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AULA 3 - TUBERCULOSE CONCEITOS INICIAIS Agente infeccioso → causada por qualquer uma das sete espécies de micobactérias que fazem parte do complexo Mycobacterium tuberculosis mais importantes: M. tuberculosis (bacilo de Koch) e o M. bovis (é a espécie utilizada na BCG também incluem: M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae → são resistentes a diversos antibióticos e também aos álcool-ácidos (etanol + ác clorídrico) - BAAR ficam avermelhados na coloração de Ziehl-Neelsen → dependem de oxigênio para seu metabolismo - as cavidades apresentam as condições ideais para essa proliferação → além da tuberculose, causam hanseníase e infecções por Micobactéria de Crescimento Rápido MCR Epidemiologia → é uma das dez principais causas de óbito no mundo e a principal causa de morte por um único agente infeccioso → doença grave, porém curável em praticamente 100% dos casos → os tratamentos são eficazes, mas o tempo de tratamento é muito longo reduz fontes de infecção e o impacto da doença na comunidade avanço no tratamento pelas pesquisas relacionadas ao HIV - é o que mais mata a partir do momento que a doença é tratada, a carga bacteriana no ambiente é reduzida redução da pressão seletiva - mecanismos de resistência AULA 3 TUBERCULOSE 1 15 dias de medicação - se torna paucibacilífero - não transmite mais → para que ocorra a transmissão é necessário o agente infeccioso modo de transmissão - através de aerossóis ou vertical (rara) suscetibilidade - cerca de 5% das pessoas que tiveram contato com o bacilo que vão desenvolver a doença → acomete principalmente países em desenvolvimento → demora para o diagnóstico - na suspeita de tuberculose, não use quinolonas As quinolonas são antibióticos frequentemente usados para tratamento de pneumonia, podem também ser usados para tuberculose. a pneumonia bacteriana é um diagnóstico diferencial da tuberculose, logo, se você prescrever levofloxacino para um paciente que na verdade tem tuberculose, há risco dele ser parcialmente tratado e até de desenvolver uma tuberculose resistente → caso novo = doente que nunca foi tratado ou que usou drogas antituberculínicas por menos de 30 dias - não gera imunidade duradoura → Doença de Notificação compulsória (qualquer profissional da saúde habilitado pode fazer) PATOGENIA Transmissão → pela via aérea através da geração de aerossóis - falar, tossir, espirrar também chamadas de gotículas de Flügge pode se manter em suspensão por muitas horas recomenda-se manter o ambiente arejado, com circulação de ar e com entrada de luz solar (o bacilo é sensível à luz natural) só são transmissíveis as formas laríngea e pulmonar → transmissão vertical (raro) AULA 3 TUBERCULOSE 2 mães com tuberculose, mesmo não bacilíferas, podem transmitir a doença para o neonato por via placentária ou através do líquido amniótico contaminado, que pode ser aspirado/ingerido pelo neonato quem mais transmite a doença são aqueles com a forma pulmonar cavitária e enquanto a baciloscopia estiver positiva Patogênese → após o contato com o bacilo, existem três desfechos diferentes: eliminação imediata da micobactéria desenvolvimento da doença primária controle da infecção com latência do bacilo no organismo � doença primária pessoa doente (bacifílero) elimina os aerossóis no ambiente → pessoa suscetível inala essa partícula, que chega até os alvéolos o sistema imune inato tenta combater a infecção → eliminação ou profileração os bacilos proliferam dentro dos macrófagos, que podem migrar para outros tecidos (TB extrapulmonar) atraem outros macrófagos - granuloma (nódulo de Ghon ou foco primário) replicação bacteriana descontrolada - invasão de linfáticos e linfonodos - linfonodomegalia hilar com o passar dos anos, esse granuloma tende a calcificar - sequela o bacilo profilera até que a imunidade celular se desenvolva 2 a 10 semanas em 10% dos infectados, a imunidade celular não segura a infecção - destruição progressiva do parênquima pulmonar - necrose caseosa OU disseminação hematogênica AULA 3 TUBERCULOSE 3 🦠 OBS.: complexo de Ranke = linfonodomegalia hilar + nódulo de Ghon � reativação falha na imunidade celular - as bactérias dentro do granuloma voltam a se replicar Linfonodomegalia mediastinal (seta) e consolidação nos lobos médio e inferior direito (cabeça de seta) em um paciente de 6 meses de idade com tuberculose primária. Complexo de Ghon, caracterizado por lesão no parênquima pulmonar (seta), associado a linfonodomegalia hilar (cabeça de seta) Linfonodomegalia mediastinal AULA 3 TUBERCULOSE 4 🫁 fatores que aumentam o risco de reativação Infecção pelo HIV e AIDS; Diabetes mellitus; Desnutrição; Uso de imunossupressores como corticoides e inibidores do TNF- alfa; Pessoas vivendo em situações de rua e aquelas privadas de liberdade; Indígenas; Tabagismo � infecção latente pelo M. tuberculosis ILTB paciente entra em contato com o bacilo, mas não desenvolve a doença ocorre em 90% dos casos é identificada através de exames de rastreio de contato com a micobactéria (ex.: prova tuberculínica PPD QUADRO CLÍNICO Tuberculose pulmonar → é o órgão mais acometido pela tuberculose � TB pulmonar primária AULA 3 TUBERCULOSE 5 é mais frequente na infância, mas pode acometer adultos febre, sudorese noturna e inapetência a presença de sintomas respiratórios não é regra a febre é o sintoma mais comum Rx de tórax geralmente normal, mas se estiver alterada - complexo de Ranke � OBS.: crianças 10 anos são abacilíferas! � TB pulmonar secundária o principal sintoma é tosse seca ou produtiva, 2 a 3 semanas, com ou sem hemoptise febre vespertina sudorese noturna perda ponderal RX com imagens sugestivas lobo superior mais acometido (maior concentração de oxigênio) infiltrado lobar cavitações AULA 3 TUBERCULOSE 6 TC com padrão árvore em brotamento - nódulos centrolobulares com padrão “árvore em brotamento .ˮ São densidades ramificadas centrolobulares com pequenas nodulações nas extremidades, assemelhando-se ao aspecto em brotamento de algumas árvores AULA 3 TUBERCULOSE 7 complicações: pneumotórax (quando a cavidade alcança a pleura), hemoptise e a aspergilose pulmonar ( quando o Aspergillus infecta e se desenvolve na cavidade) Tuberculose miliar → o nome “miliarˮ refere-se à aparência da radiografia de tórax que parece que jogaram sementes de milho no pulmão → ocorre quando o bacilo alcança a corrente sanguínea e dissemina-se para vários órgãos → quadro arrastado, subagudo ou crônico → manifestações sistêmicas: febre, sudorese noturna, anorexia, perda ponderal e tosse → pode haver também hepatomegalia e acometimento do SNC → mais comum em PVHIV (em fase avançada de imunossupressão) Indica obstrução parcial de vias aéreas AULA 3 TUBERCULOSE 8 Tuberculose extrapulmonar → é uma reativação do bacilo que ficou latente → pode ocorrer em qualquer órgão do corpo pleura - local mais acometido na população em geral linfonodos PVHIV e crianças linfonodomegalia crônica e endurecida, aderente a planos profundos e que pode ter ponto de flutuação (fistulização espontânea) região cervical é a mais acometida SNC trato urogenital - uroculturas repetidas negativas, com piúria e urina ácida osso/coluna vertebral Mal de Pott) - é uma causa importante de espondilodiscite, por isso deve ser realizada biópsia dor lombar, dor à palpação local e sudorese noturna trato gastrointestinal AULA 3 TUBERCULOSE 9 pericárdio - pode causar pericardite constritiva - dor torácica, tosse seca e dispneia DIAGNÓSTICO LABORATORIAL � Baciloscopia consiste na pesquisa do bacilo através da coloração de Ziehl-Neelsen baciloscopia do escarro é a mais importante, pois permite encontrar as pessoas bacilíferas (que estão transmitindo) não é específico e tem uma sensibilidade mediana 60 a 80% é indicada: Nos sintomáticos respiratórios (tosse por mais de 3 semanas), duranteestratégia de busca ativa; Em casos suspeitos de TB pulmonar independentemente do tempo de tosse; Para controle de cura e acompanhamento de pacientes já com tuberculose confirmada � Teste rápido molecular TRM PCR para identificar o material genético do M. tuberculosis TRMTB também detecta a resistência à rifampcina sensibilidade de 90% e é específico para TB AULA 3 TUBERCULOSE 10 indicação Diagnóstico de casos novos de TB pulmonar e laríngea; Diagnóstico de TB extrapulmonar em outras amostras biológicas, como lavado broncoalveolar LBA, lavado gástrico, liquor, gânglios linfáticos e outros tecidos; Triagem de resistência à rifampicina nos casos de retratamento ou suspeita de falência do tratamento (baciloscopia positiva após dois meses de tratamento) não é indicado para controle de cura, pois também detecta bacilos mortos ou inviáveis � Cultura para micobactéria exame padrão-ouro para o diagnóstico de TB é mais sensível para a bacterioscopia e testa o perfil de sensibilidade para outros ATBs no entanto, é um exame muito demorado, podendo levar até 2 meses para sair o resultado indicação: Todo caso de diagnóstico de TB com TRM positivo; Todo caso suspeito de TB com TRM negativo e persistência do quadro clínico; Todo caso suspeito de TB em que não estiver disponível o TRM; Suspeita de infecção por MNT (micobactéria não tuberculosa); Persistência de baciloscopia positiva após o segundo mês de tratamento; Recidivas. � PPD (prova tuberculínica) inoculação intradérmica de antígenos do M. tuberculosis para medir a resposta imunológica contra eles AULA 3 TUBERCULOSE 11 seu resultado informa se o paciente teve contato com o bacilo ou não logo, em um paciente sem sintomas, mas com esse exame positivo, podemos dizer que ele tem ILTB. em criança, não deve ser feito, pois a vacina BCG pode causar um falso positivo TRATAMENTO Bases bacteriológicas → lesão pulmonar cavitária: condições ideais para o crescimento do bacilo boa oferta de O2 pH neutro presença de substâncias nutritivas = crescimento rápido rifampcina, isoniazida, etambutol e estreptomicina → granulomas - bacilos latentes crescimento do bacilo é intermitente baixa concentração de O2 pH neutro ou ácido pode haver acúmulo de CO2 e de ácido lático AULA 3 TUBERCULOSE 12 rifampcina, isoniazida (ação mais lenta) e pirazinamida → meio intracelular (macrófagos) - bacilos latentes crescimento bacilar lento pH ácido baixas concentrações de O2 Rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol → é por conta dos bacilos latentes que o tratamento deve ser prolongado Esquema básico → fase intensiva (ataque) - reduzir os bacilos e eliminar aqueles resistentes - administrar em jejum pela manhã durante 2 meses R - rifampicina I - isoniazida P - pirazinamida E - etambutol → fase de manutenção: feito com duas drogas e tem o objetivo de eliminar os bacilos latentes e evitar a recidiva - deve ser feito por 4 meses ou mais R - rifampicina I - isoniazida Efeitos colaterais Reações Menores Manejo Urina/suor avermelhados Corante da rifampicina - não necessita intervenção Sintomas gastrointestinais Trocar horário 2h após café) ou associar omeprazol (longe da medicação) Prurido e exantema leve Anti-histamínicos AULA 3 TUBERCULOSE 13 Neuropatia periférica Piridoxina (vit B6 Outros sintomas menores Dor articular, hiperuricemia, cefaleia e febre Reações Maiores por Medicamento: Medicamento Reações Graves Etambutol (etambutOLHO Neurite óptica, exantema ou hipersensibilidade Rifampicina RIMfampicina) Nefrite intersticial, trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia, anemia hemolítica, agranulocitose, vasculite, hepatotoxicidade colestática, exantema/hipersensibilidade Isoniazida Psicose, convulsões, encefalopatia tóxica, coma, hepatotoxicidade celular, exantema/hipersensibilidade Pirazinamida Hepatotoxicidade, rabdomiólise com mioglobinúria e insuficiência renal → no caso de hepatotoxicidade - interromper o tratamento se TGO/TGP 5 x LSN (sem sintomas TGI ou 3 x LSN (se sintomas dispépticos ou icterícia) Seguimento do tratamento Tipo de Seguimento Orientações Clínico Consultas mensais Bacteriológico - Baciloscopia mensal Expectativa de negativação após 2 semanas Se positiva após 2 meses: solicitar cultura com teste de sensibilidade Radiológico - Raio-X no segundo mês Raio-X ao final do tratamento Laboratorial No primeiro mês: - Teste HIV Glicemia Função renal AULA 3 TUBERCULOSE 14 Função hepática (atenção às transaminases) → recidiva: paciente tratou adequadamente e recebeu alta por cura mas desenvolveu novo quadro de tuberculose → abandono: suspensão do tratamento por mais de 30 dias consecutivos AULA 3 TUBERCULOSE 15