otimizando o tempo de parada. A implementação da inteligência artificial em sistemas de manutenção deve atender os seguintes critérios: • só é possível prever o comportamento de um equipamento ou problema se ele permitir, ou seja, se houver um resultado a ser previsto; após a identificação dos possíveis problemas, é preciso listar as ações que deverão ser realizadas; • para a implementação, é preciso ter um histórico de todos os problemas e ações do equipamento; esse histórico deve estar registrado em um banco de dados e o período de armazenamento deve ser suficiente para análise; • os dados armazenados em histórico devem ser relevantes e apresentar qualidade para a análise; • por fim, esse tipo de implementação envolve diferentes tipos de profissionais: manutenção, processos, cientistas de dados e informática. A Figura 11 mostra as etapas de implementação da inteligência artificial em um sistema de manutenção. 13 Figura 11 – Etapas de implementação da inteligência artificial em um sistema de manutenção É muito importante ressaltar que a implementação de qualquer técnica de inteligência artificial depende diretamente da qualidade dos dados que serão fornecidos e da correta aplicação da técnica ou algoritmo escolhido. Os dados fornecidos devem atender os seguintes critérios: 1. Dados relevantes: os dados fornecidos para o software que implementará a técnica selecionada devem ser relevantes e pertinentes ao equipamento que será monitorado; 2. Tamanho do histórico: a base de dados fornecida deve ter a quantidade de registros necessários para que a técnica aplicada possa avaliar e prever falhas futuras; 3. Qualidade dos dados: os dados fornecidos devem ser precisos, excluindo dados discrepantes ou de situações atípicas. TEMA 5 – EXEMPLOS DE APLICAÇÕES DA I.A. NA MANUTENÇÃO Em muitas indústrias, a inteligência artificial aplicada a sistemas de manutenção já é uma realidade. Veremos, agora, alguns exemplos de aplicações. 14 5.1 Aviação Um dos desafios das equipes de manutenção na aviação é realizar a manutenção da aeronave sem causar atrasos ou cancelamentos de voo. Neste caso, o uso de inteligência artificial pode prever a probabilidade de atrasos ou cancelamentos com base na falha mecânica. Também pode estimar o tempo de vida útil de um componente, mantendo a disponibilidade de peças em estoque e reduzindo custos de logística e tempo de manutenção. Saiba mais Assista ao vídeo e veja o projeto que envolve manutenção preditiva na indústria aeronáutica europeia: CONHEÇA o projeto ReMAP. Universidade de Coimbra, 7 fev. 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TXFzrrUybHs&feature=youtu.be>. Acesso em: 31 mar. 2019. 5.2 Energia Os sistemas de energia são críticos e requerem que a manutenção seja realizada de forma rápida. Em parques eólicos, por exemplo, a indisponibilidade de um aerogerador impactará nos custos de operação. O uso de indicadores de performance preventivos (em inglês, Key Performance Indicator – KPI) auxiliam a estimar o tempo mínimo de inatividade durante a manutenção. Além disso, modelos de previsão indicam as relações entre falhas e suas causas, auxiliando a detecção de problemas de forma mais rápida. 5.3 Transporte e logística A manutenção de elevadores é crucial, principalmente pela segurança. Quando um elevador falha, a detecção do problema deve ser rápida e os técnicos devem ter acesso à reposição de peças de forma imediata. Um exemplo de aplicação de manutenção preditiva para elevadores combina o uso de inteligência artificial, IoT (Internet of Things) e realidade aumentada. Os dados dos elevadores são enviados para uma plataforma na qual um algoritmo realiza o diagnóstico e 15 prevê falhas com antecedência. Dessa forma, os técnicos podem atuar antes mesmo que o problema ocorra, evitando a parada do elevador. Saiba mais Leia sobre esta aplicação em: TRANSFORMAÇÃO digital: thyssenkrupp lança no Brasil manutenção preditiva de elevadores com IA e realidade mista da Microsoft. Microsoft News Center Brasil, 10 abr. 2018. Disponível em: <https://news.microsoft.com/pt- br/thyssenkrupp-lanca-no-brasil-manutencao-preditiva-de-elevadores-com-ia-e- realidade-mista-da-microsoft/>. Acesso em: 31 mar. 2019. 16 REFERÊNCIAS GUIA de IA do Azure para soluções de manutenção preditiva. Microsoft Azure, 10 maio 2018. Disponível em: <https://docs.microsoft.com/pt-br/azure/machine- learning/team-data-science-process/cortana-analytics-playbook-predictive- maintenance>. Acesso em: 31 mar. 2019. MEDEIROS, L. F. de. Inteligência Artificial Aplicada: uma abordagem introdutória. Curitiba: Editora InterSaberes, 2018. SILVA, E. et al. Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, Um Olhar Para O Brasil. 1. ed. São Paulo: Brasport, 2018. TRANSFORMAÇÃO digital: thyssenkrupp lança no Brasil manutenção preditiva de elevadores com IA e realidade mista da Microsoft. Microsoft News Center Brasil, 10 abr. 2018. Disponível em: <https://news.microsoft.com/pt- br/thyssenkrupp-lanca-no-brasil-manutencao-preditiva-de-elevadores-com-ia-e- realidade-mista-da-microsoft/>. Acesso em:31 mar. 2019.