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Tuberculose Epidemiologia ➔ Tuberculose é uma doença é uma das doenças mais antigas da humanidade e está disseminada por todo o mundo, entretanto, atualmente tem maior incidência e mortalidade em países mais pobres, pois tem como fatores de riscos individuais a baixa renda famílias, baixo nível educacional, situação habitacional precária e dificuldade no acesso ao sistema de saúde. ➔ Existe atualmente dois riscos no mundo para a TB o Coinfecção TB-HIV/AIDS o Bacilo multi-droga resistente ➔ Brasil: se encontra em uma situação intermediaria o Infecção para HIV – média o Infecção para TB – média o Infecção TB-HIV/AIDS – média ➔ Amazonas – estado com maior incidência de Tuberculose no brasil ➔ Observações epidemiológicas importantes o Transmissão do M. tuberculosis acontece através de gotículas que são expelidas por indivíduos infectados com tuberculose pulmonar infecciosa → transmissão por aerossóis. o Pacientes cujo exame de escarro contém BAAR visível à microscopia têm maior tendência a transmissão – Indivíduos com TB ativa; o Pacientes mais infectantes apresentam doença pulmonar cavitaria ou mais raramente tuberculose laríngea. o Indivíduos que apresentam coinfecção de TB e HIV tem menor tendencia de apresentar cavitações e podem ser menos infectantes. o Aglomerações e contato continuo com o bacilo – grandes fatores de risco o Fatores exógenos – representam o maior risco da infecção por M. tuberculosis. o Fatores endógenos – representam o maior risco para o desenvolvimento da doença; → defesas imunológicas; o Tuberculose primária – doença clínica que ocorre diretamente após a infecção; ▪ Acomete principalmente crianças em seus primeiros anos de vida e indivíduos imunodeprimidos; ▪ Apesar de muito disseminada, não está associada a uma alta transmissibilidade o Tuberculose secundária ou pós-primária – desenvolvida a partir da ativação de bacilos latentes presentes no organismo ▪ Devido à frequente ocorrência de cavitações é mais comumente infectante – tem maior transmissibilidade; o Indivíduos com HIV tem maior risco de reinfecção, principalmente se residem em áreas com altas taxas de transmissibilidade; Etiologia ➔ Agente causador – Mycobacterium Tuberculosis o Características: ▪ Bacilo imóvel que não esporula ▪ Capsula lipídica ▪ Ácido-álcool resistente ▪ Aeróbio – transmissão aerógena – via ar contaminado com aerossóis (partículas respiratórias pequenas, menores que 5mm, que são expelidas por tosse, espirro, respiração ou fala) ▪ Parasita celular facultativo ▪ Crescimento lento – capacidade de multiplicar-se dentro de macrófagos ▪ Dormência por um longo tempo ▪ Resistência a agentes químicos ▪ Sensível a agentes físicos Patogenia ➔ Imunopatogenia o Processo de transmissão do bacilo ➔ A maioria dos bacilos aspirados são retidos nas vias respiratórias superiores e expelidos pelas células mucosas ciliadas (imunidade inata) ➔ Uma fração > 10% penetra e avança para os alvéolos ➔ Na transmissão aerógena, somente as partículas-núcleos com um ou dois bacilos, que se comportam como gases, alcança os alvéolos onde o bacilo, em geral, invade um novo hospedeiro → Nidação alveolar ➔ Após inalados, aqueles bacilos que escapam das defesas inatas seguem em direção aos alvéolos pulmonares, local mais propicio para sua sobrevivência; ➔ Dentro dos alvéolos a principal frente de defesa contra os bacilos são os macrófagos pulmonares; ➔ Entretanto os bacilos conseguem penetrar dentro da membrana dos macrófagos e sobreviver dentro dessas células, devido algumas moléculas presentes em sua parede celular. Uma vez dentro dessas células eles começam a “atrapalhar” a fagocitose de outros bacilos impedindo que o fagossomo se funda com as vesículas de lisossomos. ➔ Todos os mecanismos de defesa desencadeados pelos macrófagos levam um processo de inflamação intenso crucial para o controle da infecção; ➔ A inflamação é mediada por moléculas solúveis – citosinas – que a função de recrutar outras células do sistema imunológico inato para o local da inflamação. ➔ Os macrófagos também fazem a sinalização para os linfócitos através do MHC 1 e 2 e do TCR. ➔ Portanto, segundo essa concepção, a doença acontece: o Na infecção inicial, devido a um número excessivo de bacilos e/ou fatores que diminuem a capacidade de resposta imune do hospedeiro. Nesses casos não há o estabelecimento de um equilíbrio parasita/hospedeiro; o Posterior a infecção inicial por quebra do equilíbrio parasita/hospedeiro; o Por reativação endógena, com o rebaixamento da resposta imune local ou sistêmica e/ou provável aparecimento de ceptas mutantes de bacilos mais virulentas com maior capacidade de multiplicação; o Reinfecção exógena, com números excessivos de bacilos associados, ou não, a imunodeficiência; Manifestações clínicas ➔ Infecção inicial ou primo-infecção o Apresenta manifestações radiológicas comuns ▪ Nódulos periféricos calcificados (nódulos de Gohn) ▪ Estrias que se dirigem para o hilo (linfangite) ▪ Alargamento dos linfonodos da região o É em geral, clinicamente irrelevante e de difícil reconhecimento; o Mais comum na infância – nessa fase raramente é cursa com mal-estar e febre baixa; o A grande maioria dos indivíduos não apresenta sintomas ou qualquer evidência de tuberculose. o infecção permanece latente indefinidamente ou até ocorrer reativação; ➔ Tuberculose primária o É desenvolvida em pacientes com bixa resistência ou com desconhecimento imunológico do bacilo; o É uma tuberculose paucibacilifera – baixa contagem de bacilos – praticamente não contagiante – de gravidade variável e de difícil diagnóstico; o Maior incidência em crianças – manifestações variadas – oligossintomática ▪ Febre moderada, geralmente vespertina, acompanhada de sudorese noturna ▪ Com perda ou ganho de peso; o Geralmente só se suspeita de tuberculose primária em crianças, quando o tratamento para pneumonia bacteriana não está apresentando melhoras – importante valorizar na história o contato com adulto tuberculoso. o Achados radiológicos importantes ▪ Cavitações primárias; ▪ Linfonodomegalia mediastinal e hilar – aumento mediastinal e dos hilos pulmonares; ▪ Consolidações, opacidades homogêneas ou algodonosas, de distribuição unifocal, segmentar ou lobar, mais comum nos lobos médios e inferiores; ▪ Pequeno derrame pleural Complexo bipolar de Ranke ▪ Padrão miliar ▪ Espituberculose – síndrome do lobo médio – atelectasia crônica do lobo médio com episódios de pneumonia e sintomas respiratórios recorrente ➔ Tuberculose pós-primária o É chamada também de tuberculose secundária ou reativa o Acomete exclusivamente adultos o Sintomas constitucionais mais frequente: ▪ Inapetência; ▪ Febre baixa vespertina; ▪ Sudorese noturna; ▪ Astenia; ▪ Adinamia; ▪ Cefaleia; ▪ Irritabilidade; ▪ Tosse, inicialmente seca e posteriormente produtiva, de evolução arrastada; • Expectoração purulenta ou mucoide; ▪ Dor torácica ventilatório dependente; ▪ Hemoptise e escarros hemoptoicos – ocorrem em pelo menos um quarto dos pacientes; o Exame físico ▪ Muitos pacientes não apresentam anormalidades detectáveis ao exame de tórax ▪ Em alguns casos, principalmente, após a tosse pode encontrar-se estertores nas áreas acometidas durante a inspiração ▪ Também em alguns casos encontram se roncos – obstrução brônquica parcial – e sopros anfóricos clássicos nas áreas de grandes cavitações. o Exame de imagem ▪ Lesões nos segmentos apicais, posteriores dos lobos superiores ou no segmento posterior do lobo inferior ▪ Consolidação heterogênea ou de natureza confluente ▪ Cavitações, múltiplas ou únicas ▪ Nota: a presençade cavidades, sem nível hidroaéreo, associada a lesões exsudativas, de localização superior e posterior, compõe uma característica radiológica sugestiva de tuberculose pulmonar; Diagnostico ➔ Detecção de casos o Busca ativa poderá ser realizada com baciloscopia ou TRM-TB o Tempo de tosse na população geral (3 semanas) ➔ Exames a serem realizados o Baciloscopia o T. tuberculínico o RX de tórax ➔ Como diagnóstica o Avaliar ▪ A possibilidade de ocorrência – antecedentes epidemiológicos, contato íntimo, grupo de risco, sintomáticos respiratórios o Identificar ▪ Diagnóstico etiológico – baciloscopia, cultura, tipagem, biologia molecular o Considerar ▪ Busca de rastros do bacilo – clínica, radiologia, teste tuberculínico, histopatologia, exames imunológicos. o Critérios clínicos no diagnóstico de TB pulmonar ▪ Antecedentes epidemiológicos (contágio) – cerca de 20 a 40% dos doentes adultos ▪ Sintomas gerais – febre vespertina, sudorese noturna, perda de apetite e de peso ▪ Sintomas respiratórios – tosse inicialmente seca, depois produtiva, dispneia, dor torácica, hemoptise e rouquidão. o Bacteriologia Nota: atualmente já se usa o PCR – ampliação do material genético, não necessitando de um bacilo inteiro, apenas uma parte Possui uma positividade de 100 vezes mais precisa o Teste tuberculínico – PPD Interpretação ➔ Condutas e procedimentos o Ativa: busca de casos (sintomas respiratórios) o Passiva: procura voluntária (suspeita clínica) o Bacteriologia de escarro ▪ Direto – baciloscopia ▪ Cultura – escarro negativo o Exames auxiliares ▪ Radiologia pulmonar ▪ Teste tuberculínico o Outros exames complementares: ▪ RX extratorácico, TC de Torax ▪ Cultura (TP-TS) – Anatomopatologia ▪ Marcadores biológicos ▪ Imunológicos e outros Tratamento ➔ Características importantes do bacilo para quimioterapia o Aeróbio restrito – para que as drogas atuem o bacilo deve estar em multiplicação, essa multiplicação é favorecida pela alta oferta de O2. ▪ População em crescimento cavitário – destruída principalmente pela INH (isoniazida), RMP (Rifampicina) e SM (Estreptomicina) fármacos com ação bactericida, além disso, são destruídos pela ação esterilizante da RMP e da PZA (pirazinamida). ▪ População extracelular – RMP e INH ▪ População intracelular – PZA + RMP + EMB (etambutol) o Crescimento lento o Alta percentagem de mutantes resistentes Nota: associação de medicamentos menor resistência do bacilo ➔ Crescimento bacilar e fases de tratamento ➔ Princípios gerais do tratamento da tuberculose 1. Associação medicamentosa – proteção cruzada para evitar a resistência bacilar 2. Regime prolongado e bifásico ▪ Fase de ataque – redução da população bacilar ▪ Fase de manutenção – eliminação de persistentes 3. Tratamento regular (adesão) ▪ Proteção de resistência adquirida ▪ Garantia de cura duradoura da doença ➔ Esquema atuais para tratamento da TB