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Unidade I
Trajetória Profissional do Serviço Social
Introdução ao 
Serviço Social
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
EMILLY KÉSSIA DA COSTA CAVALCANTI
SILVIA CRISTINA DA SILVA 
AUTORIA
Emilly Késsia da Costa Cavalcanti
Olá! Sou graduada em Serviço Social pela Universidade Norte do 
Paraná (Unopar) (2015) e em Administração Pública pela Universidade 
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) (2020). Também sou especialista 
em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) (2018), em 
Serviço Social e Gestão de Projetos Sociais pela FAVENI (2018) e em Auditoria 
e Controladoria pela Instituto Século XXI (2021). Sou apaixonado pelo que faço 
e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em 
suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Silvia Cristina da Silva 
Olá! Sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente e 
Sociedade pela Centro Universitário das Faculdades Associadas de 
Ensino (UNIFAE), com participação docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso pela Universidade Federal de Buenos Aires e 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação pela 
Faculdade Campos Elíseos. Também sou pós-graduanda em EaD pela 
Faculdade Campos Elíseos, graduada em Ciências Jurídicas e Sociais 
pela UNIFEOB e vice-diretora acadêmica na Agência Nacional de Estudos 
em Direito ao Desenvolvimento (ANEDD). Além disso, sou especialista 
em Investigação de Antecedentes em instituições públicas e privadas; 
docente e conteudista em diversas instituições educacionais para cursos 
de graduação e pós-graduação; elaboradora de questões para concursos 
públicos em várias organizadoras; degravadora, redatora, tradutora e 
intérprete da língua espanhola. Sou apaixonada pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas 
profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento;
REFLITA:
se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a ser 
refletido ou discutido;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada;
TESTANDO:
quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Conceito e definição do serviço social .............................................. 10
Conceitos importantes do Serviço Social ..................................................................... 10
O capitalismo .................................................................................................................. 10
A questão Social, Bem-estar social e Serviço Social ........................ 15
Atribuições dos assistentes sociais .....................................................23
Atribuições privativas e competências do Assistente Social ..........................23
Atribuições privativas e competências na atuação no Centro de 
Referência da Assistência social (CRAS) ........................................................................27
O instrumental técnico-operativo .................................................................... 31
Origem da profissão de serviço social no mundo .........................38
Origem do Serviço Social na Europa ............................................................................... 38
O Estado de Bem-estar na Europa ....................................................................................43
Surgimento da carreira de serviço social no brasil ......................49
Origem do Serviço Social no Brasil ................................................................................... 49
O estado de Bem-estar social no Brasil .........................................................................55
7
UNIDADE
01
Introdução ao Serviço Social
8
INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo à disciplina de Introdução ao Serviço Social, 
a qual permitirá uma compreensão acerca dos conceitos e momentos 
que deram origem à profissão. Tendo em conta essas preocupações e a 
presente disciplina, organizamos os tópicos abordados neste curso em 
quatro capítulos, que vão abordar: conceitos e definições do Serviço Social; 
atribuições dos assistentes sociais; origem da profissão de Serviço Social 
no mundo; surgimento da carreira de Serviço Social no Brasil. Entendeu? 
Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
Introdução ao Serviço Social
9
OBJETIVOS
Olá! Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Definir o conceito de Serviço Social e outras definições relacionadas 
à área.
2. Identificar e entender as atribuições de um assistente social.
3. Compreender a história do Serviço Social no mundo, suas 
motivações, evolução e cenário atual.
4. Entender como o Serviço Social surgiu no Brasil, discernindo 
sobre suas diferenças e peculiaridades em relação ao que se tem 
no mundo.
Introdução ao Serviço Social
10
Conceito e definição do Serviço Social 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de definir o 
conceito de Serviço Social e outras definições relacionadas 
à área. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
Conceitos importantes do Serviço Social
O Serviço Social é uma profissão intervencionista que analisa e 
propõe ajustes a uma variedade de questões sociais em uma comunidade 
com base nas ferramentas e métodos multidisciplinares das Ciências 
Sociais.
Portanto, falar em Serviço Social é conhecer os conceitos e 
definições de tudo que se relaciona ao surgimento da profissão. Logo, 
o primeiro conceito está relacionado ao sistema capitalista, o qual deu 
origem a outros conceitos fundamentais para a profissão, tais como: 
questão social, estado de bem-estar social e Serviço Social. 
O capitalismo 
O início do século XIX foi marcado pelo surgimento do capitalismo, 
um novo sistema político e econômico que se originou na Revolução 
Industrial e começou a ser implantado na Inglaterra, França e Alemanha 
durante as décadas de 1820 e 1830, e se espalhou por toda a Europa e, 
depois, para resto do mundo, incluindo o Brasil. 
A Revolução Industrial foi o auge das mudanças ocorridas no século 
XIX, dentre elas o aumento dramático da população urbana, que antes 
era rural e migrou para as cidades para o trabalho industrial, o que mais 
tarde ficou conhecido como explosão populacional. Essa é a mudança 
mais significativa, pois levanta muitos problemas de natureza social e 
econômica, visto que as cidades não têm estrutura para tantas pessoas, 
nem a indústria.
Introdução ao Serviço Social
11
IMPORTANTE:
A partir do século XII, uma nova civilização surgiu e 
prosperoue se aprofunda e, depois, 
Introdução ao Serviço Social
48
espalha-se para outras regiões do mundo, sempre com a Europa como 
referência. 
O primeiro país a aderir ao estado de bem-estar social foi o Reino 
Unido, que em 1942 aprovou uma série de operações de ajuda para 
saúde, educação, renda e muito mais. No entanto, cada sociedade 
propõe diferentes formas de desenvolver o estado de bem-estar social, 
com diferentes graus de sofisticação, dependendo da especificidade 
de cada região e de seu contexto histórico, como seu desenvolvimento 
nas Américas, por exemplo: Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de 
Estados Unidos na administração Franklin Delano Roosevelt (1933-1945) 
(DELGADO; PORTO, 2018). 
Portanto, é certo que o estado de bem-estar social é o modelo 
mais completo de ajuda e proteção estatal que avançou social, política e 
economicamente nos últimos 300 anos.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que o desenvolvimento da política social europeia, oriunda 
dos países do continente europeu, visavam à construção 
de uma sociedade igualitária, com bem-estar social, 
equidade e, assim, cuidar de todos os cidadãos. Tal curso 
desenvolve, assim, a capacidade dos alunos de identificar 
os determinantes sociais, históricos e econômicos das 
políticas sociais capitalistas centrais na Europa continental, 
e de compreender a importância dessas políticas para o 
desenvolvimento social e para o surgimento do Serviço 
Social, que é intrínseco ao aparecimento das políticas 
sociais. Foi estudado ainda o processo de construção do 
estado de bem-estar europeu, que teve início na Grã-
Bretanha no pós-guerra. Mas constatou-se que países 
como a Alemanha implementaram ações sociais para 
os trabalhadores, o que é um marco na Europa. Desse 
modo, o desenvolvimento do estado de bem-estar foi se 
expandindo por outros países. 
Introdução ao Serviço Social
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Surgimento da carreira de Serviço Social 
no Brasil
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
como o Serviço Social surgiu no Brasil, discernindo sobre 
suas diferenças e peculiaridades em relação ao que se 
tem no mundo. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
Origem do Serviço Social no Brasil
Em âmbito nacional, o capitalismo foi introduzido aos poucos, 
começando no século XIX e sendo consolidado no século XX, tornando-
se, assim, o sistema econômico adotado pelo país. 
Dessa forma, os períodos econômicos em âmbito nacional, estão 
expressos no Quadro 1.
Quadro 1 – Períodos da economia no Brasil
ANO MOMENTO ECONÔMICO
1810-1888 Mercantil-escravista cafeeira
1888-1933 Exportadora capitalista
1933-1955 Industrialização restrita
1955 em diante Industrialização pesada
Fonte: Elaborado pelas autoras (2022). 
Dessa maneira, pode-se dizer que o capitalismo é marcado pelo 
período da economia exportadora entre 1888 até 1933. O mesmo processo 
na ocorreu na Inglaterra entre 1820 e 1830, com a Primeira Revolução 
Industrial. Logo, comparando com o Brasil, houve uma diferença de quase 
cem anos para a implantação do sistema que foi trazido pela Primeira 
Revolução Industrial. 
Introdução ao Serviço Social
50
IMPORTANTE:
O capitalismo tardio fez alusão ao atraso da entrada do 
país no processo do capitalismo de produção, sendo 
advindo de condições internas da formação do excedente 
do capital, o que beneficiou o capital industrial, tendo 
graves consequências para os trabalhadores por conta do 
rebaixamento da força de trabalho na periferia (BORGES; 
CHADAREVIAN, 2012).
Logo, no período da consolidação do capitalismo em âmbito 
nacional, observa-se que a economia exportadora era fundamentada no 
café, sendo por meio dela que foram feitas condições para o nascimento 
do capital industrial e de grandes indústrias, haja vista que a economia 
cafeeira gerava um grande capital, o qual estava concentrado nas mãos 
dos cafeicultores, ou seja, com uma parte seletiva da sociedade, os quais 
eram donos do capital.
Com a posse desse capital que estava acumulado, seus detentores 
investiam em um capital produtivo, transformando a força de trabalho 
em uma mercadoria, adquirindo mais rentabilidade e acúmulos de 
riquezas com as custas de um trabalho muito mal remunerado daqueles 
que necessitavam. Dessa maneira, com tais investimentos, criou-se um 
mercado interno com grande proporção. Após esse momento, podia-se 
observar as expressões sociais que foram trazidas pelo sistema capitalista, 
desde a riqueza dos poucos à pobreza de muitos, com desigualdade e 
exploração entre os indivíduos.
Assim, nesse período, o Brasil passou de um sistema agrário 
para um sistema industrial, causando a transformação da vida de várias 
pessoas, pois grande parte da população vivia na zona rural. Após o fim 
desse sistema agrário, vários deixaram suas respectivas terras, indo para 
a cidade trabalhar nas fábricas e trazendo para a nação um aumento das 
cidades e da população. Essa população vendia a sua força de trabalho, 
vivendo com condições ruins nas periferias e ofertando a mão de obra de 
crianças e mulheres.
Introdução ao Serviço Social
51
Nesse ponto, pode-se observar as semelhanças com o surgimento 
do capitalismo Europeu, como o êxodo rural e as péssimas condições 
de vida, porém o sistema capitalista não foi o único problema em âmbito 
nacional, com a escravidão sendo um grande exemplo. Dessa maneira, 
no fim do século XIX, mais especificamente em 13 de maio de 1888, a Lei 
Áurea teve sua aprovação, extinguindo a escravidão no Brasil.
Tal período marca o começo e a consolidação do capitalismo na 
nação, sendo resultados de grandes problemas da sociedade, os quais 
são conhecidos como questão social.
VOCÊ SABIA?
O fim da escravidão foi um avanço nos direitos do ser 
humano com relação a ser livre, porém, no período descrito, 
os negros, que anteriormente tinham comida e moradia, 
ficaram abandonados, sendo que muitos ficaram pelas ruas 
sem qualquer dignidade e marcados por uma sociedade 
que os discrimina como pessoas inferiores, sendo que esse 
problema se intensificou com o desenvolvimento industrial 
nacional.
Para a sua sobrevivência, os negros tiveram que se submeter a 
outros tipos de exploração, vendendo a sua força de trabalho em troca 
pelo seu sustento, o que foi chamado por Marx de mais-valia. Logo, pode-
se dizer que a Lei Áurea marcou a liberdade dos escravos, porém não por 
meio das atitudes da sociedade que eram desenvolvidas, resultando em 
uma exploração contínua, agora da classe dominadora, ou seja, os donos 
de capitais sobre a classe dominada, que eram os trabalhadores, em que 
os negros eram inclusos e discriminados por toda sociedade.
Por meio do exposto, pode-se entender que diante da ótica do 
desenvolvimento de uma sociedade capitalista, a abolição da escravidão, 
ainda que fosse uma vitória em âmbito social, assegurou para os donos de 
capitais mais força de trabalho com uma remuneração baixa, marcando 
um novo período de exploração, o que assegurava-lhe ser igual à maioria 
da população, porém igual na pobreza, na exploração da força de trabalho 
e na miséria.
Introdução ao Serviço Social
52
Assim, pode-se perceber que, no Brasil, já havia diversas expressões 
da questão social que até então não eram reconhecidas, como a 
escravidão, as condições desumanas de vida, o preconceito, dentre 
outras, que com o advento do capitalismo, acabou se intensificando. 
Dessa maneira, a origem do Serviço Social e das políticas sociais no 
Brasil, segundo Behring e Boschetti (2011), tiveram grande influência pelo 
desenvolvimento urbano, sendo o reflexo da industrialização na nação. 
O Estado passou a ter o controle das massas populares por meio dos 
mecanismos institucionais, haja vista que o Brasil nasceuem uma forte 
ambiguidade entre o liberalismo formal como sendo fundamento e o 
patrimonialismo como sendo uma prática para assegurar os privilégios 
das classes dominantes.
No ano de 1923, as primeiras políticas sociais foram elaboradas 
em benefício aos trabalhadores, sendo ela a Lei Eloi Chaves, conhecida 
como Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPS), a qual foi o começo do 
sistema de proteção social nacional. 
Quando as expressões da questão social em âmbito nacional 
começaram a surgir por conta do crescimento das cidades e da 
aglomeração da população, a pobreza das grandes massas era visualizada 
como uma falta de capacidade pessoal, a qual devia ser tratada de 
maneira filantrópica, ou seja, nesse período, somente os trabalhadores 
que recebiam salários tinham uma cobertura das políticas sociais que 
eram desenvolvidas (YAZBEK, 2009).
Porém, no ano de 1930, o processo de urbanização é expandido, 
começando pelas lutas de classes e pelas reivindicações por melhores 
condições, elaborando, assim, a emergência da classe operária. Logo, foi 
nesse momento que a questão social começou a ser vista e se tornou 
um aspecto de impulsão para a intervenção estatal para a proteção do 
trabalhador e da sua família. 
Nessa década, diante do desenvolvimento e da formação da 
classe operária e do seu ingresso no contexto político da sociedade, 
exigindo o reconhecimento como sendo classe por parte do Estado e 
do empresariado, foram elaborados os Institutos de Aposentadorias e 
Introdução ao Serviço Social
53
Pensões (IAPs), por meio da lógica do seguro social, o qual substituiu os 
CAPs.
IMPORTANTE:
Fica evidente que apesar de algumas semelhanças com o 
desenvolvimento capitalista na América Latina e na Europa, 
o sistema de proteção social no continente europeu e latino-
americano foram diferentes, por conta das particularidades 
do Brasil, assim como sua formação histórica, resultando 
em um acesso desigual, heterogênea e fragmentada aos 
serviços sociais. 
No ano de 1943, no governo de Getúlio Vargas, aconteceu a 
formulação de uma legislação trabalhista, sendo essa uma proteção 
social que é promovida pelo Estado, denominadas de Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT), tendo como finalidade a redução das tensões entre 
os donos de capitais e a classe trabalhadora (YAZBEK, 2009).
Entretanto, é observado que ainda que existisse tal legislação, o 
Brasil se apresentava como seletivo na proteção social, resguardando, 
assim, os trabalhadores formais e deixando para a sociedade civil os 
trabalhadores informais e os mais pobres, estando longe de um sistema 
universalista social. Logo, a partir da era de Getúlio Vargas, no período de 
1937 a 1945, denominado de Estado Novo, manteve-se o crescimento das 
políticas sociais (YAZBEK, 2009).
Dessa maneira, de modo resumido, pode-se dizer que as políticas 
brasileiras sociais foram desenvolvidas de duas maneiras: para os 
trabalhadores formais, os quais tinham direitos à regulação da jornada de 
trabalho, férias, dentre outros; e para os trabalhadores informais, ou até 
desempregados, restavam as obras filantrópicas e sociais, com iniciativas 
benemerentes. 
Assim, o período de 1964 a 1985 foi marcado pela ditadura militar, 
no qual as políticas sociais mantiveram-se orientadas para as ações 
emergenciais, assistencialistas e clientelistas, porque legitimavam o 
sistema autoritário da época.
Introdução ao Serviço Social
54
No ano de 1980, houve o aumento no número de pobres no Brasil, 
por conta da omissão estatal. Logo, os compromissos sociais tiveram, em 
tal período, a pobreza como o objeto central. Porém, o período de ditadura 
militar, apesar de representar um período de repressão, grande censura e 
perdas de direitos, deu origem a várias resistências, lutas populacionais, 
dentre outros exemplos que foram essenciais para a promulgação da 
Constituição Federal de 1988.
IMPORTANTE:
A presente Constituição tratou-se de um marco de garantias 
de direitos para o cidadão, compondo muitos artigos que 
abordam o bem-estar da sociedade e assegurando direitos 
básicos, como saúde, trabalho, educação, dentre outros 
direitos. Por meio dela, as políticas sociais em âmbito 
nacional asseguravam um caráter universalizador, cobrindo, 
assim, todos aqueles que precisam, e não somente os 
trabalhadores formais.
Foi depois da Constituição que sistemas como o Sistema Único de 
Saúde (SUS) foram elaborados, além de outras várias normas, decretos e 
leis que têm como finalidade assegurar a garantia da dignidade humana 
(GOIS, 2017).
Logo, foi após a promulgação da Constituição Federal de 1988 
que o termo “tripé da seguridade social” foi usado, sendo constituído 
pela previdência social, pelo sistema de saúde (SUS) e pelo sistema da 
assistência social (SUAS), ou seja, previdência, saúde e assistência.
Portanto, 
O Serviço Social surge como uma resposta dos grupos 
dominantes, em especial a Igreja Católica, à latente 
questão social. Mas, diferentemente das Leis Sociais que 
surgem em função do proletariado, o Serviço Social deve 
servir à classe dominante, no seu trato com a questão 
social, até como uma forma de manter o controle, a 
ordem, ameaçada pela questão social. (SANTOS; TELES; 
BEZERRA, 2013, p. 153) 
Introdução ao Serviço Social
55
Assim, o surgimento do serviço social está diretamente relacionado 
ao modo de produção capitalista, com padrões contínuos de exploração 
e desigualdade que fazem com que os problemas sociais apareçam de 
forma visível e gritante. Os serviços sociais surgiram como uma ferramenta 
da burguesia para controlar o proletariado, que havia sido mobilizado por 
melhores condições de vida.
O estado de bem-estar social no Brasil
As configurações do estado do bem-estar social nas nações de 
capitalismo central, seguindo o padrão e o nível de industrialização, têm a 
capacidade de mobilização dos trabalhadores, da cultura política do país 
e da autonomia do sistema econômico relacionado ao governo.
VOCÊ SABIA?
É preciso discutir o caminho do Estado de Bem-estar social 
em âmbito nacional em relação a influência do modelo de 
proteção social desenvolvido nas nações de capitalismo 
central, porém é necessário entender que no Brasil, o 
desenvolvimento do Estado de Bem-estar social deu-se 
de maneira distinta dos Estados Unidos e da Europa, por 
conta da sua posição na economia mundial, que não era de 
uma nação desenvolvida, além das suas particularidades 
históricas.
Assim, Medeiros (2001) afirma que as circunstâncias do surgimento 
do Estado de Bem-estar social no Brasil são distintas das que são 
observadas nas nações citadas anteriormente. Além de acontecer em 
uma distinta posição econômica mundial, tal processo de modernização 
nacional é marcado com setores industriais modernos, convivendo ainda 
com setores tradicionais e também com a economia agrária exportadora. 
Logo, o controle do mercado para produtos industriais através 
das políticas de massificação do consumo, tratou-se de um fator 
secundário para um Estado que era preocupado com a disponibilidade de 
investimentos e insumos, bem como estratégias protecionistas em bens 
de capital e de infraestrutura.
Introdução ao Serviço Social
56
IMPORTANTE:
Assim, em âmbito nacional o estado de bem-estar 
desenvolveu-se por meio de decisões de autarquias, tendo 
características predominantes, por exemplo, a regulação 
trabalhista. Dessa maneira, na década de 1920, já havia 
traços do surgimento do estado de bem-estar social quando 
foram formuladas políticas como a Lei Eloy Chaves, a Lei do 
Departamento Nacional do Trabalho em Saúde e o Código 
Sanitário no ano de 1923. Foram formuladas com o caráter 
de controle social dos movimentos trabalhistas, sendo tais 
ações limitadas somente aos trabalhadores assalariados, 
deixando a sociedade que se encontrava fora dessa 
categoria desamparada em virtude do assistencialismo 
privado.
Segundo Barcellos (1983), o Estado se apresentavacomo omisso em 
todos os setores. Na saúde, apenas tinha a atuação diante de epidemias 
nos centros urbanos e a educação acontecia de maneira parcial em 
cada região, ou seja, não tinha uma política global educacional. Assim, 
a previdência se apresentava como totalmente privada e a moradia não 
chegava a ser considerada objeto de política pública.
Em suma, o esforço do surgimento estatal de bem-estar social 
no Brasil tinha estratégias orientadas para o controle dos movimentos 
radicais sociais. Assim, eram elaboradas medidas que atendiam de forma 
exclusiva à classe que ocasionava a comoção, sendo essa a classe 
trabalhadora. Por essa razão, as primeiras ações sociais foram orientadas 
para essa classe, buscando a satisfação das necessidades e, dessa 
maneira, enfraquecer as mobilizações.
Nesse contexto, no ano de 1930, o estado de bem-estar social 
torna-se evidente no Brasil, apresentando um caráter de controle social 
e buscando evitar os movimentos dos trabalhadores. Logo, o estado de 
bem-estar social teve como marca principal no Brasil o autoritarismo, 
como é exposto por Barcellos (1983). 
Até o ano de 1937, ainda que estivesse vigorando no Brasil o Estado 
de Direito, já começava a se delinear os traços autoritários que estariam 
Introdução ao Serviço Social
57
presentes com uma intensidade variável no decorrer do período, que é 
estendido até o ano de 1964. Nesse primeiro momento, o autoritarismo 
se expressava de forma fundamental na estrutura corporativista da 
organização sindical, o qual começou a ser composto no ano de 1930. 
IMPORTANTE:
O corporativismo, deslocando os problemas entre trabalho e 
capital para a esfera estatal, obstaculizou e descaracterizou 
a manifestação livre das reivindicações dos trabalhadores.
A intervenção estatal que possibilitou esse controle somente 
foi possível por conta de uma ausência de organizações trabalhistas 
que tivessem uma força política. Isso deixou uma lacuna, e o Estado 
passou a ter um controle sobre a força de trabalho. O estado de bem-
estar social teve uma grande influência nisso, ajudando na migração dos 
trabalhadores tradicionais para os setores industriais urbanos, ou seja, 
ajudou no processo de modernização do trabalho.
Assim, a década de 1930 até o começo de 1940 foi marcada pela 
formação do estado de bem-estar social com a formulação da criação 
dos institutos de aposentadoria e pensão, além de legislações trabalhistas 
que foram consolidadas no ano de 1943, sendo essas o marco do 
desenvolvimento do estado de bem-estar no Brasil. Porém, nesse mesmo 
período, outras políticas começaram a se desenvolver orientadas para a 
educação e a saúde.
As bases do sistema da seguridade social do Brasil, desenvolveu-
se neste período, perdurando até o ano de 1966, sendo assim, o Estado 
de Bem-estar social acabou sendo consolidado embasado em políticas 
trabalhistas para trabalhadores urbanos, pois não havia colisão com os 
trabalhadores rurais, por conta da força política que tinham as oligarquias 
rurais do período.
Introdução ao Serviço Social
58
VOCÊ SABIA?
Segundo Barcellos (1983), as políticas trabalhistas orientadas 
possibilitaram a formulação de um Ministério do Trabalho, a 
regulamentação do trabalho feminino e a promulgação das 
legislações trabalhistas, de férias, de jornada de trabalho, 
dentre outras. 
A justiça do trabalho ainda consagra a interferência estatal, que 
regula as negociações em relação aos salários e as organizações dos 
sindicatos. Com relação às políticas de educação e saúde, foram criadas a 
previdência estatizada e o Ministério dos Negócios de Educação e Saúde 
Pública.
Todo esse processo de desenvolvimento passa-se no governo de 
Getúlio Vargas, caracterizado por ser um governo populista e por formular 
estratégias que elevaram o papel estatal na regulação econômica e das 
políticas nacionais, buscando atingir o desenvolvimento nacional. 
Com relação ao regime de Getúlio Vargas, Medeiros (2001) afirma 
que, da visão das relações de trabalho, o regime populista do período 
perseguiu cerca de três objetivos básicos: fazer dos trabalhadores 
um ponto de suporte, ainda que passivo, do regime; impedir que os 
movimentos de trabalhadores se tornassem suporte para grupos de 
oposição que reivindicavam alterações profundas na organização 
da sociedade; despolitizar as relações de trabalho, evitando que as 
organizações de trabalhadores se legitimassem como instrumento de 
reivindicação.
Introdução ao Serviço Social
59
Figura 10 – Getúlio Vargas
Fonte: Wikimedia Commons 
Dessa maneira, o regime populista faz uma seleção dos 
trabalhadores que eram organizados, sendo um processo de inclusão 
controlada, ou seja, aqueles que não estavam em organizações foram 
deixados de fora do processo. 
Logo, é nessa relação entre Estado e classe trabalhadora que 
são agregados às características da incorporação o patrimonialismo e 
o corporativismo, sendo que tais elementos fundamentaram a Proteção 
social e o sistema previdenciário social no Brasil.
Entre 1937 até 1945, é instaurado no Brasil o período do Estado Novo, 
um momento de passagem definitiva da base agrária para o urbano-
industrial, marcando de maneira forte o estado de bem-estar social por 
apresentar consequências como a ampliação do poder da burocracia nas 
tomadas de decisões relacionadas às políticas sociais e de limitação do 
movimento trabalhista. 
Introdução ao Serviço Social
60
IMPORTANTE:
Assim, fazendo uma comparação do Brasil com as nações 
do capitalismo central, pode-se dizer que por conta do 
regime autoritário sobre as políticas sociais, o compromisso 
celebrado pelo Brasil com a sociedade por meio do 
estado de bem-estar social não teve de fato as mesmas 
características. Dessa maneira, apresentou como meta 
a regulação dos trabalhadores da indústria, limitando o 
compromisso do estado de bem-estar social somente 
àqueles que pertencem ao núcleo do capitalismo.
Porém, o estado de bem-estar social passou a se expandir, porque 
conforme a indústria no Brasil expandia, ampliava-se a necessidade 
de força de trabalho e, com isso, a inclusão de grupos sociais também 
eram elevadas, porém o estado de bem-estar social acabou sofrendo 
um período de estagnação entre 1945 e 1964, voltando a aumentar aos 
poucos, por conta das alterações políticas, ou seja, do autoritarismo para 
o populismo, que aconteciam no país. Essas alterações acarretaram 
elevação das atribuições estatais para o saneamento das necessidades 
que surgiram por conta da modernização da nação com o processo de 
urbanização.
O incentivo dos governos populistas para a mobilização das massas 
urbanas nos projetos da burguesia industrial possibilitou uma participação 
e uma organização política do movimento sindical sem precedentes na 
história nacional. 
Assim, como consequência, foram inseridas várias alterações 
na legislação trabalhista que englobavam aspectos de organização 
sindical, como direito à greve e à tutela do trabalho, buscando algumas 
reivindicações sociais. Logo, a extensão dos benefícios elaborados por tal 
legislação, porém, era limitada. A previdência, por exemplo, limitava-se a 
uma fração pequena da população (MEDEIROS, 2001).
Porém, apesar dos novos avanços que foram mencionados em 
relação ao sistema de proteção social, tal período marca uma redução 
do estado de bem-estar social em relação a benefícios, beneficiários 
Introdução ao Serviço Social
61
e organizações, pois havia um caráter de seleção heterogêneo e 
fragmentado sobre a perspectiva redistributiva do estado de bem-estar 
social, limitando-o. 
Tal limitação era orientada para os grupos atendidos pelas políticas 
sociais que foram formuladas, como já dito, sendo que somente o grupo 
dos trabalhadores eram beneficiados. Era uma distribuição horizontal, 
especialmente no sistema de seguridade social, ou seja, apenas atendia-
se indivíduos no mesmo grupo, ocorridos por conta dos critériosde 
elegibilidade, para conseguir essas vantagens e benefícios.
SAIBA MAIS:
No período militar, o estado de bem-estar social acabou 
perdendo suas características populistas, assumindo linhas 
definidas, embasadas em um caráter compensatório, com 
políticas assistencialistas, que tinha como finalidade diminuir 
os efeitos negativos sobre a sociedade, ocasionadas pelo 
avanço do capitalismo na nação, tais como a crescente 
desigualdade social. Já a outra linha apresentava um caráter 
produtivista, com o objetivo de implementação de políticas 
sociais que possibilitassem o avanço do desenvolvimento 
econômico.
Por fim, pode-se perceber que, no decorrer do período de 
surgimento do estado de bem-estar social no Brasil, muitas foram as 
alterações que ocorreram no processo de construção, sendo, assim, 
moldadas dependendo dos regimes políticos de cada momento, o que 
acabou diferenciando o estado de bem-estar social do Brasil do estado 
de bem-estar social das nações desenvolvidas.
Introdução ao Serviço Social
62
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que o sistema capitalista foi o maior impulsionador do 
surgimento do Serviço Social no Brasil. Apesar de já ter 
problemas sociais, a questão social propriamente dita ainda 
não era reconhecida. Foi somente com o surgimento do 
capitalismo e a intensificação das desigualdades sociais, 
não apenas dos negros, que eram vistos como inferiores, 
mas de toda a sociedade, que surgiram as necessidades 
de intervenção do Estado. Antes do Estado, as ações eram 
realizadas pela igreja católica, que prestava auxílio em 
forma de ajuda, de assistência. Assim, com a intervenção 
do Estado, surgiu o estado de bem-estar social, uma forma 
de intervenção que foi espelhados nos modelos de bem-
estar de países europeus, mas que, apesar da referência 
europeia, desenvolveu-se de forma diferente, devido às 
questões já existentes no país, como a escravidão. 
Introdução ao Serviço Social
63
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Introdução ao Serviço Socialrapidamente, o que foi radicalmente diferente 
das civilizações anteriores, tanto em termos de mentalidade 
coletiva quanto de organização das instituições sociais. 
Isso é o capitalismo. A mudança radical de mentalidade 
corresponde ao surgimento como modo de vida global, 
buscando o máximo lucro por meio de atividades 
profissionais da atividade econômica (COMPARATO, 2011). 
O capitalismo tem características próprias, como o comércio e o 
consumo para a geração de lucro. Nesse modelo, a riqueza é gerada 
facilmente, mas essa geração exige uma exploração do trabalho, na qual 
os proprietários ficam cada vez mais ricos e os trabalhadores mais pobres, 
ou seja, existe uma relação desigual das riquezas geradas. 
Portanto, o capitalismo trata as pessoas apenas como produtoras 
de riqueza, sem nenhuma meta de crescimento, nem tendo como meta 
o desenvolvimento social e o bem-estar social. Logo, a desigualdade 
social trazida pelo capitalismo é, sem dúvida, a maior consequência 
desse sistema, mas não é a única. Muitas manifestações sociais surgiram 
devido à busca excessiva do lucro. A exploração do trabalho tornou-se 
uma realidade, com mais trabalhadores e menos trabalho, resultando em 
menos renda e mais trabalho, o que reduz a qualidade de vida e aumenta 
a fome, a dor, a violência e outras expressões.
Introdução ao Serviço Social
12
Figura 1 – Marcha pelo Clima em Madrid – 6/12/2019
Fonte: Wikimedia Commons 
Assim, fica claro que o sistema capitalista é um sistema contraditório 
que promete trazer progresso econômico ao país sem especificar que 
esse progresso será explorado por um pequeno grupo de pessoas que 
usará o outro para manter sua posição. Ou seja, é um sistema que não 
consegue atender plenamente às necessidades da população mundial.
IMPORTANTE:
O capitalismo transforma o trabalhador em mera 
mercadoria, o que Marx (1985) chama de trabalho abstrato, 
ou seja, mais-valia. Nele, as necessidades humanas são 
subordinadas às necessidades do capital e a exploração 
da força de trabalho em benefício do capital é considerada 
suficiente pela classe dominante.
O termo mais-valia é a relação entre o trabalho e a remuneração 
paga por ele, o que, para Karl Marx, era uma relação injusta, ou seja, o 
trabalho não era equalizado pelo esforço despendido para a apropriação 
Introdução ao Serviço Social
13
do trabalho e, portanto, em alguns casos, mais-valia é o conceito dado 
aos trabalhadores que são explorados pelo sistema capitalista.
Diante dessa realidade, Karl Marx afirmou, em seu livro “Manuscritos 
econômico filosóficos”, de 1848, que quanto mais um trabalhador produz, 
mais pobre ele se torna (MARX, 1982).
Figura 2 – Karl Marx
Fonte: Wikimedia Co mmons
Assim, diante da opressão e da desigualdade imposta por esse 
sistema, o capitalismo acaba alienando o homem ao aprisioná-lo em 
um sistema opressor. Diante de tanta opressão, é possível traçar um 
elo entre o capitalismo e o surgimento das demandas de política social. 
Obviamente, com o advento da industrialização, os países começaram a 
reconhecer os problemas que surgiam na classe trabalhadora, o que ficou 
conhecido como “questão social”, que se desdobrava de várias formas.
A questão social pode ser entendida como problemas não atendidos 
pela maioria da população e dirigidos por poucos. Caracteriza-se como 
uma luta pelos direitos sociais por uma melhor qualidade de vida. Segundo 
Castell (1999), a partir da conscientização das condições existentes dos 
trabalhadores, as questões sociais passam a levar em conta os agentes 
e as vítimas da Revolução Industrial. Esse período demarca não apenas a 
extrema pobreza, mas também a disparidade entre a organização política 
e o sistema econômico. 
Introdução ao Serviço Social
14
SAIBA MAIS:
Em 1830, o termo “questão social” passou a ser utilizado na 
Europa Ocidental, como mencionado anteriormente, para 
se referir às consequências do processo de industrialização. 
Antes do advento do capitalismo, no entanto, a pobreza 
era o resultado da escassez e o resultado do aumento 
da riqueza do capital, ampliando fundamentalmente a 
dinâmica da pobreza (NETTO, 2001). 
O século XX foi um período caracterizado pela disseminação 
mundial do modo de produção capitalista e sua penetração na estrutura 
social da sociedade. No entanto, em resposta à exploração a que foram 
submetidos, os trabalhadores lutaram, e essas batalhas foram contra o 
Estado, que não garantiu os direitos sociais e individuais do povo, mas os 
expôs à exploração em nome do crescimento econômico. 
Diante do descaso com as necessidades sociais pelo Estado, 
originou-se revoltas e demandas por melhores condições de vida, as 
chamadas “lutas sociais”, que foram movimentos contra as contradições 
do capitalismo, que amplificaram e concretizaram a questão social, ou 
seja, visavam combater diversas manifestações de questões sociais no 
campo da sociedade civil.
SAIBA MAIS:
Segundo Behring e Boscheti (2011), a mobilização dos 
trabalhadores foi importante para a mudança do Estado 
e, como resultado dessa mudança, algumas conquistas 
foram alcançadas, como direitos políticos em oposição 
aos direitos civis, mas uma sociedade que muito contribuiu 
para o direito de expansão. Dessa forma, com a mobilização 
social, as questões sociais se transformaram em questões 
políticas e públicas. Logo, o Estado tornou-se responsável 
pelas necessidades sociais, possibilitando às pessoas o 
acesso a bens e serviços públicos por meio de políticas 
sociais.
Introdução ao Serviço Social
15
Os problemas sociais são a base dos movimentos sociais na 
sociedade brasileira e se referem à luta pelas riquezas produzidas pela 
sociedade. São essas lutas que estão na origem da constituição das 
políticas públicas e mobilizam o Estado para responder às necessidades 
de saúde, emprego, educação e moradia e impulsionam o movimento 
das políticas públicas (RAICELIS, 2006).
No Brasil, foi por meio dessas lutas, ao longo do século XX, que 
a Constituição Federal de 1988 foi redigida e promulgada para proteger 
os cidadãos, daí o nome Constituição Cidadã. Sobre essa relação entre o 
capitalismo e a política social, Becker (2014) afirma que a política social é a 
resposta do Estado para apaziguar a sociedade civil, garantindo, assim, o 
equilíbrio entre trabalhadores e proprietários de capital.
RESUMINDO:
Portanto, a relação entre luta de classes e dominação de 
uma classe sobre outra precisa ser mediada pelo Estado, 
para que haja certo equilíbrio na sociedade. Assim, as 
políticas sociais são utilizadas para garantir a sobrevivência 
mínima e para que os trabalhadores permaneçam ativos no 
processo de exploração pela venda de mão de obra.
Desse modo, pode-se entender que quando o Estado formula as 
políticas sociais, ele não considera o bem social, mas a continuidade 
do sistema econômico, que causará todos os problemas sociais, sendo 
que o próprio Estado precisa intervir neles. Logo, podemos concluir que 
a relação entre capitalismo e política social deve-se à necessidade de 
intervenção do Estado para manter a ordem social e garantir o controle 
sobre as grandes massas.
A questão social, bem-estar social e Serviço Social 
A questão social é a expressão de uma série de desigualdades 
sociais que levam a uma sociedade cheia de conflitos, ou seja, iniquidade, 
e a ações dos assistentes sociais para reduzir as consequências desses 
problemas.
Introdução ao Serviço Social
16
As questões sociais surgiram por volta de 1830. Devido às mudanças 
sociais, políticas e econômicas trazidas pela Revolução Industrial, elas 
trouxeram problemas como perda de qualificação profissional, mão de 
obra barata e desemprego estrutural, e a substituição de humanos por 
máquinas. 
Assim, Pereira (2004) afirma que a questão social assim definida 
surgiu no início do século XIX, não só pela existência efetiva e real das 
desumanas condições de vida e de trabalho do proletariado emergenteno 
processo de industrialização moderna, mas também pelo reconhecimento 
e reação a questão social.
Então, diante do reconhecimento da situação da população, 
as questões sociais vão surgindo e emergindo, moldadas pelo 
reconhecimento dos direitos dos trabalhadores e contrariadas pelo 
sofrimento e baixa moral dos trabalhadores. Nesse caso, a questão social 
afeta o estado de bem-estar social, pois é sua expressão que torna as 
pessoas conscientes de sua real situação, o que suscita a necessidade 
de intervenção estatal. Assim, dá origem à regulação estatal, por meio 
da qual os movimentos sociais podem ser instrumentos de controle sem 
afetar a economia.
Nesse contexto, Iamamoto e Carvalho (2004) apresentam o conceito 
de questão social como uma manifestação do capitalismo, que divide a 
sociedade em trabalhadores e capitalistas, em que os trabalhadores são 
explorados ao vender mão de obra barata e, portanto, não conseguem 
suprir suas necessidades básicas, culminando em uma série de 
manifestações sociais relacionadas à falta de renda e apoio do Estado. 
Desse modo, Arcoverde (2008) confirma que a questão social pode 
ser entendida como problemas não atendidos da maioria da população 
controlada pela minoria. Assim, caracteriza-se como a luta pelos direitos 
sociais em busca de uma melhor qualidade de vida. 
Introdução ao Serviço Social
17
IMPORTANTE:
Portanto, diante da crescente necessidade de intervenção 
social, com o advento do capitalismo, o Serviço Social 
surgiu pela primeira vez na Europa e nos Estados Unidos, 
tendo protagonizado muitas questões e dando origem 
a diversas expressões da questão social. O capitalismo 
propiciou o desenvolvimento de problemas como: 
alienação, contradição, antagonismo etc. Logo, o Serviço 
Social originou-se do projeto hegemônico da burguesia 
como uma prática humanitária, sendo reconhecido e 
protegido pelo Estado. Era uma espécie de serviço que 
passava a ilusão de servir aos trabalhadores. 
Assim, em 1904, o termo "Serviço Social" foi usado pela primeira 
vez nos Estados Unidos e estava intimamente associado a atividades 
de caridade. No Brasil, o surgimento do Serviço Social também está 
associado ao desenvolvimento do capitalismo, que ocorreu de forma 
tardia, por volta de 1930, quando ocorreram as primeiras ações do estado 
de bem-estar social desenvolvidas no país. Nessa época, os profissionais 
de Serviço Social, os assistentes sociais, eram responsáveis por trabalhar 
com muitos trabalhadores para ajudar no controle social, período 
conhecido como conservador. 
Nesse período, o Brasil deixou de ser um país predominantemente 
agrícola e a população rural migrou para as cidades em busca de 
melhores condições de vida. Ainda, o crescimento desordenado da 
população urbana levou à superlotação, ao surgimento de apartamentos, 
à reunião de famílias inteiras e à falta de estrutura, de modo que não havia 
saneamento ou qualquer condição de vida digna, gerando questões 
sociais que já existiam, mas que não eram vistas como problemas até 
aquele momento. 
Introdução ao Serviço Social
18
VOCÊ SABIA?
A Associação das Senhoras Católicas nasceu no Rio de 
Janeiro em 1920, enquanto a Liga das Senhoras Católicas 
em São Paulo, em 1923. Ambas tinham o objetivo de não 
só ajudar os pobres, mas também cuidar e mitigar algumas 
das consequências do desenvolvimento capitalista, 
especialmente quando se trata de crianças e questões 
sociais das mulheres. 
Segundo Albernaz e Silva (2009), esse profissional atua no combate 
aos males causados pelo capitalismo: fome, desemprego, miséria, 
precarização das relações de trabalho, exploração de menores, mulheres, 
idosos etc. Em suma, é a expressão da questão social. 
O Serviço Social tem na questão social a base de sua 
fundação enquanto especialização do trabalho. Os 
Assistentes sociais, por meio da prestação de serviço 
sócio-assistenciais – indissociáveis de uma dimensão 
educativa (ou político-ideológico) – realizada nas 
instituições públicas e organizações privadas, interferem 
nas relações sociais cotidianas, no atendimento às variadas 
expressões da questão social, tais como experimentadas 
pelos indivíduos sociais no trabalho, família, na luta pela 
moradia e pela terra, na saúde, na assistência social 
publica, entre outras dimensões. (IAMAMOTO, 2008, p. 163)
Portanto, a questão social tem grande influência no surgimento do 
Serviço Social, sendo o principal motivo da necessidade de intervenção, 
o que afeta também o desenvolvimento do estado de bem-estar, diante 
do movimento e da luta por melhores condições de vida. Nesse período, 
a incapacidade do Estado de atender às necessidades dos trabalhadores 
suscita suas preocupações, gerando questão sociais e expressando-
as de diversas formas: desigualdade social, pobreza e desemprego 
(ARCOVERDE, 2008).
Introdução ao Serviço Social
19
Figura 3 – Expressões da questão social
Fonte: Wikimedia Commons 
As expressões da questão social brasileira podem ser entendidas 
como desigualdade e exclusão social, que se manifestam na pobreza, no 
desamparo, na violência pessoal e social, na subversão e no desemprego. 
Essa expressão se apresenta sob os enfoques políticos, econômicos e 
sociais que vêm imprimindo as lutas dos trabalhadores rurais e urbanos, 
negros e índios, que, em suas reivindicações, têm feito da terra, da 
habitação, da política social, do emprego e de sua regulamentação a 
sociedade para a liberdade, a luta pela inclusão das minorias, a inclusão 
social da maioria desprivilegiada e a luta pelo meio ambiente. 
Em poucas palavras, Yazbek (2009) reitera que o trabalho social 
começa com o crescimento do capital e o crescimento das cidades, 
que aumentaram excessivamente, criando cortiços e outras moradias 
inadequadas e exigindo, assim, profissionais qualificados para lidar com as 
necessidades e os problemas das pessoas e para enfrentar as chamadas 
questões sociais. Nesse caso, o Estado passou a intervir nas relações 
sociais, abrindo o mercado de trabalho aos serviços sociais e ampliando 
sua atuação, que deixou de ser filantropia para ser a busca por direitos 
humanos.
Introdução ao Serviço Social
20
Dessa forma, o Estado vem promovendo gradativamente a 
profissionalização dos assistentes sociais e ampliou seus campos de 
trabalho para novas formas de enfrentamento da questão social. Essa 
vinculação com a política social também afetará o perfil da população-
alvo da ação do Serviço Social, que se expandirá e atingirá a maioria dos 
trabalhadores, foco principal da ação de assistência estatal (YAZBEK, 
2009).
SAIBA MAIS:
Os assistentes sociais ajudam a promover ações que 
construam, reconstruam e mantenham a autonomia familiar, 
sendo um processo de identificação de dificuldades nas 
famílias, além de trabalhar com elas para contribuir para a 
possibilidade de mudança, melhorando, assim, a qualidade 
de vida. Logo, essas ações se configuram como ações para 
o estado de bem-estar. 
Com o tempo, os objetivos da assistência social passaram a ir além 
de “ajudar” para que as necessidades dos cidadãos fossem realmente 
atendidas. Ela continua sendo uma política pública desenvolvida em 
conjunto, desempenhando um papel importante na implementação de 
ações e políticas públicas para resguardar o direito ao trabalho de quem 
dele necessita (SANTOS; FREITAS, 2012).
Percebe-se que o Serviço Social se desenvolveu e se tornou 
cada vez mais capaz de intervir nas expressões da questão social. Nele, 
a garantia do direito ao trabalho ganhou espaço, pois o trabalho é uma 
dignidade humana e uma necessidade básica para a sobrevivência. 
Assim, por sua vez, o Serviço Social é considerado a especialização do 
trabalho, uma parte do estabelecimento das relações sociais na sociedade 
capitalista e gerador de dimensões objetivas e subjetivas dos problemas 
sociais (IAMAMOTO, 2009). 
O Serviço Social só pode ser decifrado no contexto da inserção,ou seja, no âmbito das relações mais amplas que compõem a sociedade 
capitalista, especialmente no contexto das respostas que a sociedade e 
o Estado constroem diante da questão social e suas multidimensionais. 
Introdução ao Serviço Social
21
Iamamoto (2001) também afirmou que o Serviço Social é socialmente 
necessário porque atua nas questões que envolvem a existência social 
e material da maioria da população trabalhadora. Logo, a importância 
do Serviço Social reside na sua legitimidade dentro de um conjunto de 
mecanismos reguladores da política de ajuda, da sua atuação no Estado, 
embora seja considerado um trabalho liberal pelo Ministério do Trabalho, 
por meio da Portaria nº 35, de 19 de abril de 1949, destinado a abordar as 
consequências dos problemas sociais. 
Diante do exposto, identifica-se que o Serviço Social se posicionou 
inicialmente como uma profissão que auxilia e subsidia o controle entre as 
classes dominante e trabalhadora, sendo definido como uma ferramenta 
de intervenção nos “problemas sociais” e mobilizando suportes de 
sistemas empíricos e ideológicos.
Assim, as questões sociais são a base para o surgimento do Serviço 
Social e, assim, tornam-se objeto de seu trabalho. Diante das ações 
implementadas pelo estado de bem-estar social que surgiu no Brasil, o 
Serviço Social passou a se desenvolver e a atuar como uma ferramenta 
de trabalho, controle e serviços sociais.
Introdução ao Serviço Social
22
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o 
capitalismo é um sistema econômico contraditório, que 
promete riquezas ao preço de uma exploração trabalhista. 
Devido a essa exploração, identificou-se uma crescente 
desigualdade social, o surgimento da questão social e, 
posteriormente, do Serviço Social. Assim, aprendemos 
também que o Serviço Social surgiu como resposta à 
exploração capitalista dos trabalhadores, de modo que os 
assistentes sociais intervieram nessa realidade, polarizando 
relações e interesses e participando da reprodução dos 
antagonismos sociais. Assim, percebe-se que o estado 
de bem-estar social afeta os problemas sociais porque 
são implementadas ações para reduzir o impacto do 
capitalismo na sociedade, ou seja, expressões de oposição 
direta à questão social. Os serviços sociais surgem, nesse 
momento, como trabalhadores, instrumentos de mediação 
entre capitalistas, criando uma forma de controle social 
marcada pelo assistencialismo e pela ação benevolente.
Introdução ao Serviço Social
23
Atribuições dos Assistentes Sociais 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar e 
entender as atribuições de um assistente social. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então, 
vamos lá. Avante!
Atribuições privativas e competências do 
Assistente Social
A lei que regulamenta a profissão do assistente social é a Lei nº 
8.662, de 7 de julho de 1993. Nesse texto normativo, contempla-se as 
atribuições, as competências e as especificidades da atuação profissional 
(BRASIL, 2012).
Figura 4 – Capa do livro que traz o Código de Ética profissional e a Lei de regulamentação 
da profissão
 
Fonte: Brasil (2012)
Introdução ao Serviço Social
24
Sobre as atribuições privativas do assistente social, elas estão 
previstas no art. 5º da Lei nº 8.662/1993, a qual contempla:
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar 
estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área 
de Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar programas e projetos 
em Unidade de Serviço Social;
III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração 
Pública direta e indireta, empresas privadas e outras 
entidades, em matéria de Serviço Social;
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, 
informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível 
de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções 
que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso 
de formação regular;
VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de 
estagiários de Serviço Social;
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de 
Serviço Social, de graduação e pós-graduação;
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de 
estudo e de pesquisa em Serviço Social;
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames 
e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de 
seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos 
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos 
assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos 
Federal e Regionais;
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em 
entidades públicas ou privadas;
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da 
gestão financeira em órgãos e entidades representativas 
da categoria profissional. (BRASIL, 2012, p. 44-45) 
Introdução ao Serviço Social
25
É importante não apenas refletir sobre as atribuições exclusivas e 
profissionais do assistente social, mas também sobre as competências 
desse profissional. 
Trazer para o debate não apenas as atribuições privativas, 
mas as competências profissionais colocam em cena 
não somente aquilo que, pela lei, é função exclusiva do 
Serviço Social, mas também aquilo que potencialmente 
podemos/devemos desenvolver no trabalho profissional. 
(MATOS, 2015, p. 681)
IMPORTANTE:
É importante prestar atenção na diferença entre as 
atribuições privativas dos profissionais e as competências 
profissionais. De acordo com Matos (2015), as atribuições 
privativas são as ações exclusivas desse profissional, ou 
seja, que apenas ele pode exercer, por exemplo, ser um 
docente de curso de graduação ou pós-graduação na área 
do Serviço Social, o qual está previsto no inciso 5º da Lei 
nº 8.662/93. Já com relação às competências, elas são 
ações que os profissionais desenvolvem, contudo, não são 
exclusivas de sua atuação, ou seja, podem ser exercidas 
por outros profissionais também, por exemplo: laborar, 
implementar, executar e avaliar políticas sociais. 
As competências estão previstas no art. 4º da Lei nº 8.662/93, a 
qual engloba as seguintes competências:
I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas 
sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou 
indireta, empresas, entidades e organizações populares;
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, 
programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do 
Serviço Social com participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a 
indivíduos, grupos e à população;
IV - (Vetado);
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos 
sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso 
dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
Introdução ao Serviço Social
26
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços 
Sociais;
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam 
contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar 
ações profissionais;
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da 
administração pública direta e indireta, empresas privadas 
e outras entidades, com relação às matérias relacionadas 
no inciso II deste artigo;
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em 
matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na 
defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X - planejamento, organização e administração de Serviços 
Sociais e de Unidade de Serviço Social;
XI - realizar estudos socioeconômicos com os usuários 
para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da 
administração pública direta e indireta,empresas privadas 
e outras entidades. (BRASIL, 2012, p. 44-45) 
Com relação às políticas sociais, elas estão intrinsecamente 
relacionadas à atuação profissional do assistente social, ou seja, a política 
social faz parte da essência da profissão, causa de seu surgimento e 
desenvolvimento. Diante das consequências do capitalismo, o Estado 
precisa intervir para atender às necessidades sociais e, portanto, necessita 
de profissionais capazes de fazer a mediação entre classe social, Estado 
e capital. 
Portanto, segundo Freitas (2020), o Serviço Social é uma profissão 
intervencionista cuja história está intimamente ligada à resposta do 
Estado às “questões sociais” expressas por meio da política social, que 
permanece até hoje sendo o maior campo de atuação dessa categoria 
profissional.
Dessa forma, Guerra et al. (2016) corroboram ressaltando que diante 
da atuação de uma assistente social no atendimento às necessidades 
da sociedade, ela desenvolve uma relação com as políticas sociais 
e é responsável por sua implementação, sendo essa uma de suas 
competências profissionais previstas no art. 4º da Lei nº 8.662/93.
Introdução ao Serviço Social
27
VOCÊ SABIA?
É devido às competências profissionais do assistente social 
que ele tem condições de decifrar e aprofundar suas ações 
e intervenções, levando sempre em conta as prerrogativas 
profissionais e as atribuições privativas, fazendo, assim, a 
diferenciação entre competências e atribuições exclusivas, 
o que permite realizar uma análise crítica sobre a realidade 
e direcionar a sua atuação. 
Na área de análise da prática profissional dos assistentes sociais, é 
necessário entender como eles conduzem suas atividades profissionais. 
Parte da compreensão dessa prática profissional se desenvolve 
prioritariamente no espaço de atuação profissional, que será estudado 
nas unidades seguinte.
Assim, os assistentes sociais trabalham para planejar e implementar 
os serviços sociais que desenvolvem para a população quando realizam 
atividades relacionadas a instituições estatais, paraestatais ou privadas. 
Atribuições privativas e competências 
na atuação no Centro de Referência da 
Assistência social (CRAS)
O CRAS é o principal ponto que dá aos usuários o acesso aos direitos 
socioassistenciais de uma dada região, devido à sua melhor capitalização 
como unidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e por ser 
mais acessível e próxima dos usuários. 
Para cumprir com efetividade tal prerrogativa, o CRAS 
deve assegurar as famílias usuárias de seus serviços os 
seguintes direitos: de conhecer o nome e a credencial 
de quem o atende (profissional técnico, estagiário ou 
administrativo do CRAS); à escuta, à informação, à defesa, à 
provisão direta ou indireta ou ao encaminhamento de suas 
demandas de proteção social asseguradas pela Política 
Nacional de Assistência Social (PNAS); a dispor de locais 
adequados para seu atendimento, tendo o sigilo e sua 
integridade preservados; de receber explicações sobre 
Introdução ao Serviço Social
28
os serviços e seu atendimento de forma clara, simples e 
compreensível; de receber informações sobre como e onde 
manifestar seus direitos e requisições sobre o atendimento 
socioassistencial; a ter seus encaminhamentos por 
escrito, identificados com o nome do profissional e seu 
registro no Conselho ou Ordem Profissional, de forma 
clara e legível; a ter protegida sua privacidade, dentro dos 
princípios e diretrizes de ética profissional, desde que não 
acarrete riscos a outras pessoas; a ter sua identidade e 
singularidade preservadas e sua história de vida respeitada; 
de poder avaliar o serviço recebido, contando com espaço 
de escuta para expressar sua opinião; a ter acesso ao 
registro dos seus dados, se assim o desejar; a ter acesso 
às deliberações das conferências municipais, estaduais e 
nacionais de assistência social. (CNAS, 2009, p. 14)
Diante do exposto, apresenta-se os direitos dos usuários que fazem 
parte do público-alvo do CRAS, os quais têm o direito de ser atendido 
de forma digna, sigilosa e profissional, sendo protegidos pela Política 
Nacional de Assistência Social (PNAS).
VOCÊ SABIA?
O CRAS, em âmbito nacional, é uma rede de proteção 
básica de promoção social que vem ganhando espaço e 
se tornando prioritário. O funcionamento do CRAS por todo 
o país representa mais um fio da extensa rede de proteção 
e promoção social que estamos construindo no Brasil. 
Proteção e promoção que, desde o início, foram ganhando 
espaço como prioridade e decorrem do reconhecimento 
de que o desenvolvimento só pode ser alcançado 
combinando o crescimento econômico à proteção social, 
ou seja, a ação social nacional é essencial para o processo 
de desenvolvimento de um país (CNAS, 2009).
Evidencia-se, assim, que a proteção e a promoção social são 
fundamentais para o desenvolvimento e o crescimento do país, o que 
lhes dá uma maior visibilidade por parte do Estado com relação aos 
investimentos para aplicar nesses setores e centros de referência.
Uma das funções do CRAS, de acordo com Silva e Corgozinho 
(2011), é, sob orientação do gestor municipal de Assistência Social, 
Introdução ao Serviço Social
29
realizar o mapeamento e a organização da rede socioassistencial de 
proteção básica, organizando a introdução das famílias daquela área de 
abrangência nos serviços de assistência social, bem como encaminhar 
a população local para as demais políticas públicas e sociais, caso 
necessário, possibilitando a ampliação de ações intersetoriais que visem 
à sustentabilidade e ao rompimento com o processo de exclusão social, e 
evite que tais famílias, indivíduos e grupos tenham seus direitos infringidos.
O CRAS é a casa da família dentro da política de proteção social 
básica. Ele é uma unidade pública estatal descentralizada da política de 
assistência social, responsável pela organização e oferta de serviços da 
proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) nas 
áreas de vulnerabilidade e risco social dos municípios e Distrito Federal. 
Dada à sua particularidade nos territórios, caracteriza-se como principal 
porta de entrada do SUAS, ou seja, é uma unidade que possibilita o acesso 
de muitas famílias à rede de proteção social de assistência social (CNAS, 
2009).
Assim, entende-se que o CRAS atua com famílias em vulnerabilidade 
social, tendo como objetivo evitar a ocorrência de riscos à estrutura 
familiar, como rompimento de vínculos, violências etc. Para isso, fortalece 
a família por meio de desenvolvimento de ações que intensificam os 
vínculos familiares e comunitários.
IMPORTANTE:
A origem do Serviço Social nos Centros de Referência da 
Assistência Social (CRAS ocorreu após a aprovação de um 
conjunto de normativas, sendo elas: a Política Nacional de 
Assistência Social (PNAS), em 2004; a Norma Operacional 
Básica (NOB/SUAS), em 2005; e a NOB/RH/SUAS, em 
2006.
A atuação do assistente social se dá em contato direto em todo 
momento com o usuário, o que de fato permite dar resposta imediatas 
a situações muitas vezes complexas, que podem até decidir a vida do 
cidadão, provocando uma mudança radical. Diante disso, no que se refere 
aos deveres profissionais, o artigo 3º do Código de Ética estabelece:
Introdução ao Serviço Social
30
Art. 3º - São deveres do (a) assistente social:
a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência 
e responsabilidade, observando a Legislação em vigor;
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no 
exercício da profissão;
c) abster-se, no exercício da profissão, de práticas que 
caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o 
policiamento dos comportamentos, denunciando sua 
ocorrência aos órgãos competentes;
d) participar de programas de socorro à população em 
situação de calamidade pública, no atendimento e defesa 
de seus interesses e necessidades. (BRASIL, 1993, p. 27)
Assim, busca executar um trabalhoem conjunto, o que permite 
sistematizar e operacionalizar com todas as especialidades da instituição, 
em especial com o psicólogo e o coordenador para uma maior eficácia 
no seu trabalho, pois com a troca de conhecimento e respeitando a 
especificidade de cada membro da instituição, haverá um andamento 
adequado para o usuário. Afinal, o assistente social tem uma relação de 
compartilhar com profissionais de áreas diversas, mas que têm o mesmo 
objetivo em comum. Assim, esse profissional tem a responsabilidade de 
adquirir uma compreensão sobre as suas constituições e contradições para 
que, com o seu profissionalismo, possa sancionar os direitos das pessoas 
mais oprimidas, minimizando, assim, as suas fragilidades e dificuldades 
com relação aos diretos que cada usuário tem garantido por lei. 
A "inserção privilegiada" do assistente social junto às políticas de 
proteção social refere-se à particularidade interventiva do profissional 
de lidar cotidianamente com as "múltiplas e diversificadas expressões da 
questão social" (SILVA; CORGOZINHO, 2011).
VOCÊ SABIA?
O profissional de serviço social no CRAS trabalha em 
proporção da liberdade de participação, incentivando 
a cidadania, reaquecendo os direitos dos cidadãos, 
valorizando o pessoal e o individual e mostrando o valor 
em conjunto. 
Introdução ao Serviço Social
31
Outro ponto importante em sua atuação é o sigilo profissional, o qual 
é um direito do profissional e está inscrito nos artigos 15 e 16 do Código de 
Ética Profissional: “Art. 15 - Constitui direito de o assistente social manter o 
sigilo profissional” e “Art. 16 - O sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo 
de que o assistente social tome conhecimento, como decorrência do 
exercício da atividade profissional” (BRASIL, 2012, p. 35).
Na resolução CFESS nº 493/2006, o sigilo profissional está inscrito 
no art. 3º: “O atendimento efetuado pelo assistente social deve ser feito 
com portas fechadas, de forma a garantir o sigilo” (CFESS, 2006, on-line).
Diante do exposto, é possível inferir que os profissionais, para que 
consigam realizar uma intervenção profissional de qualidade, devem estar 
com os propósitos de suas práticas bem estabelecidos, fazendo escolhas 
fundadas em sua opção política e ética, estabelecidas pelo Projeto 
Ético-Político Profissional, para que consigam compreender o verdadeiro 
significado de sua prática na sociedade.
O instrumental técnico-operativo
Os instrumentais técnico-operativos utilizados pelo assistente social 
dentro do CRAS são: observação, entrevista, dinâmica de grupo, reunião, 
mobilizações de comunidade, visitas, ata de reunião, livros de registro, 
diários de campo, relatório social e parecer social.
Figura 5 – A instrumentalidade no Serviço Social
 
Fonte: Medeiros (2017)
Introdução ao Serviço Social
32
A observação do assistente social é mais profunda que qualquer 
outra, pois o profissional tem um olhar além da realidade exposta, já que 
vê além do que está aparente. 
A observação é o objetivo do trabalho, suas atribuições 
e competências que definem a forma como o Assistente 
Social deverá utilizá-los, a saber, a intervenção sobre as 
diferentes expressões da “questão social”, nas interações 
entre universalidade e singularidades. (SOUSA, 2008, p. 
126)
As entrevistas são conversas com os usuários. Os profissionais usam 
perguntas cuidadosamente preparadas para tentar encontrar a causa raiz 
do problema em questão. Assim, elas podem ser pessoais, quando o 
profissional fala com apenas uma pessoa, geralmente em casos violentos, 
ou coletivas, quando toda a família está envolvida, para que o mesmo 
conteúdo possa ser compreendido a partir da fonte da pergunta.
Estabelecer essa relação de respeito é fundamental, pois 
se o usuário não é respeitado nesse direito básico, não 
apenas estaremos desrespeitando-o, como prejudicando 
o próprio processo de construção de um conhecimento 
sólido sobre a realidade social que ele está trazendo, 
comprometendo toda a intervenção. Importante ressaltar 
que, por ser um observador participante, o Assistente 
Social também emite suas opiniões, valores, a partir dos 
conhecimentos que já possui. Desse modo, entrevistar 
é mais do que apenas “conversar”: requer um rigoroso 
conhecimento teórico-metodológico a fim de possibilitar 
um planejamento sério da entrevista, bem como a 
busca por alcançar os objetivos estabelecidos para sua 
realização. (SOUSA, 2008, p. 27)
A dinâmica de grupo é muito importante para o controle coletivo 
dos usuários e para falar de um tema com um número maior de usuários.
A dinâmica de grupo é uma técnica que utiliza jogos, 
brincadeiras, simulações de determinadas situações, com 
vistas a permitir que os membros do grupo produzam 
uma reflexão acerca de uma temática definida. No caso 
do Serviço Social, uma temática que tenha relação com o 
objeto de sua intervenção – as diferentes expressões da 
“questão social”. Para tanto, o Assistente Social age como 
um facilitador, um agente que provoca situações que 
levem à reflexão do grupo. (SOUSA, 2008, p. 127)
Introdução ao Serviço Social
33
O trabalho de grupo é uma ferramenta muito importante para 
reflexão, porém é de difícil resolução, pois o profissional precisa ser 
muito apto para realizá-la, sabendo escolher o tema, as brincadeiras e a 
abordagem, a fim de não prejudicar o andamento da intervenção.
A reunião também é feita com o coletivo, porém o objetivo da reunião 
é resolver um problema chegando a um consenso com os participantes dela. 
Essa postura já indica que, ao coletivizar a decisão, o 
coordenador de uma reunião se coloca em uma posição 
democrática. Entretanto, colocar-se como um líder 
democrático não significa não ter firmeza quanto ao 
cumprimento dos objetivos da reunião. O espaço de 
tomada de decisões é um espaço essencialmente político, 
pois diferentes interesses estão em confronto. Saber 
reconhecê-los e como se relacionar com eles requer uma 
competência teórica e política, de modo que a reunião 
possa alcançar o objetivo de tomar uma decisão que 
envolva todos os seus participantes. (SOUSA, 2008, p. 127)
As mobilizações de comunidade têm o objetivo de envolver as 
comunidades nas decisões, pois elas são o público-alvo do trabalho do 
profissional de serviço social. 
Para a mobilização de comunidade é necessário que o 
Assistente Social conheça a comunidade, os atores sociais 
que lá atuam: os agentes políticos, as instituições existentes, 
as organizações (religiosas, comerciais, políticas) e como 
se constroem as relações de poder dentro da comunidade. 
Mas também é necessário conhecer quais são as principais 
demandas e necessidades da comunidade, de modo a 
propor ações que visem ao atendimento das mesmas. 
(SOUSA, 2008, p. 128)
Por fim, a visita é um instrumento que, assim como a observação, 
tem o objetivo de conhecer a realidade do usuário de forma mais real, 
indo além do que ele declara na entrevista. 
A visita domiciliar não é exclusividade do Assistente Social: 
ela só é realizada quando o objetivo da mesma é analisar 
as condições sociais de vida e de existência de uma família 
ou de um usuário – pois é esse “olhar” que determina a 
inserção do Serviço Social na divisão social do trabalho. 
(SOUSA, 2008, p. 128)
Introdução ao Serviço Social
34
Figura 6 – Visita domiciliar 
 
Fonte: Freepik 
A ata de reunião é simplesmente o registro de tudo que aconteceu 
na reunião, assim como o nome de todos os presentes, com a data e a hora 
em que ela foi realizada e, no final, a assinatura de todos. “Comumente, 
as atas de reuniões são lidas ao final da mesma, e, após sua aprovação, 
todos os participantes assinam – com garantia de que a discussão realiza 
da assim como a decisão tomada é de ciência de todos” (SOUSA, 2008, 
p. 129).
As atas são importantes, pois as decisões tomadas ali são registradas 
e caso alguém mude de ideia, está documentada sua aceitação nasdecisões tomadas, assim o profissional fica respaldado caso ocorram 
alguns problemas.
O livro de registro, segundo Sousa (2008) é um instrumento bastante 
utilizado, sobretudo em locais onde circulam muitos profissionais. Trata-se 
de um livro em que são anotadas as atividades realizadas, os telefonemas 
recebidos, as questões pendentes, os atendimentos realizados, dentre 
outras questões, de modo que toda a equipe tenha acesso ao que está 
sendo desenvolvido. 
Introdução ao Serviço Social
35
O livro de registro é importante para nortear toda a equipe, pois, no 
caso da ausência de um membro, os demais sabem, por meio do livro, 
exatamente o que está acontecendo e os casos que estão em atendimento.
O diário de campo, segundo Sousa (2008, p. 130), é um instrumento que 
auxilia bastante o profissional nesse processo. Trata-se de anotações livres do 
profissional, individuais, em que ele sistematiza suas atividades e suas reflexões 
sobre o cotidiano do seu trabalho. O diário de campo é importante porque 
o assistente social, na medida em que vai refletindo sobre o processo, pode 
perceber onde houve avanços, recuos e melhorias na qualidade dos serviços 
e aperfeiçoamento nas intervenções realizadas, além de ser um instrumento 
bastante interessante para a realização de futuras pesquisas. Ele é de extrema 
utilidade nos processos de análise institucional, o que é fundamental para 
localizar qualquer proposta de inserção interventiva do Serviço Social. 
O relatório social é a resolução da problemática que o profissional está 
atuando. Nele, o profissional coloca todas as suas observações sobre o caso. 
É uma exposição do trabalho realizado e das informações 
adquiridas durante a execução de determinada atividade. 
Semanticamente falando, é o relato dos dados coletados 
e das intervenções realizadas pelo Assistente Social. 
O relatório social pode ser referente a qualquer um dos 
instrumentos face a face, bem como pode descrever todas 
as atividades desenvolvidas pelo profissional (relatório de 
atividades). Desse modo, os diferentes relatórios sociais 
são os instrumentos privilegiados para a sistematização da 
prática do Assistente Social. (SOUSA, 2008, p. 130)
Figura 7 – Relatório social
 
Fonte: Freepik 
Introdução ao Serviço Social
36
Por fim, o parecer social é a opinião do assistente social sobre dados 
contidos no relatório, porém essa opinião deve ter fundamento teórico-
metodológico para ser expressa no parecer social.
O parecer social é crucial, pois é ele que dá ao Assistente 
Social uma identidade profissional – a inexistência de um 
parecer reduz o relatório a uma simples descrição dos 
fatos, não permitindo nenhuma análise profunda sobre os 
mesmos. Ora, todo o processo de formação profissional do 
Assistente Social, bem como o seu lugar na divisão social do 
trabalho, demanda que esse profissional se posicione diante 
das situações verificadas na realidade social. Isso requer um 
posicionamento político claro do Assistente Social – que 
possuem, no Código de Ética Profissional, os pilares básicos 
para tal posicionamento. (SOUSA, 2008, p. 131)
Figura 8 – Parecer social 
Fonte: Freepik 
Percebe-se que o parecer social é como o complemento do relatório 
social, mas com a diferença de que, no relatório, o profissional descreve os 
fatos vistos, observados e estudados, enquanto no parecer, ele expressa 
a opinião do assistente social, sendo um documento de fundamental 
importância e que deve ser bem elaborado, pois mostra a identidade dele.
Claramente, as competências e as atribuições privativas são a 
base do exercício profissional do assistente social e estão relacionadas 
à validade e à efetividade dos direitos sociais e, portanto, à socialização 
da participação política e à defesa do aprofundamento democrático 
socializado (SIMÕES, 2009).
Introdução ao Serviço Social
37
Portanto, a realização de competências e atribuições, além de ser uma 
exigência do exercício profissional, é também uma forma de melhor atender 
aos usuários e se alinhar com a profissão, pois sabe-se que o Código de 
Ética, o Programa de Política Ética e outros documentos visam não apenas 
defender os interesses dos assistentes sociais, mas também resguardar 
amplamente os direitos dos sujeitos com os quais esses profissionais 
trabalham diariamente nas diferentes políticas sociais (BRASIL, 2012).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a profissão de Serviço Social foi regulamentada pela Lei 
nº 8.662, de 7 de julho de 1993, a qual contempla, em seus 
artigos 4º e 5º, as competências e atribuições privativas 
desses profissionais. Foi estudada também a diferença entre 
os termos, competência e atribuições privativas. Assim, as 
competências são as ações realizadas pelos profissionais, 
mas que podem ser exercidas por outros profissionais, 
enquanto as atribuições privativas são as ações exclusivas 
desses profissionais, tais como a docência na área, tanto de 
graduação como de pós-graduação. Estudamos ainda as 
atribuições e as competências desses profissionais em um 
âmbito específico, os Centros de Referência da Assistência 
Social (CRAS), em que conhecemos alguns instrumentais 
de uso desses profissionais em sua atuação cotidiana de 
trabalho nesses centros. Desse modo, foi possível identificar 
as competências e as atribuições privativas. 
Introdução ao Serviço Social
38
Origem da profissão de Serviço Social no 
Mundo 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender 
a história do Serviço Social no mundo, suas motivações, 
evolução e cenário atual. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!
Origem do Serviço Social na Europa 
A política social decorre da contradição entre capital e trabalho, que 
surge principalmente com o desenvolvimento do capitalismo, obrigando 
o Estado a intervir nas diversas manifestações da questão social, as quais 
são provocadas pela luta dos trabalhadores por uma vida e um trabalho 
melhores (BEHRING; BOSCHETTI, 2011). 
Portanto, o Estado, que privilegiava o sistema capitalista passou a 
formular as políticas sociais e a regular as relações sociais produzidas, 
continuando, assim, a reproduzir como resultado no desenvolvimento da 
sociedade capitalista.
Segundo Behring e Boschetti (2011), a primeira ação social, 
conhecida como política social, não tem data específica e, portanto, 
é identificada junto com a luta proposta pela classe trabalhadora e o 
princípio de intervenção do Estado.
IMPORTANTE:
Assim, na Europa Ocidental, no final do século XIX, a política 
social começou a se desenvolver por meio de movimentos 
populares, dadas as consequências da Revolução Industrial, 
tais como: o aumento da natalidade, a superlotação urbana, 
a classe trabalhadora, a formação de sindicatos e os 
consequentes primeiros passos na política social.
Introdução ao Serviço Social
39
Antes da Revolução Industrial e da implantação do capitalismo, 
já existiam ações que se assemelhavam as políticas sociais. Elas eram 
realizadas por instituições beneficentes privadas, que promoviam 
ações filantrópicas. A ação mais conhecida foi a legislação mais nobre 
e frequentemente citada como pioneira, sendo ela a lei inglesa, que foi 
desenvolvida no período pré-industrial (BEHRING; BOSCHETTI, 2011).
Portanto, no período pós-revolução industrial, a política social 
passou a ser valorizada e reconhecida pelo Estado. Por isso, ocupa uma 
grande proporção e ainda é vista como a estratégia do governo para 
manter a ordem social, refletindo o próprio sistema capitalista. 
SAIBA MAIS:
A política social destaca-se por meio de expressões 
multifacetadas da questão social capitalista, com base na 
relação exploradora do capital com o trabalho.
Nesse contextode mediação e controle social, o Estado do século XX 
passou a mascarar as consequências do capitalismo na sociedade por meio 
de mecanismos políticos e econômicos para perpetuar a reprodução do 
sistema capitalista. O Estado de bem-estar é um exemplo desses mecanismos, 
utilizando estratégias e programas como expandir funções econômicas e 
sociais, controlar parcialmente a produção e incorrer em custos sociais.
A característica mais marcante e fundamental dessas configurações 
é que elas são implementadas e administradas pelo Estado. A proteção 
social é assumida pelo Estado (e reconhecida pela sociedade) como 
função legal e legítima, sendo a proteção social institucionalizada e 
concretizada por meio da política social. É importante ressaltar que essas 
políticas fazem parte de seu próprio âmbito relacional, envolvendo outros 
agentes e processos extremamente complexos, além do envolvimento de 
instituições profissionais, sempre repletas de incertezas (GIOVANNI, 1998).
Assim, segundo Pereira (2011), o estado de bem-estar foi o início 
da implantação do sistema previdenciário. Foi uma experiência britânica 
intensificada após a Segunda Guerra Mundial e que tinha características 
altamente contraditórias. 
Introdução ao Serviço Social
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Em contraste ao capitalismo, elas foram criadas para atender às 
necessidades sociais, não às necessidades econômicas privadas. No 
entanto, esse é o melhor momento para a política social, pois proporciona 
à classe trabalhadora serviços e benefícios, tais como os devidos direitos, 
sendo, portanto, uma ferramenta para a efetivação dos direitos sociais, 
mas, por sua natureza contraditória, atende também à classe trabalhadora.
VOCÊ SABIA?
A política social teve três etapas distintas em sua formação 
histórica, mediadas por nomes muito importantes, como: 
John Maynard Keynes, que defendia o pleno emprego 
como ferramenta de regulação econômica e social; William 
Beveridge, que utilizou como referência o keynesianismo, 
tratando do desenvolvimento da seguridade social; 
e, por fim, Thomas Humphrey Marshall, que trouxe a 
sistematização dos direitos civis, acabando, assim, com a 
visão do paternalismo nacional em face da política social.
O keynesianismo juntou-se à produção em massa fordista para 
consumo em massa e acordos coletivos com trabalhadores do setor 
monopolista em torno do aumento da produtividade do trabalho. Assim, o 
fordismo não foi apenas uma mudança tecnológica que introduziu linhas 
de montagem e eletricidade, mas também uma forma de regulação 
das relações sociais sob condições políticas específicas (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2011).
Essa relação entre fordismo e keynesianismo deu origem aos anos 
dourados do capitalismo, em que as condições de vida eram melhores 
e os trabalhadores podiam desfrutar de certa estabilidade de consumo, 
lazer e trabalho. No entanto, esse foi um breve período que novamente 
teve um impacto negativo na sociedade em meados da década de 1970. 
No século XX, com a crise econômica de 1929, houve uma expansão 
da política social. Seguindo a teoria de John Maynard Keynes, a teoria 
da intervenção estatal na regulação econômica e social, a experiência 
histórica dos Estados intervencionistas teve início nesse período, que faz 
a mediação entre os interesses do capitalismo e os interesses da classe 
trabalhadora, sendo conhecido como: o consenso do pós-guerra.
Introdução ao Serviço Social
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Figura 9 – John Maynard Keynes 
Fonte: Wikimedia Commons 
SAIBA MAIS:
O consenso do pós-guerra foi uma aliança entre capital e 
trabalho, inclusive abandonando o programa de socialização 
econômica defendido pela maioria da classe trabalhadora, 
de modo que várias leis foram aprovadas e o estado de 
bem-estar social expandido. De acordo com Viana (2008), 
o surgimento de sistemas modernos de proteção social 
no século XX nesse período teve como objetivo reduzir as 
disparidades sociais causadas pelo livre funcionamento 
dos mercados e as causas da desigualdade.
Para proteger os cidadãos desses movimentos de produção 
desiguais e socialmente inseguros, especialmente após a Segunda Guerra 
Mundial, o Estado assumiu o financiamento e o fornecimento de muitos 
bens e serviços aos cidadãos, já que eles não podiam adquirir esses bens 
apenas pela renda que ganhavam com seu trabalho ou precisavam deles 
quando não estavam trabalhando.
Percebe-se, no entanto, que o estado de bem-estar social se 
tornou, de fato, parte integrante do capitalismo, que na década de 1940 foi 
parcialmente regulamentado por questão de sobrevivência, pois deixou 
Introdução ao Serviço Social
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de ser liberal e passou a ser previdência e uma política social, apoiadas 
pelo conceito de seguridade social. A cidadania estava totalmente 
relacionada a esse currículo adotado pelo sistema capitalista, permitindo, 
assim, sua continuidade (PEREIRA, 2011). 
Assim, após a Segunda Guerra Mundial, o estado de bem-estar 
social se consolidou no continente europeu. Em 1942, o Reino Unido 
adotou o Plano Beveridge como base para o sistema de previdência 
social britânico, não apenas no Reino Unido, mas também em vários 
outros países europeus. 
VOCÊ SABIA?
William Beveridge, com base em teorias keynesianas, 
desenvolveu o sistema de previdência social, um conjunto 
de programas sociais cujas ações são direcionadas aos 
doentes, desempregados, idosos, deficientes etc.
As metas do Plano Beveridge, que busca prevenir a pobreza e 
reduzir as doenças por meio da redistribuição de renda, enfatizando as 
necessidades mais prementes e usando os recursos de forma consciente, 
são metas compartilhadas por todos. 
Do ponto de vista de Thomas Humphrey Marshall, que também 
defendia a cidade por meio da educação, o socialismo seria o sistema 
econômico mais ideal em busca da igualdade. Marshall defendia a 
educação como um direito social indiscutível que definia a igualdade 
humana. Para defender essa igualdade, os teóricos apontam que é 
preciso se intrometer em mercados competitivos e impor restrições que 
se refiram à evolução da cidadania social (BEHRING; BOSCHETTI, 2011).
Dessa forma, o estado de bem-estar em geral se configura como 
responsabilidade do Estado de cuidar de todos os cidadãos e, assim, 
manter seu bem-estar. Em outras palavras, trata-se da manutenção de 
um padrão mínimo de vida para todos os cidadãos como um direito social, 
por meio de uma série de serviços em dinheiro ou em serviços prestados 
pelo Estado (SILVA, 2004). 
Introdução ao Serviço Social
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Assim, no Reino Unido, as primeiras políticas sociais foram 
desenvolvidas a partir do modelo de estado de bem-estar social, 
resultando nos pilares de saúde, seguro e educação, com leis específicas 
para cada pilar, sendo elas: a Lei da Educação, a Lei do Seguro Nacional e 
a Lei do Serviço Nacional em Saúde.
Finalmente, aproximando-se de outros países europeus, na 
Alemanha, a política social surgiu como seguro social em meados de 
1883. Nesse país, o termo “estado de bem-estar” não é usado, sendo 
usado sozialstaat, que significa “estado social”. Já na França, é utilizada 
a palavra etat-providence, que significa “Estado-providência” (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2011). 
Portanto, pode-se concluir que o estado de bem-estar é um modelo 
de intervenção e assistência, com base nos direitos sociais universais 
de todos os cidadãos e na responsabilidade do governo de garantir a 
qualidade de vida de todas as pessoas. 
Foi nesse período de surgimento das políticas sociais que foram 
surgindo as primeiras ações profissionais dos assistentes sociais, antes 
marcados pela caridade de pessoas privadas e, depois, como mediadores 
do Estado para regular o capital e o trabalho por meio de mecanismos 
como o estado de bem-estar social. 
O Estado de bem-estar na Europa 
Falar em processo de construção é trazer a origem dos 
acontecimentos. Nesse caso, o capitalismo está enraizado no processo 
de construção do estado de bem-estarsocial, pois as consequências 
desse modelo econômico originalmente adotado pelos países europeus 
apresentava consequências devastadoras. Afinal, o capitalismo, a 
fim de se manter, torna o homem parte do sistema, seguindo a lógica 
da acumulação constante em detrimento do homem. Assim, explora 
constantemente sua força de trabalho, sendo muito trabalho para pouco 
salário, o que resulta em problemas, chamados de questão social. 
Introdução ao Serviço Social
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IMPORTANTE:
Intervenções são muito necessárias para garantir a 
proteção mínima da sociedade, que envolve padrões 
mínimos de saúde, educação, moradia, alimentação, renda 
e seguridade social. 
Assim, diante das consequências do capitalismo, alguns países da 
Europa Ocidental desenvolveram no século XX um mecanismo chamado 
de “estado de bem-estar social”, do termo em inglês welfare state. Ele foi 
projetado para proteger os cidadãos e, assim, melhorar as condições de 
vida de cada um deles. 
No entanto, como explicam Delgado e Porto (2018), antes do 
próprio welfare state se desenvolver, esses Estados já haviam realizado 
ações cruciais para a formação dele:
[...] a história do Estado Providência lança os seus primeiros 
passos na segunda metade do século XIX, com a 
emergência e o fortalecimento das organizações sindicais e 
político-partidárias dos trabalhadores e demais segmentos 
populares na Europa Ocidental, ao lado do começo das 
denominadas “políticas sociais” dos Estados Nacionais 
(inicialmente as políticas previdenciárias e acidentárias do 
trabalho, a par das políticas e legislações especificamente 
trabalhistas). (DELGADO; PORTO, 2018, p. 5)
Essas medidas são o arcabouço do modelo de estado de bem-
estar, porém, ainda não foram ponderadas nesse momento histórico. 
Durante esse período, programas sindicais políticos para trabalhadores 
e sindicalistas foram desenvolvidos, realizados e desenvolvidos no Reino 
Unido, França e Alemanha. Assim como o Plano Político Institucional, que 
normatiza as leis trabalhistas destinadas a conceder aos trabalhadores 
a cidadania civil, social, econômica e política, envolvendo 14 países por 
meio da Conferência de Berlim de 1890. 
Do ponto de vista autoritário, porém, a Alemanha também 
incorporou o planejamento político-institucional ao governo de Otto von 
Bismarck, que lançou um programa público de previdência e ajuda social 
(DELGADO; PORTO, 2018).
Introdução ao Serviço Social
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SAIBA MAIS:
No contexto histórico, a Alemanha introduziu políticas 
de seguridade social e lançou o primeiro plano de 
compensação de acidentes de trabalho em 1871, além 
do primeiro plano de seguro de saúde do trabalhador em 
1883, incluindo a velhice por invalidez permanente em 1889 
(KERSTENETZKY, 2012). 
Assim, a Alemanha tornou-se o ponto de partida e, logo, outros 
países da Europa Central começaram a incorporar essas políticas de 
seguridade social, que lançaram ainda mais as bases para o surgimento 
de futuros mecanismos de estado de bem-estar. 
Observou-se que evidências do estado de bem-estar social 
já existiam na Europa na segunda metade do século XIX, porém, esse 
modelo foi efetivamente implementado no início do século XX e era mais 
complexo, enraizando-se após a Segunda Guerra Mundial. Assim, na 
Europa, após 1945, estabeleceu-se como um modelo refinado e plano. 
Sobre o surgimento do estado de bem-estar social, Arretche (2019) 
pontou que um fenômeno do século XX foi a prestação de serviços sociais, 
a qual abrangia todas as formas de risco à vida individual e coletiva e se 
tornou um direito a ser assegurado pelo Estado para garantir os segmentos 
mais expressivos da população dos países capitalistas avançados, embora 
alguns países – como a Alemanha – tenham iniciado regimes de seguro 
social no final do século passado e desenvolvido políticas para proteger 
os idosos, as mulheres, os deficientes etc. 
Introdução ao Serviço Social
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IMPORTANTE:
O fenômeno do estado de bem-estar social que se 
desenvolveu em vários países no início deste século, 
sem dúvida, passou por uma inegável expansão e até 
institucionalização no pós-guerra. Desde então, um 
conjunto bem definido de programas de proteção social 
tornou-se comum e ganhou influência quase universal 
nesses países, garantindo direitos à aposentadoria, moradia, 
educação, saúde e muito mais.
No entanto, esse modelo de Estado de bem-estar de base alemã, 
focado na ocupação e no trabalho, ainda estava em desenvolvimento 
no início do século XX, e outro modelo de Estado de bem-estar, focado 
principalmente na generalização de direitos, foi proposto pelo estadista 
Wilhelm Wilhelm. 
O Beveridge da Grã-Bretanha, conhecido como estado de bem-
estar britânico, foi desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial e era 
fundamentado na igualdade, na participação do Estado, na economia e 
na sociedade, sem comprometer o sistema capitalista. Como resultado, 
esse modelo segundo-universalista passou a ter um impacto maior, 
mais complexo e estruturado que o modelo trabalhista, sendo inclusive 
adotado pela própria Alemanha e dando origem a outras políticas sociais 
do estado de bem-estar social que surgiram após a Segunda Guerra 
Mundial, como: saúde, transporte público, cultura, lazer etc. (DELGADO; 
PORTO, 2018). 
Assim, dois modelos de estado de bem-estar social são o grande 
padrão na Europa Ocidental: o primeiro com foco na proteção do trabalho, 
enquanto o segundo com foco em parâmetros de cidadania e universalidade. 
Mas, afinal, qual é o conceito de estado de bem-estar social? 
Pois bem, de acordo com Marshall (1967), o estado de bem-estar 
social é uma forma de intervenção legitimada que funciona na produção 
e distribuição de riqueza para ajudar os cidadãos a satisfazerem suas 
próprias necessidades. Incluindo necessidades básicas, pois o dinheiro 
é uma condição que limita o alcance de suas necessidades básicas, 
Introdução ao Serviço Social
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como alimentação, moradia, saúde etc. Como cidadãos, atender a essas 
necessidades é responsabilidade do Estado e direito de todas as pessoas, 
portanto, o estabelecimento de tais mecanismos de proteção social é 
necessário e urgente.
[...] os Estados de Bem-Estar Social nada mais são do 
que uma dentre as várias formas possíveis de sistema 
de proteção social, caracterizando-se pelo fato de 
que o Estado assume um papel mais contundente no 
atendimento das necessidades individuais fundamentais 
relativamente às demais formas de provisão, como o 
mercado e a família. Nesse caso, ele pressupõe um 
processo de desmercantilização, isto é, de redução do grau 
de dependência dos indivíduos em relação ao mercado 
para a preservação de seus direitos fundamentais, na 
condição de cidadãos. Isso significa a reversão do processo 
de reificação dos homens e das relações sociais que se 
estabelecem entre eles, dado que a sua sobrevivência não 
mais depende da compra e venda da força de trabalho 
para obter em troca aquilo de que necessitam. Ele 
pressupõe também um processo de desfamiliarização, ou 
seja, de redução do grau de dependência dos indivíduos 
em relação à família [...]. (WOLF; OLIVEIRA, 2016, p. 663)
Logo, percebe-se que esse papel interveniente do Estado (o 
welfare state) está relacionado à generalização da formulação de políticas 
públicas, que são ações formuladas para modificar ou manter a realidade, 
dependendo de sua finalidade. 
VOCÊ SABIA?
O estado de bem-estar tem essa imagem protetora para os 
membros da sociedade, cabendo ao Estado implementar 
esse mecanismo de proteção e garantir que os indivíduos 
sejam capazes de suprir suas necessidades básicas por 
meio de políticas públicas especificamente desenhadas 
para esse fim.
Cada tipo de política pública pode se desenvolver de maneira 
diferente, dependendo do papel que o Estado assume. Essas diferenças 
são evidentes no desenvolvimento do estado de bem-estar nos países da 
Europa Ocidental, em que ele se desenvolve

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