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[Dermatopatologia] CONCEITOS PRÉVIOS O epitélio de revestimento da pele pode ter características variadas. Algumas camadas podem estar mais expressas em determinadas doenças. Sabemos que em articulações, palma da mão e planta dos pés temos uma constituição epitelial mais grossa, com camadas mais evidentes, enquanto em outras partes mais finas, as camadas serão mais delgadas, como a da foto. Camada Basal: camada única de células colunares basofílicas (é o local onde teremos formação de novas células que irão avançando nos diferentes estratos até constituir as lamelas córneas que serão despreendidas no dia-a-dia durante o processo de descamação) Nessa foto: não conseguimos observar a camada granulosa. HIPERGRANULOSE • Se refere a uma hiperplasia (manifestação maior) do estrato granuloso. Muitas vezes associadas a um atrito intenso na região Na primeira foto: não observamos a camada granulosa. Compare uma imagem com a outra. HIPERQUERATOSE • Espessamento do estrato córneo, produção excessiva de queratina • Várias doenças podem ocasionar hiperqueratose PARAQUERATOSE Aqui observamos que essa queratina apresenta núcleos. Quando a queratina apresenta núcleos, denomina-se paraqueratose. Essas células deveriam ter perdido suas organelas, porém elas estão mantendo suas estruturas nucleares evidentes. ACANTOSE • Perda das cristas epiteliais, devido a um crescimento exagerado da camada espinhosa • É um resultado da hiperplasia da camada espinhosa EXOCITOSE Em determinadas situações, as células inflamatórias saem dos vasos sanguíneos e se infiltram dentro do epitélio → essa saída das células inflamatórias, bem como seu ingresso no epitélio, nós denominamos de exocitose. Essas células podem ser tanto de polimorfonucleares como de mononucleares. ESPONGIOSE Podemos ter também o edema presente no epitélio, entre as células. Não é uma situação comum, mas a presença de edema entre as células epiteliais será denominada de espongiose. Essas células são unidas por junções celulares (desmossomos e hemidesmossomos); quando existe líquido entre elas, elas se afastam, porém não perdem sua adesão. Por isso na foto observamos de forma evidente as áreas mais claras, que são as regiões de junções celulares. TUMEFAÇÃO HIDRÓPICA É a presença de edema (líquido), no entanto é dentro das células epiteliais de revestimento (queratinócitos). Também pode ser chamada de alteração hidrópica. Precisa de algum tipo de alteração (como uma infecção viral por exemplo), que determina a perda da homeostase. DOENÇAS PAPULOESCAMOSAS PSORÍASE • Placa de coloração rósea a salmão, bem delimitada, coberta por escamas pouco aderentes e caracteristicamente de coloração branco-prateada • Acomete 1-2% da população Psoríase eruptiva (1ª imagem) e psoríase estável crônica (2ª imagem) PATOGÊNESE • Associada aos genes no interior do lócus de HLA • Mais especificamente: HLA-CW*0602 • Conduzida por linfócitos: ▪ CD4+ (Th1) ▪ CD4+ (Th17) ▪ CD8+ • Isso desencadeia uma grande quantidade de citocinas: IL-2, INF-gama, TNF e IL-17 • Isso gera um aumento do índice de proliferação epitelial (o normal é uma renovação em 25-30 dias, e em quem tem a doença, isso acontece em 7 dias) (1) Fenômeno de koebner (2) Sinal de Auspitz 1. Trauma na região que desencadeia as lesões 2. Também chamado de sinal do orvalho sangrante: surgimento de pontos hemorrágicos após remoção das escamas HISTOPATOLOGIA PSORÍASE CONSEGUIMOS OBSERVAR: • Paraqueratose • Acantose • Mitose • Epiderme suprapailar achatada (alongamento da papila dérmica, que faz com que a epiderme fique achatada) • Ectase vascular e edema Observamos também a presença de vasos sanguíneos, células inflamatórias que iniciarão o processo de exocitose e o acúmulo de INFILTRADO INFLAMATÓRIO (neutrófilos) na camada córnea → formando os MICROABSCESSOS DE MUNRO Imagem clássica de psoríase: conseguimos ver a acantose (muitas vezes as cristas tem forma de tubo de ensaio), vemos as papilas dérmicas mais alongadas (epiderme suprabasilar fica mais fina), observamos infiltrado inflamatório nas papilas, que podem subir e determinar os microabscessos de Munro. Além disso observamos paraqueratose e diminuição da camada granulosa, que pode até estar ausente. PSORÍASE PUSTULOSA: o que muda histologicamente? Aqui temos uma pústula neutrofílica perto da camada córnea, com inúmeros neutrófilos dentro. As outras características se mantêm RESUMINDO A HISTOPATOLOGIA DA PSORÍASE • Acantose • Espessamento do estrato córneo (paraqueratose) • Alongamento regular descendente das cristas interpapilares • Figuras de mitose • Estrato granuloso delgado ou ausente • Agregados de neutrófilos (microabscessos de Munro e pústulas espongiformes). • Infiltrado inflamatório inespecífico • Alterações vasculares na derme DERMATITE SEBORREICA • Envolve regiões com alta densidade de glândulas sebáceas: couro cabeludo, na fronte (glabela), canal auditivo externo, área retroauricular, sulco nasogeniano, área pré-esternal • Acomete 5% da população • Pode acontecer tanto no adulto quando no lactente PATOGENIA • Acontece mais em homens do que em mulheres • Patogenia desconhecida • Associa-se a doença de Parkinson • Facilita a colonização de certas espécies de fungos do gênero malassezia • Representa uma das dermatoses mais comum em pacientes com AIDS • A caspa é a expressão clínica mais comum da dermatite seborreica no couro cabeludo. • É facilmente confundida com psoríase HISTOPATOLOGIA DA DERMATITE SEBORRÉICA • Paraqueratose: pode estra alternada com áreas de hiperqueratose • Exocitose de neutrófilos • Espongiose (edema entre as cél. Epiteliais) – quando tem espongiose, podem estar presentes alguns linfócitos (não tem que ser necessariamente neutrófilos) PITIRÍASE RUBRA PILAR • Doença papuloescamosa e eritematosa caracterizada por tampão folicular (especialmente no dorso das mãos e dos pés), eritema perifolicular, hiperqueratose palmoplantar e pitiriasis capitis PATOGENIA • Desconhecida • Fatores associados: metabolismo anormal da vitamina A, doenças autoimunes, neoplasias malignas e infecções (HIV) • O diagnóstico é estabelecido em bases clínicas • O diagnóstico diferencial incluí psoríase, ictiose folicular, eritroceratodermia variável e eitrodermia ictiosiformes HISTOLOGIA DA PITIRÍASE RUBRA PILAR • Hiperqueratose com regiões de paraqueratose focal • Discreta acantose • Hipergranulose Essa pitiríase rubra pilar pode ser confundida clinicamente e histologicamente com a psoríase. No entanto, existem características que auxiliam no diagnóstico diferencial. Na pitiríase por exemplo, teremos tampões com queratina no folículo piloso, com presença de paraqueratose adjacente, além disso, teremos a presença hipergranulose, que também favorece o diagnóstico de pitiriase (na psoríase a camada granulosa era fina ou ausente). Já a acantose é mais acentuada e mais regular na psoríase, enquanto que na pitiriase rubra pilar, as prolongações são mais curtas. Outra coisa que é possível observar na psoríase: coleções de neutrófilos no estrato córneo (microabscessos de munro), que não são características da pitiriase. PITIRIASE RÓSEA • Idade de início: 10-35 anos • Associada a reatividade do HHV-7 ou do HHV-6 • Lesões habitualmente restritas ao tronco e a partes proximais dos braços e pernas • Tem-se a lesão inicial: “medalhão inicial” também chamado de medalhão mãe, na qual o centro é mais claro HISTOPATOLOGIA DA PITIRIASE RÓSEA • Focos de paraqueratose • Evidente espongiose • Infiltrado inflamatório LIQUEN PLANO • Lesão dos 4 “P” ▪ Pápulas ▪ Purpúricas ▪ Poligonal▪ Pruriginosas *Em outros livros podemos encontrar também como a lesão dos 6 P’s: pápulas, purpúricas, poliganais, pruriginosas, planas e placas. • 60% dos doentes com lesões cutâneas apresentam manifestações bucais • Acomete 1% da população O nome é devido a semelhança com os musgos das árvores. Estrias de Wickhan - Presença de áreas com acúmulo da camada granulosa • Tem-se inúmeras manifestações clínicas: Líquen plano pilar, Líquen plano hipertrófico, Líquen plano ulcerativo e Líquen plano actínico Líquen plano pilar (1) e Líquen plano hipertrófico (2) Líquen plano ulcerativo (1) e Líquen plano actínico (2) Observe as estrias de Wickhan na mucosa jugal PATOGENIA • Desconhecida • As lesões em mucosa, eventualmente (10% dos casos) podem evoluir para carcinoma espinocelular → essa carcinogênese está associada a um processo inflamatório • Aqui temos uma resposta específica de células CD8+ que atacam a epiderme • Esse tipo de ataque da célula CD8+ ao epitélio, presente nessa doença denominada líquen plano é tão característico e tão clássico, que quando observamos o mesmo processo em outras lesões nós denominamos essa reação de REAÇÃO LIQUENOIDE HISTOPATOLOGIA “Infiltrado inflamatório subepitelial em faixa (quando encontrado em outras doenças, denominamos de reação liquenoide)” (prova) • Hiperquetarose • Hipergranulose • Projeções em dentes de serra • Infiltrado inflamatório linfocitário em faixa • Incontinência melânica Nas setas: queratinócitos em processo de morte, com ausência de núcleo, arredondadas, homogêneas, eosinofílicos (avermelhados), que serão denominados como corpos de civatte (é oque sobrou do queratinócito atacado pelo CD8+). O corpo de civatte pode ser encontrado em qualquer lesão na qual um CD8+ ataque uma célula epitelial, no entanto, não é própria ou exclusivo, são apenas característicos Líquen plano pilar (associado ao folículo piloso), o infiltrado inflamatório está circunscrito a região do folículo piloso. RESUMINDO A HISTOPATOLOGIA DO LIQUEN PLANO • Infiltrado inflamatório contínuo (em faixa) na junção dermoepidérmica (reação liquenoide) • Degeneração dos queratinócitos basais e presença de corpos de civatte • Contorno da epiderme em “dente de serra” • Espessamento da camada granulosa (hipergranulose) • Espessamento do estrato córneo (hiperqueratose com paraqueratose) • Incontinência pigmentar Muitas vezes se faz necessário a imunofluorescência, para observar a fibrina (que marcará uma linha na junção dermoepidérmica) e IgM. No dia-a-dia é raro realizar. Fibrina (1) e IgM (2)