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Laura Botelho – 2024.1 1 Anatomia Patológica II Professor (a): Maria Auxiliadora Dermatopatologia I A pele é considerada o maior órgão do corpo humano, envolvendo funções de vital importância, como barreira para o meio homeostático/meio externo, protegendo o organismo de agentes agressores como traumas, processos infecciosos (relacionados a bactéria, fungo, protozoário). A própria radiação ultravioleta é um fator que é protegido pela função da pele. Nós temos também a pele como um órgão sensorial, responsável pela transmissão de estímulos e sensações. A pele é constituída basicamente por um epitélio escamoso estratificado queratinizado, que é de origem ectodérmica. De forma subjacente, nós temos a derme, que é de origem mesenquimal. Entre a epiderme e a derme, temos uma estrutura que nós denominamos de junção dermo-epidérmica, onde está localizada a membrana basal, em que nós temos uma interação entre essas duas estruturas: o epitélio da epiderme e a derme. Vamos observar que a epiderme se projeta em direção a derme e vice- versa, porque elas se interconcetam, fazem uma conexão para que o seu funcionamento ocorra da melhor forma. Abaixo da derme, nós temos um tecido conjuntivo adiposo, denominado de panículo adiposo, tecido da hipoderme, que fica levando sustentação a esse tecido. A pele foi descrita há mais de 100 anos como barreira protetora às situações faladas. Ela protege principalmente por conta da espessura do epitélio, por conta da produção de melanina que funciona como uma barreira protetora a radiação e também pelo estrato córneo – aquela camada de ceratina que reveste a epiderme e tem uma função de impermeabilizar a pele. Podemos destacar a função de termorregulação da pele, desencadeada pela sudorese e pela vasodilatação. Lembrando que a pele também tem um papel/função na resposta imunológica – tanto na resposta inata quanto na adquirida. Esquema histológico da pele, onde nós temos os elementos microscópicos. Vemos a epiderme, constituída pelo estrato epidérmico formado pelas células escamosas- epitélio estratificado queratinizado com a camada córnea sobre ele. Essas células escamosas (também denominadas de queratinócitos) têm por função produzir a queratina. A derme é uma estrutura vascularizada. Nela, nós vemos vasos, vemos as glândulas sudoríparas (com orifício em contato com a superfície externa), os folículos pilosos acoplados as Laura Botelho – 2024.1 2 glândulas sebáceas formando os folículos pilo-sebáceos. O folículo piloso é envolvido pelo músculo eretor do pelo. As terminações nervosas livres é que fazem com que esse órgão seja um órgão sensorial. Logo abaixo da derme, temos o tecido subcutâneo adiposo, constituindo a hipoderme. Como falado anteriormente, há um processo de interação entre as camadas, onde a epiderme faz projeções em direção a derme (e o contrário também acontece quando a derme se projeta para a epiderme). Na projeção epiderme para derme, há a formação de estruturas chamadas de cones interpapilares e quando a derme se projeta em direção a epiderme, forma as estruturas denominadas de papilas dérmicas. Em um estudo mais detalhado da epiderme, nós vamos ver que esta é constituída, na região mais superficial em direção a região mais profunda, pela camada córnea, onde nós temos lâminas de ceratina contendo ceratinócitos mortos em permeio a camada granulosa. A camada espinhosa é constituída pelos ceratinócitos que apresentam prolongamentos citoplasmáticos (denominados desmossomos) que são responsáveis pela junção interepitelial. Os ceratinócitos com seus prolongamentos citoplasmáticos ficam semelhantes a espinhos por conta dos prolongamentos que formam os desmossomos (uniões entre as células). Em uma região mais basal, nós vamos observar os melanócitos (em marrom), que vão salpicando a camada basal da pele. São células que têm origem ectodérmica, migram da crista neural até atingir a camada basal da epiderme e vão lançando prolongamentos dendríticos dos melanócitos que têm por função produzir a melanina e, com isso, absorver a radiação ultra-violeta. Funciona como um filtro endógeno de proteção à radiação. Vamos observar também a presença das células de Langerhans, que são responsáveis pela atividade imunológica/resposta imunológica funcionando através do reconhecimento e apresentação dos antígenos aos linfócitos, com isso iniciando a resposta imunológica. Vamos ver também a presença das células de Merkel – localizam-se na camada basal e são células que contém neurotransmissores liberados quando existe uma pressão exercida sobre a pele e, com isso, se considera que uma das funções dessa célula seja de receptores mecânicos, apesar da sua função em relação a pele ainda não ser totalmente estabelecida. Corte histológico da pele, nos mostrando a camada córnea,a epiderme (fazendo aqueles prolongamentos que nós comentamos, formando as cristas epidérmicas/cones interpapilares) e a derme fazendo suas projeções formando as papilas dérmicas. Vemos também os anexos: glândulas sebáceas, sudoríparas. A derme é constituída por tecido conjuntivo, apresentando na sua estrutura células como fibroblastos, células dendríticas, macrófagos, mastócitos, linfócitos, plasmócitos, neutrófilos – são células inflamatórias que ficam transitando normalmente pela pele. A derme, em sua Laura Botelho – 2024.1 3 parte mais superficial, é chamada de derme papilar, onde ela faz uma interação com a epiderme e a chamada derme reticular é localizada numa porção mais intermediária, sendo seguida da hipoderme, na tela subcutânea que apresenta os lóbulos adiposos entremeados pelos septos conjuntivos. A pele apresenta particularidades histológicas em relação a localização onde ela se encontra, ou seja, é importante que a gente saiba identificar a característica de cada local, até por conta do estudo histopatológico de fragmentos removidos de biópsia. Conhecendo os aspectos básicos, nós já podemos identificar de onde vem esses fragmentos de pele. A pele da face é rica em glândulas sebáceas, principalmente na área próxima do nariz, na testa. O couro cabeludo é uma área onde a pele apresenta uma particularidade onde a derme é um pouco mais densa e chama atenção a implantação dos folículos pilosos, que são mais profundos – a implantação se localiza na área da hipoderme. O pêlo do couro cabeludo se implanta mais profundamente do que nas outras regiões da pele em outras regiões do corpo. A derme no dorso e abdome é um pouco mais colagenizada do que o restante. A pele localizada na região volar, ou seja, nas extremidades de palmas das mãos e plantas dos pés onde nós vamos observar uma hiperplasia da epiderme – uma camada córnea mais espessa e a ausência de anexos cutâneos. Essa hiperplasia (essa epiderme mais cheia de dobras e sulcos) é importante pelas impressões digitais das nossas mãos por conta dessa particularidade da histologia da pele. Laura Botelho – 2024.1 4 Alguns estudos especiais relacionados a imunohistoquímica ou a colorações específicas podem nos indicar a presença de determinadas estruturas quando nós tivermos dificuldades na identificação de que lesão é aquela, a histogênese da lesão (da onde vem). No caso dos melanócitos, a proliferação melanocítica principalmente neoplásica, faz com que esses melanócitos possam ser identificados pela imunohistoquímica através da proteína S100. O mesmo vamos observar nas células de Langerhans que podem ser identificadas pela imunohistoquímica pelo CD1a+. Fazendo uma comparação do estudo imunohistoquímicoe do estudo de rotina pela hematoxilina- eosina nós vemos a presença da distribuição linear dos melanócitos na camada basal. Eles se dispõem linearmente, muitas vezes salpicados (não necessariamente em fileiras), mas causam essa pigmentação da epiderme. Muitos deles apresentam citoplasma claro e alguns apresentando esse pigmento acastanhado, em outras vezes a gente não vê bem esse pigmento. No caso de colorações especiais, nós vamos ver que a membrana basal, que é aquela área que fica localizada entre a epiderme e a derme, pode ser demonstrada pela coloração especial através do PAS+ (ácido periódico de schiff). Na imagem, nós vemos a epiderme, abaixo temos a derme pailar e a linha da zona da membrana basal, que se cora com um róseo mais vivo. É importante que a gente entenda que essa coloração pode ser realizada em algumas patologias onde a gente pode utilizar a membrana basal como parâmetro para alguma lesão característica. Por exemplo, no lúpus eritematoso, essa membrana basal costuma estar espessada. Algumas dermatites de interface podem cursar com focos de vacuolização e descontinuidade da membrana basal. Então, essas colorações são importantes para a gente identificar alterações patológicas da epiderme. Leu >>> Laura Botelho – 2024.1 5 Importância do preenchimento do pedido médico: Há uma escassez de dermatopatologistas, então muitas vezes quem vai avaliar o pedido é o patologista geral. Um pedido bem preenchido, com hipóteses diagnósticas, história clínica dão substrato para que o patologista possa fechar o diagnóstico. Muitas vezes, é o diagnóstico anatomo-patológico que vai fechar o diagnóstico e orientar o tratamento dos pacientes. 1. Existem determinadas idades e gênero onde determinadas patologias acometem com mais freqüência; 2. Relatar a lesão, exatamente qual o local em que essa lesão se encontra, o aspecto da lesão (forma, coloração), tempo de evolução, sintomas (se a lesão é pruriginosa, dolorosa) e doenças de base (importante para correlação de patologias sistêmicas e cutâneas); 3. Tipo de biópsia; 4. Hipóteses diagnósticas – os diagnósticos diferenciais são de extrema importância. Tipos de biópsia: Excisional: biópsia onde eu tenho por objetivo remover a lesão com margem de segurança. Na imagem, vemos a remoção da lesão em forma de elipse. Punch: utilizamos estruturas como as da imagem – cilindros azuis que apresentam as bordas cortantes, de vários calibres, que ao serem pressionados sobre a pele conseguem remover fragmentos cutâneos com formado cilíndrico. Muitas vezes, essas biópsias são feitas numa tentativa de biopsiar a lesão, mas dependendo da lesão, ela pode remover a lesão com uma certa margem de segurança com tecidos adjacentes ao redor. Esse tipo de biópsia se acompanha em tecidos mais profundos, em algumas situações até da própria hipoderme. É um tipo de biópsia usado principalmente para lesões de face ou lesões acrais - situadas nas extremidades (palmas das mãos e plantas). Shaving: é como se as lesões fossem barbeadas. São removidas por uma lâmina como vemos na imagem com uma gilete. Geralmente, é usada para lesões muito pequenas ou superficiais. Laura Botelho – 2024.1 6 Shaving – Na imagem, vemos uma lâmina de bisturi. A lesão não é tão pequena, mas é superficial. Curetagem- Utiliza-se uma cureta cutânea para que se faça uma raspagem dessas lesões, geralmente ceratóticas, onde a intenção inicial é fazer um diagnóstico da natureza da lesão – se é neoplásica ou não e, posteriormente, remover essa lesão se for necessário. Biópsia por punch. São vários calibres. A estrutura é introduzida na pele e removida ao se fazer movimentos circulares, removendo fragmentos de formato cilíndrico, geralmente representando a epiderme e a derme e, muitas vezes, a hipoderme também. Biópsia por fuso ou elipse. A gente tenta com uma lâmina de bisturi remover a lesão com margem de segurança. Vemos o formato da lesão em elipse – ao centro a lesão e, ao redor, a margem de segurança. Conseguimos estabelecer a natureza e a classificação da lesão (carcinoma, melanoma) e avaliar as margens de segurança. A biópsia excisional vai tentar remover a lesão com as margens de segurança no seu menor diâmetro, no seu menor eixo e também no seu maior eixo. Ao se analisar histopatologicamente essa lesão, nós vamos ver não só a natureza dela/classificação, mas avaliar as margens cirúrgicas laterais de menor eixo e as áreas de maior eixo também, além de avaliar o nível profundo, a margem mais profunda que ficou em contato com os tecidos remanescentes do paciente. Na biópsia incisional, a gente vai remover apenas um fragmento da lesão para se classificar histologicamente essa lesão. Laura Botelho – 2024.1 7 É importante avaliar a qualidade do material biopsiado – se essa amostra é satisfatória ou não. 1. Paniculites, colagenoses, esclerodermia são patologias que a gente precisa representar as áreas mais profundas da pele 2. Essa lesão deve ser removida de forma com que eu consiga ver um fragmento da epiderme normal ao lado dessa bolha. Além da camada córnea, membrana basal, epiderme, derme e hipoderme devem estar representadas. A junção dermo-epidérmica é de extrema importância também na representação das biópsias, pois a gente vai olhar a interface entre a epiderme e a derme. A membrana basal presente, podendo estar lesada ou não. Nas doenças bolhosas, essa análise da junção dermo-epidérmica é de extrema importância onde a gente tem uma perda de coesão que dá origem às bolhas. É uma perda de comunicação entre essas duas estruturas porque acontecem distribuições de proteínas específicas, de antígenos próprios da membrana basal formando lesões bolhosas. 3. As lesões ao serem biopsiadas podem revelar a fase de evolução da doença. No caso das doenças bolhosas, é uma bolha íntegra? Bolha antiga (caduca)? A bolha já se rompeu e transformou em crosta? 4. Retirada total, principalmente quando em suspeita de neoplasias malignas. Quando a gente vai fazer uma biópsia e retiramos apenas uma área superficial da lesão, sem nos importarmos em representar as estruturas da pele, essa biópsia se torna indesejável ou insatisfatória. A biópsia satisfatória/desejável é aquela biópsia que pega a lesão com as áreas mais adjacentes e profundas. A esquerda, um exemplo de uma biópsia não satisfatória onde eu tenho um fragmento muito pequeno e superficial, representando apenas a epiderme e parte da derme superficial. E ainda fragmentos que podem representar artefatos pré- analíticos, ou seja, biópsias que são feitas por eletrocautério podem apresentar artefatos de cauterização. Toda a borda do fragmento sofreu queimadura e, além do mais, aconteceu um artefato de separação da epiderme da derme por conta da cauterização e não por uma patologia em específico. Laura Botelho – 2024.1 8 O diagnóstico histopatológico é feito com um conjunto de associações. Termos Macroscópicos/Microscópicos: >> As placas geralmente se devem a uma fusão, uma coexistência das pápulas. >> Edema dérmico resultado do aumento da permeabilidade vascular por alterações inflamatórias. >> A causa da liquenificação se deve ao atrito repetido. >> Papilomatose: A derme papilar acompanha as áreas de proliferação hiperplásica da epiderme. >> Espongiose: entre os queratinócitos se forma um edema que vai separando os queratinócitos, mas sem alterar a junção entre eles. Dermatoses Inflamatórias Agudas: Laura Botelho – 2024.1 9 >> Apresentações mais freqüentes. - Urticária: Destaca-se por pápulas pruriginosas pequenas inicialmente, que vão indo e formando grandes placas edematosas, que vão se desenvolvendoe desaparecendo em menos de 24h. Caracteriza-se por um angioedema, que se deve principalmente a um edema profundo da derme e da gordura subcutânea. Pode aparecer de forma imediata ou tardia como as placas. Estão relacionadas aos usos de medicamentos como antibióticos, contrastes iodados, anti-inflamatórios, picadas de insetos, alimentos (grãos), inalação de pólipos. O prurido pode estar presente de forma generalizada, mesmo nas áreas onde a urticária não está presente. Metade dos casos pode desenvolver angioedema ou ele pode se desenvolver isoladamente – presente em lábios, pálpebra, língua, podendo causar deformidas/ser desfigurante no rosto de alguns pacientes. Alguns pacientes podem apresentar o edema de glote, podendo estar relacionada a hipotensão, ao choque anafilático, náuseas, vômitos. É uma alteração comum, mas que pode apresentar desfechos clínicos mais severos. O tratamento das alterações é bastante variado e vai depender da intensidade, mas se deve a suspensão do agente causal e o emprego de drogas anti- histamínicas para tentar diminuir esse processo inflamatório. Laura Botelho – 2024.1 10 A patogenia da urticária se deve a uma reação de hipersensibilidade do tipo I, onde nós temos liberação de mediadores vasoativos através dos mastócitos, dos grânulos mastocitários que são induzidos por esses antígenos através da sensibilização por anticorpos específicos de IgE. Na macroscopia, a presença das placas se deve principalmente a essas pápulas pequenas que vão se convalescendo e se tornam mais proeminentes em relação à superfície cutânea normal por conta desse edema dérmico. Na microscopia, vemos principalmente alteração dérmica onde nós vemos um infiltrado perivenular superficial – vemos uma vênula com infiltrado inflamatório, principalmente linfócitos, plasmócitos. Podemos encontrar em algumas situações neutrófilos e eosinófilos ao redor das vênulas. Os feixes colágenos da derme ficam mais espassados por conta do acúmulo de líquido de edema. Há também os vasos linfáticos dilatados. - Dermatite Ectematoza Aguda: O sinônimo de eczema é dermatite espongiótica. É um termo genérico que engloba todas aquelas patologias que apresentam um processo inflamatório relacionado a espongiose, onde a gente observa na epiderme. Eczema é derivado do grego que significa em ebulição ou efervescência e que engloba um número de condições patogenicamente diferentes. Vamos ver então uma dermatite espongiótica relacionada a uma série de condições clínicas. A correlação destas com os achados histopatológicos é de extrema importância para que a gente possa encontrar o melhor tratamento. Essas lesões podem evoluir para uma liquenificação em um estágio mais tardio. Laura Botelho – 2024.1 11 1. A dermatite de contato alérgica acontece em pessoas pré-dispostas. É uma reação de hiperssensibilidade do tipo 4. Na patogenia da dermatite de contato alérgica, nós temos a participação da memória imunológica. Os antígenos da epiderme são captados pelas células dendríticas. A partir daí, eles migram para os linfonodos de drenagem (linfonodos regionais). Uma vez sendo processados, eles são apresentados as células TCD4 virgens. Essas, então, são ativadas e desenvolvem células de memória. Há uma importância na participação da memória imunológica. Esses pacientes desenvolvem uma forma de reconhecimento do antígeno. Os testes de contato, alérgicos, desses pacientes geralmente são positivos. Eles tiveram um contato prévio e, com o tempo, existe uma menor dependência da concentração e do tempo de exposição aos antígenos para que eles se envolvam em uma reação eritematosa. Como exemplo das dermatites de contato alérgico, nós destacamos as que ocorrem pelo uso de bijuterias onde substâncias com sulfato de níquel são utilizadas e os pacientes podem desenvolver alergias a metais. Outras substâncias como o dicromato de potássio, substâncias presentes em esmaltes que não são hipoalérgicas podem fazer com que mulheres possam desenvolver alterações em regiões próximas a unhas, próximas a pálpebra (ao coçar a pálpebra). 2. A dermatite atópica é uma forma de processo inflamatório que ocorre de uma forma pruriginosa, recorrente. Geralmente, esses pacientes têm outras manifestações de atipias, como rinite alérgica, asma. Costuma existir também uma história familiar. Então, são observados tanto fatores genéticos como familiares. 3. Dermatite relacionada à droga – o uso de determinados medicamentos podem causar reações em alguns pacientes previamente sensibilizados ou em primeiro contato com a droga. 4. Dermatite fotoectematoza – reação importante pela exposição à luz solar ou à luz direta sobre a pele. 5. Dermatite irritante primária – a diferença dessa para a dermatite de contato alérgica é que a gente não precisa de uma exposição primária, não há necessidade de se ter uma memória imunológica. O irritante é qualquer substância (principalmente substância química) capaz de produzir uma inflamação através do contato com a pele. Então, existe essa reação imunológica sem a necessidade de uma sensibilização prévia. A DIP é uma das principais causas de doença ocupacional – serviços domésticos, por ex, que envolvem produtos de limpeza. Pode ser também a dermatite das fraldas em crianças que desenvolvem uma reação eritematosa e alérgica pelo contato do irritante de fraldas, principalmente descartáveis, contendo urina em contato com a pele e a substãncias das fraldas levam a dermatite. Laura Botelho – 2024.1 12 A- Infiltrado perivascular superficial – inicialmente, as células inflamatórias ao redor de vasos; B- Edema da derme papilar (derme mais superficial, que faz projeção para epideme) e também exocitose (migração de células inflamatórias para epiderme) e vão formando microvesículas entre essas células, principalmente, por conta da espongiose, do edema que vai acontecendo entre as células; C- Na paraceratose, nós temos retenção de núcleos da camada córnea e a epiderme começa a se hiperplasiar/espessar; D- Hiperceratose importante, o que muitas vezes vai causar aquela liquenificação/espessamento da pele, que a gente observa já nos estágios mais finais; E- Acantose é uma hiperplasia mais difusa da epiderme e uma espongiose (que pode ser mais discreta ou ausente) nas fases crônicas, ocorrendo também uma certa fibrose da derme papilar. Tudo isso contribuindo para que haja esse aspecto mais liquenificado da pele nos estágios mais avançados. São lesões pruriginosas, o próprio ato de coçar as lesões vão causando as alterações reacionais, principalmente a hiperplasia da epiderme e a hiperceratose. Na microscopia, vemos como essas lesões vão se formando. Eu tenho um infiltrado dérmico. Tenho uma epiderme espessa por uma acantose. Eu tenho a presença de células inflamatórias, com núcleo menor, salpicando a epiderme – são células inflamatórias que fazem uma exocitose. Essas células vão tendo o espaço entre elas mais alargado nesse processo que nós chamamos de espongiose, que é o edema intercelular. Com o tempo, essas células vão se afastando e formam essas vesículas com conteúdo amorfo, líquido, que são as células inflamatórias decorrentes da exocitose. No corte da imagem inferior, vemos melhor a espongiose, separando as células da epiderme. Fica um espaço claro entre essas células. A exocitose das células inflamatórias e a formação das microvesículas/vesículas com conteúdo líquido e amorfo no interior e algumas células inflamatórias Laura Botelho – 2024.1 13 decorrente da exocitose. Na parte superior dessa imagem, uma área de paraceratose com os núcleos mais fibrinóticos retidos no extrato córneo. No detalhe, nós vemos a exocitose – as células inflamatórias permeando a epiderme. Vemos a espongiose separando essas célulaspelo edema, mas a gente vê que os desmossomos (linhas pequenas de prolongamentos citoplasmáticos) se mantém. Na espongiose, a junção entre as células pelos desmossomos está preservada, mas o edema é o que separa essas células. O edema intercelular, formando com o tempo a presença dessas vesículas com o conteúdo líquido inflamatório. - Eritema Multiforme: O eritema multiforme está relacionado a lesões eritematosas (de coloração mais avermelhada) e multiforme, ou seja, podemos encontrar várias formas de lesão ao mesmo tempo naquela área de reação inflamatória no mesmo paciente. É um protótipo de reação citotóxica, ou seja, eu tenho uma degeneração com morte celular epitelial extensa, então vamos ter vários queratinocitos necróticos apoptóticos observados na histopatologia. Relacionada a infecção por Mycoplasma também. As lesões multiformes ocorrem ao mesmo tempo naquela área de lesão. A lesão em alvo é característica, sendo uma mácula ou pápula avermelhada com centro pálido, podendo se apresentar vesiculoso ou erosado. Laura Botelho – 2024.1 14 Lesões avermelhadas, papilosas e com centro mais claro, por isso denominada lesão em alvo – como se o centro fosse o alvo das lesões. São lesões que têm um curso benigno, sendo autolimitadas, durando geralmente 1 a 3 semanas. Ainda podem apresentar variantes – formas de apresentação clínica que, na verdade, são mais graves em algumas situações, nós denominamos de eritema polimorfo major, onde nós vamos encontrar principalmente a Síndrome de Stevens-Johnson e a Necrólise epidérmica tóxica. As alterações da Síndrome de Stevens-Johnson podem estar relacionadas ao uso de medicamentos e de processos infecciosos, como no caso do Mycoplasma pneumoniae em crianças, levando a uma pneumonia intersticial com infiltrado intersticial. Essa patologia, geralmente, acomete crianças, cursando com febre, estomatite, conjuntivite grave e essas lesões disseminadas. A necrólise epidérmica tóxica geralmente acomete adultos e a sua morfologia é semelhante a síndrome da pele escaldada estafilocócica, com uma necrose epidérmica importante e um rash eritematomacular que pode acontecer. Em ambas as doenças, podemos ter uma evolução grave, com uma taxa de letalidade que pode chegar até a 50% na necrólise epidérmica tóxica e até 5% na Síndrome de Stevens-Johnson. A causa mais comum dessas patologias seria a septicemia secundária com complicação. Na imagem, temos o eritema multiforme clássico com as lesões em alvo. As variantes: Sd de Stevens-Johnson: acometendo mais crianças. É uma forma de distribuição difusa, podendo acometer olho, mucosa oral, lábios; Necrólise epidérmica tóxica: lembrando a síndrome da pele escaldada, com perda da epiderme e áreas eritematosas importantes. Semelhança imunológica com a Doença do enxerto versus hospedeiro e na reação à drogas. Na imagem da esquerda, temos uma epiderme apresentando vários queratinócitos mortos/ em apoptose. Todas as células com núcleo picnótico e citoplasma bastante eosinofílico são células mortas – queratinócitos em apoptose. Esse infiltrado linfocitário que acomete a derme superficial e também a zona Laura Botelho – 2024.1 15 da membrana basal, levando também a destruição dessa área com uma exocitose de células inflamatórias para a epiderme. Em maior aumento a direita, observamos a ação citotóxica, o infiltrado inflamatório e também o infiltrando inflamatório atacando a zona da junção dermoepidérmica. Nas formas mais graves, temos destacamento da epiderme em que a gente vê as áreas de necrose, inclusive com formação de bolhas que vão levar ao destacamento em algumas situações. Dermatites Inflamatórias Crônicas: Podem ter uma atrofia ou hiperplasia da epiderme ou fibrose dérmica. - Psoríase: Apresenta etiologia desconhecida e é considerada uma doença imunomediada. A distribuição da psoríase é em regiões mais específicas. As lesões são bem características: as placas são bem delimitadas, de coloração rosada ou descritas na literatura como em cor salmão, cobertas por escamas pouco aderentes de cor branco-prateada. Nas imagens, vemos as lesões em regiões características (cotovelos, couro cabeludo), sendo lesões com contornos bem delimitados, bem demarcadas, coloração Laura Botelho – 2024.1 16 rosada/salmão e revestidas por escamas branco-prateadas, podendo ser acizentadas em alguns pacientes. Por ser considerada uma doença imunomediada, há a consideração da participação dos linfócitos TCD4, interagindo com células apresentadoras de antígenos, ativando o linfócito TCD8 e também outras células, levando a liberação de citocinas como o TNF, desencadeando essas alterações inflamatórias na pele. Na clínica, essa patologia pode ser desencadeada por estresse emocional, uso de alguns medicamentos (beta- bloqueadores, alguns anti-maláricos), processos infecciosos (infecções estreptocócicas) e fatores físicos (traumas na pele, queimaduras, processos de depilação). O fenômeno de Koebner é o desenvolvimento da doença de pele crônica (aqui, no caso, a psoríase) e no local onde sofreu trauma, onde a pele anteriormente era sadia, e a doença passa a se manifestar. Ele pode se manifestar em pacientes conhecidamente portadores da psoríase ou pré-dispostos e também do líquen plano, que é uma outra dermatite crônica que pode ser desencadeado nessa situação- traumas em locais da pele previamente sadios. A psoríase parece melhorar com a exposição solar, podendo ser um benefício a se explorar na terapia dessa doença. A microscopia da lesão é bastante rica e os próprios achados microscópicos podem ser relacionados com o que a gente observa clinicamente. Observamos uma hiperceratose com produção de lâminas de ceratina. Nós temos focos de paraceratose, com retenção de núcleos na camada córnea. A epiderme está espessa pela acantose, ou seja, há uma proliferação da epiderme, é uma proliferação difusa da epiderme. Um infiltrado inflamatório na derme, principalmente perivascular – ao redor de vasos da derme. As papilas dérmicas sofrem um alongamento e, nessas áreas de alongamento das papilas dérmicas, nós temos um adelgaçamento da epiderme suprapapilar – epiderme que reveste essa área de alongamento. A derme papilar fica mais alongada, edematosa, com infiltrado inflamatório e contém também vasos sanguíneos tortuosos e ectaziados. Clinicamente, ao traumatizar essa epiderme, em algumas situações vai acontecer pequenos focos/pontos de sangramento, que é chamado de Sinal de Auspitz – sinal do orvalho Laura Botelho – 2024.1 17 sangrento, pois ao se fazer o atrito da epiderme adelgaçada, que tem uma derme papilar edematosa e ricamente vascularizada, a gente pode ter um sangramento que se manifesta clinicamente por esse atrito. Imagem 1: A camada córnea é mais espessa, com focos de paraceratose. Essa acantose, espessamento da epiderme ocorre principalmente com a porção mais basal ficando mais espessa – espessamento da porção mais inferior dos cone interpapilares associada a um alongamento da derme papilar em algumas áreas, que coincide com o adelgaçamento da epiderme. Sinal de Auspitz – diminutos pontos sangrantes ao se destacar a escama da placa ou se fazer um pequeno atrito na superfície epitelial. Imagem 3: espessamento/dilatação da porção inferior desses cones interpapilares. Dilatação em clava dos cones- ele fica mais espesso na sua porção inferior. Imagem 4: papila dérmica com edema, células inflamatórias. Imagem 1: áreas de paraceratose com núcleos na camada córnea. Existe também um outro achado, que é a hipogranulose ou agranulose – ausência da camada granulosa, geralmente subjacente aos focos de paraceratose; Imagem 2: exocitose de neutrófilos. Focos de espongilose que tendem a formar o quea gente chama de pústula espongiforme. Imagem 3: os neutrófilos em exocitose podem também se acumular na camada córnea, formando, formando o que a gente chama de microabscesso de munro, que é um achado característico da psoríase. Imagem 4: infiltrado perivascular proeminente, geralmente de mononucleares, podendo conter eosinófilos Laura Botelho – 2024.1 18 - Líquen plano: Clinicamente, é denominada como doença dos 6Ps tradicionais. É uma dermatose relativamente freqüente, acomete adultos e tem causa desconhecida. A lesão lesa a junção dermo-epidérmica, com extravasamento de pigmento pra derme superficial. A patogenia é desconhecida, mas o que a gente supõe é que o linfócito T ativado ataque os queratinócitos da camada basal da epiderme, lesando a junção dermo- epidérmica. Tem associação com HLA-BR1 (?) e essas lesões também podem ser vistas nas unhas, em região ungueal. Vemos as lesões com áreas de estrias, esbranquiçadas. Na microscopia, o que a gente vai observar é uma camada córnea espessa. Chama atenção a camada granulosa bastante proeminente pela hipergranulose. Nós temos uma hiperplasia epidérmica, só que essa hiperplasia tem uma característica que nós chamamos de dentes de serrote – ela cresce como se fossem dentes em aspecto serrilhado. Nós temos um infiltrado dérmico superficial que toca a junção dermo- epidérmica, por isso que a gente encontra posteriormente áreas de hiperpigmentação pós- inflamatória, porque melanófagos da derme podem fagocitar fragmentos que vêm a ficar retidos na derme por conta da lesão da junção dermo-epidérmica. Na imagem inferior, vemos o infiltrado perivascular com esse aspecto linear. A gente costuma chamar de infiltrado em faixa da derme no líquen plano. Laura Botelho – 2024.1 19 Detalhe maior nos mostrando algumas áreas de hipergranulose. A lesão da junção dermo-epidérmica, da área da membrana basal. Vemos um infiltrado inflamatório tocando essa área. Alguns, fazendo exocitose para essa região e, consequentemente, a necrose de alguns queratinócitos por apoptose, formando o que a gente chama corpúsculo de Civatte ou corpúsculo colóide, que leve a degeneração e a necrose de algum queratinócito - Líquen Simples Crônico: Quando ele se apresenta de uma forma nodular, ele é chamado de prurigo nodular, que é uma área de espessamento nodular observada na pele. >> Patogenia Na imagem, conseguimos ver que é uma lesão irregular, eritematosa pela sua coloração, apresenta algumas áreas de descamação, de erosão, de interações superficiais. É uma área bastante espessa e áspera pela liquenificação. Vamos ver a acantose como resposta a hiperplasia da epiderme, áreas hipergranulose – a gente vê que a camada granulosa fica bastante destacada por conta dos grânulos mais proeminentes. A hiperceratose- espessamento da camada córnea, há alguns infiltrados inflamatórios mononucleais bem leves de distribuição perivascular e ainda há o depósito de colágeno presente nessas áreas mais superficiais da derme, levando então ao espessamento da derme. Laura Botelho – 2024.1 20 - Dermatite Seborréica: Na imagem, vemos o sulco nasolabial acometido pelo processo inflamatório. É uma lesão eritematosa, com áreas crostosas, amareladas, descamativas. A etiologia é desconhecida, mas pode ser desencadeada por estresse, ansiedade também. Aparece na face, próximo a sobrancelha também, podemos observar em crianças recém-natas a dermatite seborreica no couro cabeludo, onde se formam escamas com base eritematosa. Na microscopia, o que aparece de característico é a presença de óstios foliculares dilatados, apresentando acúmulo de hiperceratose e paraceratose e também um infiltrado inflamatório perivascular mononuclear. - Lúpus Eritematoso: O lúpus eritematoso discóide é a forma que fica restrita a pele. Eritema malar pouco definido – muitas vezes, descrito na clínica como lesão em asa de borboleta. As lesões, geralmente, são eritemato- escamosas, com coloração avermelhada/vermelho-vinhosa, com áreas mais hipopigmentadas, caracteristicamente de aspecto descamativo. Laura Botelho – 2024.1 21 Microscopicamente, a epiderme fica mais delgada, mais atrófica. Nós temos hiperceratose, uma camada que fica mais espessa. Os vasos sanguíneos são ectaziados/dilatados, gerando aquele aspecto de telangiectasia. Existe um infiltrado inflamatório que é perivascular. Muitas vezes, a gente observa a vacuolização das células basais com lesão daquelas células da camada basal, o que gera o extravasamento de pigmentos de melanina, que é fagocitada por melanófagos. Esse infiltrado inflamatório pode se localizar ao redor da junção dermoepidérmica ou ainda ao redor de folículos pilo-sebáceos. A membrana basal fica espessada é pode ser observada com detalhes pelo PAS (ácido periódico de schiff) e nós vamos ver que em vários pontos essa membrana basal se torna mais espessada. A linha rosada mais viva é a linha da membrana basal corada com PAS com vários pontos de espessamento. Quando fazemos também a imunofluorescência direta, a gente pode ver o depósito de IgG na zona da membrana basal – o chamado teste de banda lúpica. Desordens bolhosas: - Pênfigo: Ela falou que mulheres são mais acometidas (isso contradiz o que foi dito no slide, então não sei em quem acreditar). Laura Botelho – 2024.1 22 Pênfigo Vulgar: As úlceras orais podem aparecer antes da manifestação cutânea. Na 1ª imagem, vemos as úlceras orais; Na 2ª imagem, vemos as vesículas e bolhas que se rompem; Na 3ª imagem, as vesículas e bolhas que se rompem formam úlceras mais rasas. Locais de formação das bolhas: Subcórneo – abaixo do substrato córneo. Nós vemos isso no pênfigo foliáceo. Suprabasal – ocorre no pênfigo vulgar. Subepidérmica – observada no penfigoide bolhoso e na dermatite herpetiforme, ou seja, as bolhas se formam abaixo da junção dermo- epidérmica. Muitas dessas bolhas são formadas pela acantólise, ou seja, aquele momento em que a junção dermo-epidérmica é rompida, células acantolíticas que não estão mais ligadas porque perderam as suas junções celulares se tornam arredondadas, alteram a sua morfologia. Essas bolhas também são formadas com um infiltrado inflamatório dérmico superficial. No caso do pênfigo vulgar, nós temos a formação da bolha acantolítica suprabasal. Então, a gente vê na imagem a região suprabasal e a formação da estrutura bolhosa contendo um líquido amorfo e infiltrado inflamatório. Em detalhe, nós vemos a perda da coesão das células, principalmente na região suprabasal, formando essa fenda que, posteriormente, vai se transformar em uma bolha. IFD = Imunofluorescência direta Auto-anticorpos do tipo IgG são produzidos contra a proteína desmossomal (desmogleína 3), fazendo com que a gente Correção: células acantolíticas Laura Botelho – 2024.1 23 tenha a acantólise e a formação das bolhas posteriormente. Pênfigo Foliáceo: Temos a apresentação de duas formas: forma endêmica e não-endêmica, sendo que no Brasil, a forma endêmica é a mais freqüente, sendo conhecida popularmente como “fogo selvagem”. Os pacientes relatam uma sensação de queimação com exposição ao calor ou a luz solar. 1ª: Na microscopia, vamos encontrar a presença das bolhas subcórneas- formação das bolhas abaixo da camada córnea. No canto esquerdo da imagem, vemos a epiderme íntegra. Na derme, temos o infiltrado inflamatório perivascular. 2ª: Em maior detalhe, temos a camada córnea, a camada granulosa e a bolha subcórnea. 3ª: Presença das células acantolíticas – células perdem os prolongamentos desmossomais e se transformam em célulasmais arredondadas e, com isso, elas perdem a coesividade, tornam-se soltas. 4ª: Bolha contendo hemácias e células inflamatórias. Vemos o assoalho da bolha, o conteúdo da bolha e a derme como infiltrado inflamatório. Os autoanticorpos, nesse caso, são voltados para a desmogleína do tipo 1, que é responsável pela integridade dos desmossomos da camada granulosa da epiderme. Laura Botelho – 2024.1 24 Pênfigo Eritematoso: Pouco freqüente. Diagnóstico diferencial com LES por conta da lesão em asa de borboleta. Pênfigo Vegetante: Vemos lesões de aspecto eritematoso e um espessamento importante da epiderme. Na microscopia, chama atenção a hiperplasia epidérmica. Penfigoide Bolhoso: Inicialmente era denominado pênfigo, hoje é um penfigoide bolhoso, pois a bolha formada não se forma de uma acantólise. Na imagem, vemos lesões bolhosas, algumas bolhas um pouco maiores, com a pele de aspecto normal ou eritematoso. Acredita-se que tenhamos depósito de imunoglobulinas e C3 em padrão linear e esses anticorpos são dirigidos contra o antígeno penfigoide. Laura Botelho – 2024.1 25 Na microscopia, a localização da bolha é abaixo da epiderme. Então, a gente vê a epiderme íntegra em sua espessura e abaixo dessa junção dermo-epidérmica o acúmulo de fluídos e células inflamatórias mononucleares, eosinófilos. Pelo fato da bolha se apresentar revestida por uma epiderme íntegra, por isso ela não se rompe com tanta facilidade. Dentre as células inflamatórias, destaca-se os eosinófilos – células com citoplasma rosa- avermelhado. - Dermatite Herpetiforme: Alguns pacientes são tratados e as lesões regridem retirando-se o glúten da dieta. >> Forma de apresentação clínica Na microscopia, nós temos uma bolha subepidérmica também. Na região da derme papilar, há acúmulo de neutrófilos formando microabscessos – isso é importante na fase diagnóstica. Laura Botelho – 2024.1 26 Dermatoses Infecciosas: - Verrugas: O HPV tem várias cepas virais, que podem causar várias doenças degenerativas da pele e de mucosas, como as alterações de colo uterino. Vemos múltiplas verrugas vulgares na região de dorso da mão. Algumas delas, se distribuem ao redor de região periungueal, contornando as unhas. >> Forma de apresentação. Na imagem B, vemos uma verruga mais erosada, com diâmetro maior. 1ª: Eu tenho a epiderme fazendo uma hiperplasia importante e a derme papilar acompanhando essa epiderme. Isso nós denominamos de papilomatose. Na verruga, nós temos essa papilomatose e hiperceratose importante, com um espessamento grande da camada córnea. Laura Botelho – 2024.1 27 Apontou para as alterações descritas nas setas e falou que um infiltrado inflamatório dérmico também pode ser visto. Coilocitose – relacionada a infecção pelo HPV Na imagem, vemos uma face com múltiplas verrugas planas. Deve-se a infecção por HPV do tipo 6 e 11, de baixo risco/baixo potencial de malignidade. Na imagem, temos múltiplos condilomas, formando uma massa volumosa. Algumas vezes, chamamos de massa gigante, que podem aparecer em pacientes graves, com alteração da imunidade. Menores lesões são observadas ao lado da lesão maior. Laura Botelho – 2024.1 28 - Molusco contagioso: Tronco e área anogenital são as regiões mais acometidas. Na imagem, vemos lesões papulosas múltiplas, umbilicadas (pois têm o centro deprimido). Essas lesões quando sofrem uma pressão digital podem fazer ? de um material esbranquiçado, branco- acizentado de aspecto meio caseoso. A área em formato de taça que está relacionada ao aspecto umbilicado que a gente vê na apresentação clínica. Essa hiperplasia epidérmica se acompanha pela presença do corpúsculo do molusco, que é uma inclusão citoplasmática, com coloração eosinofílica, aspecto elipsóide. - Impetigo: Pode acometer adultos também, mas adultos debilitados, em situação mais precária de higiene. Lesões maculares >> formam-se pústulas >> pústulas se rompem >> formam erosões rasas recobertas por uma crosta de aspecto meio amarelado/caramelizado. Na microscopia, temos acúmulo de neutrófilos abaixo do estrato córneo, formando uma pústula subcórnea.