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Laura Botelho – 2024.1 1 
 
Anatomia Patológica II 
Professor (a): Maria Auxiliadora 
Dermatopatologia I 
A pele é considerada o maior órgão do corpo humano, envolvendo funções de vital importância, como 
barreira para o meio homeostático/meio externo, protegendo o organismo de agentes agressores 
como traumas, processos infecciosos (relacionados a bactéria, fungo, protozoário). A própria radiação 
ultravioleta é um fator que é protegido pela função da pele. Nós temos também a pele como um órgão 
sensorial, responsável pela transmissão de estímulos e sensações. 
A pele é constituída basicamente por um epitélio escamoso estratificado queratinizado, que é de 
origem ectodérmica. De forma subjacente, nós temos a derme, que é de origem mesenquimal. Entre a 
epiderme e a derme, temos uma estrutura que nós denominamos de junção dermo-epidérmica, onde 
está localizada a membrana basal, em que nós temos uma interação entre essas duas estruturas: o 
epitélio da epiderme e a derme. Vamos observar que a epiderme se projeta em direção a derme e vice-
versa, porque elas se interconcetam, fazem uma conexão para que o seu funcionamento ocorra da 
melhor forma. Abaixo da derme, nós temos um tecido conjuntivo adiposo, denominado de panículo 
adiposo, tecido da hipoderme, que fica levando sustentação a esse tecido. 
A pele foi descrita há mais de 100 anos como barreira 
protetora às situações faladas. Ela protege 
principalmente por conta da espessura do epitélio, 
por conta da produção de melanina que funciona 
como uma barreira protetora a radiação e também 
pelo estrato córneo – aquela camada de ceratina que 
reveste a epiderme e tem uma função de 
impermeabilizar a pele. 
Podemos destacar a função de termorregulação da 
pele, desencadeada pela sudorese e pela 
vasodilatação. 
Lembrando que a pele também tem um papel/função 
na resposta imunológica – tanto na resposta inata 
quanto na adquirida. 
 Esquema histológico da pele, onde nós temos os 
elementos microscópicos. Vemos a epiderme, 
constituída pelo estrato epidérmico formado pelas 
células escamosas- epitélio estratificado 
queratinizado com a camada córnea sobre ele. Essas 
células escamosas (também denominadas de 
queratinócitos) têm por função produzir a 
queratina. A derme é uma estrutura vascularizada. 
Nela, nós vemos vasos, vemos as glândulas 
sudoríparas (com orifício em contato com a 
superfície externa), os folículos pilosos acoplados as 
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glândulas sebáceas formando os folículos pilo-sebáceos. O folículo piloso é envolvido pelo músculo 
eretor do pelo. As terminações nervosas livres é que fazem com que esse órgão seja um órgão 
sensorial. Logo abaixo da derme, temos o tecido subcutâneo adiposo, constituindo a hipoderme. 
Como falado anteriormente, há um processo de interação entre as camadas, onde a epiderme faz 
projeções em direção a derme (e o contrário também acontece quando a derme se projeta para a 
epiderme). Na projeção epiderme para derme, há a formação de estruturas chamadas de cones 
interpapilares e quando a derme se projeta em direção a epiderme, forma as estruturas denominadas 
de papilas dérmicas. 
Em um estudo mais detalhado da epiderme, nós 
vamos ver que esta é constituída, na região mais 
superficial em direção a região mais profunda, pela 
camada córnea, onde nós temos lâminas de ceratina 
contendo ceratinócitos mortos em permeio a 
camada granulosa. A camada espinhosa é 
constituída pelos ceratinócitos que apresentam 
prolongamentos citoplasmáticos (denominados 
desmossomos) que são responsáveis pela junção 
interepitelial. Os ceratinócitos com seus 
prolongamentos citoplasmáticos ficam semelhantes 
a espinhos por conta dos prolongamentos que 
formam os desmossomos (uniões entre as células). 
Em uma região mais basal, nós vamos observar os melanócitos (em marrom), que vão salpicando a 
camada basal da pele. São células que têm origem ectodérmica, migram da crista neural até atingir a 
camada basal da epiderme e vão lançando prolongamentos dendríticos dos melanócitos que têm por 
função produzir a melanina e, com isso, absorver a radiação ultra-violeta. Funciona como um filtro 
endógeno de proteção à radiação. Vamos observar também a presença das células de Langerhans, que 
são responsáveis pela atividade imunológica/resposta imunológica funcionando através do 
reconhecimento e apresentação dos antígenos aos linfócitos, com isso iniciando a resposta 
imunológica. Vamos ver também a presença das células de Merkel – localizam-se na camada basal e 
são células que contém neurotransmissores liberados quando existe uma pressão exercida sobre a 
pele e, com isso, se considera que uma das funções dessa célula seja de receptores mecânicos, apesar 
da sua função em relação a pele ainda não ser totalmente estabelecida. 
 
Corte histológico da pele, nos mostrando a camada 
córnea,a epiderme (fazendo aqueles prolongamentos que 
nós comentamos, formando as cristas epidérmicas/cones 
interpapilares) e a derme fazendo suas projeções 
formando as papilas dérmicas. Vemos também os anexos: 
glândulas sebáceas, sudoríparas. A derme é constituída 
por tecido conjuntivo, apresentando na sua estrutura 
células como fibroblastos, células dendríticas, 
macrófagos, mastócitos, linfócitos, plasmócitos, 
neutrófilos – são células inflamatórias que ficam 
transitando normalmente pela pele. A derme, em sua 
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parte mais superficial, é chamada de derme papilar, onde ela faz uma interação com a epiderme e a 
chamada derme reticular é localizada numa porção mais intermediária, sendo seguida da hipoderme, 
na tela subcutânea que apresenta os lóbulos adiposos entremeados pelos septos conjuntivos. 
A pele apresenta particularidades histológicas em relação a localização onde ela se encontra, ou seja, é 
importante que a gente saiba identificar a 
característica de cada local, até por conta 
do estudo histopatológico de fragmentos 
removidos de biópsia. Conhecendo os 
aspectos básicos, nós já podemos 
identificar de onde vem esses fragmentos 
de pele. 
A pele da face é rica em glândulas 
sebáceas, principalmente na área próxima 
do nariz, na testa. O couro cabeludo é uma 
área onde a pele apresenta uma 
particularidade onde a derme é um pouco mais densa e chama atenção a implantação dos folículos 
pilosos, que são mais profundos – a implantação se localiza na área da hipoderme. O pêlo do couro 
cabeludo se implanta mais profundamente do que nas outras regiões da pele em outras regiões do 
corpo. 
A derme no dorso e abdome é 
um pouco mais colagenizada do 
que o restante. 
 
A pele localizada na região volar, 
ou seja, nas extremidades de 
palmas das mãos e plantas dos 
pés onde nós vamos observar 
uma hiperplasia da epiderme – 
uma camada córnea mais 
espessa e a ausência de anexos 
cutâneos. Essa hiperplasia (essa 
epiderme mais cheia de dobras e 
sulcos) é importante pelas 
impressões digitais das nossas 
mãos por conta dessa 
particularidade da histologia da 
pele. 
 
 
 
 
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Alguns estudos especiais 
relacionados a imunohistoquímica 
ou a colorações específicas podem 
nos indicar a presença de 
determinadas estruturas quando 
nós tivermos dificuldades na 
identificação de que lesão é 
aquela, a histogênese da lesão (da 
onde vem). 
No caso dos melanócitos, a 
proliferação melanocítica 
principalmente neoplásica, faz 
com que esses melanócitos 
possam ser identificados pela 
imunohistoquímica através da 
proteína S100. 
O mesmo vamos observar nas 
células de Langerhans que podem ser identificadas pela imunohistoquímica pelo CD1a+. 
Fazendo uma comparação do estudo imunohistoquímicoe do estudo de rotina pela hematoxilina-
eosina nós vemos a presença da distribuição linear dos melanócitos na camada basal. Eles se dispõem 
linearmente, muitas vezes salpicados (não necessariamente em fileiras), mas causam essa 
pigmentação da epiderme. Muitos deles apresentam citoplasma claro e alguns apresentando esse 
pigmento acastanhado, em outras vezes a gente não vê bem esse pigmento. 
No caso de colorações especiais, nós vamos ver que a membrana basal, que é aquela área que fica 
localizada entre a epiderme e a derme, pode ser demonstrada pela coloração especial através do PAS+ 
(ácido periódico de schiff). Na imagem, nós vemos a epiderme, abaixo temos a derme pailar e a linha 
da zona da membrana basal, que se cora com um róseo mais vivo. É importante que a gente entenda 
que essa coloração pode ser realizada em algumas patologias onde a gente pode utilizar a membrana 
basal como parâmetro para alguma lesão característica. Por exemplo, no lúpus eritematoso, essa 
membrana basal costuma estar espessada. Algumas dermatites de interface podem cursar com focos 
de vacuolização e descontinuidade da membrana basal. Então, essas colorações são importantes para 
a gente identificar alterações patológicas da epiderme. 
 
 
Leu >>> 
 
 
 
 
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 Importância do preenchimento do pedido médico: 
Há uma escassez de dermatopatologistas, então muitas 
vezes quem vai avaliar o pedido é o patologista geral. 
Um pedido bem preenchido, com hipóteses 
diagnósticas, história clínica dão substrato para que o 
patologista possa fechar o diagnóstico. Muitas vezes, é 
o diagnóstico anatomo-patológico que vai fechar o 
diagnóstico e orientar o tratamento dos pacientes. 
1. Existem determinadas idades e gênero 
onde determinadas patologias acometem com mais 
freqüência; 
2. Relatar a lesão, exatamente qual o local 
em que essa lesão se encontra, o aspecto da lesão 
(forma, coloração), tempo de evolução, sintomas (se a 
lesão é pruriginosa, dolorosa) e doenças de base 
(importante para correlação de patologias sistêmicas e cutâneas); 
3. Tipo de biópsia; 
4. Hipóteses diagnósticas – os diagnósticos diferenciais são de extrema importância. 
 
 Tipos de biópsia: 
Excisional: biópsia onde eu tenho por objetivo 
remover a lesão com margem de segurança. Na 
imagem, vemos a remoção da lesão em forma de 
elipse. 
Punch: utilizamos estruturas como as da 
imagem – cilindros azuis que apresentam as 
bordas cortantes, de vários calibres, que ao 
serem pressionados sobre a pele conseguem 
remover fragmentos cutâneos com formado 
cilíndrico. Muitas vezes, essas biópsias são feitas 
numa tentativa de biopsiar a lesão, mas 
dependendo da lesão, ela pode remover a lesão 
com uma certa margem de segurança com 
tecidos adjacentes ao redor. Esse tipo de biópsia 
se acompanha em tecidos mais profundos, em 
algumas situações até da própria hipoderme. É um tipo de biópsia usado principalmente para 
lesões de face ou lesões acrais - situadas nas extremidades (palmas das mãos e plantas). 
Shaving: é como se as lesões fossem barbeadas. São removidas por uma lâmina como vemos 
na imagem com uma gilete. Geralmente, é usada para lesões muito pequenas ou superficiais. 
 
 
 
 
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Shaving – Na imagem, vemos uma lâmina de bisturi. 
A lesão não é tão pequena, mas é superficial. 
 
Curetagem- Utiliza-se uma cureta cutânea para que 
se faça uma raspagem dessas lesões, geralmente 
ceratóticas, onde a intenção inicial é fazer um 
diagnóstico da natureza da lesão – se é neoplásica 
ou não e, posteriormente, remover essa lesão se for 
necessário. 
Biópsia por punch. São vários calibres. A estrutura 
é introduzida na pele e removida ao se fazer 
movimentos circulares, removendo fragmentos de 
formato cilíndrico, geralmente representando a 
epiderme e a derme e, muitas vezes, a hipoderme 
também. 
 
 
 
 
 
 
 
Biópsia por fuso ou elipse. A gente tenta com uma 
lâmina de bisturi remover a lesão com margem de 
segurança. Vemos o formato da lesão em elipse – ao 
centro a lesão e, ao redor, a margem de segurança. 
Conseguimos estabelecer a natureza e a classificação da 
lesão (carcinoma, melanoma) e avaliar as margens de 
segurança. 
 
A biópsia excisional vai tentar remover a lesão com as margens de segurança no seu menor diâmetro, 
no seu menor eixo e também no seu maior eixo. Ao se analisar histopatologicamente essa lesão, nós 
vamos ver não só a natureza dela/classificação, mas avaliar as margens cirúrgicas laterais de menor 
eixo e as áreas de maior eixo também, 
além de avaliar o nível profundo, a 
margem mais profunda que ficou em 
contato com os tecidos remanescentes do 
paciente. 
Na biópsia incisional, a gente vai remover 
apenas um fragmento da lesão para se 
classificar histologicamente essa lesão. 
 
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É importante avaliar a qualidade do material 
biopsiado – se essa amostra é satisfatória ou não. 
1. Paniculites, colagenoses, esclerodermia 
são patologias que a gente precisa representar as 
áreas mais profundas da pele 
2. Essa lesão deve ser removida de forma 
com que eu consiga ver um fragmento da 
epiderme normal ao lado dessa bolha. Além da 
camada córnea, membrana basal, epiderme, 
derme e hipoderme devem estar representadas. 
A junção dermo-epidérmica é de extrema 
importância também na representação das 
biópsias, pois a gente vai olhar a interface entre a 
epiderme e a derme. A membrana basal presente, 
podendo estar lesada ou não. Nas doenças bolhosas, essa análise da junção dermo-epidérmica 
é de extrema importância onde a gente tem uma perda de coesão que dá origem às bolhas. É 
uma perda de comunicação entre essas duas estruturas porque acontecem distribuições de 
proteínas específicas, de antígenos próprios da membrana basal formando lesões bolhosas. 
3. As lesões ao serem biopsiadas podem revelar a fase de evolução da doença. No caso das 
doenças bolhosas, é uma bolha íntegra? Bolha antiga (caduca)? A bolha já se rompeu e 
transformou em crosta? 
4. Retirada total, principalmente quando em suspeita de neoplasias malignas. 
Quando a gente vai fazer uma biópsia e retiramos apenas uma área superficial da lesão, sem nos 
importarmos em representar as estruturas da pele, essa biópsia se torna indesejável ou insatisfatória. 
A biópsia satisfatória/desejável é aquela biópsia que pega a lesão com as áreas mais adjacentes e 
profundas. 
A esquerda, um exemplo de uma 
biópsia não satisfatória onde eu 
tenho um fragmento muito 
pequeno e superficial, 
representando apenas a epiderme 
e parte da derme superficial. 
E ainda fragmentos que podem 
representar artefatos pré-
analíticos, ou seja, biópsias que são 
feitas por eletrocautério podem 
apresentar artefatos de 
cauterização. Toda a borda do fragmento sofreu queimadura e, além do mais, aconteceu um artefato 
de separação da epiderme da derme por conta da cauterização e não por uma patologia em específico. 
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O diagnóstico histopatológico é feito com um conjunto de 
associações. 
 
 Termos Macroscópicos/Microscópicos: 
 
>> As placas geralmente se devem 
a uma fusão, uma coexistência das 
pápulas. 
 
>> Edema dérmico resultado do 
aumento da permeabilidade 
vascular por alterações 
inflamatórias. 
>> A causa da liquenificação se 
deve ao atrito repetido. 
 
 
 
 
>> Papilomatose: A derme papilar 
acompanha as áreas de proliferação 
hiperplásica da epiderme. 
 
>> Espongiose: entre os 
queratinócitos se forma um edema 
que vai separando os 
queratinócitos, mas sem alterar a 
junção entre eles. 
 
 Dermatoses Inflamatórias Agudas: 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
>> Apresentações mais freqüentes. 
 
 
- Urticária: 
Destaca-se por pápulas pruriginosas 
pequenas inicialmente, que vão indo 
e formando grandes placas 
edematosas, que vão se 
desenvolvendoe desaparecendo em 
menos de 24h. 
Caracteriza-se por um angioedema, 
que se deve principalmente a um 
edema profundo da derme e da 
gordura subcutânea. Pode aparecer 
de forma imediata ou tardia como as placas. Estão relacionadas aos usos de medicamentos como 
antibióticos, contrastes iodados, anti-inflamatórios, picadas de insetos, alimentos (grãos), inalação de 
pólipos. 
O prurido pode estar presente de forma generalizada, mesmo nas áreas onde a urticária não está 
presente. 
Metade dos casos pode desenvolver angioedema ou ele pode se desenvolver isoladamente – presente 
em lábios, pálpebra, língua, podendo causar deformidas/ser desfigurante no rosto de alguns 
pacientes. Alguns pacientes podem apresentar o edema de glote, podendo estar relacionada a 
hipotensão, ao choque anafilático, náuseas, vômitos. É uma alteração comum, mas que pode 
apresentar desfechos clínicos mais severos. O tratamento das alterações é bastante variado e vai 
depender da intensidade, mas se deve a suspensão do agente causal e o emprego de drogas anti-
histamínicas para tentar diminuir esse processo inflamatório. 
 
 
 
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A patogenia da urticária se deve a uma reação de 
hipersensibilidade do tipo I, onde nós temos 
liberação de mediadores vasoativos através dos 
mastócitos, dos grânulos mastocitários que são 
induzidos por esses antígenos através da 
sensibilização por anticorpos específicos de IgE. 
 
Na macroscopia, a presença das placas se 
deve principalmente a essas pápulas 
pequenas que vão se convalescendo e se 
tornam mais proeminentes em relação à 
superfície cutânea normal por conta desse 
edema dérmico. 
Na microscopia, vemos principalmente 
alteração dérmica onde nós vemos um 
infiltrado perivenular superficial – vemos uma vênula com infiltrado inflamatório, principalmente 
linfócitos, plasmócitos. Podemos encontrar em algumas situações neutrófilos e eosinófilos ao redor 
das vênulas. Os feixes colágenos da derme ficam mais espassados por conta do acúmulo de líquido de 
edema. Há também os vasos linfáticos dilatados. 
- Dermatite Ectematoza Aguda: 
O sinônimo de eczema é dermatite 
espongiótica. É um termo genérico que 
engloba todas aquelas patologias que 
apresentam um processo inflamatório 
relacionado a espongiose, onde a gente 
observa na epiderme. 
Eczema é derivado do grego que significa em 
ebulição ou efervescência e que engloba um 
número de condições patogenicamente 
diferentes. Vamos ver então uma dermatite 
espongiótica relacionada a uma série de 
condições clínicas. A correlação destas com 
os achados histopatológicos é de extrema 
importância para que a gente possa 
encontrar o melhor tratamento. 
Essas lesões podem evoluir para uma liquenificação em um estágio mais tardio. 
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1. A dermatite de contato alérgica acontece em pessoas pré-dispostas. É uma reação de 
hiperssensibilidade do tipo 4. 
Na patogenia da dermatite de contato alérgica, nós temos a participação da memória 
imunológica. Os antígenos da 
epiderme são captados pelas células 
dendríticas. A partir daí, eles migram 
para os linfonodos de drenagem 
(linfonodos regionais). Uma vez 
sendo processados, eles são 
apresentados as células TCD4 
virgens. Essas, então, são ativadas e 
desenvolvem células de memória. 
 
Há uma importância na participação da memória imunológica. Esses pacientes desenvolvem 
uma forma de reconhecimento do antígeno. Os testes de contato, alérgicos, desses pacientes 
geralmente são positivos. Eles tiveram um contato prévio e, com o tempo, existe uma menor 
dependência da concentração e do tempo de exposição aos antígenos para que eles se 
envolvam em uma reação eritematosa. Como exemplo das dermatites de contato alérgico, nós 
destacamos as que ocorrem pelo uso de bijuterias onde substâncias com sulfato de níquel são 
utilizadas e os pacientes podem desenvolver alergias a metais. Outras substâncias como o 
dicromato de potássio, substâncias presentes em esmaltes que não são hipoalérgicas podem 
fazer com que mulheres possam desenvolver alterações em regiões próximas a unhas, 
próximas a pálpebra (ao coçar a pálpebra). 
 
2. A dermatite atópica é uma forma de processo inflamatório que ocorre de uma forma 
pruriginosa, recorrente. Geralmente, esses pacientes têm outras manifestações de atipias, 
como rinite alérgica, asma. Costuma existir também uma história familiar. Então, são 
observados tanto fatores genéticos como familiares. 
 
3. Dermatite relacionada à droga – o uso de determinados medicamentos podem causar reações 
em alguns pacientes previamente sensibilizados ou em primeiro contato com a droga. 
 
4. Dermatite fotoectematoza – reação importante pela exposição à luz solar ou à luz direta sobre 
a pele. 
 
5. Dermatite irritante primária – a diferença dessa para a dermatite de contato alérgica é que a 
gente não precisa de uma exposição primária, não há necessidade de se ter uma memória 
imunológica. O irritante é qualquer substância (principalmente substância química) capaz de 
produzir uma inflamação através do contato com a pele. Então, existe essa reação imunológica 
sem a necessidade de uma sensibilização prévia. A DIP é uma das principais causas de doença 
ocupacional – serviços domésticos, por ex, que envolvem produtos de limpeza. Pode ser 
também a dermatite das fraldas em crianças que desenvolvem uma reação eritematosa e 
alérgica pelo contato do irritante de fraldas, principalmente descartáveis, contendo urina em 
contato com a pele e a substãncias das fraldas levam a dermatite. 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 12 
 
A- Infiltrado perivascular superficial – 
inicialmente, as células inflamatórias 
ao redor de vasos; 
B- Edema da derme papilar (derme mais 
superficial, que faz projeção para 
epideme) e também exocitose 
(migração de células inflamatórias para 
epiderme) e vão formando 
microvesículas entre essas células, 
principalmente, por conta da 
espongiose, do edema que vai 
acontecendo entre as células; 
C- Na paraceratose, nós temos retenção 
de núcleos da camada córnea e a 
epiderme começa a se 
hiperplasiar/espessar; 
D- Hiperceratose importante, o que muitas vezes vai causar aquela liquenificação/espessamento 
da pele, que a gente observa já nos estágios mais finais; 
E- Acantose é uma hiperplasia mais difusa da epiderme e uma espongiose (que pode ser mais 
discreta ou ausente) nas fases crônicas, ocorrendo também uma certa fibrose da derme papilar. 
Tudo isso contribuindo para que haja esse aspecto mais liquenificado da pele nos estágios mais 
avançados. São lesões pruriginosas, o próprio ato de coçar as lesões vão causando as alterações 
reacionais, principalmente a hiperplasia da epiderme e a hiperceratose. 
 
Na microscopia, vemos como essas 
lesões vão se formando. Eu tenho um 
infiltrado dérmico. Tenho uma epiderme 
espessa por uma acantose. Eu tenho a 
presença de células inflamatórias, com 
núcleo menor, salpicando a epiderme – 
são células inflamatórias que fazem uma 
exocitose. 
Essas células vão tendo o espaço entre 
elas mais alargado nesse processo que 
nós chamamos de espongiose, que é o 
edema intercelular. Com o tempo, essas 
células vão se afastando e formam essas 
vesículas com conteúdo amorfo, líquido, 
que são as células inflamatórias 
decorrentes da exocitose. 
No corte da imagem inferior, vemos melhor a espongiose, separando as células da epiderme. Fica um 
espaço claro entre essas células. A exocitose das células inflamatórias e a formação das 
microvesículas/vesículas com conteúdo líquido e amorfo no interior e algumas células inflamatórias 
Laura Botelho – 2024.1 13 
 
decorrente da exocitose. Na parte superior dessa imagem, uma área de paraceratose com os núcleos 
mais fibrinóticos retidos no extrato córneo. 
No detalhe, nós vemos a exocitose – as 
células inflamatórias permeando a 
epiderme. 
Vemos a espongiose separando essas 
célulaspelo edema, mas a gente vê que 
os desmossomos (linhas pequenas de 
prolongamentos citoplasmáticos) se 
mantém. Na espongiose, a junção entre 
as células pelos desmossomos está 
preservada, mas o edema é o que 
separa essas células. O edema 
intercelular, formando com o tempo a 
presença dessas vesículas com o 
conteúdo líquido inflamatório. 
 
- Eritema Multiforme: 
O eritema multiforme está relacionado a 
lesões eritematosas (de coloração mais 
avermelhada) e multiforme, ou seja, podemos 
encontrar várias formas de lesão ao mesmo 
tempo naquela área de reação inflamatória 
no mesmo paciente. 
É um protótipo de reação citotóxica, ou seja, 
eu tenho uma degeneração com morte celular 
epitelial extensa, então vamos ter vários 
queratinocitos necróticos apoptóticos 
observados na histopatologia. 
 
Relacionada a infecção por Mycoplasma 
também. 
As lesões multiformes ocorrem ao mesmo 
tempo naquela área de lesão. A lesão em alvo 
é característica, sendo uma mácula ou pápula 
avermelhada com centro pálido, podendo se 
apresentar vesiculoso ou erosado. 
Laura Botelho – 2024.1 14 
 
Lesões avermelhadas, papilosas e com centro mais claro, por isso denominada lesão em alvo – como 
se o centro fosse o alvo das lesões. 
São lesões que têm um curso benigno, sendo autolimitadas, durando geralmente 1 a 3 semanas. 
Ainda podem apresentar variantes – formas de apresentação clínica que, na verdade, são mais graves 
em algumas situações, nós denominamos de eritema polimorfo major, onde nós vamos encontrar 
principalmente a Síndrome de Stevens-Johnson e a Necrólise epidérmica tóxica. 
As alterações da Síndrome de Stevens-Johnson podem estar relacionadas ao uso de medicamentos e 
de processos infecciosos, como no caso do Mycoplasma pneumoniae em crianças, levando a uma 
pneumonia intersticial com infiltrado intersticial. Essa patologia, geralmente, acomete crianças, 
cursando com febre, estomatite, conjuntivite grave e essas lesões disseminadas. 
A necrólise epidérmica tóxica geralmente acomete adultos e a sua morfologia é semelhante a 
síndrome da pele escaldada estafilocócica, com uma necrose epidérmica importante e um rash 
eritematomacular que pode acontecer. 
Em ambas as doenças, podemos ter uma evolução grave, com uma taxa de letalidade que pode chegar 
até a 50% na necrólise epidérmica tóxica e até 5% na Síndrome de Stevens-Johnson. 
A causa mais comum dessas patologias seria a 
septicemia secundária com complicação. 
Na imagem, temos o eritema multiforme 
clássico com as lesões em alvo. 
As variantes: 
Sd de Stevens-Johnson: acometendo mais 
crianças. É uma forma de distribuição difusa, 
podendo acometer olho, mucosa oral, lábios; 
Necrólise epidérmica tóxica: lembrando a 
síndrome da pele escaldada, com perda da 
epiderme e áreas eritematosas importantes. 
 
Semelhança imunológica com a Doença do 
enxerto versus hospedeiro e na reação à 
drogas. 
Na imagem da esquerda, temos uma epiderme 
apresentando vários queratinócitos mortos/ 
em apoptose. Todas as células com núcleo 
picnótico e citoplasma bastante eosinofílico 
são células mortas – queratinócitos em 
apoptose. Esse infiltrado linfocitário que 
acomete a derme superficial e também a zona 
Laura Botelho – 2024.1 15 
 
da membrana basal, levando também a destruição dessa área com uma exocitose de células 
inflamatórias para a epiderme. 
Em maior aumento a direita, observamos a ação citotóxica, o infiltrado inflamatório e também o 
infiltrando inflamatório atacando a zona da junção dermoepidérmica. 
Nas formas mais graves, temos destacamento da 
epiderme em que a gente vê as áreas de necrose, 
inclusive com formação de bolhas que vão levar ao 
destacamento em algumas situações. 
 
 
 
 Dermatites Inflamatórias Crônicas: 
 
Podem ter uma atrofia ou hiperplasia da 
epiderme ou fibrose dérmica. 
 
 
- Psoríase: 
Apresenta etiologia desconhecida e é 
considerada uma doença imunomediada. A 
distribuição da psoríase é em regiões mais 
específicas. 
As lesões são bem características: as placas 
são bem delimitadas, de coloração rosada 
ou descritas na literatura como em cor 
salmão, cobertas por escamas pouco 
aderentes de cor branco-prateada. 
Nas imagens, vemos as lesões em regiões 
características (cotovelos, couro cabeludo), 
sendo lesões com contornos bem 
delimitados, bem demarcadas, coloração 
Laura Botelho – 2024.1 16 
 
rosada/salmão e revestidas por escamas branco-prateadas, podendo ser acizentadas em alguns 
pacientes. 
Por ser considerada uma doença 
imunomediada, há a consideração da 
participação dos linfócitos TCD4, 
interagindo com células apresentadoras de 
antígenos, ativando o linfócito TCD8 e 
também outras células, levando a liberação 
de citocinas como o TNF, desencadeando 
essas alterações inflamatórias na pele. 
Na clínica, essa patologia pode ser 
desencadeada por estresse emocional, uso 
de alguns medicamentos (beta-
bloqueadores, alguns anti-maláricos), 
processos infecciosos (infecções 
estreptocócicas) e fatores físicos (traumas 
na pele, queimaduras, processos de 
depilação). 
O fenômeno de Koebner é o desenvolvimento da doença de pele crônica (aqui, no caso, a psoríase) e 
no local onde sofreu trauma, onde a pele anteriormente era sadia, e a doença passa a se manifestar. 
Ele pode se manifestar em pacientes conhecidamente portadores da psoríase ou pré-dispostos e 
também do líquen plano, que é uma outra dermatite crônica que pode ser desencadeado nessa 
situação- traumas em locais da pele previamente sadios. 
A psoríase parece melhorar com a exposição solar, podendo ser um benefício a se explorar na terapia 
dessa doença. 
A microscopia da lesão é bastante rica e os 
próprios achados microscópicos podem ser 
relacionados com o que a gente observa 
clinicamente. Observamos uma 
hiperceratose com produção de lâminas de 
ceratina. Nós temos focos de paraceratose, 
com retenção de núcleos na camada córnea. 
A epiderme está espessa pela acantose, ou 
seja, há uma proliferação da epiderme, é uma 
proliferação difusa da epiderme. Um 
infiltrado inflamatório na derme, 
principalmente perivascular – ao redor de 
vasos da derme. As papilas dérmicas sofrem 
um alongamento e, nessas áreas de alongamento das papilas dérmicas, nós temos um adelgaçamento 
da epiderme suprapapilar – epiderme que reveste essa área de alongamento. A derme papilar fica 
mais alongada, edematosa, com infiltrado inflamatório e contém também vasos sanguíneos tortuosos 
e ectaziados. Clinicamente, ao traumatizar essa epiderme, em algumas situações vai acontecer 
pequenos focos/pontos de sangramento, que é chamado de Sinal de Auspitz – sinal do orvalho 
Laura Botelho – 2024.1 17 
 
sangrento, pois ao se fazer o atrito da epiderme adelgaçada, que tem uma derme papilar edematosa e 
ricamente vascularizada, a gente pode ter um sangramento que se manifesta clinicamente por esse 
atrito. 
Imagem 1: A camada córnea é mais 
espessa, com focos de paraceratose. 
Essa acantose, espessamento da 
epiderme ocorre principalmente 
com a porção mais basal ficando 
mais espessa – espessamento da 
porção mais inferior dos cone 
interpapilares associada a um 
alongamento da derme papilar em 
algumas áreas, que coincide com o 
adelgaçamento da epiderme. Sinal 
de Auspitz – diminutos pontos 
sangrantes ao se destacar a escama 
da placa ou se fazer um pequeno 
atrito na superfície epitelial. 
Imagem 3: espessamento/dilatação 
da porção inferior desses cones 
interpapilares. Dilatação em clava dos cones- ele fica mais espesso na sua porção inferior. 
Imagem 4: papila dérmica com edema, células inflamatórias. 
Imagem 1: áreas de paraceratose 
com núcleos na camada córnea. 
Existe também um outro achado, 
que é a hipogranulose ou agranulose 
– ausência da camada granulosa, 
geralmente subjacente aos focos de 
paraceratose; 
Imagem 2: exocitose de neutrófilos. 
Focos de espongilose que tendem a 
formar o quea gente chama de 
pústula espongiforme. 
Imagem 3: os neutrófilos em 
exocitose podem também se 
acumular na camada córnea, 
formando, formando o que a gente 
chama de microabscesso de munro, 
que é um achado característico da 
psoríase. 
Imagem 4: infiltrado perivascular proeminente, geralmente de mononucleares, podendo conter 
eosinófilos 
Laura Botelho – 2024.1 18 
 
- Líquen plano: 
Clinicamente, é denominada como doença dos 
6Ps tradicionais. 
É uma dermatose relativamente freqüente, 
acomete adultos e tem causa desconhecida. 
A lesão lesa a junção dermo-epidérmica, com 
extravasamento de pigmento pra derme 
superficial. 
 
A patogenia é desconhecida, mas o que a 
gente supõe é que o linfócito T ativado 
ataque os queratinócitos da camada basal 
da epiderme, lesando a junção dermo-
epidérmica. Tem associação com HLA-BR1 
(?) e essas lesões também podem ser 
vistas nas unhas, em região ungueal. 
Vemos as lesões com áreas de estrias, 
esbranquiçadas. 
 
 
Na microscopia, o que a gente vai observar é uma 
camada córnea espessa. Chama atenção a camada 
granulosa bastante proeminente pela 
hipergranulose. Nós temos uma hiperplasia 
epidérmica, só que essa hiperplasia tem uma 
característica que nós chamamos de dentes de 
serrote – ela cresce como se fossem dentes em 
aspecto serrilhado. Nós temos um infiltrado 
dérmico superficial que toca a junção dermo-
epidérmica, por isso que a gente encontra 
posteriormente áreas de hiperpigmentação pós-
inflamatória, porque melanófagos da derme 
podem fagocitar fragmentos que vêm a ficar 
retidos na derme por conta da lesão da junção dermo-epidérmica. 
Na imagem inferior, vemos o infiltrado perivascular com esse aspecto linear. A gente costuma chamar 
de infiltrado em faixa da derme no líquen plano. 
Laura Botelho – 2024.1 19 
 
Detalhe maior nos mostrando algumas 
áreas de hipergranulose. A lesão da junção 
dermo-epidérmica, da área da membrana 
basal. Vemos um infiltrado inflamatório 
tocando essa área. Alguns, fazendo 
exocitose para essa região e, 
consequentemente, a necrose de alguns 
queratinócitos por apoptose, formando o 
que a gente chama corpúsculo de Civatte ou 
corpúsculo colóide, que leve a degeneração 
e a necrose de algum queratinócito 
 
- Líquen Simples Crônico: 
 
Quando ele se apresenta de uma forma 
nodular, ele é chamado de prurigo nodular, 
que é uma área de espessamento nodular 
observada na pele. 
>> Patogenia 
 
Na imagem, conseguimos ver que é uma 
lesão irregular, eritematosa pela sua 
coloração, apresenta algumas áreas de 
descamação, de erosão, de interações 
superficiais. É uma área bastante espessa e 
áspera pela liquenificação. 
 
Vamos ver a acantose como resposta a hiperplasia da epiderme, áreas hipergranulose – a gente vê que 
a camada granulosa fica bastante destacada por conta dos grânulos mais proeminentes. A 
hiperceratose- espessamento da camada 
córnea, há alguns infiltrados inflamatórios 
mononucleais bem leves de distribuição 
perivascular e ainda há o depósito de 
colágeno presente nessas áreas mais 
superficiais da derme, levando então ao 
espessamento da derme. 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 20 
 
- Dermatite Seborréica: 
Na imagem, vemos o sulco nasolabial 
acometido pelo processo inflamatório. É uma 
lesão eritematosa, com áreas crostosas, 
amareladas, descamativas. 
A etiologia é desconhecida, mas pode ser 
desencadeada por estresse, ansiedade 
também. 
Aparece na face, próximo a sobrancelha 
também, podemos observar em crianças 
recém-natas a dermatite seborreica no couro 
cabeludo, onde se formam escamas com base 
eritematosa. 
Na microscopia, o que aparece de 
característico é a presença de óstios 
foliculares dilatados, apresentando 
acúmulo de hiperceratose e 
paraceratose e também um 
infiltrado inflamatório perivascular 
mononuclear. 
 
 
 
 
 
- Lúpus Eritematoso: 
O lúpus eritematoso discóide é a forma 
que fica restrita a pele. 
Eritema malar pouco definido – muitas 
vezes, descrito na clínica como lesão 
em asa de borboleta. 
As lesões, geralmente, são eritemato-
escamosas, com coloração 
avermelhada/vermelho-vinhosa, com 
áreas mais hipopigmentadas, 
caracteristicamente de aspecto 
descamativo. 
Laura Botelho – 2024.1 21 
 
Microscopicamente, a epiderme fica mais 
delgada, mais atrófica. Nós temos 
hiperceratose, uma camada que fica mais 
espessa. Os vasos sanguíneos são 
ectaziados/dilatados, gerando aquele aspecto 
de telangiectasia. Existe um infiltrado 
inflamatório que é perivascular. Muitas vezes, 
a gente observa a vacuolização das células 
basais com lesão daquelas células da camada 
basal, o que gera o extravasamento de 
pigmentos de melanina, que é fagocitada por 
melanófagos. 
Esse infiltrado inflamatório pode se localizar 
ao redor da junção dermoepidérmica ou 
ainda ao redor de folículos pilo-sebáceos. 
A membrana basal fica espessada é pode ser observada com detalhes pelo PAS (ácido periódico de 
schiff) e nós vamos ver que em vários pontos essa membrana basal se torna mais espessada. A linha 
rosada mais viva é a linha da membrana basal corada com PAS com vários pontos de espessamento. 
Quando fazemos também a imunofluorescência direta, a gente pode ver o depósito de IgG na zona da 
membrana basal – o chamado teste de banda lúpica. 
 Desordens bolhosas: 
 
 
 
 
 
 
- Pênfigo: 
Ela falou que mulheres são mais 
acometidas (isso contradiz o que foi dito 
no slide, então não sei em quem 
acreditar). 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 22 
 
 Pênfigo Vulgar: 
As úlceras orais podem aparecer antes da 
manifestação cutânea. 
Na 1ª imagem, vemos as úlceras orais; 
Na 2ª imagem, vemos as vesículas e 
bolhas que se rompem; 
Na 3ª imagem, as vesículas e bolhas que 
se rompem formam úlceras mais rasas. 
 
Locais de formação das bolhas: 
Subcórneo – abaixo do substrato córneo. Nós 
vemos isso no pênfigo foliáceo. 
Suprabasal – ocorre no pênfigo vulgar. 
Subepidérmica – observada no penfigoide 
bolhoso e na dermatite herpetiforme, ou seja, 
as bolhas se formam abaixo da junção dermo-
epidérmica. 
Muitas dessas bolhas são formadas pela 
acantólise, ou seja, aquele momento em que a 
junção dermo-epidérmica é rompida, células 
acantolíticas que não estão mais ligadas 
porque perderam as suas junções celulares se tornam arredondadas, alteram a sua morfologia. Essas 
bolhas também são formadas com um infiltrado inflamatório dérmico superficial. 
No caso do pênfigo vulgar, nós temos a formação da bolha acantolítica suprabasal. Então, a gente vê na 
imagem a região suprabasal e a formação da estrutura bolhosa contendo um líquido amorfo e 
infiltrado inflamatório. 
Em detalhe, nós vemos a perda da coesão 
das células, principalmente na região 
suprabasal, formando essa fenda que, 
posteriormente, vai se transformar em uma 
bolha. 
IFD = Imunofluorescência direta 
Auto-anticorpos do tipo IgG são produzidos 
contra a proteína desmossomal 
(desmogleína 3), fazendo com que a gente 
Correção: células acantolíticas 
Laura Botelho – 2024.1 23 
 
tenha a acantólise e a formação das bolhas posteriormente. 
 Pênfigo Foliáceo: 
Temos a apresentação de duas formas: forma 
endêmica e não-endêmica, sendo que no Brasil, 
a forma endêmica é a mais freqüente, sendo 
conhecida popularmente como “fogo selvagem”. 
Os pacientes relatam uma sensação de 
queimação com exposição ao calor ou a luz 
solar. 
 
 
1ª: Na microscopia, vamos encontrar a 
presença das bolhas subcórneas- formação 
das bolhas abaixo da camada córnea. No canto 
esquerdo da imagem, vemos a epiderme 
íntegra. Na derme, temos o infiltrado 
inflamatório perivascular. 
2ª: Em maior detalhe, temos a camada córnea, 
a camada granulosa e a bolha subcórnea. 
3ª: Presença das células acantolíticas – células 
perdem os prolongamentos desmossomais e se transformam em célulasmais arredondadas e, com 
isso, elas perdem a coesividade, tornam-se soltas. 
4ª: Bolha contendo hemácias e células inflamatórias. 
 
Vemos o assoalho da bolha, o conteúdo da 
bolha e a derme como infiltrado inflamatório. 
Os autoanticorpos, nesse caso, são voltados 
para a desmogleína do tipo 1, que é 
responsável pela integridade dos 
desmossomos da camada granulosa da 
epiderme. 
 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 24 
 
 Pênfigo Eritematoso: 
Pouco freqüente. 
Diagnóstico diferencial com LES por conta 
da lesão em asa de borboleta. 
 
 
 
 Pênfigo Vegetante: 
 
Vemos lesões de aspecto eritematoso e 
um espessamento importante da 
epiderme. 
Na microscopia, chama atenção a 
hiperplasia epidérmica. 
 
 
 
 
 Penfigoide Bolhoso: 
Inicialmente era denominado pênfigo, 
hoje é um penfigoide bolhoso, pois a 
bolha formada não se forma de uma 
acantólise. 
Na imagem, vemos lesões bolhosas, 
algumas bolhas um pouco maiores, com 
a pele de aspecto normal ou 
eritematoso. 
Acredita-se que tenhamos depósito de 
imunoglobulinas e C3 em padrão linear e esses 
anticorpos são dirigidos contra o antígeno penfigoide. 
Laura Botelho – 2024.1 25 
 
Na microscopia, a localização da bolha é 
abaixo da epiderme. Então, a gente vê a 
epiderme íntegra em sua espessura e abaixo 
dessa junção dermo-epidérmica o acúmulo de 
fluídos e células inflamatórias 
mononucleares, eosinófilos. Pelo fato da 
bolha se apresentar revestida por uma 
epiderme íntegra, por isso ela não se rompe 
com tanta facilidade. 
Dentre as células inflamatórias, destaca-se os 
eosinófilos – células com citoplasma rosa-
avermelhado. 
 
- Dermatite Herpetiforme: 
Alguns pacientes são tratados e as lesões 
regridem retirando-se o glúten da dieta. 
 
 
 
>> Forma de apresentação clínica 
 
 
 
 
 
Na microscopia, nós temos uma bolha subepidérmica 
também. Na região da derme papilar, há acúmulo de 
neutrófilos formando microabscessos – isso é 
importante na fase diagnóstica. 
 
 
 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 26 
 
 Dermatoses Infecciosas: 
 
- Verrugas: 
O HPV tem várias cepas virais, que podem 
causar várias doenças degenerativas da 
pele e de mucosas, como as alterações de 
colo uterino. 
 
Vemos múltiplas verrugas vulgares na 
região de dorso da mão. Algumas delas, se 
distribuem ao redor de região periungueal, 
contornando as unhas. 
>> Forma de apresentação. 
Na imagem B, vemos uma verruga mais 
erosada, com diâmetro maior. 
 
 
 
 
1ª: Eu tenho a epiderme fazendo uma hiperplasia 
importante e a derme papilar acompanhando 
essa epiderme. Isso nós denominamos de 
papilomatose. Na verruga, nós temos essa 
papilomatose e hiperceratose importante, com 
um espessamento grande da camada córnea. 
 
 
 
 
Laura Botelho – 2024.1 27 
 
Apontou para as alterações descritas 
nas setas e falou que um infiltrado 
inflamatório dérmico também pode 
ser visto. 
Coilocitose – relacionada a infecção 
pelo HPV 
 
 
 
 
 
 
Na imagem, vemos uma face com múltiplas 
verrugas planas. 
 
 
 
 
 
 
 
Deve-se a infecção por HPV do tipo 6 e 11, 
de baixo risco/baixo potencial de 
malignidade. 
Na imagem, temos múltiplos condilomas, 
formando uma massa volumosa. Algumas 
vezes, chamamos de massa gigante, que 
podem aparecer em pacientes graves, com 
alteração da imunidade. 
Menores lesões são observadas ao lado da 
lesão maior. 
 
Laura Botelho – 2024.1 28 
 
- Molusco contagioso: 
Tronco e área anogenital são as regiões 
mais acometidas. 
Na imagem, vemos lesões papulosas 
múltiplas, umbilicadas (pois têm o 
centro deprimido). Essas lesões quando 
sofrem uma pressão digital podem fazer 
? de um material esbranquiçado, branco-
acizentado de aspecto meio caseoso. 
 
 
 
A área em formato de taça que está relacionada 
ao aspecto umbilicado que a gente vê na 
apresentação clínica. 
Essa hiperplasia epidérmica se acompanha pela 
presença do corpúsculo do molusco, que é uma 
inclusão citoplasmática, com coloração 
eosinofílica, aspecto elipsóide. 
 
 
 
- Impetigo: 
Pode acometer adultos também, mas adultos debilitados, em situação mais precária de higiene. 
Lesões maculares >> formam-se pústulas 
>> pústulas se rompem >> formam 
erosões rasas recobertas por uma crosta 
de aspecto meio amarelado/caramelizado. 
Na microscopia, temos acúmulo de 
neutrófilos abaixo do estrato córneo, 
formando uma pústula subcórnea.

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