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Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves Doença de Chagas - Trypanosoma cruzi • Mecanismos de Transmissão • Transmissão pelo vetor: este mecanismo de transmissão é o que tem maior importância epidemiológica. A infecção ocorre pela penetração de tripomastigotas metacíclicos (eliminados nas fezes ou na urina de triatom íneos, durante o hem atofagismo) em solução de continuidade da pele ou mucosa íntegra. • Transfusão sanguínea: constitui o segundo mecanismo de importância epidemiológica na transmissão da doença de Chagas. Esta importância é maior ainda nas grandes cidades, onde é alta a prevalência da infecção e naqueles países da América Latina ou de outros continentes onde o controle desta possibilidade de transmissão não está bem estabelecido ou nunca foi implantado. Este mecanismo de transmissão tem diminuído de importância à medida que o Ministério da Saúde tem incentivado e apoiado o controle de vetores domiciliares, e que o controle de transfusão sanguínea tem se aperfeiçoado. Esta inda não é a realidade de alguns países da América Latina. • Transmissão congênita: a transmissão ocorre quando existem ninhos de amastigotas na placenta, que libera tripomastigotas que alcançam à circulação fetal. Este mecanismo de transmissão tem diminuído progressivamente de importância à medida que avança o controle vetorial nos diferentes países. Assim tem sido no Brasil uma vez que a prevalência da infecção é cada vez menor em pessoas mais jovens e em idade fértil. Esta transmissão tem sido relatada com todas as linhagens genéticas, exceto TcIV. • Acidentes de laboratório: pode ocorrer entre pesquisadores e técnicos que trabalham com o parasito, seja com sangue de animais, vetores e pessoas infectadas e cultura do parasito. A contaminação pode ocorrer por contato do parasito com a pele lesada, mucosa oral ou ocular ou autoinoculação. É necessário trabalhar com todas as condições de segurança. • Transmissão oral: pode acontecer em várias situações, como na amamentação, pois T. cruzi já foi encontrado em leite materno na fase aguda da infecção; animais ingerindo triatomíneos infectados; canibalismo entre diferentes espécies de animais; pessoas ingerindo alimentos contaminados com fezes ou urina de triatomíneos infectados. Este mecanismo de transmissão tem crescido de importância epidemiológica após relatos frequentes de sua ocorrência na Amazônia em função do extrativismo das florestas, principalmente do açaí. Pode ainda ocorrer contaminação com formas infectantes presentes na glândula de cheiro do gambá que, em situação de estresse, são liberadas contaminando diretamente alimentos que são ingeridos crus. A penetração do parasito, em todos estes casos, pode ocorrer pela mucosa da boca íntegra ou lesada. Esta transmissão tem sido mais relacionada a parasitos das linhagens Tcl e TcIV. • Coito: este mecanismo de transmissão já foi demonstrado experimentalmente e nunca foi comprovado na espécie humana. Há apenas relato de encontro de tripomastigotas em sangue de menstruação de mulheres chagásicas e no esperma de cobaios infectados. • Transplante: este mecanismo de transmissão pode desencadear fase aguda grave, pois o indivíduo que recebe um órgão transplantado infectado faz uso de drogas Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves imunossupressoras e, consequentemente, torna-se menos resistente à infecção. Este mecanismo pode também participar da transmissão da doença em países não endêmicos onde não se faz o controle específico da doença de Chagas. • OBS: Além de todas estas possibilidades descritas, os caçadores com as mãos feridas podem se infectar ao lidar com caça recém-abatida infectada. • Ciclo de vida • O ciclo de vida do T. cruzi inicia quando o barbeiro, ao se alimentar do hospedeiro vertebrado, elimina suas fezes e urina, onde podem estar presentes as formas tripomastigotas. • Os parasitas tripomastigotas penetram na pele e infectam as células do hospedeiro, onde transformam-se para a forma amastigota. • Quando as células estão repletas de parasitos, eles novamente mudam para a forma tripomastigotas. Por estarem com grande quantidade de parasitos, as células se rompem e os protozoários atingem a corrente sanguínea, atingindo outros órgãos. • Nessa fase, se o hospedeiro vertebrado for picado pelo barbeiro, os protozoários serão transmitidos ao inseto. No intestino do barbeiro, mudam sua forma para epimastigotas, onde multiplicam-se e tornam-se novamente tripomastigotas, as formas infectantes aos vertebrados. 1. Durante uma refeição de sangue, um inseto vetor Triatominae infectado (ou barbeiro) libera tripomastigotas em suas fezes, perto do local da ferida da mordida. Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves 2. Tripomastigotas entram no hospedeiro através da ferida ou através das membranas mucosas intactas (p. ex., conjuntiva). Dentro do hospedeiro, os tripomastigotas invadem as células próximas ao local da inoculação, onde se diferenciam em amastigotas intracelulares. 3. As amastigotas se multiplicam por fissão binária. 4. Eles se diferenciam em tripomastigotas, em seguida, eclodem para fora da célula e entram na corrente sanguínea. Tripomastigotas na corrente sanguínea podem infectar células em vários tecidos; lá, transformam-se em amastigotas intracelulares e causam infecção sintomática. Na corrente sanguínea, tripomastigotas, ao contrário de tripanossomas africanos, não se multiplicam. A multiplicação só recomeça quando os parasitas entram em outra célula ou são ingeridos por outro vetor. 5. O barbeiro torna-se infectado alimentando-se de sangue humano ou animal que contenha parasitas circulantes. 6. Os tripomastigotas ingeridos se transformam em epimastigotas no intestino médio do vetor. 7. Os parasitas se multiplicam no intestino médio. 8. No intestino grosso, eles se diferenciam em tripomastigotas metacíclicos infectantes, que são excretados nas fezes. • Período de incubação • De 5 a 14 dias após a picada do vetor, quando existe sintomatologia. • Por transfusão, o período é mais longo, de 30 a 40 dias. • As formas crônicas se manifestam mais de 10 anos após a infecção inicial. • Profilaxia • Medidas Específicas: • Luta Antivetorial • Cuidados para evitar a Transmissão Transfusional • Medidas Inespecíficas: • Melhoria da qualidade de vida da população. • Eliminação do barbeiros • Construção de casas apropriadas • Educação sanitária da população • Exposições de colchões ao sol • Manter o quintal limpo • Não manter dentro de casa animais de sangue quente • Medidas • 1. Educação sanitária. • 2. Luta contra o vetor. • a) Inseticidas. • b) Reboque das paredes. • c) Vigilância e manutenção constantes de áreas tratadas. • 3. Melhoramento ou substituição de moradias precárias. • 4. Prevenção da transmissão vetorial. • 5. Detecção dos casos agudos, congênitos e crônicos assintomáticos. • 6. Assistência aos doentes chagásicos agudo indeterminado e crônico. Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves • 7. Cuidado no manejo de animais silvestres ou de laboratório contaminados ou suspeitos de contaminação. • 8. Ensino e pesquisa em doença de Chagas. • Controle Específico (controle químico): • Borrifação com inseticidas: casa e peridomicílio. • Institucionalizado no Brasil em 1950, pelo Serviço Nacional de Malária. • Inseticidas: • Usados atualmente: piretróides: cyfluorina, cypermetrina, deltametrina