Prévia do material em texto
Tuberculose doença infecto-contagiosa, crônica, granulomatosa (Proveniente do acúmulo de macrófagos que se englobam entre si → cél gigante multinucleada) e necrosante causada pelo bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR). patógeno principal - Mycobacterium tuberculosis (também chamado de Bacilo de Koch (BK)) forma + comum: pulmonar mas também acometimentos extra-pulmonares são frequentes - formas pleural, ganglionar, miliar, osteomuscular .. AGENTE ETIOLÓGICO M. tuberculosis tem características contra imunidade aeróbio, parede celular rica em lipídeos ↓ permeabilidade aos ATB e ↑ sobrevivência no interior de macrófagos cél pequena→ dificulta eliminação Faz um envelopo → ↑ capacidade de latência por anos Sobrevive em ambientes úmidos, aglomerações ↓ socieconômico + susceptíveis TRANSMISSÃO Via aérea. Bacilífera (TB pulmonar/laríngea e escarro +) elimina bacilos que ficam suspensos no ar. forma pulmonar + importante - frequentemente pcte capaz de transmitir o bacilo. Podendo infectar 10- 15 em 1 ano se ñ tratar. Após início do tto, transmissão cai gradualmente. 15 dias de tto já não elimina o bacilo BK faz escarro para confirmar que não está mais bacilífero e tirar do isolamento FISIOPATOLOGIA INFECÇÃO PRIMÁRIA 1º contato c/ BK → tentativa de reação imune pela fagocitose (p/ controle da infecção). No entanto, bactéria é resistente ao fagossomo e -- sua maturação → impede destruição e consegue multiplicar-se → fica na forma latente e dissemina de forma oculta pelo corpo INFECÇÃO POSTERIOR Há ativação dos receptores da imunidade inata ao bacilo resposta Th1 montada (após 3 semanas) → produção IFN- gama → + destruição do macrófago infectado → destruindo M. tuberculosis macrófagos se diferenciam em “histiócitos epitelioides” → se agregam → granulomas Na maioria resposta acontece antes que destruição tecidual provoque danos maiores Em alguns infecção progride → resposta gera focos necróticos 2-13 semanas após a infecção primária, a imunidade adaptativa específica consegue controlar a replicação bacteriana Após infecção primária, 95% dos indivíduos entrarão em estado de latência, mantida pelo sistema imunológico competente. Estado de imunodepressão → reativa TB. reativação em hospedeiro com imunidade pré-existente → resposta inflamatória intensa, com formação de granulomas caseosos e– caso o pulmão esteja envolvido – de cavitação pulmonar APRESENTAÇÃO CLÍNICA Tuberculose Pulmonar depende do estágio (doença primária, pós-primária ou miliar), localização e imunidade sintomas clássicos: febre vespertina (tarde), tosse, sudorese noturna e emagrecimento 1ª (FASE AGUDA) ocorre logo após contato com o bacilo (+ comum em crianças) Febre baixa, sudorese noturna e inapetência - difícil diagnóstico PÓS-PRIMÁRIA/2ª + em adolescentes e jovens Pode haver febre vespertina/noturna (< 38,5ºC) e NÃO é acompanhada de calafrios. Aspecto de emagrecimento/doença crônica podem estar presentes no EF Quando micobactéria se prolifera → tosse seca ou produtiva. Tosse arrastada (pelo menos 3 semanas) Se tosse produtiva - expectoração é mucoide ou purulenta, c/ ou s/ sangue. Ausculta: pode ter ↓ do murmúrio vesicular, sopro anfórico MILIAR padrão de acometimento pulmonar, podendo ocorrer nas formas primária e secundária + em imunossuprimidos apresentação clínica: aguda ou subadguda. 80% febre, astenia, emagrecimento, sudorese norturna e tosse exame físico: pode aparecer hepatomegalia (30%), acometimento do SNC (30%) e alterações cutâneas eritemato-pápulo-máculo-vesiculosas (menos comum) RX do tórax - opacidades bilaterais múltiplas e pequenas, denominadas “infiltrados miliares”. Tuberculose Extra-Pulmonar 20% das TB em HIV-negativo são formas extra-pulmonares ÁREAS ENDÊMICAS: comum associada c/ TB pulmonar. Mais crianças e jovens adultos ÁREAS NÃO-ENDÊMICAS: + comum de forma isolada. + idosos e representando reativação da doença sintomas: dependem do foco, órgão ou sistema atingido. As principais formas diagnosticadas em nosso meio são: TUBERCULOSE PLEURAL + comum de TB extra-pulmonar em indivíduos s/ HIV Cursa frequentemente com dor torácica pleurítica (sintoma + comum de derrame pleural) 70% - Astenia, perda ponderal e anorexia 60% - febre com tosse seca Dispneia se tempo maior de evolução + derrame pleural volumoso exame físico: macicez à percussão e ruídos respiratórios diminuídos Rx de tórax: frequentemente derrame pleural unilateral baciloscopia e cultura do líquido -- EMPIEMA PLEURAL TUBERCULOSO cavidade tuberculosa rompe → extravasar para o espaço pleural → frequentemente líquido no espaço pleural e pneumotórax baciloscopia e cultura do líquido + TUBERCULOSE GANGLIONAR PERIFÉRICA + frequente de TB extra em HIV ↑ subagudo dos linfonodos (de forma indolor e assimétrica) das cadeias cervicais anterior e posterior, bem como supraclavicular Em coinfectados com HIV, há maior tendência a acometimento de linfonodos bilateralmente exame físico: linfonodos endurecidos ou amolecidos, aderentes entre si e ao plano profundo, podendo flutuar ou fistulizar espontaneamente, inflamando a pele subjacente TUBERCULOSE PERICÁRDICA apresentação clínica é subaguda e geralmente não está associada à tuberculose pulmonar, embora possa ocorrer simultaneamente com a forma pleural. Dor torácica, tosse seca e dispneia Febre, emagrecimento, sudorese norturna, astenia, tontura e - por conta da disfunção das câmaras cardíacas direitas gerando congestão - edema de MMII, dor em hipocôndrio direito e aumento do volume abdominal - por disfunção das câmaras direitas secundária à disfunção pericardiocentese e a biópsia são métodos diagnósticos disponíveis TUBERCULOSE ÓSSEA + em crianças ou indivíduos entre os 30 e 40 anos localizações + acometidas: coluna vertebral e as articulações coxofemoral e do joelho TB da coluna vertebral (mal de Pott) - 1% dos casos de TB, além de 50% dos casos de TB óssea coluna torácica baixa e lombar são as mais frequentemente acometidas QC: dor lombar, dor à palpação local e sudorese noturna TUBERCULOSE GASTROINTESTINAL febre, dor abdominal e sangramento gastrintestinal ou obstrução diagnóstico é suspeitado em áreas endêmicas para TB e HIV ou pelo achado de TB em outro local A biópsia intraluminal dos sítios envolvidos é usada para estabelecer o diagnóstico DIAGNÓSTICO BACTERIOLÓGICO Importante para diagnóstico e acompanhamento dos confirmados. Principais métodos utilizados em nosso país: EXAME MICROSCÓPICO DIRETO - BACILOSCOPIA DIRETA: pesquisa do BAAR (bacilo álcool-ácido-resistente), pelo método de Ziehl-Nielsen, é a técnica mais empregada em nosso meio diagnostica de 60% a 80% dos casos de TB pulmonar em adultos indicação Sintomático respiratório suspeita clínica ou radiológica de TB pulmonar; Acompanhamento e controle de cura em casos confirmados baciloscopia + e QC de TB juntos fecham diagnóstico e autoriza início do tto. TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA TUBERCULOSE: indicado p/ diagnóstico de tuberculose pulmonar e laríngea em adolescentes e adultos identifica o DNA dos bacilos do complexo M. tuberculosis pela técnica de PCR em tempo real Também detecta resistência à rifampicina (ATB usado no tto). Indicação Diagnóstico TB pulmonar e laríngea em adolescentes e adultos Diagnóstico extra-pulmonares Triagem de resistência à rifampicina em casos de retratamento ou com suspeita de falência ao tratamento Amostras para realização do teste: escarro, escarro induzido, lavado broncoalveolar, lavado gástrico, líquor, gânglios linfáticos e outros tecidos. Cultura para micobactéria,identificação e teste de sensibilidade RADIOLÓGICO TUBERCULOSE PRIMÁRIA: presença do BK no parênquima pulmonar → promove formação de um processo inflamatório granulomatoso, que pode se manifestar como uma opacidade (nódulo ou consolidação) chamada nódulo de Ghon + nos lobos superiores A partir disso → pode progredir para necrose caseosa e disseminação broncogênica. Cavidades, consolidações, massas, nódulos ou opacidades reticulo-nodulares podem ser as apresentações radiográficas da doença. presença de bacilos ou de suas proteínas devido à disseminação pode acometer a pleura ou pericárdio, com derrame pleural - que pode ser visto no raio-x - e derrame pericárdico TUBERCULOSE PÓS-PRIMÁRIA: alterações semelhantes à forma anterior, com predileção por lobos superiores e partes superiores dos lobos inferiores Nódulos, massas e cavitações podem aparecer com a confluência de granulomas múltiplos Com a cura → essas cavidades cicatrizam → calcificações ou retrações do parênquima As cavidades também podem permanecer com as paredes mais finas, representando sequela ou inatividade do processo específico HISTOPATOLÓGICO Formas pulmonares difusas e formas extrapulmonares podem requerer diagnóstico histopatológico identificação de granuloma com necrose de caseificação é compatível com o diagnóstico de tuberculose Se granuloma sem necrose - diagnóstico deve ser bem pensado, considerando que outras patologias podem simular outras doenças granulomatosas (sarcoidose e silicose) A busca de bacilos nos fragmentos utilizados também é de utilidade. Em pacientes muito imunocomprometidos, a identificação do granuloma pode ser dificultada e, nesses casos, o achado de bacilos contribui fortemente para o diagnóstico Como a certeza diagnóstica é dada pela cultura e posterior identificação da espécie, um ou dois fragmentos da biópsia devem, sempre que possível, ser armazenados e enviados para cultura DIAGNÓSTICO DE INFECÇÃO LATENTE PELO M. TUBERCULOSIS (ILTB) Quando saudável é exposto pelo M. tuberculosis, ele não necessariamente irá se infectar. E ainda que infectado, saudáveis ficam sem desenvolver doença por anos (com imunidade parcial ao bacilo) - infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB). Atinge 1/4 população mundial. Esses não têm sintomas nem transmitem, mas alguns testes específicos acusarão a infecção pelo BK Antes de confirmar a ILTB, exclui-se primeiramente a TB ativa (por história clínica + exames clínico e radiológico) Isso porque 5% das pessoas infectadas vão adoecer na primo- infecção; e mais 5% delas conseguirão controlar o bacilo a princípio, mas anos depois irão desenvolver a doença ativa. O maior risco de adoecimento se concentra nos 2 primeiros anos da infecção ENTÃO, mas esta pode ficar latente por um período bem maior antes de manifestar-se Só rastrear aqueles que se beneficiarão do tto da tuberculose latente! Vejamos quais são: DIAGNÓSTICO PELA PROVA TUBERCULÍNICA (PPD) mede-se a resposta imune celular a um derivado proteico purificado do M. tuberculosis, inoculado intradermicamente. A prova tuberculínica não serve como diagnóstico nem para exclusão de adultos com suspeita de TB. Serve de avaliação de possível ILTB em adultos. Dez anos após a vacina da BCG, apenas 1% das provas tuberculínicas positivas serão devidas à vacinação. Logo, é muito mais provável que um adulto que tenha uma prova tuberculínica positiva se trate de um caso de ILTB, mesmo ele tendo sido vacinado quando bebê. DIAGNÓSTICO PELO IGRA: detecção de interferon gama em amostras de sangue Células anteriormente sensibilizadas pelo agente da tuberculose produzem ↑ níveis de interferon-gama. Além disso, segmentos genômicos ausentes na vacina BCG e em outras micobactérias foram utilizados para o desenvolvimento desse método, aumentando a especificidade para o M. tuberculosis. quantifica células T efetoras específicas que foram ativadas após exposição aos antígenos do M. tuberculosis. indicado na avaliação de ILTB de adultos. Por ser um exame mais caro, não está disponível no SUS TRATAMENTO DA TUBERCULOSE CONCEITOS QUE IRÃO FACILITAR NOSSO ENTENDIMENTO SOBRE O MECANISMO DE AÇÃO E O OBJETIVO DOS MEDICAMENTOS PROPOSTOS PARA A TB ATB utilizados no tto da TB interferem na maquinaria enzimática ou bloqueiam a síntese de algum metabólito essencial à sobrevivência do bacilo. Fármacos só atuam onde existe metabolismo, ou seja, onde a infecção está ativa, e não latente. Estes serão destruídos pelo sistema imunológico do indivíduo O bacilo depende de oxigênio e seu metabolismo se intensifica a depender da quantidade do gás presente na região. Na cavitação pulmonar, ↑ O2, pH neutro e substâncias nutritivas - maior quantidade de bacilos e adquirem resistência mais facilmente. em granulomas, o2 é escasso e, o pH, menos favorável → crescimento bacilar adquire um caráter mais intermitente no interior dos macrófagos, ↓ O2 e o pH é acido, além de haver os mecanismos de defesa do hospedeiro → multiplicação é lenta e os bacilos são latentes. É por conta dessas populações que o tratamento da tuberculose precisa ser bem longo 2 FASES: fase intensiva e a fase de manutenção INTENSIVA: objetivo ↓ consideravelmente população bacilar MANUTENÇÃO: visa à eliminação de bacilos latentes ou persistentes e ↓ da chance de recidiva. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS ESQUEMAS E QUAIS REMÉDIOS OS COMPÕEM? Esquema básico: para casos novos e retratamento – sendo este a recidiva após cura ou reingresso após abandono. Válido para todas as formas de tuberculose, em coinfectados por HIV ou não – com exceção da tuberculose meningoencefálica e osteomuscular. Temos 4 fármacos principais RIPE/ RHZE: rifampicina(R), isoniazida (I/H), pirazinamida (P/Z) e etambutol (E) No esquema básico, faremos 2 meses de RIPE/RHZE e 4 meses de RI/ RH. atuação dos medicamentos depende da localidade e ambiente (onde o bacilo se encontra). Nos bacilos intramacrofágicos, agem os medicamentos que melhor se difundem em pH ácido e meio intracelular: rifampicina, pirazinamida e etambutol Lesões caseosas, rifampicina é o mais efetivo e, por fim, nas cavitações, a rifampicina, estreptomicina e isoniazida são mais efetivas devido ao pH do meio