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TÉCNICA E PRÁTICA DE VENDA Andrea Marin E-book 1 Neste E-Book: INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3 ADMINISTRAÇÃO DE VENDAS - UMA VISÃO CONTEMPORÂNEA ������������ 5 Surgimento e evolução da atividade de vendas ����5 A importância das vendas ������������������������������������ 19 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VENDAS ��������������������������������������������������������21 Uma visão contemporânea sobre o Ambiente de Vendas �������������������������������������������������������������� 26 O microambiente e macroambiente de uma Organização ���������������������������������������������������������� 31 Influências ambientais na atividade de vendas – O Papel da Área de Vendas ������������������������������� 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS �����������������������41 SÍNTESE �������������������������������������������������������43 2 INTRODUÇÃO A atividade de vendas está presente na história da humanidade desde que o processo de troca come- çou a ter valor sobre o que era produzido, cultivado ou extraído da natureza tornando-a assim parte do desenvolvimento do processo social no qual estamos inseridos atualmente� De acordo com Cobra (2005), existem registros e documentos referentes à história da Grécia na antiguidade que constatam as primeiras atividades de vendas, elas aconteciam sob a forma de permuta, já a palavra vendedor uma denominação utilizada para definir aqueles que praticavam o pro- cesso de realizavam esse processo também se revela neste período. Já a definição para a atividade como profissão na qual o indivíduo exercia de forma regu- lar a atividade de vendas é oriunda do processo da Revolução Industrial surgida na Inglaterra entre o final do século 18 e início do século 19� Anteriormente, na Revolução Industrial, o sistema de comércio era realizado pelos próprios produtores, artesãos e mer- cadores que ficavam responsáveis pela comerciali- zação do que era produzido� Ainda de acordo com Cobra (2005), a ideia da venda porta a porta, como conhecemos hoje, caracterizada principalmente pelas vendas de catálogo como a marca Avon já era prati- cada por ambulantes que coletavam ou compravam produtos no campo e se deslocavam para as cidades, fazendo, por vezes, também o caminho inverso para realizar as vendas, permitindo, dessa forma, que fa- tores culturais e produtos de várias partes pudessem 3 alcançar públicos diferentes, causando os primeiros indícios de influências e interferências por meio da oferta de novidades e até inovações� Desde o seu início, a atividade em vendas já de- mandava uma necessidade de uso da criatividade, inovação, encantamento além de uma análise de concorrência para poder desta forma suprir suas necessidades básicas de negócio e criando, assim, formas e conceitos de como realizar uma determi- nada venda para um cliente ou necessidade especí- fica, basta fazermos uma rápida análise das varia- das formas dos tipos de vendas aos quais somos impactados no dia a dia. Podemos então definir que a venda não se constitui de uma atividade isolada, mas de um processo que depende de uma estratégia articulada entre planejamento, pesquisa, conheci- mento, habilidades e principalmente pessoas, além de um eficiente trabalho nas bases do conceito de marketing� Mas como chegamos ao estado atual de vendas? Como o processo evoluiu a tal ponto, que o consumi- dor é mais importante que o próprio item ou serviço negociado? O vendedor tem uma atuação muito mais voltada a um consultor de negócios do que simples- mente ser um vendedor? Esses são apenas alguns questionamentos em que iremos trabalhar neste primeiro módulo� Bons estudos! 4 ADMINISTRAÇÃO DE VENDAS - UMA VISÃO CONTEMPORÂNEA Surgimento e evolução da atividade de vendas Vender já foi considerado uma arte e, nos últimos 50 anos, tornou-se uma ciência que utiliza dados, infor- mações e estatísticas para que sejam atribuídos seus esforços� O processo de venda é até estudado pela Psicologia, devido ao fato do poder que ele exerce nos públicos consumidores por meio das articula- ções e estratégias atribuídas no seu trabalho� A evolução do processo de vendas atravessou várias eras e situações, todas em acordo com o momento em que se encontrava a sociedade, o escambo (troca de mercadorias) é a forma mais antiga de comércio documentada, os povos a praticavam com produ- tos considerados valiosos, como metais e pedras preciosas, esse processo de comercialização teve início juntamente com a formação das primeiras sociedades civis da história� O escambo consistia em um processo muito simples onde o objetivo era satisfazer a necessidade de sobrevivência dos indi- víduos e era totalmente baseado em uma relação de troca� As trocas eram realizadas geralmente no 5 formato do livre comércio como os modelos de feiras livres existentes até hoje� Com a formação de grupos sociais maiores surgiram as metrópoles, modelos de cidades organizadas, e esse modelo de negócio adequou-se a pequenos comércios ou lojas que abrigavam os produtores, padeiros, ferreiros que comercializavam ali seus produtos� Com a evolução social começam a sur- gir classes sociais com maior poder monetário e, com isso, esses produtos e serviços começariam, também, a sofrer influências desses indivíduos que exigiam produtos mais sofisticados. Temos aqui um dos primeiros indícios de diferenciação de produtos e serviços por nichos de mercado� Nesse período, ainda muito longe do processo de industrialização, a produção era muito menor que a demanda, fazendo com que esses grupos sociais buscassem em outras regiões itens básicos e mais aprimorados para atender suas necessidades, sur- gindo então as rotas de comércio e os primeiros ven- dedores ambulantes, que traziam produtos de outras culturas para vender causando um efeito ainda que segmentado mas muito parecido com o que temos hoje com a globalização� No início do período da Revolução Industrial, temos um fato marcante para o processo de vendas, co- nhecido como “A Venda do Elixir de Cobra” (Snake Oil Selling), de 1856� Operários chineses envolvidos na construção da primeira rodovia continental ameri- cana vendiam um elixir que tinha a promessa de aca- 6 bar com a dor em um local machucado; a promessa era de alívio imediato� A grande barreira é que eles eram estrangeiros em terras americanas e tinham de ser bastante convincentes� Dessa forma, o visual, a embalagem, além do discurso argumentativo eram fatores-chave para que a venda acontecesse� Esta era uma venda manipuladora (muitas vezes, mentirosa), mas ingênua em seus recursos, pois só utilizava o apelo visual do produto, a eloquência do vendedor e sua capacidade de convencimento por meio do discurso público e da argumentação inédita� No ano de 1886, John H� Patterson, então Presidente da National Cash Register (NCH), desenvolveu um método para vender seus produtos e o chamou de “Venda em Pirâmide”� Alguns historiadores creditam a Patterson o título de “Primeiro Vendedor do Mundo”, pois, por intermédio de métodos desenvolvidos por ele, entende-se que ele profissionalizou as vendas. A atuação da Venda em Pirâmide consistia em aplicar uma estratégia articulada de vendas, na qual uma pessoa era encorajada a demonstrar os benefícios do produto adquirido e como outro também pode- ria ganhar dinheiro com essa atuação, por meio da venda e do recrutamento de outros indivíduos� Era um processo estratégico, mas totalmente com foco no produto� A questão na qual a produção era menor que a de- manda perdurou até o início do século 20, em que temos a implementação da Era Industrial em larga escala, principalmente em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa� No Brasil, esse ce- 7 nário perdurou até a década de 1950, quando se tem o início do processo de industrialização e produção de manufaturados com o incentivo do governo de Getúlio Vargas� Com um crescimento acelerado de desenvolvimento de produtos, não bastava somenteestar disponível, mas outros fatores começam a preo- cupar as organizações� Em 1916 acontece o primeiro “Congresso Mundial de Vendas” em Detroit, Michigan� O presidente americano Woodrow Wilson foi o prin- cipal palestrante, trazendo grande credibilidade à atividade de vendas como uma profissão. Assim nascia a “Venda Baseada na Confiança” (Trusted Based Selling), chamada assim, pois buscava vender por meio da criação de confiança pública, por não ser mais uma profissão marginalizada, e também por ser validada “inclusive pelo Presidente da República”� A profissão de vendas nascia oficialmente para o mundo, como uma profissão notável, promissora e fundamental para a sociedade em franco cresci- mento� Na verdade, essa ideia foi difundida em vista a recuperar a credibilidade perdida em vendas por meio de anos e anos de vendas inescrupulosas e enganosas que aconteciam até então� Em 1918, Grant Nablo apresenta a ideia da “Venda Científica” (Science Selling)� Esse estudo prometia dizer o caráter dos clientes mais propensos a vendas de uma determinada organização ou produto através do estudo do seu crânio� Dentre suas considerações em seu trabalho podemos destacar algumas� Nablo acreditava que uma pessoa com um crânio alto era 8 mais imaginativa e, assim sendo, mais fácil de se vender para ela� É o primeiro indício da necessidade do reconhecimento de quem são os consumidores de um produto ou serviço, e isso vem ao encontro com a necessidade, não somente de reconhecer, mas de entender quem é o público-alvo de uma organização� Em 1923, com o cenário da Grande Depressão Americana, muitas organizações lutavam para so- breviver em meio a uma economia recessiva e ao caos da falta de emprego formal� Daí tornar-se ven- dedor pareceu uma boa saída para muitos indivíduos que se encontravam nessa situação� O número de pessoas que se arriscou como vendedor foi enorme� A grande maioria tentava uma chance já que não possuía, muitas vezes, sequer um treinamento ou experiência na área de vendas. Nesse cenário foi desenvolvida a “Venda Emocional” (Mood Selling); um método baseado nas vendas realizadas por ven- dedores de Bbíblias que batiam de porta em porta� Em 1931, a publicidade abre espaço no mundo das vendas, surgindo como uma ferramenta de promoção às marcas e produtos, impulsionando-os em suas vendas� O uso da publicidade faz surgir uma nova abordagem em vendas, a chamada “Venda Baseada na Marca” (Brand Based Selling), que, além de apelar para o emocional das pessoas, buscava agregar à marca um sentimento agradável, atraente e de po- der para o seu consumidor� Isso é muito claro em revistas da época, que ditavam as regras de como os indivíduos deveriam se portar; o que deveriam beber, vestir, e até fumar� O uso de ícones ou personagens 9 de cinema surgem como fatores de credibilidade, auxiliando também na alavancagem das vendas� Figura 1: Propagandas antigas� Fonte: Propagandas Históricas. A publicidade não só criou o seu espaço em vendas, como também abriu caminho para outras teorias com a Venda Psicológica, em 1932� Henry Link apresentou a teoria da “Venda Psicológica” (Psychology Selling) em seu livro: Psychology of Selling and Advertising, 10 https://www.propagandashistoricas.com.br em que defendia que o vendedor deveria aprender o básico em psicologia se quisesse ter sucesso em suas vendas� Essa teoria abriu espaço para questões nas quais se tornou imperativo saber o porquê da compra dos seus clientes, permitindo assim uma investigação mais detalhada sobre as questões além do preço, embalagem ou disponibilidade que impul- sionavam os indivíduos a comprarem determinadas marcas ou produtos� Com um mercado em franco crescimento e um núme- ro cada vez maior de marcas e produtos, chega a hora em que é preciso reter os clientes� Em 1936, surge o conceito da Venda de Relacionamento� Dale Carnegie, em seu livro Como fazer amigos e influenciar pes- soas nos trouxe a era da “Venda de Relacionamento” (Relationship Selling)� A preocupação, nesse período, era a atenção dispensada ao cliente que estava à frente do vendedor� Esse conceito é uma evolução significativa na “Venda Psicológica”, uma técnica muito utilizada até os dias atuais� Em 1940, surge o conceito da Venda de Barreira, um método simples que acondicionava a palavra sim ao final de cada pergunta feita pelo vendedor ao comprador� Essa técnica de venda tida como ma- nipuladora fracassou, pouco tempo depois de sua implementação� Em plena Segunda Guerra Mundial, em 1942, surge o método SELL� O SELL (SELL Method) se tornou o método de vendas mais popular durante o início dos anos 1940. O acrônimo, em inglês, significa: mostrar 11 características (Show features), explicar vantagens (Explain advantages), conduzir para o benefício (Lead to benefit) e deixar falarem (Let them talk)� Esse mé- todo encorajava os Vendedores a dizerem aos seus clientes os benefícios de comprarem o produto e era uma abordagem muito mais humana do que a abor- dagem da Venda de Barreira, de alguns anos antes� Em 1946, logo após o final da Grande Guerra, surge o método ADAPT (ADAPT Method), que, na tradução do inglês, quer dizer “adaptar”. Seu acrônimo significa: avaliação (Assessment), descoberta (Discover), ati- vação (Activation), projeção (Projection) e transição (Trasition)� Esse método – também tido como mani- pulador – buscava dar a impressão que o vendedor estava avaliando as necessidades do comprador, mas, na verdade, era apenas uma forma de forçar uma abertura no processo de venda� Logo após o método ADAPT, surge, em 1950, o “Método ARC” (ARC Method) – acrônimo para: pergunte (Ask), recomende (Recommend), faça a venda cruzada e feche (Cross-sell and Close)� Esse método foi largamente explorado nas vendas de varejo que vinham tendo um crescimento bastante impressionante nessa década� O Método ARC era utilizado primariamente para aumentar o tamanho médio de das vendas, pois seu foco era muito forte no “cross-selling”: oferecer algo relacionado a algo que o prospecto já havia escolhido� O principal passo do método era o duplo “C” de “ARC”� O lado positi- vo do Método ARC era que ele buscava trabalhar a necessidade do Comprador por uma solução “mais 12 completa”; o lado negativo era que ele permitia os Vendedores mais manipuladores realizarem vendas casadas, dessa forma, por várias vezes, produtos que não eram necessários eram empurrados aos compradores� No período Pós-Guerra, a industrialização e a produ- ção cresceram em larga escala� Em 1952, devido a esse cenário, surge a Venda por Fórmula (Formula Selling): uma abordagem ampla, composta por di- versas metodologias de venda menores que surgi- ram no início dos anos 1950� Era uma abordagem engessada, baseada em uma sequência obrigatória de passos, tal como o método AIDA, que veio logo a seguir, em 1954, que não permitia qualquer variação com a mudança das circunstâncias da venda ou a inclusão de ideias inovadoras� Atenção Desejo Ação InteresseAIDA Figura 2: Método AIDA. Fonte: Elaboração própria. O Método AIDA, como mencionado anteriormente, surge como um protocolo-padrão a ser seguido pelo vendedor no processo de vendas� AIDA é um acrô- 13 nimo para: atenção (Attention), interesse (Interest), desejo (Desire) e ação (Action). Em 1968, surge a Venda por Satisfação de Necessidades ou (Needs Satisfaction Selling)� O ho- mem já havia chegado à Lua, a Guerra Fria estava instaurada entre Estados Unidos e Rússia, e o mundo vivia uma condição de que tudo já havia sido cria- do e produzido; então, era chegado o momento de entregar soluções e, sobretudo, com uma pitada de inovação; afinal, estávamos na era espacial. O gran- de ícone deste método é a Companhia XEROX, que investiu, na época, US$ 10 milhões em uma vertente que, na sua essência, era de que o consumidor não queria que nada lhe fosse vendido apenas por opor- tunidade, mas que a sua decisão de compra deveriaestar sustentada em suas necessidades, desejos, e que as organizações deveriam supri-lo com tais informações para a sua tomada de decisão� Essa abordagem trouxe à empresa a fama de “escola de vendas”, e também o início da preocupação com as reais necessidades dos clientes� O método proposto pela Companhia Xerox fez muito sucesso, pois não trazia nenhuma fórmula engessa- da de atuação em vendas, ou de manipulação; isso levou a Xerox a criar sua divisão de “Sistemas de Aprendizado (em Vendas) da Xerox” (Xerox Learning Systems), com o propósito único de ensinar às or- ganizações o seu método de vendas, que foi cha- mado de “Habilidades de Vendas Profissionais” (Professional Selling Skills – PSS), no Brasil, conhe- cido simplesmente como “PSS”, elevando, assim, a 14 categoria de vendas para um estágio mais alto, o estratégico� A técnica empregada nesse método era com o uso de perguntas abertas e fechadas, bem como de vantagens e “benefícios apresentados”, e trabalhava técnicas de fechamento também por meio de entrevistas e formulários de pesquisas� Essa téc- nica foi transmitida a várias corporações, permitindo que outras organizações pudessem readequar suas visões de articulação de venda com seus mercados� Em 1985, seguindo a onda do conceito de Michael Porter, surge a Venda Estratégica ou (Strategic Selling)� A venda estratégica não acrescentou valor ao processo da venda, mas sim para a gestão de grandes contas, levando em consideração o ciclo de venda de produtos mais complexos� Os respon- sáveis pela implementação do modelo de Venda Estratégica foram Robert Miller e Stephen Heiman – ambos Vendedores da IBM� A “Venda Consultiva” (ou SPIN Selling) surge em 1988, como resultado do trabalho desenvolvido por Neil Rackman� A base de sua metodologia foi de- senvolvida por meio dos trabalhos de consultoria realizados por Neil em organizações como a Xerox, IBM e Kodak. O método descoberto cientificamen- te por Neil é um acrônimo para os tipos e a ordem de questionamentos que os Vendedores de mais sucesso sempre utilizam� Esses questionamentos são: Situação (Situational), problema (Problem), im- plicação (Implication) e retorno (Need-payoff)� Esta é a primeira técnica científica comprovada de venda; sendo, efetivamente, uma técnica que permite ao 15 vendedor que a utiliza realizar uma verdadeira venda de solução, focada no comprador� Situação Problemas Implicação Necessidades Figura 3: SPIN Selling. Fonte: Elaboração própria. Em 1993, temos o início da implementação de plane- jamento aplicado à área de vendas� Mike Bosworth, que havia trabalhado na Xerox, publicou o livro Customer Centric Selling� O conceito de aborda- gem do livro era na Venda Centrada no Cliente, em que Bosworth delineia um método com sete passos distintos: (1) Pesquisa e pré-planejamento das in- terações (de venda); (2) Estímulo do interesse; (3) Focando na solução; (4) Busque pessoas de negócio, ao invés de usuários; (5) Relacione o uso com pro- dutos confiáveis; (6) Concorra para vender, ao invés de para permanecer ocupado; e (7) Feche no tempo do Comprador, ao invés de no tempo do Vendedor� É uma abordagem investigativa e que exige planeja- mento e observação de todos os aspectos que leva- ram o comprador a buscar um determinado produto ou marca� E, finalmente, na década dos anos 2000 surge o método da “Venda de Solução” (Solution Selling)� A metodologia desse método trabalha, principalmente, 16 com o cliente buscando desenvolver, em conjunto com a área de vendas, um entendimento mútuo das soluções que melhor atendem ao problema que o cliente deseja resolver� Esse método é creditado a Neil Rackman e Bosworth, que traçam discussões com inúmeras pesquisas científicas e publicações nas quais explicam e comprovam a importância de se colocar, desde o início, o comprador à frente da venda� Este método ainda está em aplicação no mer- cado e ainda não atingiu o seu ápice, mas já provou ser a forma de vender mais eficiente de que se têm notícia� As organizações adeptas ao Solution Selling geral- mente aplicam uma abordagem de vendas consul- tivas para todos os aspectos do seu processo de vendas, incluindo: • Prospecção • Diagnosticar as necessidades dos clientes • Desenvolver uma solução potencial • Estabelecer valor • Negociar acesso aos tomadores de decisão • Comprovar a eficácia, ROI e solução em contexto geral • Negociar uma solução “ganha-ganha” • Acompanhar para assegurar o sucesso do cliente Sobre os processos de vendas, até pouco tempo atrás, eles aconteciam somente em estabelecimen- tos comerciais, em que atendentes intermediavam o processo de entrega dos pedidos solicitados pelos 17 clientes nos balcões� O balcão era onde o processo de negociação acontecia e, eventualmente, as ven- das� Apesar desse processo ser muito comum ainda hoje, ele foi sendo substituído, em grandes lojas de departamentos, pelo sistema de autoatendimento, como o utilizado em livrarias, farmácias e lojas de conveniência. Esse sistema dá mais liberdade aos compradores e valoriza questões como: os clientes sendo fator mais importante no processo de vendas, pois eles podem circular entre os itens dispostos nas lojas e ampliar a sua lista de compras, sendo impactados pelas estratégias e articulações do ma- rketing aplicado� Por ser um sistema que demanda mais observação do que a influência direta de outro indivíduo, é muito valorizado e, por isso, ainda muito adotado no sistema de vendas e no atendimento a clientes� É claro que a evolução dos cenários de consumo, tecnologia e comportamento dos consumidores influenciaram os métodos e sistemas de vendas que tiveram de se adequar às novas condições; estamos tratando especificamente da influência da tecnologia e da popularização da internet – que mudou radical- mente o comportamento e a forma de vendas direta aos consumidores� A internet proporcionou uma nova forma de comér- cio e de atendimento aos clientes, permitindo que os consumidores não precisem sair de casa ou do trabalho para fazer compras, uma vez que podem utilizar dispositivos móveis e computadores com acesso à internet para realizar compras onde estive- rem; esse é o mercado virtual, a nova fronteira para os sistemas de vendas, basta um clique nos sites de lojas virtuais, mídias digitais e marketplaces – como 18 a Amazon – para que os consumidores tenham aces- so a diversos tipos de produtos de vários fabricantes e fornecedores de várias partes do globo. Trata-se, portanto, de uma forma moderna, segura e cômoda de fazer negócios – sejam estes simples compras de produtos ou transações comerciais de maior vulto� A internet propiciou não somente uma nova modali- dade no sistema de vendas, mas também democra- tizou o modelo de como os consumidores possam ter acesso aos seus produtos� Qualquer pessoa pode criar uma loja virtual e fazer negócios com consumi- dores que estejam dentro do seu nicho de mercado� A importância das vendas Administração de Vendas De acordo com Las Casas (2010, p� 409) “a adminis- tração de vendas se ocupa com inovação, pesquisa, planejamento, orçamento, preço, canais, promoção, produção e até localização das fábricas”� A AMA (Associação Americana de Marketing) defi- ne administração de vendas como um conjunto de funções, planejamento, direção e controle de venda pessoal, incluindo recrutamento, seleção, treinamen- to, providências de recursos, delegação, determina- ção de rotas, supervisão, pagamento e motivação, à medida que estas tarefas são aplicadas à força de vendas� 19 SAIBA MAIS A American Marketing Association (AMA) é uma associação para profissionais de marketing e áre- as correlatas� Foi fundada em 1937 e tem uma vi- são sustentada na importância da investigação, pesquisa e aprimoramento do conhecimento voltado ao mercado e as novas tendências dos negócios� Saiba mais em: https://www.ama.org Com o advento da globalização, as organizações, de modo geral, se deparam comnovos desafios impos- tos, como: a concorrência sem barreiras, a comuni- cação integrada e a inovação constante, exigências impostas por este novo cenário� Diante disso, a fun- ção da administração de vendas se torna fundamen- tal, pois os vendedores estão em constante contato com o mercado atualizando sempre as informações necessárias para a venda (LAS CASAS, 2010)� A administração de vendas é uma das ferramentas mercadológicas utilizadas pelas empresas que bus- cam, no mercado, recursos para fazer frente às suas despesas e atingir seus objetivos financeiros e, dessa forma, desenvolver suas atividades econômicas em um sistema de comércio� Sendo assim, a atividade de vendas deve refletir a visão estratégica da organiza- ção e, portanto, compreender o processo de vendas deve ser uma competência fundamental de toda a organização, pois ela atua diretamente no bem mais importante de uma empresa: seus clientes� Podcast 1 20 https://www.ama.org/ https://famonline.instructure.com/files/120754/download?download_frd=1 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VENDAS Mas o que vêm a ser a visão estratégica de uma organização? De acordo com Porter (1979), a estratégia ainda é vista, em muitos casos, como um conjunto de ações organizacionais ofensivas ou defensivas para se criar uma posição de vantagem em relação a um determinado concorrente ou mercado de atuação; mas, de acordo com sua teoria As Cinco Forças de Porter, estratégia se trata de um mecanismo de de- fesa contra as forças competitivas do mercado que atua, de forma que as suas chances sejam ampliadas e aumentadas sobre o fato de se obter um retorno maior sobre o investimento que foi realizado� Porter destaca que a estratégia é basicamente o padrão ou um plano que integra as principais metas orga- nizacionais em um único processo, de forma que o resultado esperado e determinado seja alcançado� SAIBA MAIS O modelo das Cinco Forças de Porter, concebido por Michael Porter, foi publicado na forma do arti- go As cinco forças competitivas que moldam a es- tratégia, em 1979, na Harvard Business Review, e destina-se à análise da competição entre empresas. 21 Considera cinco fatores (as “forças” competitivas) que devem ser estudados para que se possa desen- volver uma estratégia empresarial eficiente. Porter refere-se a essas forças como microambiente, em contraste com o termo mais geral macroambiente. Utilizam essas forças uma empresa que afeta a sua capacidade para servir seus clientes e obter lucro. Uma mudança em quaisquer das forças normalmen- te requer uma nova pesquisa (análise) para reavaliar o mercado. Este modelo é utilizado amplamente até os dias atuais e é considerado uma das melhores fer- ramentas de análise estratégica de mercados. A visão estratégica de uma organização é definida por um conjunto de elementos que caracterizam como a organização se apresenta ao seu mercado de consumo e concorrentes, de como gostaria de ser vista pelos seus clientes, e quais são os seus valores em relação aos seus objetivos e cultura� Os conceitos que sustentam o desenvolvimento da visão estratégica de uma organização são compos- tos por: visão, missão, valores e fatores críticos de sucesso� 22 Figura 4: Visão estratégica. Fonte: Elaboração própria. De acordo com Kotler (2006), uma missão bem di- fundida desenvolve nos funcionários de uma orga- nização um senso comum de oportunidade, direção, significância e realização. Uma missão bem explícita atua como uma mão invisível que guia os seus fun- cionários a um trabalho independente, mas com es- forço coletivo na direção do objetivo da organização� A construção e o objetivo de uma missão organiza- cional procura responder perguntas como: - Qual a sua necessidade básica (produto) que a or- ganização oferece ao mercado? - Qual a sua importância para os seus clientes e consumidores? - Qual o seu público-alvo da organização e conse- quentemente dos seus produtos? 23 A visão de uma organização tem a representatividade do cenário ou do horizonte desejado em conformida- de à sua atuação no mercado, de acordo com Oliveira (2005)� Já para outro autor (Hart, 1994, pp� 299-339), a visão é uma somatória de desejos a respeito de um possível futuro a ser alcançado� Os valores de uma organização, de acordo com a afir- mação de Barret (2000), ditam os comportamentos a serem seguidos e propagados pela organização� Desse modo, é possível entender que os valores or- ganizacionais são definidos como os princípios que guiam a vida da organização� Já os Fatores Críticos de Sucesso (ou FCS), conforme afirmação de Rockart (1979), são áreas nas quais os resultados do trabalho executado pela organização, se satisfatórios, irão assegurar um desempenho com- petitivo para a organização e, consequentemente, o seu sucesso� Essas áreas, tidas como “áreas-chave”, se concentram em alguns setores em que a organiza- ção deverá depositar seus esforços estratégicos para que, assim, o negócio venha a ter um desempenho com fator diferenciado em relação aos demais con- correntes de mercado� Os FCS se referem a termo de gerenciamento para um determinado elemento para que a organização atinja sua missão; dessa forma, se faz necessário que todos os envolvidos no processo estejam cientes sobre cada fator-chave de sucesso, bem como suas variações, para que a organização consiga atingir o seu objetivo� 24 Aliando as definições de estratégia de Porter e os conceitos de missão, visão, valores e fatores críti- cos de sucesso, em uma organização, os elemen- tos que compõem a sua visão estratégica e que são de suma importância para o desenvolvimento da Administração de Vendas devem: - Compreender qual é a filosofia e a definição do negócio; - Realizar uma análise do ambiente interno e externo (microambiente e macroambiente) em que a organi- zação atua e se encontra; - Avaliar constantemente o mercado e as suas res- pectivas estratégias, envolvendo oportunidades e ameaças e os pontos fortes e fracos em relação aos concorrentes atuais e futuros; - Estabelecer objetivos e diretrizes para a organização; Sendo a administração de vendas um processo es- tratégico, é importante compreender e proporcionar uma verdadeira experiência para o cliente e ele será o seu maior aliado. Em termos profissionais, a admi- nistração de vendas é uma competência fundamen- tal, não apenas para o profissional responsável pela venda, mas todos os envolvidos no processo – seja diretamente ou indiretamente� Podcast 2 25 https://famonline.instructure.com/files/120755/download?download_frd=1 Uma visão contemporânea sobre o Ambiente de Vendas Quando tratamos sobre ambiente de vendas, é ne- cessário, em primeiro lugar, entender o que é uma organização� Só assim será possível compreender o ambiente onde ela está inserida e como se dá o comportamento em seu entorno� Vários autores construíram, ao longo dos anos, conceitos sobre o que vem a ser uma organização, sendo que, de modo geral, podemos definir que uma organização é uma instituição social, composta por duas ou mais pessoas trabalhando em cooperação para alcançar determinados objetivos ou metas comuns� As organizações são projetadas como sistemas de atividades e autoridade, estruturadas e coordenadas, atuando de forma interativa com o ambiente que as cerca� De modo geral, as organizações apresentam alguns aspectos importantes, que precisam ser analisados: 1. as organizações são compostas por pessoas, portanto, é preciso que a gestão promova o trabalho e o relacionamento em equipe para que os resultados sejam alcançados com o esforço em conjunto� 2. as tarefas entre as pessoas devem ser atribuídas de acordo com as habilidades ou competências de cada indivíduo, assim, obtém-se uma melhor efici- ência no desempenho das tarefas. 26 3. em uma organização, é importante que exis- tam as ações de coordenação e de controle entre os membros da organização, de acordo com Silva (2004), sem coordenação e controle,alguns trabalha- dores podem – intencionalmente ou não – realizar atividades que não contribuam para as metas da or- ganização, comprometendo o alcance dos objetivos propostos como resultado� 4. toda organização deve ter limites� Estamos tra- tando do que as pessoas e membros podem e devem fazer na organização� Importante destacar que todos os funcionários da organização precisam trabalhar em sintonia e harmonia, tendo presente os objeti- vos e metas que querem alcançar; nesse enfoque, podemos inserir a ideia do código de conduta da organização� Toda organização necessita de recursos para ope- rar, gerar valor e obter o tão esperado lucro� Para que esse processo ocorra sem deformidades, e de acordo com o planejamento, há a necessidade de que cada setor da organização trabalhe de forma harmônica e conjunta, todos almejando um objetivo em comum. Assim se caracteriza o sistema, ou seja, uma organização depende de todos os envolvidos no seu sistema organizacional – tanto interno como externo – então podemos entender que uma orga- nização se trata de um sistema aberto, e se faz im- portante estabelecer relações com o meio ambiente� De acordo com Moraes (2001), um sistema aberto é um conjunto de elementos inter-relacionados, de- senvolvendo uma atividade para atingir um ou mais 27 objetivos, ou seja, um sistema funciona como um todo organizado� Devido ao ambiente globalizado em que se encon- tram as empresas, a preocupação com o ambien- te externo torna-se cada vez maior, o que exige uma maior adaptabilidade e flexibilidade com seus stakeholders. Assim surgem as organizações como sistemas abertos� SAIBA MAIS Stakeholders Analisando uma organização como um Sistema, devemos entender como é o seu funcionamen- to. Todo o sistema apresenta: entradas (inputs), operação ou processamento, saídas (outputs), retroação (feedback) e subsistemas� A sobrevi- vência, o crescimento, a competitividade e o de- senvolvimento de uma organização estão con- dicionados à sua capacidade e às estratégias implementadas para interagir com as influências do ambiente no qual está inserida� Nesse caso, quando falamos do ambiente, podemos exempli- ficar como uma cidade, um estado, um país, um determinado nicho de mercado, um evento, uma data comemorativa� 28 AMBIENTE Entradas Rec. Humanos Rec.Financeiros Rec. Materiais Informações Tecnologia Saídas O R G A N IZ A Ç Ã O Bens Serviços Informações Resíduos (-) Retroação (feedback) Figura 5: A organização como sistema. Fonte: adaptado de SILVA (2004, p. 523) Analisando a figura acima, temos: 1. as entradas (inputs) são constituídas por ma- térias-primas, informações, recursos financeiros e humanos� Ou seja, todo o material necessário para o funcionamento do sistema� 2. a operação (ou processamento) representa a eta- pa de transformação dos recursos em produtos ou serviços, por meio da tecnologia e do conhecimento� 3. as saídas (outputs) compreendem os produtos, serviços e realizações que contribuirão para alcançar os objetivos do sistema� 4. a retroação (feedback) é o mecanismo respon- sável pela promoção do equilíbrio do sistema� O elemento básico da retroação é a informação� A informação é fundamental para que a organização 29 possa ajustar seus produtos e serviços de acordo com as necessidades do consumidor� É por meio dela que é realizada a avaliação do desempenho dos serviços e produtos da organização� 5. os subsistemas constituem as partes do sistema pelos quais se desenvolvem as atividades interde- pendentes e interatuantes� Assim sendo, dentro da organização, cada uma das atividades pode ser vista como um subsistema� Sendo considerada um sistema aberto, podemos entender que uma organização recebe influências do ambiente; dessa forma, é possível que se adapte e utilize dessas informações para melhorar seu de- sempenho no mercado de atuação e também para promover estratégias mais adequadas ao seu nicho de mercado� Mas, ao mesmo tempo, ela é capaz de influenciar o meio, fazendo com que seus consumi- dores – e até mesmo seus concorrentes – atuem em conformidade com tendências ou oportunidades promovidas pela análise dos dados obtidos do meio ambiente� É muito importante para a sobrevivência de uma or- ganização que o ambiente seja permanentemente monitorado; assim, ela poderá se antecipar aos acon- tecimentos e promover uma maior competitividade em relação aos demais concorrentes� O ambiente empresarial é dinâmico e nele atua, constantemente, grande quantidade de forças de diferentes dimensões e naturezas, e em direções diversas que mudam a cada momento, pelo fato de cada uma delas inter- 30 ferir, influenciar e interagir com as demais forças do ambiente, influenciando diretamente o desempenho e a atuação de vendas das organizações� Ou seja, conhecer o meio ambiente e entender como é pos- sível utilizar as informações e dados obtidos como ferramenta estratégica são diferenciais para garantir uma maior sobrevivência ao mercado de atuação. O microambiente e macroambiente de uma Organização Daft (2002) define o ambiente organizacional como sendo todos os elementos que existem fora dos li- mites da organização e que têm o poder de afetá- -la como um todo ou parte dela� Para Hall (1984), o ambiente organizacional é considerado como todos os elementos ou fenômenos que são externos à or- ganização e, consequentemente, a influenciam. O ambiente em que as organizações estão inseridas é constituído de participantes (microambiente) e forças externas a ela (macroambiente) que afetam a capacidade da administração de desenvolver e man- ter bons relacionamentos com seus clientes-alvo� Cada ambiente oferece: tanto oportunidades quanto ameaças – fazendo-se importante o entendimento de cada uma delas, individualmente, e o seu próprio papel no todo� 31 O ambiente no qual a organização atua é considerado um componente importante na tomada de decisões e ações organizacionais, de acordo com Miles e Snow� Eles apontam em seu estudo que um ambiente é considerado relevante quando criado pelos toma- dores de decisão� Nesse caso, estamos tratando do microambiente, que é formado pelo capital humano presente na organização; e do macroambiente, no qual os gestores utilizam as informações externas para a tomada de decisões mais apropriadas para a organização� Miles destaca que o estudo do ambien- te externo se baseia na distinção entre o ambiente geral e o ambiente específico, conforme apresentado na figura abaixo. Concorrentes MICROAMBIENTE MACROAMBIENTE Clientes Variáveis econômicas Variáveis sociais Variáveis legais Variáveis demográficas Variáveis ecológicas Variáveis culturais Variáveis políticas Variáveis tecnológicas Fornecedores Agênciasreguladoras ORGANIZAÇÃO Figura 6: A organização e seus micro e macroambiente. Fonte: Elaboração própria. 32 Para que uma organização atinja seu principal obje- tivo – que é atrair e reter clientes – ela precisa, em primeiro lugar, promover a construção de relaciona- mentos por meio da criação de valor ao seu produto para que, assim, consiga a satisfação desses clien- tes� O fato para que isso ocorra é necessário� Antes de ter um produto inédito, uma inovação ou quaisquer outros benefícios a serem ofertados, a organização necessita promover a integração entre os elementos do microambiente� Mas o que é Microambiente de uma organização? Kotler e Armstrong (2003) exemplificam que “o mi- croambiente consiste em forças próximas à empresa que afetam sua capacidade de servir seus clientes”� Os elementos que formam o microambiente são: a) a administração da empresa b) os fornecedores c) os clientes d) os concorrentes e) a comunidade f) os funcionários g) os acionistas Todos esses elementos de uma organização espe- ram algo e nutrem certa expectativa com relação à sua atuação� As expectativas são divididas em externas e internas� Segundo Moreira (2001), as ex- 33 pectativas externas são geradas pela comunidade,clientes e fornecedores; e as internas são resultan- tes do público interno da empresa: os acionistas, a direção e os funcionários em geral� Ainda de acordo com Kotler e Armstrong (2003), a organização e todos os outros participantes operam em um macroambiente maior, que oferece oportu- nidades e impõem a elas ameaças� A organização deve estar devidamente preparada para atuar e se adaptar às mudanças, com informações provenien- tes do macroambiente, por meio de monitoramento, pesquisa e análises� É necessário que as organizações entendam que o macroambiente e todos os seus componentes, forças econômicas, demográficas, sociais, culturais, tecnológicas, legais e políticas são incontroláveis; porém, se a organização conseguir prever as mudan- ças, poderá transformar essa ação em uma grande oportunidade estratégica organizacional� No ambiente de vendas é muito importante entender a especificidade de cada força do macroambiente, de forma que elas possam contribuir com as tomadas de decisões estratégicas da organização� Compreenda melhor esses conceitos: • Força Demográfica: Consiste no estudo da popu- lação humana em termos de tamanho, localização, idade, sexo, raça, ocupação e outros dados estatís- ticos� Esses dados são vitais para uma ação estra- tégica e uma tomada de decisão de vendas, pois 34 podem direcionar a organização aos fatos que, até pouco tempo, não eram considerados� Por exemplo: o aumento da expectativa de vida da população no Brasil� Esse dado fez com que as organizações co- meçassem a considerar produtos e serviços mais específicos a cada indivíduo. • Força econômica: o ambiente econômico consis- te em fatores que afetam o poder de compra e o padrão de consumo das pessoas� Para a área de vendas, essa força é de extrema importância, pois subsidia informações sobre o poder de compra dos consumidores� • Força físico-natural: o ambiente físico-natural abrange os recursos naturais utilizados pelas em- presas como insumos e matérias-primas, que são afetados pelas atividades da empresa� Nesse caso, é importante ressaltar a informação como fonte de mudança de posicionamento de algumas organiza- ções, promovendo assim ações estratégicas para agradar o público consumidor� Por exemplo: o fato de restringir o uso de sacolas plásticas e a adequação de embalagens que não agridem o meio ambiente� • Força política: os planos da empresa podem ser fortemente afetados pelos acontecimentos no am- biente político� O ambiente político afeta diretamente tomada de decisões por meio de determinações e legislações� Adequando-se a fatores estratégicos, a área de vendas poderá adequar suas decisões em conformidade a esses fatores e criar uma posi- 35 ção estratégica frente aos demais concorrentes de mercado� • Força cultural: a cultura exerce influência no com- portamento e na preferência dos compradores. As pessoas crescem em determinada sociedade, que molda seus valores básicos� Dessa forma, elas incor- poram uma visão de mundo que define seu relacio- namento com os outros. A preferência por produtos pode variar de região para região, dependendo da formação e da cultura das pessoas, que optam por um determinado tipo de produto em detrimento de outro� Ou ainda exercer uma força sobre outras regi- ões, quando tratada como inovação ou tendência. As novelas televisionadas também utilizam de fatores regionais e abrangem uma região geográfica muito grande, por meio de sua exposição; esse fato pode acelerar o processo de expansão de determinado consumo de produto, ou mesmo exercer uma mu- dança significativa de comportamento. • Força tecnológica: atualmente, é sem dúvida a força mais significativa a interferir na vida dos con- sumidores em geral� A tecnologia gera benefícios por meio de produtos como notebooks e smartphones e serviços como internet e bancos digitais� Além de mudar consideravelmente a forma como compramos e vendemos, atualmente a tecnologia vem mudando setores inteiros� Por exemplo, os bancos digitais, que oferecem serviços sem tarifas, colocando em xeque a atuação das instituições financeiras tradicionais, que têm à sua frente o desafio de se reinventar. 36 O ambiente oferece às organizações várias opor- tunidades de crescimento; mas também pode re- presentar uma ameaça� Por isso, o monitoramento constante e a análise dos fatores e informações é primordial para qualquer tomada de decisão na or- ganização, sobretudo na atuação de vendas� Influências ambientais na atividade de vendas – O Papel da Área de Vendas Nenhum negócio consegue se manter em equilíbrio competitivo se não souber como vender e para quem vender� Dessa forma, é possível atribuir às vendas o status de um fenômeno interdependente e interdis- ciplinar, envolvendo todos os departamentos de uma organização e também as influências do ambiente em que a organização está inserida como negócio� De acordo com Cobra (2005), a venda é o eixo do negócio, pois impulsiona a empresa para resulta- dos positivos, ressaltando a importância do plane- jamento estratégico para influenciar seus clientes a retornarem no futuro, por estarem satisfeitos com o atendimento atual� Chiavenato (2004) define que vender nada mais é do que ajudar o cliente a levantar suas necessidades e influenciá-lo, de modo que este venha a fechar o negócio, colocado à venda como um processo ana- lítico e sistemático� Já para Futrell (2014a), venda refere-se ao modo que é feita a comunicação para 37 convencer um cliente potencial a comprar alguma coisa, seja ela um bem ou um serviço que atenda às suas necessidades� A área de vendas, assim como qualquer outra área, sofre diretamente influência da filosofia da organização� Mas a questão é: O que vem a ser a Filosofia Organizacional? A filosofia de uma organização é resultante da mis- são da organização que, por sua vez, é o propósito da sua existência. A área de vendas é o reflexo do posicionamento que a organização assume perante o seu mercado de clientes� A grande questão na aplicação do conceito do papel da área de vendas no cenário atual é determinar o que é necessário para incentivar os potenciais clien- tes a realizar uma compra de sucesso e, ao mesmo tempo, como a organização poderia se destacar no mercado de concorrentes que atuam no mesmo segmento que o seu� Os grupos de clientes-alvo, as condições gerais do mercado e a concorrência do negócio são a base de análise de atuação da área de vendas, que por meio de planejamento e um plano organizado, permite determinar quais as vantagens e benefícios específicos que a empresa pode oferecer aos clientes com seus produtos e serviços, buscando assim uma forma de retê-los e fidelizá-los. Determinar ações estratégicas permite que os clien- tes sejam comunicados dos benefícios oferecidos 38 e que saibam distinguir aquela empresa de seus concorrentes� Consequentemente, com essa boa comunicação, os vendedores também poderão atingir suas metas de vendas� Atualmente, a área de vendas é muito influenciada pe- los conceitos de marketing que baseiam suas ações em uma vertente atrelada ao conceito de venda estra- tégica, ou seja, a área de vendas se sustenta em uma estratégia global, em que benefícios são ofertados aos clientes de que forma que este perceba o valor agregado e o diferencial em relação às ofertas dos seus concorrentes; não se tratando apenas de uma venda real, mas de uma forma de entregar muito mais do que o esperado pela compra inicial� Dessa forma, é possível determinar qual o tipo de cliente poderá concluir a compra por meio da oferta de um benefício� Para Kotler (2006), é essencial saber identificar as ansiedades e desejos dos clientes para então almejar suas mentes, corações e espíritos; não somente sa- tisfazer suas necessidades básicas, mas ampliá-las de forma que nunca mais ele esqueça sua marca, produto ou empresa� Sendo assim, a área de vendas consegue estabelecer parâmetros que sugerem caminhos que devem serseguidos, e determinar como o seu produto deve se comportar no mercado� De nada adianta uma orga- nização possuir uma estrutura física de fazer inveja aos seus concorrentes, estar mais bem localizada, ou mesmo ter o maior investimento em ações, sem que 39 tudo isso seja realizado com estratégia e, principal- mente, se as vendas não estiverem satisfatórias� O foco do papel de vendas deve ser: estar atento para que o seu produto seja o melhor do mercado em todos os parâmetros: qualidade, disponibilidade, en- trega, pós-venda, distribuição e que ele corresponda a tudo aquilo que foi dito� Dessa forma, a organização e seus objetivos terão destaque frente a quaisquer adversidades do mercado� REFLITA Quando organizações buscam ser competitivas apenas no preço baixo de seus produtos, preci- sam reduzir o custo de qualquer maneira; inclu- sive achatando o salário de suas equipes� Essa prática pode levar a perda de profissionais es- senciais para o negócio� Utilizar a estratégia de diferenciação, por exemplo, um atendimento per- sonalizado torna os seus clientes tão satisfeitos que eles não se importam em pagar um valor maior, devido ao valor agregado gerado� 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Vender já foi considerada uma arte e hoje é um pro- cesso científico que envolve a organização e todos que estão de alguma forma comprometidos com os objetivos e resultados almejados por esta, sendo, ba- sicamente, um processo social que evoluiu de acordo com as necessidades de mercado e das organiza- ções� Hoje está intimamente ligada às necessidades do público consumidor, bem como suas expectativas e anseios de acordo com a região, público ou cultura� Vender significa entregar algo a alguém que apre- senta uma certa necessidade ou desejo, ou muito mais que isso. Vender significa entender o ambien- te onde as organizações estão inseridas e a partir destas análises promover estratégias, articulações e linguagens que venham ao encontro dos fatores apresentados como relevantes, levando em conside- ração fatores como competitividade e saúde finan- ceira� As organizações são sistemas abertos que interagem, adequam-se, adaptam-se e também pro- vocam mudanças. A existência de uma organização no mercado está condicionada aos relacionamentos praticados para com seus stakeholders� Portanto, é necessário que exista o reconhecimento da influência que os mesmos exercem sobre as organizações, na medida em que este fato pode interferir nas ações e na gestão estratégica praticadas por elas� É cres- cente a percepção que estratégias bem formuladas 41 e adequadamente implantadas constituem-se em elementos fundamentais para que as organizações sejam bem-sucedidas e alcancem seus objetivos e metas organizacionais propostas, bem como desen- volvam um posicionamento acerca das influencias do ambiente� 42 INTRODUÇÃO A ADMINISTRAÇÃO DE VENDAS • Por volta de 5.000 A.C a humanidade fazia trocas, escam- bo. O metal foi usado pela primeira vez como moeda. • Em 1.500, no Brasil, os portugueses praticam escambo com os índios, provocando mudanças no ambiente. • Entre os anos de 1700 e 1800, há Snake Oil Selling. Com a Revolução Industrial, muitos vendedores começaram a vender sonhos, enganando seus clientes. • Em 1752 Benjamin Franklin funda uma empresa de se- guros. Alguns anos depois, o segmento de seguros separa as equipes entre Hunters e Farmers. • Em 1886 o modelo Piramid Selling é criado por John Patterson, que ficou conhecido por tornar as vendas uma profissão reconhecida. • Em 1916, no Primeiro Congresso de Vendas, nos EUA, os vendedores eram encorajados a buscar a confiança dos consumidores, no modelo Trust Based Selling. • Em 1924, a IBM é pioneira e começa a dar treinamento para vendedores, comissões diferenciadas e contratam os profissionais mais promissores assim que saem da facul- dade. • Em 1929, depois da Grande Depressão, muitas pessoas se tornaram vendedores porta a porta, utilizando a emoção para vendas, já que não possuíam treinamento ou habili- dade para vender. Esse tipo de venda ficou conhecido como Mood Selling. • A partir de 1930 o rádio é usado para vendas, fortalecen- do a marca das empresas, o que ficou conhecido como Brand Based Selling. • Em 1936 é lançado o livro “Como fazer amigos e influen- ciar pessoas”, de Dale Carnegie. • Entre as décadas de 1950 e 1960 a TV começou a ser usada fortemente para vendas e o modelo AIDA começa a ser utilizado em 1954 como uma metodologia de vendas. • Em 1988 o SPIN selling foi proposto por Neil Rackham, desenvolvendo o conceito de Venda Consultiva. • Em 1993, Mike Bosworth lança o livro Customer Centric Selling, orientando os vendedores a se aproximarem de seus prospects para ajudá-los antes de buscar vender. • Nos anos 2000, há a ascensão das empresas “.com” e vendas pela internet. • Em 2005, inicia-se o boom do inbound marketing, metrifi- cando todos os processos de marketing. • Em 2011, Aaron Ross lança seu livro Predictable Revenue, abrindo espaço para o retorno em grande estilo do out- bound sales. No mesmo ano, o livro The challenger sales: take control of the customer conversation, de Matthew Dixon e Brent Adamson, foi lançado. • Em 2012 a IBM inicia uma estratégia de Social Selling, que se mostra de sucesso e abre o caminho para outras em- presas aplicarem a técnica. • Em 2015 há o surgimento dos Sales Hackers, unindo vendas e tecnologia, especialmente no mercado de SaaS. Síntese Referências Bibliográficas & Consultadas ALVAREZ, F� J� M�; CARVALHO, M� R� Gestão eficaz da equipe de vendas: venda mais adequando sua equipe aos clientes. São Paulo: Editora Saraiva, 2008 [Minha Biblioteca]. BARRET, R. Libertando a Alma da Empresa: como transformar a organização numa entidade viva. São Paulo: CULTRIX, 2000. CASTRO, L. T.; NEVES, M. F. Administração de vendas: planejamento, estratégia e gestão. São Paulo: Atlas, 2012 [Minha Biblioteca]. CHIAVENATO, I. Administração nos Novos Tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CHIAVENATO, I. Gestão de vendas: uma abordagem introdutória. 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