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ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 1 ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 2 REITOR João Natel Pollonio Machado VICE-REITOR Griseldes Fredel Boos EDITORA DA FURB CONSELHO EDITORIAL Edson Luiz Borges Elsa Cristine Bevian João Francisco Noll Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira Roberto Heinzle Marcia de Freitas Oliveira Maria José Ribeiro EDITOR EXECUTIVO Maicon Tenfen CAPA Criação: Lindamir Aparecida Rosa Junge Foto: Daniella Schmit Diagramação: Lindamir Aparecida Rosa Junge Revisão: Odair José Albino DISTRIBUIÇÃO Edifurb © Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes. (org.) Elaborada pela Biblioteca Central da FURB A532a Analysis : o ENADE na formação da nutrição : análise da prova de 2010 / organizadores: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ... [et al.]. – Blumenau : Edifurb, 2013. 105 p. : il. ISBN 978-85-7114-177-3 Bibliografia: p. 100-101. 1. Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. 2. Ensino superior - Avaliação. 3. Nutrição - Exames, questões, etc. I. Campanella, Luciane Coutinho de Azevedo. CDD 378.01 Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme Lei nº 10994, de 14 de dezembro de 2004. “Impresso no Brasil / Printed in Brazil” Editora da FURB.Rua Antônio da Veiga, 140. CEP 89012-900 Blumenau SC BRASIL Fones: (047) 3321-0329, 3321-0330, 3321-0592 Correio eletrônico: editora@furb.br Internet: www.furb.br/editora ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 3 AUTORES DOCENTES DO CURSO DE NUTRIÇÃO DA UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB ALESSANDRO GUEDES Formação: Graduação em Farmácia- UFSC; Mestrado em Química Orgânica- Produtos Naturais- UFSC. Área de Atuação: Docente do Curso de Farmácia e Nutrição – FURB. Responsabilidade Técnica da Farmácia do Ambulatório Universitário e da Farmácia Privativa – FURB. ANAMARIA ARAUJO DA SILVA Formação: Graduação em Nutrição – IMEC; Especialização em Docência na Área da Saúde – CBES; Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho - Área de concentração saúde da família – UNIVALI. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB. Coordenadora de estágios do curso de Nutrição - FURB. BETHANIA HERING Formação: Graduação em Nutrição – UFSC; Graduação em Administração - ESAG; Especialização em Terapia Nutricional - UFSC; Mestrado em Nutrição – Área Metabolismo e Dietética – UFSC. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB; Docente do Curso de Nutrição – UNIVALI; Membro do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE). CAMILA LEANDRA BUENO DE ALMEIDA Formação: Graduação em Nutrição – UNIVALI; Especialização em Nutrição Clínica Funcional - UNICSUL; Mestranda em Ciências Farmacêuticas –UNIVALI. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB; Nutricionista da Associação Casa São Simeão; Consultora na Área de Alimentos. JOSEANE FREYGANG Formação: Graduação em Nutrição – UNIVALI; Especialização em Nutrição Clínica – UGF; Especialização em Nutrição Clínica Funcional e Fitoterapia – PUC; Mestrado em Nutrição – UFSC. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 4 Área de atuação: Nutricionista da Prefeitura Municipal de Blumenau; Docente do Curso de Nutrição – FURB. Presidente do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Nutrição – FURB. LUCIANE COUTINHO DE AZEVEDO CAMPANELLA Formação: Graduação em Nutrição – UFSC; Especialização em Terapia Nutricional – Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral; Aperfeiçoamento no Magistério Superior – UNIVALI; Mestrado em Neurociência e Comportamento – UFSC; Doutorado em Neurociência – UFSC. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB e UNIVALI. Coordenadora do Colegiado do Curso de Nutrição – FURB. RAQUEL KERPEL Formação: Graduação em Nutrição – UNIJUI; Especialização em Saúde da Família – UFSC. Mestrado em Nutrição – Área Metabolismo e Dietética – UFSC. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB; Tutora da Universidade Aberta do SUS - UNASUS - UFSC; Docente do Curso de Nutrição – FAMEBLU. RENATA LABRONICI BERTIN Formação: Graduação em Nutrição – PUC/PR; Mestrado em Nutrição – Área Metabolismo e Dietética - UFSC; Doutoranda em Ciência dos Alimentos – Área Química de Alimentos – UFSC. Área de atuação: Docente do Curso de Nutrição – FURB; Coordenadora de Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Nutrição; Membro do Comitê de Ética na Pesquisa em Seres Humanos; Coordenadora de Atividades Acadêmico Científico Culturais do curso de Nutrição - FURB. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 5 SUMÁRIO AUTORES DOCENTES DO CURSO DE NUTRIÇÃO DA UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB .............................................................................................................................................. 3 SUMÁRIO ....................................................................................................................................... 5 PREFÁCIO ....................................................................................................................................... 7 O processo de análise das questões do ENADE ............................................................................ 9 O Enade na Avaliação da Educação Superior .............................................................................. 11 QUESTÃO 11 ................................................................................................................................ 18 Autora: Renata Labronici Bertin .............................................................................................. 18 QUESTÃO 12 ................................................................................................................................ 21 Autora: Renata Labronici Bertin .............................................................................................. 21 QUESTÃO 13 ................................................................................................................................ 23 Autora: Renata Labronici Bertin .............................................................................................. 23 QUESTÃO 14 ................................................................................................................................ 26 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida ............................................................................26 QUESTÃO 15 ................................................................................................................................ 29 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 29 QUESTÃO 16 ................................................................................................................................ 31 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 31 QUESTÃO 17 ................................................................................................................................ 34 Autora: Anamaria Araújo da Silva ........................................................................................... 34 QUESTÃO 18 ................................................................................................................................ 37 Autora: Bethânia Hering.......................................................................................................... 37 QUESTÃO 19 ................................................................................................................................ 40 Autora: Alessandro Guedes ..................................................................................................... 40 QUESTÃO 20 ................................................................................................................................ 42 Autora: Joseane Freygang ...................................................................................................... 42 QUESTÃO 21 ................................................................................................................................ 46 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 46 QUESTÃO 22 ................................................................................................................................ 48 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida e Joseane Freygang ........................................... 48 QUESTÃO 23 ................................................................................................................................ 49 Autora: Anamaria Araújo da Silva ........................................................................................... 49 ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 6 QUESTÃO 24 ................................................................................................................................ 51 Autora: Renata Labronici Bertin .............................................................................................. 51 QUESTÃO 25 ................................................................................................................................ 53 Autora: Joseane Freygang ...................................................................................................... 53 QUESTÃO 26 ................................................................................................................................ 55 Autora: Bethânia Hering.......................................................................................................... 55 QUESTÃO 27 ................................................................................................................................ 58 Autora: Joseane Freygang ...................................................................................................... 58 QUESTÃO 28 ................................................................................................................................ 60 Autora: Joseane Freygang ....................................................................................................... 60 QUESTÃO 29 ................................................................................................................................ 62 Autora: Bethânia Hering.......................................................................................................... 62 QUESTÃO 30 ................................................................................................................................ 66 Autora: Anamaria Araújo da Silva ........................................................................................... 66 QUESTÃO 31 ................................................................................................................................ 68 Autora: Joseane Freygang ....................................................................................................... 68 QUESTÃO 32 ................................................................................................................................ 71 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida ............................................................................ 71 QUESTÃO 33 ................................................................................................................................ 74 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 74 QUESTÃO 34 ................................................................................................................................ 77 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 77 QUESTÃO 35 ................................................................................................................................ 81 Autora: Joseane Freygang ....................................................................................................... 81 QUESTÃO 36 ................................................................................................................................ 85 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ................................................................ 85 QUESTÃO 37 ................................................................................................................................ 87 Autora: Joseane Freygang ....................................................................................................... 87 QUESTÃO 38 ................................................................................................................................ 90 Autora: Joseane Freygang ...................................................................................................... 90 QUESTÃO 39 ................................................................................................................................ 93 Autora: Alessandro Guedes e Luciane Coutinho de Azevedo Campanella ............................. 93 QUESTÃO 40 ................................................................................................................................ 96 Autora: Raquel Kerpel ............................................................................................................. 96 AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E UNIVERSIDADE: ENTRE O PRAGMATISMO QUANTITATIVO E A PRÁTICA ENERGIZADORA .......................................................................................................... 100 ACADÊMICOS COLABORADORES DO CURSO DE NUTRIÇÃO DA FURB ...................................... 103 ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 7 PREFÁCIO Dra. Lorena Benathar Ballod Tavares Professora da disciplinaTecnologia de Alimentos do Curso de Nutrição - FURB Neste ano de 2013 se completam 10 anos da autorização de implantação do curso de Nutrição na FURB pelo Parecer do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão de nº 290 de 2003. O curso que teve a primeira turma em fevereiro de 2004, já relevou sua maturidade acadêmica, tendo conquistado três estrelas de reconhecimento pelo Guia do Estudante da Editora Abril em 2012. Mas, antes disso, em 2010, com estudantes ingressantes na universidade e com aqueles que estavam no último ano de Nutrição, o curso participou pela primeira vez da avaliação pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e mostra se potencial. O ENADE que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), tem o objetivo de "aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências" dentro de uma escala de um a cinco (em ordem crescente de excelência, sendo cinco o melhor desempenho). O SINAES é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes, sendo então, neste último que se encaixa o ENADE. Ao lado da análise dos cursos e das instituições, é um dos meios de avaliação da qualidade da educação superior no Brasil. O ENADE acontece a cada três anos, e para o curso de Nutrição, já foram realizadas edições em 2004, 2007 e 2010, sendo que apenas na última edição a FURB teve participação. Assim, por meio de seus estudantes ingressantes e concluintes, obteve-se o conceito três no ENADE, colocando o curso de Nutrição da FURB dentro da média nacional de avaliação da qualidade. Com 10 perguntas de formação geral e 30 de componente específico à Nutrição, a prova do ENADE/2010 teve a participação determinante dos 20 concluintes para a obtenção desse conceito, bem como dos 27 ingressantes ao curso. O resultado dessa avaliação permitiu traçar um panorama da realidade vigente no curso de Nutrição da FURB, de modo a avançar na melhoria da infraestrutura, da capacitação docente, da adequação da grade curricular às demandas existentes, inclusive com a alteração do curso para os períodos matutino e noturno a partir de 2012. http://portal.inep.gov.br/web/guest/superior-sinaes ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 8 Portanto, o ENADE mesmo com suas limitações nos instrumentos de avaliação, está permitindo a obtenção de dados da formação acadêmica e a opinião dos estudantes sobre o curso, de modo a orientar os coordenadores e os docentes, nas ações pedagógicas e administrativas necessárias para a permanente busca da melhoria da qualidade da graduação. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 9 O processo de análise das questões do ENADE Ms. Joseane Freygang Presidente do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Nutrição - FURB Dra. Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Coordenadora do Colegiado do Curso de Nutrição - FURB Dra. Marcia Regina Selpa de Andrade Assessora Pedagógica do Centro de Ciências da Saúde - FURB A busca pela formação docente sistemática e contínua, somada aos resultados apresentados pelos acadêmicos do curso de Nutrição da Universidade Regional de Blumenau (FURB) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) no ano de 2010, levou a ação de construção deste livro. Em dezembro de 2012, em reunião ordinária do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Nutrição, foi aventada a possibilidade da construção deste livro pelos docentes do curso, em parceria com a Assessoria Pedagógica do Centro de Ciências da Saúde apoiada pela Divisão de Políticas Educacionais da Pró-Reitoria de Ensino da FURB. Em sua primeira edição, este traz na sua essência o processo de análise das questões específicas do ENADE (2010), parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), que avalia as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes e tem como propósito subsidiar e preparar os acadêmicos formandos para os próximos ENADEs. Durante o primeiro semestre de 2013, em oficinas pedagógicas, com a participação dos docentes autores e dos acadêmicos formandos do curso de Nutrição que serão submetidos ao ENADE (2013), com a colaboração da Assessoria Pedagógica, Apoio Docente - DPE/ PROEN e Coordenação do Colegiado do Curso de Nutrição, foram apresentadas, analisadas, discutidas e redigidas as discussões comentadas de cada questão da parte específica da prova de 2010. Nesses encontros podemos destacar alguns aspectos importantes identificados e trabalhados durante as discussões, tais como: (1) a dificuldade referida pelos acadêmicos em responder a prova devido a diferente maneira de abordagem do conteúdo, (2) a correlação realizada pelos professores dos temas abordados na prova com a proposta curricular atual do ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 10 curso de Nutrição e (3) a apreciação pelos professores do instigante processo de construção, execução e avaliação de uma prova, como exercício da docência do Ensino Superior. Foi um grande desafio para os professores do Curso de Nutrição da FURB. Optamos por apresentar as questões em ordem cronológica crescente, uma vez que muitas questões foram categorizadas, no entendimento dos docentes do curso de Nutrição, em mais de uma das áreas de atuação do profissional nutricionista previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Nutrição (RESOLUÇÃO do Ministério da Educação, no 5 de 2001). Destacamos que decidimos incluir as questões anuladas no processo de análise e discussão, em decorrência do alto índice de questões anuladas – 37% das questões específicas daquela prova. Esperamos com este livro contribuir para a formação dos futuros profissionais da Nutrição e para qualificação docente, com ênfase no processo avaliativo, objetivando aperfeiçoar as atividades de ensinar e aprender. Atividades previstas no processo de avaliação continuada do Projeto Pedagógico do curso (PPC) de Nutrição da FURB. Agradecemos a colaboração dos docentes, discentes do Curso de Nutrição, e equipe da DPE/PROEN da FURB que se envolveram nesse processo. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 11 O Enade na Avaliação da Educação Superior Heidi Dittrich Zimmermann, Pesquisadora Institucional – PI da FURB O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) foi instituído pela Lei Nº 10.861, de 14 de abril de 2004, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação superior e orientar a expansão da oferta; identificar mérito e valor das instituições, áreas, cursos e programas, nas dimensões de ensino, pesquisa, extensão, gestão e formação; e promover a responsabilidade social das IES, respeitando a identidade institucional e a autonomia. Com a sua implantação assegurou-se o processo nacional de avaliação da educação superior no País, o que foi consolidado pela PortariaNormativa Nº 40/2007, republicada em 29 de dezembro de 2010. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) e a sua operacionalização é de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Para avaliar todos os aspectos que giram em torno dos objetivos citados, o INEP utiliza vários instrumentos complementares e de informação para obter resultados que possibilitem traçar o panorama de qualidade dos cursos e das instituições, provendo, desta forma, a avaliação de Instituições, Estudantes e Cursos. São instrumentos complementares a autoavaliação (conduzida pela Comissão Própria de Avaliação – CPA, da Instituição de Educação superior – IES), a avaliação institucional externa, o Enade e a avaliação dos cursos de graduação (avaliação in loco). Os instrumentos de informação são os dados do cadastro (sistema e-MEC) e as informações censitárias do Censo da Educação Superior (CESUP), fornecidas pelas IES. Além disso, análises e revisões críticas dos instrumentos, das metodologias e dos critérios utilizados também são realizadas pela CONAES com o objetivo de aprimorar esses instrumentos e os procedimentos de avaliação, produzir indicadores de qualidade, divulgar os resultados e realizar estudos para a melhoria da qualidade da educação superior no País. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 12 O ciclo avaliativo do SINAES1 compreende a realização periódica de avaliação de instituições e cursos superiores, com referência nas avaliações trienais de desempenho dos estudantes, as quais subsidiam, respectivamente, os atos de recredenciamento e de renovação de reconhecimento. As avaliações são orientadas por indicadores de qualidade e geram conceitos de avaliação de cursos superiores e de instituições, expedidos periodicamente pelo INEP, em cumprimento à Lei nº 10.861/2004, e na forma da Portaria Normativa Nº 40/2007. São considerados como indicadores de qualidade o desempenho de estudantes: o conceito obtido a partir dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE; de cursos superiores; o Conceito Preliminar de Curso – CPC; e de Instituições de educação superior, bem como e o Índice Geral de Cursos avaliados – IGC. Os conceitos são expressos numa escala de cinco níveis (de 1 a 5), em que os níveis iguais ou superiores a 3 (três) indicam qualidade satisfatória2. Os indicadores de qualidade também serão expressos numa escala de cinco níveis, em que os níveis iguais ou superiores a 3 (três) indicam qualidade satisfatória e, no caso de instituições, também são apresentados em escala contínua. Os resultados das avaliações da educação superior se tornam públicos e são utilizados pelos seguintes segmentos: pela sociedade em geral (estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e público em geral) como fonte de informações para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das Instituições; pelos órgãos governamentais (Estado) para orientar as políticas públicas; e pelas Instituições de Educação Superior para orientação da sua eficácia institucional (desenvolvimento de seu PDI, revisão de sua missão, planos, métodos e trajetória) e efetividade acadêmica e social. O ciclo avaliativo do SINAES inicia-se com o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes - ENADE e é aplicado aos estudantes das áreas definidas anualmente, por Portaria específica do INEP, atendendo a um calendário trienal de áreas e eixos tecnológicos, observadas as seguintes referências: 1 Portaria Normativa MEC 40/2007, art. 33. 2 Portaria Normativa MEC, art. 33-A, §1º e §2º. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 13 Ano I – cursos de graduação das áreas da saúde, ciências agrárias e áreas afins e cursos superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em ambiente e saúde, produção alimentícia, recursos naturais, militar e segurança; Ano II – cursos de graduação das áreas de ciências exatas, licenciaturas e áreas afins e, cursos superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em controle e processos industriais, informação e comunicação, infraestrutura, produção industrial; Ano III – cursos de graduação das áreas de ciências sociais aplicadas, ciências humanas e áreas afins e, cursos superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em gestão e negócios, apoio escolar, hospitalidade e lazer, produção cultural e design. O ENADE é realizado todos os anos, aplicando-se trienalmente a cada curso, de modo a abranger com a maior amplitude possível as formações objeto das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), da legislação de regulamentação do exercício profissional e do Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia3. Tem por finalidade: avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos; contribuir para a avaliação dos cursos de graduação por meio da verificação das competências, habilidades e conhecimentos desenvolvidos pelos estudantes; aferir o desempenho dos estudantes no que se refere ao uso, síntese e integração de conhecimentos adquiridos ao longo do curso; possibilitar aos cursos o acompanhamento dos resultados de suas ações pedagógicas e avaliar comparativamente a formação oferecida pela IES aos estudantes das respectivas áreas avaliadas. Assim sendo, o ENADE passa a ser um dos instrumentos de avaliação da formação dos estudantes e seus resultados oferecem elementos/insumos para a construção de indicadores de qualidade dos cursos e servirão de referência para os processos posteriores de avaliação in loco. O Conceito Enade considera exclusivamente o desempenho dos estudantes concluintes nas provas de formação geral e do componente específico. Com base nos resultados (insumos) do Enade, é calculado o Conceito Preliminar de Curso (CPC), no ano seguinte à realização do Exame de cada área. O cálculo do CPC combina diversas medidas relativas à qualidade do curso, a saber: o desempenho dos estudantes concluintes no Enade; o corpo docente com a titulação e o regime de trabalho; as informações sobre infraestrutura obtidas a partir do questionário do estudante; os recursos didático- 3 Portaria Normativa MEC 40/2007, art. 33-E. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 14 pedagógicos obtidos pelo questionário do estudante e os resultados do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) que são os insumos oriundos do desempenho dos estudantes nas provas do Enade e Enem, a partir de seus respectivos questionários. As notas técnicas específicas descrevem possíveis alterações no cálculo do CPC e ficam disponíveis na página eletrônica do INEP (www.portalinep.gov.br/notastecnicas). No quadro a seguir, consta a composição do CPC: Fonte: GRIBOSKI, C., INEP, 2011. O CPC se constitui elemento de referência nos processos de avaliação in loco para subsidiar a renovação de reconhecimento dos cursos de graduação. Outro indicador de qualidade, instituído em 2008 para as Instituições, é o Índice Geral de Cursos (IGC), que é publicadoanualmente pelo INEP e é calculado considerando os seguintes aspectos: a média ponderada dos últimos CPCs disponíveis dos cursos avaliados na instituição no ano do cálculo e nos dois anteriores, ponderada pelo número de matrículas (matriculados + formados, obtidos nos Censos) em cada um dos cursos computados; http://www.portalinep.gov.br/notastecnicas ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 15 a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para escala compatível e ponderada pelo número de matrículas (matriculados + titulados – ano do cálculo) em cada um dos programas de pós-graduação correspondentes; e a distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino (graduação, mestrado e doutorado). O quadro a seguir ilustra essa forma de cálculo para o IGC: Fonte: GRIBOSKI, C., INEP, 2011. Para regulamentar o processo de divulgação dos resultados, o INEP publica anualmente Portaria específica4 estabelecendo os procedimentos de divulgação dos indicadores de qualidade e informando sobre os insumos que sustentam o cálculo desses indicadores. Uma vez publicado o resultado final pelo INEP, esses indicadores se constituem referência nos processos de avaliação in loco para os cursos e às Instituições. A Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), integrante do sistema estadual de ensino, segue as normas para o funcionamento da Educação Superior no sistema Estadual de Santa Catarina, conforme determina a Resolução Nº 100, de 22 de novembro de 4 Portaria Normativa 386, de 17 de outubro de 2012. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 16 2011, do Conselho Estadual de Educação – CEE/SC. No entanto, considerando o que determina a legislação federal que instituiu o e-MEC, sistema eletrônico de fluxo de trabalho e gerenciamento de informações relativas aos processos de regulação, avaliação e supervisão da educação superior, foi estabelecido um regime de cooperação entre o sistema estadual e o sistema nacional de avaliação. A cooperação foi formalizada mediante acordo entre o CEE/SC e a CONAES e, para a execução dos processos referentes à avaliação, são utilizados os instrumentos e critérios do SINAES, constituídos nas seguintes modalidades: Avaliação institucional (autoavaliação e avaliação externa in loco); Avaliação de cursos; Avaliação do desempenho dos estudantes. Os resultados considerados insatisfatórios (Conceito 1 ou 2 no IGC) incorrerão em diligências à Instituição, com determinações de ações e metas a serem cumpridas em prazo determinado para a superação dos fatores que conduziram aos resultados negativos. O descumprimento da diligência poderá resultar na suspensão temporária da abertura de processo seletivo de cursos e cassação do credenciamento da instituição. Para os resultados insatisfatórios nos cursos (1 ou 2 no CPC) deverá ser solicitada nova avaliação in loco, instruída com um plano de melhorias, ou seja, relato das providências a serem adotadas pelo curso para a superação das fragilidades expressas no CPC. Se após nova avaliação in loco o curso continuar com conceito inferior a 3, serão sustadas as ofertas de vagas no curso avaliado. A partir de 2004, com a nova formatação do SINAES, a FURB continuou participando do Exame, considerando a sua importância para definição de metas e ações nos cursos e na instituição. Neste sentido, ações específicas e institucionais vêm sendo implementadas, dentre as quais citamos algumas já consolidadas: palestra informativa para Professores dos cursos avaliados; palestra informativa sobre o Enade (reforçando o Enade como parte integrante e importante da avaliação da educação superior) aos estudantes dos cursos avaliados; formação específica sobre o Enade aos Coordenadores de Curso no Programa de Formação Institucional da Universidade; campanha interna do Enade: ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 17 cartaz personalizado para as salas de aula do curso; e-mail marketing com mensagens aos estudantes inscritos; página do Enade na FURB, desde 2008, em http://www.furb.br/enade; testeira institucional para os locais de prova; quiosque institucional e recepção aos estudantes. Instalação de um quiosque em cada um dos locais de prova para servir de apoio aos estudantes no dia da prova (recepção); após a publicação dos resultados: análise dos indicadores de qualidade, seus insumos e análise do Relatório do Curso expedido pelo INEP; análise crítica das provas do Componente Específico pelos docentes da área, com o objetivo de produzir material de apoio aos docentes e discentes. Estabelecer uma política interna de avaliação e de acompanhamento nos cursos de graduação com base nos referenciais de qualidade do SINAES, é uma possibilidade de qualificar os espaços de ensino-aprendizagem, planejamento e execução de ações. Nesse sentido, a FURB desenvolve ações institucionais e específicas de curto, médio e longo prazo para a melhoria da qualidade do ensino. Essas ações envolvem diretamente a coordenação do curso, assessoria pedagógica, professores e equipe de apoio da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação. Buscar a participação dos estudantes nesse processo para aproximá-los da instituição, é um desafio para concretizar a mudança e consolidar internamente uma cultura de avaliação que permita, como escreve HADJI (2001), ir para além de diagnosticar, ou seja, é preciso prognosticar e energizar esse processo voltado às exigências e ciclo avaliativo do SINAES. A análise dos resultados focadas em ações tem proporcionado discussões para revisão dos projetos pedagógicos, numa definição de estratégias de ensino, busca por investimentos para a manutenção e melhoria da infraestrutura, qualidade do corpo docente (contratação e capacitação dos mesmos) e comprometimento com a qualidade do ensino. http://www.furb.br/enade ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 18 QUESTÃO 11 Autora: Renata Labronici Bertin O nutricionista responsável pela alimentação escolar de um município com importante atividade no setor avícola decidiu incluir ovo, uma vez por semana, no cardápio das escolas. Considerando que o ovo de galinha é amplamente utilizado na alimentação humana e tem boa aceitação entre os escolares, avalie as afirmativas abaixo, referentes ao aspecto nutricional desse alimento. I. A proteína mais abundante na clara é rica em aminoácidos sulfurados, e a da gema é rica em fósforo. II. A gordura do ovo, o colesterol, os carotenos, as xantofilas e a vitamina A estão presentes na gema. III. O ovo é um alimento rico em biotina, avidina e niacina precursora, no organismo, do aminoácido essencial triptofano. IV. O tipo de aminoácidos essenciais, sua quantidade e a relação que mantêm entresi definem a fração proteica do ovo inteiro como sendo de alto valor biológico. V. Algumas enzimas presentes na gema do ovo, como a lisozima, desempenham funções de proteção contra a invasão bacteriana. É correto apenas o que se afirma em: (A) I, II e IV. (B) I, II e V. (C) I, III e V. (D) II, III e IV. (E) III, IV e V. _______________________________________________________________ Gabarito: A (questão ANULADA) Comentário: A afirmativa “I” está incorreta, pois a proteína mais abundante da clara do ovo é a Ovoalbumina (50 a 54%), constituída principalmente pelos aminoácidos lisina e triptofano, considerados aminoácidos essenciais, porém, não são aminoácidos sulfurados (metionina e ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 19 cisteína) e a proteína da gema mais importante é a fosvitina ou fosfovitina, que contém em sua composição 10% de fósforo 1,2. A afirmativa “II” está correta, tendo em vista que a gema contém proteínas (16%), lipídios (30 a 34%) e aproximadamente 50% de água. Além disso, a coloração da gema se deve pelo conteúdo de carotenoides, xantofilas e pela presença de riboflavina. Dentre os lipídios presentes na gema, podem-se destacar os fosfolipídios, tais como: as lecitinas e os esteróis. Ademais, o conteúdo de colesterol da gema é um dos mais elevados entre os alimentos; cada gema contém aproximadamente 180 a 190 mg de colesterol 1,2,3 . A afirmativa “III” está incorreta, pois apesar do ovo apresentar quantidade considerável de biotina e niacina, tem apenas 0,05% de avidina (proteína presente na clara). Além disso, nessa alternativa, foi um erro afirmar que a niacina é percursora do triptofano pois sabe-se que o triptofano é um aminoácido aromático, constituinte de diversas proteínas, cuja ingestão diária é obrigatória por ser um aminoácido essencial (não sintetizado no metabolismo humano)4. A afirmativa “IV” está correta, pois o ovo é considerado um dos alimentos mais completos da alimentação humana, por ser rico em proteína de fácil digestibilidade e de alto valor biológico (existência de aminoácidos essenciais e de alto percentual de utilização de nitrogênio), além de possuir lipídios, carboidratos, vitaminas e minerais5 . A afirmativa “V” se apresenta incorreta, pois a lisozima (glicoproteína) representa 3,5% das proteínas presente na clara e não na gema do ovo. Ela age como uma enzima responsável por romper a parede celular de bactérias (lise) e ocasionar sua morte, além de inibir o crescimento bacteriano nos ovos crus com casca 2 . Frente ao exposto, não houve alternativa que contemplasse apenas os itens corretos (II e IV), motivo pelo qual a questão foi ANULADA. REFERÊNCIAS 1. DOMENE, S.M.A. Técnica dietética: teoria e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. x, 249 p. 2. ARAÚJO, W.M.C. Alquimia dos alimentos. 2. ed. Brasília, DF: SENAC, 2008. 557 p. 3. SARTORI, E.V. Concentração de proteínas (fosvitina e lipovitelina) em gemas de ovos de galinhas (Gallus gallus) nos diferentes ciclos de postura e sua interferência na ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 20 disponibilidade do ferro. 2007. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2007. 4. MARIA, C.A.B.; MOREIRA, R.F.A. A intrigante bioquímica da niacina: uma revisão crítica. Quím. Nova, São Paulo, v. 34, n. 10, p. 1739-1752, 2011. 5. JAPUR, C. C.; VIEIRA, M. N. C. M. Dietética aplicada na produção de refeições. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. x, 236 p. (Série nutrição e metabolismo). ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 21 QUESTÃO 12 Autora: Renata Labronici Bertin As fibras alimentares presentes na farinha integral dão aos pães maior valor nutritivo, mas alteram suas características, tornando a massa densa, firme e reduzida em volume devido: (A) ao aumento na formação do glúten e à redução no teor de minerais e gorduras. (B) à redução na formação do glúten e à diminuição de sua propriedade de dextrinização. (C) à redução na formação do glúten e à diminuição da capacidade de retenção de gases. (D) ao aumento na formação do glúten e à diminuição da capacidade espessante. (E) à indissolubilidade do glúten e ao enfraquecimento de sua capacidade de espessamento. _______________________________________________________________ Gabarito: C Comentário: Os produtos de panificação estão entre os alimentos que constituem a base da pirâmide alimentar. Os cereais, de um modo geral, contribuem com aproximadamente metade da ingestão energética e proteica do ser humano. A farinha de trigo é o elemento fundamental na indústria de panificação, por possuir propriedades únicas de formação de uma rede de glúten forte e coesa. O glúten é uma mistura heterogênea de proteínas, principalmente as gliadinas e as gluteninas. Quando misturado com a água, o glúten forma uma massa viscoelástica capaz de reter o gás produzido durante a fermentação, garantindo as características próprias do pão1,2. Estudos têm sido realizados com o objetivo de substituir parcialmente o trigo na elaboração de produtos de panificação devido às restrições econômicas, exigências comerciais, enriquecimento nutricional, novas tendências de consumo e hábitos alimentares específicos. Várias farinhas podem ser misturadas à farinha de trigo para uso em panificação, dentre elas destaca-se a farinha de trigo integral1. Nesse contexto, a alternativa correta é a letra “C”, pois, do ponto de vista tecnológico, a fibra presente nas farinhas integrais, especialmente a fração insolúvel, interfere mecanicamente na formação da rede de glúten, além de causar ruptura de células de gás. Ambas as fibras (solúvel e insolúvel) competem com as proteínas formadoras de glúten (gliadina e a glutenina) pela água, na formulação do pão, tornando-a indisponível para ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 22 hidratação e para a formação da rede proteica coesa e estável, causando ruptura da massa e redução de sua resistência1. Consequentemente, a utilização de farinhas ricas em fibras, diminui a qualidade de pães, comprometendo seu volume e textura 3,4. REFERÊNCIAS 1. BORGES, J.T.S. et al. Qualidade protéica de pão de sal contendo farinha de linhaça (Linum usitatissimum L.). Alimentos e Nutrição, Araraquara v. 21, n.1, p. 109-117, jan./mar. 2010. 2. FENNEMA, O. R. et al. Química de alimentos de Fennema. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. 3. BORGES, J.T.S. et al. Caracterização físico-química e sensorial de pão de sal enriquecido com farinha integral de linhaça. Boletim Ceppa, Curitiba, v. 29, n. 1, p. 83-96, 2011. 4. RIEDER, A. et al. Effect of barley and oat flour types and sourdoughs on dough rheology and bread quality of composite wheat bread. Journal of Cereal Science, v. 55 , n. 1, p. 44-52, abr./out. 2012. ORGANIZADORES: LucianeCoutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 23 QUESTÃO 13 Autora: Renata Labronici Bertin Suponha que um nutricionista tenha sido designado para desenvolver produto alimentício, caracterizado como pão fortificado, para tratamento dietético de crianças com intolerância ao glúten. Para a confecção desse produto, a melhor escolha de ingredientes que inclua fontes de nutrientes essenciais e alimentos de melhor digestibilidade proteica é: (A) farinha de cevada, como fonte de proteína; óleo de canola como fonte de ácidos graxos essenciais; amido de milho como fonte de carboidratos; água e fermento. (B) ovos, como fonte animal de proteína; óleo de soja, como fonte de ácidos graxos essenciais; farinha de mandioca, como fonte de carboidratos; água e fermento. (C) leite de vaca, como fonte de proteína; óleo de oliva, como fonte de ácidos graxos essenciais; fubá de milho, como fonte de carboidratos; água e fermento. (D) farinha de soja, como fonte de proteína; margarina vegetal, como fonte de ácidos graxos essenciais; farinha de milho, como fonte de carboidratos; água e fermento. (E) clara de ovo, como fonte de proteína; óleo de milho, como fonte de ácidos graxos essenciais; farinha de trigo integral, como fonte de carboidratos; água e fermento. _______________________________________________________________ Gabarito: B Comentário: A doença celíaca (DC) é uma afecção inflamatória do intestino delgado associada à intolerância permanente ao glúten, causada por uma resposta imunológica inapropriada, contra antígenos presentes nas frações proteicas do trigo, centeio, cevada e em alguns subprodutos da cevada, como o malte. O único tratamento eficaz para a DC é a dieta isenta de glúten, ou seja, os pacientes só podem consumir produtos alimentícios a base de arroz, milho, batata e mandioca 1,2. No que se refere a qualidade nutricional das proteínas, a mesma está relacionada principalmente a seu conteúdo de aminoácidos essenciais e a sua digestibilidade. As proteínas de alta qualidade nutricional são aquelas que contêm todos os aminoácidos essenciais, relativamente nas mesmas quantidades que os seres humanos necessitam para manter o bom funcionamento do organismo. Sabe-se que as proteínas de origem animal são de melhor qualidade e de melhor digestibilidade (90 a 99%) do que as proteínas de origem vegetal (70 a ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 24 90%). Dentre as proteínas de origem animal, o ovo apresenta a maior digestibilidade (97%) em detrimento às carnes e aos leites (95%)3,4. Em relação aos óleos vegetais, como fonte de nutriente essencial, os mesmos podem ser classificados de várias maneiras, sendo uma delas a classificação por composição de ácidos graxos. Nos óleos vegetais, quatro ácidos graxos são dominantes: palmítico, oleico, linoleico (por vezes acompanhado de ácido esteárico) e linolênico. Dentre esses ácidos graxos, dois são considerados essenciais (linoleico e linolênico), uma vez que não podem ser sintetizados pelos seres humanos e outros mamíferos; só podem ser obtidos mediante ingestão alimentar. Os ácidos graxos mais comuns nos óleos vegetais são oleico/linoleico, encontrados no óleo de amendoim (na proporção de 38% de oleico e 41% de linoleico), no óleo de cártamo (14% e 75%, respectivamente), no óleo de gergelim (38% e 45%), de girassol (20% e 69%) e no óleo de milho (20% e 63%). Já os óleos vegetais que apresentam expressiva quantidade do ácido linolênico são: o óleo de linhaça (de 50 a 60% de sua composição), seguido do óleo de canola (10%) e o de soja (8%)4. Dentre os óleos mais comumente utilizados na culinária, devido seu valor nutricional e sua estabilidade, o óleo de soja se destaca, por ser rico em ácidos graxos insaturados (aproximadamente 85% do total), mais especificamente oleico (de 19 a 30%), ácido linoleico (entre 44 e 62%) e ácido linolênico (de 4 a 11%) 3,4,5. Frente ao exposto, considera-se a alternativa correta a letra “B”, uma vez que o ovo é a fonte proteica de melhor digestibilidade, o óleo de soja possui o melhor perfil de ácidos graxos dentre as opções destacadas nas demais alternativas e a farinha de mandioca é considerada uma fonte alimentar segura para ser utilizada em preparações para portadores de DC, pois a mesma não contem glúten3. REFERÊNCIAS 1. SHILS, M. E. et al Nutrição moderna na saúde e na doença. 10. ed. São Paulo: Manole, 2009. 2. ASSOCIAÇÃO DE CELÍACOS DO BRASIL. Histórico da doença celíaca. São Paulo, 2006. Disponível em: <www.acelbra.org.br>. Acesso em: 06 maio 2013. 3. FENNEMA, O. R. et al. Química de alimentos de Fennema. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 25 4. FUENTES, P.H.A. Avaliação da qualidade de óleos de soja, canola, milho e girassol durante o armazenamento. 2011. 134 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos, Florianópolis, 2011. 5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Arq. Bras. Cardiol., v. 100, n. 1, supl.3, p. 1-40, jan, 2013 ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 26 QUESTÃO 14 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida O nutricionista de um programa de alimentação escolar de um município verificou, em entrevista com um grupo de estudantes de uma escola pública, um elevado consumo de refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e frituras, e um baixo consumo de produtos lácteos, frutas e verduras, o que deixou evidente a necessidade de implementação de estratégias de educação nutricional para o grupo. Na mesma entrevista, foi também constatado que os estudantes não tinham a intenção de mudar seu comportamento alimentar, pois consideravam adequados, práticos e saborosos os alimentos que consumiam com maior frequência. Além disso, não identificavam risco em sua prática alimentar. Considerando o modelo dos estágios de mudança de comportamento e a situação hipotética acima, conclui-se que essas crianças estão no estágio de: (A) Pré-contemplação (B) Contemplação (C) Preparação (D) Manutenção (E) Ação _______________________________________________________________ Gabarito: A Comentário: A utilização de modelos teóricos no planejamento de intervenções nutricionais visando mudança do comportamento alimentar pode contribuir para o maior sucesso da mudança de hábitos. Conhecer o estágio de mudança que o individuo apresenta, auxilia na elaboração da atividade planejada que contribui para mudança efetiva de atitudes1. Dentre diversos modelos de mudança de comportamento, o melhor resultado no âmbito nutricional é o modelo de “estágios de mudança” ou modelo transteórico de Prochaska e colaboradores2, desenvolvido através de estudos na área da psicologia, contemplando os cinco estágios descritos no quadro a seguir: ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella,Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 27 Estágios de mudança Descrição Pré-contemplação O indivíduo não tem a intenção de mudar um comportamento relevante num futuro previsto. Há desinformação ou recusa do conhecimento do risco, ou ainda decisão de não adotar um comportamento saudável. Contemplação O indivíduo começa a entender a necessidade da mudança de comportamento no futuro. É um estágio onde o individuo pode estagnar por um longo período pela dificuldade de compreensão dos benefícios à saúde e falta de incentivo. Preparação O indivíduo pretende agir nos próximos 30 dias e se prepara para tomar uma atitude. É um estágio caracterizado pelo planejamento da estratégia da mudança do comportamento. Ação O individuo executa e implementa a mudança de comportamento e efetua de uma maneira consistente. Há mudança efetiva do comportamento nos últimos 6 meses. Manutenção O individuo já incorporou as mudanças pretendidas por mais de 6 meses. Há solidificação e incorporação da mudança. Fonte: VIEIRA, 2009; MADUREIRA et al., 2009; ASSIS; NAHAS, 1999 De acordo com a caracterização de cada estágio da mudança do comportamento, a alternativa correta para questão é o estágio pré-contemplação, pois os estudantes não apresentam interesse em mudança e não reconhecem o problema. Nesse estágio, o objetivo da educação para mudança visa fazer o individuo pensar no problema. REFERÊNCIAS 1. VIEIRA, L. P. Estágios de mudança do comportamento alimentar em pacientes submetidos à angioplastia transluminal coronária. 2009.100f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Curso de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 28 2. PROCHASKA, J. O. et al. Attendance and outcome in work site weight control program: processes and stages of changes as process and prediction variables. Addic. Behav., Oxford, v. 17, 1992. 3. MADUREIRA, A. S. et al. Associação entre estágios de mudança de comportamento relacionados à atividade física e estado nutricional em universitários. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 10, p. 2139-2146, out. 2009. 4. ASSIS, M. A. A.; NAHAS, M. V. Aspectos motivacionais em programas de mudança de comportamento alimentar. Rev. Nutr., Campinas, v.12, n. 1, p. 33-41, jan./abr., 1999. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 29 QUESTÃO 15 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Com relação ao tratamento dietoterápico para pacientes portadores de pancreatite crônica, avalie as asserções a seguir. A substituição de óleo de soja pelo triglicerídeo de cadeia média (TCM) é uma conduta adequada para pacientes portadores de pancreatite crônica. PORQUE Os triacilgliceróis de cadeia longa (TCL) presentes no óleo de soja, ao contrário do TCM, requerem as lipases pancreáticas para serem desdobrados e absorvidos no intestino delgado. Acerca das asserções acima, assinale a opção correta. (A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. (B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é justificativa correta da primeira. (C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. (D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. (E) As duas asserções são proposições falsas. _________________________________________________________ Gabarito: A Comentário: A história natural da Pancreatite Crônica (PC) caracteriza-se por: insuficiência endócrina e exócrina, marcada por dor abdominal, desnutrição progressiva, síndrome de má absorção e diabetes secundário. No curso da PC a secreção enzimática está reduzida, levando à má digestão e a má absorção de nutrientes, com consequente aparecimento de quadros de esteatorreia e azotorreia¹. A abordagem terapêutica na pancreatopatia crônica deve ser feita, preferencialmente, com dieta hipercalórica, hiperproteica e hipolipídica, uma vez que a presença de lipídios ao ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 30 longo da porção duodenal, principalmente no nível do ângulo de Treitz, é um potente estimulador de secreção e liberação das enzimas pancreáticas, que pode desencadear ou exacerbar a dor². Além disso, na fase inicial da PC, a digestão da gordura é mais afetada do que a de carboidratos e proteínas, intensificando a perda desta pelas fezes com consequente prejuízo nutricional ¹, ³. Recomenda-se, em casos em que há esteatorreia persistente, na PC, o uso de TCM em substituição parcial ao TCL da dieta. O TCM é uma gordura saturada formada de seis a doze átomos de carbono, que possui valor calórico de 8,3 kcal/g e, diferentemente dos TCLs, praticamente independem da digestão pelas enzimas pancreáticas e são absorvidos diretamente na mucosa jejuno-ileal mesmo na ausência de sais biliares, alcançando o fígado através da veia porta e não pelo sistema linfático. Além dessas vantagens, não dependem da carnitina para o transporte através da membrana mitocondrial e não são geradores de mediadores inflamatórios que potencializam a inflamação e a dor4. A adição de TCM permite aumentar o percentual de lipídico da dieta e reduzir proporcionalmente a quantidade de carboidrato, facilitando o manuseio metabólico, na presença tardia de insuficiência endócrina associada à PC 5. Diante do exposto, afirma-se que a opção correta é a apresentada na letra “A”, uma vez que as duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. REFERÊNCIAS 1. SHILS, M. E. et al. Nutrição moderna na saúde e na doença. 10. ed. Manole: São Paulo, 2009. 2. TEIXEIRA NETO, F. Nutrição clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. 3. WAITZBERG, D.L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 4. ed., São Paulo: Atheneu, 2009. 4. LAMEU, E. Clínica nutricional. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. 5. SOBOTKA, L. Bases da nutrição clínica. 3. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2008. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 31 QUESTÃO 16 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Um homem de 55 anos de idade, com alto risco para doença arterial coronariana, compareceu ao ambulatório de nutrição para consulta. Para que sejam observadas as recomendações nutricionais para redução do colesterol plasmático total, esse paciente deve ser orientado a: (A) reduzir o consumo de gorduras totais e de açúcares simples e aumentar a ingestão de leite integral e frutas. (B) aumentar o consumo de ácidos graxos monoinsaturados e de proteína vegetal e manter a ingestão de laticínios integrais. (C) substituir as carnes por alimentos e laticínios integrais, aumentar o aporte de fibras dietéticase reduzir a quantidade de frituras. (D) retirar a gordura aparente das carnes, substituir os laticínios integrais por desnatados e reduzir a ingestão de gorduras vegetais hidrogenadas. (E) aumentar a ingestão de alimentos que são fontes de ácidos graxos poli-insaturados, reduzir a quantidade de açúcares simples e diminuir o número de refeições por dia. _______________________________________________________________ Gabarito: D Comentário: De um modo geral, a base fisiopatológica para os eventos cardiovasculares é a aterosclerose, processo que se desenvolve ao longo de décadas de maneira insidiosa, podendo os primeiros sinais ser fatais ou altamente limitantes1. Embora qualquer artéria possa ser afetada pelo processo aterosclerótico, os principais alvos são a aorta e as artérias coronárias e cerebrais2. A formação da placa de ateroma na parede desses vasos, bem como suas consequências clínicas (infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico), associa-se intimamente com determinados fatores de risco cardiovascular, como a hipercolesterolemia1. Estudos epidemiológicos e experimentais têm mostrado que as dislipidemias, caracterizadas por elevadas concentrações de LDL (low density lipoprotein) e/ou reduzidas de HDL (high density lipoprotein) circulantes, estão associadas à acelerada aterogênese2. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 32 Entre os vários componentes dietéticos, são os ácidos graxos trans que mais aumentam LDL, seguido dos ácidos graxos saturados e do colesterol dietético. Os ácidos graxos trans são isômeros geométricos dos ácidos graxos insaturados, produzidos, principalmente, por meio da hidrogenação parcial de óleos vegetais. Tal processo se aplica aos óleos vegetais líquidos à temperatura ambiente, com o objetivo de conferir consistência de semissólida à sólida a essas gorduras. Na configuração trans, os dois átomos de hidrogênio ligados ao carbono na dupla ligação estão localizados em lados opostos, formando uma molécula mais rígida e com configuração retilínea, assemelhando-se, assim, ao ácido graxo saturado3. Ácidos graxos trans estão presentes em diversos produtos industrializados que utilizam esse tipo de gordura 4. Embora os ácidos graxos saturados, como uma classe, elevem também as concentrações de LDL, são o palmítico (saturado de 16 átomos de carbono) e o mirístico (saturado de 14 átomos de carbono) potentes ácidos graxos que aumentam o colesterol sérico. O leite integral apresenta elevado teor de gorduras saturadas, especialmente ácido palmítico e mirístico. Logo, qualquer alimento cujo principal ingrediente seja o leite integral terá semelhante fonte de gorduras saturadas 3,4. Vale lembrar que cerca de 2/3 dos ácidos graxos saturados da dieta vem da gordura animal, que incluem a gordura dos laticínios e das carnes. A gordura do leite é mais hipercolesterolêmica que a gordura da carne em virtude do seu conteúdo mais alto de ácidos graxos que aumentam o colesterol. Logo, uma redução no ácido graxo saturado da dieta deve vir através da diminuição do consumo de gordura animal. O consumo reduzido de gorduras animais também diminuirá o consumo de colesterol dietético 3,4. Desse modo, considera-se a alternativa correta a apresentada na letra “D”, uma vez que para reduzir o colesterol plasmático recomendam-se: “retirar a gordura aparente das carnes, substituir os laticínios integrais por desnatados e reduzir a ingestão de gorduras vegetais hidrogenadas”. REFERÊNCIAS 1. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. 1242p. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 33 2. SHILS, M. E. et al. Nutrição moderna na saúde e na doença. 10. ed. Manole: São Paulo, 2009. 3. SANTOS R.D. et al. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Arq. Bras. Cardiol., Rio de Janeiro , v. 100, n. 1, supl.3, p. 1- 40, jan. 2013. 4. SPOSITO A.C., et al. IV Diretriz brasileira sobre dislipidemias e prevenção da aterosclerose. Arq. Bras. Cardiol., Rio de Janeiro , v. 88, supl 1, p. 2-19, abril. 2007. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 34 QUESTÃO 17 Autora: Anamaria Araújo da Silva A cirurgia bariátrica tem sido utilizada como alternativa para o tratamento da obesidade mórbida e de enfermidades a ela associadas. Entretanto, a menor capacidade gástrica, consequente desse tipo de cirurgia, reduz a quantidade de nutrientes absorvidos e exige monitoramento do estado nutricional do paciente. Esse monitoramento deve ser realizado por meio bioquímico, para diagnóstico nutricional precoce e para a conduta nutricional mais adequada. A tabela a seguir apresenta os dados bioquímicos de um paciente gastrectomizado. Metabólito Concentração Faixa de referência Albumina (g/L) 3,5 > 3,5 Transferrina (g/L) 4 2,6 a 4,3 Hemoglobina (g/dL) 11,8 12,5 a 15,7 Ferritina (ng/dL) 25 30,0 a 300,0 Proteína ligadora de retinol (mg/dL) 30 37,0 a 51 Os dados acima são compatíveis com: I. deficiência proteica aguda, que é detectada pela proteína ligadora de retinol. II. deficiência de vitamina A que é detectada pela proteína ligadora de retinol. III. anemia por deficiência de ferro, que é detectada pela hemoglobina e ferritina. IV. anemia por deficiência de ácido fólico, que é detectada pela hemoglobina e pela albumina. V. anemia por deficiência de vitamina B12, que é detectada pela hemoglobina e pela transferrina. É correto o que se afirma em (A) I e III. (B) II e IV. (C) IV e V. (D) I, II e III. (E) II, III e V. _______________________________________________________________ Gabarito: A (questão ANULADA) ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 35 Comentário: A afirmativa I está correta, uma vez que a proteína ligadora de retinol, responsável pelo transporte de vitamina A na forma de retinol, é um dos principais indicadores de proteína visceral, sensível na identificação aguda da desnutrição proteico calórica devido a sua curta meia-vida biológica (10 a 12 horas)¹. A afirmativa II está incorreta, pois a concentração de retinol sérico é o teste bioquímico usado na prática clínica para avaliar os níveis de vitamina A, e não a concentração de proteína ligadora de retinol³. A afirmativa III está correta, já que a anemia por deficiência de ferro é detectada pela concentração plasmática de hemoglobina e ferritina²; a concentração plasmática de hemoglobina representa a quantidade de proteína por unidade de volume sanguíneo, sendo o marcador mais fidedigno para determinar a gravidade da anemia por deficiência de ferro², enquanto que a ferritina é o exame que melhor reflete o estado do mineral ferro (glicoproteína que armazena o ferro) no organismo, visto que seus níveis teciduais diminuem antes mesmo do aparecimento da anemia³. A afirmativa IV está incorreta, uma vez que a anemia por deficiência de ácido fólico não é detectada pela concentração de albuminano plasma. Apesar da anemia por deficiência de ácido fólico cursar com leve redução na concentração plasmática de hemoglobina5, os principais indicadores para diagnóstico da deficiência do ácido fólico são sua dosagem ou da concentração plasmática de homocisteína³. A afirmativa V também está incorreta, pois na anemia causada pela deficiência de vitamina B12, utilizam-se como biomarcadores as concentrações plasmáticas de ácido metilmalônico, homocisteína e hemoglobina5. Já a transferrina, glicoproteína de síntese hepática, é responsável pelo transporte de ferro³, e não como marcador de deficiência de vitamina B12. Apesar de esta questão ter sido ANULADA, diante do exposto, considera-se que a alternativa “A” está correta. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 36 REFERÊNCIAS 1. LITCHFORD, M.D. Avaliação: dados laboratoriais. In: MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. p.411-431. 2. CIOCARE J.M.C.; WEBER C.S.; FAULHABER G.A.M. Anemias: In: XAVIER, R.M. et al. Laboratório na prática clínica: consulta rápida. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. p.395-399. 3. CALIXTO-LIMA, L; REIS, N.T.; RODRIGUES, C. S.C. Anemias carenciais: In: CALIXTO-LIMA, L.; REIS, N.T. Interpretação de exames laboratoriais aplicados á nutrição clínica. 1. ed. Rio de Janeiro. Rubio, 2012. p. 306-323. 4. CLARK , S. F. Vitamins and trace elements. In: GOTTSCHLICH, M. M. The A.S.P.E.N. nutrition support core curriculum: a case-based approach- the adult patient. American Society for Parenteral and Enteral Nutrition. p.129-62, 2007. 5. GOTTSCHALL, C.B.A. Guia prático de clínica nutricional: tabelas, valores e referências.1. ed. São Paulo: Atheneu, 2012. p 68. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 37 QUESTÃO 18 Autora: Bethânia Hering O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) foi criado em 1976 com o objetivo de melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores e a qualidade de vida, reduzir acidentes de trabalho e aumentar a produtividade. Acerca do PAT, avalie as asserções a seguir: O PAT preconiza exigências nutricionais com variações de valores calóricos de acordo com o nível de esforço físico exigido pelos trabalhadores, independente do turno de trabalho e da carga horária trabalhada. PORQUE O nível de esforço físico é o fator primordial para cálculo das necessidades calóricas das refeições dos trabalhadores, independente do volume e do horário em que as mesmas são oferecidas. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. (A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. (B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. (C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. (D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. _______________________________________________________________ Gabarito: E Comentário: Uma das linhas de ação do Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (PRONAN), ao perceber deficiência calórica em 67% da população, expandiu a cobertura para trabalhadores de baixa renda, criando em 1976 o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com os objetivos de melhorar o estado nutricional do trabalhador, aumentar sua produtividade e reduzir os acidentes de trabalho e o absenteísmo¹. O PAT foi instituído pela LEI de nº 6.321, de 14 de abril de 1976, tendo por objetivo a melhoria da situação nutricional dos ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 38 trabalhadores, a fim de promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais². Naquela ocasião, as principais refeições (almoço e jantar) deveriam possuir, no mínimo, 1.400 kcal, admitindo-se uma redução para 1.200 kcal no caso de atividade leve, ou acréscimo para 1.600 kcal, no caso de atividade intensa, mediante justificativa técnica²,³. No entanto, diante de um novo contexto estabelecido pela transição nutricional, nos últimos vinte anos, surgiu a necessidade de se estabelecer novas recomendações nutricionais para a alimentação do trabalhador. Esses novos parâmetros nutricionais foram baseados na recomendação de macro e micronutrientes, considerando uma dieta de 2.000 kcal/dia. Assim, a PORTARIA de nº 66, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) em 25/08/2006, alterou os parâmetros nutricionais do PAT, definindo as novas recomendações com base em uma dieta de 2.000 kcal/dia, com carboidrato de 55 a 75% do valor energético total (VET), proteína de 10 a 15% do VET, gordura total de 15 a 30% do VET, gordura saturada menor que 10% do VET, fibra maior que 25 g e sódio menor ou igual a 2400 mg 4, 5. Além disso, a PORTARIA de nº 193 de 2006, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) em 07/12/2006, estabeleceu que as principais refeições (almoço, jantar e ceia) deveriam conter de 600 a 800 kcal (30 a 40% do VET), podendo haver um acréscimo de 20% (400 kcal), e as menores refeições (desjejum e lanche) deveriam conter de 300 a 400 kcal (15 a 20% do VET), admitindo-se um acréscimo de 20% (400 kcal). As refeições também deveriam ter diariamente frutas, verduras e legumes. A mesma Portaria ainda menciona, em seu Inciso IV, Parágrafo 7º que “ O cálculo do VET será alterado, em cumprimento às exigências laborais, em benefício da saúde do trabalhador, desde que baseado em estudos de diagnóstico nutricional.”. Portanto, em nenhum momento as Portarias que regulamentam o PAT mencionam que os valores calóricos deveriam ser ajustados ao nível de esforço físico, não sendo esse considerado fator primordial para o cálculo das necessidades calóricas. Logo, considera-se que a alternativa correta dessa questão seja a alternativa “E”, uma vez que as duas asserções são proposições falsas. REFERÊNCIAS 1. VELOSO, I. S.; SANTANA, V. S. Impacto nutricional do programa de alimentação do trabalhador no Brasil. Rev. Panam. Salud Publ., v. 11, n. 1, 2002. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v11n1/7885.pdf. Acesso em: 04 mar. 2013. http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v11n1/7885.pdf ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 39 2. BRASIL. Portaria n. 03, de 1º de março de 2002. 2002. Disponível em: http://www.mte.gov.br/Empregador/PAT/Legislacao/Conteudo/PORTARIA_N_03_DE_1_DE_ MARCO_DE_2002.pdf. Acesso em: 04 mar. 2013. 3. SAVIO, et al. Avaliação do almoço servido a participantes do programa de alimentação do trabalhador. Revista Saúde Pública, v. 39, n. 2, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v39n2/24035.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2013. 4. BRASIL. Portaria nº 66, de 25 de agosto de2006. Publicada no D.O.U. de 25 de agosto de 2006. Altera os parâmetros nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Brasília DF. 2006 a. 5. BRASIL. Portaria n° 193, de 5 de dezembro de 2006. Publicada no D.O.U.de 07 de dezembro de 2006: Altera os parâmetros nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Brasília DF. 2006 b. http://www.mte.gov.br/Empregador/PAT/Legislacao/Conteudo/PORTARIA_N_03_DE_1_DE_MARCO_DE_2002.pdf http://www.mte.gov.br/Empregador/PAT/Legislacao/Conteudo/PORTARIA_N_03_DE_1_DE_MARCO_DE_2002.pdf ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 40 QUESTÃO 19 Autora: Alessandro Guedes A avaliação do estado nutricional, incluindo consumo alimentar, perfil bioquímico e antropometria, constitui importante instrumento da pratica do profissional nutricionista. A Síndrome metabólica é um transtorno complexo que promove alterações significativas no perfil bioquímico e antropométrico. Por isso, o nutricionista tem papel fundamental dentro das equipes multiprofissionais de cujo objetivo é promover ações voltadas para a prevenção e tratamento dessa síndrome. Considerando essas informações e os parâmetros estabelecidos pela Diretriz Brasileira de Síndrome Metabólica, assinale a opção que apresenta três fatores bioquímicos e (ou) antropométricos que caracterizam o cuidado nutricional e a prescrição dietética especifica na síndrome metabólica. (A) Obesidade abdominal, triglicérides plasmáticas e glicemia de jejum. (B) Triglicérides, ácido úrico plasmático e obesidade abdominal. (C) Composição corporal, glicemia de jejum e HDL-colesterol plasmático. (D) Circunferência da cintura, ácido úrico plasmático e Resistência à insulina. (E) VLDL-colesterol, triglicérides plasmáticos e obesidade abdominal. _______________________________________________________________ Gabarito: A Comentário: A I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica1 utiliza para diagnóstico da síndrome metabólica os critérios da NCEP-ATP III2, onde o paciente deve possuir três, dentre os seguintes critérios: Obesidade abdominal, Triglicerídeo plasmático elevado, HDL (high density lipoprotein) colesterol reduzido, Pressão Arterial e Glicemia de jejum alterados. Embora a presença de hiperuricemia seja importante na avaliação da história clinica, entre outros fatores, é considerada um exame adicional da síndrome3. Dessa forma, apenas a alternativa “A” contempla os parâmetros estabelecidos pela diretriz. REFERÊNCIAS 1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz brasileira de diagnóstico e tratamento da síndrome metabólica. Arq. Bra. Card., v. 84, supl. 1, abr. 2005. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 41 2. EXPERT PANEL ON DETECTION. Evaluation and treatment of high blood cholesterol in adults. Executive summary of the third report of the national cholesterol education program (NCEP) Expert panel on detection, evaluation and treatment of high cholesterol. JAMA, v. 285, n. 19, p. 2486–2497, mai., 2001. 3. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. 1242p ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 42 QUESTÃO 20 Autora: Joseane Freygang A prática esportiva ocasiona aumento das demandas orgânicas de energia e de nutrientes. Considerando que a maratona é uma modalidade esportiva de baixa intensidade e longa duração, avalie as alternativas a seguir. I. Recomenda-se o consumo de carboidratos de elevado índice glicêmico de 2 a 4 h após a maratona, com o propósito de favorecer a ressíntese de glicogênio. II. Em uma maratona, o organismo mobiliza preferencialmente os carboidratos armazenados no fígado e nos músculos como substrato energético para o exercício. III. Mulheres maratonistas têm menor capacidade de mobilizar ácidos graxos durante o exercício prolongado em razão dos diferentes níveis de estrogênio entre os sexos. IV. Indivíduos treinados apresentam maior capacidade de poupar glicogênio muscular e utilizar ácidos graxos de cadeia longa, retardando a queda de desempenho e a fadiga muscular. É correto afirmar o que se afirma em (A) I e II. (B) I e IV. (C) II e III. (D) II e IV. (E) III e IV. _______________________________________________________________ Gabarito: B (questão ANULADA) Comentário: Esta questão não deveria ter sido ANULADA, uma vez que se entende que a alternativa “B” está correta, por que: Afirmativa I - Correta ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 43 A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte recomenda que, após o exercício exaustivo, a ingestão de carboidratos simples deve ser entre 0,7 e 1,5 g/kg peso no período de quatro horas, o que seria suficiente para a ressíntese plena de glicogênio muscular ¹. No que diz respeito à escolha dos alimentos ricos em carboidratos de alto índice glicêmico, na fase de recuperação, estes promovem uma reposição dos depósitos de glicogênio muscular de maneira muito mais eficiente do que aqueles de baixo índice glicêmico². Caso não ocorra reposição de carboidratos nas primeiras horas após o exercício, a ressíntese pode ser diminuída em aproximadamente 50% ³. Afirmativa II - Incorreta Em uma maratona, atividade de intensidade baixa a moderada e longo período, o organismo mobiliza preferencialmente os ácidos graxos. Nessas condições, a lipólise do tecido adiposo periférico é favorecida, aumentando a disponibilidade de ácidos graxos para a captação e utilização pelo músculo esquelético. Caso essa regulação não ocorra, os estoques de glicogênio podem ser depletados precocemente, comprometendo a performance muscular4, 5 . Afirmativa III - Incorreta Existem diferenças entre os sexos, as mulheres aparentemente oxidam mais lipídeos do que carboidratos e proteínas, ao contrário dos homens6 . O estrogênio é capaz de influenciar diretamente a mobilização lipídica, por direcionar o metabolismo para mobilização e oxidação de ácidos graxos. Entretanto, a progesterona diretamente tem a faculdade de limitar a influência do estrógeno, por favorecer o aumento dos estoques de ácidos graxos livres e glicogênio hepático e a redução da gliconeogênese hepática e da sensibilidade periférica à insulina6. Afirmativa IV - Correta Os carboidratos e ácidos graxos são os principais substratos energéticos utilizados pelo músculo durante a prática de atividade física. Os ácidos graxos contribuem com o fornecimento de energia durante exercícios de intensidade leve ou moderada e de longa duração; quanto mais treinado o indivíduo, maior é sua capacidade de oxidação de gordura8, 9. Em atletas treinados ocorre uma adaptação na utilização dos substratos energéticos, com maior utilização dos ácidos graxos para a produção de energia, poupando os carboidratos. As modificações na fibra muscular estão relacionadas ao aumento do número e a forma das ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 44 mitocôndrias,aumento da sua capacidade oxidativa, maior deposição de triacilgliceróis no músculo, aumento da lípase, hormônio sensível presente no tecido adiposo intramuscular ao efeito da adrenalina6. REFERÊNCIAS 1. HERNANDEZ, A. J.; NAHAS, R. M. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev. Bras. Med. Esp., Niterói, v.15, n. 3, p. 43-56, mar./abr., 2009. 2. SIU, P. M.; WONG, S.H.S. Use of the glycemic index: effects on feeding patterns and exercise performance. J. Physiol. Anthropol. Appl. Human Sci., USA, v.23, n. 1, p.1-6, jan. 2004. 3. JENTJENS, R.L.P.G.; JEUKENDRUP, A.E. Prevalence of hypoglycemia following pre- exercise carbohydrate ingestion is not accompanied by higher insulin sensitivity. Int. J. Sport. Nutr., Birmingham, v.12, n. 9, p.398-413, dez. 2002. 4. SPRIET, L. L. Regulation of skeletal muscle fat oxidation during exercise in humans. Med Sci. Sports Exer., Guelph, v. 9, n. 34, p. 1477-1484, set. 2002. 5. HAWLEY J. A. Effect of increase fat availability on metabolism and exercise capacity. Med. Sci. Sports Exer., Bundoora, v. 34, n. 9, p. 1485-1491, set. 2002. 6. PARAVIDINO, A.B. et al. Metabolismo energético em atletas de endurance é diferente entre os sexos. Rev. Nutr. Campinas, Campinas, v. 20, n. 3, p. 317-325, maio/jun. 2007. 7. VAN AGGEL-LEIJSSEN, D.P.C. et al. Effect of exercise training at different intensities on fat metabolism of obese men. J. Appl. Physiol., Maastricht, v. 92, n. 1, p.300-309, nov.2002. 8. YAMASHITA, A.S. et al. Influência do treinamento físico aeróbio no transporte mitocondrial de ácidos graxos de cadeia longa no músculo esquelético: papel complexo ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 45 carnitina palmitoil transferase. Rev. Bras. Med. Esporte., São Paulo, v. 14, n. 2, p. 150-154, mês. 2008. 9. CURI, R. et al. Ciclo de Krebs como fator limitante na utilização de ácidos graxos durante o exercício aeróbio. Arq. Bras. Endocrinol. Metab., São Paulo, v. 47, n. 2, p.135-143, abril. 2003. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 46 QUESTÃO 21 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Um homem obeso, de 55 anos de idade, portador de diabetes tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, foi atendido no ambulatório da unidade básica de saúde do seu bairro, com sua pressão arterial em 160 mmHg x 100 mmHg. Foram solicitados alguns exames, cujo resultado apresentaram glicemia de jejum de 170 mg/dL e colesterol total de 350 mg/dL. Considerando as condições de saúde desse indivíduo e os resultados dos exames clínicos e laboratoriais, a dieta recomendada deve ser: (A) hipocolesterolêmica, hipoproteica e normocalórica. (B) hipocolesterolêmica, hipocalêmica e hipocalórica. (C) hipocolesterolêmica, hipossódica e hipocalórica. (D) hipossódica, hipolipídica e normocalórica. (E) hiperproteica, hipocalêmica, e hipocalórica. _______________________________________________________________ Gabarito: C Comentário: Ao se considerar que o paciente desta questão apresenta-se obeso, com diabetes mellitus do tipo 2, hipercolesterolêmico e com hipertensão arterial sistêmica, se aceita como resposta correta a alternativa “C”, em que a dieta recomendada deve ser HIPOCALÓRICA, HIPOSSÓDICA e HIPOCOLESTEROLÊMICA. Pacientes obesos, diabéticos do tipo 2, hipertensos e dislipidêmicos, logo, com risco cardiovascular aumentado pela associação dos fatores, devem ser orientados para a instituição de medidas não-farmacológicas relacionadas à mudança do estilo de vida (MEV), entre elas, adoção de dieta adequada às condições patológicas já instaladas1. No tratamento do paciente obeso, diabético e hipertenso, é fundamental a realização de um plano alimentar saudável e nutricionalmente balanceado em macro e micronutrientes. Exceto para quantidade de: (1) energia, que deverá estar diminuída na dieta a um ponto no qual as reservas de gorduras devam ser mobilizadas para atender às necessidades energéticas diárias1, (2) sódio, que necessita estar restrito na dieta para o tratamento da hipertensão, com ou sem uso de medicamentos anti-hipertensivos, uma vez que a força da relação entre o consumo de sal e o aumento da pressão arterial é mais intensa em pessoas com pressão ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 47 sanguínea acima da normalidade2 e (3) colesterol dietético e gorduras aterogênicas, como os ácidos graxos saturados e os monoinsaturados trans, presentes em produtos animais (principalmente) e industrializados, respectivamente, que deverão se apresentar reduzidos, como forma de tratamento da hipecolesterolemia3,4 e prevenção de riscos cardiovasculares para os obesos, diabéticos e hipertensos1. As questões A, B, C e D estão incorretas porque não se recomenda neste caso dieta hiperproteica, hipolipídica (principalmente pela presença do diabetes, uma vez que a redução do lipídio acarreta em aumento proporcional na quantidade de carboidrato da dieta; condição inadequada para pacientes com diabetes mellitus, cursando com hiperglicemia) e hipocalêmica (uma vez que o potássio dietético e a os níveis de pressão arterial estão inversamente relacionados, ou seja, ingestões maiores de potássio pela dieta estão associadas a menores valores de pressões sanguíneas)1. Inclusive, a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), adotada tanto para prevenção quanto para o tratamento da hipertensão arterial, incorporado nas diretrizes nutricionais da Associação Americana do Coração, recomenda o aumento no número de porções dos grupos das frutas, verduras e legumes, ricos em potássio, entre outras recomendações1,2. REFERÊNCIAS 1. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. 1242p. 2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. VI Diretrizes brasileiras de hipertensão. Arq. Bras. Cardiol., Rio de Janeiro, v. 95, n. 1, supl.1, p. 1-51. 2010. 3. SPOSITO A. C., et al. IV Diretriz brasileira sobre dislipidemias e prevenção da aterosclerose. Arq. Bras. Cardiol., Rio de Janeiro, v. 88, supl. 1, p. 2-19, abr., 2007. 4. SANTOS R.D., et al. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Arq. Bras. Cardiol., Rio de Janeiro, v. 100, n. 1, supl.3, p. 1-40, jan., 2013. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 48 QUESTÃO 22 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida e Joseane Freygang Suponha que os dados do gráfico sejam utilizados para se calcular a variação, no período da pesquisa, do percentual da população com 20 ou mais anos de idade, por sexo, de acordo com as categorias apresentadas. Essa variação é obtida do seguinte modo: torna-se o valor correspondente a 2008-2009, diminui-se o valor de 1974-1975 e divide-se a diferença resultante pelo valor de 1974-1975.Nesse caso, a maior variação no período corresponde a: (A) Excesso de peso para o sexo masculino. (B) Excesso de peso para o sexo feminino. (C) Déficit de peso para o sexo feminino. (D) Obesidade para o sexo masculino. (E) Obesidade para o sexo feminino. _______________________________________________________________ Gabarito: D Comentário: Cálculos do sexo masculino: Déficit de peso: 0,77%; Excesso de peso: 1,70% e Obesidade: 3,42% Cálculos do sexo Feminino: Déficit de peso: 0,69%; Excesso de peso: 0,67% e Obesidade: 1,11% Ao se considerar os resultados, a maior variação dos percentuais ocorreu na obesidade do sexo masculino. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 49 QUESTÃO 23 Autora: Anamaria Araújo da Silva Um nutricionista foi contratado para implantar um serviço de atendimento nutricional direcionado à equipe de adolescentes que participam de uma escolinha de natação do governo municipal. A equipe é heterogênea quanto às características socioeconômicas, demográficas e culturais e, por isso, como primeira etapa da implantação do serviço, o nutricionista decidiu avaliar o comportamento alimentar dos adolescentes, considerando alguns dos seus potenciais determinantes psicossocioculturais. Nessa situação hipotética, ele deve incluir na avaliação a coleta de informações sobre: I. o desempenho escolar. II. a cultura alimentar da família. III. o consumo de energia e nutrientes. IV. a escolaridade da mãe e a renda familiar. V. o número de horas despendidas assistindo à televisão. É correto o que se afirma em: (A) I e III. (B) II e III. (C) I, III e V. (D) II, IV e V. (E) II, III, IV e V. _______________________________________________________________ Gabarito: D (questão ANULADA) Comentário: Nesta questão o foco deve ser para os determinantes psicossocioculturais. Erik Erikson, certamente o autor mais importante no estudo da adolescência, desenvolveu a teoria psicossocial, em que defende que a tarefa mais importante da adolescência é a construção da identidade. É durante adolescência que o indivíduo se questiona sobre as construções dos períodos anteriores, próprios da infância. Assim, o adolescente, vendo-se assaltado por tantas transformações, quer fisiológicas, cognitivas ou psicossocioculturais, sente a necessidade de rever as suas posições infantis frente à incerteza dos papéis adultos com que se defronta. A crise de identidade é marcada, também, por uma confusão de identidade, obviamente uma ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 50 experiência normativa e necessária. Um aspecto interessante da teoria de Erikson é o conceito de adolescência como moratória psicossocial, ou seja, como um período intermédio admitido socialmente, durante o qual o indivíduo pode encontrar um lugar na sociedade através da experimentação de funções. Sendo assim, a adolescência converte-se num período para experimentar e analisar vários papéis, sem assumir nenhum deles, tentando ajustar-se àqueles que melhor se coadunam com seus sonhos e projetos¹. Crenças, condições econômicas, gostos, formas de conduta, visões de mundo, interesses e motivações, valores e comportamentos, percepção e representação, capacidades e potencializações, ideias e concepções habitam os determinantes psicossocioculturais². Como o foco da questão são para os determinantes psicossocioculturais, o que deveria ser incluído na coleta de informações para implantar um serviço de atendimento nutricional direcionado à equipe heterogênea de adolescentes que participariam de uma escolinha de natação do governo municipal seriam as informações citadas nos itens I (desempenho escolar), II (a cultura alimentar da família), IV (a escolaridade da mãe e a renda familiar) e V (o número de horas despendidas assistindo à televisão). Reforça-se que o desempenho escolar (nível de escolaridade) é um determinante psicossociocultural (ligado às formas de conduta), por tratar-se de um aspecto psicossocial relevante para a compreensão do comportamento. Esse aspecto reúne indicadores psicológicos-cognitivos, como: nível de informação que está associado à capacidade de interpretação, análise, memorização, compreensão e construção de sentidos². Apesar de esta questão ter sido ANULADA, de acordo com o enunciado da questão (É correto o que se afirma em:), a alternativa “D” estaria correta, ainda que o item I não foi citado como determinante psicossociocultural. REFERÊNCIAS 1. ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artmed, 1998. 2. CASTRO, R. P. O sentido dos fundamentos psicossocioculturais da educação na formação docente para a qualidade educacional. Entrelaçando: Revista Eletrônica de Culturas e Educação, Cascavel, ano 2, n. 2, p. 1-16, set. 2011. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 51 QUESTÃO 24 Autora: Renata Labronici Bertin A promoção da saúde do escolar pode ocorrer no ambiente da sala de aula e em outros espaços da escola e da comunidade. Por isso, ao verificar o baixo consumo de hortaliças entre os seus alunos, uma escola desenvolveu um programa de educação nutricional, que inclui a implantação de uma horta escolar cultivada por educadores e alunos na própria escola. Uma justificativa pedagógica plausível para inserção dessa atividade, que objetiva a melhoria dos hábitos alimentares dos alunos é: (A) a inclusão de conteúdos relacionados à produção de alimentos em larga escala na disciplina de ciências. (B) o fortalecimento do vínculo aluno-professor na realização de um trabalho coletivo que permita experiência lúdica. (C) a capacitação das merendeiras na montagem de cardápios conforme a disponibilidade de hortaliças. (D) o aumento da oferta de alimentos para as famílias das crianças, uma vez que a horta pode ser reproduzida nos domicílios. (E) o despertar, nos alunos, da necessidade de mudança no comportamento alimentar pela atividade prática vivenciada. _______________________________________________________________ Gabarito: E Comentário: A escola configura-se como um dos espaços privilegiados para ações de promoção da alimentação saudável, em função de seu potencial para produzir impacto sobre saúde, autoestima e desenvolvimento de habilidades para a vida de todos os membros da comunidade escolar (alunos, pais, professores, merendeiros e funcionários). Considerando o ambiente escolar como indutor das práticas alimentares saudáveis, e a avaliação de seu impacto a partir da análise de seus efeitos em curto, médio e longo prazo, a promoção da alimentação saudável na escola trabalha com vários eixos, dentre os quais se destaca o estímulo à produção de hortas escolares, a partir da realização de atividades com alunos e do uso dos alimentos produzidos na alimentação escolar. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 52 Dessa forma, a implantação de hortas nas escolas pode ser uma das práticas pedagógicas a promover bons hábitos alimentares,pois é neste contexto que a escola exerce influência na formação de crianças e adolescentes e que constitui espaço de grande relevância para promoção da saúde, principalmente na construção do conhecimento do cidadão crítico, estimulando-o à autonomia, ao exercício dos direitos e deveres, às habilidades com opção por atitudes mais saudáveis e ao controle das suas condições de saúde e qualidade de vida. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. Escolas promotoras da saúde: experiências do Brasil. Brasília, 2006. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 53 QUESTÃO 25 Autora: Joseane Freygang Estudo acerca da tendencia histórica da redução da desnutrição no Brasil, entre 1974 e 2007, conclui que o desenvolvimento socioeconômico, unido a politicas públicas favoraveis à equidade, encaminharam para um quadro de melhorais na condição de vida e na redução da desnutrição intantil. MONTEIRO, C.A.M. BENICIO, M.H.D. CONDE, W.L. KONNO,S. et al. Narrowing socioeconomic inequality in clid stunting: the Brazillian experience. Bull. World Organ, 2010, p. 88305-311 (traduzido). Apartir do texto acima e considerando o contexto da segurança alimentar e nutricional, avalie as afirmativas abaixo. I. Promover a saúde e a alimentação adequada e saudável; fortalecer os instrumentos de controle social, de vigilancia nutricional e de fiscalização de alimentos; monitorar a propaganda e rotulagem são medidas capazes de contribuir para a continuação da evolução favorável do cenário apresentado no texto acima. II. Entende-se por alimentação saudável aquela que é de fácil acesso, em quantidade suficiente e de modo permanente, conforme explicitado no direito humano à alimentação adequada segundo o qual todas as pessoas devem estar livres da fome e da má nutrição. III. A vunerabilidade à fome ou a exposição à insegurança alimentar e nutricional torna-se mais aguda quando a análise se baseia nos indicadores indiretos do estado nutricional, uma vez que assim se abrange um contingente mais amplo e diversificado da população em situação de risco. IV. Aquilo que se come e bebe não é somente uma questão de escolha individual. A pobreza, a exclusão social e a qualidade da informação disponível frustram, ou pelo menos restringem, a escolha de uma alimentaçao adequada e saudável. É correto apenas o que se afirma em: (A) I e II. (B) II e III ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 54 (C) III e IV (D) I,II e IV (E) I,III e IV _______________________________________________________________ Gabarito: E Comentário: O conceito de segurança alimentar anteriormente limitado ao abastecimento, na quantidade apropriada, foi ampliado, incorporando também o acesso universal aos alimentos, o aspecto nutricional e, consequentemente, às questões relativas à composição, à qualidade e ao aproveitamento biológico dos alimentos. O Brasil adotou esse novo conceito a partir de 1986, com a I Conferência Nacional de Alimentação e Nutrição, que se consolidou na I Conferência Nacional de Segurança Alimentar, em 1994¹. A alimentação e a nutrição constituem requisitos básicos para a promoção e a proteção da saúde, possibilitando afirmação plena do potencial de crescimento e desenvolvimento humano, com qualidade de vida e cidadania. No plano individual e em escala coletiva, esses atributos estão consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada há 50 anos¹. Dessa forma, a afirmativa II está incorreta, pois a alimentação saudável está diretamente relacionada à garantia da qualidade dos alimentos colocados para consumo, prevenção e controle dos distúrbios nutricionais¹, e não somente à quantidade e ao acesso universal aos alimentos. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de alimentação e nutrição. 2013. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnan.pdf>. Acesso em: 24 abril 2013. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnan.pdf ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 55 QUESTÃO 26 Autora: Bethânia Hering Em estudo realizado para analisar o percentual de resto-ingestão de uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) de um hospital de especialidade cardiológica quantificou-se o peso dos restos alimentares do almoço e jantar da dieta geral, totalizando 514 observações referentes a 142 pacientes. A figura a seguir mostra as taxas percentuais de resto-ingestão encontradas. A partir das informações apresentadas no texto e na figura acima, e considerando que o controle de resto-ingestão é um dos indicadores de qualidade de dietas, avalie os itens que se seguem: I. Na UAN Hospitalar, há um excesso de desperdício com alimentação. II. O porcionamento deve ser revisado, pois as porções estão acima do necessário. III. Os cardápios foram bem planejados em relação à seleção dos alimentos. IV. A execução das preparações dos cardápios foi realizada adequadamente. Estão corretos apenas os itens: (A) I e II (B) II e III (C) III e IV (D) I, II e IV. (E) I, III e IV ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 56 _______________________________________________________________ Gabarito: C (questão ANULADA) Comentário: O desperdício de alimentos pode ser influenciado por uma série de fatores, como: planejamento inadequado de refeições, preferências alimentares, treinamento dos funcionários para produção e porcionamento dos alimentos. A padronização de porções alimentares dietéticas demanda pesquisa e avaliação individual do cliente, a fim de garantir oferta de quantidades adequadas. Espera-se que isso resulte em melhor qualidade do serviço, além de melhor atenção nutricional¹,². As taxas de desperdício alimentar sofreram alterações nos parâmetros considerados aceitáveis, ao longo da história, sempre buscando atender novas demandas, principalmente agora, diante do contexto de sustentabilidade. Inicialmente, Mezomo³ mencionou que taxas de desperdício superiores a 10% para coletividades sadias e 20% para coletividades enfermas pressupõem cardápios mal planejados ou executados de forma incorreta. Para Maistro4 eram aceitáveis, como percentual de resto-ingestão, taxas inferiores a 10%, sendo considerados serviços de alimentação bem administrados, sob esse aspecto, aqueles que conseguiam manter tais parâmetros. Já em estudo realizado em UAN´s de Santa Catarina, foi estabelecida como parâmetros aceitáveis para resto-ingestão uma taxa de 3% em relação à quantidade de alimentos distribuídos e, para sobra limpa, uma taxa de 2% em relação ao valor total produzido5. Os valores de resto-ingestão podem ser utilizados como ferramenta de avaliação de desempenho, uma vez que dentro do custo mensal de uma UAN estão incluídos os custos da sobra limpa (alimentos produzidos e não distribuídos à clientela) e de resto (alimentos distribuídos e não consumidos pela clientela). Atualmente,espera-se que os restos produzidos pelos serviços não ultrapassem 5% da produção de alimentos, o que os classifica na condição de ótimos. Aqueles serviços cujo desperdício de alimentos varia entre 5 e 10% são classificados como bons e na faixa regular estão os serviços que perdem entre 10 e 15%. As perdas alimentares que superam 15% da produção representam um indicativo de péssimo desempenho do serviço¹,². A Figura ilustra os resultados de desperdício alimentar da dieta geral, da UAN Hospitalar, demonstrando resultados mais favoráveis para o jantar (74,1%), se comparados com o almoço (48,9%), alcançando taxa de resto-ingestão inferior a 5%, classificando-se com o conceito ótimo. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 57 No entanto, se considerarmos a recomendação proposta¹ os resultados não demonstram ser tão favoráveis, uma vez que 36,8% das dietas servidas no almoço e 15,6% no jantar apresentaram taxa de resto-ingestão entre 11 e 20%, o que as classifica com um resultado regular ou péssimo, de acordo com a literatura mais recente. Mas, para Mezomo³ este indicador estaria adequado. Possivelmente essa questão tenha sido anulada em função da forma como podem ser analisados os resultados, uma vez que Mezomo³ considera que, para coletividade enferma, a taxa de desperdício até 20% seja considerada aceitável, apesar de já existir outros indicadores definidos, inferiores e mais atuais, porém, não definidos para coletividade enferma. Considera-se ainda que o uso de apenas um indicador, qual seja o resto-ingestão, para coletividade enferma, é insuficiente para classificar o cardápio como inadequado. Destaca-se que as alternativas apresentadas no enunciado não contemplam a resposta a ser dada. REFERÊNCIAS 1. NONINO, C.B.; TANAKA, N.Y.Y; MARCHINI, J.S. Controle do desperdício e manejo de resíduos. In: VIEIRA, M. N. C. M.; JAPUR; C. C. (Coord.). Gestão da qualidade na produção de refeições. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. p.258-265. 2. NONINO-BORGES, C. B. Desperdício de alimentos intra-hospitalar. Revista de Nutrição, Campinas, v. 19, n. 3, p. 349-356, maio/jun., 2006. 3. MEZOMO, I. F.DE B. O SERVIÇO DE NUTRIÇÃO: ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO. SÃO PAULO: CEDAS, 1983. 440 P. 4. MAISTRO, L. C. ESTUDO DE ÍNDICE DE RESTO INGESTÃO EM SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO. NUTRIÇÃO EM PAUTA, SÃO PAULO, N. 45, V. 8, P. 40-43, NOV./DEZ., 2000. 5. HERING, B.; VEIROS, M. B. Indicadores de desperdício alimentar para unidades de alimentação e nutrição (UAN). In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO, 7. 2003, Belo Horizonte, MG. Anais...Belo Horizonte: SBAN, 2003.p. 183. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 58 QUESTÃO 27 Autora: Joseane Freygang O leite [similar] é caro, mas pode ser pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estima- se que entre 7% e 9% das crianças com até 3 anos tenham alergia ao leite de vaca. A substituição é custosa: uma única lata do similar, suficiente para três dias, fica entre 110 e 400 reais. Veja, edição 2177, 11 ago. 2010 (adaptado). Um nutricionista leu essa notícia e considerou que a divulgação da mesma repercute positivamente nas ações de atenção dietética, pois a notícia veiculada cumpriu o papel de: (A) mostrar aos consumidores o quanto é dispendioso substituir o leite de vaca por similares. (B) informar aos cidadãos seus direitos relativos ao atendimento à saúde. (C) apresentar dados estatísticos referentes a uma enfermidade pouco conhecida pela população. (D) tratar o assunto de forma clara e objetiva para que os leitores saibam da existência da enfermidade. (E) informar aos profissionais da saúde que existe uma grande parcela da população com alergia ao leite de vaca. _______________________________________________________________ Gabarito: B Comentário: O direito fundamental à saúde não é só um dos direitos básicos tutelados pela Constituição Federal, mas também por vários documentos internacionais atinentes a direitos humanos, pois o elemento saúde é essencial ao direito de viver com dignidade¹. No que tange aos direitos das crianças e adolescentes, estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (LEI FEDERAL de nº 8.069, de 13 de julho de 1990) que a criança goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana e da proteção nos termos do Estatuto (art. 3°), sendo dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 59 saúde, à dignidade, ao respeito, dentre outros (art. 4°). Ainda, dispôs no artigo 7° que a criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência². Uma vez demonstrado que a criança necessita do medicamento-alimento por expressa indicação de profissional médico competente, o Estado está obrigado a fornecê-lo. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. 2. BRASIL. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o estatuto da criança e do adolescente, e dá outras providências. Brasília, 1990. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 60 QUESTÃO 28 Autora: Joseane Freygang Avalie as asserções a seguir. É responsabilidade do município manter o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional atualizado quanto aos dados dos beneficiários cadastrados no Bolsa Família, para que essas pessoas continuem recebendo o benefício. PORQUE A Vigilância Alimentar e Nutricional consiste em um sistema de intervenção e informação voltado para o monitoramento e a melhoria do estado nutricional das populações beneficiárias de programas sociais. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. (A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. (B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. (C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. (D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. (E) As duas asserções são proposições falsas. _______________________________________________________________ Gabarito: C (questão ANULADA) ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 61 Comentário: É responsabilidade do município, coordenar o processo de inserção e atualização das informações de acompanhamento das famílias do Programa Bolsa Família nosaplicativos da Vigilância Alimentar e Nutricional¹. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) foi proposto primeiramente pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN) em 1976, mas somente em 1990, após a promulgação da LEI de no 8080 de 1990, e com a publicação da PORTARIA de no 1.156 publicada em 31 de agosto desse mesmo ano, é que o SISVAN foi estabelecido nacionalmente. O Sistema foi concebido sobre três eixos: I - formular políticas públicas; II - planejar, acompanhar e avaliar programas sociais relacionados a agraves de alimentação e nutrição; e III - avaliar a eficácia das ações governamentais. Na saúde, o SISVAN é um instrumento para obtenção de dados de monitoramento do Estado Nutricional e do Consumo Alimentar das pessoas que frequentam as Unidades Básicas do Sistema Único de Saúde (SUS). São contempladas pela Vigilância Alimentar e Nutricional todas as fases do ciclo de vida: crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes². Dessa forma, as duas asserções são proposições verdadeiras, sendo que a segunda não é justificativa da primeira. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Portaria Interministerial. n. 2.509, de 18 de novembro de 2004. Dispõe sobre as atribuições e normas para a oferta e o monitoramento das ações de saúde relativas às condicionalidades das famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/legislacao/portaria_interminist2509_15_11_2004.pdf>. Acesso em: 25 abril 2013. 2. SISTEMA DE VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Disponível em: <http://nutricao.saude.gov.br/sisvan.php>. Acesso em: 24 abr. 2013. http://nutricao.saude.gov.br/sisvan.php?conteudo=estado_nutricional http://nutricao.saude.gov.br/sisvan.php?conteudo=consumo_alimentar http://189.28.128.100/nutricao/docs/legislacao/portaria_interminist2509_15_11_2004.pdf http://nutricao.saude.gov.br/sisvan.php ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 62 QUESTÃO 29 Autora: Bethânia Hering A sustentabilidade é uma questão central do tripé ambiente, sociedade e economia. As unidades de alimentação e nutrição (UAN) causam impactos decorrentes de suas atividades nos três aspectos citados. No quadro a seguir são apresentados exemplos de indicadores da sustentabilidade no preparo e consumo de alimentos. Estágio do Ciclo de Vida Indicadores Econômicos Indicadores Sociais Indicadores Ambientais Preparação e consumo Proximidade geográfica do produtor, processador e varejista Valor nutricional dos produtos/preparações Consumo de energia do preparo, armazenamento e refrigeração de alimentos Número de clientes atendidos Segurança alimentar Resíduos das embalagens Gastos com alimentação e aquisição de alimentos Taxas de desnutrição e obesidade na população Comparação entre alimentos locais e não locais Custo de saúde relacionada à alimentação Alimentos sazonais e não sazonais Equilíbrio dietético Com base nos indicadores da sustentabilidade, quais são as premissas para se estruturar um cardápio de forma sustentável? Dimensionar recursos materiais e humanos, incluir preparações do patrimônio gastronômico internacional e local, oferecer opções vegetarianas preparadas com produtos hidropônicos. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 63 (A) Aumentar oferta de alimentos funcionais, empregar produtos de origem animal de criação extensiva, adquirir vegetais hidropônicos, usar utensílios feitos com material natural. (B) Resgatar pratos tradicionais ou regionais utilizar produtos de origem local e orgânicos, considerar a sazonalidade na seleção de alimentos, aumentar o uso de frutas e grãos integrais. (C) Estabelecer orçamentos do cardápio, incluir preparações integrais, empregar técnicas de cocção que reduzam o emprego de gorduras, priorizar o uso de pratos vegetarianos. (D) Incluir preparações internacionais, nacionais e regionais, definir técnicas de preparo, adquirir produtos integrais, usar vegetais orgânicos ou hidropônicos. _______________________________________________________________ Gabarito: C Comentário: Para justificar a resposta dessa questão podemos, inicialmente, analisar as alternativas da questão e assinalar em negrito o que se destaca como uma informação que se relaciona com o tema: sustentabilidade e, além disso, sublinhar informações que são discordantes ao tema. O próprio quadro apresenta os indicadores econômicos, sociais e ambientais que estão fortemente relacionados com sustentabilidade na produção de refeições, indicando ações que podem minimizar o impacto ao meio ambiente. O modo de vida urbano contemporâneo é caracterizado pela falta de tempo para o preparo e o consumo de alimentos. Observa-se o deslocamento das refeições para fora dos domicílios e, consequentemente, o aumento do número de Unidades Produtoras de Refeições (UPR). Essa produção de alimentos gera diversos resíduos orgânicos e inorgânicos2. Dentro desse contexto, é necessário que as UPRs se ajustem à práticas que preservem os recursos naturais e diminuam os danos ao ambiente4,5. Para as aplicações dos preceitos da sustentabilidade em UPR é primordial que o nutricionista conheça o seu papel e suas possíveis ações no fomento da sustentabilidade, tais como: favorecer um diálogo com os fornecedores sobre a abrangência do desenvolvimento sustentável, privilegiar o fornecimento racional de alimentos (tipo de embalagem preferencialmente reciclável e os meios de transporte utilizados), dar preferência na elaboração do cardápio por alimentos da estação e/ou alimentos vindos de um modo de ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 64 produção ambientalmente amigável, preferir equipamentos que consumam menos água e energia e desenvolver programas de sensibilização junto aos funcionários para evitar o desperdício³. A não adequação das práticas sustentáveis nas UPR traz reflexos negativos ao ambiente, considerando-se: a geração de resíduos, a não adequação do descarte de produtos e embalagens, a utilização de produtos químicos não biodegradáveis e o desperdício de água e de energia nas diversas etapas do processo produtivo4. Além disso, o princípio da “sustentabilidade ambiental” é claramente evidenciado no Guia Alimentar para a População Brasileira¹, com o incentivo ao consumo de alimentos nas formas mais naturais, produzidos localmente, com a valorização dos alimentos regionais, da produção familiar e da cultura alimentar, estimulando ações que buscam mudanças de hábitos alimentares para a redução do risco de ocorrência de doenças, valorizando a produção e o processamento de alimentos com o uso de recursos e tecnologias ambientalmente sustentáveis. Atualmente, se reconhece como prioritária a produção de alimentos que fomentem e garantam a Segurança Alimentar e Nutricional nacional, mas se reconhece como, igualmente prioritário, o uso da terra e da água, de forma ecologicamente sustentável e com impactos sociais e ambientais positivos. Por essas afirmações, considera-se correta a alternativa “C”, que menciona como premissa, para se estruturar um cardápiode forma sustentável, o resgate de pratos tradicionais ou regionais, a utilização de produtos de origem local e orgânicos, considerando a sazonalidade na seleção de alimentos e, finalmente, o aumento no uso de frutas e grãos integrais. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília, 2006. 2. CALE, L.; SPINELLI, M.G.N. Controle de Resíduos: responsabilidade social do nutricionista. Revista Nutrição Profissional, São Paulo, v. 19, p. 33-38, mai./jun., 2008. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 65 3. LEMOS, M.; CAMPOS, I.C. Implantação da ISO 14001 na Unidade de Alimentação e Nutrição de uma Indústria de Santa Catarina, Brasil. Revista Nutrição em Pauta, São Paulo, v. 13, n. 72, p. 30-35, mai./jun., 2005. 4. VEIROS, M. B.; PROENÇA, R. P. da C. Princípios de sustentabilidade na produção de refeições. Revista Nutrição em Pauta. São Paulo, n. 102, v. 18, p. 45-49, maio/jun., 2010. 5. PREUSS, K. Integrando nutrição e desenvolvimento sustentável: atribuições e ações do nutricionista. Revista Nutrição em Pauta. São Paulo, n. 99, p.50-53, nov./dez., 2009. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 66 QUESTÃO 30 Autora: Anamaria Araújo da Silva A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) tem como parte de seus propósitos a prevenção e o controle das deficiências nutricionais, entre as quais a anemia ferropriva. Tendo em vista a sua alta incidência, especialmente em crianças menores de dois anos e gestantes, tornou-se obrigatório, no Brasil, desde 2002, a fortificação das farinhas de trigo e milho, que são alimentos de baixo custo e consumo frequente pela população. Neste contexto a fortificação de alimentos é uma ação política de segurança alimentar. Visando atender aos propósitos da PNAN e avaliar a política de fortificação, é, necessário que, nos diversos níveis do sistema de saúde, seja contínuo o monitoramento (A) do consumo e da prevalência de anemia ferropriva nos grupos populacionais vulneráveis. (B) dos teores de ferro e ácido fólico dos alimentos fortificados e do consumo destes alimentos pela população. (C) do consumo dos alimentos fortificados e da prevalência de anemia ferropriva nos diferentes grupos populacionais. (D) dos teores de ferro, vitamina C e ácido fólico dos alimentos fortificados e do consumo destes alimentos pela população. (E) dos teores de ferro nos alimentos fortificados, do consumo destes alimentos e da prevalência da anemia ferropriva na população. _______________________________________________________________ Gabarito: E Comentário: A PNAN, aprovada em 1999, compõe o conjunto de políticas do governo voltadas à concretização do direito universal humano, à alimentação e à nutrição adequadas. O propósito da PNAN é a garantia da qualidade dos alimentos colocados para consumo no país, a promoção de práticas alimentares saudáveis, a prevenção e o controle dos distúrbios nutricionais, bem como o estímulo às ações intersetoriais que propiciem o acesso universal aos alimentos¹. Sete são as diretrizes programáticas dessa Política: 1. Estímulo à ações intersetoriais com vistas ao acesso universal aos alimentos. 2. Garantia da segurança e qualidade dos alimentos; ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 67 3. monitoramento da situação alimentar e nutricional; 4. promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis; 5. prevenção e controle dos distúrbios e doenças nutricionais; 6. promoção do desenvolvimento de linhas de investigação; 7. desenvolvimento e capacitação de recursos humanos em saúde e nutrição¹. A alternativa “E” contempla tanto o propósito da PNAN como as suas diretrizes. As demais alternativas “A”, “B”, “C” e “D” estão incorretas, pois estão incompletas em relação aos propósitos da política e não visam às suas propostas de avaliação, principalmente em relação ao monitoramento da política. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de alimentação e nutrição. Brasília, 2012. (Série B. Textos Básicos de Saúde). ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 68 QUESTÃO 31 Autora: Joseane Freygang O nutricionista de uma unidade de saúde realizou um levantamento em que identificou as crianças entre 6 e 30 meses de idade que eram usuárias do serviço e aplicou às mães um inquérito dietético do tipo recordatório de 24 horas (R24h) para avaliar a ingestão de energia e nutrientes. Cada mãe respondeu, em entrevista individual, dois R24h, aplicados em dias não consecutivos. A análise preliminar dos dados relativos aos micronutrientes evidenciou que as crianças entre 6 e 17 meses de idade apresentavam uma ingestão de vitamina C em quantidades muito inferiores àquelas recomendadas e menores do que a das crianças entre 18 e 30 meses de idade. Por outro lado, observou-se que a ingestão de cálcio foi adequada e semelhante entre as crianças dessas duas faixas etárias. Essa constatação levou o nutricionista a aplicar mais quatro R24h às mães de todas as crianças. Considerando essa situação hipotética, avalie as asserções a seguir. O que levou o nutricionista a ampliar o número de R24h foi a necessidade de melhor estimar a ingestão de vitamina C, com base na análise do consumo de alimentos-fonte do nutriente em um período maior de tempo. PORQUE Os nutrientes cujos alimentos-fonte estão presentes, regular e frequentemente, na alimentação habitual de um grupo populacional específico, como os pré-escolares, apresentam baixa variação intraindividual e interindividual de ingestão. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. (A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. (B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. (C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. (D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. (E) As duas asserções são proposições falsas. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 69 _______________________________________________________________ Gabarito: B (questão ANULADA) Comentário: A ingestão habitual de um indivíduo ou grupo de indivíduos pode ser definida como a média do consumo alimentar por um período, sendo estimada a partir de um determinado número de observações. Pesquisas têm demonstrado variabilidade na ingestão diária de energia e nutrientes, o que pode representar um problema na interpretação dos dados encontrados¹. O Recordatório Alimentar é provavelmente a técnica mais amplamente empregada em pesquisas.Esse tipo de inquérito dietético tem por objetivo relatar o consumo de todos os alimentos e bebidas ingeridos durante um período de 24 horas²,³,4. As principais vantagens desse método são a rapidez e fácil administração, pois não necessita que o indivíduo entrevistado seja alfabetizado, e a principal limitação é que não confirma uma estimativa segura de ingestão, uma vez que há variação de consumo alimentar no dia-a-dia². Por exemplo, o coeficiente de variação da ingestão diária de vitamina C é bastante elevado, maior que 60 a 70% 5. Diante do exposto, considera-se a alternativa correta a da letra “C”, em que “a primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa”. REFERÊNCIAS 1. PALANIAPPAN, U. et al. Implications of day-today variability on measurements of usual food and nutrient intakes. J. Nutr., Canada, n. 133, p. 232-235, jan. 2003. 2. FREUDENHEIM, J.L. A review of study designs and methods of dietary assessment in nutritional epidemiology of chronic disease. J. Nutr., Buffalo, n. 123, p. 401-405, fev. 1993. 3. BASIOTIS, P.P. Number of days of food intake records required to estimate individual and group nutrient intakes with defined confidence. J. Nutr., Hyattsville, n. 117, p. 1638-1641, set. 1987. 4. BUZZARD, M. 24-hour dietary recall and food record methods. In: WILLET, W. (Ed.). Nutritional epidemiology. 2. ed. New York: Oxford University, 1998. p. 51-67. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 70 5. MARCHIONI, D. M. L., SLATER, B., FISBERG, R. M. Aplicação das dietary reference intakes na avaliação da ingestão de nutrientes para indivíduos. Rev. Nutr., Campinas v. 17, n. 2, p. 207-216, jun. 2004. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 71 QUESTÃO 32 Autora: Camila Leandra Bueno de Almeida Uma jovem de 22 anos de idade, com 58 kg de peso corporal e 1,70 m de altura, ingressou recentemente no time de handebol da sua universidade. Preocupada com sua alimentação e com seu desempenho físico nas competições, ela consultou um nutricionista com o objetivo de obter informações a respeito da relação entre o consumo de carboidratos e lipídios e a sua atividade esportiva. Considerando a situação hipotética acima e a relação entre alimentação e desempenho físico, avalie as afirmativas a seguir. I. É recomendável o consumo de alimentos ricos em carboidratos e lipídios próximos ao horário da atividade física, pois esses alimentos favorecem o deposito do glicogênio hepático, considerado fonte de glicose para o exercício. II. A jovem apresenta estado nutricional adequado, segundo o índice de massa corporal e, por isso, deve ingerir alimentos ricos em gordura antes da atividade física, pois a gordura é fonte de energia para esporte de intensidade leve. III. O consumo de bebidas energéticas com 6% a 8% da solução de carboidratos durante a atividade física é recomendável por permitir que carboidratos sejam enviados para os tecidos no momento em que a fadiga aparece. IV. A ingestão de carboidratos durante a atividade física não previne a fadiga muscular, mas retarda o seu surgimento, melhorando também o desempenho da esportista pela manutenção da glicemia durante o exercício. É correto apenas o que se afirma em: (A) I e II (B) I e III (C) I e IV (D) II e III (E) III e IV _______________________________________________________________ Gabarito: E ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 72 Comentário: Os carboidratos são o substrato energético para atividades aeróbias de longa duração, porém, as reservas corporais de glicogênio são limitadas e podem ser totalmente depletadas em eventos atléticos desta natureza. A utilização do lipídio (ácidos graxos livres) como fonte de energia pode ser vantajosa por poupar o uso dos estoques de glicogênio para os estágios finais da competição, no entanto, a ingestão de alimentos gordurosos próxima ao treino pode ocasionar prejuízo na atividade física¹. Considera-se a afirmativa I falsa, pois o consumo de lipídios próximo ao horário de treino não é recomendado devido à demora do esvaziamento gástrico e maior possibilidade de aparecimento de desconforto abdominal. Ainda o depósito de glicogênio hepático ocorre através da glicose advinda do carboidrato e não dos lipídios da dieta². Já a afirmativa II, apesar de estar correto classificar o jovem como eutrófico pelo índice de massa corporal e de se afirmar que a gordura é fonte de energia para exercícios de intensidade leve (e longa duração)¹, essa afirmativa também é falsa. É imperativo verificar o horário e a qualidade de consumo alimentar antes da refeição para não prejudicar a digestão e a disponibilidade dos nutrientes para uso energético no decorrer da atividade física¹. A manutenção da glicemia por meio do consumo de carboidratos durante o exercício intermitente, além de fornecer substrato para o músculo no período ativo, permite que, nos momentos nos quais a demanda energética é menor (período passivo), a glicose absorvida seja captada pelo músculo e desviada para ressíntese de glicogênio. Adicionalmente, para melhores resultados, esse consumo deve observar algumas orientações quanto à quantidade e à qualidade dos carboidratos consumidos². A reposição de carboidrato, entre 30 e 60 g de glicose por hora de atividade, deve ser considerada apenas para as atividades intensas e contínuas com mais de uma hora de duração. A bebida a ser consumida durante a atividade deve ter temperatura entre 5 e 15⁰C, e conter entre 6 e 8% de carboidrato e entre 20 e 30mEq/l de sódio. A concentração de carboidratos de 6% a 10% objetiva hidratação e fornecimento de energia para o atleta². Além disso, destaca-se que a manutenção da glicemia no exercício dificulta a hiper/hipoglicemia de rebote e melhora o controle hormonal durante a atividade, principalmente de insulina, hormônio anabólico que evita a quebra muscular como fonte energética4. Diante do exposto, postula-se que a afirmativa III é verdadeira, pois a ingestão de carboidratos através de bebidas energéticas (de 6 a 8%) durante o treino retarda o ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 73 esgotamento das reservas de glicogênio muscular e hepático, adiando a fadiga por falta de substrato energético (glicose). Da mesma maneira a afirmativa IV é verdadeira, uma vez que apenas a ingestão de carboidratos durante o treino não é capaz de evitar a fadiga, pois dependerá de fatores como intensidade e duração da atividade física e do tipo de sistema respiratório utilizado no exercício (aeróbico e/ou anaeróbico). REFERÊNCIAS 1. FERREIRA, A. M. D.; RIBEIRO, B. G.; SOARES, E. A. Consumo de carboidratos e lipídios no desempenho em exercícios de ultra-resistência. Revista Brasileira Medicina Esporte, v. 7, n. 2, mar./ abr. 2001. 2. AOKI, M. S.; BACURAU, R. F. P. Nutrição no Esporte. São Paulo: Casa da Palavra, 2012, 160p. 3. CARVALHO, T.; MARA, L. S. Hidratação e nutriçãono esporte. Revista Brasileira Medicina no Esporte, v. 16, n. 2, mar./ abr. 2010. 4. MCARDLE, W. D. et al. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. lix, 1113 p, il. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 74 QUESTÃO 33 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Após 22 dias sob a terra, em média, cada mineiro chileno emagreceu 10 kg. Boa parte dessa perda se deveu à desidratação pelo calor e pela umidade das galerias e à diarreia, resultado da ingestão de água contaminada. Nos dois primeiros dias após restabelecido contato com o mundo acima da mina, os mineiros receberam apenas uma solução de água com glicose. Na quarta-feira, uma barra de cereais de 250 calorias. Ontem, foram duas barras, totalizando 500 calorias. Hoje, deve ser 800. O objetivo é ir aos poucos ampliando a oferta de calorias, até 2000 calorias – normais para um adulto. CAPRIGLIONE, L. Mineiros recebem câmeras e nicotina. Folha de São Paulo. 27 ago. 2010 (adaptado). I. O fornecimento de calorias fracionadas é recomendado, apesar das necessidades nutricionais vigentes, para que sejam evitados os efeitos indesejáveis da síndrome de realimentação. II. A solução de água com glicose é indicada devido ao quadro severo de desidratação, pois a glicose retém os eletrólitos corporais, tais como sódio e potássio. III. A solução de água com glicose é indicada, pois a glicose é um monossacarídeo de rápida absorção e isso melhoraria o processo de reidratação, considerando o quadro de diarreia apresentado por esses indivíduos. IV. A utilização de leite ou bebidas lácteas também seria recomendada como fonte proteica de boa digestibilidade após um período prolongado de jejum. É correto apenas o que se afirma em (A) I e II. (B) I e III. (C) II e IV. (D) I, II e III. (E) II, III e IV _______________________________________________________________ Gabarito: D (questão ANULADA) ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 75 Comentário: A síndrome de realimentação é um conjunto de manifestações clínicas, que abrange alterações hidroeletrolíticas associadas às anormalidades metabólicas que acometem pacientes depois de longos períodos de jejum alimentar1. No jejum prolongado a secreção de insulina é diminuída e a concentração de glucagon aumentada. Mobilizam-se os estoques de gordura e proteína que são envolvidos para produção energética, via gliconeogênese. O tecido adiposo provê grandes quantidades de ácidos graxos e glicerol enquanto o tecido muscular degradado fornece aminoácidos. Nessas circunstâncias, corpos cetônicos e ácidos graxos livres substituem a glicose como maior fonte de energia. Essa mobilização energética resulta em perda de massa corporal e perda intracelular dos eletrólitos e minerais, como potássio, magnésio e principalmente fósforo, cuja reserva intracelular em pacientes emagrecidos pode estar esgotada apesar de concentrações plasmáticas normais1,2,3,4. Do mesmo modo, a presença de diarreia, intensifica a perda concomitante de eletrólitos (sódio e potássio), o que favorece o agravo da desidratação3. No início da realimentação ocorre deslocamento do metabolismo lipídico ao glicídico com consequente aumento da secreção de insulina, que estimula a entrada de glicose, fosfato, potássio, magnésio e água para o meio intracelular (para síntese proteica), podendo resultar em distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos, que ocorre em até quatro dias após o início da realimentação1,2. As anormalidades metabólicas, principalmente hidroeletrolíticas, resultantes da síndrome de realimentação, podem afetar varias funções corporais, do mesmo modo que a realimentação hiperglicídica pode reduzir a excreção de água e sódio, o que provoca desequilíbrio no balanço dos fluidos corporais, podendo resultar em insuficiência cardíaca, desidratação ou sobrecarga hídrica, hipotensão, insuficiência renal e até morte súbita 1,2,4. Antes da realimentação, apesar de retardar seu reinício, os distúrbios eletrolíticos devem ser corrigidos e o volume circulatório cuidadosamente restabelecido dentro das primeiras 12 a 24 horas. Os eletrólitos plasmáticos, particularmente sódio, potássio, fosfato e magnésio, devem ser monitorados antes e durante a realimentação, pelo menos por quatro dias. Além disso, é necessária correção, especificamente de tiamina, pelo menos 30 minutos antes da dieta ser instituída (uma vez que essa vitamina está envolvida no metabolismo glicídico como cofator em várias atividades enzimáticas)1,3,4,5. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 76 Diante do exposto, considera-se correto apenas o item I, que se refere ao fornecimento fracionado de energia para que fossem evitados os efeitos indesejáveis da síndrome de realimentação. Entende-se que a reintrodução exclusiva de água com glicose está incorreta, uma vez que favorece o agravo do desequilíbrio hidroeletrolítico, já que a glicose absorvida estimulará a liberação de insulina que favorecerá a migração de eletrólitos e minerais para dentro do espaço intracelular. Além disso, a utilização de leite ou bebidas lácteas precocemente também não seria recomendada, uma vez que pacientes com diarreia aguda e/ou desnutridos apresentam redução da lactase intestinal4. Ressalta-se que esta questão foi ANULADA por não apresentar alternativa que atendesse o solicitado no enunciado da questão. REFERÊNCIAS 1. VIANA, L. A.; BURGOS, M. G. P. A.; SILVA, R. A. Qual é a importância clínica e nutricional da síndrome de realimentação? Arq. Bras. Cir. Dig., v. 25, n. 1, p.56-59, 2012. 2. FRANCA C. R. N.; FRANCA, C. R. N.; SILVA A. P. M. Evitando a Síndrome de Realimentação. Rev. Bras. Nutr. Clin., v. 21, n.2, p.138-43, 2006. 3. SHILS, M. E. et al. Nutrição moderna na saúde e na doença. 10 ed. São Paulo: Manole, 2009. 4. LAMEU, E. Clínica Nutricional. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. 5. SOBOTKA, L. Bases da Nutrição Clínica. 3 ed., Rio de Janeiro: Rubio, 2008. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 77 QUESTÃO 34 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Nos últimos anos, a procura por produtos elaborados com componentes funcionais tem crescido com o objetivo de proporcionar inúmeros benefícios à saúde. Entre esses componentes, há os probióticos, prebióticos e simbióticos. Probióticos e prebióticos são obtidos de microrganismos (Bifidobacterium e Lactobacillus) e de carboidratos não digeríveis (inulina e oligofrutose), que são capazes de influenciar positivamente a microflora e causar vários efeitos terapêuticos. Esses efeitos incluem: I. a redução da proliferação de bactérias mais agressivas e patogênicas, o que torna o ambiente intestinal menos antigênico. II. a diminuição do colesterol plasmático, pela inibição da síntese de colesterol hepático, e a redução do risco de enfermidades cardiovasculares. III. a redução das alergias alimentares, por meio da ação de modulaçãodo sistema imune e da diminuição da resposta ao agente alergênico de alimentos. IV. o aumento da biodisponibilidade de minerais como cálcio, por meio da fermentação dos prebióticos e consequente redução do pH intestinal, o que favorece a absorção do mineral. V. a redução da glicemia, por meio da ação sobre o aumento do peristaltismo e diminuição da absorção da glicose, o que contribui para o tratamento da intolerância à glicose e do diabetes. É correto apenas o que se afirma em: (A) I, II e III. (B) I, II e IV. (C) I, IV e V. (D) II, III e V. (E) III, IV e V. _______________________________________________________________ Gabarito: B (questão ANULADA) ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 78 Comentário: I. a redução da proliferação de bactérias mais agressivas e patogênicas, o que torna o ambiente intestinal menos antigênico Alternativa CORRETA. Os benefícios à saúde do hospedeiro, atribuídos à ingestão de culturas probióticas e de prebióticos típicos (como a inulina e a oligofrutose) que mais se destacam são: controle da microbiota intestinal, promoção da resistência gastrintestinal à colonização por patógenos e estimulação do sistema imune. A resistência aumentada contra patógenos é a característica mais promissora no desenvolvimento de probióticos. O emprego de culturas probióticas exclui microrganismos potencialmente patogênicos e reforça os mecanismos naturais de defesa do organismo. A modulação da microbiota intestinal pelos microrganismos probióticos ocorre através de um mecanismo denominado “exclusão competitiva”. Esse mecanismo impede a colonização dessa mucosa por microrganismos potencialmente patogênicos, através da competição por sítios de adesão e pelos nutrientes disponíveis no nicho ecológico. Além disso, os probióticos podem impedir a multiplicação de seus competidores, através da produção de ácidos acético e lático, de bacteriocinas e de outros compostos antimicrobianos 1,2 II. a diminuição do colesterol plasmático, pela inibição da síntese de colesterol hepático, e a redução do risco de enfermidades cardiovasculares. Afirmativa CORRETA No cólon, as fibras solúveis ao serem fermentadas pelas bactérias intestinais a ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e propionato) agem de diferentes formas no organismo, entre elas sobre o metabolismo lipídico (propionato) e glicídico (acetato e propionato). O proprionato, depois de absorvidos pela mucosa colônica, no fígado, inibe a atividade da enzima hidroxi-metil-glutaril (HMG) CoA redutase, uma das enzimas chave na síntese intracelular do colesterol. Sua inibição reduz o conteúdo intracelular de colesterol e, como conseqüência, há aumento do número de receptores de LDL (Low Density Lipoproteins) nos hepatócitos que então removem mais VLDL (High Density Lipoproteins), IDL (Intermedian Density Lipoproteins) e LDL da circulação para repor o colesterol intracelular, colaborando na redução colesterol plasmático2,3. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 79 III. a redução das alergias alimentares, por meio da ação de modulação do sistema imune e da diminuição da resposta ao agente alergênico de alimentos. Afirmativa CORRETA. A microbiota intestinal humana é importante na imunorregulação, uma vez que diferenças qualitativas na composição da microbiota podem alterar a homeostase imunológica do indivíduo, ocasionando alterações, como: diarreia associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos, alergia alimentar, eczema atópico, doenças inflamatórias intestinais e artrite. É provável que os efeitos dos prebióticos e probióticos na modulação de reações alérgicas sejam exercidos através do desenvolvimento da função de barreira da mucosa. Um dos ácidos graxos de cadeia curta produzido pela fermentação bacteriana de fibras alimentares (o butirato) no cólon age como um verdadeiro substrato antiinflamatório; ele ativa a ação de fatores da transcrição intracelular, tais como: NFқB e, portanto, previne a síntese e a liberação de mediadores inflamatórios. Além disso, o butirato elimina a expressão de citocinas induzidas pelo lipopolissacarídio pelas células mononucleares do sangue periférico1. IV. o aumento da biodisponibilidade de minerais como cálcio, por meio da fermentação dos prebióticos e consequente redução do pH intestinal, o que favorece a absorção do mineral. Afirmativa CORRETA. Os oligossacarídeos não digeríveis têm sido associados ao aumento na biodisponibilidade dos minerais. Dependendo do tipo de fibra, pode-se ter aumento na absorção de minerais, como ferro, cálcio, magnésio e zinco. O principal mecanismo envolvido é o aumento da acidez nos cólons, decorrente da maior fermentação microbiana local. O pH mais ácido aumenta a solubilidade desses minerais no ceco e nos cólons, o que conduz a maiores índices de aproveitamento absortivo desses minerais. Quanto mais o prebiótico conduz à fermentação, mais elevará a acidez colônica e maior será a influência positiva sobre a absorção dos minerais1,2,3. Além disso, no caso do cálcio, a sua melhor biodisponibilidade no cólon poderia ser, também, resultante (1) da hidrólise do complexo cálcio-fitato, por ação de fitases liberadoras de cálcio bacterianas, e (2) do efeito osmótico da inulina e da oligofrutose, o qual resultaria na ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 80 transferência de água para o intestino grosso, permitindo, assim, que o cálcio se torne mais solúvel1,2,3,4. V. a redução da glicemia, por meio da ação sobre o aumento do peristaltismo e diminuição da absorção da glicose, o que contribui para o tratamento da intolerância à glicose e do diabetes. Afirmativa INCORRETA. Embora a fibra alimentar possua capacidade de melhorar a homeostase da glicose nos indivíduos diabéticos, de maneiras multifatoriais, tais como: (1) por retardo no esvaziamento gástrico, (2) pela diminuição da absorção de carboidratos através da inclusão de açucares na matriz da fibra, reduzindo a acessibilidade da enzima pancreática em alcançar os polissacarídeos da dieta, (3) pelo aumento da viscosidade do quimo, reduzindo a difusão da glicose pelo enterócito e (4) pela modificação na secreção hormonal1,2,4, o tratamento com prebióticos e probióticos não contribui para intolerância a glicose e do diabetes, por meio do aumento do peristaltismo. Diante do exposto, a questão foi ANULADA, uma vez que não há alternativa que contemple todas as afirmações corretas. REFERÊNCIAS 1. SAAD, S. M. I. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev. Bras. Cienc. Farm.; v. 42, n. 1, jan./mar., 2006. 2. CATALANI, L. A. et al.Fibras alimentares. Rev. Bras. Nutr. Clin., v. 18, n.4, p.178-182, 2003. 3. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, nutrição e dietoterapia. 11 ed. São Paulo: Roca, 2005. 1242p. 4. SHILS, M. E. et al. Nutrição moderna na saúde e na doença. 10 ed. São Paulo: Manole, 2009. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO:Análise da prova de 2010 81 QUESTÃO 35 Autora: Joseane Freygang ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação. Relatório Mundial da Saúde: Brasília, 2003. A figura acima apresenta um modelo de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), em que a qualidade de vida do paciente e a de sua família tem papel preponderante: o paciente não é um participante passivo no tratamento; pelo contrário, é considerado um “produtor de saúde”. Considerando as informações acima e a inserção das ações de nutrição nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), avalie as afirmativas a seguir. I. As evidências sobre câncer justificam a recomendação de não consumir bebidas alcoólicas. Outras evidências sugerem que quantidades moderadas de bebidas alcoólicas provavelmente reduzem o risco de doença cardíaca coronariana. II. O apoio matricial preconizado pelo NASF deve incluir um conjunto de profissionais que não têm, necessariamente, relação direta e cotidiana com o usuário, mas cujas tarefas servirão de apoio às equipes de referência. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 82 III. A abordagem da hipertensão arterial pelo nutricionista deve incluir um projeto terapêutico singular em que o diagnóstico e a proposição de metas, bem como a divisão de responsabilidades entre a equipe e a reavaliação, sejam contemplados. IV. A evolução da dieta do brasileiro nos últimos 30 anos evidencia um padrão alimentar à manutenção da saúde, com dieta rica em gorduras e pobre em micronutrientes e fibras, o que resulta no aumento das DCNT associada à obesidade. V. A ingestão de frutas, verduras e legumes é fator protetor na prevenção da obesidade, uma vez que esses alimentos possuem maior densidade energética e causam maior saciedade. É correto o que se afirma em (A) I, II e V, apenas. (B) I, III e IV, apenas. (C) II, III, IV e V, apenas. (D) I, II, III e IV, apenas. (E) I, II, III, IV e V. _______________________________________________________________ Gabarito: D Comentário: Afirmativa I - Correta Estudos realizados no Brasil estabeleceram a associação epidemiológica entre o consumo de álcool e cânceres da cavidade bucal e de esôfago. Os efeitos do álcool variam de acordo com a rapidez e a frequência com que ele é ingerido, com a quantidade de alimentos consumidos durante a ingestão de bebidas alcoólicas e com o peso do indivíduo. Pesquisas relacionando o consumo de álcool e mortalidade demonstraram que o consumo moderado de álcool poderia ser fator protetor de doenças cardiovasculares² ³. Afirmativa II - Correta O NASF deve ser constituído por uma equipe, na qual profissionais de diferentes áreas de conhecimento atuam em conjunto com os profissionais das equipes de Saúde da Família (SF), compartilhando e apoiando as práticas em saúde. O NASF não se constitui porta ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 83 de entrada do sistema para os usuários, mas, sim, de apoio às equipes de SF. Deve atuar em ações interdisciplinares e intersetoriais; educação permanente em saúde dos profissionais e da população; desenvolvimento da noção de território; integralidade, participação social, educação popular; promoção da saúde e humanização4 . Afirmativa III – Correta O nutricionista do NASF, com apoio dos demais profissionais da respectiva equipe e em colaboração com as equipes de SF, deve elaborar, revisar, adaptar, padronizar e definir os protocolos de atenção nutricional, individual e coletiva, apoiando ações de promoção da saúde, de promoção da alimentação saudável e prevenção de doenças que exijam atividades de educação permanente4. Afirmativa IV- Correta A evolução da dieta do brasileiro nos últimos 30 anos demonstra tendência de redução do consumo de alimentos tradicionalmente presentes na mesma (arroz e feijão). Mantendo-se excesso de consumo de açúcares, com insuficiência de frutas e hortaliças e incremento de gorduras, principalmente saturadas. Demonstra-se, assim, um padrão alimentar inadequado à manutenção da saúde, rico em gorduras e pobre em micronutrientes e fibras, resultando no aumento da obesidade e das DCNT a ela associadas4. Afirmativa V- Incorreta Os índices de sobrepeso e obesidade em brasileiros apresentam-se em ascensão, acompanhando a epidemia de excesso de peso observada mundialmente5. O problema está se agravando devido ao consumo de alimentos com alta densidade energética, definida como a energia disponível por unidade de peso e relaciona-se à quantidade de água nos alimentos6. Aqueles com elevada quantidade de água em sua composição, como frutas, legumes e verduras, apresentam baixa densidade energética, enquanto os com baixa quantidade de água, tais como farinhas, grãos, açúcar, óleos e manteiga, têm alta densidade energética8. A redução no consumo de alimentos e bebidas com alta densidade energética pode contribuir de duas formas na prevenção do ganho de peso: pela diminuição do total calórico ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 84 da dieta7 e pela regulação da ingestão de alimentos por meio do controle de sinalização do apetite (fome e saciedade) 8 . REFERÊNCIAS 1. INSTITUTO DO CÂNCER. Álcool. Consumo e Relação com o Câncer. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=14>. Acesso em: 24 abril 2013. 2. AGUILAR, D. et al. Alcohol consumption and prognosis in patients with left ventricular systolic dysfunction after a myocardial infarction. J. Am. Coll. Cardiol., v. 43, p. 2015-21, 2004. 3. MUKAMAL, K.J. et al. Prior alcohol consumption and mortality following acute myocardial infarction. JAMA, v. 285, p. 1965-70, 2001. 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde na escola, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_basica_diretrizes_nasf.pdf. Acesso em: 24 abril 2013. 5. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Programa de Orçamentos Familiares (2002-2003) – Análise da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos e do Estado Nutricional no Brasil. Rio de Janeiro; 2003. 6. DUFFEY, K.J., POPKIN, B.M. Energy density, portion size, and eating occasions: contributions to increased energy intake in the United States,. Plo. S. Med., v. 8, n. 6, p. 1977- 2006, 2011. 7. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Genebra, 2003. (Technical report series). 8. ROLLS, B.J.; ROE, L.S.; MEENGS, J. S. Reductions in portion size and energy density of foods are additive and lead to sustained decreases in energy intake. Am. J. Clin. Nutr., v. 83, n. 1, p. 11-7, 2006. http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=14 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_basica_diretrizes_nasf.pdf ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 85 QUESTÃO 36 Autora: Luciane Coutinho de Azevedo CampanellaO tratamento dietético é essencial na prevenção das complicações decorrentes da insuficiência renal crônica. Acerca da relação entre dieta e progressão da doença renal crônica, avalie as asserções a seguir A restrição proteica é a intervenção dietética mais indicada para pacientes com insuficiência renal crônica em tratamento hemodialítico. PORQUE A restrição proteica promove o aumento da uremia, redução na formação dos compostos nitrogenados tóxicos e dos níveis pressóricos, acidose e dislipidemia. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. (A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. (B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. (C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. (D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. (E) As duas asserções são proposições falsas. _______________________________________________________________ Gabarito: C Comentário: A doença renal crônica (DRC) consiste em lesão renal e perda progressiva de todas as funções do rim: glomerular, tubular e endócrina, independente do fator etiológico. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a DRC é classificada em seis estágios, relativos ao nível de função renal. Nas fases da doença pré-dialítica, entre os estágios 2 e 5, com taxas de filtração glomerular (TFG) entre 90 e 15 mL/min/1,73 m2, restrição proteica é a intervenção dietética proposta, com a finalidade de retardar a progressão da falência renal e de evitar o acúmulo de produtos nitrogenados tóxicos1. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 86 No entanto, em estágios mais avançados da doença, em que não é mais possível o tratamento conservador devido ao grau avançado de perda renal, há indicação de tratamento dialítico, entre eles a hemodiálise (HD), uma terapia dialítica intermitente. O procedimento ocorre, em geral, três vezes por semana, durante quatro horas cada sessão. Em razão da perda de aminoácidos que ocorre durante o procedimento dialítico e do processo inflamatório que se instala em decorrência do contato do sangue com a membrana dialítica, a necessidade de proteína desses pacientes é superior a de indivíduos saudáveis, ou seja, indica-se dieta hiperproteica 2. Diante do exposto, afirma-se que ambas as asserções são FALSAS, uma vez que a restrição proteica não é uma intervenção dietética indicada para pacientes com insuficiência renal crônica em tratamento hemodialítico e a restrição proteica previne a progressão da uremia, da acidose e da dislipidemia, além da piora da retenção de compostos nitrogenados tóxicos e dos níveis pressóricos. Entende-se que esta questão deveria ter sido ANULADA, porque a alternativa correta é a “E” e não a “C”, como indicada no pelo gabarito da prova. REFERÊNCIAS 1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA. Terapia Nutricional para Pacientes na Fase Não-Dialítica da Doença Renal Crônica. 2011. (Projeto Diretrizes). 2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA. Terapia Nutricional para Pacientes em Hemodiálise Crônica. 2011. (Projeto Diretrizes). ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 87 QUESTÃO 37 Autora: Joseane Freygang Um nutricionista foi contratado para compor a equipe de um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) que agrega 15 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). Esse profissional, visando à realização de um diagnóstico das condições de insegurança alimentar dos grupos vulneráveis identificados no território de ação, utilizará dados dos Sistemas de Informação em Saúde (SIS). Nessa situação, é indicador dos SIS útil para o diagnóstico pretendido I. a prevalência de baixo peso entre crianças menores de 5 anos de idade, adolescentes e idosos. II. a prevalência de excesso de peso entre crianças, adolescentes e idosos. III. o percentual de crianças entre seis e 23 meses de idade com dieta diversificada. IV. a cobertura de suplementação de vitamina A entre gestantes. V. a cobertura de suplementação de ferro entre puérperas. São indicadores úteis apenas os apresentados em (A) I, II e III. (B) I, II e V. (C) I, III e IV. (D) II, IV e V. (E) III, IV e V. _______________________________________________________________ Gabarito: A (questão ANULADA) Comentário: O SIS é definido pela Organização Mundial de Saúde como um mecanismo de coleta, processamento, análise e transmissão da informação necessária para se planejar, organizar, operar e avaliar os serviços de saúde. Assim, os 2 gestores da saúde no Brasil podem avaliar, monitorar e controlar as atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviços através de indicadores locais, facilitando a formulação e a avaliação de políticas, planos e programas de saúde¹. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 88 No Brasil, existem cinco principais SIS ligados ao Ministério da Saúde: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) e Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS)². Existem ainda muitos outros sistemas que são operados pela rede de serviços do SUS, servindo como fontes complementares de dados, como: Sistema de Informações de Atenção Básica (SIAB), Sistema de Informações de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI), Sistema de Informações do Câncer da Mulher (SisCam), HiperDia, Sistema de Informação sobre Orçamento Público em Saúde (SIOPS), Sistema de Informações da Anvisa, entre outros³. Pedraza4 realizou um estudo para o Brasil, onde buscou caracterizar possíveis grupos vulneráveis. O autor segue duas perspectivas: dados relacionados com a pobreza e os critérios para classificação de grupos vulneráveis da FAO (Food and Agriculture Organization), somando ainda, conhecimentos sobre as características da população brasileira. São destacados, em seu texto, três grandes grupos que devem ser identificados por sistemas de segurança alimentar no Brasil: “a) grupos vulneráveis que, por sua condição biológica, são mais suscetíveis a uma ingestão deficitária de alimentos: gestantes, lactantes, crianças e idosos; b) grupos em risco por dificuldades de acesso aos alimentos por baixa renda familiar e c) grupos com estado nutricional crítico de desnutrição energético-calórica. Dessa forma, não há alternativa correta, pois apenas o item III representa dados coletados pelo SISVAN, que é fonte complementar de dados para o SIS. Os itens I, II, IV e V estão incorretos, uma vez que os dois primeiros citam o adolescente como grupo vulnerável e os dos últimos citam atribuições que não são do SIS. REFERÊNCIAS 1. GUIMARÃES, E. M. P.; ÉVORA, Y. D. M. Sistema de informação: instrumento para tomada de decisão no exercício da gerência. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n.1, p.72-80, 2004. Disponível em: <http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/62>. Acesso em: 05 mar. 2011. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 89 2. BARBOSA, D. C. M. Sistemas de informação em saúde: a percepção e a avaliação dos profissionais diretamente envolvidos na atenção básica de Ribeirão Preto / SP. 2006. p.17. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. 3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso. 8. ed., Brasília, 2010. 4. PEDRAZA, D. F. Grupos vulnerables y su caracterización como critério de discriminación de la seguridad alimentaria y nutricional en Brasil. Rev. Bras. Saúde Mat. Inf., Recife, v. 5, n. 3, p. 367-75, jul./set. 2005. http://www.teses.usp.br/index.php?option=com_jumi&fileid=30&Itemid=162&id=17&lang=pt-br ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 90 QUESTÃO 38 Autora: Joseane Freygang A Ingestão Dietética de Referência (IDR) é composta por 4 valores de referência correspondentes às estimativas quantitativas da ingestão de nutrientes e estabelecidos para serem utilizados na avaliação e no planejamento de dietas de indivíduos saudáveis e de grupos populacionais, segundo ciclos de vida e gênero. Os 4 valores de referência para o consumo de nutrientes são: necessidade média estimada (EAR), ingestão dietética recomendada (RDA), ingestão adequada (AI) e nível de ingestão máximo tolerável (UL). Considerando a utilização da IDR durante o acompanhamento nutricional de uma gestante, responda, em até 15 linhas, às questões a seguir. _______________________________________________________________ Comentário: a) Qual dos valores de referência citados acima deve ser utilizado para avaliar o consumo de nutrientes? Justifique sua resposta. (valor: 2,0 pontos) A EAR e a UL são as categorias de referência mais adequadas para a avaliação de dietas. Valores habituais de consumo abaixo do EAR denotam grande probabilidade de inadequação, e acima do UL, risco de desenvolvimento de efeitos adversos. Quando não há valor de EAR e apenas o valor de AI se encontra disponível, há mais incerteza para avaliar se um determinado nutriente é fornecido pela dieta em quantidade adequada1,2,3. b) Qual dos valores de referência citados acima deve ser utilizado para o planejamento da dieta de uma gestante? Justifique sua resposta. (valor: 2,0 pontos) A RDA ou AI devem ser utilizadas como metas de ingestão. Se o consumo habitual estiver acima dos valores da RDA há maior chance de as necessidades nutricionais, tanto de indivíduos quanto de populações, serem atendidas. Quando apenas o valor de AI se encontra disponível, há maior incerteza para avaliar se um determinado nutriente é fornecido pela dieta em quantidade adequada1,2,3. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 91 c) Sabendo que as recomendações nutricionais durante a gestação devem ser ajustadas ao estado fisiológico, que orientações devem ser dadas à gestante sobre a importância do aumento do consumo de ferro e de ácido fólico durante a gravidez? (valor: 3,0 pontos) O Ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese (fabricação) das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo. Na gravidez, há um aumento das necessidades desse mineral para suprir a expansão da massa eritrocitária da própria gestante, a formação do sangue da placenta e do feto e, ainda, para compensar as perdas durante o parto. O consumo adequado de ferro reduz o nascimento de bebês prematuros e com baixo peso e o risco de morte materna no parto e no pós-parto imediato; melhora a capacidade de aprendizagem da criança e a resistência às infecções, e é fundamental para o crescimento saudável4 . O ácido fólico é a vitamina B9 do complexo B. Também conhecido como folato, quando encontrado naturalmente nos alimentos. Na fase gestacional, o ácido fólico é necessário para prevenir defeitos de fechamento do tubo neural, como anencefalia e espinha bífida, além de lábio leporino e fenda palatina; malformações cardíacas e do trato genito- urinário; anemia; prematuridade e baixo peso ao nascimento4 . d) Que orientações dietéticas um nutricionista deve dar à gestante para elevar o consumo de ferro e ácido fólico, levando em consideração a biodisponibilidade desses nutrientes, as fontes alimentares e a suplementação? (valor: 3,0 pontos) Consumir alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, principalmente fígado, rim, coração, frango e peixes). Entre os alimentos de origem vegetal, preferir os folhosos verde-escuros (exceto espinafre) como agrião, couve, brócolis, cheiro-verde, as leguminosas (feijões, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha), grãos integrais ou enriquecidos, nozes e castanhas, melado de cana e açúcar mascavo. Associar o consumo das hortaliças acima com as frutas ricas em vitaminas C (caju, goiaba, laranja, kiwi, mexerica, acerola, limão) para melhorar a absorção do ferro nelas contido. Como sobremesa, dar preferência para as frutas. Ingerir, na medida do possível, alimentos fortificados com ferro, disponíveis no mercado, como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, entre outros. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 92 Evitar o consumo de alimentos riscos em ferro com: café, chá, mate, cereais integrais, leite e derivados (fosfatos, polifenóis, taninos, cálcio), uma vez que esses podem inibir a absorção do ferro. Consumir alimentos ricos em folato, como: espinafre, feijão branco, aspargos, couve de bruxelas, soja e derivados, laranja, melão, maçã, brócolis, gema de ovo, fígado, peixes, gérmen de trigo, salsinha e amendoim. Porem deve-se evitar o cozimento prolongado desses alimentos, que pode destruir até 90% do ácido fólico. Amamentar seu filho: para os bebês o leite materno é considerado um alimento muito importante contra a anemia por deficiência de ferro. A dieta normal nem sempre é suficiente para suprir as necessidades de ferro e ácido fólico na gestação, sendo necessária a suplementação indicada por seu médico ou nutricionista4 . REFERÊNCIAS 1. INSTITUTE OF MEDICINE. Dietary reference intakes: applications in dietary planning. Washington: National Academy Press; 2003. 2. INSTITUTE OF MEDICINE. Dietary reference intakes: applications in dietary assessment. Washington: National Academy Press, 2000. 3. INSTITUTE OF MEDICINE. Dietary reference intakes for vitamin C, vitamin E, selenium, and carotenoids. Washington: National Academy Press; 2000. 4. BRASIL. Ferro. Disponível em: <http://nutricao.saude.gov.br/ferro_info_publico.php>. Acesso em: 24 abril 2013. http://nutricao.saude.gov.br/ferro_info_publico.php ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade eMarcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 93 QUESTÃO 39 Autora: Alessandro Guedes e Luciane Coutinho de Azevedo Campanella Um paciente do sexo masculino, com 45 anos de idade, com diagnostico da síndrome da imunodeficiência adquirida, há 15 anos em uso de terapia antirretroviral de alta eficácia (HAART), foi a um ambulatório de nutrição do serviço de infectologia, para consulta de acompanhamento nutricional. O paciente relatou que, no último mês, sofreu perda de peso corporal devido a um quadro de diarreia infecciosa, náuseas e vômitos que persistiu por duas semanas. O nutricionista coletou, durante a avaliação nutricional realizada na consulta, dados bioquímicos e antropométricos do paciente, que estão apresentados na tabela abaixo. Considerando está situação hipotética, elabore texto, com até quinze linhas abordando os seguintes aspectos: _______________________________________________________________ Comentário: a) a) A relação entre a terapia antirretroviral de alta eficácia utilizada e as alterações bioquímicas e antropométricas apresentadas pelo paciente; (valor: 5,0 pontos). O paciente em questão está em uso de HAART há mais de 15 anos e apresenta alterações bioquímicas e antropométricas, com elevada circunferência da cintura, hipertriglicedemia e hiperglicemia. Esses dados podem estar associados à síndrome da lipodistrofia. Associada ao HIV, essa síndrome se caracteriza pela alteração da forma do corpo com acúmulo de gordura da circunferência abdominal e torácica, aumento de gordura dorso cervical, com expansão da circunferência do pescoço, lipoatrofia com perda do tecido adiposo na face, nas navegas e nos membros inferiores, além de hiperglicemia e hipertriglicedemia e diminuição do HDL (High-density lipoprotein) Colesterol. Essa síndrome tem uma prevalência entre 30 a 50% e relaciona-se ao uso HAART, em especial ao grupo dos inibidores de proteases. O risco de desenvolver essa síndrome aumenta com a duração do tratamento, a idade do paciente e o nível de imunodeficiência1,2. Essas alterações parecem ser mediadas, inicialmente, pelo aumento das citocinas inflamatória da própria infecção e posteriormente com o tratamento farmacológico, ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 94 principalmente associado aos inibidores de protease e aos inibidores da transcriptase reversa. Vários fatores estão envolvidos para alteração do metabolismo lipídico com destaque para inibição da proliferação e diferenciação dos adipócitos e aumento da lipólise, pela inibição da Proteína tipo 1 ligado ao acido retinoico (CRABP-1) e do receptor para LDL (Low-density lipoprotein) Colesterol. Ocorre aumento da apoptose e inibição de proliferação e diferenciação de adipócitos periféricos, levando a hiperlipidemia (aumento de lipídeos na circulação), porém, os adipócitos centrais são menos sensíveis a essas alterações e mais sensíveis ao aumento de seu substrato e às influencias hormonais1,2,3,4. O aumento de gordura visceral e de ácidos graxos livres são fatores para aumento da resistência a insulina e aparecimento de hiperglicemia entre outras alterações associadas ao maior risco cardiovascular e a síndrome metabólica1. . b) b) As orientações nutricionais que devem ser dadas ao paciente no que se refere aos quadros de diarreia crônica e de náuseas e vômitos. (valor: 5,0 pontos). Nas orientações nutricionais para diarreia, em geral, recomendam-se: (1) reduzir o consumo de alimentos ricos em fibras insolúveis, como: verduras e cereais integrais; (2) aumentar a ingestão de fontes alimentares de fibras solúveis, tais como: maçã, pera, banana, goiaba e frutas em geral; (3) evitar a utilização de carboidrato simples, como o açúcar; (4) preferir o consumo de cereais refinados e seus derivados; (5) evitar o consumo de alimentos ricos em gorduras, como as frituras, evitar o consumo de café, bebidas alcoólicas e chá preto e de alimentos de difícil digestibilidade (flatulentos e fermentáveis), incluindo alho, cebola, repolho, brócolis, pimentão, batata-doce, doces em geral (caramelos, bombons, chocolate, mel, açúcar), queijos, feijão, ervilha, milho, lentilha e bebidas gaseificadas; (6) não se deve consumir leite e queijos, pois pode haver intolerância a lactose, optando por iogurtes fermentados e leite com baixo teor de lactose; (7) fazer reposição hídrica várias vezes ao dia, no mínimo três litros, podendo incluir água, água de coco, bebidas isotônicas, chás, sucos coados e gelatinas e (8) preferir refeições de consistências líquidas a brandas, com volume reduzido e com fracionamento aumentado, a fim de atingir as necessidades do indivíduo sem causar desconforto abdominal5,6,7. Na presença de náuseas e vômitos, recomendam-se (1) evitar períodos longos sem se alimentar, (2) ingerir alimentos com odor forte; (3) deitar após as refeições; (4) ingerir líquidos entre as refeições e (5) não consumir alimentos gordurosos e fermentativos, como leite puro, café, chá preto, chocolates e açúcar. Adicionalmente, aconselha-se, durante episódios de ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 95 náusea e vômitos, o consumo de alimentos bem cozidos, pastosos ou secos (purês, sopas, bolachas cream cracker)1,6,7. REFERÊNCIAS 1. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Efeitos colaterais. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pagina/efeitos-colaterais. Acesso em: 7 maio 2013. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV: 2008/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e AIDS. 7. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 3. ORSINE, V.; ANGÉLICA, M. M. V. Síndrome lipodistrófica do HIV: um novo desafio Para o endocrinologista. Arq. Bras. Endocrinol. Metab., v. 51, n. 1, 3-4, fev. 2007. 4. CARR, A.; COOPER, D.A. Adverse effects of antiretroviral therapy. Lancet, v. 356, p. 1423, 2000. 5. CALIXTO-LIMA, L.; GONZALEZ, M. C. Nutrição Clínica no Dia a Dia. Rio de Janeiro: Rubio, 2013. 6. REIS, N. T.; PEDRUZZI, M. B. Terapia Nutricional nas Afecções do Trato Digestório. In: SILVA, S. M. C.; MURA, J. D. P. Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo: Roca, 2007. Cap. 32, p. 523-525. 7. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. 1242p http://www.aids.gov.br/ ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 96 QUESTÃO 40 Autora: Raquel Kerpel Uma cidade de porte médio, com 200 mil habitantes, implantou um restaurante popular (RP) no maior bairro do município, onde vivem 50 mil pessoas das classes D e E. Os usuários do RP trabalhadores da agroindústria, da construção civil e do comércio das imediações. Considerando que os RPs são equipamentos públicos de promoção da segurança alimentar e nutricional (SAN), é dever do nutricionista responsável pelo restaurante aplicar a abordagem da SAN em suas várias dimensões, com vistas a promoção da saúde de usuários e funcionários doserviço, na perspectiva da integralidade da assistência envolvendo os diferentes níveis de complexidade do sistema de saúde. Considerando essa situação, faça o que se pede nos itens a seguir. _______________________________________________________________ Comentário: c) Identifique duas ações, uma de vigilância alimentar e nutricional e outra alimentar e nutricional, a serem desenvolvidas de forma articulada pelo nutricionista. Descreva as ações, a articulação entre elas e o público envolvido. Justifique a importância dessas ações. A Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) corresponde à Vigilância Epidemiológica no contexto da Alimentação e Nutrição. As ações de VAN estão diretamente relacionadas ao perfil nutricional e alimentar da população brasileira1. Nesse contexto, a ação de VAN que poderia ser realizada pelo nutricionista seria a identificação do perfil dos usuários do RP, com foco nas carências e excessos nutricionais e alimentares. Pensando intersetorialmente, devemos considerar que o RP está inserido em um território que é de responsabilidade de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Portanto, o nutricionista poderia atuar em parceria com as Equipes de Saúde da Família (ESF) para a realização conjunta do diagnóstico nutricional dos usuários e consequente alimentação do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Essa ação deveria ser periódica, com o intuito de monitorar o estado nutricional dos usuários, bem como identificar usuários com necessidades nutricionais e de saúde específicas, para encaminhá-los às UBS’s. Salienta-se que o diagnóstico alimentar e nutricional dos usuários do RP deve servir de subsídio para o nutricionista planejar e executar ações de educação em alimentação e nutrição (EAN). Ou seja, ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 97 as ações desenvolvidas devem considerar os aspectos mais importantes que forem identificados. De acordo com a Política Nacional de Alimentação e Nutrição2, os ambientes institucionais, como os RPs, devem ser promotores de alimentação saudável, garantindo nesses oferta de refeições adequadas, que valorizam e respeitam as especificidades culturais regionais, na perspectiva da SAN e da garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada3. Nesse quesito, salienta-se a importância da elaboração do cardápio pelo nutricionista. Ademais, o nutricionista poderia desenvolver processos de educação permanente, de modo a estimular a autonomia do sujeito para preparo, produção e consumo saudável dos alimentos4. Como subsídio nesse processo educativo, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome elaborou kits educativos que são direcionados ao público atendido nos EPAN. Além disso, há os guias alimentares nacionais e os materiais da Campanha Permanente “Brasil que dá Gosto”. d) Identifique duas ações de promoção de SAN a serem desenvolvidas pelo nutricionista, ressaltando sua articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS) e o público envolvido. Justifique a importância dessas ações. A SAN pode ser entendida como a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam: ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis5. Dessa maneira, os RP são equipamentos públicos de promoção da SAN. As ações de promoção da SAN que poderiam ser desenvolvidas pelo nutricionista seriam: (1) a criação de uma horta comunitária pedagógica A Horta seria criada em parceria com a UBS, articulada principalmente com o NASF e outros parceiros institucionais locais voltados à agricultura. Seria mantida por representantes da comunidade local, eleitos nas reuniões do Conselho Local de Saúde (como ação de fortalecimento desse). O principal objetivo seria o educativo, capacitando os familiares dos usuários no manejo com a terra e na “produção de alimentos orgânicos, o que significa ganho de qualidade, incluindo a comunidade num ambiente de inclusão alimentar e de renda, haja vista o excedente ser direcionado ao comércio local e regional”6. Além disso, privilegiaria o contato com a terra e com os alimentos locais. Paralelamente, tanto a ESF quanto a ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 98 nutricionista do RP poderiam fazer campanhas educativas visando à diminuição do consumo de produtos industrializados. Com a produção das hortaliças, aumentaria o acesso e o consumo de produtos in natura. Nas últimas décadas, o uso indiscriminado de agrotóxicos na produção de alimentos vem causando preocupação em diversas partes do mundo. A crítica ao modelo de agricultura vigente cresce à medida que estudos comprovam que os agrotóxicos contaminam os alimentos e o meio ambiente, causando danos à saúde. Dentro desse contexto, tem aumentado, progressivamente, a procura por alimentos produzidos de forma orgânica, livres de fertilizantes químicos, antibióticos, hormônios e outras drogas usualmente utilizadas. Além disso, o cultivo de uma horta em casa diminuiria gastos no supermercado e agregaria mais nutrientes na dieta da família7. (2) a aquisição de alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) A aquisição dos alimentos servidos no RP poderia vir do PAA. Esse propicia a aquisição de alimentos de agricultores familiares, com isenção de licitação, a preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais 6. Adicionalmente, por meio do diagnóstico de SAN elaborado pelo nutricionista, e em parceria com a ESF, seriam identificadas as famílias dos usuários em situação de vulnerabilidade social para terem acesso aos alimentos por meio do PAA. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Indicadores de Vigilância Alimentar e Nutricional. Série B. Textos Básicos de Saúde, Brasília, 1. ed., 2009. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Série B. Textos Básicos de Saúde, Brasília, 1. ed., 2012. 3. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas. Brasília, 1. ed., 2012. 4. BRASIL. Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN). Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: 2012/2015 – PlanSAN. Brasília, 2011c. Disponível em: <http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/publicacoes/ livros/plano- ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 99 nacional-de-seguranca-alimentar-e-nutricional-2012-2015/plano-nacional-de-seguranca- alimentar-e-nutricional-2012-2015>. Acesso em: 03 junho de 2013. 5. BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo. Brasília, 2006b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11346.htm>. Acesso em: 03 junho de 2013. 6. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Segurança alimentar e nutricional. Disponível em: < http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar>.Acesso em: 03 junho de 2013. 7. ARCHANJO, L.R.; BRITO, K.F.W.; SAUERBECK, S. Alimentos orgânicos em Curitiba: consumo e significado. Cadernos de Debate, v. VIII. 6p. 2001. http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 100 AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E UNIVERSIDADE: ENTRE O PRAGMATISMO QUANTITATIVO E A PRÁTICA ENERGIZADORA Prof. Dr. Maurício Capobianco Lopes Pró-Reitor de Ensino Profa. Dra. Gicele Maria Cervi Chefe da Divisão de Políticas Educacionais As práticas discursivas em educação que circulam a partir dos anos 90, no Brasil, situam- se numa perspectiva em que a avaliação começa a ampliar seus espaços e torna-se aquilo que o Ministério da Educação chama de “inteligência avaliativa”. A emergência do Estado avaliador produziu uma demanda por conhecimento de várias áreas e setores da sociedade como apoio para tomada de decisão e transparência dos resultados. Afinadas a esses discursos e afetadas pela ideologia neoliberal, as práticas avaliativas com base em elementos quantitativos prometem melhorar a qualidade da educação e garantir efetividade, eficiência, eficácia, relevância e produtividade nas Universidades. Estes discursos desencadearam uma série de ações ampliando a avaliação e transformando-a em instrumento de regulação do Ensino Superior e estendendo-se para a Educação Básica. A Lei 10.861, de 14 de abril de 2004 instituiu o Sistema de Avaliação da Educação Superior (SINAES), como parte de uma política de Estado responsável pela educação nacional, que abrange todas as instituições de educação superior. Esta política está ancorada em uma concepção de avaliação comprometida com a melhoria da qualidade e da relevância das atividades das instituições e é mensurada por meio de diversos instrumentos. Esses instrumentos e mensurações passaram a orientar grande parte da política educacional e, por esse meio, também parte significativa da prática educacional - aquelas ações e fazeres no qual estão imersos professores e estudantes. Neste cenário, um dos principais problemas é que muitas vezes valorizamos o que é medido, ao invés de nos envolvermos com a avaliação e mensuração do que valorizamos. A avaliação como processo não pode ter um fim em si, mas precisa ser um dos instrumentos que a Universidade pode dispor para dimensionar a qualidade do ensino. Os resultados obtidos na avaliação permitem análises e leituras sobre ao cursos e podem ser usados para ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 101 diferentes tipos de intervenções, aqui definidas como tomada de decisão nos processos de ensino-aprendizagem. Aproveitamos as provocações de Dias Sobrinho (2002) que em seu trabalho mostra que a avaliação não é apenas desejável, mas possível, não é apenas somativa, mas pedagógica, não apenas um instrumento de utilidade gerencial, mas uma estratégia de auto-conhecimento e de melhoria da formação profissional e cidadã. Mas, para isso a avaliação não pode se limitar a um papel controlador: ela tem sempre um caráter político e ético que deve estar a serviço da autonomia. Corroborando com esta visão, Hadji (1994) aponta que a avaliação tem três funções fundamentais: diagnosticar, prognosticar e energizar. A função de diagnosticar compreende os processos de: identificar deficiências e superá-las; possibilitar a regulação de um determinado programa; promover ajustes necessários à concretização da aprendizagem; certificar aprendizagens; regular os processos e atividades. A função de prognosticar compreende: planejar novos dispositivos didáticos e estimar o desempenho futuro. A função de energizar repercute em: viabilizar o acesso aos diferentes níveis de escolaridade; permitir a promoção em uma sequência educacional; estimular a ação e a autoestima. Com base nesta visão sobre o processo avaliativo educacional a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEN) da Universidade Regional de Blumenau (FURB) desencadeou diferentes iniciativas e realizou diversas ações para criar uma cultura permanente e propositiva de avaliação na Universidade. Permeando estas iniciativas e ações foi feito um trabalho permanente de divulgação para estudantes e professores da importância de tratar a avaliação não como um elemento punitivo, mas como orientador e balizador dos processos de ensino. Também se buscou de forma permanente a conscientização sobre a importância de que a instituição tivesse um bom desempenho nos processos avaliativos realizados pelos órgãos reguladores. Por outro lado, cientes de que o papel da Universidade é de crítica acredita-se que mais do que responder as questões do ENADE faz-se necessário conhecê-las, estudá-las e com elas aprender como qualificar os instrumentos de avaliação como também reconhecer as potencialidades e fragilidades de qualquer instrumento de avaliação. Entre as principais ações realizadas pela PROEN destacam-se: capacitação de docentes quanto ao uso de instrumentos e critérios de avaliação em sua prática pedagógica; revisão do processo e estímulo para participação dos estudantes nos instrumento internos de avaliação do ensino; uso dos resultados das avaliações internas e externas dos cursos na construção e (re)elaboração dos projetos pedagógicos; campanhas de conscientização de estudantes e professores sobre o ENADE; análise matemática e estatística das informações sobre os processos avaliativos e discussão com coordenadores de cursos e docentes; grupos de estudos ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 102 permanentes sobre avaliação educacional; produção de material didático de apoio aos estudantes; e-book com as questões comentadas; entre outras. Uma das importantes ações da PROEN está materializada neste livro eletrônico que apresenta, discute e comenta as questões do ENADE. A produção deste material tem objetivos diversos: fazer a análise crítica das questões; identificar conteúdos e referenciais teóricos fundamentais para a área de conhecimento; familiarizar professores e estudantes acerca da linguagem e dos elementos essenciais dos processos avaliativos externos; qualificar os projetos e processos pedagógicos dos cursos. Também tem o objetivo de fazer com que a Universidade cumpra seu papel de crítica, uma vez que o livro é o resultado de um processo intenso entre pedagogos, docentes e estudantes de estudo, avaliação e análise crítica sobre o conteúdo das provas. Esperamos que ele possa, de fato, cumprir o objetivo de diagnosticar, prognosticar e energizar os processos de ensino de nossa Instituição e que acima de tudo ele seja um espaço de crítica e de construção de outras e diferentes formas de fazer Universidade. ORGANIZADORES: Luciane Coutinho de Azevedo Campanella, Joseane Freygang, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA NUTRIÇÃO: Análise da prova de 2010 103 ACADÊMICOS COLABORADORES DO CURSO DE NUTRIÇÃO DA FURB Aline Cristina Lehmann Ana calorina da Rosa Angélica Frizon Krindges Bianca Felippi Bruna Schmitz Bruna Soares Fernandes Bruna Taufenbach DanielaMarques Daniella Schmit Franciele Israel Gabriella Muniz Janaina Rafaela Maba Janina Pavesi Vieira Jehnifer Dorn Jéssica Prada Joseane da Silva Peters Laíse Campos May Luiza Hoffmann Duvier Natara Tessarolo Paula Negrini Taise Asen