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• As demências são mais prevalentes na população idosa e, apesar de causas reversíveis, em sua maioria são processos neurodegenerativos progressivos e irreversíveis, de consequências desastrosas para indivíduo, familiares e sociedade as diferentes etiologias terão início, evolução clínica e marcadores biológicos distintos, embora possam compartilhar entre si algumas características clínicas e, até mesmo, coexistir no mesmo indivíduo. • FATORES DE RISCO: A maioria das demências se desenvolve por mecanismos fisiopatológicos multifatoriais portanto, são vários os fatores de risco envolvidos, modificáveis ou não, sendo alguns deles com maior especificidade para determinadas etiologias raramente, mutações genéticas específicas podem estar associadas ao desenvolvimento da demência. • HISTÓRIA CLÍNICA: Pela história clínica, podemos caracterizar o padrão de acometimento neuropsicológico, a velocidade de instalação dos sintomas, identificar fatores de risco, e rever as medicações em uso e afastar outras causas de distúrbio cognitivo. • A história clínica deve ser obtida diretamente com o paciente e com informantes qualificados (parentes, cuidadores). • As manifestações clínicas iniciais e sua evolução costumam fornecer dados relevantes para a formulação das hipóteses da etiologia mais provável e para a escolha dos exames complementares pertinentes. • Alguns casos de demência em fase inicial podem confundir-se até mesmo com o envelhecimento normal, pois o desempenho funcional ainda pode estar relativamente bem preservado. • O diagnóstico pode ser dificultado em casos com apresentação clínica atípica, início dos sintomas em idade abaixo dos 65 anos, velocidade rápida de progressão ou comprometimentos cognitivos isolados nesses casos, avaliações mais extensas podem ser necessárias. • Também é preciso estar atento a possíveis armadilhas que podem induzir ao erro no diagnóstico das demências. • EXAME NEUROLÓGICO: No diagnóstico diferencial de uma síndrome demencial, o exame neurológico é mandatório e fundamental para a definição etiológica. • Nas demências corticais, em geral, este se mantém normal até a fase tardia de doença, com preservação de marcha, tônus, postura e reflexos nas demências frontossubcorticais, a função motora é geralmente comprometida nas fases iniciais. • Disfunção autonômica: A disfunção autonômica é mais comumente vista na demência com corpos de Lewy e na doença de Parkinson (DP), mas também pode estar associada a doenças priônicas e à atrofia de múltiplos sistemas (AMS), que é caracterizada por disfunção autonômica, parkinsonismo e disfunção cerebelar. • Alterações oculares e visuais: Dentre as síndromes demenciais associadas a anormalidades dos movimentos oculares está a doença de Huntington (DH) e a paralisia supranuclear progressiva (PSP). • A DH está associada ao comprometimento das sacadas, exigindo a movimentação compensatória da cabeça. Já na PSP, podem ocorrer distúrbios de visão (diplopia, borramento visual, fotofobia), sacadas lentas e hipométricas, convergência anormal, incapacidade de conter o reflexo vestibulocular e, principalmente, alentecimento da abertura e do fechamento dos olhos. • A oftalmoparesia supranuclear é característica da doença e está relacionada com a perda dos movimentos verticais dos olhos. • A opsoclonia (movimentos oculares rápidos e involuntários, irregulares, não estereotipados) pode ser encontrada em pacientes com encefalite pós-viral ou nas síndromes paraneoplásicas. • Distúrbios piramidais: Sinais piramidais (neurônio motor superior), como espasticidade, hiperreflexia e sinal de Babinski, são comuns em doenças cerebrovasculares e também podem ser vistos em pacientes com demência frontotemporal, atrofia de múltiplos sistemas e lesões estruturais do sistema nervoso central. • Parkinsonismo: O parkinsonismo é definido pela presença de dois dos seguintes sinais: tremor de repouso, bradicinesia e rigidez esses sinais são inespecíficos e podem ser encontrados na doença de Parkinson, na demência com corpos de Lewy, na paralisia supranuclear progressiva, na atrofia de múltiplos sistemas, no parkinsonismo vascular e na hidrocefalia de pressão normal (HPN) também podem ocorrer na fase avançada da doença de Alzheimer e da demência frontotemporal. • Sinais cerebelares: A disfunção cerebelar pode estar associada à ataxia da marcha e é proeminente na demência relacionada com o álcool e a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) a variante cerebelar da atrofia de múltiplos sistemas é caracterizada por nistagmo, dismetria apendicular e ataxia da marcha juntamente à disfunção autonômica. • Neuropatias: Evidências de neuropatia podem ser vistas em condições sistêmicas associadas à demência, tais como: alcoolismo, diabetes, disfunção renal, deficiência de vitamina B12 e síndromes paraneoplásicas. • Distúrbios da marcha: Demências com alteração precoce da marcha incluem: demência na doença de Parkinson, demência vascular, demência com corpos de Lewy e hidrocefalia por pressão normal. • Mioclonias: São comuns na DCJ e também podem ser encontradas na doença de Alzheimer e na degeneração corticobasal. • CLASSIFICAÇÃO: Uma vez estabelecido o diagnóstico de demência, a próxima etapa é a definição etiológica é importante classificar as demências de acordo com o seu potencial de reversibilidade (reversíveis ou irreversíveis), a fim de que o tratamento para o primeiro grupo seja instituído prontamente. • Antigamente, as demências eram geralmente classificadas em corticais (afasia, apraxia, agnosia e amnésia) ou subcorticais (bradifrenia, distúrbios do humor e alterações da personalidade). • Entretanto, por ser insuficiente, essa divisão dicotômica tem sido criticada, já que algumas formas de demência, como a frontotemporal, podem apresentar padrão misto, afetando tanto estruturas corticais quanto subcorticais. • Outra forma de classificação, com base na fisiopatologia, distingue as demências em degenerativas e não degenerativas as degenerativas estão associadas a processos patológicos que causam danos cerebral progressivo, como a doença de Alzheimer, a doença de Creutzfeldt-Jakob e a demência na doença de Parkinson as demências não neurodegenerativas são aquelas decorrentes de lesão cerebral, como acidente vascular encefálico (AVE) e traumatismo cranioencefálico. • Porém, essa classificação está sujeita a diferentes interpretações, por exemplo, a demência vascular pode representar uma causa óbvia de demência não degenerativa, entretanto, alguns questionam o fato de que a doença aterosclerótica subjacente à demência vascular represente, na verdade, um processo degenerativo. • DEMÊNCIAS POTENCIALMENTE REVERSÍVEIS: Aproximadamente 10% das demências podem ser reversíveis. • Embora existam controvérsias acerca do real potencial de reversibilidade de algumas etiologias, essas patologias devem ser sempre identificadas e tratadas a relação das possíveis causas de demências tratáveis é extensa e engloba uma série de transtornos clínicos, neurológicos e psiquiátricos. • Por uma questão didática, Maletta (1990) propôs uma divisão em três grandes subcategorias demências com comprometimento estrutural do sistema nervoso central (SNC): hidrocefalia de pressão normal (HPN), lesões expansivas (neoplasias, hematoma subdural) e doenças infecciosas do SNC condições médicas gerais: medicamentos, carências nutricionais, distúrbios hidreletrolíticos, transtornos endócrinos, doenças sistêmicas, intoxicação por metais pesados transtornos psiquiátricos: principalmente a depressão maior. • DEMÊNCIAS RAPIDAMENTE PROGRESSIVAS: As demências rapidamente progressivas são caracterizadas por um intervalo menor do que 2 anos entre a instalação dos sintomas e o diagnóstico de demência ou a morte. • É frequente o acometimento de indivíduoscom idade inferior a 65 anos, e as possibilidades etiológicas costumam ser mais amplas do que nas demências de início tardio por esse motivo, o processo investigativo contempla uma bateria mais ampla de exames. • Nos centros de referência de doenças priônicas, a proporção da doença de Creutzfeldt-Jakob tende a ser maior porém, em estudo realizado em um centro de demências, as causas mais frequentemente diagnosticadas foram as demências por causas reversíveis (27%) (tóxicometabólicas, autoimunes, vasculites, infecciosas), seguidas por doença de Alzheimer (18%), demência frontotemporal (16%) e doença de Creutzfeldt-Jakob (13%). • DEMÊNCIAS DEGENERATIVAS E NÃO DEGENERATIVAS: • Doença de Alzheimer: A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa de causa e patogênese incertas, que afeta principalmente idosos e corresponde a aproximadamente 60% de todas as demências, sendo, portanto, a principal e mais prevalente dentre todas as causas. • Apresenta curso clínico tipicamente de início insidioso e deterioração progressiva a sobrevida após o diagnóstico varia entre 3 e 20 anos, com uma expectativa de vida média de 8 a 10 anos. • A manifestação clínica mais precoce e essencial da DA é o comprometimento da memória episódica, inicialmente para eventos recentes, embora existam exceções em formas atípicas da doença déficits em outros domínios cognitivos podem aparecer de forma concomitante ou subsequente ao déficit de memória. • A disfunção executiva e o comprometimento visuoespacial geralmente estão presentes em fases iniciais, enquanto as alterações da linguagem (afasia), apraxia e distúrbios comportamentais se manifestam mais tardiamente no curso da doença. • Ocasionalmente, a apresentação inicial da doença pode incluir distúrbios comportamentais, porém, a proeminência dessas alterações em relação às alterações cognitivas no início do curso da doença é incomum e deve motivar a busca por outras etiologias. • As características adicionais que diminuem a probabilidade de doença de Alzheimer incluem um início súbito, a presença de sinais neurológicos focais (hemiparesia, perda sensorial, déficits de campo visual, perda de coordenação) e a presença de alterações da marcha ou convulsões de início precoce. • Nas fases iniciais da DA, o exame neurológico é normal quando sinais motores piramidais, extrapiramidais, mioclonias e convulsões estão presentes, estes tipicamente ocorrem nas fases avançadas da doença. • Embora normalmente se apresente como uma síndrome amnéstica, existem variantes clínicas da DA esses casos atípicos podem representar grandes desafios, comprometendo a agilidade e a acurácia diagnóstica. • A atrofia cortical posterior consiste em uma dessas variantes e cursa com problemas visuoespaciais pode ainda estar associada a uma síndrome logopênica caracterizada por anomia e fluência verbal prejudicada. • Outra variante possível é a síndrome corticobasal (SCB) pode ser consequência não apenas da degeneração corticobasal (DCB), mas também de várias outras patologias subjacentes, inclusive DA. • O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer requer o exame histopatológico, o que raramente é realizado em vida portanto, o diagnóstico na prática é realizado a partir de critérios clínicos, que permitem um diagnóstico preciso em mais de 90% dos casos a DA deve ser suspeitada em qualquer idoso que se apresente com um declínio insidioso e progressivo da memória e de pelo menos alguma outra função cognitiva. • O papel dos exames laboratoriais e de neuroimagem é principalmente o de excluir outros diagnósticos existe uma série de biomarcadores para apoiar o diagnóstico de DA, mas a maioria ainda não tem aplicabilidade à prática clínica, porém, são recursos disponíveis que podem acrescentar confiabilidade adicional ao diagnóstico clínico e podem ser úteis em certas circunstâncias, como na investigação de pacientes com apresentações atípicas ou na doença de início precoce. • Degeneração lobar frontotemporal: A degeneração lobar frontotemporal (DLFT) consiste em um termo amplo para descrição de um grupo heterogêneo de distúrbios, caracterizados patologicamente pela atrofia progressiva dos lobos frontal e/ou temporal, que se manifestam por meio de três síndromes clínicas distintas: demência frontotemporal variante comportamental (DFTv), demência semântica (DS) e afasia não fluente progressiva (ANFP). • Geralmente é reconhecida como uma causa de demência pré-senil (< 65 anos), mas pode ser tão precoce quanto na terceira década (30 anos) ou tão tardia quanto na nona década (90 anos). • A degeneração lobar frontotemporal (DLFT), apresenta um componente genético substancial, com um padrão de herança autossômica dominante e/ou mutações causadoras de doenças identificadas em cerca de 10 a 20% dos casos e história familiar positiva em proporção maior. • A demência frontotemporal variante comportamental (DFTv), é caracterizada por um amplo espectro de manifestações fenotípicas que podem incluir declínio progressivo nas relações interpessoais, disfunção executiva, indiferença afetiva, e uma ampla variedade de comportamentos anormais, como desinibição, adinamia, obsessões, rituais, estereotipias e alterações do padrão alimentar. • A demência semântica (DS), é uma síndrome mais uniforme, caracterizada pela perda progressiva da memória semântica, geralmente afetando o conhecimento das palavras os pacientes comumente apresentam uma fala fluente, embora vazia de significado, com perda de vocabulário e disgrafia. • Um comprometimento semântico mais generalizado, com prejuízo das informações visuais (prosopagnosia, agnosia visual) e de outros domínios não verbais, geralmente sobrevém mais tarde no curso da doença. • A DS é associada à atrofia anteroinferior seletiva e assimétrica do lobo temporal, predominantemente do lado esquerdo, na maioria dos casos. • A afasia não fluente progressiva (ANFP) é caracterizada por uma perda progressiva da fluência, afetando inicialmente a fala e, posteriormente, as habilidades de aprendizagem. Geralmente, o discurso é não fluente, contendo erros articulatórios (discurso apráxico) e agramatismo. • As alterações precoces no comportamento e na personalidade e a disfunção executiva distinguem a DFTv da doença de Alzheimer entretanto, como a DA pode se apresentar de forma atípica por meio de uma síndrome logopênica, pode ser difícil o diagnóstico diferencial entre DLFT (afasia progressiva primária, DS) e DA em alguns pacientes. • Demência com corpos de Lewy: A demência com corpos de Lewy (DCL) é o segundo tipo mais comum de demência degenerativa, respondendo por 10 a 15% dos casos. • Clinicamente, a DCL é caracterizada por declínio cognitivo progressivo, acompanhado de sintomas característicos, como alucinações visuais complexas, atenção e cognição flutuantes e parkinsonismo de início precoce no curso da doença. • Características que apoiam a doença incluem a hipersensibilidade aos neurolépticos e distúrbios comportamentais do sono REM atenção, habilidades visuoespaciais e funções executivas encontram-se mais afetadas nos indivíduos com DCL em comparação aos portadores de DA além disso, alucinações visuais como sintomas iniciais são frequentes na DCL e também podem auxiliar no diagnóstico diferencial de DA. • Outras síndromes parkinsonianas: As síndromes parkinsonianas são doenças neurodegenerativas com características proeminentes extrapiramidais (bradicinesia, rigidez, instabilidade da marcha) com frequência essas síndromes estão também associadas a comprometimento cognitivo significativo. • Dentre as síndromes parkinsonianas estão a doença de Parkinson (DP), a paralisia supranuclear progressiva (PSP), a demência com corpos de Lewy (DCL), a atrofia de múltiplos sistemas (AMS) e a degeneração corticobasal (DCB). • Na doençade Parkinson (DP) - o comprometimento cognitivo tende a surgir pelo menos 1 ano após o início dos sintomas motores essa regra temporal tem sido utilizada para auxílio no diagnóstico diferencial entre DP e DCL. • A paralisia supranuclear progressiva (PSP) - é inicialmente caracterizada por oftalmoplegia supranuclear, instabilidade postural complicada por quedas e rigidez axial. • A atrofia múltiplos sistemas (AMS) - é caracterizada pela associação de parkinsonismo com disautonomia, disfunção cerebelar ou corticoespinal. • A degeneração corticobasal (DCB) - é uma síndrome clínica heterogênea que causa parkinsonismo assimétrico, distonia e sinais como apraxia, perda sensorial cortical ou membro alienígena. • Demência vascular: A doença cerebrovascular é a segunda causa mais comum de demência no idoso o aparecimento de demência no prazo de 3 meses após um acidente vascular cerebral e a deterioração da cognição em degraus são altamente sugestivos de demência vascular (DV). • O curso, pode ser bastante variável, e um início insidioso de alterações cognitivas com progressão gradual e sem histórico de acidente vascular cerebral ou evidências de lateralização neurológica também pode ser encontrado. • A apresentação clínica da DV dependerá, portanto, da localização e da causa das lesões cerebrovasculares. • Uma doença de grandes vasos leva comumente a infartos corticais (síndrome demencial cortical), enquanto uma doença de pequenos vasos causa isquemia da substância branca periventricular e infartos lacunares, levando à demência vascular isquêmica subcortical (DVIS), que consiste no subtipo mais comum e responsável por mais de 50% dos casos de DV. • Dependendo da localização das lesões, o padrão do déficit cognitivo poderá ser subcortical, cortical ou misto. • As demências de padrão subcortical, em geral, resultam em uma síndrome caracterizada por alterações frontais, disfunção executiva, comprometimento leve da memória, prejuízo da atenção, depressão, alentecimento motor, sintomas parkinsonianos, distúrbios urinários e paralisia pseudobulbar. • Nas demências de padrão cortical, as características cognitivas dependerão das áreas cerebrais afetadas para o diagnóstico de demência vascular deve haver evidências na anamnese, no exame físico e nos exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) de alterações compatíveis com doença cerebrovascular. • O diagnóstico é altamente sugestivo quando há predominância de disfunção executiva, sintomas neurológicos focais, síndrome pseudobulbar e início precoce do transtorno de marcha ou urgência urinária. • Os sinais neurológicos focais que podem ser encontrados na demência vascular incluem resposta extensora plantar, paralisia pseudobulbar, anormalidades da marcha, hiper-reflexia e paresia de uma das extremidades. • Demência mista: O termo demência mista é mais comumente aplicado à coexistência de doença de Alzheimer e demência vascular porém, outras patologias concomitantes também podem ocorrer em demência. • A doença de Parkinson está presente em 20% dos pacientes com DA, e aproximadamente 50% dos casos de demência com corpos de Lewy estão associados à doença de Alzheimer porém, o diagnóstico e o tratamento desses pacientes com patologia mista são complexos graças à ausência de critérios diagnósticos específicos. • As lesões vasculares nos pacientes com DA podem ser subestimadas e parecem estar associadas à deterioração clínica mais rápida. • A apresentação mais comum de demência mista é a de um paciente com sintomas e características clínicas típicas de DA que sofre piora abrupta, acompanhada pela presença de sinais clínicos de AVE. • Doença de Creutzfeldt-Jakob: A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é o protótipo das demências rapidamente progressivas consiste em uma doença causada por príons, que pode ser herdada geneticamente, adquirida como uma infecção, ou esporádica. • A DCJ esporádica corresponde à forma mais comum da doença (85% dos casos) e tem uma prevalência estimada em 0,5 a 1,5 caso por milhão, a idade média de início é 65 anos, e a duração média da doença é de 8 meses somente 4% dos pacientes sobrevivem por mais de 2 anos. • Embora rara, a DCJ deve ser reconhecida prontamente devido à possibilidade de transmissão através de instrumentos cirúrgicos contaminados ou transplante de órgãos. • Os critérios diagnósticos para a DCJ esporádica são baseados em sinais clínicos, presença de ondas periódicas trifásicas e assimétricas no eletroencefalograma, presença no liquor da proteína 14-3-3 e aumento de sinal nas sequências de difusão da ressonância magnética nas regiões do córtex, gânglios da base e pulvinar. • O padrão de progressão acelerada associado a mioclonia, ataxia de marcha e anormalidades visuais (defeitos de campo visual e alucinações visuais) no início do curso da doença deve sugerir DCJ. • À semelhança de outras doenças neurodegenerativas, no entanto, o diagnóstico de certeza requer confirmação histopatológica. • DEPRESSÃO E DEMÊNCIA: A depressão maior no idoso está associada frequentemente à deterioração cognitiva. • Déficits cognitivos leves na memória, na velocidade de processamento e no funcionamento executivo são particularmente comuns e, quando presentes, estão associados à pior resposta ao tratamento antidepressivo, além de maiores chances de recaída e de incapacidade funcional. • Um comprometimento cognitivo leve durante episódios depressivos não evolui para demência na maioria dos casos e tende a melhorar quando os sintomas depressivos são tratados os sintomas cognitivos graves parecem estar associados a um risco aumentado de demência subsequente. • A depressão geriátrica pode apresentar-se concomitante ou mesmo preceder às síndromes demenciais. • Alguns idosos podem desenvolver uma síndrome demencial (antigamente denominada “pseudodemência”) secundária à depressão, que pode ser revertida após remissão dos sintomas depressivos esses pacientes costumam se apresentar com uma depressão de início tardio grave e uma síndrome demencial leve. • Quando comparados aos pacientes deprimidos com doença de Alzheimer, os pacientes com depressão e “demência reversível” apresentam mais sintomas psíquicos e de ansiedade somática. • PADRÕES COGNITIVOS E COMPORTAMENTAIS: A determinação do padrão de disfunção cognitiva e comportamental apresentado na fase precoce da doença é fundamental para o diagnóstico e reflete as estruturas cerebrais inicialmente comprometidas. • Na doença de Alzheimer, o comprometimento da memória episódica é frequentemente o primeiro sintoma associado ao envolvimento precoce do córtex entorrinal e do hipocampo. • Desinibição, apatia e distúrbios emocionais caracterizam os primeiros estágios da demência frontotemporal com predominância da atrofia dos córtices anteromesial e orbitofrontal. • A demência semântica com atrofia da região temporal anterior esquerda é caracterizada por dificuldade de compreensão e discurso fluente embora sem conteúdo, ao passo que a atrofia perisylviana é em geral associada à afasia não fluente que está relacionada com o prejuízo da fluência verbal e com erros gramaticais. • Na degeneração corticobasal, o distúrbio visuoespacial, a apraxia de membros e a “síndrome da mão alienígena” refletem a atrofia dos lobos frontal e parietal. • A atrofia parieto-occipital está associada às alucinações visuais e aos distúrbios visuoespaciais na demência com corpos de Lewy. • As formas subcorticais de demência (demência vascular isquêmica subcortical, hidrocefalia por pressão normal, demência na doença de Parkinson), nas quais os circuitos frontossubcorticais estão em geral interrompidos, há o desenvolvimento de uma síndrome caracterizada por alentecimento motora a disfunção executiva associada aos lobos frontais. • Na demênciacom corpos de Lewy há um padrão de comprometimento de habilidades visuoespaciais, funções executivas e atenção mais proeminente do que na DA, enquanto o prejuízo da memória ocorre em menor intensidade. • Na variante frontal da degeneração lobar frontotemporal (demência frontotemporal), há melhor capacidade de retenção em tarefas de aprendizagem, com padrões distintos de fluência verbal, disfunção executiva mais acentuada e alterações marcantes do comportamento. • Já nas variantes temporais de degeneração frontotemporal, afasia progressiva e demência semântica, um pior desempenho na linguagem é tipicamente característico. • Quanto à demência vascular, os estudos sobre perfis neuropsicológicos têm primariamente focado na diferenciação entre DA e demência vascular subcortical esses estudos têm mostrado que pacientes com DV subcortical são mais comprometidos do que aqueles com DA em testes de função executiva, enquanto os pacientes com DA apresentam maior comprometimento da memória episódica. • MEMÓRIA: • Memória episódica: Uma comparação entre pontuações obtidas na evocação livre e na evocação com pistas é bastante útil no diagnóstico diferencial entre a doença de Alzheimer e outras demências enquanto os pacientes com distúrbios frontais (ex: demência frontotemporal) e de estruturas subcorticais (ex: demência vascular) tendem a se beneficiar por meio de pistas, o mesmo não acontece na doença de Alzheimer, na qual a evocação tardia está gravemente comprometida em consequência da atrofia do lobo temporal mesial. • Memória semântica: O comprometimento seletivo é típico da demência semântica. Esses pacientes apresentam pior desempenho na categoria fluência e nos testes de nomeação visual, quando comparados aos pacientes com DA e DFT. • FUNÇÃO EXECUTIVA: A predominância da disfunção executiva em relação ao comprometimento da memória episódica é típica de DFT (demência frontotemporal), DCB (degeneração corticobasal), DV (demência vascular) e DCL (demência de corpos Lewy) redução da fluência em testes, perseverações, redução da velocidade de processamento e defeitos na inibição de respostas automáticas podem ser causados por lesões frontais ou subcorticais. • HABILIDADES VISUOESPACIAIS: Pacientes com DCL e DCB apresentam particularmente um comprometimento das habilidades visuoespaciais sintomas neuropsiquiátricos como depressão, ansiedade, irritabilidade ou agitação estão presentes em 90% dos casos de demência, ainda nos primeiros anos após o diagnóstico. • Porém, essas alterações podem preceder em meses a anos os sintomas cognitivos e as perdas funcionais, como, por exemplo, na doença de Alzheimer o predomínio desses sintomas e a preservação inicial da memória podem indicar a presença de demência frontotemporal (desinibição, alterações de personalidade) ou doença com corpos de Lewy (alucinações visuais e delírios, com sintomas motores). • EXAMES LABORATORIAIS: Os exames recomendados para investigação etiológica de um quadro demencial incluem hemograma completo, eletrólitos, glicose, cálcio, ureia, creatinina, provas de função hepática, vitamina B12, ácido fólico, hormônios tireoidianos, sorologia para sífilis e anti-HIV para indivíduos com história de risco. • A punção lombar é indicada para casos de demência em indivíduos com menos de 55 anos, ou quando se suspeita de condições infecciosas, inflamatórias, autoimunes ou desmielinizantes. • A presença da proteína 14-3-3 no liquor é útil para o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob. • Os marcadores liquóricos na doença de Alzheimer (redução da proteína beta-amiloide e aumento da tau total e da tau fosforilada) podem auxiliar no diagnóstico mais precoce e preciso; porém, a baixa aceitação do procedimento de punção lombar por parte dos pacientes e a ausência de padronização laboratorial limitam o seu uso de rotina. • Biomarcadores plasmáticos na doença de Alzheimer poderão ter um papel no futuro para monitoramento terapêutico. • A testagem genética é raramente indicada e deve ser solicitada apenas após aconselhamento apropriado. • A testagem pode estar indicada na suspeita de doença de Huntington, arteriopatia cerebral autossômica dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia, doença de Alzheimer e demência frontotemporal. • NEUROIMAGEM: A neuroimagem estrutural por meio de ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC) é uma etapa necessária na investigação dos quadros demenciais. • Um dos principais objetivos da solicitação desses exames é descartar lesões intracerebrais que causem demência e possam ser potencialmente tratáveis, como hematoma subdural e hidrocefalia de pressão normal além disso, permitem o diagnóstico de infartos corticais, subcorticais e alterações da substância branca que possam justificar uma etiologia vascular, e podem evidenciar padrões de atrofia característicos de determinadas demências. • Como exemplo: A atrofia hipocampal e temporomedial são marcadores sensíveis e precoces da doença de Alzheimer, e a atrofia do lobo temporal anterior ou frontal pode ser vista nas demências frontotemporais. • A escolha de um dos métodos (TC ou RM) dependerá da disponibilidade local, das considerações de custo e das contraindicações, porém, a ressonância é um método mais sensível e, por esse motivo, é considerada como primeira opção em muitos serviços. • Outras técnicas em estudo para auxílio no diagnóstico das demências incluem mensurações volumétricas cerebrais, RM com difusão, RM com espectroscopia e RM de placas senis. • DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: O diagnóstico de síndrome demencial é principalmente clínico, baseado em avaliação objetiva do desempenho cognitivo e funcional entretanto, a identificação da causa de demência, depende de investigação complementar, constituída por exames laboratoriais e de neuroimagem estrutural (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio). • Em situações específicas, outros exames, como eletroencefalograma, exame do líquido cefalorraquidiano (LCR), exames de neuroimagem funcional (tomografia), entre outros, são também indicados. • A avaliação cognitiva inicial de indivíduos com suspeita de demência deve idealmente incluir testes de rastreio entre os diversos testes disponíveis, o Miniexame do Estado Mental (MEEM) é o mais empregado. • É um teste simples e de aplicação rápida (cerca de 5 a 7 min), com alta confiabilidade tanto intra quanto interexaminadores, que avalia orientação temporal e espacial, memória, atenção, cálculo, linguagem e habilidades construtivas as pontuações podem variar de 0 a 30 pontos, valores mais altos indicam melhor desempenho. • Instrumentos de rastreio alternativos para o diagnóstico de demência e que já foram avaliados em estudos no Brasil incluem ainda o teste de Informação-Memória-Concentração de Blessed, a bateria breve de rastreio cognitivo e a CASI-S. • É importante salientar que o desempenho no MEEM é fortemente influenciado pela escolaridade, recomendando o emprego de notas de corte diferenciadas conforme o nível educacional entretanto, não há estudo definitivo nesse sentido, e as notas de corte descritas na literatura variam conforme o estudo e a população avaliada. • AVALIAÇÃO INICIAL: A avaliação funcional em pacientes com suspeita de demência inicia-se na anamnese, buscando, por meio de entrevista com algum familiar que tenha suficiente contato com o paciente, evidências de que os déficits cognitivos acarretam interferência significativa sobre o desempenho do indivíduo em atividades da vida diária, seja nos âmbitos profissional, social, domiciliar ou de lazer. • Nas fases iniciais da demência, deve ser dada atenção às atividades instrumentais cotidianas, como gerenciamento das finanças, uso de aparelhos eletrodomésticos, ato de cozinhar, entre outras.• É recomendável também o emprego de algum questionário ou escala específicos para avaliação do desempenho funcional um exemplo de instrumento simples e de rápida aplicação é o questionário de atividades funcionais de Pfeffer, que inclui 10 questões voltadas principalmente para atividades instrumentais, as pontuações variam de 0 a 30, mas escores maiores indicam pior desempenho. • É um teste que não é influenciado pela escolaridade, e pontuações superiores a 5 pontos são indicativas de comprometimento funcional significativo. • Outra escala que também tem versão em língua portuguesa e que se revelou útil para o diagnóstico de demência em estudo brasileiro é a escala Bayer-ADL um estudo revelou que a combinação de uma escala funcional (como a escala Bayer-ADL) com um instrumento de rastreio cognitivo (como o MEEM) oferece elevadas sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de demência. • Outro aspecto importante na avaliação diz respeito ao estadiamento da síndrome demencial um dos instrumentos recomendados para uso é a escala CDR em 2011, o Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia publicou recomendações para a avaliação cognitiva e funcional no diagnóstico da doença de Alzheimer (DA), com base em revisão criteriosa da literatura, principalmente de estudos nacionais, embora destinada ao diagnóstico de DA em particular, as considerações são relevantes também para o diagnóstico de demência em geral. • INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS SÍNDROMES DEMENCIAIS: De forma simplificada, é possível classificar as causas de demência em dois grandes grupos: demências sem e com comprometimento estrutural do sistema nervoso central (SNC). • As demências sem comprometimento estrutural do SNC são decorrentes de transtornos de origem tóxica ou metabólica que ocorrem secundariamente a doenças sistêmicas (ex: doenças endócrinas, hepáticas ou renais) ou à ação de fármacos sobre o SNC (ex: substâncias anticolinérgicas, antipsicóticas, antiepilépticas ou hipnóticas) dessa forma, o diagnóstico etiológico nesse grupo de demências depende essencialmente de exames laboratoriais (identificação das demências metabólicas, muitas potencialmente reversíveis) e de história clínica detalhada, buscando relacionar o uso de determinados medicamentos com o aparecimento da síndrome demencial. • A lista de exames é relativamente ampla, pois a principal finalidade é evitar que demências potencialmente reversíveis deixem de ser identificadas e tratadas além disso, a realização desses exames laboratoriais também é justificada pela frequência elevada de comorbidades na população idosa, que podem estar presentes em pacientes com demências de diferentes etiologias, como degenerativa ou vascular. • Sífilis e AIDS, embora façam parte das chamadas demências secundárias, decorrentes de comprometimento estrutural do SNC, devem também ser investigadas por meio de exames laboratoriais pertinentes e pelo exame do LCR esse é um método diagnóstico importante na investigação etiológica de algumas formas específicas de demência rapidamente progressiva, as encefalopatias imunomediadas, por meio da detecção de anticorpos específicos. • Nos últimos anos, o exame do LCR tem se revelado um método bastante sensível e específico para o diagnóstico precoce da DA (mesmo no estágio de comprometimento cognitivo leve). • Outro exame complementar que está indicado em situações especiais é o eletroencefalograma, que pode ser útil no diagnóstico diferencial entre demência e estado confusional agudo (delirium), no diagnóstico de algumas encefalopatias metabólicas (particularmente na encefalopatia hepática), bem como na identificação de atividade epileptogênica subclínica e na doença de Creutzfeldt-Jakob (é uma desordem cerebral degenerativa rara e fatal caracterizada por rápida neuro-degeneração incapacitante, que provoca movimentos involuntários). • As demências secundárias decorrem de um conjunto variado de condições clínicas, como doença cerebrovascular, hidrocefalia, infecções e tumores nesses casos, o diagnóstico específico depende fundamentalmente de exames de neuroimagem estrutural (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio). • A tomografia tem como vantagens o custo mais baixo e a maior rapidez na sua realização. • A ressonância magnética, por sua vez, permite avaliação mais detalhada da substância branca, importante para o diagnóstico de demência vascular secundária à doença de pequenos vasos, além de possibilitar a identificação de padrões focais de atrofia (ex: atrofia hipocampal), o que pode ser útil para o diagnóstico de condições neurodegenerativas como a DA, a demência frontotemporal e a afasia progressiva primária. Informações mais detalhadas a respeito do papel da neuroimagem, tanto estrutural quanto funcional, no diagnóstico das demências são apresentadas nos capítulos correspondentes. • O último grupo etiológico corresponde às demências primárias ou degenerativas dele fazem parte doenças que, embora possam cursar com síndrome demencial como manifestação clínica principal, em geral têm como característica clínica predominante a presença de sinais motores, alterações de equilíbrio e de marcha, entre outros. • Nesses casos, o exame neurológico constitui a principal ferramenta diagnóstica, podendo revelar bradicinesia, rigidez, tremor, instabilidade postural ou alterações de marcha características nos indivíduos com doença de Parkinson, alteração da motricidade ocular extrínseca na paralisia supranuclear progressiva, movimentos coreicos na doença de Huntington ou síndrome cerebelar nas ataxias espinocerebelares. • A forma de demência primária ou degenerativa, em que a síndrome demencial constitui a manifestação clínica principal causa mais frequente de demência em idosos é a doença de Alzheimer. • Outras causas incluídas neste grupo são a demência frontotemporal e a demência com corpos de Lewy (os corpos de Lewy são feitos de uma proteína chamada alfa-sinucleína, que quando ocorre os depósitos anormais dessa proteína causa a demência). • O diagnóstico diferencial desse grupo de demências primárias é auxiliado pela identificação de perfis específicos de comprometimento cognitivo ou comportamental. • Quatro perfis principais determina possibilidades diagnósticas: síndrome amnéstica progressiva (DA), disfunção viso-espacial progressiva (demência com corpos de Lewy ou DA), alteração progressiva de linguagem (afasia progressiva primária ou, eventualmente, DA, sobretudo nos casos de início pré-senil) e transtorno progressivo de comportamento (demência frontotemporal) dessa forma, a avaliação neuropsicológica formal, é um recurso importante para o diagnóstico diferencial das demências primárias. • CONSIDERAÇÕES FINAIS: O diagnóstico de síndrome demencial depende de anamnese cuidadosa e de medidas objetivas da cognição e do desempenho funcional. • Instrumentos ou entrevistas semiestruturadas para a avaliação de sintomas neuropsiquiátricos comuns nas demências, também são recursos úteis, não apenas para o diagnóstico, como também para o acompanhamento dos pacientes. • Os exames complementares, como exames laboratoriais e de neuroimagem estrutural, são fundamentais para a identificação de causas secundárias (ou não degenerativas) de demência. • Os exames de imagem podem ainda revelar padrões de atrofia localizada que agregam maior especificidade diagnóstica, desde que dentro de contextos clínicos determinados. • O exame do LCR e o eletroencefalograma são recomendados em situações clínicas definidas. • A pesquisa de biomarcadores para DA no LCR é um método bastante promissor para o diagnóstico precoce e específico da doença. • TRATAMENTO: O tratamento das pessoas com demênciadeve ser iniciado assim que é feito o diagnóstico, havendo maior possibilidade de resposta. • A pessoa idosa com suspeita de demência, após avaliação na Unidade Básica de Saúde, deverá ser encaminhada para a atenção especializada, respeitando-se os fluxos de referência e contra-referência locais e mantendo sua responsabilização pelo acompanhamento. • Três a quatro meses após o início do tratamento, o paciente deverá fazer uma reavaliação após esse período, as reavaliações deverão ocorrer a cada 4 a 6 meses. • Cabe ressaltar, que mesmo que a pessoa idosa seja acompanhada por especialista, a equipe da Atenção Básica deverá manter o seu acompanhamento. • O tratamento específico para a DA visa diminuir a progressão da doença e retardar ou minimizar os sintomas comportamentais das pessoas, que, apesar do tratamento, irão piorar progressivamente, portanto, é de fundamental importância orientar e dar apoio aos familiares da pessoa. • REABILITAÇÃO COGNITIVA E GRUPO DE APOIO FAMILIAR: A demência no meio familiar provoca diversas mudanças, entre elas: sócioeconômicas, rompimento da inter-relação do paciente com o familiar, influência a instalação da doença, contribui para a piora ou agravamento da doença, altera a dinâmica familiar devido a perda da autonomia e independência do pacientes, ou seja, acontecem alterações biopsicossociais tanto no paciente como no cuidador/familiar. • Entre as alterações mais comuns se destacam: angústia, sentimento de culpa, ira, agressividade, constrangimento, inversão de papéis, doenças orgânicas, entre outras, sendo indispensável o apoio terapêutico para o paciente e o cuidador/familiar. • O objetivo da Reabilitação Cognitiva é recuperar as habilidades, desbloquear as funções cognitivas comprometidas, estimular a socialização, e do grupo de apoio familiar é de conscientizar quanto aos sintomas da demência fornecendo esclarecimento e discussão de soluções práticas, resgatar a relação paciente/familiar, prevenir doenças dos cuidadores/ familiar (grupo de apoio), redução da interdependência, despertar interesses variados, afetividade, orientação para a realidade, estimular a segurança, preparar para complicações e até óbito entre muitos outros objetivo que por fim auxiliam na melhora da qualidade de vida tanto do paciente como do cuidador/ familiares. • O treinamento cognitivo e de reabilitação da memória passa pela identificação dos déficits funcionais específicos e a intervenção é feita por meio de diversas estratégias, por exemplo, o emprego de um “livro de memória” que é uma coleção de frases simples e desenhos que dão pistas à pessoa, trazendo nomes e outros fatos que lhe facilitam a conversação. • A estimulação social, os exercícios e os programas para manter ou reforçar hábitos de alimentação e higiene são também importantes. • Deve orientar também o controle do ambiente, eliminando elementos arquitetônicos geradores de estresse ou confusão e promovendo a orientação espacial, por meio de múltiplos sinais (não exclusivamente verbais), onde podem ser colocados lembretes (tempo, lugar, identidade). • Vias preferenciais de interesse (áreas de lazer) podem ser criadas, com limitação não agressiva à passagem por áreas de risco (saídas externas, cozinha e áreas de serviço) música também pode ter efeito positivo, música clássica ou as músicas preferidas da pessoa idosa podem melhorar a agitação. • Seja qual for a técnica adotada, a abordagem da pessoa com demência exige a participação de uma equipe multidisciplinar incluindo a família. • ATENÇÃO AOS CUIDADORES: Lamentavelmente, em muitas pessoas, o transtorno cognitivo não é reversível, e eles precisarão de cuidados crônicos que permitam sua alimentação e higiene, evitem acidentes e controlem seu comportamento. • Se, além disso, o cuidador estimular a realização de atividades físicas e sociais, e se houver treinamento cognitivo, a pessoa idosa poderá enfrentar melhor sua situação. • A equipe da Atenção Básica/Saúde da Família deve ter especial atenção ao cuidador, desenvolvendo grupos de cuidadores, e utilizar como instrumento para orientar os cuidadores. • O tratamento do estresse e depressão do cuidador é de fundamental importância para o tratamento bem-sucedido da pessoa com demência. • O cuidador, que na maioria das vezes é um familiar, também tem de cuidar da organização do dia a dia da pessoa com demência e do seu tratamento, resolver problemas legais e financeiros, lidar com comportamentos alterados e se manter calmo e paciente por isso, os familiares precisam receber apoio e suporte para esse cuidado, para que eles próprios não fiquem doentes. • A equipe da Atenção Básica/Saúde da Família pode ter grupos de cuidadores, em que serão orientados a respeito dos cuidados no dia a dia da pessoa idosa, e terão a oportunidade de falar de suas dificuldades e sentimentos, com outras pessoas envolvidas em situação semelhante.