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Lesões elementares Modificações do tegumento cutâneo causadas por processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios, neoplásicos, transtornos do metabolismo ou por defeito de formação. Para a avaliação de lesões elementares, empregam-se a inspeção e apalpação. As lesões elementares classificam-se em: • Alterações de cor • Elevações edematosas • Formações sólidas • Coleções líquidas • Alterações da espessura • Perda e reparações teciduais. Alterações de cor (mancha ou mácula) A mancha ou mácula corresponde à área circunscrita de coloração diferente da pele normal, no mesmo plano do tegumento e sem alterações na superfície. As manchas ou máculas dividem -se em: pigmentares, vasculares, hemorrágicas e por deposição pigmentar. 1. Pigmentares São pigmentares quando decorrem de alterações do pigmento melânico. Subdividem-se em três tipos: • Hipocrômicas e/ ou acrômicas: resultam da diminuição e/ou ausência de melanina. Podem ser observadas no vitiligo, pitiríase alba, hanseníase; algumas vezes são congênitas, como no nevo acrômico e no albinismo. • Hipercrômicas: dependem do aumento de pigmento melânico. Exemplos: pelagra, melasma ou doasma, manchas hipercrômicas dos processos de cicatrização, manchas hipercrômicas da estase venosa crônica dos membros inferiores, nevos pigmentados, melanose senil. Os nevos são muito frequentes, têm aspecto variável e aparecem em qualquer idade. O nevo tuberoso ou "verruga mole" é uma pequena saliência roxa, geralmente pilosa, localizada, na maioria das vezes, no rosto. Efélides são as manchas de sarda. • Pigmentação externa: substâncias aplicadas topicamente que produzem manchas do cinza ao preto. Exemplos: alcatrões, antralina, nitrato de prata, permanganato de potassio. 2. Vasculares Decorrem de distúrbios da microcirculação da pele. São diferenciadas das manchas hemorrágicas por desaparecerem após digitopressão/puntipressão ou vitropressão. As manchas vasculares subdividem -se em: telangiectasias e manchas eritematosas ou hiperêmicas. a) Telangiectasias Dilatações dos vasos terminais, ou seja, arteríolas, vênulas e capilares. Ex: telangiectasias venocapilares e aranhas vasculares. b) Mancha eritematosa ou hiperêmica Decorre de vasodilatação, tem cor rósea ou tom vermelho-vivo e desaparece à digitopressão ou à vitropressão. É uma das lesões elementares mais encontradas na prática médica. 3. Hemorrágicas São também chamadas "sufusões hemorrágicas" e, como já foi mencionado, não desaparecem pela compressão, diferentemente dos eritemas. De acordo com a forma e o tamanho, subdividem-se em três tipos: a) Petéquias: quando puntiformes e com até 1 em de diâmetro b) Víbices: quando formam uma linha. Esse termo também é empregado para lesão atrófica linear. c) Equimoses: quando são em placas maiores que 1 em de diâmetro. 4. Deposição pigmentar Pode ser por deposição de hemossiderina, bilirrubina (icterícia), pigmento carotênico (ingestão exagerada de mamão, cenoura), corpos estranhos (tatuagem) e pigmentos metálicos (prata, bismuto). Elevações edematosas Elevações causadas por edema na derme ou hipoderme. Enquadra-se a lesão urticada ou tipo urticária, que correspende a formações sólidas, uniformes, de formato variável (arredondados, ovalares, irregulares), em geral eritematosas, e quase sempre pruriginosas, resultando de um edema dérmico circunscrito. A afecção mais frequentemente responsável por este tipo de lesão é a própria urticária. 1. Urtica: elevação efêmera, irregular, de tamanho e cor variável do branco-róseo ao vermelho pruriginosa, resulta do extravasamento de plasma com formação de edema dérmico. 2. Angioedema: área de edema circunscrito, que pode ocorrer no subcutâneo, causando tumefação. Formações sólidas Resultam de processo inflamatório ou neoplásico, atinge isoladamente ou conjuntamente epiderme, derme e hipoderme. 1. Pápula: lesão sólida, circunscrita, elevada e menor que 1 cm. 2. Placa: lesão elevada, de superfície geralmente plana, maior que 1 cm, pode apresentar superfície descamativa, crostosa ou queratinizada, pode ser formada pela confluência de pápulas. 3. Nódulo: lesão sólida, circunscrita, saliente ou não de 1 a 3 cm de tamanho. 4. Tubérculos: Elevações sólidas, circunscritas, de diâmetro maior que 1,0 cm, situadas na derme. A consistência pode ser mole ou firme. A pele circunjacente tem cor normal ou pode estar eritematosa, acastanhada ou amarelada (Figura 15.15); geralmente desenvolvem cicatriz. São observadas na sífilis, tuberculose, hanseníase, esporotricose, sarcoidose e tumores. 5. Nodosidade ou tumor: lesão sólida, circunscrita e maior que 3 cm, o termo tumor é utilizado preferencialmente para neoplasia. 6. Goma: nódulo ou nodosidade que se liquefaz na porção central, podendo ulcerar e eliminar material necrótico. 7. Vegetação: Lesão sólida e pedunculada, com aspecto de couve-flor e superfície friável. 8. Verrucosidade: Lesão sólida, elevada, de superfície dura e inelástica, formada por hiperqueratose. (tubérculo) Coleções Líquidas Lesões de conteúdo líquido que pode ser serosidade, sangue ou pus. 1. Vesícula: elevação circunscrita de até 1cm, com conteúdo claro (seroso) que pode se tornar turvo (purulento) ou rubro (hemorrágico). 2. Bolha ou Flictena: difere-se da vesícula apenas pelo tamanho, que é maior que 1cm. 3. Pústula: elevação de até 1cm e de conteúdo purulento. 4. Abscesso: possui tamanho variável, é formado por coleção purulenta da pele ou tecidos subjacentes. Sinais flogísticos podem estar presentes: edema, dor, rubor, calor. 5. Hematoma: formada por derrame de sangue na pele ou tecidos subjacentes, difere-se da equimose por haver alteração de espessura. Pode infectar e haver presença de sinais flogísticos, e o conteúdo hemorrágico pode tornar-se purulento. Alterações da espessura 1. Queratose: espessamento da pele por aumento da camada córnea, tornando-se áspera e com a superfície amarelada. 2. Liquenificação: espessamento da pele com acentuação dos sulcos e da cor própria, apresentando aspecto quadriculado. 3. Edema: aumento de espessura, depressível, cor da própria pele ou rósea-avermelhada por extravasamento de plasma. 4. Esclerose: alteração da espessura com aumento da consistência da pele, tornando-se lardácea ou coriácea. A pele pode estar espessada ou adelgaçada, havendo hiper ou hipocromia associadas. Resulta de fibrose do colágeno. 5. Atrofia: diminuição da espessura da pele. Ocorre redução do número e volume dos constituintes teciduais. 6. Espessamento ou infiltração: Traduz-se por aumento da consistência e da espessura da pele que se mantém depressível, menor evidência dos sulcos da pele, limites imprecisos. O exemplo mais sugestivo é a hanseníase virchowiana. Perdas e Reparações teciduais Lesões oriundas da eliminação ou destruição patológicas e de reparações em tecidos subcutâneos. 1. Escama: massa furfurácea, micácea ou foliácea que se desprende da superfície cutânea por alteração de queratinização. Se apresentarem o aspecto de farelo são denominadas furfuráceas, e, quando em tiras, laminares ou foliáceas. 2. Exulceração: perda superficial somente de epiderme. Pode ser traumática, quando recebe o nome de escoriação, ou não traumática. 3. Ulceração: perda circunscrita de epiderme e derme, podendo atingir hipoderme e tecidos subjacentes. Tal fato a diferencia da escoriação. Outra diferença entre essas duas lesões é que a ulceração deixa cicatriz. 4. Fissura: perda linear da epiderme e derme, no contorno de orifícios naturais ou em áreas de pregas e dobras. 5. Crosta: concreção de cor amarela, esverdeada ou vermelha escura, que se forma em área de perda tecidual. Resulta do dessecamento da serosidade, pus ou sangue misturado a restos epiteliais. 6. Escara: Porção de tecido cutâneo necrosado, resultante de pressão isolada ou combinada com fricção e/ou cisalhamento. A área mortificada torna-se insensível, tem cor escura e é separada do tecido sadio por um sulco. O tamanho é muito variável, desde o da cabeça de alfinete até o de placas enormes. Ocorre principalmenteem idosos e imobilizados 7. Cicatriz: lesão de aspecto variável, pode ser saliente ou deprimida, móvel ou aderente. Não possui poros ou anexos cutâneos. Resulta da reparação de processo destrutivo da pele, associado a atrofia, fibrose e discromia. Queloide é uma formação fibrosa rica em colágeno saliente, de consistência firme, róseo-avermelhada, bordas nítidas, frequentemente com ramificações curtas. Pode ser espontâneo ou, o que é mais frequente, secundário a qualquer agressão à pele (intervenção cirúrgica, queimadura e ferimentos).