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Capitalismo Industrial, 
Questão Social e 
Serviço Social
O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Ms. Sônia Maria Menezes Martinho 
Revisão Textual:
Profa. Esp. Márcia Ota
5
Para o acompanhamento de sua compreensão do conteúdo nesta unidade, você conta 
com as atividades de sistematização e de aprofundamento. Por isso, não deixe de acessar e 
também buscar as referências bibliográficas, que se encontram no Material Complementar, 
pois são fundamentais. 
Além disso, salientamos que o conhecimento da forma como surge e vai se institucionalizando 
essa profissão, permite-nos entender melhor como ela se situa hoje nas instituições e relações 
sociais. Com isso, podemos perceber que tanto os problemas que desafiam a profissão, 
quanto as instituições sociais, as quais vão incorporando a prática dos assistentes sociais, 
guardam com o presente traços de continuidade e ruptura. 
Desse modo, há expressões da questão social já superadas, outras que se repõem e outras 
relacionadas a realidades específicas. Ocorre, de fato, que os fundamentos da questão social se 
mantêm, mesmo com tantas mudanças possíveis de serem observadas nos últimos 100 anos.
Sendo assim, estudaremos os aspectos em comum e aqueles que diferem o surgimento do 
Serviço Social na Europa e nos Estados Unidos, procurando demonstrar os fundamentos 
teórico-metodológicos que, algumas décadas mais tarde, (décadas de 1930 e 1940) serão 
aqueles adotados pelo Serviço Social brasileiro.
Nesta Unidade estudamos as características centrais da questão social 
contemporânea e de sua institucionalização. Desse modo, na Unidade II, 
trataremos do surgimento do Serviço Social na Europa e nos Estados Unidos, 
como uma entre outras respostas institucionais à questão social, mostrando 
os aspectos estruturais e conjunturais, bem como as características centrais 
da profissão nas suas origens.
O surgimento da Serviço Social na 
Europa e Estados Unidos
 · O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
6
Unidade: O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
Contextualização
Na medida em que a sociedades capitalistas industriais se modernizam, tornam-se mais 
complexas e a questão social também vai se expandindo e diversificando. Com isso, a formulação 
de respostas a esses problemas torna-se uma preocupação cada vez maior.
Desse modo, nesta unidade, veremos como Estado, Igreja e Burguesia empresarial vão dando 
os primeiros passos e empreendendo as primeiras ações voltadas para a garantia do atendimento 
a algumas das demandas da classe trabalhadora que vão além dos direitos trabalhistas e estão 
ligadas ao reconhecimento de sua cidadania social. 
Além disso, também será possível observar que esse reconhecimento será relativo e parcial, 
limitado pelos interesses da própria burguesia, inclusive, emevitar a organização autônoma e o 
desenvolvimento da consciência crítica da classe trabalhadora.
Assim sendo, não deixe de realizar, atentamente, a leitura e busque conhecer as referências 
bibliográficas indicadas.
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O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
A burguesia industrial europeia e o Estado começam a reconhecer a questão social por dois 
motivos e de duas maneiras, essencialmente:
1. Percebem que a consciência crítica das classes trabalhadoras em relação às suas condições de 
trabalho e de vida se transforma em consciência de classe que se materializa em reivindicação. 
Os trabalhadores se organizam e se mobilizam não apenas isoladamente, mas 
internacionalmente, em torno de reivindicações comuns como salário e redução de tempo 
de trabalho. Além disso, entram em contato, também, com a perspectiva revolucionária 
socialista: com ideias e movimentos voltados para a dissolução do capitalismo. 
Dessa forma, a classe operária é reconhecida pelas classes dominantes não apenas como 
potencialmente perigosa.
2. Verificam que o processo de desenvolvimento do capitalismo industrial gera, inevitavelmente, 
a generalização da pobreza e, assim, de problemas sociais de larga abrangência como, 
por exemplo, epidemias. Assim, ficam prejudicadas as condições de reposição da força de 
trabalho no processo produtivo. Afinal, trabalhadores doentes e sem qualificação oneram 
a produção fabril, o lucro.
É importante notar que, desde a antiguidade, existem formas de manifestação de algum tipo de 
assistência àqueles segmentos que produzem à riqueza, por parte daqueles que detêm a propriedade. 
No capitalismo, em seus estágios mercantile e concorrencial, identificam-se legislações 
esparsas que se referem à tutela e controle de grupos sociais e indivíduos que por uma série 
de motivos não podem ser absorvidos pelo mundo do trabalho e são interpretados das mais 
diversas formas: como “perigosos”, “desviados”, inaptos”, “perigosos”, “incapazes”. 
Desse modo, a perspectiva da caridade, e não do direito social, estava colocada desde o 
início das relações sociais no capitalismo industrial. Interessante se observar que o conceito 
de caridade é confundido, muitas vezes, com o de solidariedade, mas, de fato, diz respeito a 
posturas distintas.
A caridade, que inspira o assistencialismo e a tutela, está fundamentada na naturalização 
da desigualdade. Aqui, não se fala em situação de carência, mas em pessoas carentes, como 
se fossem mais frágeis por uma determinação inexplicável, metafísica. Então, a caridade aos 
“carentes”, aqueles que por determinações naturais e não sociais são vistos como mais frágeis 
e/ou menos capazes. A
ndrade, etristeviverdehum
or.blogspot.com
8
Unidade: O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
A solidariedade, por outro lado, se fundamenta na percepção de uma situação, de uma 
circunstância, de uma contingência, pela qual um igual está passando. Aqui, há uma percepção 
de que os problemas sociais não nascem da incapacidade individual, mas de circunstâncias. 
Mais tarde, aprofundaremos essa discussão, que é marcada por contradições e muito importante 
para a profissão dos assistentes sociais, em qualquer tempo!
Voltando à consolidação das relações sociais próprias do capitalismo industrial na Europa do 
Século XVIII, é possível se verificar como marco no processo de institucionalização da questão 
social, o surgimento da Sociedade de Organizaçao da Caridade (SOC), cujo objetivo era 
o de se racionalizar algo cada vez mais necessário (por conta da generalização da pobreza e 
dos movimentos de contestação da ordem capitalista): a assistência, a qual, logicamente, estava 
fundamentada na perspectiva da caridade, da tutela, do enfrentamento dos problemas que se 
apresentavam na fábrica, nas cidades, nos bairros e nas famílias.
A Sociedade de Organização da Caridade (SOC) foi criada, na Inglaterra, em 1869, pela 
burguesia com o apoio da entidades religiosas, com uma perspectiva de correção e controle 
da mendicância. Logicamente, a classe trabalhadora não reconhecia essa assistência como 
atendimento pleno de suas reais demandas, percebendo, claramente, que se tratava de um 
mecanismo de compensação e controle ideológico por parte das classes dominantes.
Nesse sentido, vamos introduzindo algumas ideias muito importantes, nas quais, 
voltaremos mais adiante:
O Serviço Social começará a se apresentar como prática institucional pelo surgimento das 
instituições de caridade.
Estado, Igreja e Burguesia Industrial vão, gradualmente, articulando suas ações, alinhando seu 
pensamento em torno do enfrentamento da questão social.
A assistência e a caridade, mesmo quando envolvem auxílio material (como a cesta básica), estão 
relacionadas como uma perspectiva de controle ideológico: são ações que nascem claramente 
na contraposição da ideia de revolução das classes trabalhadoras. Como vimos na Unidade I, ao 
analisarmos a Encíclica Papal Rerum Novarum, a preocupação com a construção de uma forma de 
pensar e de um comportamento dócil do operariado é central no empreendimento da assistênciasocial contemporânea.
O Serviço Social não surgiu do movimento operário em busca de alternativas para o enfrentamento 
de seus problemas, mas sim das classes dominantes em busca de algum tipo de resposta ao 
movimento operário e seus problemas.
Podemos afirmar, assim, que a Sociedade de Organização da Caridade (SOC) nasceu 
não apenas da necessidade de expansão de práticas compensatórias de enfrentamento dos 
problemas advindos da reprodução das desigualdades, mas também do intuito de se mistificar 
1essa condição. 
A pobreza, vista como “mal necessário”, passa a ser tratada como um problema moral e, 
portanto, doutrinário: o papel da caridade era não só o de atender a necessidades emergenciais 
de ordem material, mas também e principalmente, o de garantir uma integração e uma adesão 
dos pobres ao projeto de dominação burguesa. 
1 O conceito de mistificação, aqui, é utilizado para mostrar como a alienação se reproduz. O ocultamento dos fundamentos de uma 
realidade que, vista, superficialmente, é identificada como produto de uma incapacidade individual, que se dá pela mistificação.
9
Com isso, é importante se notar que a função moral e social era também e essencialmente 
econômica: tratava-se de garantir que nem a generalização da pobreza, nem a organização 
revolucionária dos trabalhadores, atrapalhassem o projeto de desenvolvimento das sociedades 
capitalistas urbano-industriais.
 Ao estudar a história do Serviço Social na Europa e o surgimento da SOC, como locus de 
inserção dos primeiros assistentes sociais modernos, Maria Lucia Martinelli em seu conhecido 
livro Serviço Social, Identidade e Alienação (ver em material complementar), dirá que a profissão 
nasce com uma identidade atribuída que está vinculada a ideologia e aos interesses expressos 
na aliança Estado, Igreja e Empresariado, na defesa da propriedade privada, e das relações 
sociais capitalistas. 
Os assistentes sociais nascem, então, como agentes institucionais destacados a exercer 
atividades voltadas para o controle da classe trabalhadora e o atendimento de algumas de suas 
demandas, sob o ponto de vista da burguesia.
 Como veremos ao longo do curso, a profissão é um corpo vivo, que pulsa com a sociedade. 
A sociedade se modifica, as forças sociais entram em conflito, produzem novas formas de pensar 
e se projetar o tratamento da questão social. Assim é que as determinações, que estão na 
origem da profissão dos assistentes sociais, não são absolutas! O corpo profissional representa a 
sociedade que é plural, diversa, contraditória e marcada por lutas sociais.
A ação da SOC se consolida pelo discurso de uma organização científica da assistência e se 
expande a partir da Inglaterra para outros países da Europa e os Estados Unidos da América. 
Essa expansão mostra que a necessidade de institucionalizar os problemas, os quais começam a 
aparecer nas modernas sociedades urbano-industriais nascentes, foi se tornando um imperativo 
cada vez mais evidente.
Dessa forma, o Serviço Social como prática social, marcadamente vinculada à ações religiosas, 
vai se expandindo e se institucionalizando na Europa e nos Estados Unidos ao longo das duas 
primeira décadas do Século XX.
Em 1908, é fundada na Inglaterra a primeira escola de Serviço Social. Em 1911, na França, 
é criada a primeira escola de Serviço Social daquele país, de orientação católica e em 1913, na 
França também, outra escolar de Serviço Social de orientação protestante. Assim, é importante 
que se perceba que as primeiras escolas de Serviço Social surgem pela necessidade de formação 
técnica de agentes aptos a trabalhar em organizações assistenciais da sociedade civil, apoiadas 
pelo Estado e gerenciadas pela Igreja.
A formação profissional e pessoal estavam vinculadas e a ação dos primeiros assistentes 
sociais na Europa e nos EUA estavam, em grande medida, vinculadas às preocupações da Igreja
Além disso, acerca do surgimento do Serviço Social na França, Janine Verdes Leroux, 
identifica o trabalho das visitadoras sociais e das supervisoras de fábrica como as protoformas 
do exercício profissional no país. 
Nas fábricas, as pioneiras atuavam não apenas no adestramento para o trabalho feminino, mas 
também procurando evitar organizações que pudessem favorecer a movimentos grevistas. Aqui se 
pode claramente perceber que a racionalização da assistência está, de fato, intimamente, ligada à 
racionalização do processo produtivo e, nele, de seu bem mais precioso: a força de trabalho. 
10
Unidade: O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
No trabalho de Verdes Leroux (Trabalhador social: Prática. Hábitos. Ethos. Formas de 
intervenção, ver Material complementar), essa autora apresenta alguns registros das supervisoras 
de fábrica e mostra o choque cultural que se estabelecia no contato com as mulheres trabalhadoras. 
Para as supervisoras (advindas das camadas mais abastadas da sociedade, criadas sob 
rigorosa disciplina religiosa), os valores e formas de se viver, expressos no comportamento 
das mulheres trabalhadoras, eram inadmissíveis e explicavam a sua situação de pobreza. As 
supervisoras entendiam, assim, a questão social como um problema moral com papel corretivo. 
O trabalho de visitadoras estava relacionado com o reconhecimento dos problemas relativos 
à saúde pública, que apareciam nos locais de moradia da população trabalhadora e (como 
vimos na unidade anterior) favoreciam a dissiminação de epidemias, ameaçando as condições 
de reprodução da classe trabalhadora. 
No registro de suas atividades, assim como ocorria no caso das supervisoras, também é 
possível se verificar a visão dos males sociais como advindo de problemas relativos a uma espécie 
de “má formação moral” que se atribuía à população trabalhadora. As visitadoras realizavam, 
numa condição de assistentes dos médicos, uma abordagem diagnóstica, um reconhecimento 
dos principais problemas encontrados nos bairros, moradias e famílias trabalhadoras. 
Os preconceitos e a ideia de que os pobres constituíam uma massa moralmente decaída a 
ser urgentemente reorganizada e adestrada, fazem parte do ideário desses primeiros assistentes 
sociais não por sua livre decisão, mas pelo fato de que estavam presos a valores morais elitistas, 
que lhes haviam sido inculcados desde a infância: havia uma convicção das classes dominantes 
de que elas eram de alguma maneira escolhidas para se constituir como vanguarda de um 
processo civilizatório. No entanto, existia, de outra parte, uma visão das classes trabalhadoras 
como incapazes de conduzir autonomamente seu próprio destino. 
Destacamos que o preconceito é um componente central nas relações sociais, em sociedades 
desiguais. Como vimos na unidade anterior, os conceitos de alienação e de reificação.
Importante lembrar que o preconceito é uma expressão de reificação e sustenta a ideia de 
um mundo divido entre os “naturalmente melhores, mais belos e aptos, mais preparados para 
decidir” e outros “mais frágeis e nascidos para apenas executar ou servir”. 
Dessa maneira, o preconceito contribui para a reprodução das relações desiguais, que são 
vistas como naturais, inevitáveis: como se as diferenças pudessem explicar as desigualdades. 
Entretanto, nesse momento, não vamos nos ater ao tema, mas, até aqui, é claro sua forte relação 
com as questões que desafiam a prática profissional dos assistentes sociais.
Com essas informações relativas à origem do Serviço Social na França, fica claro que são 
marcas da profissão em seu surgimento na Europa:
1. A origem burguesa de seus agentes. 
2. A forte preocupação com a garantia da “harmonia social”, dentro dos parâmetros 
estabelecidos pela burguesia (a oposição ao movimento operário revolucionário). 
3. O tratamento da questão social na sua dimensão de conflito de classes. 
4. A abordagem grupal (as mulheres na fábrica, as mulheres nos bairros pobres). 
5. Uma ligação clara com a Igreja, uma visão religiosa do mundo e da prática profissional.
11
Nos Estados Unidos, as formulaçõesde Mary Richmond são identificadas como pioneiras e sua 
marca central é o tratamento individualizado, por meio do Serviço Social de Casos Individuais.
Então, a tentativa de realização de uma filantropia com bases científicas deveria se dar a 
partir da ideia de reintegração do indivíduo na sociedade. Assim, a questão social era vista 
pro Richmond como advinda de desvios e incapacidades dos indivíduos em se adequar 
harmoniosamente na sociedade. 
Salientamos que, nos Estados Unidos, diferentemente daquilo que vimos no surgimento do 
Serviço Social na Europa, há uma linha psicanalítica de tratamento da questão social.
Nos textos de Richmond, ainda que a preocupação com um diagnóstico dos problemas 
sociais, baseado em procedimentos científicos (linha psicanalítica), seja evidente, pode-se 
encontrar também (como aparece nos registros das pioneiras na França) uma visão dos pobres 
carregada de preconceitos e julgamentos morais. Como veremos nos próximos semestres, a 
visão do indivíduo enquanto “parte” que deve se adequar a um “todo” que tende naturalmente 
para a harmonia, e própria do Funcionalismo de Durkheim2. Richmond publicou alguns estudos, 
entre eles “What is Social Case Work?, em português, “O que é o Serviço Social de Casos?”. 
Trocando Ideias
O Serviço Social de Casos individuais é, até os dias de hoje, uma situação da prática 
profissional dos assistentes sociais que trabalham também com grupos mais amplos. 
Importante notar que o Serviço Social de Caso estava no centro das estratégias de intervenção 
do chamado Serviço Social clássico, ou tradicional. Isso se dá na medida em que o Serviço Social 
tradicional tende a compreender os problemas sociais muito mais como advindos da incapacidade 
individual de adaptação do que de processos econômicos, sociais, políticos e culturais que envolvem 
a exploração entre os homens.
Também é bastante importante, no que diz respeito ao surgimento 
do Serviço Social nos EUA, a discussão que, precocemente, colocou-
se entre os grupos pioneiros na ação assistencial naquela então jovem 
democracia liberal. 
Alguns grupos defendiam a presença do Estado na ação assistencial 
e, outros, a exclusividade da presença da iniciativa privada, ficando 
ao Estado apenas o papel de legislar sobre os problemas sociais. 
Essa é uma discussão contemporânea que vai aparecer em vários 
momentos e países ao longo do Século XX, que envolve muito além 
da profissão dos assistentes sociais, diz respeito à sociedade como 
uma totalidade. 
É válido lembrar que, em outros momentos do curso, voltaremos a abordagem da relação 
entre Estado e sociedade civil organizada na gestão das políticas sociais. 
2 Durkheim é reconhecido como o fundador da Sociologia enquanto área do conhecimento no âmbito das ciências sociais 
contemporâneas. Sua preocupação era isolar, identificar o “fato social” e diferenciá-lo das outras dimensões do ser em sociedade, 
diferenciando assim a Sociologia das demais áreas do conhecimento. Durkheim é o pai do Funcionalismo e seu pensamento, assim como 
o de Comte (criador do Positivismo, da “física social”) é voltado para a naturalização da ordem social capitalista, entendida como o 
modelo mais avançado de sociedade.
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Unidade: O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
Pode-se, portanto, compreender, a partir dessa abordagem histórica do surgimento da 
profissão, que são aspectos comuns entre os primeiros assistentes sociais:
 » Uma identidade atribuída pelas classes dominantes, Estado e Igreja, preocupados com 
os problemas e a reação da classes operária.
 » Uma visão estigmatizada e carregada de preconceitos dos pobres e da pobreza.
 » Uma sensibilidade (caridade), mas uma compreensão limitada das reais necessidades 
da população trabalhadora.
 » Uma forte preocupação com a atuação, com a intervenção, seja no interior da fábrica, 
seja nos bairros de moradia da população operária.
 » Uma visão da condição de pobreza como desvio a ser corrigido.
 » Uma intervenção no nível material (auxílios), mas principalmente no âmbito da ideologia: 
o Serviço Social nasce pela prática de agentes responsáveis pela normatização da vida 
social, em todos os seus âmbitos.
Consequentemente, na próxima Unidade, veremos o surgimento do Serviço Social na 
América Latina, que é marcado fortemente pelas experiências Europeia e Norte-americana.
 
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Material Complementar
MANRIQUE CASTRO, M. História do Serviço Social na América Latina. 6. ed. São 
Paulo, Cortez, 2003.
MARTINELLI, M. L. Serviço Social: Identidade e Alienação. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
VERDES-LEROUX, J. Trabalhador social. Prática. Hábitos. Ethos. Formas de 
intervenção. São Paulo, Cortez, 1986.
14
Unidade: O surgimento da Serviço Social na Europa e Estados Unidos
Referências
IAMAMOTO, M. V. Relações Sociais e serviço Social no Brasil: Esboço de Uma 
Interpretação Histo. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
MARTINELLI, M. L. Serviço Social: Identidade e Alienacao.12. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
Fundamentos Históricos e Teorico-Metodol. do S. Social. SS. Direitos e Compet. 
Brasília: Abepss, 2009.
MARQUES, A. Helena Junqueira: A Construção de Uma Mentalidade em Serviço 
Social. 1994. Tese (Doutorado em Serviço Social) - São Paulo. 1994.
NEVES, N. P. Nadir Gouveia Kfouri: o saber e prática do Serviço Social no Brasil. (1940-
1960). Tese de doutorado. PUC/SP, 1990. 298p
15
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